Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quinta-feira, julho 14, 2016

Diretor do Bom Senso nega que movimento tenha acabado

Diretor-executivo do Bom Senso FC - Época/Divulgação
 
O diretor-executivo do Bom Senso, Ricardo Borges, negou em nota que o movimento tenha acabado,conforme publicou o Painel FC no último sábado (9). 
Borges diz que o grupo "segue seu trabalho pela modernização, transparência e democratização". 
A nota oficial, assinada por Borges, ainda afirma que o Bom Senso assume atualmente uma função de "um centro de mobilização, produção e incidência em temas estratégicos para o futebol melhor para todos". 
Na terça (12), o principal líder da mobilização que começou há três anos, o zagueiro Paulo André, se pronunciou em suas redes sociais e disse que o "novo Bom Senso" não tem razão de prosseguir. 
"Aquele histórico Bom Senso de 2013, sentado no gramado, de braços cruzados, já não existe mais. Um outro, mais organizado, com pautas definidas e equipe de trabalho, funciona desde 2014, com menos holofotes e mais resultados práticos, como o Profut em 2015. Mas o segundo, sem a participação dos principais atletas do país, não faz nenhum sentido, não tem razão de prosseguir", afirmou o jogador do Atlético-PR. 
SEM ATLETAS 
Como mostrou o Painel, nenhum atleta falará mais em nome do movimento, que não mais fará críticas à CBF e aos cartolas. Tampouco cruzará os braços no início dos jogos, como chegou a fazer em novembro de 2013. 
Conforme apurou a reportagem, o principal motivo para que Borges resista a fechar as portas e dar outro nome para esse novo momento é o fato de ter um cargo na APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol). 
O órgão foi criado ainda no governo da presidente Dilma Rousseff, hoje afastada, e serve para julgar e avaliar denúncias em relação a irregularidades cometidas por entidades que aderiram ao refinanciamento das dívidas, o Profut. 
Ricardo Borges foi o indicado na época. O governo de Michel Temer prometeu manter as indicações. Apenas o presidente da APFUT tem cargo remunerado. 
"A continuidade e reformulação do Bom Senso FC se deve ao desejo de muitos em colaborar por mudanças no futebol brasileiro. A manutenção de um movimento de tamanha legitimidade jamais se daria pelo apego indevido de uma pessoa a um cargo não-remunerado em um órgão ainda nem inaugurado", afirmou o diretor-executivo. 

A luta pelo Bom Senso - por Juca Kfouri

BOM SENSO FC está mudando de rota. Não quer manter uma cara de movimento sindical, caminho meio inevitável quando surgiu devido ao peleguismo das entidades representativas dos atletas. 
Quer atuar institucionalmente, ser um polo de formulação e ações objetivas para transformar o futebol brasileiro, mesmo que, em certas circunstâncias, possa ter posições contrárias às dos jogadores, algo improvável, mas possível. 
O BSFC não nasceu para ser corporativo ou cabide de empregos como, por exemplo, o sindicato paulista. 
Quer, por ser coerente, rotatividade no poder para não virar, de novo como o sindicato, móvel e utensílio de aposentados. 
Paulo André, o zagueiro que virou o maior, embora não o único, símbolo do movimento, está em vias de encerrar a carreira no Paraná e apela que novos profissionais carreguem a bandeira do BSFC. 
A vida é dura como se sabe e é curioso, e deplorável, como é difícil no Brasil fazer dar certo movimentos em defesa de princípios óbvios. 
Além do BSFC, outros dois que acompanho de perto sofrem para sobreviver, embora um lute contra a corrupção e outro, a favor da liberdade de imprensa e dos direitos humanos — a Transparência Brasil e o Instituto Vladimir Herzog. 
Basta ver a operação Lava Jato para perceber por quê. É mais difícil achar uma grande empresa que não esteja envolvida nos malfeitos do que o contrário, assim como políticos e assessores de políticos em geral.
Até colunistas de jornais têm e, de tão cínicos e hipócritas, nem sequer se manifestam em seus espaços, como se as acusações quase diárias não fossem com eles, não é assim? 
O BSFC busca inaugurar uma nova etapa, mais, digamos, pragmática, no bom sentido. 
"Havia um vácuo de oposição propositiva nos debates com as entidades que administram o futebol, assim como sobre legislação e políticas públicas do esporte e o Bom Senso ocupou esse espaço, não pode fugir dessa responsabilidade. 
Porém, a partir de agora o movimento deixa seu lado mais combativo e passa a ser um centro de pesquisa, de projetos e de articulação (think and do tank) entre os entes do esporte, mantendo seu representante na APFut e seguindo seu trabalho nas comissões de futebol da Câmara e do Senado em Brasília por meio de sua equipe de trabalho. Sua vocação ainda é mobilizar jogadores e criar um ambiente propício para mudanças", escreveu Paulo André em rede social. 
Além de cobrar seus companheiros: "Para continuar existindo, é preciso renovar suas lideranças, é preciso que surjam novos sonhadores, assim como nos movimentos estudantis que tão bem fazem ao país. 
Por diversas vezes já lamentamos a falta de engajamento dos atletas de destaque do futebol nacional e a falta de interesse dos 'nossos' atuais ídolos, tão preocupados com suas redes sociais". 
Por coincidência, ou não, Paulo André botou o dedo na ferida das atuais estrelinhas de nosso futebol ao mesmo tempo em que Casagrande fez o mesmo no "Resenha", da ESPN Brasil, ele que, ao lado de Sócrates e Wladimir, deu a cara a bater em período muito pior, na ditadura, pela Democracia Corinthiana. 
Sem mobilização, não há solução. 

quinta-feira, março 12, 2015

Bom Senso detona proposta de fair play financeiro da CBF

Fonte: UOL Esporte

Bom Senso detona proposta de fair play financeiro da CBF

A implementação do fair play financeiro feito pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para o Campeonato Brasileiro de 2015, segue dando polêmica. Depois de o senador Romário (PSB-RJ) ter chamado a iniciativa de “deboche”, Ricardo Martins, diretor do Bom Senso F.C., também criticou a medida adotada pela entidade.

“É uma tentativa da CBF de sinalizar ao Governo Federal que agora se preocupa mais (com o futebol). Se ela se preocupasse de fato, não implementaria um modelo que não funciona. A Federação Paulista de Futebol implementou o mesmo modelo em 2012 e vimos que não funcionou. É muito difícil de acreditar que desde 2012 só tiveram 18 casos de atrasos de salários no Campeonato Paulista”, afirmou Ricardo Martins, à “Rádio Bandeirantes”, nesta terça-feira (10).

Para o diretor do Bom Senso, o modelo implementado pela CBF está “fadado ao fracasso”, pois os jogadores dificilmente denunciariam seus clubes por medo de represálias.

“É muito difícil um jogador denunciar e recolher assinaturas para o processo. Expor um jogador dessa forma não faz o menor sentido. É o segredo do fracasso do modelo. O que a gente defende é que o clube tenha que prestar contas”, explica Martins. “Imagina qual seria a reação da torcida ao ver um jogador que ajudou o clube a conquistar três pontos entrar com uma ação e tirar os mesmos três pontos”.

“Ela (CBF) não está fiscalizando de fato, está apenas criando um jeito para os jogadores denunciarem”, completou Martins.

O fair play financeiro da CBF

A CBF divulgou na última segunda-feira (8) o detalhamento das regras do fair play financeiro para o Brasileiro. Caso os clubes atrasem salários, correrão risco de perderem três pontos por partida quando as dívidas forem confirmadas pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

“O Clube que, por período igual ou superior a 30 (trinta) dias, estiver em atraso com o pagamento de remuneração, devida única e exclusivamente durante a competição, conforme pactuado em Contrato Especial de Trabalho Desportivo, a atleta profissional registrado, ficará sujeito à perda de 3 (três) pontos por partida a ser disputada, depois de reconhecida a mora e o inadimplemento por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD)”, diz a nova regra publicada pela entidade.

De acordo com a nota oficial da CBF, o jogador que tiver 30 dias ou mais com o salário atraso pode denunciar seu clube (pessoalmente, por meio de advogados ou de sindicatos). O caso será analisado pelo STJD e, comprovado a dívida, a equipe terá 15 dias para que os dividendos sejam quitados.