Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, julho 06, 2016

Comitê de Reformas anuncia aprovação de medidas, com novidades em quatro áreas de ação


O Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro anunciou nesta quinta-feira (9) importantes avanços, após reunião na sede da CBF, no Rio de Janeiro. Os 18 membros do Comitê aprovaram o Código de Ética do Futebol Brasileiro, o novo calendário, um plano de ação para o futebol feminino e uma metodologia oficial da CBF de ensino do futebol para crianças.
– Em menos de quatro meses de existência, o Comitê de Reformas apresenta uma série de medidas fundamentais, reafirmando o nosso compromisso com a adoção de boas práticas de gestão. É só com planejamento e profissionalismo que faremos o futebol brasileiro avançar – afirma Rogério Caboclo, diretor executivo de Gestão da CBF.
O Código de Ética valerá para dirigentes da CBF, das 27 federações estaduais e dos clubes nacionais, além de jogadores, árbitros e outros profissionais ligados ao futebol no Brasil. Levantamento da ONG Transparência Internacional feito em 2015 revelou que apenas 50 de 209 federações nacionais de futebol possuem Código de Ética.
– O Código de Ética é fruto de um processo de modernização do futebol brasileiro, liderado pela CBF, que vem adotando novos instrumentos de boa governança e transparência. Nesse sentido, o Comitê de Reformas tem sido um espaço importante para garantir que todos os envolvidos com o futebol tenham voz, seja participando diretamente dos grupos de trabalho ou compartilhando sugestões e opiniões pelo nosso site – explica Walter Feldman, secretário geral da CBF e presidente do Comitê de Reformas.
O documento prevê a criação de uma Comissão de Ética nos moldes da que existe na FIFA, com uma Câmara de Investigação e uma Câmara de Tomada de Decisão. O texto foi elaborado por um grupo de trabalho com nove integrantes, sob a coordenação do presidente do STJD Caio César Vieira Rocha.
O Código de Ética prevê punições para quem desrespeitá-lo. As penas podem ser advertência, multa de até R$ 500 mil, suspensão de até 10 anos, demissão por justa causa, trabalho comunitário, proibição de acesso aos estádios por até 10 anos e proibição de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol também por até 10 anos.
Agora, o Código de Ética segue para a aprovação da Assembleia Geral para então entrar em vigor. Depois, será formada uma Comissão de Ética, assim como será criado um site para o recebimento de denúncias.
Novo calendário do futebol brasileiro
O Comitê de Reformas também aprovou o novo calendário do futebol brasileiro, intensamente debatido e elaborado por um grupo de trabalho com 21 integrantes, sob a coordenação dos campeões mundiais Carlos Alberto Torres, Ricardo Rocha, Edmílson e Carlos Alberto Parreira. As mudanças entram em vigor em 2017. Foi o tema que mais recebeu sugestões no site do Comitê de Reformas, com 49% do total.
Um dos avanços é a flexibilização do número de datas dos campeonatos estaduais para adequação das copas regionais. Os estaduais terão uma redução do número máximo de datas, que cai de 19 para 18, embora a média deva ficar em 16 datas na maioria do país. Assim, os regionais terão até oito datas garantidas.
Outra conquista é a paralisação do calendário em datas FIFA, sem a realização de partidas de campeonatos da CBF nos dias anteriores e posteriores às partidas da Seleções nacionais. Na prática, essa mudança acarretará em duas pausas de 13 dias, nos meses de setembro e outubro.
No ano que vem, o Campeonato Brasileiro terá uma redução de 11 para nove datas de jogos em meio de semana. Essa mudança permitirá que os clubes tenham mais tempo para trabalhar aspectos técnicos e táticos, além de garantir um maior período de recuperação aos atletas.
O novo calendário manteve conquistas importantes como as férias anuais de 30 dias e a pré-temporada de 25 dias.
O grupo de trabalho seguirá suas atividades com a elaboração de um plano de quatro anos para novos aperfeiçoamentos do calendário do futebol profissional, além de estudos sobre possíveis mudanças também para as categorias de base.
Futebol feminino tem 11 medidas
Um dos temas mais amplos debatidos pelo Comitê de Reformas, o Futebol Feminino teve aprovada uma primeira onda de ações a serem realizadas nos curto e médio prazos. São 11 medidas, divididas em quatro grandes temas: Desenvolvimento, Competições, Seleções e Marketing.
Sob a liderança da integrante da Escola Nacional de Arbitragem, Ana Paula Oliveira, e da jogadora Formiga, o grupo de trabalho do Futebol Feminino é composto por 21 integrantes, incluindo nomes como Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF, Lorena Soto, gerente de Desenvolvimento do Futebol Feminino da Conmebol, e Mayi Blanco, gerente sênior de Desenvolvimento do Futebol Feminino na FIFA.
A CBF agora vai analisar a implementação das medidas aprovadas.
Uma metodologia social
Também foi aprovada a metodologia "Paixão Nacional", projeto desenvolvido no grupo de trabalho CBF Social. Trata-se de uma metodologia oficial da CBF de ensino do futebol para crianças e adolescentes matriculados no ensino público ou particular, além de escolinhas e projetos sociais.
A metodologia é baseada na essência do futebol brasileiro, com valores inspirados nos títulos mundiais da Seleção Brasileira: Equilíbrio (1958), Criatividade (1962), Responsabilidade (1970), Comprometimento (1994) e Confiança (2002), além do Fair Play.
Os alunos vão aprender fundamentos como passe, chute, condução e drible, entre outros. De acordo com a faixa etária, participarão de partidas com número reduzido de jogadores em cada time – dois contra dois, três contra três, e assim por diante. Esses formatos contarão com regras adaptadas, já aprovadas pela Comissão e pela Escola Nacional de Arbitragem.
O primeiro passo será oferecer cursos de capacitação para professores de educação física, ex-jogadores e outros profissionais que atuem em escolinhas de futebol ou projetos sociais. O projeto piloto será implantado nas escolas públicas de Goiás, em uma parceria da CBF com o Governo do estado.
O objetivo final é a nova metodologia de ensino do futebol seja incorporada ao currículo de Educação Física das escolas brasileiras.
Comitê de Reformas
O Comitê de Reformas foi instaurado no dia 18 de fevereiro deste ano e logo criou cinco grupos de trabalho: Código de Ética, Reforma do Estatuto, Licenciamento e Registro, Calendário do Futebol e Futebol Feminino. Depois, também surgiu o grupo CBF Social. Mais recentemente, foram aprovados dois novos temas: Categoria de Base e Internacionalização do Futebol, que teve sua primeira reunião hoje. Na reunião de hoje ficou decidida a criação também do Grupo de Trabalho para Direitos dos Atletas. Até o momento, já foram realizadas seis reuniões do Comitê de Reformas e mais 17 dos grupos de trabalho.

 Fonte: CBF

Extra Futebol] "Dez Mandamentos do Professor"


A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras , caducam em prazos muito curtos.
Inspirados neste exemplo, elaboramos os Dez Mandamentos do Professor. Estes dez mandamentos são fruto de uma experiência particular e não se pretendem eternos ou válidos em qualquer ocasião. Gostaria apenas de fornecer a colegas, como você leitor, uma reflexão particular, que possa ser aprofundada, reinterpretada ou rejeitada de acordo com a sua experiência.
O que me levou a pensar nestes princípios é a mesma angústia que assola qualquer educador: como ser um bom profissional, ensinar, transformar meu aluno e fazer parte desta transformação? Como superar o tédio dos meus alunos, a indisciplina, a irrelevância de algumas coisas que faço e meu próprio cansaço? Como não considerar a sala um fardo e o relógio um inimigo? Como parar de achar que só vivo a partir do fim-de-semana? A partir destes questionamentos, você está permanentemente convidado a adensar ou criticar, fazer seus outros dez ou sintetizar a dois ou três, pois, quem acha que pode melhorar a aula que dá , já começou a viver educação. E quem não acha que pode? Bem, deixa para lá! Ensinar não é a única profissão do mundo…
-PRIMEIRO MANDAMENTO: CORTAR O PROGRAMA!
Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.
-SEGUNDO MANDAMENTO: SEMPRE PARTIR DO ALUNO!
Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.
-TERCEIRO MANDAMENTO: PERDER O FETICHE DO TEXTO!
Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense…Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.
-QUARTO MANDAMENTO: POSSIBILITAR O CAOS CRIATIVO.
Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.
-QUINTO MANDAMENTO: INTERDISCIPLINAR!
Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.
-SEXTO MANDAMENTO: PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO.
Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: “O Feudalismo” ou “O Relevo do Amapá”; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?
-SÉTIMO MANDAMENTO: VARIAR AVALIAÇÕES.
Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

-OITAVO MANDAMENTO: USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!
O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.
-NONO MANDAMENTO: ANALISAR-SE PESSOALMENTE!
A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.
-DÉCIMO MANDAMENTO: SER PACIENTE!
Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula…) . Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.
Há alguns anos eu falava de alguns destes princípios e uma senhora redargüiu dizendo que ela fazia tudo isto e muito mais e, mesmo assim, os alunos estavam cada vez piores e com menos resultados. Olhei para esta professora e senti nela o reflexo de meus cansaços também. A única coisa que me ocorreu lembrar é uma alegoria, com a qual encerro este texto:
Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novo ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A auto estima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém. Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João , com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa. O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos , Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada! Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias defeedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados. O mestre mandou um módulo auto-instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…
Bem, eu disse à professora que me questionava: se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?

segunda-feira, julho 04, 2016

Licenciamento de times de futebol ainda é pouco explorado

  
Li na revista Licensing Brasil, uma matéria sobre licenciamento das marcas de clubes de futebol. 
A matéria traz uma enquete feita pela própria revista em conjunto com a Destaque Business Research, onde 63 fabricantes e importadores de diversos segmentos, responderam sobre licenciamento de marcas de clubes de futebol. 
A pesquisa continha 6 perguntas, em 5 delas os entrevistados não souberam avaliar questões como volume de vendas; região do país com maior volume de vendas; período com maior volume de vendas; público-alvo e trabalho do agente licenciador. Com essa pesquisa podemos ver como a indústria do esporte é muito pouco estudada e explorada no Brasil. O que é mais incrível é que estamos falando de "FUTEBOL", nosso esporte número um. Dá pra imaginar qual seria o resultado se a pesquisa falasse de outros esportes como: vôlei, basquete, natação e atletismo. Mas acho isso tem um lado bom. É saber que existe um mercado promissor, que pode ajudar a movimentar a economia nacional, pode gerar muito dinheiro para as empresas, para os atletas e para os profissionais da área. E pode também gerar muitas oportunidades para todos aqueles que querem trabalhar nessa área. 

Acompanhe as perguntas:

1. Sua linha de produtos licenciados conta com marcas de clubes de futebol?
39,7% Sim
60,3% Não

2. Como você avalia o volume de vendas para o varejo dos itens que trazem como diferencial a marca de times de futebol?
4,8% Péssimo
7,9% Ruim
52,4% Boa
12,7% Excelente
22,2% Não sabe avaliar

3. Sua empresa vende mais produtos licenciados com times de futebol para qual região do país?
6,3% Sul
1,6% Norte
28,6% Sudeste
1,6% Nordeste
1,6% Centro-Oeste
60,3% Não sabe avaliar

4. As vendas de produtos de clubes de futebol de sua empresa são maiores em que época do ano?
9,5% O ano todo
6,3% Primeiro semestre
19,0% Segundo semestre
65,1% Não sabe avaliar

5. O trabalho de suporte realizado pelo agente licenciador, com o qual sua empresa tem contrato de determinado clube de futebol, é:
0,0% Excelente
19,0% Bom
15,9% Ruim
4,8% Péssimo
60,3% Não sabe avaliar

6. Os itens licenciados com times de futebol vendem mais quando focam qual público?
7,9% Infantil
17,5% Jovem
12,7% Adulto
19,0% Todos os públicos
42,9% Não sabem avaliar

Fonte: Destaque Business Research / Postado por José Eduardo Silva / repostado por Benê Lima

O fantástico mercado do lincenciamento


Uma das discussões atuais do marketing é a oportunidade de ganhar algum dinheiro extra por meio do licenciamento da sua marca. O licenciamento é uma forma de desenvolvimento de mercado, produtos e diversificação. Antes de tudo, é uma bela estratégia de marketing para conseguir reconhecimento dos consumidores de forma rápida.

Além disso, o licenciamento traz diversas vantagens como a transferência dos valores da marca, menores investimentos na criação, diversificação do portfólio, entrada em novos segmentos, faturamento adicional, redução do tempo para chegar ao consumidor final, assim como esforços de comunicação.

Os resultados mostram que o processo de licenciamento de produtos é comum à maioria das empresas detentoras de marcas consolidadas no mercado.

O esporte é um mercado em expansão e ligado de forma intensa ao imaginário emotivo do consumidor, o que facilita a aceitação de novos produtos ou marcas.

No esporte, o licenciamento de produtos tem como objetivo atender à grande demanda de torcedores que buscam os mais variados produtos com as cores e marca do clube do coração. E essa constitui uma das maiores fontes de receita para os clubes.

Um clube tem uma torcida. Essa torcida quer usar uma camisa oficial para ir aos jogos. Assim, o clube licencia sua marca para que um fabricante de materiais esportivos produza e distribua as camisas. Em troca, o time recebe royalties sobre as vendas. E assim, temos um simples exemplo de licenciamento de produtos.

Existem várias formas de licenciamento, dentre elas: o clube licencia isoladamente sua marca, o clube em parceria com um atleta licencia as marcas em conjunto, o atleta licencia isoladamente com um parceiro comercial e por último o licenciamento de federações ou campeonatos.

Mas, qual é o limite para o uso da marca? Não tem limite. Alguns clubes ou instituições possuem mais de três mil itens na sua linha de produtos, que vão desde cachaça, vinho, biscoito, relógio, boné, roupas para cães, utensílios domésticos, caneta, caderno, mochilas, perfume, preservativo até os “tradicionais” artigos esportivos.

E no Brasil, o cenário não é diferente. O mercado de produtos licenciados gira mais de 5 bilhões por ano no país. Há uma tendência forte de crescimento das licenças esportivas, sobretudo às ligadas ao futebol e aos mega eventos de 2014 e 2016.

Mas, o Brasil ainda joga nas categorias de base quando falamos dessa estratégia. O país tem um potencial enorme e pode crescer muito com todas essas oportunidades.
O esporte move cerca de 1,9% do PIB. O número não é baixo, mas tem um grande potencial de crescimento, se comparado aos números de países como Estados Unidos e Inglaterra.

As instituições esportivas brasileiras precisam ter um planejamento de marketing bem elaborado, que lhes permitam conhecer seus clientes (torcedores ou simplesmente admiradores), o tamanho do mercado da marca que está ligado diretamente ao potencial comercial e não ao tamanho da torcida e por fim, quais os hábitos de compra dessas pessoas. Assim, podem estruturar ofertas para atender adequadamente e de forma lucrativa os clientes torcedores. Outros dois benefícios que podem ser identificados são: conhecimento do perfil dos possíveis parceiros e a criação de uma previsão de vendas, possibilitando avaliar a dimensão dos ganhos.

Esse é o começo de tudo. Sucesso e dinheiro não caem do céu. Tem que ter trabalho, planejamento, tempo e investimento.

O esporte tem uma linguagem universal. Fala com todo tipo de público. Esporte é mais do que competição. Esporte é estratégia. Esporte é entretenimento. Esporte é consumo. E por isso, é necessário explorar essa ferramenta de marketing de forma mais eficaz, estreitando relação entre o clube-torcedor, clube-parceiro ou parceiro-cliente. São eles que trazem retorno institucional e em vendas.

Por: Larissa Esteves Guerreiro – Apaixonada por Marketing e Futebol e vice-versa.

sábado, julho 02, 2016

Cai o número de brasileiros que joga futebol como atividade de lazer


 
POR HÉRIKA DIAS/Agência USP de Notícias
A paixão dos brasileiros pelo futebol pode ser grande, mas o número de pessoas que faz do esporte uma atividade física de lazer caiu. De 2006 a 2012, o percentual foi de 9,1% para 7,2%, uma redução de 20% em sete anos. O futebol foi ultrapassado pela musculação/ginástica (aumento de 7,9% para 11,2%) e se tornou a terceira atividade física mais praticada nas horas de folga dos brasileiros. Em primeiro está a caminhada (em torno de 18% entre 2006 e 2012).
As informações constam de um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, baseado nos dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas), um inquérito produzido anualmente pelo Ministério da Saúde por meio de entrevistas por telefone com cerca de 54 mil pessoas, a partir dos 18 anos, nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.
Os doutorandos Thiago Hérick de Sá e Leandro Martin Totaro Garcia e o pós-doutorando Rafael Moreira Claro analisaram as dados do Vigitel entre 2006 e 2012 para descrever a frequência e os principais tipos de atividade física praticados pelos adultos brasileiros no período de lazer .
De acordo com os pesquisadores, o estudo é descritivo e, portanto, não foram investigadas as possíveis causas da variação dos praticantes de futebol. “Não podemos ser taxativos de que está havendo uma substituição. O fato de o futebol estar caindo e da musculação/ginástica estarem subindo em termos populacionais, não quer dizer que as pessoas estão trocando uma coisa pela outra, pode ser que as pessoas que deixam de jogar futebol não sejam as mesmas que passaram a frequentar mais a academia”, ressalta Thiago Hérick de Sá.
Entretanto, eles formularam algumas hipóteses para explicar a queda na prática de futebol. “No Brasil, jogar futebol sempre foi muito dependente de campos públicos e muitos deles estão em terrenos baldios. Mas esses espaços têm diminuído muito por causa do mercado imobiliário, para a construção de novos prédios, novos empreendimentos, o que se dá tanto em regiões mais centrais como na periferia das cidades”, afirma o pesquisador.
Ele sugere que a diminuição dos praticantes de futebol também esteja ligada à dificuldade em se encontrar tempo e pessoas. “É preciso tempo para se fazer uma prática dessa ou mesmo para se organizar uma partida, porque jogar futebol envolve no mínimo 10 pessoas. A organização dessa atividade toma tempo e hoje vivemos em um contexto social que torna isso um pouco mais difícil.”
Academias
O crescimento dos praticantes de ginástica/musculação – passou de 7,9% em 2006 para 11,2% em 2012 – pode estar relacionado ao aumento da oferta de espaços para a prática, segundo Thiago. “O número de academias tem crescido, mesmo as academias de bairro. Há também iniciativas públicas, governamentais para oferecer esse tipo de espaço. Programas de ginástica dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), também aumentam a oferta desse tipo de atividade.”
Ele também acredita que o crescimento do poder de compra do brasileiro contribuiu para mudança. “A população brasileira teve um aumento no ganho real da sua remuneração nos últimos 10 anos, isso facilita as pessoas pagarem uma academia, por exemplo”.
Atividade física
O estudo mostra que metade dos brasileiros não faz atividades físicas no seu tempo de lazer. A outra metade que pratica alguma atividade física é composta na maioria por homens – 60%, contra 40% de mulheres. Os principais tipos de práticas em 2012 foram caminhada (18,1%), musculação/ginástica (11,2%), futebol (7,2%), corrida (3,1%), bicicleta (2%), hidroginástica (0,9%), natação (0,9%), outros (3,65).
Os pesquisadores chamam a atenção para a falta de diversidade nas atividades físicas de lazer praticadas no Brasil, 78% está baseada na caminhada, ginástica/musculação e futebol. “Isso é o reflexo da falta de uma política nacional de promoção da atividade física e do esporte. É normal que a cultura de alguns países dê mais atenção para determinados tipos de práticas, mas mesmo assim essa proporção no Brasil pareceu exagerada, precisaríamos diversificar, oferecer espaços para outras práticas, como handebol, luta, dança, yoga, etc”, alerta o pesquisador.
O trabalho dos pesquisadores do Nupens foi publicado em julho de 2014  no International Journal of Public Health.

'Somente os clubes podem salvar o futebol brasileiro', diz Leonardo

Paulo Vinícius Coelho / colunista Folha
No último dia 14, quando Tite foi convidado pela CBF para ser o técnico da seleção brasileira, a Folha publicou que o ex-jogador e ex-técnico do Milan Leonardo era a primeira opção do presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, para assumir a função de coordenador de seleções. 
Contudo, em meio às articulações, Edu Gaspar, ex-Corinthians, foi o escolhido. Del Nero não chegou a telefonar para Leonardo. 
Radicado na Itália, ex-técnico de equipes como Internazionale, de Milão, e ex-diretor do Paris Saint-Germain, Leonardo Nascimento de Araújo, 46, é o brasileiro com mais conhecimento de gestão do futebol europeu. 
Em entrevista à Folha, fala sobre os problemas do futebol brasileiro e aponta a salvação: os clubes. 
Folha - Alguém da CBF conversou com você, fosse um convite ou troca de experiências?
Leonardo - Nunca fui procurado. Talvez porque minhas posições tenham sempre ficado bem claras e sejam distantes do que existe hoje. Mas veja. Não quero falar que a CBF é isto, aquilo. Temos de sair um pouco da fase de lamentação. Temos de ir para a fase da ação.
 
Pessoas de outros segmentos têm conversado com você?
Talvez a CBF não tenha me procurado porque minha volta ao Brasil não é fácil. Importante também dizer isso. Não sou candidato a nada. Estou muito enraizado na Europa. Mas participar é bom. As pessoas me procuram muito hoje, sim. Os clubes, o Bom Senso, pessoas que querem aprovar leis, jogadores, treinadores.
 
Você não é candidato a nada. Mas se fosse presidente da CBF, o que faria?
Partiria de um projeto dos clubes. Não existe futebol forte sem clube forte e campeonato forte. Hoje, a CBF teria essa missão. Mas seria importante se ela ajudasse a criar uma liga. Mesmo os clubes não trabalham isso. Então o presidente da CBF precisa ser o cara que mude o futebol brasileiro. A visão hoje é política, não é esportiva nem econômica, o que freia nossa evolução. A política nos impede de ser atuais.
 
A situação política atual permite esse avanço?
Independentemente da posição do presidente da CBF ser delicada, ele poderia ser o piloto de uma nova estrutura do futebol. Já convivi com muitas esferas de poder. Sei como é difícil ceder. Mas hoje nosso futebol está cada vez mais deteriorado. É momento de ceder um pouco. De ser o criador de um projeto que estimule os clubes a serem gerenciados de outra maneira. É um problema a estrutura dos clubes também ser política. Seus dirigentes não são escolhidos porque têm formação, porque estudaram, prepararam-se. São políticos também, o que é muito ruim.
 
No Brasil, o "negócio" é visto muitas vezes só como exportação de atletas. É possível criar torneio relevante que reduza a obrigação de exportar? 
É possível, porque somos o Brasil. Não quero ficar sentado nos louros do passado. Pode ter um produto vendável, com qualidade. Sabemos produzir, mas não conseguimos mais. Mas é necessário partir de um projeto dos clubes. Só os clubes podem salvar o futebol brasileiro. 
Qual o primeiro passo?
No início, tem de haver uma mudança da estrutura jurídica de todos os clubes. E a criação de uma entidade que regule esse novo campeonato. Hoje, a notícia que acontece no Brasil não sai nem na Argentina.
 
A China está investindo na Europa e não no Brasil, porque o Brasil não tem estrutura nem credibilidade. Para investir, precisa mudar a estrutura jurídica [refere-se à criação de clubes empresas ou outros mecanismos que permitam a entrada de capital estrangeiro]. A China é só um exemplo. O importante é ser sempre atual para captar os investidores do momento. 
Isso tudo tem de passar pelos clubes, mas a CBF tem de ser a aglutinadora de um mercado de clubes que hoje só brigam por política. Você acha que um dirigente hoje investe mais na relação política ou nas divisões de base? 
De quanto tempo o Brasil precisa para voltar ao topo?
Leva tempo, mas o maior problema é conseguir que todos pensem assim. Jogadores, dirigentes, federações, imprensa, torcedores. Estamos todos divididos. Não quero saber do passado. A Justiça pode querer saber disso. Mas daqui para a frente, o objetivo precisa ser fazer outro futebol.
 
Você detalhou a crise do futebol brasileiro. A crise da seleção é do mesmo tamanho?
A seleção é sempre consequência do futebol brasileiro, não o contrário. Hoje, o jogador médio do Brasil é pior do que o médio das grandes potências. E isso passa por formação. Oito de 11 jogadores são bem formados na Europa. Eles fazem a diferença. Temos de aumentar a nossa média com nova metodologia de treinamento.
 
O país dará vexame na Rússia?
Pode chegar com o mesmo time, acertar o ambiente, criar coisas positivas e vencer. Mas se tiver dez competições, não vai ganhar cinco como acontecia no passado. A formação aqui é muito apressada. O brasileiro vai para a Europa e diz: "Aqui se treina melhor, aqui me recupero mais rápido". Não que o Brasil não saiba. Mas precisa ter metodologia. O jogador na Europa conhece mais o jogo. A gente não tem cultura do treinamento. Então, um menino na Europa, aos 15 anos, pode ter menos talento, mas tem mais competitividade.
 
O que representou o 7 a 1?
O 7 a 1 acabou colocando tudo isto em evidência. Nunca discutimos profundamente nossos problemas, porque não tinha acontecido uma catástrofe. O 7 a 1 levou nossa auto-estima. E a auto-estima nos fez ganhar muito. Convencia até os adversários de que éramos melhores. Mas há outras coisas a pensar sobre a Copa no Brasil. Que voz os clubes tiveram na organização da Copa do Mundo?
 
Nenhuma.
Nenhuma. Como você faz o maior evento, que pode trazer mil benefícios e nenhum clube se senta na mesa. A Alemanha usou a Copa para fazer da Bundesliga o segundo campeonato mais importante da Europa. Fez centros de formação e aumentou a média de audiência em televisão e no estádio. São as maiores da Europa. Tudo a partir de um evento. Estamos na idade da pedra de gestão. Hoje se tiver um jogo da Champions League e outro do Brasileirão, as pessoas assistem à Champions. 
Você é pessimista?
Isto tudo não sonho. O Brasil pode fazer. Mas hoje não tem união de todos os setores. A gente não sai do lugar por causa disso. Se eu fosse presidente da CBF, eu faria tudo a partir dos clubes. 
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sexta-feira, julho 01, 2016

As novas concepções da periodização dos treinamentos no ciclo de curta duração no futebol brasileiro


Se antes privilegiávamos a especialização a tal ponto que as paredes de cada área se tornavam intransponível, pouco a pouco com as novas concepções de treinamentos, amparadas no diálogo, na descoberta, na subjetividade, na cooperação, na criatividade, na consciência dos princípios e estratégias do jogo, novos ares começam a circular no ambiente futebolístico. A consideração das condições ambientais, da imprevisibilidade das situações do jogo, do contexto sociocultural, do modelo de jogo, das relações interpessoais, das estratégias de decisão, dos espaços e da percepção futebolística – todos esses aspectos são relevados pela concepção científica: sistêmico – ecológica .
A gestão dos treinamentos no futebol leva em conta os diferentes momentos na formação do jogador. Engloba o gerenciamento de métodos, conteúdos (exercícios), objetivos, procedimentos e recursos para preparar o jogador da etapa de formação até a elitização  – sempre, é claro, adaptado a idade biológica, a maturação, ao potencial genético, ao calendário das competições e ao estado de treinamento.
Os treinamentos são estruturados em dois ciclos de quatro anos. No primeiro ciclo os objetivos e conteúdos são direcionados para jogadores com idade cronológica entre 12 e 15 anos. O segundo ciclo para jogadores com idade cronológica entre 16 e 19 anos. O jogo de futebol não pode ser inteiramente planejado. Mas o treinamento pode, e deve. A planificação dos treinamentos para a formação do jogador de futebol a médio e longo prazo exige seleção, previsão, organização, decisão  e sistematização de conteúdos.  O propósito geral é levar o jogador de futebol a chegar a um alto nível de rendimento, com o alcance gradual de objetivos específicos, diferenciados para cada etapa do processo de treinamento.
Quando o jogador chega aos times de elite, os planos de treinamentos são orientados para uma temporada. Muitas vezes, os times são conduzidos por duas ou três comissões técnicas diferentes, em um mesmo ano.
2.  A periodização anual no ciclo de curta duração
No período de um ano, os treinamentos de futebol devem dar conta das categorias quantitativas, qualitativas e sistêmicas relacionadas com a interação de todos os conteúdos. Se a periodização for pautada apenas em uma categoria ou em um conteúdo, os treinos perdem a concepção unitária; tornam-se fracionados. A periodização da concepção científica: sistêmico – ecológica engloba o sentido de totalidade, considera as diferenças e valoriza as singularidades. Ela também conecta os conteúdos de treinamentos com o pensamento, desconsidera a estandardização de métodos e normas, estimula o diálogo externo e interno, respeita as identidades culturais e individuais.
As diferenças comportamentais dos jogadores, nos times de elite, restringem a padronização coletiva de objetivos, conteúdos e normativos de carga, para a promoção do rendimento individual. A idade dos jogadores pode oscilar até entre 17 e 42 anos. Em uma extremidade estão os jogadores com uma larga experiência motora- funcional, em outra, jogadores em fase de transição (entre o final da preparação de base e o inicio do elevado rendimento competitivo). Estes desníveis indicam que as etapas de desempenho, o estado de treinamento, e as reservas de treinamento são desiguais, de um jogador para outro. Quando os parâmetros de cargas (volume e intensidade) e os conteúdos dos treinamentos são dirigidos do mesmo modo para todo o grupo, o progresso de desempenho individual, especialmente dos jovens jogadores, é limitado. Embora os treinamentos sejam contínuos, as cargas não são sistematizadas e os estágios de adaptações são instáveis. Por esta razão, no cenário do futebol brasileiro existem muitos jogadores de elite, que apresentam deficiências técnicas, táticas e físicas primárias, algo muito complexo para um time encontrar um padrão de jogo e alcançar a excelência competitiva em uma única temporada.  Surge daí a necessidade de treinamentos individualizados, que muitas vezes, não estão incluídos na rotina dos treinos da periodização anual. Fato este que tem levado muitos jogadores de elite a contratar especialistas em treinamentos personalizados para complementar e reforçar o rendimento individual.
Não existe a uniformização de formas e metodologias para a periodização, uma vez que a configuração dos treinos leva em conta as concepções dos treinadores, o perfil comportamental dos jogadores e os objetivos da temporada – sempre, é claro, adaptada ao contexto político organizacional do clube e ao calendário anual dos campeonatos. Os princípios dos treinadores devem ser claros e objetivos, esclarecedores sobre o modelo de jogo e como os jogadores devem atuar. Sempre respeitando as peculiaridades do clube e da competição, interligado ao contexto cultural. De nada adianta realizarmos planejamentos burocráticos mirabolantes e aplicarmos modelos avançados de interação de treinamentos físicos, técnicos e táticos, se não considerarmos os componentes ambientais, estruturais, comportamentais, relacionais e emocionais dos jogadores, do time, do clube e da competição. Como assinalamos, treinar é proporcionar efetivamente aprendizado para provocar mudanças comportamentais.
A periodização é um mecanismo didático e pedagógico que divide os treinamentos em unidades temporais para alcançar objetivos pré-estabelecidos e conquistar resultados. É estruturada por períodos e ciclos, segue uma ordem lógica e apresenta uma distribuição não linear de categorias e conteúdos integrados ao longo da temporada.
É essencial que o processo de treinamento produza, entre os jogadores, adaptações utilitárias, consciência e mecânica organizacional, demandas físicas objetivas, o conflito temporário, a prioridade pelo coletivo, hábitos e padrão de jogo – sem sacrificar as potencialidades individuais -, a inquietação pelas tarefas realizadas com insucesso, a compreensão e a análise crítica do jogo. Os jogadores devem estar preparados para pensar e dialogar sobre a mecânica e a estratégia do jogo e encontrar alternativas junto aos treinadores para o melhor rendimento coletivo.
A repetição sistemática dos conteúdos técnicos e táticos deve provocar adaptações para alcançar os comportamentos pretendidos. Predominam os treinamentos adaptativos – específicos com alternâncias dos espaços, duração e intensidade.
Os treinamentos devem estar norteados por modelos de comportamentos individuais e coletivos e, um sentimento comum de responsabilidade, para a realização de tarefas  e tomadas de decisões nas diferentes situações do jogo. Nos times, o coletivo e o individual se complementam: há interdependência. O individual não desaparece, ele expressa o coletivo.
Com base no calendário anual do futebol brasileiro e nos princípios estruturais dos treinamentos do futebol, determinamos a periodização com os limites temporais em três fases:
Fase de treinamentos de base – Período de pré-temporada 
Fase de treinamentos de acumulação – Período de competição  
Fase de treinamentos específicos – Período de competição 
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2.1. Fase de treinamentos de base – Período de pré-temporada
O período de pré-temporada, também conhecido como fase de treinamentos de base, corresponde ao período mais curto do planejamento anual no futebol brasileiro. Compreende quatro ciclos semanais no mês de janeiro. Neles predominam os treinamentos de formação geral.
No início do primeiro ciclo semanal são realizadas as avaliações fisiológicas e físicas. Uma vez concluídas, as comissões técnicas com o suporte do setor de fisiologia, analisam os resultados das avaliações e definem os objetivos basilares para a elaboração e a organização dos treinamentos.
As avaliações fisiológicas e físicas são dividas em quatro grupos:
Saúde: ECG de esforço, ecocardiograma, exame ortopédico (com avaliação por imagem), exame bioquímico completo: exame de sangue, perfil lipídico, provas hepáticas, provas renais, perfil hormonal, tireóide, eletrólitos, glicemia, hepatite e sífilis.
Funcional: composição corporal, percentual de gordura, percentual de massa muscular, avaliação metabólica (em esteira), VAM – velocidade aeróbia máxima, FC máxima.
Testes de Campo: flexibilidade, agilidade, velocidade, potência membros superiores e inferiores, resistência anaeróbia, potência aeróbia, índice de fadiga.
Controles de treinamentos durante a temporada: durante os treinos e jogos, os jogadores são monitorados individualmente por meio do GPS para controlar a distância percorrida, zonas de velocidade, pico de velocidade, número de acelerações e a extensão total dos sprints; após os jogos (entre 36 e 48 horas) são realizados os controles de CK e ureia; os exames bioquímicos completos são realizados de 3 em 3 meses; o percentual de gordura e massa muscular mensalmente; antes e após os treinos é aferido o peso e a percepção subjetiva do estado físico; dor e esforço pós treino.
Os especialistas em treinamento esportivo destacam a importância da especificidade das avaliações em relação à demanda fisiológica, tanto nas questões metabólicas quanto nas questões mecânicas. Frequentemente são utilizados aparelhos tecnológicos, como foto-células, analisador de gases, sistema por telemetria para o controle de diferentes variáveis. Para determinar o perfil fisiológico do jogador são utilizados os resultados dos testes, validados cientificamente e armazenados em um banco de dados, em escalas percentílicas.
Uma vez realizadas as avaliações e os dados analisados, os ciclos dos treinamentos de base passam a abranger prioritariamente a integração de duas categorias de treinamentos: de caráter quantitativo e de caráter qualitativo. A categoria de treinamentos quantitativos abarca os conteúdos estruturais, funcionais e adaptativos específicos. Enquanto as de caráter qualitativo, predominam os conteúdos técnicos e táticos. Essas categorias não existem em estado fragmentado e isolado.
O jogador de futebol depende da base de desenvolvimento de todas elas – de forma individual e combinada – para alcançar, nas outras etapas dos treinamentos, um desempenho que possa ser considerado ideal. Essa dependência está relacionada a uma composição bastante complexa, uma vez que demasiados conteúdos têm influência na especificidade das ações do jogo.
Nesta fase, ocorrem treinamentos físicos, técnicos e táticos. Os treinamentos físicos de base atendem às exigências estruturais indispensáveis para a continuidade das cargas de treinos e de jogos ao longo da temporada. Enquanto, os treinamentos técnicos e táticos possibilitam, ao time e aos jogadores, iniciar as adaptações interativas para a construção de um modelo de jogo.
Estes ciclos representam o marco inicial de um procedimento cumulativo de cargas, que se estende durante a temporada. Nos dois primeiros ciclos semanais, os turnos dedicados ao incremento dos parâmetros físicos, têm como objetivo a tolerância de cargas. As intensidades são médias e os volumes aumentados.
O componente físico que produz um desempenho diferenciado nas ações individuais do jogador de futebol é a potência – que não constitui uma qualidade independente, mas é resultado da influência mútua dos fatores genéticos e de outras qualidades básicas. Para atingir a potência, é necessário desenvolver a força combinada com a aceleração, e transferi-las para chutes, arranques, giros, antecipações, saltos e mudanças de direção.
Consideremos que a aceleração e a força representam um diferencial físico nas ações técnicas do jogador de futebol: para atingir um nível elevado e manter a continuidade desse domínio nos jogos e nos treinamentos, é necessária, nesta fase, a mobilização de energia anaeróbia (fibras rápidas, tipo II a) e de resistência muscular. Os treinamentos de força e resistência estrutural passam a oferecer sustentáculo para a realização e a continuidade dos esforços de curta duração, elevada velocidade, baixa concentração de lactato e inúmeras repetições.  Estes treinamentos são fundamentais para tolerar um número expressivo de esforços explosivos e para acelerar os processos de recuperação. Os treinamentos de base são mais volumosos e menos intensos, orientados para adequar as adaptações biológicas às exigências das competições.
2.2. Fase de treinamentos de acumulação – Competição
O período de competição, que inicia após a pré-temporada, é constituído por duas etapas, estruturado de formas distintas. A primeira compreende os treinamentos acumulativos: em 6 a 8 semanas, são realizados entre 10 e 14 jogos competitivos. Compreende as fases classificatórias dos campeonatos estaduais, a fase seletiva da Copa do Brasil ou Copa Libertadores da América. Os treinadores reforçam, neste período, o processo de construção do modelo de jogo idealizado para o time, e exercita entre os jogadores as competências perceptivas, motoras e decisionais, com a mesma intensidade de carga estabelecida nos jogos competitivos. O período de acumulação apresenta como característica principal a implantação do treinamento continuado e integrado dos componentes técnicos, táticos, estratégicos, relacionais, físicos e mentais.
2.3. Fase de treinamentos específicos – Competição 
Por sua vez, o período de competição com treinamentos específicos abrange de 36 a 38 semanas, em que são realizados de 48 a 60 jogos competitivos. Compreende as fases finais dos campeonatos estaduais, os Jogos da Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores da América e o Campeonato Sul Americano. Esse período é marcado por acumulação de jogos, aumento da intensidade dos esforços específicos, variações da densidade em relação à alternância do volume. Não existe a progressão linear de cargas e, os treinamentos são realizados com velocidade e intensidade com variabilidade dos normativos de carga ao longo do ano.
Após os jogos, as demandas fisiológicas são acentuadas e diferenciadas devido à maximização integrada de esforços específicos (aumento do volume e da intensidade dos esforços), ao ambiente e à pressão emocional. Os controles fisiológicos passam a ser essenciais para regular as cargas dos treinamentos, minimizar o aumento excessivo dos índices de fadiga, e impedir a síndrome do super-treinamento. Nos dias pós-jogos, as cargas são reduzidas e a sessão de treinamento passa a ter um caráter regenerativo.
Por definição, o treinamento regenerativo é um processo que engloba atividades de baixo volume e baixa intensidade. Combinado a alternativas nutricionais, esse método promove a reparação tecidual, aumenta a reposição das reservas energéticas e equilibra o organismo para os treinamentos subseqüentes.
Nos micro-ciclos com um jogo semanal, são realizados, pós- jogos, uma unidade de treinamento regenerativo, e na continuidade treinamentos técnicos e táticos que gerem adaptações específicas: físicas, técnicas, táticas, estratégicas e organizacionais. Independente da mobilização dos conteúdos no aprimoramento da qualidade dos esforços específicos, os treinamentos também são utilizados para manter o nível de resistência das cargas  e para reduzir os déficits técnicos e táticos da organização coletiva do time. Os micro-ciclos com um jogo semanal acrescentam conteúdos e estímulos para o aumento dos parâmetros competitivos, uma vez que o reduzido número de treinamentos do período de pré-temporada não oferece reservas de treinamento, sustentação à continuidade e à exigência dos esforços específicos requeridos ao longo da temporada anual.
Nos micro-ciclos com dois jogos semanais, são realizados, pós jogos, duas unidades de treinamentos regenerativos e na continuidade são orientados treinamentos técnicos e táticos com a finalidade de gerar adaptações técnicas, táticas, relacionais e organizacionais específicas. Os treinamentos são organizados em volume e intensidade para manter o equilíbrio das adaptações componentes físicos e motores.
No período de competição os treinamentos técnicos e táticos têm, como o objetivo principal, apurar a mecânica de jogo. Predominam nas unidades de treinamentos a qualificação dos setores: defesa, meio campo e ataque. São sistemáticos e contínuos os exercícios que incluem as saídas de bola, posse de bola, inversão de bola, transições de jogo, coberturas ofensivas e defensivas, defesa posicional, movimentações rápidas e agressivas, contra- ataque, ataque posicional, bola parada ofensiva e defensiva.  Treinos ofensivos sem a presença de adversários, jogos semi-estruturados com transição para o ataque ou transição para a defesa, e jogos coletivos. Treinos defensivos com o posicionamento dos jogadores em situações diversificadas, cobertura defensiva, pressão na bola do adversário, bola parada exercitando a movimentação e o posicionamento dos jogadores.
Nos micro-ciclos, com um jogo semanal, deve predominar de forma continua e gradual esforços intermitentes nos treinamentos técnicos e táticos que marcam o modelo e jogo. Exemplo: pequenos jogos com marcação pressão (esforços de alta intensidade, duração curta e recuperação passiva). A continuidade dos esforços intermitentes provocará melhora da eficiência biomecânica, da coordenação gestual, da potência aeróbia, do controle motor, retardo na aparição da fadiga central, e maior recrutamento das fibras musculares de contração rápida.
Na fase final das etapas de aquecimento, são adicionados de modo alternado, exercícios coordenativos complexos, exercícios de força dinâmica, exercícios de saltos e exercícios de aceleração e frenagem.
3. Período de férias – Fase de transição
O período de transição no futebol brasileiro se estende por 4 semanas e é iniciado após o término do período competitivo de 42 semanas – que traz consigo, naturalmente, um número extenuantes de jogos e viagens. Os jogadores, durante este longo período, são expostos a estresses físico e mental, cumulativos ao longo da temporada anual. Portanto, a finalidade central deste período de transição é o restabelecimento das condições físicas e mentais dos jogadores através do repouso ativo. Nesta fase, o ideal é que o futebolista evite qualquer tipo de rotina nos primeiros quinze dias, uma vez que, durante a temporada, as atividades foram rigorosas e repetidas, com acúmulos de treinamentos, viagens, jogos, concentrações, entrevistas, autógrafos, cerimônias e outros. É vital conscientizar o jogador sobre a importância de se praticar atividades diversificadas com regularidade e espontaneidade. Ao longo do repouso ativo, ainda, é necessário que se mantenha um determinado equilíbrio entre os deleites das férias (alimentação, bebidas, festas) e os exercícios físicos praticados de forma voluntária e prazerosa.
Na sequência, durante a segunda quinzena do período de transição, os futebolistas devem seguir um programa de treinamento elaborado pelo setor de preparação física, tendo em vista um adiantamento nos treinamentos de base. Durante esta quinzena, também devem ser evitados programas rígidos de atividades físicas.
Jogadores que cessam os exercícios físicos no período de férias, e tornam-se inativos abruptamente, podem sofrer sérias alterações orgânicas, como distúrbios digestivos, falta de sono, perda ou ganho excessivo de peso, irritabilidade e alterações no humor. O destreinamento provoca significativas perdas das adaptações adquiridas na temporada anterior.
Eis um fato irrecusável: o período da pré-temporada é reduzido e, o período competitivo, extenso. O jogador de futebol tem de levar isso em conta – e, consequentemente, deve se manter ativo nas férias. Uma redução acentuada no estado de treinamento, durante o período de transição, pode dificultar a adaptação no início da temporada e comprometer todo o ano competitivo, inclusive a continuidade da carreira do jogador. A instabilidade do estado de treinamento também se reflete na motivação e na autoestima, e traz algumas consequências conhecidas: as lesões tornam-se mais frequentes, o jogador se sente menos seguro e com maiores dificuldades para interagir com o restante da equipe.
Nesse contexto, as concepções da linha de treinamento científica:  sistêmico – ecológica se valem dos princípios gerais dos treinamentos e de indutores cognitivos, associados aos programas motores genéricos para inserir nos planos de treinamento, uma didática que contribua para a conscientização da autogestão dos treinamentos e dos hábitos de vida.