Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quarta-feira, julho 06, 2016

Comitê de Reformas anuncia aprovação de medidas, com novidades em quatro áreas de ação


O Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro anunciou nesta quinta-feira (9) importantes avanços, após reunião na sede da CBF, no Rio de Janeiro. Os 18 membros do Comitê aprovaram o Código de Ética do Futebol Brasileiro, o novo calendário, um plano de ação para o futebol feminino e uma metodologia oficial da CBF de ensino do futebol para crianças.
– Em menos de quatro meses de existência, o Comitê de Reformas apresenta uma série de medidas fundamentais, reafirmando o nosso compromisso com a adoção de boas práticas de gestão. É só com planejamento e profissionalismo que faremos o futebol brasileiro avançar – afirma Rogério Caboclo, diretor executivo de Gestão da CBF.
O Código de Ética valerá para dirigentes da CBF, das 27 federações estaduais e dos clubes nacionais, além de jogadores, árbitros e outros profissionais ligados ao futebol no Brasil. Levantamento da ONG Transparência Internacional feito em 2015 revelou que apenas 50 de 209 federações nacionais de futebol possuem Código de Ética.
– O Código de Ética é fruto de um processo de modernização do futebol brasileiro, liderado pela CBF, que vem adotando novos instrumentos de boa governança e transparência. Nesse sentido, o Comitê de Reformas tem sido um espaço importante para garantir que todos os envolvidos com o futebol tenham voz, seja participando diretamente dos grupos de trabalho ou compartilhando sugestões e opiniões pelo nosso site – explica Walter Feldman, secretário geral da CBF e presidente do Comitê de Reformas.
O documento prevê a criação de uma Comissão de Ética nos moldes da que existe na FIFA, com uma Câmara de Investigação e uma Câmara de Tomada de Decisão. O texto foi elaborado por um grupo de trabalho com nove integrantes, sob a coordenação do presidente do STJD Caio César Vieira Rocha.
O Código de Ética prevê punições para quem desrespeitá-lo. As penas podem ser advertência, multa de até R$ 500 mil, suspensão de até 10 anos, demissão por justa causa, trabalho comunitário, proibição de acesso aos estádios por até 10 anos e proibição de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol também por até 10 anos.
Agora, o Código de Ética segue para a aprovação da Assembleia Geral para então entrar em vigor. Depois, será formada uma Comissão de Ética, assim como será criado um site para o recebimento de denúncias.
Novo calendário do futebol brasileiro
O Comitê de Reformas também aprovou o novo calendário do futebol brasileiro, intensamente debatido e elaborado por um grupo de trabalho com 21 integrantes, sob a coordenação dos campeões mundiais Carlos Alberto Torres, Ricardo Rocha, Edmílson e Carlos Alberto Parreira. As mudanças entram em vigor em 2017. Foi o tema que mais recebeu sugestões no site do Comitê de Reformas, com 49% do total.
Um dos avanços é a flexibilização do número de datas dos campeonatos estaduais para adequação das copas regionais. Os estaduais terão uma redução do número máximo de datas, que cai de 19 para 18, embora a média deva ficar em 16 datas na maioria do país. Assim, os regionais terão até oito datas garantidas.
Outra conquista é a paralisação do calendário em datas FIFA, sem a realização de partidas de campeonatos da CBF nos dias anteriores e posteriores às partidas da Seleções nacionais. Na prática, essa mudança acarretará em duas pausas de 13 dias, nos meses de setembro e outubro.
No ano que vem, o Campeonato Brasileiro terá uma redução de 11 para nove datas de jogos em meio de semana. Essa mudança permitirá que os clubes tenham mais tempo para trabalhar aspectos técnicos e táticos, além de garantir um maior período de recuperação aos atletas.
O novo calendário manteve conquistas importantes como as férias anuais de 30 dias e a pré-temporada de 25 dias.
O grupo de trabalho seguirá suas atividades com a elaboração de um plano de quatro anos para novos aperfeiçoamentos do calendário do futebol profissional, além de estudos sobre possíveis mudanças também para as categorias de base.
Futebol feminino tem 11 medidas
Um dos temas mais amplos debatidos pelo Comitê de Reformas, o Futebol Feminino teve aprovada uma primeira onda de ações a serem realizadas nos curto e médio prazos. São 11 medidas, divididas em quatro grandes temas: Desenvolvimento, Competições, Seleções e Marketing.
Sob a liderança da integrante da Escola Nacional de Arbitragem, Ana Paula Oliveira, e da jogadora Formiga, o grupo de trabalho do Futebol Feminino é composto por 21 integrantes, incluindo nomes como Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF, Lorena Soto, gerente de Desenvolvimento do Futebol Feminino da Conmebol, e Mayi Blanco, gerente sênior de Desenvolvimento do Futebol Feminino na FIFA.
A CBF agora vai analisar a implementação das medidas aprovadas.
Uma metodologia social
Também foi aprovada a metodologia "Paixão Nacional", projeto desenvolvido no grupo de trabalho CBF Social. Trata-se de uma metodologia oficial da CBF de ensino do futebol para crianças e adolescentes matriculados no ensino público ou particular, além de escolinhas e projetos sociais.
A metodologia é baseada na essência do futebol brasileiro, com valores inspirados nos títulos mundiais da Seleção Brasileira: Equilíbrio (1958), Criatividade (1962), Responsabilidade (1970), Comprometimento (1994) e Confiança (2002), além do Fair Play.
Os alunos vão aprender fundamentos como passe, chute, condução e drible, entre outros. De acordo com a faixa etária, participarão de partidas com número reduzido de jogadores em cada time – dois contra dois, três contra três, e assim por diante. Esses formatos contarão com regras adaptadas, já aprovadas pela Comissão e pela Escola Nacional de Arbitragem.
O primeiro passo será oferecer cursos de capacitação para professores de educação física, ex-jogadores e outros profissionais que atuem em escolinhas de futebol ou projetos sociais. O projeto piloto será implantado nas escolas públicas de Goiás, em uma parceria da CBF com o Governo do estado.
O objetivo final é a nova metodologia de ensino do futebol seja incorporada ao currículo de Educação Física das escolas brasileiras.
Comitê de Reformas
O Comitê de Reformas foi instaurado no dia 18 de fevereiro deste ano e logo criou cinco grupos de trabalho: Código de Ética, Reforma do Estatuto, Licenciamento e Registro, Calendário do Futebol e Futebol Feminino. Depois, também surgiu o grupo CBF Social. Mais recentemente, foram aprovados dois novos temas: Categoria de Base e Internacionalização do Futebol, que teve sua primeira reunião hoje. Na reunião de hoje ficou decidida a criação também do Grupo de Trabalho para Direitos dos Atletas. Até o momento, já foram realizadas seis reuniões do Comitê de Reformas e mais 17 dos grupos de trabalho.

 Fonte: CBF

quinta-feira, abril 09, 2015

Em defesa do futebol carioca e brasileiro

 

Diante dos episódios recentes do Campeonato Carioca que dominaram os debates do mundo do futebol, o Bom Senso F.C. manifesta sua solidariedade ao Clube de Regatas Flamengo e ao Fluminense Football Club. As arbitrariedades cometidas não são condizentes com o papel que as Federações deveriam cumprir.

Ao contrário do que alguns divulgam, o Bom Senso não é contrário a existência das Federações. Acreditamos que as Federações estaduais têm, teoricamente, um papel fundamental para o desenvolvimento do futebol brasileiro em suas dimensões educacionais e sociais. Para nós, elas deveriam ser a ramificação pela qual a CBF disseminaria e aperfeiçoaria sua metodologia, ainda inexistente, para o fomento e a democratização do esporte, para o desenvolvimento e capacitação dos profissionais da área técnica e de gestão de todo o futebol brasileiro.

Isso não quer dizer que sua participação na organização das competições de atletas profissionais seja preponderante. Está claro que não é por meio dessas competições que essas entidades cumprem sua função primordial, a social. Não concordamos com o modelo atual dos estaduais, com 19 datas. Esse período representa 25% do ano e gera apenas entre 6 e 15% da arrecadação dos grandes times.

Atualmente o Sr. Eurico Miranda e o Sr. Rubem Lopes, críticos circunstanciais, dizem que o fim dos estaduais representa o desemprego de 3 mil famílias. O Bom Senso afirma há 2 anos que a manutenção desse modelo de calendário resulta, ao final dos estaduais, o desemprego de 15 mil famílias por todo o Brasil. O que eles têm a dizer sobre isso?

Também não concordamos que as Federações tenham tanto poder, com a maioria dos votos no Colégio Eleitoral da CBF. Lutamos por mais democracia na eleição da Presidência da CBF - pedra filosofal para a oxigenação do futebol brasileiro e mola propulsora para que as decisões sejam mais técnicas e menos políticas. Defendemos que as entidades de administração desportiva, regionais ou nacionais, sejam mais democráticas e transparentes, com massiva participação dos clubes e dos atletas nos colegiados e conselhos técnicos.

Reivindicamos e propusemos uma fórmula de calendário que ofereça estabilidade de emprego a todos os profissionais do futebol e previsibilidade das datas dos jogos durante o ano todo, para que se permita aos clubes do interior conquistarem sua autossuficiência.

A média de público dos estaduais brasileiros é mais baixa que a de países como Vietnã, Uzbequistão e Israel. Os clubes e as novas arenas acumulam déficits, ao passo que a arrecadação das federações aumentou 25% de 2012 para 2013. Vemos ainda que 1/3 dos seus presidentes estão há mais de 20 anos no poder.

O objetivo de todas as entidades de administração do futebol brasileiro - além das dimensões sociais e educacionais – deve ser melhorar a visibilidade e competitividade do futebol que administram. Infelizmente, em todas esses aspectos as Federações estaduais fracassaram.

Bom Senso FC,

por um futebol melhor para todos.

quinta-feira, março 12, 2015

Bom Senso detona proposta de fair play financeiro da CBF

Fonte: UOL Esporte

Bom Senso detona proposta de fair play financeiro da CBF

A implementação do fair play financeiro feito pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para o Campeonato Brasileiro de 2015, segue dando polêmica. Depois de o senador Romário (PSB-RJ) ter chamado a iniciativa de “deboche”, Ricardo Martins, diretor do Bom Senso F.C., também criticou a medida adotada pela entidade.

“É uma tentativa da CBF de sinalizar ao Governo Federal que agora se preocupa mais (com o futebol). Se ela se preocupasse de fato, não implementaria um modelo que não funciona. A Federação Paulista de Futebol implementou o mesmo modelo em 2012 e vimos que não funcionou. É muito difícil de acreditar que desde 2012 só tiveram 18 casos de atrasos de salários no Campeonato Paulista”, afirmou Ricardo Martins, à “Rádio Bandeirantes”, nesta terça-feira (10).

Para o diretor do Bom Senso, o modelo implementado pela CBF está “fadado ao fracasso”, pois os jogadores dificilmente denunciariam seus clubes por medo de represálias.

“É muito difícil um jogador denunciar e recolher assinaturas para o processo. Expor um jogador dessa forma não faz o menor sentido. É o segredo do fracasso do modelo. O que a gente defende é que o clube tenha que prestar contas”, explica Martins. “Imagina qual seria a reação da torcida ao ver um jogador que ajudou o clube a conquistar três pontos entrar com uma ação e tirar os mesmos três pontos”.

“Ela (CBF) não está fiscalizando de fato, está apenas criando um jeito para os jogadores denunciarem”, completou Martins.

O fair play financeiro da CBF

A CBF divulgou na última segunda-feira (8) o detalhamento das regras do fair play financeiro para o Brasileiro. Caso os clubes atrasem salários, correrão risco de perderem três pontos por partida quando as dívidas forem confirmadas pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

“O Clube que, por período igual ou superior a 30 (trinta) dias, estiver em atraso com o pagamento de remuneração, devida única e exclusivamente durante a competição, conforme pactuado em Contrato Especial de Trabalho Desportivo, a atleta profissional registrado, ficará sujeito à perda de 3 (três) pontos por partida a ser disputada, depois de reconhecida a mora e o inadimplemento por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD)”, diz a nova regra publicada pela entidade.

De acordo com a nota oficial da CBF, o jogador que tiver 30 dias ou mais com o salário atraso pode denunciar seu clube (pessoalmente, por meio de advogados ou de sindicatos). O caso será analisado pelo STJD e, comprovado a dívida, a equipe terá 15 dias para que os dividendos sejam quitados.

domingo, março 08, 2015

Futebol na Europa sofre com onda de violência

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

Para quem pensa que a violência dos torcedores é exclusividade brasileira e que a Europa estava livre desse flagelo, os últimos dez dias foram bastante reveladores.

O continente, marcado por episódios trágicos especialmente nos anos 1980, conseguiu amenizar a violência nos estádios com leis rígidas e rigor no cumprimento delas.

Mas acontecimentos recentes fizeram os sinais de alerta voltarem a se acender.

O episódio mais emblemático é o da Grécia. O governo do país suspendeu por tempo indeterminado o campeonato local devido à violência de torcedores do Panathinaikos no jogo contra o Olympiakos no domingo (22).

Enquanto isso, na França, apoiadores do inglês Chelsea impediram um homem negro de entrar no metrô de Paris em meio a cânticos racistas. Na Inglaterra, torcedores do West Ham entoaram cantos antissemitas ao Tottenham, clube de origem judaica.

A Itália não escapou. Roma viu fãs do Feyenoord (HOL) depredarem uma de suas praças mais importantes antes de jogo da Liga Europa.

"Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na Europa, e o futebol é reflexo de tudo isso", disse à Folha Piara Powar, diretor-executivo da rede de ONGs Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa, em tradução livre).

"A Grécia tem a crise econômica. Notamos ainda um aumento da intolerância com a tensão entre Rússia e Ucrânia e o crescimento da xenofobia contra os imigrantes."

A Fare trabalha em parceria com a Fifa em iniciativas de prevenção contra qualquer preconceito no futebol.

Os ultras, responsáveis por boa parte dos tumultos no Velho Continente, normalmente estão ligados a pensamentos da extrema direita, como o neonazismo. Ou seja, na Europa, preconceito e violência no futebol são partes de um só problema.

"Os jogos têm menos violência do que no passado. Mas esse comportamento ultrapassado de alguns europeus resiste e é uma ameaça ao ambiente familiar nos estádios", disse Powar.

Editoria de arte/Folhapress

'MEDO PESADO'

"A gente já vai para o clássico sabendo que o clima será de guerra. Mas, desta vez, foi demais. Quando pisamos no campo para o aquecimento, fomos recebidos com uma chuva de isqueiros e sinalizadores. Eles invadiram o gramado e, então, começou a briga. Tivemos que sair correndo. Deu um medo pesado."

O relato é do lateral direito brasileiro Leandro Salino, 29, que esteve em campo na derrota por 2 a 1 do seu Olympiakos para o Panathinaikos.

O episódio levou à terceira paralisação do campeonato local por conta de episódios de violência só nesta temporada -as outras pausas ocorreram devido a morte de um torcedor e a atentado contra um dos chefes da arbitragem.

Até a reunião da liga para discutir medidas para conter a violência terminou em briga. Um dirigente do Panathinaikos acusou o segurança do presidente do Olympiakos de agredi-lo com soco.
desejo de vingança

Na Holanda, a polícia de Roterdã, casa do Feyenoord, teme que torcedores da Roma aproveitem o jogo de volta do mata-mata da Liga Europa, nesta quinta (26), para se vingarem dos fãs holandeses.

Nos últimos dias, nas redes sociais, ultras do clube italiano têm falado em dar o troco aos torcedores rivais. 

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sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Sociedade] Temor e impunidade

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Foto: Nodge Nogueira

 

A expectativa por mais um Fortaleza x Ceará faz ressurgir a expectativa pelo duelo e o medo por novos atos de violência

À véspera de Ceará e Fortaleza voltarem a duelar na temporada, dessa vez pelo Campeonato Cearense, a Capital começa a respirar ares de Clássico-Rei. Momento máximo da rivalidade entre os clubes, o embate motiva o torcedor a exalar paixão e amor ao clube, mas também revela faces de uma sociedade violenta e que ignora o espírito da esportividade. A cidade volta a pulsar, sim, ainda há gana para motivar tricolores e alvinegros, mas a razão de tamanha comoção não é mais o futebol e sim, o temor pela violência, que permeia o encontro dos arquirrivais.

No domingo, as manchetes voltarão a se repetir. Juntamente com o placar da partida, estará estampado também o resultado do quebra-quebra promovido por toda Capital. Para o doutor em sociologia e pesquisador do Laboratório e Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luís Fábio Paiva, a obviedade do que deve ocorrer se deve alguns fatores, principalmente a impunidade, mas lembra que o futebol não é causa de nada.

"O que acontece em dia de jogo é um reflexo da sociedade, pouco tem a ver com o futebol. Falando de grupos organizados que em muitos casos recebem integrantes de gangues e que não têm nenhuma motivação futebolística para promover a violência. Em um confronto, há rivalidades de todos os tipos e o futebol é a menor delas", disse Paiva.

Poder público

Uma vez sendo uma questão social, as atenções se voltam para o poder público e é justamente esse ponto que desagrada "gregos e troianos". As partes envolvidas responsabilizam as esferas de poder pela falha ao combate da violência, principalmente quando se trata da impunidade, como Jey, presidente da Cearamor.

"A violência no futebol é horrível; não era para acontecer. Achamos que o combate também depende muito do poder público. É preciso ter mais punição e rigor com rigor os vândalos. A instituição não pode ser prejudicada por causa de um pequeno grupo", salientou Jey.

O sociólogo Luís Fábio Paiva, por sua vez, concorda que há deficiência na punição, mas não isenta as torcidas organizadas de responsabilidade.

"As organizadas são coniventes com os atos ilícitos promovidos por seus integrantes e devem responder por isso. Essa conivência existe quando se tem uma Justiça que para ser ruim tem que melhorar muito. O judiciário presta o pior serviço para a população, e muitas vezes a culpa pela deficiência recai sobre a polícia. Este poder é o culpado por toda a impunidade existente e, assim, um incentivador da violência", completa o doutor em sociologia da UFC.

Tolerância zero para os maus torcedores

Praticamente todos os envolvidos no evento, que envolve os dois maiores time de futebol do Estado, concordam em dizer que o problema da violência em dia de jogos se dá pela infiltração dos vândalos dentro dos grandes grupos de torcida.

O Tenente-Coronel Aginaldo, do Batalhão de Policiamento de Eventos da Polícia Militar, afirma que essas pessoas usam do anonimato para praticar os atos de vandalismo, forçando a Polícia a agir. "O grande problema são os maus torcedores que se infiltram nas torcidas organizadas. Eles são um grupo pequeno, mas que fazem estragos. Temos que ter tolerância zero com esses indivíduos", acrescenta.

O Tenente-Coronel considera importante a iniciativa que parte dos próprios torcedores, na tentativa de minimizar os efeitos da violência. Porém, ele afirma que a educação é a maior arma para reduzir esse quadro negativo que sempre vem à tona quando Ceará e Fortaleza se enfrentam.image (1)

"Acredito que tudo passa pela educação. Os torcedores precisam se comportar dentro dos estádios. Esse sim é um ponto fundamental. O estatuto do torcedor também é importante, pois possui medidas que restringe os responsáveis pelos atos desordeiros e violentos", finaliza.

Efetivo policial

Para fazer a segurança no segundo Clássico-Rei, que ocorre amanhã, na Arena Castelão, pelo Campeonato Cearense, a Polícia Militar terá o efetivo de 400 policiais. Os PMs estarão distribuídos entre os grupos do BP Raio, Batalhão de Choque, Cavalaria e Batalhão de Eventos.

Força e ação das organizadas

Quando Ceará e Fortaleza medem forças, as atenções não se limitam só ao futebol. Existe sempre um certo anseio na cidade, e sempre motivado pela violência e briga entre torcidas.

Nos próximos 20 dias, Leão e Vovô vão se enfrentar três vezes. E para tentar mudar essa realidade negativa que vem das arquibancadas, as torcidas organizadas dos dois clubes buscam dar um pontapé inicial para mudar essa realidade.

Está cada vez mais comum os encontros entre as maiores torcidas organizadas do Estado, em dias que antecede um Clássico-Rei. Segundo o presidente da Cearamor, 'Jey', a finalidade desses encontros é mapear pontos de brigas e confrontos entre torcedores rivais. "Antes do primeiro jogo entre Ceará e Fortaleza, participei de uma reunião com os representantes da TUF, Mofi e JGT. Propomos levar a discussão para as lideranças de torcidas de alguns bairros da Capital. O objetivo foi mapear os pontos críticos que a gente acha que possa ter confrontos e repassar para a Polícia Militar", explica. De acordo com Jey, a ação foi bem sucedida, já que o registro de confusões no último no jogo entre os maiores times da Capital foi mínimo. "Pedimos que a Polícia trabalhe em parceria conosco para tentar punir de fato os vândalos", acrescenta ele.

Integrante da TUF, Reinaldo Bruno, reitera essa ação e diz que as torcidas organizadas não podem pagar o preço.

"Ocorre que a vagabundagem se infiltra na torcida. Eles não estão no dia a dia da gente. Nós vamos para o estádio para fazer festa e apoiar o nosso time. Esses encontros com as maiores torcidas do Estado são importantes para tentar eliminar esses baderneiros", conclui.

Diário do Nordeste -Eduardo Buchholz/Wilton Rodrigues
Repórter/ Especial para o Jogada

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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

“Não há mágica para resolver a violência entre torcedores”, diz especialista

ALEX SABINO / Folha de S. Paulo

Uma das metáforas mais usadas a respeito do futebol é compará-lo a uma guerra. Marco Aurelio Klein, 64, não vê o assunto desta forma. Primeiro porque é especialista em violência no esporte. Mas também por ser um estudioso da 2ª Guerra Mundial.

Autor de documento inspirado no Relatório Taylor, que praticamente erradicou o fenômeno dos hooligans nos estádios ingleses a partir da década de 1990, ele trabalha atualmente na atualização do texto a pedido do ministro George Hilton (Esporte).

"O meu relatório é de 2006. O ministro ficou impressionado. Estou animado que seja posto em prática", disse.

Em entrevista à Folha, ele chegou a uma conclusão de que a violência no futebol nacional não será resolvida de um dia para o outro. "Não tem mágica", constata.

PÓS-COPA DO MUNDO
O Mundial no Brasil trouxe legado importante: os estádios sem alambrados. Mesmo no clássico entre Corinthians e Palmeiras em que aconteceu aquela confusão toda [tumulto entre palmeirenses e a PM] e com a derrota do time da casa, ninguém invadiu o campo. Alambrado não segura ninguém que quer invadir. Eu já vi torcedor pular alambrado que tinha arame farpado. Outra herança importante é o sistema de monitoramento dos estádios. E este deve ser ostensivo. A sala do monitoramento deve ser visível a todos. As pessoas precisam saber que o Big Brother está ali, presente.

SOLUÇÕES E ERROS
Parece que no Brasil, nessa questão da violência no futebol, há muita tentativa e erro. Cada hora existe uma ideia mágica que vai resolver o problema... Isso não existe. Todas as ideias são com boas intenções, mas não vão resolver. Não existe uma solução da noite para o dia. A solução é longa, difícil e custosa.

ESPÍRITO DE GUERRA
Antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, eu li que a polícia estava preparando uma operação de guerra. Quando vi aquilo, pensei: "acabou". Como operação de guerra? Uma família não vai para um estádio que tem operação de guerra. O vândalo adora. Quando a polícia diz que é operação de guerra, esses vândalos ganham condição de combatentes do Estado Islâmico.

LIÇÕES DO RELATÓRIO TAYLOR
O que inspirou o Relatório Taylor foi [a tragédia de] Hillsborough, em que morreram 96 pessoas na cidade de Sheffield [em 1989]. Não houve briga. Nem tinha torcida organizada. Houve desorganização, despreparo, superlotação. Não existiam protocolos de emergência.
Não esqueço quando tive reunião com os ingleses. Eles disseram que levaram anos para aprender que a questão não era repressão. Era organização. É o grande clássico na final? Depende do histórico. Ponte Preta e Paulista de Jundiaí, por exemplo, é jogo para 4 mil pessoas, mas são torcedores dos mais perigosos da América porque há um histórico de conflito.

PROPOSTAS
É preciso criar protocolos de segurança. Eu sugiro classificar as partidas em três níveis, sendo "A" a de maior risco, "B" a de risco médico e "C" as de pequeno risco. Os ingleses se organizaram criando unidades de polícia para o futebol. A Scotland Yard, que nem arma usa, tem uma unidade de futebol. Não vejo trabalhando na partida o policial que passou a noite anterior atendendo ocorrências, perseguindo ladrões e depois vai para o enfrentamento com um moleque que está disposto a provocá-lo...

CAMPANHA DE PAZ
Não tem o menor fundamento. Não resolve. Só ajuda se vier como parte de um conjunto de ações. No primeiro momento, a resolução dos ingleses foi: nós não precisamos prender o vândalo. Nós precisamos tirá-lo do estádio.
Ele destrói o espetáculo. E eles nunca tiveram torcida organizada, apenas pequenos grupos que envolviam criminalidade, pequenos furtos ou a destruição pelo prazer da destruição. Conseguiram criar uma coisa na legislação que era preciso tirar o cara do estádio. O articulador nem sempre é o sujeito que dá a porrada, que quebra a cadeira. Pode não ser o pensador.

DIÁLOGO
Minha recomendação, como estudioso, é ouvir as pessoas, mesmo que isso implique algum investimento do governo. Não dá é para transformar isso em competição de quem bate mais, se a torcida ou a polícia. O cidadão é que está no meio É preciso combater a pequena violência. O xingamento é origem do conflito. Uma briga sempre começa pela agressão verbal. Os ingleses perceberam que era preciso mudar o comportamento do torcedor. O torcedor comum entra na balada do xingamento. Quando um cara xinga o outro, depois tem quatro, oito, dez fazendo o mesmo. O perdedor do jogo tem uma frustração imensa para descontar em alguém.

Eduardo Knapp/Folhapress

Marco Aurelio Klein, presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, durante palestra
Marco Aurelio Klein, autor de relatório federal sobre violência de torcidas, durante palestra

PERCEPÇÃO
A luta maior não é física, de repressão. É de percepção. As pessoas precisam voltar a ir ao futebol como um momento de lazer. Um momento de muita emoção, mas de lazer. Se o seu time ganhar, seu momento de lazer foi premiado com muita alegria, mas pode ser que não. Quando você vai ao cinema ver uma comédia, sai muito alegre. Vê uma tragédia, sai impressionado. No Brasil, o futebol é o único evento de lazer em que a pessoa sai de casa com sua pior roupa.
Ninguém se arruma para o futebol, vai o mais desleixado possível porque a percepção que temos é que se trata de uma coisa desleixada. Não tem o menor sentido porque é o espetáculo mais glorioso que temos. Olhe os números da Liga dos Campeões da Europa, da Copa do Mundo, do Campeonato Inglês...

REPRESSÃO
É preciso tomar mais cuidado na organização do caminho do metrô para o estádio. Aquela cena da torcida do Corinthians agredindo dois torcedores do São Paulo porque estavam com a camisa do clube é absurda. Não pode acontecer. Aí é punição.
Os ingleses tomaram cuidado, entenderam qual era o trânsito, proibiram bebida dentro do metrô. O cara não podia chegar, quebrar o trem e achar que ia para casa sem problema algum. Vamos pegar o Pacaembu de exemplo. É um estádio bacana. As ruas laterais são escuras. Aquela imagem de escuridão passa a imagem de abandono e da terra de ninguém. É preciso pensar no processo todo.

CUSTO DA POLÍCIA
A Inglaterra vai no caminho inverso ao do Brasil. Eles têm cada vez menos polícia. Sabe por quê? Porque a polícia custa caro lá. Aqui no Brasil é de graça em vários estádios. Ou é muito barato e o organizador do jogo, se acha que tem problema, quer muito mais polícia e cria muito mais polícia. Isso não é jeito de fazer um evento.

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RAIO-X
MARCO AURÉLIO KLEIN

IDADE
64

CARGO
Autor do relatório final da Comissão Paz no Esporte e secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

CARREIRA
Professor da FGV (2001 a 2009), responsável por futebol no Ministério do Esporte (2004 a 2007), diretor da Federação Paulista de Futebol (1993 a 1994 e 2008 a 2009), diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte (2009 a 2012) e autor de três livros sobre o futebol brasileiro

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RELATÓRIO TAYLOR TRANSFORMOU FUTEBOL INGLÊS

Apontado por Marco Aurelio Klein como modelo de inspiração no combate à violência nos estádios, o Relatório Taylor revolucionou o futebol da Inglaterra e abriu espaço para que sua liga nacional se tornasse a número um do planeta.

O estudo foi realizado e adotado no país a partir do começo dos anos 1990, como resposta à tragédia de Hillsborough, ocorrida em 1989, quando 96 torcedores morreram pisoteados e esmagados contra grades de proteção devido ao excesso de público na partida entre Liverpool e Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra.

Entre as medidas adotadas. que ajudaram conter os hooligans, protagonistas de algumas das maiores confusões no futebol europeu durante a década de 1980, estavam o treinamento de uma polícia especializada, a obrigatoriedade de assentos para todos os pagantes (o que pôs fim à tradição de se torcer em pé) e o fim das grades de proteção para os gramados de futebol.

O relatório também sugeriu a criação de leis específicas para crimes e contravenções praticadas por grupos de torcedores.

Para se adequar a esse novo cenário, os 27 principais estádios da Inglaterra precisaram ser reconstruídos ou passaram por reformas. 

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sexta-feira, agosto 29, 2014

Futebol começa a ganhar o cotidiano nos Estados Unidos

Presença em bares e lojas fica evidente em Nova York

Por Erich Beting - Nova York (EUA)

 

 

Fila de imigração no aeroporto JFK, em Nova York. O funcionário começa a rir quando eu digo que sou jornalista esportivo. E faz a piada: “deve ter sido difícil na Copa do Mundo, hein?”. Na hora em que lembramos dos 7 a 1, ele faz novo gracejo: “melhor agora é pensar no tênis”.

A brincadeira do funcionário da imigração é um indício de que o futebol parece estar mais presente no cotidiano americano. Depois, nas ruas de Nova York, mais uma vez o soccer dá o ar da graça. Numa loja de esporte, a Puma coloca, bem na entrada, as novas camisas do Arsenal. Numa outra, de brinquedos, é a vez do New York Red Bull, New York City FC e Major League Soccer estamparem artigos infantis logo na entrada dos três andares da loja.

A presença mais sólida do futebol no cotidiano americano tem, aos poucos, mudado a relação das pessoas com o esporte. Na porta dos bares, além do anúncio de transmissão de eventos tipicamente americanos, como beisebol, as partidas da Liga dos Campeões da Europa são destacadas. Da mesma forma, nas lojas de artigos esportivos, há um aumento da oferta de produtos ligados ao futebol.

Nova York será a primeira cidade a abrigar duas equipes na MLS, a liga de futebol. Em 2015, NYCFC, espécie de franquia do Manchester City, passará a disputar a competição. No ano passado, a MLS teve média de 18.600 torcedores por partida, a terceira maior entre as ligas esportivas americanas, atrás apenas do futebol americano e do beisebol.

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sexta-feira, julho 11, 2014

Oito lições que o Brasil precisa aprender com os melhores

SIMON KUPER
DO "FINANCIAL TIMES", EM SÃO PAULO

Há exatos dez anos, a seleção alemã estava no fundo do poço. Tinha sido eliminada da Eurocopa 2004 sem derrotar ninguém, nem mesmo a Letônia. Não havia nem mesmo alguém disposto a assumir o comando da seleção como treinador. Naquela semana, perguntei a Jürgen Klinsmann o que havia de errado com a Alemanha. "Não temos um matador no ataque", ele sorriu. "Ainda estamos cometendo o erro de trocar muitos passes laterais. A falta de velocidade pode ser outro motivo". Perguntei se era possível que ele assumisse como treinador da Alemanha: "Não!"

Três semanas mais tarde, Klinsmann se tornou treinador da seleção alemã. Ele e seu assistente Joachim Löw abandonaram a tradição e revolucionaram a maneira pela qual os alemães jogam futebol. Pouco antes desta Copa do Mundo, Klinsmann, hoje treinador da seleção dos Estados Unidos, elogiou a nova equipe alemã para a revista "Elf Freunde": "São jogadores de alta velocidade e muita técnica, que podem jogar um futebol furiosamente ofensivo com mudanças rápidas de posição. Tudo que planejamos em teoria em nossas pranchetas em 2004 se tornou realidade". O massacre do Brasil por sete a um na semifinal pode até se qualificar como hiper-realidade.

Agora o Brasil, no fundo do poço, precisa revolucionar sua maneira de jogar futebol. Eis oito lições que a Alemanha pode ensinar:

1. Não desperdice uma crise. Jamais haverá consenso maior quanto a repensar tudo em seu futebol do que agora. No jargão dos alemães, essa é a "hora zero".

2. O passado é irrelevante. Os cinco títulos mundiais brasileiros nada significam hoje. Só servem para causar a ilusão de que o Brasil continua bom no futebol. O objetivo deve ser jogar como a Alemanha em 2018, e não como o Brasil de 1970.

3. Não culpe indivíduos. Os torcedores brasileiros estavam vaiando o pobre e desavisado Fred, na noite de terça-feira, mas não era sua culpa que ele fosse, talvez, o melhor atacante do país. O sistema falhou. Fred é só um sintoma.

4. A coisa mais importante no futebol é o passe. Não é o drible, a paixão, ou a psicologia. Os alemães são obcecados pela geometria do passe. O Brasil, em contraste, já não pensa seriamente sobre tática, o que é o motivo para que o treinador Luiz Felipe Scolari e a mídia brasileira tenham passado metade do torneio obcecados com a propensão dos jogadores a chorar.

Felipão e Bernard

5. Aprenda com os melhores países. É preciso aceitar que o Brasil já não compreende como jogar futebol. Os alemães de 2004 aprenderam a passar com os holandeses e espanhóis, ritmo de jogo com a Premier League da Inglaterra, recrutamento nas categorias de base com os franceses e condicionamento físico com os norte-americanos.

6. O corolário é que o Brasil provavelmente necessita de um treinador estrangeiro. Klinsmann é alemão mas vive há muito fora de seu país, e foi parar na Califórnia. O Brasil deveria ter convidado o espanhol Pep Guardiola para treinar sua seleção na Copa do Mundo, como sugeriu Ronaldo. É hora de contratar um europeu, e já.

7. Não aceite menos que o primeiro lugar. Para a Alemanha ou o Brasil, o único objetivo é ser o melhor do mundo. Na Eurocopa de 2008, a jovem seleção alemã chegou à final, onde foi destruída pelo passe da seleção espanhola. Löw, o treinador alemão, não se congratulou pelo segundo lugar. Em lugar disso pensou que "quero montar uma seleção como a deles", e começou a trabalhar para tornar seu time mais parecido com a Espanha.

8. Os resultados não serão imediatos, mas é quase certo que o profissionalismo virá imediatamente. A Alemanha lidera o futebol em nutrição, estatística, preparação física e assim por diante. O Brasil precisa ter em mira exatamente a mesma coisa.

O caminho do Brasil para a reforma é mais difícil que o alemão. A federação de futebol da Alemanha tem 6,85 milhões de filiados e é a maior associação esportiva do planeta. O Brasil não tem um poder central comparável para promover mudança em todos os níveis.
O Brasil tem um único gênio, Neymar, que às vezes serve para esconder a doença que assola o futebol brasileiro. (Lionel Messi exerce o mesmo efeito de desaceleração na Argentina.) E geograficamente, o Brasil não está próximo aos países de futebol mais avançado.

Tudo isso dificulta o aprendizado. Mas não há desculpa para chegar à Rússia em 2018 (presumindo que o Brasil se classifique) falando na seleção de 1970 e no jogo bonito. Isso morreu.

Tradução de PAULO MIGLIACCI 

sábado, julho 20, 2013

Fim dos estaduais por quê?

Por Benê Lima

Benê - Cópia“Não existe uma solução global que seja cem por cento adaptável a problemas locais.”

 

Discutirmos O calendário do futebol brasileiro não é discutirmos UM Calendário para o futebol brasileiro, que contemple as diferenças estaduais, regionais, culturais e econômicas. Portanto, é importante sim discutirmos não só esta, mas outras questões de relevância que se relacionem com o maior ou menor sucesso do futebol. Contudo, é preciso que o debate não tenha como ponto de partida ideias preconcebidas, tidas como acabadas (prontas), sem sequer terem sido submetidas minimamente ao teste pragmático da verdade. 

No Brasil do futebol, vendemos aos torcedores mediocridade pelo preço de celebridade. Esse sofisma acaba por desgastar o produto futebol e não possui auto-sustentabilidade que possa manter o produto no topo da preferência do cliente-torcedor. 

 

 

As figuras abaixo simbolizam a visão dos torcedores destes clubes em relação à importância do Brasileirão

Náutico vê 02

 

 Corinthians vê 02

Não resta dúvida que é bom ver os torcedores buscarem esclarecimento. Porém, nossos clubes deveriam ter mais torcedores para curti-los e menos torcedores-gestores para criticá-los. 

O processo de globalização deve respeitar as vocações regionais, as peculiaridades locais e, sobretudo, as identidades culturais, sem o quê não deveria merecer de nós nenhum respeito. 

O pensador do futebol que desconsidera os aspectos antropológicos e sociológicos para a compreensão do mesmo, também estará na Idade da Pedra. Portanto, não vejo que precisemos ter um modelo único de gestão do futebol para todas as regiões do nosso país. Neste caso, entenda-se por modelo a concepção daquilo que pretendemos para formatação do produto futebol, do ponto de vista de suas competições. 

Do mesmo modo que os campeonatos estaduais são ditos moribundos, podemos assim rotular o Brasileirão, embora concorde que há exagero nisto. O mesmo pode ser dito sobre a Copa do Brasil, onde há equipes programando abdicarem de sua disputa. 

Todo os dias escutamos a imprensa discutindo a falta de motivação de clubes como o Corinthians em relação ao Brasileiro. Já pensaram sobre isto? A propósito, será que o Brasileirão, nossa maior competição e melhor produto futebolístico nacional, tem intrinsecamente o mesmo valor e motivação para Náutico e Corinthians? 

O que dizer da contra tendência que se ergue no futebol pernambucano, de ter seis arenas e um campeonato estadual com sessenta equipes? Não diria nem que estão certos nem que estão errados. Sugiro - isto sim - uma ampla e mais criteriosa discussão sobre o tema, levando em conta o que todo palestrante deveria fazer: considerar as questões de forma contextualizada. 

É mais comum do que se imagina, que as soluções para a casa de A não se apliquem a casa de B.

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