Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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terça-feira, outubro 11, 2016

10 mandamentos que Tite pôs em prática para afastar clima ruim da era Dunga

  • Pedro Martins/MoWa Press
    Elenco escuta Tite durante treinamento da seleção brasileira na última semana
    Elenco escuta Tite durante treinamento da seleção brasileira na última semana
Quem já trabalhou com Tite anteriormente, em especial no Corinthians, tem uma certeza.
Uma parte do êxito do técnico vem do conhecimento de futebol, treinamentos e táticas, entre outros aspectos ligados às quatro linhas. A outra parte vem da capacidade que poucos treinadores possuem para gerir uma equipe de trabalho com mais de 30 pessoas entre atletas, comissão e funcionários. A chamada gestão de grupo é um dos pontos chave e já se percebe claramente após três jogos na seleção brasileira. 
O quarto, que poderá representar a quarta vitória do treinador, será nesta terça-feira diante da Venezuela, em Mérida, a partir das 21h30 (de Brasília). As diferenças têm sido notadas não somente dentro de campo, mas também fora. Se com Dunga o ambiente era de incerteza com jogadores e ruim com vários funcionários, Tite trouxe uma atmosfera nova que também contribui para o momento atual.
Veja os mandamentos dele na gestão de grupo:
1) Zerar desavenças passadas
Em dois anos no cargo, Dunga já não tinha relação boa com alguns jogadores convocáveis. Tite foi à Europa no início de seu trabalho para, entre outros motivos, tratar disso com Marcelo e Thiago Silva. O treinador costuma dizer que não herdou desavenças anteriores e que os atletas só serão avaliados por aquilo que fizerem sob seu comando. De volta, o lateral foi um dos protagonistas das vitórias sobre Equador e Colômbia em setembro. 
2) "Competir com lealdade"
Na sequência do processo acima, está o estímulo à competição entre os atletas. Tite acredita que ter jogadores importantes eventualmente no banco de reservas pressiona os titulares a jogar cada vez melhor - e vice-versa. O treinador é rígido, entretanto, no controle da disciplina na relação entre eles. Pede, como observou positivamente em Coutinho e Willian, que a competição se dê de forma amiga e leal.  
Nelson Almeida/AFP
Thiago Silva: no banco de Marquinhos
3) Ser claro, direto e coerente com os jogadores
Uma das virtudes apontadas por comandados de Tite é sua transparência na relação. Nas recentes trocas de Willian por Coutinho e de Giuliano por Paulinho, ele explicou as razões diretamente aos atletas. Outro aspecto referente a isso é o de que quem chega com o time montado, invariavelmente, começa pelo banco de reservas. Thiago Silva, capitão em Copa do Mundo, que o diga. 
4) Telefonar muito
Tite e toda sua comissão se mantêm em contato com os jogadores quando estão fora da seleção. Por um lado, a ideia é amenizar o pouco tempo que têm para trabalhar juntos e, dessa forma, enviar e trocar informações. Por outro, o treinador também estreita o contato pessoal. Ele ligou diretamente a atletas convocados pela primeira vez, como o lateral Wendell. Também não se furta a pedir informações, como ao procurar Willian para saber sobre Oscar, que se destacava novamente pelo Chelsea. 
5) Fazer todos acreditarem que são importantes

Disseminar esse conceito dentro do grupo de atletas é uma das obsessões do treinador, que tenta de tudo para manter os jogadores motivados. Se alguém pode estar cabisbaixo ou com poucas oportunidades, recebe um agrado, como Filipe Luís. Nos tempos de Corinthians, não foram poucas as vezes em que atletas desacreditados surgiram de forma importante repentinamente - no Brasileirão 2015, por exemplo, Rodriguinho pintou com gol decisivo sobre a Ponte Preta e Romero foi homem do jogo diante do São Paulo. 
6) Dar liberdade aos jogadores
Ao contrário de Dunga, não existe um código de conduta rígido para os atletas ou qualquer tipo de cartilha. Neymar, suspenso contra a Bolívia, foi liberado de viajar à Venezuela. Todo o elenco, depois da mesma partida na última quinta, foi liberado para descansar e aproveitar Natal até o jantar do dia seguinte. Se achar necessário, Tite protege os jogadores externamente e faz de tudo para evitar que informações internas referentes a uma eventual indisciplina cheguem à imprensa. 
Rafael Ribeiro/CBF
Taffarel é o preparador de goleiros da seleção brasileira
7) Dar autonomia para os auxiliares
Em entrevistas, Tite já disse que não quer 'cordeirinhos' como auxiliares. Matheus Bachi, Sylvinho, Fábio Mahseredjian, Taffarel e principalmente Cléber Xavier, seu braço direito, têm voz ativa e participam diretamente na tomada de decisões, embora a última palavra seja a do treinador. Toda a equipe de trabalho dentro ou em torno da comissão técnica é ouvida em um regime interno em que as responsabilidades costumam ser divididas. Com Dunga, havia queixas de maus tratos e dificuldade em assimilar o que era colocado por pessoas de outras áreas da entidade para ele. 
8) Deixar Edu Gaspar ser o para-raio
O coordenador da seleções, escolhido com a ajuda de Tite, tem cumprido o papel que dele se esperava. É quem liga a comissão técnica aos jogadores e à direção da CBF. Ele é quem apresentou demandas aos superiores como, por exemplo, a necessidade de fretar um avião para quem atua na Europa. Ou quem comunicou a Neymar e à imprensa que o jogador estava liberado da viagem à Venezuela. A ideia de ter Edu é poupar a área técnica de certos desgastes. 
9) Tratar bem a imprensa...
Em geral, Tite é elogiado por quem o acompanha pela forma simples e atenciosa como trata as pessoas. Esses princípios também são aplicados na relação com a imprensa, que é muito diferente dos tempos de Dunga. O treinador tem seu assessor de imprensa pessoal e tem atendido diferentes veículos de acordo com disponibilidade em sua agenda. É solícito e procura responder as perguntas, além de estar aberto a abordagens fora das protocolares entrevistas coletivas. 
10) ...e também Galvão Bueno
Não se pode minimizar o impacto que tem a voz oficial de todos os jogos da seleção brasileira. Galvão era contrário ao trabalho de Dunga, seja pela linha que adotava como pelo futebol jogado. Tite, por esses dois motivos, tem agradado ao narrador, que chegou a puxar palmas para ele em entrevista coletiva recente. Curiosamente, Tite antigamente não tinha boa impressão de Galvão e chegou a se irritar durante participação em um programa dele, em 2005. Na ocasião, se sentiu desrespeitado após um clássico com o Santos, conforme conta a jornalista Camila Mattoso na biografia do técnico.  
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domingo, março 08, 2015

Futebol na Europa sofre com onda de violência

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

Para quem pensa que a violência dos torcedores é exclusividade brasileira e que a Europa estava livre desse flagelo, os últimos dez dias foram bastante reveladores.

O continente, marcado por episódios trágicos especialmente nos anos 1980, conseguiu amenizar a violência nos estádios com leis rígidas e rigor no cumprimento delas.

Mas acontecimentos recentes fizeram os sinais de alerta voltarem a se acender.

O episódio mais emblemático é o da Grécia. O governo do país suspendeu por tempo indeterminado o campeonato local devido à violência de torcedores do Panathinaikos no jogo contra o Olympiakos no domingo (22).

Enquanto isso, na França, apoiadores do inglês Chelsea impediram um homem negro de entrar no metrô de Paris em meio a cânticos racistas. Na Inglaterra, torcedores do West Ham entoaram cantos antissemitas ao Tottenham, clube de origem judaica.

A Itália não escapou. Roma viu fãs do Feyenoord (HOL) depredarem uma de suas praças mais importantes antes de jogo da Liga Europa.

"Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na Europa, e o futebol é reflexo de tudo isso", disse à Folha Piara Powar, diretor-executivo da rede de ONGs Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa, em tradução livre).

"A Grécia tem a crise econômica. Notamos ainda um aumento da intolerância com a tensão entre Rússia e Ucrânia e o crescimento da xenofobia contra os imigrantes."

A Fare trabalha em parceria com a Fifa em iniciativas de prevenção contra qualquer preconceito no futebol.

Os ultras, responsáveis por boa parte dos tumultos no Velho Continente, normalmente estão ligados a pensamentos da extrema direita, como o neonazismo. Ou seja, na Europa, preconceito e violência no futebol são partes de um só problema.

"Os jogos têm menos violência do que no passado. Mas esse comportamento ultrapassado de alguns europeus resiste e é uma ameaça ao ambiente familiar nos estádios", disse Powar.

Editoria de arte/Folhapress

'MEDO PESADO'

"A gente já vai para o clássico sabendo que o clima será de guerra. Mas, desta vez, foi demais. Quando pisamos no campo para o aquecimento, fomos recebidos com uma chuva de isqueiros e sinalizadores. Eles invadiram o gramado e, então, começou a briga. Tivemos que sair correndo. Deu um medo pesado."

O relato é do lateral direito brasileiro Leandro Salino, 29, que esteve em campo na derrota por 2 a 1 do seu Olympiakos para o Panathinaikos.

O episódio levou à terceira paralisação do campeonato local por conta de episódios de violência só nesta temporada -as outras pausas ocorreram devido a morte de um torcedor e a atentado contra um dos chefes da arbitragem.

Até a reunião da liga para discutir medidas para conter a violência terminou em briga. Um dirigente do Panathinaikos acusou o segurança do presidente do Olympiakos de agredi-lo com soco.
desejo de vingança

Na Holanda, a polícia de Roterdã, casa do Feyenoord, teme que torcedores da Roma aproveitem o jogo de volta do mata-mata da Liga Europa, nesta quinta (26), para se vingarem dos fãs holandeses.

Nos últimos dias, nas redes sociais, ultras do clube italiano têm falado em dar o troco aos torcedores rivais. 

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domingo, setembro 28, 2014

O gesto de Sheik e os negócios do esporte

Citação UF - GC 01Foto-composição: Benê Lima

Geraldo Campestrini / Universidade do Futebol

A frase de Emerson “Sheik” (https://www.youtube.com/watch?v=sjpB0-MVC1c) do Botafogo, após ter sido expulso do jogo contra o Bahia, em partida válida pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, tem gerado inúmeros debates. Ao que parece, agora a moda é ser insurgente ao poder. No futebol tupiniquim o “bacana” é vociferar contra a CBF. Está na moda.

Por vezes, ao ler/ouvir a imprensa ou mesmo em conversas informais, tem-se a clara certeza de que o prédio da CBF é formado por um grupo de pessoas que fica pensando em tudo, como se os jogos do Campeonato Brasileiro fossem totalmente manipulados, como máquinas, que respeitam o bel prazer da entidade máxima do futebol brasileiro. Às vezes, pela opinião pública em geral, deveria tender a acreditar que as pessoas ligadas a CBF têm 100% de aproveitamento na Loteria Esportiva, já que “fazem de tudo” para que o Clube A vença o Clube B e assim por diante, com resultados de competições totalmente fechadas.

Não que eu queira beatificar as pessoas ligadas a esta instituição. Longe disso. Bem longe!!! Mas o fato é que compreendemos muito mal o papel de cada entidade dentro do sistema. E isso inclui os atletas que o praticam. As lutas contra um poder são, mais das vezes, iniciadas de maneira positiva (pela causa) mas conduzidas posteriormente de forma equivocada, o que apenas reforça o poder institucionalizado.

Por seu turno, há uma cultura generalizada no Brasil de derrubada constante daqueles que supostamente dominam um sistema. Trata-se, a bem da verdade, de uma cultura autodestrutiva, em que os que estão na parte de baixo do sistema não analisam o mérito da causa ou enxergam a sua efetiva importância para iniciar um processo construtivo de mudança, que depende de todos.

Dentro deste imbróglio, fica claro que não compreendemos o sistema ao qual estamos inseridos. Ao falar que a “CBF É UMA VERGONHA”, estamos, na verdade, dizendo que todos os que fazem parte do Campeonato Brasileiro são uma vergonha. Sim, atletas, sem vocês não haveria campeonato. Ou apenas a entidade que governa o futebol que é uma vergonha? Tudo que está abaixo dela é o hors concours da idoneidade e eficiência?

Francamente. Enquanto não entendermos o negócio do futebol como um todo, sabendo o papel de cada indivíduo e de cada organismo pertencente ao sistema, vociferar palavras de ordem não resultam em nada. É como falar mal da própria empresa que trabalha: se não é possível modificá-la, vá para a concorrente.

O debate para a mudança deve ser construtivo e no foro qualificado para tal. Precisamos e podemos ser bem mais inteligentes do que mandar “recadinhos” no meio de jogos após uma expulsão...

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sexta-feira, agosto 29, 2014

Futebol começa a ganhar o cotidiano nos Estados Unidos

Presença em bares e lojas fica evidente em Nova York

Por Erich Beting - Nova York (EUA)

 

 

Fila de imigração no aeroporto JFK, em Nova York. O funcionário começa a rir quando eu digo que sou jornalista esportivo. E faz a piada: “deve ter sido difícil na Copa do Mundo, hein?”. Na hora em que lembramos dos 7 a 1, ele faz novo gracejo: “melhor agora é pensar no tênis”.

A brincadeira do funcionário da imigração é um indício de que o futebol parece estar mais presente no cotidiano americano. Depois, nas ruas de Nova York, mais uma vez o soccer dá o ar da graça. Numa loja de esporte, a Puma coloca, bem na entrada, as novas camisas do Arsenal. Numa outra, de brinquedos, é a vez do New York Red Bull, New York City FC e Major League Soccer estamparem artigos infantis logo na entrada dos três andares da loja.

A presença mais sólida do futebol no cotidiano americano tem, aos poucos, mudado a relação das pessoas com o esporte. Na porta dos bares, além do anúncio de transmissão de eventos tipicamente americanos, como beisebol, as partidas da Liga dos Campeões da Europa são destacadas. Da mesma forma, nas lojas de artigos esportivos, há um aumento da oferta de produtos ligados ao futebol.

Nova York será a primeira cidade a abrigar duas equipes na MLS, a liga de futebol. Em 2015, NYCFC, espécie de franquia do Manchester City, passará a disputar a competição. No ano passado, a MLS teve média de 18.600 torcedores por partida, a terceira maior entre as ligas esportivas americanas, atrás apenas do futebol americano e do beisebol.

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sábado, julho 20, 2013

Fim dos estaduais por quê?

Por Benê Lima

Benê - Cópia“Não existe uma solução global que seja cem por cento adaptável a problemas locais.”

 

Discutirmos O calendário do futebol brasileiro não é discutirmos UM Calendário para o futebol brasileiro, que contemple as diferenças estaduais, regionais, culturais e econômicas. Portanto, é importante sim discutirmos não só esta, mas outras questões de relevância que se relacionem com o maior ou menor sucesso do futebol. Contudo, é preciso que o debate não tenha como ponto de partida ideias preconcebidas, tidas como acabadas (prontas), sem sequer terem sido submetidas minimamente ao teste pragmático da verdade. 

No Brasil do futebol, vendemos aos torcedores mediocridade pelo preço de celebridade. Esse sofisma acaba por desgastar o produto futebol e não possui auto-sustentabilidade que possa manter o produto no topo da preferência do cliente-torcedor. 

 

 

As figuras abaixo simbolizam a visão dos torcedores destes clubes em relação à importância do Brasileirão

Náutico vê 02

 

 Corinthians vê 02

Não resta dúvida que é bom ver os torcedores buscarem esclarecimento. Porém, nossos clubes deveriam ter mais torcedores para curti-los e menos torcedores-gestores para criticá-los. 

O processo de globalização deve respeitar as vocações regionais, as peculiaridades locais e, sobretudo, as identidades culturais, sem o quê não deveria merecer de nós nenhum respeito. 

O pensador do futebol que desconsidera os aspectos antropológicos e sociológicos para a compreensão do mesmo, também estará na Idade da Pedra. Portanto, não vejo que precisemos ter um modelo único de gestão do futebol para todas as regiões do nosso país. Neste caso, entenda-se por modelo a concepção daquilo que pretendemos para formatação do produto futebol, do ponto de vista de suas competições. 

Do mesmo modo que os campeonatos estaduais são ditos moribundos, podemos assim rotular o Brasileirão, embora concorde que há exagero nisto. O mesmo pode ser dito sobre a Copa do Brasil, onde há equipes programando abdicarem de sua disputa. 

Todo os dias escutamos a imprensa discutindo a falta de motivação de clubes como o Corinthians em relação ao Brasileiro. Já pensaram sobre isto? A propósito, será que o Brasileirão, nossa maior competição e melhor produto futebolístico nacional, tem intrinsecamente o mesmo valor e motivação para Náutico e Corinthians? 

O que dizer da contra tendência que se ergue no futebol pernambucano, de ter seis arenas e um campeonato estadual com sessenta equipes? Não diria nem que estão certos nem que estão errados. Sugiro - isto sim - uma ampla e mais criteriosa discussão sobre o tema, levando em conta o que todo palestrante deveria fazer: considerar as questões de forma contextualizada. 

É mais comum do que se imagina, que as soluções para a casa de A não se apliquem a casa de B.

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quarta-feira, agosto 31, 2011

Conceito do fair play pode ser aplicado no ambiente de trabalho

Segundo especialistas, o conceito conhecido no meio esportivo deve ser seguido tanto pelas empresas como pelos profissionais

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No ambiente esportivo, a expressão fair play é conhecida tanto pelos atletas, como pelos fãs de esportes. O fair play pode ser entendido como espírito esportivo, que abrange, além da ética, o respeito às regras, ao adversário, ao colega, entre outros. Mas, fora dos campos, o conceito pode ser aplicado no ambiente de trabalho?

Para a professora de Inovação e Competitividade Empresarial da Veris Faculdades e consultora na área de ética profissional e empresarial, Vera Lúcia Baroni, é possível aplicar o fair play dentro das empresas. “O fair play pode ser entendido em dois níveis: o formal e o informal. O primeiro está relacionado ao cumprimento das regras e o segundo aos valores morais”, explica.

Segundo a especialista, em ambos os níveis, ele deve ser aplicado tanto no ambiente empresarial como no de trabalho. Ela acredita que tanto as empresas como os colaboradores devem seguir normas. As empresas devem agir conforme as regras estabelecidas pela sociedade, enquanto os trabalhadores devem agir orientados pelos empregadores.

O fair play inclui ainda valores éticos e morais. “O fair play também é ética e respeito. É possível ser aplicado pelo fortalecimento do espírito de equipe, pelo respeito ao próximo”, diz.

Metas e pressão
Muitas vezes, dentro das organizações, o fair play pode ser quebrado pela pressão em atingir metas e resultados positivos. “É a mesma pressão que existe no esporte. A pressão por resultado, a qualquer custo, pode levar ao desrespeito e à falta de ética”, acrescenta Vera.

iStockPhoto

 

A mesma opinião é compartilhada pelo Master Coach e autor do livro “A Reinvenção do Profissional - Tendências Comportamentais do Profissional do Futuro”, Alexandre Prates. Para o especialista, muitas vezes, isso ocorre porque as pessoas, em vez de pensar no resultado da empresa, pensam somente no resultado pessoal.

Prates acredita que a competição dentro das empresas é saudável, já que estimula o crescimento tanto dos profissionais, como da organização. Mas para que a competição seja positiva, é necessário que as empresas tenham o que ele chama de cooperação sustentável.

“A competição deve ser regida por valores. Sem determinação dos valores, da ética, o que prevalece é uma competição desonesta. Com a cooperação, o profissional pensa nos outros, compartilha as estratégias. Você ganha, mas o outro não pode perder. Se a empresa não ganhar, o resultado não vale absolutamente nada”.

Crítica
O especialista acrescenta ainda que quando os atletas não seguem o conceito de fair play no esporte, eles são altamente criticados, já nas empresas, quando isso ocorre, muitas vezes não tem consequência. Isso acontece porque, no esporte, o conceito está amplamente divulgado e é conhecido por todos, enquanto nas empresas, a situação é oposta.

“Nós vemos reuniões para discutir resultados e metas, mas não sobre valores. Muitos líderes preferem manter um profissional que não coopera, mas atinge resultado. Isso é bom em curto prazo, mas a longo prazo pode acabar com uma equipe”, ressalta.

Como implantar o fair play
Para Prates, é possível implantar o fair play de algumas maneiras dentro das organizações. A primeira é conceituando os valores por meio de palestras e treinamentos A segunda é por meio de conversas individuais, nas quais o líder trabalha o conceito diretamente com o profissional.

Já a terceira é por estratégias de remuneração, em que o colaborador só é premiado se o grupo conseguiu atingir a meta. Ele afirma ainda que o gestor exerce papel fundamental, já que ele é o modelo. "Não adianta falar e agir de maneira anti-ética com os pares, com os outros líderes”, finaliza.

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