Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Santos vive "opostos" com patrocínios
Enquanto os homens amargam uma campanha pífia no Brasileiro-09, as mulheres comemoram o título da Libertadores. O desempenho reflete nas negociações para 2010

O Santos vive situações opostas, dentro de campo, com seus times masculino e feminino. Enquanto os homens amargam uma campanha pífia e a décima colocação no Campeonato Brasileiro, as mulheres comemoram o título da Copa Libertadores, embalado pelas estrelas Marta e Cristiane. O desempenho tem reflexo nas negociações por patrocínio para a próxima temporada.

O time feminino só depende das confirmações de que Marta e Cristiane permanecerão no elenco para renovar seus acordos comerciais. O clube acertou, em agosto deste ano, um contrato de R$ 500 mil por três meses com a Copagaz, o maior da história da modalidade no país. Além disso, a equipe exibe as marcas do BMG nas mangas e da Lupo nos calções.

"Mais do que buscar cotas significativas, o Santos quer um projeto de participação. As perspectivas são positivas, já que as duas atletas sinalizaram com a intenção de permanecerem na cidade", afirma Alex Fernandes, assessor de marketing do time da Vila Belmiro.

As negociações para o patrocínio ao time masculino, contudo, são tratadas com mais cautela. O clube não fala abertamente sobre a continuidade da Semp Toshiba (apontada também como uma possível parceria do time feminino) para o ano que vem, tampouco sobre o andamento das tratativas.

Uma "corrente" de rumores dá conta de que a empresa de eletrônicos não só permanecerá na camisa santista em 2010, como aumentará o valor do contrato de R$ 7 milhões para R$ 10 milhões anuais. Além disso, a assinatura só dependeria de questões de exposição.

Uma das principais reclamações da torcida com o uniforme usado neste ano é com o tamanho do logo STI na camisa. Para renovar, o clube teria pedido a retirada do slogan "STI é Semp Toshiba" e a adoção de um novo padrão de exposição, com apenas uma das marcas na camisa.

Por outro lado, especula-se que outras empresas também estão no páreo pelo espaço e que não há nada definido com a Semp Toshiba.

Fonte: Máquina do Esporte

Escândalo pode tirar DF da Copa-14
Fábio Simão, presidente da federação de futebol local, que foi demitido do cargo de chefe de gabinete de Arruda, nesta terça-feira também caiu da liderança do comitê organizador da Copa em Brasília
Equipe Universidade do Futebol

O escândalo de distribuição e coleta de propinas que envolve o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e alguns de seus auxiliares, praticamente sepultou as chances de Brasília sediar a partida de abertura da Copa do Mundo de 2014, também pretendida por Belo Horizonte e São Paulo.

Segundo a coluna Painel FC, publicada na "Folha de S.Paulo" desta segunda-feira, a capital federal corre o risco, inclusive, de ser eliminada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) da lista de organizadoras do Mundial.

Um dos principais acusados de corrupção do governo do DF é Fábio Simão, presidente da federação de futebol local, que foi demitido do cargo de chefe de gabinete de Arruda e, nesta terça, também caiu da liderança do comitê organizador da Copa em Brasília.

A ação da Polícia Federal que desvendou o esquema, batizada de Operação Caixa de Pandora, apreendeu documentos e computadores em gabinetes e casas de deputados distritais e secretários do primeiro escalão. Uma gravação mostra que Arruda é suspeito de comandar e se beneficiar de um esquema de pagamento de propina a parlamentares aliados.

Durante a conversa, ele oferece pagamento ilegal ao secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que foi exonerado. Cerca de R$ 600 mil seriam repassados aos políticos. Barbosa diz que o governador "pedia" que fosse reservada uma quantia mensal para suas despesas pessoais. Além disso, as gravações apontam que os repasses feitos aos deputados eram regulares.

Senado aprova maior controle e punição à corrupção no futebol
Projeto de lei objetiva a moralização da prática do principal esporte brasileiro por meio de regras gerais
Equipe Universidade do Futebol

Na última terça-feira, o Senado aprovou um projeto de lei que regulamento a atividade relacionada com o futebol praticado por profissionais, estabelecendo normas específicas para a prática, a administração transparente dos campeonatos e entidades, e a responsabilidade dos administradores.

O objetivo é a moralização da prática do principal esporte brasileiro por meio de regras gerais. De acordo com o relator, senador Alvaro Dias (PSDB-PR), “clubes já andam muito maculados por corrupção e impunidade”.

O projeto de lei é fruto da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol e, agora, será encaminhado para análise da Câmara dos Deputados. "Se as verbas públicas recebidas pelos clubes não passam por controle sério, como constatou a CPI, cabe à legislação estabelecer regras para prevenir os crimes e fraudes daí decorrentes", disse Alvaro Dias.

Pelo projeto, o futebol praticado por atletas profissionais deverá ser regulado por normas nacionais e regras internacionais de práticas desportivas aceitas pela entidade de administração nacional do desporto. As atividades relacionadas às suas competições devem ser entendidas como ato de comércio.

Além disso, o texto exige que, para o recebimento de recursos, as entidades e ligas do futebol deverão apresentar à empresa contratada, as certidões negativas de débito.

O projeto também determina que as responsabilidades e penalidades previstas na legislação civil, penal, trabalhista, previdenciária, cambial e tributária para diretores, sócios e gerentes de sociedades comerciais, aplicam-se aos dirigentes, acionistas e cotistas das sociedades e entidades relacionadas à administração e à prática de competições de atletas profissionais do futebol.

As entidades seriam obrigadas a elaborar e publicar as demonstrações contábeis e balanços patrimoniais de cada exercício, devidamente submetidos à auditoria externa.

As inelegibilidades estabelecidas pela lei que institui normas gerais sobre desporto serão aplicadas aos dirigentes, gerentes e administradores condenados por crime doloso em sentença definitiva e aos inadimplentes na prestação de contas de recursos públicos em decisão administrativa definitiva. As inelegibilidades previstas na lei são de dez anos para dirigentes das entidades de administração do desporto e ligas desportivas e de cinco anos para dirigentes de entidades de prática desportiva.

Fortaleza faz ação para minimizar queda

REDAÇÃO
Da Máquina do Esporte, em São Paulo


Assim como fizeram Corinthians e Vasco, times que foram rebaixados à Série B do Campeonato Brasileiro, a diretoria do Fortaleza decidiu lançar uma campanha de marketing para mexer com seus torcedores após um revés em campo. O time cearense caiu para a terceira divisão do torneio nacional.

O mote da campanha do Fortaleza é o lema
"Sempre vou te amar", baseado na música "Eu sei que vou te amar", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. A diretoria tricolor já prepara o lançamento de uma linha de camisetas e ações com esse slogan para o início da próxima temporada.

A logística da campanha do Fortaleza como base o que foi feito pelo Corinthians em 2008, ano em que o time alvinegro disputou a Série B. Na época, a diretoria da equipe do Parque São Jorge apostou no lema "Eu nunca vou te abandonar", trecho de um grito da torcida, que deu origem a camisetas e outros produtos.

Neste ano, o Vasco também usou o modelo. Toda a comunicação do time carioca na segunda divisão nacional foi orientada pelo slogan "O sentimento não pode parar", que também norteou a criação de licenciados.

O departamento de futebol do Fortaleza entrou em recesso no sábado, depois do empate por 1 a 1 com o Paraná Clube. Os jogadores que têm contrato com a equipe cearense devem se apresentar ao clube no dia 14 de dezembro, quando começará a preparação para a próxima temporada.

terça-feira, dezembro 01, 2009

São Paulo e SPTuris marcam presença na Soccerex 2009

Caio Carvalho e o técnico da África do Sul, Carlos Alberto Parreira, entre representantes do São Paulo Futebol Clube, entre eles o diretor Adalberto Baptista

O presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Caio Luiz de Carvalho, está em Johannesburgo (África do Sul) participando da Soccerex 2009, uma convenção mundial de negócios do futebol que acontece até o dia 2 (amanhã).

Caio Carvalho, que também é coordenador do Comitê Executivo Paulista para a Copa do Mundo FIFA 2014, fará nesta quarta, às 11h (horário local), uma apresentação no evento durante o Painel Brasil. A palestra abordará aspectos da cidade de São Paulo e do estádio do Morumbi, indicado para sediar as partidas do mundial na capital paulista.

São Paulo também marca presença na feira com um grande estande por onde já passaram o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o técnico da seleção da África Sul, Carlos Alberto Parreira, entre outras personalidades do futebol mundial.


Corinthianismo

Originalmente publicado no Blog do Juca Kfouri

Se você gosta de futebol e já sabia que a rodada de domingo, 29/11, estava arranjada para favorecer o Flamengo antes mesmo de ela acontecer, aconselho que desista do esporte.

Que tente canalizar sua energia para algo mais legítimo, mais honesto, mais respeitoso, mais digno.

Porque futebol é isso: é o ópio do povo, é irracional e se pararmos para pensar, a gente pára de gostar.

É amor, é paixão, é utopia, é ingenuidade. É burrice.

Fui para Campinas, com toda a minha burrice e ingenuidade, confiando no discurso da diretoria do Corinthians e dos jogadores de que seria o “jogo do ano”.

Ronaldo prometeu uma chuva de gols, outros jogadores afirmaram que dariam o sangue, o técnico se irritou ao ser questionado sobre um possível favorecimento ao Flamengo para eliminar as chances do São Paulo ser campeão: “o Corinthians estará empenhado para ganhar. Se o São Paulo não fez a sua parte, não é um problema nosso.”

Acreditei e fui confiante!

Comprei meu ingresso mesmo sabendo que a renda do futebol seria destinada ao carnaval do centenário, em 2010.

Mesmo sabendo que o correto é utilizar a arrecadação do futebol com o futebol. Fui porque meu amor pelo futebol é muito maior do que meu ódio pelo carnaval.

Cheguei a Campinas cedo, ganhei uma carona de carro e almocei em um shopping relativamente próximo ao estádio.

Vi dezenas de corinthianos exibindo suas camisas orgulhosos, confiantes na equipe, assim como eu.

Porque me recuso a acreditar que algum corinthiano realmente estivesse interessado em uma derrota para o Flamengo apenas para prejudicar o São Paulo.

A rivalidade não pode ser maior do que a vontade de ver seu time ganhar qualquer coisa, até campeonato de Master.

Cresci aprendendo que existem apenas dois tipos de torcida no Brasil: a corinthiana e a anticorinthiana.

A nossa, até então, era a corinthiana.

Quando entrei no estádio (com uma entrada relativamente organizada nas catracas do Fiel Torcedor, diga-se de passagem), acomodei-me em um degrau semi-alagado e vi o Brinco de Ouro da Princesa lotar de corinthianos e flamenguistas, que também compareceram.

Foi quando Evandro Roman apitou e a vergonha começou.

Não falo apenas de erros grotescos de arbitragem porque, se eu sou ingênua a ponto de acreditar na hombridade de um elenco todo, sempre acreditei em juiz ladrão.

Falo de corpo mole, de recuar a bola para o goleiro em um ataque, de 90% de passes errados, de contusões inexplicáveis, da expulsão do nosso capitão, do nosso técnico.

De 10 jogadores caminharem dentro de campo (o único que tentou foi Defederico, que não fala português e que talvez não tenha entendido a recomendação de entregar uma partida), de um goleiro não tentar pegar a bola em forma de “protesto” contra a arbitragem (e o melhor protesto que ele podia ter feito ali era agarrar o pênalti e honrar os milhares de corinthianos que estavam na arquibancada).

De o nosso elenco fazer o que fez estampando o rosto de centenas de corinthianos na nossa camisa (a obrigação de ganhar a partida podia ser só por esse motivo).

De ouvir um meia do Corinthians que está de férias desde o fim do Campeonato Paulista justificar seus erros na arbitragem (concordo, Elias, que o juiz errou, é péssimo e tem que ser punido, mas quando foi que o Corinthians dependeu de juiz?).

De ver o nosso técnico ser expulso quando ele é o primeiro que tem que manter a cabeça fria para dar tranqüilidade ao elenco, honrando o salário milionário que ele recebe. E depois reclamar da arbitragem também, sendo que o próprio, no meio do campeonato, afirmou que a prioridade nunca foi o Campeonato Brasileiro, mas o time em 2010.

A prioridade, senhor Mano Menezes, é respeitar o torcedor do Corinthians e tentar vencer tudo o que se propuser a ganhar.

Eu não tenho seis meses de férias, nem ganho um centésimo do que o senhor ganha e trabalho com seriedade.

Saí do estádio sem conseguir falar uma palavra.

Atônita e surpresa sim, porque eu acreditava que o elenco do Corinthians pudesse, pelo menos, honrar aqueles que acreditavam.

Porque sempre acreditei que eu, como torcedora, pudesse ter alguma importância (mesmo que financeira) para o clube.

Voltei para São Paulo pensando que por muito menos a torcida expulsou do clube um dos maiores jogadores da história do futebol, o Rivelino.

Que, mesmo naquele contexto importantíssimo que é um Corinthians X Palmeiras, ele pode ter errado, mas jamais entregado uma partida a nosso rival.

Que a gente pode ter perdido um clássico, um título, mas que não perdemos a dignidade tanto quanto neste domingo, em Campinas.

Nem quando fomos rebaixados para a Série B.

Sei que a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians.

No próximo fim-de-semana, por exemplo, é a última rodada do campeonato e o Grêmio anunciou que pode escalar o time reserva contra o Flamengo apenas para prejudicar o Inter.

Que o mesmo Inter entregou uma partida para prejudicar o Corinthians contra o Goiás, em 2007.

Que muitas pessoas consideram isso absolutamente normal no futebol e depois reclamam de ética em seu trabalho, nas relações pessoais, enfim, em sua vida.

O futebol é espelho de tudo isto.

Se a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians e do elenco corinthiano, é com ela sim que eu me preocupo, porque eles, infelizmente, carregam o escudo que eu defendo.

Se todos os anos para mim terminam com o fim da temporada de futebol, 2009 foi o ano que terminou mais cedo.

Curarei minha ressaca futebolística longe de Corinthians X Atlético Mineiro.

Sei que a minha fé no futebol retornará assim que a ressaca passar.

Que eu encerrarei o papo de “não bebo mais” e continuarei enchendo a cara dessa cachaça.

Que seguirei acreditando que outro futebol é possível: com dignidade, honestidade e hombridade.

Com jogador que defende o escudo do clube acima de qualquer dinheiro, com dirigente que recusa mala branca e leva em consideração sua torcida, com elenco que não entrega a partida, com torcedor apaixonado que prefere ver o time ganhar a ver o rival se dar mal.

Morrerei velhinha acreditando.

E precisarei de dois caixões: um para mim e outro para a minha santa ignorância.

*Leonor Macedo é corintiana e jornalista.


Nike faz ação com jogadores pelo Dia Mundial de Combate a Aids


Uma das campanhas mais famosas do mundo da moda também chegou ao esporte. Criada pelo artista Bono Vox, vocalista da banda U2, a (RED) é uma linha de produtos de diversas marcas famosas que dedica parte da receita das vendas para o combate da Aids no continente africano. Apple, Gap, Armani, Converse e outras já oferecem produtos com design exclusivo para essa campanha.

E hoje, Dia Mundial de Combate a Aids, a Nike também anunciou seu apoio ao tema, com a venda de cadarços vermelhos que prometem virar uma moda entre os esportistas de todo o mundo - assim como já ocorreu com a famosa pulseira amarela de Lance Armstrong.

Ontem, em Londres, ocorreu a apresentação dessa nova ação com a presença de Bono e de diversos jogadores importantes do mundo do futebol, como Joe Cole, Materazzi, Arshavin e Didier Drogba, que é africano e foi escolhido como o embaixador do projeto. O objetivo é chamar a atenção do público para o assunto aproveitando a mídia que a Copa do Mundo de 2010 vai ter e também o poder do marketing da Nike (que, claro, ganha diversos pontos para a imagem da marca com essa ação).

Os atletas prometem usar os cadarços vermelhos nas chuteiras durante as partidas dos seus respectivos clubes e também na Copa, o que vai garantir uma exposição incrível para a campanha. O produto, por enquanto, ainda não está disponível no Brasil.

Clubes europeus apostam em “lojas rápidas” como nova fonte de renda

Diversas equipes importantes da Europa estão adotando um novo modelo de lojas oficiais em dias de jogos. Tratam-se de quiosques ou trailers, desenvolvidos pela empresa inglesa Rapid Retail, que comercializam desde produtos licenciados de merchandising, uniformes e até ingressos, de maneira nova e mais rápida, ajudando a descongestionar as bilheterias em dias de jogo, por exemplo. Além disso, o sistema também potencializa as chamadas “compras de oportunidade”, aquelas realizadas pelos torcedores influenciados pelo clima do jogo ou de um resultado.

Já adotado pela maioria das equipes da Premier League, inclusive os grandes Manchester United, Arsenal e Liverpool, o Rapid Retail tem aumentado consideravelmente o volume de negócios, principalmente em dias de partidas. Por esse motivo, a empresa acaba de fechar negócios com o Barcelona, Milan e Inter de Milão.

Confira as fotos de algumas dessas unidades de negócio, que, além de lojas, podem se “transformar” em bares, escritórios ou até salas VIP. Por aqui, alguns clubes tentaram criar ônibus similares que seguiam para as cidades do interior ou do nordeste quando os mesmos iam disputar partidas nesses lugares, em busca de novos negócios. Mas a estratégia não decolou.

Administração de marketing no futebol – Trabalho difícil, mas pode mudar…

Robert Alvarez Fernández

Se é que alguém, entidade, profissional ou departamento escondido na CBF tem por responsabilidade administrar o produto futebol brasileiro existe, este alguém deve estar profundamente agradecido por algumas contribuições de fato e outras “contribuições” que habitam a porção mais sarcástica do autor.

Apesar de algumas discórdias de meu texto anterior por parte dos leitores, o que é normal e tão bem vindo quanto a adesão às nossas idéias, mantenho o ponto de que o produto futebol brasileiro, em seu aspecto puramente competição, tem um brilho fora do normal , inclusive em âmbito mundial.

A imprensa no exterior ressalta a emoção que está reservada à última rodada, onde, quatro times grandes estão separados por dois pontos, este equilíbrio é de fato um fator chave de sucesso materializado que robustece os defensores do formato da competição e, talvez, esvazia o discurso de quem defende o mata-mata. Opinião minha, mas todos são livres para expor seus argumentos, eu fiz minha opção pelos pontos corridos faz tempo, mas isso não me transforma no dono da verdade, função essa que deve ser muito chata, pois não abre espaço para o diálogo, ainda que às vezes quente.

Teremos na semana que vem seis jogos que valem título para alguns e permanência para outros; um comemora o título, alguns a classificação para a Libertadores, quatro comemorarão a permanência e assim vai. Os estatísticos de plantão já fizeram suas contas, mas a imponderabilidade do esporte sempre pode aprontar das suas, vai ser um final de semana de televisores ligados , de elevadíssima audiência, como uma final, só que com bem mais gente interessada.

Tudo isso seria uma maravilha de administrar não fossem os “serviços” que algumas entidades e pessoas insistem em prestar ao futebol no “melhor interesse coletivo”:

1) A arbitragem brasileira : não temos como entrar no mérito da má fé; nem se foi pênalti ou não foi ou o quanto ela mudou resultados. O tema não é esse e não tenho conhecimento técnico para cravar opinião, mas ouvindo a crítica especializada, sobretudo pessoas que conheço e confio, o nível está muito baixo. Algo precisa ser feito para arrumar isso já que faz parte da, digamos, infra-estrutura do futebol, se credibilidade é um fator chave de sucesso do negócio também, a arbitragem tem deixado bastante a desejar.

2) Torcedores mais “apaixonados” : este nome é salvo conduto para um sem número de ações impensáveis em um ambiente civilizado. O ataque à delegação palmeirense na estrada, não se sabe por quem mas certamente não se suspeita de trabalhadores honestos que curtiam o fim de semana com suas famílias e amigos, é um, de certo, grande “serviço” prestado à credibilidade do futebol brasileiro, para dar um exemplo. Outro ponto neste ítem, é a invasão de campo no jogo Corinthians x Flamengo, alguma justificativa plausível para tal ato? Paixão é um componente do esporte, profissionais de marketing devem levá-lo em conta criando estruturas de serviços e produtos para que o torcedor exerça e materialize sua paixão, isso é certo. Mas não creio que haja um “pacote” que permita apedrejar um time nem a invasão de campo. Notem que nem toquei no nome das torcidas organizadas para não ser atacado aqui por “sociólogos de buteco”.

3) Os clubes : Se dentro de campo vai bem, fora de campo ainda vai mal. Sejamos justos, algumas melhorias já se notam em alguns clubes quanto à estrutura de venda de ingressos, à chegada no estádio e aos serviços prestados nele, sobretudo no Sul do país essa melhora é clara, mas são frequentes os relatos de total desorganização aqui em São Paulo, tanto em jogos como em eventos promocionais. Muitas destas melhorias são fomentadas por administradoras de cartão de crédito, ou seja, o marketing destas empresas pensa em quem tem seus cartões. Também, neste ítem, o destempero e os desmandos de alguns dirigentes seja bradando contra os rivais, seja doando dinheiro para a “Guarda Pretoriana” e assim por diante fazem com que as coisas tendam ao pior, não precisamos de um Hillsborough aqui, embora o combustível e a faísca estejam armazenados faz tempo.

4) Imprensa : não sou daqueles que botam a culpa na imprensa em tudo, talvez um dia se eu trabalhar no governo, o que é improvável por fragilidade estomacal, eu faça isso. Tenho bons amigos na imprensa e eles são gente séria e competente. Porém, alguns erram a mão no discurso beligerante, ou na simples transcrição das palavras infelizes dos citados nos itens 2 e 3; liberdade de expressão é algo que defendo, porém, dar espaço caro para a mediocridade não é bom, quem quiser falar bobagem, que use seus próprios meios.

Todos os fatos acima, subproduto de interesses econômicos, políticos e até fruto de incompetência mesmo, fazem com que tudo o que se pensa de avanço no marketing do esporte recue alguns passos nos já parcos progressos alcançados.

Algumas reais contribuições para o futebol

1) O futebol que o Flamengo vem jogando, não é de hoje, Andrade como técnico é uma grata revelação do mundo do futebol; ele não complica, não inventa nem no jogo nem nas entrevistas, faz o simples e pode sair como Campeão Brasileiro de 2009. Menção honrosa ao Petcovik e Adriano, de desacreditados e “invenções de marketing” a eventuais campeões.

2) A reação de São Paulo, que perdeu força no final, e à potencialmente tardia reação do Palmeiras. O São Paulo veio desacreditado e chegou a assumir a ponta, o Palmeiras liderou parte do campeonato, perdeu força, e a reencontrou ontém com uma contundente vitória com direito a um gol antológico de Diego Souza.

3) Ao Internacional que veio ganhando seus jogos sem grande alarde depois de um apagão, chegou, encostou e tem boas chances também.

4) Às revelações Avaí e Barueri que, de candidatos ao rebaixamento viraram importantes ladrões de pontos ao longo da competição. O Avaí pode até perder seu técnico, outra boa revelação, para um grande.

Enfim, outras contribuições legais e outras “contribuições” poderiam ser citadas. Acredito, e reitero, que temos em mãos um produto interessante, que gera atenção, notícia, exposição e assim por diante; não é preciso, a meu ver, mudar fórmulas, regras nem nada disso.

Basta apenas pensar no consumidor deste produto, transformar o sacrifício do consumo e seus riscos em uma prazeirosa atividade de entretenimento e pertencimento voltado para o torcedor comum, sem dificuldades e sem riscos, apenas os normais de grandes concentrações.

Futebol dentro de campo não tem faltado, agora é hora de trabalhar no entorno.

Memória: conhecimento e experiência
O que vale mais: a experiência do saber fazer ou o conhecimento de como fazer

Eduardo Fantato

Há muito escutamos e participamos do aparentemente interminável debate do que vale mais: se a experiência do saber fazer ou se o conhecimento de como fazer. A superficialidade de grande parte das pessoas do meio futebolístico faz com que as opiniões flutuem de acordo com a maré, ora como uma onda mais forte para um lado, ora como ondas no sentido oposto.

Discutimos sobre tecnologia, gestão, treinamento, práticas, formação, enfim, uma série de temas, os quais, quase sempre, retornam ao assunto da experiência de campo, seja como mocinha ou vilã.

“O cara foi jogador, por isso, conhece os atalhos e a linguagem do boleiro”, ou pela outra onda, “o cara foi apenas jogador, não estudou, e não tem profundidade naquilo que faz”, não há planejamento ou sobra malicia prática, eis o contexto.

Para refletirmos sobre a temática, permito abster-me de opinar, para refletir, junto com os amigos, sobre as palavras de Voltaire, num breve conto intitulado “A Aventura da Memória”.

Voltaire faz uma reflexão acerca de teorias que criticam ou defendem a ideia de que nossos conhecimentos decorrem da experiência, da memória. Com a palavra o filósofo:

“O gênero humano pensante [...] acreditara por muito tempo [...] que nós não tínhamos ideias senão por intermédio dos sentidos, e que a memória era o único instrumento com o qual podíamos reunir duas ideias e duas palavras. [...]

Este dogma, no qual se fundam todos os nossos conhecimentos, foi universalmente aceito, e até mesmo a Nonsobre o adotou, embora se tratasse de uma verdade.

Algum tempo depois surgiu um argumentador[...], o qual se pôs a argumentar contra os cinco sentidos e contra a memória. E disse ao reduzido grupo do gênero humano pensante:

- Até agora estivestes enganados, porque os vossos sentidos são inúteis, porque as ideias são inatas em vós, antes de que qualquer dos vossos sentidos possa ter operado; porque já tínheis todas as noções necessárias quando viestes ao mundo; porque já sabíeis tudo sem nunca haver sentido nada; todas as vossas ideias, nascidas convosco, se achavam presentes em vossa inteligência, chamada alma, e sem auxílio da memória. Esta memória não serve para coisa alguma.

A Nonsobre condenou tal proposição, não porque fosse ridícula, mas porque era nova. No entanto, quando, em seguida, um inglês começou a provar, e a provar longamente, que não havia ideias inatas, que nada era tão necessário como os cinco sentidos, que a memória muito servia para reter as coisas recebidas pelos cinco sentidos, a Nonsobre condenou suas próprias ideias, visto que eram, agora, as mesmas de um inglês. Ordenou por conseguinte ao gênero humano que acreditasse dali por diante nas ideias inatas, e perdesse toda e qualquer crença nos cinco sentidos e na memória.

O gênero humano, em vez de obedecer, pôs-se a rir da Nonsobre, a qual entrou em tamanha fúria, que quis mandar queimar um filósofo. Pois dissera esse filósofo que era impossível formar ideia completa de um queijo sem o ter visto e comido; e chegou o celerado a afirmar que os homens e mulheres jamais poderiam fazer trabalhos de tapeçaria se não tivessem agulhas e dedos para as enfiar.

Os liolistas juntaram-se à Nonsobre pela primeira vez na vida; e os sejanistas, inimigos mortais dos liolistas, reuniram-se por um momento a estes. Chamaram em seu auxílio os antigos dicastéricos; e todos eles, antes de morrer, baniram unanimemente a memória e os cinco sentidos, e mais o autor que dissera bem dessa meia dúzia de coisas.

Um cavalo que estava presente ao julgamento estatuído por aqueles senhores, embora não pertencesse a mesma espécie e houvesse muita coisa que os diferenciava, tal como a estatura, a voz, as crinas e as orelhas, esse cavalo, dizia eu, que tanto possuía senso como sentidos, contou a história a Pégaso, na minha estrebaria, e Pégaso, com a sua ordinária vivacidade, foi repeti-la às Musas.

As Musas [...] amavam ternamente a Memória, ou Mnemósine. [...]. Irritou-as a ingratidão dos homens. Não satirizaram os antigos dicastéricos, os liolistas, os sejanistas e a Nonsobre, porque as sátiras não corrigem ninguém, irritam os tolos e os tornam ainda piores. Elas imaginaram um meio de esclarecê-los, punindo-os. Os homens haviam blasfemado contra a memória; as Musas lhes tiraram esse dom dos deuses, a fim de que aprendessem de uma vez por todas, a que se fica reduzido sem o seu auxílio.

Aconteceu, pois que, durante uma bela noite, todos os cérebros se obscureceram, de modo que no dia seguinte, de manhã, todos se acordaram sem a mínima lembrança do passado.[...]

Alguns senhores, encontrando um chapéu, serviram-se dele para certas necessidades que nem a memória, nem o bom senso justificavam. E senhoras empregaram para o mesmo uso as bacias de rosto. Os criados, esquecidos do contrato que haviam feito com os patrões, entraram no quarto dos mesmos, sem saber onde se achavam; mas, como o homem nasceu curioso, abriram todas as gavetas; e, como o homem ama naturalmente o brilho da prata e do ouro, sem ter para isso necessidade de memória, apanharam tudo o que estava a seu alcance. Os patrões quiseram bradar contra ladrão; mas, tendo-lhes saído do cérebro a ideia de ladrão, não pôde a palavra lhes chegar à língua. [...]

Ao cabo de alguns dias, as Musas tiveram piedade dessa pobre raça. [...] "Perdôo-vos, imbecis; mas lembrai-vos de que sem sentido não há memória e sem memória não há senso".

Influência da altitude no desempenho dos atletas: a importância da nutrição
Durante prática física em locais muito altos é fundamental monitorar a quantidade de líquidos ingeridos e incluir, no plano alimentar, itens de fácil preparação e ricos em energia e nutrientes
Caroline Buss

A altitude afeta os jogadores de futebol? Sim, e não é pouco. Quando o atleta ascende a uma grande altitude, ele é exposto a uma pressão barométrica reduzida, e os efeitos fisiológicos que acompanham essas mudanças da pressão atmosférica podem ter grande influência sobre o seu organismo e seu desempenho físico.

No caso do futebol, a finalidade do treinamento na altitude é de preparação específica para uma competição, ou para submeter o organismo a um estresse fisiológico adicional em um determinado ponto do macrociclo de treinamento.

A pressão barométrica se modifica em função da altitude, e as características físicas e efeitos fisiológicos que acompanham as mudanças da pressão podem ter grande influência sobre o desempenho físico. Apesar de a pressão diminuir com o aumento da altitude, as porcentagens dos gases que compõem o ar permanecem as mesmas. Assim, com uma diminuição da pressão barométrica, a pressão parcial de oxigênio inspirada (PIO2) irá diminuir proporcionalmente.

A exposição à hipóxia traz riscos associados ao organismo. Sonolência, fadiga mental e muscular, prostração, cefaléia e, ocasionalmente, náusea, são alguns dos efeitos agudos importantes da hipóxia. Há, também, o risco associado de Doença Aguda das Montanhas (DAM) e, com menor frequência, de edemas pulmonar e cerebral. Os sintomas da DAM incluem dor de cabeça, náusea, anorexia e fadiga, ocorrendo principalmente em pessoas que ascendem rapidamente a grandes altitudes.

Acredita-se que a hipóxia seja responsável pelo início de uma cascata de eventos sinalizadores que, ao final, levam à adaptação à altitude. A aclimatação ocorre pelos seguintes meios: (I) grande aumento da ventilação pulmonar - 65% acima do normal - pela estimulação hipóxica dos quimioreceptores, (II) aumento do hematócrito, de valores normais de 40 a 45g/dl até 60g/dl e da concentração de hemoglobina, de valores normais de 15g/dl até 20g/dl, (III) vascularização aumentada dos tecidos e (IV) capacidade aumentada das células de utilização de oxigênio.

Estudos mostram que os efeitos da altitude e as adaptações fisiológicas que induzem à aclimatação provocam modificações metabólicas - como a alteração da utilização de substrato, da capacidade de processamento de nutrientes - e físicas - como a perda de massa corporal. A alimentação torna-se, então, fundamental na tentativa de prevenir ou minimizar as conseqüências adversas da altitude sobre o indivíduo.


Efeitos da altitude sobre o organismo e o desempenho físico

O desempenho no exercício, em condições de pressão atmosférica reduzida, é afetado pela influência de três fatores: a resistência do ar, a pressão parcial de oxigênio, e o processo de aclimatação, que afeta o transporte de oxigênio, o metabolismo e o balanço ácido-básico. O impacto sobre o desempenho varia conforme a modalidade do exercício e a distância e duração da prova. Há também uma grande variação individual entre atletas no que diz respeito à forma como são afetados por uma mudança aguda na PIO2 e como se adaptam a uma nova pressão atmosférica com a exposição crônica.

O processo de aclimatação na altitude leva de duas a três semanas, resultando em adaptações sistêmicas que podem ser medidas como respostas fisiológicas. Essas adaptações - como o aumento na ventilação, na concentração de hemoglobina, na densidade capilar, no número de mitocôndrias e na concentração de mioglobina tecidual - melhoram o transporte de oxigênio. Ao final do período de aclimatação, essas adaptações fisiológicas ocorridas estão relacionadas com a melhora do desempenho de resistência aeróbica na altitude.

Atletas e técnicos devem levar em consideração que a intensidade de exercício que pode ser mantida pelo organismo diminui na altitude, o que traz implicações para competições e treinos. O resultado do treinamento na altitude depende do balanço entre a extensão da aclimatação do organismo e a habilidade do atleta em treinar numa intensidade suficientemente alta. Na altitude há um aumento na geração de lactato, uma queda do pH e uma taxa de fadiga aumentada e, como consequência, a qualidade do estímulo do treinamento é reduzida, e muitos atletas podem até obter uma regressão do desempenho esportivo com o exercício em condições crônicas de hipóxia.

As evidências sobre a questão altitude e desempenho são controversas. Estudos controlados com permanência na altitude, ou simulação de altitude em câmara hipobárica, demonstram melhora no desempenho, enquanto outros, com semelhante metodologia, concluem que o treinamento em condições de hipóxia não provoca nenhum efeito aditivo no desempenho.

É necessário, assim, um maior embasamento científico, para que se comprove que a aclimatação à altitude provoca, de fato, mudanças no desempenho físico ao retornar para o nível do mar. A investigação na área de nutrição, desempenho e altitude possui entraves, como a grande variabilidade da resposta individual ao treinamento na altitude e à exposição à hipóxia, a dificuldade de formação de um grupo controle dos atletas estudados, para assegurar que possíveis mudanças no desempenho tenham ocorrido pela presença da altitude e não pelo treinamento per se; e a própria permanência na altitude, que dificulta o estudo de grandes amostras.

Para que se possa demonstrar a manutenção do desempenho e a duração destes resultados após permanência em altitude, pesquisas futuras deveriam continuar investigando os efeitos deste tipo de treinamento após o retorno dos indivíduos ao nível do mar. Isso poderia permitir o estabelecimento de uma estratégia com a inclusão de um microciclo na altitude. Estudos com grupos cuidadosamente controlados, pareados, com intervenção randomizada, poderão superar grande parte das limitações acima citadas, elucidando, de forma mais consistente, a questão treinamento na altitude e desempenho.


Alterações na utilização de substrato e na composição corporal

Quando os atletas ascendem a grandes altitudes, pode ocorrer uma perda de peso corporal de até 3% em oito dias - em uma elevação de 4.300 metros ou de até 15% após um período de três meses em uma altitude de 5.300 a 8.000 metros. Uma das causas desse fenômeno é a redução do apetite e consumo alimentar, decorrente dos efeitos da altitude sobre o organismo. Essa combinação pode exercer um efeito negativo sobre o desempenho, mesmo em altitudes moderadas, e trazer consequências secundárias, como consumo insuficiente de energia, depleção das reservas de glicogênio muscular, balanço de nitrogênio negativo e perda de massa corporal.

Estudos demonstram o aumento da taxa metabólica basal na altitude (14,29) e o consumo energético geralmente inferior, não atingindo a necessidade energética do indivíduo, que pode aumentar de 400 a 600 kcal/dia. Uma exposição aguda a uma altitude de 4.300 metros, por exemplo, eleva a taxa metabólica basal em torno de 30% e, mesmo após uma aclimatação de três semanas, ela permanece 17% mais alta que a taxa metabólica basal ao nível do mar.

As grandes altitudes resultam em adaptações fisiológicas em curto e longo prazos que afetam a necessidade e utilização de alguns nutrientes. Em condições de equilíbrio do balanço energético e de nitrogênio, a aclimatação resulta em uma menor dependência de lipídios como substrato energético, tanto no repouso como em exercícios prolongados, e em uma dependência aumentada do metabolismo de glicose.

Um aumento do estresse oxidativo também é observado durante o exercício na altitude, mesmo sem um esforço físico máximo. São vários os fatores ambientais, além da hipóxia, que levam a tal condição, como variações da temperatura, intensidade aumentada da radiação ultravioleta e taxa metabólica aumentada. Acredita-se que as espécies reativas de oxigênio, geradas no processo oxidativo - como os radicais superóxido (O2¯) e hidroxila (OH¯) e o peróxido de hidrogênio (H2O2) - iniciem importantes respostas de adaptação à altitude, entretanto, se produzidas em excesso, podem reduzir a perfusão capilar e prejudicar a função muscular na altitude.


Energia e macronutrientes

Com a redução do apetite e do consumo alimentar, juntamente com o aumento da taxa metabólica basal, torna-se mais difícil atingir a necessidade energética na altitude, que pode variar entre 3.800 e 6.000 kcal/dia, dependendo do tipo de trabalho físico, sexo e idade do atleta. A distribuição ideal do consumo energético entre os macronutrientes é controversa. A preferência por carboidratos foi mostrada em indivíduos que receberam uma variedade de alimentos ad libitum em altas altitudes e após atividade física aumentada.

Uma dieta rica em carboidratos pode ser vantajosa ao atleta, pois o carboidrato é uma fonte de energia mais eficiente (maior produção de energia por litro de captação de oxigênio comparado à gordura: 5,05kcal/l O2 contra 4,69kcal/l O2), independentemente da tensão de oxigênio no ar inspirado. Foi demonstrado, também, que o consumo de carboidratos melhora a oxigenação sanguínea na altitude, através do aumento da tensão de oxigênio e da saturação de oxihemoglobina no sangue arterial.

Um estudo que avaliou o consumo dos diferentes macronutrientes em altitudes crescentes, entretanto, demonstrou uma tendência de aumento no consumo tanto de alimentos ricos em carboidrato como de alimentos ricos em gordura. O mais recomendável, então, seria não excluir alimentos saborosos ricos em gordura, já que são fontes ricas em energia, que podem ajudar no fornecimento da necessidade energética aumentada na altitude. Queijo, peixes enlatados em óleo, chocolate, entre outros, preenchem os critérios de alimentos ricos em gordura, que são facilmente preparados para o consumo.

Outro recurso para atingir a necessidade energética é com a suplementação de carboidratos através dos líquidos da dieta. A partir da chegada na altitude, é recomendado consumir, no mínimo, de 3 a 5 litros de líquidos por dia, contendo de 200 a 300 gramas de carboidrato adicionais. É fundamental manter o consumo de carboidratos durante o exercício, o que pode ser feito ingerindo uma bebida com 6% a 8% de carboidrato/ml e, na fase de recuperação pós-exercício, por meio do consumo de suplementos como bebidas energéticas (20% de carboidrato/ml), géis de carboidrato e barras energéticas.

Nenhum estudo demonstra que a recomendação de proteína no exercício (1,2 a 1,8g/kg de peso) se altere na altitude. O balanço de nitrogênio negativo na fase aguda de exposição à altitude ocorre se houver um balanço energético negativo, e não devido a algum efeito da hipóxia sobre a digestibilidade e absorção da proteína.

O padrão de alimentação na altitude também é alterado, devido à diminuição do apetite. Em um estudo de Westerterp-Platenga et al. foi demonstrado que o tamanho das refeições é reduzido, devido a um maior aumento na saciedade e diminuição da fome. Há, consequentemente, um aumento na frequência de refeições de 4.±.1 para 7.±.1 vezes ao dia. Torna-se importante, então, a disponibilidade de alimentos fáceis de serem consumidos, ricos em energia e nutrientes.


Hidratação

O risco de desidratação pode, teoricamente, ser maior na altitude, devido à baixa umidade do ar, à diurese aumentada nas primeiras horas de exposição e ao aumento da ventilação pulmonar. Na prática, no entanto, a perda total de água na altitude não é maior que ao nível do mar. Um estudo mostra, ainda, que a perda total de água em relação ao nível do mar pode até diminuir em uma altitude de 4.350m, de 4,5 para 3,5 litros/dia, respectivamente, devido à diminuição na temperatura ambiente e no consumo voluntário de líquidos.

Recomenda-se o consumo em torno de 3 a 5 litros por dia, já que a diurese é regulada em função da ingestão hídrica e a retenção de fluidos na altitude é uma das causas da DAM. Uma forma prática de observar a hidratação é monitorar a urina. O organismo deve produzir urina de cor amarelo-pálida; se a urina apresentar-se concentrada e escura, é um indicativo de desidratação.

A adição de carboidratos nos líquidos promove a ingestão, pois aumenta a palatabilidade. Este é um aspecto importante já que a diminuição do apetite também vem acompanhada da diminuição da sensação de sede, e a hipóxia provoca mudanças nas respostas hedônicas, particularmente, um aumento da palatabilidade pelo gosto doce.


Micronutrientes

A suplementação de vitaminas com função antioxidante poderia ser desejável em grandes altitudes devido ao estresse oxidativo aumentado. Durante uma permanência prolongada na altitude, a suplementação de tais vitaminas poderia prevenir uma diminuição do desempenho físico, associada com o dano provocado pelos radicais livres aos sistemas de defesa celular. Apenas um estudo, porém, sugere uma recomendação de suplementação, sendo mais prudente aguardar que outros trabalhos sejam realizados a fim de melhor fundamentar a suplementação destes nutrientes.

Devido ao aumento da resposta eritropoiética na altitude, acredita-se que a suplementação de ferro pode ser benéfica para atletas com deficiência do mesmo, já que estes não demonstram uma resposta eritropoiética normal quando expostos à altitude. É importante salientar, no entanto, que a produção simultânea de radicais livres pode ser aumentada por ferro livre em excesso. Assim, mais evidências são necessárias para definir a necessidade e/ou quantidade da suplementação de ferro.

Tendo em vista o crescente número de pessoas que ascendem a grandes altitudes, seja a trabalho, no caso atleta, ou a lazer, é fundamental a continuidade das pesquisas na área, para que questões como a proporção ideal de macronutrientes, o risco de desidratação, e a necessidade de suplementação sejam elucidadas.


Conclusão

As grandes altitudes podem prejudicar o atleta pela combinação de vários efeitos, como a diminuição do apetite, mal-estar e náusea, que acabam por levar a uma perda de massa corporal. Assim, o consumo energético deve ser aumentado em aproximadamente 400 a 600kcal/dia; é fundamental monitorar a quantidade de líquidos ingeridos e incluir, no plano alimentar, itens de fácil preparação, agradáveis ao paladar e ricos em energia e nutrientes.


Bibliografia

C. BUSS & A.R. OLIVEIRA. Rev. Nutr., Campinas, 19(1): 77-83, jan./fev., 2006 Revista de Nutrição

Ballack vê ‘caso Enke’ como exemplo e aponta para fator potencializador do futebol
Goleiro alemão, que sofria de depressão, se suicidou; compatriota lamenta não ter podido ajudar companheiro
Equipe Universidade do Futebol

Michael Ballack basicamente falou sobre sentimentos. E com uma convicção muito clara a partir da morte de seu ex-companheiro de seleção alemão, o goleiro Robert Enke: a profissão de futebolista é um agente catalisador e potencializador de uma série de adversidades pelas quais os envolvidos nessa esfera passam.

“Nunca soubemos que Enke passava por esses problemas. Não saber que ele tinha depressão fez com que me sentisse impotente, porque não há como mudar as coisas”, lamentou Ballack, em entrevista recente ao jornal inglês The Independent.

O meio-campista contratado do Chelsea, atual líder da Premier League, esteve presente no funeral do compatriota, que no último dia 10 de novembro, após uma batalha de seis anos contra a depressão, acabou se suicidando.

Enke já havia perdido a filha, Lara, vítima de uma rara doença cardíaca, em 2006. A viúva do arqueiro, Teresa, afirmou que o esposo tinha medo de perder a guarda de sua filha adotiva, Leila, caso a doença de Lara viesse a público.

“Quando soubemos da morte dele, na concentração do nosso time, foi um choque para todos. O silêncio e lágrimas dominaram o ambiente”, revelou Ballack, que fez um pedido a outros atletas que porventura sofram de depressão: não tenham medo de vir a público.

“É uma doença, e ainda com a combinação com futebol e fama. Enke tinha medo de falar porque tinha medo de perder sua filha ou seu emprego, ou admitir que tinha uma fraqueza para os seus colegas de time. Pessoas têm fraquezas, e devemos aceitá-las”, finalizou.

Blatter vê muitas ‘trapaças’ e especula aumentar auxílio humano a árbitro central
Fifa discutirá arbitragem extra inclusive para a próxima edição da Copa do Mundo
Equipe Universidade do Futebol

O lance de Thierry Henry, durante a partida da repescagem pelas Eliminatórias da Europa para a Copa do Mundo de 2010, que resultou em um gol decisivio para a garantia da vaga aos franceses na competição, segue em pauta na Fifa. Mais do que o fato em si, a questão do comportamento dos atletas e da possibilidade reduzida de ação eficaz do árbitro central.

Por conta desse ambiente, o mandatário da entidade que organiza a modalidade, o suíço Joseph Blatter, já considera a possibilidade de contar com arbitragem extra em campo para o Mundial na África do Sul.

“Há falta de disciplina e respeito por parte dos jogadores, porque eles estão trapaceando”, disse Blatter, durante uma reunião do comitê executivo, em Johanesburgo.

“Temos apenas um homem em campo que pode intervir contra isso. Ele tem hoje dois assistentes para isso, mas terá talvez mais no futuro. Ele tem que tomar uma decisão imediata, e tem apenas dois olhos. Então esta questão é a principal pauta agora”, completou.

Ao lado de outros representantes oficiais, o presidente fará uma reunião de emergência na Cidade do Cabo, na próxima quarta-feira, dois dias antes do sorteio dos grupos para discutir se será feita a recomendação por mais oficiais em campo.

Caso haja um acordo, a proposta será discutida em reunião em Zurique, com uma palavra decisiva.