*Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro 'Futebol brasileiro: um projeto de calendário', pela editora Publit (www.publit.com.br).
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
sexta-feira, agosto 14, 2009
*Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro 'Futebol brasileiro: um projeto de calendário', pela editora Publit (www.publit.com.br).
O ápice do fracasso
GUILHERME COSTA
Da Máquina do Esporte, em São Paulo
Um empate por 2 a 2 com o CSA no último domingo, em pleno estádio Arruda, eliminou o Santa Cruz da Série D do Campeonato Brasileiro e condenou o time pernambucano a passar mais uma temporada na quarta divisão nacional. Além disso, encerrou ainda em agosto o calendário da equipe para o futebol em 2009. Em meio ao cenário caótico, a diretoria adiou para a próxima semana a definição do que será feito com a modalidade. Nesta semana, a diretoria do Santa Cruz concentrou-se em estabelecer caminhos possíveis. As hipóteses para o futuro do clube passam até por parcerias com clubes, empresários e empresas para a gestão do futebol. "A eliminação ainda é uma coisa muito recente. Nos últimos dias, levantamos todas as possibilidades e conversamos internamente sobre tudo que temos. Vamos nos reunir e ver qual é o melhor planejamento para os próximos meses", disse Roberto Rodrigues de Arraes, presidente do conselho deliberativo. Até o momento, a única medida que o Santa Cruz já definiu foi uma redução no elenco que disputou a Série D. O clube deve dispensar a maioria dos atletas, mas pretende conversar com alguns para negociar a permanência no Arruda. Quanto ao modelo de gestão e o que será feito do Santa Cruz, sobretudo nos últimos meses deste ano, essas questões ainda dependem de aprovação de vários setores do clube. Essa, aliás, é a principal razão para uma decisão ter sido postergada para a próxima semana. "Um dos cenários possíveis é fazermos uma excursão internacional no fim deste ano. Também podemos disputar a Copa Pernambuco, jogos amistosos ou uma série de alternativas. Precisamos ver o que é mais adequado", explicou o dirigente. Outro ponto nebuloso para o Santa Cruz atualmente é a negociação com patrocinadores. Os contratos da equipe têm duração até o fim do ano, mas a diretoria já admite conversar com as empresas para reajustar ou encerrar os acordos em função da falta de competições oficiais. |
segunda-feira, agosto 10, 2009
Por Ricardo Guilherme Monteiro de Almeida
Pode-se dizer que existem vários fatores responsáveis pelo investimento no esporte por parte de empresas dos mais diversos setores. Entretanto, dois deles são fundamentais para que se entenda o porquê do segmento ter se tornado referência para empresários:
1) Presença constante do esporte e suas variáveis na mídia em geral - vemos pelo número crescente de programas esportivos nas emissoras de rádios, TV´s e Internet.
2) O sucesso obtido no esporte é transferido para o patrocinador, gerando um retorno institucional e de vendas para os seus investidores - houve marcas que foram amplamente divulgadas que até hoje está relacionada com seus clubes, como Kalunga, Parmalat, Unicor.
Por que o Marketing Esportivo é tão envolvente e traz resultados efetivos?
A resposta para tal questão é simples: porque além de ser uma forma de comunicação saudável, envolve sentimentos de uma grandeza insuperável que só o esporte pode oferecer. Adrenalina, alegria, conquista, vibração e emoção são alguns dos elementos que fazem da atividade um misto de aventura e poder.
A função do marketing, no entanto, é conciliar as demandas do mercado com a paixão do esporte, proporcionando prazer em troca de resultados. Tudo isso sem esquecer o papel dos ídolos, que, nesse processo, são os verdadeiros porta-vozes do mercado, com suas mensagens traduzidas em forma de talentos esportivos.
Benefícios do Marketing Esportivo
O importante em relação à prática do marketing esportivo é saber que ele proporciona benefícios a curto, médio e longo prazo, e que o poder de percepção do cliente consumidor é cada vez maior em relação a isso. Veja os exemplos:
Aumento do reconhecimento público - em momentos de lazer e descontração, a aceitação de um anúncio por parte do público é maior que em outras situações.
Rejuvenescimento da imagem da empresa - o exemplo maior disso é com o Banco do Brasil, que rejuvenesceu sua imagem perante o público associando seu nome ao vôlei.
Exposição constante da marca na imprensa e em todas as mídias - o backdrop (aquele outdoor que fica atrás dos atletas durante a entrevista) é exemplo disso.
Reforço da imagem corporativa - a organização que projeta seu nome através do marketing esportivo é vista de forma diferenciada pelo consumidor.
Simpatia junto ao público e mídia - a comunicação que envolve consumidor e imprensa ganha um papel de cumplicidade.
Envolvimento da empresa com a comunidade - é o reconhecimento perante o público que a empresa pratica responsabilidade social, valorizando seu nome, marca e imagem.
Marketing |
| Fernandão é trunfo do marketing do Goiás Por Érika Romão (erikar@lancenet.com.br) Jogador deve atrair olhares e investimentos para o clube, que aproveita a boa fase em campo A deslumbrante chegada de helicóptero de Fernandão ao Serra Dourada, na partida entre Goiás e Flamengo, na última quarta-feira, foi diretamente proporcional à importância que o ídolo terá nesta passagem pelo clube, até o fim da temporada de 2010. De acordo com o gerente de marketing do Goiás, Marco Antônio Goulart, já existem projetos em andamento para a exploração da imagem do jogador em itens personalizados, como camisas caricaturadas e até um boneco. |
Exemplo a ser seguido
Um caso raro dentro do cada vez mais milionário mundo do futebol, o maior ídolo do Estudiantes, Juan Sebastián Verón renovou o seu contrato com o clube e aceitou reduzir em 40% o seu salário.
Segundo o novo acordo do atleta com o clube argentino, o dinheiro que seria pago ao jogador será utilizado nas divisões de base da agremiação. “Tomei essa decisão para que esse dinheiro seja destinado à infraestrutura do que é mais importante, a base”, afirmou Verón.
Não é a primeira vez que o atleta ajuda financeiramente o Estudiantes. Quando da construção do centro de treinamento Country de City Bell, o meia doou dinheiro para colaborar nas obras.
Abrindo mão de parte do seu salário Verón acredita que poderá colaborar para que o seu clube de coração sobreviva durante a crise financeira que afeta o futebol argentino.
“O futebol tem que ser gratuito. Não tem que meter a mão no bolso do público. Este é um negócio muito grande e quem tem que ser beneficiado é o povo”, concluiu o atleta.
Verón iniciou sua carreira no Estudiantes, passou pelo Boca Juniors, Sampdoria, Parma, Lazio, Manchester United, Chelsea e Inter de Milão, até voltar para o time que o revelou, em 2007.
Contradição entre o discurso e a prática
Com uma campanha que tem surpreendido a muitos críticos, Dunga, técnico da seleção brasileira, a contrário da maioria dos treinadores, disse que a sua função não tem tanta relevância para os bons resultados do time.
Para o comandante do elenco brasileiro, atualmente, o mundo do futebol dá muita importância para a parte tática, em detrimento da técnica dos jogadores. "Falar de tática é moda, mas isso todo mundo sabe. O que o treinador tem que fazer é dar liberdade para os jogadores", disse Dunga. "Se eu sei tática e o rival também sabe, o jogo termina 0 x 0. O que decide é um drible", completou.
Enquanto Dunga esteve à frente da seleção nacional, o time manteve a média de dribles de quando era comandado por Carlos Alberto Parreira. No entanto, se comparada aos tempos de Vanderlei Luxemburgo e de Luiz Felipe Scolari, a seleção de Dunga dribla cerca de 30% menos. Os dados são doDatafolha.
Na próxima quarta-feira, o Brasil irá realizar uma partida amistosa contra a seleção da Estônia, 112ª no ranking da Fifa. Provavelmente, o time comandado por Dunga não precisará dos dribles para vencer o jogo.
No último sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a adoção de medidas para fortalecerem o futebol brasileiro. Uma das consequências disso seria evitar a saída de jogadores para o exterior no meio do Campeonato Brasileiro.
Em reunião com Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e com Orlando Silva, ministro dos Esportes, Lula deu o prazo de 30 dias para que a entidade responsável pelo futebol no Brasil apresente uma proposta de remodelação do futebol nacional.
Entre as mudanças que devem estar no novo planejamento da modalidade brasileira devem estar a adaptação do calendário nacional ao europeu, e regras de melhor gestão para limitar os gastos dos clubes.
A ideia é que o Campeonato Brasileiro começasse em agosto e terminasse no início do ano seguinte. No entanto, a proposta ainda na poderá valer para a disputa em 2010. "Há uma série de contratos assinados que precisam ser cumpridos. Haveria uma transição", afirmou Orlando Silva.
Sobre a disposição de se melhorar a gestão das agremiações combatendo, inclusive, os altos salários, o ministro dos Esportes defendeu a criação de uma Lei de Responsabilidade Fiscal do futebol, isto é, os clubes não poderiam gastar mais do que arrecadam.
"A ideia é reunir o governo, a CBF, o Clube dos 13 para fazer um pacto para fortalecer o futebol brasileiro", concluiu.
Uma “velha máxima” do futebol, muito comum e que atravessa os tempos, diz que uma equipe para jogar bem, e conquistar vitórias, precisa ser “equilibrada”.
E não importa se a frase é dita por comentaristas especializados ou treinadores de futebol, o fato é que, há um aparente consenso e uma aparente obviedade nessa máxima.
Quando dizem que uma equipe precisa ser equilibrada, nada mais querem dizer que, ataque e defesa precisam se completar, pois não adiantaria ataque envolvente com defesa vulnerável, ou defesa intransponível com ataque que não faz gols.
Aparentemente, esses sucintos argumentos até fazem sentido.
Mas façamos algumas reflexões.
O objetivo máximo do jogo é fazer gols. E por mais que, o que vou escrever agora pareça pouco profundo, inadequado ou decepcionante, garanto que não é.
Muitas equipes de futebol, treinam orientadas para não sofrer gols, e fazer gols. Isso parece óbvio. Se não sofrer gols, e fazer gols, a equipe vence o jogo.
Mas será que é isso mesmo, e ponto?
Antes de continuar com minha reflexão quero lembrar a fala de uma grande empresária brasileira, em entrevista a uma revista de grande circulação no território nacional. Em algum momento, tentando explicar o sucesso de sua maneira de administrar, ela disse que quando criança, sempre que queria comprar alguma coisa tida como “cara” e não tendo dinheiro, nunca ouvia de sua mãe que a tal coisa era “cara”, mas sim que, se ela queria a tal coisa, precisava ganhar mais dinheiro para poder comprá-la.
Claro, não quero discutir aqui o Capitalismo. Não, por favor! O que quero mostrar é que aquilo que a mãe da empresária dizia a ela, quando criança, de certa forma influenciou seu comportamento diante de alguns desafios, e logo também, suas decisões. Ao invés de dizer “deixe isso pra lá, filha, é muito caro”, ela dizia “quer comprar? – então precisa ganhar mais dinheiro”.
Ok. Mas o que isso tem a ver com o futebol?
Voltemos então às reflexões.
Quando uma equipe de futebol se propõe a não sofrer gols, e a fazer gols, está ela se aproximando daquilo que orienta a lógica do jogo, que é “fazer gols”? Se o objetivo do jogo é o gol, não faria mais sentido pensar em “fazer mais gols do que o adversário”, e não em “fazer gols e não sofrer”?
A diferença parece sutil e para algumas pessoas, até imperceptível, mas quando o comportamento de uma equipe de futebol está orientado para fazer gols, as decisões individuais dos seus jogadores e a da própria equipe serão influenciadas por isso.
Tentarei ser mais claro.
Quantas vezes uma equipe acaba conseguindo o gol, em momentos específicos do jogo, quando ela precisa muito marcá-lo, ou quando perder por um ou nove gols de diferença não muda nada? Quantas vezes, em um comportamento aparentemente desesperado de tudo ou nada, um time, depois de tanto tentar alcançar a meta adversária, consegue fazer um gol?
O fato, é que equipes de futebol, em sua maioria, quando precisam muito fazer um gol, e têm suas decisões orientadas por isso, acabam apresentando um comportamento técnico, tático, físico, psicológico distinto do que normalmente apresentam.
Esse comportamento, deixa de ser, o de grande preocupação em não sofrer gols e tentar marcá-los, para o de fazer gols, mais do que o adversário.
Não, não estou louco; mas essa sutil (ou aparentemente sutil) alteração muda totalmente o significado coletivo da ação.
Tratar a vitória como o objeto caro (analogamente a fala da empresária que mencionei), faz com que as equipes, mesmo “economizando”, se distanciem dela.
E aí volta a velha máxima do futebol, de que as equipes precisam ser “equilibradas”. Não discordo que isso possa fazer algum sentido (e faz!), mesmo a partir de teorias sistêmicas (o que não vou discutir hoje) – ou somente por elas. Mas, sob o ponto de vista em que o tal “equilíbrio” é discutido, não tenho dúvidas, há problemas.
Não devemos entender o equilíbrio como uma complementação de tarefas entre o ataque e a defesa de uma equipe – afinal o objetivo máximo do jogo é fazer gols!
O que precisamos compreender é que uma equipe, é uma unidade complexa, que possui uma identidade coletiva. Durante um jogo de futebol, essa identidade é posta a prova. Para mantê-la intacta, é necessária uma constante busca pela manutenção do equilíbrio dessa unidade.
Esse equilíbrio sofre abalos permanentes, de maneira que, para manter sua identidade, uma equipe atinge a cada instabilidade, um novo estado de ordem; e a cada novo estado de ordem, mais “robusto” fica o seu equilíbrio.
Isso quer dizer, em outras palavras, que em um sistema, como é uma unidade complexa (a equipe de futebol), a desordem é que leva ao progresso!
Bom, mas isso é uma outra discussão...
No século XVIII, um corregedor de Viseu dizia para o sábio Linck, em digressão pelo nosso País: “Portugal é pequenino, mas é um torrão de açúcar”. No entanto, porque a inovação supõe estudo e trabalho, não nos podemos contentar unicamente com o que é doce, com o que é blandífluo(3) ao paladar. Assim como “assistimos a uma mudança socioeconômica radical, materializada na formação da nova Sociedade da Informação cujo cerne é uma economia baseada no conhecimento”, assim também o futebol há de fundamentar a sua prática num conhecimento atualizado.
Não sei se alguns treinadores se consideravam profundamente lisonjeados quando alguns atrevidos chamavam ao futebol uma “ciência oculta”. É que, na realidade, ele era mesmo uma “ciência oculta” para os que tentavam praticá-lo, quer como atletas, quer como treinadores. Perguntas há que ninguém no futebol fazia. Como esta: o desporto tem, predominantemente, a ver com as ciências da natureza, ou as com as ciências lógico-formais, ou com as ciências humanas?
E porque a questão não se levantava a metodologia, usada nos treinos, estava profundamente errada. Comecei então a lecionar nas minhas aulas e a escrever nos meus livros que o desporto, só à luz das ciências humanas, poder-se-ia estudar e entender.
Não fazia sentido que, no desporto, o atleta fosse um singelo títere, nas mãos do treinador onipotente que o pretendia transformar numa simples máquina. E dizia (e escrevia) mesmo: o desporto não é uma “atividade física”, mas uma “atividade humana”. E tornava mais explícita a minha prosa, acrescentando: e também não há “educação física”, mas “educação de pessoas em movimento intencional”.
Com isso, discordava abertamente do chamado “treino analítico”, que separava o treino físico do treino técnico e tático e psicológico. E aconselhava os alunos à criação de exercícios onde a complexidade humana estivesse presente. Tudo isso se passou, há trinta anos!
No livro de Luís Lourenço e Fernando Ilharco, Liderança: as lições de Mourinho (p. 88) dá-se a conhecer o que eu ensinava (há trinta anos, repete-se) aos meus alunos:
Não basta estudar para ser a pessoa certa para um lugar incerto (o lugar de treinador de futebol): precisas são outras “virtudes” que não se aprendem nos bancos da Universidade.
Eu tenho autoridade para escrever o que escrevi, porque me considero um universitário que muito aprendeu com alguns homens do futebol.
*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.
Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.
Por intermédio dos professores João Paulo Medina e Manuel Sérgio, mesmo à distância, pude conhecer o competente jornalista e professor Luís Lourenço.
Luís Lourenço é mais conhecido por ser o biógrafo do treinador José Mourinho, tendo publicados os livros “José Mourinho” e “José Mourinho: um ciclo de vitórias”.
Contudo, quero destacar o melhor e o mais denso de todos os bons trabalhos de Lourenço, seu estudo de caso sobre a liderança de José Mourinho.
Este estudo, fruto de cabal trabalho acadêmico/científico, o qual lhe proporcionou o título de mestre, saiu da universidade e foi publicado como livro depois de receber importantes incrementos do professor Fernando Ilharco.
Acredito que todos que atuam ou almejam ser treinadores de futebol devem ler este livro. Intitulado como “Liderança: as lições de Mourinho”, o mesmo além de ser um estudo de caso muito particular sobre um dos mais destacados treinadores da atualidade, discorre sobre as mais importantes teorias de liderança e suas interfaces com a profissão de treinador.
Sempre à luz do pensamento complexo, essa obra procura, em determinado momento, discorre sobre seis estilos de liderança. E neste momento, tomo a liberdade de abordá-los nesta crônica pedagógica, de modo a facilitar e despertar a percepção dos treinadores de futebol, a ponto destes tornarem suas respectivas experiências de gestão mais eficazes e eficientes.
Sendo assim, quero apresentar uma síntese dos estilos de liderança, tendo como exemplo de aplicação a forma de gestão de José Mourinho, nas palavras literais do autor do estudo, Luís Lourenço:
Estilo Visionário – Talvez a característica mais importante do líder visionário seja a de inspirar os seus seguidores. Contudo, o seu segredo está na forma como o faz. Este tipo de liderança encontra suporte na forma como exprime os seus objetivos. Porque o que vale para os outros vale para si próprio, este líder sintoniza-se com os seus subordinados porque partilha os mesmos valores, logo é autêntico. Assim, não lhes incute idéias e fins sem que eles os descubram por si mesmos, e neles genuinamente acreditem, embora, obviamente condicionados pelo caminho que o líder lhes propõe e pelos objetivos a atingir. O líder visionário leva os seguidores a realizarem as suas tarefas de uma forma envolvente, ou seja, deixa-lhes espaço para que sejam eles a descobrir um caminho que ele próprio já imaginou. Com Mourinho é isto mesmo que se passa com a técnica que apelidou de descoberta guiada. A sua autenticidade e partilha dos valores que apregoa está bem expressa quando, depois da derrota com o Panathinaikos, ele disse aos seus jogadores: “Nós vamos lá dar a volta à eliminatória e se alguém aqui não acredita que é possível ganhar lá e passar às meias-finais que o diga já, porque fica cá e eu vou para a Grécia com outro".
Estilo Conselheiro – Este estilo encontra muito do seu fundamento na capacidade relacional do líder com cada um dos seus subordinados. O líder vê o homem para além do profissional e interessa-se pelo seu bem-estar dentro e fora do trabalho. Conversa, ouve e aconselha de uma forma individual, porque cada ser humano é uno e diferente. Daniel Goleman considera que este estilo não é muito praticado na atualidade, no entanto é um estilo capaz de gerar ressonância já que os líderes conselheiros ao estabelecer ligações ajudam as pessoas a identificar os seus pontos fortes e fracos, criando uma ligação direta e efetiva ao seu desempenho. Não sendo talvez o seu ponto forte, José Mourinho pode, também aqui, encontrar alguma fundamentação da sua liderança. Podemos perceber isso nas palavras de Desmond Morris sobre o treinador: “Mourinho identifica-se mais com a sua equipa do que qualquer outro treinador. Ele está apaixonadamente envolvido com eles. (…) Discordo ligeiramente do retrato que fazem dele como um pai para os seus jogadores. Ele é mais como um irmão mais velho. Ou o chefe do bando”.
Estilo Relacional – Este estilo caracteriza-se pela partilha de emoções. O líder celebra e o líder chora. Coloca a ênfase no ser humano e nos seus sentimentos mais que no profissional e ao fazê-lo gera grandes laços de fidelidade e relacionamento. É, no entanto, um estilo de liderança que não melhora de uma forma direta o desempenho das pessoas. Embora Mourinho se emocione com os seus jogadores não podemos considerá-lo um líder relacional já que ele raramente admite erros e procura sempre de uma forma direta o aperfeiçoamento individual e coletivo, sendo isto, para ele, o mais importante. Não dissocia, portanto, numa perspectiva complexa, a felicidade pessoal do desempenho pessoal tal como se percebe das palavras do jogador do Chelsea, Joe Cole: “Ele é a primeira pessoa a olhar a sério para mim e para a minha maneira de jogar”.
Estilo Democrático – O líder democrático, tal como o próprio nome indica, recorre aos contatos pessoais, à discussão, à partilha de idéias e às sugestões. Fá-lo em reuniões, que podem ser alargadas, e escuta as preocupações dos participantes. Ao ouvir os outros encontra grande parte do fundamento do seu próprio processo decisório. Cria um clima emocional globalmente positivo e funciona melhor se o líder tiver dúvidas. Pela própria personalidade, conhecimentos técnicos e competência de José Mourinho não o enquadramos diretamente neste estilo de liderança.
Estilo Pressionador – É um estilo de atuação utilizado em determinados contextos porque não traça linhas claras de atuação. Quase sempre o líder está focalizado nos objetivos, deixando para um plano completamente secundário as pessoas, o que poderá ter como resultado – e a médio/longo prazo tem seguramente – a dissonância. Contudo, como referimos, num contexto determinado e em doses moderadas a pressão pode levar a desempenhos positivos. É um estilo que pode ou não identificar-se com José Mourinho. Lembrarmo-nos da sua entrada no Estádio da Luz para o jogo Benfica/Porto em 2003, antes dos seus jogadores, como forma de os aliviar da pressão exercida pelos adeptos benfiquistas. Mourinho tenta sempre retirar a pressão, ou demasiada ou não apropriada pressão, dos que consigo trabalham. No entanto, a pressão em causa neste exemplo é algo que vem do exterior da equipa, não é exercida pelo líder. Quando falamos na pressão exercida pelo líder – e aqui o enquadramento no estilo pressionador já será mais correto –, então podemos afirmar que José Mourinho se encaixa também neste estilo de liderança. A comprovar esta análise estão as palavras de Rui Faria, seu técnico adjunto: “Quem vive profissionalmente com ele tem de saber viver com grande pressão e ao mesmo tempo tem de dar resposta positiva. A pressão que José Mourinho exerce sobre o seu grupo de trabalho é feita de um modo muito particular em função das diferentes situações.” Mourinho pressiona os jogadores, desfiando-os constante e consistentemente, a dar o máximo deles próprios, a superarem-se, a serem os melhores”.
Estilo Dirigista – Este estilo de liderança preconiza a obediência cega, o que o liga a uma forma eminentemente coerciva de estar na vida. Na sociedade atual é o menos aceitável e tolerável podendo, no entanto, ser aceite em situações muito esporádicas, como, por exemplo, face a ameaças”.
Portanto, depois destas breves, porém consistentes e fundamentadas análises que recolhi no trabalho de Luís Lourenço, considero que seja possível instigar uma pertinente reflexão, principalmente ao público mais interessado, os treinadores de futebol.
Qual seu estilo de liderança?
No momento que se tiver claro qual ou quais sejam, é possível criar estratégias de gestão para que os liderados possam ser guiados ao sucesso, ou seja, a vitória pessoal, social e profissional..
domingo, agosto 09, 2009
A NECESSIDADE DE GESTAÇÃO DE GESTORES
No futebol há carências em quase todos os setores, sobretudo na produção de verdadeiros talentos na área de recursos humanos
Em regra, é admissível a premissa de que a gestão do futebol está em mãos erradas, entregue a pessoas reacionárias que rejeitam mudanças e, mais, não satisfeitas ainda tentam sufocar e constranger o capital intelectual, impedindo a propagação das boas idéias.
Neste ponto, vale a pena lembrar que é próprio do provincianismo certa rejeição ao capital intelectual, para que o chamado capital simbólico possa prevalecer-se de uma sociedade que atua com desenvoltura nos processos de mistificação e mitificação.
Na seara do futebol cearense, um dos dilemas que nos aflige é não sabermos quando estamos sendo vítimas da incompetência ou do caráter reacionário daqueles que o dirigem, seja no ambiente dos clubes, seja no das nossas entidades de administração do futebol, seja no ambiente jornalístico.
Enquanto o capital simbólico continuar comandando a ‘linha de produção’ do nosso futebol, não teremos como esperar nada além da mediocridade reinante.
O parâmetro avaliatório das pessoas não deve ser suas contas correntes, posição social, marca da roupa, tipo de carro, nem mesmo o chamado capital simbólico. Este não garante competência, longe disto. Ex-dirigentes, ex-jogadores, gente famosa enfim (os ditos representantes do capital simbólico) têm ocupado o lugar de pessoas com muito maior capacidade para contribuir com as mudanças que o ambiente desportivo necessita.
Outra verdade que precisa ser dita, é que não devemos aceitar a tese da transferência genética do capital simbólico, aceitando tão-somente a aquisição do capital intelectual pela busca, pelo esforço, pelo trabalho, pelo estudo, pela experiência empírico-científica.
Sustenta o filósofo português Manuel Sérgio, que o ambiente desportivo, sobretudo o futebol, precisa de pessoas com formação na área das ciências humanas, para que as qualidades singulares destas pessoas promovam a interação da pedagogia das ruas com as das escolas. Assim, imagino, estaríamos criando e recriando alterações padigmáticas que levem à edificação de competências e habilidades requeridas às novas funções de gestores do futebol.
EFEMÉRIDES
Ponte e Fortaleza quebram a bola
Talvez estejamos sendo excessivamente rigorosos com Macaca e Leão, mas nos referimos ao que predominou na partida, e não a situações pontuais dentro da mesma.
Aceitamos até podermos torcer pelo bom desempenho de nossos representantes, só não nos permitimos destorcer a realidade dos fatos e, menos ainda, doirar (desculpem-nos pelo arcaísmo) a pílula.
Fiz o que nenhum profissional de imprensa fez, nem mesmo os que cobrem o dia a dia do Tricolor do Pici: assistir ao jogo-treino entre Caucaia e Fortaleza na sexta p.p.
E qual a vantagem disto? A de observar, com riqueza de detalhes, o momento dos seguintes atletas: Jô, Igor, Gilmak, Jaílson, Régis, Leandro, Saulo, Marllon, Cleiton, Willer, Wanderley, Vanilson, entre outros menos votados.
E, olha, vendo o Guto perder mais uma chance, pude reconhecer mais consistência defensiva no Jaílson. Observando a bola murcha do Eusébio e as limitações do Júlio, dá pra pensar numa nova oportunidade para o Leandro, que também é limitadíssimo, mas pega um pouco mais. Dá até pra pensar um pouco mais, mas daí a afirmar que há solução para o time principal vai uma distância respeitável.
Difícil, porém, é acreditar que o Fortaleza tem time para brigar. Pois, não ganhar daquela Ponte foi, sem dúvida, um eloqüente atestado de incapacidade.
Ceará gerencia com brio seqüência de bons resultados
Mais um ponto a favor da competência na consecução de uma campanha vitoriosa, conseguida pelos que fazem o Alvinegro de Porangabussu.
Ganhar do bom time do Atlético Goianiense, e fazê-lo com autoridade, representa mais uma dose no moral da equipe.
Uma espécie de círculo virtuoso foi instaurado no Ceará, e o clube vive em meio a um processo de retroalimentação propiciado por esse sistema.
É importante dizer que esse círculo multiplica seus efeitos positivos, atraindo novas idéias e desde o capital volátil até o capital humano/intelectual, passando, obviamente, por um incremento no fluxo de caixa.
Dentro das quatro linhas, poucas vezes se viu tão significativa mudança em um grupo tido como limitado. E, neste considerando, sobram loas para a comissão técnica, sem que nos esqueçamos dos méritos dos dirigentes.
De uma coisa estou certo: o sucesso alvinegro não é mera obra do acaso, nem poderia. Percebe-se um volume considerável de transpiração, boas doses de inspiração, talento e competência.
O mais novo desafio, pois, é a manutenção deste momento ‘mágico’.
BREVES E SEMIBREVES ®
Será?
Soube que a federação, por intermédio de seu futuro presidente, Mauro Carmélio, fisgou o grande profissional Júlio César Manso para suas fileiras. Só pode ter sido, senão como explicar tão visível mudança para melhor no conteúdo da página da mentora na web?
Em compensação...
...o site do Fortaleza não consegue manter a qualidade dantes. A propósito, como é bom e facilita o trabalho de quem é do ramo. Entre os que perderam o futebol feminino do Leão, que já não tinha prestígio, perdeu ainda mais.
E por falar em...
...futebol feminino, o campeonato cearense da modalidade segue desprestigiado batendo carimbo e cumprindo tabela em ritmo alucinante. Jogo em cima de jogo, para gáudio dos ‘barrigas de aluguel’. Tudo para agradar a deus e ao diabo na terra do sol. Neste quesito, quer nos parecer que o futebol cearense permanecerá como sempre foi... Nada de considerar as melhores idéias.
Agradecimento
Ao professor pós-graduado e mestre em administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, entre outros títulos, Luis Felipe Chateaubriand, autor da obra “Futebol Brasileiro: Um Projeto de Calendário”, pela cessão de seu livro. Mais detalhes no www.blogdobenelima.blogspot.com.
Felicitação I
Ao Ferroviário Atlético Clube pela vitória heróica contra o Alecrim Futebol Clube por 2 a 1. O Tubarão credencia-se para a próxima fase e cria em nós a expectativa de poder estar na Série C do próximo ano.
Felicitação II
Ao Icasa que não só empatou, mas fez por merecer o reconhecimento da crônica esportiva consciente do Pará. Um primeiro tempo em que foi melhor que o Paysandu, e um segundo tempo em que soube conter o adversário. O Romeirão deverá receber um grande público para um jogo histórico.
Benê Lima
benecomentarista@gmail.com
benelima@apcdec.com.br(85) 8898-5106