Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quarta-feira, novembro 18, 2020

Como Data FIFA contribuiu para aumento de casos de Covid no futebol mundial


Antes o torcedor ficava na expectativa para que os jogadores não voltassem lesionados da Data FIFA. Em tempos de pandemia, a preocupação aumentou. Eles torcem também para que os atletas não retornem com Covid.

E não é à toa. Nesta pausa para os jogos oficiais das seleções nacionais, além de lesões, muitos atletas foram infectados pelo novo coronavírus. Mo Salah do Liverpool, testou positivo com a equipe do Egito. O mesmo aconteceu com o meia croata Brozovic, da Inter de Milão, e o uruguaio Luis Suárez, do Atlético de Madrid, entre outros.

“É um risco expor os atletas, trazê-los de diversos lugares do mundo para ficarem concentrados com maior risco de exposição. Além disso, tem o deslocamento por países. A questão da pandemia é diferente em cada lugar. É uma exposição considerável”, avalia o advogado Luiz Marcondes, presidente do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo.

O Lei em Campo consultou o infectologista Paulo Olzon, que reforçou que o contágio se dá principalmente em ambientes fechados. No futebol, “avião, concentração, vestiário… Dentro do campo dificilmente são contaminados, apenas se houver troca de fluidos”.

Na Seleção do Uruguai, além de Luis Suárez, Rodrigo Muñoz e Matias Viña também testaram positivo para a Covid. E o foco do contágio seria o lateral do Palmeiras, já que o clube vive um surto com 15 atletas infectados. Essa foi a explicação do médico da delegação, José Veloso, a um jornal uruguaio.

“Os exames realizados em Viña no sábado e no domingo, principalmente o último, foram uma confirmação de que o contágio ocorreu no Brasil e não na Colômbia, onde o Uruguai jogou na sexta-feira (13)“, afirmou o médico. Viña havia sido testado na quarta (11) e o exame deu negativo.
Gabriel Menino, outro lateral do Palmeiras foi diagnosticado com Covid enquanto estava com a Seleção Brasileira e acabou desconvocado. Todos os atletas do clube paulista estariam assintomáticos.

Paulo Olzon, que trabalha na linha de frente da Covid em São Paulo, explicou que o período de incubação do vírus, do contágio aos primeiros sintomas, varia de 2 a 14 dias. “Boa parte se contamina em uma semana, mas não dá para garantir. O percentual de erro ou má interpretação é grande e proporcional ao tempo de incubação.”

Além disso, a porcentagem de exames falsos-negativos, quando a pessoa está infectada e não aparece, varia de 20% a 40%. “Se você estiver com a Covid e colher a amostra no primeiro ou segundo dia dá negativo. Mesmo com os sintomas. Só a partir do terceiro dia o resultado aparece com precisão”, revela o doutor Paulo Olzon.

Quando o paciente apresenta quadro clínico de gripe, diarreia, dor de cabeça intensa, perda de olfato e paladar, o contágio se dá mais fácil. Quando não há sintomas, a carga viral é bem inferior e a transmissão do vírus fica muito mais difícil. De qualquer forma, o recomendável é sempre o isolamento.

Por isso, os jogadores uruguaios infectados foram removidos do convívio com os demais atletas e devem permanecer 14 dias em isolamento. Assim como os atletas do Palmeiras e de outros clubes que registram casos do novo coronavírus.

Luis Suárez está fora do jogo entre Atlético de Madrid e Barcelona no próximo dia 21 pelo Campeonato Espanhol. Seria o primeiro encontro do atacante com o ex-clube. Mas fica para uma próxima.

“A FIFA criou o protocolo de partidas oficiais em meio a pandemia. Medidas preventivas para evitar a contaminação. Além disso, a entidade orienta os clubes a contratarem seguros para uma determinada enfermidade ou lesão dos atletas. Está no artigo 2, anexo 1, do Regulamento de Status e Transferências de jogadores. A FIFA tenta se livrar de uma eventual responsabilidade. Não sei se o Atlético de Madrid contratou o seguro. Mas é uma discussão interessante de ser trabalhada face o momento que nós estamos”, propõe Luiz Marcondes.

Até que ponto as competições devem seguir com tantos casos e uma segunda onda da pandemia? A entidade máxima do futebol anunciou o cancelamento dos mundiais femininos Sub-20 e Sub-17 nesta terça-feira (17) por dificuldades com a pandemia, mas no sentido de ausência de datas para concluir as eliminatórias e a preparação das seleções classificadas. Nada tem a ver com o risco de contágio em razão da realização dos torneios.Até porque a FIFA confirmou o Mundial de Clubes masculino, entre 1 e 11 de fevereiro de 2021. Datas que coincidem com a final da Copa do Brasil e rodada 34 do Brasileirão.


sexta-feira, outubro 09, 2020

Brasileirão 2020: a mais ‘insana’ dentre as disputas

Benê Lima

Para a maioria dos times brasileiros, o Brasileirão 2020, regado à pandemia, é o que mais apresenta aspecto diverso das demais edições.

As implicações vão desde o aspecto financeiro até o aspecto técnico. 

Creio que jamais se viu, desde a primeira edição da versão Brasileirão de pontos corridos, tamanho equilíbrio e disputa, especialmente na parte de baixo da tábua de classificação.

Para que se tenha uma ideia, apenas cinco pontos separam o oitavo colocado para o décimo sexto e primeiro na zona de rebaixamento, sem contar que do décimo segundo ao décimo sétimo todos os times possuem a mesma pontuação: 15 pontos ganhos.

 


Aduza-se a isto o fato do último colocado momentâneo, o Goiás, contabilizar nove pontos ganhos, mas ter três jogos a menos. Portanto, três vitórias colocariam o time goiano com o dobro da atual pontuação. 

Outro fator que parece ter diminuído o desequilíbrio técnico-desportivo entre os times, é a gestão financeira dos clubes. Gestão equilibrada e enxuta tem refletido num menor gap entre o topo e a base da pirâmide. 

Diante destas condições, cabe a nós reconhecermos que analisar tendências neste instante é algo que requer cuidados, a fim de não pretendermos transformar mera e tênue propensão em quase certeza. 

A verdade que salta aos olhos do menos arguto observador, é que esta nos parece a versão do Brasileirão menos sujeita a prognósticos definitivos. Há clubes, mais que os times que os representam, que estão se saindo de forma garbosa na lida com a crise instaurada pela pandemia, como são os casos dos nordestinos Ceará, Fortaleza e Bahia.

Creio ainda que as análises precisam incorporar mais ciência e menos emoção e paixão, sem o quê estaremos distantes das ações reativas que se fazem necessárias.


quarta-feira, janeiro 22, 2020

Estaduais devem ter novo itinerário para sobreviver

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Estaduais - Divulgação

Por: Benê Lima


Quando os autores das teses do fim dos estaduais tomam estes por torneios regionais, já demonstram que não estão devidamente sintonizados com o papel que lhes cabe. Os estaduais possuem DNA na cultura estadual, razão pela qual devem expressar muito do gosto e da vontade da população local.

E para que tal expressão se dê, os estaduais como produto devem contemplar tais gestos, gostos e costumes, senão em seu aspecto intra desportivo, porém em todas as suas manifestações sócio-desportivas e culturais. Portanto, tais competições devem ter em seus entornos a presença dos signos característicos de cada localidade. Não só a geografia do ente estado deve ser valorizada, mas também as de cada município ali representados, bem como algumas de suas peculiaridades.

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Estadual - Divulgação


Tal implemento deve privilegiar, com certa efusão, um evento de lançamento da competição, evento esse que vise a integrar e dar visibilidade a todos os segmentos que a compõem. Atrativos devem ser criados, numa relação de paralelismo com a competição, a fim de manter o atrativo da mesma em todas as suas etapas. Estes instrumentos de interação dos desportistas e do público em geral, extrinsecamente devem ser acompanhados de brindes típicos e premiações. A competição, intrinsecamente, deve destacar, entre outros, os melhores de cada rodada, desde os protagonistas, como jogadores e treinadores, até coadjuvantes importantes como árbitros e assistentes. Além disso, a cada ano a competição deve levantar uma (ou mais) bandeira(s) social(ais), que deverão acompanhar pari passu as suas etapas. Mas não fica só nisso. Mais sugestões podem ser acrescidas, como por exemplo, a criação de uma mascote para cada competição, com réplicas que poderão ser adquiridas como souvenir.

Em se tratando do estado do Ceará, os representantes de cada município, especialmente os do interior do estado, devem estabelecer uma relação mais representativa de suas localidades, tanto como forma de sensibilizar a administração pública para o engajamento na competição em algum nível, quanto de motivar os desportistas locais a terem maior participação nos estádios. É evidente que para isso algumas medidas estimuladoras precisam ser tomadas, tais como a facilitação de crianças e mulheres nas praças esportivas, desde o subsídio até a gratuidade, condicionada à presença de um bilhete pagador para cada grupo de pessoas, estes limitados a certo número de pessoas e a parentesco em grau maior.

Caucaia x Barbalha ficaram no empate — Foto: Diogo Fonteles/Caucaia EC
Caucaia x Barbalha — Foto: Diogo Fonteles/Caucaia EC

Outra medida providencial me parece a criação de programas oriundos do poder público, que possibilitem o acesso gratuito de estudantes das escolas públicas às praças esportivas, acompanhados de monitoramento, e sob o critério de aproveitamento da capacidade ociosa dos nossos estádios. Tal medida ainda ajudaria na formação do torcedor do futuro, visando a estimular um comportamento adequado, além de formar o hábito da frequência aos estádios.

À mídia, caberia entender a importância de todos esses pormenores, aceitando-os e na medida do possível anunciando-os, ora sob a ótica de alguma compensação financeira, ora como mero incremento ao próprio produto que ela divulga e vende para si.

Tais ideias servem apenas para prefaciar um evento que se prestará a um brainstorming (tempestade de ideias) de baixíssimo custo para nossa entidade de administração do futebol, a FCF, e cuja demanda, em se tratando de tempo, não ultrapassará a meio-dia, em razão da especificidade do tema.


"Como tenho dito ao futebol feminino, que primeiro nos apresentemos como um bom produto, um bom produto conceitual e comercial, para só depois apelarmos ao mercado em busca de apoio e patrocínio."
"O marketing pode até despertar como o faz o desejo de consumir, mas é necessário que tenhamos um produto que preencha as expectativas do consumidor. Não há nada de miraculoso que possa transformar um mau produto num bom produto."

Como digo mãos à obra, a fim de que se coloquem mentes à obra.

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quarta-feira, julho 05, 2017

Olhares sobre a formação dos treinadores brasileiros

A discussão sobre a formação dos treinadores brasileiros
Benê Lima 
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Considero importante a visão de fora, o olhar diferenciado, amplo, e não condicionado ao aspecto político, do professor Jorge Castelo. Só que essa discussão deve ser feita levando-se em conta as condições brasileiras.  
Temos proposto a mudança da cultura da gestão esportiva em nosso país. CBF não é UEFA e nem há nela (CBF) vocação para isso.   

Resultado de imagem para CBF, UEFA, Treinadores 

Quando da instauração do Comitê de Reformas da CBF me enchi de esperança pela participação da comunidade esportiva, imprensa e a sociedade em geral, a fim de que pudéssemos contribuir para a mudança da cultura a que fiz alusão, através do poderoso instrumento que é o Estatuto daquela entidade de administração. Infelizmente, o nível da participação foi decepcionante. O resultado foi que coube quase que exclusivamente à CBF reformular seu Estatuto.  
Hoje, assisto a essa mesma CBF adotar algumas das medidas que preconizávamos, como uma inserção na vida sócio-desportiva e a busca por uma aproximação, para cooperação, com o governo federal, além de estados e municípios. Ou seja, a montanha está vindo a Maomé - verdadeira inversão da ordem natural das coisas. 
Voltando ao tema inicial, as nossas Escolas de Ensino Superior era que deveriam oferecer a formação de técnicos e de treinadores na área esportiva com maior rigor, zelo e aperfeiçoamento. No entanto, reconheçamos, a CBF tem estado empenhada nisso também. Ela criou, entre outros, o CBF Academy, que tem cursos para treinadores com Licenças D, C, B. A e Pro, além de cursos nas áreas de gestão do futebol e na do direito esportivo.  
É insuficiente? Sem dúvida que é, mas isso já representa um avanço.  
A possibilidade do conhecimento se dá também através do CBF Social e dos workshops ali ministrados.  
E agora temos a CBF como fomentadora das parcerias de pequenos projetos sócio-desportivos, entre a iniciativa privada e os poderes públicos.  
Que tal pensarmos em fazer um pouco , ou a nossa parte. 
(...)
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terça-feira, fevereiro 14, 2017

O que está acontecendo com o esporte mais amado dos brasileiros?

Luigi Bispo é Tecnólogo, Especialista em Gestão Esportiva, Pós-Graduando em Liderança Estratégica e Atleta.
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O que está acontecendo com o esporte mais amado dos brasileiros?

Prometi a mim mesmo que não iria mais tocar no assunto futebol nacional, mas os recentes questionamentos de Benê Lima, importante ativista do Futebol feminino no Ceará, me fará abrir uma exceção.
Os dirigentes, em suma, não valorizam o conhecimento científico. O que vale na prática é a articulação de cunho, quase que exclusivamente, político.


Agora os clubes precisam de intervenção externa. Foi assim com o PROFUT, iniciativa do governo federal para equacionar as dívidas dos clubes. Foi assim com a Conmebol que obrigará os clubes participantes da libertadores investir no futebol feminino.

De quantas outras intervenções externas serão necessárias?

Os conselhos deliberativos, viraram em suma, parlamentos. A ordem da pauta, quase sempre, tem cunho político. Assim como no parlamento político nacional, um vazio de ideias dando asas a velha disputa do poder pelo poder.

Quando não, são os atletas dos grandes clubes que ganham fortunas cada vez maiores, dando péssimos exemplos dentro e fora de campo. Indisciplina, noitadas e outras distrações. A vaidade vai no céu e o futebol sucumbiu nos gramados.

Fico surpreso quando iniciativas como as minhas e de Abilio Diniz, no que tange a implantação de boas práticas de governança corporativa, custem a ser realizadas, devido ao embaraço político que corrói as agremiações.

O futebol não deve ter mais espaço para amadores, por isso, nosso maior Case (Exemplo de sucesso) é de um clube dos Estados Unidos, o Orlando City, que tem Marcos Peres como Diretor de Comunicação, a quem estendo minha admiração.

O clube da terra do Tio San, adotou as boas práticas de governança e hoje triplicou seu valor de mercado, saiu de uma discreta participação regional para figurar entre os 10 maiores do país, conseguiu atrair investidores para construir o estádio próprio, entre outras ações.

Alex Bourgeois, ex-CEO do São Paulo, talvez saiba mais que eu, não existe espaço para a profissionalização da gestão num olhar 360 graus.

Quando vejo o Professor Amir Somoggi, Consultor em Marketing Esportivo, talvez o único que circunda na grande mídia, fazendo críticas aos dirigentes de clubes brasileiros, me faz ter esperança por mudanças.
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terça-feira, novembro 01, 2016

Opinião: Romeu Castro comenta dia histórico para o futebol feminino

Imagem: divulgação

EM DIA HISTÓRICO PARA O FUTEBOL FEMININO DO BRASIL, CBF ANUNCIA PACOTE INÉDITO DE INCENTIVO À MODALIDADE
Doce novembro para as mulheres que ousaram calçar chuteiras pelos gramados do País. A Confederação Brasileira de Futebol reuniu na manhã desta terça feira representantes dos Clubes, Federações e patrocinadores, para anunciar a nova formatação do Campeonato Nacional.
Numa iniciativa inédita, o Brasil ganha uma competição feminina em duas divisões, com 16 participantes cada. Na Séria A, cada equipe disputará um mínimo de quatorze partidas, e receberá, a título de ajuda de custo, um mínimo de 120 mil reais, além de passagens aéreas, hospedagem e alimentação.
Com a premiação progressiva, o Campeão Nacional da Série "A1", receberá um total de 365 mil reais durante toda a sua participação no Brasileirão Rosa. Para as equipes da Série "A2", o auxílio financeiro mínimo chega aos 60 mil reais pelos sete jogos da primeira fase, além das passagens aéreas, hospedagem e alimentação.
O Campeão da segunda divisão terá disputado 11 partidas, e recebido um total 155 mil reais entre prêmios e auxílio financeiro.
Mais do que números, a competição cria um mercado nacional para o futebol feminino, garantindo a partir de 2018 critérios exclusivamente técnicos de acesso e descenso, além da valorização dos 27 Campeonatos Estaduais.
Clubes tradicionais da modalidade, como o Foz Cataratas, Rio Preto, Iranduba, São Francisco, Gama, Vitória e Aliança atuarão em uma das duas divisões, ao lado de equipes como Corinthians, Santos, Flamengo e Vasco da Gama, com critérios claros de permanência e rebaixamento. 
Temos que parabenizar a Confederação Brasileira de Futebol, na pessoa do Presidente Marco Polo Del Nero, e dos seus competentes companheiros de Diretoria como Valter Feldman, Manoel Flores, Rogério Caboclo e Dino Gentille, por esta grande demonstração de respeito e apoio ao Futebol Feminino.
Esta conquista foi também fruto das reivindicações dos abnegados gestores da modalidade, que encontrou eco e suporte no Comitê de Reformas da Casa Maior do futebol brasileiro, que teve atuação destacada de ex-atletas e desportistas como a Marcia Tafarel, Silvana Goellner e Lu Castro.

Importante também destacar o papel da Sport Promotion nesta conquista. Duas décadas após revolucionar o Futebol Feminino com a criação do Paulistana, que foi a primeira Liga de estrutura profissional da categoria na América Latina, a empresa ousa ao se irmanar com a CBF para garantir o mesmo modelo de disputa consagrado nos anos 90, para uma competição verdadeiramente nacional, no nosso País-Continente.
Atravessando quatro décadas no apoio ao desporto brasileiro, em modalidades como voleibol, boxe, futsal, Fórmula Indy, Vale Tudo e basquete, além do futebol profissional.
O empreendedorismo dos empresários Quico e Paulo Roberto volta a fazer imensa diferença na história do futebol feminino, modalidade que abraçaram conosco desde os anos 80, nos confrontos históricos entre Radar, Isis Pop, Guarani, Bangu, Juventus e Saad. 
Esta nova realidade para o futebol feminino brasileiro, foi uma bandeira que levantei durante a minha passagem pelo Ministério do Esporte, ao lado do ex-Secretário Rogerio Hamam e do amigo Sóstenes Marchezine, e que agora se torna realidade.
Foi um motivo de imensa alegria estar ao lado dos companheiros Presidentes de Federações Estaduais Mauro Carmélio e Antônio Aquino, além dos vitoriosos dirigentes da modalidade Lauro Tentardini, do campeão de público Iranduba, e Gezi Damaceno, do multi-campeão Foz Cataratas, na celebração desta conquista tão importante para toda a Família do Futebol.

quinta-feira, julho 14, 2016

A luta pelo Bom Senso - por Juca Kfouri

BOM SENSO FC está mudando de rota. Não quer manter uma cara de movimento sindical, caminho meio inevitável quando surgiu devido ao peleguismo das entidades representativas dos atletas. 
Quer atuar institucionalmente, ser um polo de formulação e ações objetivas para transformar o futebol brasileiro, mesmo que, em certas circunstâncias, possa ter posições contrárias às dos jogadores, algo improvável, mas possível. 
O BSFC não nasceu para ser corporativo ou cabide de empregos como, por exemplo, o sindicato paulista. 
Quer, por ser coerente, rotatividade no poder para não virar, de novo como o sindicato, móvel e utensílio de aposentados. 
Paulo André, o zagueiro que virou o maior, embora não o único, símbolo do movimento, está em vias de encerrar a carreira no Paraná e apela que novos profissionais carreguem a bandeira do BSFC. 
A vida é dura como se sabe e é curioso, e deplorável, como é difícil no Brasil fazer dar certo movimentos em defesa de princípios óbvios. 
Além do BSFC, outros dois que acompanho de perto sofrem para sobreviver, embora um lute contra a corrupção e outro, a favor da liberdade de imprensa e dos direitos humanos — a Transparência Brasil e o Instituto Vladimir Herzog. 
Basta ver a operação Lava Jato para perceber por quê. É mais difícil achar uma grande empresa que não esteja envolvida nos malfeitos do que o contrário, assim como políticos e assessores de políticos em geral.
Até colunistas de jornais têm e, de tão cínicos e hipócritas, nem sequer se manifestam em seus espaços, como se as acusações quase diárias não fossem com eles, não é assim? 
O BSFC busca inaugurar uma nova etapa, mais, digamos, pragmática, no bom sentido. 
"Havia um vácuo de oposição propositiva nos debates com as entidades que administram o futebol, assim como sobre legislação e políticas públicas do esporte e o Bom Senso ocupou esse espaço, não pode fugir dessa responsabilidade. 
Porém, a partir de agora o movimento deixa seu lado mais combativo e passa a ser um centro de pesquisa, de projetos e de articulação (think and do tank) entre os entes do esporte, mantendo seu representante na APFut e seguindo seu trabalho nas comissões de futebol da Câmara e do Senado em Brasília por meio de sua equipe de trabalho. Sua vocação ainda é mobilizar jogadores e criar um ambiente propício para mudanças", escreveu Paulo André em rede social. 
Além de cobrar seus companheiros: "Para continuar existindo, é preciso renovar suas lideranças, é preciso que surjam novos sonhadores, assim como nos movimentos estudantis que tão bem fazem ao país. 
Por diversas vezes já lamentamos a falta de engajamento dos atletas de destaque do futebol nacional e a falta de interesse dos 'nossos' atuais ídolos, tão preocupados com suas redes sociais". 
Por coincidência, ou não, Paulo André botou o dedo na ferida das atuais estrelinhas de nosso futebol ao mesmo tempo em que Casagrande fez o mesmo no "Resenha", da ESPN Brasil, ele que, ao lado de Sócrates e Wladimir, deu a cara a bater em período muito pior, na ditadura, pela Democracia Corinthiana. 
Sem mobilização, não há solução. 

sábado, abril 25, 2015

Clássico é quando o favoritismo é mais teórico que prático

Desconsiderar pros e contras de um confronto constitui um comodismo inaceitável para quem comenta

Todos querem saber quem é o favorito quando temos um clássico. Pergunta-se, questiona-se, argumenta-se, mas convicção mesmo só quem a tem (embora carente de embasamento) são alguns torcedores mais apaixonados. Chavões como ‘as camisas equilibram o jogo’ e ‘em clássico não há favoritismo’ são sempre lembrados e tirados da caixa de pré-prontos ou do caixote de antiquários, a fim de animarem o repertório inconfiável de argumentos e justificativas.
Se o que dizemos é válido para os maiores confrontos do futebol mundial, também o é quando lançamos nosso foco (que palavra oportunista!) para nosso futebol – o cearense.
O 'in-yang' das equipes
Yin Yang das equipes
Os comentaristas-torcedores são verdadeiros caçadores de argumentos, especialmente de pseudos argumentos ou sofismas. Logo arrumam um punhado deles para justiçar suas pseudo-teses de favoritismo. Assim, ora o Ceará ora o Fortaleza assumem essas posições de favoritismo, com ou sem justificavas ou mesmo meras explicações com um mínimo de consistência e plausibilidade.
Portanto, vamos construir um breve arrazoado, nada científico e nem tanto técnico, como provocação mental para quem tem como negar ao torcedor imanente um pequeno fôlego de não passionalidade.
Proporei a mim algumas perguntas e questionamentos que, à medida que forem respondidos, exporão nossa análise sobre as duas equipes que estarão em confronto neste e no outro final de semana.
Ø Pré-condições do confronto

Fortaleza
Teve 10 de dias de preparação, com direito a um programa de treinamento que deveria ser adequado e conter características voltadas para a feição de jogo decisivo contra um adversário conhecido. Se o trabalho foi realizado de forma adequada tem, portanto, uma ligeira vantagem preparatória. (De 0 a 100 pontos, 95 pontos)
Ceará
Serviu-se dos confrontos anteriores entre ambos para fazer seu planejamento para a partida deste domingo. Seu plano de jogo é muito mais prospectivo, sendo por isso mais teórico que prático e mais reativo que proativo. Também constitui uma leve desvantagem a diminuição do foco da equipe pelo fato de estar disputando as finais da Copa do Nordeste. Em contrapartida, está em ritmo de jogo altamente competitivo. (De 0 a 100 pontos, 85 pontos)
ü Avaliação das potencialidades das equipes e elencos

Fortaleza
Possui um elenco que em número nada fica a dever ao do adversário. Porém, do prisma técnico se iguala em algumas posições, mas se vê inferiorizado em outras. O balanço técnico do grupo é ligeiramente favorável ao adversário. No aspecto físico não dispomos de informações suficientes para destacarmos um ou outro time. Todavia, o número de jogadores sem estarem no melhor de suas formas físicas é maior que o do Ceará. As opções de banco também são ligeiramente inferior, tanto no aspecto técnico quanto no potencial de alteração do repertório tático. (De 0 a 100 pontos, 70 pontos)


Ceará
O elenco à disposição é rigorosamente em menor número que o do adversário. Entretanto, não perdeu titulares de fato para esse primeiro confronto. Em circunstâncias normais, o zagueiro Sandro e o atacante William não são titulares e o meia Wescley disputa uma vaga no meio de campo. Portanto, não podem ser considerados propriamente desfalques. Já pelo adversário,  Lima e Vinicius Hess seriam titulares e importantes no esquema do treinador Marcelo Chamusca, mas estarão ausentes. (De 0 a 100 pontos, 90 pontos)
ü Características gerais e nuances das equipes

Fortaleza
Em jogos que não seja contra o Ceará, o Fortaleza costuma propor jogo desde os minutos iniciais, tendo esta fase uma duração de até 15 minutos. Nesse tempo a equipe demonstra maior movimentação, transições com maior povoamento e compactação, uma melhor distribuição da geometria de seu jogo e maior intensidade. A partir daí, em tendo um adversário qualificado, divide com ele em proporção parecida as iniciativas do jogo. Na fase final da partida costuma ter um jogo mais pautado no individualismo que no aspecto coletivo. Nesse período crucial da partida costuma enfrentar dificuldades no tocante a marcação, em parte pelo esgotamento de seus principais jogadores. Cede espaços em sua organização defensiva e fica mais suscetível aos contragolpes. A alternância entre Auremir e Pio tem sido prejudicial à equipe. Auremir é mais marcador que Pio, e este não vive um bom momento, sobrecarregando Correa. (De 0 a 100 pontos, 85 pontos)
Ceará
As dificuldades da equipe costumam ser mais contingenciais. Há demonstrado maior equilíbrio que seu adversário nas suas três linhas: defesa, meio-campo e ataque. Magno Alves toma conta dos dois zagueiros adversários e Assisinho e Marinho marcam as subidas dos laterais. Quem funciona como meias marcam os volantes adversários e os volantes vigiam os meias rivais. Com Samuel Xavier e Fernandinho, os zagueiros passam a ter uma proteção adicional, sobretudo com Fernandinho que tem mostrado uma nova e positiva faceta como marcador. O goleiro Luis Carlos se equipara a Deola, tendo a seu favor ser mais constante e vívido (ligado). Ao Ceará há um desafio específico deste jogo para ser vencido: a focalização. O foco do Fortaleza em tese é um pouco maior. (De 0 a 100 pontos, 90 pontos)
ü Pontuação geral avaliativa (meramente teórica)

ü Fortaleza: 250 pontos em 300 possíveis

ü Ceará: 265 pontos em 300 possíveis

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sábado, julho 26, 2014

Opinião] BUDAPESTE BUBÔNICA

Victor Martins. É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 9 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e três edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz. 


Vou começar pelo áudio vazado da Globo durante a classificação em que Galvão Bueno, depois do teste de som, dá a seguinte recomendação: “Não vamos especificar tempo, porque, na verdade, ele tá tomando meio segundo desde ontem”. Não é necessária muita inteligência para se concluir que se tratava de Massa, que tomou 0s403 de Bottas no TL2 e 0s546 no TL3 da manhã. Mas a inteligência deveria ser necessária há muito tempo para quem já tem anos e anos na lomba e vê uma situação que é clara na emissora: a falência do modelo de transmissão de apoio a um atleta brasileiro, e evidenciada logo depois do fracasso homérico que a Seleção levou no futebol. Ou de quem vai aproveitar o momento — porque só assim diz — das condições olímpicas do esporte nacional e das 12 medalhas choradas depois de afagar Nuzman e seus tiques e a quens de direitos.

E querem um exemplo claro, em ‘on’, dito na mesma transmissão minúscula do treino de como se controla a informação? Quando Magnussen bateu no Q3, ele foi definido com o seguinte predicado: “Ele é afoito mesmo, ele deixa pra frear depois, como foi naquele caso.” O caso é o acidente da semana passada na primeira curva do GP da Alemanha. Pois eu pergunto a todos: quem é que viu a mínima culpa do dinamarquês no choque com Massa? Ou será que não chegou à TV e a seus produtores que quem foi investigado na semana passada foi Felipe e sua atitude, e não Kevin?

Galvão e a Globo tratam as duas pontas, esporte e público, numa relação que lembra a da ditadura, nacionalista, pacheca, ame-o ou deixe-o, nosso herói. Ou como a avó que cria o neto à base de leite com pera, que defende quando ele pega a bola no meio do jogo só porque está perdendo, que cresce sem saber dar porrada quando preciso.  Esse protetorado cretino se refletiu durante muito tempo sobre o próprio filho do narrador, Cacá, hostilizado muitas das vezes em que ganhava corridas na Stock Car. Cacá não era visto como o baita piloto que é, mas o filho daquele que boa parte do povo rejeitava as papagaiadas e venda de emoções falsas. Porque, com o tempo, o público foi notando que os atletas brasileiros não têm obrigação alguma de nascer com o gene da supremacia absoluta e que o que era falado era uma tentativa de lavagem cerebral, uma lobotomia que não cola. E quando se é, no caso de Cacá no mundo do turismo brasileiro, taxa-se o rótulo da dúvida.

O narrador e sua emissora talvez não tenham se dado conta de que cada passo é vigiado e rastreado nesse mundo de Big Brother em que vivemos. Que erros são descobertos num estalar de cliques e minutos, em Facebooks e Twitters da vida. Que as formas de informação são múltiplas e não se concentram mais neles — e neste ponto, ambos estão atentos demais com os resultados baixíssimos de audiência e as respostas das gentes. Ou que não é necessária muita inteligência, ou que o patamar de inteligência mínima é outro. O sistema que é enfiado goela abaixo já passou do ponto do amadurecimento e está podre, mas as cabeças que se dizem pensantes preferem se alimentar do que não presta mais. A doença acaba sendo natural e se reflete em números.

O telespectador minimamente sóbrio de suas faculdades mentais não quer que Massa seja definido da mesma forma que Galvão rotulou Magnussen, nada de “o cara que não vence há cinco anos”, “ele só larga em sexto”, “puxa vida, que azarado”. Sinceridade e verdade deveriam ser cláusulas pétreas para quem vomita seus princípios editoriais. Quando essa forma de escolher o que dizer, seja por eufemismo ou supressão, vem à tona, quem é enganado entende quem é que está enganado há muito tempo. E exerce seu direito correto de procurar uma outra opção para satisfazer seu gosto.

Em tempo: Massa não tomou meio segundo, mas 0s9 de Bottas, no fim das contas.

quarta-feira, julho 09, 2014

FUTEBOL NOSSO DE CADA DIA – Parte 1

 
Por: Benê Lima 

O que aconteceu com a Seleção Brasileira não é somente da Seleção, mas de todos nós brasileiros. Mais de uns que de outros, obviamente. 

Mas, se a questão que nos motiva é culpar ou eleger culpados, embora essa facilidade não nos atraia, façamos ao menos um rateio dessa culpa, e nos incluamos a todos, seja pelo nosso componente cultural, seja pela nossa característica intelectual, seja pelo arcabouço da nossa moralidade média, ou seja ainda pela natureza da ética que inspira nossas vidas. 

Portanto, façamos pois essa justa divisão de responsabilidade, mesmo sabendo, reiteramos, que a regra desta igualdade, será distribuir culpa com desigualdade, na exata proporção das diferenças entre as pessoas. Afinal, não se deve, por dever de justiça, desconsiderar o fato de que o Felipão é o retrato de uma sociedade cujos valores em que se tem estruturado, desprestigia a verdade, a complexidade, a interdisciplinaridade, e que trata, por inegável ignorância, o conhecimento como se fora um inimigo ou algo inescrutável. 

Enquanto vemos em muitos dos treinadores que trabalharam e trabalham nessa Copa a face da inovação, o toque da ousadia até, aos treinadores brasileiros parece haver uma proibição ou mesmo um roteiro de ideias preestabelecidas, onde qualquer atitude que pareça fugir da cartilha do habitual ou do conservadorismo encontra-se terminantemente proibido. 

Seria pouco provável vermos um Louis van Gal escalar um atleta e, em não vendo resultado, permanecer com o mesmo em campo, a despeito de todo o prejuízo que isso viesse a causar. Foi assim, por exemplo, o que ocorreu com Bernard, para ficarmos tão somente neste emblemático exemplo. 

Van Gaal x Felipão 
Lamentamos e demos publicidade a isso nas redes sociais, expressando a limitação da visão do treinador brasileiro, que se deixa prender algumas vezes a aspectos típicos de crendice, o que convenhamos, é um atraso, pela negação do conhecimento que isso representa. Falamos isto porque a camisa de Bernard é a de número 20, a mesma utilizada por Amarildo em 62, quando este veio a substituir o gênio Pelé.  
Outra coisa para a qual queremos chamar a atenção é para o caráter atípico da partida de ontem, a fim de que não seja ela o fator determinante para que se operem mudanças na estrutura do futebol brasileiro. 

É mais inteligente admitirmos que a goleada sofrida é apenas algo explosivo para as seguidas ‘implosões organizacionais’ com as quais nosso futebol vem convivendo.
 

Se for para atacar os problemas do nosso futebol de fato e verdadeiramente, que antes de pensarmos em reformular o trabalho de base com os jogadores, pensemos seriamente em fazer acréscimos à formação dos nossos profissionais das comissões técnicas, já que eles são os responsáveis pela formação dos nossos atletas. 
Portanto, é da mais absoluta importância que se dotem esses profissionais formadores de uma melhor e mais ampla formação, sem o quê é impossível iniciar-se o processo de mudança que nosso futebol está a requerer. 

Apesar da acachapante derrota dentro de campo, não deveria ser ela o objeto da vergonha nacional. E enquanto não tivermos capacidade para entender isso, estaremos condenados a repetir os mesmo erros. Ontem, a bola ainda rolava e já era visível o recrudescimento daquilo que nos falta. 

Brasil futebol 
Entendo que nós da imprensa também perdemos junto com nossa Seleção, isso porque boa parte da nossa representação é tão pouco reflexiva como a maioria dos brasileiros. 

Sugiro que não fechemos questão quanto ao ‘cardápio’ para a discussão sobre os rumos do nosso futebol, mas que primeiro estruturemos os ‘pratos’ que devam integrar o ‘cardápio desse grande debate. 

Creio que nem Governo nem CBF sozinhos devem estabelecer o rumo e os temas da prosa. Todos os desportistas que quiserem devem ter participação nesse fórum, mesmo que não haja (como não há) assento para todos. 

Mas o princípio da democracia representativa também nos serve em mais essa questão. 

Não desistamos do bom debate. ∴ 

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Comentário
"OI Benê, Seu comentário é muito adequado ao momento que estamos vivendo. É importante que as pessoas compartilhem as suas percepções para que não fiquemos tão dependentes do que a mídia quer colocar como real. Volte sempre. Um abraço Castilho"
Atenciosamente,
Redação Observatório da Imprensa
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quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Futebol Feminino: uma versão não contada da realidade

Por: Benê Lima

ALGUMAS OUTRAS VERDADES SOBRE O FUTEBOL FEMININO

No ambiente do futebol feminino como no restante da vida, prosperam meias verdades, mentiras, injustiças, falta de apoio e personalidades mal formadas, mas também tem coisas gratificantes.

A despeito do grande esforço feito por algumas pessoas que militam no meio futebolístico, e especialmente as que trabalham a questão de gênero, a modalidade em questão precisa de uma espécie de assepsia e de saber oportunizar as raras ocasiões que a mídia lhe oferece. E o que me inspira a falar assim, por mais paradoxal que possa parecer, é o sucesso da talentosa jogadora Gabriela, a Gabi, como é mais conhecida.

 Gabi – Foto: Divulgação

Feitas as devidas ressalvas ao que se conta de verdade, cuidemos também de descontar as omissões e generalizações quando escutamos que nada se faz pelo futebol feminino. É claro que isso é uma grande e monumental mentira. Certamente o que não é atendida é a gigantesca carência que a modalidade tem. Mas sem dúvida há um enorme esforço no sentido da busca do apoio para a categoria. Se assim não fosse, a própria Gabi, assim como outras, jamais teriam tido aqui em nosso estado a condição de serem vistas e lembradas pela comissão técnica da Seleção Brasileira. A verdade é que isso só se deu pelo trabalho diligente e incansável de algumas pessoas e de umas poucas entidades, entre elas a Federação Cearense de Futebol (FCF) e a Liga Cearense de Futebol Feminino (LCFF).

Desde a primeira convocação de uma atleta do Caucaia Esporte Clube, acontecida em 2009, sendo a goleira Dida a contemplada, que a realização de seletivas da Seleção Brasileira de futebol feminino no estado do Ceará tem sido fator determinante para que tais oportunidades ocorram.  As seletivas são um evento da maior importância para a afirmação dos talentos cearenses, e elas têm sido trazidas para cá com o concurso da CBF e com o apoio e chancela da Federação Cearense de Futebol, através de sua Coordenação da modalidade.


Goleira Dida – Foto: Divulgação


Alguns destaques

Neste ponto, vale mencionar pelo menos alguns dos nomes que mais tem concorrido para a produção dos talentos cearenses e para que tenhamos a “matéria-prima” – que são as jogadoras – para que possamos ver justificada a realização desses eventos em nosso estado. Eudes Caucaia, presidente do Caucaia Esporte Clube, Renezito Júnior, ex-coordenador da modalidade junto à FCF e com trânsito na CBF, Chagas Ferreira, como um incansável produtor de talentos na área de formação, professor Sérgio Ricardo, mais na área de organização e facilitação, treinador Jardel Rocha, que também é gestor e contribuidor, entre outros, merecem ter seus nomes lembrados e festejados pelo empenho e pela tenacidade com que buscam incentivar e fomentar o desenvolvimento da modalidade.

Verdades a bem da justiça


Quando se fala em Caucaia Esporte Clube, isso parece remeter as pessoas a uma questão política mal resolvida. E não é bem assim. Independente da má condução desse processo, a entidade privada referenciada já contou sim com o apoio governamental no próprio município em que é sediada, já tendo inclusive o Estádio Municipal Raimundo de Oliveira como sua sede por alguns anos. Só na gestão do prefeito Washington Gois, podemos contabilizar três convênios com a agremiação, nos anos de 2009, 2010 e 2011, totalizando um montante ao redor de





R$ 682 mil, desdobrados em R$ 182 mil em 2009, R$ 250 mil em 2010 e outros R$ 250 mil em 2011.

Portanto, vale a pergunta, como tarefa de gincana: Que outro município no Brasil, realizou algo igual ou maior?

Todo governo, ora por razões predominantemente políticas, ora por razões de desempenho administrativo de seus beneficiários, tem o direito de avaliar a aplicação de seus recursos, seja por seus gestores seja por esses beneficiários, lançando mão da prerrogativa de dar novo direcionamento para a alocação desses recursos. Nada mais natural.

Reforma do estádio municipal

Internet / Divulgação

A ocasião é mais que propícia para tornarmos pública a retomada das obras do Estádio Municipal de Caucaia, como uma exigência do atual Prefeito, que inclusive solicitou o apoio da FCF para que o projeto fosse pontualmente reavaliado, a fim de que não se desperdice mais tempo com rearranjos ou reparos de quaisquer naturezas. A ideia é otimizar o ritmo das obras, e fazê-lo em consonância com os requisitos de operacionalização e funcionalidade do equipamento, sem projetar ideias suntuosas nem megalomaníacas. A esse respeito, já intermediamos duas reuniões na sede da FCF, uma delas com a participação de representante do governo do município de Caucaia, tendo Jardel Rocha como representante do secretário Silvio Lobato. A próxima reunião será realizada na sede do governo caucaiense, com as presenças do prefeito Washington Gois, do presidente da FCF, Mauro Carmélio, e do diretor de competições da entidade, aos quais acompanharemos, bem como de alguns representantes de algumas secretarias do município de Caucaia, entre eles o amigo Jardel Rocha.
Por: Benê Lima
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sábado, julho 20, 2013

Os prós e contras de Sérgio Guedes

Por Benê Lima

O respeito ao trabalho dos técnicos e comissões técnicas e seus treinadores deve fazer parte da análise de qualquer cronista

Evito o expediente de atribuir nota ao trabalho do técnico de futebol , visto que isso nos coloca, pelo menos aparentemente, numa desconfortável condição de pretendermos saber mais que eles. E isto nem condiz com nossa pretensão nem reflete a realidade dos fatos. Afinal, o mais natural é que mesmo teoricamente os técnicas saibam mais que nós. Portanto, separemos aqui o que é a seara do técnico do que é a do analista. Neste ponto, vale dizer que não é lícito exigir de nós cronistas que concorramos com os técnicos e treinadores na aplicação dos treinamentos. Afinal, não é esta nossa missão. O exercício do nosso papel portanto, restringe-se a tentarmos identificar as nuances daquilo que pode ou não resultar do trabalho da comissão técnica. Nada mais.

O que pode ser acrescentado a essa análise, provém da condição do analista de possuir em sua formação uma bagagem de conhecimento que perpasse diferentes aspectos culturais e intelectuais, o que lhe permite uma mais rica abordagem do futebol, à luz das ciências humanas.

Considero irrelevante determinadas preferências do técnico – seja ele quem for - por esse ou aquele jogador. O que me parece relevante é se as atribuições confiadas ao atleta foram por ele cumpridas no limite de sua capacidade. A propósito, sabe-se que Sérgio Guedes há demonstrado, pelo menos por enquanto, preferência pelo atacante Macena em detrimento a Lulinha. Do ponto de vista da confiança, não vejo dificuldade em compreender a posição do técnico. O que é inaceitável é que não se tente integrar Lulinha por inteiro ao bloco dos essenciais ao grupo, a fim de torná-lo verdadeiramente uma opção tática relevante.

É líquido e certo que Sérgio Guedes equivocou-se em suas opções para enfrentar o Bragantino. Havíamos alertado em nosso programa diário de rádio – o Companhia do Esporte - para o fato de que Benazzi havia dado a este time a característica da pegada. Outra característica usual às equipes de Benazzi é a preferência por três zagueiros. Levados estes dois fatores na devida conta, o que se viu foi o poder de fogo do Ceará praticamente anulado pelo adversário. Portanto, eis a caracterização do erro conceitual de Guedes.

Todavia, vendo cair por terra seu planejamento tático, Sérgio Guedes teve o mérito de uma reação imediata, não esperando sequer o intervalo da partida para promover a primeira substituição em sua equipe. Sacou o meio-campista Eusébio, completamente perdido e inoperante em campo, colocando o atacante Adriano Pardal em seu lugar. Em tese, isso tornaria a equipe mais ofensiva, além de modificar sua estrutura tática e sua dinâmica, passando de uma plataforma tática 1-4-3-1-2 para 1-4-2-1-3. Outra providência que havia sido tomada foi a mudança de posicionamento entre João Marcos e Diogo Orlando, em razão do gol sofrido pelo setor direito da defesa alvinegra. Diogo não dava conta da velocidade do armador Thiaguinho, apoiado pelo lateral Rafael Costa. Como João Marcos tem mais velocidade e consegue diminuir os espaços e fazer uma marcação mais próxima, passou a cair pelo setor.

(A imagem abaixo ilustra a facilidade do sistema de marcação do Bragantino até a saída de Eusébio.)

Tática - Bragantino x Ceará 01

Após a entrada de Adriano Pardal, o Ceará passou a jogar com três atacantes, desse modo eliminando a sobra da zaga do Bragantino, que teve de recuar um volante para voltar a ter o homem da sobra. Isso também equilibrou a disputa no meio-campo e o Ceará pode transitar com um pouco mais de desenvoltura naquele setor, transferindo um pouco mais de força ofensiva à equipe.

(Veja na imagem abaixo o quanto o Ceará ganhou taticamente em seu repertório de jogadas, em profundidade e na amplitude das mesmas.)

Tática - Bragantino x Ceará 01[56]-MOTION

Podemos dizer portanto, que o equívoco em sua atitude proativa tirou pontos do desempenho do técnico Sérgio Guedes, sobretudo pelo gol sofrido antes que a correção viesse. No entanto, temos que considerar a atitude reativa relativamente rápida do técnico, que ainda na primeira etapa, por volta dos 35 minutos, trocou  uma peça, mudou o esquema tático e reposicionou sua equipe.

Vale registrar que fora da alçada do técnico alvinegro, o grosso do desempenho técnico individual da equipe ficou abaixo da média e do potencial dos jogadores, situação que, ao contrário de maximizar o trabalho do técnico, acabou por minimizar seus efeitos.


ENTENDA A FUNÇÃO TÁTICA DE UM JOGADOR

RichelyAtleta: Richely

Tem a função de puxar os contra-ataques, ajudando a fazer a transição ofensiva pelo setor direito; marcar a saída do zagueiro da esquerda e do volante do mesmo lado; dar apoio defensivo ao lateral-direito na ausência do volante e com ele (lateral) dialogar na jogada ofensiva, além de fazer a aproximação com o Magno.


Autor: Benê Lima