Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, setembro 17, 2008

Otimização da produção de receitas no futebol

Entrevista: Amir Somoggi

Marcelo Iglesias

Além de uma análise sobre a realidade da gestão dos clubes brasileiros, o especialista no assunto fala sobre clubes europeus e sobre as perspectivas para Copa de 2014, no Brasil

O Brasil é, sem sombra de dúvida, uma das grandes potências do futebol mundial. Ao lado de outras nações como Inglaterra, Alemanha, Itália, França e a recém-campeã da Eurocopa, Espanha, o país da América do Sul é um exemplo do futebol como um negócio mercadológico.

Diferentemente do que se observa nas ligas européias de destaque, os clubes brasileiros sofrem quando o assunto é a otimização na produção de receitas, sem ganhar e, às vezes, até perdendo com elementos como estádios, venda de produtos, projetos de marketing, e ficando fortemente dependentes da venda de atletas para o exterior.

No entanto, com a assinatura da chamada Lei Pelé, entre outros aspectos existentes na sua redação, abriu-se a possibilidade para que os clubes de futebol brasileiros investissem em projetos junto aos seus torcedores, enxergando-os como consumidores da marca da equipe.

“É importante ressaltar esse aspecto, especialmente no Brasil, porque, dessa forma, nossos clubes não precisariam mais ficar reféns da venda de jogadores para sanarem seus compromissos”, comentou Amir Somoggi, consultor e professor de marketing e gestão no esporte, especialista em marketing e gestão de clubes da empresa Casual Auditores Independentes, que realiza anualmente análises econômicas e mercadológicas sobre o futebol no Brasil e no mundo, professor de marketing esportivo e planejamento estratégico de clubes de futebol no curso Master em Gestão do Futebol da Federação Paulista de Futebol (FPF), em entrevista exclusiva para a Cidade do Futebol.

Além de fazer uma análise sobre a realidade da gestão dos clubes de futebol brasileiros, e de tecer comparações com o que acontece nas grandes ligas européias, Somoggi também falou sobre as perspectivas para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, e apresentou alguns números para deixar mais concreta a sua visão sobre o esporte.

Cidade do Futebol – Quais são os maiores desafios, em termos de gestão, para a modernização dos clubes no Brasil?
Amir Somoggi – A questão é entendermos profundamente qual é o tamanho do nosso mercado. Hoje, nós temos um mercado multimilionário, na Europa, ao passo que o nosso tem muito potencial e ainda é explorável em alguns aspectos.

Por exemplo, a formação de jogadores e a sua respectiva exportação. São valores que crescem a cada ano, mas que não caminham para uma evolução do negócio futebol no mercado doméstico.

Então, a principal questão é entender qual é esse mercado inexplorado. O segundo dilema é profissionalizar ao máximo o departamento de marketing e a administração do clube para poder alavancar todas as outras fontes de receita, que crescem, mas em um ritmo muito inferior ao que poderiam.

CdoF – Muitos clubes comentam que a parte social representa um déficit nas contas mensais. Desta forma uma parte das receitas do futebol é deslocada pra cobrir esse déficit. Dentro da realidade estrutural dos clubes brasileiros, como essa situação poderia ser mudada?
Amir Somoggi – Embora a cara social dos clubes gere receitas de maneira razoável, por outro lado, essa área nos grandes clubes, que têm um parque social forte, como Corinthians, São Paulo e Flamengo, para citarmos três deles, realmente consome um valor alto, não apenas nas despesas correntes, mas também em contingências como, por exemplo, um funcionário que entra com um processo e ganha determinado valor, fazendo com que o clube tenha que arcar com isso, o que acaba recaindo sobre o futebol, que é a parte que gera mais receitas.

A tendência é o clube buscar alternativas comerciais para a sua área social e para o esporte amador. Como aqui se fala em esportes olímpicos e na prática esportiva dos sócios, é comum que os clubes busquem alternativas comerciais no mercado que possibilitem a redução gradativa desse déficit.

Acredito que o futebol deveria ser separado da área social do clube, principalmente, nessa questão da gestão, para que os recursos gerados com a área social fossem investidos diretamente na manutenção do quadro social das agremiações.

CdoF – Dentro da realidade política, econômica e social do Brasil, quais ações efetivas poderiam ser implementadas pelos clubes visando o aumento e a diversificação de suas receitas a curto e médio prazos?
Amir Somoggi – Para essa questão, nós temos que analisar os números que a Casual Auditores, empresa que há quatro anos faz estudos financeiros sobre o mercado do futebol tem.

No último ano, o mercado brasileiro bateu o recorde de geração de receita. Segundo a nossa análise, o mercado brasileiro de clubes de futebol atingiu R$ 1,6 bilhão em receitas, em 2007. A nossa amostra mais representativa são os 21 clubes que tiveram as maiores receitas nesse mesmo período. Eles atingiram R$ 1,33 bilhão.

As receitas estão assim subdivididas: negociação dos atestados liberatórios, ou seja, a transferência de atletas, que representou 34% desse montante de 2007, contra 23%, em 2006. As cotas de televisão representaram 22%, em 2007, frente a 29%, no ano anterior. O clube social e o esporte amador representaram 11% das receitas em 2007 e em 2006. Patrocínio e publicidade foram responsáveis por 11%, em 2007, contra 16%, em 2006. E bilheteria representou 8% em 2007, o mesmo valor no ano anterior. Por fim, outras receitas equivaleram a 14%, no ano passado, frente aos 13% de 2006.

Nós temos que fazer algumas análises em relação a esses valores para deixar a questão melhor explicada. Por exemplo, o social e o amador, em 2007, teve um grande incremento, em virtude da evolução que alguns clubes estão tendo naquilo que se convencionou chamar de sócio torcedor, que é um sócio, mas totalmente voltado para o futebol. Neste caso, têm destaque os seguintes clubes: Internacional-RS, Grêmio, Figueirense e Atlético-PR.

Para ter-se uma idéia do potencial dessas agremiações, o Internacional-RS conseguiu R$ 20,1 milhões com os seus sócios, o Grêmio R$ 18,5 milhões, o Figueirense R$ 4,3 milhões, e o Atlético-PR R$ 4,1 milhões. Ou seja, há uma tendência, que é extremamente positiva, a de fidelizar um público ligado ao futebol e não ao clube social.

Por isso que precisamos entender a nossa realidade. Se somarmos 34% de atletas, com 22% de TV, e com 11% de patrocínio e publicidade, tem-se 67% das receitas geradas pelos clubes. É o que se convencionou chamar no mercado do marketing de “business to business”, isto é, são receitas diretamente geradas com outras organizações, ou empresas ou clubes: venda de atletas (que são relações entre clubes), patrocínio e publicidade (que são acordos entre clubes e empresas), e as cotas de televisão (negociadas pelo Clube dos 13 ou por federações locais, mas que tramitam entre as entidades).

Ou seja, o consumidor do futebol, o torcedor, está fora desse processo. Então, essa talvez seja a principal diferença que nós temos entre o mercado europeu e o mercado doméstico de consumo de futebol: o torcedor representa muito pouco para a receita gerada pelos clubes brasileiros.

Por isso, essa é a inversão que deve ser feita por meio de planos de longo prazo, especialmente, na maximização dessas fontes de receita e na estruturação de projetos que sejam criativos e inovadores com o torcedor, a fim de que o torcedor brasileiro passe a representar cada vez mais para os negócios dos clubes.

CdoF – O futebol, assim como a maioria das modalidades, tem em seus ídolos um fator importante no conjunto da modalidade, seja dentro do campo ou fora dele, desde a maximização de receitas até a qualidade do espetáculo. É possível mantermos nossos craques no país por mais tempo dentro do contexto estrutural e econômico do nosso futebol?
Amir Somoggi – Essa é a principal pergunta que permeia o mercado do futebol brasileiro. Nós vivemos em um ciclo vicioso no que se refere à gestão dos clubes, pois as agremiações vendem cada vez mais cedo os seus atletas. Isso ocorre porque existe a questão relacionada à dificuldade de mantê-los, uma vez que há uma enorme pressão por parte do jogador, do seu empresário, e do mercado internacional com milhões de euros em mãos para comprar esses atletas.

As agremiações brasileiras recebem o dinheiro da venda dos jogadores e investem, principalmente, na estrutura de formação de novos atletas, visando encontrar, cada vez mais cedo, novos jogadores que vão se tornar ídolos e serão vendidos no mercado internacional, fazendo com que esse ciclo nunca se encerre. Ou seja, se pega o dinheiro, investe-se em formar jogadores que são rapidamente vendidos, e assim sucessivamente.

O ciclo virtuoso foi encontrado pelos europeus e temos que adaptá-lo a nossa realidade. A manutenção dos ídolos parece difícil, mas se olharmos as folhas salariais de grandes clubes da Europa, percebe-se que eles têm um volume cada vez mais alto de recursos sendo despendidos na manutenção desses atletas.

Por isso, deveríamos escolher três ou quatro jogadores de cada clube e realizarmos um trabalho para mantê-los por mais tempo no mercado, a fim de impulsionar as outras fontes de receita, investindo na marca do clube, na exploração da imagem desse atleta, na transformação dele em um ícone em termos de marketing. Dessa maneira, faríamos com que o ciclo virtuoso de geração de receitas aparecesse na venda de produtos, na exploração comercial da marca do clube, nos melhores contratos de patrocínio, na lotação dos estádios.

Assim, segurando por mais tempo esses atletas, a tendência é que se consiga reverter esse ciclo vicioso, transformando a gestão dos clubes em um ciclo virtuoso de geração de receitas.

CdoF – Na sua opinião, como profissional de marketing que vive a realidade do nosso futebol há anos, a profissionalização do futebol brasileiro em todos os aspectos, é viável ou um sonho ainda muito distante?
Amir Somoggi – Se analisarmos os últimos cinco anos desse aspecto, houve uma evolução, que pode ser comprovada pelos números financeiros dos clubes, embora os déficits dessas agremiações tenham aumentado. Houve uma evolução principalmente no que se refere à interpretação daquilo que é importante fazer-se para o mercado crescer.

O problema é que o mercado brasileiro de clubes de futebol vive de ser uma plataforma de exportação de jogadores. Automaticamente, outras importantes receitas que deveriam ser criadas acabam deixadas de lado, porque é mais fácil vender-se um atleta por 20 milhões de euros para o mercado internacional do que gerar essa mesma quantia diretamente com o torcedor brasileiro.

Isso demandaria projetos de longo prazo, de continuidade nessa mudança de paradigma. Ou seja, tem-se não um amadorismo, mas sim um comodismo da administração dos clubes, pois é mais fácil arrecadar-se com a venda de um único atleta do que se pensar que a agremiação tem 10 ou 15 milhões de torcedores pelo Brasil e fazer-se projetos que alavanquem essa idéia.

A Casual Auditores fez uma análise e chegamos à conclusão de que, apenas consideram-se as três macro-receitas dos clubes de futebol que são o estádio, a mídia e a exploração comercial das marcas dos clubes, tem-se um mercado inexplorado da ordem de R$ 1 bilhão, que poderia evoluir nos próximos quatro ou cinco anos, em um ritmo de cerca de 20% ao ano, sem considerar um único centavo com negociação de jogadores.

CdoF – Quais são as diferenças que fazem tão distantes as realidades do futebol brasileiro e do futebol europeu, sendo que o Brasil é um dos grandes nomes do futebol?
Amir Somoggi – O Brasil é uma referência em termos de futebol no mundo. O que significa que, dentro das quatro linhas, o mercado brasileiro é altamente respeitado. Poucos mercados no planeta atingiram o grau de excelência na gestão do que seria o futebol, em termos de preparação física, tática, técnica, centros de treinamento.

Muitos jogadores que voltam para o mercado brasileiro, quando vão para um clube como o São Paulo, o Atlético-PR e o Cruzeiro, afirmam que o centro de treinamento desses clubes não deixam nada a desejar às estruturas encontradas em grandes clubes italianos, espanhóis ou ingleses. Ou seja, essa realidade favorável, nós já temos. O nosso grande problema é converter esse êxito esportivo em geração de negócios no mercado doméstico.

O mercado europeu de futebol, considerando o profissional apenas, o que corresponde a todos os clubes europeus, mais a Uefa e confederações e a Fifa, gerou na temporada 2006-2007 um montante de 13,6 bilhões de euros, sendo que as Big Five Leagues, que são as cinco principais ligas da Europa (a primeira divisão da Inglaterra, da Alemanha, da Itália e da França) geraram 7,1 bilhões de euros. Isso mostra a importante representatividade desse montante em relação ao total.

Considerando-se os 20 clubes com maior faturamento da Europa, eles atingiram 3,7 bilhões de euros. Ou seja, mais de um quarto de tudo que se gera com receitas de clubes de futebol profissional na Europa, vem de apenas 20 agremiações.

CdoF – O Brasil é tido como exportador de grandes craques como Robinho, Ronaldinho Gaúcho, entre outros. Como o país deve atuar para mudar essa situação, ou seria mais apropriado assumir tal papel e tentar desenvolver as condições nas categorias de base para aumentar a venda de jogadores jovens?
Amir Somoggi – O problema de se aceitar como exportador é que o ciclo vicioso nunca irá se alterar. Se o dinheiro recebido com a venda de atletas fosse revertido para a melhoria de estrutura e para o consumo das marcas dos clubes como, por exemplo, com a incrementação dos estádios,ou com investimentos em projetos de marketing, ou com a internacionalização da marca dos clubes. Se tudo isso ocorresse, automaticamente, as agremiações brasileiras conseguiriam, aproveitando-se dessa exportação em massa dos atletas, investirem em outras áreas, possibilitando um incremento das fontes de receita.

No Real Madrid, que é o clube mais rico do mundo, o que mais gera receitas em todas as suas fontes, tirando o estádio, já que os clubes ingleses lideram esse quesito, o marketing gerou, em 2003, aproximadamente, 65 milhões de euros. Isso é fruto de um projeto, iniciado em 2000, com Florentino Perez, e que no seu terceiro ano conseguiu o valor de 65 milhões de euros. Hoje, o clube fatura 136 milhões de euros com o marketing.

Esse valor não inclui somente cotas de patrocínio que é o que, no Brasil, convencionou-se trabalhar como marketing, mas também vendas de produtos pelo mundo, royalties gerados com essas vendas, outros patrocínios do clube que não só as cotas, mas também a possibilidade de receber uma quantia extra na venda dos serviços dos patrocinadores, como é o caso do relacionamento do Real Madrid com a Telefonica.

Então, o Real Madrid, apesar de ter se tornado um caso de estudo acadêmico, deve ser enxergado como um exemplo de como um clube brasileiro deve atuar para aumentar a representatividade dos negócios a serem gerados, além da exportação dos atletas.

Outro dado referente à venda de atletas é que apenas os grandes clubes brasileiros conseguem valores importantes com a venda de jogadores. Os clubes menores ganham quantias irrisórias, quando os jogadores não vão embora gratuitamente para o mercado internacional. Se fizermos a conta de que cerca de 1.200 atletas foram transferidos para fora do país em 2007, e que esses recursos geraram aproximadamente 260 milhões de dólares, chegasse à conclusão de que cada um dos jogadores saiu por aproximadamente 225 mil dólares.

Tem-se aqui a realidade do cenário brasileiro, pois, para cada craque vendido por 15 ou 20 milhões de dólares, existe uma massa de outros atletas que foram embora por valores irrisórios.

Existe também outra questão importante, e que vai além das finanças dos clubes: o fato de preservarmos a nossa identidade, o nosso patrimônio, que são esses atletas. Exemplos disso são os casos como o Deco e o Marcos Senna, que foram jogadores que não passaram pelas categorias de base da seleção brasileira, e hoje são naturalizados e jogam nas seleções de outros países. Será que um dia não vai nascer um Robinho, um Kaká ou um Pelé, que logo aos 15 ou 16 anos vai embora do Brasil, sem ninguém nem ter idéia de quem ele é, e amanhã ele aparece em uma copa do mundo com a camisa de uma Dinamarca, de uma Noruega, de uma Suécia ou de um Irã? Quem sabe.

Esse é outro risco que corremos. Vendendo a granel essa quantidade absurda de atletas para o mundo, nós corremos o risco de entregar para outros mercados menos desenvolvidos no aspecto do futebol, jogadores que poderíamos segurar na nossa seleção e no nosso futebol.

CdoF – Na situação contemporânea, os atletas saem do país para conseguir independência financeira e/ ou porque os clubes precisam aliviar seus problemas financeiros. Este aspecto ocorre, em parte porque houve uma profissionalização administrativa na Europa, o que não aconteceu no Brasil. Aqui, em alguns casos ainda temos amadores administrando um ramo cada vez mais profissional como o futebol. O que fazer para que alcancemos o patamar europeu?
Amir Somoggi – Uma questão importante é deixar-se claro que executivos remunerados, que pensam 24h por dia os negócios do clube e que conhecem a fundo tudo o que pode abranger o negócio futebol são essenciais para a evolução do mercado brasileiro.

Algumas agremiações já têm no seu corpo diretivo profissionais com essas características, mas ainda é muito pouco se comparado com o que aconteceu no mercado europeu e norte-americano.

Obviamente que um dos motivos para que os clubes brasileiros tenham que vender cada vez mais cedo os seus atletas é a pressão financeira pela evolução econômica dessas agremiações. Para visualizarmos melhor esse cenário, em 2007, apenas os 21 clubes com maiores receitas do Brasil gastaram R$ 900 milhões na manutenção do seu departamento de futebol. No ano anterior, esse valor não chegou R$ 740 milhões. Portanto, de um ano para o outro, houve um acréscimo de mais de 20% nas despesas com o departamento de futebol.

Isso porque esses valores não se referem à despesa total desses clubes, a qual atingiu R$ 1,6 bilhão, enquanto que o faturamento deles foi de R$ 1,33 bilhões. Ou seja, há um déficit consolidado nas contas dos clubes.

Logo, tem-se um problema grande, que é o aumento das despesas. A manutenção do departamento de futebol dos clubes no Brasil, assim como no resto de mundo, é cada vez mais cara. Os jogadores querem ganhar mais, os clubes investem em estruturas de treinamento e de preparação, há custos inerentes a transporte e hospedagem que também impactam nas despesas totais, fazendo com que as agremiações tenham que equilibrar as suas finanças de alguma maneira, no caso, por meio da venda dos seus atletas.

Sendo assim, as disparidades entre os clubes europeus e os brasileiros estão diretamente ligadas à baixa execução e planejamento de novas estratégias para arrecadar mais e controlar custos. A tendência que se pode observar nos clubes brasileiros é que as despesas estão acompanhando a evolução das suas receitas, o que é muito perigoso.

Considerando que as receitas dependem muito da venda de atletas, naqueles anos em que os jogadores não conseguirem ser transferidos pelo valor que os clubes esperavam, por fatores como uma crise no mercado europeu, por exemplo, os déficits tendem a crescer assustadoramente.

Por isso, os clubes brasileiros têm que implementar não apenas a maximização das suas contas de receitas, mas uma série de controles na sua gestão, a fim de que haja uma otimização do investimento realizado, buscando o déficit zero.

CdoF – O Brasil irá sediar a Copa do Mundo de 2014. Qual é a realidade brasileira para receber um torneio dessa envergadura? O que falta arrumar e quais são os principais problemas? E as perspectivas de melhoria?
Amir Somoggi – Nós temos que analisar essa questão sobre vários aspectos. O primeiro deles refere-se não apenas ao futebol, mas ao país em si. Os dados, não só em copas do mundo, mas também em olimpíadas, comprovam que o menor investimento que deve ser feito por um país que irá sediar um evento dessa magnitude são os estádios. Essa é uma parte importante, mas não é a única.

Na Alemanha, o investimento em infra-estrutura urbana, ou seja, estradas, rodovias, rede hoteleira, entre outros ramos, representou quatro vezes mais do que o que foi investido pelo governo alemão em estádios. Isso também acontece em jogos olímpicos e deve ser pensado por quem vai investir no projeto estratégico da copa do mundo no Brasil.

O investimento que será feito deve visar o legado que o evento trará para o país, não apenas em termos econômicos e turísticos, mas também em termos sociais, para que haja uma melhora da condição de vida da população brasileira.

Há que se estudar os gargalos atuais (aeroportos, rede ferroviária, telecomunicações, energia, etc) para que, graças à copa, atraiam-se investimentos privados e públicos para essas áreas que são essenciais para o país.

Outra questão refere-se literalmente ao futebol do país. A realidade da Alemanha tem que ser novamente destacada, pois, além do investimento que foi feito nos estádios, houve uma preocupação do mercado alemão em desenvolver o seu negócio em torno das marcas dos clubes. Os dados da Bundesliga comprovam essa minha afirmação. Em 2004, a receita gerada pelos estádios alemães era de 236 milhões de euros, considerando-se a primeira e a segunda divisão (são 36 clubes). Esse volume atingiu, na temporada 2006-2007, 365 milhões de euros, isto é, 55% de evolução, em quatro anos. Isso quer dizer que o mercado alemão ingressou, nos últimos quatro anos, em um ritmo de 32 milhões de euros novos a cada ano.

Até a temporada 2005-2006, a primeira divisão do futebol alemão era a quarta liga em receitas geradas da Europa, e graças ao efeito positivo da copa do mundo, na temporada 2006-2007, a Bundesliga 1 (primeira divisão) já era a segunda liga mais importante do Velho Continente.

Fica claro como a copa do mundo foi positiva para o mercado alemão no que se refere aos estádios. Além disso, outras receitas como venda de produtos, cotas de patrocínios e direitos de transmissão cresceram assustadoramente, provando que a visibilidade que o mercado alemão teve e a sua importância no mercado global, graças à copa do mundo, foi positiva, ao ponto do mercado de futebol profissional da Alemanha passar de 1,2 bilhão de euros, em 2004, para mais de 1,75 bilhão, em 2007.

CdoF – A realização da Copa de 2014 no Brasil fez com que muito clubes decidissem reformar suas arenas para concorrerem a sedes de jogos das seleções. No entanto, o setor financeiro desses mesmos clubes sofre com enormes buracos. Quanto esses investimentos nos estádios pode contribuir ou prejudicar ainda mais as equipes?
Amir Somoggi – Os clubes brasileiros, hoje, estão debilitados financeiramente, e não têm condições de bancarem sozinhos esses projetos. Prova disso é que o boom que está acontecendo no Brasil mostra que o que está atraindo investimentos é a busca de parceiros que ajudariam os clubes a realizar as reformas e a construção de estádios.

O primeiro a fazer esse tipo de parceria foi o Palmeiras com a WTorre, depois veio o Grêmio, e há discussões em torno do São Paulo e de outros estádios que irão surgir no decorrer desse período.

Um estádio bem estruturado tem grandes condições de alavancar clubes de futebol. Isso é fato. Mas não é necessário que se realize uma copa do mundo para que isso aconteça. A Premier League é o mercado que mais gera receitas com estádios. Em 2006-2007, ela atingiu 802 milhões de euros, e a última copa do mundo realizada na Inglaterra foi em 1966.

Logo, não é porque acontecerá uma copa do mundo que tem que se construir estádios. A Inglaterra, sem sombra de dúvida, é o melhor exemplo disso. Os clubes ingleses investiram nos últimos 15 anos mais de 3 bilhões de euros em stadium facilities, que são melhorias no atendimento ao torcedor que vai aos estádios, com melhores serviços, lugares marcados, com jogadas de marketing possibilitando que eles consumam mais.

Em 1997, o ticket médio de consumo era da ordem de 25 euros por torcedor. Na temporada 2006-2007, esse valor foi de 60 euros por torcedor. Isso mostra como o profundo investimento na melhoria dos estádios impactou no mercado.

Em termos de Brasil, é importante que os clubes entendam que não adianta apenas investir milhões na construção de estádios. Um exemplo é o Engenhão, que custou R$ 250 milhões para os cofres públicos. No entanto, o seu percentual de ocupação, dependendo da competição, variou entre 12% e 13% a 40% e 45%. Ou seja, não é porque o estádio é novo que as pessoas o freqüentarão. Já o Atlético-PR tem uma ocupação da ordem de 40% no seu estádio, o qual é considerado o mais moderno do Brasil. O que deve ser pensado é qual será o projeto pós-copa que será executado e quais serão os projetos de marketing dos clubes para ganharem com a Copa no Brasil.

Um último dado interessante refere-se a quanto os clubes arrecadaram com a bilheteria nos seus jogos. A equipe brasileira que mais ganhou nesse quesito foi o Flamengo, que somou um montante de cerca R$ 14 milhões, em 2007. Em comparação com o Manchester United, o clube inglês teve uma arrecadação de 137 milhões de euros, só com bilheteria.

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Visibilidade e receitas alternativas

Com site, Misto quer abrir mercados e manter torcedores

Para o presidente da equipe, a página na Internet valoriza os torcedores, que poderão informar-se mesmo longe de Três Lagoas (MS)

Equipe Cidade do Futebol

Há aproximadamente duas semanas, o Misto Esporte Clube de Três Lagoas colocou no ar o seu site oficial. Por enquanto o endereço da novidade para os torcedores do time de Mato Grosso do Sul é www.mistomstreslagoas.com.br. No entanto, em breve estará no ar o www.mistodetreslagoas.com.br, que está em fase de construção.

Para Jamiro de Oliveira, o Miro, presidente do clube, com a página na Internet, o Misto está valorizando os seus torcedores e abrindo as portas para os mercados nacionais e internacionais na área de marketing e, principalmente, na divulgação dos talentos das equipes das categorias de base da agremiação.

Com o site, o presidente do clube sul-mato-grossense espera que os time aumente as suas receitas alternativas. "O futuro do futebol está nas receitas alternativas. Utilizar nosso site oficial com objetivo de facilitar a busca destas receitas deve ter reflexos sentidos a médio e longo prazo", afirmou Miro.

Além disso, outro objetivo do lançamento do site é que os torcedores da equipe não se afastem da agremiação mesmo quando não estiverem em Três Lagoas. "Ao navegar pelo portal, os internautas poderão saber mais sobre a história, a estrutura, os feitos do clube e sua grande contribuição para o futebol sul-mato-grossense", contou o presidente do Misto.

Na avaliação de Ricardo Pereira, da Agência Tríade Comunicações, o lançamento do site simboliza o avanço do segmento da interatividade no futebol do Mato Grosso do Sul. "Em 2006 apenas a Federação e o Cene tinham sites e com baixa qualidade de conteúdo e informações. Hoje, temos o site da Federação e do Cene completamente reformulados, além dos sites do União de Camapuã, do Sete de Setembro de Dourados e do Misto de Três Lagoas, todos com design modernos e com planejamentos de conteúdos, além dos sites do Águia Negra de Rio Brilhante, e do Naviraiense", disse.
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A tática em função do espaço

Dimensões do campo determinam estilo de jogo no São Caetano

O técnico Vadão quer que sua equipe apresente uma combinação de velocidade e postura ousada

Equipe Cidade do Futebol

Geralmente, os técnicos de futebol estudam a forma de jogo da equipe adversária antes de enfrentá-la. No entanto, Vadão, que comanda o time do São Caetano, preferiu ater-se às dimensões do campo do Bragantino para determinar a forma como a sua equipe atuará, na próxima terça-feira (16).

"O campo deles é pequeno. Temos que fechar e encaixar a marcação e usar a velocidade. O importante é manter a posse de bola e, mesmo jogando na casa deles, tentar ditar o ritmo do jogo", comentou Vadão.

O técnico do São Caetano assumiu que a projeção para essa forma de atuar deve-se ao fato do seu time estar com 32 pontos na série B do Campeonato Brasileiro 2008, ou seja, a 11 pontos da zona de classificação para a elite do futebol nacional e, por isso, precisar vencer. Contudo, o time de Bragança Paulista ganhou as suas quatro últimas partidas.

Em busca de uma vitória a qualquer custo, o treinador do São Caetano espera que na próxima terça-feira, a sua equipe apresente uma combinação de velocidade e postura ousada.

O time de Bragança Paulista está na sexta colocação do campeonato, com 39 pontos ganhos a apenas quatro pontos do quarto colocado, Santo André.
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segunda-feira, setembro 08, 2008

COM PÉ E CABEÇA - ANO IV - N°130

A Coluna do Benê Lima
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Opinião
LIBERDADE EM RISCO


No 29 de agosto p.p., o jornal Diário do Nordeste, publicou matéria daquelas que exigem certo fôlego de sua equipe. Estatísticas, números, nomes e material fotojornalístico consentâneos com as exigências de um bom composto jornalístico. O fotojornalista Kiko Silva teve sua sensibilidade e seu esforço compensados com a primeira página do jornal. Empunhando uma câmara de boa qualidade, munida com uma teleobjetiva adequada para aproximar e comprimir a imagem, além de dar força ao assunto principal pela reduzida profundidade de campo, Kiko pode expressar, através de um plano ligeiramente elevado, um amontoado de jogadores em ritmo de treino, em Porangabuçu.

Quanto ao seu conteúdo, a matéria nos pareceu crítica, porém, inteiramente verdadeira. E daí surge a pergunta:
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- Que mal ou o que de mau pode haver, intrinsecamente falando, numa matéria eminentemente jornalística?
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Do ponto de vista dos dirigentes alvinegros, então, a matéria veiculada no dia 5 deste mês, no mesmo DN, teria sido muito mais ofensiva para os dirigentes tricolores: “Sem reforços, Heriberto aposta em seus gritos”. Mesmo que consideremos apenas o título da matéria, ele, por si só, já revela a inoperância da diretoria do Fortaleza e admite que muito há por fazer para que o Tricolor se torne um time competitivo; também questiona a qualidade, onde não existe sequer quantidade. E aí: a reportagem do DN vai ser impedida de também ter acesso às dependências do Fortaleza Esporte Clube?

Na verdade, a atitude de tentativa do cerceamento da liberdade de expressão dos profissionais que fazem a cobertura dos clubes, revela o despreparo da maioria dos dirigentes, que nem entendem, e menos ainda respeitam a natureza do trabalho jornalístico à cargo desses profissionais.

A propósito, não é por mero acaso que dizemos: “Futebol que confunde crítica com perseguição, de fato não merece estar sequer na Segunda Divisão”.


EFEMÉRIDES

Cancela intransponível
Quanto mais apostamos na desafiadora quebra deste paradigma, mais nos decepcionamos pelo distanciamento entre a meta estabelecida e sua consecução. O time do Ceará já se mostrou mais próximo de sua primeira vitória fora de casa, ao contrário do que vimos diante do Brasiliense. O técnico Lula Pereira vive sob o problema do cobertor curto: protege a defesa, e desmobiliza o ataque; implementa o sistema ofensivo, e desguarnece o defensivo. Mas a verdadeira origem do problema está na limitação das opções do elenco alvinegro. E, às vezes, até mesmo na regra que limita o número de substituições. Ao jogar fora de seus domínios, há algumas ocasiões em que o time do povo reclama por quatro, cinco ou seis substituições, quando a regra só permite três. Vale ainda ressaltar que, nem sempre bastam atitude e coragem. Antes, é necessário reunir qualidade e competência.

Salvador da pátria
Heriberto da Cunha, técnico tricolor, tem sido guindado ao posto de ‘milagreiro’. Exagero a parte, certo é que o comandante-técnico do time do Fortaleza vê crescer sobre si
enorme responsabilidade. Afinal, quem, no Tricolor do Pici, está a altura dos conhecimentos de Heriberto? Sendo assim, a situação vivida por esse treinador quase que se repete, em se tratando de futebol cearense: de faz-tudo no Ceará, a faz-quase-tudo no Fortaleza. E tudo por incompetência dos dirigentes dos dois maiores clubes da nossa capital. Mas é bom que se diga: Heriberto não tem culpa por isso.

BREVES E SEMIBREVES

Verdinha
É inaceitável o mau momento gerencial por que passa a tradicional Rádio Verdes Mares AM810. Como reflexo de uma segmentação perniciosa no campo esportivo, a querida Verdinha cuida em desqualificar seu conteúdo, operando em situações que beiram o ridículo, através de sua equipe esportiva. Não que isso seja inédito em nossa radiofonia, que insiste em primar pela falta de qualidade, embora consideremos as exceções.

Deselegância
Júnior Marquezine conduziu-se de maneira deselegante, ao falar em público com maledicência sobre a saída do radialista Ricardo Silva, da Assessoria de Imprensa do Caucaia Esporte Clube. Na verdade, Ricardo já não tinha tempo para o desempenho da função, o que o fez nos indicar para o cargo.

Críticas
Aumentam o número de reclamações e comentários críticos acerca do desempenho da equipe esportiva da Rádio Metropolitana AM930. Entre outras coisas, fala-se de lavagem de roupa suja no ar, e de profissionais sem as mínimas condições para o desempenho da atividade radiofônica.

Dinheiro bom, gerenciamento ruim
Nada define melhor a visão de boa parte da torcida do Fortaleza sobre a Santana Textilis, que a frase acima. Para administrarmos tal conflito, direi que a bem-sucedida Santana de fato não tem como ponto forte a administração do futebol. Ela dispõe dos recursos monetários, compreende apenas parte do processo de gestão do futebol, e não domina nem a lógica nem as peculiaridades do meio esportivo. E isto é preocupante.

Sobre a Santana e ex-presidentes
A patrocinadora do Tricolor, numa visão caracteristicamente empresarial, certamente não avaliza as gestões de Jorge Mota, Ribamar Bezerra e, menos ainda, a de Marcello Desidério. Há quem diga que, além da queda da 1ª para a 2ª divisão brasileira, Ribamar e Desidério foram os responsáveis pela quebra da previsão de um bom caixa, que seria formado a partir de maiores verbas das arrecadações dos jogos, de patrocinadores e de direitos de tv.

Detalhe
É muito comum o Corinthians trabalhar em dois expedientes. Pela manhã, são realizadas as atividades físicas de maior volume; à tarde, treinos táticos. No entendimento dos atletas, o time sobra na 2ª etapa, o que acaba fazendo a diferença a favor dos corintianos.

Outro detalhe
O Corinthians espera arrecadar cerca de R$ 400 mil nos próximos quarenta dias, estampando em forma de mosaico, fotos de seus torcedores em suas camisetas. O título da idéia é “O Timão tem a sua cara”. E vale lembrar que a idéia não é inédita, mas deverá funcionar.



Benê Lima
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F. (85) 8898-5106
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sexta-feira, setembro 05, 2008

Subaproveitamento do potencial de faturamento

Rivalidade e marketing, fatores que caminham separados

Apesar da euforia nos dias de clássico e dos grandes jogos que acontecem nessas ocasiões, dificilmente o marketing dos clubes aposta nesses confrontos

Marcelo Iglesias

A rivalidade entre os clubes de futebol pode assumir diversas formas, tanto dentro como fora de campo. Jogadores, geralmente, mostram-se mais empolgados nas vésperas de um clássico regional, por exemplo, e o ambiente das cidades chega a mudar nas horas que antecedem esses espetáculos.
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É claro que essas disputas mais acirradas entre certos clubes não apareceram do nada. Elas obedecem a história e a tradição dos confrontos entre tais agremiações. Quem nunca ouviu, por exemplo, algum relato sobre um jogo entre Palmeiras e Corinthians, ou entre Flamengo e Fluminense, ou entre quaisquer outros clubes que proporcionam espetáculos memoráveis como esses, que antes mesmo da bola rolar já valem o ingresso.
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“Rivalidade é um dos combustíveis do futebol. Quanto mais, melhor. Afinal, sem rivalidade, não haveria futebol”, disse Oliver Seitz, pesquisador pela Universidade de Liverpool, profissional de marketing no Coritiba e colunista da Cidade do Futebol. “E quanto mais rivalidade, maior é a tendência das pessoas se envolverem com o jogo e com os clubes. Com isso, muito mais dinheiro é gerado. Não por acaso, são os clássicos, os jogos que mais atraem pessoas, mídia e patrocinadores”, completou.
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No entanto, será que toda essa euforia criada por jogos entre times que ostentam rixas entre si pode ser usada pelos departamentos de marketing dos clubes para a realização de estratégias e campanhas que busquem na paixão dos torcedores a fonte para a venda de produtos ou o aumento da identificação dessas pessoas com o seu time do coração?
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“O ideal é trabalhar a rivalidade de forma positiva como, por exemplo, focar na motivação dos torcedores em lotar os jogos do time em seu estádio, principalmente, em um jogo contra o seu arqui-rival, e fazendo com que a rivalidade seja uma das formas de motivar comercialmente o torcedor, mas jamais a única”, opinou, Amir Somoggi, professor de marketing e gestão esportiva, e consultor de empresas de auditoria de clubes, agências de marketing esportivo, patrocinadores e entidades esportivas.
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Os clubes brasileiros estão desenvolvendo, nos últimos tempos, estratégias de marketing bastante ligadas a situação em que se encontram as equipes, e sempre visando o apoio da torcida. O Corinthians é um bom exemplo desse tipo de iniciativa. Quando o clube foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, no final de 2007, foi lançada a campanha “Eu nunca vou te abandonar!”. Meses depois, quando a equipe de Parque São Jorge foi para a final da Copa do Brasil deste ano o departamento de marketing do clube lançou a campanha “Não pára!”. Agora que a agremiação está prestes a voltar à elite do futebol nacional, será lançada a campanha “O Timão tem a sua cara”.
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Um dos problemas que logo surge quando se pensa em estratégias de marketing que se baseiem na rivalidade entre equipes é que elas podem acabar gerando casos de violência dentro e fora dos estádios.
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“A rivalidade em si é muito arriscada. Qualquer fomento que a acirre, corre o risco de ser responsabilizado por eventuais confrontos entre torcidas e ações similares. Por isso, é comum que aconteça o contrário: as rivalidades são tão fortes que os agentes envolvidos desenvolvem ações em conjunto para diminuir a tensão do jogo. Dessa forma é comum ver jogadores, técnicos e dirigentes rivais enviando mensagens de paz e coisas do tipo, uma vez que os clubes não querem arcar com o ônus do descontrole entre torcedores rivais”, afirmou Seitz.
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Por isso que estratégias que acirrem rivalidades devem ser usadas de forma inteligente podendo utilizar mensagens não diretas aos torcedores. “Um bom exemplo é a atuação de Boca e River, na Argentina. Ambos trabalham o conceito de rivalidade por meio dos ‘chistes’ com a compra de mídia fazendo brincadeiras atreladas à relação entre os clubes”, exemplificou Somoggi.
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Sendo assim, as estratégias de marketing dificilmente podem ser atreladas à rivalidades entre equipes. Além disso ser perigoso, principalmente em países em que a violência entre torcidas é real, dificilmente encontra-se um viés específico para criá-las a tempo de gerar lucros para os clubes. Eventualmente pode-se trabalhar a rivalidade para comemorar uma vitória histórica sobre o rival, ou para elevar a auto-estima da equipe em um momento específico, mas sempre com respeito às demais agremiações para que isso não gere confusões.
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EXPERIÊNCIA QUE DEVE SER COPIADA

Reforma pode deixar Mineirão com clubes

GUSTAVO FRANCESCHINI

Possível sede do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, o Mineirão deve passar por reformas nos próximos anos e a Administração de Estádios de Minas Gerais (Ademg) já está pensando na futura gestão do espaço após a remodelagem. A solução mais provável, e preferida pelo governo, é uma parceria com Atlético Mineiro e Cruzeiro, que pode ser apontada como ideal para o caso já no começo do ano que vem.
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A avaliação está sendo feita pela empresa de consultoria Ernest & Young, que estudará as possibilidades de gestão do complexo, que inclui o ginásio Mineirinho, mais lucrativas. O governo de Minas Gerais, porém, não tem um projeto pré-definido.
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"É a gestão ideal e é o que o nós desejamos. A iniciativa privada quer isso também. Sem a participação dos dois clubes o Mineirão vira um elefante branco. Tudo caminha para que seja uma PPP, mas a gente ainda não pode oficializar nenhuma possibilidade", disse Gustavo de Faria Corrêa, secretário estadual de Esportes e Juventude.
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A possibilidade não é uma novidade para os rivais de Belo Horizonte, que há anos cogitam a idéia de gerirem o Mineirão. Um sinal de que isso pode, enfim, acontecer, é a atual administração do sistema de bilheterias e estacionamentos do local, que hoje é comandada por Atlético e Cruzeiro.
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"O governo tem se empenhado para que isso aconteça. A gente até pensou em construir um estádio particular, mas ainda estamos em fase de avaliação de terreno e então essa pode ser uma boa opção. É uma possibilidade concreta e não acredito que a gestão conjunta seja difícil, acho que é só os dois clubes conversarem que eles se acertam", disse Antonio Claret, diretor de marketing do Cruzeiro.
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A idéia de cessão aos clubes é também uma forma de unificar a campanha de Belo Horizonte para sede da abertura da Copa do Mundo, posto muito disputado com São Paulo. Se o Cruzeiro levasse seu projeto particular adiante, a concorrência com o Mineirão poderia minar as chances da cidade na empreitada.
Tudo isso, porém, ainda não foi tratado oficialmente. Todas as partes, apesar de confirmarem a possibilidade, fazem questão de ressaltar que nenhuma conversa foi iniciada, e o projeto pode começar a ir para o papel somente em 2009.
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"O que tem de concreto é que foi feita uma licitação e a Ernest & Young vai apresentar um estudo com sugestões de modelos de negócio para o complexo após a reforma.Essa pesquisa pode apontar a gestão conjunta como melhor solução Atlético e Cruzeiro", disse Álvaro Cotta, diretor de marketing do Atlético Mineiro.
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segunda-feira, setembro 01, 2008

A COLUNA DO BENÊ LIMA

Com Pé e Cabeça - Ano IV - N°129

Opinião
A QUEDA DA ‘BASTILHA’ – II

A estória de um leão que, de tão domesticado e afeito aos maneirismos de seus adestradores, transforma-se em mero bichano

O que estão fazendo com o Fortaleza é de dar dó. Desde a saída do Ex-presidente Ribamar Bezerra que o desmonte no Tricolor vem sendo perpetrado.

A ‘antigestão’ de Marcello Desidério foi progressivamente ‘desconstruindo’ a base administrativa do clube, e paulatinamente lançando o Fortaleza numa nefasta aventura, situação que requer uma verdadeira epopéia para fazê-lo vencer a presente crise técnico-administrativa.

Diante da péssima situação do time no Brasileirão da Série-B, o seu torcedor, num ato de desespero, apela para as agressões verbais e para os sopapos, chegando bem próximo de configurar a agressão física. Os alvos principais do destempero dos raivosos torcedores foram, além de alguns atletas, o diretor de futebol do clube.

É bem verdade que não há incompetência que justifique certo tipo de agressão. De outra parte, temos que reconhecer que se explica e justifica-se a indignação do torcedor tricolor com a atual diretoria leonina. Afinal, letargia e inoperância também representam falta de competência. E o que dizer do desempenho do departamento de futebol profissional do Fortaleza? O próprio técnico Heriberto da Cunha já houvera dito, em relação à gestão anterior:

- Não fui eu quem contratou seis volantes e oito atacantes...

E agora, o mesmo Heriberto que já deixara a barca furada anterior, vem a público para finalmente admitir o que já sabíamos: a barca outra vez está furada. E se remendos não houver, certamente o comandante Heriberto cai fora novamente.

Se não for para promover mudanças, o Fortaleza não precisa de líder. Qualquer pessoa que assuma o Tricolor deverá incorporar o pensamento de agente de mudanças. E as mudanças passam, inevitavelmente, pela análise crítica até alcançarem o critério da verdade. E futebol em que a crítica é confundida com perseguição, não merece estar sequer na Segunda Divisão.

Como bem diz um guia corporativo, para que uma empresa possa prosperar, é preciso que ela cuide dos seus ativos. Acontece que os ativos mudaram, e o bem mais valioso da nova economia é a inteligência. E isso é o que mais tem faltado aos que comandam o Fortaleza Esporte Clube.

(...)


”As pessoas podem ser bem-educadas, corteses e sociáveis, mesmo sendo críticas.”


Benê Lima
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quinta-feira, agosto 28, 2008

MOBILIZANDO SEM IMOBILIZAR

Volks deve transportar Grêmio e Inter

GUSTAVO FRANCESCHINI
Da Máquina do Esporte, em São Paulo

Grêmio e Inter devem, em breve, ser transportados por ônibus customizados da Volkswagen, que está próxima de fechar contrato com as duas equipes. Com tudo praticamente acertado, o time do Beira-Rio já fala em um lançamento oficial na sede da montadora em São Paulo.

A idéia é que a parceria, que é realizada em forma de comodato, municie o departamento de futebol profissional a princípio, transportando, posteriormente, as categorias de base do clube. No momento, a direção do Inter trabalha no desenho da carroceria do veículo, que pode trazer alguma surpresa para o torcedor.

O mesmo não pode dizer o Grêmio, que ainda trabalha para fechar com a Volkswagen apesar de ter sido procurado primeiro. Apesar de o contrato ainda não ter sido assinado, o marketing do clube já tem um esboço do layout do ônibus, que conterá um desenho da taça do Mundial de Clubes, conquistado em 1983.

A iniciativa não é inédita no futebol brasileiro. Um projeto do tipo já está em andamento em São Paulo, com o Corinthians como parceiro. Assim como deve acontecer entre os rivais gaúchos, o clube do Parque São Jorge é transportado por um modelo especial da Volkswagen dentro da cidade de São Paulo e em distâncias curtas.

Todo o projeto do ônibus será especial, e uma carroceria exclusiva já está sendo construída na cidade de Caxias do Sul, na fábrica da MarcoPolo, umas das maiores produtoras brasileiras do ramo. O investimento da Volkswagen em cada projeto deve passar de R$ 1 mi.

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sexta-feira, agosto 15, 2008

COLUNA COM PÉ E CABEÇA - ANO IV - Nº128


OPINIÃO
Muito para ser desfeito e refeito

Todo dirigente de futebol deveria saber que ao assumir um cargo em um clube estará sujeito muito mais a críticas que a elogios. Como tal deve ele se encontrar preparado para conviver com as críticas e até mesmo para delas saber tirar proveito. Parece-me estar sendo essa a atitude de Lúcio Bonfim, presidente da executiva do Tricolor do Pici.

Embora Bonfim e seu escudeiro Edílson José - diretor de futebol e vice a um só tempo - tenham feito um esforço para se mostrarem solícitos e lhanos, sabemos que não é fácil manter o equilíbrio diante de tamanha crise e sua conseqüente pressão. Mas, louve-se a ambos pelo esforço empreendido.

Eu mesmo não tenho poupado críticas aos dois, assim como jamais contemporizei com as mazelas do ex-presidente Marcello Desidério. E é importante que eu diga isso, porque a crise de Bonfim é a crise de Desidério e afins. Pois foi pelas mãos do ex-presidente que o Fortaleza foi lançado no que podemos escolher chamar de aventura ou (quem sabe) desventura.

Nem precisamos inventariar o que já foi dito por atletas e ex-atletas ao tempo de Marcello, menos ainda há necessidade de mencionar as desavenças entre esse mesmo Marcello e seu refratário diretor de futebol, Edílson José. Também me pouparei o trabalho de elencar o que da administração Desidério já propalou Lúcio Bonfim. De sorte que, organização, planejamento e projeto, no Fortaleza real, é conto da carochinha. E de mim não se queixem, pois não sou eu quem o diz: os fatos e os próprios tricolores falam por si.

Mas o Fortaleza tem salvação. Mais que isso: o Fortaleza tem solução. Não nos ‘times’ (tempos) de Edílson e de Lúcio, não na balada de Marcello, não na ação mediocrizante de treinadores ‘genéricos’. Edílson precisa reaprender a fazer futebol; Lúcio tem de esquecer a administração pública; e Heriberto precisa aceitar o desafio de reciclar seus conhecimentos e suas atitudes. Sei que é pedir demais, mas a mudança não precisa estar balizada pela absolutização de seus valores. A relativização dos mesmos já produzirá efeitos positivos.

No Fortaleza de hoje, já não basta eficiência; também se faz necessário a eficácia. Portanto, é preciso que as atitudes sejam tomadas com acerto, e que esses acertos produzam resultados satisfatórios. Do contrário, o rebaixamento será inevitável.

A propósito de rebaixamento, após o desastre que foi a gestão de Desidério, Bonfim bem que poderia extinguir a ‘blindagem’ pelas bandas do Pici. Afinal, rebaixar certas figuras a babões sem remuneração seria uma espécie de sacrifício que se exigiria desta corja de puxa-sacos, que tanto mal têm feito ao Fortaleza Esporte Clube.

Aliás, diz um velho adágio: “Amigos e inimigos, amiúde, estão em posições trocadas: uns nos querem bem e fazem-nos o mal; outros nos querem mal e fazem-nos o bem.”

E para quem pensa e fala da causticidade de minha crítica, tenho a dizer que sempre falo menos do que consigo saber, porque só menciono o que acho que pode e deve ser dito.

E também é mediocridade não termos opinião.

Sobre o atual elenco tricolor, compreendemos a dificuldade de avaliação dos que lidam com emoções e interesses. Como não nos envolvemos fundamentalmente com nenhuma destas situações, temos facilidade em promover uma apreciação isenta da performance dos atletas. Ademais, a fundamentação teórica e o empirismo advindo da observação arguta e criteriosa nos qualifica para emitirmos opinião, e o credenciamento formal advém da nossa habilitação profissional.

Portanto, ao colocarmos de lado o passado, como também quaisquer projeções para o futuro, e nos atendo sobretudo ao presente é que identificamos com certa facilidade os pontos contraproducentes da equipe. E neste particular, aceitamos a tese da complexidade dos problemas, já que entre os jogadores de baixa produção existem alguns deles que detêm um bom potencial produtivo. Logo, há algo de putrefeito no reino do Pici.


”O futebol cearense existe, e precisa ser reinventado.” (Benê Lima)
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sábado, agosto 02, 2008

SOBRE TEORIA DOS VALORES

Amor pela camisa, uma prática em desuso

Como a identificação dos jogadores de futebol em relação aos seus clubes e às seleções dos seus países?

Marcelo Iglesias

Desde a popularização do futebol até os dias de hoje, a realidade daqueles que convivem diariamente com o esporte e para os próprios torcedores mudou bastante. Com a criação de leis que facilitaram a transferência de jogadores, com o estabelecimento de elevadas quantias de contrato e de direitos de imagem, o que antes era tratado com um certo grau de amadorismo, atualmente, é um dos negócios que mais movimenta valores no mundo.
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Tanto isso é uma realidade, que a idéia de um jogador atuar única e exclusivamente por amor à camisa do clube ou da seleção é algo que pode ser encarado como ultrapassado. “É muito romântica essa idéia de alguém que foi criado nessa nova geração do futebol ter que jogar por amor a um clube ou a uma seleção. Os atletas têm contratos a cumprir, e eles irão jogar no clube que lhes oferecer as melhores possibilidades de enriquecimento. Essa é a lógica capitalista que também invadiu o futebol”, afirmou Kátia Rubio, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (Abrapesp).
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No entanto, contrário a essa tendência de busca pelo dinheiro, falou o ex-jogador argentino Diego Maradona, quando questionado sobre a ida do também argentino Lionel Messi para disputar as Olimpíadas de Pequim, e o conflito com o Barcelona que não quer liberá-lo. “A camisa da Argentina não deve ser traída. Tem que vesti-la e dar a vida por ela. Ele (Messi) precisa saber separar os milhões que recebe para jogar pelo Barcelona da glória que é vestir a camisa da Argentina”, afirmou Maradona.
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“Não existe essa questão de lealdade a um clube ou a um país para os atletas de agora. A lealdade será com aquele que pagar mais”, comentou Kátia. “Um exemplo disso é a quantidade de estrangeiros que se naturalizam em outros países para poderem jogar pelas suas seleções. As fronteiras e o nacionalismo acabaram. Essa é a tragédia do mundo globalizado”, completou a psicóloga.
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Outro aspecto que tem que ser levado em consideração é o fato de que, com o sucesso obtido por campeonatos e por clubes europeus, os organizadores dessas disputas e os dirigentes desses times sentem-se na liberdade de enfrentar instituições como a Fifa, por exemplo. Por conta disso, e para amenizar o clima entre os jogadores, os clubes e as federações e associações responsáveis pelo futebol nos países, a maior instituição da modalidade no mundo determinou recentemente que os clubes deveriam ser indenizados por cada jogo que um dos seus atletas participasse, visto que eles correm riscos de lesão, por exemplo, e diretamente não recebem nada para atuarem por seus respectivos países.
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“É notável que a facilidade que existe para a transferência de um jogador de um clube para outro torna esse sentimento de amor pelo time algo muito difícil de ser firmado. Mesmo porque, como a carreira de um jogador de futebol é muito curta, eles têm que buscar, de qualquer maneira, maximizarem as suas receitas”, afirmou Oliver Seitz, pesquisador pela Universidade de Liverpool, profissional de marketing no Coritiba e colunista da Cidade do Futebol.
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Não é preciso uma análise detalhada do futebol brasileiro, por exemplo, para percebermos que são quase nulos os casos de jogadores que são como símbolos de um clube. Um dos poucos que poderiam ser citados é o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo. Nem mesmo nos chamados grandes clubes de massa como o Flamengo e o Corinthians existe um atleta que se encaixe nessas características de ícone da agremiação.
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“O que mudou não foi somente a questão econômica, mas também os sonhos dos jovens que estão começando”, opinou Sérgio Jorge Burihan, professor de Educação Física da Unimódulo. “Agora eles querem sair do país, fazer fortuna fora do Brasil. Isso veio de carona com a massificação e a globalização do esporte”, completou o professor.
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Indo no sentido oposto àquele defendido pelos que têm a visão romântica de que um jogador deve atuar por amor a camisa, seja ela de um clube ou de uma seleção, estão os muitos atletas brasileiros que fizeram parte da história da modalidade, mas que caíram no esquecimento. Exemplos não faltaram quando, neste ano, foram comemorados os 50 anos da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil. A penúria de alguns dos membros dessa seleção fez com que fosse encaminhado um projeto de lei para criar-se uma aposentadoria àqueles jogadores que estavam passando por necessidades, e que participaram de times que venceram copas do mundo.
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“Os brasileiros têm a memória muito curta. Do mesmo modo que o país cria bons jogadores em série, os torcedores esquecem de grandes nomes do esporte com a mesma velocidade”, lamentou Burihan. “Atualmente, a única chance de alguém atuar por um clube ou seleção por simples amor a camisa, é se estiver no final da carreira, quando as preocupações financeiras são menores”, ponderou.
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Na verdade, o que existe é uma diferença de visões. Enquanto os atletas têm que pensar no futebol como a sua carreira, em que não há espaço e nem tempo para o lado emocional, os torcedores vêem o esporte como o ponto de vazão das suas emoções, e por se deixarem levar por essa paixão, exigem que os atletas que vestem a camisa do clube ou da seleção para a qual torcem ajam da mesma maneira.
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“O jogar-se por amor é algo romântico, e o futebol também é romântico. No entanto, os jogadores tendem a ser racionais nos seus trabalhos. Por isso ocorrem esses conflitos e questionamentos quanto à postura dos atletas”, disse Seitz. “Mas há de se convir que eles não podem abrir mão de quantias gigantescas de dinheiro por motivos emocionais”, concluiu.
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A VOLTA DO 'MAGÃO' PELA ESCRITA



Defender as nossas cores




Sócrates

Basquete

Mais uma vez o nosso basquete deixará de ir a uma Olimpíada. A razão está basicamente na falta de interesse dos nossos melhores jogadores em participar do evento. Sinceramente não entendo como isso é possível. Está certo que eles disputam a maior liga do planeta, ganham milhões de dólares anualmente e, portanto, estão com a vida feita. Mas será que não existe nem um resquício de nacionalismo no sentimento de algum deles?

Afinal, não foi um ou outro que declinou de sua participação no Pré-Olímpico, e sim todos que vão participar. Enquanto atletas de outros países brigam para poder defender suas bandeiras, os nossos inventam mil e uma desculpas para escapar da empreitada.

Quando estávamos fora do Brasil – toda aquela geração que disputou a Copa do Mundo de 82 –, ficávamos ansiosos no momento das convocações para a seleção brasileira, pois em determinado período nasceu em algum meio de comunicação a filosofia de que só os jogadores que atuassem no País deveriam vestir a camisa amarela.

Foi frustrante quando isso realmente aconteceu. Não havia ali nenhuma outra razão para querermos estar presentes, a não ser o prazer de vestir nossas cores e defender o nosso país. Aquilo representava o auge de nossas carreiras e não queríamos de forma nenhuma estar distantes daquelas oportunidades.

É, talvez o mundo tenha mudado, ou os seres humanos, mas mesmo assim esse fato é absolutamente incompreensível, ainda que questões políticas estejam interferindo na relação entre atletas e confederação. Só para variar.

Eterna dança

O campeonato deste ano bate todos os recordes de troca de técnicos na história do Brasileirão por pontos corridos. Uma verdadeira tradição nacional a se intensificar a cada ano.

O mais estranho dessa constatação é o fato de parecer impossível que os gestores dos nossos times não tenham consciência de as mudanças, de modo geral, pouco ou nada contribuírem para a evolução das equipes. Em muitos casos, percebemos o absurdo da especulação sobre a volta de um treinador que deixara o clube poucas semanas antes, como aconteceu com Cuca no Botafogo após a queda de Geninho. Por sinal, o mesmo Geninho que já respondeu pela direção técnica de duas equipes este ano e muito provavelmente dobrará o número de seus contratantes.

A razão para esse entra-e-sai de treinadores se deve principalmente à incapacidade dos nossos dirigentes de enfrentar a opinião pública, quando as coisas não andam bem para seus clubes.

Para desviar a atenção de suas incapacidades administrativas, já que são eles os responsáveis pelas contratações, trocam de técnico para gerar um fato novo e, assim, criar a esperança de transformar o caos em céu de brigadeiro. Como isso nem sempre ocorre, surgem mais e mais mudanças no comando técnico, limitando ainda mais a capacidade de ir a pique de suas naus. Nau sim, pois com esse tipo de comando um transatlântico nem vai ao mar, quanto mais navegar. E, por fim, ficam a torcer pelo imponderável. Simples, não?

Opção pouco convincente

Não sou adepto da idéia de poupar jogadores em algumas partidas, por causa, pura e simplesmente, da disputa de duas competições simultâneas. A saúde física e mental dos atletas, não há dúvida, deve ser absolutamente preservada, inclusive para o rendimento dos atletas atender à expectativa de quem o contrata. Cada caso, no entanto, deve ser analisado isoladamente, sem uma política definitiva.

Ainda que alguns jogadores sintam muito quando exigidos a jogar mais de uma vez por semana, outros até preferem estar sempre em atividade para conservar as melhores condições. Os primeiros devem ser utilizados segundo as exigências de cada torneio e de cada partida. Como, por exemplo, decidir retirá-los de campo quando a vitória está consolidada ou quando a superioridade técnica é claramente imposta em determinado confronto. Com os demais não se deve ter maiores preocupações.

Deixar de utilizar a força máxima disponível é mexer com o imponderável e, eventualmente, deixar de lutar por um título, ainda que a competição seja longa, pois nem sempre é possível recuperar os pontos perdidos no início do campeonato. Acredito que o objetivo máximo deve ser sempre procurado e deixar de lado a pretensão de conquistar todos os torneios possíveis me parece sinal de fraqueza ou falta de ambição.

A conquista de uma competição torna-se mais provável quando todos os esforços são destinados a encontrar uma equipe forte e coesa. E isso é mais difícil quando as competições em disputa são tratadas distintamente.

IMPORTANTE: GESTÃO DO FUTEBOL

Há sinais de mudança no horizonte?


Amigos, blogs dessa natureza são escritos e lidos por pessoas que, em maior ou menor grau, são interessadas nas práticas de gestão do futebol brasileiro.

Vê-se a existência de um bom número de pessoas interessadas no crescimento do futebol brasileiro, no aumento de sua competitividade administrativa e financeira em comparação com o futebol internacional, e em última análise no fortalecimento de seus clubes de coração.

Isso nos leva, com base nas discussões empreendidas, a tentarmos desenhar um panorama muito breve e resumido do que está acontecendo no futebol brasileiro quanto às práticas de gestão, abrindo esse espaço para que nossos leitores opinem, forneçam exemplos e eventuais críticas. Por trás desse panorama, pergunto se há sinais concretos de mudança ou se estamos ainda presos a uma engrenagem que não deve ceder tão cedo.

Vamos a alguns aspectos positivos, para iniciar:

- Com a obrigatoriedade da publicação anual de balanços, que é algo recente, conseguiu-se obter uma maior transparência nos clubes, ao menos para que sejam detectadas suas práticas administrativas, deixando à mostra ineficiências de gestão. As dívidas dos clubes, por exemplo, estão lá para quem quiser ver, assim como a composição das receitas e dos custos. Infelizmente ainda há clubes que insistem em tratar suas finanças como segredo de estado, quando na verdade as informações estão disponíveis para quem se habilitar a procurá-las e entendê-las.

- Os clubes estão sendo obrigados a se estruturar para procurar novas receitas, em razão do grau de endividamento da maioria. Como as receitas mais significativas muitas vezes são comprometidas no médio prazo por causa da tomada de adiantamentos relativos a direitos de TV, de patrocínios e até mesmo da receita de ingressos, o caminho mais comumente adotado tem sido o de criar programas de Sócio-Torcedor, embora muitas vezes esses sejam elaborados de maneira primária, não significando uma concessão de reais vantagens ao torcedor ou não gerando aumento de receitas para o clube. Por outro lado há exemplos de grande sucesso, especialmente nos dois clubes grandes do Rio Grande do Sul.

- Há uma tendência muito forte para que clubes tenham estádios construídos ou reformados, quase sempre com a criação de parcerias com investidores. Novos estádios são, em nossa opinião, absolutamente fundamentais para que um novo tipo de relacionamento com o público possa ser iniciado, de maneira a tornar as receitas em dias de jogos algo significativo de fato. Observamos que a realização da Copa 2014 no Brasil é um fator de estímulo, mas que não deve ser levado em conta na elaboração de um projeto saudável e sustentável de modernização ou construção de estádios. Dentre outros exemplos, podemos esperar que Inter e Grêmio em Porto Alegre, Figueirense em Florianópolis, Palmeiras e talvez Corinthians em São Paulo, possam dispor de arenas modernas em um prazo relativamente curto. O lado negativo é que estádios para a Copa serão levantados ou modernizados com dinheiro público em algumas praças, o que será um desestímulo para a iniciativa privada e os clubes nesses locais; exemplos disso são os estados de Minas Gerais e Bahia.

- Existe um público ansioso por reformas estruturais no esporte brasileiro, além de haver uma geração de profissionais procurando espaço para atuar em clubes ou empresas patrocinadoras. Vários cursos de graduação, pós-graduação e especialização tem sido introduzidos no mercado brasileiro. A existência de mão-de-obra qualificada é um requisito fundamental para a transformação.

Agora vamos ver um pouco dos aspectos negativos:

- A estrutura administrativa da imensa maioria dos clubes ainda é amadora e passional, já que são organizações eminentemente políticas e que se comportam como tal. Alguns anos atrás ouvimos de um conceituado e esclarecido ex-dirigente de um grande clube paulista (por sinal uma excelente pessoa e um ótimo professor) que o requisito básico para ser contratado como um profissional administrativo era ser torcedor do clube. Refletindo sobre o absurdo dessa afirmação, entendemos que não se tratava necessariamente de um ponto de vista pessoal, mas sim do fato desse ex-dirigente conhecer profundamente a estrutura e a cultura de seu clube. Ou seja, para os profissionais que buscam atuar na gestão de clubes os desafios são imensos, porque não há porta de entrada aberta.

- Atuar em clubes menores, que parece ser uma alternativa, é também muito difícil, já que a cultura administrativa dos dirigentes é ainda mais pobre. Os poucos exemplos de clubes que tentaram se profissionalizar são em muitos casos desanimadores, com interferência constante do poder pessoal dos dirigentes e com o predomínio dos interesses políticos. Para piorar o cenário, algumas dessas experiências poderão ser julgadas por resultados esportivos, e cito como exemplo o Paulista de Jundiaí, clube que venceu a Copa do Brasil em 2005 e disputou a Libertadores da América em 2006, e que ruma agora para a Série D do Campeonato Brasileiro (que será criada em 2009). O Paulista, apesar de tentar se profissionalizar administrativamente, não conseguiu de fato se posicionar como um clube importante no cenário esportivo, a despeito da oportunidade gerada por seu sucesso recente.

- Os departamentos de marketing, em sua maioria, adotam soluções isoladas, com o objetivo de gerar receita imediata; naturalmente, por mais que haja esforços, não conseguem realizar milagres na geração de receitas em curto prazo. Com o desgaste causado por mirabolantes promessas não cumpridas, parte dos dirigentes, torcedores e imprensa tende a reforçar o argumento de que não são possíveis mudanças estruturais no futebol brasileiro, e que este está condenado a ter clubes deficitários, reféns de poucas fontes de receitas e dependentes das transações de atletas para o exterior.

- Há muitos interessados na manutenção do status atual. Citamos como exemplo os dirigentes e empresários que ganham rios de dinheiro com as transações de jogadores para o exterior, e para quem a dependência dos clubes em relação a esse tipo de receita é uma verdadeira galinha dos ovos de ouro. Vemos com preocupação que vários profissionais administrativos que estão tentando ingressar no mercado esportivo estão voltando seus olhos para a carreira de agenciadores de atletas, já que aí está a mais concreta oportunidade. Embora não se possa criticá-los sob a perspectiva pessoal, já que esse é um meio legítimo de ganhar a vida e quem sabe fazer fortuna, vejo aqui um fator muito negativo para nosso esporte.

- As empresas que patrocinam o futebol, em sua maioria, não desenvolveram estruturas específicas para rentabilizar seu investimento, explorando-o mais e com maior eficiência. Em geral, quando há um profissional de marketing esportivo contratado, este está incumbido basicamente da realização de (poucos) eventos e da administração do envio de ingressos para convidados. Há oportunidades muito interessantes que não são exploradas, como a criação e administração de relacionamento com torcedores buscando transformar o patrocínio em vendas, tornando os resultados imediatamente mensuráveis e levando o relacionamento com esses clientes a uma dimensão maior. Mas, infelizmente, as empresas ainda compram, basicamente, o espaço do uniforme com o objetivo de aparecer nas telas de TV. É muito pouco.

Bem, amigos, essas são algumas observações que, de maneira muito breve, deixo nesse espaço. Estamos abertos a seus comentários, exemplos e observações.

Crédito: Maurício Bardella
Revisão: Benê Lima

sábado, julho 26, 2008

FINANÇAS E NEGÓCIOS

PPV e futebol em nova realidade

Na Europa, o grosso do dinheiro da Tv para os clubes vem dos canais por assinatura e, mais especificamente, dos canais PPV. No Brasil, a importância desses canais para o futebol ganha crescente influência a cada nova temporada.

Em post de 13 de dezembro de 2007, este Olhar Crônico Esportivo relatava que o setor atingira a marca há muito perseguida de 5 milhões de assinantes, e que atingiria o número de 5,14 milhões até o final do ano. Na verdade, o ano de 2007 terminou com o número de 5,3 milhões de assinaturas. Naquele mesmo post, baseado em informações e projeções do mercado e algum feeling, fiz a previsão de 2008 fechar com pelo menos 6 milhões de assinantes. Naturalmente, nem todo assinante de tv compra os canais pay-per-view, mas aqui no Brasil, tal como na Europa, é justamente o acesso a esses canais uma das maiores, senão a maior mola propulsora do crescimento dos mesmos.

Com base nesses números e na manutenção de uma realidade econômica sem sobressaltos, e como a receita PPV pode variar para cima em função das vendas dos pacotes, considerava factível que o valor de 90 milhões de reais pago aos clubes por esse segmento em 2007, poderia atingir 115 a 120 milhões ainda durante 2008...

O trecho a seguir foi postado em 11 de março desse ano, já com as negociações entre Globo e Clube dos 13 em andamento:
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“A se confirmarem os números de crescimento previstos para a TV por Assinatura e as previsões feitas para o aumento na venda das assinaturas do futebol, teremos em 2009 valor próximo a 160 milhões de reais a ser pago pelo PPV, talvez até mais. Sabe-se que a possibilidade de ver o futebol sem restrições é hoje o maior impulsionador para o crescimento desse segmento.”
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Quando escrevi esse trecho, lembro que cheguei a pensar que esse número era meio exagerado, otimista demais, mas pensando a respeito cheguei à conclusão que era, sim, um número possível, desde, é claro, que o país se mantivesse com crescimento econômico de razoável para bom, sem sustos, sem sobressaltos, sem “novidades” na política econômica e cambial. Hoje, revendo essas projeções, constato que elas continuam plenamente factíveis e já não devem causar grandes surpresas, como veremos a seguir.
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Novo acordo assinado
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Em reunião realizada há pouco mais de dez dias, os clubes assinaram o contrato referente aos direitos de transmissão do Brasileiro da Série A pelas emissoras de sinal fechado e, principalmente, pelo pay-per-view. O acordo fechado para o período 2009/2011, garante aos clubes os seguintes valores mínimos:
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2009
110 milhões

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2010
125 milhões

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2011
135 milhões

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Esses valores mínimos são interessantes e apresentam bom crescimento sobre os números atuais, mas já nascem defasados, pois a receita desse ano já poderá superar a meta mínima de 2009.
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Duas novidades foram discutidas e aprovadas para esse novo contrato:
- remuneração dos clubes de acordo com seu percentual de participação nas vendas dos pacotes;
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- transferência do valor que exceder ao mínimo para a cota de premiações do Campeonato, ampliada para pagar prêmios do 1º ao 16º colocado.
Pagamento proporcional
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O primeiro ponto, o pagamento de acordo com a participação de cada torcida na venda dos pacotes ppv, já era desejo antigo de muitos dos participantes e enfrentava obstáculos na própria Globosat. Basicamente, a empresa alegava, como ainda alega, dificuldades técnicas para fazer a venda dos pacotes por clubes.

Nesse ano, para contornar esse problema e fornecer os números para a divisão do bolo já em 2009, a Globosat contratará uma empresa especializada que fará uma pesquisa junto aos assinantes para estabelecer o percentual de cada uma das torcidas na base de compradores do pay-per-view. Dessa maneira, a forma de venda não será afetada e, com a pesquisa, os clubes serão atendidos no desejo de receberem de acordo com o que suas torcidas compram. Não foi informado, provavelmente porque ainda não há decisão executiva, como será calculada a participação do Corinthians, por exemplo, que certamente estará na Série A em 2009, mas atualmente disputa a Série B.

Recentemente, foram divulgadas algumas informações sobre a base de assinantes da NET, mas essa pesquisa teve caráter bastante limitado e, ao que parece, ficou restrita ao universo de assinantes da operadora NET. Portanto, suas informações não serão levadas em consideração, uma vez que a base de compradores do pay-per-view é bem maior e disseminada por todo o país, em regiões em que a presença NET é reduzida ou mesmo inexiste.
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Premiação “européia”
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Em post de 21 de março, este Olhar Crônico Esportivo mencionava que a premiação prevista para esse ano seria por volta de 11 milhões de reais, valor que, muito provavelmente, será ultrapassado, graças ao maior crescimento da venda dos pacotes de assinaturas.

Na reunião em que foi acertado o acordo para as três próximas temporadas, ficou decidido que o valor excedente ao mínimo garantido por contrato seria destinado à premiação no final do campeonato. Antevendo a possibilidade desse valor crescer muito acima do previsto, o presidente corintiano, Andrés Sanches, propôs o teto de 30 milhões de reais como valor destinado às premiações. O que excedesse esse valor deveria ser incorporado ao total distribuído proporcionalmente entre os clubes, fato que, sem dúvida, favoreceria os donos das duas maiores torcidas do país e, em condições normais, maiores compradoras dos pacotes de assinatura. Na votação dessa proposta, entretanto, Sanches foi derrotado e prevaleceu a decisão anterior: todo o excedente será usado nas premiações.

Um dos atrativos do novo modelo é que os prêmios não estarão limitados ao campeão e vice, e cobrirão do 1º ao 16º colocado. Tal como na Formula 1, o campeão terá uma diferença boa para o vice e deste para o terceiro, diminuindo a diferença gradativamente, à medida que vai avançando rumo ao fim da fila.

Diante da nova realidade de mercado criada pelo crescimento da Tv paga, comenta-se no Clube dos 13 que o BR, talvez já em 2009, estará pagando prêmio “europeu” ao seu campeão.

Ainda é um pouco cedo para pensar em números, mas o valor de 5 milhões de reais (2 milhões de euros, hoje) para o campeão já nesse ano de 2008, não é nenhum exagero. Com esse nível de premiação aumentando em 2009, começa a crescer a impressão que o BR pagará ao seu campeão o mesmo ou até mais do que ganham os campeões de algumas ligas européias de peso. Para comparar: em 2007 o Milan recebeu 7 milhões de euros pela final e pelo título da maior e mais rica competição de clubes do planeta, a UEFA Champions League, cabendo ao Liverpool 4 milhões de euros.
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Bastidores I
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Alvimar Perrela lançou sua candidatura à vice-presidência que era ocupada por Eurico Miranda. Dessa forma, serão três os candidatos à vaga: Roberto Horcades, ainda tido como favorito, Roberto Dinamite e o novo postulante.
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Dinamite, segundo informações colhidas por este blog, contaria hoje somente com os votos de Flamengo, São Paulo e Botafogo, além do seu próprio, é claro. Horcades e Perrella disputariam, portanto, os outros 16 votos.
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A princípio, dava-se como certo o apoio de Sanches a Roberto Dinamite, mas hoje é quase certeza que o presidente corintiano votará em Horcades ou Perrella. No início de sua gestão, Andrés Sanches declarou-se independente dentro do Clube dos 13 e disse que iria lutar por melhores cotas para o Corinthians. Depois desse início, passou a votar com o grupo majoritário, posição que abandonou há alguns meses, quando uniu-se aos dissidentes Flamengo, São Paulo e Botafogo, na negociação dos direitos de transmissão. Como este blog informou, Luiz Paulo Rosemberg, vice de marketing e membro da Comissão de TV, passou a representar nas mesmas a posição do São Paulo e também do Flamengo e Botafogo. Recentemente, contudo, premido pela necessidade de conseguir dinheiro grosso a curto prazo para poder fechar 2008 com o mínimo de drama, Andrés Sanches assinou o acordo com a Globo sem comunicar aos então parceiros de oposição, tal como esse blog previu alguns dias antes. É boa a possibilidade do Vasco, sob nova direção, aliar-se aos dissidentes, o que, nesse momento, entra em choque com a postura corintiana, daí a retirada do apoio que talvez nunca tenha existido.
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Bastidores II
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Na votação da proposta corintiana para que o valor que excedesse 30 milhões de reais fosse repartido entre os clubes de acordo com suas cotas de vendas de pacotes de assinatura, Marcelo Portugal Gouvêa, diretor de planejamento e ex- presidente do São Paulo, votou contra.
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Ao ouvir o voto, Andrés Sanches, em outro ponto da sala, falou um ‘monte’ contra Marcelo e o São Paulo. Entre as frases mais suaves ditas aos companheiros de mesa, estava “Ele que venha agora querer marcar reuniãozinha, almocinho, para discutir isso e aquilo...”.
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O voto são-paulino, aparentemente, foi movido pela crença de que ao clube interessa mais valores maiores na premiação, onde tem chances de ficar melhor colocado e portanto ganhar mais do que se recebesse proporcionalmente à venda dos pacotes.
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Como se diz ou dizia nas colunas sociais, não convidem Andrés e Marcelo para o mesmo almoço. Ou, pelo menos, para a mesma mesa.
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FINANÇAS DOS CLUBES

Mercado brasileiro de clubes superou R$ 1,6 bilhão em 2007

A Casual Auditores Independentes, empresa de auditoria especializada em entidades desportivas, publicou na semana passada seu estudo anual sobre as finanças dos maiores clubes brasileiros em geração de receitas no exercício de 2007. O resultado apresentado pelos 21 clubes presentes no estudo demonstrou que as receitas geradas pelos grandes clubes brasileiros cresceram muito entre 2006 e 2007.

Os clubes analisados ampliaram suas receitas em 36% e atingiram uma receita consolidada de mais de R$ 1,3 bilhão em 2007, o que representou mais de R$ 350 milhões de recursos novos no mercado. Com esse resultado expressivo o mercado brasileiro de clubes de futebol, segundo projeções da Casual Auditores, passou de pouco mais de R$ 1,2 bilhão em 2006 para mais de R$ 1,6 bilhão em 2007. Pela primeira vez desde que a Casual Auditores analisa as finanças dos clubes, 4 clubes apresentaram receita anual superior a R$ 100 milhões.

Entretanto excluindo os recursos gerados com os atletas os clubes cresceram 18% no mesmo período e 40% desse montante foi representado pelas receitas não operacionais geradas pelo Juventude.

Os clubes ampliaram suas receitas graças ao grande acréscimo dos recursos gerados com as transferências de seus atletas, que apresentaram um crescimento de 101% de 2006 para 2007, fazendo com que essa receita voltasse a ser a principal fonte de financiamento da atividade dos clubes, como em 2005, ano até então em que os clubes mais geraram recursos com atletas.

Os clubes que mais recursos novos geraram no mercado em 2007 foram: São Paulo com R$ 67 milhões, Grêmio R$ 59,8 milhões, Juventude com R$ 51,9 milhões, Internacional com R$ 46,9 milhões e Corinthians com R$ 39,7 milhões. Fluminense, Santos, Atlético-PR e São Caetano foram os únicos clubes que apresentaram redução em suas receitas de 2006 para 2007.

O clube que apresentou a maior evolução percentual em suas receitas em 2007 foi o Juventude, com um crescimento de 511% nos recursos gerados, conseqüência direta de suas receitas não operacionais com a venda de seu CT, seguido do Grêmio com evolução de 121% graças a ampliação de suas receitas com a transferência de atletas, receitas com seus sócios e recursos gerados com bilheteria e o Náutico, com uma evolução de 106%, graças ao acesso do clube para a Série A, que acarretou em uma substancial melhora em seus recursos com as cotas de TV, além da melhora em suas receitas com seus sócios, bilheteria, patrocínios e transferências de seus atletas.

Maiores Receitas- Futebol Brasileiro- Exercício de 2007 – Em R$ mil



Fonte: Casual Auditores Independentes