Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, abril 12, 2017

Mais sobre os estaduais

Estado de emergência

Os campeonatos estaduais lutam hoje para sobreviver, pois não conseguem fazer um 
planejamento pelo fato da maioria não ter um calendário anual de jogos
Os campeonatos estaduais chegam a sua fase final
cercados de grandes dúvidas sobre a qualidade e
interesse do consumidor em relação ao seu produto.
O campeão estadual não tem sido, por lógica,
elevado a favorito para o campeonato nacional. Não
podemos nos esquecer, por exemplo, que o campeão
mineiro de 2016 foi o América Mineiro, que acabou
rebaixado no Brasileiro. O campeão gaúcho foi o
Internacional, também rebaixado no Brasileiro. Em
2015, o Vasco sagrou-se campeão carioca e, no final
do ano, amargou um novo rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.
É fato que algumas medidas foram adotadas para que os torneios estaduais reduzissem a sua
duração de tempo e número de jogos, após manifestações realizadas pelo movimento Bom Senso
F.C.. Porém, o impacto para a geração de maior qualidade ainda não prosperou.
Estádios vazios, jogos cansativos, clubes priorizando outras competições e poupando seus principais
atletas até mesmo em grandes jogos. Esse é o cenário dessas competições locais. Os clubes que
disputam a Libertadores, como Botafogo e Atlético Paranaense, têm jogado grande parte dos jogos
do Carioca e Paranaense com suas equipes reservas ou mistas. Claro que para o clube e para
a torcida, é sempre legal ser campeão, mas é praticamente unânime que ambos preferem priorizar
outras competições, mesmo que isso acarrete em campanhas medíocres dentro de seus Estados.
O calendário brasileiro e sul-americano permanece muito inchado e desorganizado. Somente por
aqui os clubes realizam jogos durante as datas FIFA, destinadas aos confrontos entre seleções. Na
última janela de jogos FIFA, inclusive clássicos foram disputados. Em São Paulo, houve a disputa entre
São Paulo x Corinthians e, no Rio, Botafogo x Fluminense.
Como passar credibilidade ao seu público consumidor, se os times correm o risco de estarem
desfalcados de seus principais atletas? O resultado não pode ser diferente, é fracasso na certa. Nesse
clássico carioca, o público presente foi de 6 mil torcedores, gerando o maior prejuízo do campeonato,
no total de R$ 370 mil.
Os estaduais merecem o nosso respeito. Durante décadas, foram aclamados e elevados ao mesmo
patamar de importância do campeonato brasileiro. Os times do interior eram mais fortes e
apresentavam ao país novas promessas. Hoje lutam para sobreviver, sem conseguir se planejar
pelo fato da maioria não ter um calendário anual de jogos, mantendo seus times durante apenas um
semestre.
É essencial que uma nova fórmula seja encontrada, tanto para gerar interesse dos grandes, como
também para dar vida aos pequenos. Alguns consideram até mesmo a hipótese de extinção dos
estaduais. Acredito que haja espaço para enxugar um pouco mais a participação dos grandes nos
torneios, beneficiando a qualidade do espetáculo e entregando um produto melhor para os torcedores e
amantes do bom futebol.

Comentários

  1. Concordo com você Carlos. Comparando com o mundo corporativo, as marcas procuram seu mercado de acordo com suas estratégias. Marcas fortes focam nos grandes mercados, já as menores se posicionam num mercado regional. Fazendo uma analogia com os times de futebol, vejo que os estaduais, por serem regionais, deveriam ser disputados pelas marcas regionais, que teriam possibilidade de conquistar títulos, ganhar mais torcida, valorizar a marca. Uma grande marca busca maiores mercados, e os torneios que as expõem em nível nacional e internacional devem ser priorizados.
  2. Estou começando a crer que estamos diante de uma discussão muito mais complexa do que se imagina.

    Temos que levar em conta que os Estaduais tem peso diferente em cada estado.

    Como pensarmos em acabar com competições como o Carioca e o Paulista, sendo que este transfere mais valores em dinheiro aos clubes que suas participações na Libertadores?

    O Carioca não dá prejuízo para nenhum participante e ainda transfere aos grandes mais de R$ 1 milhão por jogo? Portanto, como disse, não há jogo em que tenhamos déficit.

    Quanto ao público dessas competições, faz-se necessário entendermos que a maior parte dele já não se encontra nos estádios/arenas.

    Precisamos, pois, identificar e quantificar o público, sobretudo aquele que está e fica em casa, na poltrona, nos bares, nos restaurantes e em outros locais. Este sim é o público real. Inclusive, parece-nos que as televisões tem mais retorno com os que estão em casa do que com os que estão nos locais dos jogos.

    A principal fonte de receita da maioria (senão todos) os Estaduais (não confundir com regionais), provém das televisões.

    Embora haja discrepâncias homéricas nesses valores, nem mesmo as competições estaduais de menor dotação desejam suas extinções. Enquanto o Paulistão distribui R$ 170 milhões, o Goiano rateia R$ 2,2 milhões.

    Quanto a calendário, os senhores tem razão: temos excesso de jogos no total de uma temporada; temos conflitos de datas entre algumas competições regionais, estaduais e até nacionais, e ainda temos, em razão disso, que enfrentar certa falta de racionalidade delas. Somemos a isto a natureza efêmera de algumas competições, como o Brasileiro Série D, além da precariedade de uma Primeira Liga.

    Abraços.

    Benê Lima, Cronista Esportivo, Vice-Presidente de Comunicação do Instituto UNIFUT, Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Gestor Esportivo (autodidata)

Periodização Tática: princípio das propensões


Princípio das propensões

por Rodrigo Vicenzi Casarin
No íntimo da periodização tática, tudo e todos interagem nos diversos níveis, o que contribui decisivamente para modelar as “probabilidades do jogar.” E o princípio das propensões está intrínseco a isso. Não caminha só. Precisa da interação dos outros princípios, de outros fenômenos e do entendimento situacional-contextual.
Estar propenso há algo não é simplesmente escolher um determinado aspecto isoladamente ou escolher uma propriedade estática pré-determinando mecanicamente algo, mas sim criar um contexto inerente a uma situação que prepare realmente para uma situação superior.
Além dessas grandes interações, múltiplas propriedades devem ser levadas em conta na operacionalização desse princípio, pois elas criam estados que geram propensões e vão criando naturalmente cenários de diversos formatos que não são possibilidades lógico-matemáticas, restritras ou fechadas, mas sim probabilidades/tendências abertas, abertas ao novo, o que ocasiona a elaboração da construção de estágios propensos evolutivos.
Crédito: Imagem criada pelo autor
Crédito: Imagem criada pelo autor
É imperativo perceber que um jogar contém diferentes partes, umas maiores e mais complexas, outras menores e menos complexas, mas todas elas ligadas e implicadas no coletivo1. Ao treinador cabe criar contextos de vivenciação ricos, que permitam que os desempenhos dos jogadores verifiquem uma elevada ocorrência de inter-ações relativas ao jogar, e de modo particular às nuances que o jogar vai verificando ao longo dos vários dias do Morfociclo2.
Os exercícios devem ter uma propensão que faça acontecer, o mesmo é dizer, tem de fomentar uma dinâmica concreta, uma funcionalidade específica, mais macro ou micro, mas sempre representativa do jogar que se deseja1.
E a especificidade que é a geometrização da funcionalidade, advém de levar a efeito o princípio metodológico das propensões. O Morfociclo que é levado a efeito com o quê? Com os princípios metodológicos, com a propensão... Os exercícios, o jogo no início, não é começar a jogar de uma forma menos complexa, é não ser possível a máxima qualidade, mas que isso vá acontecer ao longo de todas as outras semana3.
Crédito: imagem criada pelo autor
Crédito: imagem criada pelo autor.
O propósito não passa por quantificar ações, mas antes de criar contextos de exercitação que conduzam a uma determinada dominância relativa ao jogar, sem deixar de ter em conta o padrão de desempenho e de desgaste que caracterizam aquele dia do Morfociclo, os tipos de contração muscular, a matriz metabólica e outros aspectos2.
A calibragem do contexto tem de acontecer respeitando um pressuposto fundamental: a permanente correspondência com o padrão de solicitação implicado nos desempenhos do jogar que se pretende1.
A questão não é simplesmente propor algo para a equipe do nada, sem fundamento, sem uma prévia adaptabilidade ou realmente sem uma densidade significativa de aspectos pretendidos. A propensão é algo que acontece e faz acontecer com critérios que respeitem uma lógica às relações criadas que vão ganhando contornos evolutivos experiênciados e vivenciados na prática.
Criar propensões é calibrar o contexto para que este fomente uma dinâmica, mas uma dinâmica inteira, isto é, não apenas uma funcionalidade mas também a estruturalidade (bioquímica, neuromuscular, anatômica), todas dimensões (tática, ténica e psicológica) e a bionergética que gera o novelo energético do jogar. Entendendo isso, dosando corretamente os tempos de esforço, os tempos de intervalo, cria-se a teia do jogar não atrapalhando o padrão bionergético pretendido1.
Crédito: imagem criada pelo autor
Crédito: imagem criada pelo autor
Julian Tobar, treinador que realiza um grande trabalho na equipe Sub-20 do Joinville Esporte Clube, profundo conhecedor da periodização tática, em uma breve conversa com o autor da coluna, reforça ainda mais o princípio das propensões:
 “O princípio metodológico das propensões refere-se à modelação dos contextos de propensão/exercitação”, com o objetivo de criar contextos relativos ao jogar que se pretende, que possibilitem o aparecimento do que se quer treinar com elevada frequência. A ideia de propensão tem a ver com o fato de proporcionar que o exercício (“contexto de propensão”, talvez seja a palavra mais ajustada) seja mais propício ou provável a ocorrência de determinado acontecimento, no caso do treino de futebol, determinada interação e mais especificamente, no nosso caso, deverá promover o aparecimento de interações intencionalizadas condizentes com nossa ideia de jogo. 
Daí a ideia de modelar o contexto no sentido de tornar mais provável aquilo que se deseja que aconteça, fazendo com que o caos seja determinístico, sobre determinando-o. O princípio das propensões tem a ver com a contextualização dos propósitos que se querem alvo de repetição sistemática, sendo que o que se pretende é que as preocupações de momento do treinador apareçam regularmente em treino, em vez de outras quaisquer – a todos os níveis. Por exemplo, se eu quero aprimorar alguns aspectos da minha organização defensiva, só conseguirei treinar e desenvolver isso com qualidade se criar e operacionalizar em treino, um “contexto de exercitação” que, através da sua configuração, faça com que os jogadores (aqueles que quero “dar ênfase”) passem a maior parte do tempo defendendo, e, portanto, experiênciando as interações intencionalizadas que pretendo.
Definitivamente, quando pensamos na criação de um exercício, ele deve estar configurado e, portanto, propenso, para que o que queremos treinar ocorra muitas e muitas vezes, consoante a configuração da unidade de treino preconizada pelo Morfociclo Padrão e os propósitos pretendidos. Pegando no exemplo recém citado, ainda que o mais importante (nesta situação hipotética) seja defender, o contexto de propensão na maioria das vezes não deve se limitar a levar os jogadores apenas e unicamente a defender, ainda que este seja seu objetivo prioritário, pois o jogo é um todo e, portanto – na medida do possível (e se for desejável) – deve-se promover a conexão e a articulação de sentido dos momentos do jogo, numa escala macro, meso ou micro. De modo a facilitar que, com o que queremos treinar, apareça com elevada frequência (a todos os níveis do desempenho), as regras impostas, o espaço de jogo, a duração do exercício, o número de jogadores, o período de recuperação e “exercitação”, as intervenções do treinador, são algumas das ferramentas que ajudam o treinador a modelar um contexto de exercitação, direcionando-o para o que lhe interessa.
Devo destacar, contudo, que o princípio metodológico das propensões não possui como propósito propiciar a vivência exacerbada somente da ideia de jogo do treinador nas suas diferentes escalas (macro princípios, meso princípios e micro princípios), mas também promover com elevada frequência o aparecimento de um determinado tipo de contração muscular (predominante), da matriz metabólica implicada, determinadas dinâmicas de desempenho e recuperação, da intensidade máxima relativa a vivenciar e experiênciar, e um conjunto de outras coisas, segundo o dia do Morfociclo. 
Atirar todas as velhas evidências e os vícios conceituais para “o saco do lixo”, por vezes não é fácil. Dentro de um processo de construção do entendimento metodológico de uma nova tendência, muitas vezes se peca em não conhecer com profundidade a natureza interativa das coisas.
Também está claro que a propensão não é um princípio isolado que se desenvolve apenas selecionando conteúdos e ponto final; ela visa gerar maiores probabilidades de ocorrências de interações que se pretende na equipe. Mas não existe certeza do futuro, mas apenas probabilidades de acontecimentos futuros. E esta propensão pode ser perfeitamente dinâmica em função do evoluir dos aspectos acontecimentais. Não existe um futuro certo, apenas propensões criadas para jogar dentro do jogo. O futuro não é estático e as propensões também não.
Abraços e até a próxima quarta!
 .
1 - AMIEIRO, NUNO. Os exercícios de treino aos Olhos do Enquadramento Conceptual e Metodológico da Periodização Táctica. Textos Professor Vitor Frade, 2017.
2 - MACIEL, JORGE. Pelas Entranhas do Núcleo Duro do Processo. Artigo não publicado, 2010.
3 - FRADE, VITOR. Periodização Tática: fundamentos e perspectivas. Entrevista realizada a Paulo Henrique Borges. Conexões, 2015.

quinta-feira, abril 06, 2017

Futebol atual exige diversificação de receitas

AMIR SOMOGGI


Os negócios relacionados ao futebol dependem de uma clara visão de diversificação das fontes de receitas para sua evolução. No Brasil, infelizmente por vários fatores, isso nunca foi colocado em prática. Bem diferente do mercado europeu.
Os times do Velho Continente nunca se mostram satisfeitos com o que tem, e sempre buscam uma evolução constante, considerando que sempre há espaço para melhorar.
Muitos exemplos comprovam essa tese.
Se os estádios estão lotados, criam mecanismos para que os sócios que não queiram ir aos jogos autorizem a venda de suas cadeiras. Com isso, outros torcedores vão aos estádios, oferecendo benefícios para os sócios que liberarem suas localidades.
Se as receitas de bilheteria estão estagnadas, investem em projetos promocionais para que mais torcedores consumam em bares e restaurantes no estádio, fazendo com que as receitas cresçam em outras frentes.
Se tem 10 patrocinadores, buscam outros 10, ou 20 empresas, com foco em ações comerciais, muito além da visibilidade do uniforme e placas de campo.
Caso seu mercado doméstico esteja explorado no limite, buscam e expandem seus negócios em termos globais, fazendo com que as receitas cresçam muito graças a essa expansão. Assim, novas receitas são geradas com vendas de produtos, escolinhas, partidas amistosas e patrocínios regionais.
Enfim trabalham sempre na busca de novas oportunidades de negócios para suas marcas e sempre evoluem.
Já no Brasil infelizmente nossa realidade é outra. Em geral o marketing dos clubes é gerido de forma limitada, com uma visão equivocada das reais oportunidades que poderiam ser criadas.
A justificativa em geral é que o mercado é restrito. Isso é uma estrondosa mentira!
O mercado brasileiro de mídia e entretenimento movimenta mais de R$ 190 bilhões por ano e nossos clubes faturam apenas R$ 4,2 bilhões.
Para piorar o cenário, o torcedor representa muito pouco de todo esse valor, provando que o problema está na gestão do departamento de marketing de nossos clubes e não no nosso mercado. 
Midia e entretenimento
Os estádios em boa parte do ano estão vazios e permanecem vazios pela ausência de estratégias para lotá-los.
Os clubes têm poucos patrocinadores, e assim permanecem pois nada é feito para que marcas possam vender produtos e serviços aos milhões de torcedores brasileiros.
O foco é sempre essa visão limitada de visibilidade de marcas.
Até o sócio torcedor que cresceu muito nos últimos anos mostra a fragilidade do marketing dos clubes. Já que os times comemoraram o aumento do número de sócios, sem perceber que muito mais importante é saber rentabilizá-los.
A verdade é que essa falta de diversificação de receitas é resultado da dificuldade que o marketing dos clubes tem em evoluir para um modelo mais criativo. E esse modelo demanda muito mais trabalho e investimento.
Além é claro do desconhecimento de boa parte dos dirigentes da área de marketing em como fazer mudanças significativas nesse ambiente pouco diversificado.
Bons modelos pelo mundo estão aí para serem estudados. Basta que nossos clubes queiram evoluir. E para isso é fundamental pensar fora da caixa!
Algumas receitas poderiam dobrar de tamanho
Se os clubes brasileiros aplicassem esses conceitos de diversificação de receitas, muitas fontes poderiam ser muito maiores.
Se atualmente os clubes brasileiros produzem cerca de R$ 560 milhões em patrocínios esse valor poderia crescer muito, atraindo muito mais marcas e o valor poderia passar de R$ 1 bilhão facilmente.
O mesmo vale para o sócio torcedor e bilheteria que juntos movimentam R$ 795 milhões, mesmo com boa parte dos estádios vazios.
Sem falar no licenciamento que movimenta R$ 120 milhões por ano e é irrisório, dado o tamanho do nosso mercado consumidor.
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quarta-feira, abril 05, 2017

Plataforma de gerenciamento, uma ferramenta importante para os clubes

Inter de Limeira moderniza gestão de atletas através da plataforma Rede do Futebol

Sistema permite ao clube monitorar jogadores revelados pelas categorias de base e ter acesso a percentuais de negociações destes atletas



Na última sexta-feira, dia 23, a Internacional de Limeira se tornou parceira da plataforma digital Rede do Futebol, utilizada por importantes clubes do futebol brasileiro. A partir de agora a Inter tem a disposição informações seguras de profissionais federados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com filtros para a localização do perfil desejado, relatórios e estatísticas.
De acordo com o presidente da Inter de Limeira, Paulo Toledo Barros, atualmente a Inter gerencia seus atletas de forma manual, e com esta parceria a diretoria irá aprimorar a gestão dos jogadores. “O programa auxiliará a Internacional a rastrear os atletas que já passaram pelo clube e consequentemente, em caso de negociação, saberemos se o time possui ou não direito no mecanismo solidário”, explica Barros.
O Mecanismo de Solidariedade da Fifa/CBF é um percentual que os times formadores dos atletas recebem a cada transferência nacional e internacional. O Rede do Futebol possui uma plataforma onde é possível identificar as transferências de atletas formados pelo clube e verificar se há ou não créditos a serem recuperados.
Outro serviço oferecido pelo site é a plataforma Escolinhas de Futebol em que a Inter terá um sistema customizado para o cadastro de atletas da categoria de base, com registro de informações estratégicas e de desenvolvimento destes jovens jogadores.
Um dos diretores da categoria de base, Enrico Minatel, projeta que a parceria vem a somar de forma positiva auxiliando na organização e transparência das informações, compromisso firmado pela nova gestão. “Até o último campeonato não tínhamos esta ferramenta que será muito importante para a análise de desempenho de atletas tanto do profissional como da base. Também teremos conhecimento de todos os jogadores que passaram pela Inter e verificar por quais outros times eles já atuaram. Nós, como um clube formador de atletas, só temos a ganhar com esta parceria”, afirma Minatel.
O superintendente da Inter, Celso Potechi, também ressalta a importância da plataforma para melhorar o planejamento tanto para a formação dos atletas tanto para a contratação de atletas profissionais. “Estamos muito bem estruturados na base desde a formação dos atletas até as negociações, mas faltava esta ferramenta de gestão. Agora partiremos também para um planejamento com profissionais especializados para buscarmos investidores e podermos negociar os atletas do time profissional”.
A parceria foi viabilizada por intermédio do escritório Fadul Advogados, prestador de serviços da Internacional de Limeira, que apresentou esta ferramenta de modernização ao clube. “O escritório também irá utilizar esta ferramenta para monitorar todos os atletas que já passaram pela base da Inter e em algum momento foram vendidos para o exterior. Com tal monitoramento será possível para o clube recuperar a os valores de jogadores da base através do Mecanismo de Solidariedade da FIFA, que o escritório é especializado”, afirma o advogado Marcelo Fadul.
A plataforma é utilizada por times como o Grêmio, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Paranaense, entre outros. “Fico feliz em acertar mais esta importante parceria, pois estamos modernizando nossa gestão da mesma forma que alguns dos grandes times do futebol brasileiro”, ressalta o presidente da Inter.

Fonte: Assessoria de Imprensa | Inter de Limeira
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terça-feira, abril 04, 2017

‘O esporte está morrendo no Brasil’, afirma jornalista sobre Rio 2016 em oficina de jornalismo esportivo

Por Letícia Oliver

“É um pedido que eu faço a vocês: lutem pelo esporte, ele não pode morrer no Brasil e está morrendo!”. Esse foi o apelo feito pelo repórter, roteirista e editor dos canais ESPN Marcelo Gomes durante uma oficina de jornalismo esportivo que aconteceu no último sábado (28) na zona oeste da capital paulista, para debater a cobertura jornalística nas Olimpíadas 2016, que terá sede no Rio de Janeiro no próximo ano.
Além de direcionar várias críticas sobre a realização do megaevento esportivo no Brasil, o jornalista também aproveitou para compartilhar sua experiência com os participantes do workshop e despertar o sentimento do profissional da imprensa. “Tem que escrever com raiva, tem que reler com sabedoria, tem que ter paixão”, declarou Gomes.
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Marcelo Gomes dividiu experiência de mais de 20 anos de profissão (Foto: Letícia Oliver)
“Eu sempre gostei muito de Olimpíadas. Meu primeiro esporte preferido foi o basquete. Os times do interior, que eram fortes, estão morrendo. A TV aberta só transmite as finais. Você sabe a escalação do time de futebol, mas não sabe quem é o cara que vai correr os 100 metros”, afirmou Vanessa Gonçalves, sub-editora do Portal Imprensa, que participou do evento.
Marcelo Gomes foi repórter e editor da TV Bandeirantes no início dos anos 1990. Em 1996, editou o jornal Aqui Agora, do SBT; no canal também foi editor do departamento de esportes. Em 1998, passou a editor de esportes da TV Gazeta e, no mesmo ano, ocupou o cargo de editor especial do programa Realidade na TV Bandeirantes. Está na ESPN Brasil desde 1999. Em 2003 também editou o programa Auto Esporte da TV Globo. Foi o grande vencedor do Prêmio Embratel 2008 de Melhor Reportagem Esportiva pelo programa Brasil Olímpico – Uma Prestação de Contas à Sociedade. Já havia vencido o Prêmio Embratel em 2004. Conquistou o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos pela melhor reportagem de TV na edição de 2011.
CRÍTICA AO FUTEBOL
Com a realização da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, cada vez mais comenta-se a abordagem jornalística no segmento. Para Gomes, falta demanda para a abordagem de outros esportes. “Não tem mais espaço para atletismo, boxe, judô… Esporte é esporte, não é só futebol. Eu gosto de futebol, mas eu acho que o esporte não pode ser só isso. Tem vida por aí, tem gente na várzea fazendo história”, declarou o jornalista.
Assista as reportagens do “Histórias do Esporte” clicando aqui.

segunda-feira, abril 03, 2017

OS ESTADUAIS PRECISAM ACABAR? - POLÊMICAS VAZIAS #40


Atlético-PR pode ditar nova ordem no futebol brasileiro

Clube cria TV própria para transmitir jogos, investe em infraestrutura e na cultura empresarial

Gonçalo Junior, enviado especial a Curitiba 

Depois de transmitir o clássico com o Coritiba pelas redes sociais, o Atlético Paranaense criou a Cap Play, um canal de televisão em que profissionais de mídia vão transmitir as partidas do time. A iniciativa é uma alternativa à venda dos direitos de transmissão para as emissoras tradicionais de TV e mais um round da batalha com a Rede Globo.
A diretoria do clube paranaense questiona a distribuição das cotas de televisão. O último acordo prevê pagamentos de R$ 170 milhões para Flamengo e Corinthians enquanto o Atlético e outros clubes de menor torcida recebem cerca de R$ 80 milhões – uma diferença de R$ 90 milhões. No Campeonato Paranaense, o Atlético não aceitou a cota de R$ 1 milhão e transmitiu o clássico no YouTube e Facebook. Na TV fechada, foi um dos líderes da ruptura com a Globo e assinatura com o Esporte Interativo para 2019/2024.
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Estádio do Atlético-PR tem teto retrátil
Essa briga é antiga. Em 1997, os clubes conseguiram R$ 57 milhões do SBT, mas a Globo cobriu a oferta. “O monopólio da Globo é uma total e absoluta injustiça. O bolo cresceu e temos de trabalhar na divisão. Há uma guerra andando”, diz Mario Celso Petráglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético.
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que regula mercados e combate monopólios, confirmou que “há um procedimento preparatório (fase preliminar de apuração) em trâmite para analisar alguns aspectos concorrenciais dos direitos de transmissão de jogos de futebol”. Isso pode gerar um inquérito administrativo ou arquivamento, mas o órgão afirma que não há prazo para a conclusão.
A Globo não se pronunciou oficialmente, mas fontes ligadas à emissora dizem que “ninguém apresentou propostas nos últimos anos”. Especialistas afirmam que a oferta para 2018 será mais igualitária, com 40% da cota divididos por todos, 30% por classificação e 30% pelo número de jogos.
Foto: Maurício Mano|Atlético Paranaense
Arena foi a primeira a ter teto retrátil
Torcedores do Atlético Paranaense na Arena da Baixada
Estado foi conhecer de perto o clube que peita a Globo há 20 anos e que encontrou inspiração nos moldes europeus de gestão e planos estratégicos atualizados a cada cinco anos. Petráglia comentou que o clube tem dois diferenciais: a cultura empresarial e a infraestrutura.
Com menos grana da TV que outros, o Atlético foi beber em fontes diferentes de receitas. Uma delas é a formação de jogadores. Construiu o CT do Caju, onde a seleção já ficou, e hoje investe R$ 3 mil por mês na formação de cada atleta. O modelo vem dando certo. Nas últimas décadas, lucrou cerca de US$ 400 milhões (R$ 1,3 bilhão) em negociações (nem tudo fica em casa por causa do fatiamento dos contratos). A lista é longa. Começou com Paulo Rink e Oséas. Hernani foi vendido ao Zenit em dezembro por 10 milhões de euros, cerca de R$ 33,2 milhões.
Foto: Mauricio Mano|Atlético Paranaense
Atlético investe em infraestrutura
Jogadores do Atlético no CT do Caju
Desde 1995, o Atlético construiu uma arena própria, a primeira com teto retrátil da América Latina, cujo investimento foi de R$ 346 milhões, mais ou menos um terço do custo da Arena Corinthians – as duas têm 42 mil lugares. Resta ainda uma dívida de R$ 100 milhões com o governo estadual que deverá ser paga em 20 anos.
O próximo passo é a construção de um ginásio multiúso, ao lado do estádio, com capacidade para dez mil pessoas. O clube busca parceiros. “O Atlético é um modelo de clube com planejamento estratégico”, avalia Pedro Daniel, gerente de Esportes da consultoria BDO.
No campo, foi campeão brasileiro das Séries A e B e chegou a cinco edições de Libertadores. Quer ganhar o mundo até 2024, ano do seu centenário. “Nossa meta é que nos vejam como candidatos aos títulos”, diz Petráglia. As transmissões dos jogos no YouTube vão continuar.
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