Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, outubro 24, 2012

A importância da contabilidade para as entidades esportivas

As informações oriundas da contabilidade possuem um papel de suma importância no processo de tomada de decisões dos administradores
Almir Ferreira* e Rodrigo Ferreira** / Universidade do Futebol

Antes de qualquer consideração, vale dizer que as entidades esportivas fazem parte do Terceiro Setor, que ganhou notoriedade nas últimas décadas principalmente por meio das ONGs.

Tal setor se diferencia dos demais basicamente por duas características, como nos traz Hudson (2004):

1. Não distribui lucro (como as organizações do setor privado)
2. Não estão sob controle estatal (como as organizações do setor público)

Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, isso não torna a contabilidade menos importante para essas entidades.

Com o profundo processo de transformação e crescimento da economia esportiva (entre 2000 e 2010, a média de crescimento do PIB do esporte no Brasil foi de 6,2%1 ) nos últimos anos, cada vez se torna mais importante as informações acerca da gestão dos recursos financeiros de tais entidades para auxiliar no processo decisório dos gestores.

As entidades esportivas devem ser administradas como empresas, pois tal quais vendem produtos, prestam serviços, possuem clientes, fornecedores e tentam atingir um determinado público alvo.

Não possuir fins lucrativos, não significa que receitas e despesas devam se equiparar. O superávit financeiro é essencial para a sustentação, progressão, modernização e ampliação de qualquer entidade esportiva. Sendo que este superávit deve ser integralmente aplicado nas atividades da entidade.

Para fazer jus a isenção tributária, se faz necessário que as entidades esportivas mantenham escrituração contábil regular, de acordo com as normas do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis).

O que significa, além de outras obrigações, ter escriturado e registrado de acordo com a legislação, por exemplo, os Livros Diário e Razão. Muitas entidades do Terceiro Setor mantém apenas a escrituração do Livro Caixa, o que é insuficiente no atendimento à legislação e não demonstra a transparência e credibilidade atualmente exigida pelos stakeholders.

Vale ressalvar que os administradores das entidades esportivas podem ser responsabilizados por obrigações assumidas e possíveis atos que comprometam o funcionamento das mesmas.

Com a forte penetração da Tecnologia da Informação no ambiente gerencial ocorrida nos últimos anos, a complexidade e o detalhamento das informações contábeis exigidas pelo Fisco aumentaram consideravelmente.

Mais do que isso, essas informações se tornaram cada vez mais imprescindíveis para que, com o máximo de eficiência, se atinja os objetivos traçados pelos gestores.

*Sócio-Contador da Artdata Contábil, Bacharel em Ciências Contábeis (UNIFAE), com mais de 20 anos de experiência no atendimento ao Terceiro Setor, Diretor da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (ACIMM), possui vários cursos nas áreas contábil, fiscal e tributária.
almir@artdatacontabil.com.br

**Sócio-Administrador da RM2 Sports, Coordenador Fiscal e Gerente de Marketing da Artdata Contábil, Especialista em Administração e Marketing do Esporte (ESPM), Bacharel em Educação Física (UNICAMP), Pós Graduando em Direito Desportivo (Instituto Iberoamericano de Derecho Deportivo), Graduando em Ciências Contábeis (Faculdade Santa Lúcia).
rodrigo.ferreira@rm2sports.com.br / rodrigo@artdatacontabil.com.br

[1] http://oglobo.globo.com/economia/pib-do-esporte-cresce-mais-do-que-do-pais-5028799

Bibliografia

HUDSON, M. Administrando organizações do Terceiro Setor: o desafio de administrar sem receitas. São Paulo. Morkron Books, 2004.

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terça-feira, outubro 23, 2012

Universidade do Futebol participa de projeto inédito no futebol brasileiro

Em parceria com o São Paulo Futebol Clube, programa visa a atualização e aperfeiçoamento dos profissionais que atuam nas categorias de base do clube
Equipe Universidade do Futebol

O São Paulo Futebol Clube, com consultoria técnica da Universidade do Futebol, acaba de lançar no último dia 15 de outubro um programa inédito de capacitação profissional. 

Este é mais um passo importante que a 
Universidade do Futebol
 dá na sua história de contribuição à profissionalização e capacitação contínua dos profissionais que atuam direta ou indiretamente com o esporte.

Em parceria com o São Paulo Futebol Clube, o projeto esteve representado na última semana do lançamento de um programa online pioneiro no Brasil para a capacitação e qualificação dos funcionários das diversas áreas de atuação do clube paulista.

A consultoria técnica será feita por intermédio do “Programa de Aperfeiçoamento Profissional e Desenvolvimento Metodológico”, um ambiente virtual de estudo que pretende mostrar o caminho para se chegar à excelência no planejamento e gestão dos métodos de trabalho técnico.

“Nos clubes brasileiros, a dificuldade para a implantação de um modelo técnico consistente de trabalho aumenta em razão da alta rotatividade das comissões técnicas, principalmente do treinador. Frequentemente, um planejamento ou uma proposta de trabalho de médio ou longo prazo não resiste a alguns poucos resultados negativos seguidos. Reflexo disso é a formação de um círculo vicioso, onde podemos comparar o clube a um computador [hardware], e a linha metodológica de seu departamento de futebol ao programa [software] que faz o computador funcionar. A cada troca de treinador ou equipe técnica, o ‘computador’ fica vazio à espera de uma nova programação", explica João Paulo Medina, coordenador da Universidade do Futebol.

Este programa de qualificação profissional se inspira no conceito de “Universidade Corporativa”, considerado um sucesso no mundo empresarial.

Nele, o engenheiro americano Jack Welch, ex-CEO da General Eletric, conduziu um processo inovador de gestão, no qual a principal ideia era trazer a capacitação para dentro da companhia, treinando e desenvolvendo seus melhores colaboradores na própria cultura da empresa.




Marcelo Lima, coordenador técnico das categorias de base do São Paulo

"A ideia de o clube ter sua própria proposta metodológica de trabalho é algo novo no Brasil. Mesmo na Europa, sabemos que apenas alguns clubes como Barcelona, Manchester United, Arsenal, Porto, Ajax e Bayern de Munique têm algo semelhante. Tudo indica que a tendência contemporânea é que os clubes comecem a definir a sua filosofia de trabalho a partir de sua própria identidade futebolística ou modelo de jogo de suas equipes. Desta forma poderão melhorar os processos de contratação e formação de profissionais, buscando maior aderência à cultura e aos perfis exigidos", aponta Eduardo Tega, diretor executivo da Universidade do Futebol.

As comissões técnicas do clube paulista, além dos demais setores responsáveis pela formação dos atletas são-paulinos, como medicina, fisioterapia, setor social, entre outros, serão os principais contemplados com o conteúdo do curso à distância.

“Este programa de formação continuada é um marco na história do clube e do futebol nacional, mostrando mais uma vez o caráter pioneiro do São Paulo no cenário futebolístico", completa o diretor técnico René Simões.

No evento de lançamento, no Centro de Formação de Atletas Laudo Natel, em Cotia-SP, além de René Simões, estiveram presentes o técnico da equipe tricolor, Ney Franco, o auxiliar técnico, Eder Bastos, e do diretor da base, Marcos Tadeu Novais. Todos destacaram a importância impar da iniciativa e demonstraram, mais uma vez, que a integração entre o departamento de base e o futebol profissional será cada vez mais forte.

"Não se pode ficar conformado nunca com o que você é ou tem. O São Paulo nunca deixou de ter a prerrogativa da mudança, do risco que nos leva a crescer. Isso desde a construção do Morumbi, e vamos seguindo essa premissa", relembrou Marcos Tadeu.

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segunda-feira, outubro 22, 2012

Estudo aponta para risco de legado negativo pós-2014

ERICH BETING
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP

O Brasil precisa, urgentemente, aumentar a frequência de torcedores nos estádios se quiser ter um impacto positivo com a realização da Copa do Mundo no país. Esse é o principal resultado de um estudo inédito feito sobre os 12 estádios que abrigarão os jogos do Mundial.

 

O relatório faz parte do levantamento “World Stadium Index”, criado neste ano pelo Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte (IDAN ) para mapear o uso de arenas esportivas após os megaeventos. O Brasil foi alvo de um estudo à parte que será apresentado na próxima quarta-feira, durante uma conferência que será realizada no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e organizada pela entidade dinamarquesa Play The Game, que defende a transparência no esporte.

 

Segundo o relatório enviado com exclusividade à Máquina do Esportepelos pesquisadores Jens Alms e Jens Sejer Andersen, o Brasil corre sério risco de ter 12 “elefantes brancos” após a realização da Copa do Mundo. A perspectiva, aliás, é de que os estádios brasileiros fiquem abaixo do índice médio obtido no relatório mundial do IDAN.

 

Segundo os pesquisadores, nenhum estádio brasileiro alcançará a média internacional de 13.4 pontos do ranking, o que significa que, durante um ano, o estádio só receberá o número de torcedores que corresponde a 13,4 vezes a capacidade total dele.

 

“Para evitar o aparecimento de mais elefantes brancos, deveria ter sido previsto o uso de mais estádios já existentes para a Copa do Mundo. Na África do Sul o mesmo erro foi cometido pela Fifa, que priorizou a construção de novas arenas”, dizem os autores do estudo.

 

Uma vez que boa parte das arenas construídas para a Copa de 2014 são novas (apenas Beira-Rio e Arena da Baixada foram reformadas, sendo que o Maracanã e o Mineirão só preservaram as fachadas). Para chegar ao número, os pesquisadores basearam-se na média de público dos clubes que deverão usar os estádios após o término da Copa do Mundo.

 

Na visão de Alms e Andersen, as situações mais preocupantes são da Arena da Amazônia (Manaus), da Arena Pantanal (Cuiabá), do Estádio das Dunas (Natal) e do Estádio Nacional de Brasília.

 

“As regras estabelecidas pela Fifa não estão em harmonia com a demanda futura dos estádios assim que a Copa do Mundo acabar. A base de audiência desses estádios é muito pequena. Os clubes-âncoras são equipes nas séries B, C e D, com média de público de 2 mil a 4,5 mil torcedores por partida. Mesmo em casos em que o estádio é dividido com outros clubes, é impossível que eles terão público suficiente”, afirmam os autores do estudo.

 

O caso do estádio de Brasília é, para os autores, o mais emblemático:

 

“Mesmo que ele foque em shows e eventos culturais, são poucos os eventos que levarão de 60 a 70 mil pessoas semanal ou mensalmente”.

 

Alms e Andersen ressaltam que o estádio com maior chance de ter um bom legado depois da  Copa é a Arena Corinthians, em Itaquera. Por conta da alta média de público do clube em 2011 (cerca de 30 mil torcedores), a expectativa é de que o novo estádio consiga ter sua taxa de ocupação mais alta.

 

Veja a seguir o ranking dos estádios brasileiros:

 

Ranking

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Estadual do RN amplia cotas e vende naming right

GUILHERME COSTA
Da Máquina do Esporte, São Paulo – SP
América-RN foi o campeão estadual na temporada 2012
 

A Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) pretende mudar em 2013 o modelo comercial do Estadual de futebol que ela organiza. O torneio vai comercializar mais propriedades, mudou a divisão de cotas e já vendeu o title sponsor.

 

O nome da empresa que será detentora dos naming rights do certame, porém, ainda é mantido em sigilo. O anúncio será realizado somente no dia 29 de outubro, quando o plano comercial vai ser apresentado oficialmente.

 

Nessa data, a FNF vai divulgar todos os detalhes do projeto de comunicação do Campeonato Potiguar e mostrará a nova marca da competição. O plano foi elaborado pela agência 10 Sports, que incluiu uma série de percepções do pós-venda de 2012.

 

Os naming rights farão parte da cota de title sponsor do evento. Além disso, a FNF trabalhará com dois patamares de parceiro: ouro e prata. O primeiro terá como principal propriedade um espaço nos uniformes de árbitros da competição regional.

 

O Estadual de 2013 também usará propriedades que não eram exploradas até a atual temporada, como tapetes 3D nas laterais do campo. O Campeonato Potiguar teve dez patrocinadores neste ano, e sete já asseguraram renovação para a edição seguinte.

 

Outra novidade que a FNF vai anunciar no dia 29 é o uso comercial do concurso que escolherá a musa do torneio. A instituição também venderá cota de title sponsor para a seleção, mas esse espaço ainda não foi preenchido.

 

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Porto cria espaço rejuvenescido para atendimento ao público

“Coreto do Dragão” tem funcionamento ligado também a ações festivas
Equipe Universidade do Futebol

O Porto conta com um novo espaço multifuncional. O “Coreto do Dragão”, que remodela o antigo posto de relações públicas do clube, está situado na praça do estádio e irá assumir as mesmas funções da estrutura anterior.

Além de oferecer suporte para transmissões televisivas e celebrações, o espaço atuará na prestação de serviço de informações para sócios e torcedores, credenciamento dos órgãos de comunicação social e servirá às habituais ocupações do departamento de relações públicas em dias de jogos.

A designação escolhida está relacionada com o fato de o “Coreto” se localizar no exterior e com a forma da estrutura semelhante a uma cobertura, situada ao ar livre para abrigar bandas musicais em concertos, festas e romarias.



 

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Aportes geram US$ 1 bi anual no Brasil, diz estudo

Pesquisa examinou mais de 300 acordos de patrocínios nacionais e apurou que os números cresceram 200% desde 2005
Equipe Universidade do Futebol

A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, ambos com sede no Brasil, ajudaram os negócios na indústria de patrocínio esportivo no país. De acordo com um estudo feito na Sponsorship Today, o setor gera, atualmente, US$ 1 bilhão por ano.

A pesquisa examinou mais de 300 acordos de patrocínios nacionais e apurou que os números cresceram 200% desde 2005.

No entanto, a taxa de crescimento diminuiu no último ano. A causa disso são as baixas oportunidades de patrocínios na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, já que os principais contratos dos eventos já haviam sido fechados anteriormente.

“A maior parte dos acordos de patrocínios para 2014 e 2016 estão quase completos e é muito difícil que ocorram novos grandes contratos”, disse Simon Rines, autor da pesquisa.

Fonte: Máquina do Esporte - www.maquinadoesporte.com.br


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Ferramentas da qualidade: o ciclo PDCA

Planejamento e estratégia são fundamentais na administração de estruturas complexas e que visam atingir resultados
Marcelo Duarte* / Universidade do Futebol

Ciclo PDCA

É um ciclo de análise e melhoria, criado por Walter Shewhart, em meados da década de 20 e disseminado para o mundo por Deming. Esta ferramenta é de fundamental importância para a análise e melhoria dos processos organizacionais e para a eficácia do trabalho em equipe.

O ciclo PDCA (em inglês “Plan”, “Do”, “Check” e “Action”) é uma ferramenta gerencial de tomada de decisões para garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência de uma organização, sendo composto das seguintes etapas:

Planejar (PLAN)
? Definir as metas a serem alcançadas;
? Definir o método para alcançar as metas propostas.

Executar (DO)
? Executar as tarefas exatamente como foi previsto na etapa de planejamento;
? Coletar dados que serão utilizados na próxima etapa de verificação do processo;
? Nesta etapa são essenciais a educação e o treinamento no trabalho.

Verificar, checar (CHECK)

? Verificar se o executado está conforme o planejado, ou seja, se a meta foi alcançada, dentro do método definido;
? Identificar os desvios na meta ou no método.

Agir corretivamente (ACTION)
? Caso sejam identificados desvios, é necessário definir e implementar soluções que eliminem as suas causas;
? Caso não sejam identificados desvios, é possível realizar um trabalho preventivo, identificando quais os desvios são passíveis de ocorrer no futuro, suas causas, soluções etc.

O PDCA pode ser utilizado na realização de toda e qualquer atividade da organização. Sendo ideal que todos da organização utilizem esta ferramenta de gestão no dia-a-dia de suas atividades.

Desta forma, elimina-se a cultura “tarefeira” que muitas organizações insistem em perpetuar e que incentiva a se realizar o trabalho sem antes planejar, desprezando o autocontrole, o uso de dados gerados pelas medições por indicadores e a atitude preventiva, para que os problemas dos processos nunca ocorram. 






Faz-se necessário possuir dados, controles que façam você saber de onde saiu e para onde vai e no meio do percurso ajustar as peças e manter o equilíbrio para buscar o resultado traçado.

Planejamento e estratégia são fundamentais na administração de estruturas complexas e que visam atingir resultados. Sem planejamento, análise e estratégias, trabalharemos na base do empirismo.

Quem quiser o modelo completo do material abaixo é só solicitar por e-mail que envio.

Grande abraço e espero que possa ser útil a informação!


*Marcelo Duarte foi Preparador Físico do Internacional, das categorias de base Vasco da Gama, do Sapucaiense, do Cruzeiro/RS, do Porto Alegre, do Riograndense e do Inter, de Santa Maria. Atualmente é treinador assistente do Guandong Sports Loterry Youth, da China.

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sábado, outubro 20, 2012

Kaizen e a aplicação do método de treino

Você é atualizado ou desatualizado em relação à metodologia de treinamento? Como a mídia pode ajudar?

Eduardo Barros / Universidade do Futebol

As reflexões acerca da atualização da metodologia de treinamento em futebol estão cada vez mais constantes. Ainda que muitas vezes embrionárias, devido às limitações de entendimento dos mediadores das discussões nos ambientes em que elas estão surgindo, o fato é que pensar a prática está para além do ambiente acadêmico e de um pequeno grupo de profissionais que atuam fundamentados nas tendências da pedagogia do esporte. Está ficando cada vez mais comum na mídia a presença de discussões que envolvem, mesmo como pano de fundo, as questões metodológicas do processo de treinamento da modalidade.

Exemplos não faltam: seja com a participação de Bruno Pivetti, preparador físico do Audax-SP, no canal Band Sports; no questionamento recente feito por um jornalista sobre a realização de treinos táticos ao treinador Muricy Ramalho; ou então a participação de Eduardo Tega, diretor executivo da Universidade do Futebol, no programa "Segredos do Esporte" comandado por Paulo Calçade; dia após dia, aumenta-se o espaço na mídia para uma das questões essenciais do processo de mudança/adaptação do futebol brasileiro.
 


 

Como os gestores de campo são milhares espalhados por esse país e nem todos, por motivos diversos, têm acesso ao conhecimento científico, a mídia adquire um papel fundamental com a missão de informar (e instigar) os profissionais do futebol sobre o que é atual em relação às questões metodológicas do jogo (e do treino), além de quais trabalhos estão sendo aplicados sob esta nova perspectiva e que estão obtendo sucesso.

Sabemos que o “peso” da mídia é maior do que o dos pesquisadores do futebol. Tê-la como catalisadora pode aumentar o poder de convencimento sobre os desinformados, desinteressados ou alheios às modificações por medo, acomodação, crenças ou quaisquer outros motivos.

Ter a mídia afirmando que os treinamentos em “caixas de areia” estão ultrapassados é muito mais impactante que um artigo científico com acesso, de certa forma, restrito. Um canal televisivo conceituado divulgar que os treinamentos analíticos não favorecem o desenvolvimento da inteligência do jogo é muito mais “forte” que qualquer monografia sobre o assunto. Um comentarista esportivo comentar que uma boa parte dos treinadores brasileiros estão equivocados quanto aos seus métodos de treino, tem proporções infinitamente superiores se comparadas a uma aula de graduação em que um docente faça este mesmo comentário.

E em todo este processo, essencial para a ruptura de paradigma do grupo de profissionais supracitados, não pensem que as mudanças se darão repentinamente. É um processo que leva anos! Bem que poderia ser simples a transformação da atuação/intervenção profissional da fragmentada para a sistêmica, da reducionista para a complexa.

Poderia, mas não é.

Se você faz parte do grupo de profissionais desatualizados (pouco provável, pois dificilmente estaria acompanhando o site da Universidade do Futebol), não se desespere. Buscar o novo, o atual, num processo de aprendizagem que durem meses ou anos, será recompensador. Já se você está atualizado, mas conhece qualquer profissional que se encaixe num desses perfis (bem mais provável), mexa-se e aponte os caminhos (midiáticos e não somente acadêmicos) que podem gerar o despertar desse profissional.

Quem sabe um dia será possível conseguir uma significativa capacitação de todos os profissionais que atuam no futebol!

Se todos praticássemos o conceito japonês Kaizen, que significa mudança para melhor, seguramente as mudanças seriam rapidamente observadas, pois a melhoria contínua seria um hábito cotidiano.

E se equivoca quem pensa que o exercício de melhora contínua é prática corriqueira no grupo dos atualizados. Como bem publicou Bruno Pasquarelli, nosso país sofre uma crise acadêmica em relação ao futebol por formular incessantemente problemas/questões relativas ao mesmo paradigma. Pesquisamos, publicamos, gastamos o nosso precioso tempo para aquilo que já sabemos a resposta e, consequentemente, não saímos do lugar. Um absurdo e uma obviedade: não melhoramos!

Pergunto-me frequentemente nesses quase dez anos que estudo futebol (seis com maior aprofundamento) se estou atualizado. A julgar pelo número de dúvidas que tenho sobre o exercício da minha profissão, por vezes temo que a resposta seja não.

Não paro, pois olho pra trás e vejo que encontrei muitas respostas sobre as voltas ao redor do campo, os treinos sem adversários, as primeiras leituras inquietantes na universidade, as avaliações físicas, o treinamento integrado e sobre o treinamento sistêmico.

Não paro, pois sei que no futuro também olharei para trás e verei as respostas sobre as dúvidas que tenho no presente.

Agradeço à expressão Kaizen!
 

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A geração Y e o jornalismo

Informação virou commodity, e isso é algo que todo profissional de comunicação precisa entender

Guilherme Costa / Universidade do Futebol

A chegada da geração Y ao mercado já nem é mais tão nova assim. O grupo abarca indivíduos nascidos entre 1979 e o início da década de 1990, crescidos numa época de convergência de tecnologias e de informação, e a ascensão desses profissionais é um dos reflexos mais evidentes do quanto o mundo mudou nos últimos anos. Contudo, a mídia esportiva, conservadora por essência, ainda sofre para assimilar tudo isso.

É como disse o historiador inglês Eric Hobsbawm, em análise publicada em 2009: "Nós ainda não aprendemos a viver no século 21. Ou pelo menos a pensar de uma forma que se ajuste a ele".

A lógica era baseada em conceitos de economia e na recessão que os países desenvolvidos encaravam, mas ainda se encaixa perfeitamente à realidade da comunicação.

O advento de novas tecnologias modificou e criou plataformas de comunicação, por exemplo. E a mídia ainda tenta entender como se relacionar com isso. Há um caso emblemático na edição da última segunda-feira da "Folha de S.Paulo", jornal de maior circulação do Brasil.

A última página do caderno de esportes tem relatos sobre uma luta de UFC e uma corrida de Fórmula 1, a despeito de ambas terem ocorrido na madrugada de sábado para domingo (horário de Brasília).

A página remete à estrutura de veículos brasileiros do início do século anterior, época em que o jornal do dia seguinte era o único meio de alguém se informar sobre um evento esportivo.

Atualmente, é quase inimaginável um fã de UFC que tenha chegado à segunda-feira sem ver vídeos da vitória de Anderson Silva no Rio de Janeiro. Ou um torcedor da Fórmula 1 que não tenha lido, ouvido e até produzido análises sobre o triunfo de Sebastian Vettel na Coreia do Sul.

A velocidade e a perenidade das informações nem são as questões essenciais aqui. O cerne da discussão é que a informação deixou de ser um diferencial. Informação virou commodity, e isso é algo que todo profissional precisa entender. Qualquer um pode produzir conteúdo – basta pensar na quantidade de blogs que se tornaram referência.

Há outro aspecto que deve ser considerado: as redes sociais dilaceraram o modelo de produção vigente no jornalismo brasileiro até então.

Se qualquer um tem acesso a informações e pode criar conteúdo, a exclusividade da informação praticamente some. E se qualquer um está a 140 caracteres da publicação, o conceito de agilidade muda drasticamente.

O torcedor ávido por informações, que outrora esperava a chegada do jornal ou da revista, agora pode acessar um infindável número de fontes em blogs, em sites ou em redes sociais.

E pode trocar o papel de simples consumidor da informação por uma função mais ativa: interagir, repassar ou até produzir reportagens, análises e opiniões.

E o jornalismo, como fica? A pergunta, evidentemente, não é exclusividade do esporte. E a resposta, evidentemente, não é nada simples. O mundo ainda passeia por diferentes modelos de abordagem, construção e interação com o público que vive nesse novo contexto.

Se a informação não tem mais dono e a fidelidade praticamente inexiste, há dois alicerces básicos para a marca de qualquer veículo jornalístico: credibilidade e boas histórias. Porque fazer jornalismo é, antes de qualquer coisa, contar boas histórias.

Esse é o cenário que se apresenta atualmente aos jornalistas neófitos. Estudantes, apaixonados ou apenas interessados, os iniciantes na cobertura de esportes têm uma missão ainda mais dura: assimilar de uma só vez a necessidade de encontrar boas histórias, a importância de fazer isso sem debelar a credibilidade (de uma forma ampla, válida tanto para o veículo quanto para o profissional) e a dificuldade de encaixar esses desafios em um mundo que muda constantemente.

Por isso, a formação e o aprendizado necessários para a construção de um jornalista são ainda mais abrangentes do que eram anteriormente. Não basta saber que o público existe e qual é o perfil das pessoas que consomem a informação que você produz. É fundamental saber como atingir essa fatia da população e como criar uma interação sincera.

Também é importante a abordagem sistêmica. Por essência, a geração Y não admite mais abordagens puramente técnicas, que não contextualizem e não relacionem a informação com o mundo. Mas também tem pouca (ou nenhuma) paciência com opiniões rasas.

O consumidor da informação não quer ouvir, ler ou ver coisas que ele considere irrelevantes – afinal, numa época em que informações pululam, é necessário elencar o que é realmente interessante.

Tento dizer tudo isso para todo mundo que me pergunta como é começar no jornalismo esportivo. Tento dizer que analisar um jogo pode parecer simples, mas apresenta um desafio enorme: você precisa falar com diferentes tipos de público, mas não pode ser generalista a ponto de o público achar que sabe mais do que você. Mesmo se isso for verdade.

Tento dizer que a formação ideal para um jornalista esportivo é bem mais abrangente do que um diploma universitário ou uma vida de dedicação ao esporte. Conhecer os meandros do segmento pode ajudar a descobrir histórias, mas certamente não vai ajudar a contá-las.

Por isso, o que eu mais recomendo a todos que me perguntam sobre jornalismo esportivo é que tenham tara por aprender. Nisso, aliás, o novo cenário da comunicação é especialmente didático. Se todos têm acesso a informações e podem produzir, ganha pontos aquele que conseguir acessar mais fontes. E aprender mais, é claro.

Atualmente, humildade para aprender e vontade são duas das características que eu mais valorizo em candidatos de emprego. Num mundo em que todo mundo sabe tudo, é reconfortante ver que ainda há pessoas que não se contentam com o que já sabem.

PS: Aproveito o texto sobre mercado e formação para saudar todos os professores. Os da sala de aula, os das redações e os da vida. Os que se dedicam a ensinar e os que ensinam sem saber. Obrigado!

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