Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Formação: O “céu” é o limite

O futebol como instrumento de cidadania e pacificação social

 

POR BENÊ LIMA

 

Visão geral do CT da Tijuca Alimentos

 

 

Numa sociedade em que os diversos tipos de violência se fazem cada vez mais presentes, é preciso que descubramos um antídoto para tantos conflitos nas inter-relações, aos quais os vemos somar-se aos conflitos existenciais já tão presentes nas vidas humanas.

 

Dentro desse contexto de dificuldades inter-relacionais, também assistimos tentativas de construção de uma cultura que transmita valores como cidadania, respeito e boa convivência. E tudo isso através do esporte, utilizando-se o mais popular dentre eles, o futebol, como uma verdadeira plataforma de transformação social.

 

Cada vez que identificamos um desses ‘oásis’ sociais, nosso coração bate mais forte e nosso espírito se enche da mais benfazeja satisfação, pois isso nos leva a vislumbrarmos a imagem de uma sociedade um pouco melhor. Antes, era impensável que o esporte pudesse conter esse poder transformador e que também pudesse criar perspectivas tão alentadoras para as comunidades envolvidas. Outro resultado prático alcançado é de fato certo aspecto de pacificação e acomodação dos conflitos sociais tão presentes nas sociedades modernas dos países em desenvolvimento como o nosso, mas ainda cheio de carências e de gritantes diferenças sociais.

 

Inicialmente com as Organizações Não Governamentais (ONGs), depois com admissão de um Terceiro Setor mais robusto, gradativamente as sociedades foram contrapondo ao encolhimento das funções de um Estado remodelado e mínimo, as entidades que foram surgindo como um poder auxiliar sem poder, mas de onde emerge uma inolvidável vontade política de realização.

 

A presença de mães e de uma representante da empresa Tijuca Alimentos ajudam

nas tarefas administrativas do Projeto. Os produtos arrecadados se prestam para

animarem rifas e bazares para a arrecadação de fundos.

 

 

Meninas da Paz

 

Dentre os projetos sócio-desportivos que vem sendo realizados no âmbito da Tijuca Alimentos, desponta um que resultou da junção de outros dois: Meninas Olímpicas e Guerreiras da Paz. Destes, criou-se o Meninas da Paz, que representa uma série de ações de natureza social, desportiva, assistencial e de cidadania.

 

E para não dizermos que em casa de ferreiro o espeto é de pau, uma das mascotes desse projeto é uma garota de apenas 11 anos, de nome Marina, filha do principal mentor-mecenas do mesmo. Marina já está no Projeto tem mais de um ano, sendo aluna da fase de iniciação, estágio inicial em que se dão os primeiros passos da preparação curricular.

 

Detalhe. Filha e mãe ‘bebem’ do projeto. Refiro-me à senhora Marcela e a sua filha Marina. Esta na condição de atleta, aquela numa condição próxima a manager. “Chamo o projeto de céu, mas isso não é uma sigla”, esclarece Marcela, fazendo alusão a uma condição de ideal a ser alcançado.

 

Marcela ainda ressalta, com indisfarçável orgulho, que as diferenças e rivalidades ficam todas fora do portão de entrada do empreendimento, fazendo alusão ao que havia nos dito Chagas Ferreira, a alguns minutos atrás: “Isso aqui é uma espécie de ‘Faixa de Gaza’, mas os conflitos ficam do lado de fora”, diz o professor Chagas.

 

O Projeto localizado no Parque Santa Fé, numa das sedes da empresa Tijuca Alimentos, absorve uma média de trinta meninas em um único núcleo, que funciona as terças, quintas e sábados. Nas terças e quintas o período trabalhado é o vespertino (a tarde), enquanto aos sábados o período utilizado é o matutino (da manhã).

 

Os profissionais uniformizados, da esquerda para a direita, são os professores

Chagas Ferreira e José Maria Paiva.

 

 

Estrutura, características e benefícios

 

A estrutura oferecida é comparável à de muitos clubes brasileiros de médio porte, contando com três campos, dois deles com dimensões oficiais, todos gramados. Além disso, há um campo de beach soccer, outro de futevôlei, refeitório, entre outras instalações adaptadas de acordo com as necessidades operacionais.

 

 

José Maria Paiva em preleção no intervalo do treino,

assistido por Chagas Ferreira

 

 

As meninas participantes são observadas sob vários prismas, e não só pelo desempenho desportivo. A empresa que lhes dá abrigo entende ser importante criar as precondições para que as meninas de melhor perfil profissional e comportamental possam desfrutar de uma oportunidade no mercado de trabalho. Além disso, é ideia da empresa custear parcialmente os estudos de algumas delas, desse modo preparando-as para o futuro.

 

Mas as meninas também contam com benefícios imediatos, tais como o fornecimento do material de treinamento, lanche e o suprimento das passagens de ônibus para seus deslocamentos.

 

A base técnico-científica do trabalho é aplicada por dois profissionais com formação em educação física. Um deles é o professor José Maria de Paiva, com graduação em educação física pela Universidade do Estado de Goiás, enquanto o outro é Francisco Chagas Ferreira de Sousa, que acumula a coordenação geral dos trabalhos. Vale ainda ressaltar que ambos possuem uma vasta experiência no meio esportivo, e entre outras iniciativas, foram os precursores do projeto Guerreiras da Paz, que ao lado do ideário do projeto Meninas Olímpicas formaram o embrião do Meninas da Paz.

 

 

Treinamento utilizando o campo soçaite do centro de treinamento

 

 

Se tomarmos por base nossa experiência como observador de projetos do gênero sócio-desportivo, sejam nacionais ou internacionais, na área da modalidade futebol, bem como a experiência ímpar que vivemos como Comentarista Especialista de Projetos de Transformação de Vidas Através do Futebol, podemos afirmar que nada do que eu tenha visto no âmbito do estado do Ceará se compara com o que pudemos ver e apreender dessa notável experiência que é o Projeto Meninas da Paz. Tanto que nossa ideia é que o Projeto passe a representar, contando com a generosidade de seus autores e executores, uma espécie de ‘case’, com reconhecida expertise para quem o conhece em profundidade, a fim de formarmos também multiplicadores da ideia e da metodologia, torcendo para que novos núcleos – verdadeiros ‘oásis’ - sejam criados.

 

Vídeo PROJETO MENINAS DA PAZ 109

 

Vídeo Clique aqui PROJETO MENINAS DA PAZ 012

 

TRADUÇÃO

Training: "Heaven" is the limit
Football as a citizenship tool and social peace
 
BY Bene LIMA
 

Photo 1: Overview CT da Tijuca Food
 
 
In a society where the various types of violence are increasingly present, we need to discover an antidote to so many conflicts in the inter-relations, to which we added up to the existential conflicts already so present in human lives.
 
Within this context of inter-relational difficulties, we also saw attempts to build a culture that conveys values such as citizenship, respect and coexistence. And all this through sports, using the most popular among them, football, as a true platform for social transformation.
 
Each time we identify one of these 'oasis' social, our heart beats faster and our spirit fills the most beneficent satisfaction, as this leads to vislumbrarmos the image of a society a little better. Before, it was unthinkable that the sport could contain this transforming power and that could also create prospects as encouraging for the communities involved. Another practical result achieved is indeed certain aspect of peace and accommodation of social conflicts so prevalent in modern societies in developing countries like ours, but still full of gaps and glaring social differences.
 
Initially with non-governmental organizations (NGOs), then admission of a more robust Third Sector, gradually societies were in contrast to the shrinkage of the functions of a State and refurbished least the entities that emerged as a power assist without power, but which emerges an unforgettable political will to.
 

The presence of mothers and a representative of the Tijuca Food company help
the administrative tasks of the Project. The product was collected to provide
animate raffles and bazaars to raise funds.
 
 
Photo 2: Girls of Peace
 
Among the socio-sports projects that have been undertaken in the framework of the Tijuca Food, emerges one that resulted from the junction of two:. Olympic Girls and Warriors of Peace Of these, created the Girls of Peace, which is a series of actions social, sports, health care and citizenship.
 
And not to say that in blacksmith shop is the skewer stick, one of the mascots of this project is a girl of only 11 years old, named Marina, daughter of the chief mentor-sponsor of the same. Marina is already in the project is more than a year, being a student of the inception phase, the initial stage in which they give the first steps of the course preparation.
 
Detail. Daughter and mother 'drink' of the project. I refer to Mrs. Marcela and her daughter Marina. This athlete on condition that a next condition the manager. "I call heaven project, but this is not an acronym," says Marcela, alluding to an ideal condition to be achieved.
 
Marcela also emphasized, with undisguised pride, differences and rivalries are all outside the enterprise gateway, referring to what was said in Chagas Ferreira, a few minutes ago: "This is a kind of 'Gaza Strip' but the conflicts are outside, "says Professor Chagas.
 
The Project located in Santa Fe Park, one of the seats da Tijuca Food company, absorbs an average of thirty girls on a single core, which runs on Tuesdays, Thursdays and Saturdays. On Tuesdays and Thursdays the working period is the evening (afternoon), while on Saturdays the period used is the morning (am).
 

Photo 3: The uniformed professionals, from left to right, are the teachers
Chagas Ferreira and José Maria Paiva
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Structure, features and benefits
 
The structure offered is comparable to that of many Brazilian clubs midsize, with three fields, two with official dimensions, all lawns. In addition, there is a beach soccer field, another footvolley, cafeteria, among other facilities adapted according to operational requirements.
 

Photo 4: José Maria Paiva lecture on the training range,
assisted by Chagas Ferreira
 
 
Participating girls are observed from several perspectives, not only for sports performance. The company that gives them shelter considers it important to create the preconditions for girls best professional and behavioral profile can enjoy an opportunity in the labor market. In addition, the company's idea is to partially fund the studies of some of them, thereby preparing them for the future.
 
But the girls also have immediate benefits, such as providing training materials, snack and supply of bus tickets to their movements.
 
The technical-scientific basis of the work is applied by two professionals with training in physical education. One is Professor José Maria de Paiva, with a degree in physical education from the State University of Goiás, while the other is Francisco Chagas Ferreira de Sousa, who accumulates the overall coordination of the work. It is also worth noting that both have extensive experience in sports, and among other initiatives, were the Warriors project precursors of Peace, that next to the ideals of the Olympic project formed the embryo Girls Girls of Peace.
 

Photo 5: Training using the soçaite field training center
 
If we assume our experience as an observer of the social-sports genre projects, both national and international, in the area of football mode, as well as the unique experience which we live as commentator Specialist Lives Transformation Projects Through Football, we can say that nothing I've seen in the state of Ceará compares to what we could see and seize this remarkable experience that is the Peace Girls Project. So much so that our idea is that the project pass to represent, with the generosity of its authors and performers, a kind of 'case', with recognized expertise to those who know him in depth in order of expressing also multipliers of the idea and methodology, hoping that new centers - true 'oasis' - are created.

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quarta-feira, fevereiro 11, 2015

‘Paz nos estádios vem com melhora na organização’, diz especialista

Entrevista// Marco Aurelio Klein: Paz nos estádios vem com melhora na organização

Encarregado pelo ministro do Esporte, George Hilton, de atualizar o estudo feito em 2006 sobre violência de torcidas de futebol, o atual presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Marco Aurelio Klein, afirma que a solução do problema engloba uma série de mudanças legais e na organização do esporte. Pelo menos foi assim que países como a Inglaterra conseguiram acabar definitivamente com atos de selvageria nas torcidas, o que resultou na liga mais competitiva e lucrativa do mundo.

(Foto: Divulgação)A atualização do relatório Preservar o Espetáculo Garantindo a Segurança e o Direito à Cidadania será o primeiro passo de um plano de ação encomendado pelo ministro para extinguir a violência entre as torcidas brasileiras.
 
A seguir, trechos da entrevista concedida por Klein ao Portal do Ministério do Esporte:

O senhor foi convocado pelo ministro para apresentar o relatório final da comissão Paz no Esporte. Qual o resultado da reunião?

Fiquei encarregado de atualizar o relatório mostrando os pontos que precisam de uma continuidade, apesar dos oito anos de finalizado. A preocupação do ministro George Hilton é que o relatório volte à pauta e que tenhamos ações efetivas para melhorar a experiência e tratar o futebol como um espetáculo, com a torcida participando de um momento de alegria e de paixão.
 
Qual o ponto de partida dessa discussão?


A violência já esteve dentro do estádio. Hoje não mais. A resolução do problema nas arenas precisa ser estendida também para fora delas. As melhorias dentro dos estádios, com acessos mais organizados, instalações mais limpas, cadeiras com lugares marcados e sem alambrados são grandes legados da Copa do Mundo. A operação do Mundial mostrou que o Brasil trabalha bem com grandes eventos, com estádios cheios, pois não tivemos problemas.
 
Como foi o trabalho da comissão Paz no Esporte?

A comissão realizou o estudo para encontrar os caminhos para combater à violência, o hooliganismo e o vandalismo no futebol. Foi um trabalho técnico, com dois anos de análises, de visitas por todo o Brasil e conversas com autoridades, clubes e federações. O estudo buscou também acolher as melhores práticas de diversos países, com documentos e legislação, sobretudo, na Inglaterra.

O relatório final aponta caminhos?

É um documento com medidas práticas de ações que podem ser tomadas nos diversos níveis da organização dos espetáculos. Em termos de legislação, responsabilidades e inteligência. É um relatório muito operacional. O documento foi inspirado no relatório que trouxe as sugestões que colocaram a Inglaterra no caminho de enfrentar e vencer o hooliganismo. Ele foi inspirado na forma e no conteúdo do famoso Relatório Taylor.

Em se tratando de futebol, a violência entre torcidas é igual aqui e no resto do mundo?

A Inglaterra ficou famosa por conta do hooliganismo. Foi a melhor e a mais profunda experiência que enfrentou a questão da violência, conhecida como a doença do futebol. Então, eles resolveram o problema, criaram um campeonato que hoje é um modelo para todos os torneios no mundo, mais rico e mais transmitido pela televisão. O problema foi superado com um trabalho técnico que envolveu a participação do governo, dos clubes, de entidades esportivas e da mídia. Foi um compromisso geral e, acima de tudo, quando começou a dar resultado, de inteligência. Sempre acreditei que é possível fazer isso no Brasil.

Como será o trabalho daqui para frente?

O ministro George Hilton pediu para conhecer profundamente o trabalho. Apresentei o resultado para que ele conheça a origem, os detalhes e como chegamos às sugestões. George Hilton pôde, com a sua equipe, ter o primeiro contato e gostou muito do que foi apresentado. O ministro achou o trabalho bom para todos que gostam do futebol como espetáculo. Vou atualizar o relatório e entregar ao gabinete para que produza resultado em política pública.

Como fazer isso?

As principais ações são os pontos objetivos. É preciso tratar essa questão com a seriedade que merece, com a importância que ela tem e com a inteligência que ela precisa. Ou seja, mergulhar no problema, colocar as medidas específicas, colocar a inteligência e se aprofundar na organização do espetáculo. A organização é a principal mensagem que há no relatório. O combate à violência no futebol não é sobre repressão. É sobre organização da forma de fazer o espetáculo, a qualificação dos recursos humanos envolvidos, trabalho do entendimento dos riscos que existem. Nem todo jogo é igual, com os mesmos riscos. Tem que entender como é o risco, como tratá-lo. Existem instrumentos de inteligência de banco de dados que são muito importantes.

Então os embates entre torcidas e polícias são evitáveis?

Futebol não é sobre repressão. O tratamento à violência no futebol é, sim, sobre organização.

Então o combate à violência precisa envolver várias áreas do governo, em todos os níveis de governo?

É fundamental uma coordenação. Não adianta ter boas intenções de forma isolada. Parte do sucesso no combate à violência na Inglaterra se deu em um trabalho coordenado entre todos os entes envolvidos no futebol. Outra particularidade, que é preciso aplicar no Brasil, é a especialização do que é o espetáculo do futebol.

 

Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) para a Copa do Mundo em Curitiba (Foto: Secretaria de Segurança Pública do Paraná/Divulgação)


Qual seria uma boa estratégia?

É impossível trabalhar quando falamos que o determinado jogo vai ter um sistema de segurança rígido, que foi criada uma operação de guerra. A mensagem que estamos dando não é a desejável para o torcedor comum, que pretende ir ao estádio com a família. Temos que ter a percepção do espetáculo e não de uma praça de guerra. As pessoas querem ir naquilo que o futebol é: uma festa, uma alegria. A violência não faz parte do futebol e é preciso trabalhar para que o torcedor possa ter no esporte um momento de alegria e de paixão.

E as torcidas organizadas?

A torcida organizada não é a causa do problema. Ela é muito mais efeito de um espetáculo que não está organizado adequadamente. Assim, ela fica associada ao comportamento violento, às brigas e ao vandalismo.

Breno Barros
Ascom – Ministério do Esporte
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Alvíssaras! Prefeito Washington Gois quer devolver equipamentos esportivos no aniversário de Caucaia

Os dois principais equipamentos esportivos do município, o estádio Raimundo de Oliveira e o ginásio Cazuzão, devem ser entregues à população quando a cidade completar, no próximo dia 15 de outubro, 256 de sua emancipação política

 

Entrada ao fundo do Estádio Raimundo de Oliveira

 

A retomada das obras do Estádio Municipal Coronel Raimundo de Oliveira (foto), no município de Caucaia, já tem uma previsão e o processo licitatório já está encaminhado. Podemos considerar que a fase licitatória está em curso e que o prazo para o início das obras será imediato.

 

A novidade é que o projeto inicial foi refeito e o próprio aparelho municipal assumiu a autoria das emendas ao projeto inicial, necessidade que foi detectada após uma vistoria realizada por engenheiro credenciado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e por profissionais da Federação Cearense de Futebol (FCF).

 

Portanto, já contando com a expertise de profissionais da área, embora que de modo informal, já que não houve contrato fechado para tal nem o dispêndio de remuneração, a cooperação se prestou a que a SEINFRA (Secretaria Municipal de Infraestrutura) e a SETCEJ (Secretaria Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Juventude) assumissem de vez a iniciativa e responsabilidade pela viabilização das modificações necessárias ao projeto original, muito menos por critérios meramente formais, e muito mais em função do caráter funcional e operacional da obra. Assim, a SEINFRA já dispõe do material necessário ao desenvolvimento do processo licitatório aludido, bem como à execução dos aspectos técnicos do projeto, assim como a SETCEJ já se integrou ao gerenciamento do mesmo.

 

O projeto prevê que as obras do estádio serão desenvolvidas em 3 (três) etapas, mas todas as suas fases integram um único processo licitatório, desse modo não havendo instâncias burocráticas que implique em retardamento da execução das obras.

 

Previsão

 

É pretensão do Chefe do Poder Executivo de Caucaia, o Prefeito Washington Luiz de Oliveira Gois, proceder a entrega do estádio municipal antes do aniversário de emancipação do município, mas o fazendo oficialmente exatamente neste dia, que se dá em 15 de outubro, uma quinta-feira.

 

Ainda não há uma solenidade pensada para a data, mas o evento deverá ser eminentemente esportivo, e aberto para a população caucaiense, que tem com aquela praça esportiva uma estreita relação.

 

Cazuzão

 

Outra boa notícia é que o Ginásio Cazuzão (foto), localizado no Tabapuá, passará por sua segunda reforma no atual governo (considerados os dois mandatos), ele que foi entregue à população em 2 de março de 2012, numa solenidade que contou com as presenças do então Prefeito Washington Gois e do ex-governador Ciro Gomes, entre outras autoridades.

 

Uma das áreas de acesso ao Ginásio Cazuzão

 

Novamente o Cazuzão reclama por melhorias, e dessa vez o projeto prevê a reforma e recuperação das instalações do equipamento, mas indo bem mais além, ao contemplar a urbanização de toda a área do seu entorno, propiciando à comunidade local nova área de lazer e práticas esportivas, especialmente as caminhadas.

 

(Crédito de texto e fotos: Benê Lima)

 

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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Sport planeja repetir estratégia de colocar mães como seguranças

ANGELA LACERDA, ESPECIAL PARA O ESTADO - O ESTADO DE S. PAULO

09 Fevereiro 2015 | 14h 26

Mulheres trabalham em jogo na Arena Pernambuco diante do Náutico em iniciativa organizada para tentar diminuir a violência

Vestindo os coletes laranja que identificam os seguranças, 30 mães de torcedores ajudaram a garantir a paz no estádio Arena Pernambuco, no município metropolitano de São Lourenço da Mata, neste domingo, durante clássico do campeonato estadual entre Sport e Náutico.

A iniciativa inédita, do Sport, em parceria com uma agência de publicidade, surtiu efeito e deverá ser repetida em outros jogos em que o rubro-negro tenha mando de campo. "Ainda há muita violência nos estádios, com brigas entre organizadas e vandalismo e esta ação visa a provocar uma reflexão", afirmou o executivo de marketing do Sport, Cid Vasconcelos, ao frisar que os seguranças não foram substituídos pelas mães. A função delas é a de reprimir atos violentos dos filhos diante da sua presença, impondo respeito.

"Se as mães estiverem sempre presentes, não vai ter violência", afirmou Johnatans Santos, 22 anos, integrante de organizada, que ficou surpreso e feliz ao se deparar com a mãe Cristyane. "Tem coisa que torcedor não faz na frente da mãe; brigas em estádios é uma delas", concordou Vasconcelos, confiante que a atitude realmente irá ajudar a levar paz aos estádios.

Divulgação

Iniciativa pioneira chamou a atenção no clássico

 

O time do Sport adentrou o campo com a faixa "Hoje quem faz a segurança são as mães dos torcedores. Respeite", enquanto no telão era apresentado um clipe com elas pedindo paz.

A ideia foi desenvolvida e realizada em parceria com a agência Ogilvy Brasil, que também localizou e recrutou as mães. Elas chegaram mais cedo ao estádio, em vans, e assistiram à palestra feita pelo gestor de segurança da Arena Pernambuco, antes do início do jogo, com vitória do Sport.

Satisfeito com a repercussão da medida, Cid Vasconcelos espera que a partir desta primeira experiência, outras mães irão procurar o clube para contribuir com a campanha pela paz no futebol. "Sozinha esta ação não vai resolver o problema da violência, mas é inovadora, inusitada e tem potencial para gerar reflexão e mudança".

domingo, fevereiro 08, 2015

Marcelo Antonelli, mestre em Educação na Saint Francis University

Brasileiro analisa as características do esporte norte-americano e revela caminho para trabalhar lá

Bruno Camarão / Universidade do Futebol

 

O “soccer”já é uma realidade nos Estados Unidos há algumas temporadas. Principal esporte por lá em número de praticantes no Ensino Médio, o processo para manter os principais estudantes focados nesta modalidade passa por uma “intervenção gringa”.

“Os jogadores estrangeiros, assim como a população recente de imigrantes, que trazem com eles uma forma de paixão diferente pelo esporte, são muito importantes para fortalecer o nível da liga profissional, tanto dentro de campo como nas arquibancadas”, explica Marcelo Antonelli, brasileiro que atua fora do país natal há mais de uma década.

Depois de se formar em Educação Física na Unicamp, jogou profissionalmente por cinco anos futsal na Itália. Bacharel em treinamento esportivo, partiu para a terra do basquete e do futebol americano para fazer um mestrado em Educação na Saint Francis University, na Pennsylvania. Além disso, fez os cursos residenciais da National Soccer Coaches Association of America (NSCAA, a associação americana de treinadores de futebol).

“Enquanto eu cursava Educação Física na universidade e era treinador da equipe de futebol e futsal feminino do Guarani, várias de nossas atletas foram jogar nos Estados Unidos. Isso despertou a minha curiosidade de ir também, fazer um mestrado e experimentar as oportunidades como treinador de futebol”, relembra o brasileiro.

Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, durante seu Premier Diploma da NSCAA, Antonelli falou sobre as grandes diferenças culturais entre o local onde vive e o local onde nasceu – algo que se reflete no tratamento de todas as ligas esportivas, profissionais ou não.

Segundo ele, quando se fala em esporte nos Estados Unidos, é importante deixar claro que o esporte universitário, apesar de amador por lei (da própria confederação universitária), muitas vezes atrai quase tanta mídia quanto o esporte profissional.

“Muitos americanos possuem raízes muito fortes com as universidades e preferem seguir as equipes universitárias tanto quanto as equipes profissionais”, completa Antonelli, que ainda dá dicas para os brasileiros que queiram ingressar neste mercado.

Universidade do Futebol –
 
Marcelo, fale um pouco sobre sua formação acadêmica e o início de sua trajetória no futebol.

Marcelo Antonelli – Cresci jogando futsal e futebol ao mesmo tempo: inicialmente futsal na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e campo na escola de futebol Chuteira de Ouro, ambas em Campinas (SP). Durante o ensino médio jogava futsal no campeonato paulista pelo Guarani Futebol Clube e pela seleção de Campinas, representando a cidade nos Jogos Regionais e Abertos. Ao mesmo tempo jogava campo pela AABB. Já durante a faculdade eu era o goleiro da seleção de futebol da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e, simultaneamente, era o treinador da seleção de futsal da mesma instituição. Além disso, jogava a liga de futebol de campo amadora de Campinas pelo Bela Vista. Após a universidade, passei cinco anos jogando futsal profissionalmente na Itália. Joguei por três anos no norte do país, um ano próximo a Roma e um ano na Sicília; o que foi, sem dúvida, uma experiência muito importante na minha vida.

Academicamente, fiz processamento de dados no Colégio Técnico de Campinas (COTUCA) e, em seguida, me formei em Educação Física na UNICAMP: bacharel em treinamento esportivo. Nos Estados Unidos (EUA) fiz meu mestrado em Educação na Saint Francis University, na Pennsylvania. Além disso, fiz os cursos residenciais da National Soccer Coaches Association of America (NSCAA, associação americana de treinadores de futebol).

Universidade do Futebol – Como é a formação do treinador de futebol nos Estados Unidos e de onde surgiu o convite para atuar nesta área de gestão técnica?

Marcelo Antonelli – Nos Estados Unidos duas organizações são as principais responsáveis por pela formação dos treinadores: a NSCAA e a U. S. SOCCER (a confederação americana de futebol).

Cada uma dessas duas organizações possui os próprios cursos e certificados. Os certificados da U. S. SOCCER são as licenças oficiais e boa parte da ênfase está nos testes, enquanto a NSCAA possui um caráter mais educacional.

Enquanto eu cursava Educação Física na universidade e era treinador da equipe de futebol e futsal feminino do Guarani, várias de nossas atletas foram jogar nos Estados Unidos. Isso despertou a minha curiosidade de ir também, fazer um mestrado e experimentar as oportunidades como treinador de futebol. Assim, após a universidade, o meu plano era tentar jogar futsal profissionalmente na Europa (eu já tinha cidadania italiana, o que ajudou muito no processo) e seguir a carreira como treinador nos Estados Unidos após o período como jogador. Felizmente os planos têm dado certo e, após meus anos jogando na Europa, estou há sete anos e meio trabalhando como treinador nos Estados Unidos.



Na convenção anual da NSCAA, na Filadélfia, mais de dez mil treinadores estiveram presentes - entre eles, Antonelli

 

Universidade do Futebol – De que maneira você avalia a evolução da modalidade nos Estados Unidos e que importância têm os treinadores e jogadores estrangeiros nesse processo de profissionalização?

Marcelo Antonelli – O futebol já é bem profissional nos Estados Unidos. Até mesmo, minha opinião pessoal é que a Major League Soccer (MLS) ? a liga profissional americana de futebol ? é bem mais organizada do que o Campeonato Brasileiro. No entanto, o número de equipes profissionais no Brasil é muito maior, assim como também existe uma diferença salarial considerável entre os jogadores de elite dos dois países (devido ao teto salarial estipulado nos Estados Unidos).

O futebol é o principal esporte dos Estados Unidos em número de praticantes até o ensino médio. A partir daí, o nosso futebol perde espaço para os esportes tipicamente “americanos”: american football, basketball, baseball, ice hockey etc.).

Apesar de participarem dos mundiais há muito tempo, a seleção americana de futebol masculina não tem uma história de muito sucesso. Em um país no qual a maioria da população é apaixonada por outros esportes nos quais os Estados Unidos são umas das principais potencias mundiais, fica difícil, durante o final do processo de iniciação, manter os principais atletas no futebol.

Os jogadores estrangeiros, assim como a população recente de imigrantes dos Estados Unidos, que trazem com eles uma forma de paixão diferente pelo esporte, são muito importantes para fortalecer o nível da liga profissional, tanto dentro de campo como nas arquibancadas.


 Como a mentalidade fixa ou a de crescimento pode ser o fator decisivo para o sucesso ou fracasso de um jogador? 


 

Universidade do Futebol – É possível se dizer que já há uma "escola estadunidense de futebol", assim como há um modelo de jogo tipicamente inglês, italiano, brasileiro e argentino, por exemplo? Ou acredita que a globalização estabeleceu parâmetros e aproximou esses estilos?

Marcelo Antonelli – Essa pergunta é bem interessante e complexa. Como recebi as perguntas durante meu Premier Diploma da NSCAA, resolvi repassar essa pergunta e a próxima para dois ícones do futebol nos Estados Unidos, que foram meus instrutores durante o curso.

Para responder com a perspectiva do futebol masculino, repassei as perguntas para Schellas Hyndman (mais de 20 anos como treinador universitário e treinador da equipe profissional FC Dallas por cinco anos). Schellas passou ainda um ano trabalhando como treinador no Brasil.

Para responder a pergunta se referindo ao futebol feminino, repassei também essa pergunta (e a próxima) para Nancy Feldman (por 20 anos treinadora da Boston University). Nancy claramente tem um papel de referência muito importante, principalmente, para jovens treinadoras de todo o país que buscam seguir nesta profissão numericamente dominada pelos homens.

Schellas: “Devido à variedade de lugares de onde nossos atletas vêm, nós não temos um estilo claro de jogo americano. Pessoalmente, acredito que encontrar e seguir um estilo próprio seria importante para o futebol nos Estados Unidos. Apesar de não termos um estilo definido, é importante ressaltar que, no início dos anos 70, quando os EUA contrataram Dettmar Cramer (ex-treinador do Bayern de Munique) para ser o treinador da nossa seleção nacional, ele teve grande influência no desenvolvimento do estilo de treinamento no país, incluindo uma grande influência na nossa metodologia de ensino no futebol.”

Nancy: “Os Estados Unidos não têm uma escola de futebol definida. Algumas das razões são o tamanho do país, a forma como o esporte se espalhou e as diferenças culturais de cada estado. Por exemplo, em Massachussets a influência portuguesa foi muito grande; em Nova Jersey a influência maior foi a italiana; no sul da Califórnia a grande influência foi latina; na Philadelphia a influência alemã foi muito grande. 
Quando o esporte começou a ser praticado por garotas, muitos pais que não eram imigrantes não tinham nenhum conhecimento do futebol, e usavam sua base de outros esportes (em geral tipicamente americanos) para dar treinos. Isso gerou, desde o início, uma distância grande entre os estilos praticados pelo país. 

A diferença só aumentou considerando-se o estilo “free marking society” dos Estados Unidos: o futebol começou a ser visto como uma boa oportunidade de negócios e diferentes comunidades começaram a “vender” o próprio estilo para montar equipes, clubes, e ganhar dinheiro.”



Treinador brasileiro com Schellas Hyndman e Nancy Feldman, durante o Premier -  Diploma da NSCAA, na Flórida

 

Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual é o perfil atual do jogador de futebol dos Estados Unidos?

Marcelo Antonelli – Schellas: “O perfil do jogador americano é o do jogador físico. Forte, veloz, de chegada firme na bola. A mentalidade é aquela de nunca desistir, de dedicação, empenho, coragem. Nós queremos adicionar o componente técnico. Temos alguns dos melhores goleiros do mundo. Se tivéssemos que ranquear, nossa melhor área é a física, seguida da psicológica. As partes técnica e tática ainda precisam evoluir para competir contra as melhores seleções do mundo.”

Nancy: “A típica jogadora de ponta americana tem um ótimo físico, é forte, de classe social média ou média alta e joga com muita garra. A seguir, algumas frases que podem definir um pouco da mentalidade da jogadora americana:

Work for what you want (se empenhe para conseguir o que deseja). 
Go get it (vá atrás do que você quer). 
If you work hard, you will achieve (se você trabalhar duro, você irá conseguir).

Universidade do Futebol – Os Estados Unidos têm uma tradição secular de organização desportiva e tratamento profissional de suas ligas. De maneira geral, como é estruturado o futebol nos Estados Unidos? Há uma diferenciação muito grande entre a categoria profissional masculina e feminina?

Marcelo Antonelli – Existe uma diferença cultural muito grande entre os Estados Unidos e o Brasil, que se reflete no tratamento de todas as ligas esportivas, profissionais ou não. Um simples exemplo: nós agendamos os jogos da minha equipe universitária em média dois anos antes da partida, enquanto no Brasil tantas decisões são feitas de última hora.

Quando falamos em esporte nos Estados Unidos, é importante deixar claro que o esporte universitário, apesar de amador por lei (da própria confederação universitária), muitas vezes atrai quase tanta mídia quanto o esporte profissional.

Muitos americanos possuem raízes muito fortes com as universidades e preferem seguir as equipes universitárias tanto quanto as equipes profissionais.

A liga profissional americana de futebol masculina está melhorando a cada ano, aumentando números como a média de público. Segundo o site “Sporting Intelligence” (www.sportingintelligence.com), a liga americana é a sétima melhor do mundo, a frente de países como Holanda, França, Argentina e Portugal. 

Um importante fator a ser considerado é que a liga americana se mantém relativamente equilibrada, com o sistema de teto salarial e “draft” (divisão dos jogadores). Por outro lado, esse sistema não atrai muitas das grandes estrelas mundiais, que não poderiam ganhar nos Estados Unidos o que ganham em outras ligas do mundo. As únicas exceções são os limitados números de jogadores que cada equipe tem direito que não necessitam atender ao teto salarial.

O futebol feminino também possui atualmente uma liga profissional. Após tentativas fracassadas de criar e manter uma liga profissional com salários altos e jogando em estádios grandes (que têm aluguel muito caro), os organizadores reformularam o campeonato, com cifras muito mais modestas e jogando em estádios menores. A intenção é fazer o campeonato mais viável e procurar dar continuidade a ele durante os anos seguintes.



Treinadores participam de atividade prática durante o Premier - Diploma da NSCAA

 

Universidade do Futebol – Qual é o papel dos pais na prática esportiva e, particularmente, do futebol nos EUA? Que diferenças existem em relação ao Brasil?

Marcelo Antonelli – Existem mais de mil equipes universitárias de futebol nos Estados Unidos (considerando todas as confederações, divisões e ambos os sexos). Centenas de milhares de americanos e americanas sonham em jogar futebol universitário, seja pelo status, pela paixão pelo esporte ou principalmente pela busca de bolsa de estudos que ajudam a pagar os caros estudos universitários nos Estados Unidos.

Em grande parte, o papel dos pais é o de tentar oferecer ao filho ou filha a oportunidade de se preparar e se expor para o processo de recrutamento. Isso gera um mercado muito grande, que envolve milhares e milhares de clubes de futebol, “camps” e grandes torneios chamados de “showcases”. Sem falar em hotéis, materiais esportivos etc. É um processo semelhante ao que ocorre com outros esportes universitários.

Universidade do Futebol – Como você vê o "espírito de competição" dos jovens norte-americanos? Eles praticam esporte para ganhar ou apenas praticam como um meio de educação, lazer e/ou saúde?

Marcelo Antonelli – Os americanos são extremamente competitivos! E o fato de, desde cedo, terem a mentalidade de competir para conseguir as bolsas de estudos, faz com que às vezes nem se divirtam tanto jogando durante a adolescência. Muitos encaram quase como uma obrigação, um trabalho. Eu diria que, em geral, eles jogam de forma mais dura que no Brasil, no entanto os brasileiros discutem mais. É só olhar, no Brasil, uma pelada na esquina, cedo ou tarde uma discussão deverá começar… Nos Estados Unidos é um pouco mais raro ocorrer. Claro que depende muito do local. Por exemplo, em Miami tem ligas recreativas quase só formadas de estrangeiros e as partidas são “bem quentes”.

Apesar de serem, em geral, muito competitivos, vale mencionar que se sairmos do ambiente competitivo de elite, muitos jovens americanos, por serem mais “mimados” do que brasileiros que cresceram em ambientes “menos protegidos”, não possuem o mesmo grau de motivação. Acredito que o mesmo ocorra atualmente com parte das gerações brasileiras mais novas de classe social média alta.

Universidade do Futebol – E o mercado de trabalho para profissionais do futebol brasileiro que queiram trabalhar nos EUA? Quais são os principais desafios e dificuldades a serem superados?

Marcelo Antonelli – Eu trabalho no esporte universitário. Claro, considerando os números de posições, o esporte universitário tem muito mais oportunidades que o profissional. Os clubes (equivalentes às escolas de futebol no Brasil) oferecem ainda mais oportunidades, devido ao grande número de clubes de futebol existentes nos Estados Unidos.

Cada uma dessas áreas necessita de um profissional de perfil diferente.

Para trabalhar com esporte universitário aqui nos Estados Unidos, o inglês precisa ser muito bom, e a pessoa tem que ter (na grande maioria dos casos) ensino superior e, se possível, um mestrado. Cerca de 20 a 30% do tempo dedicado ao trabalho, é dentro de campo, dando treinos ou dirigindo a equipe durante os jogos. O resto do tempo é trabalho de campo ou escritório, relacionado à equipe.

Provavelmente, a forma mais fácil de se entrar no mercado de trabalho é estudar por aqui. Um caso típico é o de quem vem fazer faculdade e jogar, e depois começa a trabalhar. Outra forma é o meu caso: vim para os Estados Unidos fazer um mestrado como graduate assistant coach (GA), ou seja, uma posição part-time, onde eu ganhava meu mestrado e uma ajuda de custo em troca de auxiliar no treinamento da equipe.

Esta posição como GA, em geral, dura dois anos (a duração do mestrado) e rende à pessoa o visto para trabalhar por um ano na área de estudo. A partir daí, se a pessoa for contratada poderá conseguir o visto de trabalho, que em geral é de três anos e pode ser renovado por outros três. Existem outras formas para conseguir trabalho e outros tipos de visto, mas as que descrevi estão entre as mais comuns (não considerando quem veio para os Estados Unidos ainda jovem com os pais).

Em resumo, os principais desafios são: o inglês, compreender o sistema por aqui, e conseguir e manter os vistos.

Existem muitas oportunidades, mas o mercado também está muito concorrido, com pessoas do mundo inteiro tentando vir trabalhar nos Estados Unidos. Vale lembrar que a NSCAA é a maior associação de treinadores de futebol do mundo, com dezenas de milhares de treinadores atualmente associados. 

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