Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, agosto 03, 2016

A construção do jogar: conceitos que limitam-libertam




Como condição de início à linha de raciocínio da lógica de Tarski sobre os Sistemas Semânticos, o Jogo de Futebol por sua complexidade na comunicação/interação entre os integrantes de uma equipe e deste com os adversários, não dispõe de todos os meios necessários para explicar a si mesmo, ainda mais pelo fato de ocorrer uma comunicação linguística entre os elementos da equipe, no sentido de inteligibilidade dos princípios específicos de jogo (códigos comunicacionais). Por sua vez são perturbados pelo jogo, erros comunicativos entre eles e do contexto, sobretudo imposto pelos adversários que realizam uma contra comunicação. Somente com seus estudos, por mais profundos que possam ser, entre suas dinâmicas estruturais coletivas, setoriais e interssetoriais, é que pode o jogo, apresentar-se precariamente, perante a complexidade de todas as variáveis intervenientes no processo de jogo e em associação com o processo de ensino-aprendizagem/treino.
Todas as dimensões (técnica, estratégica [ou tática, dependendo do entendimento de cada um], física e psicológica), ditas “dimensões inerentes” do jogo, não se bastam para conhecer a si próprias, muito menos quando se pretende conhecer as demais. Elas devem ao mesmo tempo, integrar, articular, ultrapassar o seu sistema de conhecimento para uma estrutura de conhecimento mais ampla e mais “específica”, ao qual deva, todavia, comportar uma “socialização” de todos os conhecimentos do Futebol, enquanto arte/ciência (jogar/treinar). Ao treinador (e sua comissão) cabe construir o modo de “jogar” de acordo com sua forma de entender, compreender, executar e avaliar o jogador e a equipe em cada momento do jogo. Esses têm papel determinante e coparticipativo desse entendimento, que são refletidos em escolhas (decisões). Porém, a fim de edificar esse jogar peculiar, necessita-se antes de tudo saber caracterizar e descrever a forma de treino e jogo. Apenas um “Como construir esse Jogar”? Um processo de codificação da performance. Ou seja, modelagem.
Modelar algo que se pretende seguir, está inerente a crenças, valores e convicções adquiridas durante as experiências práticas e teóricas, que se completam e não são dicotômicas. De acordo com Vitor Frade, seria uma sintonia com tudo que é envolvido. Pode e deve existir de acordo com aquilo que se quer modelar se estendendo ao treino e suas criteriosas, pontuais e fundamentais orientações.
A Modelação das “Ideias de Jogo” permite rentabilizar a prestação dos jogadores e da equipe no processo de ensino-aprendizagem/treino e na competição segundo Júlio Garganta. Modelar as “Ideias de Jogo” está primeiramente em entender as partes (jogadores) que irão compor o todo, entender como era o “Todo” com outras ideias (gestão anterior) e/ou com certa falta de ideias. O treinador deve entender este “Ecossistema Complexo” (Jogador-Social-Tática-Experiência-Princípios-Jogador), se quiser ter sucesso na construção intencional de sua forma de jogo própria. Segundo Xavier Tamarit, devem também entender as infinitas dimensões dos contextos associados a esse ecossistema complexo, que contemplem o Modelo de jogo como uma intenção prévia formada pela interação entre diversos fatores como: a cultura do país, a cultura do clube/História, a Estrutura do clube/Objetivos, as características e níveis dos jogadores e outros fatores aos infindáveis detalhes que a realidade tem.
A Concepção de Jogo (“Modelo de Jogo”), independente de como se arquiteta, abre/fecha as potencialidades de criatividade, a liberdade da descoberta e produção do conhecimento do jogo para com os jogadores. Ela abre e atualiza fornecendo aos jogadores o seu saber acumulado não-linearmente, por uma gama de situações aleatórias, num âmbito de exigência contínua de suas habilidades motoras, de resiliência (superação) de cada obstáculo (mesmo em estados emocionais distintos e concorrentes entre os indivíduos humanos/atléticos), etc.
Assim, a mesma concepção que abre para novos conhecimentos é a que fecha/anula para a produção do conhecimento. Sendo necessário um contexto de redundância sem redundância, um paradoxo que atribui padrão e renovação.
Contudo se torna imprescindível a preocupação com tudo aquilo que envolve a concepção de um jogar, como também perceber a que nível eles se encontram, tendo em vista toda a sua bagagem de treino (treinabilidade) em termos de complexidade (progressão complexa).
O treino, enquanto processo de ensino-aprendizagem/treino i.e. ensino-repetição (propensão), necessita ser um meio de propagação do processo/solução de situações-problemas criadas intencionalmente e, não apenas uma repetição por meio da solução dos problemas sem um objetivo (apesar de fazer parte do contexto de treino). Ou seja, o processo deve estar identificado fundamentalmente pela presença de conteúdos que tenham a ver com o jogar que se pretende. Um guia, uma orientação. Tem-se que, com isso, ser coerente com os princípios desse jogar, sendo essa coerência representada pelo exercício propriamente dito. Pois este processo irá viabilizar a “cultura de jogo” (um conjunto de operações e comportamentos que identificam a equipe).
Contudo, temos que conceber os princípios que permitem compreender que uma cultura possa produzir aquilo que arruinará.
O entendimento desse processo passa por reconhecer que cada jogador tem suas peculiaridades/necessidades pessoais e profissionais. E sistematizar princípios indispensáveis guiarão/limitarão a tomada de decisão do jogador.
Em suma, o jogador decide, a equipe (e seus princípios) auxiliam essa decisão e, indissociadamente todos participam e se colocam a disposição para que essas normas orientadoras ocorram, de forma livre, que com o treino no mesmo sentido se tornem espontâneas e livres, mas sem serem libertas.


Comentário: Não podemos deixar de levar em consideração que o fato de o jogador sair para pressionar o portador da bola, mesmo em condições estrategicamente desfavoráveis, foi uma opção certa no determinado momento. O que levamos a entender que o jogador exacerba sua total criatividade quando tem liberdade para ler e interpretar as situações problemas do jogo.
Assim, se “o que fazer, o quando fazer, o como fazer, e com quem fazer” é, invariantemente, uma representação não-linear do princípio de jogo que se transforma conforme o momento específico do jogo e do jogador, da circunstância tática e do entrosamento e, expertise do jogador e da equipe como um ser só. Desenvolvida pelo treino em especificidade.




Comentário: Em questões ofensivas a elaboração de Princípios/Ideias de jogo se torna algo mais suscetível ao erro e/ou ao não aproveitamento total das possibilidades/vulnerabilidades defensivas do adversário. Estabelecer o (des)equilíbrio entre regras e liberdade em uma fase do jogo no qual a necessidade de interpretação e leitura das situações problemas do jogo, das movimentações e dos espaços do adversário é algo crucial para a eficácia da Movimentação Ofensiva.
As possibilidades existem no sentido Fractal (espaço-temporalmente falando). A fractalidade defende a imposição do jogo de forma coletiva, em que toda a equipe realize em simultâneo vários ou todos os princípios táticos fundamentais e refletidos pelos seus jogadores, assim como os seus jogadores podem se colocar posicionalmente de forma favorável a fim de dispor a equipe de vários ou de todos os princípios táticos fundamentais.
Muitas vezes esses princípios são inseridos numa neguentropia* pela leitura de jogo do treinador tendo em conta seu contexto e sua equipe. E também, pelos jogadores de forma livre (criativa) ao se colocarem numa posição em que garantam a coesão coletiva e ao mesmo tempo corram menos (no sentido físico).
O jogador reconhece um princípio de jogo fundamental do seu treinador. Se a superfície (linha) for quebrada, alguém sai para proteger a progressão em direção ao gol e os outros realizam a cobertura defensiva, de forma a garantir a recuperação da posse.
Essa integração fractal foi bem concebida, o que limitou a decisão do jogador de duas maneiras: pelo pressing (diminuindo o seu tempo, e espaço, de decisão) e pela colocação na cobertura, o que é fundamental e deve estar no mesmo “nível hierárquico”, didaticamente falando, do pressing.
*função que representa o grau de ordem e de previsibilidade existente em um sistema

1ª edição em espanhol “Educar por el Fútbol – mi equipo es nota 10!” capacitou profissionais de 9 países

Em um formato on-line, com duração de 3 meses (12 semanas) e carga horária de 60 horas, Educar por el Fútbol- mi equipo es nota 10!, foi o primeiro curso produzido em espanhol pela Universidade do Futebol e teve a participação de 236 alunos que realizaram o curso entre o período de 21/03/2016 a 24/06/2016.
Com o objetivo de oferecer aos profissionais que trabalham com futebol em categorias de base, clube de futebol, professores de escolinha, futebol amador e treinadores infanto-juvenis uma oportunidade de formação continuada e de reflexão sobre sua prática pedagógica, o curso teve como finalidade dar sentido prático ao conteúdo através da mescla de textos, depoimentos, vídeos, imagens e diversos recursos didáticos possibilitando a implementação das propostas levantadas.
O curso Educar por el Fútbol, objetivando ajudar a América Latina, baseia-se em uma concepção humanista do ensino do futebol, entendendo-o como fenômeno social importante na formação e desenvolvimento pessoa e social de crianças, jovens e adultos. Além de proporcionar o direito ao esporte seguro e inclusivo, usando o futebol como um meio para assegurar outros direitos reduzindo barreiras sociais, econômicas, culturais, físicas, étnico-raciais e geográficas.
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Destacam-se temas como: papel do futebol na nossa sociedade, ambiente de aprendizagem, papel do professor no ensino, desenvolvimento da autonomia, relação com pais e familiares, promoção do direito ao futebol seguro e inclusivo, entre outros. Educar por el Fútbol – mi equipo es nota 10! Utiliza-se dos princípios pedagógicos: Ensinar futebol a todos; Ensinar bem futebol a todos e Ensinar mais do que futebol a todos, como forma de garantir e promover o direito ao futebol, com foco nos grupos mais variáveis.
Para observar qual o impacto do curso, foi realizada uma pesquisa com os participantes para conhecimento de quantas crianças e adolescentes, os professores trabalhavam diretamente no projeto/instituição/escola que cada aluno estava inserido. Através da pesquisa, foi observado que em média cada participante do curso impactou 180 crianças e adolescentes, totalizando mais de 42 mil.
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Como parte da avaliação final do curso, os alunos deixaram suas opiniões sobre o Educar por el Fútbol – mi equipo es nota 10!
“Excelente, una forma mas humana de ver el fútbol, de dejar de pensar que solo es un negocio y empezar a hacer que sea la mejor herramienta de aprendizaje y formación”
Mario Castro Llanos – ESCUELA SUPERIOR DE FORMACIÓN DE MAESTROS
“Me parecio un curso muy interessante y la verdad deberia haber mas de este tipo de cursos y mas que todo gratuistos ya que muchos no poseemos las condiciones economicas de poder tomar cursos de paga y felicitar a todas las instituiciones y personas que hicieron possible este curso.”
Nelson Pareja Padilla – REAL BRIGIDA FÚTBOL CLUB


domingo, julho 31, 2016

Extra] Pela 1ª vez, eleitorado feminino é maior em todos os estados do país


O eleitorado feminino tem crescido ano a ano no país. Nestas eleições, pela 1ª vez, ele será maior que o masculino nos 27 estados do país.

No Brasil, há 76,5 milhões de mulheres cadastradas na Justiça Eleitoral – 6,7 milhões a mais que os homens. O país tem hoje 146,4 milhões de votantes (parte deles está no exterior e não votará nas eleições municipais).

Nas últimas eleições municipais, em 2012, quatro estados ainda contavam com mais eleitores homens: Mato Grosso, Pará, Roraima e Tocantins. Em 2014, só Mato Grosso e Tocantins ainda tinham mais homens. Mas as mulheres viraram o jogo.

Em Mato Grosso, estão aptas a votar 1.139.972 mulheres e 1.128.530 homens.

No Tocantins, a diferença é pequena: são 518.938 mulheres, ante 518.125 homens. A ultrapassagem, feita apenas em abril deste ano, mostra a importância do eleitorado feminino no país.

Por Thiago Reis
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sábado, julho 30, 2016

Uma amostra do legado olímpico

Clique aqui ou na figura abaixo


➡️ RIO 2016 - LEGADO OLÍMPICO


Chamado de “coração dos Jogos”, o Parque Olímpico da Barra da Tijuca está com um índice de 92% de conclusão. O local, que ocupa uma área de 1,18 milhão de metros quadrados, será palco de 16 modalidades olímpicas e nove paralímpicas. Após os dois eventos no próximo ano, terá áreas de uso público e outras de uso privado.   

Construído por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), o local terá boa parte de seu espaço destinada a empreendimentos residenciais e comerciais depois da Olimpíada. Além de se transformar em um parque público, o restante da área deverá ter uso compartilhado por estudantes da rede municipal e por atletas de alto rendimento, em espaços que terão supervisão do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
O Rio de Janeiro abriu mão do luxo na construção das instalações esportivas para a Olimpíada, mas sem diminuir a excelência esportiva. Se nos Jogos de Pequim arenas como o Cubo D’Água ou o Ninho de Pássaro marcaram a competição do ponto de vista arquitetônico, na primeira edição realizada na América do Sul o tom será o da eficiência.



“Nos Jogos Rio 2016, o mais emblemático será a transformação da cidade. Desde o início do projeto olímpico, o objetivo da prefeitura do Rio é fazer os Jogos de forma eficiente, mas também simples e econômica, deixando um legado tangível para a cidade e seus moradores. Portanto, as instalações terão padrão de excelência para a prática esportiva, porém sem luxos ou excessos”, revela Roberto Ainbinder, diretor de projetos da Empresa Olímpica Municipal (EOM).
Depois de 112 anos, o golfe volta à Olimpíada e já tem lugar assegurado entre as principais polêmicas dos Jogos de 2016. Tudo por causa da decisão da prefeitura de permitir que uma área de preservação ambiental fosse usada para a construção do campo, que vai receber os melhores golfistas do mundo.

Fonte: Estadão


RGC e Calendário da FCF serão objeto de revisão durante o mês de agosto

O Regulamento Geral das Competições (RGC) da Federação Cearense de Futebol (FCF), passará por mais uma revisão, procedimento que é adotado anualmente, a fim de dar ao arcabouço jurídico que rege de maneira mais ampla as competições, uma atualização constante, desse modo refletindo as necessidades e mudanças ocorridas face à dinâmica social, que se refletem no meio esportivo.
Desta feita, a discussão ganhará um maior contorno, em razão da Federação ter feito convite ao Instituto Unidos Pelo Futebol - UNIFUT, para ter assento e representação no processo de análise do atual RGC/FCF.
Vale lembrar que o RGC/FCF é um espelho do RGC da Confederação Brasileira de Futebol e com este não pode estar em desacordo, embora seja possível que possamos fazer alguns acréscimos, face a uma ou outra especificidade das competições locais.
O prazo para tal análise se estenderá até o final do mês de agosto, e as sugestões também estarão abertas para o público em geral, através da Ouvidoria do Torcedor Cearense, da FCF, tendo a frente o Ouvidor Estélio Carvalho, pelo e-mail corporativo da entidade.
ouvidoriageral@futebolcearense.com.br  

 
Regulamento Geral das Competições - FCF - 2016

Comissão de membros do UNIFUT com o Presidente da FCF. Da esquerda para a direita: Marcos Gaúcho, Benê Lima, Vladimir de Jesus, Kim Alves, Mauro Carmélio, Eudásio Barroso, Aguiar Jr. e David Lopes

terça-feira, julho 26, 2016

Formação de Treinadores na Europa

Portal Futebol Planejado 
No dia 23 de Maio publicamos um artigo sobre como a UEFA trabalha o desenvolvimento das suas Federações através do Programa Hat Trick, que engloba 3 projetos que visam a melhoria contínua na gestão do futebol europeu. https://futebolplanejado.com/2015/05/23/programa-hat-trick-da-uefa/
O artigo de hoje identifica  as exigências que as Federações Nacionais membras da UEFA impõem para um profissional adquirir habilitação para trabalhar dentro do campo de jogo como treinador de futebol. Diferente do que é praticado no Brasil, as regras para um profissional trabalhar como treinador são rígidas e contribuem para o desenvolvimento do esporte.
download (2)
Como base para o nosso artigo vamos nos aprofundar na Espanha, Alemanha e Inglaterra, países com uma cultura de formação de treinadores sólida e bem estruturada. É bom salientar que a todas as Federações têm certa autonomia para modificar alguns parâmetros nas regras para obtenção de licença de treinador, porém devem respeitar o Reconhecimento Mútuo de Habilitações dos Treinadores, ocorrido em 2008 e que envolveu todas as Federações e padronizou alguns critérios para a formação de profissionais.
A formação de treinadores da UEFA é divida em 4 tipos de licenças, conforme quadro abaixo.
UEFA e Inglaterra
Como percebemos no quadro explicativo a Federação Inglesa utiliza o mesmo tipo de formação que a UEFA. Porém outras Federações fizeram algumas adaptações no modelo mas respeitando o padrão básica de formação.
Na Alemanha por exemplo, a Federação exige que para treinar algum clube da Bundesliga o treinador passe por 4 etapas de formação e não 3 como na UEFA e Inglaterra e também faz com que as Federações Regionais participem desse processo de formação, conforme mostra o quadro abaixo.
Alemanha treinador
Na Espanha existem apenas 3 níveis de formação para os treinadores, conforme quadro abaixo, porém a carga horária é extensa e as atividades práticas são mais exigidas que nas demais federações.
Espanha
O que fica claro é que a formação dos treinadores na Europa é um ponto chave para o sucesso do futebol daquele continente, é uma vantagem competitiva em relação ao Brasil, que conta com um programa de formação de treinadores da CBF de boa qualidade porém sem carácter obrigatório, o que torna a profissão de treinador de futebol no Brasil uma mera ocupação.
A qualidade do futebol apresentado por nossos clubes e recentemente pela seleção está fortemente ligada ao processo de formação de treinadores, não são coisas desconexas. Contamos hoje no Brasil com inúmeros treinadores que não tiveram formação na profissão, normalmente ex jogadores que tiveram uma carreira vitoriosa como atleta mas que sãotreinadores de forma empírica e não conseguem mais participar e contribuir de forma efetiva na formação e na extração do melhor potencial de nossos atletas.
Para ilustrar essa discrepância trazemos o exemplo do ex jogador Zidane, um jogador fora de série, um dos melhores da história do futebol mundial que foi suspenso por 3 meses pela Federação Espanhola por treinar a equipe do Real Madrid B sem estar com as exigências de formação devidamente cumpridas. É possível imaginar um ex jogador desse porte ser suspenso pela CBF por não ter licença de treinador compatível com o cargo que exerce ? Talvez essa diferença de tratamento e exigência seja um dos fatores para o momento ruim do futebol brasileiro como um todo.

segunda-feira, julho 25, 2016

Time feminino conquista título contra garotos. Pais dos meninos não aceitam

Felipe Pereira
Do UOL, em São Paulo

Participar de um campeonato masculino foi revelador para o time feminino do Centro Olímpico de São Paulo. As atletas de até 14 anos descobriram que os garotos se sentiam menores em perder para meninas. Os pais deles também não aceitavam a derrota. E até brigaram com os filhos. 

“Existia uma cobrança de certa forma exagerada em relação às derrotas dos meninos para as meninas. Eu acho que também é uma coisa que a gente cutucou uma ferida que, no Brasil, ainda não é coisa bem explicada. A gente invadiu um campeonato que [achavam que] a gente não tinha, talvez, que se meter naquilo e causou um certo mal-estar”, afirma Lucas Piccinato, treinador do Centro Olímpico.

A ideia de se inscrever num torneio masculino sub-13 ocorreu por um motivo simples: não há competições nesta faixa etária para times femininos. A Copa Moleque Travesso é um campeonato tradicional de São Paulo e os outros sete participantes foram consultados em aceitar a equipe. Houve uma objeção.

O time do Centro Olímpico pediu e entrou na disputa autorizado a ter sete atletas de 14 anos para equilibrar a diferença física. A campanha foi de três vitórias, duas derrotas e dois empates, obtendo o terceiro lugar na classificação e vaga nas semifinais.
Piccinato percebeu que havia um consenso entre os demais times de que não poderiam perder para uma equipe feminina. Os pais dos meninos também tinham dificuldades para assimilar. Mas não descontavam nas meninas e, sim, nos próprios filhos. A cobrança era por perder uma dividida, tomar um drible ou ser menos veloz.

“Eu não condeno, Eu acho que todo o Brasil tem que melhorar em relação ao preconceito. A gente acabou invadindo o espaço de uma competição masculina. Mas, de certa forma, os pais dos garotos, sempre que havia uma derrota, não lidavam de uma forma muito positiva."
O treinador declarou que pais dos jogadores diziam que os meninos não entravam forte por medo de machucar as adversárias. O pico da discórdia ocorreu quando foi dito que futebol não era coisa de meninas.
Na partida valendo o lugar na decisão, a equipe pegou o Olímpia, o time que não aceitou a participação das atletas e para quem havia perdido por 2 a 1 na fase de grupos. Lucas conta que havia certa rivalidade pelo histórico e um mal-entendido ocorrido nas arquibancadas no jogo anterior.

As meninas ganharam a semifinal por 3 a 1. Os adversários ficaram bem irritados com a derrota e houve uma dose extra de frustração por tratar-se de uma equipe feminina, recorda o treinador do Centro Olímpico. Nas arquibancadas, os pais das garotas ouviram mais uma vez que havia medo de machucar as atletas e que futebol não é para elas. Também escutaram que o resultado ocorreu por causa das atletas de 14 anos.

"Em alguns momentos, os pais das outras equipes - principalmente nos jogos da final e semifinal - usaram isso como muleta. Só que ao mesmo tempo essas duas mesmas equipes durante a competição nos jogos da fase regular venceram a gente com essas mesmas sete meninas jogando".

A vitória na final contra o São Paulo Piloto foi por 3 a 0 e rendeu mais que o troféu. A zagueira Lauren Leal foi eleita a melhor jogadora da decisão. Outra premiação individual coube a Marcelli, escolhida melhor goleira da Copa Moleque Travesso.
O que chamou atenção também foi o engajamento dos pais das meninas. Não apenas por fazerem camisetas para as fases finais, mas pela defesa do direito das mulheres jogarem bola. 

“Acabava que os pais passavam para nossas atletas uma certa luta, uma resistência contra todo o preconceito em volta", concluiu o técnico.

Imagem: Divulgação Facebook

terça-feira, julho 19, 2016

Iniciação do futebol é debatida em encontro na CBF

DIOGO NETTO, GERENTE DA CBF SOCIAL / Créditos: Kin Saito / CBF
Nesta terça-feira (19), quando é comemorado o Dia Nacional do Futebol, a CBF Social promoveu um encontro com professores de comunidades do Rio de Janeiro para discutirem sobre a iniciação do futebol e o bem social que o esporte promove às crianças e adolescentes. A CBF trabalha para expandir este projeto por outras cidades brasileiras.
Presente no auditório da entidade para a abertura do workshop, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, falou sobre a importância de conversar, trocar sugestões e estudar possibilidades de colocar estas ideias em prática, uma vez que o futebol tem o papel de complementar a educação dos jovens.
– Esta reunião não é para nós apenas um encontro entre amigos, pessoas que têm experiência para contar. Nós queremos nos banhar da experiência de vocês e trazer isso para a gente transformar, quem sabe, num projeto de educação para o Brasil.
O evento contou também com uma mesa redonda com o gerente da CBF Social, Diogo Netto, e os ex-jogadores Ricardo Rocha, Jairzinho Furacão e Marisa para falarem quais as dificuldades encontradas na época em que jogavam e como o futebol é tratado nos dias de hoje, principalmente nas categorias de base.
O pentacampeão Ricardo Rocha explicou a importância da promoção deste tipo de evento, uma vez que a maioria dos jogadores vem de comunidades carentes e precisam de condições para se tornarem profissionais qualificados.
– É muito importante a CBF trazer estas comunidades aqui para dentro, para conhecer também os problemas que elas têm no dia a dia. Todos os professores adoraram a CBF abrindo este espaço. Isso é muito bom. A maioria dos jogadores de futebol vem de comunidades. A gente qualificando estes professores, eles vão qualificar muito melhor estes garotos – exaltou o ex-jogador.
Quando fala-se em incentivo na qualificação do futebol, hoje em dia o futebol feminino também entra muito forte nos debates. A ex-jogadora Marisa, apontou que o salário recebido atualmente pelas jogadoras da Seleção mostra como as mulheres estão aos poucos conquistando este espaço.
– As meninas hoje que estão entrando para a Seleção, estão de parabéns. Estão recebendo salário que se fosse há uns 10, 20 anos, estavam pagando para treinar, como nós fizemos. A gente só precisa dar um apoio. A CBF, a Secretaria de Esporte, agora estão fazendo um trabalho muito brilhante com a nossa comunidade – comemorou Marisa.
Além da mesa redonda com debates de alto nível, promovidos por pessoas qualificadas, outros assuntos foram debatidos durante o evento. O professor Luiz Roberto Rigolin falou sobre “Analfabetismo Motor e o ensino do futebol”. Depois, Julimar Pereira debateu sobre “Aspectos físicos e motores dos jogos reduzidos para crianças e adolescentes”. Fabrício Vasconcellos palestrou sobre “Futebol como promoção de saúde para crianças e adolescentes”. Monica Alkmim falou sobre “Direitos da Criança e do Adolescente”, e o professor Luciano Alonso encerrou o workshop falando sobre “Dicas para planejar uma aula de futebol respeitando o crescimento e desenvolvimento da criança e do adolescente”.

quinta-feira, julho 14, 2016

A DEMAGOGIA POLÍTICA NO FUTEBOL FEMININO ÀS VÉSPERAS DE MAIS UMA BATALHA OLÍMPICA

Seleção em treinamento (Divulgação) 
O Brasil já conhece o seu grupo de jogadoras para mais uma missão em busca da tão sonhada medalha de ouro. Seleção convocada, nos irmanamos a todos os brasileiros que em verde e amarelo, estarão torcendo pelas nossas meninas. 
A discordância quanto aos critérios de convocação, programação de amistosos e modelo de gestão ficam em segundo plano, quando a nossa equipe entra nos gramados. Mas num ponto sensível, não podemos nos abster. Utilizar a DEMAGOGIA política para reescrever a história e ludibriar quem não acompanha o cotidiano da modalidade, não pode passar em branco.  
Quando a Seleção permanente foi criada, foram inúmeras as matérias destacando o objetivo de manter as nossas principais estrelas no Brasil, com boas condições de trabalho e salários de nove mil reais mensais. As nossas principais equipes foram desfalcadas, e lá partiram as atletas para o Rio de Janeiro. Com o passar dos meses, as atletas foram, sem muito alarde, se transferindo para o exterior, e jovens jogadoras eram integradas a tal equipe permanente. 
Na reta final de preparação, o Brasil descobriu que o grupo que vai as Olimpíadas atua em sua imensa maioria no exterior. Das 18 convocadas, 13 jogam espalhadas por Estados Unidos, Europa e Ásia. Apenas cinco atletas, estavam integradas com a equipe permanente financiada pela CBF. Ou seja, após milhões de reais gastos, a nossa Seleção chegará ao Rio na mesma condição de adversários que não possuíram uma equipe que se pretendeu e divulgou permanente. A craque Marta, como exemplo, não foi liberada pelo seu clube e ainda não treina com a nossa Seleção, enquanto a Austrália já está completa em Fortaleza, se preparando para os jogos no Rio. 
Para justificar o caso, bradaram no anúncio da lista que antes da Seleção permanente as atletas brasileiras não tinha mercado no exterior, e que esta seria uma conquista atual. 
Nas Olimpíadas de 2008, por exemplo, 8 das atletas convocadas estavam atuando no exterior, e sete das 10 remanescentes já tinham tido experiências ou convites de fora do País. E com garra e talento, repetindo os Jogos de Atlanta, conquistamos uma brilhante medalha de prata. Hora então de encarar a realidade, de que mais uma vez vamos aos Jogos com uma preparação inferior a de alguns dos nossos adversários, e de que será o talento, garra e comprometimento das nossas mulheres que buscará aparar as mazelas dentro dos gramados, em busca da tão sonhada medalha. 
Temos que destacar que nunca antes a CBF proporcionou tantos recursos para a nossa Seleção Feminina, e que cabe aos gestores do departamento a responsabilidade pela forma da aplicação destes investimento, que certamente poderemos discutir entre aplausos, caso as nossas meninas se superem, ou em fortes e embasadas cobranças, após as Olimpíadas.  
Dia 23, finalmente veremos em Fortaleza a nossa equipe completa, e o torcedor Cearense poderá com seu calor e entusiasmo repetir o que os pernambucanos fizeram pela Seleção masculina de 94, e carregar de amor e entusiasmo as baterias da nossa Seleção, rumo a tão sonhada medalha. 
Parabéns ao Presidente Mauro Carmelio Junior, ao Benê Lima, e a todos os desportistas que estão empenhados em lotar o Estádio Presidente Vargas. 
Encerro com uma dica para quem hoje se diz gestor da modalidade, de que o mesmo respeito dedicado à geração de prata que consolidou o Voleibol Masculino do Brasil, é devido às nossas guerreiras de Atenas e Pequim. Que a Juliana Cabral, ao lado de outras pioneiras como a Leda Elataf TreinamentoTania Maranhao Silva RibeiroRoseli de Belo e a Marisa Pires continuem opinando, cobrando e lutando pelas novas gerações, e que a demagogia política retorne em breve para aqueles que apreciam a arte dos legisladores, nas Câmaras de Vereadores ou Assembleias do País.
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Romeu Castro, por 
Vice-Presidente na empresa Federacao de Futebol de Mato Grosso do Sul, trabalhou como Diretor de Futebol Profissional na empresa Ministério do Esporte, trabalhou como Presidente na empresa MS SAAD Esporte Clube, trabalhou como Diretor de relações internacionais na empresa Sport Promotion Marketing Esportivo, estudou Ciências aplicadas na instituição de ensino National American University, Rapid City, SD, estudou Jornalismo na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas, estudou Educação física na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas  

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Diretor do Bom Senso nega que movimento tenha acabado

Diretor-executivo do Bom Senso FC - Época/Divulgação
 
O diretor-executivo do Bom Senso, Ricardo Borges, negou em nota que o movimento tenha acabado,conforme publicou o Painel FC no último sábado (9). 
Borges diz que o grupo "segue seu trabalho pela modernização, transparência e democratização". 
A nota oficial, assinada por Borges, ainda afirma que o Bom Senso assume atualmente uma função de "um centro de mobilização, produção e incidência em temas estratégicos para o futebol melhor para todos". 
Na terça (12), o principal líder da mobilização que começou há três anos, o zagueiro Paulo André, se pronunciou em suas redes sociais e disse que o "novo Bom Senso" não tem razão de prosseguir. 
"Aquele histórico Bom Senso de 2013, sentado no gramado, de braços cruzados, já não existe mais. Um outro, mais organizado, com pautas definidas e equipe de trabalho, funciona desde 2014, com menos holofotes e mais resultados práticos, como o Profut em 2015. Mas o segundo, sem a participação dos principais atletas do país, não faz nenhum sentido, não tem razão de prosseguir", afirmou o jogador do Atlético-PR. 
SEM ATLETAS 
Como mostrou o Painel, nenhum atleta falará mais em nome do movimento, que não mais fará críticas à CBF e aos cartolas. Tampouco cruzará os braços no início dos jogos, como chegou a fazer em novembro de 2013. 
Conforme apurou a reportagem, o principal motivo para que Borges resista a fechar as portas e dar outro nome para esse novo momento é o fato de ter um cargo na APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol). 
O órgão foi criado ainda no governo da presidente Dilma Rousseff, hoje afastada, e serve para julgar e avaliar denúncias em relação a irregularidades cometidas por entidades que aderiram ao refinanciamento das dívidas, o Profut. 
Ricardo Borges foi o indicado na época. O governo de Michel Temer prometeu manter as indicações. Apenas o presidente da APFUT tem cargo remunerado. 
"A continuidade e reformulação do Bom Senso FC se deve ao desejo de muitos em colaborar por mudanças no futebol brasileiro. A manutenção de um movimento de tamanha legitimidade jamais se daria pelo apego indevido de uma pessoa a um cargo não-remunerado em um órgão ainda nem inaugurado", afirmou o diretor-executivo. 

A luta pelo Bom Senso - por Juca Kfouri

BOM SENSO FC está mudando de rota. Não quer manter uma cara de movimento sindical, caminho meio inevitável quando surgiu devido ao peleguismo das entidades representativas dos atletas. 
Quer atuar institucionalmente, ser um polo de formulação e ações objetivas para transformar o futebol brasileiro, mesmo que, em certas circunstâncias, possa ter posições contrárias às dos jogadores, algo improvável, mas possível. 
O BSFC não nasceu para ser corporativo ou cabide de empregos como, por exemplo, o sindicato paulista. 
Quer, por ser coerente, rotatividade no poder para não virar, de novo como o sindicato, móvel e utensílio de aposentados. 
Paulo André, o zagueiro que virou o maior, embora não o único, símbolo do movimento, está em vias de encerrar a carreira no Paraná e apela que novos profissionais carreguem a bandeira do BSFC. 
A vida é dura como se sabe e é curioso, e deplorável, como é difícil no Brasil fazer dar certo movimentos em defesa de princípios óbvios. 
Além do BSFC, outros dois que acompanho de perto sofrem para sobreviver, embora um lute contra a corrupção e outro, a favor da liberdade de imprensa e dos direitos humanos — a Transparência Brasil e o Instituto Vladimir Herzog. 
Basta ver a operação Lava Jato para perceber por quê. É mais difícil achar uma grande empresa que não esteja envolvida nos malfeitos do que o contrário, assim como políticos e assessores de políticos em geral.
Até colunistas de jornais têm e, de tão cínicos e hipócritas, nem sequer se manifestam em seus espaços, como se as acusações quase diárias não fossem com eles, não é assim? 
O BSFC busca inaugurar uma nova etapa, mais, digamos, pragmática, no bom sentido. 
"Havia um vácuo de oposição propositiva nos debates com as entidades que administram o futebol, assim como sobre legislação e políticas públicas do esporte e o Bom Senso ocupou esse espaço, não pode fugir dessa responsabilidade. 
Porém, a partir de agora o movimento deixa seu lado mais combativo e passa a ser um centro de pesquisa, de projetos e de articulação (think and do tank) entre os entes do esporte, mantendo seu representante na APFut e seguindo seu trabalho nas comissões de futebol da Câmara e do Senado em Brasília por meio de sua equipe de trabalho. Sua vocação ainda é mobilizar jogadores e criar um ambiente propício para mudanças", escreveu Paulo André em rede social. 
Além de cobrar seus companheiros: "Para continuar existindo, é preciso renovar suas lideranças, é preciso que surjam novos sonhadores, assim como nos movimentos estudantis que tão bem fazem ao país. 
Por diversas vezes já lamentamos a falta de engajamento dos atletas de destaque do futebol nacional e a falta de interesse dos 'nossos' atuais ídolos, tão preocupados com suas redes sociais". 
Por coincidência, ou não, Paulo André botou o dedo na ferida das atuais estrelinhas de nosso futebol ao mesmo tempo em que Casagrande fez o mesmo no "Resenha", da ESPN Brasil, ele que, ao lado de Sócrates e Wladimir, deu a cara a bater em período muito pior, na ditadura, pela Democracia Corinthiana. 
Sem mobilização, não há solução.