Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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segunda-feira, julho 11, 2011

Arenas brasileiras: um desafio para seus gestores

Planejar e executar a comunicação com a torcida é um grande desafio para os administradores das futuras arenas
Matheus Braga

Maquete da nova Arena Castelão, em Fortaleza

Nos últimos meses, temos visto muitas notícias sobre os estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. As notícias, em sua grande maioria, tratam sobre a construção dos estádios. Licitação, atraso nas entregas, valores acima do estipulado pela comissão brasileira em 2007 (quando ganhou o direito de ser sede), são os principais assuntos que vemos reproduzidos na mídia.

Mas, por ora, não vemos os jornalistas, torcedores, dirigentes de clubes, governo e administradores das arenas, preocupados com uma situação: a comunicação com o torcedor.

Especificaremos mais. No Brasil, nenhum estádio está apto para ser sede da Copa, por isso, os que serão, passam por reforma. Os outros continuarão antigos e com os problemas já conhecidos pelos torcedores brasileiros. Mas então, como será essa "transição de ambiente" entre um estádio antigo e o outro novo? O que quer dizer "transição de ambiente"?

Vamos exemplificar usando o Pacaembu e a Arena Palestra Italia. Imagine um torcedor que em certo domingo vai ao tradicional estádio municipal, que possui alguns banheiros químicos pela falta de sanitários comuns disponíveis, nenhuma higiene, torcedores urinando no chão em dias de clássico, nenhuma orientação dentro do seu espaço, nenhum lugar disponível para se alimentar, sem cadeiras visivelmente demarcadas, e no outro domingo esse mesmo torcedor vai a um estádio novo, com vários banheiros disponíveis e novos, opções para comer, cadeiras novas, tendo o direito de sentar no lugar comprado, etc.

Há uma grande diferença de ambiente. Utilizamos a Arena Palestra Italia como exemplo, pois está sendo construída com investimento privado, logo, a WTorre*, construtora do estádio, irá administrá-lo e desejará obter receita oriunda do mesmo. Dessa forma, é necessário se preocupar com esse "choque de ambiente". Mas estão se preocupando? Quais são as ações que estão tomando hoje para que o torcedor saiba qual será a diferença entre os estádios?

Vale lembrar que a grande maioria dos torcedores não sabe como é um estádio de primeiro mundo, moderno. Os gestores devem planejar uma comunicação com os torcedores o quanto antes, se possível. Sabemos o quão difícil é mudar a cultura dos povos. No Brasil, não temos o costume de sentar no lugar demarcado no ingresso, por exemplo, até porque é algo novo para nós, mas com a Copa, isso será obrigatório durante os jogos.

Os torcedores brasileiros não estão acostumados com isso. Não podemos deixar essa responsabilidade apenas nas mãos dos orientadores dentro do estádio nos dias de jogos. A comunicação deve partir dos organizadores, administradores dos estádios, pois utilizaremos os estádios após a Copa.

As pessoas tomam atitudes diferentes em lugares diferentes. Temos exemplos externos ao futebol. O Metrô de São Paulo é bem mais limpo e conservado do que os trens da CPTM. As administrações são diferentes, mas os serviços prestados são os mesmos. Atualmente, o Metrô faz uma comunicação com os seus usuários, tentando conscientizá-los de que a higiene e a conservação dos trens também dependem dos mesmos, com cartazes dentro dos vagões e com o condutor do trem falando ao microfone. É uma ação que visa uma melhora e que só saberemos o resultado depois de um tempo. Mas a tentativa é extremamente válida.

No futebol, caso não seja feita nenhuma ação de instrução pré-Copa com os brasileiros, como será o pós-Copa? Voltaremos a utilizar os estádios como utilizávamos antes? Depois de um ou dois anos, com banheiros sujos e pixados? Os estádios novos ficarão velhos em quanto tempo? E o legado que o governo brasileiro tanto menciona que teremos por sediar a Copa do Mundo?

A internet está cada vez mais presente em nosso cotidiano. Poderíamos usá-la fazendo vídeos comunicativos, mostrando como serão as Arenas, quais suas possíveis particularidades, entre outras coisas.

É com isso que precisamos nos preocupar. É muito difícil mudar uma cultura, ainda mais em pouco tempo. Por isso, governo e administradores dos estádios privados precisam agir o quanto antes, para que possamos não apenas realizarmos um grande evento, como é a Copa do Mundo de futebol, mas também deixar um legado verdadeiro e positivo para nosso país e para a modalidade brasileira.

*Tentamos contato com o WTorre para consultar se planeja alguma ação de comunicação, porém, não tivemos resposta.

Contato: http://www.twitter.com/@_mbraga

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Trevisan terá seminário sobre incentivos fiscais no esporte

Ideia é falar sobre os diferentes mecanismos existentes, as entidades proponentes, dados sobre quem pode doar e qual é o potencial de captação de cada regulamento

A Trevisan Escola de Negócios vai realizar em São Paulo, entre os dias 15 e 16 de julho deste ano, um seminário sobre incentivos fiscais no esporte. O evento terá palestras dos advogados Heraldo Panhoca, Juliana Paula Simões e Cristiano Caús.

O seminário “Lei Estadual e Federal de Incentivo Fiscal ao Desporto” é voltado para profissionais de todas as áreas que se relacionam com a atividade física profissional.
A ideia é falar sobre os diferentes mecanismos existentes, as entidades proponentes, dados sobre quem pode doar e qual é o potencial de captação de cada regulamento.

As inscrições estão abertas, as vagas são limitadas e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3138-5200 ou pelo e-mail edexecutiva@trevisan.edu.br.

Fonte: Máquina do Esporte / Por: Equipe Universidade do Futebol

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sexta-feira, julho 01, 2011

Gustavo Delbin, advogado especialista em direito desportivo

Diretor do IBDD analisa alteração na Lei Pelé e reflete sobre Fair Play Financeiro e momento do país
Equipe Universidade do Futebol

Recentemente, as mudanças na Lei Pelé, por intermédio da Lei 12.395/11, renderam um debate no meio acadêmico-esportivo. Tal processo ligado a diversos dispositivos que estavam mantidos ao longo destes 13 anos era necessário e a legislação moderna deve passar a viabilizar o desenvolvimento dos esportes, principalmente do futebol, no país. É o que pensa Gustavo Delbin.

Advogado da Aidar SBZ Advogados, especialista em Direito Desportivo, Coordenador Regional da ESA/SP (Escola Superior de Advocacia) e Diretor do IBDD (Instituto Brasileiro de Direito Desportivo), ele entende que a atualização resultará em mais proteção aos clubes formadores. Além disso, haverá a criação do mecanismo de solidariedade nacional para prever pagamento de valores a essas agremiações em todas as transferências, como já existia para os negócios internacionais nas normas da Fifa.

Outro ponto de destaque positivo na ótica do coordenador e professor do curso de pós-graduação em Direito Desportivo na parceria IBDD/Unilearn é o aperfeiçoamento da parte trabalhista da lei, em seu artigo 28 e seguintes, com a instituição das cláusulas indenizatórias e compensatórias desportivas, a regularização dos direitos dos atletas e a previsão de situações específicas dos contratos especiais entre clubes e atletas.

“Não acredito que existam pontos negativos a serem destacados, mas um ponto que necessita de atenção especial no decreto regulamentador que será publicado em breve é a questão envolvendo as relações entre empresários, agentes e procuradores com atletas, sua interferência nos contratos com os clubes e na gestão da carreira de forma geral”, sinalizou o advogado.

Em se considerando que o futebol caminha ao passo da globalização, acorrentar o livre mercado com normas restritivas e proibitivas talvez seja uma forma de criar obstáculos à própria evolução do desporto. Delbin entende que não se devem medir esforços para evitar que talentos se transfiram muito cedo para países estrangeiros, entretanto, a realidade é muito difícil e por vezes foge de um possível controle.

“Um fator relevante e determinante é que não se pode evitar que um trabalhador (atleta) queira se transferir para outro empregador (clube) sendo mais bem remunerado. Trata-se de liberdade de trabalho”, indicou. “Não há como proibir que o atleta deixe o país buscando melhores condições de trabalho e remuneração. O importante é criar mecanismos para que o Brasil assuma definitivamente sua qualidade de excelente formador de mão de obra qualificada no futebol”.

As ideias para criar esse “ciclo virtuoso”, em que todos os envolvidos possam ganhar de forma equânime e justa, bem como reflexões de Delbin a respeito do Fair Play Financeiro e do momento propício para o Direito Desportivo com a organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 estão nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol. Confira!



Na obra, entendimento de que a Justiça Desportiva deve regular relações atinentes ao desporto, sua disciplina e suas competições, em conformidade com o direito desportivo
 

Universidade do Futebol – A Lei Pelé já completou uma década e passou por algumas atualizações. De maneira geral, você acredita que a legislação brasileira favoreça a gestão de um clube de futebol? Em sua opinião quais os pontos positivos e negativos a serem ressaltados nesta atualização?

Gustavo Delbin – Acredito que a gestão de um clube de futebol é muito cara e trabalhosa, independentemente da legislação. A legislação desportiva brasileira, na minha opinião, é moderna e atualizada, para isso é evidente que deve ser constantemente alterada para acompanhar a velocidade do esporte e a necessidade do mercado e de seus negócios, que são grandiosos.

Com relação à Lei Pelé isso não é diferente. Ela passou por grandes e necessárias alterações ao longo destes seus 13 anos e hoje se trata de lei moderna que viabiliza o desenvolvimento dos esportes, principalmente do futebol, no país.

Os pontos positivos das mudanças na Lei Pelé para mim são a proteção aos clubes formadores; a criação do mecanismo de solidariedade nacional para prever pagamento de valores aos clubes formadores em todas as transferências entre clubes, como já existia para as transferências internacionais nas normas da Fifa; e também o aperfeiçoamento da parte trabalhista da lei, em seu artigo 28 e seguintes, com a instituição das cláusulas indenizatórias e compensatórias desportivas, com a regularização dos direitos dos atletas e a previsão de situações específicas dos contratos especiais entre clubes e atletas.

Não acredito que existam pontos negativos a serem destacados, mas um ponto que necessita de atenção especial no decreto regulamentador que será publicado em breve é a questão envolvendo as relações entre empresários, agentes e procuradores com atletas, sua interferência nos contratos com os clubes e na gestão da carreira de forma geral.

Por fim, acredito que é importante que a lei seja clara, evitando interpretações dúbias. A lei tem que se adaptar e se modernizar constantemente visando diminuir as discussões jurídicas que dela possam surgir. Neste aspecto destaco, por fim, as mudanças com relação ao direito de imagem, ao direito de arena, das horas extraordinárias na concentração, da aplicação da CLT em determinados pontos que eram constantemente discutidos no judiciário brasileiro, sempre sujeitas a diferentes interpretações e decisões nem sempre coerentes.

 

Primeiras impressões a respeito das alterações na Lei Pelé 


Universidade do Futebol – Ainda sobre a Lei Pelé, o art. 27-C do Projeto de Lei nº 5186 determina que os contratos só serão válidos se firmados com agentes credenciados. Essa redação veda a atuação de advogados e parentes dos atletas, antes autorizados a representar os atletas? Qual a sua avaliação sobre isso?

Gustavo Delbin – Na minha opinião, este é exatamente um ponto que deve ser discutido e previsto no Decreto regulamentador da Lei. A redação do artigo pode gerar discussão, portanto, no Decreto seria importante esclarecer seu alcance.

Outra importante constatação é que a legislação estabelece um rol de possibilidades em seus incisos que delimitam a participação dos agentes.

Por fim, cumpre informar que não se pode proibir a atuação de advogados e parentes porque seria contrário ao que já está previsto nas normas da Fifa (Regulations Player’s Agents, article 4) e na própria legislação brasileira (Código Civil e a Lei nº 8.906/94, o Estatuto da Advocacia). Se isso não for tratado e esclarecido no Decreto, viveremos um período de insegurança jurídica, com direito a longas disputas no judiciário brasileiro e, talvez, até na Fifa e no TAS.

 

Um peso e duas medidas


 

Universidade do Futebol – Quais mecanismos devem ser criados para assegurar mais direitos aos clubes formadores brasileiros e aos próprios atletas, transferidos cada vez mais cedo para países estrangeiros? A CBF está inserida nesse contexto e falha na administração política do esporte?

Gustavo Delbin – Não se devem medir esforços para evitar que talentos se transfiram muito cedo para países estrangeiros, entretanto, a realidade é muito difícil e por vezes foge de um possível controle. Um fator relevante e determinante é que não se pode evitar que um trabalhador (atleta) queira se transferir para outro empregador (clube) sendo mais bem remunerado. Trata-se de liberdade de trabalho.

Pensando como atleta, ou melhor, advogando para o atleta, nesta questão, é fácil defender seus interesses neste sentido. O que deve ser alterado e protegido – vez que dificilmente os clubes brasileiros poderão medir forças com os clubes estrangeiros, pelo menos por enquanto – é que os clubes formadores devem ser protegidos, indenizados, recompensados pelos gastos que tiveram na educação e preparo deste atleta.

Na minha opinião, não há como proibir que o atleta deixe o país buscando melhores condições de trabalho e remuneração. Repito: o importante é criar mecanismos para que o Brasil assuma definitivamente sua qualidade de excelente formador de mão de obra qualificada no futebol – o clube forma, o clube recebe, o clube continua formando e recebendo, criando um ciclo virtuoso em que todos os envolvidos possam ganhar de forma equânime e justa.

Universidade do Futebol – Em janeiro deste ano, em Dubai, foi realizada uma conferência que discutiu a inclusão de um novo conceito regulador da atividade dos “intermediários”, o qual passaria a substituir a atividade capitaneada pelos “agentes licenciados”. De maneira pontual, o que isso representaria?

Gustavo Delbin – Na minha opinião, significa uma necessária regularização e maior fiscalização da função, direitos e deveres dos “intermediários” que trabalham com o futebol. Costumo dizer que o que se regulamenta fica melhor; as leis e normas não devem criar dúvidas, mas sim estabelecer soluções para o cotidiano e o mercado.

Se o novo conceito vier para solucionar os problemas existentes entre clubes, intermediários – agentes, procuradores e empresários – e atletas, isso deve ser muito bem recebido pelas comunidades esportiva e jurídica de maneira geral.

 

A morte dos “direitos econômicos” no futebol 
 

 

Universidade do Futebol – De maneira geral, como você analisa os departamentos jurídicos dos clubes brasileiros? Eles estão realmente preparados para as responsabilidades para as quais são designados?

Gustavo Delbin – A grande maioria dos clubes que conheço e com quem tenho relacionamentos pessoais ou profissionais tem departamentos jurídicos muito bem preparados. Outros contratam escritórios capazes para atender às demandas desportivas.

Acredito que entre nas funções técnicas existentes dentro dos clubes – obviamente fora do aspecto estritamente esportivo – e as que mais se destacam atualmente, para mim, são os departamentos jurídicos e médicos.

Tais profissionais têm buscado a cada dia se especializar e estudar mais, preparando-se para oferecer soluções capazes, com o diferencial da criatividade inerente aos brasileiros, para atender as demandas com precisão e rapidez. Cumpre destacar também, sob pena de se cometer uma terrível injustiça, as áreas de marketing, que se desenvolveram e se especializaram muito de alguns anos para cá, em clubes grandes e médios.

Universidade do Futebol – O Fair Play Financeiro da Uefa, de alguma maneira, já se reflete no Brasil?

Gustavo Delbin – Entendo que ainda não. Temos que melhorar muito neste ponto. O Fair Play Financeiro deveria atingir a todos, e os clubes terão que se adequar a uma regra básica e bem simples sob o ponto de vista de gestão: não gastar mais do que arrecada.

Certamente um controle mais rígido sobre as finanças dos times resultará em um crescimento sustentado, por meio da disciplina orçamentária, controlando-se de maneira profissional e transparente os gastos e as receitas. Acredito que poderemos sentir uma revisão nos aspectos financeiros dos clubes de futebol.

Repito: gasta-se muito no futebol e um possível reflexo deste conceito é que os clubes da Uefa poderão controlar melhor seus gastos, fazendo menos contratações milionárias, nivelando o mercado e possibilitando um equilíbrio que favorecerá o mercado mundial de futebol.




Fair Play para a gestão do futebol
 

Universidade do Futebol – Quais as principais medidas de caráter estrutural que você julga fundamentais para o avanço da legislação desportiva brasileira? Pela importância e tradição, não deveríamos ter uma legislação que contemplasse unicamente o futebol?

Gustavo Delbin – Este é um ponto discutido constantemente no meio técnico, acadêmico e legislativo brasileiro. O futebol é o maior esporte de nosso país, sem dúvida. Neste aspecto, tudo que se relaciona com o futebol tem maior importância. Entretanto, não creio que se deva tratar o futebol de forma diferente, pelo contrário, acredito que devamos utilizá-lo para alavancar as demais modalidades.

O esporte brasileiro não pode se limitar ao futebol. Devemos abraçar a condição de celeiro olímpico valorizando todas as outras modalidades. E o vôlei é o maior exemplo do sucesso do planejamento esportivo que temos, com as leis que já existem.

Não é a criação de leis que determina o sucesso de determinada área, mas sim a aplicação das melhores técnicas de administração, de marketing, de gestão, com profissionais capacitados e dirigentes atuantes, bem intencionados. Acredito no Brasil como formador de mão de obra esportiva, como celeiro de atletas e de profissionais do esporte. Se tivermos leis especiais individualizadas, que tenhamos para cada uma das modalidades, igualmente importantes e lucrativas, desde que bem geridas.



 Esporte brasileiro não pode se limitar ao futebol, crê Delbin, que cita o modelo do vôlei como um exemplar de gestão

 

Universidade do Futebol – Como profissional que atua no âmbito esportivo, quais as perspectivas que você vislumbra para o mercado com a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos de 2016 em se considerando o direito desportivo?

Gustavo Delbin – Acredito que o direito desportivo seja a bola da vez. Os maiores eventos esportivos do mundo acontecerão em nosso país e para tudo – todos os contratos e negociações – a participação de pelo menos dois bons advogados – um de cada lado da relação – capacitados, atualizados, preparados, é mais do que essencial.

Se pensarmos em todos os negócios que são desenvolvidos nestes grandes eventos, não existe medida para as excelentes perspectivas para a nossa atuação.

Universidade do Futebol – Em complemento à pergunta anterior, como você vislumbra a participação do IBDD no âmbito do mercado esportivo, em se considerando o período até a Copa de 2014 e os Jogos de 2016, e como meio de capacitação para os interessados em ingressar na área do direito desportivo?

Gustavo Delbin – Cabe ao IBDD continuar desenvolvendo o direito desportivo em nosso país. Já formamos nove turmas de pós-graduação em Direito Desportivo e editamos 19 volumes da Revista Brasileira de Direito Desportivo. Continuaremos fazendo isso e realizando mais cursos e eventos.

É difícil falar em números exatos, mas acredito que oito de cada 10 cursos e palestras de direito desportivo realizados no país têm a participação direta de professores e palestrantes formados pelo IBDD.

Nossa próxima turma de pós-graduação em direito desportivo terá a parceria e coordenação conjunta com o Complexo Educacional Damásio de Jesus e a Federação Paulista de Futebol, com início em agosto de 2011.

Com relação à revista, contamos atualmente com a parceria editorial da Ed. Revista dos Tribunais e nosso 19º volume encontra-se no prelo. Os interessados em assinar a publicação devem buscar mais informações diretamente com a Editora RT.

Para aqueles que desejarem publicar seus artigos doutrinários, trabalhos técnicos, peças de direito desportivo em nosso próximo número devem encaminhá-los para secretaria@ibdd.com.br até 30 de outubro.

Por fim, realizaremos também este ano nossa primeira visita técnica internacional. O evento será realizado no Chile, nas cidades de Santiago e Valparaíso, entre os dias 12 e 18 de novembro. A programação consiste em visitas técnicas ao Comitê Olímpico Chileno e entidades profissionais de esporte (a definir entre Colo-Colo, Universidad de Chile, Audax Italiano e Unión Española) e conferências sobre ordenamento jurídico desportivo no Chile.

A ideia é realizarmos um evento internacional por ano, até a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. A programação completa de nossos eventos pode ser encontrada no site www.ibdd.com.br.



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terça-feira, junho 28, 2011

Desafios para o profissional do futebol: transformar dados em resultado

É preciso capacitar e tornar aptos os profissionais para transformar os dados em conhecimento e intervenção

IVIA estréia no Campeonato de Futebol da Tecnologia da InformaçãoNa última segunda-feira, no portal Terra, uma notícia estava em destaque. Não era relacionada ao futebol, mas seu teor é de suma importância para aqueles que trabalham envolvidos com os centros de inteligência e informação desportiva.

Embora ainda seja um termo relativamente estranho ao futebol, tais centrais, às vezes, chamadas de “datacenter”, têm começado a brotar em alguns clubes brasileiros, conforme já comentamos na coluna do dia 14 de junho (Ao superar barreiras tecnológicas, é necessário definir rumos).

A notícia com o título “Volume de informação e disponibilidade são desafios de TI” trata da dificuldade que o universo tecnológico enfrenta com o excesso de dados que ele mesmo produz. É como se a tecnologia aplicada para gerar dados possa em pouco tempo entrar em colapso, tamanha a sua capacidade de captação de dados sem que seja acompanhada por uma eficaz utilização e conhecimento prático desses. Em síntese, a afirmação de Mark Beyer, vice-presidente da empresa de consultoria que faz o alerta, explica bem esse paradoxo:

“Os lideres de TI devem educar as empresas para ter certeza do grau de controle e de que o montante de dados não se tornem caos”.

Essa preocupação deve estar presente no futebol através dos profissionais que estão inserindo os recursos tecnológicos no seu cotidiano. Não basta coletar dados, não basta armazená-los. É preciso interpretá-los, mas também não podemos encerrar nisso, criando apenas um armazenamento de interpretações de dados. É imprescindível transformá-los em conhecimento.

Nesse aspecto é que um termo da frase dita por Beyer ganha notoriedade: “educar”. É preciso educar, isto é, capacitar e tornar aptos e hábeis os profissionais na arte de transformar dados em conhecimento e intervenção, evitando assim excesso de dados desnecessários e não compreendidos que serão perdidos.

Enquanto na TI a preocupação é o que fazer com os dados, deveríamos no futebol nos focar além do que fazer com os dados naqueles que darão vazão e naqueles que transformarão dados em resultados através de sua metodologia de trabalho e intervenção.

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quinta-feira, junho 16, 2011

Corinthians ‘reproduz’ modelo digital do Chelsea e mira novas ações comunicativas em CT

Parceria com a Samsung ainda prevê utilização de TVs, monitores e tablets nas instalações internas
Bruno Camarão

Há aproximadamente 10 dias, o Corinthians deu um passo adiante no processo de modernização de sua comunicação visual. No Centro de Treinamento Doutor Joaquim Grava, espaço utilizado hoje pelo departamento de futebol principal do clube, foi instalada na sala de imprensa do local um video wall. Trata-se na realidade de um fruto da parceria alvinegra delineada no ano passado com a multinacional Samsung, patrocinadora do Chelsea, que deve ser ratificado em ações futuras.

O banner estático, utilizado ao fundo dos entrevistados para estampar os patrocinadores, foi substituído por 12 telas de 46 polegadas. Essa estrutura fora testada inicialmente no período em que a seleção brasileira se utilizou das dependências corintianas, para a preparação referente ao amistoso contra a Romênia, disputado no último dia 8 – o evento marcou a despedida de Ronaldo com a camisa amarela.

“Pouquíssimos clubes estrangeiros usam um video wall como backdrop. O próprio pessoal da Samsung nos passou algumas referências, e o Chelsea, como patrocinado por eles, são o principal parâmetro. Mas eles (ingleses) mesmos não usam backdrop digital”, revelou Thiago De Rose, gerente de TI do Corinthians.

Há alguns meses, todo o setor que ele comanda foi transferido para o CT, muito por conta da necessidade de manter uma integração cotidiana com a comissão técnica profissional. Ao selar a parceria tecnológica com a empresa de eletrônicos, o departamento teve a possibilidade dar um passo adiante na execução de um antigo projeto: a Comunicação Interna Digital.

Conforme revelou De Rose, em entrevista à Universidade do Futebol, o clube pretende substituir todos os quadros de aviso por TVs e tablets – uma oportunidade que se abre para a informação de situações básicas, como classificação e tabela do campeonato, até a programação semanal e relacionamento com patrocinadores.

“Agora, poderemos passar vídeos de gols do último jogo, por exemplo, além de um ganho infinito em termos de layout e dinâmica de atualizações. Com os tablets, podemos levar interatividade aos jogadores e à comissão. Eles poderão facilmente consultar estatísticas, assistir vídeos, notícias de outros times; enfim, as possibilidades são infinitas”, elencou.




Goleiro Renan é apresentado e confere entrevista coletiva com o novo "pano de fundo": parceria com Samsung deve render novos frutos para o clube

 

O Corinthians não teve custos para implementar o video wall. A relação com a Samsung, no caso, foge do tradicional patrocínio em que a visibilidade de marca é o carro chefe. A contrapartida são ações desenvolvidas junto ao marketing do Corinthians e alguns espaços para a empresa nas propriedades visuais, como comerciais na TV Corinthians, aplicação da marca em alguns locais específicos do CT, entre outros.

E quais seriam as principais vantagens e peculiaridades desse tipo de instalação? Na avaliação do gerente de TI, o pioneirismo corintiano e o fato de abrir um leque novo de possibilidades nesta questão de exposição da marca dos parceiros respondem de modo positivo a pergunta.

“Podemos sair do estático e passar para o dinâmico. Ainda temos que estudar muitas questões, mas o que vem logo à cabeça é fazer um ‘backdrop em movimento’, com as marcas mudando de posição durante uma entrevista, o que fatalmente vai atrair o olhar do espectador”, sinalizou De Rose.

Além disso, a equipe ligada à área comunicacional vê a chance de, por exemplo, exibir vídeos do atleta que irá conceder entrevista, estatísticas, e até incluir perguntas de torcedores em vídeo, enviadas via Facebook.

“É uma nova ferramenta que faz parte de toda nossa plataforma digital e ainda carece de muito estudo e testes para aproveitarmos todo seu potencial”, finalizou.

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segunda-feira, junho 13, 2011

A gestão de projetos e os grandes eventos esportivos no Brasil

Planejamento estratégico inclui o balanceamento das restrições conflitantes do projeto, como: escopo, qualidade, cronograma, orçamento, recursos e risco
Gustavo Lopes Pires de Souza*

O país se prepara para organizar dois dos maiores eventos do planeta: a Copa do Mundo Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão 2016. Prepara-se, ainda, para organizar a Copa das Confederações em 2013 e a Copa América em 2015.

O esporte tornou-se um grande negócio capaz de mobilizar multidões e de movimentar bilhões de dólares e, como toda empreitada, a capacitação é indispensável para o sucesso e a rentabilidade.

O peso do setor de eventos no Brasil assentou-se nos últimos anos, cujo papel significativo é comprovado pela 7ª. posição no ranking da ICCA (International Congress and Convention Assiciation) como o país que mais recebe eventos internacionais no mundo.

Neste esteio, o gerenciamento de projetos desponta como propulsor desta demanda, especialmente no que tange aos cumprimentos de todos os encargos e prazos estabelecidos por Fifa e COI.

Gerenciamento de projetos corresponde à aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender às suas demandas, sendo realizado por meio da integração dos processos de iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento, conforme dispõe o Project Management Institute¹ (PMI, 2008).

A aplicação de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas para atingir o objetivo do projeto é realizado por uma pessoa responsável, o gerente do projeto, que deve:

- Identificar as necessidades do projeto;
- Estabelecer objetivos claros e palpáveis;
- Atender às expectativas de todas as partes interessadas;
- Promover o devido estabelecimento entre qualidade, escopo, tempo e custo.

Esta última atribuição constitui a necessidade de se balancear três fatores conflitantes (tempo, custo e escopo ou qualidade) sendo o fator restante, a consequência do balanceamento. Portanto, se houver tempo, custo e escopo, a consequência será a qualidade do projeto. De outro giro, se houver tempo, custo e qualidade, a consequência será o escopo do projeto.

Dessa maneira, o gerenciamento de projetos inclui o balanceamento das restrições conflitantes do projeto, como: escopo, qualidade, cronograma, orçamento, recursos e risco.

A relação entre esses fatores faz com que se algum deles mudar, pelo menos um dos outros provavelmente será alterado, no que se denomina “teoria da tripla restrição” (Newell, 2002).

Projetos de sucesso são aqueles que entregam o produto ou serviço especificado dentro do escopo, prazo, orçamento e com qualidades e é justamente isto que se espera dos comitês organizadores da Copa do Mundo de 2014 e das Olímpiadas de 2016.

O profissional de gerenciamento de projetos é indispensável para fazer a coisa certa (eficácia) da forma certa (eficiência) buscando a efetividade por meio de um planejamento estratégico, ou seja, por um processo de mobilização para atingir o sucesso mediante um comportamento proativo, considerando o ambiente atual e o futuro objetivando:

- Produzir todas as entregas planejadas;
- Completar dentro do cronograma planejado;
- Executar dentro do orçamento aprovado;
- Entregar de acordo com todas as especificações funcionais, de performance e de qualidade;
- Alcançar todas as metas, objetivos e propósitos;
- Atingir todas as expectativas das partes interessadas.

Portanto, para o pleno sucesso das competições que o país irá organizar, é imprescindível a presença de um gerente de projetos – eis que estouros de orçamento, atraso na entrega de obras, produtos e/ou serviços correspondem a um projeto mal sucedido. O fato é que a cada dia há menos espaço para amadores na organização desportiva e neste momento o profissional qualificado torna-se uma necessidade.

Referências bibliográficas

SOUZA, Gustavo Lopes Pires de. “Estatuto do Torcedor: A evolução dos direitos do consumidor do esporte”. Alfstudio. Belo Horizonte: 2010

VERGARA, Sylvia Constant, Itamar Moreira, (coord). André Bittencourt Do Valle, Carlos Alberto Pereira Soares, José Finocchio Junior, Lincoln De Souza Firmino Da Silva. Fundamentos do gerenciamento de projetos.Editora FGV. Rio de Janeiro:2010


*Coordenador do Curso de Capacitação em Direito Desportivo da SAT Edicacional, Mestrando de Direito Desportivo pela Universidade de Lérida (Espanha) e Procurador do TJD/MG de Futebol Society.


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1 - Estabelecido em 1969 e sediado na Filadélfia (EUA), é uma das principais associações mundiais em gerencialemto de projetos e conta com mais de 420 mil associados e certificados em todo o mundo. O PMI edita o PMBOK (Project Management Body of Knowledge), guia que identifica o conjunto de conhecimentos em gerenciamento reconhecido como boa prática.

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Para dirigente, torcedor do Barueri é mais difícil que patrocinador

Desafio da nova direção, agora, é convencer de que a volta à cidade é definitiva

Grêmio Barueri 2009-CopaSP “Tenho dito que se tivesse dinheiro suficiente para comprar um clube de futebol e pudesse escolher entre 0  Ferroviário (ce) e o Grêmio (Barueri/Prudente/Barueri), não teria dúvida em escolher o ferroviário, por razões muito simples: tem torcida, tradição (história) e patrimônio.”  --  (Benê Lima)

O Grêmio Prudente nasceu, cresceu e se mudou para Presidente Prudente, deixando órfã uma cidade, uma jovem torcida e uma arena de pelo menos R$ 170 milhões. Um ano depois, o rebaixado filho retornou nos braços de um grupo de empresários que se responsabilizaram por reestruturar a equipe, tanto esportivamente quanto financeiramente.

Apesar dos valores não serem divulgados oficialmente, estima-se que cerca de R$ 20 milhões tenham sido gastos na operação, em uma soma que inclui o pagamento de dívidas do clube e uma compensação financeira para os antigos sócios. Isso, claro, além da taxa de R$ 800 mil para a Federação Paulista, dedicada a agremiações itinerantes.

Junto com o time, veio os profissionais, entre jogadores e comissão técnica, e nada mais. Uma possível torcida crescente ficou em Presidente Prudente, assim como todos os contratos de patrocínio que a agremiação mantinha. O desafio da nova direção, agora, é convencer de que a volta é definitiva.

Para o gestor de planejamento do clube, Marcos Boccatto, não existe nenhuma chance do clube se mudar novamente, algo acordado e assegurado pelo estatuto constituído, que só poderá ser modificado com ampla maioria dos votos. “Tem que ter meios de amarrar. Mas isso é fácil de provar, o complicado é convencer o torcedor de que é pra valer”, afirmou Boccatto.

A torcida, no entanto, já parece ter se acostumado com o retorno da equipe. Com promoções e ingressos coorporativos, 13 mil pessoas assistiram ao jogo de reestreia em casa, número considerável para um clube itinerante. Como comparação, o Americana, ex-Guaratinguetá, colocou apenas 54 pagantes em seu jogo de estreia na Série B, contra o Duque de Caxias.

Se o convencimento dos torcedores já é um processo em andamento, os parceiros não precisaram de tantos argumentos. “O patrocinador não é difícil. As empresas têm pensado muito mais no momento, e no momento nós disputamos a Série B em Barueri, sem dúvida”, retificou Boccatto.

Com o retorno, o Grêmio Barueri tem como patrocinador máster o BMG, um denominador cada vez mais comum entre clubes brasileiros. Além dele, a Lupo fornece material esportivo e a Marabraz entra como o segundo patrocinador. A camisa do time ainda ganhará mais algumas marcas: JT Automóveis, Della Via e Brascargo já fecharam com o clube paulista.

Fonte: Máquina do Esporte / Equipe Universidade do Futebol

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