Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

domingo, agosto 06, 2017

Íbis lança programa de sócio torcedor

VALOR MÍNIMO DE R$2,ºº

O presidente do Íbis Sport Club, Ozir Ramos Junior, lançou uma campanha de sócios para os torcedores e amantes do Pássaro Preto. O objetivo da campanha é arrecadar dinheiro para ajudar na preparação do clube no Pernambucano Série A-2, que terá início em setembro. O valor da mensalidade é R$ 2.
Feliz por participar da campanha, o presidente Evandro Carvalho fez questão de ser o primeiro torcedor a se associar ao clube, seguido pelo diretor de Competições da FPF, Murilo Falcão, e do gestor de Futebol Amador, Jorge Vieira Júnior. Além deles, outros funcionários da entidade fizeram questão de tornarem-se sócios.
A campanha realizada pelo clube tem atraído milhares de torcedores, inclusive de fora do estado. Em uma publicação nas mídias sociais do Íbis, pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais do Brasil estão demostrando interesse em se associar.
Os novos sócios do clube concorrerão a kits com camisa, calção e meião do time todos os meses e ainda terão desconto no preço dos ingressos dos jogos na A-2. 
O valor simbólico de R$ 2 foi só mais uma forma de chamar a atenção da mídia, mas os torcedores que desejarem doar um valor maior poderão fazer através da conta bancária (dados abaixo) e enviar o comprovante para o e-mail ibissocio@gmail.com.
Agência: 00237
Conta Corrente: 0552-2 
Após essa etapa, a diretoria de Marketing do clube irá enviar uma carteira digital para o novo sócio que já poderá começar a usufruir das suas vantagens. 
Fonte: Federação Pernambucana de Futebol

sábado, agosto 05, 2017

O cérebro de Buda

UM ENCONTRO ENTRE MONGES BUDISTAS E CIENTISTAS OCIDENTAIS PROMOVIDO PELO DALAI LAMA PARA DISCUTIR O FUNCIONAMENTO MENTAL E NEUROLÓGICO REFORÇA A CONSTATAÇÃO DE QUE O CONHECIMENTO PODE SER TRANSMITIDO, MAS A SABEDORIA PRECISA SER VIVIDA

De maneira inesperada, tomei contato com o romance Sidarta, de Herman Hesse, de 1922, durante uma recente visita de uma semana ao mosteiro Drepung, no sul da Índia. Dalai Lama havia convidado representantes do Instituto Vida e Mente para apoiar experiências entre a ciência moderna e a comunidade monástica budista tibetana que vive em exílio no país. Reunimos um grupo formado por físicos, psicólogos, neurocientistas e um filósofo francês para conversar com monges e monjas budistas sobre assuntos como mecânica quântica, neurociência, consciência e vários aspectos clínicos das práticas meditativas. Fomos interrogados, investigados e, vez ou outra, gentilmente provocados por Dalai Lama, que se sentou ao nosso lado. Aprendemos muito com ele e com as pessoas ao redor, como seu tradutor tibetano Jinpa Thupten, doutor em filosofia pela Universidade de Cambridge, e o monge francês Matthieu Ricard, doutor em biologia molecular pelo Instituto Pasteur, em Paris, considerado o “homem mais feliz do mundo”, segundo extensos estudos neurocientíficos. E, segundo eles mesmos disseram, também aprenderam algo conosco.
Fatos e dados foram discutidos pelos representantes das duas formas de pensar o mundo. O objetivo? Trocar conhecimento e agregar o saber acumulado em mais de dois milênios de tradição oriental de investigação da mente, do ponto de vista subjetivo, a ideias ocidentais com base em descobertas empíricas recentes sobre o cérebro e o comportamento. A antiga sabedoria contribui – hoje não há dúvidas – com suas diversas técnicas de meditação para desenvolver atenção plena, concentração, percepção, serenidade, empatia, sabedoria e, espera-se, no fim, a iluminação. Para isso, o praticante deve, todos os dias, se sentar e permanecer tranquilo e ao mesmo tempo atento, deixando a mente estável antes de embarcar em algo específico, como atenção focada ou reflexão sobre a preciosidade da vida, a bondade e a compaixão. Somente após anos de exercícios contemplativos diários (nada vem fácil na meditação), os praticantes costumam alcançar considerável controle sobre a mente.
Em média 12 anos na escola, cinco na faculdade e mais alguns na pós-graduação não preparam nossos futuros médicos, psicólogos, soldados, engenheiros, cientistas, professores, contadores e demais profissionais para isso. Universidades ocidentais não ensinam métodos para amadurecer emocionalmente, cultivarmos estados mentais que nos fazem bem, controlar a mente e desenvolver paciência ou mesmo focar em um único objetivo ou numa atividade específica – algo extremamente útil tanto na área profissional quanto na vida -pessoal. Em geral, não há sequer aulas introdutórias sobre esses temas. E, obviamente, perdemos muito com isso.
Na verdade, estamos acostumados com a bagunça mental que compõe a vida cotidiana, caracterizada por excesso de informações, saltos entre imagens e fragmentos de discurso ou da memória. A concentração em uma linha de pensamento requer esforço deliberado consciente, é trabalhoso e geralmente tentamos nos esquivar dessa atividade. Preferimos nos distrair com estímulos externos – conversas, jogos, redes sociais e televisão, nos apoiando em recursos eletrônicos na tentativa desesperada de evitar realmente pensar e entrar em contato conosco.
No entanto, pudemos usufruir da presença de um homem de 77 anos que permaneceu sentado, com a postura ereta, durante seis dias, por horas a fio e com as pernas embaixo do corpo, acompanhando atentamente nossos argumentos acadêmicos. Jamais conheci alguém (ou um povo) que parecesse tão receptivo, satisfeito, profundamente feliz, sorridente e humilde como os monges, que, para nossos padrões, têm uma rotina de pobreza, privados de muitas coisas que a maioria de nós julga necessárias para ter uma vida plenamente realizada. O segredo parece ser o controle da mente.
O caso mais extremo de domínio de si talvez seja a autoimolação do monge budista vietnamita Thich Quang Duc, em 1963, para protestar contra o regime repressivo no sul do Vietnã. O fato mais impressionante e singular desse evento foi sua expressão calma e deliberada de seu ato heroico, capturada em fotografias e filmagens inesquecíveis e impressionantes. Enquanto queimava até a morte, Duc permaneceu na posição de lótus, em meditação. Ele não moveu um músculo sequer nem soltou qualquer som enquanto as chamas o consumiam, até que seu cadáver finalmente tombou.
Confesso que essa cena singular me deixa perplexo. Teria dificuldades em acreditar se tudo não tivesse sido capturado pelas câmeras de jornalistas pasmos e visto por centenas de testemunhas.
Mudanças neuroanatômicas
Um experimento recente, desenvolvido com base em técnicas de neuroimagem pelo psicólogo Fadel Zeidan e pelo neurobiólogo Robert C. Coghill, que coordenaram um grupo de cientistas da Escola de Medicina Wake Forest, fornece pistas para explicar esse extraordinário fenômeno. Os pesquisadores prenderam uma placa de metal à perna de 15 voluntários escolhidos aleatoriamente e os submeteram a monitoramento por escâner. Enquanto a temperatura do objeto variava de agradável (36,5ºC) a levemente dolorosa (49ºC), os participantes deveriam avaliar a intensidade e o desconforto do estímulo. Conforme previsto pelos cientistas, a placa quente provocou aumento da atividade hemodinâmica de estruturas envolvidas no processamento da dor, como o córtex somatossensorial primário e secundário, áreas relacionadas ao movimento das pernas, e de regiões frontais, como o córtex cingulado anterior e a ínsula.
Depois, os voluntários praticaram durante 20 minutos, por quatro dias, exercícios diários de mindfullness, um tipo de meditação em que é preciso manter a atenção focada, ou shamatha, na qual o praticante deve se concentrar nas alternâncias da respiração e observar pensamentos, imagens e lembranças que possam surgir sem, no entanto, se envolver emocionalmente. A ideia da shamatha é perceber os pensamentos, mas o praticante deve apenas deixá-los passar e voltar a atenção à respiração.
A desagradável sensação da placa quente tocando a pele foi amenizada depois que os voluntários começaram a praticar mindfulness – o desconforto geral diminuiu 57%, e a intensidade da dor 40%. O surpreendente é que os resultados foram percebidos depois de as pessoas passarem apenas por um treinamento básico. Obviamente a experiência em laboratório está bem longe de amenizar a agonia inimaginável de queimar até a morte. Ainda assim, oferece algumas pistas para explicar o fenômeno. O fato é que a atenção plena favoreceu o sentimento de distanciamento e reduziu a experiência subjetiva da sensação da placa tocando a pele. Porém, ficamos intrigados a respeito de como esse processo se dá no cérebro.
A meditação ajudou a diminuir a atividade relacionada à dor no córtex somatossensorial primário e secundário. Participantes que sentiram redução na intensidade da aflição demonstraram aumento na ação da ínsula direita e nos dois lados do córtex cingulado anterior. Já aqueles que sentiram menor desconforto com a dor – o que de fato chama a atenção da maioria das pessoas – demonstraram maior ativação em regiões do córtex orbitofrontal e redução na atividade do tálamo, o que provocou alterações nos canais de membranas celulares que recebem informações sensoriais.
Essas técnicas milenares favorecem as habilidades mentais de controlar emoções e moldar o impacto de eventos externos sobre a mente. Isolando as regiões pré-frontais do cérebro, o caminho até o tálamo sofre alterações, o que reduz o fluxo de informações recebidas de regiões periféricas, levando à diminuição da sensação dolorosa. A capacidade de orientar o pensamento da forma como escolhemos fazê-lo não é mágica, sobrenatural ou transcendental – e pode ser aprendida e treinada. A questão é saber se somos suficientemente inteligentes e cuidadosos conosco para usufruir dessa vantagem neural.
Em 2008, o psicólogo Richard J. Davidson e sua equipe da Universidade de Wisconsin Madison publicaram um estudo clássico, com a participação de monges budistas, do qual Matthieu Ricard fez parte. Eles submeteram oito deles e dez estudantes ocidentais a exames de eletroencefalograma (EEG). Os voluntários receberam 128 eletrodos na cabeça que ajudaram a mapear seu cérebro. Depois, os monges foram convidados a atingir o estado de “bondade e compaixão incondicional”, também conhecida como “bodichita” (nesse tipo de meditação o praticante não se concentra em um único objeto, mas no amor e desejo de felicidade de todos os seres sencientes). Os outros voluntários deveriam pensar em alguém com quem se preocupavam profundamente e, em seguida, tentar generalizar os sentimentos que surgiam, direcionando-os a todos. Conforme os monges entraram em meditação, a atividade elétrica de alta frequência das ondas gama (entre 25 e 42 oscilações por segundo) aumentou e as ondas tornaram-se sincronizadas em todo o córtex frontal e parietal, conforme revelou o EGG. Muitos cientistas acreditam que essa seja a marca de grupos de neurônios “hiperativos” e aparentemente espalhados, tipicamente associados ao foco na atenção. De fato, a atividade gama desses monges é a maior conhecida (em condições saudáveis) e 30 vezes mais alta do que dos principiantes. Quanto mais tempo de prática meditativa, mais forte o poder estabilizador das ondas gama.
O que mais chamou a atenção foi o fato de que, mesmo em repouso e silêncio, fora do estado meditativo, os monges demonstraram atividade cerebral bem diferente da dos alunos. As técnicas praticadas pelos budistas há milênios para alcançar a serenidade e expandir a mente são realmente capazes de transformar o cérebro. Os efeitos foram mais evidentes naqueles com maior experiência.
No entanto, estudar teoricamente a meditação e seus efeitos não traz os benefícios de sua prática – e muito menos sabedoria. Inspirado no jovem Sidarta do romance de Hesse, deixei a comunidade monástica mais rico em conhecimento e aprendi outras maneiras de olhar o mundo. A minha busca continua.

É POSSÍVEL CULTIVAR COMPAIXÃO NO CÉREBRO

EXERCÍCIOS DE MEDITAÇÃO PODEM MODIFICAR CIRCUITOS NEURAIS SUBJACENTES AO SENTIMENTOe_possivel_cultivar_compaixao_no_cerebro_1__2013-07-15130939

A compaixão pode ser descrita como uma disposição, genuína, de compreender e de buscar aliviar o sofrimento alheio. Com base na percepção de que os outros têm tanto direito ao bem-estar quanto nós mesmos, ela foi associada por estudos à tendência de mostrar gratidão e de enxergar erros como oportunidade de aprendizado. E, ao contrário do que prega o senso comum, essa “virtude” não é inata. Pode ser desenvolvida por meio de exercícios mentais simples, capazes, segundo estudo publicado no Psychological Science, de modificar circuitos neurais subjacentes a esse sentimento.
Pesquisadores do Centro de Investigação de Mentes Saudáveis, no Centro Waisman da Universidade Wisconsin–Madison, orientaram voluntários a fazer meditação compassiva, uma antiga técnica budista que ajuda a despertar sentimentos de compreensão e cuidado em relação aos outros. Basicamente, eles deviam imaginar uma pessoa que passava por algum sofrimento e desejar que ele fosse aliviado. Para ajudar a manter o foco durante o exercício, repetiam frases como “Que você fique livre da dor. Que você sinta alegria e conforto”.
Conduzidos por instruções de áudio – meia hora por dia, durante duas semanas –, os voluntários se concentraram em entes queridos, em si mesmos e até em estranhos e pessoas com quem tiveram conflitos. Os autores do estudo relatam que, depois do experimento, os voluntários revelaram maior comportamento altruísta em um jogo on–line de “distribuição de renda” – cedendo por vezes parte de seus ganhos a outro jogador que havia sido propositalmente “injustiçado”. Além disso, exames de imageamento cerebral, realizados antes e depois do experimento, detectaram alterações na resposta cerebral dos participantes quando viam imagens de pessoas sofrendo. Mais especificamente, os cientistas observam aumento da atividade em áreas como o córtex parietal inferior, associado à empatia, e o córtex pré-frontal dorsolateral, envolvido na regulação de emoções negativas.
Para o psiquiatra Richard J. Davidson, diretor do Centro de Investigação de Mentes Saudáveis, a compaixão é flexível e pode ser treinada, como as habilidades cognitivas e físicas. “Aplicados nas escolas, por exemplo, exercícios que buscam aprimorar esse sentimento podem ajudar a combater o bullying e, consequentemente, evitar sofrimentos que são gatilhos para transtornos psíquicos. Também podem ser úteis para todas as pessoas, principalmente as que sofrem de ansiedade social”, diz.

MEDITAÇÃO, ANATOMIA CEREBRAL E CONTROLE DAS EMOÇÕESmeditacaointerna

Prática milenar comum nas religiões orientais, a meditação é cada vez mais estudada por neurocientistas. Algumas pesquisas já comprovaram que ela pode diminuir a ansiedade e o limiar da dor, agora estudiosos da Universidade da Califórnia em Los Angeles descobriram seus efeitos benéficos na anatomia cerebral. Em voluntários que tinham o hábito de meditar entre dez e 90 minutos por dia há pelo menos quatro anos, observou-se que áreas como o hipocampo, o córtex orbito-frontal, o tálamo e o giro temporal inferior (todas associadas à regulação das emoções) eram maiores do que nos participantes do grupo-controle.
Imagens obtidas por ressonância magnética funcional indicaram que esse volume maior se deve a uma maior quantidade de substância cinzenta, onde se concentram os corpos celulares dos neurônios (origem dos impulsos nervosos), diferentemente da substância branca, em que predominam axônios (os prolongamentos por onde viajam os impulsos até encontrarem outro neurônio). Segundo os autores do estudo, publicado na revista NeuroImag esses resultados parecem explicar a capacidade extraordinária dos adeptos da meditação em controlar suas emoções e a responder melhor aos estímulos estressores do dia-a-dia.

MEDITAÇÃO “ENGROSSA” O CÉREBRO PARA REDUZIR A DOR

CÓRTEX CINGULADO ANTERIOR É MAIS VOLUMOSO EM ADEPTOS DA PRÁTICA BUDISTA DO QUE EM PESSOAS QUE NUNCA UTILIZARAM A TÉCNICAmeditacaogde

Pesquisas já mostraram que a prática da meditação zen pode reduzir o limiar de sensibilidade à dor, o que é particularmente interessante para pessoas que sofrem de doenças crônicas como artrite reumatoide ou fibromialgia. O mecanismo que explica esse efeito foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá.
Por meio de técnicas de neuroimageamento, os cientistas observaram que uma estrutura central do cérebro – o córtex cingulado anterior – é mais volumosa nos adeptos da prática budista do que em pessoas que nunca meditaram. Essa área cerebral não só é responsável pelo processamento dos estímulos dolorosos como participa da emoção e da tomada de decisões. O estudo foi publicado na revista Emotion. O uso compulsivo da comunicação virtual está frequentemente associado a sintomas depressivos. A conclusão é de um estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, que avaliou 1.319 voluntários com idade entre 16 e 61 anos. Do total, apenas 1,2% dos voluntários foi considerado dependente da rede mundial de computadores, mais foi aí que se concentrou a maioria dos casos moderados ou graves de depressão. Nesse grupo, as pessoas tinham 21 anos, em média. Segundo os autores, não é possível saber se depressivos são atraídos pela internet ou se é o uso da rede que intensifica a tendência ao distúrbio. Eles argumentam que o mais importante é analisar as implicações dessa relação e estabelecer claramente os efeitos dessa prática na saúde mental. O objetivo é evitar casos como os da cidade de Bridgend, no País de Gales, em 2008, quando vários adolescentes, todos usuários compulsivos de internet, se suicidaram.

sexta-feira, agosto 04, 2017

Leandro Zago – treinador do sub-20 na A.A. Ponte Preta


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O espaço em que Leandro Zago comandou pela primeira vez uma atividade em uma escola de futebol da Ponte Preta, em 2000, hoje é ocupado pelo centro de treinamentos da equipe profissional de Campinas (SP). Em quase duas décadas, porém, não foi apenas a estrutura do clube que mudou. Foi um período de consolidação para novas referências, novos conceitos e até novos organogramas na modalidade. Isso só não foi suficiente para derrubar alguns paradigmas.
“Se temos ainda poucos profissionais que se aprofundam nesse tipo de conhecimento, como implementar em um ambiente em que a maioria ainda pensa de maneira fragmentada e não cria relação entre os pequenos detalhes e o produto final? É ruptura de paradigma, e isso demanda tempo e necessidade, principalmente. Sinceramente, não vejo ainda uma necessidade real percebida pelo nosso futebol para essa ruptura. Vejo pessoas, em projetos isolados, buscando contribuir com o desenvolvimento da modalidade”, questionou Zago, hoje treinador do sub-20 da Ponte Preta, em entrevista à Universidade do Futebol.
Bacharelado em educação física pela Unicamp, o profissional tem MBA em gestão de pessoas e construiu carreira no futebol desde o período em que trabalhou na escola da equipe de Campinas. Passou por outros centros de formação e comanda equipes de base há pelo menos dez temporadas.
Zago voltou à Ponte Preta desde o início de 2016. Nesta entrevista, fala um pouco sobre o trabalho na equipe de Campinas e deslinda conceitos que compõem sua ideia de jogo. Também aborda os desafios para o futebol de base no Brasil e os caminhos para a formação de jogadores mais capacitados em diferentes dimensões.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Universidade do Futebol – Como você se mantém atualizado profissionalmente?
Leandro Zago – Em 2016 conseguimos realizar reuniões semanais para discutir artigos científicos com toda a área técnica do departamento de formação da Ponte Preta. Penso essa ser uma iniciativa riquíssima. Pessoalmente eu mantenho uma meta de leitura de livros anual que estabeleci e acompanho materiais produzidos na internet em países que são referência na formação de jogadores, como a Holanda, Alemanha e Itália, por exemplo. Sigo com grande regularidade os treinadores que admiro e me interesso por circunstâncias que podem gerar estudos de caso, como o Guardiola implementando sua filosofia de jogo na Alemanha e na Inglaterra ou o Antônio Conte construindo uma zona italiana na Inglaterra. Nesses casos meu aprofundamento é maior.
Reprodução: Arquivo Pessoal

Universidade do Futebol – Como se dá a integração entre as equipes de base e o departamento de futebol profissional na Ponte Preta?
Leandro Zago – Houve uma evolução nos últimos dois anos, mas ainda é um processo em amadurecimento que vem sendo aprimorado.
Universidade do Futebol – Quais são os pilares da construção da sua ideia de jogo? Há um direcionamento do modelo pelo clube? O quanto isso é levado em conta no seu dia a dia?
Leandro Zago – Não há um modelo estabelecido pelo clube. Porém, a Ponte Preta tem conseguido nos últimos anos, como consequência de frequentar os melhores campeonatos do país e de ter uma identidade cultural histórica relacionada ao comportamento competitivo exigido pela torcida, sustentar uma forma de jogar característica que vem se apresentando com regularidade. Isso eu considero como algo positivo. A falta de conhecimento no Brasil tem criado mais processos engessados do que libertadores, que deveriam ser o real objetivo. Os pilares da ideia de jogo são nucleares e se manifestam fractalmente em absolutamente todas as sessões de treino. Segundo Leitão, em 2009, a lógica do jogo de futebol é chegar ao gol com o menor número de ações possíveis. Não cabe aqui discutir sobre a lógica do jogo, até porque quem domina a fundo esse tema é o Rodrigo Leitão, mas cabe reforçar que todos os exercícios de treino são construídos para que o atleta consiga cumprir cada vez melhor a lógica do jogo e que para isso eles (os exercícios) devem levar em conta todas as dimensões da performance humana no jogo de futebol (técnica, tática, física, mental/emocional, social, cultural, etc.).
Universidade do Futebol – Quais são as ferramentas de controle e avaliação utilizadas nas categorias de base para acompanhar a evolução do jovem jogador nos diversos aspectos de jogo? Elas têm sido eficazes?
Leandro Zago – Nós temos um analista de desempenho por categoria. Esse profissional faz scout de todos os jogos oficiais e de alguns treinamentos. Nós temos nesse scout uma parte relacionada ao desempenho individual e outra ligada ao desempenho coletivo. Temos índices numéricos e edição de vídeo para que os comportamentos desenvolvidos sejam discutidos com os atletas.
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Universidade do Futebol – Para você, quais são os principais desafios a serem superados nas categorias de base no Brasil?
Leandro Zago – O primeiro ponto importante é que os clubes passem a ter um departamento de futebol. Ou seja, os departamentos de futebol profissional e de formação devem se tornar uma coisa só. A partir daí o futebol seria pensado como um processo integrado e setores como captação de talentos e visão sobre a construção de uma forma de jogar teriam total conexão desde a categoria mais jovem até a equipe principal. Com essa integração, a transição de jogadores com destaque na formação para a equipe principal respeitaria um processo organizado em que esse potencial talento tivesse continuidade em sua formação independente da equipe que integra, com profissionais especificamente dedicados a isso. Do ponto de vista da estrutura física, é fundamental que o ambiente proporcione que o treinamento, a alimentação e a recuperação sejam otimizadas ao máximo. Dentre todas as questões aí envolvidas, vou destacar a necessidade de campos de alta qualidade, com maior similaridade possível com aqueles dos melhores estádios do país. Se queremos formar jogadores para um futebol de altíssima velocidade de tomada de decisão e técnica (ação motora), eles precisam, desde muito jovens, exercitar-se em campos que permitam esse tipo de jogo para que adquiram padrões motores que ao longo do processo vão caminhando para isso, jogar em poucos toques sob pressão de tempo/espaço.
Universidade do Futebol – De forma geral, quais os principais obstáculos que você vê hoje em dia para implantar em clubes de futebol trabalhos que tenham uma visão sistêmica e interdisciplinar? Quais as vantagens que você vê na implantação de um trabalho com essas características?
Leandro Zago – A falta de conhecimento sobre o assunto. Afinal, “ninguém sente necessidade daquilo que desconhece”, frase do professor Vítor Frade. Se temos ainda poucos profissionais que se aprofundam nesse tipo de conhecimento, como implementar em um ambiente em que a maioria ainda pensa de maneira fragmentada e não cria relação entre os pequenos detalhes e o produto final? É ruptura de paradigma, e isso demanda tempo e necessidade, principalmente. Sinceramente, não vejo ainda uma necessidade real percebida pelo nosso futebol para essa ruptura. Vejo pessoas, em projetos isolados, buscando contribuir com o desenvolvimento da modalidade. Um trabalho estruturado de maneira sistêmica vai otimizar processos (minimizar o desperdício de energia com ações fora do contexto global), dar maior significado a todas as ações (pela relação entre cada micro decisão e o resultado final) e criar maior envolvimento/compromisso de todos os setores com a produtividade. Assim, cada elemento entenderia seu papel no nível macro do sistema.
Universidade do Futebol – Sabemos que a produção de informação no futebol atual é cada vez maior. Por outro lado, o tempo de treinamento e o espaço entre um jogo e outro são menores a cada temporada. Para você, quais métodos e estratégias podem ser utilizados para lidar com esse paradoxo?
Leandro Zago – Identificar desde o início quais são as informações fundamentais para seu trabalho. Concentrar naquelas que possam gerar intervenção positiva no treinamento e nos jogos e entender que elas variam de acordo com a estrutura conceitual. O papel do analista de desempenho é fundamental nesse processo, para gerar um filtro a partir do que foi definido como importante pela comissão técnica.
Universidade do Futebol – Em que medida a formação de uma equipe de futebol coesa, com uma inteligência de jogo bem desenvolvida e um padrão de jogo definido, depende do comando ou da liderança do treinador?
Leandro Zago – Uma equipe de futebol é produto de todo o ambiente que a envolve, como a estrutura física disponível para treinamentos, alimentação e recuperação, perfil dos atletas, mentalidade de vitória presente no clube, condição econômica, etc. Nesse cenário, o treinador é um elemento muito importante para entender todo o cenário, respeitar a identidade do clube e é claro, implementar o que pensa sobre futebol. Deve ser um potencializador de resultados, aumentando percentualmente o rendimento histórico do clube através da mobilização das pessoas ao seu redor para os objetivos da instituição. O treinador/líder conseguirá essa mobilização através do poder de convencimento que possui, pelas atitudes positivas, agregadoras e tecnicamente efetivas que fazem parte do seu comportamento habitual. A capacidade de emitir comandos naturalmente faz com que sua gestão proporcione menos desgaste pessoal e gaste menos energia. Um treinador que não tem esse perfil baseia seu trabalho em comandos permanentes, aumentando a chance de erros no processo, com informações desconectadas e maior desgaste nas relações pessoais. O comando deve ser uma competência do treinador, não seu único recurso de gestão.
Reprodução: Arquivo Pessoal
Reprodução: Arquivo Pessoal
Universidade do Futebol – Você percebe diferenças significativas entre o futebol brasileiro e europeu? Poderia elenca-las, de maneira geral?
Leandro Zago – Sim, e elas estão essencialmente ligadas às diferenças culturais e ao tipo de gestão. Ainda temos no futebol brasileiro predominantemente um mindset fixo, ou seja, muita crença no talento pessoal e pouco valor dado à capacidade de desenvolvimento e aprimoramento pessoal, tendo no esforço para atingir os objetivos um rival do talento. Afinal, dentro dessa lógica, quem se esforça não tem talento e quem tem talento não deve se esforçar para que não se diminua. Já há um grupo de profissionais que parte de um pressuposto diferente, um mindset de crescimento, que busca construir ambientes de desenvolvimento pessoal e técnico e valorizar comportamentos que levem a tal. A questão a partir daí é que, obviamente, esses profissionais trabalham em um sistema em que predomina a outra lógica e, portanto, o desgaste com o ambiente e consequentemente com os atletas acontece mais vezes e raramente é compreendido como parte (necessária) do processo de desenvolvimento dos atletas. E aí entra o problema de gestão com má formação pessoal e técnica, que por não dominar conhecimentos ligados a área de desenvolvimento humano não consegue entender e intervir de maneira adequada nos problemas que surgem, fortalecendo um ciclo que se alimenta dele mesmo e que todos criticam, mas tomam decisões confortáveis, momentâneas, porém ineficazes para a evolução do sistema futebol. O futebol europeu de alto nível atual é baseado em excelência técnica em velocidade elevada. Isso exige processo organizado e tempo, mentalidade adequada, compromisso com o clube, campos bons (desde a formação), por exemplo.
Universidade do Futebol – Na sua avaliação, o que é um jogador de futebol inteligente? E de que maneira os jovens podem ser estimulados a exercer o processo de autonomia e tomada de decisão nas atividades de treino e nos jogos oficiais?
Leandro Zago – Aquele que resolve de maneira efetiva (melhor ação com menos gasto de energia complexa possível) os problemas que o jogo propõe. Com um processo de treino e jogo que durante toda sua formação o exponha a esses problemas e que garanta que sua percepção esteja sempre voltada a solução criativa em níveis de permanente crescimento da elaboração dessas soluções.
Universidade do Futebol – Estamos diante de uma nova geração de treinadores que vem trazendo novos conceitos à construção do jogo. Por outro lado, muitas vezes vemos treinadores com potencial enfrentando dificuldades em sua trajetória profissional. Para você, a que se devem essas dificuldades e o que essa geração de treinadores pode aprender com a geração anterior?
Leandro Zago – Eu penso que os treinadores não devem ser divididos em geração nova e antiga ou tradicionais e modernos, mas em competentes para o cargo que assumem ou não preparados para ele (do ponto de vista complexo, considerando liderança, metodologia, gestão do ambiente, comunicação efetiva, etc.). A grande mudança se dará pela ação de fato, e não pelo discurso. Para se pensar em termos de complexidade, não basta ler um livro do Edgar Morin ou construir exercícios de treino que considerem as várias dimensões do rendimento. A complexidade é um paradigma e de nada adianta ler sobre ela e não praticar em cada ação profissional desde a hora que inicia seu dia até quando ele termina. Conheço ambientes de clubes que foram deteriorados pela “disputa ideológica” entre os “tradicionais” e os “modernos”. Onde está o entendimento sobre complexidade aí? Ou a qualidade dos relacionamentos não interfere nos resultados? Não consigo acreditar nisso e, como acredito que ela faça parte pela confiança que as pessoas têm de que todos estão fazendo o melhor possível, deve ser levada em conta sim e não colocada em segundo plano como resultado de disputas de crenças pessoais e metodológicas. Acredito que todos devem aprender permanentemente e olhar para as experiências utilizando o que possa ser útil em sua realidade, com ajustes, e eliminando circunstâncias com grande probabilidade de insucesso.

Revisão: Guilherme Costa
Universidade do Futebol

‘Somos profissionais dirigidos por amadores apaixonados’, diz Zé Mário em entrevista

Zé Mário defendeu os técnicos das seguidas demissões – Arquivo Em Tempo

Dono de uma carreira vitoriosa tanto como jogador quanto como treinador, Zé Mario agora atua fora das quatro linhas. Em entrevista exclusiva, o presidente da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF) deu detalhes sobre o trabalho desenvolvido à frente da entidade, defendeu os técnicos das seguidas demissões e apontou caminhos para que a troca no comando das equipes seja exceção, e não regra, como acontece atualmente.
PÓDIO – O senhor atualmente é o presidente da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF). Qual o objetivo e o trabalho desenvolvido por essa entidade?
Zé Mário – Queremos aprovar o projeto de lei que está em Brasília proposto pelo deputado José Rocha, da Bahia, que, entre outros benefícios para os treinadores e, por conseguinte, para o futebol brasileiro, pedimos que o contrato mínimo seja de seis meses, que tenhamos direito de arena como os atletas, já que também participamos ativamente do espetáculo, e que o clube só possa contratar outro treinador depois que pagar todos os direitos trabalhistas ao que está de saída. Sabemos que as demissões fazem parte de quem tem contrato. Isso serve para todas as profissões. Entretanto, na maioria das vezes, o profissional não recebe e fica em situação difícil, pois, muitas vezes, esse treinador mudou de cidade com a família, matriculou os filhos no colégio e, de uma hora para outra, tem que fazer toda essa transformação de volta para a sua cidade de origem e sem ter recebido.
PÓDIO – Já são 13 técnicos demitidos em apenas 16 rodadas disputadas no Campeonato Brasileiro. Números assustadores. O que pode ser feito para frear essa tendência no futebol nacional?
ZM – Enquanto os clubes não forem dirigidos por profissionais responsáveis, será muito difícil uma mudança nessa situação. Somos profissionais dirigidos por amadores apaixonados, que não têm nenhuma responsabilidade com a administração e as finanças dos clubes. Todos entram nas competições sem planejamento e sem ideia de onde podem chegar. Clubes pequenos ou grandes, no início do campeonato dão entrevistas como já fossem os futuros campeões brasileiros.
PÓDIO – Neste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) passou a registrar todos os contratos de trabalho dos técnicos de futebol. De que maneira isso pode contribuir com a melhoria da classe e da modalidade no cenário nacional?
ZM – Isso já era uma obrigação não cumprida desde 1993, quando foi aprovada a Lei do Treinador. Foi bom a CBF colocar essa obrigatoriedade no regulamento das competições, mas faltou a inclusão de que, para registrar outro treinador para sentar no banco de reservas de um jogo, o técnico anterior deveria dar a quitação das responsabilidades trabalhistas pela rescisão do contrato. Como a CBF não fez isso, a balbúrdia de demissão continuou juntamente com o não pagamento ao treinador demitido. O registro, mesmo assim, já foi um avanço.
PÓDIO – O senhor já teve a oportunidade de treinar equipes brasileiras e estrangeiras. É mais “tranquilo” trabalhar fora do país?
ZM – Todo lugar tem o seu problema, diferentes de um lugar para o outro, mas existem problemas. Só que na maioria dos outros lugares, principalmente no mundo árabe, onde atuei, o treinador demitido recebe seus direitos. Eu não posso reclamar, sempre fiz contrato e sempre recebi tudo que eu tinha direito aqui e no exterior. Sempre fiz contrato. Nunca trabalhei sem contrato. Ninguém me deve.
Zé disse que nunca trabalhou com contrato – Arquivo
PÓDIO – Essa sua experiência no exterior fez o senhor observar o trabalho e até a maneira como os técnicos são tratados no Brasil de uma outra forma?
ZM – Os treinadores no Brasil são tratados como pessoas que podem ser responsabilizadas por tudo de errado que acontece no clube. É a válvula de escape da má administração financeira e administrativa dos clubes. Não existe vitória sem jogador bom. O treinador não faz milagre. Se o clube não contrata bons jogadores, não pode exigir resultados positivos. Se o clube não paga os salários em dia, quem responde com isso é o treinador. Tudo é o treinador. Você já viu dirigente se demitir por mau resultado dentro do campo ou na administração?
PÓDIO – Na sua visão, por que os treinadores não conseguem ter uma sequência maior no comando dos clubes brasileiros?
ZM – O futebol é um esporte coletivo e com isso precisa de tempo para que dentro do campo os jogadores se conheçam melhor e saibam os defeitos e as virtudes de cada companheiro. Como um treinador ou os próprios jogadores vão se conhecer se a cada três meses saem vários jogadores e chegam vários outros novos? Isso é impossível. O treinador precisa de tempo para conhecer uma média de 25 a 30 jogadores que o clube tem, mais todo o pessoal de apoio que, nos clubes grandes, chega a 30 profissionais de várias áreas. E isso tudo quem comanda é o treinador. Como, em poucos meses, ou por três resultados negativos o treinador pode trabalhar a contento? Para piorar, existem os torcedores, a imprensa e os diretores, uns pressionando e outros pressionados, atrapalhando o trabalho.
PÓDIO – Temos visto uma mobilização muito grande, tanto por parte de jogadores quanto por parte de técnicos e executivos. Os debates são relacionados a calendário, estrutura dos clubes e uma série de outras coisas. Essa união entre as classes é o que pode mudar o cenário do futebol nacional?
ZM – Não vejo os executivos nessa tarefa. Não participam com a mesma ênfase que os atletas e treinadores. Você já viu executivo se demitir ou ser demitido por mau resultado? A união sempre é um fator muito grande de pressão. Estamos a caminho disso. Infelizmente, não nos deixam chegar nas presidências das entidades que dirigem o nosso futebol. Tenho certeza que temos muita gente boa que poderia ajudar muito. Um exemplo disso é o Mauro Silva, na Federação Paulista. Ele está fazendo um trabalho excepcional.
PÓDIO – Até que ponto as demissões são de responsabilidade dos clubes e até que ponto a culpa é do treinador?
ZM – Acredito que as demissões são de responsabilidade exclusiva dos dirigentes. Seja na falta de planejamento para o clube, para a competição, seja na hora da contratação do treinador, seja na busca por resultados impossíveis e assim por diante. A culpa dos treinadores está em aceitar treinar clubes que não têm a mínima condição de trabalho e, na hora da apresentação, aceitar o dirigente dizer que o trouxe para ganhar o título.
PÓDIO – Qual o atual cenário do futebol brasileiro em relação ao mercado de técnicos e o que pode ser melhorado?
ZM – Na CBF, constam quase 800 clubes profissionais. Na realidade, não existem 60 clubes profissionais no Brasil. A FBTF deu uma ideia para a CBF de fazer um caderno de obrigações para que um clube seja considerado profissional. Parece que a ideia está saindo do papel, vem com o nome de Licenciamento para Clube Profissional. Aí, sim, vamos ver quem pode se intitular profissional ou não. Muita gente acha que com isso vamos diminuir o mercado de trabalho. Não é verdade. Vamos diminuir o mercado de ilusão. Lembram do Vampeta: “Eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”. É isso aí. Como pode ser mercado de trabalho se só você tem obrigações? Na hora de pagar, não têm dinheiro. Na minha opinião, é mercado de ilusão e não mercado de trabalho. Quem não for considerado profissional vai ser amador. Existem no Brasil campeonatos amadores do mais alto nível, mas têm que ser considerados amadores.
André Tobias
EM TEMPO

quarta-feira, agosto 02, 2017

Bahia adere a programa da Unicef para formação de atletas

Bahia adere a programa do UNICEF para formação de atletas

por Universidade do Futebol
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As divisões de base do Bahia já revelaram diversos craques para o futebol brasileiro e até mesmo a nível mundial. Atualmente, o time profissional conta com Jean, goleiro formado no clube, como titular indiscutível, além de outros jogadores no elenco principal.
Apesar de já obter sucesso com sua base, como nos três títulos estaduais conquistados em 2016, o Bahia busca melhorar seu trabalho com os futuros talentos tricolores. O clube aderiu ao programa "JOGUE LIMPO, JOGUE BEM", criado pelo UNICEF em conjunto com a Universidade do Futebol.
A ideia é de trabalhar com os jovens jogadores não mais apenas no aspecto esportivo, mas também como cidadãos.
Em evento realizado nesta manhã de quinta-feira, na sala do Bahia na Fonte Nova, o presidente Marcelo Sant'Ana explicou o objetivo do programa e exaltou o fato de o Bahia ser o clube pioneiro no Brasil.
"O Bahia tem a oportunidade de hoje assinar o termo de adesão. Hoje, com o programa, a gente consegue dar atenção também para os nossos garotos da divisão de base, melhorar essa formação enquanto cidadão. Nos preocupamos com a formação do atleta, a formação do homem", explicou.
"Não adianta se preocupar apenas com o time, mas com o clube, que envolve todos os jogadores. Se a gente pega hoje no elenco profissional, a gente tem Jean, Rodrigo, Eder Feijão, Juninho, Douglas e Junior Brumado. Nenhum desses chegou com 14 anos, talvez Feijão. E esses chegaram para o profissional. E os outros? Como a gente preparou os outros para uma vida fora do clube e para o futebol? É essa a preocupação que a gente tem. O Bahia ingressando nesse programa, a gente quer entender até que ponto pode fazer trabalho de qualidade. A maioria deles mora no Esporte Clube Bahia, no nosso alojamento. A gente quer saber até ponto nosso trabalho tem sido bem feito e como podemos melhorar", disse.
Entenda o que é o programa JOGUE LIMPO, JOGUE BEM:
A iniciativa inovadora tem objetivo de apoiar as equipes de futebol brasileiras para que avancem em sua responsabilidade social para além de campanhas pontuais e invistam na necessária identificação e gestão dos riscos, impactos e oportunidades relacionados à formação de crianças e adolescentes atletas.
Em suma, busca contribuir para que o desenvolvimento de jovens jogadores de futebol ocorra em um ambiente saudável, seguro e acolhedor. O lançamento oficial do programa será no mês de agosto.
Ao longo da difícil jornada rumo à profissionalização, crianças e adolescentes estão sujeitos a situações como o afastamento da escola, a ruptura do convívio familiar e comunitário, o comprometimento da sua integridade física, a exploração econômica e a profissionalização precoce.
O JOGUE LIMPO, JOGUE BEM está baseado em 10 compromissos. Por meio da adesão ao programa, os clubes recebem orientação técnica da Universidade do Futebol e do UNICEF e se comprometem a adotar e implementar ações específicas em áreas como proteção, saúde e educação, entre outras.
A iniciativa contará com uma Plataforma Virtual, que estará disponível ao público. Esta plataforma conterá, além de todas as informações sobre o funcionamento do programa, uma Ferramenta de Autodiagnóstico para clubes de futebol identificarem o status de suas práticas e políticas em relação aos atletas do futebol de base, e obterem recomendações sobre como avançar em sua responsabilidade social. (Fonte: Site oficial do Bahia)

Posse de bola – vencer na estatística ou vencer o jogo?


Posse de bola – vencer na estatística ou vencer o jogo?

por Universidade do Futebol
posse de bola
É isso mesmo, não é ilusão de ótica o gráfico representado no cabeçalho da coluna; ter a bola a todo o momento no jogo é garantia de vitória?
Várias discussões acercam dessa problemática, que tais números ou convicções, não são capazes de provar o que é eficiente ou não frente a uma partida de futebol. Na verdade o que vamos fazer nessa coluna de hoje é refletir e não trazer verdades absolutas em questão. Primeiro vamos analisar alguns números isolados em relação a algumas das competições pelo mundo:
Leicester Campeão da Premier League 2015 – 2016
Leicester Campeão da Premier League 2015 – 2016

Corinthians, atual líder do Campeonato Brasileiro da Série A, 2017.
Corinthians, atual líder do Campeonato Brasileiro da Série A, 2017.

Analisando os números, percebe-se o “menosprezo” da posse de bola, em virtude aos resultados obtidos por Leicester em 2016 e Corinthians em 2017. Mas isso, remete a um menor desempenho técnico em campo? Essa é uma das nossas reflexões; vamos ver outros números:
Números do FC Barcelona em 2014 comandados por Pep Guardiola (Campeão da Liga BBVA)
Números do FC Barcelona em 2014 comandados por Pep Guardiola (Campeão da Liga BBVA)

Você deve estar se perguntando, por que o autor deste artigo quer confundir minha cabeça, colocando dados ambivalentes em relação à posse de bola? A seguinte análise que deve ser feita é a seguinte: qual é a lógica do jogo?
A resposta a essa pergunta pode parecer simples, mas ela nos instiga a perceber muitos outros fatores envolvidos. A resposta é: fazer mais gols que o adversário. Essa é a lógica de qualquer jogo em que se há um alvo para atacar e para defender: basquete, handebol, pólo aquático, etc. Superado a questão de fazer mais gols que o adversário, a lógica do jogo nos traz outra reflexão: como quero chegar ao gol do adversário? Se com posse ou sem posse de bola, você chegar ao gol do adversário, obviamente cumpriu seu objetivo em relação à lógica. Agora voltando ao enunciado da coluna, posso afirmar que o FC Barcelona, tinha apenas a posse de bola, como ferramenta principal? O objetivo era a bola chegar nos pés do jogador que mais cumpriu a lógica naquela equipe em ocasião: Lionel Messi! Isso mesmo! Percebe-se que a maioria das ações executadas pela “Lenda” de 2015, eram execuções que buscavam passes verticais, dribles em direção ao gol e tabelas que sempre terminavam em finalização.
Sob esta análise em relação ao Messi, podemos identificar uma saída da nossa problemática em relação à posse de bola; quem vence jogos não é a posse de bola em si, mas sim a execução em algum momento do jogo em cumprimento à lógica do jogo, “plim”! Agora sim está ficando claro!
Tanto nos exemplos de Leicester e Corinthians, como no exemplo do Barcelona, ambos em algum momento da partida cumpriram a lógica do jogo. Tanto que se percebermos em uma das figuras do exemplo do FC Barcelona, no jogo contra o Celtic por mais que a posse de bola foi o destaque principal, podemos ver que houve 23 finalizações, sendo que 14 foram em gol, ou seja, cumpriram a lógica do jogo e bem. Agora que vem o “pulo do gato”, que é a próxima reflexão: o quanto de tempo (chronos), a posse de bola pode me atrasar a buscar a lógica do jogo por mais vezes em um jogo? Aí é o X da questão!
A estratégia que cada equipe vai adotar para cumprir a lógica do jogo é algo muito particular e faz parte do modelo de jogo singular deste time. Jogar com lançamentos, no contra ataque ou com posse de bola, isso não interfere ao cumprimento da lógica em algum momento do jogo, até porque ninguém joga um jogo somente para empatar, em algum momento em que o adversário vacilar, a equipe vai atacar para fazer o gol. Mas não fugindo do raciocínio, não fica muito óbvio que buscar o gol por mais vezes em um jogo, aumentam as chances da equipe sair vencedora? Talvez a inversão na estatística fosse à troca entre percentual de posse de bola X número de finalizações em gol (que também não é garantia de vitória).
Sendo assim, a percepção subjetiva nos traz outro tipo de reflexão: será que a bola parada colocada na área, não faz a equipe buscar o gol de maneira mais rápida? O mesmo com cobranças de lateral dentro da área? Tiro de meta longo? Essas são maneiras reducionistas de buscar o gol de maneira mais rápida; como a pressão no campo adversário, transições ofensivas rápidas, enfim, o que se entende são componentes “facilitadores” ao cumprimento mais rápido da lógica do jogo. Se isso é garantia de vitória? Nem sempre! O futebol é um jogo de erros ofensivos e acertos ofensivos, erros defensivos e acertos defensivos e quem errar menos maximiza as chances de sair com a vitória, quem fizer mais gols que o adversário, obviamente ganha o jogo! Essa é a lógica, queridos leitores!

*Anderson Gongora – Treinador de futebol que trabalhou nas equipes do Paulínia FC, Desportivo Brasil, Coritiba FC e Capivariano FC. Atualmente, treinador do Projeto de Intercâmbio para os EUA - HWT.

terça-feira, agosto 01, 2017

Ranking digital dos clubes brasileiros – Ago/2017

Flamengo assume a liderança em inscritos no YouTube;
Chapecoense registra nova queda e perde a 6ª posição para o Grêmio;
São Paulo bate marca de meio milhão de inscritos no YouTube;
Santos ultrapassa 7 milhões de inscritos em suas redes;
Top 5 clubes registram grande volume de crescimento


São Paulo, 3 de agosto de 2017 – Com o levantamento deste mês, o IBOPE Repucom divulga o desempe-nho dos clubes de futebol do Brasil nas redes sociais para agosto/2017.

O estudo destaca a conquista da liderança do Flamengo em inscritos no YouTube entre os clubes brasileiros. A “FLA TV” superou o crescimento da “TV Palmeiras”, que também ultrapassou os 600 mil inscritos no último mês, e se mantém como o clube com maior crescimento absoluto em volume de seguidores neste ano, considerando todas as plataformas.


No que depender do atual líder, Corinthians, a disputa pela liderança será acirrada. O clube paulista, que lidera o ranking desde o início das medições e ostenta a liderança em seguidores no Twitter entre os clubes brasileiros, registrou no último mês seu maior crescimento em 2017, somando 266 mil novos inscritos em suas redes sociais. Com isso, o clube paulista mantém vantagem de 166 mil seguidores para o Flamengo.

O ranking atual também destaca o Santos Futebol Clube, por ultrapassar a marca de 7 milhões de inscritos em sua base digital, consolidando sua posição no Top 5. O São Paulo também registrou um feito de destaque ao ultrapassar a marca de 500 mil inscritos na SPFCTV, sua conta oficial no YouTube, e se junta a Flamengo e Palmeiras como os únicos clubes a ultrapassarem meio milhão de inscritos em seus canais oficiais na plataforma de vídeos.

Como destacado no mês anterior, a Chapecoense diminuiu seu ritmo de desenvolvimento e registrou perda de seguidores pela segunda vez consecutiva em seu Facebook e Instagram. A “Chape” foi o único clube a registrar crescimento negativo, se comparado com o mês anterior, o que contribuiu para que a equipe catarinense perdesse a 6ª posição para o Grêmio. Com este feito, os tricolores gaúchos retomaram o posto de clube com maior base digital da região sul do país.

O levantamento destaca, ainda, o crescimento expressivo no volume de inscritos nas plataformas oficiais dos clubes presentes no Top5 do ranking. No levantamento de julho, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos, somados, registraram 370 mil novos inscritos em suas redes sociais, já no levantamento atual, estes clubes somaram mais de um milhão de novos inscritos, um crescimento que supera 170%.

Veja abaixo o levantamento completo de agosto de 2017: