Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sábado, julho 26, 2008

LIÇÕES DE GERENCIAMENTO

Entrevista: José Calil

Ex-jornalista e atual gerente de futebol do Grêmio Barueri analisa as funções e sua empreitada à frente do clube paulista

Bruno Camarão

“Que futebol se ganha e se perde nos detalhes eu já sabia. Mas o desenvolvimento de um treinamento adequado para alta performance e de uma logística correta que privilegie a recuperação dos atletas é algo extremamente significativo e influente na obtenção de um bom resultado”. O parágrafo inicial faz parte de uma das últimas colunas de José Calil, jornalista que, em partes, abdicou da carreira que traçou por mais de duas décadas para viver o futebol “de dentro para fora”. Ali, porém, muito simbolismo está embutido.
O principal são os sinais de vivência e conhecimento na nova função assumida desde o primeiro semestre deste ano, na gerência de futebol do Grêmio Barueri. A convite do presidente do clube do Vale Paraíba – e após um preparo técnico-acadêmico, que já vinha sendo realizado –, Calil pôs um ponto final no projeto profissional que teve como base as rádios Gazeta, Transamérica, Guarujá, Tupi, Record e Globo, além das emissoras televisivas RedeTV e Sportv, para tornar-se cartola.
A nova esfera de trabalho, sustentada desde o início pelo bom relacionamento com o grupo de jogadores do Barueri, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, porém, não findou a veia cronista de Calil, que, fiel a um público que manteve nessa jornada, ainda contribui com textos para o site Papo de Bola e para o jornal A Tribuna, de Santos.
"Era um jornalista muito crítico, combativo, se você pegar minha colunas antigas. Agora, pretendo passar minha experiência nesse lado. Procuro falar o que se faz, a importância de uma viagem, a recuperação física de um atleta. De maio para cá, o enfoque é bem diferente”, analisa o próprio Calil. Mas não era necessário.
Fisiologia do esforço, período de treinamento, suplementos alimentares, logística de viagens e relevância ou não da concentração, situações explicitadas no novo cotidiano, passaram a ser abordagens temáticas nas escritas de Calil, que sai em defesa de seus antigos colegas.“
Lamentavelmente a grande maioria dos jornalistas só olha o colete que o treinador vai dar para o time e divulga os titulares. E eu não culpo o profissional de imprensa por isso. Hoje ele é muito mal remunerado, sendo obrigado a trabalhar em dois, três veículos. Acompanhar um treinamento, em suas minúcias, é muito complicado”, pondera.
Além disso, nesta entrevista concedida à Cidade do Futebol, Calil comenta sobre a formação de uma comissão técnica, as adversidades reflexivas da “janela européia” aos times da segunda divisão, as críticas particulares ao “artificial” time de cuja direção faz parte e o trabalho social implementado na região.
Cidade do Futebol – Nestes aproximadamente quatro meses em uma nova função em sua carreira, a visão que você tinha da administração de um clube, e a própria visão sobre sua ex-profissão, a de jornalista, foi mudada?
José Calil
– Esse tempo me fez entender que são os jogadores quem fazem as coisas acontecer. Para tudo a gente tem de ter o apoio dos jogadores. E foi isso que busquei no começo. Foi complicado enfrentar a barreira por não ser muito conhecido no meio, mas os atletas gostaram de mim, nos damos bem, assim como com toda a estrutura do clube. Sei que tenho muito a aprender. Hoje, subi mais um degrauzinho, minha vida está só começando.
Cidade do Futebol – As suas colunas no site Papo de Bola e no jornal A Tribuna foram mantidas. Crê que possa haver algum tipo de interferência, ou suspeita em seus textos, ou são duas situações completamente distintas?
José Calil
– Eu deixei os meios de comunicação – a RedeTV e a Rádio Transamérica – porque eu era remunerado. Já naqueles dois veículos, eu não tenho remuneração e me mantive lá com a anuência dos editores. Tanto no Papo quanto na Tribuna eu decidi continuar para exercitar meu lado ético.
Era um jornalista muito crítico, combativo, se você pegar minha colunas antigas. Agora, pretendo passar minha experiência nesse lado. Procuro falar o que se faz, a importância de uma viagem, a recuperação física de um atleta...
Eu evito críticas. Não comento mais o que se faz nos clubes, no Palmeiras, no Santos. Eu estou do outro lado, mas há ainda uma relação com um público cativo que eu tenho, do qual eu não quero perder a confiança construída. Mas, de maio para cá, o enfoque é bem diferente.
Cidade do Futebol – Um de seus últimos textos publicados, por sinal, abordou “Treinamento e logística”. Nesse período à frente do comando do futebol do Barueri, o que você aprendeu nesses dois sentidos?
José Calil
– Aprendi muito. Sobre o treinamento como um todo, com nosso diretor de treinamento e alta performance, o Marcelo Lima, que veio da base do São Paulo. É uma pessoa que sabe tudo de Fisiologia. Não tinha conhecimento nenhum sobre suplemento, o que tem naqueles complementos dados aos atletas durante o período de treinos e nos jogos. Nessa parte, tudo eu aprendi com esse profissional.
Em relação à logística, é algo que eu já tinha na minha vida. Sempre viajei muito e sei como é cansativo. O que aprendi foi essa questão baseada na fisiologia do esforço. Os benefícios de se evitar viagens de madrugada, dormindo na própria cidade onde foi realizada a partida, com um treinamento regenerativo pela manhã e o retorno só no dia seguinte...
Compreendi que, dormindo no local, o jogador vai aproveitar melhor o treinamento. Por outro lado, se der a folga sem o treinamento, é um período muito longo sem movimentação nenhuma.
Cidade do Futebol – Você fez algumas referências sobre carga de trabalho, recuperação física, planejamento de viagem, enfim, sobre quesitos mais estruturais e técnicos que envolvem a comissão de um time de futebol nessa coluna citada. Você vê a imprensa, de uma forma geral, preparada para analisar e discutir o esporte dessa maneira mais global?
José Calil
– Sinceramente, não. Pois lamentavelmente a grande maioria dos jornalistas só olha o colete que o treinador vai dar para o time e divulga os titulares. E eu não culpo o profissional de imprensa por isso. Hoje ele é muito mal remunerado, sendo obrigado a trabalhar em dois, três veículos. O Muricy [Ramalho, técnico do São Paulo] fala bem isso. “Jornalista quer saber o time e vai embora”. Ele tem razão nisso, mas não em culpar o jornalista, que ganha pouco e tem de sair do treino de lá e partir para fazer outro trabalho. Se esse profissional ganhasse 20, 30 mil reais por mês, seria uma outra situação.A imprensa não está preparada. Não acredito que exista “a imprensa”, uma coisa monolítica, e sim setores, “em geral”, como foi colocado.Acompanhar um treinamento, em suas minúcias, é muito complicado. Às vezes, ele é dividido em duas, três partes. Um trabalho específico de zagueiro de um lado, com atacantes do outro, em um campo reduzido, outro para quem não atuou na última partida.
Cidade do Futebol – Qual é o perfil da torcida do Barueri? Como é a interferência dela em relação ao time, tal qual ocorre em muitos grandes clubes?
José Calil
– Ela é pequena, mas é maravilhosa. Nunca vai no centro de treinamento cobrar resultado de jogadores, enfim, ela festeja, é muito boa para o time e faz a parte dela enquanto torcida. A cobrança que temos aqui é dos nossos patrões.
Nesse sentido, temos muita cobrança aqui, mas interna, dos investidores, dos nossos superiores, e que tem que existir, mesmo, sobre treinador, gerente, e diretor de futebol.
Cidade do Futebol – Na edição do ano passado da Série B do Nacional, o Barueri teve a sexta maior média de público, à frente de muitas equipes tradicionais da Série A – Santos e Botafogo, por exemplo. Isso é uma ocorrência excepcional, ou acha que há possibilidade de cativar e criar torcedores próprios do Barueri com o tempo? Algum trabalho em termos de marketing é projetado?
José Calil
– Na minha visão, a formação de um grupo de torcedor depende de resultado. Eu comecei a freqüentar estádios na década de 70. A Portuguesa, por exemplo, tinha mais torcedor que o São Paulo em muitos jogos. Hoje, você vê como isso mudou e é inimaginável pensar em uma situação dessas.
Porque, de lá para cá, o São Paulo foi tricampeão da Libertadores, tri do Mundial, campeão paulista, e a Portuguesa não ganhou praticamente nada. O clube se faz com conquistas e, com os seis acessos nos últimos anos, o torcedor do Barueri, que é ainda um público pequeno, se firmou, independentemente de ele ser simpático ao Corinthians, ao Palmeiras ou ao Santos também.
Temos um departamento de marketing bastante atuante, são feitas algumas ações antes dos jogos e durante eles, seja no telão do estádio, ou no próprio site oficial, diariamente, buscando fidelizar o torcedor.
Eu respeito bastante isso. Agora, para criar um torcedor fiel, uma massa, é fundamental que haja conquistas.
Cidade do Futebol – Como é feito o trabalho com os atletas, tendo-se consciência que o Barueri é um clube emergente, e muitos deles almejam agremiações maiores, ou mesmo atuar fora do país?
José Calil
– Eu não posso falar pela cabeça dos atletas, mas qualquer gestor de futebol tem de estar sempre preparado para perder o elenco. Não é porque o cara está aqui e quer ir para o Corinthians, e sim uma ciranda sem fim. Trabalhar com um elenco que pode ser mudado a qualquer momento é uma realidade do futebol brasileiro, é porque os jogadores dos times grandes também querem sair, e não algo exclusivo do Barueri.
Não há como não conviver com isso no futebol brasileiro. O Barueri tem por filosofia manter sua base. Do Campeonato Paulista do Interior do ano passado, mudou muito pouco, sempre queremos manter a base. E isso porque o clube erra muito pouco em contratações.
O Walter Sanches [presidente do clube] conhece muito futebol. Aqui, as contratações são feitas mediante critérios técnico e tático. Não tem porque mudar muito se você acerta, mas sempre atualizamos nosso banco de dados sobre jogadores.
Cidade do Futebol – Os reflexos da “janela” do futebol europeu preocupam muitas agremiações que disputam a elite do Campeonato Brasileiro, produzindo desde já algumas perdas nos departamentos de futebol. Esse tema também aflige os times da Série B, como o Barueri?
José Calil
– Os clubes europeus buscam na primeira, e os da primeira na segunda divisão, é inevitável. O jogador só sai do Barueri por uma coisa muito boa. Aqui, ele tem estrutura, condições de treinamento. Hoje, ele tem uma consciência profissional de que tem que ser bem treinado, alimentado e remunerado para poder render.
Temos um CT que será inaugurado. Não gosto de falar que é “melhor que o de tal clube”, mas garanto que é algo de primeiríssimo mundo. Para ele não sair, buscamos seduzir o jogador exatamente com essa estrutura. Houve um, que não vou citar o nome, que no começo do campeonato esteve entre Barueri e Ipatinga.
Hoje, sei que ele está arrependido. Ele não recebe, disputa a parte de baixo da tabela na Série A, agüentando pressão. Aqui, mesmo ganhando menos, estaria jogando, disputando as primeiras posições... Hoje, até podemos competir com alguns times da Série A. Mas temos de ter a consciência e o preparo diante da possibilidade de perder um atleta.
Cidade do Futebol – O que pensa sobre uma remodelação do calendário nacional, ocorrendo paralelamente ao do mercado principal da Europa?
José Calil
– Eu considero hoje o calendário brasileiro muito bom. Não sou favorável à temporada 2007/8, só acho que deveria haver algumas situações diferentes. Por exemplo: um Estadual com números de clubes reduzidos, porque aí, quem participa da Libertadores, pode disputar também da Copa do Brasil, o que é impossível hoje por causa do estrangulamento do calendário.
Com o regional se transformando em um torneio de pré-temporada, se ganharia mais tempo para as outras competições. De uma forma geral, acho que ele é correto do jeito que se apresenta. Fora a questão climática, que promove uma condição diferente aos atletas, especialmente em seu período de férias. O torcedor não tem a cultura para falar “o campeão da temporada 2007/8”. O que se precisa é um ou outro ajuste.
Cidade do Futebol – Qual o perfil ideal da comissão técnica na montagem de uma estrutura de futebol profissional?
José Calil
– Eu tenho limites, respondo a uma diretoria. Quando você contrata um treinador, há muitas mudanças nos clubes em meio ao contrato vigente porque eles erram na hora de contratar. Quem contrata certo, com critério, não precisa mudar toda hora.
Em um clube de Série B, você tem de estar sempre preparado para substituir seu treinador, porque ele pode substituir alguém na A.
O Muricy, por exemplo, está há três anos no São Paulo. Ele só sai de lá para a Europa. O treinador do Barueri, seja quem for, pode sair para Corinthians, Flamengo, Santos. O que precisa ter em mente para a contratação de um treinador da Série B, que eu consideraria obrigação, é honestidade e conhecimento da competição.
O Heriberto da Cunha, por exemplo, que está conosco. Ele não pediu uma contratação e trabalha com quem está aqui, sem esquema. Ele esteve na Série B em todas as últimas edições, subiu com o América-RN e tem um histórico de conquista de campeonatos estaduais e nas categorias de base.
O treinador tem que ser bem aceito e se fazer aceitar pelo grupo, que é o caso do Heriberto. Os jogadores respeitam as decisões dele, pois sabem que, eventualmente, não estão fora por sacanagem, mas porque não têm como jogar neste momento.
Ele dá muita atenção a quem não esta jogando, e aí está um ponto importante: o jogador que não está atuando tem um tendência a se sentir abandonado, é uma coisa que aprendi neste período. Você vai precisar daquele jogador em um momento. Sempre há a necessidade de se ter jogadores bons. Quando você tem 30, 35 jogadores bons, sempre vai ficar gente de qualidade fora.
Cidade do Futebol – Como funciona a relação entre a administração do futebol profissional do Barueri e os Núcleos de Formação esportiva?
José Calil
– O Barueri não é só futebol. Ele faz um trabalho social muito grande na região. Sempre sai uma notícia falando de vitórias de atletas do clube em várias modalidades, jogos regionais. Existe essa preocupação aqui.
O que aparece para o público é um time de futebol, que joga toda semana, mas há um trabalho social da maior importância por trás disso. Antes de imaginar formar atletas que vão dar mídia, o objetivo é colaborar com o esporte do nosso país.
O Brasil vai ter menos medalhas nas Olimpíadas do que vários países menores que ele, porque não há uma política olímpica implementada aqui. Nossa prioridade é para formar homens, mas também contribuir com a política esportiva nacional.
O próprio ministro Orlando Silva, com quem estive em um vôo de Brasília, recentemente, se mostrou interessado em conhecer esse trabalho de base. Queremos continuar fazendo o trabalho social de formar atletas cidadãos, dando também nossa contribuição.
Cidade do Futebol –Especialmente no momento da construção da Arena e dos acessos do time às divisões principais do futebol – tanto em termos estaduais, quanto nacionais –, questionou-se muito a “artificialidade” do Grêmio Barueri. Como você avalia esse tipo de crítica?
José Calil
– Quem fala que o Barueri é time de prefeitura, é artificial, que vai morrer a qualquer momento, não conhece o Barueri em suas intimidades. Eu não deixaria 25 anos de profissão, uma carreira inteira, para trás, para ganhar menos – ganho bem, mas um pouco menos do que quando estava na TV e no rádio – e trabalhar em um projeto furado.Aqui tem um projeto muito sério de futebol. A arena é parte desse projeto, um equipamento esportivo multiuso importante que certamente vai ser palco de muitos shows e eventos quando estiver concluída.
Talvez minha primeira impressão até tenha sido essa. A partir do momento que conheci o clube, seus dirigentes, a filosofia de trabalho, comecei a sentir o que era de fato o Barueri. É um projeto muito sério de futebol que, se Deus quiser, vai durar por muito tempo. E quem acha que o prefeito manda no Barueri e larga a prefeitura na cidade, precisa conhecer o que é feito por aqui.
Ele investe no social, sim. Há uma qualidade de vida muito boa em Barueri e aconselho a essas pessoas que conhecessem o clube e a cidade, duas coisas que são bem separadas.
O GRB [Grêmio Recreativo Barueri] paga aluguel à prefeitura. Se o prefeito, por exemplo, emprestar a Arena para o GRB e não cobrar nada, o Ministério Público vai no pé dele. Ele é um entusiasta, mas não pode tirar milhões de lá e colocar no clube. É feito um trabalho integrado, mas a prefeitura não é mantenedora e apenas ajuda o Barueri.


domingo, julho 20, 2008

CÓDIGO RECLAMA POR MUDANÇAS

CBJD será reformulado
.
Presidente, Vice e Auditores se reunirão em setembro para discutirem mudanças no Código

TAYNÁ JORDÃO

Depois de muita discussão sobre uma possível reformulação do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), uma reunião foi marcada para que os membros do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) discutam sobre as mudanças desejadas e sobre a possível criação de novos artigos. Esse encontro será realizado nos dias 11 e 12 de setembro, em São Paulo.

Dr. Rubens Approbato Machado, que foi reeleito Presidente do STJD por aclamação na última quinta-feira, dia 17 de julho, antes de encerrar os julgamentos da pauta do Pleno, falou sobre os temas que serão discutidos além de afirmar ser possível, na mesma ocasião, fazer uma sessão extraordinária na capital paulista.

“Ainda estamos preparando todos os temas, mas, basicamente, é fundado em dois: o primeiro é a apreciação do atual CBJD, que é de todos os esportes, não só do futebol. Ele necessita de alguns reparos, no que se refere à adequação da norma punitiva com a pena que será imposta. Algumas são brandas demais, outras são pesadas demais. Isso acaba complicando a vida do julgador. Devemos acrescentar algumas infrações e eliminar outras, que não se caracterizam realmente como infrações”, disse o Presidente.

Essa medida marca uma nova fase para a Justiça Desportiva no Brasil, razão por que acompanharemos de perto todas as mudanças que serão feitas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) buscando a melhoria tanto do futebol quanto do restante dos esportes.

INTERESSES CONFLITANTES?

O futebol dos novos tempos

De tempos em tempos a imprensa questiona o futebol de hoje, onde os interesses financeiros prevalecem. Enaltecem os jogadores do passado dizendo que antigamente tinham amor à camisa, diferentemente dos craques da atualidade, mais preocupados em fazer o pé-de-meia do que criar vínculos afetivos com o clube e com a torcida.

Creio até que este é um fato que não dá para contestar (salvo as honrosas exceções). Não quero criticar os atletas atuais, até porque eles estão seguindo a regra do jogo, em que o dinheiro fala mais alto. Jogadores como Idário, a quem citei em uma das minhas colunas, de fato não existem mais.

Mas, se o futebol virou um grande negócio, em que milhões de dólares, euros, ienes ou reais giram entre empresas, emissoras de televisão, agências de publicidade, patrocinadores em vários outros segmentos comerciais, não é justo que os artistas do espetáculo recebam o seu quinhão?

Lembro que nem todos os atletas que participam dos campeonatos espalhados pelos quatro cantos do planeta recebem fortunas, mas apenas uma pequena parcela que é quem verdadeiramente faz do futebol um espetáculo capaz de atrair público e companhias que desejam associar sua marca aos momentos de emoções que apenas a música e o esporte são capazes de oferecer.

O que me deixa mais, digamos, chateado (para usar um termo condizente com o nível deste site) são as revoltas hipócritas contra aqueles que conseguiram enriquecer jogando futebol. Tenho muitas dúvidas se essas pessoas também não tirariam uma casquinha do dinheiro que gira no esporte mais popular do planeta, se tivessem oportunidade. Aliás, deixa pra lá...

A imprensa esportiva, por sua vez, tenta tratar o esporte como jornalismo, mas se analisarmos cuidadosamente os programas de TV e rádio encontraremos de tudo um pouco (e de informação isenta, imparcial, menos ainda). Algumas das famosas mesas-redondas chegam a provocar risos. Compreendo que a preocupação com a audiência não pode ser totalmente ignorada, mas creio que deveria haver um limite, pois existem profissionais que um dia já foram muito respeitados e hoje se prestam a fazer papéis caricatos, o que é lamentável.

Com os recursos tecnológicos que estão aí para quem quiser, o futebol poderia ser melhor explorado, tanto no que diz respeito à sua organização (clubes, federações), quanto pela mídia especializada. As entidades esportivas, por exemplo, poderiam ter um InfoCenter, que não seria apenas um mero colhedor de dados para estatísticas, mas para contribuir bastante com o trabalho dos técnicos (que também teriam de se preparar para estudar as informações disponíveis).

A mídia poderia fornecer informações mais técnicas ao seu público, além da tradicional estatística. Poderiam comparar as diversas informações de cada jogo do Campeonato Brasileiro e, ainda, fazer uma análise com as competições européias. Tenho certeza que descobriríamos muitas coisas das demais escolas de futebol de diversos países.

Creio que desta forma, seríamos brindados com informações mais úteis e interessantes, para sairmos um pouco da surrada crítica dor-de-cotovelo de que "Fulano ganha muito e produz pouco".

Autor: Antonio Afif

NOVAS ATRIBUIÇÕES DOS VOLANTES

Em alta, volantes compreendem e apreendem novos conceitos nas equipes de futebol

Espanha triunfou na última Eurocopa com meio-campistas de baixa estatura e técnica apurada Brasil encara diferenças na posição por conta da cultura dos laterais-atacantes

Bruno Camarão

No duelo diante da tradicional e copeira Alemanha, na final da edição deste ano da Eurocopa, principal competição entre seleções do Velho Continente, a Espanha não alterou sua postura e seu estilo que o caracterizaram durante toda a trajetória até então. Mesmo ciente das intempéries que seriam ocasionadas pelas jogadas aéreas dos altos e fortes atletas alemães, o treinador Luis Aragonés manteve a aposta em seus “baixinhos” do meio-campo.

O resultado é conhecido. Os espanhóis pouco foram pressionados durante todo o jogo, cadenciaram a partida com um toque de bola preciso, motivado pelos seus volantes (?), e, ainda no fim da etapa inicial, após lançamento de Xavi, o atacante Fernando Torres ganhou a disputa de Lahm e, na saída do goleiro Lehmann, marcou o gol triunfal.

Diante de todo esse panorama, um ponto de discussão: o novo perfil desses jogadores que atuam efetivamente na faixa central do gramado, são marcadores de ofício, mas têm, cada vez mais, uma importância na transição da defesa para o ataque, aparecendo invariavelmente nesse setor para decidir partidas. E o tema não poderia ficar fixo ao Primeiro Mundo.

“Não gosto de brucutu. Ninguém quer mais o volante, o primeiro brucutu que pega, passa de lado ou só marca, isso nenhum treinador quer mais. A gente quer que jogue. Nós temos aqui três que saem, se eu acrescentar o Marquinhos, o Henrique, o Elicarlos, o Luis Alberto, todo mundo tem uma dinâmica e uma qualidade para sair”.

A análise acima, ao UOL Esporte, é do ex-zagueiro e hoje técnico do Cruzeiro, Adílson Baptista, em referência ao estilo de meio-campista mais defensivo que tanto ele, quanto a própria direção do seu clube dão preferência.

Na rodada deste fim de semana do Campeonato Brasileiro, por exemplo, um de seus pupilos, o volante Ramires encontrou espaço na defesa do Atlético-MG já nos acréscimos do tempo regulamentar e marcou o gol da vitória celeste no clássico mineiro. Quem o acompanha, são os versáteis Fabrício e Charles.

“É um ponto fundamental para a equipe ali no meio de campo, porque fazemos o balanceamento entre a zaga e o ataque. Considero, sim, a espinha. Nossa equipe tem um ponto muito forte que é o meio-campo”, apontou Charles, que, entretanto, assim como Ramires, foi preterido por Dunga na lista da seleção brasileira que disputará os Jogos Olímpicos de Pequim – ambos são sub-23.

Em se falando de time nacional, o principal, também dirigido pelo ex-volante, é colocado em xeque por conta do excessivo número de jogadores com características mais defensivas, em detrimento de meias-amadores mais produtivos. Em dois duelos ímpares contra a Argentina – final da Copa América (vitória por 3 a 0) e Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa-2010 (empate sem gols) –, Dunga escalou de início praticamente três volantes, com apenas Julio Baptista, em ambas as ocasiões, sendo o “cabeça” do meio.

“Toda equipe precisa de, pelo menos, um volante mais recuado. Desde 2002, o melhor e único excelente volante com essas características foi Gilberto Silva, que caiu muito de produção. Os jovens convocados para a seleção olímpica, Anderson, Hernanes e Lucas, além de Ramires, são armadores ofensivos e ainda promessas para a seleção principal. O único jovem e bom volante que atua mais recuado, Charles, do Cruzeiro, não foi chamado”, expôs Tostão, em coluna do último dia 9 na Folha de S. Paulo.

Já para o técnico do Corinthians, Mano Menezes, aspectos culturais distintos de leitura de jogo condicionam, muitas vezes, um “freio” nesses meio-campistas de ofício mais defensivo.

“Nossa composição de meio-campo tem de ser diferente da da Europa, se quisermos ver os laterais apoiando toda hora. Como lá há uma linha de quatro, em que os laterais geralmente ficam postados atrás, muitas vezes sendo até zagueiros, e os dois meias jogam bem abertos, cabe aos volantes iniciar as jogadas e chegar à frente por essa faixa do campo”, argumentou o comandante alvinegro, em entrevista recente ao programa Arena Sportv.

“A Espanha, sem dúvidas, é um exemplo disso, com Sérgio Ramos, zagueiro, na lateral direita, e o Marcos Senna sempre avançando, com grande destaque no time”, completou.

SOBRE RECEITAS DOS CLUBES

Pesquisa indica inflação de receita nos clubes brasileiros por venda de novatos
...
Em 2007, negociação de jovens estrelas rendeu valor superior ao das cotas de televisão
.
Equipe Cidade do Futebol
.
Breno, Alexandre Pato, Lucas e William. A semelhança entre eles é a pouca idade e uma precoce negociação com o futebol estrangeiro após brilho em seus respectivos clubes. O resultado: a potencialização dos cofres do futebol brasileiro em cerca de US$ 71 (R$ 113 milhões).

No ano passado, em levantamento da Casual Auditores Independentes, a venda das jovens estrelas representou 34% da receita total dos clubes do Brasil, contra 22% ganho em cotas de TV – em 2006, os times haviam acumulado mais com os direitos de transmissão (29%) do que com as transferências de atletas (23%).

De acordo com os dados Casual, que pesquisou as contas de 21 clubes brasileiros, no último ano a receita total dos times foi de R$ 1,34 bilhão, o maior valor já registrado pelo futebol brasileiro.

Isso representa 0,052% do PIB do Brasil em 2007, uma melhora de mais de 23 pontos percentuais em relação a 2006. Traçando-se um paralelo com 2005, esse valor representa uma evolução de 25%.

“O que faz diferença são algumas negociações isoladas com altos valores. Em 2007, as vendas dos jogadores proporcionaram um aumento de receita de 519% no Grêmio, 246% no Corinthians e 249% no São Paulo”, afirmou, em entrevista ao UOL Esporte, Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes de futebol da Casual.

A análise aponta o São Paulo como a agremiação que teve a maior receita bruta em 2007, com R$ 190,081 milhões. O time do Morumbi ficou no topo também em 2006 e ainda teve um crescimento de 54,5%. Internacional (R$ 155,881 milhões), Corinthians (R$ 134,627 milhões), Grêmio (R$ 109,031 milhões) e Flamengo (R$ 89,499 milhões) completam o top 5.
.

A IMPORTÂNCIA DA TÁTICA

Tática de jogo e tática no jogo


No futebol ainda há a velha máxima de que “jogo é jogo e treino é treino”. Ainda que já tenhamos discutido isso em outros momentos, trago à tona agora uma reflexão sobre outro ponto dessa perspectiva.

Em 90 minutos de jogo gerir gama tão grande e ímpar de variáveis (cada jogador, equipe, adversário, estratégias de defesa-ataque e transição, árbitros, torcida, ritmo de jogo, desempenho, egos...) é de fazer inveja a grandes executivos de grandes empresas multinacionais.

A pressão do tempo e resultado é inigualável. 90 minutos para acertar ou errar. 90 minutos para transformar o rumo de uma equipe e de um clube.

Pois bem. Como jogo é treino e treino é jogo (e não como a velha máxima), a perspectiva dos treinamentos de uma equipe deveria preconizar a evolução processual de um jogar/treinar cada vez mais rico em alternativas e soluções; desenvolvidos e especializados no treinar/jogar.

Muitas vezes (muitas mesmo!) a intervenção dos treinadores durante as partidas de futebol acabam por não surtir o efeito desejado.

Isso pode ocorrer, basicamente por três motivos:

1) pela incapacidade de sua equipe em cumprir uma estratégia determinada (diferente daquela previamente combinada e treinada),

2) pela capacidade da equipe adversária em neutralizar rapidamente a estratégia proposta (através de uma contra-estratégia),

3) ou por fim, pela má avaliação do treinador a respeito da melhor alternativa para dar solução a um problema do jogo.

Os motivos 1 e 3 dizem respeito às atribuições do treinador. O motivo1, porque a incapacidade de uma equipe em cumprir determinada tarefa tem relação direta com o treinar/jogar; ou seja, a execução bem feita de algo que seja determinado durante o jogo tem grande dependência do “saber fazer” por parte da equipe. E por sua vez o saber fazer, grande relação com o bem treinar.

O motivo 3, tem relação com a atribuição do treinador pelo fato de estar nele o centro gestor da equipe durante o jogo (para indagar, propor, solucionar). Como é dele que comumente parte o comando para novas estratégias de jogo, é dele também comumente a responsabilidade do acerto ou do erro (partindo ou não dele a estratégia).

O motivo 2 não tem relação direta com a ação do treinador durante o jogo, mas a tem com o motivo 1 e 3. Isso que dizer que há uma dependência indireta entre a ação do gestor da equipe e o motivo 2.

É claro que no futebol, diferente do basquete, vôlei e outros esportes, o treinador tem sua ação limitada a comandos breves (muitas vezes aos berros) na beira do gramado. Não há a possibilidade de parar o jogo para uma conversa informacional com os jogadores. A gestão da situação deve superar a dificuldade de comunicação.

Uma das grandes atribuições do treinador em um jogo de futebol é a de “mudar tendências”.

Se o jogo está desfavorável alguma coisa deve ser feita. E é no jogo muitas vezes que as decisões corretas acabam por não obter êxitos, pelo simples e grande motivo de que muitas vezes a equipe não está preparada para essa ou aquela nova dinâmica. E isso simplesmente quer dizer que o trabalho semanal, o planejamento e o processo têm grande importância na ação do treinador durante o jogo; e que o êxito de suas decisões de jogo está intimamente ligado ao seu trabalho nos treinos.

Ora, mas há quem diga que uma boa conversa no intervalo de um jogo pode transformar a forma de uma equipe jogar (treinar por quê?)!
E realmente pode, principalmente se a transformação pender para uma nova forma já conhecida da equipe.

Óbvio que existem decisões que exigem mais, ou menos elaboração na forma do jogar e que portanto, ao se necessitar de uma mudança estratégica e tática, deve levar-se em conta qual é a solução “ideal” e qual é a “melhor” solução para o problema do jogo.

Quando a melhor solução é também a ideal, não há dúvidas de que aumentam potencialmente as chances de êxito. Quando a ideal está muito distante da melhor (sendo a melhor aquela que a equipe é capaz de fazer bem, mas que pode não resolver), é nela (na melhor) que a maior parte da energia deve ser concentrada.

Óbvio também que quando a melhor solução possível não resolve, ainda há uma tendência a ser mudada, e que mais vale o risco de se tentar mudá-la através do “ideal” mal feito, do que aceitar passivamente a tendência aflorada no jogo.

A tática de jogo, trabalhada então ao longo do processo de treinos do treinador (construída desde o primeiro dia de trabalho, e colocada à prova por vezes três dias depois) terá sempre relação direta com a tática alterada no jogo. Quanto mais a tática de jogo contemplar as táticas no jogo, maiores as chances das intervenções do gestor de campo (o treinador) surtirem o efeito desejado.

Se houvesse no futebol o tempo técnico (como há em outros esportes), não tenho dúvidas senhores, cada vez mais o joio estaria separado do trigo.
Por isso, termino hoje com uma citação que me faz refletir no porque muitas vezes as pessoas parecem não querer separar o joio do trigo:

“A complexidade refere-se à condição do universo que é inerente mas que, no entanto, é demasiado rica e diversificada para compreendermos a partir das perspectivas mecanicistas ou lineares comuns. A complexidade trata da natureza da emergência, inovação, aprendizagem e adaptação”. (Santa Fé Group, 1996)

Crédito: Rodrigo Azevedo Leitão

FERRÃO BOTA A BOCA NO TROMBONE

Ferroviário cobra Federação Cearense em busca de mudança no calendário
...
Fora da Série C do Nacional, tradicional clube da capital vai ao MP e pretende disputar alguma competição oficial
.
Equipe Cidade do Futebol

Restrita a apenas 20 clubes, a Série A do Campeonato Brasileiro é considerada a elite do futebol nacional. Outrora vista como “inferno”, a segunda divisão, ou Série B, este ano está ainda mais fortalecida com a presença do Corinthians. Já a C, no formato atual, é vista como deficitária por muitos. Fora desse contexto todo, um clube busca fazer valer seus direitos.

Sentindo-se prejudicado por ter mantido seu time em atividade no máximo quatro meses de 2008, o Ferroviário resolveu se mobilizar e entrou com um pedido no Ministério Público, para que este fizesse à Federação Cearense de Futebol (FCF), cumprir o Estatuto do Torcedor.

A iniciativa tem por objetivo a realização de uma competição ainda no segundo semestre deste ano, a qual incluiria as agremiações que não participam das disputas realizadas pela CBF.

A idéia da direção do Ferroviário foi encampada pelo Ministério Público e, na última sexta, a procuradora Roberta Coelho se reuniu com dirigentes da FCF em busca de uma solução.

O artigo 8º do Estatuto do Torcedor diz: “as competições de atletas profissionais de que participem entidades integrantes da organização desportiva do País deverão ser promovidas de acordo com calendário anual de eventos oficiais que: I - Garanta às entidades de prática desportiva participação em competições durante pelo menos dez meses do ano”. E é nisso que se apóia o clube nordestino.

segunda-feira, julho 14, 2008

BOAS PERSPECTIVAS

Começo avassalador

Erich Beting
Editor executivo do site Máquina do Esporte e apresentador e comentarista do canal de TV BandSport


O mês de julho começou avassalador para a história do futebol brasileiro. Principalmente naquilo que diz respeito à organização do futebol como negócio.

Na terça-feira, dia 1º, Roberto Dinamite teve seu primeiro dia de trabalho como presidente do Vasco. Talvez seja um dos primeiros ex-jogadores que tenha sido um dos maiores ídolos do passado a ser elevado ao posto de presidente do clube. Após anos a fio de disputa com Eurico Miranda, finalmente Dinamite pôde assumir o posto tão desejado.

Ainda é cedo para dizer no que resultará a gestão de Dinamite. Falhas sempre ocorrem, acertos também. O fato é que a alternância de poder já indica um novo e belo caminho para o Vasco, time que tem a quinta maior torcida do país e que ficou, na última década, praticamente parado no tempo, sem conseguir transformar grandeza em dinheiro.

Sim, é verdade que no último ano a coisa melhorou, com a estruturação de um departamento de marketing e a celebração de acordos inéditos com Reebok, Habib’s e, mais recentemente, MRV, voltando a estampar uma marca na camisa vascaína após seis anos.

Mas agora, com Roberto e sem Eurico, a chance de uma guinada nos negócios do Vasco é uma realidade. O primeiro passo bem dado foi a manutenção da estrutura de marketing já montada. Afinal, por mais que deva existir alternância de poder na alta cúpula de um clube, o dia-a-dia da instituição só sofre com mudanças constantes.

Outra prova de que os tempos são outros foram as presenças de flamenguistas ilustres, como Márcio Braga, presidente rubro-negro, e Junior, ex-lateral do time rival, que deram seu apoio para o novo comandante da nau vascaína. Nomes de peso, figuras que mostram novos ares em São Januário.

Em meio à euforia da vitória de Dinamite seguia-se outra comemoração tão valiosa quanto e que pode significar a entrada do futebol brasileiro numa nova era de gerenciamento e geração de receitas. Em São Paulo, o conselho do Palmeiras deu o aval e, no dia 1º, foi assinado o contrato entre clube e a WTorre para a construção da Arena Palestra Itália.

O novo estádio palmeirense, a primeira moderna arena esportiva com capacidade para mais de 40 mil pessoas, deve ficar pronta em dezembro de 2010. A partir daí, a WTorre vai gerenciar o espaço, e o clube ficará com parte da receita.

A idéia é ter no estádio o centro de ampliação das receitas do clube, tal e qual aconteceram com as novas praças esportivas na Inglaterra e Alemanha na última década. O custo de quase R$ 300 milhões será coberto pela empresa de engenharia. O Palmeiras “deixará” de ter propriedade sobre o estádio durante 30 anos. Mas terá receita proporcional.

Não é o melhor dos mundos, já que a maior bolada com a gestão ficará com a empresa. Mas também é um tremendo avanço na gestão do esporte no país, já que haverá naturalmente uma qualificação no público presente aos eventos e, possivelmente, a geração de mais dinheiro para a manutenção de melhores equipes dentro de campo.

É o início do processo de bola de neve que fez o futebol inglês se tornar o mais rico e estrelado do mundo. Pode ser o começo de uma nova era no futebol brasileiro, com estádios que fazem do torcedor um consumidor em potencial, gerando para os clubes receita suficiente para crescer.

Julho começou avassalador. E que o rolo compressor de transformações continue para os próximos meses e anos. Quem ganha é a indústria do esporte.

quarta-feira, julho 09, 2008

SOPRO DE LIBERDADE

Clubes da C podem negociar direito de TV

REDAÇÃO Da Máquina do Esporte, em São Paulo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, por meio de nota em seu site oficial, que os clubes participantes da Série C do Campeonato Brasileiro poderão negociar individualmente seus direitos de imagem com televisões regioniais. A idéia é aumentar as possibilidades de capitalização das equipes, que não têm espaço nas principais redes.
.
Divisão com menos investimento dentro do cenário futebolístico do país, a Série C começa a edição de 2008 custeada pela CBF, que busca um patrocinador oficial para o torneio. Como ajuda inicial, a entidade oferece mais de R$ 10 milhões em organização.
.
A liberação, no entanto, é válida somente para esta temporada, e os clubes devem avisar a CBF por meio das federações estaduais. No ano que vem, a situação pode ficar ainda mais complicada.
.
Com a criação da Série D, a nova terceira divisão contará com os quatro rebaixados da Segundona e os clubes que ficaram entre a quinta e a 20ª posição da C de 2008.
.

terça-feira, julho 01, 2008

UMA VISÃO MENOS SUPERFICIAL

O PREÇO DA DESORGANIZAÇÃO


Fortaleza mostra-se falto em lidar com a sistemática da descontinuidade

Há indícios de que o ex-técnico do Tricolor, Heriberto da Cunha, ia um pouco mais além do que a utilização da mera desculpa retórica, na tentativa de justificar os maus resultados de sua equipe. Fomos informados que o ex-trainer tricolor fez menção intramuros a problemas intestinais ocorridos com quatro atletas, um pouco antes da partida contra o Criciúma, situação não confirmada pelo departamento médico do clube.

A verdade é que a passagem de Heriberto pelo futebol cearense revelou um ser humano que, como a maioria, também tem suas contradições, suas fraquezas, suas ‘sinuosidades’, seu repertório idiossincrásico enfim. Até aí tudo normal. O que excede de um comportamento aceito como padrão de normalidade, é a obsessão que demonstrou em transferir responsabilidade, como se não pudesse admitir sua falibilidade.

Os erros e suas responsabilidades

Reconhecida a cota-parte de Heriberto em não conseguir deter o processo de involução do time tricolor, passemos à análise do quinhão da diretoria da agremiação. Afinal, para um clube do qual tanto se enaltece sua organização e sua estrutura, não constitui uma atitude condizente com tal premissa a constante mudança de comando técnico. Também não é aceitável a descontinuidade da seqüência do trabalho junto ao time, algo que acaba por revelar falha na estrutura do departamento de futebol profissional. Pois, não ter profissionais preparados sequer para a interinidade caracteriza, no mínimo, a falta de adequação da estrutura do clube à sua própria realidade. Ou seja, o clube ainda não aprendeu ou não tomou providências para se defender de suas próprias falhas, produzidas pela realidade dos equívocos cometidos em seu gerenciamento.

No caso específico da saída de Heriberto da Cunha, ficou exposta a fragilidade da estrutura do comando técnico tricolor, que deu mostra de estar meio perdido e de mover-se a rogos quando a situação requeria urgência e solidez de critérios. A indicação de Alexandre Irineu para a interinidade e o retardo para escolha do substituto de Heriberto, deram causa ao aprofundamento da involução do time, situação que atingiu o seu apogeu na partida frente o ABC.

Só deu Ferdinando

O novo treinador, Luís Carlos Barbieri, conta com o beneplácito de não conhecer o elenco que tem a sua disposição, embora tenha pecado pela falta de sinceridade em admitir o fato. Mas o preço desse desconhecimento já lhe foi cobrado e ele já o pagou, com a derrota inesperada por 3 a 2 para o ABC de Ferdinando Teixeira.

E o técnico-sociólogo deitou e rolou sobre o estreante Barbieri. Servindo-se de um time com cara de misto-quente, Ferdinando armou-se com o seu indefectível 3-5-2, utilizando-se do nosso conhecido Panda como falso volante, mas que na verdade atuou como 3º zagueiro e líbero, menos para converter-se em homem-surpresa e mais para possibilitar as incursões do lateral Alisson.

O lateral abecedista, que já estivera na cara do gol tricolor em ocasião um pouco anterior à do gol assinalado aos 18 minutos, diante das facilidades encontradas pela fragilíssima marcação tricolor, insinuava-se em dar apoio ao seu ataque, projetando-se ora entre Gilberto Matuto e o incipiente Romário Mendes, ora entre este e Preto.

O técnico do ABC, à medida que reagia às tentativas de seu opositor Barbieri, mudava os jogadores mas não alterava o esquema, preservando o que vinha dando certo. De tal maneira que aos 22 minutos da 2ª fase de jogo, de um a outro lateral, ou seja, um lançamento longo de Alisson a Ivan, que entrara no posto do lateral-direito Serginho, determina a segunda queda do gol tricolor, colocando novamente o ABC em vantagem no placar. E aí, o time norte-rio-grandense não mais perderia a vantagem obtida, sobretudo após ampliar para três o número de gols consignados.

A participação de Barbieri

A mudança do esquema tático não é a responsável pelo mau momento do Fortaleza. Ao contrário, a mudança daquele 3-5-2 com três zagueiros, dois volantes e um meia, com revezamento da ocupação da lateral-direita, mostrou-se de maior complexidade que a adoção do 4-4-2 convencional. Logo, atribuir-se à mudança de esquema tático peso significativo pelas dificuldades enfrentadas pela equipe tricolor não me parece argumento válido.

Barbieri teve um desempenho ruim, acima de tudo por que não conhece o elenco tricolor. Ademais, deixou transparecer que foi tremendamente mal-assessorado. Como se não bastasse, ainda veio à tona uma questão de caráter político, e através dela pudemos inferir se não uma situação de fato, mas ao menos uma situação potencial de idéia preconcebida, que pode ser expressa pela arrogância de certos dirigentes, que se sentem diminuídos em terem em seu time uma base de uma equipe local.

Os principais problemas revelados pelo comando técnico tricolor:

- O posicionamento de Erandir, Mazinho Lima e Simão;
- A escalação de Lúcio e de Romário Mendes e a insistência em mantê-los em campo;
- A preferência por Osvaldo em detrimento de Léo Jaime;
- O não aproveitamento de Raul e de Eusébio.

Benê Lima


segunda-feira, junho 23, 2008

COM PÉ E CABEÇA, A COLUNA DO BENÊ LIMA


Efemérides...
Nem tão efêmeras assim...

(Texto inspirado no rechaço à visão maniqueísta, e publicado no Blog do Editor do Caderno Jogada do Diário do Nordeste, Daniel Praciano.)

Creio que, cronista esportivo que se preza ou que a si preza, não é torcedor. Pode até ‘estar’ torcedor para defender uma tese, uma teoria, uma opinião, um ponto de vista.

Essa historieta de dizer que se estamos no futebol é porque torcemos por um clube, pode ser válida para a maioria dentre nós, mas não para todos.

Se um profissional não consegue sobrepor os preceitos de uma conduta ética e equânime diante de uma preferência clubística, isso constitui demonstração de uma personalidade pusilânime, mal-formada. Aliás, o ato de destorcer quer-me parecer uma aleivosia para consigo próprio, além de revelar falta de amadurecimento personalístico e certa deformação de caráter.

Sem pretender fazer a defesa do indefensável, só quero lembrar aos críticos exacerbados da crônica local, que também os senhores (torcedores e dirigentes) não estão acima do bem e do mal, nem do bom e do mau. Somos todos produtos de uma ‘tecedura’ social que vem sendo mal-urdida, e que vem levando de roldão a maioria dos humanos, transformando-os para pior. O futebol, os cronistas, dirigentes e torcedores, ninguém escapa enfim. Não dos efeitos nocivos. Já da influência, uns poucos conseguem imunizar-se.

Problemas há no Ceará Sporting, no Fortaleza Esporte, e até na Seleção Brasileira. Mas a natureza deles é que os tornam diferentes. O Ceará está lutando por se organizar, após um longo período de antigerenciamento do clube. O Fortaleza, que se diz organizado, revela, além do descompasso de suas contas e dos antagonismos do paralelismo de suas administrações (Santana x Presidência), uma inaptidão do seu departamento de futebol, incapacidade esta poucas vezes vista no meio desportivo.

Mais lamentável ainda é percebermos que o rádio, como o maior meio de difusão do nosso futebol, tomou rumos erradios, a partir de uma segmentação daninha que o tem tornado sectário, dogmático e subserviente. E isso em nada contribui para o desenvolvimento do nosso futebol.

Assim como dentro de campo estamos nos tornando anacrônicos, fora dele é que as coisas se mostram pior. E não é pelas vias do sectarismo, do dogmatismo e da repugnante ‘blindagem’ que nos reencontraremos com o significado evolutivo que pessoas e acontecimentos devem ter.

Portanto, se os profissionais do fazer futebolístico devem assumir uma postura renovada para melhor, o mesmo se deve dizer do outro feixe, representado por dirigentes, torcedores e sociedade em geral.

Afinal, espargir a luz é tarefa para ‘iluminatis’.
* * *


Breves e Semibreves

Altos e baixos
Portais do Fortaleza e do Ceará vivem momentos de ‘branco’ em se tratando de notícias sobre os dois clubes. Como subsídio para a imprensa, pior ainda. O do Tricolor é apenas mediano; o do Alvinegro, sofrível. Fica o registro da falta de escutadores em ambos, já que falar em algo similar a ombudsman ou ouvidor soa para seus dirigentes como piada de mau-gosto.

O problema treinador
É visível a incompatibilidade entre o discurso e a prática por parte da mais alta direção do Tricolor de Aço, no que concerne ao departamento de futebol. Contratam treinadores fora da realidade financeira do clube e em seguida esvaziam o seu trabalho, dando-lhe o que não pedem e lhes negando o que eles propõem.

O problema treinador – 2
Preconceito e idéias preconcebidas de um lado e arrogância (vaidade) de outro, parecem indicar as razões para a não contratação de Argeu dos Santos por parte da cúpula tricolor. Se o Presidente dos tricolores transformou as críticas procedentes de Heriberto numa questão meramente retórica e contra elas redargüiu, da mesma maneira como diz não aceitar ser filial do Ceará, imagina-se que menos ainda concordaria em ser sucursal do Horizonte. Haja idiossincrasia!

O problema treinador – 3
Do ponto de vista estritamente profissional, nada contra Luiz Carlos Cruz e menos ainda contra Argeu dos Santos, sendo que este me parece ser mais autêntico. Se Cruz tem maior poder de verbalização, Argeu tem mais legitimidade em seu discurso. A soberba de um e o aspecto de arraigamento a certas crendices do outro, constituem fatores limitadores para as careiras de um e de outro.

A palavra revelada
É atribuída a Luiz Carlos Figueiredo Cruz a opinião de que “o grupo (do Fortaleza) que está aí é para subir à 1ª Divisão”. Eis o primeiro equívoco do ‘palavroso’ técnico. O Fortaleza, se é que quer identificar as fragilidades de seu time e de seu elenco, tem que se pautar pela verdade de uma crítica bem fundamentada, e pela competência em buscar soluções a curto prazo.

Diz Morais com moral
Usando de uma saudável ironia, o decano Morais Filho, radialista de nomeada, põe ordem e muda o tom do discurso chapa branca, tão comum no meio radiofônico. Faz referência crítica fundamentada aos cartolas tricolores e aos ridículos e abomináveis bajuladores – também conhecidos como blindadores.

.

.

sábado, junho 21, 2008

EM REFORÇO DE NOSSA OPINIÃO - 2


EURO NOS ENSINA UMA DURA LIÇÃO SOBRE O FUTEBOL
.
NoriBlog

Nunca fui o que se pode chamar de um grande fã do futebol europeu. Minha tendência sempre foi de me alinhar com os sul-americanos, liderados pelos grandes times brasileiros e argentinos. Além da simpatia pelos vizinhos que não tratam a bola assim tão bem. Minha tendência sempre foi a de olhar o futebol europeu meio como o colonizador, como a metrópole que se impõe pela força política e financeira. Talvez ainda pense assim, mas essa minha estréia em coberturas de Eurocopa de Seleções tem sido uma dura lição de futebol.

Não foi preciso mais do que a primeira fase para constatar que estamos, brasileiros, parando no tempo em termos de tática no futebol. O mundo segue para um lado e nós, feito um cabo de guerra, insistimos em seguir para o outro.

A tendência que a metrópole futebolística aponta na Suíça e na Áustria é escandalosamente evidente: saem os volantes brucutus, os terceiros zagueiros de fato ou improviados e entram pontas (enfim, eles estão voltando!) e jogadores de meio-campo que saibam jogar além de marcar. No Brasil, infelizmente, ainda temos times com três zagueiros e três volantes, com apenas um atacante isolado na frente. Isso sem falar na Torre de Babel futebolística em que se transformou a Seleção Brasileira.

A Europa, que sempre pagou o preço de ter inventado a retranca, o líbero e outras artimanhas para marcar Pelé e demais gênios sul-americanos, agora tem a chance - e aproveita - de instalar a contra-revolução. Ver os jogos dessa Euro tem sido edificante. Pela informação tática e pela postura dos jogadores. Quase não há frescura, tentativas de cavar faltas, enganar a arbitragem, faltas escandalosamente violentas. A principal preocupação é jogar futebol, sem reclamações inúteis contra a arbitragem ou provocações infantis entre os jogadores.

Tomemos como exemplo três seleções: Holanda, Alemanha e Portugal. A Holanda é até mais fácil de ser elogiada pela postura, mesmo eu sendo um crítico de seu jeito meio mascarado do passado. Agora, como não se encantar com esse time dirigido pelo Van Basten? É tanta gente chegando para atacar, com tal volúpia, que finalmente eu compreendo esse jeito "orange" de ser no futebol. Kuyt, Van Nistelroy, Persie, é muito bom jogador jogando bem.

A Alemanha também está exagerando na dose, se tomarmos como ponto de partida seu passado. Ballack, Klose, Podolski, Schweinsteiger e Lahm (que é um lateral que parece muito mais brasileiro que alemão) protagonizam uma autêntica blietzkrig quando partem para o ataque.

Portugal não fica atrás. Deco, Cristiano Ronaldo, Simão, Postiga, Nani. O time terminou o jogo com a Alemanha recheado de homens de frente.

Em termos táticos, Schweinsteiger o que é? O bom e velho ponta, meus amigos. Com a diferença de que está adaptado aos tempos modernos. Não guarda posição e ajuda na recomposição defensiva. Simão é a mesma coisa.

E pergunto: por que o Brasil traiu seu passado de grandes pontas? Por que baniu essa função? Não é impossível jogar com três homens de frente e com um ponteiro. E a Europa é que está mostrando isso. O Brasil precisa ter a humildade de aprender. Os europeus não são melhores apenas na organização. Eles estão melhores dentro de campo.


http://NAAREA.com

EM REFORÇO DE NOSSA OPINIÃO

Professor Mourinho

Alberto Helena Jr.

O amigo viu o técnico José Mourinho falando na Sportv, no Tá na Área, à espera do Brasil e Argentina do Mineirão? Pois, deveria o Sportv editar todas as suas declarações e distribuir aos técnicos brasileiros (e cartolas), pois foi uma aula de como se deve encarar o futebol.

O mandrião não se limita a levar para a Itália seu currículo de campeão de Portugal e da Liga dos Campeões, pelo Porto, além de um campeonato inglês, pelo Chelsea. Ele se propõe a tirar o campeonato italiano da letargia e do atraso em que se encontra.

Como? Fazendo seu time jogar um futebol arejado, aberto, com pontas (alas ou extremos, no castiço português de lá), apenas um volante e dois meias de criação, sem falar no centroavante de praxe.

Em seguida, suspirou: ah, se tivesse em mãos os talentos de que dispomos por aqui...

E completou: medo de quê? Brasileiros e argentinos, com os recursos técnicos que têm, não podem temer nada, é bater ficha.

E não é que os dois entraram em campo cobertos de medo, um do outro? Resultado: aquele 0 a 0 deprimente para as duas escolas mais ofensivas e hábeis do mundo.

Escolas que caminham no sentido inverso de seus desígnios, buscando algo perdido no passado do futebol europeu da década de 90.

E é aqui que embico com Dunga. Ele julga que está fazendo uma renovação na Seleção Brasileira, depois do fracasso na Alemanha.

Digo e reafirmo que, ao contrário. Está apenas cristalizando conceitos superados e se agarrando a um grupo de jogadores que não representam renovação alguma.

O conceito de jogar pelo resultado, para não perder, é velho e superado. Não cabe mais no futebol-espetáculo que hoje predomina no planeta bola mais avançado.


Peito de mudar

Quando Mourinho diz que quer implantar na Inter de Milão um jogo mais aberto e ofensivo, acrescenta: o campeonato italiano, que já teve seu apogeu nos anos 80, hoje, perde disparado do inglês, do espanhol e do alemão. E por quê? Porque os italianos ainda continuam aferrados a um sistema mais defensivo, preocupados primeiro em não tomar gols para, só então, fazê-los, se possível.

Quando a massa no Mineirão pede a cabeça de Dunga e aplaude Messi, está enviando uma mensagem muito clara: quer o brilho acima da mediocridade implícita no tal futebol de resultado.

Os pragmáticos de plantão, imaginando que estão confraternizando com o torcedor e por isso disparam sobre Robinho todas as suas baterias, deveriam rever com isenção o tape do jogo.

Veriam, então, que os raros instantes em que a torcida mineira se animou foi quando Robinho recebeu a bola e ameaçou suas jogadas típicas. Não as completou, é verdade, mas as únicas duas chances de gol de um time que não marca um sequer há 300 minutos, nasceram de seus pés.

A questão aqui, porém, não é a análise deste ou daquele jogador, já que, no geral, ninguém, jogou nada.

Tampouco, culpar Dunga por sua eventual falta de experiência como treinador de futebol. Mas, sim, por sua concepção de jogo.

Se insistir em montar uma equipe sob a égide de três volantes de contenção e tal e cousa e lousa e maripousa, por certo, ganhará aqui, perderá ali, empatará acolá, mas nunca despertará na torcida brasileira o alegre e espontâneo aplauso que só o jogo bem jogado, à brasileira, desperta.

E essa foi a mensagem final de Mourinho: peço a Deus que nunca o Brasil perca sua identidade. Desgraçadamente, é o que estamos fazendo, ano após ano.

.


.

sexta-feira, junho 20, 2008

O POLÊMICO LUXA ATACA DE PROFESSOR


Luxemburgo vê ‘regressão’ do futebol brasileiro e cobra ofensividade na base
.
Treinador palmeirense entende que há necessidade da revisão de conceitos e planeja conversa com comissão técnica dos times de baixo

O futebol brasileiro está regredindo. A opinião incisiva é de alguém que comandou nos últimos anos equipes vencedoras no cenário nacional e hoje dirige o atual campeão paulista e um dos favoritos para levar o troféu da Série A: Vanderlei Luxemburgo.

O comandante-técnico do Palmeiras entende que, no país, há conceitos enraizados que necessitam passar por uma mudança. De preferência, que acompanhe tendência do esporte no resto do mundo, em que pouco se vê esquemas com três zagueiros, algo recorrente tempos atrás.

“Precisamos fazer algo para resgatar o futebol ofensivo do Brasil. Nos últimos anos, os craques do futebol brasileiro foram o Tevez, que é argentino, e o Rogério Ceni, que é goleiro. Neste ano, o Valdivia, que é chileno, foi o melhor jogador do Campeonato Paulista. Existe algo de errado e precisamos rever conceitos para melhorarmos os clubes e a nossa seleção”, afirmou Luxemburgo.

Para que esse plano prospere, o treinador mira transformações a partir de baixo. Luxemburgo demonstrou preocupação ao ver as categorias de base do Palmeiras, em sua maioria, adotando o esquema tático 3-5-2.

“Eu pedi uma reunião com todas as comissões técnicas. Quero que todo mundo acabe com o 3-5-2 e volte ao 4-4-2 ou a um esquema tático mais ofensivo. Não é possível colocarmos tantos zagueiros e volantes em um time. Precisamos descobrir meias e atacantes de alto nível”, cobrou.

Em meio à Eurocopa, Luxemburgo tece elogios ao comportamento mais ousado da maioria dos times que disputam a principal competição entre seleções do Velho Continente, com atenção especial a Portugal, do compatriota Luiz Felipe Scolari –a formação lusitana conta apenas com um volante de origem, além de dois meias e três atacantes.

“O futebol brasileiro está regredindo. Ninguém percebeu que na Europa quase todo mundo joga com três atacantes, que voltam para ajudar na marcação, e dois meias ofensivos, que marcam e atacam com a mesma eficiência. O que fazíamos bem feito está sendo adotado na Europa, enquanto nós preferimos encher as equipes de volantes e zagueiros”, analisou Luxemburgo.



Fonte: Equipe Cidade do Futebol
-------------------------------------

Considerações de Benê Lima sobre o tema e sua personagem

A polêmica sobre o misto de trainer e manager (W)Vanderlei(y) Luxemburgo, está sempre presente nos meios esportivos. Afinal, Vanderlei carrega todo o peso de quem tem pose e discurso de 'professor'. Como se não bastasse, ainda revela uma faceta de sua personalidade que o coloca como um neoprogressista de plantão, afeito a declarações que invariavelmente geram controvérsias e discussões que ultrapassam o campo futebolístico, suscitando apreciações de fundo ético (axiológico).

Luxemburgo é o principal representante de um reduzido grupo de treinadores que extrapola suas funções como integrantes do departamento de futebol profissional dos clubes, colocando-se como gestores de todos os processos e atividades típicas deste departamento. Esse modus operandi 'luxemburgoniano' tem criado sérios problemas aos clubes pelos quais Luxemburgo tem passado, pois além do altíssimo custo de manutenção de sua comissão técnica, não se encontram sucedâneos compatíveis para dar operacionalidade às engenhocas criadas por Vanderlei.

Deixando-se de lado os aspectos acima, por uma questão de justiça devemos reconhecer que esse mesmo Luxemburgo ainda consegue dar contribuições para a discussão que permeia e deve permanentemente permear o futebol brasileiro. É o caso do artigo que aqui lhes trouxemos.

Não resta dúvida que o futebol brasileiro, em termos de desenvolvimento tático, passa por um período de estagnação, se não de retrocesso. E apesar de Vanderlei não estar descobrindo o novo, reconhecemos como inteiramente procedente seu questionamento sobre alguns modelos táticos -- em especial o 3-5-2, com dois volantes.

Nada contra esse ou aquele esquema -- é bom que esclareçamos. Porém, o 3-5-2 nos moldes em que vem sendo utilizado por muitos treinadores, ele acaba privilegiando a mediocridade, em detrimento do estímulo à criatividade e ao talento.

À medida em que se dá atribuições que exigem maior elaboração de laterais e de volantes, e ao tempo em que se vai excluindo das formações das equipes as figuras dos diferentes meias, tanto se mina quanto se mirra a ofensividade, e, por fim, a criatividade das equipes, burocratizando-as e as emburrecendo.

Desse ponto de vista, temos que admitir certa falta de vocação e de aptidão momentânea do futebolista brasileiro, em atender às demandas de uma esquematização tática que dele requer um pouco mais do que ele pode dar.

O reconhecimento da situação ora descrita, implica em uma busca de solução para o problema, caminho esse que passa pela adoção de um sistema tático que estimule o desabrochar da técnica individual, com todos os desdobramentos positivos que tal situação certamente possa produzir.

Paradoxalmente, assitimos, em certa medida e no melhor sentido, a 'sulamericanização' do futebol europeu, enquanto a 'europeização' do futebol brasileiro -- no pior sentido -- segue seu curso inexorável.

Desrobotizar o futebol brasileiro, pois, é tarefa que se impõe.

.

http://NAAREA.com

terça-feira, junho 17, 2008

SOBRE A FORMAÇÃO DOS TREINADORES

O sistema de licenças para técnicos nos EUA

Há diferentes caminhos para os profissionais interessados em trabalhar no mercado norte-americano

Helio D'Anna

Apesar de a profissão de técnico desportivo nos EUA não ter um sindicato, isso não reflete na sua extrema organização como classe. O técnico de futebol nos EUA tem ótimo respaldo e fontes de reciclagem através de duas instituições distintas: a associação nacional de técnicos (NSCAA - National Soccer Coaches Association of America – www.nscaa.com) e a federação Americana de futebol (USSF - United States Soccer Federation - http://ussoccer.com/).

Ambas as instituições oferecem um sistema de licenças muito compreensível para técnicos. Essas licenças cobrem desde o profissional que trabalha com iniciação ao que trabalha com o futebol profissional. Dependendo do nível de trabalho, as licenças duram de uma semana a um ano e de cursos diurnos a cursos de período integral com direito a morar dentro do local de licenciamento.

Tanto a NSCAA quanto a USSF usam uma progressão de ensino que começam com as licenças para trabalho com crianças, adolescentes, jovens, adultos e profissionais dentro do futebol. Só mudam os nomes das licenças.

Dessa vez vou me prender as licenças oferecidas pela NSCAA. Eles usam nomes como: parent coach diploma (diploma de pai-técnico), state diploma (diploma estadual), regional diploma (diploma regional), youth diploma (diploma de jovens), high school diploma (diploma para colegial), além de outros (veja mais no link:
http://www.nscaa.com/nrc.php#nyd).

Há também os diplomas para profissionais mais avançados, que requerem que os alunos morem nos centros por certo período: national e advanced national diploma (o nome já se explica), advanced diploma (diploma avançado) e premier diploma (diploma prêmio). Informações sobre esses cursos podem ser obtidas no link http://www.nscaa.com/rc.php).

Outras licenças interessantes incluem as licenças para treinamento de goleiros: http://www.nscaa.com/subpages/2006033015280118.php, os cursos on-line: http://www.nscaa.com/onlinelearning.php e a licença mais prestigiosa, a de mestre do futebol. Essa ultima leva um ano inteiro para ser completada e numa outra oportunidade falarei sobre ela.

Como não poderia deixar de ser, às vezes a NSCAA oferece seus cursos no Brasil! Ano passado a iniciativa foi sediada no Atlético-PR e há planos de se fazerem cursos na Academia do Oscar.

Todas as licenças são abertas a qualquer um do mundo e eu recomendo ao leitor que tem condições de um dia tentar fazer alguma. É uma experiência bem legal!




http://NAAREA.com

quinta-feira, junho 12, 2008

REFLETIR PARA REPENSAR



OPINIÃO
O primado do capital intelectual

O futebol cearense necessita passar por um processo em que ele seja repensado, desde seu aspecto mais primário até os de maior complexidade.

Vivemos um momento crucial, no qual se coloca como imperativa uma tomada de atitude em prol de um futebol que dá mostras de esgotamento em muitos de seus setores.

Urge, pois, que promovamos um grande evento que tenha por finalidade a busca de propostas que representem verdadeiras alternativas para a crise de idéias e de iniciativas que tomou conta do futebol cearense.

Ressaltemos, contudo, que um encontro dessa natureza não deve nortear-se por uma visão elitista, em que algumas pessoas se arvoram da condição de representantes da nossa intelectualidade.

Precisamos rediscutir inclusive o papel da Crônica Esportiva, passando pelo modelo de segmentação que ora vige, em face da dissintonia que ele expressa em relação à necessária criticidade de seus agentes.

Outros desafios que precisam ser encarados, é a situação de descrédito na qual estão imersos, tanto a nossa entidade de administração do desporto (FCF), quanto a nossa justiça desportiva (TJD-CE). A importância do resgate da credibilidade destes órgãos, guarda uma relação de paralelismo com a qualidade do futebol como produto – isso é inquestionável.

Ao aportarmos na seara de maior interesse dos clubes, devemos estimulá-los a que eles delineiem os seus perfis, que discutam suas características com seus torcedores, e que possam definir uma espécie de personalidade, que inspirará os projetos individuais de cada agremiação.

E dentro desse panorama, estariam criadas as precondições para repensarmos igualmente os nossos clubes, para fundarmos um modelo para cada um, respeitando-se suas vocações e peculiaridades. Assim, ao invés de importarmos idéias, métodos e modelos, passaríamos a elaborar os nossos próprios, muito mais sintonizados com a realidade a que pertencemos, e, sobretudo por isso, com maiores chances de se mostrarem como soluções eficazes.


Efemérides

Desarrumação
Ao manter mais que uma base originária do Campeonato Cearense desta temporada, o Tricolor de Aço detinha, natural e logicamente, as melhores condições de fazer a melhor campanha entre os dois cearenses, ao menos na primeira fase da competição nacional – o Brasileiro da Série-B. Daí porque estranhamos ver o Fortaleza descendo a ladeira, não só na tábua de classificação, mas também na sua produção individual e coletiva.

Incoerência
Constitui de fato uma atitude ilógica, a contratação do melhor volante do Cearense deste ano, o Dedé, para sequer dá-lhe uma chance jogando em sua posição de maior destaque. Pior foi a maneira encontrada para esvaziar a contratação: algo similar ao ostracismo. Isso acaba dando margem para ilações nada lisonjeiras.

O estilo de ser
A maneira Heriberto de ser, causa tanto ou mais polêmica que os resultados que Heriberto não venha a ter. Para o torcedor, o que mais incomoda são os pontos não tidos. Para nós, o não ter e o não ser incomodam igualmente, embora saibamos que o não ser causa maior preocupação. Considero o que Heriberto faz conscientemente ser menos danoso do que o que ele faz no nível do inconsciente. Heriberto da Cunha nos parece um pragmático simpatizante da postura defensiva em suas equipes. Isso acaba por determinar um estilo e uma forma defensiva de vivenciar o futebol.

Os porquês da confusão
Recente, estudo embasando dissertação de mestrado, sugere que técnicos de futebol e profissionais de imprensa interpretam diferentemente alguns conceitos futebolísticos. Quando o assunto é tática, estratégia ou sistema de jogo, treinadores e cronistas falam linguagens diferentes. A origem disto, está na formação dos profissionais. Contudo, nem o empirismo de uns, nem a teorização de outros tantos, nem o tecnicismo e o cientificismo de outro bocado são a última palavra. Não por acaso, acabamos de ingressar na Era da Transdisciplinaridade.

A ser descoberto
O jovem Ederson precisa ser descoberto uma segunda vez. Como é difícil, em um departamento de futebol politicante, fazer-se justiça com um jovem valor. Por outra, conciliar interesses conflitantes é tarefa que os maus caracteres não fazem.

Engodo
Heriberto tem sido vítima de sua falta de poder decisório. Decidir não é só uma questão de escolha. No caso deste treinador, implica criar as precondições para o melhor aproveitamento de seus atletas. Eusébio e Júnior Cearense estão sendo subaproveitados. Se não houver por parte do treinador, iniciativa para melhor adaptá-los taticamente, eles e o Fortaleza perderão com isso.


E-mail: benecomentarista@gmail.com
Cel.: [85] 8898.5106
.
.

segunda-feira, junho 09, 2008

MENOS BRUCUTUS NO MEIO-CAMPO


Revolução corintiana

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Um dos discursos mais surrados dos técnicos é aquele que diz que um time pode ser ofensivo independentemente da escalação de atacantes e meias pouco afeitos à marcação. É o futebol moderno, afirmam. E assim arrumam desculpa para rechear suas equipes de volantes.

Não tenho nada contra os volantes, também conhecidos como cabeças-de-área. Eu não gosto muito é dos cabeças-de-bagre do futebol. Mas estes, por ironia, gostam muito de ser volantes.

De qualquer forma, não vejo necessidade de se escalar mais do que dois volantes em nenhuma equipe. Três já é medo disfarçado de futebol moderno, mas ainda vá lá. Quatro é um exagero tão grande como ter quatro fechaduras na porta da sala.

Pior ainda é o que vinha fazendo o técnico do Corinthians, Mano Menezes, em seu primeiros meses no comando do time. Eram quatro cabeças-de-área no meio-campo e mais alguns espalhados pelas laterais e zaga. Só faltava ele escalar um volante no gol.

E, apesar de todo esse cuidado, o time sofreu demais no Campeonato Paulista. Não conseguiu nem mesmo se classificar para as semifinais.

Veio a Copa do Brasil e Corinthians continuou sem engrenar. No primeiro confronto com um time mais forte (o Goiás, que está na Série A do Brasileiro), a equipe sucumbiu e perdeu por 3 a 1, no Serra Dourada.

Foi quando escrevi, neste mesmo espaço, que seria difícil para o Corinthians conseguir a virada porque o time era muito fraco do meio para a frente, a não ser que o técnico arriscasse um pouco mais.

De uma hora para a outra (não por causa da coluna, imagino), alguma coisa mudou na cabeça do Mano. O gaúcho, adepto notório do futebol "cisplatino" (aquele em que a canela é parte essencial do espetáculo, em especial a do adversário, como já bem disse o escritor Eduardo Bueno), resolveu fazer mudanças radicais.

O treinador abriu mão de sua legião de volantes e viu, de cara, o Corinthians vencer o Goiás por 4 a 0. De lá para cá, os cabeças-de-área cada vez mais perderam espaço. E o time já acumula uma série de nove vitórias em dez jogos.

E quem ganhou espaço foram os gols. Nestes dez jogos, o Corinthians balançou as redes 24 vezes e foi vazado apenas nove. Em nada menos que cinco jogos marcou três ou mais gols. Nos 23 jogos anteriores com Mano e os volantes, apenas três vezes a equipe havia conseguido marcar três gols em um jogo.

A análise a partir do números é sempre fria --apesar de neste caso a evolução ser muito clara. Porém basta assistir aos jogos para ver que a frieza se resume às estatísticas. Não que o Corinthians tenha se transformado em um timaço, mas, se a base de comparação for o time que caiu no ano passado, a diferença já é gritante.

Como eu disse antes, nada contra os volantes. Mas deixo aqui minha saudação aos atacantes e meias ofensivos.


http://NAAREA.com

quarta-feira, junho 04, 2008

UM OLHAR TRANSDISCIPLINAR DO FUTEBOL


Dominância cerebral identifica tipos de atletas e condiciona liderança


Utilidade nas escolas em relação às diferentes formas de aprendizagem dos alunos pode ser levada para dentro de campo

Bruno Camarão

A idéia da dominância cerebral tem utilidade no auxílio a educadores que buscam identificar os diferentes tipos de alunos e, assim, decidir sobre a estratégia a ser usada para a aquisição de conhecimentos. Dentre os diferentes estilos de aprendizagem, há um correlato direto em relação a essa organização neurocientífica.

Essas valências do saber acerca dos fundamentos biológicos dos comportamentos humanos surgem estreitamente ligadas ao conceito de lateralização hemisférica ou dominância cerebral, isto é, às diferenças de funções entre os dois hemisférios do cérebro.

Na verdade, a organização do cérebro em dois hemisférios, direito e esquerdo, parece ter como corolário que cada uma destas suas partes tem a seu cargo os acontecimentos motores e sensoriais que ocorrem na metade oposta (contralateral) do corpo e do espaço. E esse modelo é utilizado na liderança de equipes, seja em empresas, seja no campo de futebol.

“Acho que no atleta essas características vêm muito em função da habilidade e da característica de fazer o jogo. Na escola, vemos outros tipos de liderança. No esporte, os jogadores com maiores características nesse tipo de habilidade têm maior liderança”, explica Roberto Rocha Costa, bacharel em Treinamento Esportivo pela Faculdade de Educação Física da Unicamp e mestre em Ciências Biológicas pela Univap.

Essa regra geral, apesar do reconhecimento atual da complexidade do cérebro, um super-sistema aberto e que integra em si muitos outros sistemas diferenciados e mais amplos, levou à ideia de que cada indivíduo, dotado de um grande potencial cerebral, utiliza o seu de uma forma particular.

Assim, enquanto alguns se apoiariam mais nas capacidades do seu hemisfério esquerdo, parecendo dar prioridade à análise, ao raciocínio e à lógica, outros, pelo contrário, mais apoiados no seu hemisfério direito, dariam prioridade à síntese, à intuição, à visão global e à imaginação.

“O que é possível dizer é que o Gardner [Howar, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas] fala em diferentes tipos de inteligência. A lógico-matemática, outros que vão entender mais relacionamento entre pessoas, uns para entendimento tático, habilidades específicas corporais... Imagino que haja uma relação entre esses tipos de liderança”, completa Costa, que vê alguns empecilhos quando a definição ocorre meramente com base nos critérios técnicos futebolísticos.

“Nem sempre o mais habilidoso é um líder nato, mas acaba sendo colocado para realizar tal função. Às vezes, é um problema”, pondera.

Diretor-sócio da MOT (Mudanças Organizacionais e Treinamento), Alfredo Castro expôs algumas de suas idéias em relação às grandes divisões comportamentais durante palestra realizada no 2º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos).

Para ele, nenhuma dominância é melhor do que a outra, e cabe ao líder identificar a dominância cerebral de cada integrante do grupo, compreender as diferenças entre pessoas e valorizar as particularidades de perfil

“A diversidade de cada ambiente irá determinar a eficiência do grupo”, apontou ao UOL Economia, traçando os quatro grandes grupos de preferências comportamentais:

O relacional, que se define pela capacidade expressiva, apoiada nos mais variados aspectos da comunicação; o organizador, atento aos detalhes, cujo alto grau de responsabilidade o define para tarefas estruturais e de planejamento; o profissional analítico, mais racional e impessoal, que prefere o trabalho individualizado; e, por fim, o experimental, mais impetuoso, especulador e inventivo. Talvez, dentro das quatro linhas, Pelé assumisse todas ao mesmo tempo...

--- x ---


http://NAAREA.com

AMOR, NÃO; DINHEIRO, SIM!


Torcedor, esse espoliado e desconsiderado
-----------------

Chegou o dia. Chegou o triste dia.

O torcedor tricolor menos aquinhoado, mas histórico, virou ‘filho bastardo’.

Ou porque não possa pagar, ou porque não queira fazê-lo a qualquer pretexto - o que é seu direito.

O torcedor explorado perde o seu outrora inalienável direito de assistir, quando bem lhe convier, o treinamento de seus ídolos. Negam-lhe, despudoradamente, a prerrogativa de estar ao lado do seu time de coração, e de até poder ‘regurgitar’ aqui e ali o seu desabafo.

Tudo em nome de uma tal modernidade.

E o que é pior: com o aprobativo de diretores recém egressos do seio da torcida, como são os casos de Adller Pinheiro e Estevão Romcy.

Não é por acaso que a classe média brasileira representa a pior média de pensamento do capital intelectual da nação. Afinal, ela é a maior vítima do signo do DESVALOR que tomou conta do país. Por isso é difícil para ela a percepção de eqüidade, de respeito, e de valor (no sentido axiológico).

Há alguns anos temos colocado na mesa das discussões um REPENSAR do nosso futebol. Porém, é preciso que se entenda o significado disto. Repensar não é apenas refletir. É mais. É também rever, revisar. E por isso exige de nós uma revisão de coisas e de posturas. Significa, pois, mudança. Em última instância, também se traduz por reconstrução.

Nossos times precisam ser pensados como clubes, necessitam antes de mais nada construírem seus perfis e edificarem suas personalidades. Sim! Clubes possuem personalidade – é verdade! E a maneira de delineá-la com legitimidade é a congressual, é pela participação do maior número possível de representantes da torcida num encontro agendado para este fim.

Mas para um clube que produz tanto ruído em sua comunicação com seu público interno, não nos causa estranheza que ele não dê bola para seu público externo. Os seguidos recados têm sido dados ao torcedor, expressando-se o que dele se espera, o que dele se quer tirar.

Que o torcedor não imagine que a ele se queira oferecer algo, além da precariedade do pouco que lhe é oferecido. Na verdade, ao torcedor cearense têm sido concedidos os subprodutos de uma relação típica entre exploradores e explorados:

- quase nenhuma opção de escolha dos produtos;

- preços extorsivos;

- baixa qualidade do que lhe é servido;

- falta de higiene dos serviços;

- falta de limpeza e conservação da praça esportiva;

- falta de segurança;

- falta de iluminação pública condizente no entorno do estádio;

- falta de transporte coletivo;

- falta de uma política de preços de ingressos consentânea com a realidade financeira da nossa população;

- deficiência no atendimento para aquisição de todos os produtos e serviços ligados ao futebol;

- entre outras.


Agora, com a ‘descoberta’ dos programas de sócio-torcedor e congêneres, enxerga-se uma panacéia que inexiste, da mesma forma como são vistos os mirabolantes centros de formação e treinamento, mais conhecidos como ctês.

E para que os sonhos delirantes da visão ‘proto-capitalista’ possam ser guindados ao patamar de realidade, seus executores e seguidores precisam encontrar meios de constranger o torcedor a fazer uma adesão, sem o que ele primeiro se sente aviltado em sua condição de torcedor; depois, sentir-se-á humilhado por finalmente compreender que nada representa para seus dirigentes, a não ser a possibilidade real de ser espoliado.

Pior é saber que o sentimento do qual falam os dirigentes, para convencer o torcedor a colaborar de modo o mais absurdo, é o mesmo que eles – dirigentes – fingem desconhecer para tomarem decisões como o batimento dos portões do clube na cara dos torcedores não-sócios (e/ou não-associados).

A partir de tão estreita visão, como se falar em programas de fidelidade, em meio a uma relação tão vorazmente infiel? Ou ainda não acordaram os dirigentes para as especificidades e peculiaridades do produto futebol? Como se sente um amante traído e ultrajado?

(...)


Benê Lima
.
.
.

terça-feira, junho 03, 2008

CASTELÃO É DESINTERDITADO


Extra! Castelão é
liberado pela CBF
.
A comitiva formada pelo Secretário de Estado Ferrúcio Feitosa, da Sesporte, pelo Vice-Presidente da Federação Cearense e Futebol (FCF), Mauro Carmélio, e pelo Presidente da Executiva do Fortaleza Esporte Clube, Marcello Desidério, teve o seu intento alcançado junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde desta terça-feira, 3, ao ver liberado para os jogos da atual temporada o Estádio Plácido Aderaldo Castelo.
.
Nossa principal praça esportiva - o Castelão - sofreu interdição na última sexta, 30, em determinação pronunciada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
.
Vale dizer que não tem inocentes neste caso. O que há são menores e maiores culpados. Portanto, não vemos motivos para comemorações em função dessa ou daquela atitude 'performática'. Mas, vale sim, festejarmos a liberação do nosso Castelão, acima de tudo pelo nosso torcedor, bem como pela Crônica Esportiva séria.
.
.