Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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sexta-feira, agosto 29, 2014

Futebol começa a ganhar o cotidiano nos Estados Unidos

Presença em bares e lojas fica evidente em Nova York

Por Erich Beting - Nova York (EUA)

 

 

Fila de imigração no aeroporto JFK, em Nova York. O funcionário começa a rir quando eu digo que sou jornalista esportivo. E faz a piada: “deve ter sido difícil na Copa do Mundo, hein?”. Na hora em que lembramos dos 7 a 1, ele faz novo gracejo: “melhor agora é pensar no tênis”.

A brincadeira do funcionário da imigração é um indício de que o futebol parece estar mais presente no cotidiano americano. Depois, nas ruas de Nova York, mais uma vez o soccer dá o ar da graça. Numa loja de esporte, a Puma coloca, bem na entrada, as novas camisas do Arsenal. Numa outra, de brinquedos, é a vez do New York Red Bull, New York City FC e Major League Soccer estamparem artigos infantis logo na entrada dos três andares da loja.

A presença mais sólida do futebol no cotidiano americano tem, aos poucos, mudado a relação das pessoas com o esporte. Na porta dos bares, além do anúncio de transmissão de eventos tipicamente americanos, como beisebol, as partidas da Liga dos Campeões da Europa são destacadas. Da mesma forma, nas lojas de artigos esportivos, há um aumento da oferta de produtos ligados ao futebol.

Nova York será a primeira cidade a abrigar duas equipes na MLS, a liga de futebol. Em 2015, NYCFC, espécie de franquia do Manchester City, passará a disputar a competição. No ano passado, a MLS teve média de 18.600 torcedores por partida, a terceira maior entre as ligas esportivas americanas, atrás apenas do futebol americano e do beisebol.

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terça-feira, fevereiro 26, 2013

COM PÉ E CABEÇA: A Coluna – fevereiro 2013-2

Por: Benê Lima

 

ABORDAGEM DA VIOLÊNCIA NO FUTEBOL: UMA MIXÓRDIA

 

“Enquanto não buscarmos entender a maneira de abordar e enfrentar a violência das uniformizadas, vulgo ‘organizadas’, não sairemos do confuso discurso antiviolência.” (Benê Lima)

 

Torcedores da Gaviões presos na Bolívia. Foto: Portal Uol

 

Ao acompanharmos os desdobramentos do episódio no qual estiveram envolvidos integrantes da torcida corintiana Gaviões da Fiel, que culminou com a morte de um menor boliviano, deparamos-nos com um variado repertório de abordagem da questão, com algumas opiniões abalizadas e com um sentimento generalizado de repúdio das pessoas à violência em torno do futebol. Por outro lado, também temos nos deparado com uma desorganização mental e de ideias que beiram o caos verbal, e que em nada contribuem para a evolução do debate a respeito do tema violência.

 

Ninguém é obrigado a ter conhecimento do direito ao ponto de firmar posição segura e contributiva nesse debate. No entanto, há que se ter um mínimo de organização em termos do que se quer comunicar, e para isso não se pode prescindir de grau relevante de raciocínio lógico e analítico. Se não for assim, não vale a pena repercutir ideias que só confundem e nada esclarecem. Portanto, a visão crítica que tanto clarifica e esteriliza o debate, deve permear a tudo que esteja direto ou indiretamente ligado ao caso, bem como a todos que dele se apropriem como fonte de atuação, seja para opinar seja para sobre ele deliberar.

 

Violência contra o patrimônio público em 11 de novembro de 2012 – Foto: Globo.com

 

Não vejo dificuldade em se traçar uma linha lógica e estratégica para apuração deste caso, que passe pela definição e delimitação do que seja a abordagem técnico-científica da investigação policial, e do que seja da competência da Justiça Desportiva. E, neste particular, a própria CONMEBOL precisa deixar de lado o oportunismo e o casuísmo de decisões pretensamente moralizadoras, para ater-se a corrigir sua histórica omissão, sobretudo em relação aos meandros da longeva Libertadores. A esse respeito, neste mesmo evento tivemos uma série de irregularidades para as quais não vimos a merecida repercussão, em razão de um incidente reconhecidamente de maior proporção, mas que não deveria estar ofuscando a sabida omissão da entidade de administração do futebol na América do Sul.

 

A justiça não está para ser movida por software. A condição humana sempre será fator essencial e insubstituível na tomada de suas decisões. Logo, há que se refletir, analisar, interpretar e deliberar com todo o conteúdo multidisciplinar que envolve qualquer decisão. Para que haja delito ou infração, há que estar presente o fator da pessoalidade. Portanto, qualquer punição que alcance a totalidade de uma agremiação é, por sua natureza de generalidade, excessiva, exagerada, configurando assim não justiça, mas injustiça.

 

Em contraposição ao que sustentamos, precisamos aperfeiçoar e melhor contextualizar as medidas punitivas às pessoas físicas, bem como nos livrar do fantasma da impunidade oriunda na falta de operacionalização da justiça. Contudo, não devemos confundir combate à impunidade com a proliferação de medidas (penas) que sirvam apenas de atendimento a uma satisfação doentia de parte da sociedade.

 

Já não é um vislumbre a necessidade de qualificação da imprensa esportiva. Ela é real. À medida que as exigências de um esporte globalizado e ‘complexizado’ se fazem sentir, nada mais essencial para os profissionais que fazem essa cobertura do que contarem com o apoio multidisclinar. E isto não precisa se dar pela especialização. A extensão já seria suficiente.

 

Todo discurso com mediano embasamento retórico, independente de sua fragilidade dialética, já carrega em sua entranha certo poder de persuasão e uma pitada potencial e sub-reptícia de tentativa de alienação. Portanto, são tarefa e precondição da comunicação social e não favor, o exercício de um jornalismo em que a informação seja verdadeira, esclarecedora e axiologicamente relevante, e não geradora de conflitos e do caos verborrágico.

 

Todo veículo de comunicação, a partir dos de médio porte, deveriam prover suas redações de pelo menos um profissional que se dedicasse à compreensão e análise dos temas de maior complexidade à luz das ciências humanas, para que deles pudéssemos obter clarificação e maior depuração dessas complexidades. Assim, evitar-se-ia o surgimento de falsas eminências pardas nos veículos de comunicação. Embora tal medida não resolvesse de todo tais problemas, em razão da prática do colunismo, ainda assim diminuiria o caos verbal que o meio virtual ‘subutilizado’ tem ajudado a construir.

 

Saudemos a boa comunicação, e nos insurjamos contra a comunicação ruim e seus efeitos.

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