Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, setembro 20, 2019

NetBet "abraça" estado do Ceará e fecha mais dois patrocínios

Um dia após anunciar patrocínio máster ao time feminino do Fortaleza, o site de apostas esportivas NetBet divulgou mais dois aportes que envolvem o estado do Ceará. A empresa será patrocinadora do Verdes Mares Esporte Clube, equipe que disputa a Série C do Campeonato Cearense, e o Caucaia Esporte Clube, que joga a Taça Fares Lopes do Ceará.
Foto: Divulgação / NetBet
Os novos acordos ratificam o enfoque cada vez mais claro da NetBet no Ceará. No início do ano, o site de apostas foi o primeiro do seu ramo a entrar no mercado do futebol brasileiro com um aporte justamente ao Fortaleza. Depois, passou a aparecer também nas camisas de Vasco e CSA.
E o "mundo cearense" da NetBet não ficou apenas no futebol. No mês passado, a companhia fechou patrocínio ao Basquete Cearense, time que disputa o Novo Basquete Brasil (NBB).
A marca ainda tem marcado presença em placas de publicidade do Campeonato Brasileiro em um acordo com a SportPromotion. Na primeira rodada do segundo turno, neste final de semana, os jogos Cruzeiro x Flamengo; Santos x Grêmio; Corinthians x Bahia e Vasco x Athletico/PR contarão com painéis com o logotipo da empresa.

quarta-feira, setembro 11, 2019

Saem clubes, entram empresas: entenda o que pode mudar no futebol brasileiro ainda em 2019

Grupos políticos na Câmara, no Senado e no Executivo têm ideias diferentes para estimular a migração de clubes da associação sem fins lucrativos para a sociedade anônima

Por Martin Fernandez e Rodrigo Capelo — São Paulo

 Rodrigo Maia, presidente da Câmara. O político visitou a CBF e o São Paulo e tem se movimentado para emplacar o clube-empresa — Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia, presidente da Câmara. O político visitou a CBF e o São Paulo e tem se movimentado para emplacar o clube-empresa — Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Está em curso um processo que vai mudar para sempre o futebol brasileiro. Governo federal, Senado, Câmara dos Deputados, CBF, federações estaduais, clubes, todos os atores poderosos trabalham para, de alguma maneira, permitir que os clubes de futebol se transformem em empresas. No lugar da associação sem fins lucrativos, modelo adotado por quase todos no país hoje, entrariam as sociedades anônimas ou limitadas.

Há duas ressalvas importantes a fazer antes de continuar. A primeira é que a mudança pode se dar apenas para que tudo continue como está. A segunda é que os envolvidos na discussão não chegaram a um consenso sobre qual é o melhor caminho.

A única certeza, por enquanto, é que o governo não deve obrigar ninguém a mudar. Deve, sim, haver estímulos. A postura é diferente da época da Lei Pelé (1998), em que a legislação tentou forçar a transformação, mas acabou sendo alterada após uma série de insucessos. As semelhanças param por aqui. Hoje há pelo menos três grupos com propostas diferentes para promover a mudança.

deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) se tornou o principal expoente do projeto que nascerá na Câmara dos Deputados – com apoio do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Há expectativa de que seu projeto de lei, ainda a ser apresentado formalmente, seja votado na Câmara durante o mês de outubro.

No Senado, está em tramitação o Projeto de Lei do Senado 68/2017, que institui a Lei Geral do Esporte e regulamenta por tabela a criação de uma sociedade anônima específica para o esporte. Parado há dois anos, o projeto despertou interesse recente dos senadores e ex-atletas Romário (Podemos-RJ) e Leila (PSB-RJ) para que voltasse a avançar.

Ainda há o interesse do governo federal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, escalou seu assessor especial Guilherme Afif Domingos para cuidar do tema. A pasta acompanha o desenrolar dos projetos que partem do Congresso, mas tem algumas ideias próprias – e divergentes – em relação aos demais.

GloboEsporte.com teve acesso a detalhes de cada um dos projetos e elenca, abaixo, as principais características de cada proposta.

Ainda é incerto que tipo de consequência a mudança na legislação terá nos clubes. Há os que já se movimentam, como o Botafogo, os que estão preparados para a novidade, como o Athletico-PR, e os que não querem mudar – como Corinthians e Flamengo. O impacto da mudança nos clubes será explicado em outra reportagem, a publicar nesta semana.
 Pedro Paulo, deputado federal — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Pedro Paulo, deputado federal — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O projeto da Câmara

O deputado federal Pedro Paulo possui um projeto chamado “Clube empresa”, formulado em setembro, que deverá ser apresentado para votação na Câmara entre 24 de setembro e 2 de outubro.

“O presidente Rodrigo Maia identificou isso como um tema prioritário, importante para o futebol brasileiro. Estamos fazendo um esforço concentrado para construir uma proposta de profissionalização dos clubes”, diz Pedro Paulo.

O parlamentar entende que clubes não devem ser obrigados a se tornar empresas e defende que não deve existir uma sociedade anônima específica para o futebol ou para o esporte – como consta nas propostas formuladas pela equipe de Guilherme Afif Domingos e no Senado.

Pedro Paulo pretende estimular a migração de clubes para o modelo empresarial nas opções já existentes, como companhia limitada e sociedade anônima. Para que isso aconteça, o deputado quer oferecer uma série de benefícios.

·         Recuperação judicial

Hoje, empresas só podem entrar em estado de recuperação judicial caso tenham exercício regular em suas atividades por pelo menos dois anos. A ideia é que clubes de futebol possam entrar neste processo imediatamente após a migração para uma estrutura empresarial.

As regras formuladas pelo deputado permitiriam que um clube possa transferir todas as suas dívidas da associação para a empresa. A partir daí, as dívidas poderiam ser reestruturadas por meio do mecanismo da recuperação judicial, que já funciona para empresas convencionais.

Em resumo, clubes que entrarem em recuperação terão todos os bloqueios e penhoras suspensos por seis meses. Neste período, precisarão trabalhar em um Plano Global de Recuperação Judicial a ser submetido a credores como ex-funcionários e fornecedores.

Na prática, este mecanismo permite que haja um calote de grande parte da dívida, desde que os credores aceitem o plano proposto pela empresa. Entre não ter expectativa de receber o dinheiro que lhes é devido e recebê-lo dentro do prazo proposto pelo plano global, credores costumam perdoar entre 50% até mais de 90% dos valores devidos em recuperações judiciais. O restante poderia ser amortizado a prazo.

·         Novo refinanciamento de dívidas fiscais

Dívidas fiscais não poderão ser incluídas em processos de recuperação judicial. Neste caso, Pedro Paulo pretende aliviar as situações dos clubes com um percentual superior de reduções. Enquanto o Profut, em vigor, permitiu o abatimento de até 40% dos juros sobre as dívidas, a proposta aumentaria este percentual para 50%.

Em contrapartida, os clubes que aderirem a este refinanciamento por meio de suas empresas precisariam pagar antecipadamente cinco parcelas, equivalentes a 15% da dívida consolidada por meio do refinanciamento. As agremiações que optaram pelo Profut em 2015 não precisaram fazer um pagamento deste tipo após a entrada.

O deputado propõe um alongamento pelo mesmo prazo que o Profut, de 20 anos, para que os clubes consigam quitar impostos não pagos.

·         Fundo Garantidor para clubes quebrados

Pedro Paulo pretende criar um fundo que será abastecido por todos os clubes do país, com um percentual sobre o faturamento, cujo dinheiro poderá ser usado para resgatar clubes em “insolvência irreversível”.
Caso o mecanismo seja colocado em prática, todos os clubes da primeira divisão, por exemplo, precisariam dedicar um percentual mínimo de suas receitas para salvar aqueles que estão prestes a falir em escalões mais baixos – ou mesmo na primeira divisão.

“O presidente Rodrigo Maia quer uma proposta bem rápida. Até porque já tem muito conhecimento acumulado no tema. Vamos fazer uma grande audiência na Câmara, acreditamos que o presidente Bolsonaro vai apoiar o tema”, afirma Pedro Paulo ao GloboEsporte.com

·         Fim dos direitos trabalhistas para jogadores

O deputado federal propõe a “hiperssuficiência” de jogadores de futebol em relação aos seus direitos trabalhistas.
Hiperssuficiência, neste caso, significa que o jogador poderá assinar um contrato com o clube em questão sem que tenha direitos trabalhistas garantidos por ele. Ele se submeteria a uma relação cível e receberia apenas direitos de imagem, por exemplo.

Pedro Paulo pretende restringir esta situação a atletas com salários superiores a R$ 10 mil mensais, hoje equivalentes a cerca de 2,5% sobre todos os profissionais registrados pela CBF. Aqueles jogadores abaixo desta quantia continuariam a ter direitos trabalhistas obrigatórios.

Esta seria uma mudança em relação a algo que a reforma trabalhista mexeu recentemente. Depois dela, passou a ser permitido que profissionais de quaisquer setores possam abdicar do vínculo trabalhista caso cumpram dois requisitos: diploma universitário e remuneração superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) – hoje limitado em R$ 11.600 mensais. Pedro Paulo quer eliminar a necessidade de diploma para o futebol.

·         Equiparação da tributação entre associações e empresas

Hoje, não há nada que impeça um clube de futebol de deixar o modelo de associação e entrar no de empresa – limitada ou sociedade anônima. Mas há um motivo contrário. Há impostos que são parcial ou totalmente isentos para associações que são cobrados de companhias.

Para estimular a migração para a estrutura empresarial, Pedro Paulo pretende aplicar todos esses impostos sobre associações sem fins lucrativos. A nota de corte seria um faturamento de R$ 5 milhões anuais. Todas as associações acima disso seriam tributadas, independentemente de se tornarem empresas limitadas ou S/As.

·         Duplicação do mecanismo de solidariedade

No projeto do deputado federal, clubes passariam a destinar até 10% de transferências nacionais para os respectivos formadores. O percentual aumenta conforme o número de anos em que o atleta passou pelas categorias de base do formador. Hoje, o limite é de 5%.
 Romário, senador — Foto: Jane de Araújo/Agência Senado
Romário, senador — Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

O projeto do Senado

O Projeto de Lei do Senado 68/2017 não foi criado especificamente para a Sociedade Anônima Esportiva (SAE) – e sim voltado para instituir a Lei Geral do Desporto, mais abrangente. Mas o surgimento desta estrutura societária foi incluído entre os seus artigos.
A SAE é muito semelhante ao que projeto de lei que havia sido proposto por Otávio Leite, deputado federal entre 2014 e 2018, que propunha a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A diferença é que a adaptação proposta pelo Senado expande as regras para qualquer agremiação.
O texto deste projeto não versa sobre benefícios específicos aos clubes que se tornarem empresas, como perdão de dívidas ou a entrada facilitada em uma recuperação judicial. Em vez disso, a SAE apenas põe regras estruturais para que associações façam a migração para ela.

·         Direitos de ações classe A

O projeto prevê, por exemplo, a possibilidade de um acionista ter poder de veto em determinadas situações desde que mantenha pelo menos 10% de ações “classe A”.

Hipoteticamente, uma associação com 10% das ações sobre a sociedade anônima esportiva teria poder para vetar mudanças de cidades, escudos, símbolos, cores, além de medidas drásticas como pedido de falência ou recuperação judicial, mesmo que outros acionistas tenham 90% das ações desta classe. Isso para resguardar a tradição neste formato.

·         Veto a acionista com mais de uma SAE
Para evitar que Flamengo e Vasco tenham o mesmo dono, por exemplo, o projeto prevê a proibição da participação de um mesmo acionista sobre o capital social de duas SAEs. A medida é pensada para evitar conflitos de interesses e manipulação de resultados.

·         Administração profissional

A SAE deve ser administrada por um Conselho de Administração (uma espécie de Conselho Deliberativo, em alusão à estrutura da associação sem fins lucrativos) e uma Diretoria. O primeiro órgão tem o dever de nomear diretores e acompanhar seus objetivos e trabalhos.
O projeto prevê algumas obrigações, como a comunicação anual da relação completa de seus administradores, a dedicação exclusiva dos administradores à gestão da SAE, bem como a obrigação de pelo menos metade do Conselho de Administração independente enquanto a associação esportiva, tradicional, for a única acionista das ações da S/A.
 Paulo Guedes, ministro da Economia — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Paulo Guedes, ministro da Economia — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O projeto do Executivo

O projeto tem sido preparado por uma equipe liderada pelo empresário Guilherme Afif Domingos, assessor especial do Ministério da Economia, encabeçado pelo ministro Paulo Guedes. De acordo com o próprio Afif, o projeto deverá se chamar “Choque de bola”.

“No futebol, nós exportamos matéria-prima e importamos produto de alto valor agregado. É como no café: nós exportamos grãos e importamos máquinas e cápsulas”, diz Afif.

É o que mais se assemelha ao projeto de lei que havia sido proposto pelo então deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) em 2016. O projeto não avançou, e o parlamentar não foi reeleito.

Em síntese, este grupo pretende criar uma estrutura societária alternativa para clubes de futebol, cujo nome provisório é Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O movimento seria similar ao adotado por países como Portugal, que criou a Sociedade Anônima Desportiva (SAD) para que clubes fossem estimulados a se tornar empresas.

Assim como no caso da SAE, a SAF não tem como propósito o benefício das empresas em processos de recuperação judicial ou perdão de dívidas. A intenção, no caso, é criar uma estrutura societária própria para clubes de futebol, que resguarde particularidades deste mercado que não estão presentes em outras regulamentações.

“Fui envolvido nisso porque o Paulo Guedes me pediu. O futebol é um grande mercado, há bilhões de reais que estamos deixando escapar”, afirma Guilherme Afif Domingos.

As características presentes na SAE também estão entre as premissas da SAF, motivo pelo qual os itens não serão repetidos. Outra diferença, este sim um benefício para quem aderir à estrutura, é a criação de um prazo de transição para o pagamento de impostos.

·         Prazo de transição para pagamento de impostos

Atualmente, associações sem fins lucrativos possuem isenções sobre uma série de impostos da qual empresas estão obrigadas a pagar. Entre eles estão o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Para estimular a adoção da estrutura societária de empresa futebolística, a SAF teria um prazo de transição em que os clubes teriam tempo para adequar seus negócios aos impostos. Em vez de pagar 100% dos tributos previstos logo no primeiro ano, haveria um prazo de dez anos em que o percentual subiria gradualmente, ano após ano, até chegar ao máximo.

terça-feira, setembro 10, 2019

Flamengo e Corinthians faturam menos de 5 reais por torcedor

Pesquisa exclusiva revela que clubes brasileiros não tem conquistado o bolso dos torcedores. Entenda o cálculo


Corinthians v Palmeiras – Brasileirao Series A 2017

domingo, setembro 08, 2019

Liga Nescau "bomba" e terá 12.200 estudantes em três estados

Competição reunirá atletas entre 10 e 16 anos, e terá 19 modalidades esportivas
Por Redação / Máquina do Esporte

A Liga Nescau, competição esportiva e paradesportiva criada e patrocinada pela marca de achocolatados da Nestlé, abrirá sua quinta edição neste sábado (7). Ao todo, serão mais de 12.200 atletas entre 10 e 16 anos, em três estados, que disputarão 19 modalidades esportivas e paradesportivas. A abertura será no Clube Sírio, em São Paulo, com disputas de handebol, vôlei, basquete e ginástica artística, e contará com a presença da ginasta Flávia Saraiva, uma das sete embaixadoras do campeonato.
Com o slogan "Aqui Todo Mundo Joga", a edição 2019 da Liga Nescau terá duração de quatro meses. As finais estão programadas para 7 de dezembro, no Ginásio do Pacaembu, em São Paulo. Além das disputas na capital paulista, pela primeira vez o evento terá etapas em outros estados. Rio Grande do Sul e Pernambuco passam a integrar o calendário, com etapas em Porto Alegre, nos dias 28 e 29 de setembro, e Recife, nos dias 9 e 10 de novembro.
Os mais de 12.200 atletas que estarão presentes na competição são estudantes matriculados em mais de 500 escolas da rede pública, privada, ONGs e associações, clubes e outras instituições. O número impressiona por ser maior até que a quantidade de atletas que participou dos Jogos Olímpicos em 2016. No Rio de Janeiro, há três anos, eram 11.303 atletas.
Foto: Divulgação / Nescau

"Nosso objetivo é contribuir com a formação de crianças e jovens por meio do esporte e seus valores, como coragem, autonomia, confiança, responsabilidade e superação. Levamos muito a sério a ideia do 'aqui todo mundo joga'. Prova disso é que somos pioneiros em montar as tabelas com atletas e paratletas nos mesmos dias e ambientes para total inclusão", declarou Rodrigo Lopes, head de marketing de bebidas da Nestlé.
Para 2019, o número de modalidades também aumentou e traz novidades. Entre os esportes convencionais, além de futsal, vôlei, basquete, handebol, atletismo, ginástica artística, natação, tênis de mesa e judô, houve a inclusão de surfe e skate. No paradesporto, ginástica e bocha também entraram na programação ao lado de atletismo, basquete em cadeira de rodas, tênis de mesa, vôlei sentado, natação e judô.
Os locais de disputa em São Paulo serão o Clube Sírio, o Centro Paralímpico Brasileiro (CPB), o Clube Esperia e o Ginásio do Pacaembu, palco das rodadas decisivas. Em Porto Alegre, as competições serão no Parque Esportivo PUC, enquanto Recife dividirá as atividades esportivas entre duas cidades, Recife e Ipojuca, sendo que a última receberá os estudantes surfistas na praia de Maracaípe.
A Liga Nescau surgiu em 2015, com o nome de Copa Nescau. No ano passado, com o crescimento da competição, o nome foi modificado para o atual. O objetivo sempre foi aliar esporte e paradesporto, consolidando a vocação inclusiva defendida pela marca.

domingo, setembro 01, 2019

Entrevista] Presidente da FCF, Mauro Carmélio


ENTREVISTA
Presidente Mauro Carmélio


“O que me deu mais trabalho foi incutir nos nossos clubes filiados um novo modelo de gestão”



“A federação não se intromete em gestão nenhuma... mas de vez em quando a gente puxa a orelha de um e de outro...”


“Os clubes do interior minguaram (por falta de apoio das prefeituras)... eles não estão acostumados a buscarem parceiros”


“Ainda existe preconceito no futebol feminino. Tem muito presidente de federação que não quer nem ver, ouvir falar”


“Tô tentando, lutando, trabalhando para trazermos uma Copa do Nordeste sub-20, sub-18 feminina, porque é um embrião pra esse trabalho”



“O Rogério (Caboclo) me disse: Mauro, e agora, depois da Copa do Mundo (feminina) o que vamos fazer? E eu disse: Lembra daquele projeto de criação dos núcleos que lhe falei?”


“Não mudei não (de ideia), ainda penso que ter uma terceira divisão (cearense) é importante... Você já imaginou de um clube que não tem uma estrutura no primeiro ano já está na primeira divisão?”

“Eu não quero passar a obrigação para a federação de fomentar apoio público (para os clubes das divisões menores)... Eu nunca farei, porque senão entra no mau costume de ele (clube) deitado na rede e eu trabalhando pra ele”

“Muita coisa vai mudar pra melhor, pra quem gosta do futebol, o VAR é um exemplo”


“Muitos negócios realizados por clubes foram porque empresários, olheiros viram os nossos jogos (pela FCFTV)”

“Para a Série D (brasileira) já existe um trabalho para reduzir o número de clubes e quem sabe, talvez, já vir uma Série E por aí (risos)”

“Infelizmente a federação cearense não tem memória (histórica)... mas eu acho que é importante ter essa história”

terça-feira, agosto 13, 2019

Um Novo Calendário para o Futebol Europeu

Luis Filipe Chateaubriand

Luis Filipe Chateaubriand / Arquivo do autor


Durante muitos anos – ou melhor, durante décadas – propus melhorias para o calendário do futebol brasileiro. Escrevi livros a respeito, o último deles lançado este ano. Escrevi artigos. Participei de eventos. Fui consultor de conteúdo do Bom Senso Futebol Clube para o tema, e até de grupo de trabalho sobre o assunto da Confederação Brasileira de Futebol, fui membro.

No entanto, parece que não haverá avanços na busca de melhoria do calendário de nosso futebol – ou, no máximo, haverá avanços tímidos. Os grandes clubes brasileiros, que deveriam ser os maiores interessados na mudança, não parecem dispostos a se dedicarem a isso.

Mediante a situação, e utilizando as metodologias que imaginei durante muito tempo relacionadas ao tema, tive a ideia de escrever uma proposta de calendário para o futebol europeu.

Pode-se pensar que nada precisa ser alterado no calendário europeu – exemplo de organização e profissionalismo. Na verdade, e a despeito do mencionado, há mudanças que poderiam ser implantadas que se mostram benéficas ao futebol daquele continente.

A principal mudança é que deve ser criada a Liga Europeia de Clubes, com os 32 principais clubes europeus. E, a partir dela, deve ganhar corpo o Campeonato da Liga Europeia de Clubes, com essas mesmas 32 agremiações, e que deve ser disputado em todas as temporadas, assim como acontece com a UEFA Champions League.

Pelo que se propõe, o Campeonato da Liga Europeia de Clubes teria o formato de campeonato, enquanto a  UEFA Champions League deve ter o formato de copa.

Para que o Campeonato da Liga Europeia de Clubes possa acontecer, é preciso reservar datas – e, pela importância do certame a ser criado, datas nobres – para sua disputa. Isto implica, obviamente, o remanejo de outros certames para outras datas e, assim, requer um repensar no calendário europeu.

A criação da Liga Europeia de Clubes, e a realização de seu respectivo campeonato, criará uma escalada de jogos entre grandes clubes no Velho Mundo como não existe atualmente. E, em assim sendo, possibilidades técnicas e comerciais bastante atrativas. É senha de que mesmo o que é bom pode, e deve, ser melhorado.

Como se vê, os grandes clubes do futebol europeu podem ter perspectivas de prosperidade ainda maiores de que atualmente, desde que se associem entre si.


Luis Filipe Chateaubriand propõe mudanças do calendário do futebol brasileiro há 30 anos.

sexta-feira, agosto 02, 2019

FUTEBOL FEMININO] SE É PARA PIA AJUDAR

Por Benê Lima

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Pia Sundhage / Divulgação


Que ela não só conheça a realidade dos clubes, mas também a realidade do futebol feminino em nosso país, ‘do Oiapoque ao Chuí’.
Os clubes são, analogamente, os nossos postos de combustível, enquanto o futebol feminino no geral é a nossa Petrobrás.

Juntos, os projetos sociais, as associações, as pequenas agremiações, as médias e as grandes equipes e todas as demais iniciativas e micro núcleos da modalidade, devem vitalizar e revitalizar o processo de desenvolvimento da modalidade, pela via da formação e do fortalecimento das bases.

A CBF e não Pia Sundhage, deve elaborar um projeto de desenvolvimento de longo prazo para o futebol feminino. Esse projeto deve ter a urdidura da Coordenação de Futebol Feminino da CBF, com a participação de Pia. Sim, pois ela não será tão somente uma treinadora de Seleção Principal, mas também a inspiradora de uma nova cultura de formação para as nossas categorias de base, embora saibamos não ser este exatamente o papel da CBF, operacionalmente falando. No entanto, é a ela CBF a quem cabe coordenar e deflagrar de forma ordenada tal processo formador. E para isso, é indispensável a criação de núcleos em diferentes regiões do Brasil, a fim de massificar, metodizar e emprestar criteriologia ao processo, para aumentarmos a quantidade, premissa básica para que dela possamos obter mais qualidade.

De outra parte, a presença do poder público, não obstante suas limitações orçamentárias, também é indispensável ao sucesso desse empreendimento, e isso pode ser pensado desde já, a partir das ideias e iniciativas em curso, como podemos ver duas delas que aqui citaremos: a criação da lei do clube-empresa, com a abertura de nossos clubes de maior porte ao investimento estrangeiro, bem como com a participação da modalidade nos recursos oriundos da regulamentação das apostas, que movimenta em torno de 4 bilhões de reais anuais.

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Imagem: Divulgação

Além disso, pode-se pensar numa participação do futebol feminino nos recursos de vendas de direito de transmissão dos jogos do Brasileirão Série A, tanto para o território nacional quanto para o exterior, como pretende realizar a CBF, já para o ano de 2020. Para isso, a própria implantação do VAR (árbitro de vídeo) foi pensada de modo a qualificar o produto Série A Brasileira, visando a um maior alcance da cotação do produto na venda para o exterior.

Poder-se-ia ainda pensar num ligeiro aumento na base fixa percentual de divisão de cotas de televisão, para clubes que comprovem investimento na modalidade. Esses recursos seriam realocados da divisão das referidas cotas, sem que fosse necessário dinheiro novo ou novas rubricas.

A caracterização dos núcleos formadores poderia se dar por diferentes critérios, que iriam desde a credibilidade do trabalho, o tempo de instalação, as faixas etárias atendidas, a natureza e a qualidade do trabalho, a metodologia aplicada e o número de jogadoras pertencentes a cada núcleo. Criar-se-ia uma qualificação para tais núcleos e se buscaria a habilitação deles e de seus profissionais, a fim de credenciá-los ao apoio financeiro.

Adotar-se-ia o critério de fases para a implantação dos mesmos, com o fito de controlar o fluxo orçamentário da provedora CBF, utilizando-se ainda alguns dos critérios para os clubes formadores, com a fiscalização sendo de responsabilidade da federação local, representando a CBF.

E segue por aí.


(Benê Lima, Cronista Esportivo, ex-Gerente de Futebol Feminino da FCF, ex-Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino, ex-Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Rosacruz e Humanista)