Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, agosto 30, 2012

FCF amplia espaço para diálogo em sua Ouvidoria

Em conformidade com a política de prover o cidadão-desportista de maior representatividade no contexto do futebol cearense, a Federação Cearense de Futebol, através de sua Ouvidoria pela qual respondemos, cria mais um canal de comunicação com o torcedor cearense, esperando potencializar o diálogo que a democracia tanto preconiza.

Historicamente, a figura do Ouvidor ou ombudsman não constitui um fato novo. Ao contrário, há pelo menos dois séculos já temos indícios de seu surgimento na Europa, como uma evidente reação dos cidadãos frente ao poder do Estado. No Brasil, as primeiras iniciativas deveram-se à iniciativa privada, por força da percepção da necessidade de maior transparência nas relações entre as empresas e seus consumidores, bem como um diferencial a ser apresentado a seu público em função do acirramento da concorrência.

Com a criação do Código de Defesa do Consumidor, o Ouvidor ou ombudsman passou a ganhar mais espaço, tanto na iniciativa privada como junto aos órgãos públicos. Nos dias atuais, esse profissional tem como função precípua receber críticas, sugestões e reclamações, sendo um agente permanente de defesa da cidadania, condição que acaba por repercutir no aperfeiçoamento dos serviços e produtos que são destinados à população.

Cartão de visitas - 01

Portanto, integra a lista de atividades inerentes ao Ouvidor ou ombudsman, a busca por identificar as causas da reclamação-problema, a sua procedência, a sua autenticidade e os meios para solucioná-la.

O que de acréscimo pretendemos implantar a essas atividades é dela fazermos algo construtivo e producente, pelo estabelecimento do necessário estímulo ao diálogo entre consumidor(a) e empresa, cliente e prestador(a), desportista e entidade de administração do desporto, torcedor(a) e dirigente. Para tanto, está sendo criado mais um espaço no Site da FCF, com o qual esperamos dar atendimento aos questionamentos, dúvidas, críticas e sugestões do torcedor cearense. Desse modo,  estará criada a precondição de um mais estreito diálogo entre Ouvidoria e desportistas.

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quarta-feira, agosto 29, 2012

Deputado quer publicidade grátis em uniformes para quitar dívidas dos clubes

Em reunião com o presidente da CBF, deputado federal José Rocha (PR/BA) também sugeriu que a Timemania seja restaurada e fique mais atraente para os torcedores
Equipe Universidade do Futebol

Após o "fracasso" da Timemania nas lotéricas, o governo federal está em busca de novas alternativas para resolver o problema das dívidas públicas dos clubes.

Em reunião com o presidente da CBF, José Maria Marin, que também contou com a presença do vice Marco Polo Del Nero, do diretor Jurídico da entidade, Carlos Eugênio Lopes, e de diversos representantes de clubes, o deputado federal José Rocha (PR/BA) sugeriu uma ação um tanto quanto inusitada.

O parlamentar, que é presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, indicou que as dívidas fiscais e tributárias dos clubes sejam compensadas por meio de publicidade das empresas públicas nas camisas dos times.

"São sugestões para serem discutidas, assim como a situação atual das dívidas, que os clubes não conseguem equacionar com os recursos oriundos da Timemania", disse Rocha ao site oficial da CBF.

Para Del Nero, essa forma de equacionar as dívidas dos clubes "poderá servir como um paradigma no futebol".

Outra ideia dada pelo deputado foi a possibilidade de a Timemania ser restaurada e ganhar um formato mais atraente para o torcedor.

Porém, segundo a CBF, esta iniciativa ainda está em fase de avaliação juntamente com a Caixa Econômica Federal.

Com isso, a proposta que deverá ser levada à Câmara através do Ministério do Esporte vai sugerir que os clubes deem como contrapartida o investimento no esporte olímpico para quitar os débitos.

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O calendário do futebol brasileiro em 2013

Ao invés de se buscar tímidas mudanças que pouco acrescentam, por que não se fazem amplas alterações, que muito podem contribuir para a saúde financeira e organizacional dos clubes?
Luis Filipe Chateaubriand* / Universidade do Futebol

Calendário do Futebol Brasileiro

Foi lançado, esta semana, o calendário do futebol brasileiro para 2013. Pode-se dizer que há melhorias em relação a anos anteriores. No entanto, estas são tímidas, pontuais, insuficientes.

Não seria melhor fazer um calendário definitivo, com mudanças profundas, transformadoras e adequadas?

Para não se dizer que “não falei das flores”, há dois fatores a serem louvados no projeto divulgado: a volta da Copa do Nordeste e a inclusão dos clubes que participam da Taça Libertadores da América na Copa do Brasil.

A volta da Copa do Nordeste é imperiosa! É muito penoso – tanto do ponto vista técnico, como do ponto de vista comercial – para os grandes clubes nordestinos jogarem deficitários campeonatos estaduais da região, ao invés de se confrontarem em interessante torneio interestadual (ou regional, se preferirem esta denominação). Grande “bola dentro” da CBF.

No entanto, é um erro fazer com que os clubes que disputam o Nordestão tenham que disputar, também, os Estaduais, que lhes são deficitários. O certo seria que os grandes clubes do Nordeste – Sport, Náutico, Santa Cruz PE, Bahia, Vitória, Fluminense, Ceará, Fortaleza, América, ABC, Botafogo, Treze – disputassem apenas o torneio nordestino, que é rentável, e não torneios que não lhes servem para nada.

Outra modificação interessante é permitir que os clubes que irão à Libertadores em 2013 possam jogar a Copa do Brasil. Não faz sentido os clubes que jogam as competições continentais ficarem alijados das copas nacionais – em nenhum país do mundo civilizado do futebol isso acontece. Corrigir a distorção é algo benéfico.

No entanto, mesmo esta modificação, louvável, apresenta problemas em sua configuração: os clubes que estão na Libertadores só começam a jogar a Copa do Brasil quando a Libertadores acabar; por óbvio, a Libertadores termina bem antes da Copa do Brasil.

Isso não deveria acontecer. Em países com futebol desenvolvido e organizado, tanto as competições continentais, como as copas nacionais, estendem-se ao longo da temporada toda, para evitar que clubes priorizem, em dado período, uma competição, em detrimento de outra.

De resto, as mesmas monumentais e irracionais distorções de sempre. Relato apenas as principais – pois, para relatar todas, o leitor ficaria por boas horas à mercê deste texto –, que são:

• Não se adaptou nosso calendário ao europeu ou, como Juca Kfouri diz, ao mundial. Com isso, vamos continuar sofrendo com transferências de jogadores na “janela” de meio de ano (muito mais nociva que a do início do ano) e com a perda de grandes jogadores para os clubes, como Neymar, para disputarem Olimpíadas, Copa América, etc.

• O Campeonato Brasileiro continua tendo rodadas aos meios de semanas, quando deveria ter rodadas apenas aos fins de semanas.

• Os campeonatos estaduais continuam inchados – seja em número de rodadas, seja em número de participantes – e ainda têm algumas rodadas jogadas em fins de semanas, obrigando rodadas do Campeonato Brasileiro a serem alocadas em meios de semanas.

• Quando a seleção joga, clubes também jogam: um absurdo!

• As competições jogadas em meios de semanas não são distribuídas ao longo da temporada, mas jogadas em partes específicas desta, fazendo com que clubes, em determinado período, deixem em segundo plano alguma competição para priorizar outra.

• A pré-temporada é ridícula, limitando-se a pouco mais de uma semana.

• Clubes grandes podem fazer mais de 80 jogos oficiais por temporada, mais do que o razoável.

• Centenas de clubes pequenos podem fazer menos de 20 jogos oficiais ao longo de três ou quatro meses do ano, menos que o razoável e uma aberração dolorosa, que gera desemprego em massa de profissionais do futebol.

Então, fica aqui a minha sugestão para a nova diretoria da CBF: por que, ao invés de se buscar tímidas mudanças que pouco acrescentam, não se fazem amplas mudanças, que muito podem contribuir para a saúde financeira e organizacional dos clubes?

Não é preciso mudar o eixo da Terra para se fazer o óbvio.

*Luis Filipe Chateaubriand é Mestre em Administração Pública pela EBAPE / FGV, Analista de Logística e Suprimentos da DATAPREV e Autor do Livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.

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A realidade em Pelé corresponde à atualidade em Messi

Benê Lima

Pelé e Messi não são caras-metades…

Na filosofia mística, faz-se distinção entre os conceitos de REALIDADE e ATUALIDADE. Esta, necessariamente, inclui nossa percepção através da mente objetiva. Portanto, nem tudo que é REAL, é, para nós, ATUAL, pois a atualidade requer nossa percepção objetiva, além do conhecimento de uma dada realidade.

Isto posto, creio que uma boa proposta para acomodarmos a rivalidade entre Pelé e Maradona, brasileiros e argentinos, já que Messi nem de longe demonstra qualquer preocupação com essa pendenga, seria considerarmos que Pelé é a realidade etérea, mística, espiritual e sobrenatural, enquanto Messi é a atualidade, artística, concreta, apologética, por hora antissurealista, mas apenas por não ser ainda uma obra encerrada, por isso ainda sujeita a acréscimos que a engrandeçam mais e mais.

Pelé e Messi, Messi e Pelé, ambos artistas, gênios, logo com obras e características incomuns, incomparáveis, até mesmo entre eles. Cada um renascentista, agentes ativos da criatividade e da inovação, nascidos em sua época, em seu tempo, contudo, paradoxalmente estrelas que expressam como ninguém a atemporalidade.

 

Messi e Pelé no prêmio Bola de Ouro da FIFA (Foto: AP)… e sim individualidades dignas do maior respeito dos desportistas do planeta

É quase insano discutir quem é o melhor deles, se Pelé ou Messi, ou mesmo Maradona. Poderíamos até considerar que gênios não possuem pátria; são patrimônio da humanidade, são símbolos supranacionalistas, que estão em consonância com a vigência do conceito de globalização.

Não façamos apostas que utilizem os gênios como fator de discussão. Eles não se prestam a discussões. Gênios são passíveis de apreciação encomiástica, admiração, louvação, ode, e mais...

Na caixa de diálogo dos processadores de textos, Pelé e Messi não devem ser aceitos com tarjas ou sublinhas de nenhuma cor, mas sim devem ser adicionados aos dicionários como vocábulos reconhecidos.

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A análise que constrói como contraponto à euforia que embevece

Benê Lima

 

Rodrigo Clemente/EM/D.A PressEntre as frases feitas e as refeitas no ambiente do futebol jogado, a que melhor define o desempenho do time do Ceará diante do mineiro América, é a que sustenta que “o ataque começa na defesa”. E é mesmo. Ou assim tem-se mostrado. Isso dá caráter quase assertivo à frase, o que enseja às comissões técnicas moldarem seus trabalhos a partir dela.

 

Na partida de ontem, tantos foram os desarmes da equipe alvinegra, que isso acabou resultando no desafogo do reduto do goleiro Fernando Henrique, bem como no maior número de jogadas ofensivas da equipe de Paulo César Gusmão em um jogo fora de casa. De outra parte, mas ainda sob a premissa da retomada da bola, a transição ofensiva contou com muito mais quantidade, situação que veio em proveito do aumento da qualidade. Apenas para corroborar a tese e prevenir-me contra as antíteses, fica o registro de que tamanha consistência defensiva alvinegra não tem anterioridade no presente Brasileiro, pois certamente não há registro em estatísticas, scouts, relatórios, o que seja.

 

Numa apreciação menos minudente e mais generalista, é natural que se abstraia os aspectos mais críticos do desempenho da equipe do Ceará, a eles sobrepondo os traços mais característicos dos elogios. No entanto, neste ponto é importante reproduzirmos o pensamento de Claudio Bernabucci, quando diz: “Para reverter esse quadro perigoso [do pensamento único], é preciso que se difunda o pensamento crítico, hoje minoritário. O papel da mídia independente é de informar sobre os fatos e ideias que os outros não querem ou não podem contar”.

 

 

América x Ceará - Rodrigo Clemente/EM/D.A Press

A marcação do Ceará foi fator determinante para a vitória

 

 

Portanto, que os que comandam o Ceará Sporting Club não se deixem nem esmorecer com as derrotas nem embevecer pelas vitórias – todas episódicas -, analisando um e outro extremo com a clarividência que as situações exigem, a fim de que não se mistifique a produção, este que é o mais confiável e consistente fator de avaliação.

 

O Ceará ganhou do América com autoridade, embora a construção do placar, como se deu, não sustente com objetividade cartesiana o conteúdo de tão contundente afirmação. Mas também não há porque refutá-la, sobretudo quando ainda contamos a nosso favor com os componentes da subjetividade e da sensibilidade.

 

Fotos: Rodrigo Clemente

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terça-feira, agosto 28, 2012

Conferência Estadual debate sobre os direitos da pessoa com deficiência

Conferncia_DireitosO Governo do Estado, por meio da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus), reúne desta quarta-feira (29) a sexta-feira (31) cerca de 300 delegados na III Conferência Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Este ano, o evento tem como tema “Um olhar através da Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência: novas perspectivas e desafios”. A solenidade de abertura acontece nesta quarta-feira (29), no Pavilhão Leste do Centro de Eventos do Ceará, às 18 horas, com a presença da secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo.

 

No segundo dia de evento, às 8 horas, o secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira palestra sobre "Os Desafios da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência". Durante a Conferência também serão eleitos os 22 delegados que irão participar da III Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência que será realizada entre os dias 3 e 6 de dezembro de 2012, na cidade de Brasília-DF. Os 300 delegados que participam do evento são representantes da sociedade civil e do poder público apontados nas conferências realizadas nas regiões: Norte/Ibiapina; Matropolitana/Maciço de Baturité; Sertão Central; Inhamuns; Cariri/Centro Sul; Litoral Leste/Jaguaribe e Litoral Oeste; bem como em 15 conferências municipais.

 

A III Conferência Estadual têm por objetivo ampliar as possibilidades de articulações entre o governo, município e os diversos segmentos sociais, possibilitando a participação popular na construção de uma Política Estadual e Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. As discussões giram em torno de cinco eixos: Eixo 1 - Educação, Esporte, Trabalho e Reabilitação Social; Eixo 2 - Acessibilidade, Comunicação, Transporte e Moradia; Eixo 3 - Saúde, Prevenção, Reabilitação, Órtese e Prótese, Eixo 4 - Segurança, Acesso à Justiça, Padrão de Vida e Proteção Social Adequado.

 

A III Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado do Ceará é um evento que se inscreve dentro da discussão das questões de igualdade de direitos, bem como apoiar a adoção, pelo poder público, pela iniciativa privada, de políticas de ação afirmativa como forma de combater a desigualdade e garantia dos direitos das pessoas com deficiência, em conformidade da Resolução Nº. 003/Conade – Presidente do Conselho Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, de 03 de novembro de 2011 e Resolução 001/Cedef – Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, de 25 de janeiro de 2012. A Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência é uma seletiva para a III Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

 

O evento é realizado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Cedef), vinculado à Sejus, e conta com o apoio do Governo do Estado do Ceará por meio da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Idosos e Pessoas com Deficiência e do Gabinete da Primeira Dama do Estado.

 

28.08.2012

Assessoria de Comunicação da Sejus

Bianca Felippsen (85 3101.2862 - 8878.8464)
www.sejus.ce.gov.br

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segunda-feira, agosto 27, 2012

Entrevista] Benê Lima: “Expert Commentator” [Comentarista Especialista]

BENÊ LIMA  - Por Ronaldo Déber
15/07/2010 – Matéria originalmente postada no www.artilheiro.com.br


“Sou um autodidata convicto. Mas não faço rejeição alguma ao estudo formal, pelo contrário sou um incentivador. Porém, reconheço que um bom autodidata precisa possuir uma sólida base como discente, pois, é ai que a informação adquirida vai interagir com as capacidades inatas e também com as adquiridas, resultando no saber”.


CONFIRA A ENTREVISTA

Homem de radio e do esporte, Benê Lima é figura conhecida no cenário esportivo cearense, por suas opiniões e comentários polêmicos sobre o “mundo da bola”. Inteligência privilegiada, rapidez de raciocínio, tranquilo, porém firme em suas colocações.

Estas são algumas das facetas deste autodidata que flutua entre o estudo e a criação. “Sou um autodidata convicto. Mas não faço rejeição alguma ao estudo formal, pelo contrario sou um incentivador. Porém, reconheço que um bom autodidata precisa possuir uma sólida base como discente, pois, é ai que a informação adquirida vai interagir com as capacidades inatas e também com as adquiridas, resultando no saber”, afirma Benê.

Membro da organização místico-filosófica e iniciática, Ordem Rosacruz há trinta e um anos, Benê atribui a essa proveitosa relação com a organização sua visão humanista e holística vivida no ambiente da filosofia mística.

Foi tomando por base recente convite internacional feito ao radialista, comentarista e âncora como ele mesmo se classifica que “batemos este papo” informal. 

Artilheiro – Benê Lima, você é um comentarista “das coisas do Esporte” em especial do cearense. Qual a fonte de sua experiência na área esportiva? 
Benê Lima - A base da minha experiência é a observação aliada ao estudo. Repito, me considero, essencialmente, um autodidata. Mas um autodidata que possui uma muito boa base formal, a ponto de ter podido formular um caminho de autodescoberta, e o que é melhor, a baixo custo. Um bom exemplo disto é a experiência teórica vivida no cotidiano por nossos clubes, somada à experiência prática obtida no Caucaia [Caucaia Esporte Clube].

Uma outra experiência que tem tido boa visibilidade é a em que ele acumula os cargos de coordenador técnico, relações públicas e diretor superintende da Liga [Liga Cearense de Futebol Feminino], ao lado do professor Sérgio Ricardo [presidente da entidade]. “Demos um bom impulso no crescimento da entidade, direcionando o nosso trabalho para o aspecto educacional e social”.





Artilheiro – Com se deu o fato da sua escolha, para uma atividade como a de “Expert Commentator”?
Benê Lima - Penso que o mais decisivo foi nossa atuação no Chat trilingüe promovido pela coordenação do Desafio Nike Futebol, do Changemakers Ashoka do qual participamos, ocasião em que pudemos colaborar com inovações, ideias que representam acréscimos em relação aos projetos já divulgados. (Projetos do Desafio Transformando Vidas através do Futebol, emitindo pareceres, orientações e feedback sobre os mesmos, desse modo contribuindo para a iniciativa promovida e organizada pelo Consórcio Nike e Ashoka). 

Artilheiro – Explique para a nosso internauta, o que é um “Expert Commentator”?
Benê Lima - O “Expert Commentator”, pelo que pude sentir, deve reunir algumas precondições que o permitam realizar uma análise criteriosa dos projetos, e, além disto, somos pensadores que devemos compartilhar nossos conhecimentos e competências, oferecendo feedback sobre a forma como os cidadãos podem estimular as transformações sociais, orientando-os quanto às mudanças para que possam construir comunidades mais cooperativas e fortes.

Artilheiro – Qual a relação existente entre sua atividade como radialista da área esportiva e a nova atividade que o espera?
Benê Lima - Relação direta mesmo, nenhuma. Mas, sem dúvida, quase toda minha trajetória de vida tem relação com o cargo, e mais ainda com as atividades a ele inerentes.

Minha visão de mundo tem como mais forte viés o aspecto humanista. Afora isto, minha trajetória no rádio e no esporte sempre foi pautada pelo aspecto educacional e pela difusão da informação e do conhecimento, até como maneira de oferecer aos ouvintes menos aquinhoados uma contrapartida em troca da audiência com que eles [ouvintes] nos brindam.

E, finalmente, essa mesma formação humanista (místico-filosófica) me colocou na vanguarda das mudanças que estão sendo processadas nos esportes, sobretudo no futebol. E, é bom que seja ressaltado, essas mudanças não excluem os esportes de alto rendimento, entre os quais o futebol profissional se encontra.

Artilheiro – Explique melhor como estas mudanças podem ser feitas.
Benê Lima - Tomemos, por exemplo, o futebol amador. Podemos fazer do futebol amador um celeiro muito mais produtivo de talentos. E como isto pode ser feito? Estruturando o futebol amador. Essa é a nossa ideia. A ideia em si não traz nada de original [eu sei!]. Mas o grande pulo do gato está em executar a ideia.

Para não ficarmos só no distante campo dos sonhos, é importante dizer que eu mesmo tenho um pré-projeto para a criação de uma entidade nacional em nosso estado que represente e busque nela agregar as principais iniciativas do futebol amador. Aliás, posso até dizer que isto já está em andamento. E nesse pré-projeto há a previsão de se buscar apoio para ele nas três esferas [municipal, estadual e federal], exatamente para que tenhamos condição de dar sustentabilidade a esse surto desenvolvimentista do futebol amador que nós pretendemos alcançar. Claro que tudo começaria por aqui [no estado do Ceará].




A nossa ideia seria fazer com que as competições amadoras adotassem o modelo preconizado pela FIFA e CBF, com o aval e o comprometimento da federação [FCF], no que se refere ao cumprimento de um calendário. E desse modo, nossa expectativa é de que criaríamos novas perspectivas para atletas e também para os profissionais da área.

Portanto, organizar, disciplinar e estruturar as competições amadoras seria uma tarefa e um desafio que enfrentaríamos. Só assim, o futebol amador cresceria como o verdadeiro berçário do futebol profissional, desonerando os clubes, principalmente, no nosso caso, Ceará e Fortaleza, que serviriam de desaguadouro da melhor parte desta mão-de-obra.

Dentro dessa nova perspectiva, os agentes que possibilitariam essas mudanças seriam todos os profissionais da área, e desse modo teríamos que cuidar da qualificação desses profissionais. Assim, veríamos o futebol amador, em tese, como sendo o estágio inicial do futebol profissional. E por consequência, também estaríamos estimulando [mesmo que timidamente] até o crescimento da demanda nas instituições de ensino superior, bem como a criação de novos postos de trabalho, situação que daria certo reflexo positivo ao próprio mercado. Repito, estas mudanças devem alcançar a todos. A orientação geral dos gestores [ou atores] do mundo do futebol deve ser o alvo principal das mudanças. Isso inclui, obviamente, a administração dos nossos clubes, a administração da federação [FCF] e a crônica esportiva. Essa necessidade se dá em razão da escassez do capital intelectual na área esportiva para pensarmos nossos próprios projetos, para criarmos soluções alternativas moldadas na nossa realidade, e assim não precisaríamos importar modelos que não tenham afinidade com a nossa economia e com a nossa cultura. 

Agora mesmo recebemos um convite para participarmos de um Laboratório de Gestão Esportiva (LabGE), que está sendo organizado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Esta iniciativa vem ao encontro daquilo que nós mais reivindicamos para o futebol cearense há mais de sete anos: um repensar do nosso futebol.

Artilheiro – Essa é uma posição de quem se quer progressista, ou é simplesmente uma maneira de chamar a atenção para si?
Benê Lima - Eu diria que nenhuma dessas opções sintetiza com acerto minha visão. Sou neoprogressista quanto às ideias [costumo repetir isso], mas conservador quanto aos valores. Mas, por outro lado, a revolução que acredito e que defendo é a do conhecimento [das ideias], rejeitando todas as outras derivadas da força e das armas.

Se você fala de meus arremedos de projetos e ideias sobre o futebol, aí posso dizer que hoje tenho uma visão mais social e menos fragmentada do esporte. Quero contribuir mais e mais para que tenhamos uma visão intertransdisciplinar do futebol, criando relações sistêmicas entre suas categorias e subcategorias, entre o amador e o profissional, por exemplo.

Quanto a chamar a atenção, quem não gosta que se lhe dê importância?! Como todo ser humano, também me permito exercitar um pouquinho da minha vaidade imanente, mas sou vigilante no sentido de guia-la para fins construtivos. (Risos)

Assim é Benê Lima, amigo e colaborador de www.artilheiro.com.br, mostrando sua visão futurista e humanística sobre o futebol, em especial o local. Como vimos, suas ideias ultrapassaram as fronteiras nacionais e quebrantaram barreiras, provando que o intelecto não é regionalizado, é globalizado ou universalizado, como queiram.

Finalizamos parabenizando-o pelas suas recentes conquistas e desejando-lhe o máximo de sucesso nesta nova empreitada.


Ronaldo Déber

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Gerente do programa Changemakers da Ashoka fala do desafio “Transformando Vidas Através do Futebol”

“Reviver os momentos de participação ativa neste desafio nos remete a momentos de alegria e a um sentimento de cooperação e recalcitrante aproximação nossa com a inclusão social.”  --  (Benê Lima) 

Elenice Tamashiro, do Changemakers

O esporte possui potencial para realizar transformações e apresentar inovações também no campo social? A resposta para a Ashoka e o programaChangemakers é positiva. E o trabalho dessa equipe de inovadores para planejar estratégias de mudanças e inspirar outros entusiastas não poderia deixar o futebol fora do contexto.
Nasceu, então, o desafio “Transformando Vidas Através do Futebol”, cujo objetivo é conhecer ideias inovadoras sobre como a modalidade coletiva mais popular do mundo pode alavancar o potencial dos jovens, fortalecer suas comunidades, impulsionar o desenvolvimento e acelerar mudanças na sociedade. O projeto é uma parceria da organização com a Nike, tradicional marca e fabricante de materiais esportivos.
“A experiência com este desafio, em âmbito global, demonstrou que existem projetos estruturados com resultados concretos, na forma como estão mudando vidas de milhares de pessoas através do futebol, com forte orientação educacional para fortalecer os jovens para aumentar sua participação cidadã e ajudar a desenvolver suas respectivas comunidades”, explica Elenice Tamashiro, gerente do programa Changemakers da Ashoka.
Além da responsabilidade com a questão da saúde dos jovens e o oferecimento de um caminho para a construção de uma cultura de paz e respeito à diversidade, o desafio tem a intenção de agregar cada vez mais pessoas para participar do “time”.
Como aponta Elenice, desde o dia 27 de julho qualquer internauta pode votar em um prêmio que distribui um total de U$ 90.000,00 para as melhores ideias que utilizam o futebol para a mudança social. O “Transformando Vidas Através do Futebol” tem 293 inscrições de projetos em 63 países, sendo 36 inscrições somente no Brasil.
Iniciativa da Ashoka, organização mundial, sem fins lucrativos, pioneira no campo da inovação social e trabalho e apoio aos empreendedores sociais, o programa Changemakers se desenvolveu com base no histórico e na experiência da organização e na crença da construção de uma sociedade global onde “todos podem mudar o mundo”.
Trata-se de uma comunidade on-line que identifica projetos inovadores e permite aos seus membros colaborarem entre si para encontrar as melhores soluções para os problemas sociais mais urgentes. Em época de Copa do Mundo, e de olho na edição de 2014, que será realizada no Brasil, a confiança é que novos pensadores se sintam mobilizados a dar sua contribuição ao planeta.
“O jovem é a força motriz de futuras gerações, podendo causar impacto positivo uma vez que ele receba acesso à informação correta, o caminho para se atingir determinado objetivo, um mundo de possibilidades que é o futebol. A modalidade pode oferecer para ele essa mudança de realidade, mostrar-lhe que é possível mudar, fazer acontecer, multiplicar as ações para impactar mais gente”, acredita Elenice, que aprofunda a discussão nesta entrevista à Universidade do Futebol.
Universidade do Futebol – Qual é a proposta essencial da Ashoka e quais os principais objetivos do programa Changemakers?
Elenice Tamashiro – A Ashoka é pioneira no campo da inovação social. A missão é contribuir para criar um setor social empreendedor, eficiente e globalmente integrado, e a visão dela é “todo mundo pode mudar o mundo”.
A proposta essencial da organização é provocar transformação social com prática do conceito do empreendedorismo social em vários campos de atuação, como saúde, educação, participação cidadã, direitos humanos, desenvolvimento econômico e meio ambiente.
A proposta é colocada em prática através da seleção e investimento em empreendedores sociais, criação de estruturas /sistemas que possam apoiá-los de maneira a expandir suas inovações (projetos inovadores) e provocar a mudança também através de suas comunidades – onde entra o conceito do “todo mundo pode mudar o mundo”.
O Changemakers é uma iniciativa da Ashoka, que se desenvolveu com base no histórico e na experiência da organização e na crença da construção de uma sociedade global onde “todos podem mudar o mundo”. É uma comunidade on-line que identifica projetos inovadores e permite aos seus membros (inovadores – dentro e fora da rede Ashoka -, investidores e entusiastas) colaborarem entre si para encontrar as melhores soluções para os problemas sociais mais urgentes.
O “Changemakers é um sólido ‘laboratório’ para lançar, aperfeiçoar e ampliar novas ideias, permitindo aos membros de nossa comunidade mais oportunidades para que as mudanças ocorram mais rápido e de forma efetiva”.
Além do objetivo de aumentar as colaborações entre inovadores sociais do mundo inteiro, um grande objetivo do Changemakers é promover acesso democrático aos recursos aos inovadores sociais que participam dessa comunidade global on-line para que possam aumentar seu impacto no seu contexto local e global. Ou seja, visibilidade e oportunidade deles; oportunidade e visibilidade a inovadores sociais.

 Como o futebol pode ajudar na superação das dificuldades em leitura, escrita, raciocínio lógico e relacionamentos?

Universidade do Futebol – Você tem experiência em lidar com projetos, impactos e inovações na área social. Como ocorreu sua trajetória até chegar à Ashoka, com a gerência do programa de Changemakers?
Elenice Tamashiro – Durante a faculdade, onde estudei administração pública, tive a oportunidade de trabalhar com projetos sociais através da Jr. Pública, estágio em captação de recursos na própria EAESP-FGV. Tive algumas experiências em setor privado, estava em processo de decisão sobre qual caminho tomar na profissão, mas sabia que gostava mesmo é de trabalhar com o setor social.
Tinha curiosidade para saber mais sobre investimento social, como os inovadores sociais estavam atuando com seus projetos para melhorar a vida das pessoas, impacto no meio ambiente, etc.
Depois de uma experiência com investimento social comunitário onde desenvolvemos capacitação para lideranças locais, de oito cidades do estado de São Paulo, sobre mobilização de recursos (não somente financeiros, mas ativos da comunidade) para aumentar a sua base de sustentabilidade, voltei a trabalhar em setor privado porque queria uma experiência em consultoria que pudesse me ajudar a ter uma visão sistêmica e ajudar a trazer melhores e efetivas soluções para um determinado problema.
Embora não tenha tido uma vasta experiência com consultoria, havia algo que faltava no meu dia-a-dia. No final do trabalho, sempre queria saber qual era o impacto daquilo na vida das pessoas, quem estava ao nosso redor, etc. Foi quando surgiu a oportunidade me em juntar à equipe da Ashoka Brasil para estruturar a área financeira.
Éramos uma equipe pequena, o que nos permitia envolvimento em todos os tipos de atividades e exposição a variados temas, espaço para testar, criar novos processos. A Ashoka me proporcionou um grande desenvolvimento profissional que foi importante para ajudar a compor a equipe global do Changemakers.
Cada um de nós está em um canto do mundo, com uma dinâmica de trabalho on-line intensa (nem parece que estamos tão longe), mas com atividades e metas muito concretas.

Escola de futebol foi viabilizada por meio de parceria entre instituição filantrópica, Escola Municipal, iniciativa privada e comunidades carentes
Universidade do Futebol – Ainda está sendo montado um cenário dos projetos com as principais inovações dentro da realidade brasileira? O que você poderia falar dessa experiência com o projeto “Transformando Vidas Através do Futebol”?
Elenice Tamashiro – Creio que existe muito espaço para inovação considerando contextos locais, no sentido de que você sempre pode inovar levando em conta o que é relevante para a cultura de determinada região e comunidades.
A experiência com este desafio, em âmbito global, demonstrou que existem projetos estruturados com resultados concretos, na forma como estão mudando vidas de milhares de pessoas através do futebol com forte orientação educacional para fortalecer os jovens para aumentar sua participação cidadã e ajudar a desenvolver suas respectivas comunidades; para serem responsáveis com a questão da sua saúde; construção de uma cultura de paz; respeito à diversidade.
Além disso, a convocatória colaborativa também trouxe projetos inovadores, em fase de implementação, os quais demonstraram seu potencial de impacto e que certamente poderá chamar a atenção de outros membros da comunidade, como investidores sociais, para acompanhar e apoiar o seu progresso.
Universidade do Futebol – Como funciona propriamente o desafio? Em que etapa o projeto se situa?
Elenice Tamashiro – Antes de lançar qualquer desafio colaborativo para o público, o Changemakers da Ashoka e o investidor definem o seu escopo e objetivos do desafio. Neste caso, em parceria com a Nike, o nosso norte era: de que forma o futebol poderia ser empregado para fortalecer comunidades, aumentar o desenvolvimento e conduzir mudanças sociais?
O cenário global era o de se inspirar a mudança social através do futebol, intenção de encontrar a próxima geração de líderes que estão usando o futebol para liberar o potencial dos jovens de forma que eles pudessem ajudar a fortalecer suas comunidades, impulsionar o desenvolvimento e promover a mudança social.
Então, o processo se dá em fases: definição do escopo; lançamento/convocatória (difusão do desafio na nossa rede de investidores, inovadores, organizações sociais e membros da comunidade on-line); participação da comunidade global on-line constante (nossa comunidade on-line participa com reflexões, comentários e sugestões junto às inscrições); painel de jurado (especialistas e referências internacionais de fundações, empresas, sociedade civil de diferentes regiões) que seleciona os finalistas do desafio; votação (campanha de mobilização para que toda comunidade global de inovadores possa eleger os ganhadores do desafio).
No dia 27 de julho deste ano, anunciamos os 12 finalistas do desafio e iniciamos a campanha de votação junto aos finalistas, novos parceiros (quanto maior número de parceiros engajarmos neste período, melhor). A novidade dessa edição do desafio é que a campanha tem uma forte estratégia de marketing on-line e redes sociais no mundo. Por exemplo, é possível votar em seu projeto finalista favorito pelo aplicativo do Facebook: http://apps.facebook.com/gamechangers-change.
É incrível, cada pessoa que possui perfil no Facebook pode incluir o aplicativo, votar e convidar os amigos para votarem. Isso também é uma forma de ajudar na mudança social. Votar é um ato de mudança! Cada voto conta e isso ajudará a aumentar o impacto do projeto em sua comunidade.

 Crianças são educadas através do futebol com a utilização de conceitos biblicos
Universidade do Futebol – Este projeto é uma parceria entre a Ashoka e a Nike. Como se deu essa aliança?
Elenice Tamashiro – Basicamente é a terceira edição da parceria. Ele foi desenvolvido a partir do sucesso de dois desafios colaborativos que ajudaram a balizar as melhores ideias no campo emergente do esporte para a mudança social – os desafios “Esporte para um Mundo Melhor” e “GameChangers: Virando o Jogo para Mulheres no Esporte”.
Tanto através de suas parcerias na África para apoio a comunidades que lutam contra o HIV/AIDS, como em sua campanha “Apareça e Mostre sua Voz (Stand Up Speak Up)”, para empoderar fãs do esporte a manifestar sua oposição ao racismo, a Nike reconheceu há tempos o poder que o futebol tem de provocar mudanças reais.
Universidade do Futebol – De que maneira a ideia da responsabilidade social voltada ao futebol se formou dentro da Ashoka? O que a instituição busca nesse sentido?
Elenice Tamashiro – Na verdade, a Ashoka e o Changemakers trabalham na identificação de soluções inovadoras para os problemas sociais mais urgentes do mundo junto com os investidores como a Nike (desenvolver potencial do jovem através do futebol, combate a HIV/AIDS, etc.), Rockefeller (desbloqueio de financiamentos para PMEs – neste, tivemos a adesão do G-20 na qual o governo do Canadá anunciou o investimento de U$ 20 milhões para os finalistas do desafio -, exemplo de acesso a democratização dos recursos) e Artemisia (buscava modelos de negócios sociais que melhoram a qualidade de vida de pessoas de comunidade de baixa renda).
O Changemakers é uma iniciativa da Ashoka que trabalha o investimento social estratégico junto com estes investidores de maneira a criar maior impacto social. O conteúdo gerado do desafio é uma das maneiras de mostrar as “tendências das barreiras que devem ser transformadas para que aconteça a mudança, bem como oportunidades e conceitos para se trabalhar o tema”.
Deste modo, a iniciativa Changemakers contribui, ajuda, orienta as empresas e fundações para o uso eficaz e mais estratégico do seu investimento social.
Universidade do Futebol – O que você e a equipe do desafio concluíram sobre o tema “socialização do esporte” no Brasil e no mundo? Há diferenças a serem destacadas entre as propostas nacionais e as estrangeiras?
Elenice Tamashiro – O esporte cada vez mais se mostra como uma frente, um caminho para trazer maior impacto social. Ele trabalha a colaboração, a auto-estima, fortalecimento de comunidades e aumento de sua participação como cidadãos (em seus direitos e deveres), respeito à diversidade, empoderamento econômico, etc.
Creio que há poucas diferenças entre as regiões no mundo. Foi muito interessante ver como os projetos de futebol, para provocar a mudança, trabalham de modo transversal a diversidade (gênero – quebra de estigma da mulher no esporte; pessoas com e sem deficiência/times mistos de meninos e meninas na mesma equipe, por exemplo, para fortalecer técnicas do jogo com base no respeito ao outro;), cultura de paz, competências do esporte (trabalho em equipe, liderança, etc.), que podem levar a um bom desempenho profissional, etc.

Jovens angolanos têm oportunidades e melhores condições de vida a partir do estímulo ao protagonismo juvenil
Universidade do Futebol – O cenário atual do mundo é também inspirar a mudança social por intermédio do futebol? Em sua opinião, como liberar o potencial de jovens, para que estes fortaleçam suas comunidades, alavanquem o desenvolvimento e promovam mudanças?
Elenice Tamashiro – Acho que pelo esporte, em geral. O futebol é o mais popular, deve ainda mais chamar atenção agora para a Copa de 2014, é uma boa oportunidade para que a sociedade civil brasileira também pense qual seria o legado social de grandes eventos como este.
Existe uma rede, chamada REMS – Rede de esporte para mudança social -, idealizada inicialmente pela Nike. Trata-se de um grupo de organizações sociais focadas no esporte que trabalham incansavelmente sobre a importância do esporte na criação e aumento do impacto social. Ele discute e propõe uma agenda comum para o legado social do esporte no Brasil.
O jovem é a força motriz de futuras gerações, podendo causar impacto positivo uma vez que ele receb acesso à informação correta, o caminho para se atingir determinado objetivo, um mundo de possibilidades que é o futebol. A modalidade pode oferecer para ele essa mudança de realidade, mostrar-lhe que é possível mudar, fazer acontecer, multiplicar as ações para impactar mais gente.
Universidade do Futebol – No esporte, de que modo pode-se trabalhar a questão social sem decair no mero assistencialismo?
Elenice Tamashiro – Vale também o bom e velho clichê do “ensinar a pescar”. Se você oferece oportunidades e acesso a informações, aposta no potencial das pessoas, por exemplo, o que o treino, o jogo podem oferecer para desenvolvimento das competências pessoais que podem ser praticadas no seu dia-a-dia, elas serão capazes de “criar um negócio do pescado”, desenvolver a melhor “cadeia de produtiva do pescado” em colaboração com cada elo de produção da cadeia, porque um dia tiveram essa oportunidade e poderão repassar a mesma ação para frente.
Universidade do Futebol – Também a partir de sua visão profissional e acadêmica particulares, de que forma o processo da educação auxilia no desenvolvimento do raciocínio, da criatividade e na compreensão dos fatores externos vividos pelas pessoas?
Elenice Tamashiro – Todo processo educacional (de mudança de hábito/comportamento) é crucial para o desenvolvimento do ser humano. Deve ser um processo que traga consciência nas atitudes e que tipos de impactos pode resultar (dependendo da atitude que tomar e sua responsabilidade nisso), que possa gerar reflexões que orientem para possíveis soluções (individuais ou coletivas) de problemas urgentes.
Acho que cada um nós, uma vez que se propõe a participar de qualquer processo educativo e aceita praticar a mudança de um padrão, por exemplo, este não deve ficar no discurso, e sim ajudar a desencadear atitudes coerentes em relação às pessoas que estão ao seu redor; que o aprendizado de um processo educativo possa ser aplicado em vários setores da vida, como usar o aprendizado e transformá-lo/adaptá-lo na profissão, na sua vida pessoal, na relação com o outro.
Cada indivíduo se permite aplicar a criatividade em outros setores a partir de um processo educacional: se bem concebido por quem propõe e bem absorvido por quem o recebe – e de qualquer maneira, acredito que nunca deve ser um processo de mão única, mas um processo educacional pela troca de saberes, de aprendizagem, de colaboração -, acredito que esta é melhor forma de educar.
Universidade do Futebol – Você acredita que é possível pensar a formação de jovens jogadores de futebol sem a criação de um programa que gerencie o crescimento pessoal, social e profissional de modo interdisciplinar?
Elenice Tamashiro – Essa é uma opinião muito, muito pessoal, sem um fundamento teórico ou pedagógico. Eu acredito que formação de jovens jogadores que tenham programas de desenvolvimento acoplados (onde podem aprender e compartilhar aprendizados) será a melhor forma de fortalecer cada indivíduo em seu papel ativo de cidadania (consciente dos seus direitos e deveres), para tomar boas decisões em relação a sua vida (pessoal/profissional), de contribuir para o desenvolvimento de sua comunidade de uma maneira mais sustentável e estruturada.