Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quarta-feira, outubro 19, 2016

Maximizando nossa premissa da importância do conceito de futebol coletivo (Benê Lima)

Essência do futebol

O mais forte de uma equipe é o coletivo





Não podemos esquecer que o futebol é um jogo coletivo, independente do momento do jogo. Tem-se, por vezes, a equivocada impressão de delegar a individualidade ao momento ofensivo (quando não se faz gol geralmente se culpa a qualidade técnica) e a coletividade ao momento defensivo (quando sofre muitos gols o responsável é a organização (coletivo)). Contudo, a organização defensiva só conseguirá ser verdadeiramente coletiva se as ações tático-técnicas realizadas por cada um dos onze jogadores forem perspectivadas em função de uma ideia comum, respeitando um referencial coletivo, em que as tarefas individuais dos jogadores se relacionam e regulam entre si. Apenas assim o “todo” (a equipe que defende) conseguirá ser maior que a soma das partes que o constituem (comportamentos tático-técnicos de cada atleta).
Quando falamos em “ideia comum” ou “referencial coletivo” é preciso entender que não está se referindo a automatismos fechados, ou algo já estabelecido de forma estanque, mas a princípios que norteiam a ação coletiva da equipe e por consequência as ações individuais dos atletas nela inseridos. O futebol é um jogo inteligente. E não há inteligência mais complexa que a inteligência coletiva. E isso só se ganha com a tomada de consciência da importância dos princípios do jogo. Em cada momento do jogo, ou na máxima percentagem do jogo, temos 7 ou 8 atletas a pensarem a mesma coisa, em conformidade com esse referencial.
Portanto, faz-se necessário construir e definir princípios que balizem os comportamentos coletivos (princípios de jogo), visto que o jogo pelo seu caráter imprevisível não permite ações planejadas em sua plenitude. Pois o jogo vai sendo construído (construção de si mesmo) conforme as respostas que seus jogadores (tanto da equipe como do adversário) vão oferecendo pontualmente naquelas situações. Respostas essas que surgem da interação dos mesmos com sua equipe, com o adversário, com a posição da bola e de um número muito alto de outras variáveis que estão nele inseridos.
Falar nem sempre, ou quase nunca, diz alguma coisa. A simples informação não altera comportamentos e estes demoram muito tempo para serem alterados (requer treinos, muitos treinos). Cabe ao treinador direcionar esses comportamentos para a concepção de jogo (ideias) que pretende adotar, através de exercícios com complexidade crescente, sempre atuando na zona próxima de conhecimento do atleta com um objetivo final muito definido.
O objetivo é que a equipe apresente respostas coletivas para a maior quantidade possível de situações que estejam presentes nos quatro momentos do jogo: com a bola, sem a bola e transições defesa-ataque/ataque-defesa. Nessa proposta uma equipe pode ter a bola, mas, por estar com vantagem no placar, não quer dar profundidade ao jogo e quer defender-se com a posse. Suas movimentações são bem diferentes de quando ela precisa marcar gol. Caso algum(ns) jogador(es) não esteja com os princípios daquele momento assimilados, pode(m) apresentar respostas incongruentes com os objetivos momentâneos da equipe, realizando movimentações para regiões em que a pressão do adversário é mais intensa, aumentando os riscos de perder a bola e não colaborando com a meta coletiva estabelecida para aquela pontual situação, a manutenção da posse de bola simplesmente. E que fique bem claro com esse parágrafo que “estar defendendo” ou “estar atacando” independente de ter ou não a bola, pelo caráter indivisível que o jogo apresenta ao contemplar os quatro momentos anteriormente citados que se manifestam intimamente relacionados.
Os princípios de jogo estão ligados aos hábitos da equipe, que são resultado da interação dos hábitos individuais dos jogadores. Portanto, aí deve estar focada a intervenção do processo de treino. Frade relata que o hábito é um saber-fazer que se adquire na ação, portanto, vivenciar os devidos princípios de uma forma hierarquizada e sistematizada é fundamental para que o objetivo final, ou seja, a implantação da concepção de jogo idealizado pelo treinador baseado no contexto em que se encontra, materialize-se em campo de forma condizente com a proposta inicial.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Futebol começa a ganhar o cotidiano nos Estados Unidos

Presença em bares e lojas fica evidente em Nova York

Por Erich Beting - Nova York (EUA)

 

 

Fila de imigração no aeroporto JFK, em Nova York. O funcionário começa a rir quando eu digo que sou jornalista esportivo. E faz a piada: “deve ter sido difícil na Copa do Mundo, hein?”. Na hora em que lembramos dos 7 a 1, ele faz novo gracejo: “melhor agora é pensar no tênis”.

A brincadeira do funcionário da imigração é um indício de que o futebol parece estar mais presente no cotidiano americano. Depois, nas ruas de Nova York, mais uma vez o soccer dá o ar da graça. Numa loja de esporte, a Puma coloca, bem na entrada, as novas camisas do Arsenal. Numa outra, de brinquedos, é a vez do New York Red Bull, New York City FC e Major League Soccer estamparem artigos infantis logo na entrada dos três andares da loja.

A presença mais sólida do futebol no cotidiano americano tem, aos poucos, mudado a relação das pessoas com o esporte. Na porta dos bares, além do anúncio de transmissão de eventos tipicamente americanos, como beisebol, as partidas da Liga dos Campeões da Europa são destacadas. Da mesma forma, nas lojas de artigos esportivos, há um aumento da oferta de produtos ligados ao futebol.

Nova York será a primeira cidade a abrigar duas equipes na MLS, a liga de futebol. Em 2015, NYCFC, espécie de franquia do Manchester City, passará a disputar a competição. No ano passado, a MLS teve média de 18.600 torcedores por partida, a terceira maior entre as ligas esportivas americanas, atrás apenas do futebol americano e do beisebol.

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segunda-feira, agosto 04, 2014

Com muita criatividade, pequenos empresários lucram alto com festas infantis

Pensando em satisfazer as vontades dos filhos, os pais não medem esforços e nem custo. Existe até quem paga mais de R$ 2.000 para decoração personalizada com bexigas. Quem sai lucrando com as festas são pequenos empresários, que resolveram investir na área. Conheça histórias que deram certo no Brasil Empreendedor.

                      

sábado, julho 26, 2014

Opinião] BUDAPESTE BUBÔNICA

Victor Martins. É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 9 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e três edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz. 


Vou começar pelo áudio vazado da Globo durante a classificação em que Galvão Bueno, depois do teste de som, dá a seguinte recomendação: “Não vamos especificar tempo, porque, na verdade, ele tá tomando meio segundo desde ontem”. Não é necessária muita inteligência para se concluir que se tratava de Massa, que tomou 0s403 de Bottas no TL2 e 0s546 no TL3 da manhã. Mas a inteligência deveria ser necessária há muito tempo para quem já tem anos e anos na lomba e vê uma situação que é clara na emissora: a falência do modelo de transmissão de apoio a um atleta brasileiro, e evidenciada logo depois do fracasso homérico que a Seleção levou no futebol. Ou de quem vai aproveitar o momento — porque só assim diz — das condições olímpicas do esporte nacional e das 12 medalhas choradas depois de afagar Nuzman e seus tiques e a quens de direitos.

E querem um exemplo claro, em ‘on’, dito na mesma transmissão minúscula do treino de como se controla a informação? Quando Magnussen bateu no Q3, ele foi definido com o seguinte predicado: “Ele é afoito mesmo, ele deixa pra frear depois, como foi naquele caso.” O caso é o acidente da semana passada na primeira curva do GP da Alemanha. Pois eu pergunto a todos: quem é que viu a mínima culpa do dinamarquês no choque com Massa? Ou será que não chegou à TV e a seus produtores que quem foi investigado na semana passada foi Felipe e sua atitude, e não Kevin?

Galvão e a Globo tratam as duas pontas, esporte e público, numa relação que lembra a da ditadura, nacionalista, pacheca, ame-o ou deixe-o, nosso herói. Ou como a avó que cria o neto à base de leite com pera, que defende quando ele pega a bola no meio do jogo só porque está perdendo, que cresce sem saber dar porrada quando preciso.  Esse protetorado cretino se refletiu durante muito tempo sobre o próprio filho do narrador, Cacá, hostilizado muitas das vezes em que ganhava corridas na Stock Car. Cacá não era visto como o baita piloto que é, mas o filho daquele que boa parte do povo rejeitava as papagaiadas e venda de emoções falsas. Porque, com o tempo, o público foi notando que os atletas brasileiros não têm obrigação alguma de nascer com o gene da supremacia absoluta e que o que era falado era uma tentativa de lavagem cerebral, uma lobotomia que não cola. E quando se é, no caso de Cacá no mundo do turismo brasileiro, taxa-se o rótulo da dúvida.

O narrador e sua emissora talvez não tenham se dado conta de que cada passo é vigiado e rastreado nesse mundo de Big Brother em que vivemos. Que erros são descobertos num estalar de cliques e minutos, em Facebooks e Twitters da vida. Que as formas de informação são múltiplas e não se concentram mais neles — e neste ponto, ambos estão atentos demais com os resultados baixíssimos de audiência e as respostas das gentes. Ou que não é necessária muita inteligência, ou que o patamar de inteligência mínima é outro. O sistema que é enfiado goela abaixo já passou do ponto do amadurecimento e está podre, mas as cabeças que se dizem pensantes preferem se alimentar do que não presta mais. A doença acaba sendo natural e se reflete em números.

O telespectador minimamente sóbrio de suas faculdades mentais não quer que Massa seja definido da mesma forma que Galvão rotulou Magnussen, nada de “o cara que não vence há cinco anos”, “ele só larga em sexto”, “puxa vida, que azarado”. Sinceridade e verdade deveriam ser cláusulas pétreas para quem vomita seus princípios editoriais. Quando essa forma de escolher o que dizer, seja por eufemismo ou supressão, vem à tona, quem é enganado entende quem é que está enganado há muito tempo. E exerce seu direito correto de procurar uma outra opção para satisfazer seu gosto.

Em tempo: Massa não tomou meio segundo, mas 0s9 de Bottas, no fim das contas.

sexta-feira, julho 11, 2014

Oito lições que o Brasil precisa aprender com os melhores

SIMON KUPER
DO "FINANCIAL TIMES", EM SÃO PAULO

Há exatos dez anos, a seleção alemã estava no fundo do poço. Tinha sido eliminada da Eurocopa 2004 sem derrotar ninguém, nem mesmo a Letônia. Não havia nem mesmo alguém disposto a assumir o comando da seleção como treinador. Naquela semana, perguntei a Jürgen Klinsmann o que havia de errado com a Alemanha. "Não temos um matador no ataque", ele sorriu. "Ainda estamos cometendo o erro de trocar muitos passes laterais. A falta de velocidade pode ser outro motivo". Perguntei se era possível que ele assumisse como treinador da Alemanha: "Não!"

Três semanas mais tarde, Klinsmann se tornou treinador da seleção alemã. Ele e seu assistente Joachim Löw abandonaram a tradição e revolucionaram a maneira pela qual os alemães jogam futebol. Pouco antes desta Copa do Mundo, Klinsmann, hoje treinador da seleção dos Estados Unidos, elogiou a nova equipe alemã para a revista "Elf Freunde": "São jogadores de alta velocidade e muita técnica, que podem jogar um futebol furiosamente ofensivo com mudanças rápidas de posição. Tudo que planejamos em teoria em nossas pranchetas em 2004 se tornou realidade". O massacre do Brasil por sete a um na semifinal pode até se qualificar como hiper-realidade.

Agora o Brasil, no fundo do poço, precisa revolucionar sua maneira de jogar futebol. Eis oito lições que a Alemanha pode ensinar:

1. Não desperdice uma crise. Jamais haverá consenso maior quanto a repensar tudo em seu futebol do que agora. No jargão dos alemães, essa é a "hora zero".

2. O passado é irrelevante. Os cinco títulos mundiais brasileiros nada significam hoje. Só servem para causar a ilusão de que o Brasil continua bom no futebol. O objetivo deve ser jogar como a Alemanha em 2018, e não como o Brasil de 1970.

3. Não culpe indivíduos. Os torcedores brasileiros estavam vaiando o pobre e desavisado Fred, na noite de terça-feira, mas não era sua culpa que ele fosse, talvez, o melhor atacante do país. O sistema falhou. Fred é só um sintoma.

4. A coisa mais importante no futebol é o passe. Não é o drible, a paixão, ou a psicologia. Os alemães são obcecados pela geometria do passe. O Brasil, em contraste, já não pensa seriamente sobre tática, o que é o motivo para que o treinador Luiz Felipe Scolari e a mídia brasileira tenham passado metade do torneio obcecados com a propensão dos jogadores a chorar.

Felipão e Bernard

5. Aprenda com os melhores países. É preciso aceitar que o Brasil já não compreende como jogar futebol. Os alemães de 2004 aprenderam a passar com os holandeses e espanhóis, ritmo de jogo com a Premier League da Inglaterra, recrutamento nas categorias de base com os franceses e condicionamento físico com os norte-americanos.

6. O corolário é que o Brasil provavelmente necessita de um treinador estrangeiro. Klinsmann é alemão mas vive há muito fora de seu país, e foi parar na Califórnia. O Brasil deveria ter convidado o espanhol Pep Guardiola para treinar sua seleção na Copa do Mundo, como sugeriu Ronaldo. É hora de contratar um europeu, e já.

7. Não aceite menos que o primeiro lugar. Para a Alemanha ou o Brasil, o único objetivo é ser o melhor do mundo. Na Eurocopa de 2008, a jovem seleção alemã chegou à final, onde foi destruída pelo passe da seleção espanhola. Löw, o treinador alemão, não se congratulou pelo segundo lugar. Em lugar disso pensou que "quero montar uma seleção como a deles", e começou a trabalhar para tornar seu time mais parecido com a Espanha.

8. Os resultados não serão imediatos, mas é quase certo que o profissionalismo virá imediatamente. A Alemanha lidera o futebol em nutrição, estatística, preparação física e assim por diante. O Brasil precisa ter em mira exatamente a mesma coisa.

O caminho do Brasil para a reforma é mais difícil que o alemão. A federação de futebol da Alemanha tem 6,85 milhões de filiados e é a maior associação esportiva do planeta. O Brasil não tem um poder central comparável para promover mudança em todos os níveis.
O Brasil tem um único gênio, Neymar, que às vezes serve para esconder a doença que assola o futebol brasileiro. (Lionel Messi exerce o mesmo efeito de desaceleração na Argentina.) E geograficamente, o Brasil não está próximo aos países de futebol mais avançado.

Tudo isso dificulta o aprendizado. Mas não há desculpa para chegar à Rússia em 2018 (presumindo que o Brasil se classifique) falando na seleção de 1970 e no jogo bonito. Isso morreu.

Tradução de PAULO MIGLIACCI 

quinta-feira, agosto 22, 2013

Resultado versus produção: o dilema da análise do desempenho

Por: Benê Lima

 

A rigor, a produção do time do Fortaleza emperrou

 

LCM

 

O Fortaleza, do ponto de vista de seu comando técnico, vivencia as idas e vindas de um processo danoso de reconstrução de seu padrão tático. Mas o que mais nos impressiona são as visões díspares entre seu técnico atual, Luís Carlos Martins, o LCM, e o anterior, Hélio dos Anjos.

 

Enquanto Hélio via Lazaroni mais como lateral, Luís o vê como meia; Dos Anjos sonhava com Jackson Caucaia como segundo volante, já Martins o vê somente como meia de armação; Hélio enxergava Esley como grande 'carregador de piano', Luís o percebe como meia-atacante, sentindo-se incomodado em utilizá-lo como primeiro ou mesmo segundo volante.

 

Hélio tratava a plataforma tática 3-5-2 como meramente emergencial e circunstancial, adotando-a como busca de maior garantia de solidez de seu sistema defensivo, e o fazia por não haver encontrado o equilíbrio da transição defensiva da equipe. Mas, mesmo jogando fora de casa, costumava modificar a plataforma tática e suas dinâmicas, variando preferencialmente para o 4-4-2 em losango ou diamante. Em situações pontuais de desvantagem no placar, também usava a ‘inicial’ 4-3-3.

 

SELETIVA E FOR X TREZE 026

  • Não é de agora que temos mostrado os problemas de transição da equipe do Fortaleza. Nesta foto , vê-se uma investida ofensiva do Fortaleza contra o Treze, em que um atacante (Assisinho) aparece na imagem, enquanto os outros dois são os zagueiros Charles e Fabrício. Este é um exemplo típico de transição deficiente: sete defensores do Treze contra três jogadores com função de ataque do Fortaleza.

 

O que vemos hoje, sinceramente, consideramos, pelo menos até aqui e pelo que nos é dado observar para além do resultado (placar, escore), é uma situação de retrocesso tático da equipe, haja vista ter-se transferido parte da criação para laterais que pouco rendem e para zagueiros de ofício, como é o caso do Charles.  Atente-se para o fato de equipes da baixa envergadura de um Rio Branco não mais haver nenhuma no grupo do Fortaleza, o que nos faz supor que tal solução não tenha a funcionalidade de ontem.

 

Defendo a tese de que o balanço intersetores da equipe tricolor se dará a partir do meio-campo, que tanto proverá a consistência defensiva da equipe, quanto proporcionará uma maior profundidade ofensiva. Portanto, trabalhar as transições (defensiva e ofensiva) e alguns dos subprincípios do jogo e promover a análise retrospectiva dos jogos, no sentido de suas decomposições, são tarefas inadiáveis, e que devem ser feitas com dados palpáveis, feedbacks consistentes e baixa margem de erro.

 

Ademais, Luís Carlos Martins precisa dar-se conta de que não está trabalhando na A2 ou A3 paulista, dirigindo equipes com perfil de cobrança bem diferente e com visão gerencial dos dirigentes em que o aspecto emocional pouco representa.

 

Citação - BL 01

Preocupa-nos o que possam estar pensando os que pretendem fazer aporte no Tricolor de Aço. Afinal, o atual técnico saberá como utilizar os reforços que possivelmente lhes serão colocados à disposição? Terá, LCM, o perfil do técnico requerido para fazer essa transição do Fortaleza, da Série C para a B?

 

Na verdade, a expectativa do sim é nutrida. Mas só o tempo dirá se ele terá a capacidade de se reinventar como técnico e como liderança, para levar o Tricolor ao ‘porto’ da subdivisão de elite do futebol brasileiro – a Série B.

 

Mas, para tanto, ele precisa romper com sua postura franciscana e corporativista, tendo a coragem de enfrentar os desafios de uma firme liderança, além de assumir alguns arroubos de um saudável visionarismo.

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domingo, julho 21, 2013

Padrão tático e cultura tática

Veja <COMENTÁRIOS>

Benê - CópiaPor Benê Lima

O padrão tático é a fotografia de uma equipe, e sua leitura depende fundamentalmente da cultura tática de quem o lê, assim como na fotografia

Tenho resistido em ceder ao impulso de escrever sobre o tema, primeiro porque não me considero a pessoa ideal para sobre ele ditar cátedra, depois pela descrença da maioria das pessoas sobre o tema. Os mais velhos porque não possuíram nem viveram o boom da cultura tática, os mais jovens porque a veem como mero exercício de dissuasão da complexidade, querendo torná-la a todos acessível e usando-a para tentarem abalar a importância dos técnicos de futebol, desse modo mantendo a ideia vigente de que a onda mudancista que sobrevive em torno da troca do técnico, sustentará os times e suas direções, salvando também os jogadores.

Padrão de jogo

É o mais geral e abrangente modelo de uma equipe, visto que representa o seu todo, englobando tanto o padrão tático quanto o padrão técnico. Portanto, desse ponto de vista, não é aceitável confundi-lo com padrão tático, embora seja este o que mais influencia o padrão geral de jogo das equipes.

Padrão técnico

O padrão técnico, em tese, é o que menos depende da atuação do treinador, em razão de boa parte dele ter origem na formação do atleta e especialmente na sua capacidade individual de habilidade e talento, bem como da compreensão do aspectos técnicos de sua expressão com a bola. Ele pode ser melhorado, posto que passes, chutes, recepção e condução de bola, drible e finta, todos estes elementos da técnica podem ser aperfeiçoados.

Padrão tático 

Aqui é onde o técnico exerce maior influência coletiva sobre a operacionalização do jogo e sobre o desempenho coletivo da equipe. É nesse estágio que o planejamento de jogo, como um dos pressupostos da formação do padrão tático entra em cena, mas muito mais como modelagem do padrão tático e não a ele se sobrepondo.

É ainda neste estágio que identificamos mais facilmente a plataforma estática de jogo com suas dinâmicas e variações, onde podemos também observar as transições defensivas e ofensivas, o nível da compactação, a geometria no desenvolvimento das jogadas, a profundidade ofensiva de seu jogo, entre outras situações.

Aqui também, desde que o observador possua acuidade e sensibilidade em sua cultura tática, pode-se ter vislumbres até mesmo do tipo de periodização tática utilizada, bem como lampejos dos elementos do plano tático maior, aquele que contempla princípios, subprincípios e sub-subprincípios e seus derivativos.


Com o objetivo de facilitar o entendimento e propor uma compreensão de modelos de padrão tático, tratamos aqui de uma questão pungente para uma de nossas equipes cearenses – o Fortaleza –, cujo comandante técnico é Hélio dos Anjos, experiente e detentor de inegáveis conhecimentos. Claro que ele pode discordar de alguns elementos que aqui propomos, e terá dupla autoridade para isso. Primeiro porque é o autor da “fotografia” que sua equipe nos passa; depois porque pode ter a sua mercê maiores melhores elementos do tecnicismo e do cientificismo que nós. Natural.

Na figura abaixo, podemos observar um instantâneo da plataforma tática do Fortaleza, que principia o funcionamento de seu padrão tático. Na figura há uma disposição um tanto frouxa dos jogadores, mas cada um deles cumpre funções e posicionamentos que se complementam e se completam entre si, por isso preferi não dispo-los em figuras geométricas perfeitas, exatamente para lembrar que cada um deles tem funções similares, mas também distintas a cumprir.

Outro fator que merece ser observado com atenção, são as peculiaridades relativas a determinados jogadores, como um meia canhoto que se posiciona mais pela direita (Guaru), são volantes que usualmente não jogam em linha (Jaílton e Esley), é um meia híbrido que tem de meia e de volante (Jackson) e que transita da esquerda para o meio, é um segundo volante que tanto faz a sobra quanto sai para dar apoio ao ataque como armador (Esley), são atacantes que se alternam como referência e que também jogam abertos, enfim.

FOR - Padrão tático defensivo

A imagem meramente ilustrativa abaixo, no que pese sua singeleza, creio que expressa uma ideia da dinâmica da movimentação da equipe do Fortaleza, donde podemos inferir certos elementos do plano tático e de algumas estratégias de jogo. É evidente que nenhuma equipe consegue tamanha compactação em circunstâncias normais de jogo, mas esta é a figura idealizada de uma situação pontual que assistimos neste domingo (21) frente ao Brasiliense, embora os jogadores envolvidos já não tivessem exatamente esta numeração.

Nesta situação típica de uma potente transição ofensiva, observamos não o pressing (coisa rara entre nossos times), mas uma pressão vertical e certa pressão na recuperação da bola, o que permitiu posse e domínio.

O que muitas vezes as pessoas se perguntam, é por que tal situação não se traduz em gols. Mas não vejo dificuldade em compreendermos essa questão. Afinal, como um processo de interação, o jogo precisa de um encaixe em suas diferentes fases (construção, elaboração, semifinalização e finalização), sem o quê o adversário assimila a pressão e consegue fazê-la eficiente, mas sem eficácia. Hoje vimos isto.

FOR - Padrão tático ofensivo

A questão aqui proposta é mais de valorizar o aspecto tático do futebol, e menos de provar a competência ou incompetência de quem que seja. Sem presunção alguma, seria fácil apontar alguns equívocos do técnico Hélio dos Anjos, mas não vejo relevância nisto pela consciência que tenho da importância de seu trabalho.

Como disse noutro artigo, Ceará e Fortaleza precisam encarar suas situações contraproducentes e tentar interagir com elas e com seus responsáveis, a fim de que suas equipes possam incorporar um melhor padrão técnico, tático e de jogo.

(Ilustração do 4-4-2 diamante, também conhecido como 4-1-2-1-2)

Tática - 4-4-2_diamond

(Não há bibliografia a citar, haja vista que nada do que aqui está é fruto de pesquisa.)

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sábado, julho 20, 2013

Fim dos estaduais por quê?

Por Benê Lima

Benê - Cópia“Não existe uma solução global que seja cem por cento adaptável a problemas locais.”

 

Discutirmos O calendário do futebol brasileiro não é discutirmos UM Calendário para o futebol brasileiro, que contemple as diferenças estaduais, regionais, culturais e econômicas. Portanto, é importante sim discutirmos não só esta, mas outras questões de relevância que se relacionem com o maior ou menor sucesso do futebol. Contudo, é preciso que o debate não tenha como ponto de partida ideias preconcebidas, tidas como acabadas (prontas), sem sequer terem sido submetidas minimamente ao teste pragmático da verdade. 

No Brasil do futebol, vendemos aos torcedores mediocridade pelo preço de celebridade. Esse sofisma acaba por desgastar o produto futebol e não possui auto-sustentabilidade que possa manter o produto no topo da preferência do cliente-torcedor. 

 

 

As figuras abaixo simbolizam a visão dos torcedores destes clubes em relação à importância do Brasileirão

Náutico vê 02

 

 Corinthians vê 02

Não resta dúvida que é bom ver os torcedores buscarem esclarecimento. Porém, nossos clubes deveriam ter mais torcedores para curti-los e menos torcedores-gestores para criticá-los. 

O processo de globalização deve respeitar as vocações regionais, as peculiaridades locais e, sobretudo, as identidades culturais, sem o quê não deveria merecer de nós nenhum respeito. 

O pensador do futebol que desconsidera os aspectos antropológicos e sociológicos para a compreensão do mesmo, também estará na Idade da Pedra. Portanto, não vejo que precisemos ter um modelo único de gestão do futebol para todas as regiões do nosso país. Neste caso, entenda-se por modelo a concepção daquilo que pretendemos para formatação do produto futebol, do ponto de vista de suas competições. 

Do mesmo modo que os campeonatos estaduais são ditos moribundos, podemos assim rotular o Brasileirão, embora concorde que há exagero nisto. O mesmo pode ser dito sobre a Copa do Brasil, onde há equipes programando abdicarem de sua disputa. 

Todo os dias escutamos a imprensa discutindo a falta de motivação de clubes como o Corinthians em relação ao Brasileiro. Já pensaram sobre isto? A propósito, será que o Brasileirão, nossa maior competição e melhor produto futebolístico nacional, tem intrinsecamente o mesmo valor e motivação para Náutico e Corinthians? 

O que dizer da contra tendência que se ergue no futebol pernambucano, de ter seis arenas e um campeonato estadual com sessenta equipes? Não diria nem que estão certos nem que estão errados. Sugiro - isto sim - uma ampla e mais criteriosa discussão sobre o tema, levando em conta o que todo palestrante deveria fazer: considerar as questões de forma contextualizada. 

É mais comum do que se imagina, que as soluções para a casa de A não se apliquem a casa de B.

Linkedin 01

terça-feira, fevereiro 05, 2013

As lições do Mineirão e da Arena do Grêmio

Erich Beting

“O futuro já chegou com as arenas, portanto, ele é o presente que requer ações de gerenciamento e gestão que viabilize esses equipamentos, elevando o torcedor à condição de cliente preferencial.” (Benê Lima)

Multa de R$ 1 milhão ao consórcio Minas Arena de um lado. Reunião para discutir como manter a “Avalanche” na nova Arena do outro. Os reflexos imediatos dos principais incidentes de dois dos mais modernos estádios brasileiros já mostra que estamos começando a entender o grande processo de mudança que teremos no esporte para os próximos anos.

Hoje, ir a um estádio de futebol é, antes de tudo, uma aventura. Sem facilidade de acesso, sem conforto dentro do estádio, sem opções de lazer além da partida de futebol em si, nada é convidativo para uma pessoa ir a um estádio. Possivelmente hoje, entre as diferentes opções de entretenimento que existem, consumir um jogo de futebol in loco talvez seja uma das últimas para se fazer.

O que muda no país dos novos estádios é exatamente esse conceito. O torcedor não pode mais ser tratado como um mero detalhe dentro de um estádio.

Colocar o torcedor em primeiro lugar dá a garantia de que novas fontes de receita serão geradas para os clubes. Cada vez mais o futebol tem de passar a colocá-lo como prioridade. Especialmente no Brasil, em que as receitas com patrocínio e televisão atingiram o seu máximo ou estão muito próximas disso.

Os problemas enfrentados por Mineirão e Arena do Grêmio são inadmissíveis no novo patamar que o futebol atinge a partir da existência desses novos estádios. Faltar água, condições mínimas de higiene, de segurança, gramado com problemas… Tudo isso não cabe mais num momento em que o Brasil se prepara para dar o maior salto de qualidade na forma de pensar o futebol.

As lições que os dois episódios trazem são claras: o futuro já está no presente.

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