Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sábado, fevereiro 16, 2019

Consultor explica desequilíbrio econômico da dupla Gre-Nal e aponta o caminho: "Investir em marketing"

Mateus Bruxel / Agencia RBS
A dívida total do Grêmio é de R$ 392 milhões e a o do Inter bate na casa de R$ 700 milhões, conforme Somoggi
Mateus Bruxel / Agencia RBS 

Distante da aldeia Gre-Nal, mas muito familiar aos números da Dupla, o paulista Amir Somoggi, 43 anos,  é um dos principais especialistas na economia dos grandes clubes de futebol do Brasil – o que inclui Grêmio e Inter
Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal/ZH
Amir Somoggi é santista
Santista de coração, sócio diretor da Sports Value, especializada em marketing esportivo, branding e patrocínios, o pós-graduado em marketing esportivo em Barcelona está mais otimista com o Grêmio do que com o Inter.
Mas não retira o valor de nenhum deles e acredita no futuro de ambos. Com 20 anos de experiência no mercado, mostra que os dois têm potencial para valorizar ainda mais as suas marcas, inclusive além das fronteiras do país. Para isso, no entanto, reforça: investir em marketing será fundamental. Só com ele será possível se tornar maior. Confira a entrevista:
Como você avalia o momento econômico de Grêmio e Inter no contexto dos grandes clubes brasileiros?O que aconteceu nos últimos anos foi uma mudança radical na vida da dupla Gre-Nal. Quem ganhava os títulos, quem faturava mais, era o Inter, campeão do mundo em 2006. O Grêmio se reestruturou em todos os sentidos mais recentemente, investiu, formou um elenco barato e acertou na contratação de um técnico eficiente. Conquistou títulos. Entre erros e acertos de cada lado, o cenário mudou totalmente de cinco anos para cá. A diferença entre Grêmio e Inter cresceu – para o outro lado. Vejo o caso do Inter como o do São Paulo: dois clubes que alcançaram o topo, em termos de título e de relevância de gestão, e depois caíram. Perderam espaço para Flamengo, Palmeiras e para o próprio Grêmio.

Quando você olha Grêmio e Inter, observa que, em termos de receita, o Tricolor está à frente do Colorado. A torcida do Inter não vai gostar de ouvir. Mas são números oficiais

O que os números contam sobre a vida econômica da dupla Gre-Nal hoje?Quando você olha Grêmio e Inter, observa que, em termos de receita, o Tricolor está à frente do Colorado. A torcida do Inter não vai gostar de ouvir. Mas são números oficiais. Dados de 2017 (último balanço disponível) mostram o Grêmio com R$ 341 milhões de faturamento, muito em função do bom desempenho em diferentes áreas. O Inter fechou o mesmo período com R$ 246 milhões. O Grêmio está em sexto entre os clubes brasileiro. O Inter é o décimo. A série histórica que faço todos os anos, analisando os números dos clubes, tem 2011 como início, pois 2011 foi o ano da virada, quando acabou o Clube dos 13 (que unia os mais importantes do país) e o futebol brasileiro entrou em uma nova era. Naquele ano, o Inter, que chegava da conquista de um título da Libertadores em 2010, faturou R$ 188 milhões. O Grêmio alcançava R$ 143 milhões. De lá para cá, o Grêmio cresceu 136%. Sabe quanto cresceu seu grande rival? Apenas 

Dosagem em campo e liderança fora: a função de D'Alessandro no Inter

Por quê?
Um dos sólidos movimentos do Grêmio foi em direção aos direitos de transmissão da TV. Os dois clubes de Porto Alegre sempre tiveram o mesmo contrato nos tempos do Clube dos 13. Depois, o Grêmio se posicionou ao lado da Globo em todos os momentos. É uma verdade. O Inter seguiu novos caminhos, assinando parceria com o Esporte Interativo, e paga por essa sua decisão. A instabilidade do Esporte Interativo e os problemas ocorridos na gestão do ex-presidente Vitorio Piffero não fizeram bem ao Inter. Os números mostram isso.
Quem investe mais em futebol?Em 2017, o Grêmio investiu R$ 250 milhões. Foi o ano de sua terceira conquista de Libertadores, um momento histórico. Foi o quinto clube que mais aplicou dinheiro no setor no Brasil e o sexto em faturamento. O Inter foi o oitavo: gastou R$ 213 milhões com o seu departamento de futebol, mesmo passando a temporada na Série B. Nem sempre foi assim nas contas dos dois. O Inter já esteve à frente do vizinho. Em 2011, o Grêmio gastava R$ 96 milhões, e o Inter, R$ 147 milhões.
O que aconteceu para essa queda colorada?
Se você voltar no tempo e avaliar 2011, notará que o Grêmio investia muito pouco em futebol. O Inter, por outro lado, gastava muito, mas fechava a conta porque negociava jogadores, jovens criados na base, com diferentes mercados,  especialmente com a Europa – vendia bem, em euros. Mas tinha um problema: para manter o time competitivo, pagar as contas em dia, cedeu parcelas significativas de seus jovens jogadores a empresários e investidores, tornando-se uma espécie de barriga de aluguel. Isso começou a asfixiar economicamente o clube. Ao vender um talento e arrecadar somente 45% ou 50% do valor cobrado, o clube começou a ter prejuízo. É isso que identifico como o grande motivo do enfraquecimento do Inter. O Grêmio também paga participação aos investidores. Mas registra no balanço, no líquido, destacando a parte dos empresários. Não é inteligente escrever no balanço números que não são seus, que envolvem também terceiros. Isso maquia os problemas. O balanço do Inter indicava muito dinheiro, vendas por 10 milhões de euros, 15 milhões de euros... Mas era algo maquiado. O Inter era o maior vendedor de jogadores do país. Perdeu o posto – agora é o São Paulo. O Inter financiou toda sua engrenagem cara, negociado jogadores enquanto pode, até que, no meio do caminho, encontrou a gestão Piffero. Ali, tudo mudou.

Com todo o respeito aos clubes do Interior, o Inter não é um clube de Interior. Precisa vender sua marca. Tem de arrecadar mais com patrocínios, lotar o estádio, atrair sócios. Mas o Inter estagnou, inclusive no seu marketing.

Quanto Inter e Grêmio faturam negociando jogadores?O Inter levantou, entre 2007 e 2017, R$ 680 milhões com a vendas de jogadores. No mesmo período, o Grêmio ganhou R$ 343 milhões. A diferença entre um e outro é enorme. Só que, desses R$ 680 milhões dos colorados, mais de R$ 300 milhões o Inter gastou em direitos econômicos, apesar de aparecerem como dinheiro que o clube faturou. Na verdade, o dinheiro era de investidores, que o receberam como contrapartida pela aplicação de recursos na contratação de jogadores. Note a queda: em 2017, o Inter arrecadou apenas R$ 26 milhões com jogadores. Em 2013, quatro anos antes, havia arrecadado R$ 124 milhões. Esse dinheiro fez falta. Não só para pagar as contas, mas para a competitividade do clube.
As vendas de jogadores sustentaram o clube durante esses anos?Sim, mas não é algo real. O modelo de funcionamento de um clube grande não pode ter como base a venda de jogadores. Com todo o respeito aos clubes do Interior, o Inter não é um clube de Interior. Precisa vender sua marca. Tem de arrecadar mais com patrocínios, lotar o estádio, atrair sócios. Mas o Inter estagnou, inclusive no seu marketing. O Grêmio superou o Inter em marketing e em direitos de televisão. Arrecada mais dinheiro do que o rival.

O presidente Romildo Bolzan Jr. pegou o Grêmio no pior momento de sua dívida. E reduziu esse valor. Não há o que discutir: sua gestão é a melhor do Grêmio em muitos anos

E quanto às dívidas? Clubes de futebol têm sido assolados por estarem devendo valores muito altos.Se um clube está crescendo e mantém uma dívida constante, é possível dizer que está melhorando. A questão é esta: é preciso controlar a dívida. Ninguém zera uma dívida fiscal de R$ 200 milhões. Você terá 20, 30 anos para pagar. Se todo o ano cair um pouquinho, em 10 anos a situação será outra. A questão é controlá-la. A dívida do Grêmio, hoje, é de R$ 392 milhões. Está abaixo dos R$ 423 milhões que era em 2015. As dívidas de curto prazo caíram de R$ 173 milhões, em dezembro de 2017, para R$ 110 milhões, em setembro de 2018. O presidente Romildo Bolzan Jr. pegou o Grêmio no pior momento de sua dívida. E reduziu esse valor. Não há o que discutir: sua gestão é a melhor do Grêmio em muitos anos. O Inter, em contrapartida, teve seu balanço de 2017 todo republicado após a contratação de uma auditoria. O número mais atual da dívida, auditada, é de R$ 700 milhões. Só perde para o Botafogo, que mostra inacreditáveis R$ 719 milhões e é o clube de futebol que mais deve no Brasil. O Fluminense, terceiro colocado, deve R$ 561 milhões. O cenário apresenta o Inter como um dos três clubes mais endividados do Brasil, junto a outros dois que não têm seu tamanho. É inacreditável, dado que há tão pouco tempo o Inter era um clube tão vencedor.

O Inter tem de ter média de 40 mil torcedores por partida. O Grêmio tem de ter 50 mil.Onde estão os sócios-torcedores?

Os sócios-torcedores, modalidade festejada pelos clubes alguns anos atrás, hoje não tem mais o mesmo peso, ao que parece. Por quê?Fiz um levantamento, analisando os sócios-torcedores da Europa e do Brasil, e fiquei assustado. Nossos clubes têm muitos, só que, quando você observa as médias de público, constata que elas não acompanham esses números. O Barcelona tem 160 mil sócios, e seu estádio recebe 80 mil pessoas por jogo. É um clube que ainda tem espaço para crescer, pois, na média, contando os jogos menores, fecha a temporada com quase 20% do seu estádio vazio. O Inter ocupa 55% do seu estádio, com média de 27 mil pessoas por jogo. O Grêmio, que tem um estádio maior, 39%. A média nacional é de 43%. Não pode ser assim. O Inter tem de ter média de 40 mil torcedores por partida. O Grêmio tem de ter 50 mil.Onde estão os sócios-torcedores?
Clubes com torcidas essencialmente regionais, como os dois grandes gaúchos, têm futuro no futebol internacional?O crescimento do Grêmio é muito parecido com o do Palmeiras. O clube vinha de gestões que acumulavam perdas importantes e dívidas monstruosas. Mas voltou a vencer e, como os paulistas, refez sua gestão. O Palmeiras ganhou um gás econômico e conquistou títulos. Hoje, o Grêmio lidera entre as forças regionais do país. É importante que o futebol brasileiro não viva somente a partir de Rio e São Paulo. Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Pernambuco podem fazer muita diferença no futebol brasileiro, pois contam com clubes tradicionais, torcidas numerosas e fiéis.
Qual é a receita para crescer, ganhar espaço, competir e levantar taças?É o marketing. Não dá mais para ficar reclamando de que TV Globo não passa regularmente jogos dos times em diferentes competições, chorar e ficar sentado. Grêmio e Inter, que são gigantes, têm a obrigação de avançar, aproximando-se de São Paulo, marcando presença no Nordeste, fincando bandeira em outros lugares. Há muito potencial desperdiçado em outras regiões, especialmente entre os gaúchos que têm endereço fora do seu Estado. É preciso internacionalizar a marca. Vi que o Grêmio fez um Twitter em inglês, outro em espanhol, o que é ótimo. É um caminho sem volta, decisivo. O Inter terá um em espanhol, com a chegada de Guerrero.

Ninguém fatura tanto no Brasil, em licenciamento, quanto o Grêmio

Onde buscar o dinheiro?
O Inter está tentando voltar, há um esforço da direção, embora seu marketing fature muito pouco: arrecadou só R$ 35 milhões em 2017. Olha a diferença: o mesmo setor, no Grêmio, levantou R$ 53 milhões no mesmo ano. O Grêmio, nesse ponto, está no mesmo patamar do São Paulo. O Grêmio ocupa a liderança nacional em licenciamento de marca, com R$ 18,7 milhões, o que é uma conquista impressionante. O rico Palmeiras fatura menos de R$ 6 milhões. Ninguém fatura tanto no Brasil, em licenciamento, quanto o Grêmio.
É uma boa ideia para o Grêmio adquirir a gestão da Arena agora, e não daqui a 13 anos, quando se encerra o contrato de gestão compartilhada com a OAS?O Grêmio tem uma dívida de longo prazo de R$ 129 milhões com a OAS. Sem acesso às receitas de bilheteria dos jogos, o clube tem dificuldade de crescimento. Se resolver, revendo o negócio e assumindo a gestão, tem tudo para incrementar suas receitas em uns R$ 40 milhões, R$ 50 milhões por ano. Em 2017, as receitas com sócios foram de R$ 66 milhões, devem fechar em 2018 em R$ 73 milhões. A gestão da Arena ajudaria a arrecadar mais, inclusive para pagar as dívidas. 

O Grêmio precisa morder um naco da bilheteria. É inaceitável levar 55 mil pessoas em um jogo e não receber nada por isso. O modelo de negócio está errado

Então seria bom.
A dívida ainda é muito alta, mas a Arena é fundamental. O clube precisa construir financeiramente um projeto. Deveria, por exemplo, criar um fundo, segundo o qual seria sócio minoritário, ao menos no começo. Poderia ganhar R$ 5 milhões no primeiro ano, depois R$ 10 milhões, R$ 30 milhões, e assim por diante, até chegar a 100%. Demoraria um pouco, mas elevaria os ganhos. O Grêmio precisa morder um naco da bilheteria. É inaceitável levar 55 mil pessoas em um jogo e não receber nada por isso. O modelo de negócio está errado, porque a bilheteria é o conteúdo principal do negócio de um estádio. Então, mesmo sem capacidade financeira para assumir totalmente a gestão agora, é preciso fazer algo, construir um projeto e buscar uma aquisição que lhe permita, mesmo que por meio de um fundo, ganhar parte da bilheteria.
E como vai o negócio de compartilhamento de espaço entre Inter e Andrade Gutiérrez?O Inter apresentou, no balanço de 2017, um enorme endividamento com o BRIO (sociedade da Andrade Gutierrez com o banco BTG Pactual, que conduziu a reforma do estádio Beira-Rio). A dívida, por conta do estádio, é de R$ 331 milhões. Por outro lado, o clube teve receitas de R$ 68 milhões entre sócios e bilheteria em 2017. Há outros R$ 144 milhões de adiantamentos de contratos, que fizeram com que a dívida atingisse valores gigantescos. São outros números, porque os negócios envolvendo Arena do Grêmio e Beira-Rio são diferentes. O Inter foi mais inteligente do que o Grêmio na negociação. Ficou com a bilheteria. Imagina o Grêmio com R$ 50 milhões a mais de faturamento obtido com a bilheteria do estádio. Esse clube estaria competindo com o Palmeiras em faturamento. O Inter tem uma parceria com uma construtora,  como o Grêmio, e também tem uma dívida com o seu estádio, porque ter um estádio assim custa dinheiro. Mesmo com a melhor possibilidade de gestão, o Inter tem esse problema da dívida do Beira-Rio, que é um problema grande.
Como Grêmio e Inter podem ampliar seu alcance de torcedores?Criando uma conexão com os torcedores de fora do Estado. Eles podem ajudar no crescimento das receitas. O clube precisa estar no Mato Grosso, no interior do Paraná, em Salvador, em Goiânia, em ações coordenadas. Aumentar a torcida é muito difícil, demora, mas é preciso. Fazer um projeto para alcançar 3 milhões de pessoas a mais, por exemplo. Pensar a longo prazo, com trabalho lento, elaborado. Isso é fundamental para ser maior. O Grêmio tem um case recente que vale a pena olhar com atenção. Em 2017, venceu uma Libertadores gastando bem menos do que Corinthians, Flamengo e Palmeiras. Com pouco dinheiro, mas uma gestão eficaz e um plano esportivo bem desenhado, conseguiu superar clubes com mais potencial de investimento. É imperioso ter uma boa gestão. Colabora para isso ter uma torcida engajada. A do Grêmio é muito, tanto que o clube é um exemplo de faturamento com licenciamento. E agora está se comunicando com seu público em espanhol e inglês. Tem uma estratégia aí que leva às vitórias.
O faturamento dos clubes europeus supera o dos brasileiros em milhões de euros. Há uma maneira de ficarmos mais próximos?O Barcelona faturou R$ 4,2 bilhões em 2017. O Flamengo, clube que mais ganhou dinheiro no Brasil, arrecadou R$ 649 milhões no mesmo período. O que os europeus têm que o Brasil ainda busca, ou precisa buscar? Cito a gestão da marca e o negócio altamente profissional, envolvendo marketing e comunicação global, ídolos internacionais, dezenas de patrocinadores, poder no mundo digital, títulos de relevância internacional. Segundo dados da Result Sports da Alemanha, o Barcelona tem mais de 233 milhões de fãs nas redes sociais. No Brasil, conforme o Ibope Repucom, o número de fãs nas redes sociais dos 20 maiores times, somados, é 120 milhões. A diferença é brutal. Com gestão profissional e marketing global, os números se potencializam de um modo impressionante.

Os clubes (brasileiros) carecem de uma liga que os una em prol de ganhos coletivos. O futebol da Europa deu certo devido às fortes ligas nacionais

É possível alcançar os europeus?Antes de pensar nisso, os clubes brasileiros precisam parar de olhar só para o próprio umbigo e se unirem. Mesmo que um precise do outro, o Grêmio, do Inter, o São Paulo, do Palmeiras, e assim por diante, eles não se dão conta. Os clubes carecem de uma liga que os una em prol de ganhos coletivos. O futebol da Europa deu certo devido às fortes ligas nacionais. A TV não é a única receita. Nem deve ser. No Brasil, os clubes dependem demais da televisão. Deveriam depender do marketing. O Barcelona arrecadou R$ 1,3 bilhão em marketing. Isso é muito mais do que a soma detodos os clubes da Série A do Brasil.

Estima-se que o mercado do futebol represente R$ 6,2 bi no Brasil. Desse montante, R$ 5,05 bilhões é o total de receitas vinculadas apenas aos 20 principais clubes de futebol do país. Grêmio e Inter, somados, geram R$ 587 milhões desse total

Turbinar o marketing é, então, o caminho.O estádio é limitado, tem uma capacidade definida. E o clube sabe quanto fica após um jogo. A TV, embora dependa do mercado publicitário, tem previsão confiável. Já o marketing não tem limite. Note que os europeus têm poucas marcas nas camisas, ao contrário dos times brasileiros. Uma cervejaria não está no uniforme de um clube de lá, mas o patrocina associando sua marca ao time – que é aproveitada de outras maneiras que não estampando sua marca na camiseta. Há muitas possibilidades que não são exploradas pelos clubes brasileiros. O plano de saúde pode ser uma razão para uma parceria, assim como uma cadeia de lojas esportivas, e por aí vai. E assim, examinando as possibilidades, que são infinitas, os clubes europeus têm uma série de parceiros estratégicos. Alguns têm 15, outros chegam a 20. Na soma, dá muito dinheiro. Um bom marketing faz uma grande diferença. Pergunte aos executivos do Barça. Estima-se que o mercado do futebol represente R$ 6,2 bi no Brasil. Desse montante, R$ 5,05 bilhões é o total de receitas vinculadas apenas aos 20 principais clubes de futebol do país. Grêmio e Inter, somados, geram R$ 587 milhões desse total, menos do que os R$ 648 milhões que o Flamengo, time mais popular do Brasil, faturou em 2017 (último balanço disponível).

CTs e a onda de denuncismo


Resultado de imagem para Ninho do Urubu
Reprodução

Por Benê Lima

Falar e criticar os clubes de futebol e seus CTs passou a ser a bola da vez.
Antes de quaisquer considerações, é importante admitirmos que há no Brasil uma extraordinária falta de critério e consciência da maioria das pessoas, seja no campo pessoal, seja no campo profissional.
E diante mão já quero deixar claro que no caso em questão não dá para firmamos uma posição maniqueísta, determinando quem está certo, quem está errado.
Para mim, a verdadeira questão é atuarmos sobre essa massa crítica que detona a tudo e a todos, e promove sempre que pode uma onda de denuncismo que se renova com uma ênfase espantosa. É uma verdadeira profusão de denúncias e críticas em torno de tudo, e claro que o futebol não poderia ficar de fora de mais essa paranoia, que já se incorporou à cultura do povo brasileiro, embora isso não seja cultura e sim caldo de cultura.
Mas vamos deixar um pouco o aspecto conceitual das denúncias e criticismo e vamos às questões propriamente ditas.
Primeiro quero expressar minha opinião de que o que acontece nos clubes de futebol é em muito reflexo da forma como vivemos, ou seja, do nosso modus vivendi e faciendi de fazer as coisas.
Essa tragédia do Ninho do Urubu é a apenas a ponta de mais iceberg moral e ético com os quais nos deparamos em nosso dia a dia.
Responsabilizar o clube é a mais fácil e comum das tarefas. No entanto, é preciso que, além disso, promovamos justiça distributiva de responsabilidades.
Com todo o respeito pelas instituições públicas e privadas, prefiro me respaldar no princípio da crítica propositiva, e com base nisso deixar a seguinte questão:

“O que podemos fazer para evitar que tragédias como as do CT da base do Flamengo e outras mais possam ocorrer?”

Afinal, quanto de respaldo moral tem entidades do poder público que agem de forma reativa, que não orientam, não cobram no tempo devido, que nem mesmo fiscalizam, que respaldo moral possuem essas entidades para, de pronto, acusarem e punirem os clubes de futebol?
Já vivi in loco a realidade da maioria dos clubes de futebol, que muito já fazem em manter imóveis alugados para seus atletas, e isso já representa uma atitude louvável de transferência de benefícios a estes.
Outra coisa que temos que ter cuidado é de não misturar o que é de exigência legal para o funcionamento regular dos CTs e o que é precariedade das suas instalações.
Mais um aspecto que creio deva ser observado, é papel dos órgãos que legitimam o funcionamento dos CTs, que a meu juízo deve ser num primeiro momento muito mais de vistoriamento, fiscalização e orientação, do que de embargo e punição.
Temos que ajudar os nossos clubes sem sermos com eles complacentes, negligentes como eles e muito menos coniventes com seus erros. Mas sem que com isso lhes causemos ainda mais dificuldades. Pois afinal, neles há um trabalho que não é somente esportivo, mas sócio-desportivo. Eles são geradores de oportunidades, de empregos, e são portadores dos sonhos de muitos atletas, acompanhados de muitas famílias.
E digo mais. Sou a favor de que crie uma legislação específica para o gerenciamento desses CTFs, mas que tal legislação tenha o cunho regulamentar e orientador, e que ela anteceda às certificações de clubes formadores expedidas pela CBF, e que esta dote as federações a quem ela responsabiliza pela fiscalização, do aparato necessário para o exercício de mais responsabilidade.
Por fim, entendo claramente ser essa uma tarefa que deve ser compartilhada pelo poder público e pelas entidades privadas de prática e de administração do futebol.


terça-feira, fevereiro 12, 2019

Chega de saudosismo! Romantizar o passado impede o futebol brasileiro de olhar pra frente

A queda da seleção sub-20 no Sulamericano deu voz ao saudosismo e prega uma volta ao passado. Mas que passado é esse?


Por Leonardo Miranda

Chega de saudosismo! Romantizar o passado impede o futebol brasileiro de olhar pra frente

A desclassificação da seleção sub-20 ao Mundial deu voz a uma ideia comum no Brasil em derrotas no futebol: o clamor pelo passado. Frases como "não há mais talentos como antigamente”, “ninguém mais sabe driblar" e “o futebol moderno destruiu os craques” tecem uma rede de clichês de raciocínio simples: o futebol brasileiro é gigante por natureza e era melhor no passado.
Craques desfilavam em campo, estádios estavam sempre lotados e o jogo era belo e artístico. Se tudo era melhor antigamente, basta podar aquilo que se apresenta como moderno para retomar a vitória: menos ciência, mais empirismo. Menos estudiosos, mais boleiros. Menos tática, mais alegria. Conservar ao invés de progredir. Voltar às origens.
Um rápido resgate mostra que essa visão mal-humorada, crítica e agressiva com o futebol é uma constante há pelo menos 70 anos. A seleção já não agradava a ninguém em 1970, ano do tri-campeonato mundial no México. O teor das críticas antes da Copa eram as mesmas de hoje: não há time titular, o treinador escala errado, convoca errado…

Seleção de 1970 | Revista Placar — Foto: Leonardo Miranda 
Seleção de 1970 | Revista Placar — Foto: Leonardo Miranda

E o futebol moderno, que robotiza os jogadores e deixa o jogo chato? Já aprontava das suas em 1973, quando essa reportagem denunciava: a retranca vai acabar com o jogo! O discurso é o mesmo: a tática aprisiona o talento, deixa o jogo quadrado, tira a arte e a beleza. Não fazia nem 3 anos que o Brasil chegara em seu auge e já se reclamava...

Reclamação sobre retranca | Revista Placar — Foto: Leonardo Miranda 
Reclamação sobre retranca | Revista Placar — Foto: Leonardo Miranda

E aqui, três anos antes da primeira conquista mundial de 1958, que a Folha de São Paulo relata que o futebol europeu estava progredindo mais que o sul-americano?

Acervo Folha em 1955 — Foto: Leonardo Miranda 
Acervo Folha em 1955 — Foto: Leonardo Miranda

Se o Brasil é realmente o país do futebol e o passado era muito melhor que o presente, porque os relatos desse mesmo passado soam exatamente como hoje?

Porque a ideia de que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, na prática, nunca existiu. O futebol romântico e talentoso como imaginamos é uma construção. O país passava por mudanças na década de 1930. Oligarquias perderam o poder no governo Vargas. A escravidão havia terminado há 40 anos. O país era pobre, desestruturado e desigual. Era preciso criar um sendo de unidade. Algo positivo, que justificasse a desestrutura da sociedade e amenizasse tensões raciais num momento onde imigrantes da Europa e negros, filhos de ex-escravos, estavam à margem da sociedade.

O futebol cai como uma luva nesse propósito na Copa de 1938. Foi o sociológo Gilberto Freyre, no artigo “Football Mulato”, que descreve o “jeito brasileiro de jogar” como alegre e artístico. O “mulato malandro”, vindo das ruas, seria capaz de superar a estrutura do europeu. Ele era alegre, ousado, criativo. Ele “driblava as adversidades” , termo que importamos para o cotidiano. Nasce daí a ideia que o talento e o individual superam tudo num país desestruturado e profundamente desigual.

A romantização da esculhambação
A pior mazela do futebol brasileiro é a romantização da esculhambação. 

Se o talento e a malandragem resolvem problemas complexos, não há a necessidade de processos e estruturas no futebol. Treinar pra quê, se o craque faz tudo? Tempo para montar a equipe pra quê, se basta ter qualidade técnica. Estrutura na base? Moleque tem é que sofrer, jogar como se estivesse na rua, "sentir o jogo". Não! Meninos de base precisam de salário em dia, estrutura, estudo. Precisam de processo, com início, meio e fim. Precisam sentir o jogo dentro de campo, não sentir fome fora dele.

Ao criar uma suposta superioridade frente ao europeu por questões genéticas e raciais, a ideia de Freyre também estabeleceu uma régua impossível de ser atingida: a de que o futebol brasileiro sempre é favorito. Tudo que não for vitória é zebra. Toda Libertadores ou Estadual é a mesma coisa. Nasce daí o clientelismo do torcedor, que vai ao estádio não para apoiar o time, mas em troca unicamente da vitória. As direções reprisam o comportamento: demitem sem critério e contratam sem convicção esperando o encaixe ou a boa fase. O brasileiro nunca acreditou em processo porque sempre achou que as coisas acontecem por vontade divina (caem do céu) ou são feitos individuais (a ideia do sebastianismo).

Até as próprias iniciativas de inovação que o Brasil teve - e foram muitas! - ficaram em segundo plano por essa cultura. A principal aconteceu em 1968, quando João Saldanha reuniu técnicos e preparadores para pensar o futebol brasileiro e preparar terreno para mais conquistas após o vexame na Copa de 1966. O diagnóstico era o mesmo de hoje: faltava estrutura nos clubes, profissionalismo e formação de base. Falcão foi chamado para a seleção em 1990 com o mesmo intuito. Mano Menezes também, em 2010. Todos demitidos.

O futebol brasileiro não precisa de menos ciência. Não precisa de menos tática. O Barcelona não meteu 4 a 0 no Santos e a Alemanha não fez 7 a 1 porque driblaram mais. Mas sim porque confiaram em processos, na ciência e num mínimo de razão. Precisamos de mais estrutura, mais investimento na base, mais pedagogia de rua. Mais pessoas com coragem de mudar ideias antigas. Porque achar que tudo era melhor antigamente impede de nos ver o que importa: o futuro.

O histórico de premiações dos clubes do Nordeste na Copa do Brasil

por  


Há tempos a Copa do Brasil é vista como uma grande fonte de receita a partir das cotas de participação, bancadas através do contrato de transmissão da Globo junto à CBF – cuja assinatura em 2017 valeu um salto enorme. Aqui, listo as cotas obtidas nos últimos anos pelos clubes de PE e por outros times tradicionais da região, espalhados em AL, BA, CE, MA, PB, PI, RN e SE.
A princípio, o quadro parte de 2011, o primeiro ano com todos os valores encontrados na web – à medida em que novas cifras surgirem o período da pesquisa será ampliado. Nos últimos oito anos, o clube nordestino que mais arrecadou – com repasses a cada fase disputada – foi o Vitória.
O curioso é que o leão baiano saltou para a liderança justamente após o surgimento das “supercotas”. Em 2018, quando chegou às oitavas, recebeu 52% de todo o apurado no período. O Bahia, que largou nas oitavas nesta edição, por causa do título da Lampions, também ganhou uma posição. Idem com o Ceará. Assim, o Sport, eliminado pelo Ferroviário na segunda fase, despencou do 1º para o 4º lugar após a edição de 2018.
Ranking de premiações de 2011 a 2018 (entre os clubes listados; em reais)
1º) 14,11 mi – Vitória (BA)
2º) 11,90 mi – Bahia (BA)
3º) 9,65 mi – Ceará (CE)
4º) 9,23 mi – Sport (PE)
5º) 7,31 mi – Náutico (PE)
6º) 6,12 mi – ABC (RN)
7º) 5,75 mi – Sampaio Corrêa (MA)
8º) 4,48 mi – Santa Cruz (PE) e América (RN)
10º) 4,40 mi – CRB (AL)
11º) 4,30 mi – Ferroviário (CE)
12º) 4,22 mi – Fortaleza (AL)
13º) 4,16 mi – Botafogo (PB)
14º) 3,28 mi – Salgueiro (PE)
15º) 1,72 mi – CSA (AL)
16º) 1,24 mi – Confiança (SE)
17º) 1,04 mi – Campinense (PB), River (PI) e Treze (PB)
20º) 0,74 mi – Moto Club (MA)
21º) 0,46 mi – Sergipe (SE)
Obs. Além das cotas, em valores nominais, os dados dos clubes trazem a divisão do Campeonato Brasileiro no respectivo ano e o número de fases disputadas na edição da Copa do Brasil.
Vitória (2011-2018: R$ 14,11 milhões)
2011 (B) – R$ 100 mil (1 fase)
2012 (B) – R$ 940 mil (4 fases)
2013 (A) – R$ 530 mil (2 fases)
2014 (A) – R$ 280 mil (1 fase)
2015 (B) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (A) – R$ 1,56 milhão (3 fases)
2017 (A) – R$ 2,83 milhões (4 fases)
2018 (A) – R$ 7,43 milhões (5 fases)
2019 (B) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
Bahia (2011-2018: R$ 11,9 milhões)
2011 (A) – R$ 650 mil (3 fases)
2012 (A) – R$ 1,14 milhão (4 fases)
2013 (A) – R$ 530 mil (2 fases)
2014 (A) – R$ 1,52 milhão (3 fases)
2015 (B) – R$ 1 milhão (3 fases)
2016 (B) – R$ 540 mil (2 fases)
2017 (A) – R$ 1,12 milhão (2 fases)
2018 (A) – R$ 5,4 milhões (2 fases)
2019 (A) – em disputa*
* Começa com R$ 1,05 milhão
Ceará (2011-2018: R$ 9,65 milhões)
2011 (A) – R$ 1,41 milhão (5 fases)
2012 (B) – R$ 240 mil (2 fases)
2013 (B) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (B) – R$ 1,28 milhão (4 fases)
2015 (B) – R$ 1,69 milhão (4 fases)
2016 (B) – R$ 1,2 milhão (3 fases)
2017 (B) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (A) – R$ 3,23 milhões (3 fases)
2019 (A) – em disputa*
* Já está na 2ª fase, com R$ 1,91 milhão
Sport (2011-2018: R$ 9,23 milhões)
2011 (B) – R$ 100 mil (1 fase)
2012 (A) – R$ 440 mil (2 fases)
2013 (B) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (A) – R$ 560 mil (2 fases)
2015 (A) – R$ 1,33 milhão (3 fases)
2016 (A) – R$ 420 mil (1 fase)
2017 (A) – R$ 3,88 milhões (5 fases)
2018 (A) – R$ 2,2 milhões (2 fases)
2019 (B) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
Náutico (2011-2018: R$ 7,315 milhões)
2011 (B) – R$ 450 mil (3 fases)
2012 (A) – R$ 440 mil (2 fases)
2013 (A) – R$ 265 mil (1 fase)
2014 (B) – R$ 320 mil (2 fases)
2015 (B) – R$ 1 milhão (3 fases)
2016 (B) – R$ 240 mil (1 fase)
2017 (B) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (C) – R$ 4,3 milhões (4 fases)
2019 (C) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
ABC (2011-2018: R$ 6,125 milhões)
2011 (B) – R$ 200 mil (2 fases)
2012 (B) – R$ 240 mil (2 fases)
2013 (B) – R$ 700 mil (3 fases)
2014 (B) – R$ 2,02 milhões (5 fases)
2015 (B) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (C) – R$ 540 mil (2 fases)
2017 (B) – R$ 1,485 milhão (3 fases)
2018 (C) – R$ 500 mil (1 fase)
2019 (C) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
Sampaio Corrêa (2011-2018: R$ 5,755 milhões)
2011 (D) – R$ 200 mil (2 fases)
2012 (D) – R$ 120 mil (1 fase)
2013 (C) – R$ 150 mil (1 fase)
2014 (B) – R$ 320 mil (2 fases)
2015 (B) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (B) – R$ 540 mil (2 fases)
2017 (C) – R$ 1,485 milhão (3 fases)
2018 (B) – R$ 2,5 milhões (3 fases)
2019 (C) – em disputa*
* Começa nas oitavas, já com R$ 2,5 milhões
Santa Cruz (2011-2018: R$ 4,48 milhões)
2011 (D) – R$ 200 mil (2 fases)
2012 (C) – R$ 120 mil (1 fase)
2013 (C) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (B) – R$ 750 mil (3 fases)
2015 (B) – n/d
2016 (A) – R$ 1,56 milhão (3 fases)
2017 (B) – R$ 1,05 milhão (1 fase)
2018 (C) – R$ 500 mil (1 fase)
2019 (C) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
América de Natal (2011-2018: R$ 4,48 milhões)
2011 (C) – n/d
2012 (B) – R$ 120 mil (1 fase)
2013 (B) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (B) – R$ 2,02 milhões (5 fases)
2015 (C) – R$ 1 milhão (3 fases)
2016 (C) – R$ 240 mil (1 fase)
2017 (D) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (D) – R$ 500 mil (1 fase)
2019 (D) – em disputa*
* Já está na 2ª fase, com R$ 1,15 milhão
CRB (2011-2018: R$ 4,4 milhões)
2011 (C) – n/d
2012 (B) – n/d
2013 (C) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (C) – R$ 320 mil (2 fases)
2015 (B) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (B) – R$ 540 mil (2 fases)
2017 (B) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (B) – R$ 2,5 milhões (3 fases)
2019 (B) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
Ferroviário (2011-2018: R$ 4,3 milhões)
2011 (s/d) – n/d
2012 (s/d) – n/d
2013 (s/d) – n/d
2014 (s/d) – n/d
2015 (s/d) – n/d
2016 (s/d) – n/d
2017 (s/d) – n/d
2018 (D) – R$ 4,3 milhões (4 fases)
2019 (C) – R$ 525 mil (1 fase; será computado no fim da edição
Fortaleza (2011-2018: R$ 4,22 milhões)
2011 (C) – R$ 200 mil (2 fases)
2012 (C) – R$ 540 mil (3 fase)
2013 (C) – R$ 700 mil (3 fases)
2014 (C) – n/d
2015 (C) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (C) – R$ 2,04 milhões (4 fases)
2017 (C) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (B) – n/d
2019 (A) – em disputa*
* Começa nas oitavas, já com R$ 2,5 milhões
Botafogo de João Pessoa (2011-2018: R$ 4,16 milhões)
2011 (s/d) – R$ 200 mil (2 fases)
2012 (s/d) – n/d
2013 (D) – n/d
2014 (C) – R$ 320 mil (2 fases)
2015 (C) – R$ 200 mil (1 fase)
2016 (C) – R$ 2,04 milhões (4 fases)
2017 (C) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (C) – R$ 1,1 milhão (2 fases)
2019 (C) – em disputa
* Começa com R$ 525 mil
Salgueiro (2011-2018: R$ 3,28 milhões)
2011 (B) – n/d
2012 (C) – n/d
2013 (D) – R$ 1,2 milhão (4 fases)
2014 (C) – n/d
2015 (C) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (C) – R$ 240 mil (1 fase)
2017 (C) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (C) – R$ 1,1 milhão (2 fases)
2019 (D) – n/d
CSA (2011-2018: R$ 1,72 milhão)
2011 (s/d) – n/d
2012 (D) – n/d
2013 (D) – R$ 150 mil (1 fase)
2014 (s/d) – R$ 160 mil (1 fase)
2015 (s/d) – n/d
2016 (D) – n/d
2017 (C) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (B) – R$ 1,1 milhão (2 fases)
2019 (A) – R$ 920 mil (1 fase; será computado no fim da edição)
Confiança (2011-2018: R$ 1,24 milhão)
2011 (s/d) – n/d
2012 (s/d) – n/d
2013 (s/d) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (D) – n/d
2015 (C) – R$ 200 mil (1 fase)
2016 (C) – R$ 240 mil (1 fase)
2017 (C) – n/d
2018 (C) – R$ 500 mil (1 fase)
2019 (C) – n/d
Campinense (2011-2018: R$ 1,04 milhão)
2011 (C) – n/d
2012 (D) – n/d
2013 (s/d) – R$ 300 mil (2 fases)
2014 (D) – n/d
2015 (D) – R$ 200 mil (1 fase)
2016 (D) – R$ 240 mil (1 fase)
2017 (D) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (D) – n/d
2019 (D) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
River (2011-2018: R$ 1,04 milhão)
2011 (s/d) – n/d
2012 (s/d) – n/d
2013 (s/d) – n/d
2014 (D) – n/d
2015 (D) – R$ 200 mil (1 fase)
2016 (C) – R$ 540 mil (2 fases)
2017 (D) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (s/d) – n/d
2019 (D) – R$ 525 mil (1 fase; será computado no fim da edição)
Treze (2011-2018: R$ 1,04 milhão)
2011 (D) – R$ 100 mil (1 fase)
2012 (C) – R$ 120 mil (1 fase)
2013 (C) – n/d
2014 (C) – R$ 320 mil (2 fases)
2015 (D) – n/d
2016 (s/d) – n/d
2017 (s/d) – n/d
2018 (D) – R$ 500 mil (1 fase)
2019 (C) – n/d
Moto Club (2011-2018: R$ 740 mil)
2011 (s/d) – n/d
2012 (s/d) – n/d
2013 (s/d) – n/d
2014 (D) – n/d
2015 (s/d) – R$ 440 mil (2 fases)
2016 (D) – n/d
2017 (C) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (D) – n/d
2019 (D) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
Sergipe (2011-2018: R$ 460 mil)
2011 (s/d) – n/d
2012 (s/d) – n/d
2013 (D) – n/d
2014 (s/d) – R$ 160 mil (1 fase)
2015 (s/d) – n/d
2016 (D) – n/d
2017 (D) – R$ 300 mil (1 fase)
2018 (D) – n/d
2019 (D) – em disputa*
* Começa com R$ 525 mil
Central (2011-2018: nada)
2011 (s/d) – n/d
2012 (s/d) – n/d
2013 (D) – n/d
2014 (D) – n/d
2015 (D) – n/d
2016 (D) – n/d
2017 (D) – n/d
2018 (D) – n/d
2019 (D) – R$ 525 mil (1 fase; será computado no fim da edição)