Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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sexta-feira, julho 12, 2013

Sapesp, Fenapaf e FiFPro avaliam impacto do calor sobre jogadores profissionais

Por Benê Lima

As entidades sindicais nacionais e internacionais, provocadas pela representação sindical do estado do Ceará, motivaram a realização dos chamados jogos simulatórios

Avaliação - Jogos simulatórios Copa 2014 052Doutor Turíbio Leite no PV (foto: Benê Lima)

Revelando capacidade de mobilização e preocupação com o impacto das altas temperaturas sobre os atletas profissionais, o Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Ceará, Safece, através de seu presidente, Marcos Gaúcho, conseguiu mobilizar as entidades sindicais que congregam a categoria dos jogadores de futebol, a fim de que elas produzissem dados cientificamente comprováveis para consubstanciar os efeitos negativos do calor sobre os jogadores profissionais, sobretudo em jogos realizados sob altas temperaturas e horários considerados impróprios para a atividade esportiva de alto rendimento.

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Safece e Ceará Sporting foram objeto das observações científicas (foto: Benê Lima)

A etapa de Fortaleza foi realizada nesta sexta (12), tendo início às 13 horas no Estádio Presidente Vargas, com o jogo simulatório entre a equipe do Safece e o time sub20 do Ceará Sporting. O jogo teve duração de noventa minutos, com dois tempos de 45 minutos cada e intervalo de 15 minutos. Na primeira etapa observou-se uma paralisação de cerca de três minutos, a fim de que se pudesse observar os resultados advindos da pausa e da hidratação sobre os atletas e também sobre árbitros e assistentes.

O estudo terá como finalidade levantar dados que comprovem o efeito benéfico das duas paralisações que serão propostas à FIFA, sendo uma em cada tempo, entre 22 e 23 minutos de jogo de cada um deles. A duração de cada uma das paralizações, segundo o professor e doutor Turíbio Leite, deve ser de três a cinco minutos, o que com a adequada e individualizada reidratação seria uma intervenção muito positiva para os jogadores.

Avaliação - Jogos simulatórios Copa 2014 033

Medição antes da reidratação (foto:  Benê Lima)

Metodologia

As entidades sindicais envolvidas na avaliação investiram em aparelhagem e tecnologia capazes de possibilitar a medição dos impactos do calor sobre os atletas profissionais durante as partidas de futebol. O projeto prevê a realização de quatro partidas simulatórias nas cidades de Manaus, Fortaleza, Brasília e São Paulo. Nelas, os atletas envolvidos no projeto ingerem uma cápsula igual a um remédio comum, mas que  leva em seu interior um sensor térmico. Um aparelho projetado para medir a temperatura térmica do corpo do jogador  faz a medição da temperatura térmica e repassa a um computador, onde será feito o relatório final das avaliações.

Avaliação - Jogos simulatórios Copa 2014 001

Aferição das condições climáticas (foto: Benê Lima)

Perfil: Dr. Turíbio Leite Barros
Mestre e doutor em fisiologia do exercício pela EPM. Foi membro do ACSM, professor da UNIFESP (35 anos), coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da UNIFESP (20 anos), fisiologista do SPFC (25anos) e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros. Foi colunista do JT (5 anos) e publicou mais de 100 artigos científicos em revistas nacionais e internacionais do segmento esportivo. Publicou 7 livros, entre eles "O Exercício - aspectos especiais e preventivos", pelo qual ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura Científica. Sua experiência de mais de 35 anos na área da fisiologia do exercício é voltada principalmente para atividade física, esportes, consumo de O2, aptidão e avaliação física, qualidade de vida e orientação à atletas, não atletas e iniciantes.

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segunda-feira, julho 11, 2011

Sobre boleiros e boleiras

Não só no jogar futebol se percebem mudanças, como também na apropriação pelas meninas de jargões próprios à cultura futebolística

Lino Castellani Filho

Há não muito tempo, o título desta crônica seria inimaginável, principalmente entre nós, brasileiros, pois futebol era tido como coisa pra homem e... Ponto final.

Hoje, muitos se pegam diante da TV acompanhando a nossa seleção feminina de futebol com muito mais entusiasmo do que assistem aos rapazes na Argentina.

Do que vejo, concluo que tem muita mulher jogando melhor do que muito marmanjo e que a tese de que a ginástica – assim se chamava a atividade física - deveria ser estendida às mulheres desde que respeitada suas formas feminis e as exigências da maternidade futura, como apregoava ao final do século XIX Rui Barbosa, tido em meados do século passado, até os anos 1980, nada mais nada menos como o “paladino da educação física brasileira”, ficou no passado, embora até hoje muita gente ainda não se conforme com outros papéis sociais da mulher que não o de mãe...

Mas não só no jogar futebol se percebem mudanças, como também na apropriação pelas meninas de jargões próprios à cultura futebolística, que até recentemente só faziam parte do vocabulário dos meninos...

Isso tudo me fez recordar uma situação por mim vivida na metade da década de 1980. Na ocasião estava vivendo com minha família em São Paulo, dando tratos ao meu processo de titulação acadêmica, cursando mestrado na PUC/SP. Morávamos em um apartamento em Perdizes, bairro paulista onde ela se localizava...

... Num belo dia, me via às voltas com o estudo de um – dos muitos – texto, quando vi entrar pela porta meu filho Alexandre, sujo, suado e com cara de poucos amigos.

Percebi mascarada em seu silêncio a vontade de falar. Fechei o livro, sinalização de que estava aberto à conversa, rapidamente por ele iniciada...

— Oi, pai! Tô vindo lá da quadra... Jogamos contra o time daquele prédio lá da esquina...

— E como foi o jogo, perguntei...

— IH pai! Nos f...! Perdemos de goleada...

Antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, desandou a falar:

— Sabe pai, eles jogaram melhor... Nada deu certo pra nós...

E percebendo que eu estava interessado na história, se empolgou:

— Mas teve um lance pai... A menina veio pelo alto... Matei ela na caixa pai! Aí vi um carinha se aproximando e não tive dúvidas, meti ela no meio das canetas dele... Aí percebi outro chegando e... Dei um drible da vaca, pai! Quando dominei ela, vi o goleiro saindo e não tive dúvidas: taquei o pé embaixo dela e mandei ela lá onde a coruja dorme, pai, um golaço!

De imediato pensei com meus botões: “estou rico!”. Sim, pois se com aquela idade ele tinha feito tudo aquilo, era só uma questão de tempo pra ele chegar a algum time europeu... Mas logo em seguida caí na real e me dei conta tanto de como era grande a capacidade imaginativa da criança, quanto do fato de que aquele diálogo seria impossível de ser feito se no lugar dele estivesse uma filha...

Sim, pois àquela altura somente um menino teria acesso a expressões próprias ao universo do futebol, já que às meninas era vetada a entrada nele, sob pena de ser de imediato estigmatizada por se fazer presente em um lugar de ingresso restrito aos homens...

Assim sendo, dificilmente uma garota saberia que a menina do relato era a bola; que caixa era o peito e matar a menina na caixa era amortecê-la (carinhosamente) nele...

... Que canetas eram as pernas do moleque; que drible da vaca significa jogar a bola de um lado do adversário e ir buscá-la pelo outro; e, por fim, que lá onde a coruja dorme era o ângulo superior da meta ou arco defendido pelo goleiro...

Hoje esse diálogo já se faz possível, pois o futebol deixou de ser território exclusivo dos homens. Parte por conta do processo de emancipação feminina, da luta das mulheres por igualdade de gênero. Parte, por outro lado, da indústria cultural do entretenimento própria à sociedade de consumo, que percebeu o potencial consumidor de um segmento social até então impedido de consumir tudo aquilo que fosse pertinente ao mundo do futebol...

Mas o desafio da construção da cultura corporal esportiva dos brasileiros e brasileiras longe ainda está de superar os preconceitos. O portal UOL nos traz uma foto das nossas atletas de futebol com os seguintes dizeres: “Atletas defendem ensaios sensuais e reclamam de preconceito com gays”.

Nada melhor do que lembrar a frase do cartunista Laerte, “senta aqui, Bolsanaro”, proferida em tom de brincadeira por ocasião de sua participação em debate sobre homofobia realizado no espaço da FSP na Flip – Festival Literário de Parati, para, brincando, levar a sério a construção de valores ético-políticos que não os defendidos por aquele “nobre” deputado.

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sábado, junho 04, 2011

Entrevista] Interdisciplinaridade e mudança social pelo esporte

Daniela Lemos, coordenadora técnica do UniSol
Profissional faz apresentação sobre a segunda edição do Prêmio Nike Esporte pela Mudança Social
Bruno Camarão

Os sinais são claros de que as universidades, muito em razão do momento gerencial prévio da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, que serão realizados em território brasileiro, colocaram o esporte em suas pautas. Ações relacionadas a atividades físicas e modalidades diversas permeiam a academia, com o amparo de algumas grandes empresas especializadas na temática. É o caso da parceria entre a Nike do Brasil e o programa UniSol (Universidade Solidária).

Ambos, juntamente com a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS), a partir do ideal de que o esporte pode promover o desenvolvimento social por meio de ações nos âmbitos social, ambiental e econômico, criaram o Prêmio Nike Esporte pela Mudança Social. O alvo é reconhecer e apoiar ações e projetos de extensão universitária, executados por professores e alunos, que utilizem modalidades como mote desenvolvimentista humano.

“O UniSol tem 16 anos de atuação e a proposta fundamental é contribuir para a formação cidadã dos estudantes universitários, colocando-os em contato com a comunidade na qual eles estão inseridos, ou com comunidades menos favorecidas”, explica Daniela Lemos, coordenadora técnica do UniSol.

Ao agregar o que a universidade desenvolve com o conhecimento do estudante universitário ao longo da vida acadêmica, o projeto consegue dar um passo adiante nessa transformação. O programa articula e implementa projetos e ações sociais de instituições de Ensino Superior, em parceria com empresas públicas e privadas, organizações do Terceiro Setor e comunidades.

O UniSol é um programa da AlfaSol, criada por Ruth Cardoso, que estimula a liderança nos jovens universitários e, sobretudo, proporciona uma visão mais apurada da realidade social brasileira, fortalecendo a organização comunitária e a construção de soluções pontuais.

Na segunda edição do Prêmio Nike, concorrem projetos de extensão universitária com foco em esporte e que beneficiem diretamente jovens em situação de vulnerabilidade social, localizados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O valor da premiação é de R$ 25 mil, com acompanhamento técnico da equipe do UniSol.

“A universidade tem total autonomia para desenvolver suas atividades. Quando elas apresentam o projeto, há uma pré-definição de roteiro, com orçamento e metas desenhadas para os seis meses de trabalho”, comenta Daniela.

Coordenadora de projetos, ela aponta que o UniSol trabalha para garantir os benefícios e a interação entre universidade e comunidade. Por exemplo, se um professor está tendo alguma dificuldade na implementação de determinado projeto, se a universidade está acompanhando de fato a iniciativa, ou mesmo se as ações estão sendo institucionalizadas para não se tornar algo apenas pontual.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, Daniela fala mais sobre as especificidades do UniSol, o cenário atual propício para projetos ligados ao esporte e como o diálogo entre academia e sociedade pode ser benéfico para a formação dos jovens carentes.



 

Universidade do Futebol – Você poderia falar sobre sua formação, a trajetória até o ingresso no UniSol e a experiência em lidar com projetos, impactos e inovações na área social?

Daniela Lemos – Comecei no antigo Comunidade Solidária, um programa de governo criado pela doutora Ruth Cardoso. Era estudante da UNB de Administração e estagiei nessa parte administrativa. Lá me deparei com todo o aparato de política social e combate à pobreza.

No Comunidade Solidária, fui apresentada à Universidade Solidária, e passei a atuar como coordenadora de projetos no antigo programa nacional, muito parecido com o Projeto Rondon, em que muitos universitários vão para comunidades distantes fazer um intercâmbio social e discutir as fragilidades desses grupos, ao mesmo tempo em que realizam uma troca cultural.

Passei três anos nesse programa de governo, e em 2003 o UniSol se transformou em uma organização da sociedade civil, e fui coordenar a área de projetos. Minha formação é em assistência social, com especialização em gestão de projetos na área do Terceiro Setor.

Na Alfasol, o Universidade Solidária é um programa que integra todas essas ações criadas pela doutora Ruth, e dentro desses planos há o Prêmio Nike – Esporte pela Mudança Social, cuja primeira edição foi criada em 2008.



Ruth Cardoso, durante Primeiro Comício da Mulher, em campanha eleitoral em São Paulo (1985); foto: Ary Brandi

 

Universidade do Futebol – O UniSol (Universidade Solidária) é um programa que articula e implementa projetos e ações sociais de Instituições de Ensino Superior (IES), em parceria com empresas públicas e privadas, organizações do Terceiro Setor e comunidades. Fale um pouco mais sobre ele.

Daniela Lemos – O UniSol tem 16 anos de atuação e a proposta fundamental é contribuir para a formação cidadã dos estudantes universitários, colocando-os em contato com a comunidade na qual eles estão inseridos, ou com comunidades menos favorecidas.

A ideia é pegar toda essa expertise – o que a universidade desenvolve mais o conhecimento do estudante universitário ao longo da vida acadêmica – e transformar em uma ação educativa para essas comunidades a partir das potencialidades e das demandas que elas têm.

Temos também uma parceria com o Banco Santander que foca nas questões ambiental e de geração de renda. Na realidade, o UniSol articula o conhecimento acadêmico em prol de comunidades menos favorecidas, mas reconhecendo o conhecimento popular existente nos moradores daqueles ambientes.

Universidade do Futebol – Um dos projetos desenvolvidos é o Prêmio Nike - Esporte pela Mudança Social. Quais as pretensões e os resultados já alcançados por essa empreitada que chega à sua segunda edição?

Daniela Lemos – Em 2007, a Nike começou a articular no Brasil a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS) e convidou não apenas as grandes ONGs que atuam com esporte no Brasil, como outras que também trabalham com ações educativas e que lidam com ações de gênero.

O Universidade Solidária entrou no circuito, pois havia também o foco de levar a academia para discutir sobre a forma como o esporte é tratado no país. Não apenas o alto rendimento ou as atividades ligadas à saúde.

Começamos a discutir nos projetos que havíamos feito, e as universidades apresentavam mais o esporte relacionado ao lazer ou em seu aspecto educativo. E surgiu a ideia do primeiro Prêmio Nike – Esporte pela Mudança Social. Tivemos mais de 50 projetos, e cinco deles foram premiados em nível de Brasil – no Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

Envolvemos mais de 600 crianças e adolescentes, com projetos de empreendedorismo no Rio, com a PUC-RJ, e também em São Carlos, com a UFSCAR.

Rediscutindo as estratégias, pensando em uma continuidade, resolvemos lançar a segunda edição mais focada para jovens e adolescentes, especificamente para as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. O prêmio passou de 15 para 25 mil reais, e as universidades premiadas receberão o acompanhamento técnico do UniSol por seis meses, além de doação de materiais esportivos da Nike.

As universidades, por conta do momento vivido pré-Copa e Olimpíadas, colocaram o esporte em suas pautas, aumentando essas ações relacionadas de uns dois anos para cá.

Universidade do Futebol – O cenário atual do mundo é também inspirar a mudança social por intermédio do esporte?

Daniela Lemos – Sem dúvida alguma. E de várias formas. Tivemos um projeto premiado que, na realidade, o esporte era um meio, e não o fim.

Um jovem skatista do subúrbio do Rio de Janeiro ensinava às crianças no contraturno escolar essa prática, e a universidade viu aquela potencialidade e qualificou o grupo, junto com a Nike do Brasil, e hoje praticamente eles são uma associação que produz shapes, aquela prancha do skate. Chama-se Briza Arte, conduzida pelo Charles Alexandre da Silva.

O que conseguimos perceber e mostrar pelo prêmio é que o esporte pode ser um estímulo, um tema transversal, para que uma ação social ou educativa com diversos públicos seja efetivada. E não necessariamente se apresentar como tema central.
 


 

Universidade do Futebol – Em sua opinião, como liberar o potencial de jovens, para que estes fortaleçam suas comunidades, alavanquem o desenvolvimento e promovam mudanças?

Daniela Lemos – Percebo que principalmente por meio do diálogo. E as universidades, no caso com os estudantes universitários, e a UniSol, ao longo desses 16 anos, desenvolveram uma metodologia de conversar com essas instituições para que as mesmas cheguem às comunidades e falem de igual para igual, e não como templo de saber.

O estudante pode ser inserido naquele contexto e falar com outros jovens, se interessando pelo outro, apesar das visões e das realidades distintas.

Levamos, por exemplo, alguns jovens de comunidades para vivenciar o ambiente acadêmico, e a partir desse diálogo horizontal e da troca de conhecimentos, o processo se tornou positivo.

Universidade do Futebol – No esporte, de que modo pode-se trabalhar a questão social sem decair no mero assistencialismo?

Daniela Lemos – Acredito que de forma mais educativa, formando multiplicadores. Na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, o programa Esporte Integral desenvolveu a partir da experiência própria um mini curso de esporte educacional. O professor não necessita ser um profissional de Educação Física, mas pode ser um coordenador de uma ONG de base que trabalha com isso, e ele consegue utilizar qualquer modalidade para falar de cidadania, gênero, e entender o que é o ambiente familiar do jovem.

O UniSol intermedeia e orienta vários processos para estabelecer esse diálogo de uma maneira mais eficaz.



Programa Esporte Integral (PEI) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) em Rio Grande do Sul (RS); foto: Arquivo UniSol
 

Universidade do Futebol – O esporte já atua efetivamente na promoção de igualdade de gênero e no combate da violência contra mulheres, crianças e jovens, ou as ações ainda caminham a passos muito lentos?

Daniela Lemos – No nosso universo, ainda caminha a passos lentos. Temos de ter uma sutilidade em alguns ambientes para falar sobre determinados temas. Há um projeto que se utiliza da capoeira para falar de questões ligadas à raça.

As universidades não vão tão a fundo nesse tipo de tema, não por escolha, mas por se tratar de um processo de conquista paulatina desses jovens, por meio do esporte.

Universidade do Futebol – Também a partir de sua visão profissional e acadêmica particulares, de que forma o processo da educação auxilia no desenvolvimento do raciocínio, da criatividade e na compreensão dos fatores externos vividos pelos jovens?

Daniela Lemos – No Instituto Briza citado, o simples fato de levar jovens de Irajá para vivenciar um ambiente acadêmico, no caso a PUC-RJ, fez com que cinco dos 10 jovens que participaram no início se interessassem em prestar vestibular.

Isso sem haver qualquer tipo de argumentação sobre a importância de estudar e ter um curso superior. Somente pelo ambiente, percebemos essa vontade e essa transformação.

O UniSol tem um grupo de colaboradores voluntários, entre os especialistas, representantes das REMS, das ONGs, além de acadêmicos, reitores e ex-reitores, que possuem experiência em projetos universitários e sociais.

A universidade tem total autonomia para desenvolver suas atividades. Quando elas apresentam o projeto, há uma pré-definição de roteiro, com orçamento e metas durantes os seis meses de trabalho. Nosso acompanhamento técnico visa garantir os benefícios e a interação entre universidade e comunidade – se o professor está tendo alguma dificuldade na implementação daquele projeto, como a universidade está acompanhando, se as ações estão sendo institucionalizadas para não se tornar algo apenas pontual, etc.

Há necessidade de um compromisso social, a fim de definir também indicadores para uma avaliação de resultados, já que o impacto para a vida do estudante e das práticas universitárias é importante para todos.



Projeto Coletivo do Briza da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; foto: Arquivo UniSol
 

Universidade do Futebol – Você acredita que é possível pensar a formação de jovens jogadores de futebol sem a criação de um programa que gerencie o crescimento pessoal, social e profissional de modo interdisciplinar?

Daniela Lemos – Não acredito. As universidades estão aí para mostrar. Essa visão sistêmica é fundamental para um atleta, não só consciente do seu papel profissional, mas como cidadão.



Projeto Futsal Social da Universidade Feevale – Novo Hamburgo (RS); foto: Luiz Fernando Framil Fernandes

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