Por: Manuel Sérgio
1. Não quero erguer-me nos bicos dos pés para estabelecer com qualquer outra pessoa um forçado confronto, de todo desnecessário e inútil, mas não me é possível esconder, ao fim de mais de 40 anos de estudo, de investigação e de aprendizagem com muitos “agentes do futebol” e colegas meus universitários, que não falta conhecimento no futebol – falta, frequentemente, a tecnociência que o pode tornar mais eficaz, mais produtivo, mais competitivo, sem macular, ao de leve que seja, o respeito que é devido a um ser humano, para muitos criatura de Deus. Mas... a que ciência me refiro, neste momento? Indubitavelmente, uma ciência hermenêutico-humana, que nos ensina que o mais importante, num jogo de futebol, não é a tática, mas o homem (o jogador) que concretiza a tática. Tenhamos em conta o seguinte: não há saltos, há mulheres e homens que saltam; não há chutos, há mulheres e homens que chutam; não há fintas, há mulheres e homens que fintam. Se não compreender as mulheres e os homens que saltam e chutam e fintam, não compreenderei forçosamente os saltos, os chutos e as fintas. Venho aconselhando alguns treinadores de futebol que de mim se aproximam (e que mais me ensinam do que aprendem) que, antes de cada um dos treinos devem levantar dentro si mesmos esta questão: “Qual é o tipo de homem que eu quero que nasça do treino que vou orientar?”. É que sem homens inteiriços, de antes quebrar que torcer; com a altivez e a inteligência das pessoas livres e a generosidade dos crentes – a tática não resulta. No “desporto-rei”, o homem está antes da tática, mesmo que incansavelmente se diga que “o futebol é um desporto predominantemente tático”. A periodização tática, expressão que tem por si uma vasta galeria de adeptos, resulta da firme convicção que, no futebol, “no princípio, é a tática”. Prefiro a expressão periodização antropológica e tática. É que, para mim, o futebol (como o desporto) não é só uma atividade física, é verdadeiramente uma atividade humana. No futebol (como no desporto) no princípio está o Homem, a tática vem depois. “Mutatis mutandis”, foi o que afirmou ao Nuno Delgado o treinador principal da seleção norte-americana de basquetebol, medalha-de ouro nos últimos Jogos Olímpicos, se bem interpreto o que o diretor do jornal A Bola fez o favor de me informar. Fiquei satisfeito com a “boa nova” - é que defendo isto mesmo, há um bom par de anos. Julgo que o dr. Jorge Araújo, um dos nomes maiores da história do basquetebol português e autor que muito me ensina, nos seus livros, faz suas estas minhas palavras...
2. Éramos três, à hora do almoço das quartas-feiras, no Estádio do Restelo: o Homero Serpa, o Jorge Jesus e eu. O atual treinador do Benfica trabalhava então no Belenenses e com brilho inapagável: finalista da Taça de Portugal e, durante dois anos consecutivos, um quinto lugar, no campeonato. Com o “plantel” que tinha às suas ordens, parecia fazer milagres. Será por acaso que o Garay compara Jesus a Mourinho? (cfr. A Bola, 2013/12/28). Um dia, o Homero que, de quando em vez, olhava, com olhar longo, as águas chãs do Tejo, questionou o “nosso” treinador: “O que vê, quando vê um jogo de futebol?”. O Homero era um homem culto e portanto denunciava, em cada momento, uma busca nunca apaziguada do conhecimento. O Jorge Jesus não esperava a pergunta mas, vivo e sagaz que é, redarguiu prontamente: “Quando vejo um jogo de futebol, tenho a sensação que vejo diferente das outras pessoas”. Ocorreu-me, se bem me lembro, uma conversa que mantivera com o Dr. Sócrates (em Setembro de 1983, frequentava ele o terceiro ano da Faculdade de Medicina da USP e defendia, com vigor, a “democracia corintiana” ). Aí estão as palavras do Magrão: “Ao contrário do que a torcida entende, para mim um jogo de futebol é uma festa, não é aquilo que eles pensam”. E, naquele ano longínquo de 1983, antecipou a convicção de Jorge Jesus: “Para mim, o futebol é outra coisa!”. Já na década de 70, eu aprendi com A. Sedas Nunes que “a ciência representa uma outra maneira de ler o real, diferente da do senso-comum (…). A ciência pressupõe ruptura com as evidências do senso comum” (Questões Preliminares sobre as Ciências Sociais, Cadernos GIS, p. 25). Partindo deste pressuposto, poderei adiantar que um treinador de futebol é um trabalhador do conhecimento, quero eu dizer: um especialista, numa área científica autónoma? Se, como quer a UNESCO, o conhecimento é uma informação que resulta na prática, tendo em conta o desenvolvimento humano, por que não hão-de ser “trabalhadores do conhecimento” os treinadores dos principais clubes de futebol, singulares figuras com insubstituível lugar, no panorama do futebol mundial? Há por aí uns eurocratas que nunca foram sazonados por uma vida desabrida e dura e se julgam, quando chegam a Portugal, no país mais recuadamente provinciano de que a História reza, que só encontram saber nos doutorados por universidades de cultura e língua anglo-saxónicas. Se assim fosse, o Edgar Morin, que só escreve em francês, não seria, como é, um dos autores mais lidos no mundo todo. É verdade que também nem sempre é famoso o contributo dos grandes treinadores, no domínio das belas letras. Mas não é isso o que se lhes pede, nem que tenha nenhum parentesco íntimo com a cultura e a língua inglesas – o que se lhes pede, de facto, é que saibam construir e liderar uma equipa de futebol!
3. Sem citar o José Mourinho, o Carlos Queirós, o António Oliveira, o Manuel Jesualdo Ferreira, o Leinardo Jardim, o Manuel Machado, o Vítor Pereira, o Manuel Fernandes, o Nelo Vingada, o José Peseiro, o Rui Vitória, o Daúto Faquirá, o Jorge Castelo, o Rolão Preto, etc., etc., todos eles com licenciatura universitária (o Jorge Castelo e o José Mourinho são doutores pela UTL) – o Manuel José, o Toni, o Jorge Jesus, o Paulo Bento, o Jaime Pacheco, o Manuel Cajuda, o André Villas-Boas, o Domingos Paciência, o Ulisses Morais, o João de Deus, o Paulo Fonseca, o Marco Silva, o Nuno Espírito Santo e mais alguns (sem licenciatura universitária) são também para mim profissionais de verdadeiro conhecimento científico e, se os principais clubes de futebol, em Portugal, convivessem com as universidades como parceiras na produção de conhecimento, seriam, mais tarde ou mais cedo, inevitavelmente, equiparados à licenciatura em Desporto. Ser o treinador principal de um grande clube de futebol é uma empresa de enorme envergadura. E se, sobre o mais, os jogadores e os restantes elementos da equipa técnica ainda o reconhecem como o mestre incontestado, não sei como não ver nele uma destacada individualidade, na sua profissão. Quando era professor na Universidade Estadual de Campinas, ouvi um dia do Darcy Ribeiro que, no Brasil, só existiam três coisas sérias: a cachaça, o jogo do bicho e o futebol. Que o futebol é também “coisa séria”, no nosso país, creio que ninguém o põe em dúvida, a começar pela FIFA que nos dá um honroso lugar, no ranking dos melhores do mundo – o que significa que esta classificação muito deve ao trabalho competente dos treinadores portugueses. “A seleção de Portugal chegou ao lugar mais alto de sempre da sua história, no ranking FIFA, o terceiro lugar, igualando o feito alcançado, em abril e maio de 2010” informou A Bola de 2012/10/3. Hoje, é o quinto o seu lugar, no ranking. Mas tudo isto só prova que o trabalho do treinador de futebol é predominantemente intelectual. A sua tarefa (se posso aqui empregar as palavras de Althusser) é uma “prática teórica”. E portanto o mais importante, para a sua profissão, não é a força do seu remate, nem a imaginação das suas fintas, nem o insólito dos seus passes (isso é com os jogadores) – mas a liderança que é tanto saber e sabedoria, como capacidade para emocionar e gestão de relações. O líder, no meio dos seus jogadores (ou até no meio da multidão) está sempre com a sua gente. Possui-o não sei que euforia superior a ele próprio, toma-o uma ebriedade espiritual, feita de linguagem incisiva, de orgulho, de suficiência, de convicção - que o tornam irresistível. O treinador deve saber de futebol? Muito! Deve saber ser líder? Muito mais! O que não é fácil! Em 2005, dos 31 jogadores contemplados com o Ballon d`Or, apenas 4 (quatro) exerciam a profissão de treinador de futebol: Ruud Gullit, Lothar Mathaus, Jean-Pierre Papin e Marco van Basten. Repensar a ciência no futebol passa por valorizar as pessoas face à tática. É que a ciência onde o futebol se fundamenta é uma nova ciência hermenêutico-humana. Passo a palavra a Edgar Morin: “Cada ser humano carrega em si a condição humana. Portanto, nunca esquecer as singularidades e que elas existem num tronco comum” (Inteligência da Complexidade, Instituto Piaget, Lisboa, 2009, p. 75).
4. “Nunca esquecer as singularidades” aconselha Edgar Morin. Não há grandes equipas, sem grandes jogadores, como não há grandes orquestras sem grandes intérpretes. O Real Madrid de Di Stéfano, o Santos de Pelé, o Benfica de Eusébio, o Ajax de Cruyff, o Bayern de Beckenbauer e, nos dias de hoje, o Real de Cristiano Ronaldo, o Barcelona do Messi, o Bayern do Ribéry ilustram o que venho de afirmar e que assim resumo: ninguém é ato se, em primeiro lugar, não for potência. Mas o jogador de classe incontestada é também o resultado da sua história de vida. Na VIII Tese sobre Feuerbach, Marx afirma que “a vida social é essencialmente prática”. Ou seja, o jogador nasce, mas aprimora, aperfeiçoa o que é, através do treino, das competições, da solidariedade dos colegas e da sabedoria e liderança do seu treinador. Nenhum treinador sabe fazer um Pelé, um Maradona, um Eusébio, um Cristiano Ronaldo, um Messi, etc., etc. Eles nasceram com as potencialidades do “craque” (potencialidades físicas, intelectuais, espirituais) e o líder, ao construir uma equipa, maximizou-lhes as virtualidades – nada mais! Uma equipa de futebol (como de qualquer outra modalidade desportiva) é um laboratório da complexidade onde se encontram em dialética incessante, imediatamente, os jogadores, a direção do Clube, a equipa técnica e médica e, mediatamente, a Comunicação Social e os sócios. Nos êxitos ou nos inêxitos de uma equipa não está só o treinador, como se vê – está a totalidade de que o treinador é um dos elementos! Cito aqui, a propósito, Didier Drogba, no livro do Prof. Luís Lourenço, Mourinho – a descoberta guiada (Prime Books, 2010): “O Mourinho não me ensinou a jogar futebol. Eu sei jogar futebol. Ele ensinou-me foi a jogar em equipa, o que é algo diferente. E é por isso que onde quer que ele se encontre atinge o sucesso”. Em La Méthode, I (Seuil, Paris) Edgar Morin assinala que a organização é capital, “dado que é através da organização das partes num todo que aparecem as qualidades emergentes e desaparecem as qualidades inibidas”(p. 151). E continua: “O que é importante na emergência é o fato de ser não dedutível das qualidades das partes (…), aparece somente a partir da organização do todo”. Um exemplo: a molécula da água, OH2, tem qualidades que o hidrogénio e o oxigénio, por si sós, não possuem. O Messi tem uma eficiência no Barça que não apresenta na seleção argentina – é que ele é elemento da organização do Barcelona e não o é da seleção do seu país. E aqui podemos relembrar o Ortega Y Gasset: “eu sou eu e a minha circunstância”. Por seu turno, o treinador, ao saber que não faz jogadores, mas ajuda os jogadores a fazerem-se a si mesmos, passa a medir o seu êxito pelo êxito dos seus jogadores. O sucesso do líder avalia-se pelo sucesso dos seus jogadores. E, porque o futebol é uma Atividade Humana e não é só uma Atividade Física, a preparação dos jogadores situa-se ao nível do quantitativo e do qualitativo, deverá preocupar-se com o como e com o porquê.
5. Suscitam reservas, objeções e reticências as minhas ideias sobre a epistemologia do futebol, designadamente em pessoas que pensam, como há cem anos atrás, que só é científico o que é quantitativo e previsível. De facto, a esmagadora maioria dos manuais ditos “científicos” do treino carecem de reflexão antropológica. Que o futebolista (ou o praticante de qualquer outra modalidade) é um ser de sentimentos, emoções e desejos; que o futebol tem mesmo a sua expressividade corpórea – são temas que não interessam a estes “cientistas” do treino. Recordo Wittgenstein, neste passo: os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo. Para estes “cientistas”, portanto, um treinador eficaz domina os aspetos vincadamente técnicos e táticos do futebol e não precisa de mais nada para ser um profissional de prestígio. A totalidade que a equipa é observam-na como um mero somatório de indivíduos, todos semelhantes, com os mesmos interesses e reagindo de modo idêntico diante dos mesmos estímulos. Bem ao contrário, cada um dos jogadores é uma surpresa, porque é uma personalidade singular, uma parcela de humanidade, que não se confundem com as características psicológicas, culturais, morais de qualquer um dos seus colegas de equipa. Consulto o livro de Jorge Araújo, Gerir é Treinar: “Os jogadores não são máquinas programáveis, mas sim seres humanos que pensam, interpretam e se emocionam” Que o mesmo é dizer: é preciso organizar o todo, sem esquecer o micro-universo que é cada um dos jogadores, ou seja, o treino individual, para que eles encontrem espaço a manifestar-se e desenvolver-se. A noção de organização é capital, dado que é através da organização das partes num todo que aparecem as qualidades emergentes e vão desaparecendo as limitações e as deficiências.
6. Num célebre discurso, pronunciado, na Sorbona, em 1946, sobre o homem e a cultura artística, Malraux via, na vontade de consciência e de descoberta, a tradução dos dois maiores valores europeus. Também, hoje, em que a ideia de história se distingue por inesperados ritmos de mudança (cfr., a propósito, de Anthony Giddens The Consequences of Modernity, que eu li em tradução da UNESP, Universidade Estadual Paulista) esse processo e essa vocação de consciência deverão alertar-nos contra uma imagem secundária do ser humano. Na Motricidade Humana, de que o Desporto é um dos subsistemas, a imagem de Homem resiste ao saber massificado, gerador de submissão, de passividade e corrosivo do espírito crítico. Porque no movimento intencional da transcendência (ou superação), o desportista tende a não abrandar no ímpeto de superar-se, de ampliar os seus horizontes de vida, de avivar o que nele brota das zonas mais profundas de si mesmo: o movimento do mais ser! Dobrará o cabo da irreflexão aquele que se sobrepõe à torrente de palavras, de modelos, de imagens que, numa neblina de confusão, ainda fazem do atleta uma “besta esplêndida” e do treinador desportivo um repetidor de ideias feitas e do licenciado em Desporto um simples professor de ginástica. Levemos as questões até ao fim e um sentido para o Desporto que nos tocou viver e digamos sem receio: o atleta é um ser humano que temporaliza a transcendência e o seu treinador o mais sábio companheiro de jornada e o licenciado (ou mestre, ou doutor em Desporto) o que diz ao treinador e ao atleta, como o Sartre da Vérité et Existence que “a verdade está continuamente em perigo” e que é preciso mais trabalho que não deixe de ser também organização, reflexão e estudo, no espaço de uma ética onde eu sou um de nós. Não me canso de falar do José Mourinho. No dia em que lhe foi outorgado o grau de doutor “honoris causa”, ele afirmou publicamente que fundamentava o seu trabalho profissional num paradigma científico. Será por acaso que o José Mourinho é o melhor treinador do mundo? É preciso ciência no futebol. Mas é preciso saber de que ciência se fala. No dia em que, na passada época de futebol, o Vitória de Guimarães venceu a Taça de Portugal, recebi um telefonema de Rui Vitória: “Professor, se só tivesse falado de futebol aos meus jogadores, a Taça não seria nossa”. O Rui Vitória, meu antigo aluno, entendeu as minhas aulas. Aliás, só se entende aquilo que já se sabe.
7. No entanto, só sabe inovar quem antes se inovou, pelo trabalho, pela curiosidade, pela humildade, pelo estudo. É que tudo é história: para o conhecimento científico e para o cientista. E o que ontem foi novidade, hoje parece velho. No departamento de futebol do futuro, organizado em função de uma equipa de especialistas, em trabalho interdisciplinar, o caos é o modo de produção da informação. O líder, o treinador principal decide, mas o que lhe chega é caótico. E onde procura ele o lugar mais próximo da verdade? Na prática! Não sou eu a dizê-lo tão-só: “A prática não significa apenas o momento de aplicação. É sobretudo a razão de ser da teoria, como a teoria (…) é a razão de ser da prática. Teorizar a prática e praticar a teoria são movimentos mutuamente implicados e complementares” (Pedro Demo, Conhecimento Moderno, Vozes, Rio de Janeiro, p. 67). Mas, dentro de um espaço devidamente organizado, já que a autoridade não é, não pode ser argumento científico. As ciências procuram a certeza, com a certeza que nunca serão certas, dado que todas as metodologias, mesmo as mais óbvias, sofrem de inúmeras limitações. No futebol, deve evitar-se também saber só de futebol (saber tudo de nada) ou um erro em que tombam alguns jornalistas e comentadores: especializar-se em generalidades de caráter demasiado impreciso e incerto (saber nada de tudo). Cada vez mais o treinador há-de ter do exercício da sua profissão uma noção essencialmente humanista e com sabedoria e bom senso. Sabedoria, onde a experiência se casa com um estudo constante: e bom senso, onde sabedoria é também equilíbrio, ordem, medida e, se possível, com um tolerante esprit de finesse. Enfim, um departamento de futebol de altos desempenhos deve saber transformar-se numa réplica de um centro científico de excelência, dando às qualidades humanas, à organização, à interdisciplinaridade e à Internet lugar de relevo. Há uma “patologia do saber”, no futebol, que se manifesta numa hiper-especialização sem o adequado paradigma. Quero eu dizer: há treinadores que trabalham como se os seus jogadores fossem seres biológicos tão-só e que não se movimentassem num universo de linguagem, de ideias, de consciência. No ser humano (e portanto no desporto) o bios não existe sem o logos. Tudo o que é cultura tem uma raiz biofísica e de tudo o que é biofísico emerge uma raiz cultural. A grande maioria dos problemas científicos, no futebol, ainda não têm resposta científica. E não só em Portugal...
8. No desporto, como em tudo o mais, sem conhecimento, não há intervenção, nem inovação credíveis. O empresário Jorge Mendes prende sobremaneira a atenção, quando se refere a Cristiano Ronaldo: “Em Inglaterra, ninguém tem dúvidas de que foi o melhor jogador de sempre que passou pela Premier League. Durante seis épocas, levou o Manchester United às costas. Nesse período, transformou-se no jogador que é hoje, fruto de muito trabalho (…). Ele chega aos treinos uma hora antes dos colegas e é o último a sair. Vai para casa e dorme a sesta. Depois, vai para o ginásio e é capaz de lá estar duas horas. Conhece-se a si próprio como ninguém. Sabe do que necessita e o que tem a fazer. É verdadeiramente impressionante”. E Jorge Mendes julga não desvirtuar a realidade, ao rematar: “Ele é o melhor jogador de todos os tempos” (A Bola, 2013/12/28). O futebol não se estuda apenas numa pessoa só, mas em muitas pessoas em interação. E todas elas, com a sua ideologia e cultura e vontade. O Ronaldo é ele e a sua circunstância: os seus colegas, os seus treinadores, os seus dirigentes, a sua família, os seus amigos. São palavras de António Damásio: “A emoção e o sentimento desempenham o papel principal, no comportamento social e, por extensão, no comportamento ético” (Ao Encontro de Espinosa, p. 34). Assim, o perfil genético, neurológico, psicológico, social, desportivo do atleta exige a interdisciplinaridade no departamento de futebol e que sejam, a começar no líder, trabalhadores do conhecimento aqueles que o constituem. Por outro lado, um grupo torna-se impossível, sem um certo grau de fidelidade a pessoas, a princípios e até a postulados da existência. A uma entrevista ao jornal A Bola (ibidem) declarou Cristiano Ronaldo: “A minha força vem sempre de dentro de mim. Da minha maneira de ser e de pensar”. Tem razão o CRT. Mas nele há muito mais coisas que o departamento de futebol não pode desconhecer. Um Cristiano Ronaldo não nasce sozinho, nem na família, nem num clube de futebol. Todos somos desejo e relação, desejo de relação e relação de desejo. Não é só um problema técnico e tecnológico a formação de um jogador e a criação de uma equipa. “Professor, dizia-me, há pouco tempo, o José Peseiro, só agora o entendo, quando nas suas aulas nos dizia: leiam os grandes romancistas, os grandes poetas, para compreenderem melhor o desporto”. O futebol não se resume a desempenhos físicos. Um jogo de futebol, de handebol, de basquetebol são pedaços da vida. A ciência faz parte da vida, mas a vida não é ciência tão-só.
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Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
domingo, fevereiro 08, 2015
Ciência no Futebol e outras coisas mais...
sábado, julho 20, 2013
Os prós e contras de Sérgio Guedes
Por Benê Lima
O respeito ao trabalho dos técnicos e comissões técnicas e seus treinadores deve fazer parte da análise de qualquer cronista
Evito o expediente de atribuir nota ao trabalho do técnico de futebol , visto que isso nos coloca, pelo menos aparentemente, numa desconfortável condição de pretendermos saber mais que eles. E isto nem condiz com nossa pretensão nem reflete a realidade dos fatos. Afinal, o mais natural é que mesmo teoricamente os técnicas saibam mais que nós. Portanto, separemos aqui o que é a seara do técnico do que é a do analista. Neste ponto, vale dizer que não é lícito exigir de nós cronistas que concorramos com os técnicos e treinadores na aplicação dos treinamentos. Afinal, não é esta nossa missão. O exercício do nosso papel portanto, restringe-se a tentarmos identificar as nuances daquilo que pode ou não resultar do trabalho da comissão técnica. Nada mais.
O que pode ser acrescentado a essa análise, provém da condição do analista de possuir em sua formação uma bagagem de conhecimento que perpasse diferentes aspectos culturais e intelectuais, o que lhe permite uma mais rica abordagem do futebol, à luz das ciências humanas.
Considero irrelevante determinadas preferências do técnico – seja ele quem for - por esse ou aquele jogador. O que me parece relevante é se as atribuições confiadas ao atleta foram por ele cumpridas no limite de sua capacidade. A propósito, sabe-se que Sérgio Guedes há demonstrado, pelo menos por enquanto, preferência pelo atacante Macena em detrimento a Lulinha. Do ponto de vista da confiança, não vejo dificuldade em compreender a posição do técnico. O que é inaceitável é que não se tente integrar Lulinha por inteiro ao bloco dos essenciais ao grupo, a fim de torná-lo verdadeiramente uma opção tática relevante.
É líquido e certo que Sérgio Guedes equivocou-se em suas opções para enfrentar o Bragantino. Havíamos alertado em nosso programa diário de rádio – o Companhia do Esporte - para o fato de que Benazzi havia dado a este time a característica da pegada. Outra característica usual às equipes de Benazzi é a preferência por três zagueiros. Levados estes dois fatores na devida conta, o que se viu foi o poder de fogo do Ceará praticamente anulado pelo adversário. Portanto, eis a caracterização do erro conceitual de Guedes.
Todavia, vendo cair por terra seu planejamento tático, Sérgio Guedes teve o mérito de uma reação imediata, não esperando sequer o intervalo da partida para promover a primeira substituição em sua equipe. Sacou o meio-campista Eusébio, completamente perdido e inoperante em campo, colocando o atacante Adriano Pardal em seu lugar. Em tese, isso tornaria a equipe mais ofensiva, além de modificar sua estrutura tática e sua dinâmica, passando de uma plataforma tática 1-4-3-1-2 para 1-4-2-1-3. Outra providência que havia sido tomada foi a mudança de posicionamento entre João Marcos e Diogo Orlando, em razão do gol sofrido pelo setor direito da defesa alvinegra. Diogo não dava conta da velocidade do armador Thiaguinho, apoiado pelo lateral Rafael Costa. Como João Marcos tem mais velocidade e consegue diminuir os espaços e fazer uma marcação mais próxima, passou a cair pelo setor.
(A imagem abaixo ilustra a facilidade do sistema de marcação do Bragantino até a saída de Eusébio.)
Após a entrada de Adriano Pardal, o Ceará passou a jogar com três atacantes, desse modo eliminando a sobra da zaga do Bragantino, que teve de recuar um volante para voltar a ter o homem da sobra. Isso também equilibrou a disputa no meio-campo e o Ceará pode transitar com um pouco mais de desenvoltura naquele setor, transferindo um pouco mais de força ofensiva à equipe.
(Veja na imagem abaixo o quanto o Ceará ganhou taticamente em seu repertório de jogadas, em profundidade e na amplitude das mesmas.)
Podemos dizer portanto, que o equívoco em sua atitude proativa tirou pontos do desempenho do técnico Sérgio Guedes, sobretudo pelo gol sofrido antes que a correção viesse. No entanto, temos que considerar a atitude reativa relativamente rápida do técnico, que ainda na primeira etapa, por volta dos 35 minutos, trocou uma peça, mudou o esquema tático e reposicionou sua equipe.
Vale registrar que fora da alçada do técnico alvinegro, o grosso do desempenho técnico individual da equipe ficou abaixo da média e do potencial dos jogadores, situação que, ao contrário de maximizar o trabalho do técnico, acabou por minimizar seus efeitos.
ENTENDA A FUNÇÃO TÁTICA DE UM JOGADOR
Tem a função de puxar os contra-ataques, ajudando a fazer a transição ofensiva pelo setor direito; marcar a saída do zagueiro da esquerda e do volante do mesmo lado; dar apoio defensivo ao lateral-direito na ausência do volante e com ele (lateral) dialogar na jogada ofensiva, além de fazer a aproximação com o Magno.
Autor: Benê Lima
segunda-feira, junho 13, 2011
‘Simbolismo’ justifica contratação de Luis Henrique pela Roma; treinador promete futebol ofensivo
Espanhol comandou nas últimas três temporadas a equipe B do Barcelona e agora substituirá Vincenzo Montella
Equipe Universidade do Futebol
A AS Roma procurou no FC Barcelona um protagonista para dar início ao processo de reformulação de sua equipe principal. Luis Henrique, ex-jogador do clube catalão e comandante da equipe Bblaugrana, foi apresentado na última semana como novo treinador da agremiação italiana.
Após visita ao Centro de Treinamento de Trigoria, ele se reuniu com dirigentes romanos e com o capitão e principal ídolo do time, Francesco Totti. Luis Henrique assinou contrato de dois anos, com possibilidade de renovação por mais um, tendo em mente um objetivo claro: reproduzir um estilo de jogo ofensivo e eficiente.
“Escolhemos Luis Henrique, em parte, por um motivo simbólico. Queremos descontinuidade. Algo que buscaremos com um jovem vital, que traz sua cultura e suas ideias. Ele quer evoluir”, explicou o diretor esportivo da Roma, Walter Sabatini.
Aos 41 anos, Luis Henrique foi três vezes campeão espanhol ao serviço do Barça e acredita que este novo projeto é promissor. “Sou um vencedor, caso contrário não teria deixado a minha família e o meu trabalho na Espanha”, disse.
“Quero jogar um futebol ofensivo. Quero que as pessoas assistam aos jogos no estádio. Talvez ainda seja um desconhecido, mas dentro de um ano todos me vão conhecer bem”, completou o espanhol, que irá suceder Vincenzo Montella – o ex-atacante conduziu a Roma ao sexto lugar da Serie A do Campeonato Italiano.
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segunda-feira, junho 06, 2011
Qualquer sistema é bom, desde que bem aplicado
Capacidade de mexer nas peças para alterar funções sem provocar mudanças nas estruturas do sistema é um dos diferencias dos grandes treinadores
Nivan Gomes*
O sistema utilizado em uma partida de futebol deve ser flexível para se ajustar às necessidades durante a partida. Se ao treinador é dada a oportunidade de fazer substituição, isso deverá ser utilizado para mudar sua maneira de jogar, e não tão somente para reparar uma expulsão ou algum acidente de contusão.
O treinador tem que ter consciência de que um sistema não deve ser uma coisa engessada, ou com um padrão definido de jogo retirado da prancheta, porque é na sua aplicação que são definidas as variáveis que devem ser implementadas, dependendo das circunstâncias que são apresentadas durante a partida.
O que faz a diferença entre um treinador e outro quando os dois se utilizam do mesmo sistema é justamente a capacidade de mexer nas peças para alterar funções sem provocar mudanças nas estruturas do sistema.
Existe uma máxima no futebol que se diz que: "em time que está ganhando não se mexe". Não se mexe na estrutura do time, mas as alternativas que o sistema oferece possibilitam, sim, fazer alterações mantendo ainda um time vencedor.
Vamos detalhar melhor como isto ocorre. Um sistema é mais que a distribuição de seus jogadores no gramado. Cada elemento tem sua função determinada que no conjunto irá resultar no sucesso do time, que é justamente a somatória dos sucessos individuais.
Muitos afirmam que na hora da decisão quem define ainda é o talento individual. O talento pode até definir em um lance, uma partida, mas esse talento não aparece durante os 90 minutos de jogo, quem aparece durante todo o jogo é o coletivo. Sem o coletivo o talento é inútil.
Todos ficam encantados quando assistem alguns times europeus mostrarem nos dias de hoje uma disciplina tática que estamos anos luz para atingir. Seus jogadores com dois ou três toques na bola resolvem em triangulações perfeitas, situações que para nós utilizamos o triplo em tempo e toques para o mesmo problema.
Nosso futebol ainda não saiu do individualismo. Sempre ficamos na dependência do talento de um ou dois jogadores do time para resolver o jogo. Isso porque nossa mentalidade é de valorizar o individual em detrimento ao coletivo. Não podemos depender da inspiração individual. Isso pode até analtecer determinado atleta, mas a valorização do coletivo deve ser o principal objetivo.
Dos fundamentos do futebol, reputo o passe como principal elemento. Sem um passe de qualidade com precisão em tempo e espaço, fica difícil a qualidade do coletivo aparecer. Assim como o nado sincronizado, o futebol também é um esporte de movimentos coordenados. Um atleta que se desloca no tempo e no espaço errado induz todo o coletivo para uma ação mal realizada. Todo movimento deve ser realizado para render melhor com o esforço empregado e que o resultado some para o coletivo, mesmo que esse esforço tenha sido individual.
Em disputas individuais o atleta oferece sempre uma opção ao adversário que lhe possibilite uma rápida recuperação da bola. O mesmo ocorre com o coletivo: devemos sempre oferecer ao adversário a opção que queremos que ele tome, assim passamos a ele a ilusão que ele está tomando a iniciativa, quando na verdade ele está fazendo exatamente o que queremos que ele faça.
Isso deve ocorrer em todas as oportunidades em que uma ação será reiniciada a partir de uma paralisação do jogo. Então, atraímos o adversário para chamadas zonas neutras do campo, tiramos seus defensores de suas zonas e fazemos variações de movimentos, induzindo-os a mudanças de áreas para dificultar sua recuperação de defesa.
Em um sistema, alguns jogadores devem ter uma função de liberdade de movimento, o que possibilitará que em determinada zona do campo, ter um maior número de atletas em relação ao adversário. Isso deve ser aplicado nos três setores do campo, o que exige dos atletas com essa função um desgaste físico acima da média.
Respeitando as características individuais de cada atleta, sua função deverá ser definida para somar no conjunto. O treinador deverá escolher o sistema de acordo com o elenco que tem a sua disposição. Então ele poderá ter um time com mais pegada, mais veloz, um misto dos dois e definir sua postura de ação, de que forma irá atacar, atraindo o adversário para seu campo, ou se por pressão no campo do adversário, correndo os riscos que isso resulta. Sua ação de ataque sempre terá como base uma ação de defesa; como se diz na linguagem do futebol, a melhor defesa ataque é o ataque.
Tudo isso independe do sistema adotado. No futebol, qualquer sistema é bom desde que bem aplicado.
*Nivan Gomes é treinador de futebol; CREF4/SP 53184 – São Paulo/Brasil e COFEF – Conselho Federal de Educação Física – Rio de Janeiro/Brasil
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sábado, junho 04, 2011
Reflexões sobre a formação e atuação dos treinadores de futebol*
Deve-se haver um envolvimento da CBF, federações de futebol, CONFEF/CREF e instituições de ensino em busca da regulamentação de um curso único que contemple e atenda as necessidades da profissão
José Luiz Correa**
*Este é parte de um texto enviado ao CREF-SP em 2004, objetivando pontuar sobre a estrutura do futebol brasileiro, procurando auxiliar na regulamentação da profissão de treinador de futebol. Passados quase sete anos, pouca coisa mudou, ou seja o texto continua atual...
Sabemos que o futebol é um desporto com que o país tem uma identidade muito forte, que é considerado um produto nacional, onde há grandes investimentos por parte de TV’s e patrocinadores, envolvimento de muitos profissionais e é um considerável gerador de empregos diretos e indiretos. Até os dias de hoje não atingimos o nível ideal de profissionalismo em planejamento, administração de clubes, atuação de procuradores e empresários entre outras áreas, inclusive critérios para admissão e seleção de treinadores e uma melhor conduta de ética na relação trabalhistas destes com os clubes.
Com um lento desenvolvimento deste esporte, atualmente ainda vemos o futebol brasileiro com sérios problemas estruturais, desde a formação de um atleta até a organização coerente de uma competição, comprometendo o processo evolutivo do nosso futebol. Os profissionais que atuam neste universo devem ter uma reflexão sobre estes processos. Podemos, sim, melhorar o trabalho de diversos profissionais como dirigentes, atletas, empresários, imprensa, treinadores, preparadores físicos e outros.
Falemos sobre treinadores: é importante um treinador ter conhecimento específico acadêmico se possível prático e ter uma visão multidisciplinar. Na Europa, Itália, Espanha, França, Holanda e Inglaterra existem várias escolas/universidades que ministram cursos para treinadores, sendo que em seus respectivos países o treinador deve passar por elas para poder atuar.
Aqui no Brasil existem alguns cursos e palestras geralmente organizadas por sindicatos que duram em média cinco dias, além de outros cursos segmentados. Longe de termos uma formação de treinadores estruturada, organizada e chancelada pelas instituições de ensino, CBF e Federações.
Em países como a Holanda através do site (www.knvb.nl), uma das exigências é dominar o inglês e ter formação acadêmica. Na Itália, no Centro Técnico Coverciano, mantido pela Federação Italiana de Futebol, há três níveis de curso (licença) e só fazendo o curso máster é possível dirigir uma das equipes da Série A.
No Brasil um atleta por ter sido jogador profissional de futebol é denominado instrutor de futebol através da lei 6.354/76 em seu art. 27 que regula a profissão do atleta profissional de futebol; por outro lado o CONFEF (Conselho Federal de Educação Física) através da lei 9696/98 que regulamenta o profissional de Educação Física, e a lei 8650/93 que regula o Treinador de Futebol em seu parágrafo 3º travam uma conquista judicial pela prerrogativa do exercício da profissão de treinador.
Após reivindicações e conquistas por parte dos atletas profissionais através de seu sindicato, O CONFEF criou o sistema de registro provisionado, onde através de comprovação de experiências como atleta e participação em módulos de estudo (ver no site www.crefsp.org.br como funciona este sistema) tem credenciado o atleta mediante um registro junto ao CREF a atuar de forma legal como treinador de futebol.
Atualmente existe uma Ação Civil Pública 2004.61.00.023290-2 movida pelos sindicatos de atletas e treinadores que dá o direito aos treinadores pertencentes a este sindicato de não serem regidos pelo CONFEF/CREF. Ainda cabe recurso para o CONFEF/CREF. Porém este assunto poderá ser discorrido em outro momento com maior profundidade, pois demanda mais linhas, e percebe-se que não terminará brevemente pela falta de entendimento comum entre as partes.
Deve-se haver um envolvimento da CBF, federações de futebol, CONFEF/CREF e instituições de ensino em busca da regulamentação de um curso único que contemple e atenda as necessidades que requer a profissão de um treinador para não baixar a qualidade da metodologia de ensino. Curioso que não se exige formação acadêmica a um treinador, porém para um preparador físico é imprescindível.
Geralmente supervalorizam o treinador (vários com grandes responsabilidades e altos salários, que até fazem jus a tal) e não é dado o valor merecido ao preparador físico, sendo que em alguns casos o mesmo tem mais participação no desempenho da equipe do que o próprio treinador que apenas escala.
Com a globalização de informações através de vários veículos de comunicação, como internet, TV paga, etc., ainda existem treinadores que encontram dificuldades em realizar um trabalho com planejamento, periodização, dosagem de cargas (intensidade e volume), trabalhos técnicos e táticos, mesmo tendo a seu favor assessoria de diversos profissionais como fisiologistas, psicólogos e outros. Entende-se que o treinador deva ser especialista com uma visão multidisciplinar, com noções de treinamento físico, avaliação em futebol, psicologia, enfim, em todas as áreas que dão suporte à equipe.
Somos pentacampeões, mas segundo a CBF em 2009 havia 783 clubes profissionais; se estes clubes trabalharem suas categorias de base, infantil, juvenil e juniores, teremos um grande números de atletas, e se o trabalho de base nos clubes fosse mais bem estruturado, poderíamos ter muito mais revelações e jogadores mais bem preparados - mas este também é um tema para uma outra oportunidade.
Com essa quantidade de clubes teremos aproximadamente 3.132 treinadores atuando, somados aos de escolinhas particulares, núcleos esportivos do governo em periferia e grandes centros.
Reflexões
Por que apenas se falam em no máximo 10 treinadores de destaque? Por que os nossos treinadores não são convidados para dirigirem os grandes clubes da Europa? Porque temos muito pouco material didático, como livros, DVD´s, etc. Diferentemente do que se encontra nos países da Europa e EUA.
Quem deveria fazê-los quem atua no futebol na prática, na teoria ou na inter-relação destes conhecimentos? Podemos evoluir melhor também na realização de eventos, congressos, palestras e debates sobre futebol.
A estruturação e o profissionalismo do nosso futebol devem acontecer nos dias de hoje, deve ser parte das obrigações de um país que sediará uma Copa do Mundo, e não aguardar em berço esplêndido, acreditando que tudo vai se ajustar durante e após a Copa. Não queremos isto como um legado!
**Graduado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes, Pós Graduado como Treinador Profissional de Futebol pela USP, Gestor Esportivo e ex- atleta de futebol.Contato: joseluiz.correa@hotmail.com
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domingo, maio 29, 2011
Falcão mira ‘quebrar cultura’ e se estabelecer durante os jogos oficiais em uma cabine
Atual treinador do Inter acredita que visão é melhor e facilita compreensão dos acontecimentos, mas depende de tempo para execução
Equipe Universidade do Futebol
Durante mais de uma década, Paulo Roberto Falcão se acostumou a assistir aos jogos de futebol em estádios de futebol de uma cabine de transmissão. Geralmente localizado em um ponto elevado, em meio às cadeiras numeradas, aquele ambiente dava ao então comentarista da Rede Globo de Televisão uma visão mais ampla e estratégica do que se delineava em campo. Agora na função de treinador do Internacional, o ex-jogador pode adotar prática semelhante.
Nesta semana, Falcão revelou que pensa comandar sua equipe longe do gramado. Ele reitera que o projeto particular seria uma evolução para os técnicos, justamente pelo fato de que eles poderiam observar melhor movimentos táticos e ter um panorama mais aberto da suas equipes e do adversário. Mas há uma barreira histórico-cultural.
“Lá em cima se tem uma visão diferente. Uma visão mais ampla. Acho que as coisas no futuro se encaminhem para isso. Tem que quebrar uma cultura, quebrar a história de estar na beira do campo. Mas é que lá em cima se vê melhor o jogo”, opinou.
Tal iniciativa, entretanto, iria se consolidar mais à frente, visto que Falcão está há pouco tempo no comando do grupo principal colorado. A saída da beira do gramado, à frente do banco de reservas, pois, aconteceria em um contexto de maior compreensão do time com as ideias do ex-jogador.
“Talvez o treinador que grite e chute precise ficar ali [na beira do campo]. Mas lá em cima, se vê muito melhor jogo. Acho que seria um ganho para o futebol que os treinadores vissem o jogo com um ângulo de cima. É uma modificação que poderá acontecer”, completou Falcão.
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