Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Com Pé e Cabeça 113, a coluna do Benê Lima

”O futebol cearense existe, e precisa ser reinventado.” (Benê Lima)

Lançamento
MAIS UM ‘PONTO COM’ A CAMINHO?

Ele vem para ocupar uma lacuna na área do direito esportivo e da opinião crítica e elaborada, colocando-se como mais um instrumento de formação de idéias

O ‘NAAREA.com’ não é apenas mais um sítio (ou site) que irrompe em um mercado já saturado. Ao contrário, este é um projeto que nem se precipitou nem carrega a marca da mesmice.

O mercado que buscamos não é o do BBB (Big Brother Brasil), assim como também não é o da EIB (Elite Intelectual Brasileira). Pretendemos orbitar mais ao centro, atraindo principalmente a média entre um e outro extremo, sem com isso desprezarmos nenhum efeito centrípeto – que atraia para o ponto medial os mais diferentes estilos.

A iniciativa de interlace do Direito Esportivo com Opinião, através da verve de colunistas e ensaístas do direito esportivo, é uma tentativa de dar perenidade ao interesse dos leitores-internautas, condição ‘sine qua non’ para a longevidade de mais este instrumento de intermeio ora criado – como o é o meio virtual.

Nossa expectativa é a melhor possível. O terreno do futebol em que nos lançamos é fértil, porque excede em discussão apaixonada, mas continua carente de uma discussão anti-sectária e imparcial – para não dizer desapaixonada, enfim – que é o que sobremaneira nos interessa.

No futebol a credibilidade também se constitui em artigo de luxo, raro e custoso. Eis o porquê de termos em mente cultivá-la abundantemente, com vista a estreitarmos o laço de fidelização com os nossos leitores. De outra parte, não queremos ver reforçada em cada desportista a atitude recidiva e contraproducente de crença na descrença.

Com os exemplos do trabalho, do profissionalismo, da competência e da ética, pretendemos nos inserir no processo de permanente discussão do futebol, em especial do futebol cearense, local em que a gestão desportiva assume contornos entre o embrionário e o caricatural. Se há quem nele faça um esforço para enxergar o futebol como ele é, ainda há quem o veja e o trate como um simulacro da realidade. Dona Lindaura, a executiva das ingerências do Ceará Sporting Club que o diga. Para ela, a importância da banana não está no auxílio da reposição de minerais como o potássio. Banana é aquilo que ela está dando para o trabalho físico que se tenta realizar no Alvinegro de Porangabuçu.

Então, diante de um futebol de caboclinhos e macunaímas, faz-se ofício o surgimento de um instrumento de reflexão crítica e profunda, que se expresse em conformidade com as exigências de um futebol falto de conhecimento, orientação e profissionalismo.

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EFEMÉRIDES

Para reflexão

Sérgio Redes, o experiente e inteligente desportista e ex-jogador de futebol de Fortaleza e de Ceará, conhecido como Serginho Amizade - meio-campista criativo que chegou a Fortaleza no início da década de 70, juntamente com o zagueiro Dimas e o atacante Miguel -, expressa sua opinião sobre a inconveniente fórmula atual de disputa do Campeonato Cearense, em conformidade com um de seus mestres na universidade. Em certo trecho de seu artigo, Sérgio Redes afirma: “A tabela visa o lucro financeiro, não se preocupa com a qualidade do futebol e muito menos com a saúde dos jogadores. Cada equipe realizou nove jogos em vinte e nove dias. Quase um jogo a cada três dias. Se levarmos em consideração que, além do curto espaço de recuperação entre um jogo e outro existem as viagens, a maioria de ônibus, entenderemos o desgaste físico e emocional a que os jogadores estão submetidos.”

Icasa matreiro
Mais um jogo entre Fortaleza e Icasa em que o Tricolor do Pici não consegue levar vantagem sobre o time juazeirense. Disto se aproveitou o time do técnico Play Freitas para matreiramente explorar as dificuldades do time do exaltado técnico de Silas Pereira. Não é difícil percebermos o Fortaleza como um time tenso e ao mesmo tempo um tanto desfibrado. Não vai aqui nenhuma conotação pejorativa aos atletas leoninos. Ao contrário, a equipe se esforça, mas parece sentir o peso da responsabilidade e das cobranças, algumas despropositadas. Houve momentos dentro da partida que o time desconcentrou-se de tal forma, como se estivesse em um estado semi-letárgico. Este estado é mais presente quando o adversário tem o domínio da bola, o que nos faz acreditar que a equipe ainda não introjetou como deveria a necessidade da marcação. Além disto, a transição defesa/ataque é feita frequentemente de forma direta, o que acaba dificultando a qualidade do passe. Outro fator que ficou evidente desde a semifinal é que a equipe perde a confiança com muita facilidade. Ademais, o time não joga com alegria, situação que transmite certo nervosismo aos atletas, notadamente naqueles que possuem uma maior propensão para a irritação.

Verdão apostou no erro do rival
Passada a pressão inicial, o Icasa aos poucos foi fazendo o seu jogo fluir, sobretudo em cima das falhas de marcação do adversário. Zé Augusto incomodava o sistema defensivo leonino, bem como Serginho e principalmente Esquerdinha – que teve uma movimentação fantástica. Esquerdinha é o tipo do jogador liso, que retém a bola com extrema habilidade, dificultando a ação do adversário no sentido de roubar-lhe a bola. De outra parte, quando era a vez da equipe icasiana ceder em sua postura defensiva, aí aparecia a categoria do bom goleiro Douglas fechando o gol. Até esta situação criada pela estupenda participação do goleiro do Verdão ia minando a confiança da equipe do Pici. Com isso aumentava o desespero do Leão, do que se aproveitava o Icasa para ir tocando a bola com muita consciência, aguardando o melhor momento para dar o tiro de misericórdia, ou, simplesmente, manter um ou outro – vitória ou empate - dentre os resultados que lhe favoreciam. O gol de Marciano na 1ª etapa de jogo deu maior tranqüilidade à equipe, que em momento algum demonstrou intranqüilidade. Nem mesmo o empate do Tricolor nos acréscimos abalou a equipe. Desse modo, o Verdão do Cariri conquistou de uma só vez, a Taça Estado do Ceará (1º Turno), no mínimo o Vice-campeonato cearense, a vaga na Série-C do Brasileiro deste ano e, outra vez, sua vaga na Copa do Brasil, desta feita de 2009.

Arbitragem
Marcos Antonio Sampaio teve difícil missão pela frente. Da mesma maneira que Luzimar Siqueira, Manoel Moita e Almeida Filho, sua arbitragem anda bem no aspecto técnico, embora no jogo em questão tenha deixado de assinalar uma falta máxima de Erandir sobre Esquerdinha. Quanto ao panorama disciplinar, Sampaio não se saiu tão bem assim, fazendo-nos crer o quanto é difícil a um árbitro não fazer distinção entre camisas. Mas pelo grau de dificuldade da partida, de 0 a 10 uma nota 7 lhe caberia bem. Sorte dele não ter causado mal maior ao time do Icasa.

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BREVES E SEMIBREVES ®

Inferência.
Da atitude do por enquanto ex-advogado do Ceará, Clarke Leitão, em declarar sua crença na irregularidade da condição de jogo do baixinho Clodoaldo, e depois nada fazer concretamente para dar provimento à sua denúncia, conclui-se que o presidente Eugênio Rabelo não lhe deu suporte para levar avante seu intento. Ou não?

Mudança de foco. O enfoque da campanha “Sua Nota Vale Dinheiro” deixou de lado o torcedor, quem mais precisa, para beneficiar os clubes de futebol e até as federações. No fim, tudo conspira para que o torcedor se desacostume a marcar sua presença nos estádios.

(Des)organizadas . O Ministério Público de Minas Gerais pedirá proximamente o fim das torcidas organizadas de Atlético-MG e Cruzeiro. A ação é de iniciativa do promotor Francisco de Assis Santiago, que assevera: “O que está acontecendo é que as torcidas organizadas têm mudado o foco do futebol para a violência”. É fato!

Paulistão. Por lá quase tudo é feito corretamente. Só não estavam previstas tantas zebras. O São Paulo corre atrás do prejuízo; Corinthians e Palmeiras se situam numa zona intermediária; já o Santos de Marcelo Teixeira e Leão tem sido a grande decepção. Consolo e conforto para o Vozão?

Polêmica. Wanderley ou Vanderlei? Até na escolha do seu nome o agora Wanderley consegue gerar polêmica. Depois de pedir a contratação Zé Roberto para o Santos, chegou a vez de solicitar Denílson para o seu Palmeiras. Lembrando que Denílson foi considerado o maior blefe em contratação já feita por um clube europeu. A vítima à época, foi o Bétis, da Espanha.

Mesmice. Os dois grandes clubes de Belém, Paysandu e Remo, comportam-se, através de seus cartolas, do mesmo modo que os cartolas daqui: pegam uma corda tremenda para fazerem ‘contratações de grandes nomes’ e acabam dando com os burros n’água. O pior – para Remo e Paysandu - é terem que administrar a falta de credibilidade de seus clubes.

Detalhe. Impressionante o silêncio sepulcral que tomou conta do onze leonino, após sofrer o gol do Verdão. Ninguém sequer reclamou. Palavras de incentivo e/ou motivação, nem pensar!

Ressalte-se. Paulo Isidoro foi o principal destaque do Tricolor, seguido pelo goleiro Tiago Cardoso. De meia a atacante, passando por 2º volante, Paulo demonstrou um futebol de boa técnica e muito fôlego: correu, marcou, armou, driblou e fez gol.

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”No futebol, mais se acha do que se compreende, mais se acredita do que se comprova. Se pelo menos achassem o conhecimento... Se pelo menos se acreditasse nos fatos ao invés de nos mitos...” (Adaptação do texto de Rodrigo Azevedo Leitão)


Benê Lima
benecomentarista@yahoo.com.br
85 8898-5106, o telefone da comunicação

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Destaques do Benê Lima

Verdão larga na frente para conquistar 1º Turno

Mais uma vez o Tricolor de Pici não soube segurar o ímpeto do adversário. Só após tomar o 1º gol é que a equipe leonina conseguiu jogar pra valer. O velho filme, cujo enredo é correr atrás do adversário, novamente se fez presente na vida dos tricolores.

Ao Verdão do Cariri coube construir com consciência e boa dose de competência um resultado de 2 a 0, que lhe deu a tranqüilidade necessária para administrá-lo, embora correndo riscos.

Depois de muito fustigar a meta icasiana, o time do Fortaleza consignou seu gol inaugural e único, fechando o placar em 2 a 1, um resultado que nos pareceu justo pela maior obstinação com que a equipe do Icasa perseguiu o resultado de vitória.

Saber tirar proveito do mando de campo, estando em sintonia com seu torcedor, estes foram os principais méritos do bom time icasiano.

Ao Leão, resta tentar repetir a dose da virada contra o Horizonte, tarefa que, convenhamos, não vai ser nada fácil.


(Foto: Auceli Neto)


A ‘Dama da Banana’

Lindaura Rabelo, a executiva das finanças do Alvinegro de Porangabuçu, manda o progresso para o inferno; condena os atletas do clube a um café da manhã à base de pão com margarina; renega o mineral da banana; transforma os isotônicos em garapa dispensável; trata a suplementação alimentar de atletas de ponta como coisa supérflua, e sustenta que advogados se encontram em qualquer lugar e aos montes.


Isso é que é uma banana... E das grandes!

Mais um capítulo hilariante da – não fosse ridícula – chistosa história recente do Ceará Sporting Club.

E agora, vem a público Eugênio Rabelo, Presidente da Executiva do Alvinegro, para, noutra confissão temerária, admitir o que todos sabemos:

“Nossa situação é constrangedora!”, como se tivesse descoberto alguma coisa nova.

Lamentável!!!

Uns caminham para frente; outros, para trás

Santo André recebe curso de treinamento de alto nível para o futebol moderno

Entre os assuntos será discutida a dermatoglifia (estudo das impressões digitais para detecção de talentos e direcionamento da carreira)

Equipe Cidade do Futebol

Nos dias 15 e 16 de março acontece em Santo André o curso de Treinamento de Alto Nível para o Futebol Moderno. O evento será comandado por Carlos Vinicius Herdy, fisiologista e coordenador do Centro de Cinesiologia e Pesquisa Científica do Vasco da Gama.

No programa serão discutidas assuntos referentes a avaliações físicas (antropometria, composição corporal, isocinético, salto vertical, salto horizontal, VO2, limiar anaeróbio e análise bioquímica); descoberta de talentos (procura, seleção, tipos de pesquisas utilizadas no prognóstico de talentos, aspectos maturacionais e funcionais); treinamento técnico, tático e físico; e liderança, motivação e sucesso de um grupo.

Outro assunto que será debatido no evento é a dermatoglifia, o estudo das impressões digitais para detecção de talentos e direcionamento da carreira. Herdy irá explicar como o Vasco está usando está técnica na seleção de atletas.

O evento acontece no Hotel Blue Tree Towers, em Santo André, no auditório Itamarati. O valor do investimento é de R$ 180,00, com limite de 200 vagas. Mais informações pelo telefone (11) 3717-4090.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A tática através da repetição

Dias desses um dos nossos grandes treinadores brasileiros disse que sua equipe necessitava realizar grande número de repetições a respeito de uma tarefa para que seus jogadores finalmente (realmente e definitivamente) pudessem compreender melhor o jogo, criando maior número de situações favoráveis e oportunas para a equipe durante as partidas.

Talvez o grande dilema dos treinadores nos esportes coletivos esteja fincado na dificuldade de, ao compreender com excelência o jogo (suas táticas, estratégias e dinâmicas), ser capaz de ensinar aos seus atletas e equipe como ler e entender o jogo (ou ao menos a sua maneira de enxergá-lo).

Alguma dificuldade sempre existirá quando o objetivo for ensinar. Maior ainda ela será, quando o objetivo for “ensinar a aprender” (mas isso é uma outra discussão). Porém especificamente no caso do futebol o maior de todos os problemas está fincado na incapacidade dos treinadores em gerenciarem sua principal missão: saber e conhecer como ensinar.

É óbvio que estamos partindo da premissa de que eles (os treinadores) tenham um bom entendimento sobre o jogo e seus conteúdos, e que portanto tenham o que ensinar aos seus atletas.

Taticamente, o jogo precisa ser quase que “sobrenaturalmente” dialogado o tempo todo entre os jogadores. A cada mudança na posição da bola, deste ou daquele adversário, a cada ação e distribuição geométrica da equipe, enfim a cada problema que surge nas dinâmicas do jogo é necessária uma resposta rápida, pontual e eficaz. E como estamos falando de futebol, é impossível que uma resposta “rápida, pontual e eficaz” seja dada individualmente de forma isolada.

A ação de cada um no campo de jogo está ligada a ação de todos os outros, a todo tempo o tempo todo. Então qualquer intervenção aparentemente isolada de um atleta alterará a dinâmica de toda a sua equipe e conseqüentemente do adversário, de maneira sistêmica.

Isso quer dizer que se em uma equipe todos os atletas não estiverem “sintonizados na mesma freqüência”, lendo o mesmo jogo, com ações que se completam em torno da mesma dinâmica, será quase impossível criar situações reais de gol (que não sejam anárquicas), de controle de jogo e de solidez defensiva (dentre tantas outras) que garantam uma equipe organizada e competitiva.

A grande questão aqui é: seria a repetição sistemática de uma seqüência de ações, com objetivo de automatizar dinâmicas, a melhor forma para “exercitar” a compreensão sobre o jogo, a criatividade e a capacidade de resolver situações-problema?

Certamente, muitos de nós (incluindo treinadores, especialistas, jogadores, dirigentes, etc.) acreditamos que o segredo da excelência está atrelado a repetição exaustiva de ações para que, sem que seja necessário “pensar”, o sujeito (o atleta) possa responder prontamente às necessidades apontadas pelo jogo.

Um dos maiores equívocos que cercam os defensores do “automatizar sim, pensar não” é de que ao se apropriar de um automatismo qualquer acaba-se por condicionar respostas sempre iguais (imaginado problemas sempre iguais). Aí, uma pequena alteração no problema, acaba através do “automatismo impensado” gerando respostas “ansiosamente” erradas.

Em outras palavras, condicionar uma equipe a responder sempre de mesmo jeito é o mesmo que considerar que os problemas serão sempre os mesmos.

O futebol é imprevisível e o número de situações que podem ocorrer são aleatoriamente infindáveis. Então é no mínimo improvável (para não dizer “burro”) acreditar que automatismos podem preparar para o jogo.

Ao invés de se buscar o “não pensar” dever-se-ia buscar o “pensar mais rápido possível”; ou seja, ao invés de soluções condicionadas, respostas dadas após percepção e análise do problema em altíssima velocidade.

A diferença básica e primordial entre automatizar e pensar rápido (fazendo uma analogia) é que o automatismo mecanizado configura ações típicas do meu programa de edição de textos, que sempre ao detectar uma palavra “estrangeira” no seu texto português, acredita (sem exceções) que ela tem a ortografia errada. Como está condicionado, programado para isso, “tem dificuldades” para entender quando deve considerar a palavra como parte do texto ou como erro de digitação.

Parece-me então que muitas vezes nosso talentosos jogadores são “programados” para o jogo, para exercer tarefas como as que realiza o meu programa de edição de textos.

Sei que intuitivamente alguns de nossos treinadores até acabam por exercer sua básica e primeira função com grandeza. Sei também que alguns poucos a exercem com conhecimento de causa e excelência. Mas por que não facilitar as coisas? Por que não otimizar o tão reclamado e necessitado tempo de treino, de forma mais útil e eficaz (através do conhecimento)?

Afinal de contas somos seres humanos que nos vangloriamos da nossa inteligência “superior” e nossa capacidade de pensar e planejar. Então porque não estimulamos nossos atletas e equipes a pensar, ao invés de tratá-los como computadores programáveis e descartáveis? (ou então, ao invés de pensar nisso tudo, podemos continuar afinados com o senso comum e a sua mais nova edição da “bíblia daqueles que tem preguiça de pensar”)
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E POR FALAR EM SENSO COMUM:
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Fonte: Rodrigo Azevedo Leitão
Cidade do Futebol

Técnicos 'top' simbolizam mudança no futebol

Outro dia, o técnico Muricy Ramalho elogiou os grandes clubes paulistas, que contrataram técnicos chamados “top”. Para ele o nível do campeonato aumenta com Mano Menezes (Corinthians), ele Muricy, Luxemburgo (Palmeiras) e Leão (Santos) orientando as equipes do banco.

Concordo que eles são bons treinadores, mas o elogio em si já mostra como o futebol mudou e em alguns aspectos para pior. O jogador passou a ser um instrumento do treinador e isso reprimiu a técnica de muitos deles.

Não há craques como no passado, mas também os poucos que reluzem um brilho inicial podem vê-lo ofuscado com exigências descabidas e distorções de suas qualidades criativas em detrimento da marcação, da pegada, da correria impensada.

Os técnicos passaram a dominar a cena, de forma tal que transformaram os jogadores em seus “súditos” e eles mesmos passaram a ser os professores. No futebol, entretanto, o aluno-jogador é que tem a responsabilidade de conduzir o destino de uma partida, muito mais do que o treinador, seja ele top ou não.

Por um lado é bom que tenhamos técnicos top no comando das equipes paulistas. São profissionais competentes que podem acrescentar algo. Por outro é uma pena. Porque nos anos setenta o top não estava no banco. Gérson era o camisa 10 do São Paulo, Rivellino do Corinthians, Ademir da Guia do Palmeiras e Pelé do Santos. E ninguém ousaria reprimir suas qualidades.

Fonte: Eugênio Goussinsky / Cidade do Futebol

Pelé leva à FIFA propostas de mudanças na regra do futebol

Sugestões serão analisadas por comitês da entidade até o fim do ano

Rubem Dario
Cidade do Futebol

O eterno Rei do futebol, Pelé, esteve recentemente em Zurique, na sede da Fifa, para participar de algumas reuniões do Comitê Executivo da entidade. Na pauta dos encontros estavam as perspectivas do futebol para os próximos anos. O melhor jogador de todos os tempos aproveitou a oportunidade para apresentar algumas propostas de mudanças na regra deste esporte.

As sugestões de mudanças de Pelé são na chamada “lei do último homem”, que pode punir o último defensor de uma equipe que comete a falta no adversário, que vai diretamente em direção ao gol, até com o cartão vermelho.

Para Pelé, como esse tipo de lance é interpretativo ele pode beneficiar algumas vezes o infrator, que pára a jogada com uma falta.

“Esse tipo de lance gera muita polêmica. De maneira geral lances interpretativos são sempre assim e em algumas situações o infrator é beneficiado. Nossa idéia é que quando a falta do último homem acontece fora da área a barreira seria eliminada. Esta seria uma maneira de sempre punir o infrator, independente das possíveis interpretações e punições”, afirmou Pelé com exclusividade para a Cidade do Futebol.

Segundo Pelé, a regra do futebol determina que nas cobranças de falta os adversários devem ficar a 9,15m da bola, porém não fala em obrigatoriedade da barreira. Desta forma, sempre que um atacante fosse parado pelo último defensor fora da área (sem contar a presença do goleiro), a cobrança aconteceria livre.

“A gente vê jogadores pegarem a bola no meio-campo, driblarem dois, três adversários e depois sofrerem a falta na entrada da área. Toda a jogada que ele construiu foi destruída. Toda a defesa pode voltar para se recompor, o adversário pode armar uma barreira na frente da cobrança. A falta vira um recurso”, analisa Pelé.

A proposta de Pelé será discutida nas próximas reuniões do Comitê Executivo da Fifa, que conta com a participação de seu amigo pessoal Franz Beckenbauer. A resposta da entidade deve sair entre setembro e outubro de 2008.

Presidente de associação se lança treinador em 'defesa da classe'

Antonio Carlos Napoleone, da Anjobol, acredita que medida deve abrir portas para técnicos menos favorecidos

Rubem Dario
Cidade do Futebol

A Anjobol – Associação Nacional dos Jogadores e Treinadores de Futebol Profissional - iniciou suas atividade há cerca de um ano com o objetivo de defender os interesses dos profissionais do futebol. Algumas parcerias e ações foram realizadas nesse período e a mais recente é o anúncio de que Antonio Carlos Napoleone Junior, presidente da entidade, irá se lançar como treinador para defender os interesses dos técnicos menos favorecidos ou em início de carreira.

A associação espera anunciar ainda nesta semana uma parceria de longo prazo com um clube de futebol. A perspectiva é que a Anjobol forme as comissões técnicas de todas as categorias desta equipe parceira com profissionais filiados à entidade, além de Antonio Carlos Napoleone.

O presidente da Anjobol acredita que esse tipo de iniciativa deve despertar o interesse de outras equipes por técnicos sem tanto espaço na mídia, porém com talento e conhecimento.

“O problema dos técnicos é ainda mais grave do que dos atletas de futebol. Os clubes vivem em um círculo vicioso onde os mesmos nomes são sempre os escolhidos. Nosso objetivo é abrir portas. Mostrar que o futebol vive uma outra realidade e que existem muitas opções no mercado, algumas bem mais baratas do que os tradicionais medalhões”, afirma Napoleone.

Segundo uma pesquisa encomendada pela entidade, cerca de 33% dos profissionais do futebol está desempregada atualmente. Os dados da Anjobol ainda dão conta que durante seu primeiro ano de atividade 324 jogadores, que estavam desempregados, foram contratados, enquanto apenas 32 treinadores tiveram a mesma sorte.

“As equipes contratam pelo nome. Acabam contratando profissionais caros, que já viveram seu momento de glória e fecham as portas para outros treinadores muito competentes. Nosso projeto é todo embasado em pesquisas cientificas e tenho a certeza que assim que assinarmos com o clube parceiro e iniciarmos nossos trabalhos, outras equipes vão nos procurar e oportunidades serão criadas”, conta o presidente da Anjobol.

Antonio Carlos, que tem experiência como técnico amador e dirigente de futebol, deverá acumular as funções de treinador e presidente da Anjobol durante o período de contrato com o clube parceiro, que não deve ser inferior a dois anos e meio.
....gs
Além da comissão técnica, que será formada por associados da Anjobol, a associação ainda deverá levar alguns de seus jogadores para esta nova equipe. Segundo Napoleone, os custos iniciais serão divididos entre as empresas patrocinadoras da entidade.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Destaque do Benê Lima

Fortaleza é o outro finalista da Taça Estado do Ceará

O Icasa cumpriu o seu ministério diante de um Ceará que dele exigiu muito. Por uma pequena margem, o maior representante do futebol da Região do Cariri conseguiu carimbar seu passaporte para a final do 1º turno do Campeonato Cearense de 2008. Agora é candidato à conquista da Taça Estado do Ceará e a uma vaga na Copa do Brasil de 2009.

O Fortaleza, por sua vez, teve um trajeto ainda mais difícil a percorrer, tendo como adversário a valorosa equipe do Horizonte do técnico Argeu dos Santos.

Em um jogo em que pode ter faltado uma técnica mais apurada, Horizonte e Fortaleza, para compensar, protagonizaram mais um daqueles espetáculos de tirar o fôlego do torcedor, haja vista que emoção foi um ingrediente que não faltou à partida.

Os 2 a 0 nos 90 minutos mostraram que o Tricolor do Pici veio para o confronto com uma outra disposição. Se o nó tático da partida anterior, engendrado por Argeu dos Santos contra seu rival Silas Pereira, não foi devolvido, andou perto.

Para um Horizonte mais precatado tivemos um Fortaleza mais agudo, buscando o ataque com mais firmeza, embora isto não tenha sido uma constante. Primeiro porque não se consegue jogar no mesmo diapasão durante toda uma partida; depois, porque esse time do Horizonte tem a capacidade da multiplicação e da ressurgência dentro de campo. E o Tricolor do Pici foi testado ao extremo em sua capacidade de resistência, já que a equipe horizontina fustigou enquanto pode o último reduto leonino.

Nas circunstâncias que lhe foram impostas pela determinação da equipe do Fortaleza, o Horizonte até aceitou a derrota no tempo normal e o empate na prorrogação. Só não aceitava – como não aceitou - a derrota que o perseguiu durante todo o confronto. Com a consecução do resultado de empate, estavam os contendores habilitados às cobranças dos tiros livres da marca penal.

A etapa derradeira da ‘saga’ das semifinais, foi protagonizada pelo goleiro Tiago Cardoso, que já houvera defendido uma penalidade máxima nos 90 minutos. Na decisão por pênaltis, Tiago defende mais três tiros, entrando para a história como o goleiro que defendeu quatro pênaltis numa partida decisiva.

Deu Fortaleza, numa virada retumbante sobre um adversário que valorizou sobremaneira o triunfo do Tricolor. Semifinal mais disputada, impossível!

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Com Pé e Cabeça - 112, a coluna do Benê Lima

”O futebol cearense existe, e precisa ser reinventado.” (Benê Lima)

Opinião
A ÉTICA PELA ÓTICA DO VERDADEIRO CRONISTA

Pela visão do homem ou mulher de rádio, jornal, televisão e multimeios, tanto a informação quanto a opinião devem pautar-se pela verdade dos fatos, mantendo a finalidade do interesse social e coletivo

Se o jornal discute publicamente algumas das questões que lhes são inerentes e para isso criou a figura do ‘ombudsman’, porque os outros meios de comunicação querem se manter imunes à crítica?

Enquanto são raros os que, como nós, discutem publicamente – e o fazemos apenas pontualmente - o desempenho de profissionais e de veículos de comunicação, muitos são os que pugnam por imunidade para fazerem o que bem querem, inclusive enveredando pela crítica e até a ataques pessoais a companheiros de profissão.

É preciso que a categoria entenda que nenhum radialista erra sozinho. Parte do erro é sempre atribuído à categoria, como uma espécie de carma coletivo que é superposto ao carma individual. Portanto, sermos corporativistas no caso em questão, representa darmos um tiro no próprio pé, assumindo uma culpa, pecado ou vício que não nos cabe.

Só poderemos atingir um melhor patamar no conceito dos nossos ouvintes, quando percebermos a necessidade de criarmos, a partir de nós mesmos, uma relação de maior confiabilidade com o ouvinte, ouvinte esse que geralmente se situa nos extremos, ora sendo excessivamente generoso, ora se mostrando um crítico implacável, ou verdugo.

É certo que precisamos impor limites ao debate de idéias, à discussão ideológica e à luta por audiência. Se assim não o fizermos, estaremos outra vez reproduzindo a lógica do ‘vale-tudo’, tão deletéria à implantação dos mais autênticos valores, sobre os quais uma sociedade deve ser edificada.

Tem sido perceptível no meio radiofônico, onde por característica se exercita uma maior dose de liberdade, um direcionamento da crítica para a pessoa, atingindo-a em seu caráter e em sua personalidade. O jogador de futebol não é mais questionado apenas por suas habilidades e desempenho. Seu caráter também tem sido alvo das ilações de alguns comentaristas ou congêneres, e não raro temos dado testemunho do processo de ‘queimação’ a que são submetidos os profissionais da bola.

Com a proliferação da distorção da opinião, patrocinada por torcedores de microfone e pelo comportamento antiético, amoral e imoral de alguns profissionais da crônica, formou-se o hábito de se investir na destruição da imagem de cidadão do atleta, para expor-lhe aos interesses escusos destes maus profissionais da crônica, especialmente do meio radiofônico. Daí ser importante que a representação dos atletas tome uma posição firme em favor da categoria, que já vem tendo sua dignidade aviltada pela irresponsabilidade e indignidade de certos profissionais do microfone, reitero.

Separar a boa da má crítica, dissociar da crítica de boa-fé a maledicente e a tendenciosa é tarefa indispensável para a preservação do caráter dos bons profissionais. Logo, é missão que se impõe; é prática inescusável; é garimpagem purificadora!

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EFEMÉRIDES

Verdão ganha no sufoco
Mais um jogo em que as duas equipes demonstraram um nivelamento técnico muito grande. Outro fator em que também se nivelaram foi na vontade de vencer e na maneira como se empenharam na partida. E estes fatores puderam ser percebidos pelas alternâncias de domínio e de volume de jogo. Nos 90 minutos uma vitória inquestionável do Ceará, que demonstrou ser uma equipe mais madura que a do Icasa. Diante do que vimos no tempo normal (90 min), era difícil prognosticar uma vitória do Verdão do Cariri na prorrogação. A derrota por 2 a 0 causou certo abatimento no time icasiano, situação que foi surpreendentemente superada logo após 12 minutos de descanso e conversa que antecederam o período final de jogo. Com uma nova feição, o Verdão conseguiu se impor na prorrogação, marcando o seu gol e fazendo prevalecer certa supremacia.

Play Freitas x Heriberto da Cunha
Nosso entendimento é que a batalha dos treinadores teve em Heriberto o seu vencedor. Com uma escala limpa, sem invencionice, o técnico alvinegro conseguiu ter uma equipe mais estável. Play precisou que seus comandados se desdobrassem, além de ter contado com o auxílio da defesa alvinegra. Definitivamente, a marcação de um gol em jogada aérea com os baixinhos Clodoaldo e Vanderlei como homens de definição, realmente era algo pouco provável. Por mais que consideremos a atenuante que teve Play, advinda da falta de melhores opções de banco, não dá para colocá-lo no pedestal do melhor. Por enquanto, ainda não!

Arbitragem
Luzimar Siqueira encontrou o ponto de equilíbrio para um jogo de semifinal. Mostrou-se seguro e sereno. Aplicou os cartões com critério e acerto. Acompanhou os lances em cima deles e soube se impor nos momentos de maior dificuldade. Passou tranqüilidade para os jogadores e nos deu a garantia de que estamos diante de um bom árbitro emergente.

Contradição?
O futebol aparenta ser cheio delas. Quanto mais escuto o técnico Argeu dos Santos, menos acredito que ele terá uma chance em nossos dois maiores clubes da Capital. Não discuto os conhecimentos de Argeu sobre o futebol, mas lamento que ele tenha uma visão tão amadorista de seu interrelaciomento com seus jogadores. Não tenho dúvida de que a liderança de um treinador, apesar de poder passar pela figura do ‘paizão’, contudo, ela jamais deve estribar-se em um modelo tão antigo e embolorado. Mais que ser um bom treinador, Argeu deve ter preocupação em saber vender sua imagem. Ao invés de cultivar um discurso defensivo e piegas, não custa exercitar um que seja mais positivo e edificante, que não contemple teorias conspiratórias nem ode contra o racismo. (Foto: SSampaio)
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BREVES E SEMIBREVES ®

Em alta. Argeu dos Santos, treinador do Horizonte, mostrou que um bom tempero pode transformar um prato principal simples numa ótima iguaria. Uma nova escolha dos atletas e alterações no planejamento tático deram o tom das mudanças.

Em baixa. Silas Pereira, treinador do Fortaleza, por não ter sabido safar-se do nó tático que lhe foi imposto por Argeu. O Horizonte ‘grampeou’ o Fortaleza, impedindo-o de realizar suas principais jogadas.

Pressão. O repórter Déo Luís informa que Sacha Jucá poderá assumir a Direção de Esportes do Alvinegro de Porangabuçu. Diz-se que o Conselho Deliberativo do Alvinegro está dividido em relação ao nome de Sacha, o que poderá resultar na indicação de um novo nome.

Televisão. A TV precisa melhorar a qualidade de sua produção no quesito informação. Alguém precisa vir em socorro para esclarecer alguns itens do regulamento. E este prevê 10 minutos de intervalo entre os 90 minutos de partida e a prorrogação.

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”Depois do Alex, que hoje está no Fenerbahçe, o Brasil não produziu mais nenhum jogador criativo. As tendências são preencher espaços, compactar, correr, não ter posição específica. Mas e aquela coisa diferente, que sempre marcou o nosso futebol? Isso tem ficado de lado.” (Wanderley Luxemburgo)

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Benê Lima
85 8898-5106, o telefone da comunicação

sábado, fevereiro 09, 2008

Destaques do Benê Lima

Surpresa e nó tático

Assumo publicamente minha subestimação ao time do Horizonte e a seu treinador, Argeu dos Santos. No que pese ter a meu lado a atenuante que me fora dada pela própria equipe do vizinho município, naquela derrota fragorosa para o Fortaleza, por 4 a 0, fato é que desdenhei das potencialidades daquela equipe, assim como do fato de seu treinador conseguir converter mais uma iminente derrota numa vitória consagradora.

Também não acreditava que esse mesmo Fortaleza pudesse ensimesmar-se a tal ponto que a paralisia dele tomasse conta. Pois foi nesse ambiente do ‘pouco provável’ que as coisas aconteceram, embora nem mesmo o imponderável tenha precisado marcar presença, menos ainda o ‘sobrenatural de almeida’. Tudo transcorreu no campo de jogo e no ‘campo do hodierno’ – do real, do atual.

O técnico Argeu dos Santos sacou de seu repertório aparentemente modesto um verdadeiro arsenal, minando todo o terreno por onde seu poderoso adversário tencionava atacar. Refreou as subidas do lateral/ala-esquerdo tricolor Márcio Azevedo, adiantando o posicionamento do seu lateral/ala-direito Izaquiel; deu maior mobilidade à sua zaga, com Puxa, Gilmak e Eusébio; fixou Dino como um 1º volante que variava como 3º zagueiro, e ainda cobria os avanços de Izaquiel; fez de Júnior Cearense, além de homem de marcação, um segundo volante de distribuição de jogadas e lançamentos; adiantou o meia Piva para que o mesmo estivesse mais próximo ao gol adversário, apresentando-se como 3º atacante; coube ao outro meia, Paulinho, uma maior constância no papel de iniciador das jogadas ofensivas; aos atacantes Léo Jaime e Stênio caberia – como coube – a tarefa de jogarem mais abertos, para que uma fenda central surgisse na defesa tricolor.

Preso por essa teia de armadilhas lançadas por Argeu, coube ao técnico tricolor, Silas Pereira, aguardar o intervalo do jogo para tentar mudar o panorama da partida. Fez o óbvio: sacou sua aposta errada - o atacante Carlos Alberto – e em seu lugar colocou Lúcio, que passou a fazer a função de Paulo Isidoro, deslocando-se este para o posto de Carlos Alberto, mas com características distintas. A outra substituição do intervalo foi a saída do zagueiro Juninho para a entrada de outro zagueiro, o Anderson. O time leonino até que melhorou, mas Rogerinho, seu principal ponto pró de desequilíbrio, não repetia suas boas atuações. E para romper a consistência defensiva do Horizonte, algo mais se fazia necessário, como por exemplo, o talento.

Enquanto isso, a mais que briosa equipe horizontina já passava a desfrutar das facilidades de um time entregue à sua própria sorte, como era o Fortaleza. Desorganizado e apostando na individualidade, o Leão do Pici ainda esboçou uma reação no placar, em jogada de fundo de Paulo Isidoro, para a complementação de Lúcio no interior da área.

Aí veio o tiro de misericórdia, pelos pés da brilhante atuação de Paulinho, que aproveitou o oportunismo de Léo Jaime, e este se valeu da péssima jornada do zagueiro tricolor Preto, que mais uma vez foi envolvido pelos avantes horizontinos. Os 3 a 1 ficaram até baratos, para o passeio de ‘David sobre Golias’.

Parabéns a Horizonte e Icasa, por transferirem um pouco mais de emoção ao desenxabido campeonato cearense de 2008, nessa semifinal de 1º turno.


Aplicação e dignidade dos contendores

Da partida muito bem disputada entre o Ceará e o Icasa, não há registro cômico ou de tragédia intracampo para narrar e/ou comentar. As duas equipes se empenharam ao extremo, indo à exaustão.

Dois tempos distintos, em que no 1º deles coube o predomínio das ações ofensivas por parte do Alvinegro de Porangabuçu, enquanto no 2º tempo assistimos uma maior desenvoltura tática do Verdão do Cariri.

É forçoso enxergarmos que o Icasa tem descoberto a medida da compatibilidade entre seu tamanho dentro de campo e o de sua diretoria fora de campo. Já o Ceará, tem sido maior dentro de campo do que fora dele, embora o torcedor alvinegro mereça time melhor e uma diretoria muito maior e muito, muito melhor do que essa que aí está.

Não diria que Icasa e Ceará estão em posições opostas, porque estaria sendo injusto com os que fazem o Verdão. No entanto, o Alvinegro, em estrutura, era para estar acima do patamar icasiano. E mesmo que isso não fosse objetivamente necessário, já o seria apenas para não submeter os torcedores alvinegros à ‘humilhação’ de ver a direção do Icasa, oferecer aos seus atletas melhores condições estruturais e de logística do que o Ceará oferece aos seus.

Assim, quem mais precisa de resultados – o Ceará - segue de ônibus para a distante Juazeiro do Norte, enquanto quem menos precisa – o Icasa – traslada-se pela via aérea. E, convenhamos, este é um detalhe que, se preservado, tem um indiscutível peso pró Icasa. E pensar que, quem precisa ganhar é o Ceará...

Mas, fica a expectativa de sabermos se a ‘festa do interior’ chegará à final do certame, em seu 1º turno. Quem dará abrigo à Taça Estado do Ceará? Zebra, meia-zebra, lógica ou meia-lógica? (...)

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O perfil do treinador no futebol moderno de alto nível

Exigências do futebol moderno mudaram o perfil desse profissional

Autor: Rodrigo Leitão
Universidade do Futebol

Quem você contrataria, caso quisesse construir um imóvel; um qualificado engenheiro formado por renomada universidade, ou um também engenheiro formado em desconhecida instituição de ensino com duvidosa qualificação?

Quem você apontaria ser mais qualificado para assumir as terapias de um grupo de pacientes de uma conceituada clínica; um psicanalista com doutorado na área, ou um ex-paciente que por dez anos fez terapia e se sente suficientemente capacitado sobre o assunto?
A obviedade das respostas nem precisaria ser discutida se, ao pararmos para refletir, transferíssemos as perguntas para um contexto mais passional; o futebol.

Esqueçamos os engenheiros, esqueçamos os psicanalistas. Vejamos a pergunta na perspectiva de atuação profissional de um outro sujeito.

Então eu perguntaria: quem você contrataria para ser treinador de futebol de sua equipe, caso tivesse esse poder e atribuição; um profundo conhecedor sobre assuntos que envolvem as táticas, estratégias, sistemas de jogo, fisiologia, treinamento desportivo, nutrição, psicologia, filosofia, etc e tal, ou um ex-jogador de futebol, com grande experiência por ter jogado em grandes equipes, perfil carismático e com grande identificação com a história do clube?

Não é difícil nos convencermos que essa questão já não é tão simples e óbvia quanto aquelas do início do texto.

O futebol, sob a perspectiva técnico-tática evoluiu muito ao longo dos anos. O ritmo de jogo, as movimentações, as jogadas de bola parada, a compreensão do jogador sobre o jogo, os esquemas de jogo, os sistemas, as plataformas... Muitas coisas foram mudando. Funções e novas atribuições surgiram e as exigências a jogadores, equipes e comissões técnicas aumentaram exponencialmente.


E se as coisas mudaram para a preparação do jogo em si dentro de campo, também mudaram as necessidades e os níveis de conhecimentos exigidos do profissional que aparece na linha de frente das equipes (o treinador).


Tradicionalmente admite-se que ex-jogadores de futebol são os "profissionais" mais bem preparados para assumir a função porque têm "experiência no assunto" e portanto os conhecimentos necessários para o trabalho.

O maior equívoco nessa linha de pensamento é que ter experiência como jogador de futebol não garante experiência (nem conhecimento) como treinador de futebol (assim como um sujeito submetido a dez anos de psicoterapia [com grande experiência como paciente] não tem experiência [nem conhecimento] que lhe garanta a atuação como psicoterapeuta).
Então a melhor solução seria alguém com conhecimentos variados, capaz de aplicá-los na prática, no dia-a-dia de treinamentos e jogos?

Ainda que a resposta pareça apontar nessa direção, antes de mais nada, o mais importante é compreender que ter sido jogador de futebol não é condição "sine qua non" para exercer bem a função de treinador.

Há no entanto de se destacar que ainda sim, algumas experiências relativas ao ambiente do futebol podem gerar conhecimentos interessantes para a atuação profissional de um treinador. Então eu diria que a condição obrigatória, para um treinador profissional de futebol, é a sua capacidade transdisciplinar para atuação em seu trabalho.

Isso significa que o treinador de futebol precisa não só ser capaz de dialogar com as várias áreas profissionais que o cercam (o que já é um grande avanço no perfil de um treinador). É necessário (e ousaria dizer, condição "sine qua non") para atuar no futebol moderno, que o treinador conheça bem, e muito, de diversas coisas que cercam a complexidade desse desporto e que, ao mesmo tempo, seja altamente especializado em questões inerentes a especificidade de sua função.

Em outras palavras, os treinadores precisam conhecer de psicologia do esporte, fisiologia, bioquímica, nutrição esportiva, filosofia, pedagogia, informática, sociologia, administração, gerenciamento de pessoas, treinamento desportivo, idiomas, (dentre outros), e especialistas em táticas, estratégias, princípios operacionais do jogo, sistemas de jogo, scout, plataformas de jogo, regras, etc.

E se historicamente no Brasil os números apontam para o contrário, e salientam que grande parte dos treinadores que obtiveram sucesso foram aqueles que também jogaram futebol eu diria que isso é fato óbvio e esperado, porque são eles, os ex-jogadores, aqueles que oportunamente tem maiores chances de exercer a função. Então, em um "universo" consumido pelos ex-jogadores é claro que teremos como vitoriosos os próprios (os ex-jogadores). Certamente aqueles que se dedicaram mais em buscar novos conhecimentos venceram mais. Certamente aqueles que intuitivamente tomaram as melhores decisões em dados momentos tiveram mais sucesso.

Mas por quê não, abrir as portas desse "universo" para a possibilidade de que aqueles que investiram na transdisciplinaridade (ou mesmo na multidisciplinaridade) possam mostrar serviço e colaborar para conquistas e evoluções mais aceleradas do nosso bom e "tradicional" futebol? (mesmo que não tenham sido jogadores profissionais).

E para aqueles que acreditam que esse tipo de discussão é dispensável (afinal sem pensar em todas essas coisas ganhamos tudo que ganhamos - somos pentacampeões) eu diria simples e pontualmente: se fomos campeões mesmo assim, imagine quanto mais teríamos ganhado se as coisas fossem diferentes. E se não queremos deixar isso no campo da imaginação eu desafio: abram as portas do universo e esperem para ver!...

Limitação de estrangeiros

Fifa é favorável à regra que obrigaria os times a privilegiar jogadores locais

Antonio Afif
Cidade do Futebol

Leio a notícia da agência EFE, em pleno Carnaval, que a Comissão de Futebol da Fifa quer que seja criada uma norma obrigando os times a escalar ao menos cinco jogadores locais entre os titulares numa partida. É o que estão chamando de "Regra 6 + 5".

A comissão, no entanto, ainda está em dúvida quanto à sua efetividade, mas o presidente da Fifa, Joseph Blatter, é um dos grandes entusiastas dessa regra e deverá apresentar uma proposta neste sentido no próximo congresso da entidade, a ser realizado em Sydney, Austrália, nos dias 29 e 30 de maio.

Se tal medida for aprovada, certamente o mercado de transferências de jogadores dos países fornecedores de "pé-de-obra" sofrerá um impacto direto, com tendência a haver uma diminuição em suas "exportações". Como o Brasil é um dos países mais atuantes, já que envia para o exterior cerca de mil atletas por ano, é muito provável que os negócios deverão sofrer uma certa retração.

O ex-jogador e agora presidente da federação alemã, Franz Beckenbauer, alega que como os clubes europeus estão contratando muitos jogadores estrangeiros, está havendo uma perda de identidade. O Kaiser, inclusive, não acredita que os mercados liberalizados sejam o melhor caminho para o futebol, apesar da globalização, e acredita que as equipes também podem ter sucesso com jogadores locais.

Mas, acredito que essa medida ainda terá muitos rounds pela frente, até porque não há um consenso entre os próprios membros da comissão, pois muitos acreditam que as equipes mais fortes financeiramente continuarão contratando os melhores jogadores, como já acontece na atualidade, em detrimento dos clubes menores.

Como um adendo a esta notícia, acrescento que gostaria de ver aqui no Brasil um congresso destinado a dirigentes dos clubes pequenos e médios, que servisse para discutir o futuro dos clubes, pois "a coisa" não está nada fácil.

Briga pela audiência: Globo x Record

Pós-Carnaval e análise restrita podem mascarar derrota da Globo com futebol

Especialista em marketing pondera triunfo de audiência da Rede Record com sua novela noturna diante da transmissão de partida do Corinthians na emissora carioca

Bruno Camarão
Cidade do Futebol


Uma “derrota dolorosa”, um “tombo histórico”. Estes foram alguns dos termos utilizados na mídia para delinear o resultado da audiência televisiva da Rede Globo durante a noite da última quarta-feira, quando a principal emissora do país transmitiu o Campeonato Paulista e ficou atrás da Rede Record, que garantiu o topo com sua novela noturna.

O diagnóstico “preocupante”, entretanto, pode ser ponderado, principalmente em se considerando a data e o horário específicos da medição do Ibope, e a larga vantagem da Globo em relação aos concorrentes nas últimas décadas.

“Ontem foi um dia atípico, quarta-feira de cinzas, muita gente viajando, descansando. Há necessidade de se analisar os números médios, de domicílios ligados naquele momento. A audiência não é uma análise fria”, afirmou Rafael Plastina, gerente de marketing, comercial e desenvolvimento da Informídia Pesquisas Esportivas.

“Partindo da premissa de que são verdadeiros os dados, sinceramente uma derrota em cinco milhões de vitórias teoricamente não representa nada”, completou.

Ao término do primeiro tempo da partida entre Grêmio Barueri e Corinthians, pelo Estadual, o "placar" do ibope registrava 15 pontos para a Globo e sonoros 27 pontos para a Record.

A TV do Bispo Edir Macedo exibia a novela “Caminhos do Coração”, de autoria de Tiago Santiago sob direção de Alexandre Avancini – a trama registrou 22 pontos de média, 26 de pico e 33% de share.

Durante o período em que foi exibida (das 22h21 às 23h18), “Caminhos” ficou sempre à frente do jogo que terminou empatado por um gol. Foi a primeira vez que uma novela da Record derrotou a Globo em um capítulo completo.

“Existe uma luta da Rede Record para crescer no segmento. Ela tem uma posição hoje que ela afirma ser a segunda colocada, uma evolução dos últimos anos, mas as distâncias gerais em relação à líder ainda são muito grandes. Indicar uma tendência a partir daí é complicado”, explica Plastina.

A Rede Bandeirantes de Televisão, que também passou a partida do clube mais popular de São Paulo, contabilizou seis pontos de audiência, em média, no período. Antes e após a transmissão esportiva, apresentou apenas quatro pontos, estabelecendo-se atrás também do SBT.

“Pode ser feita uma pesquisa de mercado para tentar identificar que tipo de diferença o telespectador tem percebido nas transmissões. O que ela gera na cabeça do telespectador, um narrador preferido, a tradição de ligar a TV na Globo, etc. As teorias precisam ser confirmadas”, analisa Plastina.

Plastina ainda prega uma diferenciação entre o que tem sido a audiência nas quartas e nos domingos [principais dias de jogos nas TVs], por intermédio de uma análise comparativa entre as evoluções da concorrência, a quantidade de câmeras, enfim, a transmissão como um todo.

“As emissoras são as que mais compram pesquisas e identificam seus resultados. Os profissionais delas analisam os dados do Ibope de maneira profunda. Se há esta perda, eles vão identificar. A Globo tem uma liderança e uma força tão grandes que pra ela crescer é muito complicado. E para uma empresa sair de quarto lugar e chegar a segundo, é mais fácil”, conclui.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Destaques do Benê Lima

Relevante

De Guarabira, no estado da Paraíba, o torcedor do Tricolor do Pici e colunista do site Leões da Caponga, Advíncula Nobre, traz-nos o exemplo do quanto pode ser importante o apoio governamental para os clubes de futebol.

Segundo ele, a Desportiva Guarabirense, modesta equipe daquela cidade interiorana, recebe mensalmente algo em torno de R$100 mil, oriundos da promoção “Sua Nota Vale Dinheiro”. Acho muito, mas confio no informante pela sua seriedade.

Pois que não só Fortaleza e Ceará, mas principalmente os times do interior do estado do Ceará possam abrir os olhos e aproveitarem o potencial de promoções do gênero.


Liguem-se

Na quinta-feira, 14, às 16h30min, será apreciado e julgado o Recurso interposto pelo Ceará Sporting Club, contra a decisão da 1ª Comissão Disciplinar, referente à sua punição, em razão dos fatos ocorridos no Clenilsão, na cidade de Horizonte, quando da abertura do Campeonato Cearense de Futebol deste ano.

O Departamento Jurídico do Alvinegro, tendo à frente o advogado Clarke Leitão, certamente já tem sua defesa alinhavada, para tentar reverter o quadro desfavorável em absolvição. Afinal, uma multa de R$10 mil e mais a perda do mando de campo de uma partida pesará sobre as finanças (já combalidas) do Time do Povo.


Falta produção para os eventos do futebol

Não raro recebo e-mails de torcedores indignados pela falta de respeito com que são tratados. Os de menor poder aquisitivo se sentem ainda mais prejudicados, queixando-se, entre outros, dos preços salgados dos ingressos, da falta deles para os estudantes, dos jogos às 15 horas, da exploração nos preços da água mineral, dos refrigerantes e do chope ‘aguado’. Além disto, bradam pela retirada daquela tela de proteção do PV que lhes atrapalha a visão do campo de jogo.

Se bem que, com a decisão política da interdição daquela praça esportiva, o problema da tela deixa de existir, embora não se resolva.

Há os que, com toda razão, vociferam: “Só quem tem muita paixão por futebol é capaz de enfrentar tanto sacrifício.”

Parece que não há lei que consiga instigar nos cartolas militantes desse futebol o gosto – menos ainda a consciência – pela produção de eventos. Pensar que a lei federal que instituiu o Código do Torcedor faz referência à sua equiparação à condição de consumidor, nos termos do Código de Defesa do Consumidor, também não tem servido para conscientizar nossa cartolagem, isso nos deixa desconfiado de que dificilmente conseguiremos alterar a presente realidade.

Contudo, não deixaremos de repercutir as questões que causam prejuízo ao torcedor em particular e ao futebol em geral, objetivando sensibilizar os dirigentes de clubes, a classe política e aos organizadores dos eventos.


Técnico, 'manager' ou gestor?

A discussão original refere-se a dois grandes treinadores de futebol: o brasileiro Wanderley Luxemburgo e o português José Mourinho. Ambos, por sinal, com uma monumental capacidade de fazer opositores, por certos aspectos de suas personalidades. Ou seja, são tidos e havidos como caricaturais e arrogantes.

Trazendo a discussão para o âmbito local, temos a figura de Heriberto da Cunha, técnico do Ceará Sporting Club. A este se tenta a todo instante criar o estigma de um sujeito piegas e não menos caricatural. O que tem salvado Heriberto são os ‘resultados de última hora’, conseguidos acima de tudo pela competência do Quociente Emocional (QE) do técnico.

Mas o pior de tudo não é o inolvidável desejo de uns poucos de quererem Heriberto longe de Porangabuçu, apenas para verem suas teses vitoriosas. Algo pior está por trás das insistentes tentativas de desqualificação e desestabilização do trabalho deste treinador: é a tentativa de barganhar (reallizar-$) a saída do técnico alvinegro. Só isto explica tanto ardor da parte dessa gentalha em ver suas teses conspiratórias ganharem corpo.

Apesar de Heriberto encontrar em sua própria diretoria um adversário de peso, ainda tem que enfrentar os opositores velados, agora com a nova nomenclatura de vermes. Entretanto, o que Heriberto talvez não saiba é que existe ‘vermes’ no segmento de nossa crônica esportiva, excrescência esta que se funda em especialistas na conjuração contra nossos clubes, já que seus interesses estão acima de quaisquer outros valores.

Já que não podemos extirpar do nosso meio essas figuras atrozes, que ao mínimo tentemos subjugá-las em seu submundo, a fim de que elas se mantenham sob certa clausura, para que não instilem sobre nós toda a malignidade que possuem.
Temos visto que a tendência é que os grandes treinadores cada vez mais possam interferir junto ao departamento de futebol dos clubes para participarem da formação do elenco, através das contratações. Há quem ache que a reivindicação é legítima. Contudo, não sem a participação deste manager nos prejuízos por ele causados.

Ao contrário de muitos, entendo que em clubes como o Ceará há muito mais espaço para que um técnico com boa formação gerencial possa atuar como uma espécie de manager. A própria ausência de profissionais na área da gestão do futebol propicia o avanço do raio de ação destes profissionais. Por isso, antes de pensarmos na ingerência desses técnicos, faz-se necessário considerarmos a escassez de mão-de-obra qualificada no mercado. E a principal razão para isso é que o futebol é sempre a segunda atividade de todo cartola, e não a primeira e/ou principal.

A intelligentzia do futebol já considera, pois, tanto a necessidade de uma melhor formação dos seus técnicos, quanto a possibilidade deles virem a acumular novas funções dentro da estrutura do departamento de futebol dos clubes. E, ao considerarmos essa nova perspectiva, estaremos dando contribuição para inaugurarmos uma relação de maior integração e interação entre os clubes e seus treinadores. Por extensão, passamos a também estimular a formação de novos dirigentes, bem como o advento de um verdadeiro profissionalismo em nosso pobre futebol cearense.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Exemplo para Ceará e Fortaleza

Ipatinga almeja arrecadar R$ 10 milhões para participar de série A

Segundo o presidente do clube, Itair Machado, esse é o custo mínimo para uma boa campanha na elite do Campeonato Brasileiro

Equipe Cidade do Futebol
Fonte: site oficial do Ipatinga
Figura: Fanáticos por futebol

A conquista de uma vaga na série A do Campeonato Brasileiro é motivo de comemoração e orgulho para qualquer equipe, que disputa a série B. Isso não foi diferente para o Ipatinga, que em 2008 estará na elite do futebol brasileiro. Porém, com o acesso aumentam as despesas.

Segundo as contas do presidente do Ipatinga, Itair Machado, o clube precisa arrecadar em 2008 R$ 10 milhões para conseguir realizar uma boa campanha na série A.

“A captação de recursos será o grande desafio do Ipatinga este ano. Precisamos arrecadar no mínimo R$ 10 milhões para conseguir realizar um campeonato tranqüilo”, afirma Itair Machado.

Este ano o Ipatinga renovou o patrocínio com a Usiminas e fechou parcerias com a Fiat e a Energil C. Segundo o presidente do clube, a soma dos três acordos na camisa chega a R$ 1,3 milhão.

“Tentamos de todas as maneiras conseguir valores maiores. Acredito que um dos motivos que nos prejudica, em relação à arrecadação, é estarmos no interior. A nossa localização nos prejudica um pouco nesse sentido. As grandes empresas se interessam mais pelos investimentos feitos nas capitais brasileiras, mas sei também que com uma boa campanha na série A tudo vai mudar em 2009”, analisa Itair Machado.

O Ipatinga é um clube jovem, que irá completar dez anos de existência em maio e saiu de uma despesa mensal média de R$ 300 mil em 2007, para uma de R$ 800 mil em 2008. Para o presidente do clube a situação financeira da equipe mineira nunca foi boa, mas o programa de sócio-torcedor pode ajudar a reverter esse quadro.
“A situação financeira do Ipatinga, não só hoje, mas nesses quase 10 anos de existência, nunca foi boa. O Ipatinga cresceu muito rápido, mas os recursos não acompanharam esse crescimento. Se os torcedores soubessem a dificuldade que o Ipatinga passou e ainda passa, eles estariam aderindo o programa sócio-torcedor de Aço em maior número”, finalizou Itair.

O pós-moderno no futebol

A filosofia de José Mourinho

Alcides Scaglia
Cidade do Futebol

Filosofia e futebol. Água e óleo? Para muito que militam no e sobre o futebol, sim. Para todos os boleiros, com certeza.

Na Bíblia Sagrada está escrito que a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular.

Essas referências me servem como analogia para discorrer sobre outro imenso diferencial do técnico José Mourinho. Ele não rejeitou a filosofia! A filosofia, paradoxalmente, materializou-se nos treinamentos do técnico português.

Mourinho ouviu os conselhos e colocou em prática os ensinamentos de seu professor, o filósofo Manuel Sérgio. O pensador da motricidade humana sempre advertiu sobre o fato de que se alguém quiser conhecer mais sobre futebol deve tentar desvendar o humano, interpretar suas ações, desvelar a intencionalidade de seus atos.

A busca pela compreensão do humano abriu uma frincha às ciências humanas. Essa fissura permitiu à filosofia, à pedagogia, à psicologia adentrar ao hermético universo do futebol.

Hoje, por meio da pouca mas intensa luz que pela fresta se irradia e se expande cada vez com maior intensidade, antevejo a inevitável queda das barreiras físicas e metafísicas que impedem a superação do modelo atual de organização e gestão (em todos os níveis) do futebol.

Avento e não profetizo com Cassandra de Tróia, que Mourinho se equivale ao grande presente grego. O ex-técnico do Chelsea é como um cavalo de Tróia para os adoradores do futebol. Ou seja, as felicidades advindas de suas vitórias e conquistas encobrem o germe de lucidez, sapiência e transcendência que traz no interior de suas intencionais ações, provocando, inevitavelmente, a queda do império cartesiano, no qual o paradigma mecanicista legisla, julga e executa as ações no futebol.

Em uma das páginas do livro que busca explicar o porquê de suas tantas vitórias, Morinho revela o seu conhecimento sobre filosofia, mais precisamente sobre filosofia da ciência.

Ele explica de forma didática os problemas gerados pelo paradigma mecanicista no futebol e ainda vai ao cerne da questão criticando todos os técnicos que ainda insistem em se pautar por um modelo obsoleto.

No excerto da entrevista a um jornal português, Mourinho afirma:

“(...) parece-me quase óbvio que a maioria das seleções nesta fase final da Euro 2004 tem no treino analítico o epicentro da sua preparação. Sou (...) defensor de uma perspectiva totalmente antagônica do treino, com a integração [entenda-se interação] de todos os fatores [entenda-se dimensões], alicerçados na organização e preparação táctica. (...) Resumindo, fazendo com que o todo passasse a ser superior à soma das partes”.

O treino analítico a que Morinho se refere advém das propostas formuladas no século XVII por Descartes em seu clássico livro “Discurso do Método”. Esse livro reformou as idéias em seu tempo e ajudou significativamente a dar azo ao surgimento da ciência moderna e ao estabelecimento de uma forma de pensar e conceber o mundo a qual se convencionou denominar pensamento mecanicista, originando o paradigma cartesiano.

O pensamento mecanicista é analítico, linear, e procura explicar o homem comparando-o a uma máquina que funciona a partir da harmonia de suas engrenagens. Logo, essa forma de conceber o mundo busca compreender os objetos delimitando de modo pragmático suas fronteiras para em seguida decompô-lo em partes, simplificando assim a compreensão do todo e desmistificando (ou hoje poderíamos dizer desprezando) sua complexidade.

Ao colocar em prática esta ação reducionista, retira-se o objeto de estudo (o qual seria o alvo da investigação) de seu contexto, separando-o e o ordenando em partes menores para decifrá-las. Acreditava-se então, que a soma das partes decifradas seria maior que uma análise contextual do todo.

José Mourinho, ao falar dos treinos analíticos, está querendo dizer na verdade que todos os treinadores fazem a mesma coisa porque fragmentam o futebol em partes, como por exemplo, o técnico, a tática, a psicológica e a preparação física, explorando-as de forma desconexas em seus treinamento e ainda descontextualizadas perante às exigências e ocorrências circunstanciais do jogo (entendido com o todo).

Já o modo de conceber o treinamento em futebol do técnico português é diametralmente oposto, devido ao fato dele não ler o futebol com os desfocados óculos do paradigma cartesiano.

As premissas que sustentam a visão de mundo de Mourinho estão ancoradas no paradigma emergente, que vem para superar a metáfora mecanicista da máquina humana. A melhor metáfora para explicar o homem e o mundo passa a ser a do organismo vivo, que se encontra em constantes e sistêmicos processos adaptativos e de auto-organização, evidenciando que o todo seria maior que a soma de suas partes.

A ciência deve muito a Descartes, a Bacon, a Newton, entre outros fundadores do pensamento cartesiano... Mas as idéias advindas do racionalismo não são mais suficientes para explicar os novos fenômenos descobertos. Assim, sua superação é anunciada como irreversível por pungentes cientistas, que tecem estudos evidenciando o quão obsoleto é esse modelo de pensamento, além de apregoar o crítico momento revolucionário em que se encontra o pensamento científico.

A crise do pensamento científico se iniciou no começo do século XX, com os trabalhos de Einstein, relativizando o tempo e o espaço, e da física quântica de Heisenberg e Bohr, derrubando a leis de Newton no tocante à microfísica.

A necessidade de superação do pensamento racionalista/analítico já ultrapassou os limites da Física, adverte outro renomado português, o cientista social Boaventura de Souza Santos, progenitor, defensor e divulgador dos propósitos do novo paradigma, afirmando que esse está emergindo da crise do pensamento científico e se mostrará cada vez mais facilitador no processo de construção de conhecimentos prudentes para uma vida decente.

Desse modo, a visão global, sistêmica, holística, hologramática, ecológica, complexa, ou seja lá qual for o adjetivo a qualificar o pensamento de Mourinho, longe de se preocupar com as partes, ou mesmo estabelecer em que ponto começa o físico e acaba o psicológico, o tático e o técnico, preocupa-se com o processo organizacional do jogo (concebido como todo).

Um treinamento, ou melhor, saber treinar, só se mostrará válido e interessante quando possibilitar aos jogadores operacionalizarem as idéias que serão realmente utilizadas no jogo, permitindo assim que toda uma equipe possa, por intermédio de treinos contextualizados, aprender a ler o jogo, e encontrar nele as características que substituem o determinista pensamento analítico. Como, por exemplo, as destacadas por Boaventura de Souza Santos logo no primeiro tomo de sua mais importante obra, A Crítica da razão indolente: “Em vez de eternidade, temos a história; em vez de determinismo, a imprevisibilidade; em vez do mecanicismo, a interpretação, a espontaneidade e a auto-organização; em vez da reversibilidade, a irreversibilidade e a evolução; em vez da ordem, a desordem...”.

Portanto, talvez Mourinho, para o universo do futebol, guardadas as devidas proporções, possa se comparar a Epicuro, o filósofo grego do período Helênico, quando esse, no entendimento do contemporâneo filósofo francês Luc Ferry, incomodava a harmoniosa e perfeita concepção de cosmo dos estóicos, com suas alusões à desordem e ao caos. Ou seja, Mourinho, em consonância com teóricos, principalmente das ciências humanas, que estudam o jogo, concebe que esse tende ao caos, à desordem e à constante busca pela organização a partir das interações. Assim, não teria uma disposição à ordem como acreditam os técnicos que ainda insistem em utilizar uma metodologia tecnicista, sustentada pelo pensamento mecanicista, o qual apregoa e alicerça a máxima Ordem e Progresso.