"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
Por sua filosofia, Mourinho desafia mau retrospecto contra o Barça
GUILHERME YOSHIDA COLABORAÇÃO PARA AFOLHA
Se há um time no mundo que pode bater atualmente o técnico José Mourinho este é o Barcelona. Por isso, o treinador português sabe que o confronto desta segunda-feira, a partir das 18h (de Brasília), pela 13ª rodada do Campeonato Espanhol, vale muito mais do que a liderança da tabela ou a vitória política dos nacionalistas espanhóis sobre os catalães.
Antonio Calanni - 28.abr.2010/AP
Com a Inter, José Mourinho comemora a classificação em pleno Camp Nou
Considerado o melhor técnico do mundo, Mourinho precisa nesta noite superar o mau retrospecto que tem diante do arquirrival para mostrar a todos que suas ideias sobre o futebol estão no caminho certo.
Em dez jogos contra o Barcelona desde que se profissionalizou, o treinador venceu apenas em três oportunidades --duas com o Chelsea e uma com a Inter de Milão. Além disso, foram três empates e quatro derrotas.
No entanto, na última vez que saiu derrotado no encontro, o comandante saiu de campo com a classificação assegurada na Copa dos Campeões. Na ocasião, quando perdeu por 1 a 0 e levou a Inter de Milão à decisão do torneio, o treinador correu pelo gramado após o apito final e festejou apontando o dedo para a torcida do adversário, o que causou revolta dos jogadores do Barça.
"O Barcelona tem um estilo de futebol muito bonito, mas eu não quero copiá-lo", afirmou Mourinho, em entrevista ao jornal "Marca", durante a última semana.
O treinador português fala isso porque o jogo no Camp Nou reunirá também um embate de ideias e filosofias de trabalho entre o clube catalão e o comandante do Real. Para os torcedores, Mourinho talvez seja lembrado "apenas" pelo fato de ter conquistado duas vezes a tríplice coroa na Europa (com o Porto, em 2004, e com a Inter, na temporada passada).
Mas, no meio do futebol, ele é apontado como o homem que quebrou alguns paradigmas dentro das quatro linhas. Mourinho foi o primeiro a obter resultados expressivos com uma metodologia de treinamento estudada há décadas mas que era desdenhada pelos treinadores, chamada de periodização tática (que visa desenvolver o 'jogar' dos atletas, com atividades mais intensas e que focam apenas situações de jogo). Com ela, o treinador levou o Chelsea a pouco mais de 60 jogos de invencibilidade em Stamford Bridge e ao inédito bicampeonato inglês, por exemplo.
Andrea Comas/Reuters
Cercado pelos jogadores do Real Madrid, José Mourinho (c) comanda uma sessão de treino
Além disso, o técnico português vai testar a eficiência do esquema da moda 4-2-3-1 contra o tradicional 4-3-3 do Barcelona, que joga desta maneira há anos e aplica este método desde as categorias de base até o profissional. No encontro, haverá também um conflito de estratégias: enquanto o Real opta por sempre progredir em direção ao gol quando está no ataque, o time catalão prefere a manutenção da posse de bola.
"O [técnico] Josep Guardiola tem uma equipe definida, um projeto firme. Uma filosofia de anos que segue progredindo desde o Cruyff, passando por Van Gaal e Rijkaard e que agora ele melhorou. O futebol do Real Madrid, ao contrário, ainda precisa ser definido. Passou de Capello a Pellegrini, por Schuster e Juande Ramos. Assim não é possível. Um clube como o Real precisa de uma organização estruturada com um esquema de jogo fixo, uma filosofia própria. Estamos trabalhando nesse sentido desde a minha chegada", comparou Mourinho, ao site da Fifa na semana passada.
Apesar da diferente maneira de trabalhar com o futebol, o treinador português já teve uma passagem pelo Barcelona, ainda no seu início de carreira. No final dos anos 90, ele foi tradutor e técnico-adjunto do inglês Bobby Robson e do holandês Louis Van Gaal durante a sua estadia na capital da Catalunha.
"O Barça é uma grande equipe, um conjunto com uma filosofia de grupo que já vem de vários anos. Conta com jogadores que estão praticamente a vida toda juntos, como Iniesta, Xavi e Messi. Não é fácil enfrentá-lo, mas trabalhamos para sermos igualmente fortes e superá-lo na disputa de títulos. Em competições de mata-mata é mais fácil. Com a Inter e o Chelsea, já ganhei do Barcelona", completou.
Ricardo Teixeira e outros dirigentes da entidade sofrem com novas acusações __________________________________________
Equipe Universidade do Futebol
Após o escândalo de compra de votos para a escolha das sedes dos mundiais de 2018 e 2022, dirigentes da Fifa voltaram a receber acusações de corrupção. Dessa vez, o jornal suíço Tages-Anzeiger revelou que integrantes da entidade teriam recebido dinheiro de uma empresa ligada à federação.
Conforme informa o tablóide, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Issa Hayatou, e o presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), o paraguaio Nicolás Leoz, estariam em uma lista secreta de pagamentos da agência de marketing ISMM/ISL.
A empresa declarou falência, em 2001, após ser acusada de suborno na atribuição de contratos de televisão. Três executivos da ISMM/ISL chegaram, inclusive, a receber multas por fraude e crimes contábeis.
Os três acusados fazem parte do Comitê Executivo da Fifa, que será responsável pela escolha das sedes da Copa no próximo dia 2.
Nesta segunda-feira, no Congress Center de Frankfurt, será realizado o sorteio dos grupos da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2011. OFIFA.comexplica o procedimento.
► Nenhum grupo contará com mais de um participante da mesma região geográfica ► Exceção: o Grupo A terá duas seleções da Europa
Decisões do Comitê
► AAlemanha, como anfitriã, ficará no Grupo A, na posição 1 (A1). ► OJapão(Ásia) ficará no Grupo B, na posição 1 (B1). ► Os Estados Unidos (América do Norte, Central e Caribe) ficarão no Grupo C, na posição 1 (C1). ► OBrasilficará no Grupo D, na posição 1 (D1). Composição das urnas
Entre parênteses, a região de cada seleção e a posição na edição de novembro de 2010 do Ranking Mundial Feminino FIFA/Coca-Cola. Urna 1: Alemanha(EUROPA/2 – bola branca) Japão(ÁSIA/5 – bola vermelha) ESTADOS UNIDOS (AMÉRICA DO NORTE, AMÉRICA CENTRAL E CARIBE/1 – bola amarela) Brasil(AMÉRICA DO SUL/3 – bola azul) Urna 2: AUSTRÁLIA(ÁSIA/12) COREIA DO NORTE(ÁSIA/6) CANADÁ(AMÉRICA DO NORTE, AMÉRICA CENTRAL E CARIBE/9) MÉXICO(AMÉRICA DO NORTE, AMÉRICA CENTRAL E CARIBE/22) Urna 3: NIGÉRIA(ÁFRICA/27) GUINÉ EQUATORIAL(ÁFRICA/62) NOVA ZELÂNDIA(OCEANIA/23) COLÔMBIA(AMÉRICA DO SUL/32)
Urna 1: ► O sorteio começa com a urna 1. ► AAlemanha, como anfitriã, é a cabeça de chave do grupo A. ► OJapão, como a seleção da Ásia de melhor colocação no Ranking, é o cabeça de chave do Grupo B. ► Os Estados Unidos, como a seleção da América do Norte, América Central e Caribe de melhor colocação no Ranking, são os cabeças de chave do Grupo C. ► OBrasil, como a seleção da América do Sul de melhor colocação no Ranking, é o cabeça de chave do Grupo D. ► As respectivas posições nos grupos são: A1 -Alemanha; B1 -Japão; C1 - Estados Unidos; D1 -Brasil.
Urna 2: ► Regra: não haverá mais de uma seleção por região geográfica em cada grupo. ►AUSTRÁLIAeCOREIA DO NORTEnão poderão fazer parte do Grupo B, porque oJapãojá faz parte desse grupo como representante da Ásia. ►CANADÁeMÉXICOnão poderão fazer parte do Grupo C, porque os Estados Unidos já fazem parte desse grupo como representantes da América do Norte, América Central e Caribe.
Urna 3: ► Regra: não haverá mais de uma seleção por região geográfica em cada grupo. ► ACOLÔMBIAnão poderá fazer parte do Grupo D, porque oBrasiljá faz parte desse grupo como representante da América do Sul. ► A primeira seleção sorteada que não faça parte da América do Sul (NIGÉRIA,GUINÉ EQUATORIALouNOVA ZELÂNDIA) obrigatoriamente fará parte do Grupo D, a não ser que aCOLÔMBIAseja o primeiro país sorteado. Nesse caso, o procedimento segue normalmente da esquerda para a direita.
Urna 4: ► Regra: apenas um grupo terá dois países da Europa. ► Este grupo será o Grupo A, que já conta com aAlemanha.
A entrega de jogos nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro provoca a desvalorização do nosso futebol
Erich Beting
Paulo Passos/iG
Torcedores do Palmeiras pressionam Deola
A paixão é cega, já dizia o ditado. E, por conta disso, muitas vezes a relação que as pessoas têm com o futebol, beira o irracional. O que se vê, hoje, na reta final de mais um Campeonato Brasilleiro é exatamente o quanto a paixão pode ser prejudicial para o futuro do esporte.
A entrega de jogos, ou a insistência de nós, jornalistas, em levantar essa bola nas rodadas finais do Brasileirão, fez com que o torcedor colocasse a paixão acima de tudo e, assim, prejudicasse no longo prazo a realização do próprio futebol no país.
Ao exigir a derrota de seu clube para prejudicar o rival, o torcedor não consegue perceber que prejudica a si mesmo. A felicidade da torcida corintiana em 2009 vendo que o time perdeu e com isso facilitou a vida do Flamengo e prejudicou o São Paulo se transformou rapidamente em pesadelo em 2010, quando uma derrota do rival para o Fluminense complicou a caminhada alvinegra rumo ao título.
Mas o problema maior não é nem aceitar que um time entregue o resultado num ano e no seguinte seja vítima do próprio veneno. A maior derrota que pode existir, nessa situação, é ver que isso só ajuda a tirar a credibilidade sobre a disputa do Brasileirão.
E o problema não é nem a fórmula de disputa da competição. Sim, obviamente que se tivéssemos a disputa de semifinais e finais na reta decisiva do campeonato não teríamos jogos com times interessados contra outros desinteressados.
Mas aí é que está o grande ponto.
Não pode haver desinteresse de um atleta em defender um clube. Querer atribuir ao formato da competição a entrega proposital de resultados é o mesmo que aceitar que só há pobreza porque as pessoas não se esforçam em sair dela, como se programas de governo para melhorar a vida da população não fossem absolutamente necessários para erradicar a pobreza.
A partir do momento em que o torcedor acredita ser correto ver seu time perder, ou então que o atleta não vê problema em fazer corpo mole para ver um colega de profissão prejudicado, a credibilidade do produto está perdida.
Os primeiros sinais de que a coisa não vai bem começam a ficar evidentes. Queda de público nos estádios, audiência mais baixa na TV. Se o futebol brasileiro não acordar, será impossível resgatar a sua imagem no futuro.
A vitória de hoje simboliza, claramente, a derrota mais para frente.
Em 2020, o clássico entre Sport Club Seoul, conhecido como SC Seul e Union Football Club, conhecido como União FC, será disputado no Seoul Digital Domed Stadium (estádio moderno com cúpula), em Seul na Coréia do Sul. O estádio está lotado, com 100 mil espectadores e parece que vai explodir com a agitação e gritos da torcida.
O SC Seul sofreu psicologicamente com a derrota no último clássico, e vem se preparando muito para surpreender seu rival União FC, e conta com o apoio da torcida em casa. Mas o União FC vem de derrota para o Incheon Football Club de uma cidade vizinha, com a derrota caiu para a terceira posição e se não ganhar o jogo hoje será ultrapassado na tabela pelo SC Seul.
No estádio, os árbitros estão fazendo uma última revisão nas linhas do campo, todas as linhas possuem sensores que possibilitam a verificação imediata da posição da Wireless ball (bola sem fio) que possui microchip dentro, averiguando se está dentro ou fora do campo ou se ultrapassou a linha do gol. Os sensores enviam as informações para o rádio digital (wireless headset) dos árbitros e para o computador central.
O estádio possui um display holográfico 3D posicionado na parte de cima central do campo, visível para qualquer pessoa em qualquer parte do estádio, exibindo informações, como condição do gramado, número e faixa etária dos espectadores, situação atual da meteorologia de fora e dentro do estádio, além das informações das equipes como nível físico, lesões e biorritmo dos jogadores, e também propagandas dos patrocinadores, etc.
O jogo começa com aplausos dos torcedores, os jogadores de ambas as equipes se movimentam rapidamente e pressionam para que possam dominar os primeiros 15 minutos, mas devido à igualdade técnica das equipes a uma dificuldade para controlar o jogo.
O jogo se mantém travado, mas a intensidade do jogo é alta e bem movimentada, as equipes não querem errar, com o fim do primeiro tempo nenhuma dos times conseguiram surpreender a defesa adversária indo para o intervalo com o placar de 0x0.
Com o primeiro tempo bem intenso os jogadores já poderiam estar cansados, mas pelo contrário, nenhum jogador está apresentando dificuldades de jogar o início do segundo tempo. Graças ao uso de tecnologia, os jogadores agora utilizam o uniforme chamado Smart Uniforme de Têxtil Digital (SDTU - Smart Digital Textile Uniform) que permite minimizar o gasto de energia, além de verificar temperatura corporal.
Aos 70 minutos, o Tablet PC do preparador físico do SC Seul começa a alertar com vibração, um sinal urgente avisando que está acontecendo algo de errado no corpo de um jogador.
O preparador físico começa a verificar as informações e descobre o surgimento de um problema no LCA (Ligamento Cruzado Anterior) do joelho esquerdo do jogador brasileiro Daniel camisa 10, que organiza as jogadas do time. Logo o preparador reporta a situação ao técnico e ao médico da equipe, e tomam a decisão de substituir o jogador para evitar uma lesão e para não diminuir o rendimento do time.
O jogador estava escondendo a dor no joelho, a pressão por poder perder sua posição para seu substituto direto Ronieri, que acabou de ser contratado pelo clube, já o assombrava por algumas partidas anteriores. Mas pela ajuda do smart uniforme e o aparelho receptor digital de informação que permitem verificação de dados físicos dos atletas, o preparador constatou a lesão e tomou as providências imediatamente.
Aos 75 minutos Ronieri entrou no lugar do Daniel, com isso o SC Seul, que continuava empatando o jogo, começou a contra atacar com mais velocidade.
SC Seul partiu para o contra ataque, os zagueiros do União FC ficaram em desigualdade, Ronieri imediatamente arranca driblando em alta velocidade em direção ao gol oponente passa a bola para o lateral esquerdo Lee e o meia Choi participa da jogada correndo rapidamente para frente, os zagueiros do União FC que estão em difícil situação de dois contra três, tomam a decisão de fazer uma linha de impedimento como última opção.
Um zagueiro vai para o lado do lateral Lee, Ronieri e Choi correm para grande área, o outro zagueiro fica entre os dois atacantes. Ronieri corre entre os zagueiros que ficam parados, recebe a bola nas costas da zaga dentro da grande área, ele não desperdiça e chuta com o pé direito a bola que entra bem no canto direito do gol.
Com as atuais regras e a utilização da tecnologia, os dados da jogada são verificados no exato momento, através do display holográfico 3D todos os jogadores, torcedores dentro do estádio e as pessoas que estão assistindo o jogo através da transmissão da TV, para verificarem se ocorreu impedimento.
Durante a partida não acontece muita reclamação, quando existe alguma jogada duvidosa já é constatada no display holográfico 3D. No jogo não a brechas para reclamações, como ocorria antigamente paralisando o jogo a todo instante.
A razão para a possibilidade deste tipo de julgamento justo, é o sistema que trabalha em conjunto com smart uniforme de têxtil digital, microchip que está no interior da bola e sensores nas linhas do campo que possuem erro menor de 1 cm e transmitem para o rádio digital dos árbitros e para o computador central, percebendo se há impedimento na jogada no momento exato.
No jogo derby de Seul graças aos equipamentos digitais modernos restringindo o número de reclamações sobre a arbitragem, conseguindo diminuir o tempo referente às discussões.
O estádio de Seul com gritos e calor de 100 mil torcedores parecia explodir, depois aparecem mensagens de parabéns pela vitória e informações sobre o jogo do SC Seul no display holográfico e avisos sobre a próxima partida.
O cenário acima não é apenas uma sinopse virtual impossível, só que não é aplicada no campo real, mas é uma cena no futebol do futuro que vai chegar em alguns anos.
Segundo o artigo Smarter Soccer Through Chips, da edição na internet de Deutsche Welle, TV internacional da Alemanha, publicado em 06 de janeiro de 2005, os cientistas do Instituto Fraunhofer desenvolveram uma bola com microchip e sistema de localização dos jogadores (figura 1). Figura 1.
Bola com microchip
Através do microchip o árbitro recebe o aviso sonoro, indicando a posição da bola e a localização dos jogadores. Este sistema facilita as decisões dos árbitros sobre os impedimentos, lances de gol, saída da bola nas linhas do campo. Este microchip interior possibilita a transmissão de dados 2mil vezes por segundo, os dados coletados são enviados através das antenas instaladas na volta do campo para o computador central, que faz as estatísticas sobre o jogo, permitindo aos árbitros e analistas verificarem instantaneamente todas as ações do jogo.
Em 2006, a competição de Vasaloppet (cross country skiing) na Suécia abriu o caminho para fornecimento de diversas informações, transmitindo na TV ao vivo a frequencia cardíaca dos atletas.
Após a apresentação do uniforme SGU - Sistema de Gestão de Umidade (MMS - Moisture Management System) que tem função de secagem e ventilação, também comportável, utilizado pela primeira vez na EUROCOPA 2004, evoluiu a indústria de vestuário digital.
O uso do uniforme feito de têxtil digital (digital textile) e fibra óptica plástica (plastic optical fiber) pode fornecer várias informações digitais dos jogadores, como frequencia cardíaca, pressão sangüínea, temperatura corporal, VO2max, calorias eliminadas, fadiga, distância percorrida e rota de deslocamento, sem o uso de cinta transmissora de freqüência cardíaca utilizada no peito.
Esta tecnologia também assume o cargo de prevenção de qualquer acidente, até de morte súbita dentro das partidas ou treinos, identificando e transmitindo instantaneamente para o preparador físico e ao médico os sinais de erros e sintomas, como instabilidade nos batimentos cardíacos que causa elevação do risco de arritmia cardíaca e câimbra muscular.
Atualmente com o desenvolvimento de diversos celulares smart phone, poderemos receber quando quiser os dados básicos digitais como informações físicas dos jogadores, das equipes opostas através da aplicação da Realidade Aumentada (AR - Augmented Reality).
A Realidade Aumentada é o mundo composto que objetos virtuais de 3D (3D - Three dimentions) são adicionados no mundo real, esta tecnologia permite verificar instantaneamente as condições físicas dos atletas pelo uniforme que transmite as diversas informações biométricas para o celular smart phone ou tablet PC dos preparadores físicos, através das câmeras digitais e retransmissores (Gap filler) instalados no estádio, isso facilita o acompanhamento das condições físicas dos jogadores.
Além disso, a engrenagem da tecnologia AR junto ao sistema de GPS pode se averiguar as informações sobre elementos básicos dos estádios e dos clubes utilizando a imagem sólida em 3D (3D solid image) através da tela de celular smart phone como data da fundação, vitórias conquistadas, dados de atuais e ex- jogadores, etc., apenas focando o celular smart phone no guia do clube.
Na visita do estádio com o simples ato de focar o celular na direção do estádio, logo depois na tela serão demonstradas as informações como localização, data da construção, altitude, pressão atmosférica, dimensões, capacidade de espectadores, tipo e condição do gramado, temperatura interna no estádio, etc (figura 2).
Figura 2. Informações através do Smart phone
Hoje os equipamentos modernos que ainda não são aplicados no contexto atual futebolístico estão sendo pesquisados e testados pelos cientistas esportivos.
Em um futuro próximo, a utilização destas tecnologias certamente vai ser uma realidade na preparação física do futebol.
REFERÊNCIA
DEUTSCHE WELLE. Smarter Soccer Through Chips, [on-line]. Available on: < http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1449684,00.html>. Access on: Jan 06, 2005.
*Autor: 2010 Colunista do Relatório Técnico da KFA (Korea Football Association), foco na preparação física no futebol
Projeto já tem aprovação do conselho de administração da federação de futebol dos Estados Unidos, mas depende de aval do conselho nacional da entidade
Equipe Universidade do Futebol
Dona do Miami FC, a empresa brasileira de marketing esportivo Traffic fará uma investida ainda mais incisiva no mercado de futebol dos Estados Unidos. A companhia vai criar, a partir da temporada 2011, uma liga da modalidade na América do Norte.
A Liga de Futebol da América do Norte (NASL, na sigla em inglês) terá como CEO o principal executivo da Traffic nos Estados Unidos, Aaron Davidson. A competição será uma espécie de segunda divisão do futebol local – a elite é a MLS.
“Estamos ansiosos para trabalhar com a Major League Soccer, da primeira divisão, e a United Soccer League, da terceira divisão, para continuar a construir o futuro do futebol na América do Norte”, projetou Davidson.
A NASL será disputada, em 2011, por times de Estados Unidos, Canadá e Porto Rico. A competição terá oito participantes, que se enfrentarão quatro vezes na primeira fase (duas em casa e duas fora). Os dois primeiros colocados disputarão as semifinais, e as equipes que ficarem entre a terceira e a sexta posição jogarão um playoff pelas outras duas vagas.
A criação da nova liga já tem aprovação do conselho de administração da federação de futebol dos Estados Unidos. Contudo, ainda depende de aval do conselho nacional da entidade, que só deve discutir o tema em fevereiro do próximo ano.
Nutrindo o futebolista no dia do jogo: como melhorar o desempenho?
Para abastecer o organismo, deve-se aumentar a reserva de carboidratos e consumir proteínas de 3 a 4 antes do apito inicial
Giovana Guido*
Muitos atletas do futebol não fazem ideia da importância que uma boa alimentação, principalmente no dia do jogo, pode trazer de benefício para seu rendimento e recuperação. Por isso, refeições bem planejadas no dia do jogo poderão surtir bons resultados.
Mas deve-se lembrar que uma dieta equilibrada durante toda a pré-temporada é tão ou até mais importante quanto à dieta do dia. Porém, vamos focar em alguns aspectos da nutrição no dia do jogo:
Antes do jogo O objetivo é melhorar a recuperação de uma semana exaustiva de treinos e abastecer o organismo para aquele jogo importante. Para que isso ocorra, devemos aumentar o estoque de glicogênio muscular e fígado (reserva de carboidratos), consumir proteínas o suficiente para reparar o tecido muscular, manter uma boa hidratação e evitar excesso de gorduras e açúcares.
O ideal é de 3-4 horas antes do jogo, o atleta consumir uma refeição mais consistente usando carboidratos integrais, proteínas e um pouco de gordura saudável. Incluir líquidos também, pelo menos 400 ml. Por exemplo:
- Arroz integral com batata doce + peito de frango + salada temperada com azeite de oliva e água de coco ou;
- Lanche natural com pão integral, frios e salada + 3 castanhas + barra de cereais + suco de frutas.
E cerca de 60-90 minutos antes do jogo, completar com algo leve como: bebidas isotônicas, água de coco, frutas, etc.
Durante o jogo O objetivo é diminuir ao máximo a perda dos estoques do corpo, de energia, de água e eletrólitos (minerais). Os atletas devem fazer reposição durante o jogo para evitar fadiga precoce e desidratação excessiva. Durante o intervalo do jogo, consumir bebidas isotônicas, água de coco ou géis de carboidratos. Para aqueles que sentem fome, podem consumir frutas.
Após o jogo Após o jogo a intenção é recuperar os músculos, repor estoques e reidratar o organismo o mais rápido possível. A ideia é iniciar a recuperação imediatamente após o jogo com bebidas isotônicas e géis de carboidrato. Após isso, consumir pães, cereais, iogurte, frios magros, biscoitos, frutas, batata inglesa e muitos líquidos.
Nas próximas 24 horas após o jogo, caprichar no consumo de carboidratos, principalmente.
*Nutricionista graduada em Nutrição pela Universidade São Judas Tadeu, especialista em Nutrição Clínica e metabolismo pela Universidade Gama Filho e cursando Nutrição Esportiva também pela Universidade Gama Filho.
Enderson Moreira, técnico do time B do Internacional
Campeão brasileiro sub-23, ele fala sobre as características de seu trabalho no projeto colorado
Bruno Camarão
Na próxima segunda (29/11), a comissão técnica do Internacional divulgará a lista dos 23 atletas inscritos para a disputa do Mundial de Clubes da Fifa, em Abu Dhabi. O treinador Celso Roth garante que sua relação está praticamente definida. Certo também é que o processo de formação do grupo principal esteve condicionado a atuações recentes de postulantes a uma vaga em jogos oficiais. E quem se destacou no Campeonato Brasileiro sub-23, obviamente, alimenta uma chance de embarcar para os Emirados Árabes Unidos e lutar pelo maior título da temporada.
Muriel, Daniel, Ronaldo Alves, Oscar, Eduardo Sasha, Juliano, Romário, Massari e Kléber Silva, por exemplo, integraram por um período o chamado Inter B, equipe que faturou o torneio da categoria, e ganharam nova chance na equipe profissional – vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, no Engenhão.
“No time B, consegui recuperar meu ritmo. Há alguns que podem ir ao Mundial, como eu, e se aparecer uma vaga na lista será como um título para mim”, disse Oscar, talentoso meio-campista, após sua atuação decisiva na final do sub-23, contra o Corinthians. Marcou um gol e deu uma assistência para outro no triunfo por 3 a 0.
No comando desses jovens esperançosos – e de alguns com mais idade, que tiveram que reconstruir suas carreiras – está a figura de Enderson Moreira. Mineiro de Belo Horizonte, ele teve sua formação ligada às três principais forças do Estado – e pelo emergente Ipatinga –, além da equipe júnior do 7 de Setembro, clube conveniado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde se formou e deu os primeiros passos na profissão.
Parceiro de Ricardo Drubsby, Enderson captou do ex-coordenador das categorias de base do Atlético-PR muitos dos conceitos de organização e planejamento estratégico vividos em várias comissões técnicas pelo país. Ao desembarcar no Internacional, ele se deparou com uma realidade muito próxima da qual pensa sobre a modalidade.
“Alguns outros clubes pensam também em futebol, mas às vezes muito preocupados com a estrutura física, as possibilidades de treinamento, que também são importantes, mas a essência do jogo ainda é o atleta. É ele quem fará com que a equipe se desenvolva. E nesse processo de seleção, o Inter é diferente. Está sempre buscando atletas de qualidade”, apontou Enderson, nesta entrevista àUniversidade do Futebol.
Dentre os variados temas, o profissional que faturou duas Copas São Paulo de Futebol Júnior – uma com o América-MG e outra com o Cruzeiro – falou sobre como pensou e sistematizou a forma de jogar do time B do Inter, a integração entre os departamentos, sua relação com o futsal e qual a relevância do staff para o sucesso de um comandante.
“O treinador é o 'cabeça', mas é fundamental estar cercado por profissionais que se sintam importantes e possam desenvolver suas funções com total autonomia. Cabe a nós gerenciar essa comissão e verificar e controlar o desempenho de cada um”.
Universidade do Futebol –Qual a sua formação acadêmica e como ocorreu seu ingresso no ambiente do futebol?
Enderson Moreira –Fui atleta de futebol até os 18 anos. Como minha carreira não deslanchou, fiz o vestibular para Educação Física e decidi cursar para trabalhar com futebol.
Uma pessoa que me influenciou muito para tomar essa decisão foi o Ricardo Drubsky, que foi meu treinador no infantil do Venda Nova, clube de Belo Horizonte. A partir desse momento, tomei-o como exemplo e segui esse caminho. Me formei tanto no Bacharelado quanto em Licenciatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Antes, minha primeira participação no futebol foi como preparador físico, em 1993, no próprio Venda Nova, na categoria juvenil. Dois anos depois, o Ricardo, após um longo tempo em que não nos falávamos, entrou em contato e me indicou ao América-MG, no qual eu trabalhei como preparador físico desde a categoria júnior, em 1995 – fomos campeões da Copa São Paulo de Futebol Júnior, no ano seguinte – até me tornar auxiliar de preparação do grupo principal.
Saí do América-MG em 1996 e me tornei treinador em 1998. Dirigi a equipe júnior do clube 7 de Setembro, que tinha um convênio com a UFMG. Em 1999 e em 2000 fui treinador do juvenil do América-MG, até que parei por quatro anos para fazer o meu mestrado.
Sempre trabalhei, em paralelo, em um colégio de Belo Horizonte, chamado Magno Agostiniano, famoso na formação de atletas, pelo qual fui treinador de futsal durante 15 anos.
Em 2004, o Ricardo, então coordenador das categorias de base do Atlético-MG, me convidou para ser treinador do juvenil do clube. Fiquei lá até 2005, e no início de 2006, quando o Ricardo já estava no Cruzeiro como treinador da equipe júnior, fui chamado para ser auxiliar dele. Quando ele assumiu a coordenação da base do Cruzeiro, fui promovido a técnico do júnior, ficando até maio de 2008.
Em 2008, o Ricardo foi para o Ipatinga, o acompanhei e me tornei primeiro assistente técnico dele, e depois treinador do time principal, quando ele saiu. Depois disso ainda transitei pelo América-MG, pela categoria sub-20 do Atlético-PR, em 2009, até receber o convite da diretoria do Internacional para dirigir o time B.
Universidade do Futebol –Você comentou sobre aquele período em que esteve afastado do futebol para a realização de uma atividade acadêmica. Do que se tratou sua tese de mestrado?
Enderson Moreira –Sempre tive muito contato com a psicologia do esporte. Minha monografia de conclusão de curso foi voltada a essa área. Não cheguei a fazer o mestrado, apenas algumas disciplinas isoladas, pois recebi o convite do Ricardo e do Atlético-MG no meio do período.
Universidade do Futebol –Já que você tocou no tema, como você trabalha questões ligadas à área da psicologia esportiva aplicada ao futebol em seus treinamentos diários?
Enderson Moreira –Na verdade, durante esse período todo em que eu estive no futebol, apenas no Atlético-MG tive um contato muito bom com a Paula de Paula, psicóloga do clube. No Inter, também ocorre um trabalho específico com um profissional da área.
O que eu mantenho são intervenções mais voltadas ao meu estilo de trabalho, um estilo formador, do qual nunca abri mão, e tive oportunidades de colocar algumas coisas que foram estudadas e tive acesso, mas nada muito especial.
Em alguns casos, porém, quando percebemos algum problema emocional em algum atleta, entramos em contato com a psicóloga para desenvolver uma atividade própria com ele, com sociogramas, etc.
Também mantemos um contato próximo com a assistente social, que é talvez até mais próxima e nos passa informações sobre a família do atleta e, assim, podemos intervir de maneira positiva para melhorar o desempenho.
Universidade do Futebol –O Inter preza muito pelo seu departamento de formação, utilizando-se de muitos atletas na categoria principal, bem como o Atlético-MG, o Atlético-PR e o Cruzeiro, clubes pelos quais você passou. Qual é o diferencial de cada um deles neste sentido?
Enderson Moreira –Tive oportunidade de passar por quatro grandes clubes que têm por característica e opção desenvolver bons trabalhos de base. Colocaria até o América-MG nesta lista, apesar das dificuldades enfrentadas. Mas o Internacional, para mim, está à frente na forma de pensar futebol.
A direção colorada é muito ligada à essência do futebol, que em minha opinião são os atletas. Os dirigentes sempre ficam buscando talentos e, quando estes chegam ao clube, há toda uma estrutura para recebê-los e fazer com que os mesmos se desenvolvam ao máximo.
Alguns outros clubes pensam também em futebol, mas às vezes muito preocupados com a estrutura física, as possibilidades de treinamento, que também são importantes, mas a essência do jogo ainda é o atleta. É ele quem fará com que a equipe se desenvolva. E nesse processo de seleção, o Inter é diferente. Está sempre buscando atletas de qualidade.
Em contrapartida, a formação de um time B vai muito a favor desse pensamento. Para que não se percam atletas de talento, o clube mantém um grupo de altíssimo nível, com padrão de treinamento e de organização de uma equipe profissional, e busca dar a esses atletas que se destacam na categoria júnior e em outras equipes a compreensão da transição do jogo do sub-20 para o jogo profissional.
A intenção é proporcionar uma maturação de jogo adulto àqueles atletas que se destacam.
Oscar comemora gol na final contra o Corinthians, que deu o título brasileiro da categoria sub-23 ao Inter: esperança de ir a Abu Dhabi
Universidade do Futebol –Esse conceito de “Time B” ainda é recente no Brasil?
Enderson Moreira –Infelizmente, nem todas as equipes têm esse tipo de pensamento. Muitas vêm a formação desse novo grupo como mais um gasto. Aqui no Inter o pensamento é bem consolidado, especialmente na figura de seus dirigentes.
Muitos atletas terminavam a idade de júnior e ainda não estavam prontos ou não encontravam espaço para ingressar no time principal. O primeiro passo era emprestar esses atletas para equipes menores, nas quais não recebiam a mesma atenção que ocorria no clube em que foram formados. Por isso nasce a ideia do time B, como forma de preparação para que os jovens pudessem chegar mais experientes, com mais jogos “profissionais” na bagagem – algo que é muito bem desenvolvido na Europa. As agremiações estrangeiras possuem seus times secundários há mais tempo.
Tínhamos as equipes aspirantes, que faziam os jogos preliminares, com torcida, mas acabaram. E o nascimento do time B é para justamente preencher essa lacuna. A categoria sub-20, com as diversas competições que foram criadas, ficou bastante “segmentada” (A Copa SP, atualmente, é disputada pelo sub-18. E o Campeonato Brasileiro sub-20, pelo time sub-19). É importante ter o time B para captar os atletas com potencial e utilizá-los em curto prazo.
Universidade do Futebol –Como você pensou e sistematizou a forma de jogar do time B do Inter? Há uma linha metodológica semelhante à realizada pelo Celso Roth, no grupo principal?
Enderson Moreira –Há uma coisa interessante no futebol. Para montar um sistema de jogo, eu tenho uma ideia bem definida. Nessa ideia, eu tenho algumas possibilidades a partir do que eu tenho em relação aos atletas. No começo, a formação de jogo do time B era diferente da utilizada pelo Jorge Fossati, treinador do time principal à época. Agora, com o Celso, temos utilizados sistemas semelhantes, muito em função das características dos atletas que temos.
Quando um jogador “desce” para jogar conosco, ele já está acostumado ao modelo. Lógico que o Celso tem algumas variações a partir dos pensamentos dele, assim como eu as tenho, mas a essência de jogo é muito próxima, o que ajuda no processo de transição.
A partir da utilização de atletas pelo Inter B, Celso Roth terá mais opções para fechar lista de selecionados para o Mundial de Clubes
Universidade do Futebol –O trabalho realizado pelas comissões técnicas do Internacional é interdisciplinar? Como se dá a integração entre as diferentes áreas pedagógicas e científicas?
Enderson Moreira –Sim. Temos reuniões quinzenais, mensais, nas quais algumas estratégias e alguns temas são tratados. Nas questões pedagógicas, no modo de treinar, o Inter sempre procura definir uma linha sequencial de categoria para categoria.
Temos uma preocupação com a organização dessas equipes, para o processo de formação do atleta. O departamento de formação do Inter é pensado como um todo, e não individualizado em equipes. Muitas coisas precisam ser melhoradas e ajustadas, e estamos tentando contribuir a partir de nossas experiências em outros clubes.
Universidade do Futebol –Você poderia citar alguns desses pontos positivos que você observou – e dos quais você participou – em outras instituições esportivas?
Enderson Moreira –O Atlético-PR, por intermédio do próprio Ricardo Drubsky, vem com um projeto que havia sido implementado no Cruzeiro e no Atlético-MG, baseado na organização e na sistematização do processo de formação do atleta. Tive a oportunidade de participar da construção desses documentos. No Inter, já vi uma coisa muito pronta, avançada. O que tento é fazer um agrupamento desses conhecimentos, das experiências bem sucedidas.
Aqui no clube, há um projeto chamado Aprimorar, por exemplo, que também é muito interessante. Participo dele há apenas 10 meses, não tenho um conhecimento profundo da origem, mas conheço bem as pessoas que trabalham nele, como o Ortiz, o Pinga, o Chico Fraga e o Thiago Rebelo.
Nesse projeto, toda categoria seleciona alguns atletas que apresentam algumas deficiências. A partir de um relatório do que precisa ser melhorado, o Aprimorar, de maneira individualizada, vai trabalhar as carências desses atletas em um período fora do horário de treinamento.
Cada profissional é responsável por um determinado setor, com trabalhos interessantíssimos, fazendo com que o atleta tenha uma melhora significativa nos aspectos técnicos, ferramentas para exercer no plano tático as suas qualidades.
No time B, quando há semanas cheias, realizamos uma atividade especial por setor. Um dia pegamos os atacantes, por exemplo, meia hora antes do treinamento, para aplicar exercícios de coordenação e fundamento, mas a base toda é do Aprimorar.
Universidade do Futebol –Alguns clubes investem nas categorias de base para a formação de jogadores - para a equipe profissional ou para transferência a outros clubes. Outros têm esse discurso, mas na prática mantêm todas as energias para vencer as competições que disputam, muitas vezes mascarando a intenção através desse discurso. Como isso funciona no Internacional?
Enderson Moreira –Como eu não tenho o conhecimento de muitos anos, não posso me aprofundar, mas percebo que o Internacional não é um clube que faz modificações bruscas apenas pelo resultado.
As duas coisas podem caminhar juntas: você ter um trabalho de formação e lutar pelas vitórias. A competitividade faz parte do processo de formação, também. O que não podemos é radicalizar. Vencer é importante, também. O jovem não pode aprender a disputar e a competir apenas no profissional.
Não é em cima de uma derrota que o trabalho está todo ruim, assim como uma vitória não é justificativa de um processo bem realizado.
Universidade do Futebol –Quando era treinador da base do Cruzeiro, você passou um longo período sem derrotas, que foi coroado com a conquista do título da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2007. Poderia relembrar um pouco sobre aquela trajetória?
Enderson Moreira –Eu fiquei à frente do Cruzeiro durante 1 ano e 8 meses, mais ou menos. E durante esse tempo, em competições nacionais, não tivemos nenhuma derrota no tempo normal. Participei da campanha na Copa SP de 2007, e fomos campeões invictos; depois, na Taça Belo Horizonte, perdemos apenas para o Flamengo, na final, na disputa de pênaltis; e em dezembro participamos do Campeonato Brasileiro sub-20, sendo campeões – com apenas um empate na campanha – justamente contra o Inter; na Copa São Paulo do ano seguinte, acabamos eliminados em uma disputa de pênaltis nas oitavas de final.
Universidade do Futebol –A análise de desempenho, com o acompanhamento de dados, pode ser utilizada como uma ferramenta pedagógica na iniciação ao futebol? Como o Inter trabalha este aspecto?
Enderson Moreira –O Ortiz, alem do projeto Aprimorar, é responsável por relatórios com todas as informações dos scouts dos jogos. Acho importante buscar uma análise criteriosa a partir desses dados, mas sem me fixar apenas em números. Eles são muito importantes, desde que você possa fazer uma análise criteriosa e competente de cada item.
Se meu meio-campista deu dez passes, errou cinco e acertou cinco, sendo que três foram assistências para gol, o jogo ganha outra representatividade. Os números são quantitativos e qualitativos.
O futebol ultrapassa a questão de ser apenas um esporte. Ele é um grande negócio, com exposição de marca e fidelização de mercados. E tudo o que puder ser agregado para melhorar o jogo, o espetáculo, na verdade, é muito bem vindo.
A única coisa que faço restrição é a inversão de valores, quando as pessoas colocam como importância maior esse tipo de aparato. A essência do jogo é o atleta. Tudo contribui, e o treinador tem a faculdade de organizar e conduzir esse processo. Mas não podemos perder de referência o jogo.
Universidade do Futebol –Em se pensando o futebol no aspecto humano e social, você acredita que a influência da cultura condiciona um determinado tipo de comportamento? É possível se falar em escolas regionais de futebol?
Enderson Moreira –Em alguns cursos que vou ministrar, falo muito sobre as diferenças culturais do jogo de acordo com a região. Vou além: há diferenças culturais até de clubes para clubes da mesma localidade.
Atlético-MG e Cruzeiro, por exemplo. O segundo é um time mais técnico, que joga com a bola no chão, no jogo apoiado, e o primeiro impõe uma marcação mais forte, um jogo mais vertical, agudo, com muita vontade. Para as pessoas que trabalham com futebol é importante conhecer essas particularidades.
O que existe é uma caracterização que a torcida admira. A do Cruzeiro, por um time mais técnico; a do Atlético, por um time mais aguerrido.
Percebi isso no Paraná e aqui no Rio Grande do Sul, também, onde o jogo é mais lutado, com força. No Rio de Janeiro, o jogo é mais cadenciado, com posse de bola. Já no Nordeste, a transição defesa-ataque ocorre de maneira muito rápida.
É lógico que as grandes equipes têm uma tendência a apresentar um jogo muito mais próximo – elas tendem a ter equipes com atletas técnicos e modelos de jogo organizados.
"A essência do jogo é o atleta": Enderson valoriza troca de ideias com os jovens e procura diagnosticar aspectos de liderança no grupo
Universidade do Futebol –Em uma de suas primeiras intervenções como treinador da seleção brasileira, o Mano Menezes citou a necessidade de o país em reassumir a condição de protagonista do jogo. Qual leitura você faz disso?
Enderson Moreira –O futebol brasileiro, na verdade, sempre foi um futebol de posse e de toque de bola. Eventualmente, em algumas situações, abrimos mão disso. Não que o fato de o Dunga ter formado um time cuja principal característica era o contra-ataque estivesse “errado”. Ele tinha jogadores com essa capacidade de transição. Mas acabou não ganhando a Copa, e não se tornou uma referência.
O que percebo nessa frase do Mano é que o Brasil tem uma marca e uma forma de atuar que não deve ser descartada. O brasileiro sempre conduziu o jogo, sempre teve a capacidade de colocar qualquer adversário para dentro do campo dele, e principalmente no terço ofensivo do campo, nossos atletas buscavam muito a jogada individual, de desequilíbrio. E é o que o Mano quer retomar.
Dificilmente a Espanha enfrentará um rival que tenha mais posse de bola do que ela. Mas nem sempre ela irá ganhar por conta desse protagonismo. O mesmo vale para o Barcelona.
Universidade do Futebol –Para alcançar esse patamar, há necessidade de um trabalho diferenciado nas categorias de base? Como você analisa, de maneira geral, a formação do atleta brasileiro?
Enderson Moreira –Acredito que a seleção pode servir de exemplo. Ela começa talvez a ditar aquilo que o treinador busca, uma diretriz que é colocada a ser seguida por clubes que queiram ver seus atletas na seleção principal nacional. Essa é a minha ideia apenas.
O Mano tem possibilidade de criar a sistematização que ele quer, por conta de sua capacidade, e fazer as escolhas de atletas que possam exercer as funções da melhor maneira possível. E consequentemente todos terão ideia daquilo que está sendo colocado, resultando em um efeito cascata na formação de novos atletas com esse tipo de perfil.
Universidade do Futebol –Assim como você, o Mano Menezes é um profissional ligado às ciências do esporte, bem como o Ney Franco, que coordena as categorias de base da seleção brasileira. Esse é um indicativo positivo para a função de treinador, servindo também de referência para a formação de novos profissionais?
Enderson Moreira –Acho muito positivo, sim. Primeiro por se tratarem de pessoas ocupando cargos importantes, com uma visão muito ampla sobre o futebol. Ao passo que temos ex-atletas que também têm essa capacidade muito desenvolvida.
A formação, simples, não garante essa visão diferenciada. O Brasil apenas agora sinaliza algumas iniciativas sobre cursos de qualificação e formação de treinadores – inclusive participei de algumas reuniões da Escola Brasileira de Futebol (EBF).
Não percebo nos cursos de Educação Física uma preocupação em formar treinadores de futebol ou de qualquer outra modalidade. Há apenas apontamentos genéricos, nada técnico, para que a pessoa possa atuar com total desenvoltura na área escolhida – no meu caso, senti carência de informações e base para ingressar no futebol. Daí a necessidade de escolas específicas para cada uma das modalidades.
É fundamental haver uma construção de equipe e comissão técnica a partir de uma boa base científica. E tanto o Mano, quanto o Ney, cuja carreira acompanhei em sua totalidade, têm total capacidade para isso e temos confiança neles.
Universidade do Futebol –Que conteúdos o treinador precisa dominar para ter êxito na carreira?
Enderson Moreira –Diria que esse profissional tem de ter uma noção boa do todo. Das questões da fisiologia, que são importantes, para se travar um diálogo com os médicos, preparadores físicos e os próprios fisiologistas.
A questão técnica e tática também é fundamental para a construção do modelo de jogo de sua equipe. Algo fundamental são os fatores psicológicos, de liderança, de ter capacidade para gerenciar pessoas – além da comissão técnica, há os atletas e o contato com dirigentes e os demais funcionários do clube.
O bom relacionamento é fundamental para que o treinador tenha sucesso em sua carreira. Saber delegar e respeitar é um ponto importante, também.
Universidade do Futebol –Como detectar aspectos de liderança em jovens? Você procura executar exercícios específicos para potencializar essa capacidade em determinados atletas? Como você trabalha essa questão?
Enderson Moreira –Não tenho muito conhecimento sobre a questão de liderança tão a fundo, para fazer testes específicos. O que tenho é uma sensibilidade para perceber atletas com essa capacidade. Em algumas situações de adversidade, situações-problema, eu consigo detectar bem a atitude dos atletas.
O papel de liderança não é simplesmente delegado àquela pessoa que consegue se expressar bem: a conduta traz o aspecto de liderança. E temos de ficar muito atentos a esses momentos.
Transformar as palavras em ações nem sempre ocorre com eficácia. Muitas vezes aquele jogador que se doa ao máximo em campo, sendo exemplo, mostrando sua capacidade de determinação, acaba se integrando no processo de construção de liderança. Mesmo que de maneira indireta, ele acaba virando uma referência, seja na organização da equipe em campo, auxiliando o treinador, seja nas preparações para o jogo.
Sempre motivo muito os atletas a serem levados a exercer essa questão da liderança, com reuniões e conversas abertas. Desenvolver esse aspecto, tanto para a carreira deles, como para a nossa, é muito importante.
Universidade do Futebol –Você citou no início sua relação com o futsal. Durante o trabalho nas categorias de base, é possível utilizar alguns aspectos dessa modalidade para o processo de ensino-aprendizagem?
Enderson Moreira –Eu vejo muita coisa no futsal podendo ser adaptada ao futebol de campo. Os benefícios daquela modalidade se observam principalmente na origem da formação dos atletas.
Até o sub-13, acredito que o futsal seja a melhor escola para crianças, porque ele mantém alguns facilitadores extremamente interessantes. Primeiro a baliza: no futsal, o gol de tamanho menor cria uma perspectiva positiva. A bola também fica mais no chão, menos “viva”, facilitando o aprendizado de fundamentos.
Conseguimos também treinar de uma maneira muito melhor alguns aspectos táticos e situacionais (1-1, 2-2-, 3-3).
A partir dos 13 anos, pela minha experiência, percebo que é o momento ideal para transição e o atleta possa conciliar as duas modalidades. Aos 15 anos, há uma definição de fato, ou pelo futsal, ou pelo campo, para que ele possa buscar seu espaço. Depois disso é mais complicado, por se tratarem de modalidades com características diferentes.
Outras situações no futsal foram implementadas no futebol de campo e são facilmente perceptíveis, como o carrinho em projeção à bola, para interceptar o chute ou atrasar a jogada do atacante; a desmarcação – no futsal, os atletas estão a todo momento tentando se livrar do adversário; a saída do goleiro, em pé, em lances cara a cara, abrindo os braços e ampliando o campo de ação, também é trabalho iniciado no salão e levado ao campo.
Os esportes coletivos, de maneira geral, em termos de conceitos, são muito parecidos e permitem algumas adaptações. Dobras defensivas, dobras ofensivas, a postura do defensor, com o quadril mais rebaixado, por exemplo, são situações que nascem no basquete, passam pelas quadras de futsal, e são assimiladas ao futebol. E vice-versa. O jogo cada vez fica mais interessante.
Vejo o futebol com uma dinâmica muito mais interessante do que em décadas passadas recentes, e essa evolução é bem perceptível.
Universidade do Futebol –Qual é a importância da comissão técnica para o pleno desenvolvimento do trabalho do treinador?
Enderson Moreira –É algo a ser valorizado. O treinador é o “cabeça”, mas é fundamental estar cercado por profissionais que se sintam importantes e possam desenvolver suas funções com total autonomia. Cabe a nós gerenciar essa comissão e verificar e controlar o desempenho de cada um.
Tive muitos auxiliares técnicos que foram ex-jogadores, e fico cada vez mais impressionado com a capacidade deles em darem alguns toques que passam despercebidos por nós. Eventualmente não nos atentamos a alguns detalhes por não termos sido atletas profissionais. Isso é fundamental.
Trabalhei com o Luis Fernando Flores, que foi meu auxiliar no Cruzeiro, e agora com o André Doring, no Inter, dois grandes profissionais e essenciais para a nossa caminhada. Além de vários outros no Ipatinga e no América-MG.
O auxiliar, quando é formado em Educação Física, tem geralmente uma visão muito próxima à sua. E o ex-atleta geralmente traz informações diferentes, novas para você, e esse tipo de interação rende muitos ganhos. Faço questão de valorizar a presença de todos nessa nossa comissão técnica do Internacional.
Enderson ao lado do ex-goleiro André: percepção dos detalhes é enaltecida pelo treinador