Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, maio 08, 2009

Humanas e Sociais

Sobre as boas e velhas crônicas de futebol

Elas contavam com a autoria de um "poeta-repórter" que retira os acontecimentos do caldo da indistinção e lhes oferece "um encanto específico"

Diana Mendes Machado da Silva

“Houve um tempo, no passado do homem, em que o fato tinha, sempre, um Camões, um Homero, um Dante à mão. Por outras palavras: o poeta era o repórter que dava ao fato o seu encanto específico. Hoje, nós temos tudo: jornal, rádio e tevê. O que nos falta é, justamente, a capacidade de admirar, de cobrir o acontecimento com o nosso espanto
Nelson Rodrigues- Manchete Esportiva 12/05/1956[1]
Na opinião de muitos especialistas, as crônicas esportivas têm sofrido de maus tratos e certo saudosismo dos “tempos áureos” acompanha aqueles que as leem. Se considerarmos as palavras de Nelson Rodrigues, veremos que essa queixa existe há, pelo menos, 50 anos. Embora ele não trate especificamente do jornalista esportivo, sua afirmação não deixa de incluí-lo, principalmente se levarmos em conta os anos que dedicou à crônica esportiva. Desse modo, sua queixa nos apresenta um dilema. Estaríamos apenas diante do típico comentário “antigamente é que era bom”? Ou então, atribuindo o devido valor a uma observação do grande jornalista e dramaturgo, estaríamos diante de uma reação aos primeiros sinais de transformação no modo de fazer jornalismo?

A segunda alternativa nos parece mais adequada e nos coloca novas questões: houve, de fato, um período áureo das crônicas esportivas no Brasil? E se houve, como eram as boas e velhas crônicas de futebol? Por último, em que consistiriam os maus tratos atuais? Sabemos que não é possível responder apropriadamente a todas as questões aqui. Contudo, gostaríamos de levantar alguns elementos para a discussão sobre a trajetória da crônica esportiva no país.
Comecemos com uma breve análise do texto de Nelson Rodrigues. O autor compara duas formas de lidar com os fatos, a do tempo “passado” e a do tempo presente (anos 50, no caso). De maneira bastante curiosa, ele afirma logo na primeira oração que o “fato tinha”, “no passado”, seus poetas, como se dissesse: no passado, os fatos dispunham de um Camões, Homero ou um Dante. Com a inversão do sujeito, uma vez que não são os poetas que dispõem dos fatos para criar seus poemas épicos, mas os fatos que contam com eles para lhes dar especificidade, o autor destaca a centralidade dos poetas – e não dos fatos, como poderia parecer.
Voltaremos a essa questão. Por ora, continuemos com a comparação. Se prosseguirmos com o raciocínio inicial de nosso autor, perguntaríamos a seguir: no passado, os fatos dispunham de poetas, mas, e nos dias de hoje (novamente, leia-se anos 50), de que dispõem os fatos? De “jornal, rádio e tevê”, seria a resposta. A essa altura, nossa compreensão do pequeno texto é ampliada. O autor trabalha com extremos para tornar aguda a sua crítica. De um lado, estão os fatos que dispõem do poeta, da autoria do poeta. E de outro, estão os fatos que contam somente com as mediações. Fatos anônimos, poderíamos dizer. Sua constatação está muito próxima daquela realizada por Walter Benjamin, 20 anos antes, em “O narrador” [2]:
Ela [a narrativa] mergulha a coisa na vida do narrador para em seguida retirá-la dele. Assim se imprime na narrativa a marca do narrador [...] Os narradores gostam de começar sua história com uma descrição das circunstâncias em que foram informados dos fatos que vão contar [...] Assim, seus vestígios estão presentes de muitas maneiras nas coisas narradas, seja na qualidade de quem as viveu, seja na qualidade de quem as relata.” (p.205)
As imagens usadas por Walter Benjamin e Nelson Rodrigues são muito semelhantes, embora o escritor alemão não estivesse falando de jornalismo ou jornalistas. Os fatos, as narrativas são, para eles, espécie de entidades a envolver os narradores, imagem que sugere certa fusão entre esses elementos. É evidente o jogo estabelecido entre matéria-prima e artista, ou melhor, artesão. Em outras passagens, Benjamin deixa claro que o narrador é o artesão da palavra. Figura que, coincidentemente, desaparecia no momento em que escreveu “O narrador”. Podemos concluir agora o problema da especificidade dos fatos, a partir de outro texto de nosso jornalista:
“Ora, o jornalista que tem o culto do fato é profissionalmente um fracassado. Sim, amigos, o fato em si mesmo vale pouco ou nada. O que lhe dá autoridade é o acréscimo da imaginação...” (Manchete Esportiva, 31/03/1956)[3].
Em síntese, para Nelson Rodrigues, as boas e velhas crônicas de futebol contavam com a autoria de um “poeta-repórter” que retira os acontecimentos do caldo da indistinção e lhes oferece, por meio da narrativa, um “encanto específico”, uma identidade, um nome, como fizeram os grandes poetas com suas epopéias, ou os narradores, como Nicolai Leskov, estudado por Walter Benjamin.
Tarefa levada a cabo, em certo sentido, pelos cronistas que antecederam a Nelson Rodrigues e de que falam Bernardo Borges Buarque de Hollanda, em O descobrimento do futebol. Modernismo, regionalismo e paixão esportiva em José Lins do Rego e Fátima Antunes, “Com brasileiro, não há quem possa. Futebol e identidade nacional em José Lins do Rego, Mário Filho e Nelson Rodrigues”.
Publicados em 2004, seus trabalhos seguem como referências para os estudos sobre os primeiros anos da crônica esportiva em São Paulo e Rio de Janeiro. Para estes autores, José Lins do Rego, Mario Filho e o próprio Nelson Rodrigues aprimoraram a crônica esportiva como gênero literário, algo antes só “intuído” por nomes como Coelho Neto, Lima Barreto ou Graciliano Ramos, no início do século XX. Profundamente envolvidos com as discussões sobre o caráter nacional, respectivamente nos anos 20 e 30, 40 e 50, José Lins, Mario Filho e Nelson Rodrigues realizaram, por meio da crônica, o diálogo entre essas questões e a cultura popular. E o futebol foi o legítimo intermediário desse diálogo. Vejamos mais sobre esse aspecto na análise de Bernardo Buarque de Hollanda:
[...] os temas da crônica esportiva entrosavam com a vida de milhares de torcedores, não apenas como mais uma informação, dentre as inúmeras que sobejavam na metrópole, mas como o centro dos debates que mobilizavam de forma calorosa uma das primeiras marcas de identidade desses habitantes – ser Flamengo ou Vasco, ser Fluminense ou Botafogo, ser América ou Bangu.” (p.134)
Esses autores foram os herdeiros do tema modernista acerca da identidade nacional e os precursores da elaboração e difusão dessa idéia na imprensa e, mais especificamente, na imprensa esportiva. Escreveram sobre futebol, política e cultura em suas crônicas. Narraram os fatos futebolísticos oferecendo-lhes a singularidade de quem é movido por indagações sobre os sentidos e os rumos do esporte e do país.
Com essa questão, talvez fique mais clara a raiz do saudosismo de Nelson Rodrigues nos anos 50 e de, pelo menos, mais duas gerações de jornalistas e leitores da crônica esportiva. Seus antecessores eram brilhantes, sabemos. Mas foram brilhantes, é importante repetir, no trato de temas nacionais indubitavelmente ligados ao futebol e à cultura popular. Leram no futebol, leram pelo futebol, leram com o futebol as questões fundamentais para aquelas gerações. E conseguiram imprimir nos fatos a marca do narrador-artesão que não instrumentaliza seu objeto, funde-se com ele.
Por último, resta falar sobre os maus tratos sofridos pela crônica esportiva contemporânea. Seria muito simples e tentador atribuir os maus tratos à suposta apatia dos jornalistas na busca obsessiva pela objetividade dos acontecimentos. Tentador porque nos dispensaria de pensar acerca das circunstâncias da vida pública nacional, em que se inclui também nosso futebol, tão mercantilizado que está.
*Diana Mendes Machado da Silva é pesquisadora em História Social e membro do Gief e do Memofut.

Bibliografia

ANTUNES, Fátima M. R. Ferreira. Com brasileiro, não há quem possa. Futebol e identidade nacional em José Lins do Rego, Mário Filho e Nelson Rodrigues. São Paulo: Ed. da UNESP, 2004.
BENJAMIN, Walter. O narrador in Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de. O descobrimento do futebol. Modernismo, regionalismo e paixão esportiva em José Lins do Rego. Rio de Janeiro: Edições Biblioteca Nacional, 2004.

RIBEIRO, André. Os donos do espetáculo: histórias da imprensa esportiva do Brasil. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2007.


[1] Apud Ribeiro, André. Os donos do espetáculo: histórias da imprensa esportiva do Brasil. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2007.
[2]BENJAMIN, Walter. O narrador in Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
[3] Apud ANTUNES, Fátima M. R. F. “Com brasileiro, não há quem possa”: futebol e identidade nacional em José Lins do Rego, Mário Filho e Nelson Rodrigues. São Paulo: Unesp, 2004.

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Comportamento e infraestrutura para a segurança nos estádios


Poder da proxêmica é extraordinário e poderia ser uma forma de implantar num estádio uma metodologia de prevenir esses comportamentos inadequados

Lilian de Oliveira

Não só no Brasil, mas em muitos países, a segurança nos estádios é uma questão que está sendo encarada como a prioridade na organização de campeonatos de futebol. A Uefa Champions League é a vanguarda nesta questão e realizou já alguns workshops de segurança envolvendo várias federações europeias e se disponibilizam a informar sobre design e técnicas de segurança na criação de novos estádios. Diversas formas de abrangência já foram estudadas, e destaques como a Espanha, Inglaterra e Itália já conseguiram reduzir drasticamente as manifestações violentas e de hooliganismo em seus estádios.
A Universidade de Leicester, por exemplo, tem um departamento que estuda somente questões relacionadas ao futebol, inclusive à segurança nos estádios. Conforme estudos feitos com primatas, foram aplicadas na Inglaterra novas técnicas para conter qualquer sinal de violência antes que as pessoas percebam.
O comportamento em massa é muito diferente do comportamento de qualquer manifestação individual. As atitudes e movimentações de multidões funcionam como bolas de neve e ganham proporções muito maiores com desgastes muito superiores. Para isso, o estudo em Leicester adotou a inserção de policiais a paisana no meio das torcidas, que estão treinados a identificar qualquer indivíduo-problema. Essa abordagem diminuiu drasticamente o número de pequenas manifestações que poderiam gerar grandes “guerras” dentro de estádios britânicos.
Na Itália, por exemplo, um prazo foi dado para que a “Tessera dei Tifosi” (os cartões de sócio-torcedor) fosse aderida por todos os times. Ainda há alguns que não estão usando, mas serão penalizados caso não adotem esse método dentro do prazo estabelecido. Alguns italianos torcedores do Milan, um dos primeiros times a tomarem o procedimento, já disseram sentir uma grande diferença na segurança, já que esse tipo de cartão de crédito registra a entrada de todos que entram no estádio e bane os torcedores que causam tumultos por cinco anos.
Além do registro que o cartão proporciona à segurança, ele também oferece benefícios aos que o possuem. Parcerias dos clubes com comércios dão descontos, há a prioridade da compra dos bilhetes para as partidas do time do qual a pessoa é torcedora, brindes, a possibilidade de reservar bilhetes, e também de comprar bilhetes para outras pessoas (claro que declarando esta pessoa antes do jogo). Para isso, no caso do AC Milan, é necessário para somente no momento da aquisição o valor de dez euros.
De outra forma, medidas de adequação e atualização de estádios e de seu entorno viabilizam uma limitação comportamental, por meio de barreiras ou até mesmo de organização dos horários de entradas e saídas das torcidas. Uma outra sugestão é que poderia ser feito um estudo de proxêmica, um ramo da arquitetura que influencia no comportamento por meio de estímulos que não são percebidos pela maioria das pessoas. Um exemplo básico desse estudo é a forma como livrarias se organizam para que as pessoas observem e percorram todas as estantes da loja. Mesas redondas são escolhidas de forma a alimentar um percurso. Sem que o cliente perceba, ele é induzido a percorrer a loja, atraído por cores, placas, formas e organização das estantes, altura dos produtos, preços, etc. O poder da proxêmica é extraordinário e poderia ser uma forma de implantar num estádio uma metodologia de prevenir esses comportamentos inadequados, mas acredito que este nunca foi um ponto estudado no setor de eventos de grandes massas.
Além de ser uma metodologia menos agressiva como o policiamento atual, ainda é mais econômico por ser algo que é feito uma vez e depois não são necessários manutenção ou gastos com funcionários.
A conscientização dos torcedores durante esses eventos e por meio de mídias como a televisão e a internet seriam de grande eficiência em longo prazo. Portanto, para uma Copa do Mundo no Brasil em 2014, essa ferramenta deveria ser utilizada desde já – não se conscientiza toda uma torcida de imediato. Essa fórmula, junto à imagem de ícones do futebol, também pode ser utilizada. Se não fosse eficaz, grandes marcas não adotariam esses ícones como imagem de seus produtos. Trata-se também de um comportamento mais ligado ao futebol, pois não estamos acostumados a ver esse mesmo tipo de comportamento em outros esportes de grande valor no Brasil, como vôlei, natação, etc. Portanto, é uma questão de hábito, que, por meio desse método, pode ser revertido.
As medidas preventivas já demonstraram ser as mais eficazes e mais baratas. No Brasil, o cartão do sócio-torcedor está em fase de implantação. No entanto, o que deveria ser feito é um conselho de segurança com profissionais de diversas áreas a fim de abranger todos os conhecimentos possíveis para prevenir atitudes violentas, dentro e fora dos estádios, sejam eles de urbanismo, arquitetura, marketing, técnicas de policiamento e de organização dos campeonatos, financeiros, de psicologia, sociologia, ou qualquer outro segmento que possa trazer, em conjunto, uma metodologia de ação e de política de tolerância zero para um sistema seguro ao torcedor. O segredo está na união de diversas atividades.
Bibliografia
Departamento de Sociologia da Universidade de Leicester: www.le.ac.uk/snccfr
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Campeonato Brasileiro de 2009 será laboratório para medidas que visam a Copa de 2014


O ministro dos Esportes, Orlando Silva, afirmou que além de investimentos, obras e arenas, para a copa, o Brasil precisa de uma torcida educada e bem comportada

Equipe Universidade do Futebol

No próximo fim de semana começará a disputa do Campeonato Brasileiro 2009. O torneio servirá como palco de experiências visando a Copa do Mundo de 2014, que acontecerá no Brasil.

Por conta disso, na última quarta-feira, foram anunciadas algumas medidas pelo Ministério do Esporte e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para garantir mais segurança e conforto aos torcedores durante as partidas do torneio nacional. No entanto, não foram estabelecidas datas para a implementação dessas medidas.

Uma das propostas da CBF é implementar, em alguns estádios, o sistema de lugares marcados. A confederação irá designar alguns setores da arena para os quais haverá venda de ingressos com numeração fixa. Dessa maneira, o torcedor terá que sentar-se na cadeira com o número referente à sua entrada. A ideia é adequr-se ao que ocorre nos principais eventos europeus e da Fifa.

O principal objetivo de utilizar o Campeontao Brasileiro de 2009 como laboratório para a Copa de 2014 é acostumar os torcedores às medidas exigidas pela Fifa para a realização do evento de seleções. "Vamos começar a fazer isso em locais mais organizados, como o Estádio de Pituaçu, na Bahia", declarou Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

Outras medidas que devem ser postas em prática são às referentes a questões de combate a violência nos estádios. O Projeto de Lei nº 451, aprovado, na última quarta-feira, pela Câmara dos Deputados, passará pelo Senado e, por fim, será encaminhado para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só aí as medidas valerão legalmente.

"Endurecer a lei é fundamental para combater a violência. Torcedor com bomba caseira, pedaço de pau e que provocar briga nos arredores dos estádios pode ser preso de seis meses até dois anos", explicou o ministro do Esporte, Orlando Silva. "Se for réu primário, o torcedor pode ser solto, mas ficará banido dos estádios por algum período", completou.

Segundo o ministro, o governo vai investir na compra de câmeras para aprimorar o sistema de monitoramento dentro e nos arredores dos estádios. "Copa do Mundo requer obras, investimento, arenas, mas também uma torcida educada e bem comportada", alertou Orlando Silva.

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Órgão prognostica benefícios em turismo e infraestrutura no Nordeste pós-Copa

Capitais da região que deverão ser escolhidas têm de traçar plano rigoroso, avalia presidente do Sinaenco

Equipe Universidade do Futebol
Teórica e oficialmente, a escolha das sedes brasileiras para a edição de 2014 da Copa do Mundo, que será realizada no país, ainda não está selada. E no alto do mapa, três das quatro capitais nordestinas que concorrem por essa condição terão reuniões com dirigentes do Sinaenco, o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia, ainda nesta semana.
Com o alvo de colher informações dos comitês locais de organização do Mundial para elaboração de um dossiê qualitativo, o qual será entregue, após o anúncio das cidades, às autoridades federais, estaduais e municipais, o presidente do órgão já vislumbra o plano que cada localidade terá de traçar para ser congratulada.
“O mundial de futebol é o maior evento midiático do planeta e essa visibilidade deve ser muito bem aproveitada, com um rigoroso planejamento”, destaca José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco.
“A realização da Copa do Mundo em quatro capitais do Nordeste pode trazer à região um grande desenvolvimento de infraestrutura e uma enorme exposição de suas belezas naturais para o mundo inteiro, com significativa atração turística também no pós-Copa”, acrescenta.
Em Recife e Salvador, que já sediaram grandes encontros do Sinaenco sobre a Copa 2014 em 2007, o mandatário prevê uma reunião com representantes do governo para atualização de dados. Já na capital norte-rio-grandense, o Sinaenco realizou o seminário “Os desafios de Natal para sediar a Copa 2014”, com programação genérica de debates.
Fortaleza não fará parte deste ciclo de encontros, pois no último mês de abril abrigou evento similar sobre o tema. Nesta sexta, para fechar a caravana nordestina, é a vez de Salvador.
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Câmara dos Deputados aprova projeto que prevê medidas de segurança nos estádios


O projeto de lei criminaliza a ação de vândalos, proíbe o cambismo, condena a corrupção, reforça o monitoramento, e cria o Juizado do Torcedor

Equipe Universidade do Futebol

Na última quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 451, o qual criminaliza a ação de vândalos dentro dos estádios de futebol e em um raio de cinco mil metros das arenas

Orlando Silva, ministro dos Esportes, a votação favorável ao projeto foi uma vitória. A medida compõe o pacote de ações Torcida Legal, iniciativa do ministério comandado pelo ministro.

As medidas aprovadas na Câmara dos Deputados são um marco na luta contra a violência nos estádios", comentou Orlando Silva. O ministro elogiou a Câmara, que votou a matéria em tempo recorde, menos de dois meses.

O projeto de lei estabelece pena de reclusão ou banimento a quem promover tumulto no estádio ou em um raio de cinco mil metros, praticar ou incitar a violência, invadir local restrito aos competidores e portar instrumento que sirva para a prática de violência. A pena para esses crimes é de reclusão de um a dois anos e multa, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.

Além disso, também será condenada uma prática muito criticada pelos torcedores, a venda irregular de ingressos por preço mais alto, o cambismo. A partir de sua aprovação, praticar a atividade torna-se um crime, passível de pena de reclusão de até dois anos.

Enfrenta também a corrupção no esporte porque criminaliza a atitude de aceitar ou prometer vantagem patrimonial para mudar o resultado de uma competição esportiva, bem como fraudar ou contribuir para fraude do resultado de jogos. Neste caso, a pena pode chegar até seis anos.

Para garantir segurança a todos, o projeto torna obrigatória a existência de uma central técnica de informação nos estádios, com infra-estrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem nas arenas com capacidade superior a dez mil pessoas. A última medida é a instituição do Juizado do Torcedor, que vai arbitrar rapidamente incidentes ocorridos durante os jogos.

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segunda-feira, maio 04, 2009

COM PÉ E CABEÇA – ANO IV – Nº150

“Estudo de forma multidisciplinar; ajo de modo interdisciplinar e penso pela ótica transdisciplinar.” (Benê Lima)

"Parabéns aos que fazem o Fortaleza Esporte Clube, legítimo Tricampeão Cearense, pelo exemplo de superação e trabalho dado dentro da competição." (Benê Lima)

Opinião
A FINAL, AFINAL, DEU-NOS UM ‘PADEDÊ’

Um ‘grande finale’ recuperou parte do prestígio de um campeonato fadado ao fracasso


Uma transmissão televisiva ruim da primeira partida da final, aliada a um público sempre decepcionante como resultante de uma fórmula pretensamente inteligente, acabaram por dar um toque espetaculoso à verdadeira final que acabamos de assistir.

Críticas a parte, a televisão que mostrou uma fotografia subexposta (imagem escura) na primeira das partidas finais, certamente por descuido do diretor de imagens, recuperou-se na segunda e última chance oferecida pelo calendário do Campeonato Cearense, se bem que contando com a ajuda de uma luz natural menos dura e intensa, portanto mais difusa e uniforme, com significativo equilíbrio entre as baixas e altas luzes.

Uma cobertura de gente grande se fez ver, com imagens ainda um tanto conservadoras, mas suficientes para configurarem uma boa cobertura. Os estilos médio e grande angulares se fizeram notar, além de um bom plano geral. Faltaram, talvez, as ‘zoommadas’, ao estilo tele-objetivas, tipo Canal100.

Quanto à transmissão dos jogos pela televisão, não há como deixarmos de render homenagens às tevês Diário e Verdes Mares. Uma cobertura ampla, cuja amostra propiciou a nós, cronistas, compilarmos dados para nossas análises e avaliações.

E para não discrepar da boa média da cobertura, Fortaleza e Ceará fizeram um jogo com cara de finalíssima, em que as nuances foram plurais, até que se chegou àquela fase decisiva da partida, em que predominam as estratégias simplistas da superação para atacar de um lado, contra a superação para defender do outro, porque o jogo é de final de campeonato.

E neste diapasão, o tricampeonato tricolor tem um nome especial: chama-se Douglas. Mas que isso não venha em demérito do time do Pici, porque Douglas é jogador tricolor e, portanto, fez valer essa condição. Afinal, é para fazer o que fez que ele é pago.


EFEMÉRIDES

A métrica do jogo


Início de um Fortaleza igual nas ações em relação ao Ceará, mas sobrepondo ao Alvinegro uma maior agudez ofensiva.

Essa situação durou até a marcação do gol de Arlindo, em jogada pré-anunciada de Vidal para Geraldo, com a subserviência do noviciado de Bismarck.

A vantagem alvinegra fez a maior dose de confiança mudar de lado.

O Ceará adiantou a marcação a fim de não sofrer pressão tricolor. Os volantes Michel e Chicão adiantaram-se e Maracanã era um autêntico meia avançado. Fábio Vidal fazia sua melhor partida deste ano, e Geraldo voltava a jogar bem.

Enquanto isso, os laterais e os volantes tricolores não conseguiam ser construtores, omitindo-se ofensivamente. Somente aos 27 minutos de jogo é que o Fortaleza conseguiu trocar o maior número de passes em toda a partida: um total de 12 passes corretos ininterruptos.

Em relação ao jogo anterior entre ambos, o Fortaleza teve o ‘algo’; o Ceará, o ‘algo mais’.

Um segundo tempo de certo equilíbrio até o empate tricolor. A partir daí, uma pressão alvinegra crescente, que só não se materializou em efetiva vantagem, pelas defesas do goleiro Douglas.

Apreciação de alguns quesitos

- Gramado: Ruim

- Destaques do Fortaleza: Douglas, Edson e Vanderlei.

- Destaques do Ceará: Arlindo, Michel, Geraldo e Misael.

- Aplicação das equipes: Ceará 8/10; Fortaleza 6/10.

- Disposição tática: Ceará 9/10; Fortaleza 8/10.

- Marcação: Ceará 9/10; Fortaleza 7/10.


BREVES E SEMIBREVES ®

Armando Júnior

Lamentável que mais uma vez o ex-dirigente tricolor tenha usado o microfone para dar um péssimo exemplo de deselegância e desequilíbrio. Se pudermos falar em denúncia, o ex-diretor de finanças do Fortaleza não sei se acusa ou assaca contra Alberto Damasceno, o ‘historiador’ das causas oportunistas. No confronto de Maquiavel (vilão?) contra Rapunzel (vítima?), deu zero a zero, pois não validarei os gols que ambos marcaram contra.

Da coluna do Abidoral
URNA 2010. Êta briga absurda nos bastidores do time do Ceará. De um lado, o deputado estadual Gomes Farias (PSDC), que fará dobradinha com o deputado federal e ex-presidente alvinegro, Eugênio Rabelo (PP), em 2010. Do outro, o ex-dirigente do clube, André Figueiredo, candidato a deputado federal pelo PDT e que caiu nas graças do dirigente Evandro Leitão. Nessa história toda, o único santo é o torcedor iludido.

Concorrência
Se a cidade de Natal estiver entre as sedes da Copa 2014, o Castelão de lá será demolido, surgindo em seu lugar a moderna Arena das Dunas. Isso porque os equipamentos esportivos daquela natureza se tornaram completamente anacrônicos. A arquitetura utilizada nas atuais arenas precisa contemplar a multifuncionalidade desses espaços, a fim de que eles próprios ajudem a se pagarem.

Sucessão I
Mauro Carmélio, em companhia de Mário Degésio, estiveram com o Presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e na oportunidade veio à tona o assunto sucessão na FCF. Carmélio terá apoio dos dois mandatários, do de lá e do de cá, o que, convenhamos, é perfeitamente compreensível.

Sucessão II
Além da lealdade de Mauro Carmélio para com seus pares, ressalte-se sua incontestável experiência, acumulada ao longo de dezoito longos anos servindo à Federação, e por extensão ao futebol cearense. De gandula a Procurador do TJD-CE, de Assessor Jurídico a Vice-Presidente da FCF, Mauro busca inscrever em alto relevo seu nome na ‘calçada cearense da fama’.

Sucessão III
É de se lamentar que em nosso futebol a maioria dos cartolas ainda se rende às facilidades de um populismo imbecilizante, portando-se mais como procuradores-laranjas que como dirigentes-timoneiros. Para eles, fazer média com torcedores retrógrados é o que importa. Falta-lhes a personalidade dominante, por isso desenvolvem uma dupla personalidade: reconhecem Mauro Carmélio como o melhor candidato, mas não têm coragem de assumir.

Sucessão IV
Se Mauro Carmélio não insculpir seu nome entre os grandes presidentes da nossa entidade de administração do futebol, estarei entre os grandes decepcionados, pois minha crença em seu sucesso tem ido um pouco além da defesa dos melhores propósitos para o futebol cearense. Anima-me a convicção íntima de que Mauro quererá agregar valor a uma sua administração. Isso para ficarmos no mínimo.

Proposta I
O candidato oficial da FCF, Mauro Carmélio, possui um discurso antenado com as mudanças que vem sendo processadas no ambiente do futebol. Sua proposta de interiorização do futebol pode ser muito bem aproveitada, desde que caminhe em consonância com o projeto que se quer colocar em curso em nosso estado, para o desenvolvimento do futebol amador, colocando-o na base da pirâmide do futebol profissional.

Proposta II
Muito provavelmente por razões políticas, desconfio que haja uma proposta engavetada, esperando a hora para fazer soprar seu vento modernizante. Não esperem revoluções que se originem nas mudanças de pessoas, mas alimentem a esperança de mudanças nas pessoas. Logo, a leitura cabível é, antes, a da reciclagem e da capacitação.

Festa no interior
No Rio Grande do Norte Assu e Potyguar de Currais Novos decidiram o título daquele estado. O Assu ganhou a primeira partida por 4 a 1, enquanto o Potyguar ganhou a segunda por 2 a 1. Com o saldo favorável, o Assu levou o título, diante de um público de apenas 1.456 pagantes. Por aqui, só o que passou de 50 mil dobrou o público de lá. Tivemos um público de 53.754 pessoas.

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sexta-feira, maio 01, 2009

Série C do Brasileiro não terá apoio financeiro da CBF


Sem ajuda nos gastos, times terão que tentar negociar individualmente os apoios

Equipe Universidade do Futebol


Os clubes que irão disputar a Série C do Campeonato Brasileiro de 2009 terão que arcar com todos os gastos da competição. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que não irá ajudar as 20 agremiações inscritas na disputa nenhum valor, nem com locomoção, nem com hospedagem e muito menos com as despesas com as arbitragens.


”Vamos ter que nos reestruturar economicamente, porque acabamos decepcionados com esta decisão da CBF”, disse Helmute Lawisch, presidente da Luverdense, representante do Estado do Mato Grosso na série C.


Lawisch, assim como outros dirigentes acreditava que a CBF fosse auxiliar os clubes “com algum tipo de recurso ou até mesmo com uma cota mínima por jogo ou pela competição”.

A única atitude tomada pela CBF é a liberação por parte dos clubes para uma possível negociação com as emissoras de televisão. Mas, sem o auxílio da entidade responsável pelo futebol brasileiro, fica mais difícil para os clubes realizarem um acerto com as emissoras, ainda mais negociando individualmente. ”O alcance passa a ser apenas regional e diminui o interesse das emissoras”, ressaltou Lawisch.

Os dois times paulistas (Marília e Guaratinguetá) que irão disputar a competição mostraram-se inconformados com a decisão da CBF. Beto Mayo, presidente do Marília, ficou em choque quando soube da posição da entidade.

”Esta cada vez mais difícil fazer futebol no Brasil. Vamos disputar uma competição regionalizada e sem qualquer apoio da CBF, sendo obrigados a arrumar dinheiro para tudo. Não é fácil manter um clube sem recursos”, declarou o dirigente do Marília.

Além da CBF ter informado que não dará nenhum tipo de auxílio aos clubes da série C, a decisão anterior da entidade em afastar-se da Futebol Brasil Associados (FBA) no que se refere à defesa dos interesses dos clubes das séries B e C, montam um cenário péssimo para as agremiações.

Os clubes perderam poder de negociação, porque estão numa competição regional, sem interesse, e sendo obrigados a buscar sozinhos recursos para tentar entrar na Série B, em 2010.

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Futebol Cearense como objeto de pesquisa


Agilidade apresentada por atletas de futebol em função da categoria profissional e posição em campo

Amostra foi composta por 60 atletas profissionais que desempenham distintas ações em campo e representam as três diferentes divisões do Campeonato Cearense

Emmanoel da Costa Arrais

RESUMO

Este estudo de abordagem quantitativa investigou 60 atletas do sexo masculino, participantes das diferentes divisões (primeira, segunda e terceira) do campeonato cearense de futebol. Os atletas foram avaliados nos respectivos locais de treinamento, através do teste de agilidade “triangulu reversione” antes dos treinos, sob a supervisão dos respectivos responsáveis.

Para verificar diferenças de agilidade de acordo com a posição foi utilizada uma análise de variância (ANOVA) e para verificar em que posições situavam-se as diferenças foram aplicadas o teste de Scheffé. A média de idade encontrada entre os jogadores de todas as categorias profissionais foi de 21,4 anos + 2,31 anos e os resultados do teste de agilidade “triangulu reversione” foram os seguintes: 11,72 segundos (1ª divisão), 11,70 segundos (2ª divisão) e 12,28 segundos (3ª divisão), demonstrando que não houve diferenças estatísticas significativas entre jogadores de diferentes divisões do futebol profissional. Ao comparar os resultados do teste de agilidade por função (Goleiro, Lateral, Zagueiro, Volante, Meia, Atacante) desempenhada em campo, verificou-se que também não ocorreram diferenças estatisticamente significantes.

Concluiu-se que o nível de agilidade dos jogadores avaliados está de acordo com o perfil estimado para atletas de futebol profissional e que não existem diferenças significativas nos níveis de agilidade independentemente da categoria profissional e da posição do atleta em campo.

INTRODUÇÃO

Uma das modalidades esportivas que apresenta a maior dificuldade para a sua caracterização com relação ao esforço físico requerido é o futebol (AIRES, 2003). Na prova de corrida de 100 metros rasos do atletismo ou na maratona, há uma predominância anaeróbia e aeróbia, respectivamente, o que facilita o processo de caracterização das exigências físicas. O futebol é uma modalidade esportiva intermitente, com constantes mudanças de intensidade e atividades. A imprevisibilidade dos acontecimentos e ações durante uma partida exige que o atleta esteja preparado para reagir aos mais diferentes estímulos, da maneira mais eficiente possível (BARBANTI, 1996).

No futebol encontramos vários tipos de deslocamentos, embora a caminhada e o trote, ambos sem bola (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000), sejam predominantes. É necessário treinar a resistência e a potência aeróbia para que os jogadores possam se movimentar, durante os 90 minutos da partida oficial, com períodos curtos de alta intensidade, como acelerações em pequenas distâncias (PERES, 1996).
Apesar de ser caracterizado como exercício intenso, o futebol apresenta situações que vão do repouso até deslocamentos de alta intensidade em função do estilo e/ou da posição do atleta, além das características especificas de cada partida. De acordo com Martin (2002), os jogadores correm aproximadamente 10 quilômetros por partida, sendo que 8% a 18% desta distância são percorridos em velocidade máxima.

Mayhew e Wenger (1985) realizaram um estudo sobre análise de movimentos em futebolistas e constataram que o futebol é uma atividade predominantemente aeróbia, com somente 12% do tempo de jogo gasto com atividades que utilizam substratos energéticos anaeróbicos. Porém é fundamental destacar que neste reduzido tempo de anaerobiose é que são realizadas as ações decisivas no futebol, caracterizadas pela alta intensidade, pois a concentração de lactato sangüíneo pode chegar, durante a partida, a valores de 8 a 12 mmol/l (EKBLOM; AGNEVIK, citado por BOSCO, 1994; EKBLOM, citado por MARTIN, 2002).

Existem características fisiológicas próprias para cada uma das posições específicas do futebol (BARBANTI, 1996). Estas demandas fisiológicas variam com a taxa de trabalho desenvolvida em cada função desempenhada em campo (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000).

Os valores máximos de volume máximo de oxigênio (VO2 máximo), variável determinante da potência aeróbia, encontrados em estudos controlados oscilam entre 56 e 69 ml.kg.min-1 (BOSCO, 1994; REILLY, citado por REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000). Estes valores são similares aos de outros esportes coletivos, mas baixos em relação aos esportes de endurance, cujos atletas alcançam valores próximos de perto de 80 ml.kg.min -1 (REILLY e SECHER, citado por REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000). Existem variações no VO2 máximo em relação às diferentes posições (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000). Atletas com maiores índices de VO2 máximo. tendem a participar mais das partidas, apresentando um menor índice de fadiga (REILLY, 1997).

Os jogadores devem se adaptar às exigências do jogo para competirem e atingirem o alto rendimento. Assim, a condição física dos atletas de elite pode indicar a demanda fisiológica do jogo (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000). Para REILLY (1997), o estilo de jogar influencia nas demandas fisiológicas dos jogadores. Segundo (REILLY; BANGSBO; FRANKS, 2000), as características que devem ser trabalhadas para se chegar ao profissionalismo são: resistência aeróbia, velocidade, força, flexibilidade, agilidade, composição corporal (percentual de gordura) e somatotipo.

De acordo com GARCIA, MUIÑO e TELEÑA (1977), o futebol exige resistência, velocidade, agilidade e força. Para KUNZE (1987), o futebol exige uma série de capacidades, resistência, velocidade e força como princípios decisivos, mas também agilidade e flexibilidade. A resistência é importante para um bom desempenho durante todo o jogo; a velocidade é fundamental para percorrerem curtas distancias o mais rápido possível; a força participa nas ações em que á disputa de espaço entre os adversários; a agilidade nas ações rápidas de mudanças de direção, em ataques e contra-ataques; flexibilidade para que os atletas venham à recepcionar melhor os passes e os goleiros efetuarem defesas mais dificeis. Importante destacar que a integração entre estas capacidades é de extrema importância.

Melo (1997) define que os atletas de futebol possuem características físicas específicas por posição: goleiro - força explosiva, flexibilidade, equilíbrio, resistência muscular localizada e velocidade de reação; laterais - força explosiva, resistência e coordenação; zagueiros - força, impulsão, equilíbrio, velocidade de reação e agilidade; meio-campo - resistência, coordenação, recuperação e velocidade e atacantes - velocidade, agilidade, equilíbrio e força explosiva.

"A agilidade se refere à capacidade do atleta de mudar de direção de forma rápida e eficaz, mover-se com facilidade no campo ou fingir ações que enganem o adversário a sua frente" (BOMPA, 2002, p. 51). A agilidade no futebol é a habilidade para mudar os movimentos o mais rápido possível frente a situações imprevisíveis, tomando rápidas decisões e executando ações de modo eficiente (SCHMID; ALEJO, 2002).

Diante destas situações expostas este estudo busca avaliar o nível de agilidade de jogadores de futebol profissional; verificar se existem diferenças entre os níveis de agilidade de jogadores de diferentes categorias profissionais e se determinadas posições têm jogadores mais ágeis que em outras.

A importância deste estudo está baseada numa necessidade imposta pelo moderno futebol. As exigências físicas e condicionantes estão cada vez mais imperiosas. Inúmeras capacidades motoras (Agilidade, Força, Velocidade, Flexibilidade, Resistência) estão diretamente relacionadas com o desempenho dentro de campo, o que representa um alto índice de participação nos resultados positivos das equipes. As ações motoras como a agilidade fazem parte de um “hall” de grande importância neste contexto. Avaliar a agilidade dos jogadores em função das diferentes funções desempenhadas por estes é algo que se faz necessário. Isto proporcionará um feedback aos treinadores e preparadores físicos, no que diz respeito ao planejamento e utilização desses dados em seus trabalhos. Desta forma, reitera-se a necessidade da execução desta pesquisa, uma vez que esses dados em muito, irão colaborar com os profissionais que militam neste campo do conhecimento.

METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como exploratória, transversal, com abordagem quantitativa. A partir da população de atletas de futebol profissional, inscritos na Federação Cearense de Futebol, foram avaliados 60 atletas do sexo masculino, participantes das diferentes divisões (primeira, segunda e terceira) do campeonato cearense de futebol.

Foram incluídos apenas atletas profissionais de futebol atuando em algum clube da Federação Cearense de Futebol, independente de faixa etária. Não participaram da pesquisa atletas amadores, ou que não estivessem atuando em algum clube inscrito na Federação Cearense de Futebol ou ainda que apresentassem condições de saúde restritivas à aplicação do teste de agilidade.

Os atletas foram avaliados nos respectivos locais de treinamento, através do teste de agilidade “triangulu reversione” (ANEXO 1). Os testes foram aplicados no campo de treinamento, antes dos treinos técnicos ou físicos, sob a supervisão dos respectivos responsáveis.

Os dados foram analisados através da estatística descritiva e apresentados em gráficos e/ou tabelas. Para verificar diferenças de agilidade de acordo com a posição foi utilizada uma análise de variância (ANOVA) e para verificar em que posições situavam-se as diferenças, foi aplicado o teste de Scheffé, através do software estatístico SPSS.

Salienta-se que esta pesquisa não acarretou qualquer tipo de dano à pessoa pesquisada, seja físico, moral ou psicológico, sendo resguardadas identidade e integridade dos participantes. O avaliado foi informado de seu direito de desistir da participação no estudo em qualquer uma de suas fases, bem como o acesso aos registros e ao texto final do estudo realizado se assim o desejasse. Ainda, a anuência da pessoa informante foi registrada em Termo de Consentimento Informado, conforme Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Alguns autores questionam a utilização de testes de agilidade sem bola para praticantes de futebol, porém de acordo com SILVA et al (2006) há uma significativa correlação entre testes de agilidade sem bola e com bola, principalmente nas posições de zagueiro, atacantes, laterais e volantes.

A amostra foi composta por 60 atletas profissionais de futebol que desempenham distintas funções em campo (FIGURA 1) e representam as três diferentes divisões do Campeonato Cearense, distribuídos da seguinte forma: 13 atletas da 1° divisão, 23 atletas da 2° divisão e 24 atletas da 3° divisão.

Figura 1: Número de jogadores de acordo com a posição que desempenham em campo.

A média de idade encontrada entre os jogadores de todas as categorias profissionais foi de 21,4 anos + 2,31 anos. Segundo Veiga (1996) a média de idade dos jogadores profissionais do Rio de Janeiro foi de 23,83 anos, pouco superior ao valor encontrado no presente estudo.

De acordo com os resultados do teste de agilidade “triangulu reversione”, os jogadores obtiveram as seguintes médias de tempo: 11,72 segundos (primeira divisão), 11,70 segundos (segunda divisão) e 12,28 segundos (terceira divisão), sendo a média geral entre as três divisões de 11,90 seg. Desta forma não houve diferenças estatísticas significativas entre jogadores das diferentes divisões do futebol profissional (TABELA 1). Em entrevista pessoal, o autor do teste de agilidade “triangulu reversione” Ricardo Lima dos Santos afirmou que jogadores profissionais de futebol para serem competitivos deveriam executar o teste entre 11 e 13 segundos (SANTOS, 2008).

Santos (1992) comparou fisiologicamente, antropometricamente e o nível motor de atletas profissionais de futebol de quatro divisões distintas do campeonato português, os resultados evidenciaram a similitude das equipes de diferentes divisões, com alguns indicadores á discriminarem positivamente, embora de forma ligeira, a equipe de escalão competitivo inferior. Sendo assim pode-se concluir que independente da divisão em que os atletas estão inseridos, eles possuem características físicas semelhantes.

Tabela 1 – Média de tempo do teste de agilidade (“Triângulo Reversione”) em jogadores de futebol profissional por divisão do campeonato cearense.


P<0,01

Ao comparar os resultados do teste de agilidade por função desempenhada em campo, verificou-se que também não ocorreram diferenças estatisticamente significantes (TABELA 2). Amaral e Benetti (2005) realizaram um estudo sobre as características físicas dos jogadores profissionais de futebol e concluíram que, com exceção do zagueiro, todas as funções desempenhadas em campo exigem o desenvolvimento da agilidade como uma das características físicas mais solicitadas nos treinos e competições. Não é possível justificar este achado, pois os zagueiros posicionam-se na mesma zona de campo que os atacantes adversários e, muitas vezes, precisam desempenhar uma marcação constante, desta forma a falta de agilidade poderia ocasionar uma superioridade de um atleta sobre o outro.

Tabela 2 – Média de tempo do teste de agilidade (“Triângulo Reversione”) em jogadores de futebol profissional por posição em campo.


F= 2,39; P<>

CONCLUSÃO

Portanto pode-se concluir que o nível de agilidade dos jogadores avaliados está de acordo com o perfil estimado para atletas de futebol profissional e que não existem diferenças significativas nos níveis de agilidade independentemente da categoria profissional e da posição do atleta em campo.

BIBLIOGRAFIA
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