Por: Manuel Sérgio
1. Não quero erguer-me nos bicos dos pés para estabelecer com qualquer outra pessoa um forçado confronto, de todo desnecessário e inútil, mas não me é possível esconder, ao fim de mais de 40 anos de estudo, de investigação e de aprendizagem com muitos “agentes do futebol” e colegas meus universitários, que não falta conhecimento no futebol – falta, frequentemente, a tecnociência que o pode tornar mais eficaz, mais produtivo, mais competitivo, sem macular, ao de leve que seja, o respeito que é devido a um ser humano, para muitos criatura de Deus. Mas... a que ciência me refiro, neste momento? Indubitavelmente, uma ciência hermenêutico-humana, que nos ensina que o mais importante, num jogo de futebol, não é a tática, mas o homem (o jogador) que concretiza a tática. Tenhamos em conta o seguinte: não há saltos, há mulheres e homens que saltam; não há chutos, há mulheres e homens que chutam; não há fintas, há mulheres e homens que fintam. Se não compreender as mulheres e os homens que saltam e chutam e fintam, não compreenderei forçosamente os saltos, os chutos e as fintas. Venho aconselhando alguns treinadores de futebol que de mim se aproximam (e que mais me ensinam do que aprendem) que, antes de cada um dos treinos devem levantar dentro si mesmos esta questão: “Qual é o tipo de homem que eu quero que nasça do treino que vou orientar?”. É que sem homens inteiriços, de antes quebrar que torcer; com a altivez e a inteligência das pessoas livres e a generosidade dos crentes – a tática não resulta. No “desporto-rei”, o homem está antes da tática, mesmo que incansavelmente se diga que “o futebol é um desporto predominantemente tático”. A periodização tática, expressão que tem por si uma vasta galeria de adeptos, resulta da firme convicção que, no futebol, “no princípio, é a tática”. Prefiro a expressão periodização antropológica e tática. É que, para mim, o futebol (como o desporto) não é só uma atividade física, é verdadeiramente uma atividade humana. No futebol (como no desporto) no princípio está o Homem, a tática vem depois. “Mutatis mutandis”, foi o que afirmou ao Nuno Delgado o treinador principal da seleção norte-americana de basquetebol, medalha-de ouro nos últimos Jogos Olímpicos, se bem interpreto o que o diretor do jornal A Bola fez o favor de me informar. Fiquei satisfeito com a “boa nova” - é que defendo isto mesmo, há um bom par de anos. Julgo que o dr. Jorge Araújo, um dos nomes maiores da história do basquetebol português e autor que muito me ensina, nos seus livros, faz suas estas minhas palavras...
2. Éramos três, à hora do almoço das quartas-feiras, no Estádio do Restelo: o Homero Serpa, o Jorge Jesus e eu. O atual treinador do Benfica trabalhava então no Belenenses e com brilho inapagável: finalista da Taça de Portugal e, durante dois anos consecutivos, um quinto lugar, no campeonato. Com o “plantel” que tinha às suas ordens, parecia fazer milagres. Será por acaso que o Garay compara Jesus a Mourinho? (cfr. A Bola, 2013/12/28). Um dia, o Homero que, de quando em vez, olhava, com olhar longo, as águas chãs do Tejo, questionou o “nosso” treinador: “O que vê, quando vê um jogo de futebol?”. O Homero era um homem culto e portanto denunciava, em cada momento, uma busca nunca apaziguada do conhecimento. O Jorge Jesus não esperava a pergunta mas, vivo e sagaz que é, redarguiu prontamente: “Quando vejo um jogo de futebol, tenho a sensação que vejo diferente das outras pessoas”. Ocorreu-me, se bem me lembro, uma conversa que mantivera com o Dr. Sócrates (em Setembro de 1983, frequentava ele o terceiro ano da Faculdade de Medicina da USP e defendia, com vigor, a “democracia corintiana” ). Aí estão as palavras do Magrão: “Ao contrário do que a torcida entende, para mim um jogo de futebol é uma festa, não é aquilo que eles pensam”. E, naquele ano longínquo de 1983, antecipou a convicção de Jorge Jesus: “Para mim, o futebol é outra coisa!”. Já na década de 70, eu aprendi com A. Sedas Nunes que “a ciência representa uma outra maneira de ler o real, diferente da do senso-comum (…). A ciência pressupõe ruptura com as evidências do senso comum” (Questões Preliminares sobre as Ciências Sociais, Cadernos GIS, p. 25). Partindo deste pressuposto, poderei adiantar que um treinador de futebol é um trabalhador do conhecimento, quero eu dizer: um especialista, numa área científica autónoma? Se, como quer a UNESCO, o conhecimento é uma informação que resulta na prática, tendo em conta o desenvolvimento humano, por que não hão-de ser “trabalhadores do conhecimento” os treinadores dos principais clubes de futebol, singulares figuras com insubstituível lugar, no panorama do futebol mundial? Há por aí uns eurocratas que nunca foram sazonados por uma vida desabrida e dura e se julgam, quando chegam a Portugal, no país mais recuadamente provinciano de que a História reza, que só encontram saber nos doutorados por universidades de cultura e língua anglo-saxónicas. Se assim fosse, o Edgar Morin, que só escreve em francês, não seria, como é, um dos autores mais lidos no mundo todo. É verdade que também nem sempre é famoso o contributo dos grandes treinadores, no domínio das belas letras. Mas não é isso o que se lhes pede, nem que tenha nenhum parentesco íntimo com a cultura e a língua inglesas – o que se lhes pede, de facto, é que saibam construir e liderar uma equipa de futebol!
3. Sem citar o José Mourinho, o Carlos Queirós, o António Oliveira, o Manuel Jesualdo Ferreira, o Leinardo Jardim, o Manuel Machado, o Vítor Pereira, o Manuel Fernandes, o Nelo Vingada, o José Peseiro, o Rui Vitória, o Daúto Faquirá, o Jorge Castelo, o Rolão Preto, etc., etc., todos eles com licenciatura universitária (o Jorge Castelo e o José Mourinho são doutores pela UTL) – o Manuel José, o Toni, o Jorge Jesus, o Paulo Bento, o Jaime Pacheco, o Manuel Cajuda, o André Villas-Boas, o Domingos Paciência, o Ulisses Morais, o João de Deus, o Paulo Fonseca, o Marco Silva, o Nuno Espírito Santo e mais alguns (sem licenciatura universitária) são também para mim profissionais de verdadeiro conhecimento científico e, se os principais clubes de futebol, em Portugal, convivessem com as universidades como parceiras na produção de conhecimento, seriam, mais tarde ou mais cedo, inevitavelmente, equiparados à licenciatura em Desporto. Ser o treinador principal de um grande clube de futebol é uma empresa de enorme envergadura. E se, sobre o mais, os jogadores e os restantes elementos da equipa técnica ainda o reconhecem como o mestre incontestado, não sei como não ver nele uma destacada individualidade, na sua profissão. Quando era professor na Universidade Estadual de Campinas, ouvi um dia do Darcy Ribeiro que, no Brasil, só existiam três coisas sérias: a cachaça, o jogo do bicho e o futebol. Que o futebol é também “coisa séria”, no nosso país, creio que ninguém o põe em dúvida, a começar pela FIFA que nos dá um honroso lugar, no ranking dos melhores do mundo – o que significa que esta classificação muito deve ao trabalho competente dos treinadores portugueses. “A seleção de Portugal chegou ao lugar mais alto de sempre da sua história, no ranking FIFA, o terceiro lugar, igualando o feito alcançado, em abril e maio de 2010” informou A Bola de 2012/10/3. Hoje, é o quinto o seu lugar, no ranking. Mas tudo isto só prova que o trabalho do treinador de futebol é predominantemente intelectual. A sua tarefa (se posso aqui empregar as palavras de Althusser) é uma “prática teórica”. E portanto o mais importante, para a sua profissão, não é a força do seu remate, nem a imaginação das suas fintas, nem o insólito dos seus passes (isso é com os jogadores) – mas a liderança que é tanto saber e sabedoria, como capacidade para emocionar e gestão de relações. O líder, no meio dos seus jogadores (ou até no meio da multidão) está sempre com a sua gente. Possui-o não sei que euforia superior a ele próprio, toma-o uma ebriedade espiritual, feita de linguagem incisiva, de orgulho, de suficiência, de convicção - que o tornam irresistível. O treinador deve saber de futebol? Muito! Deve saber ser líder? Muito mais! O que não é fácil! Em 2005, dos 31 jogadores contemplados com o Ballon d`Or, apenas 4 (quatro) exerciam a profissão de treinador de futebol: Ruud Gullit, Lothar Mathaus, Jean-Pierre Papin e Marco van Basten. Repensar a ciência no futebol passa por valorizar as pessoas face à tática. É que a ciência onde o futebol se fundamenta é uma nova ciência hermenêutico-humana. Passo a palavra a Edgar Morin: “Cada ser humano carrega em si a condição humana. Portanto, nunca esquecer as singularidades e que elas existem num tronco comum” (Inteligência da Complexidade, Instituto Piaget, Lisboa, 2009, p. 75).
4. “Nunca esquecer as singularidades” aconselha Edgar Morin. Não há grandes equipas, sem grandes jogadores, como não há grandes orquestras sem grandes intérpretes. O Real Madrid de Di Stéfano, o Santos de Pelé, o Benfica de Eusébio, o Ajax de Cruyff, o Bayern de Beckenbauer e, nos dias de hoje, o Real de Cristiano Ronaldo, o Barcelona do Messi, o Bayern do Ribéry ilustram o que venho de afirmar e que assim resumo: ninguém é ato se, em primeiro lugar, não for potência. Mas o jogador de classe incontestada é também o resultado da sua história de vida. Na VIII Tese sobre Feuerbach, Marx afirma que “a vida social é essencialmente prática”. Ou seja, o jogador nasce, mas aprimora, aperfeiçoa o que é, através do treino, das competições, da solidariedade dos colegas e da sabedoria e liderança do seu treinador. Nenhum treinador sabe fazer um Pelé, um Maradona, um Eusébio, um Cristiano Ronaldo, um Messi, etc., etc. Eles nasceram com as potencialidades do “craque” (potencialidades físicas, intelectuais, espirituais) e o líder, ao construir uma equipa, maximizou-lhes as virtualidades – nada mais! Uma equipa de futebol (como de qualquer outra modalidade desportiva) é um laboratório da complexidade onde se encontram em dialética incessante, imediatamente, os jogadores, a direção do Clube, a equipa técnica e médica e, mediatamente, a Comunicação Social e os sócios. Nos êxitos ou nos inêxitos de uma equipa não está só o treinador, como se vê – está a totalidade de que o treinador é um dos elementos! Cito aqui, a propósito, Didier Drogba, no livro do Prof. Luís Lourenço, Mourinho – a descoberta guiada (Prime Books, 2010): “O Mourinho não me ensinou a jogar futebol. Eu sei jogar futebol. Ele ensinou-me foi a jogar em equipa, o que é algo diferente. E é por isso que onde quer que ele se encontre atinge o sucesso”. Em La Méthode, I (Seuil, Paris) Edgar Morin assinala que a organização é capital, “dado que é através da organização das partes num todo que aparecem as qualidades emergentes e desaparecem as qualidades inibidas”(p. 151). E continua: “O que é importante na emergência é o fato de ser não dedutível das qualidades das partes (…), aparece somente a partir da organização do todo”. Um exemplo: a molécula da água, OH2, tem qualidades que o hidrogénio e o oxigénio, por si sós, não possuem. O Messi tem uma eficiência no Barça que não apresenta na seleção argentina – é que ele é elemento da organização do Barcelona e não o é da seleção do seu país. E aqui podemos relembrar o Ortega Y Gasset: “eu sou eu e a minha circunstância”. Por seu turno, o treinador, ao saber que não faz jogadores, mas ajuda os jogadores a fazerem-se a si mesmos, passa a medir o seu êxito pelo êxito dos seus jogadores. O sucesso do líder avalia-se pelo sucesso dos seus jogadores. E, porque o futebol é uma Atividade Humana e não é só uma Atividade Física, a preparação dos jogadores situa-se ao nível do quantitativo e do qualitativo, deverá preocupar-se com o como e com o porquê.
5. Suscitam reservas, objeções e reticências as minhas ideias sobre a epistemologia do futebol, designadamente em pessoas que pensam, como há cem anos atrás, que só é científico o que é quantitativo e previsível. De facto, a esmagadora maioria dos manuais ditos “científicos” do treino carecem de reflexão antropológica. Que o futebolista (ou o praticante de qualquer outra modalidade) é um ser de sentimentos, emoções e desejos; que o futebol tem mesmo a sua expressividade corpórea – são temas que não interessam a estes “cientistas” do treino. Recordo Wittgenstein, neste passo: os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo. Para estes “cientistas”, portanto, um treinador eficaz domina os aspetos vincadamente técnicos e táticos do futebol e não precisa de mais nada para ser um profissional de prestígio. A totalidade que a equipa é observam-na como um mero somatório de indivíduos, todos semelhantes, com os mesmos interesses e reagindo de modo idêntico diante dos mesmos estímulos. Bem ao contrário, cada um dos jogadores é uma surpresa, porque é uma personalidade singular, uma parcela de humanidade, que não se confundem com as características psicológicas, culturais, morais de qualquer um dos seus colegas de equipa. Consulto o livro de Jorge Araújo, Gerir é Treinar: “Os jogadores não são máquinas programáveis, mas sim seres humanos que pensam, interpretam e se emocionam” Que o mesmo é dizer: é preciso organizar o todo, sem esquecer o micro-universo que é cada um dos jogadores, ou seja, o treino individual, para que eles encontrem espaço a manifestar-se e desenvolver-se. A noção de organização é capital, dado que é através da organização das partes num todo que aparecem as qualidades emergentes e vão desaparecendo as limitações e as deficiências.
6. Num célebre discurso, pronunciado, na Sorbona, em 1946, sobre o homem e a cultura artística, Malraux via, na vontade de consciência e de descoberta, a tradução dos dois maiores valores europeus. Também, hoje, em que a ideia de história se distingue por inesperados ritmos de mudança (cfr., a propósito, de Anthony Giddens The Consequences of Modernity, que eu li em tradução da UNESP, Universidade Estadual Paulista) esse processo e essa vocação de consciência deverão alertar-nos contra uma imagem secundária do ser humano. Na Motricidade Humana, de que o Desporto é um dos subsistemas, a imagem de Homem resiste ao saber massificado, gerador de submissão, de passividade e corrosivo do espírito crítico. Porque no movimento intencional da transcendência (ou superação), o desportista tende a não abrandar no ímpeto de superar-se, de ampliar os seus horizontes de vida, de avivar o que nele brota das zonas mais profundas de si mesmo: o movimento do mais ser! Dobrará o cabo da irreflexão aquele que se sobrepõe à torrente de palavras, de modelos, de imagens que, numa neblina de confusão, ainda fazem do atleta uma “besta esplêndida” e do treinador desportivo um repetidor de ideias feitas e do licenciado em Desporto um simples professor de ginástica. Levemos as questões até ao fim e um sentido para o Desporto que nos tocou viver e digamos sem receio: o atleta é um ser humano que temporaliza a transcendência e o seu treinador o mais sábio companheiro de jornada e o licenciado (ou mestre, ou doutor em Desporto) o que diz ao treinador e ao atleta, como o Sartre da Vérité et Existence que “a verdade está continuamente em perigo” e que é preciso mais trabalho que não deixe de ser também organização, reflexão e estudo, no espaço de uma ética onde eu sou um de nós. Não me canso de falar do José Mourinho. No dia em que lhe foi outorgado o grau de doutor “honoris causa”, ele afirmou publicamente que fundamentava o seu trabalho profissional num paradigma científico. Será por acaso que o José Mourinho é o melhor treinador do mundo? É preciso ciência no futebol. Mas é preciso saber de que ciência se fala. No dia em que, na passada época de futebol, o Vitória de Guimarães venceu a Taça de Portugal, recebi um telefonema de Rui Vitória: “Professor, se só tivesse falado de futebol aos meus jogadores, a Taça não seria nossa”. O Rui Vitória, meu antigo aluno, entendeu as minhas aulas. Aliás, só se entende aquilo que já se sabe.
7. No entanto, só sabe inovar quem antes se inovou, pelo trabalho, pela curiosidade, pela humildade, pelo estudo. É que tudo é história: para o conhecimento científico e para o cientista. E o que ontem foi novidade, hoje parece velho. No departamento de futebol do futuro, organizado em função de uma equipa de especialistas, em trabalho interdisciplinar, o caos é o modo de produção da informação. O líder, o treinador principal decide, mas o que lhe chega é caótico. E onde procura ele o lugar mais próximo da verdade? Na prática! Não sou eu a dizê-lo tão-só: “A prática não significa apenas o momento de aplicação. É sobretudo a razão de ser da teoria, como a teoria (…) é a razão de ser da prática. Teorizar a prática e praticar a teoria são movimentos mutuamente implicados e complementares” (Pedro Demo, Conhecimento Moderno, Vozes, Rio de Janeiro, p. 67). Mas, dentro de um espaço devidamente organizado, já que a autoridade não é, não pode ser argumento científico. As ciências procuram a certeza, com a certeza que nunca serão certas, dado que todas as metodologias, mesmo as mais óbvias, sofrem de inúmeras limitações. No futebol, deve evitar-se também saber só de futebol (saber tudo de nada) ou um erro em que tombam alguns jornalistas e comentadores: especializar-se em generalidades de caráter demasiado impreciso e incerto (saber nada de tudo). Cada vez mais o treinador há-de ter do exercício da sua profissão uma noção essencialmente humanista e com sabedoria e bom senso. Sabedoria, onde a experiência se casa com um estudo constante: e bom senso, onde sabedoria é também equilíbrio, ordem, medida e, se possível, com um tolerante esprit de finesse. Enfim, um departamento de futebol de altos desempenhos deve saber transformar-se numa réplica de um centro científico de excelência, dando às qualidades humanas, à organização, à interdisciplinaridade e à Internet lugar de relevo. Há uma “patologia do saber”, no futebol, que se manifesta numa hiper-especialização sem o adequado paradigma. Quero eu dizer: há treinadores que trabalham como se os seus jogadores fossem seres biológicos tão-só e que não se movimentassem num universo de linguagem, de ideias, de consciência. No ser humano (e portanto no desporto) o bios não existe sem o logos. Tudo o que é cultura tem uma raiz biofísica e de tudo o que é biofísico emerge uma raiz cultural. A grande maioria dos problemas científicos, no futebol, ainda não têm resposta científica. E não só em Portugal...
8. No desporto, como em tudo o mais, sem conhecimento, não há intervenção, nem inovação credíveis. O empresário Jorge Mendes prende sobremaneira a atenção, quando se refere a Cristiano Ronaldo: “Em Inglaterra, ninguém tem dúvidas de que foi o melhor jogador de sempre que passou pela Premier League. Durante seis épocas, levou o Manchester United às costas. Nesse período, transformou-se no jogador que é hoje, fruto de muito trabalho (…). Ele chega aos treinos uma hora antes dos colegas e é o último a sair. Vai para casa e dorme a sesta. Depois, vai para o ginásio e é capaz de lá estar duas horas. Conhece-se a si próprio como ninguém. Sabe do que necessita e o que tem a fazer. É verdadeiramente impressionante”. E Jorge Mendes julga não desvirtuar a realidade, ao rematar: “Ele é o melhor jogador de todos os tempos” (A Bola, 2013/12/28). O futebol não se estuda apenas numa pessoa só, mas em muitas pessoas em interação. E todas elas, com a sua ideologia e cultura e vontade. O Ronaldo é ele e a sua circunstância: os seus colegas, os seus treinadores, os seus dirigentes, a sua família, os seus amigos. São palavras de António Damásio: “A emoção e o sentimento desempenham o papel principal, no comportamento social e, por extensão, no comportamento ético” (Ao Encontro de Espinosa, p. 34). Assim, o perfil genético, neurológico, psicológico, social, desportivo do atleta exige a interdisciplinaridade no departamento de futebol e que sejam, a começar no líder, trabalhadores do conhecimento aqueles que o constituem. Por outro lado, um grupo torna-se impossível, sem um certo grau de fidelidade a pessoas, a princípios e até a postulados da existência. A uma entrevista ao jornal A Bola (ibidem) declarou Cristiano Ronaldo: “A minha força vem sempre de dentro de mim. Da minha maneira de ser e de pensar”. Tem razão o CRT. Mas nele há muito mais coisas que o departamento de futebol não pode desconhecer. Um Cristiano Ronaldo não nasce sozinho, nem na família, nem num clube de futebol. Todos somos desejo e relação, desejo de relação e relação de desejo. Não é só um problema técnico e tecnológico a formação de um jogador e a criação de uma equipa. “Professor, dizia-me, há pouco tempo, o José Peseiro, só agora o entendo, quando nas suas aulas nos dizia: leiam os grandes romancistas, os grandes poetas, para compreenderem melhor o desporto”. O futebol não se resume a desempenhos físicos. Um jogo de futebol, de handebol, de basquetebol são pedaços da vida. A ciência faz parte da vida, mas a vida não é ciência tão-só.
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Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
domingo, fevereiro 08, 2015
Ciência no Futebol e outras coisas mais...
segunda-feira, fevereiro 02, 2015
Os estádios e arenas são dos povos
“De maneira convicta, somos conscientemente a favor da retirada de parte das cadeiras…”
É uma tarefa desafiadora explicar algo de tamanha complexidade e que merece um generoso espaço em poucas linhas. Contudo, é importante revelar que a retirada das cadeiras dos nossos estádios públicos, não é uma reivindicação que tenha nascido dos dirigentes de clubes. Na verdade, é uma antiga solicitação das Organizadas que ganhou corpo a partir do intercâmbio Brasil/Alemanha, gestado pela Coordenadoria de Juventude de Fortaleza, em parceria com a Agência de Cooperação Internacional de Políticas Públicas do Governo Alemão (GIZ). A ideia do intercâmbio é mostrar que as torcidas organizadas não são só violência como se apregoa.
Por ocasião do I Encontro sobre Cultura de Futebol e Torcidas, realizado em 25 de novembro de 2014, como parte integrante do projeto Nossa Torcida é pela Juventude, com as presenças dos secretários de esporte do município de Fortaleza e do Estado do Ceará, além do assessor da Secretaria do Futebol do Ministério do Esporte, Helvécio Araújo, a solicitação de retirada das cadeiras, tanto do Estádio Presidente Vargas quanto do Castelão, foi recebida pelos secretários da Secel e da Sesporte, que ficaram de avaliar a reivindicação das Organizadas.
Como se pode notar, juntou-se a fome com a vontade comer. O pedido dos torcedores das organizadas despertou nos gestores públicos e privados a oportunidade de sanarem, pelo menos parcialmente, o antigo problema da quebra das cadeiras e do prejuízo dos clubes. Assim, a ideia ganhou força. Restava, como ainda resta, o desafio do convencimento da opinião pública, discussão que vem sendo realizada.
De maneira convicta, somos conscientemente a favor da retirada de parte das cadeiras, e não enxergamos nenhuma razão substancial para que não se dê guarida aos protagonistas de algo que pode voltar a ser outro espetáculo dentro do espetáculo maior que é o jogo. O arcabouço das razões alegadas para o não atendimento do que virou um coro de torcedores organizados e dirigentes, mostra-se fragilíssimo, além de um arrazoado frívolo e preconceituoso. Afinal, as opiniões precisam levar em conta as variáveis de um problema, bem como as implicações da decisão tomada a guisa de solução, seja a favor, seja contra. É importante que seja considerado que nos estádios e arenas multiuso, lugares há em que a estética pode ser privilegiada, mas não se deve impor nem privilegiar nos demais locais desses equipamentos, especialmente quando públicos, nem a priorização da visão estética nem a do elitismo. Desse ponto de vista, vale lembrar que é função desses equipamentos públicos serem funcionais e inclusivos, até porque não lhes são finalidades últimas a contemplação e a ostentação. Essencial é que eles expressem a pluralidade de classes sociais existentes em nossa sociedade, posto que esta é a concepção para os quais foram concebidos.
Outro fator que devemos levar em conta, é que as atuais praças esportivas ou arenas pré Copa, deveriam ter passado por um processo de adequação ou readequação à nossa cultura futebolística, possibilidade teorizada, mas não implementada. E se consentimos que elas temporariamente fossem da Fifa, por que não podemos retomá-las para nós, adequando-as às nossas realidades e idiossincrasias?.
domingo, fevereiro 01, 2015
Equipe cearense do Juventus faz seu début nacional
Por: Benê Lima
O Centro Esportivo Juventus/Faculdade Ateneu, ou simplesmente Juventus/Ateneu,ou ainda Juventus, faz sua estreia em competições nacionais de futebol feminino na próxima quarta-feira (4), dia em que também teremos em Fortaleza o Clássico Rei cearense na Arena Castelão, valendo pela Copa do Nordeste.
O Juventus e a Faculdade Ateneu tem protagonizado uma parceria que tem dado muito certo, tanto pela expertise que a Faculdade transfere para o clube, quanto pelo apoio e todo o suporte necessário para a boa prática da modalidade.
A Faculdade Ateneu com seu Projeto Aluno/Atleta, oferece bolsas de estudos para as jogadoras, subvencionando na sua totalidade o pagamento das mensalidades. Além disso, a entidade de ensino superior ainda cede espaço físico para as diversas atividades esportivas.
O Projeto Aluno/Atleta FATE foi idealizado pelo professor Renezito Junior, atual coordenador do Núcleo de Esporte Fate, que teve seu nascedouro no ano de 2007, contemplando as modalidades esportivas tanto masculinas como femininas.
A Faculdade Ateneu é pentacampeã de futebol feminino universitário e tricampeã de futebol masculino universitário, além de se sagrar no ano de 2014, campeã no handebol feminino nos JUB’s.
No surf a entidade acumula a participação em campeonatos estaduais, nacionais e internacionais com os aluno/atleta Phelipe Mais e Raphaela Bahia.
Preparativos
A equipe de futebol feminino iniciou sua preparação nos primeiros dias de janeiro deste ano, e não vê a hora da estreia na Copa do Brasil da modalidade, que acontecerá na próxima quarta-feira (4), às 16 horas, na Lagoa Redonda, no Estádio Antônio Cruz, de propriedade do Uniclinic.
Com uma base de atletas com alguma experiência e relativo entrosamento, as meninas esperam fazer uma boa campanha na competição. Para tanto, sabem que um resultado positivo frente ao Vitória da Bahia é de suma importância para que possam passar de fase.
(Fonte: Renezito Jr.)
quarta-feira, janeiro 21, 2015
Maiores clubes do Brasil devem mais de R$ 1,5 bilhão para União
DE SÃO PAULO
Os 12 maiores clubes do futebol brasileiro acumulam dívidas de R$ 1,59 bilhão com a União.
O valor, que não inclui dívidas bancárias, com fornecedores e nem impostos municipais e estaduais, está em um relatório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ao qual a Folha teve acesso
Esse débito teria sido renegociado pelo governo federal caso a presidente Dilma Rousseff não tivesse vetado, na noite de segunda-feira (19), um artigo da Medida Provisória 656.
Segundo estimativa do próprio governo, as dívidas dos clubes brasileiros com o governo federal estão na casa de R$ 3,7 bilhões. Ou seja, só os 12 maiores times do país são responsáveis por mais de 40% do total dos débitos.
A maior parte das dívidas (R$ 1,1 bilhão) dos grandes do futebol brasileiro está relacionada a impostos atrasados.
O Atlético-MG é o clube brasileiro que mais deve ao governo federal: mais de R$ 282 milhões. O clube, porém, assinou em outubro um acordo com a União terá desconto de R$ 70 milhões se pagar em dia as 180 parcelas da quitação.
"O Atlético tem problemas tributários desde a década de 90", afirmou o diretor de planejamento Rodolfo Gropen.
Outros times, como o Corinthians e o Cruzeiro, também aderiram ao Refis e terão suas dívidas reduzidas se mantiverem os pagamentos nas datas combinadas.
Além desse programa de refinanciamento voluntário, o governo federal ainda promete discutir uma nova proposta para renegociação da dívida dos clubes.
A ideia é lançar uma nova Medida Provisória sobre o assunto em até 30 dias.
O artigo 141, vetado por Dilma, previa que os clubes poderiam refinancias suas dívidas com a União em 240 vezes, com descontos de 70% em multas e 50% em juros, sem precisar cumprir medidas de responsabilidade financeira.
O Bom Senso defendia o veto. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol), os clubes e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais defendiam a aprovação. Para o presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, é importante que os clubes comecem do zero.
A CBF incluiu em seu novo Regulamento Geral das Competições normas que visam punir clubes que não gerirem bem seu dinheiro, com perda de pontos e até rebaixamento em casos mais graves.
O Bom Senso acha pouco e pede regras mais rígidas para o Fair Play financeiro, inclusive com responsabilização dos dirigentes.
| Editoria de arte/Folhapress | ||
segunda-feira, janeiro 19, 2015
Especialista comenta a respeito de Vasco da Gama e Estratégia Empresarial
LUIS FILIPE CHATEAUBRIAND é Membro do Bom Senso Futebol Clube e Professor de Estratégia Empresarial
Michael Porter, notório professor da Universidade de Harvard e grande autoridade em Estratégia Empresarial, preconiza que há três tipos de estratégias genéricas que uma organização pode escolher: liderança nos custos, diferenciação e enfoque.
A estratégia enfoque significa ter foco em um determinado grupo de clientes, em um segmento de produtos ou em um mercado geográfico. A premissa é que se estará mais preparado para atender um nicho de mercado, estreito, do que se pretendesse atender ao mercado total, de forma ampla.
Uma estratégia de enfoque pode reduzir custos em relação aos concorrentes, pois, se se trabalha com um foco, tem-se custos menores, pois a área de atuação pode ser menor. E também se pode satisfazer melhor a clientela, pois é mais fácil atender bem a um grupo de clientes, do que atender bem a uma clientela mais ampla (até cobrando mais dos clientes, em virtude da maior satisfação).
O que o Vasco da Gama tem a ver com isso? Existe um grande “foco” entre os milhões de torcedores do Heroico Português: a comunidade lusitana, composta de torcedores portugueses e descendentes de portugueses, não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo Brasil. Não que inexistam vascaínos que não tenham descendência portuguesa, mas o grupo de portugueses e descendentes é, na torcida cruzmaltina, bastante representativo.
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Posse de Eurico Miranda, o comandadante de um clube ligado a uma 'nação' lusitana (Foto: Wagner Meyer/Agelance)
Portanto, a estratégia enfoque, especificamente enfoque por grupo de clientes, e especificamente para a colônia portuguesa e descendentes, parece apropriada para o Gigante da Colina. É uma questão de identidade.
A estratégia genérica que um clube opte por seguir deve implicar ações compatíveis. Destarte, o Vasco da Gama, ao optar por uma estratégia de enfoque, deve adotar ações como:
Jogar em estádio próprio (o histórico São Januário reformado) cheio de referências às tradições portuguesas, em que compras de ingressos de maior monta dão acesso a brindes associados às tradições lusas (exemplos: “compre ingressos para cinco jogos do Vasco da Gama na temporada, e ganhe de brinde um almoço no Adegão Português” – excelente restaurante especializado em comida portuguesa, próximo à sede do clube; “compre os ingressos para todos os jogos de mando de campo do Vasco da Gama no Campeonato Brasileiro e ganhe uma cesta de bacalhau português, vinho do Porto e castanhas portuguesas”; “compre os ingressos de todos os jogos de mando de campo do Vasco da Gama na temporada e ganhe o direito de concorrer a passagem aérea, com acompanhante, Rio – Lisboa – Rio”);Licenciamento de produtos ligados tanto ao clube como às tradições portuguesas;Escolha de um patrocinador ligado às coisas de Portugal, ou propriamente português, ou com influência portuguesa.
O raciocínio aqui colocado vale também, por exemplo, para o Palmeiras, clube com perfil de torcedores bastante parecido com o do Vasco da Gama – sai a colônia portuguesa, entra a colônia italiana.
Os clubes de futebol devem escolher a estratégia mais adequada de acordo com as necessidades de seus torcedores, e agirem de forma coerente com a estratégia, ao invés de procurarem mesclar estratégias. No caso de clubes com muitos adeptos entre representativos nichos de mercados, a estratégia enfoque parece a mais propícia.⚽
domingo, janeiro 11, 2015
O termômetro do futebol brasileiro
Eduardo Barros / Universidade do Futebol
Na sua opinião, em qual nível começamos a temporada?
A temporada de 2015 começou!
Algumas contratações, muitas dificuldades econômicas, a manutenção no cargo de muitos treinadores na elite do futebol nacional e as dúvidas constantes sobre quais problemas limitam o retorno ao protagonismo individual e coletivo, do jogador e do jogo brasileiro, no cenário mundial.Nas mesas redondas e reportagens que se discutem tais problemas, tem sido comum apontarem: o trabalho desenvolvido nas categorias de base, a pressão constante por resultados que afeta a qualidade do jogo, o desaparecimento gradativo dos campos de várzea (e, consequentemente, dos craques), a gestão predominantemente não profissional da maioria dos clubes brasileiros e até a baixa qualificação profissional dos nossos treinadores.
Opiniões com visão mais ampliada inter-relacionam os fatos e diagnosticam que um conjunto de elementos de todas as áreas que envolvem a modalidade, seja política, técnica ou administrativa, estão desajustados. Isto reflete negativamente nos 90 minutos.
Afinal, como atividade-fim, os 90 minutos (e somente eles) importam. É por esta preciosa hora e meia que todos os processos de um clube, dos administrativos aos técnicos são planejados e executados.
Sucesso terão os clubes que aliada às buscas por vitórias nos 90 minutos privilegiarem a sustentabilidade e o lucro como prática organizacional.
Sabemos, no entanto, que a obsessão pela vitória a qualquer custo desconsidera a fórmula básica de uma gestão empresarial.
Retomando o foco do texto para os 90 minutos e, mais especificamente, para o produto tático que muitas equipes do nosso futebol têm apresentado, na sequência da coluna serão divulgadas duas imagens (transferidas ao software Tactical Pad) extraídas de um jogo da Série A do Campeonato Brasileiro.
O objetivo da exposição destas imagens é instigá-lo e questioná-lo sobre como terminamos a temporada anterior e cronologicamente iniciamos a temporada atual, sem tempo hábil para profundas transformações em nosso jogo.
Abaixo, a primeira imagem:
A equipe do lado esquerdo da imagem tem a posse de bola com o jogador destacado. O adversário, em organização defensiva, mostra-se estruturado em 1-4-2-3-1, com a linha de defesa identificada em vermelho, de volantes em laranja e de meias em amarelo.
Nesta jogada, a equipe com posse realizou uma circulação da bola, alterou o corredor de ataque e realizou as seguintes movimentações durante a referida circulação:Na sequência, a resposta coletiva da equipe sem bola na tentativa de neutralizar o ataque oponente:
Não “cobrir” a bola (pressionando a região do oponente portador da bola), expor o eixo central e acompanhar individualmente as trocas de posição gerando espaços vazios perigosos são alguns comportamentos de jogo que podemos observar nesta imagem.
Incomoda afirmar que as respostas desta equipe, bem diferentes do que as principais equipes do futebol mundial executariam num lance semelhante, também é a resposta de muitas outras espalhadas pelo país.
No final das contas, o que vale são os 90 minutos. No futebol brasileiro atual temos apresentado problemas durante boa parte deste tempo.
Gostaria de saber a sua opinião!
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sábado, janeiro 10, 2015
Andreu Plaza, coordenador do futsal do Barcelona
Treinador revela que jogadores do futebol de campo do clube catalão não passaram pelo salão
Bruno Camarão / Universidade do Futebol
A seleção brasileira de futsal já conquistou diversos títulos, como a Copa do Mundo, a Copa América, o Grand Prix e o Mundialito. A ideia de protagonismo e referência sempre esteve impregnada no ambiente desta modalidade que tem princípios operacionais muito parecidos com o futebol de campo. Mas é fato que outros países se desenvolveram.
Diante de uma preocupação em não ficar estagnado, André Stern, fundador da Unisport Brasil, empresa especializada em cursos de alto nível na área de esportes, realizou no último mês de dezembro, em São Paulo, o primeiro Encontro Internacional de Futsal com abordagem acadêmica e prática.O evento chamou a atenção pela presença do treinador e coordenador técnico do time de base do Barcelona, Andreu Plaza. Ele trouxe toda sua expertise de quase 20 anos para mostrar os diferenciais do futsal estrangeiro quando comparado ao brasileiro.
Durante o curso, a metodologia de treinamento integrado e o próprio treinamento prático integrado foram apresentados e discutidos por Plaza, que concedeu uma entrevista exclusiva àUniversidade do Futebol.
“O jogador de futsal daqui tem uma característica própria. Uma qualidade técnica alta, um talento para jogar diversos esportes. E isso talvez falte na Espanha. As equipes espanholas têm uma noção tática talvez mais aprimorada”, comparou o espanhol. “Não à toa o Barcelona tem em seu elenco sete jogadores deste país sul-americano”.
Plaza revelou ainda algo que talvez possa soar estranho aos olhos e ouvidos brasileiros, amantes do jogo aplicado pela equipe de campo do Barcelona: nenhum dos espanhóis formados em “La Masia”, que compõem o elenco principal comandado por Luis Enrique, passou pelo “futebol de sala”.
Universidade do Futebol – Gostaria que o senhor fizesse uma avaliação do nível de formação dos atletas do Brasil e da Espanha na modalidade futsal.Andreu Plaza – Iniciamos um projeto no Barcelona inovador em relação à metodologia de trabalho e quando vim ao Brasil, há alguns anos, para entender o funcionamento do futsal, achamos interessante a realização de um curso.
Mantivemos contatos com treinadores brasileiros, compartilhamos experiências e o saldo foi muito positivo.O jogador de futsal daqui tem uma característica própria. Uma qualidade técnica alta, um talento para jogar diversos esportes. E isso talvez falte na Espanha. As equipes espanholas têm uma noção tática talvez mais aprimorada. Jogam coletivamente bem, mas os brasileiros são os melhores, tanto em nível de seleção nacional, quanto em nível de clubes.
A qualidade técnica do brasileiro é muito superior. Não à toa o Barcelona tem em seu elenco sete jogadores deste país sul-americano.
Universidade do Futebol – A seleção brasileira de futsal conquistou diversos títulos nos últimos anos, mas é visível o desenvolvimento de outros países no jogar desta modalidade. Há um equilíbrio cada vez maior?
Andreu Plaza – Creio que em nível de seleções nacionais, países como Colômbia, argentina e Costa Rica cresceram demais. Pelos lados da Europa, Rússia, Portugal, República Tcheca evoluíram demais. Mas bato na mesma tecla anterior. Os jogadores sul-americanos seguem sendo mais técnicos, e os europeus jogam mais para a equipe.
Há sete ou oito seleções que poderiam disputar uma semifinal de Mundial, mas o Brasil está um pouco acima dos demais. E este pais avançou, bastante, no quesito tático do jogo.
Universidade do Futebol – Durante o trabalho nas categorias de base do futebol de campo, há a utilização de alguns aspectos da modalidade futsal no processo de ensino-aprendizagem, ou esta integração não é consolidada?
Andreu Plaza – Não, não há nenhuma conexão entre o futebol de campo do Barcelona com o nosso futsal. Entendemos que haja algumas similitudes, isso é claro, mas não transportamos os aspectos de uma modalidade a outra.
Universidade do Futebol – E há uma integração entre as equipes de base e o departamento de futsal principal no Barcelona?
Andreu Plaza – O “futebol de sala” do Barcelona, até cinco anos atrás, não tinha um departamento pronto. Estamos desenvolvendo este projeto. Há um processo para formar jogadores em nossas equipes de base e fazê-los com que ingressem o elenco principal. Hoje, temos aproximadamente 80 jogadores em todos os níveis, e nosso foco não é exatamente a primeira equipe.
Jogadores que acabam a etapa juvenil, passam a ser emprestados a outras equipes por uma, duas temporadas, para completarem o processo de amadurecimento. Aí, sim, podem voltar, um dia, ao Barcelona.
Universidade do Futebol – Em se pensando o futebol no aspecto humano e social, você acredita que a influência da cultura condiciona um determinado tipo de comportamento? É possível se falar em escolas regionais de futsal?
Andreu Plaza – Estou totalmente de acordo. O comportamento cultural influencia decisivamente na maneira de se relacionar com o esporte e com o jogo, propriamente dito.
Tentamos, por todos os meios, que nossos jogadores menores estudem, não abandonem de maneira alguma a escola, e protagonizamos uma parte de nosso trabalho valorizando isso. Creio que é fundamental para a estrutura social de um pais. E algo não só no futsal, mas em todos os esportes.Universidade do Futebol – Algum jogador do elenco principal do futebol de campo do Barcelona, incluindo os que passaram por “La Masia”, teve contato em algum momento do processo de formação com o futsal do clube?
Andreu Plaza – Atualmente, nenhum jogador espanhol da primeira equipe do Barcelona teve influência do futsal. Os únicos jogadores que tiveram contato com esta modalidade na base são Neymar, Daniel Alves, Adriano, assim como os demais brasileiros, e Lionel Messi.
Universidade do Futebol – O que o senhor poderia falar sobre Falcão, um dos maiores jogadores da história do futsal brasileiro, que tentou a sorte no futebol de campo, e recentemente defendendo o Sorocaba faturou a Liga Futsal?
Andreu Plaza – Creio que Falcão é um dos jogadores mais importantes da história desta modalidade. É uma referência para as crianças espanholas, também.
Com as facilidades da internet, elas buscam sempre vídeos de jogadas deste brasileiro. Certamente se trata de um grande.
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Extra futebol] Que país é este?
Por: Benê Lima
Foto: Divulgação
Antes de qualquer coisa, vale esclarecer que não caberia neste texto uma imagem de Venina Velosa que não fosse consternada pelo que a ela ocorre.
Afinal, ela não é nenhuma top model nem se apresenta como sex symbol.
E espero que nos próximos meses não receba proposta para posar nua.
Indo ao que interessa.
A questão do Brasil é mais de valores que de valores.
Se eu adaptar a grafia e assim disser:
“A questão do Brasil é mais de valores que de valore$”.
E aí, dá para entender?
Pois é.
Cansa-nos ler e falarmos sobre o ‘esquemão’ da Petrobrás e de outros mais.
É desgastante para quem fala, e mais ainda (creio) para quem lê.
Até porque é excessivo.
Ao ver a reação da presidente Dilma aos escândalos, o sentimento de que sou tomado é o de compaixão.
Decididamente, a instituição presidencial em nosso país encontra-se desprestigiada, enfraquecida, enfim em frangalhos.
Só isso justifica a atitude mais que pusilânime da nossa Presidente.
Manter Graça Foster à frente da Petrobrás, diante das acusações da ex-gerente da empresa, Venina Velosa, é no mínimo estranho.
Outra situação igualmente esquisita é o Ministério da Justiça negar proteção a Venina.
O medo que resulta dessa negativa não é só da ex-gerente, mas também do povo brasileiro.
Afinal, que país é esse que sequer oferece garantias a quem parece querer vê-lo melhor?
Neste momento, vemos no Brasil maiores garantias para criminosos que para os demais cidadãos.
Isso representa uma verdadeira proteção ao crime. E o que é pior: ao crime organizado.
A briga de Venina, até prova em contrário, é muito maior que a luta épica de David contra Golias.
Afinal, é o aparelho estatal que Venina enfrenta. É a poderosíssima máquina que altera resultados eleitorais, que de tanto crescer também transforma o mal em bem.
Se não for o fim dos tempos, estamos diante de mais um episódio da mais abrupta queda dos valores humanos.
A presidente Dilma entende que o Brasil não vive uma crise de corrupção.
Eu também não. Na realidade, o Brasil é a (própria) corrupção.
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quinta-feira, dezembro 18, 2014
Senado aprova MP 656 que prevê anistia aos clubes
Mas senador Jucá avisou que Palácio do Planalto pretende vetar o artigo que beneficia os times de futebol
POR CRISTIANE JUNGBLUT
O Senado aprovou, na noite desta quarta-feira a Medida Provisória 656, que prevê uma anistia aos clubes de futebol e vários benefícios fiscais. Mais cedo, a Câmara já tinha aprovado a MP. A proposta vai agora à sanção da presidente Dilma Rousseff. E o Palácio do Planalto, segundo o relator Romero Jucá (PMDB-RR), avisou que Dilma vai vetar o artigo que concede a anistia aos times de futebol.
O texo original do governo foi totalmente modificado no Congresso, com a inclusão dos chamados "jabutis". A votação da MP no Senado foi simbólica.
— O governo já informou que não tinha compromisso com essa proposta e que pretende vetar esse trecho sobre os clubes de futebol e discutir esse assunto — disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da MP na comissão especial que analisou o assunto.
Jucá fez esse anúncio depois de ser cobrado pelo líder do PSOL, senador Randolfe Rodrigues (AP), sobre a proposta que beneficia os clubes.
— Somos contra esse jabuti — disse Randolfe Rodrigues.
O texto final da MP 656 virou uma verdadeira "colcha de retalhos", com 43 temas que não estavam na proposta original enviada pelo governo ao Congresso. As mudanças foram incluídas pelo relator da MP na Comissão Especial, senador Romero Jucá (PMDB-RR).
A MP 656, prevê a renegociação das dívidas dos clubes de futebol sem qualquer contrapartida de melhoria de gestão e transparência. O texto, que não constava na versão original da medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff, parcela em até 240 meses (20 anos) as dívidas dos clubes com a Receita Federal, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e o Banco Central. O novo texto que anistia os clubes também concede descontos de 70% nas multas isoladas e de 30% dos juros. Segundo parlamentares, a dívida dos times com o Fisco é estimada em R$ 3,7 bilhões.
O líder do PSOL, Randolfe Rodrigues (AP), disse que recebeu compromisso do líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), de que a anistia será vetada.
O Ministério do Esporte já anunciou que é contra a renegociação de dívidas sem a exigência de melhorias na administração dos times.
A MP 656 trata de assuntos variados e concede uma série de incentivos fiscais, como a redução de alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins.
Fonte: O Globo
sábado, dezembro 13, 2014
Os 10 Maiores Clássicos do Futebol Brasileiro
Por JOSÉ RENATO SATIRO SANTIAGO
Fundamentado na longa pesquisa que resultou no livro: Clássicos do Futebol Brasileiro, que lancei este ano, com o amigo Marcelo Unti (e que pode ser adquirido através do e-mail jrssjr@uol.com.br), tenho desenvolvido novos trabalhos e projetos relacionados com os clássicos brasileiros.
Ao longo de alguns anos pesquisei mais de 300 clássicos de todo o Brasil.
Curiosidades, Estatísticas, Histórias, Estórias, Declarações de Torcedores e tudo o que foi possível ser registrado serviram de base para a construção desta base de conhecimento.
Somado a isso, a leitura de reportagem publicada na mais recente edição da revista Four Four Two, de dezembro de 2014 sobre os Dez Maiores Clássicos do Futebol Mundial, resolvi fazer análise similar considerando os oito critérios que fundamentaram o estudo da publicação inglesa.
Em vez dos 10 maiores clássicos do futebol mundial, considerei os 10 maiores clássicos do futebol brasileiro a partir dos seguintes critérios:
- História: tradição que envolve as equipes;
- Estrelas: jogadores que atuaram;
- Atmosfera: rivalidade e clima que envolve a partida;
- Técnicos: técnicos que participaram;
- Drama: dramaticidade nas partidas realizadas;
- Torcedores: comportamento e fanatismo dos torcedores;
- Competitividade: relevância dos clássicos na história do futebol;
- Apelo Nacional: interesse nacional em acompanhar a partida (diferentemente da revista que considerou como critério o Apelo Global)
Para cada um dos critérios, foi atribuído um valor de 1 a 10. O valor máximo (somatória total) a ser obtido era de 80.
Outra premissa adotada diz respeito ao fato de ter sido considerado apenas um único clássico por estado.
Sendo assim, há clássicos que não fizeram parte da lista final, por não terem sido avaliados como os maiores de seu estado, dentre eles o mais antigo do Brasil, Fluminense x Botafogo, sequer aquele que envolve as duas equipes que mais vezes venceram a Taça Libertadores da América, Santos e São Paulo.
Por fim cabe ressaltar que as avaliações apresentadas não se concentram em um determinado período da história tão pouco ao entendimento em certa região do país. Sendo assim não é um retrato atual da situação do clássico em nosso país, tão pouco o ponto de vista de um determinado estado, mas um entendimento sistêmico, federativo e de mais de 100 anos.
Seguem os resultados:
Trata-se de uma análise empírica, sem estreito fundamento técnico, mesmo porque o futebol é assim.
Certamente cada pessoa envolvida, ou não, com futebol tem sua própria lista com suas preferências e critérios próprios.
Caso tenha interesse em ter mais detalhes sobre os critérios e valores atribuídos, fico a disposição por este e-mail.
Dentro das próximas semanas, serão apresentados outros estudos sobre este tema.
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quarta-feira, dezembro 10, 2014
Com novos estádios, Brasileirão tem R$ 40 mi a mais em bilheteria
Apesar disso, menos de 50% das novas arenas foram ocupadas no torneio
A cada Campeonato Brasileiro, os torcedores ficam mais acostumados às novas arenas. Neste ano, Corinthians, Inter, Atlético Paranaense e Palmeiras estrearam novas estruturas. Assim, público e renda subiram em 2014.
No ano passado, foram gerados R$ 176 milhões em bilheteria. Agora, o número chegou a R$ 216 milhões. Por jogo, isso representou R$ 100 mil a mais em arrecadação, em média. Além da bilheteria, a média de público também apresentou alta, passando de 15.746 para 16.956.
O maior símbolo do quanto as finanças sobem com as novas arenas é o Corinthians. Em 2013, sem novo estádio, o time arrecadou R$ 15 milhões. Neste ano, com 15 jogos na Arena, a arrecadação foi o dobro: R$ 31 milhões.
O Palmeiras é outro a mostrar a diferença da casa nova. Em dois jogos no Allianz Parque, arrecadou R$ 7,8 milhões. Nas outras 17 partidas, foram R$ 8,7 milhões.
Leia mais:
Análise: É preciso de tempo para acabar com velhos hábitos nos estádiosApesar disso, há espaço para crescer. Mesmo os estádios novos têm menos de 50% de sua capacidade ocupada, explicitando um potencial ainda inexplorado no futebol brasileiro pós-Copa do Mundo. O Maracanã ficou com 25 mil pessoas de média, deixando 40 mil lugares abertos. Em seu segundo ano, a Arena do Grêmio conseguiu avanços nesse sentido, com 22,3 mil pessoas em média contra 20,3 mil de 2013.
Campeão mesmo foi o Cruzeiro. Além do título em campo, o time ficou com 29,6 mil pessoas de média. O clube passou o Corinthians na última rodada e ficou com a melhor média de público do Brasileiro. Graças ao bom desempenho, arrecadou ao todo R$ 27,5 milhões.
Veja abaixo alguns números relativos à competição.
Por: Máquina do Esporte
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