Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, março 10, 2017

Gestor recomenda matéria sobre o futebol feminino

Por: Romeu Castro
Sobre matéria do UOL

Caros leitores,

Compartilho artigo de grande relevância do UOL, com um diagnóstico sobre o Futebol Feminino do Brasil, através da entrevista anônima com 64 atletas participantes do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino da Série A1. 


O artigo mostra dados importantes, como a defasagem imensa dos salários das atletas. 


Em 1997, no primeiro Paulistana, com o dólar e o real em paridade de um para um, o maior salário da modalidade chegava aos 36 mil reais mensais em valores de hoje, o equivalente à época, a 12 mil dólares americanos. 


O maior salário declarado na atualidade, é de apenas R$ 5.200,00. Os salários médios atuais, são inferiores à remuneração que as atletas campeãs brasileiras pelo Saad EC recebiam como ajuda de custo no mesmo ano, mas na categoria sub-17, e não no adulto.


Outros temas de imensa importância como o assédio às jogadoras, o nível das comissões técnicas os fatores que motivam os sonhos das nossas meninas também foram abordados, e merecem reflexão.

 
No final de semana em que se iniciam duas competições importantes para a modalidade, como o I Campeonato Paulista Sub-17, e o Campeonato Brasileiro da Série A, e também se dá o coroamento da semana dedicada à mulher, e por isso é importante retomarmos o debate e a combatividade. 


O Raio X apresentado pelo UOL, comprova que a demagogia não produz transformações, e que a presença de pessoas desprovidas história e paixão na gestão da modalidade, comprometem seriamente o futuro de inúmeras gerações. 


Texto muito bem fundamentado da 
Juliana Cabral, publicado nesta semana pela ESPN, também revela a dicotomia entre a presença de uma mulher de inquestionável paixão e lutas pelo Futebol Feminino, a nossa estimada ex-atleta Emily Lima, no comando técnico da nossa Seleção principal, e a falta de ação dos gestores na busca de adversários e competições que permitam um diagnóstico sobre a evolução do trabalho. 


Portanto, mais do que nunca, as nossa mulheres de ouro precisam da reflexão e da ação na defesa de tantos sonhos e também das conquistas do passado.

.


 clique no link acima e vá para a matéria 
.

terça-feira, março 07, 2017

INDÚSTRIA ESPORTIVA: A IMPORTÂNCIA DE BUSCAR PROFISSIONALIZAÇÃO

 

Indústria esportiva: a importância de buscar profissionalização

A indústria esportiva exige de seus profissionais muito mais do que apenas boa formação escolar e/ou acadêmica. Expressar engajamento, propor e realizar inovações e fazer a diferença é essencial para quem deseja construir uma carreira na área. Ou seja, as oportunidades são aproveitadas por pessoas capacitadas.
Se você possui um currículo bem composto, com cursos e especializações relevantes, suas chances serão bem maiores. Para o atual cenário, a profissionalização é uma necessidade, pois, além de conhecimento e qualificação, a indústria esportiva busca profissionais que possam se distinguir no mercado.
É sobre isso que falaremos no artigo de hoje! Vamos começar mostrando as principais características de um bom profissional para que você possa entender melhor porque é importante buscar profissionalização. Confira!

1. AS 6 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE UM BOM PROFISSIONAL

CONHECIMENTO ESPECIALIZADO

Em primeiro lugar, um bom profissional é reconhecido por seus conhecimentos especializados. Em seu caminho rumo à profissionalização você deverá estabelecer um compromisso pessoal profundo para desenvolver e melhorar constantemente suas habilidades e obter a formação necessária para embasar seus conhecimentos.
Nem todos os segmentos da indústria esportiva possuem um núcleo estável de conhecimentos (e cursos superiores correspondentes) ou exigem formação superior para sua prática e, por isso, há excelentes profissionais no mercado que não possuem formação universitária.
O que importa, entretanto, é que você trabalhe de maneira séria e responsável, dominando os conhecimentos especializados necessários para obter sucesso em sua área de atuação dentro da indústria esportiva. Manter esses conhecimentos sempre atualizados permitirá a você continuar, por longos anos, oferecendo o melhor trabalho possível.

COMPETÊNCIA

Ser profissional implica em cumprir sempre sua tarefa, ser confiável e manter suas promessas. Se surgirem circunstâncias que o impeçam de cumprir aquilo com o que se comprometeu, você será capaz de manter as expectativas e fazer o melhor ao seu alcance para corrigir a situação.
Profissionais não dão desculpas: eles focam em encontrar soluções.

HONESTIDADE E INTEGRIDADE

Qualidades como honestidade e integridade são centrais para qualquer profissional respeitado. Isso significa manter a sua palavra e se tornar confiável por causa disso, além de nunca comprometer seus valores e fazer sempre a coisa certa (mesmo quando este for o caminho mais difícil).
Verdadeiros profissionais são humildes: se algum projeto ou tarefa estiver além de suas capacidades, eles não veem problema em admitir. Pedem ajuda quando necessário e estão sempre dispostos a aprender com os outros.

RESPONSABILIDADE

Os profissionais se responsabilizam por seus pensamentos, palavras e ações, especialmente quando cometem um erro. Essa responsabilidade pessoal está intimamente ligada à honestidade e à integridade que formam o escopo ético do profissionalismo.

AUTOCONTROLE

Essa característica aparece quando, mesmo sob intensa pressão, o profissionalismo é mantido. Ao relacionar-se com um cliente, chefe ou colega de trabalho irado, o verdadeiro profissional mantém uma atitude calma e propositiva, fazendo tudo ao seu alcance para resolver a situação da melhor forma em vez de ficar chateado.
Profissionais genuínos demonstram respeito pelas pessoas ao redor, independentemente de seus cargos ou posições. Exibem um alto grau de autocontrole, levando em consideração os sentimentos e necessidades dos outros, não deixando que problemas pessoais interfiram em suas atividades de trabalho.

CUIDADO COM A IMAGEM

A imagem é um aspecto que não deve ser desconsiderado. Profissionais não aparecem para trabalhar mal vestidos ou com cabelos desgrenhados. Eles sabem a importância de se vestir adequadamente em cada situação para exalar confiança e merecer o respeito de quem os cerca.

2. CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS PARA SE TORNAR UM PROFISSIONAL DA INDÚSTRIA ESPORTIVA

Como você pôde ver a partir dessas características, os profissionais da indústria esportiva estão entre as pessoas mais respeitadas e valorizadas no mercado. Eles são um ativo valioso para as empresas e organizações em que atuam!
Aqueles que são reconhecidos como excelentes profissionais são os primeiros a serem considerados em promoções, recebem projetos e tarefas lucrativas e são, em geral, bem-sucedidos em suas carreiras.
A partir dos elementos que constituem o profissionalismo, veremos quais atitudes você deverá adotar para se tornar um excelente profissional:

CONSTRUA EXPERTISE

Não deixe que seu conhecimento e suas habilidades fiquem desatualizados. Faça um compromisso consigo mesmo para criar expertise. Busque informações para estar sempre atualizado quanto à indústria esportiva.

DESENVOLVA SUA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Como profissional, é muito importante que você possa sentir empatia pelas pessoas que trabalham ao seu lado e com as quais você se relaciona. Para oferecer a clientes e colegas de trabalho exatamente aquilo que precisam, é fundamental que você seja um bom ouvinte.
Se desejar atingir um alto nível de profissionalismo, concentre-se no desenvolvimento de sua inteligência emocional.

HONRE SEUS COMPROMISSOS

Sempre que realizar uma promessa a um chefe, colega ou cliente, faça todo o possível para mantê-la. Se parece que você não será capaz de cumprir o prazo ou realizar uma determinada ação, deixe aqueles que aguardam a realização da tarefa saibam assim que possível.
Todavia, evite entrar em uma situação assim e se comprometa apenas com aquilo que você sabe que conseguirá cumprir. Não se acostume a pedir desculpas — em vez disso, concentre-se em atender a todas as expectativas da melhor maneira possível.

SEJA EDUCADO

Seja gentil, educado e demonstre bons modos a todos com os quais entrar em contato — seja qual for sua função específica. Isso pode soar como um clichê, mas causa um inegável impacto positivo, beneficiando sua imagem e a forma como as pessoas o veem.

TENHA AS FERRAMENTAS DE QUE PRECISA

Você não deve se apresentar a uma reunião de trabalho sem as ferramentas necessárias para cumprir bem suas tarefas. Prepare-se com antecedência e confira sempre seu material de trabalho para se assegurar que não deixou nada em casa. Evite assumir a realização de atividades para as quais não se sinta suficientemente apto.
Ao se tornar um bom profissional, você deverá estar sempre preparado. Isso requer planejamento, pontualidade e atenção. Foque na melhoria de sua gestão do tempo e esteja sempre no controle, impedindo que imprevistos o peguem de surpresa.
Como vimos, tornar-se um profissional na indústria dos esportes não é uma das mais fáceis tarefas. No entanto, além de aumentar suas chances de conseguir o trabalho dos sonhos, pode ajudar você a adicionar mais ao esporte, elevando o nível das atividades praticadas e premiando-o com um senso de realização impossível de se obter em outras áreas.
E então? Gostou do artigo? Assine a nossa newsletter e fique por dentro de todas as novidades da indústria esportiva!

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Conmebol começa a investir no Futebol Feminino – Programa de Evolução!

fifaconbeol
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), após apresentar o novo regulamento do pacote de licenciamento, de acordo com a FIFA e a CBF, vem modificando a realidade da modalidade. Após proibir os Clubes que não tiverem equipes femininas competindo em campeonatos nacionais de participar da Copa Libertadores de 2019, vários clubes começaram a abrir os olhos para a modalidade, começando a abrir equipes, peneiras…
Veja o trecho do regulamento a seguir:
  • “O solicitante (a disputar a competição) deverá ter uma equipe feminina ou associar-se a um clube que possua a mesma. Ademais, deverá ter ao menos uma categoria juvenil feminina, ou associar-se a um clube que possua a mesma”
  • “Em ambos os casos, o solicitante deverá prover suporte técnico e todo o equipamento e infraestrutura (campo de jogo para disputa das partidas e de treino) necessários para o desenvolvimento de ambas as equipes em condições adequadas”, acrescenta.
  • “Finalmente, exige-se que ambas as equipes participem de competições nacionais ou regionais autorizadas pela respectiva associação membra”, explica o documento.
O Coordenador de Futebol Feminino da CBF, Marco Aurélio, comentou sob o cenário brasileiro:
“Peço que os clubes brasileiros com o licenciamento se organizem para fazer crescer a modalidade. A CBF já subsidia as competições e paga os custos operacionais e logísticos. O clube só precisa montar uma equipe e comissão técnica e manter seus salários. Não é difícil. Dá para fazer. No futuro dará muito retorno. Hoje, estamos quebrando o preconceito. Pais querem ver suas filhas jogando futebol. A maior dificuldade é vocês acreditarem que é preciso ter um time feminino. Não tenham medo de ter um time feminino”
A partir disso, a Conmebol, irá destinar aproximadamente um milhão de dólares por ano para cada Federação do continente, a partir do  Programa Evolução, que significará “a maior distribuição de fundos da história” para os associados, potencializando e trabalhando  em prol do crescimento da modalidade, visando a superação das barreiras que ainda impedem que o Futebol Feminino se torne tão popular quanto o Masculino.
Montevidéu, 22 de fevereiro de 2016. Créditos: Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL)
Montevidéu, 22 de fevereiro de 2016. Créditos: Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL)
O programa tem planejamento para ocorrer durante 2017 até 2018, com o objetivo de capacitar profissionais, clubes e técnicos de todas as categorias, construção de campo, entre outros, tendo como base: Capacitação, Infraestrutura, Competências, Boa Administração, pois não basta apenas montar uma equipe, tem que dar uma estrutura digna para que o trabalho possa ser realizado pelos profissionais da modalidade da melhor forma possível!
Além disso  destacam-se: a organização de 22 competências, o desenvolvimento de 15 cursos de arbitragem no eixo de capacitações e, no que diz respeito a infraestrutura, está prevista a construção de um Centro Tecnológico Arbitral, para estar na vanguarda da arbitragem e fazer um esporte cada vez mais justo, tendo o jogo limpo como bandeira.
.

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

A revolução no futebol brasileiro não será televisionada

AMIR SOMOGGI
O futebol brasileiro parou no tempo. CBF, federações estaduais e clubes vivem um subdesenvolvimento no campo das ideias, que afasta nosso mercado de qualquer possibilidade real de evolução.
No último domingo tivemos mais uma prova desse mundo arcaico do nosso futebol. O clássico paranaense Atletiba, sem transmissão pela TV aberta e fechada, seria transmitido apenas no Youtube.
Entretanto por uma artimanha da Federação Paranaense de Futebol (FPF) esse passo importante para o futebol nacional não ocorreu. Mas de 20 mil pessoas na arena do Atlético-PR foram impedidas de assistir à partida.
Milhares estavam aguardando ansiosas na internet.
Com a desculpa que a equipe que faria a captação das imagens e a transmissão online não estava credenciada, a FPF proibiu que pela primeira vez um jogo de futebol no Brasil fosse somente disponibilizado no Youtube.
De forma corajosa Atlético-PR e Coritiba se recursaram a realizar a partida. A Federação, mesmo sem ter direito sobre esse conteúdo, de forma autoritária proibiu sua transmissão.
Se os clubes não aceitaram os valores ofertados pela RPC, tinham sim o direito de transmitir via streaming sua partida, o mais importante componente atual da industria do esporte global. O streaming, com a transmissão online atinge bilhões de pessoas ao mesmo tempo em todo o mundo, nada se compara a esse potencial.
A dupla paranaense pode ser considerada precursora de uma revolução que está em curso, a transmissão online de jogos de futebol no Brasil. E essa revolução não será televisionada!
A partir do momento que os times se derem conta da força da internet, e do streaming, sem dúvida chacoalharão as estruturas do futebol brasileiro.
O Youtube, de propriedade do Google, uma das mais importantes empresas do planeta e tem a marca mais valiosa.
Obteve faturamento em 2016 de US$ 90 bilhões e lucro líquido de US$ 20 bilhões, é um player imbatível.
Em 2013 faturava US$ 56 bilhões e cresce junto com o avanço da internet.

Google

Domina há anos as receitas publicitarias online, além de utilizar ferramentas modernas antenadas com o que de mais avançado se pratica atualmente.
É mais rico que qualquer emissora de TV, e também muito mais inteligente.
Assim, a partir do momento que o futebol brasileiro tiver o aparato tecnológico do Google, ficará muito mais complicado de se manter essa visão arcaica e antiquada da gestão de conteúdos de futebol no Brasil.
Os jovens não assistem mais TV como seus pais e avós faziam. No Brasil de hoje, há mais audiência em vídeos na internet, do que na TV aberta.
Isso significa que a revolução já começou, menos no nosso futebol.
E o Google já se enveredou para o futebol. A Copa do Rei da Espanha está sendo transmitida pelo Youtube, com um custo por partida de aproximadamente € 4,99. Uma verdadeira revolução!
Por meio do streaming, o Youtube tem um alcance muito maior que a TV aberta e fechada. É incomparável! Sem falar que permite que mais torcedores tenham acesso ao conteúdo.
Os ganhos são globais e não mais nacionais e em muitos casos regionais.
A revolução do futebol brasileiro passa por essa nova era, das transmissões online.
NBA já mostrou o caminho.
A NBA dos EUA foi uma das pioneiras em investir em transmissão online de seus jogos e os resultados foram muito positivos. Em 2012, as receitas de transmissão da liga estavam estagnadas em US$ 930 milhões por ano.
Com a criação do NBA League Pass, os torcedores ao redor do planeta podem pagar diretamente para a NBA e acompanhar os jogos por streaming.

1477037101_lplogo2 

Essa decisão foi tão acertada que os valores com os direitos de transmissão já superaram US$ 2,6 bilhões por ano.
Em 2017, a expectativa da NBA é que salte para US$ 3,6 bilhões anuais.

Análise conceitual do jogo no futebol

Análise conceitual

Os gols da partida entre Paris Saint Germain vs Barcelona

Olá a todos! A análise de desempenho vem tendo um crescimento muito importante e sendo indispensável para qualquer clube em busca de seus objetivos (formativo – estratégico). O suporte dado por imagens e dados estatísticos são imprescindíveis para todo o staff técnico na programação de qualquer ciclo de treinamentos.
Iremos analisar lances e gols da Champions League 2016/2017 com base em conceitos e princípios. Por meio das definições de alguns termos podemos identificar padrões e comportamentos táticos individuais, de setor e coletivos. Seguem abaixo as definições que servirão de base para nossa análise:
Tática Coletiva: Movimento pré-determinado e organizado de dois ou mais jogadores de um setor ou de toda a equipe com objetivo ofensivo ou defensivo.

Princípios em fase de posse de bola
Distribuição: número de jogadores como possíveis linhas de passe em diferentes posições; dois ou mais jogadores na mesma linha horizontal do campo diminuem a possibilidade de linhas de passe e conquista do espaço do campo.
Verticalização: procura da profundidade através de um passe, um lançamento, condução
Amplitude: utilização dos espaços horizontais de campo em qualquer zona e fase de jogo, para conquistar espaço e aumentar distância entre jogadores adversários.
Mobilidade: movimento dos jogadores dentro de um sistema dinâmico conceitual ou combinado para não dar referência ao adversário
Imprevisibilidade: capacidade de criar desequilíbrio na equipe adversária com diversas soluções ofensivas. Não entende- se imprevisibilidade como improvisação.

Princípios em fase de não posse de bola
Distribuição: ocupação dos espaços dos jogadores nos setores (diagonal, triangular, horizontal) de acordo com a zona de campo, adversário e proteção do próprio gol para não permitir a conquista do espaço.
Retardamento: ação com intuito de retardar a progressão adversária visando a reorganização e maior equilíbrio da equipe ou setor.
Densidade: maior concentração possível de jogadores em zona da bola para maior cobertura dos espaços e raio de ação
Equilíbrio: manutenção da condição numérica nos setores com superioridade ou igualdade através da distância entre os jogadores do setor e entre setores (compactação)
Controle: capacidade de escolha em definir se/como intervir (retardamento, pressing, marcação, cobertura).
Técnica – Tática individual
A execução de um gesto ou movimento se encaixa no contexto técnico. A escolha de um gesto ao invés de outro, para uma determinada finalidade ou efeito, se encaixa no contexto tático.
A partir destas definições vamos analisar dois gols que a equipe do Barcelona sofreu contra o PSG, pelas oitavas de final da UEFA Champions League.
Video Player
Análise Gol – Draxler (a partir 2’:52’’ do vídeo)
Barcelona:
Posse de Bola
Início da ação com comando e verticalização (condução) de Piquet. Busquets entra na linha defensiva para dar cobertura (equilíbrio) enquanto os laterais sobem em amplitude; Piquet passa para Messi, que na zona central do campo, perde um duelo 1vs1 dando a possibilidade de uma transição ofensiva adversária.
Não posse de bola
Transição negativa em inferioridade numérica (não em equilíbrio); realizam uma ação de retardamento até cerca dos 20-22 metros de distância do gol para que possam se reorganizar em linha com a entrada dos laterais.
Enquanto Sergi Roberto tenta velozmente entrar na linha no lado oposto, Jordi Alba começa sua ação de transição negativa atrasado (tática individual); quando a ação de retardamento chega ao ponto de intervenção, Jordi Alba não conseguiu chegar a posição necessária para intervir em tempo deixando o jogador adversário em uma situação de 1vs1 con o goleiro.
Análise Gol – Cavani (a partir 5’:57’’ do vídeo)

Barcelona
Não posse de bola
Marcação com pressão ofensiva (distribuição) na saída de bola adversária com seis jogadores; superioridade numérica do setor defensivo em sua linha 4×3 (equilíbrio); grande distância entre setores defensivos – meio campo e ataque; Neymar mantém alta distância com seu adversário de referência; sai em pressão ao adversário com ligeiro atraso e escolhe afrontar 1vs1 e vem superado; jogador adversário conduz verticalmente a bola criando igualdade numérica com a linha defensiva; ação retardamento da linha que vai até cerca de 30 mt do gol para diminuir distância entre jogadores na linha em proteção ao gol (equilíbrio);  Jordi Alba ao se reorganizar em linha com o setor, mantém uma distância maior em relação aos demais jogadores (tática individual); Piquet acompanha acertadamente o movimento de Cavani nas costas de Umtiti não conseguindo a intervenção ; passe que passa exatamente entre Umtiti e Jordi Alba que não consegue intervir na trajetória devido sua distância inicial.

Conclusão
Sabemos que o gol é um episódio muito raro dentro de todos os eventos que acontecem durante uma partida. Para que ocorra, tem que haver algum tipo de “erro” da equipe que o sofre. Será sempre uma sucessão de eventos coletivos e individuais dentro da mesma situação para que aconteça um gol.
Um dos intuitos da análise é conseguir compreender determinados comportamentos das equipes em posse e não posse de bola, para que sejam apresentados, discutidos, corrigidos ou reforçados com toda a equipe para auxiliar na programação de treinamentos.
Quais questões podemos refletir após estas análises? Devemos acrescentar ou retirar algo? A troca de informações e opiniões são essenciais para o crescimento do conhecimento.
Abraço!

sábado, fevereiro 18, 2017

A escolha inicial pesa na continuidade



Portal Futebol Cearense
Ceará e Fortaleza protagonizaram um episódio inédito nestes últimos dias. Após serem derrotados na Copa do Brasil e a consequentemente eliminados precocemente na competição mais democrática do país, a dupla acabou demitindo suas respectivas comissões (o alvinegro trocou Gilmar Dal Pozzo pelo experiente e vitorioso Givanildo Oliveira; o tricolor bancou o retorno de Marquinhos Santos, campeão cearense em 2016 pelo próprio tricolor), apontando um problema recorrente no nosso futebol: o erro na hora de escolher o treinador para iniciar uma temporada.
Algo que prejudica – e muito – a continuidade e o planejamento para todo o ano. Fizemos um levantamento acerca dessa situação nesta década (de 2010 pra cá). E assusta!
2010 – CSC: O Vovô, recém-promovido à Série A do Brasileiro, não conseguiu manter (acordo financeiro) o técnico PC Gusmão e apostou em René Simões. O resultados e o desempenho pífio no início da temporada culminaram na demissão e posteriormente retorno do seu antecessor.
FEC: Já o tricolor, que havia acabado de passar pelo fatídico rebaixamento à Série C, apostou em Luiz Muller (que acabara de ser auxiliar de Roberto Fernandes, técnico em parte de 2009). O tricolor permaneceu até Abril, quando acabou eliminado na Copa do Brasil e acertou a saída em comum acordo. Em seu lugar, Zé Teodoro assumiu e sagrou-se campeão (tetracampeonato) estadual pouco tempo depois.
2011- CSC: O interminável Dimas Filgueiras iniciou a temporada, após encerrar 2010 no comando do alvinegro na Série A. Foi substituído pelo técnico Vágner Mancini em março.
Foto: Lucas de Menezes/Agência Diário
FEC: Flávio Araújo (guarde este nome, falaremos deste mesmo treinador daqui a pouco) iniciou a temporada, todavia, em abril acabou demitido e deu lugar ao técnico Ferdinando Teixeira, que retornaria para sua terceira passagem no Pici.

2012- CSC: Dimas, novamente, era o técnico do Ceará. Após a demissão de Vágner Mancini na Série A do ano anterior e o retorno(que também havia trabalhado no Ceará em 2010) de Estevam Soares, Dimas terminou o Brasileiro com o objetivo – frustrado – de livrar o Ceará do rebaixamento. Mesmo com o descenso, permaneceu. Até fevereiro, quando foi trocado por Lula Pereira. Este, por sua vez, durou pouquíssimo tempo e foi substituído pelo repetente PC Gusmão (2009, 2010, 2012 e ainda retornou no final da Série B em 2014).
FEC: Ponto fora da curva! O tricolor iniciou a temporada com Nedo Xavier, que permaneceu até julho, mesmo sendo vice-campeão cearense. Foi substituído por Vica.
2013 – CSC: O Ceará apostou no “emergente” Ricardinho, que foi substituído por Leandro Campos (mais tarde, sagrou-se tricampeão cearense). Na temporada, o Vovô ainda teve Sérgio Guedes e Sérgio Soares – sem contar com Dimas que acabou como interino em algumas ocasiões.
FEC: Vica foi mantido, mesmo após fracassar no mata-mata da Série C no ano anterior. Após ser eliminado nas semifinais da Copa do Nordeste (pelo Campinense), o treinador foi demitido e deu lugar ao retorno de Hélio dos Anjos.
2014 – um ano diferente Ceará e Fortaleza iniciaram a temporada com Sérgio Soares e Marcelo Chamusca, respectivamente. Sérgio durou quase toda temporada (contabilizando o início da passagem em 2013, ficou 14 meses no comando) e Chamusca terminou a temporada no tricolor.
2015 – CSC: Dado Cavalcanti inicia a temporada, foi demitido com 9 jogos e deu lugar a Silas Pereira, posteriormente campeão da Copa do Nordeste. Na temporada, Vovô ainda teve mais três técnicos.
FEC: Nedo Xavier iniciou o ano no Fortaleza (já havia sido assim em 2012), mas foi demitido e Marcelo Chamusca retornou ao tricolor após a passagem frustradas no Sampaio Corrêa.

Foto: CearáSC/Divulgação
2016 – CSC: Lisca iniciou a temporada, mas foi demitido e deu lugar ao também repetente Sérgio Soares, que retornou para as disputas da Série B.
FEC: Flávio Araújo – de novo – deu o pontapé inicial na temporada, dando lugar ao emergente Marquinhos Santos.
2017- Neste ano, a dupla apostou em técnicos que conseguiram sucesso no futebol catarinense. Gilmar Dal Pozzo (Ceará) e Hemerson Maria (Fortaleza) foram demitidos ontem e deram lugar a Givanildo Oliveira e Marquinhos Santos, respectivamente, para a continuidade da temporada.
É possível observar, diante deste levantamento, a falta de convicção por parte dos dirigentes na hora de escolher um treinador para iniciar um planejamento. Os maus resultados ou até mesmo o mau desempenho mesmo acompanhado de vitórias, acaba acarretando na demissão de treinadores logo no início da temporada. De forma justa ou injusta (não vamos nem entrar no mérito da questão), os clubes desmontam o planejamento, isto porque, as peças que vêm por indicação dos técnicos acabam permanecendo, gerando assim um prejuízo técnico, tático e, sobretudo, financeiro aos clubes.
Outro ponto de fácil percepção é o fato de tanto Ceará, quanto Fortaleza, acabarem insistindo em um ciclo vicioso de procurar, quase sempre, os mesmos profissionais. É fácil vê na lista idas e vindas de determinados nomes, o que mostra uma visão de mercado muito resumida do futebol cearense. Precisamos de critério e convicção nas escolhas de pré-temporada, pois são essas escolhas – na maioria das vezes, equivocada – que acabam pesando muito no restante do ano.