Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
Mostrando postagens com marcador Gestão esportiva; Finanças; Crise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gestão esportiva; Finanças; Crise. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, novembro 28, 2016

Nobre acaba gestão com títulos, dinheiro a receber e maior patrocínio do BR

  • José Edgar de Matos
    Do UOL, em São Paulo

  • Cesar Greco/Fotoarena
    Paulo Nobre, presidente do Palmeiras que deixará o posto em 2017
    Paulo Nobre, presidente do Palmeiras que deixará o posto em 2017
Paulo Nobre deixará a presidência do Palmeiras aliviado. Depois de dois turbulentos anos durante o primeiro mandato – com Série B, crises e um quase novo rebaixamento -, o presidente usufrui de uma nova realidade na saída definitiva. Paz política, clube recuperado financeiramente e, agora, campeão brasileiro pela primeira vez desde 1994.
Eleito presidente palmeirense em 2013 – na época, com 44 anos, o mais jovem desde 1932 -, o advogado sai do escritório na Academia de Futebol com uma realidade totalmente diferente. Nos últimos dois anos de mandato, dois títulos importantes: a Copa do Brasil de 2015 e o Campeonato Brasileiro de 2016.
Ainda em campo, o Palmeiras reencontrou a realidade de disputar o topo entre as principais equipes nacionais. Após quase cair para a segunda divisão em 2014 – justamente o ano do centenário do clube e da inauguração do Allianz Parque -, Paulo Nobre mudou a gerência do futebol e transformou o Palmeiras.
A primeira grande ação do presidente ocorreu com a chegada de Alexandre Mattos para a diretoria de futebol. O profissional, calçado por dois títulos de Série A consecutivos como dirigente do Cruzeiro, recebeu a confiança para reconstruir o elenco; mais de 20 jogadores chegaram à Academia de Futebol no ano passado.
Além da renovação do elenco, a segunda gestão de Nobre trouxe ao Palmeiras o maior patrocínio da história do futebol brasileiro. O grupo Crefisa/FAM, do casal palmeirense José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, concordou em pagar R$ 66 milhões de patrocínio ao clube até o final do ano; o acordo deve ser renovado e ampliado para 2017.
Estruturalmente, o Palmeiras também se renovou. Além da nova arena inaugurada ainda na primeira gestão de Nobre, casa que rende mais de R$ 2 milhões de receitas de bilheteria por jogo na média, a atual diretoria deixa como legado a reforma na Academia de Futebol.
Um hotel para atletas e comissão técnica, além de novos ambientes (academia, refeitório, sala de fisioterapia, por exemplo), se encontra em fase final de construção. O elenco do Palmeiras deve fazer a pré-temporada no próprio CT, a fim de aproveitar a nova estrutura já no início de 2017.
Para o torcedor, no entanto, o mais interessante se encontra na nova realidade do Palmeiras. O time da primeira gestão, que brigou para não cair até a última rodada de 2014, ficou para trás.
Campeão das duas competições mais importantes do país, o elenco promete ainda mais para 2017. Como último ato, a diretoria de Nobre trouxe Keno (Santa Cruz), Raphael Veiga (Coritiba) e Hyoran (Chapecoense), três atletas interessantes a surgirem como destaque na Série A desta temporada.
Crises de relacionamento e empréstimos
A segunda gestão de Nobre, entretanto, também se encerrará com polêmicas e atitudes criticadas internamente no clube. Paulo Nobre, por exemplo, fez seguidos empréstimos para o clube, os quais ultrapassaram mais de R$ 100 milhões. O presidente, inclusive, pagou do próprio bolso as contratações de Yerry Mina e Róger Guedes neste ano.
Prevista a ser quitada entre 10 e 12 anos – segundo previsão inicial -, a grande quantia emprestada gera duras críticas do Comitê de Orientação Fiscal (COF) do clube e até de conselheiros – que apontavam a instituição como 'refém' do presidente.
Nobre precisou usar o próprio bolso para costurar crises, especialmente com a Crefisa. A patrocinadora dona do maior acordo do país com um clube se incomodou com uma ação de marketing e exigiu aditivos no contrato assinado. Enquanto esta questão não se resolvia, o pagamento da empresa não caía no cofre palmeirense.
Durante os três meses de rusga com o grupo de Lamacchia e Leila Pereira, Nobre emprestou mais R$ 22 milhões. Esta dívida, na análise do COF, será quitada até o final deste ano.
Não só a Crefisa encontrou dificuldades de lidar com o presidente. A WTorre, construtora responsável pelo Allianz Parque, possui uma crise de relacionamento declarada com o dirigente; ambas as partes admitem a falta de entendimento nas questões da arena.
Palmeiras e WTorre, inclusive, brigam em arbitragem por questões de contrato assinado ainda em 2010. O clube venceu recentemente a disputa pela venda de cadeiras na arena, o que, segundo o presidente, 'salvou pelo menos três décadas financeiras'.
Um ato simples exemplifica a relação ruim entre Nobre e WTorre neste fim de gestão. Nos últimos três duelos como mandante no Allianz Parque, seguranças do Palmeiras colaram adesivos nas câmeras de seguranças instaladas pela construtora no camarote da diretoria do clube. 
.

quinta-feira, julho 14, 2016

A DEMAGOGIA POLÍTICA NO FUTEBOL FEMININO ÀS VÉSPERAS DE MAIS UMA BATALHA OLÍMPICA

Seleção em treinamento (Divulgação) 
O Brasil já conhece o seu grupo de jogadoras para mais uma missão em busca da tão sonhada medalha de ouro. Seleção convocada, nos irmanamos a todos os brasileiros que em verde e amarelo, estarão torcendo pelas nossas meninas. 
A discordância quanto aos critérios de convocação, programação de amistosos e modelo de gestão ficam em segundo plano, quando a nossa equipe entra nos gramados. Mas num ponto sensível, não podemos nos abster. Utilizar a DEMAGOGIA política para reescrever a história e ludibriar quem não acompanha o cotidiano da modalidade, não pode passar em branco.  
Quando a Seleção permanente foi criada, foram inúmeras as matérias destacando o objetivo de manter as nossas principais estrelas no Brasil, com boas condições de trabalho e salários de nove mil reais mensais. As nossas principais equipes foram desfalcadas, e lá partiram as atletas para o Rio de Janeiro. Com o passar dos meses, as atletas foram, sem muito alarde, se transferindo para o exterior, e jovens jogadoras eram integradas a tal equipe permanente. 
Na reta final de preparação, o Brasil descobriu que o grupo que vai as Olimpíadas atua em sua imensa maioria no exterior. Das 18 convocadas, 13 jogam espalhadas por Estados Unidos, Europa e Ásia. Apenas cinco atletas, estavam integradas com a equipe permanente financiada pela CBF. Ou seja, após milhões de reais gastos, a nossa Seleção chegará ao Rio na mesma condição de adversários que não possuíram uma equipe que se pretendeu e divulgou permanente. A craque Marta, como exemplo, não foi liberada pelo seu clube e ainda não treina com a nossa Seleção, enquanto a Austrália já está completa em Fortaleza, se preparando para os jogos no Rio. 
Para justificar o caso, bradaram no anúncio da lista que antes da Seleção permanente as atletas brasileiras não tinha mercado no exterior, e que esta seria uma conquista atual. 
Nas Olimpíadas de 2008, por exemplo, 8 das atletas convocadas estavam atuando no exterior, e sete das 10 remanescentes já tinham tido experiências ou convites de fora do País. E com garra e talento, repetindo os Jogos de Atlanta, conquistamos uma brilhante medalha de prata. Hora então de encarar a realidade, de que mais uma vez vamos aos Jogos com uma preparação inferior a de alguns dos nossos adversários, e de que será o talento, garra e comprometimento das nossas mulheres que buscará aparar as mazelas dentro dos gramados, em busca da tão sonhada medalha. 
Temos que destacar que nunca antes a CBF proporcionou tantos recursos para a nossa Seleção Feminina, e que cabe aos gestores do departamento a responsabilidade pela forma da aplicação destes investimento, que certamente poderemos discutir entre aplausos, caso as nossas meninas se superem, ou em fortes e embasadas cobranças, após as Olimpíadas.  
Dia 23, finalmente veremos em Fortaleza a nossa equipe completa, e o torcedor Cearense poderá com seu calor e entusiasmo repetir o que os pernambucanos fizeram pela Seleção masculina de 94, e carregar de amor e entusiasmo as baterias da nossa Seleção, rumo a tão sonhada medalha. 
Parabéns ao Presidente Mauro Carmelio Junior, ao Benê Lima, e a todos os desportistas que estão empenhados em lotar o Estádio Presidente Vargas. 
Encerro com uma dica para quem hoje se diz gestor da modalidade, de que o mesmo respeito dedicado à geração de prata que consolidou o Voleibol Masculino do Brasil, é devido às nossas guerreiras de Atenas e Pequim. Que a Juliana Cabral, ao lado de outras pioneiras como a Leda Elataf TreinamentoTania Maranhao Silva RibeiroRoseli de Belo e a Marisa Pires continuem opinando, cobrando e lutando pelas novas gerações, e que a demagogia política retorne em breve para aqueles que apreciam a arte dos legisladores, nas Câmaras de Vereadores ou Assembleias do País.
------------------------  
Romeu Castro, por 
Vice-Presidente na empresa Federacao de Futebol de Mato Grosso do Sul, trabalhou como Diretor de Futebol Profissional na empresa Ministério do Esporte, trabalhou como Presidente na empresa MS SAAD Esporte Clube, trabalhou como Diretor de relações internacionais na empresa Sport Promotion Marketing Esportivo, estudou Ciências aplicadas na instituição de ensino National American University, Rapid City, SD, estudou Jornalismo na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas, estudou Educação física na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas  

.

quarta-feira, julho 13, 2016

Unifut realiza posse da diretoria na sede da FCF

Na tarde da última terça-feira (12), a Federação Cearense de Futebol sediou a posse da Diretoria do Instituto Unidos pelo Futebol (Unifut).

O Instituto é presidido por Joaquim Alves e nomeu o mandatário da FCF, Mauro Carmélio, como Presidente de Honra. O grupo conta com 17 vice-presidências e realizará reuniões com a FCF no intuito de sugerir melhorias e avanços no futebol cearense.


O Diretor de Patrimônio e Administração de Estádio, Josimar de Carvalho, foi nomeado pela Presidência da FCF como representante da Entidade junto ao Unifut.

Assessoria de Comunicação da Federação Cearense de Futebol
imprensa@futebolcearense.com.br   
Membros da Diretoria Executiva do UNIFUT
O Presidente Kim Alves (à esquerda) e o Vice-Presidente Jurídico, Dennis Luiz
.

sexta-feira, julho 08, 2016

Universidade do Futebol] Dois anos depois do 7×1 deles

Arthur Sales 


“Gol da Alemanha”, “virou passeio”, “7 x 1”… Expressões que se incorporaram à fala do brasileiro após o dia 8 de julho de 2014. A derrota histórica imposta pelos alemães em pleno Mineirão escancarou o que muitos já haviam diagnosticado: o futebol brasileiro parou no tempo.
Nessa sexta-feira completam-se 2 anos do maior vexame esportivo do futebol brasileiro. Passado o baque, assentada a poeira, o que vem sendo feito para colocar o futebol brasileiro no caminho certo?
Os algozes do Brasil também tiveram seu 7 x 1. Na Eurocopa de 2000 os alemães foram eliminados na primeira fase com apenas um empate e na última colocação do seu grupo. Antes disso 3 a 0 contra a Croácia e eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo da França em 98 e a vergonhosa goleada sofrida por 5 x 1 em Munique contra a Inglaterra nas eliminatórias para o Mundial de 2002. Insucessos talvez não tão traumatizantes quanto a goleada no Mineirão, mas suficientes para convencê-los de que algo por lá estava errado.
Começava o plano para a transformação do futebol alemão.
CATEGORIAS DE BASE
Em 28 de fevereiro de 2001, oito meses depois da eliminação alemã na Euro, a assembleia geral da Deutsche Fussball Liga – DFL, associação de clubes que organiza a Bundesliga, decidiu que a implementação de academias para desenvolver jovens talentos seriam obrigatórias para todos os clubes que disputassem a Liga. Na temporada seguinte, a exigência passaria a ser obrigatória também aos times da segunda divisão.
A realização da Copa de 2006 no país facilitou a adequação dos clubes que aproveitaram o momento propício para viabilizar suas instalações às novas exigências com o aumento do interesse público e privado em projetos ligados ao futebol.
Após 15 anos do início do plano, o investimento no desenvolvimento de jovens talentos, que permitiu melhorar a qualidade do jogo alemão, ultrapassou 1 bilhão de euros.
Atualmente a DFB é a maior associação esportiva nacional do mundo. São em torno de 6,8 milhões de futebolistas registrados em quase 26 mil clubes. Entre as temporadas de 02/03 e 15/16 a Bundesliga viu a média de idade de seus jogadores cair de 27,1 para 24,5 anos sendo que na primeira temporada analisada 50%   deles eram alemães e na última temporada o número subiu para 66%, ou seja, são mais alemães e mais jovens disputando as partidas do campeonato alemão. Realidade que ajuda a diminuir os custos com transferências e salários.
Bundesliga - Participação de Alemães Bundesliga - Média de Idade
FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS
A DFB – Federação Alemã de Futebol – teve e tem papel importante no processo de reestruturação do esporte no país. Uma das medidas implementadas desde 2001 é ministrar cursos para professores de educação física com o intuito de capacitá-los na identificação de talentos, mais de 20 mil foram qualificados entre 2001 e 2011.
Depois da péssima campanha de 2000, com apenas um empate contra a Romênia e derrotas para a Inglaterra e Portugal, a prioridade era mudar o jeito alemão de jogar. Para isso era necessário formar técnicos com uma nova visão moderna do jogo e do treinamento, intercâmbios com países e culturas considerados referências no desenvolvimento do futebol e do esporte.
DIREITOS DE TV
Em 2001 os direitos de televisão passaram a ser negociados pela DFL. O mais recente acordo negociado pela liga trará aos cofres dos clubes 4,64 bilhões de euros pelos direitos de transmissão das temporadas 17/18 até 20/21, um incremento de 85% ao acordo anterior.
A BUNDESLIGA
Bundesliga - Presença de Público
Bundesliga - Ranking de Ligas UEFA (1)
NO BRASIL
Achar que a grama do vizinho é sempre mais reluzente que a do próprio jardim, e dizer que não tivemos quaisquer impactos é fechar os olhos para o que se é feito no país.
Para João Paulo Medina, criador da Universidade do Futebol, a principal lição tirada do 7 x 1 foi justamente de que é preciso pensar o futebol: “Não entendo que foram 2 anos perdidos. Serviu para um movimento de conscientização, de maior clareza da sociedade sobre as necessidades que nós temos. Pelo menos hoje já não se fala mais que não temos que aprender nada com ninguém” e pontua alguns itens que precisam de mudanças mais contundentes do que as que ocorreram de 2014 para cá. “OArcabouço jurídico dos clubes e federações, que é antiquado e antidemocrático. A Segurança e presença de público nos estádios, oportunidade e obrigatoriedade de formação profissional, um calendário produtivo e mais racional, que hoje só atende aos interesses de poucos. E, por fim, mas não menos importante, a qualidade do jogo em relação a outros países que se desenvolveram mais do que nós nas últimas décadas”, analisa.
Para Eduardo Conde Tega, CEO da Universidade do Futebol, é preciso modificar a estrutura do futebol em todas as suas dimensões: “Não adianta fazer um comitê de reforma da CBF pra não mudar o essencial e priorizar só o topo da pirâmide. [o 7 x 1] É uma oportunidade para atacarmos vários problemas críticos que impedem o nosso desenvolvimento”, destaca.
Tudo o que foi feito na Alemanha não pode ser simplesmente copiado, muito menos em um país continental e multicultural como o Brasil. Alguns dos indicadores destacados acima, como a redução da idade dos jogadores da Bundesliga ou o aumento da média de público da competição mostram que a caminhada é lenta e gradual, os resultados começam a aparecer depois de alguns anos, não existe fórmula, nem pensamento mágico.
Medina destaca uma conversa que teve com um grande executivo da DFB no ano passado, ao questioná-lo em quem a Alemanha havia se inspirado para criar o plano para o seu futebol.
Após confessar que ninguém havia feito essa pergunta antes, o executivo respondeu da seguinte forma:
“Na organização de eventos e mídia, os EUA. Eles são imbatíveis nisso.
Na atenção aos detalhes, nos japoneses. Nós alemães damos focos às coisas, mas os japoneses conseguem ser ainda mais detalhistas.
Em tecnologia e controles metodológicos: a Bélgica. São uma grande referência neste assunto.
Nas infraestruturas de treinamento para os jovens talentos, a França.
E no Brasil, para a alegria e descontração de jogar futebol.”
Uma aula de humildade que ensina muitas lições. Principalmente que podemos nos inspirar em toda escola que tenha contribuições ao nosso jogo, dentro e fora de campo.
Para transformar o futebol brasileiro será preciso planejamento, competência, integração, qualificação e, principalmente, vontade política para trabalhar os interesses do futebol brasileiro.

quinta-feira, abril 09, 2015

Em defesa do futebol carioca e brasileiro

 

Diante dos episódios recentes do Campeonato Carioca que dominaram os debates do mundo do futebol, o Bom Senso F.C. manifesta sua solidariedade ao Clube de Regatas Flamengo e ao Fluminense Football Club. As arbitrariedades cometidas não são condizentes com o papel que as Federações deveriam cumprir.

Ao contrário do que alguns divulgam, o Bom Senso não é contrário a existência das Federações. Acreditamos que as Federações estaduais têm, teoricamente, um papel fundamental para o desenvolvimento do futebol brasileiro em suas dimensões educacionais e sociais. Para nós, elas deveriam ser a ramificação pela qual a CBF disseminaria e aperfeiçoaria sua metodologia, ainda inexistente, para o fomento e a democratização do esporte, para o desenvolvimento e capacitação dos profissionais da área técnica e de gestão de todo o futebol brasileiro.

Isso não quer dizer que sua participação na organização das competições de atletas profissionais seja preponderante. Está claro que não é por meio dessas competições que essas entidades cumprem sua função primordial, a social. Não concordamos com o modelo atual dos estaduais, com 19 datas. Esse período representa 25% do ano e gera apenas entre 6 e 15% da arrecadação dos grandes times.

Atualmente o Sr. Eurico Miranda e o Sr. Rubem Lopes, críticos circunstanciais, dizem que o fim dos estaduais representa o desemprego de 3 mil famílias. O Bom Senso afirma há 2 anos que a manutenção desse modelo de calendário resulta, ao final dos estaduais, o desemprego de 15 mil famílias por todo o Brasil. O que eles têm a dizer sobre isso?

Também não concordamos que as Federações tenham tanto poder, com a maioria dos votos no Colégio Eleitoral da CBF. Lutamos por mais democracia na eleição da Presidência da CBF - pedra filosofal para a oxigenação do futebol brasileiro e mola propulsora para que as decisões sejam mais técnicas e menos políticas. Defendemos que as entidades de administração desportiva, regionais ou nacionais, sejam mais democráticas e transparentes, com massiva participação dos clubes e dos atletas nos colegiados e conselhos técnicos.

Reivindicamos e propusemos uma fórmula de calendário que ofereça estabilidade de emprego a todos os profissionais do futebol e previsibilidade das datas dos jogos durante o ano todo, para que se permita aos clubes do interior conquistarem sua autossuficiência.

A média de público dos estaduais brasileiros é mais baixa que a de países como Vietnã, Uzbequistão e Israel. Os clubes e as novas arenas acumulam déficits, ao passo que a arrecadação das federações aumentou 25% de 2012 para 2013. Vemos ainda que 1/3 dos seus presidentes estão há mais de 20 anos no poder.

O objetivo de todas as entidades de administração do futebol brasileiro - além das dimensões sociais e educacionais – deve ser melhorar a visibilidade e competitividade do futebol que administram. Infelizmente, em todas esses aspectos as Federações estaduais fracassaram.

Bom Senso FC,

por um futebol melhor para todos.

terça-feira, agosto 05, 2014

Globo exige ibope e alerta clubes: futebol na TV aberta vai morrer

DANIEL AUGUSTO JR./AG. CORINTHIANSO meia corintiano Renato Augusto domina bola contra o Coritiba em partida que rendeu só 13 pontos à Globo

Por DANIEL CASTRO

Em reuniões com os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, marcadas a partir da próxima quinta-feira (7), a Globo vai exigir melhor qualidade do futebol e fará um alerta: se os espetáculos não melhorarem e a audiência não subir, dentro de alguns anos o esporte deixará de ser interessante para a TV aberta.

A emissora apresentará aos dirigentes dos times um estudo que mostra que o futebol vem perdendo cerca de 10% da audiência a cada ano. Se continuar assim, em dez anos passará a ser um produto relevante apenas para a TV paga. Vai "morrer" na TV aberta, sua principal fonte de sustento atualmente.

No último domingo, Coritiba e Corinthians rendeu apenas 13 pontos à emissora, audiência considerada baixa. Cinco anos atrás, o futebol aos domingos dava mais de 20 pontos.

A Globo fará uma série de reuniões a pedido dos próprios clubes. Em encontro na semana passada na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), as agremiações pediram a antecipação das cotas e reclamaram que a emissora paga muito a clubes como Corinthians e Flamengo e pouco a times de menor torcida.

O Notícias da TV apurou que a Globo responderá que remunera os clubes conforme o número de jogos transmitidos e a audiência. E vai exigir dos reclamantes mais investimentos em futebol. No e-mail enviado aos times convocando as reuniões, Marcelo Campos Pinto, principal executivo da Globo nas negociações de direitos de futebol, adiantou que as reuniões visam "estreitar nosso diálogo com vistas à melhoria do futebol e, em especial, da capacidade de investimento dos clubes na formação de jogadores".

Segundo a Folha de S.Paulo, o tema causou estranhamento entre os cartolas. Eles argumentam que não é da alçada da emissora discutir a formação de jogadores. A Globo discorda. Diz que tem o direito de discutir tudo o que diz respeito à qualidade do espetáculo que transmite.

Nas reuniões, a Globo irá propor também mudanças no calendário nacional do futebol e melhorias no "processo de gestão dos clubes e das entidades de organização do desporto, equação financeira e oportunidades de novas receitas nos estádios".

As reuniões acontecerão na sede da Globo em São Paulo. Além de Marcelo Campos Pinto, estarão Renato Ribeiro (responsável pelas transmissões e jornalismo esportivo), Anco Saraiva (diretor de marketing), Pedro Garcia (diretor dos canais Sportv) e Roberto Marinho Neto (diretor de projetos esportivos especiais).

.

A Globo e o futuro do futebol brasileiro

Depois dos 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014, o tema para o qual o jornalismo esportivo se voltou foi a necessidade de renovação geral do futebol brasileiro. Passando das categorias de base até o pagamento das dívidas dos clubes com a União, cujo debate no Congresso já estava presente no primeiro semestre, mas que ganhou mais importância depois da Copa.

Thomas Mueller of Germany celebrates scoring his team's first goal with teammates during the 2014 FIFA World Cup Brazil Semi Final match between Brazil and Germany at Estadio Mineirao on July 8, 2014 in Belo Horizonte, Brazil.

7 alemães comemoram contra 1 brasileiro

Em meio a isso, li muitos comentários sobre a responsabilidade das Organizações Globo nesta fase crítica, por ser a detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos do país. O grupo foi um dos protagonistas da implosão do Clube dos 13 em 2011, aumentou o fosso entre o que os times recebem do broadcasting, com destaque para Corinthians e Flamengo, e mantinha a situação do futebol nacional como está por meio da dependência econômica destes e da ligação com a direção da CBF.

Incomodou-me tal situação, ainda que o que consta no parágrafo acima seja verdade – tendo eu, inclusive, escrito uma dissertação de mestrado sobre esse processo. Porém, apontar apenas um culpado, ou o principal deles, é tratar dirigentes, empresários e até mesmo os políticos brasileiros (ou ninguém nunca ouviu falar da “Bancada da Bola”?) como inocentes perante tal situação.

Se a renovação precisa ser geral, é necessário entender as condições legais em torno do assunto que proíbem, por exemplo, interferência estatal em associações privadas e dá à CBF o poder de definir o regulamento dos torneios. E a CBF tem eleições a cada quatro anos, mas para se candidatar é necessário o apoio de pelo menos oito federações e cinco clubes da Série A.

CBF lucra milhões todos os anos

Enfim, o intuito deste texto nem é discutir isso, até porque este autor concorda com a necessidade de se repensar a estrutura do futebol brasileiro e as relações de poder nela situadas, ainda que seja pessimista quanto a isso devido à prática político-boleira que se observa no país. Trataremos de como a Globo vem assumindo esta responsabilidade.

Em meio a discussões sobre as dívidas dos clubes, puxadas pelos jogadores por intermédio do Bom Senso FC a partir do ano passado, porém agora apropriadas pelos patrões que atrasam os salários, duas notícias me chamaram a atenção. Ambas publicadas na sexta-feira (1/8) com a participação do Globo Esporte, braço das Organizações Globo responsável por negociar os direitos de transmissão dos eventos esportivos.

Guilherme Costa e Vinicius Kochinski escreveram no UOL sobre uma reunião da CBF com clubes e Marcelo Campos Pinto, diretor do Globo Esporte, para discutir a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. A proposta da lei é financiar a dívida dos clubes com a União num prazo de 30 anos, só que com contrapartidas, com punições a serem aplicadas em caso de erros ou novos atrasos de pagamento numa avaliação anual das contas dos clubes.

Já seria estranha a presença de Campos Pinto nesta discussão por se tratar de dívidas dos clubes com a União. Até mesmo a presença da CBF como organizadora, já que enquanto a confederação lucra milhões todos os anos, os clubes seguem no vermelho, mesmo com a entidade organizando os campeonatos nacionais, ao contrário de outros países.

A implosão do Clube dos 13

O único argumento possível para o caso da Globo é que os recursos oriundos do broadcasting são a principal fonte de receita dos times e, geralmente, são adiantados, o que garante um respiro num futebol brasileiro perto de estourar uma bolha, com salários altos e alto volume de importação de jogadores, especialmente da América Latina, em troca de certa dependência na manutenção do status quo. Entretanto, em vez de tratar sobre a proposta de lei que tramita no Congresso, alguns times aproveitaram para pressionar o diretor sobre os valores pagos para a cessão dos direitos.

É preciso explicar que dentre os 40 clubes da Série A e da Série B, 18 negociam por valores maiores e com contratos alongados, garantindo a receita para três ou quatro anos, podendo inclusive antecipar a cota de um período seguinte. Enquanto isso, os demais ficam com um valor menor. No caso dos que estão na primeira divisão, pode-se chegar à metade do que o pior grupo dos 18 – divididos de acordo com o número de torcedores – recebe. Para quem participa da Série B, então, é mais difícil. Para a temporada atual, receberam 2,7 milhões anuais; enquanto o Vasco pode ter recebido mais que 30 vezes disso por estar entre os 18 e este ser o primeiro ano na segunda divisão – a partir do segundo ano o valor é reduzido pela metade.

Os clubes menores, então, resolveram pedir pela criação de um fórum exclusivo sobre o assunto. É preciso explicar, entretanto, que se não mudar a forma de gerenciamento do futebol nacional, como mostram os últimos anos, não adianta ter mais dinheiro à disposição se não se saberá gastar.

Além disso, os clubes brasileiros foram vanguarda no cenário mundial ao criar o Clube dos 13 e organizarem a Copa União em 1987, mas em vez de entenderem o papel de protagonismo no negócio que virou o futebol televisionado brasileiro a partir de então, perderam-se em administrações que tornaram os times tão dependentes do líder comunicacional que, quando a situação podia mudar, recebendo mais de uma concorrente deste grupo, houve a implosão da associação de times.

A negociação individual é a pior forma quando se trata de eventos esportivos. Para ficar no caso brasileiro, a EA Sports anunciou na semana passada que não terá clubes do país no Fifa 2015, um dos principais games de futebol, porque seria muito difícil negociar com cada um para a cessão dos direitos. Ainda que os valores não sejam altos, isso representa uma perda para a imagem dos clubes, já que o jogo pode ser disputado por pessoas de várias partes do mundo. Além de fazer com que os torcedores locais tenham que escolher grandes times estrangeiros na hora da diversão.

Mudança adiou o início dos Estaduais

A segunda matéria foi publicada na Folha de S.Paulo. Bernardo Itri e Dani Blaschkauer informam que a Rede Globo convocou representantes dos 20 clubes da Série A para discutir o futuro do futebol nacional em reuniões a ocorrerem a partir do dia 7. O convite assinado por Campos Pinto tem como pauta do calendário até a formação de jogadores, assuntos a serem discutidos pelos clubes, separados por grupos, com os integrantes do Comitê de Esportes da Globo: Renato Ribeiro (diretor da Central Globo de Esportes), Anco Márcio Saraiva (diretor de Marketing da Rede Globo), Roberto Marinho Neto (diretor de Projetos Esportivos Especiais), Pedro Garcia e Eduardo Gabbay.

Segundo os jornalistas, “o convite causou estranhamento em presidentes de clubes que não viram sentido em a emissora convocar uma reunião para tratar da formação de atletas”. Entretanto, não teriam visto problemas, provavelmente, para discutir com o grupo comunicacional o processo de gestão dos clubes e das entidades de organização dos esportes, a equação financeira e as oportunidades de novas receitas nos estádios. Sobre o calendário, é a emissora quem define a quantidade de datas que terá para transmitir jogos no ano, tendo que passar por ela mudanças como a deste ano, que adiou o início dos Estaduais para que os jogadores tivessem férias após pressão do movimento Bom Senso FC.

Um dos problemas que isso reflete é a mistura entre os interesses de mercado do grupo, com a preocupação com o produto que irá oferecer ao público; e o jornalismo do grupo, que se beneficia historicamente do fato de ter boas relações, e pagar pelos direitos de transmissão, para ter facilidades como a de poder ter acesso a espaços que nenhuma outra emissora de TV possui – ou fazer com que um apresentador pare um treino de helicóptero para gravar um quadro em meio à preparação para uma Copa do Mundo.

Relações de protagonismo

O aparecimento de culpabilidade ao grupo e a necessidade de melhorar o produto, que na Copa gerou boa audiência, esta vem sendo menor a cada ano na transmissão dos jogos locais, fez com que as Organizações Globo resolvessem discutir assuntos cuja chamada não lhe caberia. Assume-se como o “parceiro histórico do futebol brasileiro” para desviar-se das críticas apresentadas até aqui, tentando se mostrar protagonista em possíveis alterações do futebol nacional, perpetuando-se como um dos principais membros da organização do jogo no Brasil.

Não será a partir de um grupo comunicacional que a estrutura do futebol nacional vai mudar, ainda que este seja um dos principais atores das relações políticas que estão engendradas ao esporte brasileiro e que dificultam quaisquer avanços reais. Ampliar a “culpa” é destacar um poder que pode vir a ser bem maior. Deixar que o Globo Esporte chame a si o processo é melhorar ainda menos dentro do que deveria ser mudado e inverter as relações de protagonismo de quem faz o futebol neste país.

***

Anderson David Gomes dos Santos é jornalista e mestre em Ciências da Comunicação

segunda-feira, julho 21, 2014

Museu do Catete dá abrigo a debate sobre o futebol feminino

DSC_2798-1072177_577x290

Aconteceu neste sábado (19), no Museu do Catete no Rio de Janeiro, um debate voltado ao Futebol Feminino, sob a organização do Estrela Nova e com a participação de pessoas de grande influência no meio da modalidade, como , René Simões , Jorge Alves, Mario Sergio Ribeiro, João Milhano, Rogerio e Thaissa, entre tantas personalidades. 

O debate foi presidido pela Cris do Estrela Nova, que teve um papel fundamental para com a realização do evento.

No salão paralelo do museu, concomitantemente  acontecia uma exposição sobre o futebol feminino no Brasil, desde seu surgimento até os dias de hoje.

O site futebolfeminino.info visitou a exposição e constatou o excelente trabalho realizado por profissionais que realmente entendem e querem a evolução da modalidade. Na parte externa do museu acontecia uma competição de Futebol Três, vencida pela equipe do Criciúma de Macaé.

O debate foi marcado por muitos pontos importantes, como a importância do trabalho de base e do planejamento eficiente do futebol feminino brasileiro.

No Brasil, quando uma jogadora chega a seleção brasileira sub/17, ela não tem quase nenhuma noção de tática, e essa é uma situação que precisa ser revista. Enquanto em muitos países a jogadora já chega com um bom conhecimento sobre tática nas categorias intermediárias, por aqui isso está longe de acontecer. Portanto, é necessário que se invista na base, seja nas escolas tradicionais, seja na formação específica originária nos clubes.

Segundo René Simões, o Brasil precisa se planejar e renovar seus métodos de formação também no futebol feminino. Simões não poupou críticas às recentes mudanças na CBF. “Como pode um agente de jogador de futebol  se tornar o  mais novo diretor de seleções da entidade”, indagou. René ainda disse: “Isso é  inaceitável , referindo-se à indicação de Gilmar Rinaldi.

Enfim, todos concordam que o debate havia sido um sucesso, pelas muitas coisas positivas que dele se poderia tirar para o futebol feminino brasileiro. O fato de se conseguir reunir pessoas que verdadeiramente se importam com a modalidade e que querem mudanças já representa uma vitória.

________________

Fonte: http://futebolfeminino.info/ – Adaptação: Benê Lima

sábado, setembro 28, 2013

Professor Luis Filipe Chateaubriand fala sobre o Calendário do Futebol Brasileiro

Autor do livro "Futebol brasileiro: um projeto de calendário" fala sobre o movimento dos jogadores


Bruno Camarão

Criticado por treinadores, diretores e atletas da maioria dos grandes clubes do país, o calendário do futebol brasileiro pode passar por mudanças - mas só depois de 2014, quando o país sedia pela segunda vez uma edição da Copa do Mundo.

Virgílio Elísio, diretor de competições da CBF, diz que alterações pontuais estão na pauta de José Maria Marin, presidente da entidade, que busca ampliar o diálogo com os clubes desde que assumiu o cargo, em março deste ano. Mas cerca de 80 jogadores resolveram reivindicar antes mesmo do fim do Campeonato Brasileiro de 2013.

Na última sexta-feira, Alex, do Coritiba, Rogério Ceni, do São Paulo, Paulo André, do Corinthians, e Elias, do Flamengo, dentre outros, emitiram um comunicado com o intuito de mudar o calendário do futebol nacional. Eles integram um movimento composto por outros 71 jogadores profissionais, das Séries A e B do Brasileirão, cujo objetivo é propor mudanças no calendário – o Bom Senso FC.

O grupo reúne jogadores de 19 dos 20 clubes da Série A, além do Palmeiras e de outras equipes da Série B. Boa parte dos atletas deve se reunir nos próximos dias, em São Paulo, para debater propostas de mudanças na agenda brasileira da bola ainda para o ano que vem. E conta com o apoio de um dos maiores batalhadores por mudanças nesse sentido: o professor Luis Filipe Chateaubriand.
 

Pré-temporada e adequação à Europa são algumas das exigências dos jogadores

“O momento é apropriado, o calendário exposto pela CBF extrapolou em termos de falta de bom senso e ficamos felizes com essa reação, que estava tardando. Lamentamos que isso venha dos atletas, e não dos clubes, nas figuras dos seus dirigentes, que deveriam ter se posicionado há mais tempo contra esses desmandos”, disse o Mestre em Administração Pública pela FGV, Analista de Logística e Suprimentos da DATAPREV e autor do livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.

Três “pilares problemáticos” são citados por Chateaubriand: a falta de adequação ao calendário europeu, o Campeonato Brasileiro sendo jogado nos meios de semana, e a falta de respeito às datas Fifa.

“Há o problema de não fazer uma pré-temporada adequada sem intercâmbio com os grandes clubes do mundo. Interromper o Campeonato Brasileiro para o compromisso das seleções e deixar o principal produto do nosso futebol como algo menor é um absurdo”, acrescentou Chateaubriand.

Nesta entrevista especial à Universidade do Futebol, o professor universitário falou ainda sobre uma situação que perpassa isso tudo, que é a extensão dos campeonatos estaduais. Confira o bate-papo na íntegra.


 Áudio da entrevista  

.

domingo, junho 19, 2011

Arenas] Incompatibilidade entre o que se pensa e o que se tem no futebol

Elitização dos estádios

 
Postado  por Junior Lourenço

 


Reforma do Maracanã pode custar até R$ 1 bilhão

 

O torcedor só é lembrado como contribuidor

Novas arenas, estádios multi-uso, complexo de eventos, espaço empresarial. Termos em voga nesse período Copa-2014. Entre os projetos megalomaníacos que deixariam vaidosos imperadores do passado com inveja, muitos mostram maquetes, obras, reformas de aeroportos, mas poucos mencionam um elemento no mundo do futebol: o torcedor. É, o torcedor, lembra?

Antes de mais nada, vale frisar que conforto não faz mal a ninguém. As propostas das arenas apresentam espaços melhores para o torcedor acompanhar as partidas, com conforto, qualidade e segurança – que deveriam ser obrigação, diga-se. Mas a que custo? Atualmente, o preço das entradas não é compatível com a realidade do torcedor. O absurdo é maior em jogos decisivos. Aproveitando-se da paixão incondicional somado à euforia de chegar perto de um título, as diretorias ouriçadas aumentam astronomicamente o valor dos bilhetes.

Também, alguns dos problemas mais corriqueiros enfrentados pelos torcedores não estão no estádio, mas ao seu redor. Filas e cambistas, por exemplo. Para corrigir esses problemas, é necessário mais do que levantar um imponente complexo. Exige preocupação com o público, e isso parece longe da prioridade dos dirigentes.

Não precisa ser um gênio para identificar que esses novos palcos do esporte terão que ser pagos – e mantidos – de alguma forma. Além da isenção fiscal (assunto controverso, para uma próxima coluna) dos investimentos públicos e privados, e da venda de camarotes à patrocinadores, os clubes vão precisar expandir suas receitas para a manutenção de suas casas. E é aí que o torcedor será afetado.

A média de público no Brasil está bem abaixo da de muitos países

Arriscado. Nossas médias de público estão longe das principais do mundo. Com ingressos caros , é difícil acreditar que essa média irá elevar-se em um curto espaço de tempo. Até mesmo a Copa do Mundo pode ser afetada, como vimos na África do Sul. Ingressos salgados para uma população de baixo poder aquisitivo(na média) resultaram em partidas com baixo público. Certa vez em uma palestra, perguntei ao diretor de Marketing do São Paulo Futebol Clube, Orandi “Nino” Moura, se não era perigoso cobrar alto pelos ingressos na Copa de 2014. A resposta: “é um risco que temos que correr”.

Exemplo de arena multiuso em maquetes

Clubes abandonam torcedor com perfil tradicional e buscam novo perfil

O problema é tão complexo que até a solução é controversa. Dispostos a elevar o “padrão” dos estádios, os clubes caminham em busca de um novo público, com poder aquisitivo elevado. Esse público "diferenciado", assim em aspas mesmo, até consegue pagar por esses ingressos, mas em troca não oferece ao clube o mesmo apoio do torcedor convencional. Sim, lembre-se, ainda estamos falando de um jogo de futebol. Em troca do dinheiro arrecadado, algumas consequências são inevitáveis. Como exemplos, temos a nova torcida do Chelsea pós-Abramovich, acusada de 'modismo' pelos torcedores mais tradicionais, que acompanham o clube londrino desde sua época de coadjuvante. Ou então, o público da despedida de Ronaldo, classificado pelo comentarista Mauro Cezar, da ESPN, como 'torcida de vôlei', com todo respeito ao esporte de Giba e Bernardinho.

Há espaço mas não há dedicação para todos. Com raras exceções, as estratégias de marketing são voltadas para o tal público diferenciado. À longo prazo, talvez isso resulte em uma falta de identificação com o clube e sua história.

Clubes não sabem lidar com seu público

Seria bom ver as diretorias pensando primeiro nos torcedores. Cuidar do seu público também é marketing. Facilidade pra compra de ingressos, atrativos para o jogo e principalmente, manter o relacionamento com o mesmo. Seja fisicamente, seja nas redes socias ou em ações espontâneas, as equipes deveriam estar presentes no cotidiano dos torcedores, antes mesmo de pensar em vender produto A ou B.

É claro, não são ONGs. O clube precisa de receitas e lucros para se manter saudável e competitivo. Se a partir desse relacionamento você conseguir torcedores-clientes, ótimo, melhor ainda. Mas medir a paixão de alguém pelo clube não pode ser através do 'quem gasta mais'.

Se não frearmos isso já, poderemos ver a elitização dos estádios e confundir a torcida arquibancada com uma plateia de teatro.

Quando isso acontecer, não me convide.

.

quinta-feira, junho 09, 2011

Com dívidas de R$ 1,5 bilhão, futebol inglês está em situação insustentável, diz consultoria

por ESPN.com.br

Chegou a hora da verdade para o futebol que tem a melhor liga nacional do planeta. Segundo análise divulgada nesta quinta-feira pela consultoria financeira Deloitte, uma das mais respeitadas do mundo, a situação financeira dos clubes da Premier League e da segunda divisão inglesa já é insustentável. Ao todo, as equipes acumulam dívidas de 664 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão). 

O informe anual da Deloitte aponta que os 20 clubes da divisão de elite da Inglaterra tiveram perdas de 507 milhões de euros (R$ 1,17 bilhão) na temporada retrasada, a de 2009/10. Em relação à temporada anterior, esse número aumentou, já que as equipes haviam perdido R$ 715 milhões em 2008/09. 

O relatório da consultoria lembra que, na próxima temporada, os clubes ingleses se verão submetidos às novas regras de “jogo limpo financeiro” impostas pela Uefa, entidade máxima do futebol europeu, que pretendem que as equipes do continente tenham uma situação financeira estável, sem déficits. 

Para obter a licença da Uefa de participação na Champions League, os clubes terão de atestar que sua saúde financeira não está comprometida. “Essa é a hora da verdade para o futebol inglês”, afirmou Dan Jones, falando em nome da consultoria.

.