Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sábado, maio 16, 2020

Futebol brasileiro tem previsão de retorno para agosto, VAR fora do estádio e outras medidas

FOGÃO NET

A exemplo da Bundesliga, o futebol brasileiro estuda maneiras de retomar à normalidade após o período do pico da pandemia do Covid-19. VagnerMartins, repórter dos canais FOX Sports, obteve informações exclusivas a respeito do novo protocolo de segurança da CBF para o retorno do futebol e sobre a reunião realizada entre setores da entidade, como doping, serviços médicos e segurança.

O repórter do FOX Sports teve acesso aos detalhes de serviços como VAR e exame antidoping, além de como será a organização por parte dos atletas para evitar a contaminação e propagação do vírus. Na próxima segunda-feira (18 de maio) haverá uma nova reunião entre clubes e CBF para darem novos passos rumo ao retorno do futebol no Brasil. 

Sobre a CBF - Confederação Brasileira de Futebol
CBF / Divulgação
As informações ainda são preliminares, mas a ideia da CBF e dos clubes é que o futebol retorne no final de julho e início do mês de agosto. A data é apenas uma previsão, uma vez que a CBF aguardará a autorização do Ministério da Saúde e de demais órgãos de segurança do País. Os portões seguiriam fechados, com uma equipe entrando antes da outra. No intervalo, a ordem de retorno dos times ao campo se inverteria. Todos os atletas passariam por testes 48 horas antes das partidas para evitar o descontrole de contaminação do vírus.
Sobre as pessoas envolvidas na partida de futebol, todas passarão por testes de temperatura, em uma espécie de serviço de triagem, com o mesmo intuito dos atletas. Com relação a arbitragem, as escalas serão regionais. Isso evitará viagens de longas distâncias. O árbitro de vídeo não ficará no estádio. O serviço será realizado em escritórios fora dos estádios. 
O acesso para a imprensa será reduzido ao extremo, com apenas funções básicas de transmissões tendo acesso ao local. No caso dos atletas, as regras são ainda mais rígidas. Os jogadores serão orientados a não se abraçarem após os gols e também não poderão tomar banhos nos vestiários, indo para casa imediatamente após a partida, levando as roupas usadas nos jogos para serem lavadas em casa.
Durante live em conta oficial do Instagram, Jorge Pagura, coordenador do protocolo nacional da CBF, falou sobre algumas normas que devem ser tomadas quando o futebol for retomado no País. “O barulho do silêncio é a nova tônica que a gente verá no futebol. O abraço, a comemoração, isso não vai existir. No plano tem isso (não cuspir), mas não tem multa. Vão ter opções, totens caso seja preciso assoar o nariz. Álcool gel para esterilizar a mão”, disse o dirigente.

sexta-feira, maio 15, 2020

Risco Kodak: clubes de futebol que não se modernizarem podem virar peças de museu

Em 1996 Larry Page e Sergey Brin desenvolveram na universidade um motor de buscas na internet que era mais eficiente que os existentes na época. Desde então o Google vem proporcionando uma série de mudanças na vida das pessoas, do Chrome ao Google Assistant, passando pelo Android.
Assim como a empresa da dupla Jobs/Wozniak, que começou na garagem, ou então a Netflix, que de uma locadora de vídeos transformou a indústria de entretenimento, ou a Amazon, que recriou a forma como consumimos produtos. Isso, apenas pensando nas revoluções mais recentes, pois desde sempre a humanidade se movimenta em ciclos e fases, com novas maneiras de fazer coisas corriqueiras, ou mesmo criando novas coisas corriqueiras.
Lembram da Revolução Industrial? Pois é, disruptura – palavrinha da moda na boca de 9 entre 10 influenciadores – é o que movimenta a sociedade. Fazer mais, melhor e por menos.   
Mas que raios isso tem a ver com uma coluna sobre esportes e finanças? Tem e muito.
Todas as grandes ideias que de certa forma revolucionaram a maneira como se produzem bens e serviços não vieram de grandes corporações, mas sim de novatos que tinham liberdade para pensar, criar, desenvolver ideias. Muitas deram certo, outras errado, e várias serviram de influência para evoluções que se tornariam parte das nossas vidas.
Para quem gosta de Fórmula 1, por exemplo, já tivemos um carro de 6 rodas, a Tyrrel P34, projeto de Derek Gardner que rodou nas temporadas 1976/77. O objetivo era se ajustar a uma mudança na regra que tratava do tamanho da asa dianteira, afetando a aerodinâmica dos carros por conta do tamanho dos pneus.
A ideia de criar 4 pneus dianteiros menores seria justamente para melhorar a aerodinâmica. Não se assuste, mas este carro venceu um grande prêmio (Suécia) e conquistou boas colocações. Depois, com novas mudanças na regra de peso mínimo e o desenvolvimento do Lotus 78 por Colin Chapman, a ideia foi abandonada.
Jody Scheckter em uma Tyrrell-Ford P34 em 1976
(Wikimedia Commons)
Apesar de aparentemente maluco, o projeto só saiu da prancheta porque alguém buscou uma alternativa inovadora para solucionar um problema. E mais tarde algumas mudanças de regras e um novo desenvolvimento enterraram o carro de 6 rodas.
É assim que funciona o mundo, e geralmente as ideias nascem de quem tem menor capacidade financeira, quem não é exatamente parte do mainstream. Grandes corporações são lentas e se comportam mais reagindo que propondo.  
Vamos então ao futebol brasileiro.
Mesmo antes da Covid-19 já havia uma necessidade de mudanças na estrutura do esporte no Brasil. Clubes centenários e quebrados, com estruturas societárias arcaicas e que não estavam dispostas a serem oxigenadas, questionamentos sobre capacidade dos treinadores, tudo isso acompanhado do crescimento entre os mais jovens da presença dos clubes europeus.
Seria um cenário propício para rupturas, mas que eram evitadas porque “aqui o modelo é assim”. Mas não só isso.
A grande realidade é que a maioria dos clubes brasileiros é como as grandes corporações, e apenas reagem às novidades, com grande dificuldade em entendê-las, aceitá-las e se transformarem a partir delas. Por isso, não esperem que mudanças disruptivas venham de clubes tradicionais; a mudança virá a partir dos clubes menores.
Veja os exemplos de Bahia, Ceará, Fortaleza, Athletico, que em poucos anos saíram de estruturas arcaicas e hoje se notabilizam por terem modelos enxutos de gestão, ainda com viés político, mas cada vez mais próximo do torcedor e do equilíbrio financeiro. O Ceará está desenvolvendo um programa que busca conhecer melhor o DNA do seu torcedor, através de pesquisas e um app, que permitirá ações e comportamentos alinhados com a cultura.
Assim como o Bahia tem um modelo dinâmico de gestão, que lhe permite ações rápidas e eficientes de marketing e evoluções significativas de receitas nos últimos anos, inclusive com a construção do novo centro de treinamento. O Athletico hoje tem receitas e estrutura melhores que a de clubes chamados “grandes” do eixo Rio-SP, enquanto o Fortaleza se destaca por ter finanças equilibradas e projeto esportivo de longo prazo, com resultados como a participação na Copa Sulamericana de 2020.
Enquanto isso, clubes chamados de “grandes” ainda pensam que contratar atletas renomados é a solução, trabalham aceleração de programas de sócio torcedor como algo revolucionário, quando esses programas já demonstravam sinais de esgotamento por serem meros veículos de acesso a ingressos, atrasam impostos e direitos trabalhistas como forma de fazer caixa.
Mas esperar que clubes grandes sejam a porta de entrada de novas formas de fazer, dentro e fora de campo, é como imaginar que uma organização com 100 mil funcionários seja capaz de ter a mesma velocidade de um escritório de co-working com 20 pessoas trabalhando.
No Brasil, os clubes grandes apenas reagem, muitas vezes repetindo velhas estratégias surradas. O que estão fazendo realmente de novo? Quais as ferramentas de gestão esportiva e administrativa que lhes permitirá dar um salto de qualidade sustentável? O sucesso está sempre relacionado aos resultados dentro de campo, e mesmo quando este não vem, ainda assim as mudanças nunca são disruptivas, mas apenas maquiagem para parecer moderno.
Serão os clubes pequenos as startups que trarão as mudanças. Porque é mais fácil mudar o controle de um clube pequeno que de um grande. Porque os clubes pequenos estão mais prontos a aceitarem mudanças nas estruturas de gestão esportiva, aceitando novas ideias, buscando profissionais jovens e que conhecem a realidade de fora.
Por exemplo, é possível esperar que clubes menores – e quando digo menores estou associando tamanho a poderio financeiro e tamanho da torcida – adotem estratégias de montagem de elenco baseadas em uso de tecnologia, dados, scouting, coisa que nos clubes grandes ainda engatinha. Assim como é mais fácil um clube menor optar por virar empresa, construindo uma estrutura de governança e controle modernas, que ver o conselheiro de um clube tradicional abrir mão do cartão de visitas de diretor da piscina.
Casos de sucesso recentes como o Flamengo, o Grêmio e o Palmeiras passam pela raridade da reconstrução estrutural, que tem enormes dificuldades e demandam fiadores, como Bandeira de Melo, Romildo Bolzan e Paulo Nobre. Muitas vezes com suporte da oposição, outras porque não havia outra alternativa, mas são as exceções como a que reposicionou a IBM no mundo da tecnologia, ou que fez a Netflix deixar de ser um repositório de filmes e passar a produzir seu conteúdo, assim como a Disney, que deixou de vender seu conteúdo para terceiros e passou a vender diretamente ao público.
A revolução virá com os pequenos, e corremos o risco de termos no futebol brasileiro uma proliferação de Kodaks, a empresa que foi gigante um dia (chegou a valer US$ 30 bi nos anos 80, a dinheiro da época) e fazia filmes fotográficos, teve a chance de ser a precursora das câmeras digitais, mas hoje vale 0,009% da Apple simplesmente porque ignorou as mudanças que estavam ocorrendo ao seu redor. 
Os efeitos da Covid-19 podem ajudar a acelerar processos nos grandes clubes e servir de base para as disrupturas necessárias nas estruturas. Porque se a situação já era caótica antes, ela se torna insustentável agora, e a sobrevivência virá da transformação absoluta. Tenho falado sobre isso há algum tempo: transparência, governança, mais profissionais e menos abnegados nas posições de decisão, maior controle financeiro, investimentos em tecnologia de gestão esportiva, menor dependência de empresários e agentes e maior independência nas decisões, formação eficiente de atletas na base, conhecimento de quem é seu torcedor e qual sua cultura esportiva, mudança de perfil societário.  
Está tudo aí ao redor de todos. Precisa enxergar para não virar uma nova Kodak.

Cesar Grafietti

Economista, especialista em Banking e Gestão & Finanças do Esporte. 27 anos de mercado financeiro analisando o dia-a-dia da economia real.

sábado, abril 11, 2020

Análise: Criação de liga é questão urgente do futebol

A paralisação do futebol deve servir para uma série de reflexões. Clubes vivem em eterna instabilidade financeira e se mostram, a cada temporada, incapazes de criar laços comerciais sustentáveis. Sem jogos, está na hora de afastar as supostas diferenças para, enfim, juntar forças e fazer do futebol um negócio economicamente mais saudável. E o primeiro caminho é a criação de uma liga.

Veja detalhes do impasse entre a Turner e os clubes com quem tem ...

Para quem ainda era cético quanto à importância de um grupo formado para gerir a principal competição do país, o quiproquó gerado pelo acordo entre Turner, clubes e Globo deixa claro que o modelo de negociação precisa ser repensado. As vendas individuais de direitos de televisão já geraram situações bizarras na última temporada, e agora fica claro que o modo de assinar contratos pode derrubar a indústria.
A televisão é responsável por quase metade do faturamento da grande maioria dos times brasileiros. E, ainda assim, a incapacidade de criar um projeto único e consistente pode afastar uma empresa do porte da Turner do futebol nacional.

Futebol 2020 na Globo: Vinheta de patrocínio (Janeiro) - YouTube

É completamente surreal que uma companhia como a Turner queira entrar no futebol brasileiro, mas tenha dificuldade em administrar seus parceiros. Vale a lembrança: a empresa faz parte da Warner, um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, com faturamento de US$ 57 bilhões em 2019. Se os clubes não conseguem manter a Turner e a Globo, o maior grupo de mídia do país, com conforto e segurança, o que resta para oferecer ao mercado? As negociações individuais, somadas às caóticas gestões de cada um dos clubes, formam um doloroso processo de autossabotagem.
A criação de uma liga não seria a resolução de todos os problemas, claro. Mas seria um passo fundamental para tornar algumas negociações-chave mais profissionais. Algo que pode render mais em televisão e licenciados, áreas que parecem engessadas no futebol brasileiro, apesar dos notórios avanços dos últimos anos. Por fim, o processo profissionalizante naturalmente teria um efeito cascata na gestão do esporte.
Essa não é uma sugestão de outro mundo, nem uma proposta de um modelo novo dentro do universo do esporte. Ao contrário. Uma liga forte foi o primeiro passo para maiores avanços comerciais na maioria dos grandes mercados esportivos, seja na Europa ou nos Estados Unidos. A ideia de que os times são concorrentes nos bastidores é uma infantilidade totalmente incompatível com o nível de profissionalização esperado. Se os clubes quiserem grandes parceiros, essa é a hora da mudança.


domingo, fevereiro 23, 2020

Treinador de futebol, a mais instável das profissões


Benê Lima

Já aviso de pronto que este artigo é mesmo para bater e soprar e para soprar e bater. E digo mais. Não há nada de incoerente ou de contraditório nisso. E explico. Não há perfeição em casos como este. Ou seja, no exercício da profissão de treinador de futebol. Portanto, cabe a quem escreve destacar igualmente prós e contras, ou fazer com que um sobrepuje o outro, o que é mais comum.

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Rogério Ceni (divulgação)

Devemos reconhecer que além da incomum instabilidade da permanência no cargo, os desafios dos treinadores perpassam pela necessidade também incomum deles possuírem uma formação transdisciplinar, situação que inclui a multi e também a interdisciplinaridade. Como podem perceber, é algo desafiador mesmo.

Ao treinador também cabe, justo ou não, a tarefa de exercer certo controle sobre a individualidade e a coletividade de seus comandados. Tudo isso para teorizar um pouco em cima da questão de que Rogério Ceni levou certo baile de seus atletas, que não tiverem foco para enfrentar o sergipano Confiança. Este foi provando do prato que o adversário lhe propunha, e viu que não era tão apimentado assim. Resultado é que foi se assenhoreando da partida e da omissão do rival nordestino cheio de nova grife, e parecia nem um pouco intimidado com o cartel do Fortaleza. Desse modo, construiu uma vitória inteiramente justa. Se o adversário não teve foco nem o interesse suficiente pela partida, o problema não foi do Confiança.

Ao Fortaleza resta a lição que vai um pouco além do resultado. Sem foco, sem compromisso e com baixa motivação, não há equipe que sustente prestígio. A tônica do futebol é que o respeito de antes da bola rolar, tem que ser confirmado com a bola em jogo. E alguns fatores me parecem essenciais para que isso se mantenha: compromisso com cada embate, cada jogo, cada disputa, e satisfação, alegria e disposição em todos os momentos de cada disputa. Afinal, jogar um jogo com a cabeça em outro jogo não é uma atitude producente nem respeitosa.

E mais. Que Ceni estabeleça para si experiências com maior rigor em critérios, para que não fique a ideia de que toda improvisação e/ou invenção é sempre melhor que o ‘quadradismo’ de todos os versos.

Aos mestres (treinadores) com carinho.
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quarta-feira, janeiro 22, 2020

Estaduais devem ter novo itinerário para sobreviver

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Estaduais - Divulgação

Por: Benê Lima


Quando os autores das teses do fim dos estaduais tomam estes por torneios regionais, já demonstram que não estão devidamente sintonizados com o papel que lhes cabe. Os estaduais possuem DNA na cultura estadual, razão pela qual devem expressar muito do gosto e da vontade da população local.

E para que tal expressão se dê, os estaduais como produto devem contemplar tais gestos, gostos e costumes, senão em seu aspecto intra desportivo, porém em todas as suas manifestações sócio-desportivas e culturais. Portanto, tais competições devem ter em seus entornos a presença dos signos característicos de cada localidade. Não só a geografia do ente estado deve ser valorizada, mas também as de cada município ali representados, bem como algumas de suas peculiaridades.

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Estadual - Divulgação


Tal implemento deve privilegiar, com certa efusão, um evento de lançamento da competição, evento esse que vise a integrar e dar visibilidade a todos os segmentos que a compõem. Atrativos devem ser criados, numa relação de paralelismo com a competição, a fim de manter o atrativo da mesma em todas as suas etapas. Estes instrumentos de interação dos desportistas e do público em geral, extrinsecamente devem ser acompanhados de brindes típicos e premiações. A competição, intrinsecamente, deve destacar, entre outros, os melhores de cada rodada, desde os protagonistas, como jogadores e treinadores, até coadjuvantes importantes como árbitros e assistentes. Além disso, a cada ano a competição deve levantar uma (ou mais) bandeira(s) social(ais), que deverão acompanhar pari passu as suas etapas. Mas não fica só nisso. Mais sugestões podem ser acrescidas, como por exemplo, a criação de uma mascote para cada competição, com réplicas que poderão ser adquiridas como souvenir.

Em se tratando do estado do Ceará, os representantes de cada município, especialmente os do interior do estado, devem estabelecer uma relação mais representativa de suas localidades, tanto como forma de sensibilizar a administração pública para o engajamento na competição em algum nível, quanto de motivar os desportistas locais a terem maior participação nos estádios. É evidente que para isso algumas medidas estimuladoras precisam ser tomadas, tais como a facilitação de crianças e mulheres nas praças esportivas, desde o subsídio até a gratuidade, condicionada à presença de um bilhete pagador para cada grupo de pessoas, estes limitados a certo número de pessoas e a parentesco em grau maior.

Caucaia x Barbalha ficaram no empate — Foto: Diogo Fonteles/Caucaia EC
Caucaia x Barbalha — Foto: Diogo Fonteles/Caucaia EC

Outra medida providencial me parece a criação de programas oriundos do poder público, que possibilitem o acesso gratuito de estudantes das escolas públicas às praças esportivas, acompanhados de monitoramento, e sob o critério de aproveitamento da capacidade ociosa dos nossos estádios. Tal medida ainda ajudaria na formação do torcedor do futuro, visando a estimular um comportamento adequado, além de formar o hábito da frequência aos estádios.

À mídia, caberia entender a importância de todos esses pormenores, aceitando-os e na medida do possível anunciando-os, ora sob a ótica de alguma compensação financeira, ora como mero incremento ao próprio produto que ela divulga e vende para si.

Tais ideias servem apenas para prefaciar um evento que se prestará a um brainstorming (tempestade de ideias) de baixíssimo custo para nossa entidade de administração do futebol, a FCF, e cuja demanda, em se tratando de tempo, não ultrapassará a meio-dia, em razão da especificidade do tema.


"Como tenho dito ao futebol feminino, que primeiro nos apresentemos como um bom produto, um bom produto conceitual e comercial, para só depois apelarmos ao mercado em busca de apoio e patrocínio."
"O marketing pode até despertar como o faz o desejo de consumir, mas é necessário que tenhamos um produto que preencha as expectativas do consumidor. Não há nada de miraculoso que possa transformar um mau produto num bom produto."

Como digo mãos à obra, a fim de que se coloquem mentes à obra.

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segunda-feira, dezembro 30, 2019

Análise: Estaduais podem ser embrião para nova liga

Para Erich Beting, futebol vai se fortalecer quando focar negócio para no máximo 60 clubes 

Sim, talvez sejam os bons ventos que sempre sopram nesta época do ano, mas a decisão da Globo de dar prioridade ao que realmente importa no Paulistão não deixa de ser uma boa notícia no médio prazo.
A racionalização do calendário dos Estaduais, por força do poder econômico da emissora, pode vir a ser o embrião que falta para finalmente termos a criação de uma liga no país. Não uma entidade que represente interesses comerciais de um grupo de clubes, mas uma liga que possa, de fato, defender a organização de uma competição esportiva.
Hoje, do jeito que está, o Estadual não representa a sobrevida do clube pequeno do interior, ele distancia ainda mais os clubes paulistas do restante do país. Só para se ter uma ideia, a cota que o Água Santa recebe para jogar o Paulistão equivale à soma do que paga o Campeonato Pernambucano. De todo o campeonato!!!
O Paulistão é uma ilha de prosperidade em meio ao caos que reina nos Estaduais pelo país adentro. O Flamengo jogar o Cariocão com o time sub-20 é o melhor exemplo da hora. Sem dinheiro da TV, o apelo que havia para colocar o time em campo no Estadual simplesmente acaba.
Para ter um futebol nacional forte, necessariamente temos de fazer o Brasileirão ser o grande campeonato do continente. E, para isso acontecer, precisamos reduzir o tamanho dos Estaduais para privilegiar 40 a 60 clubes que disputam as três principais divisões nacionais. Isso é garantir futebol de alto nível para 1,5 mil atletas. Hoje, temos no máximo cinco clubes em situação estável e confortável para pagar os jogadores em dia no futebol nacional. Essa situação só vai mudar quando um torneio gerar receita suficiente para o bom funcionamento do clube ao longo de toda uma temporada, e não por três meses.
A partir do instante em que a Globo obriga os Estaduais a se reduzirem, ela vai abrindo o caminho para o Brasileirão se fortalecer. Agora, é preciso que alguém assuma o controle para criar uma competição de fato atrativa comercialmente. Hoje, o Brasileirão é o campeonato que temos, mas está longe de ser aquele que queremos.
Principal liga esportiva do mundo, a NFL mostra que o caminho é reduzir o número de jogos para dar mais qualidade ao evento e, assim, aumentar a receita. Temos a mania de nos atermos à memória afetiva para justificar opiniões que parecem embasadas tecnicamente. É isso, mais o componente político, que ainda seguram a relevância dos Estaduais dentro do calendário. O embrião da liga cresce a cada dia...

Mycujoo usa Copinha para ganhar força no Brasil

Maior parceiro de transmissão do torneio de juniores vê chance de ampliar negócios no país
Por Erich Beting - São Paulo (SP) 

Plataforma gratuita de transmissão via streaming, o Mycujoo terá, em janeiro de 2020, o status de maior parceiro da Federação Paulista de Futebol (FPF) na transmissão da Copa São Paulo de Futebol Júnior. A plataforma será responsável por transmitir mais da metade da competição. O torneio é a maior aposta do Mycujoo para crescer no Brasil, em meio a um cenário desafiador de crescimento do streaming com players mundiais fortes, como DAZN e Facebook.
Em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte, Terence Gargantini, diretor geral do Mycujoo no Brasil e América Latina, explica o movimento feito pela plataforma, que em 2019 conseguiu gerar receita Veja a entrevista a seguir.
Máquina do Esporte: Como a Copinha ajuda o crescimento do Mycujoo no país?
Terence Gargantini: A Copinha, além de ser o pontapé inicial da temporada de futebol do Brasil, é o maior torneio de base da América Latina, e um dos maiores do mundo. São 128 equipes de todos os estados do Brasil. Junto com a Federação Paulista, vamos transmitir cerca de 140 partidas pelo quarto ano consecutivo, ou seja, mais da metade de todo o torneio, nos dando a oportunidade de nos conectar pela primeira vez com uma grande audiência fanática por futebol. É o único torneio oficial a ser realizado nas primeiras semanas de janeiro, então todos os torcedores estão com saudades de assistir futebol e de conhecer as futuras promessas.
MdE: De que forma a plataforma tem conseguido gerar receita no Brasil?
TG: Estamos nos apresentando ao mercado, e as marcas estão começando a nos conhecer e nos incluir em seus planejamentos. O ano de 2019 foi um ano em que já conseguimos gerar receita, e 2020 será um ano de grandes desafios, mas com muitas conquistas. Temos uma audiência super selecionada, engajada, e apaixonado por futebol. São mais de 10 milhões de fãs conectadas em todo o Brasil.
MdE: Como o Mycujoo consegue se diferenciar da concorrência?
TG: Estamos surfando esta grande onda do streaming com players gigantescos, e seguimos focados no conteúdo “long tail”, ajudando nossos parceiros (clubes, federações, confederações e detentores de direitos), através de nossa tecnologia de baixo custo de produção, a entregar a seus fãs e torcedores o maior número de jogos possíveis. Com essa visibilidade, criamos um novo ecossistema, em que os parceiros são capazes de monetizar por conta desta entrega massiva de jogos. Além disso, qualquer detentor de direito pode criar, sem custo, sua própria TV e distribuir seus jogos nos quatro cantos do mundo. 
MdE: Qual o peso da Copinha para os negócios do Mycujoo?
TG: A Copinha é o pontapé inicial da temporada de futebol do Brasil e tem um peso enorme. É dali que nascem nossos futuros craques, além de ser uma competição com uma enorme aceitação dos fãs e histórias incríveis de superação. Transmitir 140 jogos pelo quarto ano consecutivo nos coloca em uma posição de destaque, abrindo-se uma centena de outras oportunidades.

Análise: A maior vitória do futebol brasileiro em 2019

Em artigo exclusivo, José Colagrossi, diretor do Ibope Repucom, fala sobre a profissionalização dos clubes
José Colagrossi, diretor do Ibope Repucom
De muitas maneiras, o futebol brasileiro virou a página de 2014 em 2019. Como se pudéssemos esquecer, nosso futebol ficou de joelhos com a humilhação dos 7 a 1 em 2014, combinado com o maior escândalo de corrupção que o futebol já viu e que atingiu os principais dirigentes do futebol brasileiro e mundial em 2015, no caso “Fifagate”. Desmoralizado, dentro e fora do campo, nosso futebol se apequenou. Entretanto, a gravidade da crise não foi logo percebida, em toda sua dimensão, porque a chegada, logo em seguida, do Rio 2016, serviu em grande medida para tirar muito do foco da gigantesca crise que atingiu nosso futebol pós-Copa.
Enquanto o foco da mídia e da população se voltava para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, todos números do nosso futebol caíam. Público nos estádios, número de patrocinadores (que batiam em retirada para evitar verem suas marcas associadas à corrupção), e audiência na TV refletiam o desencanto dos fãs com o esporte. No campo, os resultados não eram melhores. A Seleção Brasileira, desta vez sob o comando de Dunga, acumulava maus resultados. Quanto aos clubes, após ganharmos a Libertadores da América por quatro anos seguidos (2010 a 2013) ficamos sem títulos até 2017. Na Europa, a década de Messi e Cristiano Ronaldo ofuscava o brilhantismo dos jogadores brasileiros naquele continente, mesmo com a chegada de Neymar ao Barcelona.
De repente, o futebol brasileiro se fragilizou dentro e fora do campo como nunca. Para piorar ainda mais o cenário, surgiu outro fantasma: a competição crescente do futebol europeu no mercado brasileiro. Os ingredientes são conhecidos: craques famosos, calendário competente, torneios cobiçados com forte apelo e farta transmissão na TV brasileira fizeram, e ainda fazem, que cada vez mais fãs daqui se tornem também fãs de lá, inclusive nascendo uma nova geração de jovens brasileiros que se dizem torcedores exclusivos de times europeus.       
Neste cenário de terra arrasada, a crise do futebol brasileiro pós 2014 só não foi ainda maior por causa da entrada repentina da Caixa. No período de 2014 a 2018 a Caixa chegou a patrocinar 35 clubes entre grandes, médios e pequenos, e esse enorme fluxo de receita minimizou, mas não impediu, que as dívidas da maioria destes clubes aumentassem ainda mais.
A entrada da Caixa, assim como o grande número de clubes patrocinados, gerou muita polêmica, principalmente entre torcedores de times não-patrocinados pelo banco. O grande questionamento era: “por que estatal tem que investir em esportes”? Evidentemente, isso não resiste a uma análise sequer superficial. O Banco do Brasil e o vôlei brasileiro têm uma parceria histórica de grande sucesso. Até hoje a marca Lubrax gera valor de mídia de um patrocínio do Flamengo de mais de 40 anos atrás. Ayrton Senna no começo de sua carreira teve o patrocínio do Banerj, então banco estatal do RJ. Ao mesmo tempo, o patrocínio estatal tem ajudado enormemente o esporte olímpico brasileiro. E, sem dúvida, a Caixa ganhou uma enorme visibilidade no futebol que acabou gerando números estratosféricos de valor de mídia. Em paralelo, o volume de negócios financeiros gerado com os clubes, em forma de contas bancárias, folha de pagamento de jogadores e funcionários, cartões de crédito, seguros e empréstimos consignados geraram retorno ao banco.
Se por um lado o patrocínio da Caixa foi benéfico ao banco, pelo lado dos clubes, entretanto, o resultado é menos obviamente conclusivo. Com toda certeza o dinheiro da Caixa ajudou nas contas de seus clubes patrocinados. Fica até difícil projetar como estaria a saúde financeira do nosso futebol sem as centenas de milhões de reais da Caixa. Por outro lado, o dinheiro da Caixa acabou atrasando a necessária e inevitável busca pela eficiência, transparência e boa gestão de muitos clubes.
A realidade é que, por muitos anos, a dependência do dinheiro fácil e farto dos fornecedores de material esportivo, das vendas de direitos de TV e patrocínio, muitas vezes sem grandes contrapartidas, ajudou a perpetuar a gestão amadora, e muitas vezes ineficiente, do modelo associativo de muitos clubes. Gerir com dinheiro fácil, mesmo que seja em forma de adiantamentos de receita futura, não é tão difícil.
Enquanto esse ecossistema resistia, os clubes também resistiam em se modernizar. Entretanto, num espaço de poucos anos, tudo mudou. O dinheiro da TV diminuiu e passou a depender, em parte, do desempenho no campo.  Ao mesmo tempo fornecedores de material esportivo passaram a impor um modelo de parceria onde grande parte da receita aos clubes é condicionada às vendas de produtos. E a saída da Caixa gerou um mercado comprador onde o valor dos patrocínios baixou e as contrapartidas aumentaram.
De repente, o modelo que sustentou, por décadas, a gestão associativa amadora dos clubes ruiu. E a diferença de performance, dentro e fora dos gramados, entre os clubes com gestão eficiente e os clubes sem gestão eficiente ficou grande demais para não ser percebida, principalmente pelos torcedores. Antes fruto exclusivo da visão de poucos dirigentes, profissionalismo, eficiência e transparência se tornaram de repente condições necessárias não apenas ao sucesso, mas também à sobrevivência dos clubes.      
Comparo o processo de profissionalização dos clubes à uma prova de maratona. Ao contrário dos 100 metros rasos, onde todos corredores largam e chegam muito próximos uns dos outros, o processo de gestão eficiente e transparente dos clubes de futebol se parece mais com uma maratona: existe um pequeno grupo que lidera a corrida, um bloco maior intermediário, e um menor grupo que fica pata trás. O progresso de cada corredor, ou de cada clube, não é igual. Alguns estão na frente, outros mais atrás. Mas, felizmente, todos correm na mesma direção.
Em 2016, num congresso nacional de esportes, afirmei que a profissionalização da gestão do futebol seria inevitável por conta de duas forças: a pressão dos patrocinadores neste sentido e a cada vez maior diferença de desempenho esportivo entre os clubes bem a mal geridos. Naquele momento de crise, acreditava que as marcas iriam pressionar os clubes e federações por eficiência e transparência, e que isso salvaria o futebol brasileiro. Ao mesmo tempo, previa que os clubes bem geridos iriam se distanciar dos outros, e que este distanciamento iria precipitar um inevitável processo de melhora geral da gestão do nosso futebol. 
Estava certo. Mas também estava errado!
Sim, as marcas, principalmente grandes marcas internacionais, demandam, ou mesmo exigem, gestão eficiente. Ao mesmo tempo os frutos de boa gestão são cada vez mais sentidos. Entretanto, o que tem dado mais resultado neste processo é a pressão da torcida. O ano 2019 será lembrado como o ano em que o torcedor passou a demandar, senão exigir, eficiência nas decisões dos gestores. O torcedor, hoje, discute com autoridade os salários pagos aos jogadores e treinadores, valor e quantidade de patrocínio nos uniformes, a comunicação dos clubes, a qualidade de conteúdo e interatividade nos perfis sociais e, principalmente, qualidade das gestões. 
Além do debate sobre jogadores, esquemas táticos, ou como o time jogou, o orçamento do clube e como dirigentes gastam o dinheiro passou também a ser discutido, muitas vezes emocionalmente, por torcedores. O mesmo torcedor que poucos anos atrás exigia um time campeão em campo a qualquer custo, hoje quer uma gestão eficiente e transparente.
Torcida do Cruzeiro pede responsabilidade fiscal
Ficou claro que gestão campeã inevitavelmente leva a um time campeão. Os exemplos recentes estão aí para qualquer um ver. Clubes com melhor gestão estão se destacando e ganhando títulos. Por outro lado, clubes com gestão irresponsável e ineficiente acabam do outro lado da tabela.
Do lado de baixo! 
Evidentemente, nada disso seria possível sem a digitalização da sociedade e, por extensão, dos esportes. Ao contrário do torcedor analógico que não tinha poder de mídia, o torcedor digital hoje tem um protagonismo sem precedentes, e usa esse poder midiático para pressionar o clube como nunca.
Seria a democratização do futebol?
Dados de nosso monitoramento de mídias sociais dos torcedores brasileiros mostram que a cada ano cresce o percentual dos posts que comentam sobre gestão, e não resultados em campo. Em 2019 esse percentual passou de 20%. Há 3 anos atrás esse mesmo percentual não chegava a 1%. No caso dos posts de botafoguenses, por exemplo, a discussão do projeto Botafogo S/A foi, disparado, o grande tema em 2019. 
Há muito o que se comemorar em 2019. Números históricos de público nos estádios. Números históricos de audiência do esporte na televisão. Números históricos de engajamento de fãs em mídia social. Número e diversidade de patrocinadores aumentando significativamente. Os torcedores, de novo, de bem com a seleção brasileira por conta do sucesso na Copa América. Torneios emocionantes e técnicos estrangeiros reciclando o futebol brasileiro. Tudo positivo!
Mesmo assim, 2019 vai ser lembrado como o ano em que o torcedor brasileiro finalmente aprendeu que gestão eficiente traz resultados, traz glórias. Esse mesmo torcedor também aprendeu que falta de gestão inevitavelmente leva ao caos. Pode demorar, mas leva! Essa conscientização é o passo fundamental no processo de profissionalização do futebol brasileiro. O que faltava!
Essa foi, mais do que qualquer outra, a Maior Vitória do Futebol Brasileiro em 2019.

sexta-feira, dezembro 06, 2019

Por streaming, Globo compra empresa de inteligência artificial

A disputa por direitos de transmissão no streaming deve ganhar um novo capítulo após a Globo anunciar um investimento de US$ 3,3 milhões na Pixellot, empresa de inteligência artificial de Israel. O aporte na empresa tem como objetivo instalar a tecnologia fornecida por ela em estádios e instalações esportivas em todo o país, permitindo a detentores de direitos a opção de transmitir partidas ao vivo por um serviço de streaming oferecido pela Globo.
O movimento é um dos maiores passos dado pela emissora para começar a oferecer um serviço de streaming dentro do mercado brasileiro. Nos últimos anos, com foco na televisão, a Globo viu diversas competições menores migrarem para plataformas de streaming e deixou de ter direitos de transmissão sobre algumas delas. Agora, a ideia é oferecer maior possibilidade de cobertura a outros eventos.
Foto: Divulgação
"Depois de revisar muitas tecnologias no mercado de mídia, concluímos que a Pixellot desenvolveu a única tecnologia que pode fornecer uma solução na escala e qualidade exigidas. Ela também tem o maior portfólio de produtos que pode atender a todos os mercados da nossa cadeia de valor de mídia. A Globo poderá produzir novas verticais esportivas e expandir nossa cobertura no futebol, que é a paixão nacional. Isso inclui ligas e competições profissionais masculinas e femininas, além de esportes semiprofissionais e de nicho pela primeira vez", afirmou Roberto Marinho Neto, diretor da divisão de esportes do grupo, em comunicado.
A solução da Pixellot usa algoritmos de produção automatizada para rastrear o fluxo de jogo, identificar e recortar destaques, atualizar o placar e gerenciar inserções de anúncios sem a necessidade de intervenção humana. Ao instalar dispositivos com várias câmeras não tripuladas nas arenas, a solução da empresa reduz brutalmente o custo de produção de um evento esportivo. Além disso, a solução baseada em nuvem da Pixellot distribui as filmagens do jogo em plataformas diretas ao consumidor, expandindo a capacidade de distribuir mais conteúdo.
"O mercado brasileiro está cheio de milhões de entusiastas do esporte em muitos tipos de esportes. A visão do Grupo Globo de liderar uma revolução tecnológica na cobertura esportiva proporcionará maior acesso aos fãs e permitirá que a empresa monetize verticais esportivas inteiras pela primeira vez, sendo pioneira no avanço da indústria esportiva sul-americana", disse Alon Werber, CEO da Pixellot.
A emissora carioca ainda não divulgou quando pretende instalar a solução no Brasil.

sexta-feira, setembro 20, 2019

Fortaleza vai ao Cade e diz que Turner fere concorrência

Clube afirma receber R$ 31 milhões a menos do que seus pares por direitos de TV


Carlos Petrocilo / FSP
SÃO PAULO
O Fortaleza acionou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para apurar se a Turner, responsável pelo canal TNT, que tem exclusividade para transmitir jogos de sete equipes do Campeonato Brasileiro em TV fechada, feriu a lei de defesa da concorrência ao negociar com os clubes.
A denúncia foi protocolada nesta quinta (18). O Cade é uma autarquia vinculada ao Ministério da Justiça responsável zelar pela livre concorrência.
Segundo o advogado do Fortaleza, Eduardo Carlezzo, clubes como Palmeiras, Santos, Internacional, Ceará, Bahia e Athletico dividiram R$ 140 milhões (cerca de R$ 23 milhões para cada um), enquanto a equipe do Ceará, fora dessa negociação, ficou com R$ 9 milhões fixos. 
Os contratos dos times com a Turner foram acertados em 2016, quando o Fortaleza estava na Série C do Brasileiro, mas só passaram a valer no Brasileiro deste ano.
Em jogo transmitido pela TNT, time entrou em campo com camisas de protesto - Reprodução / TNT
No começo de 2019, os demais clubes que assinaram com a Turner descobriram que somente o Palmeiras havia recebido R$ 100 milhões de luvas. Na época, as equipes confrontaram o grupo dos EUA e conseguiram negociar, além dos R$ 23 milhões, um adicional de R$ 17 milhões, alcançado um total de R$ 40 milhões cada.
Carlezzo diz que o Fortaleza ficou fora dessa última negociação. Segundo ele, o time cearense foi discriminado pela Turner por duas vezes.

“A primeira [discriminação] quando o Fortaleza não recebeu as luvas adicionais [R$ 17 milhões]. A outra é que o Fortaleza vai receber um valor fixo, de R$ 9 milhões, enquanto os outros também na Série A vão dividir R$ 140 milhões”, afirmou o advogado.

A defesa do Fortaleza se baseou na lei que estruturou o sistema brasileiro de defesa da concorrência (12.29/11), onde diz “discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços por meio da fixação diferenciada de preços, ou de condições operacionais de venda ou prestação de serviços”. A pena pode ser multa de até 20% do faturamento bruto da empresa, grupo ou do conglomerado.

“Não há dúvidas de que o Fortaleza foi indevidamente preterido e discriminado pela Turner nos pagamentos realizados a outros clubes da Série A, o que acaba dando a estes uma vantagem financeira e competitiva não extensível ao Fortaleza, distorcendo a livre concorrência e dificultando a capacidade do clube de manter-se na Série A", afirmou Carlezzo.
Antes de ir ao Cade, o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, diz que tentou um acordo com a Turner.

"Tentamos amigavelmente, de todas as maneiras possíveis, fazer um acordo, mas como não houve outra alternativa optamos por denunciar o caso às autoridades competentes", disse o dirigente.
Procurado pela Folha, a Turner respondeu que não comentaria o caso.
Na 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, o time do Fortaleza entrou no gramado usando a camisas com estampa “-14” em protesto por essa diferença de valores. A partida foi transmitida pelo canal TNT.
“Minha maior crítica é ao discurso deles. A Turner entrou no mercado como? Pregando igualdade e prometendo não fazer o que a Globo fez. Disseram que promoveriam uma democratização dos direitos de TV. Não posso ficar satisfeito com uma empresa que prega a igualdade e faz outra coisa”, reclamou Paz naquela ocasião.