Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, maio 14, 2014

A ciência por trás da bola oficial da Copa

Brazuca (Cortesia: Adidas)

Para especialistas, novidades tecnológicas fazem da Brazuca uma bola melhor que a Jabulani

Alejandra Martins / BBC Mundo

Brazuca, a bola oficial da Copa 2014, é a 12º bola criada pela Adidas para Mundiais. A empresa foi duramente criticada pela Jabulani, a bola oficial da África do Sul, em 2010.

"Sua trajetória é imprevisível", disse na época o goleiro italiano Gigi Buffon. "É sobrenatural", afirmou o atacante Luis Fabiano em 2010.

A Adidas afirma, no entanto, que neste ano será diferente - e que a Brazuca proporciona uma "maior estabilidade no campo".

A BBC Mundo conversou com especialistas em aerodinâmica para saber como se comportará a bola oficial desta Copa.

1. Painéis em forma de hélice

A nova bola conta com seis painéis, dois a menos do que os oito da Jabulani e os 14 da Teamgeist (a bola da Copa da Alemanha, em 2006) ou os 32 das bolas tradicionais.

Os painéis são termoselados, ou seja, são unidos com calor e não costurados à máquina, como na Jabulani. E a Brazuca incorpora, segundo a Adidas, "uma inovadora estrutura simétrica de painéis idênticos em forma de hélice" e uma nova superfície, com pequenas protuberâncias para criar mais aderência.

A forma dos painéis e a maneira como são unidos são elementos cruciais, pois mudam a forma em que a bola agita o ar ao se deslocar.

2. Diferenças nas emendas

Simon Choppin, pesquisador do Centro de Engenharia de Esportes da Universidade Sheffield Hallam, na Inglaterra, analisou as uniões dos gomos da bola.

"Descobrimos que a profundidade das emendas da Jabulani é de cerca de 0,48mm, enquanto as da Brazuca têm 1,56mm - mais de três vezes."

"Por outro lado, medi a longitude das uniões de cada bola as delineando com uma corda. A longitude de total é cerca de 203 cm na Jabulani e 327 na Brazuca."

Choppin explicou que quando uma bola se move no ar, suas emendas "agitam o ar, assim como a felpa de uma bola de tênis."

Apesar do menor número de painéis, as emendas mais profundas e longas aumentam uma das características cruciais: a rugosidade.

3. Rugosidade

"O mais importante em uma bola de futebol é seu grau de rugosidade, proque isso afeta a velocidade na qual se produz o máximo do chamadoknuckling effect", disse à BBC Mundo Rabi Mehta, especialista em aerodinâmica do centro de pesquisa Ames, da Nasa.

Esse efeito é produzido quando a bola, se movendo sem ou com pouca rotação, se torna imprevisível e muda de direção ao alcançar certa velocidade.

 

Brazucas (Getty)

Maior rugosidade é uma das vantagens da bola da Copa 2014

 

"Quanto mais lisa a bola, maior a velocidade na qual ela produz esse efeito", disse o engenheiro da Nasa. Para ele, o problema da Jabulani era justamente sua menor rugosidade.

"Na minha opinião, o que aconteceu é que ao fazer uma bola mais lisa em 2010, a velocidade crítica para esse efeito aumento e coincidiu com a velocidade típica dos chutes livres, cerca de 80 quilômetros por hora."

"A velocidade crítica para esse efeito no caso da Brazuca é de cerca de 48 quilômetros por hora. Acredito, então, que ela se comportará mais como a bola tradicional de 32 painéis, por isso deve haver menos queixas do que as que vieram à tona no Mundial anterior."

Para Choppin, a Brazuca vai ser mais estável nessa velocidade do que as bolas anteriores.

4. Vai mais longe

Uma bola rugosa também vai mais longe, e isso pode ser visto nas bolas de golfe.

"Todo mundo sabe que as bolinhas de golfe têm umas protuberâncias. Isso surgiu quando os 'caddies' praticavam golf com bolas velhas e notaram que elas iam mais longe do que as novas", explicou o engenheiro Raúl Bertero, professor titular de Mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires e diretor do Laboratório de Dinâmica de Estruturas da mesma universidade.

5. O efeito Magnus

Brazuca (Getty)

Como seus gomos são cortados e colados entre si interfere na dinâmica da bola

 

"Quando a bola não gira ou gira muito pouco, temos o chamado efeito knuckling. Quando gira, temos o efeito Magnus, que faz com que a bola tenha o efeito de uma curva", explica Rabi Mehta, da Nasa.

Raúl Bertero explicou à BBC Mundo que esse efeito "é conseguido ao se fazer girar a bola sobre seu eixo. Ao fazer isso e ao avançar na corrente de ar, cada lado da bola passa por uma velocidade do ar distinta."

"Como a diferença de velocidade implica em uma diferença de pressão, a bola recebe uma força lateral – e isso se chama efeito Magnus."

6. A altitude

Segudo Bertero, da Universidade de Buenos Aires, o efeito Magnus varia com a altitude porque a densidade do ar é alterada.

Em 2013, ele se propôs a investigar se era factível o que havia dito o então técnico da Argentina, Daniel Passarella, quando sua seleção perdeu por 2 x 0 em uma partida eliminatória em 1996 em Quito, a mais de 2.700 metros de altitude: "Aqui, a bola não faz curvas."

"Me propus a fazer um modelo do comportamento de uma bola em um planície e no estádio de Siles Suazo, na Bolívia, que está a 3.700 metros de altitude", contou o engenheiro.

Ele pegou como exemplo o famoso chute de Roberto Carlos, que colocou a bola no ângulo com uma curva espetacular, que deixou atônito o goleiro da França, Fabian Barthez, em um amistoso em 1997.

"Se essa mesma bola entra no ângulo na planície, vimos que em La Paz ela chega 4 metros fora do arco", explica.

"Assim, Passarella, que foi muito criticado e ridicularizado, tinha razão. Na altitude, a bola faz menos curvas, mas não da mesma maneira."

7. Poliuretano

Os painéis da Brazuca são de poliuretano.

"Ao se passar das bolas de coro para esses materiais artificiais, como o poliuretano, as bolas se tornaram totalmente impermeáveis, de maneira que quando chove, a massa da bola não muda", explica Mehta, da Nasa.

No entanto, a água pode afetar outro aspecto: "Quando (o argentino) Riquelme vai bater um escanteio, ele seca a bola com a camiseta. Isso não é uma mania dele", disse o engenheiro Bertero. "Faz isso porque sabe, instintivamente, que a bola tem um comportamento diferente se está molhada. A água cobre os gomos e deixa a bola lisa – então o efeito que se quer dar com um determinado chute pode não funcionar por não haver essa rugosidade necessária."

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Legado da Copa: Estádios alemães têm creche, narração para cegos e ficam lotado

Player

 

Daniel Gallas*

Enviado especial da BBC Brasil a Hanôver

Assim como o Brasil, a Alemanha tinha, antes da realização da Copa do Mundo, um conjunto antigo de rústicos estádios - muitos deles construídos nos anos 1950 - com pouco conforto para os seus torcedores.

Nos anos anteriores à Copa de 2006, todos os estádios passaram por grandes reformas para se modernizar. A capacidade de muitos deles aumentou, e com isso a Bundesliga (o campeonato alemão) assistiu também a um salto na média de público - de 33 mil, em 2001/2002, para 45 mil na temporada 2011/2012. A média atual da Bundesliga é quase três vezes maior que a do Campeonato Brasileiro.

O principal foco foi privilegiar a experiência dos torcedores, com melhores acessos, cadeiras e opções de alimentação. Alguns estádios viraram referência na Europa, como o Veltins Arena, do Schalke 04, feito antes da Copa e concluído em 2001. Ele foi realizado totalmente com recursos privados e já chegou a ser considerado informalmente um "seis estrelas" pela Uefa - cujo ranking máximo só vai até cinco estrelas.

Creche. Foto: BBC

Creche dentro do estádio permite que torcedores deixem seus filhos entretidos

A BBC Brasil visitou um dos estádios que mais se modernizou para a Copa, o do Hannover 96. O antigo Niedersachsenstadion foi praticamente colocado abaixo dando lugar à HDI-Arena. O time continuou jogando lá, mesmo durante as obras. Uma das determinações da diretoria do clube, antes das obras, era de que a reforma do estádio não poderia ultrapassar seu orçamento - de 69 milhões de euros (cerca de R$ 210 milhões).

O porta-voz do clube conta que, com o estádio novo, o Hannover 96 conseguiu agradar sua base fiel de torcedores e ainda assim atrair novos clientes, como famílias e empresários.

Outro aspecto fundamental para o clube - e para o campeonato alemão - é que o futebol não se elitizou nos preços. Ainda é possível pagar pouco pelos ingressos - em um jogo contra clubes de ponta, como o Bayern de Munique, há entradas vendidas a 15 euros (cerca de R$ 45).

Caro para os ricos; barato para os demais

Camarote VIP. Foto: BBC

Preços muito altos para os mais ricos compensam ingressos baratos para os demais

Um dos segredos dos baixos preços do Campeonato Alemão são os camarotes VIP, que eram modestos antes da Copa do Mundo, e foram reformados e ampliados em quase todos os estádios.

Hoje, uma das laterais da HDI-Arena possui 29 áreas VIP, vendidas em pacotes anuais para clientes corporativos. O preço varia de 45 mil euros a 90 mil euros (de R$ 140 mil a R$ 280) - com contrato mínimo é de três anos.

Antes de renovar seu estádio, o Hannover 96 fez um estudo sobre o mercado de clientes privados da cidade e chegou à conclusão que 29 era o número ideal de camarotes VIP para atender a demanda da cidade. Mais que isso faria com que alguns camarotes pudessem ficar abandonados, e a intenção do clube é sempre ter 100% de sua capacidade ocupada.

Em cidades maiores, como Munique e Dortmund, os estádios chegam a ter mais de 100 camarotes VIPs, com preços bem maiores.

Os camarotes VIP e os direitos de televisão respondem por 75% das receitas do clube. Com isso, o dinheiro da bilheteria não é decisivo nas contas do clube, e é possível cobrar ingressos baratos. Um pacote de dois assentos - para um adulto e uma criança - sai por 29 euros (R$ 90).

"Para nós, não é tão importante ganhar um euro a mais em cada ingresso, mas sim possuir um bom departamento de merchandising e marketing. E também se você joga um bom futebol, o dinheiro da televisão é maior", diz Dirk Köster, porta-voz do clube.

A fórmula tem dado certo para manter a casa cheia. O Hannover 96 não ganha o Campeonato Alemão desde 1954, mas mesmo assim o estádio teve lotação média de 45 mil pessoas nesta temporada. No Brasil, o Cruzeiro - campeão nacional do ano passado - teve média de 17 mil torcedores durante o torneio.

Inclusão

Cegos no estádio. Foto: BBC

Estádio tem narração especial para que deficientes visuais participem dos jogos

Um estádio mais moderno possibilita que o clube possa atender vários tipos de torcedores. O porta-voz do Hannover 96, Dirk Köster, estima que o número de mulheres e crianças que frequentam os jogos aumentou em 20% depois da Copa. Köster diz que mudanças simples durante a reforma - como a instalação de mais banheiros femininos - foram suficientes para atrair mais mulheres.

O marketing do clube passou a trabalhar em função destes novos torcedores, que são tratados como consumidores. Para atrair mais crianças, o clube tem um pacote de aniversário, onde é possível fazer uma festa para convidados durante a partida, nas arquibancadas.

O estádio também conta com uma creche e um restaurante que ficam abertos durante o jogo.

Portadores de deficiência também foram contemplados nas reformas do estádio. A área para 120 cadeirantes fica do lado de um dos bares e dos banheiros, para que eles possam transitar sozinhos. Os ingressos para eles são vendidos a cinco euros (R$ 15), com direito a entrada gratuita para um acompanhante, responsável por empurrar a cadeira.

Corrupção e violência

A construção de estádios para a Copa na Alemanha não ocorreu sem escândalos. O Alianz Arena - palco do jogo de estreia entre Brasil e Croácia em 2006 - foi construído com participação dos dois clubes de Munique - Bayern e 1860 Müenchen.

Em 2005, o presidente do 1860 Karl-Heinz Wildmoser foi condenado a quatro anos de prisão por aceitar uma propina de 280 milhões de euros de uma empreiteira austríaca.

Outro problema do futebol alemão pós-Copa é a violência. Um relatório da polícia apontou que em 2012 foi registrado o maior número de crimes em jogos de futebol nos últimos 12 anos.

O Hannover 96 também investiu em melhorar a experiência de torcedores com problemas de visão. O clube contratou um narrador exclusivamente para atendê-los. Cerca de 20 portadores de deficiência visual costumam "assistir" aos jogos da arquibancada, e ouvem a narração com equipamentos especiais (semelhantes aos usados para tradução simultânea).

Atendendo os fanáticos

O marketing do clube se esforça para atrair novos torcedores, mas o consumidor principal do clube continua sendo o fanático - aquele que não perde nenhum jogo.

Na Alemanha, o perfil deste torcedor é o mesmo há décadas - ele está mais atento a baixos preços do que conforto. Na Alemanha, em particular, esses torcedores preferem até abrir mão dos assentos e assistir às partidas de pé.

Há algumas vantagens para o torcedor nisso: maior capacidade no estádio, clima mais "quente" de pressão ao adversário e preços menores.

Um exemplo é o Borussia Dortmund, que possui um dos maiores estádios da Europa, com capacidade para 80 mil torcedores. Uma das facções mais famosas é a "Parede Amarela", onde 25 mil pessoas assistem de pé aos jogos da Bundesliga - a maior capacidade na Europa.

No entanto, entidades como Fifa e Uefa não permitem, por questões de segurança, que torcedores fiquem de pé em jogos de seus torneios. A alternativa foi instalar cadeiras dobráveis. No dia anterior a jogos de torneios Fifa e Uefa, funcionários rapidamente instalam todas as cadeiras, com auxílio de uma pequena chave.

Dirk Köster. Foto: BBC

Köster diz que Hannover 96 assumiu compromisso de não aumentar orçamento da reforma

A mesma solução foi adotada pelo Hannover 96 nos jogos nacionais - da Bundesliga e Copa da Alemanha - com sucesso: a área onde a torcida fica de pé é sempre a primeira a ter seus ingressos esgotados. Os preços são fixos: 6 euros para crianças (R$ 18) e 15 euros (R$ 45) para adultos.

Competitivo

Na temporada da Bundesliga que começou logo após a Copa de 2006, nove dos 12 clubes que atuam em estádios da Copa estavam na primeira divisão. A próxima temporada, a de 2014-2015, que começa em agosto, terá apenas oito (os clubes de Hamburgo, Nuremberg, Kaiserslautern e Leipzig estão em divisões inferiores).

Isso ilustra a grande competitividade do futebol alemão: mesmo com estádios padrão-Fifa, e modelos de negócios sólidos, muitos times lutam apenas para ficar no mesmo lugar.

Essa é o desafio para clubes médios como o Hannover 96, que apesar de todo o seu planejamento hoje parece estar ainda distante de lutar por um título.

Quando a BBC Brasil visitou o HDI-Arena, apesar de todos os sucessos nos negócios, o clube enfrentava o Hamburgo na luta contra o rebaixamento.

O Hamburgo - cujo estádio também sediou jogos da Copa - acabou derrotado por 2 a 1 e neste mês foi rebaixado pela primeira vez na sua história.

* Imagens: Albert Steinberger

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segunda-feira, maio 12, 2014

Changemakers da Ashoka premiará projetos de educação e aprendizagem

“A oportunidade abaixo transfiro para todo aquele ou aquela que queira participar e empreender. Vocês são meus convidados.

Mãos à obra!”

Benê Lima,

Coordenador de Futebol Feminino da Federação Cearense de Futebol,

Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino.

 

✰   ✰   ✰

 

Changemakers

 

 

“Olá, Benê:

 

Meu nome é Isabela Carvalho e sou Coordenadora de Redes do Changemakers, o programa da Ashoka que lança campanhas e desafios com o objetivo de dar suporte a projetos inovadores e de impacto social.

 

Observamos que você se inscreveu em um dos nossos desafios, e gostaria de convidá-lo a conhecer o nosso mais novo desafio, o "Reinventando a Aprendizagem", que irá oferecer prêmios que totalizam 200 mil dólares a projetos que estejam repensando os modelos de educação e aprendizado que temos hoje! Essa é uma parceria do Changemakers com a Fundação LEGO, que, além do suporte financeiro, irá convidar os selecionados a apresentarem suas inovações na LEGO Foundation IDEA Conference 2015 em Billund, na Dinamarca, com a Fundação LEGO cobrindo as despesas de viagem e acomodação.

 

Faço o convite para que você veja se o seu projeto se encaixa na chamada ou mesmo se conhece algum projeto que possa se interessar. As inscrições estão abertas até 25 de junho de 2014. No entanto, os projetos recebidos até 21 de maio concorrerão a prêmios extras.

 

As inscrições podem ser feitas através do site http://www.changemakers.com/pt-br/aprenderbrincando​ .​

 

Por favor, em caso de dúvidas, estou à disposição!

 

Um abraço!

 

Isabela Carvalho

Ashoka Changemakers | Ashoka Brasil

www.changemakers.com/pt-br

 

Support Ashoka's global community of changemakers”

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sexta-feira, maio 09, 2014

“FIFA não é responsável pelos problemas sociais do Brasil” diz Jerome Valcke

O secretário geral da FIFA, Jerome Valcke, em entrevista ao site Sport1, declarou que a FIFA não tem nenhuma responsabilidade pelos problemas sociais do Brasil. “O dinheiro que foi gasto com a construção de estádios, não tinha como ser investido em hospitais e escolas. A FIFA não utilizou dinheiro público que poderia ter sido usado em educação, saúde e outros projetos sociais. Quando o Brasil se candidatou para organizar a Copa do Mundo, já havia dinheiro para o evento. Não tiramos um tostão do Brasil. A maior parte do dinheiro utilizado foi gasto em infraestrutura para benefício dos próprios brasileiros.”

Há meses ocorrem manifestações pelo Brasil afora que algumas vezes desembocam em violência. Os protestos se dirigem contra o governo brasileiro e a realização da Copa do Mundo passou a ser um símbolo do desperdício de dinheiro num país com tanta desigualdade social.

Para Valcke, “…os problemas sociais não existem por causa da Copa do Mundo, sempre existiram e os motivos para se manifestar na rua são os mesmos de 2013. Tenho certeza que haverá manifestações durante a Copa, mesmo porque isto vai dar visibilidade aos movimentos de protesto.” Bundisliga - logo

terça-feira, maio 06, 2014

O que falta para o futebol brasileiro ser um negócio rentável

HÁ ALGUM TEMPO, FALAVA-SE QUE O PROBLEMA DO FUTEBOL NO BRASIL ERA A FALTA DE DINHEIRO. O DINHEIRO VEIO, JÁ ESTÁ INDO EMBORA E POUCA COISA MUDOU NA ADMINISTRAÇÃO DO ESPORTE MAIS POPULAR DO PAÍS

Segundo Painel do Insights-Época Negócios (Foto: Marcia Tavares)

O segundo painel do Insights Época NEGÓCIOS, desta segunda-feira (05/05), discutiu os negócios do futebol. Participaram do debate o consultor Amir Somoggi; Luiz Bloch, diretor geral do Museu do Futebol; Cristiano Caús, advogado do Santos; Ricardo Di Sora, gerente de marketing da Puma. “Durante muito tempo era comum ouvir que se faltava dinheiro. Aí veio o dinheiro: somos o sexto mercado entre as ligas. Não era mais o dinheiro o problema, eram o estádios. Agora temos arenas, mas não evoluímos”, disse Somoggi na abertura do painel.

O consultor – especializado em gestão esportiva e que se apresenta nas redes sociais como um “sonhador que vislumbra ver o futebol brasileiro bem administrado” – vê com olhos de decepção dados como os divulgados mês passado pela Pluri: com 28% de queda no valor de mercado dos times nacionais, o Brasileirão agora vale menos que as ligas da Ucrânia e de Portugal, segundo o relatório.

“A solução é dentro dos clubes”, afirmou Somoggi. O especialista crê em uma bolha financeira nas agremiações brasileiras, escondida nos últimos anos pela verba dos contratos de televisão: “2014 será um ano de ajuste. Não veremos estádios lotados porque o produto é péssimo.”

Mas e em relação a clubes menores europeus, que crescem suas receitas mesmo com times médios? “O torcedor brasileiro não gosta de futebol. Gosta de ver o time campeão”, disse. “Não existe a cultura do entretenimento porque o clube, que é quem no fim das contas tem contato com o torcedor, não se esforça para criar isso. Todas as decisões são voltadas para dinheiro imediato e a qualquer custo. Mas, se dá errado, fica a dívida. É preciso ter 30 ou 40 fontes de renda e não só quatro ou cinco.”

Um passo à frente, dois para trás
“Uma gestão dá um passo à frente, mas não deixa isso enraizado no clube. A próxima vem e dá um passo para trás”, afirmou Ricardo Di Sora, gerente de marketing da Puma. O advogado Cristiano Caús engrossou o coro: “Ficar limitando o mandato acaba com projeto de longo prazo. Não tem clube que sobreviva assim.”

Caús aposta na aquisição e retenção de jogadores de nome no plantel das equipes para manter o engajamento com o torcedor: “Você precisa de ídolos para manter uma relação próxima com o consumidor. Mas é necessário que o marketing esportivo seja trabalhado junto, porém ele não é visto dessa forma – é mais um departamento comercial. O clube não pode viver só de paixão.”

Não é só de títulos que um clube vive
Os especialistas defendem que a atual necessidade do brasileiro de ver seu time campeão deve ser trabalhada para se tornar uma cultura de fidelidade e consumo. “Hoje, a desculpa é sempre que o time precisa ser campeão. Tem que parar com essa história de que campeão é tudo na vida. Quando o Barcelona não é campeão, o fã tailandês não chora nem sofre, mas mantém essa ligação com o clube”, diz Somoggi.

Para provar seu argumento o consultor citou a Argentina. “Lá, torcedor do River [Plate] ou do Racing sabe que quem comprou a cadeira é dono daquele lugar. Raríssimas vezes deixam de ir [aos jogos] e, se não vão, vendem para alguém que vai”, afirmou.

A crítica sobrou também para os novos estádios da Copa do Mundo. “O sócio paga 200 reais para a diretoria em uma cadeira e a CBF muda uma partida para Cuiabá. Quero ver se ele vai querer continuar pagando a mensalidade”. Para ele, o conceito multiuso das novas arenas, principalmente das que não possuem clubes grandes nas proximidades, atrapalha a fidelização e não vai pagar a conta.

“O problema é estrutural”, rebateu Di Sora. “Precisamos de soluções. Se uma delas é jogar longe, isso deve virar um projeto. Mas o que acontece quando a Confederação dá uma ‘canetada’ [muda data e local das partidas]? Técnico critica, o departamento de marketing não é envolvido... não precisa ser uma grande catástrofe, mas dá pra ser mais organizado.”

Patrocinadores são a solução?
Praticamente um consenso entre os integrantes do painel desta tarde, os patrocinadores foram apontados como agentes transformadores do ambiente dentro dos clubes, uma vez que as equipes dependem das parcerias. “É quem pode dizer: ‘Eu só boto dinheiro nos clubes bem administrados’. É meio utópico, eu sei, porque a gente sabe que, se isso acontece, o concorrente vai lá e fecha. Mas eles são parte muito importante do cenário e poderiam, sim, ser propagadores dessa mudança”, disse Somoggi.

A reprovação, neste caso, é em relação ao grande número de clubes financiados por empresas estatais. “Antes tínhamos patrocínios ‘menos emoção e mais razão’, como a LG com o São Paulo, a Samsung com Corinthians e Palmeiras. Mas, até hoje, eu nunca entrei em um clube de futebol e me perguntaram se estávamos satisfeitos com a parceria, se nossos objetivos seriam atingidos ou as metas batidas”, afirmou o gerente da Puma.

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sábado, maio 03, 2014

Clube da Série C do Rio apresenta projeto de estádio para 43 mil pessoas

Adquirido por empresário da construção civil, Gonçalense F. C. deve ter parte da suanova casa, o Catarinão, pronta ainda este ano. Obras no local estão em andamento

Por 

O Gonçalense Futebol Clube, que disputa a Série C do Campeonato Carioca, apresentou esta semana o projeto de seu estádio, que promete deixar muito clube grande babando de inveja. O Catarinão – que terá esse apelido por ficar situado no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo – teve suas obras iniciadas em outubro do ano passado. O desenho mostra um design moderno, que lembra um cata-vento, e a intenção é que o local tenha uma capacidade total de 43 mil pessoas: desbancaria São Januário, do Vasco, do posto de terceiro maior estádio do Rio de Janeiro.

Projeto do estádio catarinão, do gonçalense (Foto: Divulgação)Projeto é ousado e moderno; design lembra um cata-vento (Foto: Divulgação)

A previsão é que o Catarinão seja entregue por completo em 2017. No entanto, as obras foram divididas por etapas. A primeira deve ser finalizada em junho deste ano e consiste em concluir o estádio para até 5 mil pessoas. A segunda, para 20 mil. A implantação dos traços modernos e dos vestiários de última geração será executada apenas na terceira, conforme o projeto.

Joacir Thomaz, nas obras do estádio catarinão (Foto: Gabriel Andrezo/Futrio)Joacir Thomaz deu o pontapé inicial das obras no ano passado (Foto: Gabriel Andrezo/Futrio)

De imediato, Joacir Thomaz, presidente do Gonçalense, rechaça: não existe dinheiro público, tampouco envolvimento da prefeitura na obra. O clube é um "novo rico" do Rio de Janeiro. Na verdade, até o ano passado, ele era conhecido como Tanguá Esporte e Cultura. Passou a ser Gonçalense depois que Joacir, que é dono da empresa Macroaction Construtora, o adquiriu.

Numa área de aproximadamente 200.000 m², está prevista a construção de um campo de tamanho oficial, com padrões da FIFA (105 x 68m), ginásio poliesportivo, campos de gramado sintético e vestiários modernos para equipes e arbitragem. Joacir não soube dizer o valor total do investimento. Informou apenas que para a conclusão da segunda etapa serão investidos cerca de R$ 30 milhões.

– Sabemos que somos o terceiro maior município do interior do Brasil em termos populacionais. Perdemos apenas para Guarus e Campinas. Em Campinas há dois estádios (Brinco de Ouro da Princesa e Moisés Lucarelli) e dois clubes grandes (Guarani e Ponte Preta). São Gonçalo é carente de um investimento, de um equipamento desse porte. Por isso a nossa iniciativa. Sabemos que aqui do lado tem Itaboraí, que tem estádio. Sabemos que Maricá tem estádio. Sabemos que Araruama tem dois estádios. Rio Bonito também tem dois. Caxias, três – afirmou Joacir Thomaz.

Construção das cabines de rádio do catarinão, do gonçalense (Foto: Muller Souza)Cabines de imprensa já começaram a ser erguidas (Foto: Muller Souza)

O Gonçalense estreia na Série C do Carioca deste ano no próximo domingo, contra o União de Marechal. Enquanto o Catarinão não fica pronto, a equipe vai mandar seus jogos no Estádio José Alves Ventura, em Rio Bonito.

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quinta-feira, maio 01, 2014

Por que se discute o calendário do futebol brasileiro?

DeCanhotaFaz algumas semanas assistimos a um debate intenso a respeito da melhoria do calendário do futebol brasileiro. Especialistas, dirigentes, CBF e o Bom Senso discutem ideias e apresentam propostas… Mas, por que estamos discutindo o calendário?

 

Um dos principais argumentos da melhoria do calendário do futebol brasileiro é a média de público dos campeonatos disputados no Brasil. O Carioca obteve neste ano uma média de 2.828 pagantes, o Paulista contou com 5.675 pagantes e o Campeonato Brasileiro, até o momento, obteve 13.099 pagantes por jogo.

Bom, não preciso apresentar a média de público dos principais campeonatos do mundo, só a MLS (liga norte-americana), com 18.807 pessoas por jogo, já demonstra que algo está muito errado com o país do futebol.

O autor do livro ”Futebol Brasileiro: um projeto de calendário” Luis Filipe Chateubriand indica que um novo calendário deve considerar as seguintes premissas:

  • Adequação ao calendário europeu;
  • Jogos da principal competição, o Campeonato Brasileiro, somente aos fins de semanas;
  • Clubes não devem jogar quando as seleções jogam;
  • O número de datas reservadas para competições estaduais ou regionais deve ser reduzido;
  • Clubes não devem jogar excessivamente, nem ficar extensas épocas sem atuar.

É fácil perceber a discrepância entre o calendário do futebol brasileiro com o resto do mundo, até mesmo a Argentina adequou seu modelo. E isso não cria somente uma falta de sinergia entre o futebol mundial, mas problemas comerciais.

futebol brasileiro

Comparativo entre os calendários no mundo.

Bom, a adequação do calendário na Europa não evita questões como a paralisação do Campeonato Brasileiro após 10 rodadas para disputa da Copa ou a continuidade deste durante as datas FIFA (como  na Copa América de 2011), mas também corrige problemas relacionados a janela de transferência, já que clubes brasileiros costumam perder jogadores no meio da disputa do campeonato, atrapalhando qualquer planejamento.

Essa adequação também cria oportunidades de novos negócios e internacionalização da marca. Como? As respostas mais básicas são as pré-temporadas e excursões.

Equipes europeias realizam excursões para outros países durante as férias. Por exemplo, na preparação para a temporada 2013/2014 o Real Madrid enfrentou o Lyon na França, o PSG na Suécia e participou de um torneio nos EUA com LA Galaxy, Chelsea, Internazionalle. Já o Barcelona há cinco anos realiza excursões pela Ásia.

Mesmos os menores clubes conseguem executar este tipo de estratégia. Em 2011 Lille e Marseille decidiram a Super Copa da França no Marrocos para um público de 33.900 pessoas.

O primeiro fator que justificam essas excursões é claro e simples: as receitas geradas com bilheteria, premiações, transmissões e venda de produtos durante o evento. Em 2011, somente com a participação, o Internacional faturou 500 mil euros na Copa Suruga.

Porém, tal ponto possui um mote muito maior que se dá pela internacionalização da marca. A realização de pré-temporadas em outros países possibilita uma aproximação e relacionamento do time com os torcedores locais o que irá gerar oportunidades mais rentáveis futuramente. Como exemplo, a página do Facebook do Barcelona tem seu maior número de seguidores na Indonésia (4,73 milhões de fãs), além de possuir seu site oficial em chinês onde busca atingir 800 milhões de pessoas.

Existem críticas sobre um calendário parelho por não considerar questões climáticas do hemisfério sul. Pois bem, os estaduais abrangem jogos durante janeiro, período em que cidade como Rio de Janeiro chega a 45⁰. E sobre as datas comemorativas, ligas como a inglesa costumam registrar grandes médias de público no Boxing Day (dia após o Natal).

Claro, a equivalência do calendário do futebol brasileiro ao europeu não é a única solução, e pode nem ser uma saída já que Michel Platini admitiu recentemente que a UEFA pode pensar em um modelo baseado no ano fiscal janeiro-dezembro.

O principal problema são os jogos excessivos ou a falta deles. Ou seja, como encaixar os Estaduais e o que fazer com os clubes não disputam nada além dele?

O São Paulo em 2013 disputou 79 partidas, e poderia ser mais caso se classificasse para as finais da Libertadores. Enquanto isso, clubes como o Mixto-MT que ficará sem jogar até o fim do ano após sair da Copa do Brasil. Caso este de 82% dos clubes que atuam apenas durante 4 meses acarretando em 12 mil atletas desempregados durante a maior parte do ano.

Esse cenário motivou a criação do Bom Senso F.C, que além de tudo, reivindica a melhoria do calendário do futebol brasileiro. E baseado na proposta de grandes estudiosos do mercado como Amir Somoggi e Fernando Ferreira, apresentaram recentemente uma proposta para tal melhoria, com a inclusão da Serie E e a existência de Copas Estaduais.

A Série E contaria com 452 clubes, divididos em 36 grupos, ocorreria de fevereiro a dezembro, com uma média de 30 jogos por clube. Seriam promovidas 36 equipes para a Série D que, por sua vez, contaria com 144 clubes divididos em 12 grupos. Além disso, os estaduais seriam disputados em forma de Copas em oito datas.

Pode ser que esta não seja a melhor proposta de um calendário para o futebol brasileiro. Porém, o fato é que estamos nos tornando menos passivos, discursando um pouco menos e tentando tornar realidade algumas ideias que já deveriam ter sido realizadas há muito tempo. Com a melhoria necessária do calendário, pode-se pensar em outros problemas associados à volta do torcedor ao estádio e potencialização comercial, e técnico, do Matchday.

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