Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, outubro 11, 2016

CBF veta jogos fora de estado de origem em reta final do BR e Flamengo se irrita

  • Pedro Ivo Almeida, Vinicius Castro e Rodrigo Mattos
    Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Jogadores do Palmeiras treinaram e enfrentaram o América-MG em Londrina na última rodada
    Jogadores do Palmeiras treinaram e enfrentaram o América-MG em Londrina na última rodada


A CBF não gostou dos recentes impasses em vendas e trocas de mando de campo no Campeonato Brasileiro. Para evitar mais problemas na reta decisiva da competição, a entidade proibiu que os clubes mandantes atuem fora de seus estados de origem nas últimas cinco rodadas das séries A e B.
A decisão foi tomada especialmente após os recentes imbróglios envolvendo Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG, os três primeiros colocados do Brasileiro e informada a clubes e federações nesta terça-feira (11).
Enquanto o Rubro-negro entrou em um impasse por tentar levar o clássico com o Fluminense para Manaus, o Palmeiras se envolveu em confusão com o Atlético-MG ao ver sua torcida lotar a arquibancada do estádio do Café, em Londrina, em jogo que não tinha o mando de campo contra o América-MG.
"Vou entrar com outro pedido, se alguém tem direito de comprar o mando que todos tenham. Se é para avacalhar, que todos possam fazer isso também", criticou o presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, incomodado com o rival mineiro não exercendo seu mando em um jogo contra o time que lidera a classificação.
Quem não gostou da decisão foi o Flamengo. Em rápido contato com a reportagem, o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, demonstrou a irritação dos cariocas. "É claro que nos sentimos prejudicados", disse. O Rubro-negro acredita que também poderia encarar o América-MG fora do Rio, contando com maioria nas arquibancadas, mesmo como visitante - como o Palmeiras.
A CBF informou que a determinação deverá passar a constar no regulamento geral de competições para 2017, mantendo a proibição de jogos fora do estado de origem nas cinco rodadas finais.
"Por ser um momento decisivo da competição, agimos para evitar, na reta final da competição, distorções técnicas na definição das posições cruciais, no topo e na parte de baixo da tabela. Na Série A, A decisão engloba as rodadas que, inclusive, ainda não tiveram a tabela desmembrada", comentou o diretor geral de competições da Confederação, Manoel Flores.
Confira o comunicado da CBF enviado a clubes e federações:
"Com o objetivo de preservar o equilíbrio técnico das competições e evitar qualquer tipo de favorecimento na reta final das disputas, a Diretoria de Competições determina que nas últimas cinco rodadas das Séries A e B não serão permitidas programações de partidas em outro estado que não seja o do clube mandante, exceto em situações de punição imposta pelo STJD ou no caso de não haver opção, dentro do próprio estado, que atenda às exigências do Regulamento Específico da Competição – REC e do Regulamento Geral das Competições – RGC. Para que estas exceções ocorram será necessária uma autorização expressa da DCO." 
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As três seleções do garoto Ignacio


Se você está aqui no site da Universidade do Futebol certamente se interessa por futebol, provavelmente está buscando uma oportunidade para trabalhar no esporte ou pode até já estar atuando em alguma de suas áreas. Sendo assim deve também saber que os clubes mais ricos e os grandes talentos estão, já há algum tempo, na Europa e possivelmente tenha na cabeça seus 20, 30 jogadores favoritos tendo a capacidade de, com pouco esforço, montar uma seleção com seus 11 do futebol do velho mundo. Ela seria parecida com uma destas três?

Seleção 1
Seleção 2
Seleção 3

Equipes de respeito, não? Tudo fica mais interessante quando se descobre que o selecionador desses três times foi um garotinho de 11 anos. O nome dele é Ignacio Barros Osborne, madrilenho e madridista. Uma criança que consegue conciliar a paixão pelos merengues e o necessário distanciamento para incluir alguns jogadores dos rivais Atlético e Barcelona na sua lista.
“Os melhores treinadores são aqueles que conseguem tirar o melhor de seus jogadores, quanto maior o nível deles mais difícil é fazer isso. Escolhi primeiro os técnicos, depois os jogadores pensando que poderiam variar do 4-4-2 para o 4-3-3 ou outras formações menos usuais” – IGNACIO BARROS OSBORNE
CONSTRUINDO A CULTURA DO FUTEBOL
O gosto de Ignacio pelo futebol começou a florescer quando o menino tinha apenas dois anos. Na época o garoto era sempre o último a ficar na escola por causa da rotina de trabalho dos pais e dava seus primeiros passes e chutes com o monitor do local. Em cada aniversário e Natal o pedido era o mesmo: chuteiras ou bolas de futebol.  O menino foi crescendo, começou a frequentar os treinos em um clube da região aos quatro anos, mas o interesse pelo esporte extrapolou a prática, Ignacio se interessava tanto, ou talvez mais, por falar sobre e assistir futebol do que por jogá-lo. 

Com um dos ídolos do rival na saída do campo do Rayo Majadahonda, onde Ignacio treina atualmente, vizinho do centro de treinamento do Atlético. O amor pelo futebol vem antes da rivalidade
Com um dos ídolos do rival na saída do campo do Rayo Majadahonda, onde Ignacio treina atualmente, vizinho do centro de treinamento do Atlético. O amor pelo futebol vem antes da rivalidade 

Desde cedo discute de igual para igual com torcedores adultos e com uma rica memória relembra em detalhes momentos que para muitos já foram esquecidos. Consumidor feroz do esporte acompanha com entusiasmo os jogos, as mesas de debates dos programas televisivos espanhóis e no videogame… mais futebol.
Conhecer um pouco da história de Ignacio e entender como ele desenvolveu seu interesse pelo futebol nos faz refletir.
O QUE É CONHECER O FUTEBOL?
inacio

Por conhecer os jogadores, suas características, funções, posições, dados de suas carreiras e como distribuí-los no campo, o pequeno madrilenho nos lembra de muitos jornalistas, tantos outros profissionais e mesmo aficionados que são verdadeiras enciclopédias e por isso viram referências, seja nas mesas de debate, ou nas rodas de amigos, como os grandes conhecedores de futebol. Não se afirma aqui que saber todas as escalações de todas as equipes da história é conhecer esse esporte em toda sua complexidade, longe disso. A questão é que esse é um dos aspectos do esporte que os conhecedores citados acima dominam e, Ignacio e tantas outras meninas e meninos espalhados pelo Brasil e pelo mundo também, uma faceta às vezes supervalorizada que não necessariamente significa um nível profundo de conhecimento de futebol, mas que para os pequenos torcedores pode ser um bom pontapé inicial. Uma base que representa uma rica oportunidade para o desenvolvimento de um saber mais complexo e profundo. O madrilenho representa uma geração cheia de informação que está chegando e que com os estímulos certos pode aprender a pensar o futebol além da linearidade.
Ignacio é a materialização do conceito da vocação, a ideia de que, devido à grande especialização de determinado setor, como o futebol em todas as suas áreas de atuação, não é possível, ou pelo menos muito difícil, ser bem sucedido profissionalmente sem uma grande paixão pelo que se faz. A paixão é despertada pelo entendimento do que dá sentido à vida, permitindo a inspiração. Suas seleções trazem essa mensagem, de que sem amor não há interesse e sem interesse não há a motivação para se buscar informações capazes de produzir o conhecimento, mesmo que em um pequeno aspecto dos vários que compõem o fenômeno futebol, como no exemplo aqui utilizado. Manter o mesmo espírito de uma criança apaixonada é um dos pré-requisitos para estar sempre em busca do melhor, da excelência na capacitação e prática, desafio para todos os integrantes da comunidade do futebol. Ao que parece, o pequeno madrilenho começa a trilhar esse caminho. 

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PRÓXIMOS PASSOS
Por seu interesse e por todo o terreno que Ignacio vem preparando com o amor que nutre pelo futebol, o garoto vai trilhando um interessante caminho para trabalhar em qualquer área desse esporte, basta que ele continue interessado, determinado e apaixonado, principais premissas do processo educacional de aprendizagem já que não se deve cobrar da criança a vontade dos pais, e que o ambiente a sua volta permita e incentive o desenvolvimento de sua visão crítica através de outros conhecimentos que façam com que ele seja futuramente capaz de contextualizar toda a informação que vem armazenando ao longo de sua infância. Esta talvez seja também a missão daqueles que acreditam na transformação do futebol pelo conhecimento e do potencial deste fenômeno esportivo e cultural como privilegiado instrumento de educação.

10 mandamentos que Tite pôs em prática para afastar clima ruim da era Dunga

  • Pedro Martins/MoWa Press
    Elenco escuta Tite durante treinamento da seleção brasileira na última semana
    Elenco escuta Tite durante treinamento da seleção brasileira na última semana
Quem já trabalhou com Tite anteriormente, em especial no Corinthians, tem uma certeza.
Uma parte do êxito do técnico vem do conhecimento de futebol, treinamentos e táticas, entre outros aspectos ligados às quatro linhas. A outra parte vem da capacidade que poucos treinadores possuem para gerir uma equipe de trabalho com mais de 30 pessoas entre atletas, comissão e funcionários. A chamada gestão de grupo é um dos pontos chave e já se percebe claramente após três jogos na seleção brasileira. 
O quarto, que poderá representar a quarta vitória do treinador, será nesta terça-feira diante da Venezuela, em Mérida, a partir das 21h30 (de Brasília). As diferenças têm sido notadas não somente dentro de campo, mas também fora. Se com Dunga o ambiente era de incerteza com jogadores e ruim com vários funcionários, Tite trouxe uma atmosfera nova que também contribui para o momento atual.
Veja os mandamentos dele na gestão de grupo:
1) Zerar desavenças passadas
Em dois anos no cargo, Dunga já não tinha relação boa com alguns jogadores convocáveis. Tite foi à Europa no início de seu trabalho para, entre outros motivos, tratar disso com Marcelo e Thiago Silva. O treinador costuma dizer que não herdou desavenças anteriores e que os atletas só serão avaliados por aquilo que fizerem sob seu comando. De volta, o lateral foi um dos protagonistas das vitórias sobre Equador e Colômbia em setembro. 
2) "Competir com lealdade"
Na sequência do processo acima, está o estímulo à competição entre os atletas. Tite acredita que ter jogadores importantes eventualmente no banco de reservas pressiona os titulares a jogar cada vez melhor - e vice-versa. O treinador é rígido, entretanto, no controle da disciplina na relação entre eles. Pede, como observou positivamente em Coutinho e Willian, que a competição se dê de forma amiga e leal.  
Nelson Almeida/AFP
Thiago Silva: no banco de Marquinhos
3) Ser claro, direto e coerente com os jogadores
Uma das virtudes apontadas por comandados de Tite é sua transparência na relação. Nas recentes trocas de Willian por Coutinho e de Giuliano por Paulinho, ele explicou as razões diretamente aos atletas. Outro aspecto referente a isso é o de que quem chega com o time montado, invariavelmente, começa pelo banco de reservas. Thiago Silva, capitão em Copa do Mundo, que o diga. 
4) Telefonar muito
Tite e toda sua comissão se mantêm em contato com os jogadores quando estão fora da seleção. Por um lado, a ideia é amenizar o pouco tempo que têm para trabalhar juntos e, dessa forma, enviar e trocar informações. Por outro, o treinador também estreita o contato pessoal. Ele ligou diretamente a atletas convocados pela primeira vez, como o lateral Wendell. Também não se furta a pedir informações, como ao procurar Willian para saber sobre Oscar, que se destacava novamente pelo Chelsea. 
5) Fazer todos acreditarem que são importantes

Disseminar esse conceito dentro do grupo de atletas é uma das obsessões do treinador, que tenta de tudo para manter os jogadores motivados. Se alguém pode estar cabisbaixo ou com poucas oportunidades, recebe um agrado, como Filipe Luís. Nos tempos de Corinthians, não foram poucas as vezes em que atletas desacreditados surgiram de forma importante repentinamente - no Brasileirão 2015, por exemplo, Rodriguinho pintou com gol decisivo sobre a Ponte Preta e Romero foi homem do jogo diante do São Paulo. 
6) Dar liberdade aos jogadores
Ao contrário de Dunga, não existe um código de conduta rígido para os atletas ou qualquer tipo de cartilha. Neymar, suspenso contra a Bolívia, foi liberado de viajar à Venezuela. Todo o elenco, depois da mesma partida na última quinta, foi liberado para descansar e aproveitar Natal até o jantar do dia seguinte. Se achar necessário, Tite protege os jogadores externamente e faz de tudo para evitar que informações internas referentes a uma eventual indisciplina cheguem à imprensa. 
Rafael Ribeiro/CBF
Taffarel é o preparador de goleiros da seleção brasileira
7) Dar autonomia para os auxiliares
Em entrevistas, Tite já disse que não quer 'cordeirinhos' como auxiliares. Matheus Bachi, Sylvinho, Fábio Mahseredjian, Taffarel e principalmente Cléber Xavier, seu braço direito, têm voz ativa e participam diretamente na tomada de decisões, embora a última palavra seja a do treinador. Toda a equipe de trabalho dentro ou em torno da comissão técnica é ouvida em um regime interno em que as responsabilidades costumam ser divididas. Com Dunga, havia queixas de maus tratos e dificuldade em assimilar o que era colocado por pessoas de outras áreas da entidade para ele. 
8) Deixar Edu Gaspar ser o para-raio
O coordenador da seleções, escolhido com a ajuda de Tite, tem cumprido o papel que dele se esperava. É quem liga a comissão técnica aos jogadores e à direção da CBF. Ele é quem apresentou demandas aos superiores como, por exemplo, a necessidade de fretar um avião para quem atua na Europa. Ou quem comunicou a Neymar e à imprensa que o jogador estava liberado da viagem à Venezuela. A ideia de ter Edu é poupar a área técnica de certos desgastes. 
9) Tratar bem a imprensa...
Em geral, Tite é elogiado por quem o acompanha pela forma simples e atenciosa como trata as pessoas. Esses princípios também são aplicados na relação com a imprensa, que é muito diferente dos tempos de Dunga. O treinador tem seu assessor de imprensa pessoal e tem atendido diferentes veículos de acordo com disponibilidade em sua agenda. É solícito e procura responder as perguntas, além de estar aberto a abordagens fora das protocolares entrevistas coletivas. 
10) ...e também Galvão Bueno
Não se pode minimizar o impacto que tem a voz oficial de todos os jogos da seleção brasileira. Galvão era contrário ao trabalho de Dunga, seja pela linha que adotava como pelo futebol jogado. Tite, por esses dois motivos, tem agradado ao narrador, que chegou a puxar palmas para ele em entrevista coletiva recente. Curiosamente, Tite antigamente não tinha boa impressão de Galvão e chegou a se irritar durante participação em um programa dele, em 2005. Na ocasião, se sentiu desrespeitado após um clássico com o Santos, conforme conta a jornalista Camila Mattoso na biografia do técnico.  
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segunda-feira, outubro 10, 2016

O futebol feminino tem evoluído em organização e número de competições

Futebol feminino e suas barreiras


CT da Tijuca Alimentos (Foto: Benê Lima)

O futebol no Brasil é considerado um esporte atrativo devido à característica de imprevisibilidade das
ações que estimulam a plasticidade de determinadas jogadas, sendo debatido pela sociedade através
de matérias feitas pela mídia que abordam com maior frequência o futebol masculino. Mas, e o
futebol feminino?
O status "país do futebol" não condiz com a realidade do futebol feminino que não está em evidência
na mídia possivelmente pela dinâmica de jogo não ser atraente para o público, além de não haver
boa organização e não ser sistematicamente desenvolvido, o que implica em poucos investimentos
por grandes empresas que possibilitem seu crescimento.
Porém, mesmo com a clareza desses problemas, a evolução da prática pelas mulheres ocorreu de
forma lenta, aumentando paulatinamente até o presente momento.
Fazendo um breve histórico do futebol feminino no Brasil, a primeira partida ocorreu em 1921 entre
as senhoritas tremembenses e as senhoritas catarinenses que foi considerada uma atração curiosa
e depois sendo apresentada como uma atração em circos, por ser algo diferente, que nunca foi visto
(CAPRARO; CHAVES, 2007).
Entre 1941 e 1975, havia uma lei que proibia a prática do futebol pelas mulheres e elas só puderam
praticar após 1981, ainda com restrições, pois não podiam se profissionalizar. Apenas em 1996 o
futebol feminino foi considerado como modalidade olímpica, que teve a participação da seleção
brasileira feminina e que conquistou o 4º lugar impulsionando o esporte no país.
Outras conquistas como Copa do Mundo de 1999 (3º lugar), 2007 (2º lugar), Olimpíadas de Sidney
2000 (4º lugar), Atenas 2004 (2º lugar), Pequim (2º lugar) e Pan Americano do Rio de Janeiro 2007
(1º lugar), Guadalajara 2011 (2º lugar) também foram de suma importância.
A falta de interesse dos investidores e da mídia dificulta o crescimento de praticantes nessa área,
segundo a CBF são 400 mil mulheres jogando futebol no Brasil. Em São Paulo, onde há o maior
número de praticantes, são apenas 206 federadas e somente 10% delas são profissionais. Nos
Estados Unidos, são 12 milhões de mulheres praticantes de futebol, número muito maior que o
do Brasil.
Neste contexto de nítida deficiência, a história mostra que para o crescimento do futebol feminino no
Brasil, necessitaria de mais investimento, maior interesse dos meios de comunicação, regulamentos
e incentivos que permitam os clubes acolherem a modalidade, além da valorização das praticantes
(MOREL; SALLES, 2005).
Na Europa há "Uefa’s Women’s Football Development Programme" (Programa de desenvolvimento
do futebol feminino) que foi criado para apoiar desenvolvimento do futebol feminino a curto e longo
prazo e baseia em três aspectos: imagem, base e governança. São 1,8 milhões de jogadoras
registradas e obtendo êxito no projeto piloto, em 2010. O projeto tem crescido de forma organizada
e tem financiado as mulheres de forma contínua.
O crescimento do futebol feminino no Brasil pode ocorrer através de incentivos disponibilizados pelas
federações e confederações e também com a criação de projetos que irão estimular a prática feminina
desde a categoria de base até a profissionalização não havendo declínio e ascensões dos times, e
havendo constantes renovações de atletas.
Um exemplo que foi citado e que merece destaque é o projeto da Uefa que tem surtido efeito e que
poderia ser adaptado ou servir como exemplo para ser introduzido no país. A mídia percebendo essa
diferenciação na dinâmica do futebol feminino, aliada a uma boa organização dos projetos e
competições se tornará segura em incluí-las em seus noticiários possibilitando a inserção dessa
modalidade na sociedade, auxiliando as mulheres a ultrapassar as barreiras que a impedem de
crescer.
Referências bibliográficas:
CAPRARO, A. M.; CHAVES, A. O Futebol feminino: uma história de luta pelo reconhecimento social.
Lecturas: Educación Física y Deportes. 12 2007.
MARTINS, L. T.; MORAES, L. O futebol feminino e sua inserção na mídia: a diferença que faz uma
medalha de prata. Pensar a Prática, v.10, n.1, p.69-82. 2007.
MOREL, M.; SALLES, J. Futebol feminino: Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro. 2005.

Comentários

  1. UNIFUT disse:
    Amigos, como uma pessoa do meio (do futebol feminino), embora num estado da Federação em que as coisas não são repercutidas com a mesma força de outras regiões, tenho uma visão um pouco mais positiva do quadro atual da modalidade. Creio que tivemos uns poucos ganhos mais gerais, enquanto outros foram pontuais. E exatamente por isso vejo a situação com mais otimismo.
    Aqui no estado do Ceará, temos uma competição aberta/adulto com periodicidade anual, mas nos beneficiamos também de três nacionais. A Copa do Brasil, o Brasileirão e o Sub-20 nacional do Ministério do Esporte.
    Conseguimos mais que dobrar o número de participantes do Campeonato Cearense de Futebol Feminino, além de termos promovido uma abertura do mesmo para filiados e não filiados à Federação Cearense de Futebol e à Liga Cearense da modalidade, desse modo propiciando a que escolas, faculdades, universidades e projetos sócio-desportivos possam participar da competição.
    Para o próximo ano, conseguimos construir um Calendário no qual passamos de uma para duas competições, sendo uma no primeiro semestre e a outra no segundo. A primeira delas é Sub-20, por ser a mais inclusiva das categorias, enquanto a outra é adulto/aberta, o que também possibilita a participação de meninas a partir de 14 anos.
    Ademais, hoje possuímos dois projetos-modelo, ambos com muita qualificação, tanto na formação e iniciação, quanto na oferta de benefícios assistenciais e educacionais para muitas das meninas. Temos a pretensão de que esses projetos sejam vistos pela CBF como núcleos de excelência, a fim de aquela entidade se deixe sensibilizar para o estabelecimento de parcerias.
    (…)
    Benê Lima, cronista esportivo, coordenador de futebol feminino da FCF, presidente da LCFF, membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará

A liderança ancorada na eficácia da comunicação

Por que a “ressurreição” da seleção brasileira é exemplo de comunicação

"Com estratégias simples de comunicação, porém, o treinador criou um ambiente em que o resultado não é a única variável que importa"
A seleção brasileira não é mais o time que Dunga comandava até meados deste ano. Em três jogos com o técnico Tite, o time nacional mudou de estilo, reencontrou as vitórias e subiu na classificação das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018 – até outro dia, a possibilidade de o país ficar fora do torneio pela primeira vez na história era extremamente factível. No entanto, o grande feito do novo treinador foi findar o divórcio que havia se estabelecido com o público: a reação da equipe canarinho também é um caso espetacular de comunicação.
Como jogador, Dunga simbolizou a geração que fracassou na Copa do Mundo de 1990. Foi massacrado durante anos e conseguiu redenção pessoal ao ser o capitão campeão de 1994, nos Estados Unidos. Aquela vitória ficou marcada essencialmente por dois aspectos: o pragmatismo da seleção brasileira e os palavrões que o volante proferiu ao erguer a taça.
A conquista era um projeto pessoal de Dunga em 1994. Parece bobo dizer isso num ambiente como o esporte, que se guia por vitórias e derrotas, mas o pragmatismo e a reação violenta são exemplos de quanto o capitão colocou o resultado acima do processo.
A consequência é que a geração de 1994 ficou muito subvalorizada. Até hoje, aquele elenco é conhecido como a seleção que “venceu só por causa do Romário” e como “o pior Brasil campeão”. O time que conquistou a taça é menos badalado em âmbito nacional, por exemplo, do que a geração que encantou e não foi campeã em 1982.
Dunga nunca escondeu incômodo sobre esse assunto. Nunca escondeu que as feridas de 1990 não se fecharam em 1994 e que a reação do público à conquista apenas intensificou o trauma. E isso permeou também as duas passagens dele como técnico da seleção brasileira.
Na trajetória até 2010, ainda que tenha colecionado mais resultados positivos do que negativos, a seleção de Dunga foi pragmática e em momento algum se preocupou com o que o público queria ver na equipe nacional. Foi isso também que o treinador tentou fazer para aplacar o fracasso do 7 a 1 de 2014, mas o discurso puído de orgulho nacional acima de tudo não colou na geração mais nova – nem entre os jogadores, nem com a torcida.
Aí entrou Tite, um treinador que apresentou de cara uma cartilha com tudo que o discurso de Dunga renegava. A começar pelo apoio: o técnico já passou por times grandes do país e tinha apoio de torcedores antes de ser contratado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) – Dunga, ao contrário, começou pela seleção brasileira.
Além disso, Tite não renegou. Não fala mal sequer do time de 1994. Em entrevista ao site “Globoesporte.com”, o treinador citou o time comandado por Carlos Alberto Parreira como um exemplo de organização e modelo de jogo. O discurso do treinador é sempre inclusivo, e isso faz enorme diferença.
O bom momento coletivo e o futebol que se aproxima mais do que o torcedor quer ver são importantes, é claro. Contudo, não são os únicos alicerces da reestruturação promovida por Tite. Depois de gestões da seleção em que a relação com o público era marcada por tensão e belicismo, como os períodos de Dunga, Felipão e até Mano Menezes, o novo comandante tem como marca um comportamento ameno, quase professoral.
A seleção brasileira de Tite pode não vencer todos os jogos. Pode não conquistar a Copa do Mundo de 2018. Com estratégias simples de comunicação, porém, o treinador criou um ambiente em que o resultado não é a única variável que importa. O público não se comporta apenas de acordo com “ganhou” ou “perdeu” se estiver diante de um caminho positivo e de um discurso claro, inclusivo e positivo.
As marcas de Tite já são evidentes nos primeiros jogos. É possível enxergar conceitos do treinador em aspectos como o posicionamento da seleção brasileira e até o comportamento de alguns jogadores. Mas se há algo em que ele se destaca e se mostra superior a qualquer outro brasileiro do segmento, esse quesito é a comunicação.

sexta-feira, outubro 07, 2016

Uma ideia do que é o Instituto UNIFUT, por Benê Lima

A criação do ‘Unifut-Social’ foi a boa nova da reunião ordinária desta sexta (7)

by UNIFUT
Com o quórum de 40% de seus membros de diretoria, a entidade se reúne para um balanço de suas atividades e do momento do futebol cearense e nacional
unifut-reuniao-outubro-001
Instituto Unifut segue surpreendendo por sua atuação inovadora e propositiva, sobretudo para uma entidade que tem como principal motivação, dar suporte à gestão do futebol no estado do Ceará, aceitando o desafio de repensar os variados segmentos da gestão, seja no âmbito das entidades de prática ou nas de administração do futebol.
Sem a pretensão de ter a última palavra, o Instituto pleiteia estar inserido nas discussões e no grande debate que deve permear o futebol. Afinal, em um mundo globalizado e de constantes e irremediáveis mudanças, acompanhar a dinâmica sócio-desportiva é tarefa insubstituível e inadiável.
Avaliação    
Tendo em vista a necessidade da adequação de seus membros de diretoria ao perfil de suas vice-presidências, a entidade promove algumas alterações em seu quadro diretivo. A presente composição da Executiva tem uma Presidência e 14 Vice-Presidências. Os cargos são pensados para atenderem a pertinência das necessidades do debate.
Estruturação e ampliação dos debates
A fim de dotar suas vice-presidências de vitalidade e prestígio, o UNIFUT foi estruturado de modo a conferir a cada uma delas uma substancial autonomia. A pro atividade é uma característica muito estimulada, com o objetivo de suprir a espaçada periodicidade dos contatos presenciais. Assim, a ideia de que cada vice-presidência crie o seu Grupo de Trabalho (GT) tem prosperado, estimulando-se a participação de contribuições de dentro e de fora do Instituto.
Outra característica da formação desses grupos é que eles sejam ecléticos e multidisciplinares. Além disso, busca-se sempre o equilíbrio entre o conhecimento técnico-científico e o empírico, evitando-se os extremismos, os antagonismos e a visão excludente.
Outro fator que matiza as ações dos integrantes do UNIFUT é a metodologia dos debates colocados, guiando-se pela prática parlamentar, com apartes e aparteadores disciplinados pela cortesia dos modos e pelo critério temporal, desse modo permitindo-se um maior e mais rico fluxo de exposição de ideias.
unifut-reuniao-outubro-005
O debate que mais queremos
As grandes dificuldades ao se debater provem da atitude extremada dos debatedores, que não aceitam ganhos proporcionais.
As pessoas admitem e como um novo mantra repetem que o futebol precisa de quem o repense, necessita de livres-pensadores, libertos a ponto de deixarem para trás tanto o sectarismo quanto os velhos dogmas.
Outro ponto que precisa ser superado antes que instauremos qualquer nível de debate é o das ideias preconcebidas, que tanto impede a aquisição de novos conhecimentos quanto se interpõe ao processo de transplantação e fusão das ideias, desse modo negando-se uma possível nova genealogia e/ou genotipia, ou mesmo ‘genetipia’ – se puder fazer uso do neologismo, fazendo referência a gene, mais do que à origem (geno).
A importância destas colocações está em caracterizar o que tem se processado nas discussões passadas no âmbito do Instituto UNIFUT, e neste ponto destacamos o maior diferencial do sucesso inicial do que se postula como debate. Seus integrantes caminham a largos passos para o entendimento de que as conquistas graduais precedem às de maior envergadura. Desse modo, eles exercitam as negociações, as concessões, a equanimidade dos direitos, o equilíbrio em suas posições, bem como o respeito como principal elemento para a mediação das suas diferenças. E é nessa ambiência didaticamente democrática que submetem suas ideias e propostas à apreciação dos parceiros, num clima de igualdade hierárquica e de inter cooperação. Eis um dos segredos do sucesso desses confrontos de ideias que, nem de longe, viram embates movidos por explosões da egolatria ou da idiossincrasia.
Outros fatores restritivos dos embates é a metodologia de abordagem dos temas, o modelo de condução das discussões e o encaminhamento do que vai sendo apresentado como solução ou alternativa resolvente. E no UNIFUT, esses fatores restritivos e complicadores são resolvidos sem maiores problemas.
O UNIFUT e o Futuro
Nas reuniões de caráter ordinário do Instituto, temas relevantes para a requalificação do PFC (Produto Futebol Cearense) já foram contemplados com uma abordagem inicial, e algumas propostas estão sendo consideradas pelos respectivos GTs (Grupos de Trabalho). No entanto, algo ainda mais importante foi considerado de modo estratégico. Trata-se da durabilidade do Instituto, que se pretende perene e para tanto buscará preencher as necessidades não só da comunidade esportiva, mas caminhando para assumir a oferta de serviços como na área educacional e de formação profissional, além de funcionar como câmara de mediação e arbitragem, a fim de dirimir dúvidas e de solucionar conflitos.
A sustentabilidade virá da interação social 
Nos próximos dias, entre as ações de natureza mais duradouras, está a que se sustenta em uma ação sócio-desportiva e assistencial de atendimento a um projeto social e esportivo, com a doação de coletes e bolas. Esta ação se somará a palestras que a darão suporte, a fim de que as pessoas beneficiadas conheçam e valorizem tais iniciativas. Portanto, cria-se desse modo o UNIFUT SOCIAL, um departamento do Instituto que visa a dar suporte, tanto quanto possível, a algumas ações meritórias com as quais nos identificamos.
Um fator relevante para a manutenção da identidade do Instituto é que suas ações jamais tenham cunho político-partidário, sob nenhuma hipótese.

quinta-feira, outubro 06, 2016

Por que os EUA e Alemanha são as seleções com maior sucesso no futebol feminino?

Uma reflexão sobre oportunidades, investimentos e igualdade de gênero no futebol Júlia Barreira, Flávia Martinelli Ferreira, Daniele Medeiros e Ana Lorena Marche
Equipe do FFC Turbine Potsdam líder do campeonato alemão 2011/2012 

No mês de agosto, durante os Jogos Olímpicos 2016, as quartas de final do futebol feminino disputadas entre as equipes do Brasil e da Austrália alcançaram o quarto lugar no ranking dos jogos mais assistidos durante o evento. Isto significa que o futebol feminino teve um grande número de telespectadores, sendo menos assistido apenas que as cerimônias de abertura e encerramento e a final olímpica de futebol masculino. Apesar deste número surpreendente de público, sabemos que o futebol feminino ainda enfrenta muitos desafios no cenário nacional e internacional. Com o intuito de sustentar a visibilidade do futebol feminino, no mês de outubro, a Universidade do Futebol realizará a publicação de colunas semanais sobre a modalidade por meio da ação “Outubro Rosa”. Realizaremos discussões sobre a organização atual do esporte, considerando seus aspectos internacionais e nacionais – tanto como esporte de rendimento ou como prática de lazer – questionando, principalmente, o espaço destinado às práticas esportivas das mulheres e as oportunidades ofertadas a elas.
Sabemos que ao longo da existência da modalidade houve um aumento substancial no número de praticantes. A primeira Copa do Mundo de futebol feminino, realizada no ano de 1991, teve a participação de apenas 12 times. O aumento das seleções que disputaram a competição, em 2015, chegando a 25, foi acompanhado por uma maior competitividade entre as equipes. Ao longo desses anos, apenas as seleções do Brasil, Japão, Alemanha, Noruega, Suécia e Estados Unidos participaram de todas as edições do campeonato. Os EUA e a Alemanha foram os times que obtiveram mais sucessos em todas as edições do campeonato e revezam o primeiro lugar do Ranking FIFA de Futebol Feminino desde sua criação em 2004. 
Flavia é a goleira do Columbia College e foi eleita a melhor da posição na liga universitária dos EUA (Foto: Divulgação/Columbia College)
Flavia é a goleira do Columbia College e foi eleita a melhor da posição na liga universitária dos EUA (Foto: Divulgação/Columbia College)

Podemos explicar o sucesso destas seleções pelas práticas esportivas recorrentes nestes países. Os EUA, por exemplo, são o país com maior número de jogadoras registradas, seguidos pela Alemanha. Atualmente, 91% das jogadoras de futebol feminino encontram-se registradas em confederações como a CONCACAF (Confederation of North, Central American and Caribbean Association Football) e UEFA (União das Federações Europeias de Futebol). Além disso, quase 80% de todo o investimento destinado à modalidade são direcionados a essas duas federações. Dos investimentos mencionados, é importante ressaltar que a maior parte é constituída de incentivos feitos pelos próprios governos.
Além dos números de participantes e dos investimentos destinados à modalidade, outros estudos mostram que o desempenho das seleções femininas está diretamente relacionado com o papel desempenhado pelas mulheres na sociedade. Vemos que quanto maior o número de possibilidades em âmbito educacional e no mundo do trabalho dados às mulheres, maior é o desempenho dos países em competições internacionais. Neste sentido, a busca por uma maior igualdade de gênero é um fator determinante para o sucesso e o desenvolvimento do futebol feminino.
Baseadas no exposto acima, podemos nos questionar: onde o Brasil se encontra nessa organização mundial do futebol feminino? Seriam as oportunidades dadas as mulheres brasileiras semelhantes às encontradas no cenário internacional apresentado? Quais as possibilidades de prática do futebol feminino existentes no Brasil?  Em nossa próxima coluna continuaremos a discussão sobre o futebol feminino, agora voltadas para o desenvolvimento da modalidade no nosso país. Não percam! 

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Sobre as Autoras
Júlia Barreira, mestranda em Biodinâmica do Movimento e Esporte pela Unicamp; Flávia Martinelli Ferreira, Doutoranda em Educação na UnB e professora na Prefeitura de Jundiaí-SP; Daniele Medeiros é Mestre em Educação pela Unicamp e professora na Prefeitura de Campinas-SP e Ana Lorena Marche, Doutora em Biodinâmica do Movimento e Esporte pela Unicamp. As autoras são colaboradoras na Universidade do Futebol.  
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