Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, maio 25, 2017

Discrepância dos direitos de TV no Brasil, um erro da Globo

AMIR SOMOGGI

Recentemente foram divulgados os valores pagos pelos direitos de TV da Premier Legaue para a temporada 2016-17. Analisando os dados, fica claro como o modelo empregado no Brasil está completamente equivocado.
Na Inglaterra, a cada novo contrato as diferenças entre os times ficaram menores. O contrato global da liga cresceu muito e o nível da competição também.
A lógica é clara, quanto mais equilíbrio nos valores divididos nos direitos de transmissão, maior a chance de haver um equilíbrio esportivo.
Esse modelo praticado nas ligas americanas foi adequado ao futebol inglês. No caso dos EUA é ainda mais rigoroso, com uma divisão igual para todos os times, além da divisão de recursos de patrocínios das ligas para os times e vendas de produtos.
A Inglaterra mostrou ser possível criar um modelo que pudesse ser a cada ano mais equilibrado, pelo menos no que tange aos direitos de transmissão. Digo isso, porque assim como nos EUA, os grandes times continuam faturando mais que os pequenos.
Mas não por conta da TV e sim pelos altos valores gerados com estádios, acordos comerciais individuais e no caso dos europeus exploração global das vendas de produtos.
O atual contrato do campeonato inglês divide £ 2,5 bilhões entre os times, mais de R$ 10 bilhões por ano. Nessa última temporada todos os times receberam £ 84,4 milhões fixos.
O campeão Chelsea ficou com um total de £ 153,3 milhões. Além do valor fixo garantindo, recebeu outros £ 30,4 milhões pelos jogos transmitidos e mais £ 38,4 milhões por seu desempenho.
O último colocado Sunderland recebeu £ 99,9 milhões, além do valor fixo igual para todos, outros £ 13,6 milhões pelos jogos transmitidos e £ 1,9 milhão pelo desempenho.
Isso significa que a diferença entre o primeiro colocado em valores recebidos e o vigésimo colocado foi de apenas 1,5 vezes.
E essa diferença era de mais de 2 vezes em contratos mais antigos. Isso significa que quanto mais os valores cresceram, menor ficou a distância entre os times.
TV PL
Enquanto para os times que mais recebem da TV os valores representam cerca de 35% de seu orçamento, para os pequenos esse valor pode chegar a 90%.
A liga não consegue equilibrar os times como um todo, mas pelos menos garante um mínimo necessário para melhorar a qualidade de todos os times, e não apenas de alguns.
No Brasil a diferença só aumenta
O mundo do futebol já percebeu que é fundamental que os valores de televisionamento sejam divididos de forma mais equilibrada.
Infelizmente no Brasil, pela falta de uma liga e pela presença de uma única emissora até agora ditando as regras, caminhamos no sentido oposto.
A entrada do Esporte Interativo apenas obrigou a Globo a gastar mais, mas nem por isso mudou esse formato de privilegiar os grandes em detrimento dos pequenos.
Segundo meu estudo publicado sobre as finanças dos clubes em 2016, as emissoras de TV entre direitos de TV e luvas pelos novos contratos pagaram R$ 2,5 bilhões aos 20 maiores clubes em receitas do Brasil.
Flamengo foi o que mais recebeu e ficou com R$ 297,2 milhões. Chapecoense foi o vigésimo time do ranking, com apenas R$ 30,6 milhões recebidos da TV.
TV
Isso significa que a diferença entre o que mais recebe e o que menos recebe, disputando a mesma competição é atualmente de inacreditáveis 9,7 vezes!
Sem dúvida um desserviço ao futebol brasileiro e uma fata de visão da principal detentora de direitos de TV, já que essa discrepância somente piora o nível técnico da competição e a deixa cada dia mais previsível.
Previsibilidade no esporte gera menores índices de audiência e distanciamento de empresas anunciantes nas transmissões no longo prazo.
Um erro que somente uma liga evitaria.
Um verdadeiro tiro no pé da própria Globo.
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domingo, maio 07, 2017

SINDICATO MUNDIAL DE FUTEBOLISTAS CRIA PESQUISA SOBRE FUTEBOL FEMININO

O FIFPro (Sindicato Mundial de Futebolistas) vem intensificando seu interesse e apoio a modalidade, e a cada dia realizam mais ações para conhecer e adequar-se a realidade do futebol feminino.
Junto com os sindicatos nacionais dos futebolistas, a FIFPro está realizando uma pesquisa global entre as atletas de modo a alcançar uma maior compreensão das condições atuais de trabalho das futebolistas em todo o mundo. 
Esta é a primeira pesquisa deste tipo que se realiza. Assim que, segue abaixo o link para que sigamos rumo à evolução da modalidade.
Pesquisa sobre o Futebol Feminino 2017 - FIFPro
Sindicato Mundial dos Futebolistas – FIFPro
A FIFPro é o sindicato mundial dos futebolistas; isto é, a voz coletiva de mais de 65.000 futebolistas profissionais de ambos sexos, em todo o mundo.
Junto com os sindicatos nacionais dos futebolistas, a FIFPro está realizando uma pesquisa global entre as atletas de modo a alcançar uma maior compreensão das condições atuais de trabalho das futebolistas em todo o mundo.
Esta é a primeira pesquisa deste tipo que se realiza.
Compreendemos que a gama de experiências e de condições enfrentadas pelas futebolistas é extremamente diversificada, se considerarmos o contexto geográfico e cultural.
Seja qual for a sua situação, gostaríamos de conhecê-la.
Esta é uma oportunidade para fazer ouvir a sua voz e dar conhecimento ao que significa ser uma futebolista hoje em dia, nos ajudando, assim, a capturar uma imagem completa da realidade neste campo, que será utilizada para melhorar as condições das jogadoras, e, portanto, para fortalecer o futebol feminino.
Os resultados desta pesquisa serão resumidos e publicados em um informe global, com um formato similar ao Informe Global de Emprego - FIFPro realizado para o futebol masculino (footballmap.fifpro.org/#footballmap).
Esta pesquisa é ANÔNIMA.
Consiste em seis (6) seções, com um total de 31 ou 40 perguntas (dependendo se você joga para a seleção nacional ou não), e para completá-la você dedicará aproximadamente 20 minutos.
“Podemos continuar fazendo deste esporte algo maior, e melhorar não apenas a qualidade do esporte em si, mas a qualidade dos campos de jogo, a qualidade dos treinadores, a quantidade de dinheiro que se destina a ele, e contribuir assim para que as futebolistas joguem em um nível mais elevado.” (Hope Solo)
Em caso de dúvidas ou informações entrar em contato com Sindicato de Atletas Profissionais SP

terça-feira, maio 02, 2017

Clubes têm receitas recorde em 2016, mas consultor avisa: "2017 será ano da verdade"

Amir Somoggi diz que receitas com luvas de TV impactou positivamente o resultado, mas que alguns clubes estão postergando resultados negativos 


Se em 2015 as receitas dos clubes brasileiros foram beneficiadas pelo Profut, em 2016 a antecipação das luvas pela assinatura dos contratos de televisão referente aos anos de 2019 a 2024 novamente fizeram com que as receitas não mostrassem a realidade. Essa é a conclusão do estudo feito por Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva. Segundo ele, 2016 é o "ano da hiperdependência da TV" pelos clubes brasileiros. Isso porque o recorde das receitas dos clubes (aumento de R$ 4,161 bi para R$ 5,409 bi no total) está diretamente relacionado com a maior participação da história dos direitos de transmissão no lucro dos clubes.
- Eu analiso há 14 anos e nunca na história uma fonte representa tanto. É um valor de 51%, muito acima de qualquer valor da história. 2017 é o ano da verdade. Aí tende a fechar no vermelho, porque vai ter uma queda da televisão. Isso já aconteceu antes. Está um volume muito acima. 2017 vai ser um ano de queda bem extrema.  
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra o Vitória com maior participação da TV sobre receita total (Foto: Reprodução)

Estudo sobre o balanço financeiro dos clubes mostra o Flamengo com maior receita total (Foto: Reprodução)
Contabilmente, porém, nenhuma agremiação errou ao lançar o valor das luvas nos balanços. Os clubes com maior receita em 2016 foram Flamengo (R$ 510,1 mi), Corinthians (R$ 485,4 mi) e Palmeiras (R$ 468,6 mi). Desses três, o Rubro-Negro é o que tem maior porcentagem de TV, com 58% de participação na receita, contra 47% do Timão e 27% do Verdão.
Em 2016, a receita gerada pelos direitos de transmissão equivale a 51% do total. De acordo com Somoggi, não é bom os clubes se basearem tanto em apenas uma fonte de lucro. Para ele, essa decisão pode não representar a finança do time da maneira como ela realmente é.
- Os dirigentes querem melhorar os números. Nenhum deles estará no clube daqui a três anos, a não ser que tenha sido eleito agora. A luva cai muito bem para os dirigentes, como a maior receita da história. Passa uma imagem de maior numero da história. Eles inflam um número que deveria ser fragmentado. O Flamengo poderia ter dividido tudo. Mas eles sabem que se eles dividem esse valor, acabam ficando para trás no ranking de faturamento.          
Uso correto das luvas
Não é possível afirmar qual a porcentagem que cada clube adiantou das luvas. Segundo Somoggi, apenas sete ou oito clubes divulgaram esse valor e não seria uma comparação justa se ele colocasse somente uma parcela dos clubes com esses dados. Mas isso não impede que ele faça uma análise de como os clubes aparentam usar essas luvas do contrato de televisão.
- Palmeiras, pelo o que se fala, está usando as luvas de maneira correta. O Flamengo tem feito isso também, mas nesse ano não fez. Pela minha leitura, o Cruzeiro e o Atlético-MG tinham ido muito bem com TV. Agora, tanto Atlético quanto Cruzeiro estão lá embaixo. Todos que receberam luvas as registraram. Eles vão argumentar que o conselho permite. Mas gerencialmente eles estão enganando quem vai ler os balanços e os torcedores. Se fecha com lucro, o torcedor e o conselheiro não vão perguntar se tem luvas ou não. Se fossem empresas não deveriam funcionar de maneira que sobe e desce. Tem que ter uma constante.
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra o Vitória com maior participação da TV sobre receita total (Foto: Reprodução)Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra o Vitória com maior participação da TV sobre receita total (Foto: Reprodução)
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra o Vitória com maior participação da TV sobre receita total (Foto: Reprodução)
Corinthians e Grêmio sem receita de bilheteria
Um gráfico que chama a atenção é o de receita de bilheteria dos 20 times com o maior faturamento do futebol brasileiro. Enquanto Palmeiras lidera com R$ 30 mi a mais do que o segundo colocado, Corinthians e Grêmio não apresentam receita. Para Amir, isso se dá por duas razões distintas. No caso do time paulista, a bilheteria de sua Arena é revertida para um fundo de pagamento do estádio. Enquanto para o clube gaúcho, a briga com a construtora OAS impede o repasse do lucro do estádio, fazendo com que o Tricolor tenha receita menor do que na época do Olímpico.
- A questão dos estádios é o grande problema para Corinthians e Grêmio. Para o Corinthians ser dono da Arena, teve que abrir mão das receitas. Ele fatura cerca de R$ 70 mi, R$ 80 mi por ano e esse valor fica retido para o fundo (de pagamento do estádio). É um dinheiro que não aparece no balanço. O caso do Grêmio é mais grave. Porque ele, em tese, não tem esse problema. Por causa da briga com a OAS, ela não repassa a bilheteria para o Grêmio. No caso do Corinthians não é briga, mas um acordo. No caso da OAS é uma briga entre as partes. Um clube tem que pagar o fundo e o outro tem a briga com a OAS. É uma briga que acabou fazendo com que o Grêmio faturasse mais com o Olímpico, em questão de bilheteria. O que é uma coisa rara.
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra Palmeiras com maior receita de bilheteria e Grêmio e Corinthians sem receita (Foto: Reprodução)Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra Palmeiras com maior receita de bilheteria e Grêmio e Corinthians sem receita (Foto: Reprodução)
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra Palmeiras com maior receita de bilheteria e Grêmio e Corinthians sem receita (Foto: Reprodução)
Queda de dívidas pelo segundo ano seguido, mas...
A criação do Profut e as cotas de TV ajudou os dirigentes a fechar os anos de 2015 e 2016 no azul e também a diminuir as dívidas. Porém, é pouco provável que isso se repita nos balanços de 2017. Com a ajuda financeira nos últimos anos, só será possível conhecer a real situação financeira dos clubes em abril de 2018, quando serão divulgados os balanços referentes a este ano.
- Será bem difícil de se repetir a queda das dívidas em 2017. Essa queda está ligada um pouco ao Profut. A dívida efetivamente caiu. O dinheiro novo entrou e fez com que os clubes diminuíssem suas dívidas. (...) Tudo isso foi positivo em relação ao que se tinha no ano passado. É uma queda pequena. A receita de TV aumentou muito, mas a dívida não caiu muito. Há um grande aumento de dívida nos últimos anos. Claramente 2016 foi um ano atípico. O déficit tende a aparecer em 2017. Os dirigentes vão falar que é um ano maravilhoso. Eles estão divulgando um balanço um pouco falso porque tem o adiantamento da cota de TV. Em 2015 teve o Profut e ano passado teve esse adiantamento. A gente só vai saber a real situação financeira em abril de 2018. (...) Teve clube que aumentou empréstimo mesmo aumentando receita, o que não é bom.
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra que o Botafogo segue como clube com maior dívida total (Foto: Reprodução)Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra que o Botafogo segue como clube com maior dívida total (Foto: Reprodução)
Estudo do balanço financeiro dos clubes mostra que o Botafogo segue como clube com maior dívida total (Foto: Reprodução)
Possível solução e destaques positivos
Por mais que alguns clubes consigam chegar em um superávit com a antecipação das luvas dos contratos de televisão e também com a receita de venda de jogadores, essas são fontes que os dirigentes não podem confiar a longo prazo. De acordo com Somoggi, há um caminho para seguir com superávit ao longo dos anos e parabeniza a forma de gestão de dois clubes.
- Enquanto não diversificar as fontes de receita e não trabalhar no fortalecimento da marca, vai continuar assim. O caminho já foi mostrado pelos clubes europeus. Aqui é a Era da Pedra Lascada do marketing esportivo. É bom para o mercado que mais dinheiro venha da TV, mas o problema é a dependência. Nós temos que mudar o ponto de vista de marketing, como os clubes recebem esse dinheiro. O que falta é visão de negócio, que é tão forte na Europa e nos Estados Unidos. Os clubes trabalham com poucas fontes alternativas de receita e se baseiam muito em cotas de TV e venda de jogadores.
- Tem um clube que merece muitos elogios, que é a Chapecoense. Eles passaram por uma tragédia, o que daria um certo direito a gastar mais para se reconstruir. Mas ela não tem dívida. Tem zero de dívida. O valor a receber é maior do que o que ela deve. É uma mensagem para os clubes que mesmo depois de uma tragédia daquele tamanho o clube consiga se reerguer sem precisar se endividar. Novamente a Chape aparece como grande exemplo. O Atlético-PR também fecha com superávit há algum tempo. Independente de ser campeão ou não. Isso merece elogio por ser uma tendência do clube. São dois destaques positivos.

domingo, abril 30, 2017

Grandes paulistas têm receita recorde e atingem R$ 1,6 bilhão

Arrecadações de Palmeiras, São Paulo, Santos e Corinthians, juntas, têm aumento de 43% em 2016 

Jamil Chade, correspondente em Genebra , 
O Estado de S.Paulo


Os quatro maiores clubes paulistas – PalmeirasSão PauloSantos e Corinthians – bateram um recorde em termos de arrecadações e receitas e, juntos, somaram R$ 1,6 bilhão apenas em 2016. Graças aos contratos de TV, os clubes de São Paulo registraram um aumento inédito de 43% em seus caixas em comparação a 2015.
Os dados obtidos com exclusividade pelo Estado foram analisados por Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, e baseados nos balanços dos clubes. A maior renda é do Corinthians, com R$ 485,4 milhões, seguido pelo Palmeiras, com R$ 468 milhões. O São Paulo vem na terceira colocação, com R$ 393,4 milhões, e o Santos soma R$ 295 milhões. 

Palmeiras campeão
Em 2016, Palmeiras faturou o Brasileiro e vendeu Gabriel Jesus por R$ 121 milhões ao Manchester City    
Os quatro maiores clubes paulistas – PalmeirasSão PauloSantos e Corinthians – bateram um recorde em termos de arrecadações e receitas e, juntos, somaram R$ 1,6 bilhão apenas em 2016. Graças aos contratos de TV, os clubes de São Paulo registraram um aumento inédito de 43% em seus caixas em comparação a 2015.
Os dados obtidos com exclusividade pelo Estado foram analisados por Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, e baseados nos balanços dos clubes. A maior renda é do Corinthians, com R$ 485,4 milhões, seguido pelo Palmeiras, com R$ 468 milhões. O São Paulo vem na terceira colocação, com R$ 393,4 milhões, e o Santos soma R$ 295 milhões.                                                                  
“Esse forte crescimento está associado ao incremento dos valores recebidos da TV, especialmente pelas luvas, na hora das assinaturas de contratos, e também de outras receitas de alguns clubes como as transferências de atletas e patrocínios”, explica o autor do levantamento.
Em relação ao Corinthians, o salto de 63% ocorreu em parte graças à transferência de jogadores, que garantiu uma renda de R$ 144 milhões. Já os direitos de transmissão renderam R$ 230 milhões ao clube alvinegro.
No caso palmeirense, a negociação de atletas não foi o que mais pesou, ficando abaixo até mesmo da bilheteria, que rendeu R$ 69 milhões. O Santos teve 50% de suas receitas obtidas através das cotas de TV. 
Somoggi destaca que, diante da renda recorde, os custos com futebol dos quatro clubes analisados atingiram R$ 1,03 bilhão, o maior valor da história. “Isso representa um crescimento de 9% em relação a 2015, quando os custos foram de R$ 943 milhões”, comentou. 
O que parece ser o começo de uma transformação na contabilidade dos clubes ainda tem uma relação direta com o fato de que a venda de jogadores, principalmente para o exterior, deixou de ser a principal fonte de renda dos times. Ainda que importante, essa receita começa a ver a aproximação dos valores pagos também por contratos de patrocínio e de publicidade.
DÍVIDAS
Pela primeira vez nos últimos anos, a receita garantiu que os quatro grandes clubes paulistas fechassem 2016 com superávit. No ano passado, o saldo positivo foi de R$ 175,6 milhões, contra um déficit de R$ 237,2 milhões em 2015.
“Essa melhora está intimamente ligada ao aumento dos recursos recebidos das emissoras de televisão por conta das luvas recebidas”, explicou o autor do estudo. “A questão é que em 2017 esses valores não se repetirão e os clubes paulistas podem voltar a fechar no vermelho”, alerta o especialista. 
No caso do São Paulo, o superávit de 2016 foi inferior a R$ 1 milhão. “Nos últimos três anos, os quatro grandes somaram perdas de mais de R$ 345 milhões”, constatou Somoggi. 
A renda recorde de 2016 conseguiu fazer com que a dívida total dos clubes paulistas sofresse uma pequena queda. Segundo o analista, porém, esse foi o primeiro ano que tal comportamento foi registrado. “As dívidas somadas dos quatro grandes de São Paulo em 2016 atingiram R$ 1,56 bilhão, o que significa uma queda de 4% em relação a 2015. Foi a primeira vez que isso ocorreu em muitos anos. Em 2015, as dívidas eram de R$ 1,63 bilhão”, explicou.
Apenas o São Paulo viu suas dívidas crescerem na temporada passada, com um aumento registrado de 7%, atingindo os R$ 385 milhões. Ainda assim, a maior delas é a do Corinthians, que alcança a marca dos R$ 425 milhões, contra R$ 394 milhões do Palmeiras e R$ 356 milhões do Santos. 
Esses clubes ainda esperam um sinal positivo de suas dívidas fiscais. Em 2016, elas atingiram R$ 509 milhões, aumento de 10% na comparação com 2015. “As dívidas fiscais dos quatro clubes cresceram 37% nos últimos três anos e 94% nos últimos seis anos”, diz Somoggi. 
O Palmeiras vive realidade diferente. “Mesmo com a criação do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), as dívidas fiscais dos clubes paulistas não pararam de crescer”, constata. Mas o Palmeiras decidiu “não aderir ao Profut e apresenta a menor dívida fiscal entre os adversários”, informa o consultor.