Por Benê Lima
As entidades sindicais nacionais e internacionais, provocadas pela representação sindical do estado do Ceará, motivaram a realização dos chamados jogos simulatórios
Doutor Turíbio Leite no PV (foto: Benê Lima)
Revelando capacidade de mobilização e preocupação com o impacto das altas temperaturas sobre os atletas profissionais, o Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Ceará, Safece, através de seu presidente, Marcos Gaúcho, conseguiu mobilizar as entidades sindicais que congregam a categoria dos jogadores de futebol, a fim de que elas produzissem dados cientificamente comprováveis para consubstanciar os efeitos negativos do calor sobre os jogadores profissionais, sobretudo em jogos realizados sob altas temperaturas e horários considerados impróprios para a atividade esportiva de alto rendimento.
Safece e Ceará Sporting foram objeto das observações científicas (foto: Benê Lima)
A etapa de Fortaleza foi realizada nesta sexta (12), tendo início às 13 horas no Estádio Presidente Vargas, com o jogo simulatório entre a equipe do Safece e o time sub20 do Ceará Sporting. O jogo teve duração de noventa minutos, com dois tempos de 45 minutos cada e intervalo de 15 minutos. Na primeira etapa observou-se uma paralisação de cerca de três minutos, a fim de que se pudesse observar os resultados advindos da pausa e da hidratação sobre os atletas e também sobre árbitros e assistentes.
O estudo terá como finalidade levantar dados que comprovem o efeito benéfico das duas paralisações que serão propostas à FIFA, sendo uma em cada tempo, entre 22 e 23 minutos de jogo de cada um deles. A duração de cada uma das paralizações, segundo o professor e doutor Turíbio Leite, deve ser de três a cinco minutos, o que com a adequada e individualizada reidratação seria uma intervenção muito positiva para os jogadores.
Medição antes da reidratação (foto: Benê Lima)
Metodologia
As entidades sindicais envolvidas na avaliação investiram em aparelhagem e tecnologia capazes de possibilitar a medição dos impactos do calor sobre os atletas profissionais durante as partidas de futebol. O projeto prevê a realização de quatro partidas simulatórias nas cidades de Manaus, Fortaleza, Brasília e São Paulo. Nelas, os atletas envolvidos no projeto ingerem uma cápsula igual a um remédio comum, mas que leva em seu interior um sensor térmico. Um aparelho projetado para medir a temperatura térmica do corpo do jogador faz a medição da temperatura térmica e repassa a um computador, onde será feito o relatório final das avaliações.
Aferição das condições climáticas (foto: Benê Lima)
Perfil: Dr. Turíbio Leite Barros
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela EPM. Foi membro do ACSM, professor da UNIFESP (35 anos), coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da UNIFESP (20 anos), fisiologista do SPFC (25anos) e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Foi colunista do JT (5 anos) e publicou mais de 100 artigos científicos em revistas nacionais e internacionais do segmento esportivo. Publicou 7 livros, entre eles "O Exercício - aspectos especiais e preventivos", pelo qual ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura Científica. Sua experiência de mais de 35 anos na área da fisiologia do exercício é voltada principalmente para atividade física, esportes, consumo de O2, aptidão e avaliação física, qualidade de vida e orientação à atletas, não atletas e iniciantes..
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
sexta-feira, julho 12, 2013
Sapesp, Fenapaf e FiFPro avaliam impacto do calor sobre jogadores profissionais
quinta-feira, julho 07, 2011
A influência da regra no futebol feminino
Caso gols, tamanho de campo e o número de jogadoras fossem adaptados, iríamos ter um jogo mais atrativo?Durante todo o mês de junho dedicamos espaço para discutir aspectos relacionados à seleção, formação e detecção de talentos. Como, obviamente, um mês não foi suficiente para esgotar o assunto, voltaremos com ele num futuro próximo em período oportuno.
Antes de iniciar com o texto desta semana, primeiro quero agradecer pelos comentários e discussões (presenciais ou à distância) que tive com muitos de vocês, leitores. Por favor, continuem usando esse espaço para interagir colaborando para o nosso progresso.
Voltando para o assunto da coluna propriamente dita, neste mês de julho, aproveitando o gancho da Copa do Mundo de futebol feminino, quero dedicar espaço às mulheres.
Antes que você pense que abordaremos aspectos da regra feminina (menstruação), quero esclarecer que o título da coluna não se refere a nenhum trocadilho e nosso foco será mesmo voltado para a regra do futebol. Não que a interferência da menstruação sobre o desempenho do futebol não seja interessante. Podemos até discutir este assunto numa outra oportunidade, mas é que nesta semana este tópico não vem ao caso. O que desejo mesmo é discutir até que ponto a regra do futebol feminino ser idêntica à do masculino auxilia ou prejudica a modalidade.
Diferente de outros esportes como basquete e vôlei que possuem regras ajustadas para as mulheres (diminuição da altura da rede e da cesta, por exemplo), no futebol feminino não há mudança nenhuma em relação ao futebol masculino. Essa medida, por muitas vezes, torna a modalidade monótona, pouco competitiva e até certo ponto sem graça, pois considerando que as mulheres, por natureza, apresentam maior percentual de gordura, menor estatura, menos força, velocidade, potência e resistência do que os homens, é natural que a dinâmica do jogo seja completamente diferente já que apesar das diferenças gritantes entre homens e mulheres, o espaço, o número de jogadores e o tempo da partida são idênticos entre o futebol masculino e feminino.
Sem adaptações, ocorrem discrepâncias tamanhas as quais geram dois mundos absurdamente distintos. Você já parou para pensar a razão do sucesso ou o fracasso de outras modalidades coletivas serem mais ou menos semelhantes para ambos os gêneros e no futebol ser completamente diferente?
E por que a imprensa discute a convocação de um ou de outro jogador para a seleção masculina, mas nem conhece quem irá para a seleção feminina, nem muito menos onde cada menina joga? Sem falar no tempo e no espaço dedicados ao futebol feminino e masculino na mídia impressa e televisiva.Não dá para determinar se as discrepâncias entre o futebol feminino e masculino em nosso país são causa ou consequência de fenômenos sócio-econômico-culturais, mas penso que se houvesse algum tipo de ajuste, poderíamos ter efeitos positivos, completamente diferentes do atual.
A figura abaixo representa um círculo vicioso que explica, em parte, os problemas enfrentados pelo futebol feminino.
Não pretendo inventar outra modalidade ou alterar o pensamento e o comportamento da maioria da população, mas talvez se tivéssemos gols, tamanho de campo e o número de jogadoras adaptados de tal modo que deixassem o jogo mais atrativo, ou até mesmo ter incentivo das federações e a obrigação dos clubes em formar e manter o futebol feminino, poderíamos inverter o quadro atual do futebol feminino e quem sabe um dia até ter a atenção da população repartida de forma equânime para homens e mulheres.
Tal mudança provocaria uma série de oportunidades de negócios, geração de mais empregos, alavancagem econômica de clubes e atletas e ao invés do circulo vicioso, poderíamos gerar um ciclo virtuoso.
Sei que esse pensamento pode até ser utópico, mas que seria legal ver jogadoras fazendo propagandas de produtos, valendo os mesmos milhões que os atletas masculinos e provocando as mesmas discussões e brincadeiras de torcedores apaixonados pelos seus times nas versões femininas, ah, isso seria...
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