Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

domingo, março 31, 2013

Federação estuda mudanças para formato do Paulista já em 2014

LUCAS REIS
MARCEL RIZZO
DE SÃO PAULO

São Paulo e Corinthians se enfrentam neste domingo no Morumbi, às 16h, para tentar pôr fim à sequência de clássicos modorrentos que têm feito bocejar os torcedores nesta primeira fase do Paulista.

Nos últimos três encontros entre os grandes times de São Paulo, nenhum gol e pouca gente nas arquibancadas geraram uma avalanche de críticas ao formato do torneio.

Então a federação paulista, enfim, admitiu: vai alterar o regulamento da competição em 2014 por causa do calendário apertado pela Copa do Mundo. A entidade deve adotar um novo formato para as temporadas seguintes, disse à Folha Marco Polo Del Nero, chefe do futebol paulista e vice-presidente da CBF.

"Mudanças estão sendo estudadas e alguma coisa será feita", disse o cartola. "Já para 2014, por causa da Copa, com certeza. Mas nós precisamos de propostas. Quem tiver propostas que nos diga. Não temos a cabeça fechada."

Silva Junior-21.jan.13/Folhapress
Marco Polo Del Nero disse que mudanças estão sendo estudadas
Marco Polo Del Nero disse que mudanças estão sendo estudadas

A principal crítica ao atual formato, adotado em 2007 e modificado em 2011 (oito, e não mais quatro clubes passaram às finais), é a longa caminhada da primeira fase.

São 19 rodadas iniciais para um jogo isolado nas quartas e nas semifinais. A única vantagem para quem fizer a melhor campanha na fase inicial é jogar em seu estádio.

No ano passado, o Corinthians foi líder da primeira fase e acabou eliminado pela Ponte Preta, em uma tarde infeliz do goleiro Júlio César.

Del Nero adiantou que não cogita diminuir a quantidade de clubes, como alguns sugerem. "Nós temos que pensar nos interesses dos clube filiados. Não dá para diminuir a grandeza do Estado de São Paulo. Não podemos prejudicar alguns [clubes] para beneficiar outros", afirmou.

Del Nero preside a FPF desde 2003. Em 2010, foi aclamado para mais quatro anos de mandato. São os presidentes dos clubes filiados que têm direito a voto na eleição.

A Folha apurou que o sistema de pontos corridos, utilizado em 2005 e 2006, também está praticamente descartado pelos cartolas. E que uma das principais preocupações é que todos os seis grandes clássicos do Estado ocorram a cada edição.

"A competitividade inexiste. Na atual fórmula classificam-se muitos e não desperta o interesse do público", diz João Paulo de Jesus Lopes, vice-presidente do São Paulo, que elenca as cotas de TV e o aspecto histórico como pontos positivos do torneio, famoso pela constante alternância de seu regulamento e por fórmulas esdrúxulas.

A federação desenhou a tabela deste ano de tal maneira que São Paulo e Corinthians, que têm polarizado as disputas na capital, fariam o último clássico da primeira fase. E irritou profundamente ambos, que têm partidas decisivas da Libertadores fora de casa nesta semana.

"É preciso ter datas suficientes para remanejar os jogos", disse o corintiano Tite, crítico do atual Estadual. "Não acho o formato ideal."

Não é a primeira vez nesta edição que Corinthians e São Paulo têm clássicos às vésperas da Libertadores --ambos não a disputam desde os dias 13 e 14, respectivamente.

"Clássico é um campeonato à parte, mas este é um momento inoportuno aos dois clubes", afirmou Tite.

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Os sete princípios do negócio social

por Fernanda Tambelini

Muhammad Yunus, criador do conceito de negócios sociais (Imagem: Social Business Earth)

Casos de sucesso de empreendimentos sociais aparecendo cada vez mais nas páginas dos jornais, esforços de instituições de apoio – como aceleradoras de impacto, incubadoras e fundos de investimento – e um número crescente de prêmios e incentivos financeiros a negócios inovadores que combatem à pobreza e incluem a base da pirâmide atraem o interesse de empreendedores para o chamado setor 2.5.

Mas, o que distingue os negócios sociais das empresas tradicionais? Negócios sociais representam um novo modelo econômico desenvolvido pelo professor indiano Muhammad Yunus. Suas características básicas podem ser resumidas em sete princípios, listados pelo centro de negócios sociais Social Business Earth, sediado na Suíça:

  • Combate à pobreza: o objetivo da empresa deve ser combater a pobreza ou problemas relacionados a ela (como os de educação, saúde, acesso à tecnologia e ambientais) que ameaçam as pessoas e a sociedade. A maximização do lucro não faz parte das metas do negócio.
  • Sustentabilidade financeira e econômica: o empreendimento deve cobrir todos os custos, sem depender de aportes financeiros externos, enquanto alcança seu objetivo social em setores como saúde, educação, combate à pobreza, meio ambiente, habitação, mudanças climáticas etc.
  • Investidores recuperam apenas o valor investido: não há pagamento de dividendos além do valor inicialmente investido. Em um negócio social, os acionistas podem gradualmente recuperar os recursos aplicados, mas não recebem nenhum dividendo extra. O objetivo do investimento é alcançar uma ou mais metas sociais por meio das operações da empresa – investidores não almejam ganhos pessoais.
  • Lucro reinvestido: após o pagamento dos valores investidos, o lucro da empresa é reinvestido na expansão ou melhora do negócio, visando aumentar seu impacto social.
  • Consciência ambiental: mesmo que a área de atuação do negócio social não seja relacionada ao meio ambiente, é fundamental ter as questões ambientais em mente (e no plano de negócio). Não faz sentido atuar para resolver problemas sociais, sendo ecologicamente incorreto.
  • Bons salários e condições de trabalho: como na questão ambiental, é fundamental garantir ao menos a média salarial do mercado aos funcionários do negócio social, mas sempre com melhores condições de trabalho. Além de fazer o bem para os públicos externos, uma empresa social também melhora a vida de quem está dentro de casa.
  • Faça com prazer: ao entrar para o mundo dos negócios sociais, escolha uma área que te desperte paixão, que faça sentido na sua vida. Assim, será mais fácil alcançar o sucesso e impactar positivamente a vida de outras pessoas.

 

Marcos Duarte, físico e autor do livro Física do Futebol

Professor de ensino médio fala sobre o entendimento da disciplina para uma melhor compreensão do jogo
Equipe Universidade do Futebol
 

Quando se fala em futebol, é impossível dissociar a prátics da modalidade da componente física. O jogo do esporte coletivo mais popular do mundo é movimento, mas não uma série de ações quaisquer, sem ordem ou leis.

O executor - no caso, o atleta - protagoniza a criação de um cenário com preceitos determinadas antes do apito inicial. Cada passo ou passe do jogador tem uma intenção, que é, em parte, moldada pelas leis do futebol. E pelas leis da natureza.

Da mesma forma como é impossível prever o quadro de um pintor a partir da aquarela dele, a tomada de decisão de um jogador é, em princípio, também impossível de prever, mesmo com o conhecimento de tudo o que rege as normas naturais.

Isso torna o futebol tão apaixonante? O que é ser criativo em campo. Marcos Duarte, em "Física do Futebol",  procura não causar uma rasura nesse encanto, ou ensinar alguém a jogar melhor. Mas vai ajudar a compreender um pouco mais esse jogo fascinante.

"Para quem quer compreender as leis do movimento, estudar a Física do futebol é a maneira mais descontraída de fazê-lo. Este é o objetivo desta obra: mostrar para os boleiros e curiosos da Física, a Física que há no futebol", revela o autor.

Doutor em Física pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutorado na Universidade da Pennsylvania (USA) e pesquisador e professor no programa de Engenharia Biomédica da Universidade Federal do ABC, Marcos Duarte revela que o livro não só ensina Física, mas também as próprias regras do futebol e tudo o que nele acontece relacionado à Mecânica. 

Os conceitos de Mecânica são descritos de forma a cobrir todo o conteúdo normalmente abrangido no currículo de Física do primeiro ano do ensino médio, em um texto regido em parceria com Emico Okuno.

Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, no Museu do Futebol, onde até o mês de abril estará aberta a exposição "Será que foi, seu juiz?", Marcos Duarte, consultor da mesma, fala ainda sobre efeitos de ilusão de ótica e experiências visuais, a magia do gol de bicicleta, e relembra lances excepcionais de cobrança de lateral e falta.


Física do Futebol

 

Entendimento da física para uma melhor compreensão do jogo 

 

A Bicicleta 

 

Gol de falta de Roberto Carlos - Brasil x França (1997) 

 

O Pênalti 

 

O lateral com cambalhota

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Desenvolvendo um microciclo de treinamento

Elementos centrais no planejamento e operacionalização da periodização com jogos
Eduardo Barros / Universidade do Futebol
 
Imagens meramente ilustrativas

Frequentemente sou questionado pelos leitores sobre qual a melhor maneira de construir/planejar os treinos. Com o objetivo de desenvolverem grandes equipes e obterem êxito no futebol, professores e treinadores em diferentes áreas de atuação questionam-me sobre as sessões de treinamento, os tipos de exercícios, as características e objetivos das atividades, além de perguntas sobre a quantidade e finalidade de algumas regras.

Quem acompanha minhas publicações, sabe que sou adepto a uma periodização de jogos embasada na metodologia sistêmica. Neste modelo de periodização, com exceção dos exercícios funcionais e proprioceptivos (aplicados em sessões independentes do trabalho de campo), todo exercício criado é jogo. Para desenvolvê-los, alguns elementos são indispensáveis e serão apresentados na sequência desta coluna.

1- Nível de jogo atual
É ele quem norteia a semana de atividades. Geralmente estabelecido a partir do último jogo oficial, em que os comportamentos individuais e coletivos podem ser analisados qualitativa e quantitativamente, evidenciando pontos fracos e pontos fortes do sistema/equipe nos diferentes momentos do jogo.

2- Nível de jogo pretendido
Determinado pelas (utópicas) ideias de jogo do treinador. A partir do “jogo jogado na cabeça do treinador” e daquele apresentado anteriormente, é possível planejar quais são as necessidades da equipe e como elas serão trabalhadas através das sessões de treinamento.

3- Próximo adversário
Conhecer o Modelo de Jogo do adversário para inserir, ao longo do microciclo, situações-problema semelhantes as que serão encontradas no jogo.

4- Conteúdos do Currículo
Compreensão dos conteúdos práticos do Currículo desenvolvido no Paulínia FC em 2009 (Lógica do Jogo, Competências Essenciais do Jogo, Referências do Jogo, Conteúdo Estratégico-Tático, Funções no Jogo e Relação com companheiros). Os jogos são elaborados a partir de cada um dos conteúdos, temas e sub-temas.

5- Objetivo de cada jogo
Apesar de cada atividade manter a totalidade do jogo, logo, manter os seus quatro momentos, é fundamental saber o que se quer com o treino para direcionar as intervenções e as resoluções dos problemas ao que precisa ser aperfeiçoado. Espera-se o domínio da intervenção pretendida com a atividade, seja ela individual, grupal, setorial, intersetorial ou coletiva. Não há problema algum ter vários objetivos numa mesma atividade. Irá depender, obviamente, do nível de compreensão/aplicação em que a equipe se encontra em cada conteúdo do jogo.

6- Criação dos Jogos
A criação do jogo implica a definição das regras, que modificarão a Lógica do Jogo se comparada ao futebol; do número de participantes, que deixará a atividade mais ou menos complexa; além do espaço; do tempo e do metabolismo predominante, que poderá ser alático, glicolítico ou aeróbio.

A partir destes elementos, está preparada a sessão de treino. Seu resultado será o produto da aplicação do jogo, das suas intervenções ao longo da atividade e do feedback pós-treino. O começo, o meio e o fim da sessão devem fazer sentido e os jogadores terem a total compreensão dos porquês de cada atividade. Caso contrário, tudo não terá passado do jogo pelo jogo, ou seja, um ambiente pobre de aprendizagem num cenário em que treinar jogando deixará de maximizar os benefícios e potencializará os riscos. Falemos sobre isso numa outra oportunidade.

Para concluir, os itens supracitados compreendem o pré-requisito para a discussão de colunas futuras que abordarão uma proposta de microciclo de periodização com jogos para ser aplicada em equipes sub-20 e profissionais.

Aguardo a opinião dos leitores sobre estes elementos, elencados a partir de inúmeras leituras direta ou indiretamente relacionadas ao futebol, e também aceito sugestões para o aperfeiçoamento diário que deve ser nossa atuação profissional.

Bons treinos a todos!

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INCLUSÃO: FUTEBOL SOCIAL

Futebol Social

O Futebol Social promove um movimento pioneiro e inédito que conecta jovens e comunidades carentes de todo o país, tendo como objetivo principal integrar, motivar e fortalecer os projetos sociais participantes. Participam jovens de 16 a 20 anos, que vivem em situação precária de moradia (ou sem moradia), sob risco social e sem condições plenas de desenvolvimento. Eventos e torneios locais são realizados em diversas cidades do país, em conjunto com outras ações comunitárias e de cidadania e uma grande final conecta jovens de todo o país. Os jovens são ligados a projetos sociais e/ou movimentos comunitários que fazem parte da Rede Futebol Social e estão ligados a periferias, favelas, comunidades ribeirinhas, população de rua, entre outros grupos socialmente excluídos. Um dos resultados do projeto é a formação das seleções brasileiras masculina e feminina que jogam o CAMPEONATO MUNDIAL DE FUTEBOL SOCIAL.

Os projetos sociais são responsáveis pelas atividades regulares de seus participantes e pela seleção local da equipe que jogará os torneios do Futebol Social, levando em consideração uma série de aspectos sociais, e não apenas os meramente técnicos. Aliado a isso, atividades complementares e parcerias vêm sendo construídas com o intuito de proporcionar oportunidades aos jovens envolvidos, de maneira que o futebol seja o grande motivador e aglutinador, atuando com um meio e não apenas como o único fim.

Evento global anual que reúne populações excluídas de todo o planeta. Hoje conta com representantes de mais de 70 países e com o apoio de com o apoio de organizações, clubes e personalidades como Romário, Manchester United, UEFA, ONU, Paulo Coelho, Rio Ferdinand e Eric Cantona, entre vários outros. Ocorre anualmente desde 2003 e já passou por grandes capitais mundiais como Milão (Itália), Edimburgo (Escócia), Cidade do Cabo (África do Sul), Melbourne (Austrália), Copenhague (Dinamarca) e Paris (França), entre outras.


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sexta-feira, março 29, 2013

Por que estádios tão vazios? 17 motivos para não ir aos jogos

Futebol tem que disputar mercado com outras opções de entretenimento, num mundo onde a preocupação em atender bem ao consumidor é a regra
Fernando Pinto Ferreira*
 

Estádios vazios

Cada vez mais longe dos estádios

Nesta série, em que a Pluri analisa a crise de público nos estádios brasileiros, chegou a hora de abordar as principais razões para o problema. Acreditamos firmemente que analisar o impacto de cada um desses fatores é fundamental para uma melhor compreensão do problema, permitindo assim que se proponham soluções mais eficientes.

Nossos relatórios anteriores mostraram que a média de público no futebol brasileiro como um todo anda abaixo de 4,6 mil torcedores por jogo, que vão desde o Brasileirão da Série A com 13 mil pessoas em média, até os campeonatos estaduais e suas quase 3 mil testemunhas por jogo.

Essa é uma situação grave, um risco real ao futebol do país, e não há como negar que por trás deste problema há um pressuposto equivocado cultivado por anos dentro dos clubes, de que a paixão pelo futebol faz com que o torcedor aceite qualquer desaforo para ver de perto o seu time do coração.

No passado isso poderia se justificar, mas a realidade mudou, e hoje o futebol tem que disputar mercado com outras opções de entretenimento, num mundo onde a preocupação em atender bem ao consumidor é a regra.

Infelizmente, chegamos a um ponto em que vários fatores agem para manter os torcedores longe dos estádios, e resolver um ou outro fator isoladamente não trará o torcedor de volta, é preciso atuar de forma ampla, sob todos os aspectos. A seguir estão os 17 principais motivos que identificamos, divididos entre os de alto impacto e os de médio e baixo impacto:

Fatores de alto impacto sobre o público

o Violência

– A cada problema de segurança dentro ou fora dos estádios, piora um pouco mais a imagem do futebol como alternativa de entretenimento. E nesse cenário é justamente a família, o melhor perfil de público-alvo, a que mais se afasta;

o Preço dos ingressos

– Nos últimos anos o preço dos ingressos disparou no Brasil, enquanto a qualidade do produto entregue ao torcedor (cliente) permaneceu muito ruim. E com o aumento da oferta (maior número de jogos) decorrente de um calendário ruim, a situação se agrava. Existe uma correlação direta (beta) entre o aumento dos preços e a queda do público médio nos estádios mas, paradoxalmente, quanto mais vazio fica o estádio, mais o preço do ingresso sobe. É uma estranha forma que o futebol brasileiro encontrou de revogar a lei da oferta e procura

o Qualidade dos estádios

– A nova geração de estádios mudará o nosso cenário em termos de equipamentos. Porém, considerando as arenas inauguradas recentemente, continuamos com o mesmo padrão de serviços de sempre;

o Oferta de pay per view

– Não há como negar que a possibilidade de assistir a vários jogos com conforto, comodidade e segurança, próximo aos amigos e à família são vantagens que o pay-per-view oferece em relação à ida ao estádio, principalmente a um custo próximo a R$ 70/mês. Porém, não podemos esquecer que a TV paga a os clubes por este direito de transmissão, cabendo a eles calcular se o que recebem por isso compensa a perda de receita resultante da fuga do torcedor;

o Outras opções de entretenimento (cinemas, teatro, bares, praia, etc)

– No passado, ir ao jogo de futebol era uma das poucas alternativas de diversão para boa parte da população, um dos motivos a explicar os grandes públicos de décadas atrás. Hoje o futebol está sob ataque claro de diversas outras formas de entretenimento, geridas de forma muito mais profissional e orientadas a oferecer ao cliente o máximo possível como experiência de lazer. E na medida em que o preço do ingresso aumenta, o futebol disputa justamente o público que mais tem opções de entretenimento para consumir;

o Pouca importância dos jogos

– Com competições extensas e pouco atraentes (estaduais) a maior parte dos jogos tem pouca importância, concentrando a atenção dos torcedores dos principais times (os que tem mais torcida) apenas nos jogos decisivos;

o Baixa qualidade / tradição do adversário

– Com campeonatos que misturam equipes profissionais com semi profissionais (estaduais), os torcedores escolhem ir apenas aos jogos de qualidade menos ruim;

o Nível de competitividade do time local / má posição na tabela

– Fase ruim, estádio vazio. Essa é uma máxima para a maior parte dos clubes, provando que a ida ao jogo de futebol não é vista pelo torcedor como uma experiência plena de entretenimento. Nesse ponto, nada melhor do que se espelhar nos esportes americanos.

Fatores de Médio e Baixo impacto sobre o público 

o Horário dos jogos

– é certamente um fator negativo, mas a quantidade de jogos que ocorrem fora do horário convencional é relativamente pequena em relação ao total de jogos, portanto seu impacto sobre a presença total de público nos estádios é menor do que parece;

o Dificuldade na compra de ingressos

– Um bom castigo para o torcedor é enfrentar filas intermináveis para comprar ingressos, prática medieval em pleno século XXI. E o que dizer de comprar pela internet e depois ter que entrar numa fila para pegar o ingresso? Tem isso!;

o Acesso ruim ao estádio (incluindo localização, acesso e trânsito no entorno) – Muitos estádios não sofrem deste problema, mas em alguns certamente é um fator que faz o torcedor pensar 10 vezes antes de ir ao jogo;

o Oferta de Meios de transporte

– Em alguns estádios, a baixa oferta de meios de transporte que acessam o estádio desestimula a ida do torcedor. A situação se agrava nos jogos que iniciam mais tarde;

o Oferta de estacionamento (custo, quantidade de vagas e proximidade)

– Nada pior do que ir a um jogo tendo que pagar caro para deixar o carro longe, e sob os cuidados de flanelinhas, que simplesmente estão ali para cobrar um “pedágio” do torcedor;

o Oferta de alimentação

– Você conhece algum lugar onde se coma tão mal, pagando tanto, como um estádio de futebol?;

o Oferta de serviços

– Ao contrário do que ocorre na Europa e EUA, a oferta de produtos e serviços disponível para o torcedor é pequena, diminuindo a “atmosfera de jogo” que por si só seria um atrativo para o torcedor;

o Clima 

– O problema afeta principalmente as cidades mais frias e chuvosas, em especial em estádios que não são preparados para dar ao torcedor o conforto que ele teria, por exemplo, se assistisse ao jogo em
sua casa;

o Excesso de jogos na TV

– A overdose de jogos tem o seu efeito, mas a maioria das partidas que passa na TV (campeonatos europeus, jogos de seleções, etc) acontece em horários diferentes dos campeonatos pelo país, o que reduz o impacto deste fator sobre a ida de público aos estádios.

*Economista, Especialista em Gestão e Marketing do Esporte e Pesquisa de Mercado.

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Gestão no futebol brasileiro: os princípios do modelo Taylorista/Fordista

Muitos dos aspectos de funcionamento de qualquer organização repetem o padrão da indústria, e as organizações ligadas ao futebol não são exceção

Luis Filipe Chateaubriand*

A área do saber denominada Administração é datada do início do século XX, de forma oficial. Esta área do saber tem seu marco inaugural com a publicação do livro "Princípios de Administração Científica", de Frederick Taylor, em 1911.

Taylor orientou seus trabalhos para o funcionamento das fábricas das empresas. Entendia que, com o melhor aproveitamento do trabalho fabril, através de boa gestão, as indústrias incrementariam sua produtividade e, em consequência, sua produção.

Para tanto, preconizava que deveria ser executado um planejamento detalhado do trabalho fabril. Este deveria ser composto, por um lado, por uma ótima sequência de tarefas fabris e, por outro, pela padronização da realização de cada tarefa. O método foi denominado organização racional do trabalho (ORT).

Os princípios tayloristas não se resumiam, no entanto, à estruturação das tarefas industriais: seria necessário, igualmente, motivar os colaboradores – operários, no caso; segundo a visão de Taylor, a motivação dava-se através de dinheiro, seria a oferta de valores pecuniários que estimularia os empregados a produzirem mais e melhor (o salário por peça e o prêmio de produção), sendo esta a visão econômica do ser humano, conhecida como homo economicus.

Henry Ford foi um conhecido industrial do início do século XX, fundador das Ford Motor Company, ícone da indústria automobilística. Notabilizou-se por fabricar veículos automotivos em larga escala, o que propiciava a redução de custos por unidade produzida e, por decorrência, o barateamento dos preços de produtos finais.

Totalmente alinhado com os princípios de Taylor, Ford introduziu inovações fabris como a linha de montagem seriada, que revolucionou a escala de produção das indústrias da época.

Taylor e Ford possuíam ideias revolucionárias e complementares para a época e, assim, criaram as bases da gestão das indústrias, sendo que muitos dos princípios defendidos são válidos ainda nos dias atuais. O modelo Taylorista/Fordista permanece sendo útil em vários contextos, mesmo passado cerca de um século de sua inauguração.

E o futebol brasileiro em relação a isso tudo? Não se deve esquecer que muitos dos aspectos de funcionamento de qualquer organização repetem o padrão da indústria, e as organizações ligadas ao futebol não são exceção. Princípios do modelo Taylorista/Fordista são úteis à gestão de nosso futebol.

Exemplos? Alguns deles são:

• A base do aumento da produção é a repetição das tarefas, ou operações. Pense em um jogador de futebol que, tal qual o operário, repete à exaustão a execução de um fundamento, como cobranças de faltas, por exemplo. Um Zico, um Roberto Dinamite, um Rogério Ceni. Repetição gera perfeição. No futebol repetir exaustivamente os fundamento leva à excelência do jogo, que leva à satisfação dos torcedores, que leva ao aumento da assistência, que leva ao incremento do faturamento.

• O modelo preconizava que era importante, para o resultado final, a presença de ferramental apropriado para a execução dos serviços. Ora, os exemplos de ferramentais, que devem ser apropriados, são diversos: bolas, chuteiras, meias, calções, camisas, caneleiras, centros de treinamentos, centros de fisiologia, centros médicos, etc.

• Os autores defendiam ideias ligadas a produzir muito, para se vender muito. Vender muito é tudo que o futebol brasileiro de hoje precisa, tanto em termos de ingressos e público que aflui aos estádios, como em termos de gente que assiste pela televisão, aumentando as cotas de transmissão.

• Salário por peça e prêmio de produção são conceitos que podem ser adaptados ao futebol: no dia em que os clubes pagarem salários fixos menores e atrelarem parte substancial da remuneração à produtividade e aos resultados, dar-se-á um passo decisivo para a melhoria da estrutura organizacional dos clubes.

• Os autores preconizavam que o trabalho dividido e a especialização do operário gerava aumento de produtividade na fábrica. Será que, em se fazendo o mesmo no futebol, os resultados não são melhores?

Muitos consideram que, hodiernamente, Taylor e Ford são autores superados. Pode até ser, em determinados contextos. Mas será que em todos? Para os gestores do futebol brasileiro, fica a reflexão.

*Luis Filipe Chateaubriand é professor universitário na área de Gestão

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quinta-feira, março 28, 2013

Qual o tamanho das torcidas no Brasil?

Pesquisa mostra que entre os cinco primeiros clubes colocados em tamanho de seguidores, três pertencem ao Estado de São Paulo
Fernando Pinto Ferreira*
 

A Pluri Stochos divulga a sua primeira pesquisa nacional sobre torcidas no Brasil.

O processo foi conduzido em 146 municípios, em todos os 26 estados e mais o Distrito Federal, e ocorreu entre novembro de 2012 e fevereiro de 2013.

A amostra compreende 21.049 entrevistados, acima de 16 anos e identifica a preferência do torcedor brasileiro pelos clubes. A margem de erro para o universo pesquisado é de 0,68%.

O levantamento do tamanho das torcidas brasileiras é parte integrante do estudo Brand Tracking do Futebol, que desde 2008 representa o mais completo estudo mercadológico sobre o torcedor de futebol no país.

*Economista, Especialista em Gestão e Marketing do Esporte e Pesquisa de Mercado.

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Futebol social: um exemplo a ser seguido

Grandes clubes precisam seguir alguns bons e poucos exemplos no Brasil e irem além de apenas acompanhar o desempenho escolar dos seus jogadores da base
Gustavo D’Avila / Universidade do Futebol
 

“Não há como os clubes de futebol fugirem de seu novo papel numa sociedade que cada vez mais tende à complexificação”. – Benê Lima

Já passou do momento de nos preocuparmos com uma das principais responsabilidades social do futebol, que é formar cidadãos preparados para uma inserção na sociedade com oportunidades reais de trabalho.

Atualmente os grandes clubes precisam seguir alguns bons e poucos exemplos no Brasil e irem além de apenas acompanhar o desempenho escolar dos seus jogadores da base, eles podem incentivar e influenciar a participação de seus atletas em formação superior, pois a grande maioria dos meninos que chegam aos clubes de futebol busca conquistar o sonho de uma grande carreira no futebol profissional, rentável e promissora. Porém, sabemos que isso na maioria dos casos não é o que acontece com eles.

É neste momento que entram em cena os clubes grandes, pois estes podem e devem ir além do seu atual papel, criando oportunidades para que os futuros atletas possam se tornar profissionais promissores dentro ou fora do esporte.

É necessário que estes atletas recebam uma boa orientação vocacional para que possam passar a enxergar outras alternativas de profissionalização além das quatro linhas.

Ao ser bem orientado quanto as suas aptidões e sobre seu perfil comportamental os futuros profissionais, do esporte ou não, podem ter clareza sobre quais profissões ou carreiras poderiam seguir caso a empreitada no esporte não seja bem sucedida ou caso este atleta esteja no inevitável momento do final da carreira no esporte.

Soma-se a este novo cenário de atuação social do futebol e explosão tecnológica que passamos atualmente e que nos envolve cada vez mais num mundo que extrapola o relacionamento presencial entre as pessoas e amplia as possibilidades do mundo através do universo digital que se desenvolve dia após dia bem em frente aos nossos olhos e muitas vezes sem que percebamos a sua presença.

Isso abre uma grande possibilidade de fomento à participação dos atletas em cursos de graduação que ofereçam atividades presenciais associadas a conteúdos virtuais, o que atenderia períodos nos quais os atletas estivessem fora de sua cidade base na qual o clube esteja instalado.

Pode-se ainda elaborar estratégias para estabelecer convênios com essas universidades para que sejam oferecidas bolsas de estudo e que permitam de alguma forma ações que aproximem os atletas das instituições de ensino.

Bem, penso ser fundamental para este movimento social um amplo e franco trabalho de conscientização dos atletas sobre a brevidade da carreira no esporte e a necessidade de pensar no futuro, pois este começa sempre no presente e suas ações do momento atual escreverão os caminhos que os levarão ao amanhã.

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