Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, setembro 20, 2019

Pia faz diferença abismal para seleção feminina

Renata Mendonça

Foto: CBF
A seleção brasileira entrou em campo pela primeira vez após a Copa do Mundo feminina com poucas alterações na escalação. Na prática, foram apenas duas: Erika, cortada por lesão no Mundial, substituindo Monica na zaga, e Luana no meio-campo. Mas mesmo sem alterações significativas entre as titulares, o que mudou mesmo foi a postura da seleção brasileira em campo e a aplicação tática do time comandado pela estreante Pia Sundhage.
O esquema adotado por ela foi um 4-4-2, o mesmo usado por Vadão, mas com ajustes na ocupação de espaços dentro do campo. A sueca saiu com Bárbara; Leticia, Kathellen, Erika e Tamires; Formiga, Luana, Andressa Alves e Debinha; Bia Zaneratto e Ludmila. O resultado em campo diante da Argentina no Torneio Internacional realizado no Pacaembu foi animador: 5 a 0 com gols de Ludmila, Formiga, Debinha e Erika, além de um gol contra da Argentina.
É claro que a fragilidade da adversária deve ser levada em consideração. A seleção brasileira é a décima do ranking da Fifa, enquanto a Argentina é somente a 34ª. O jogo inteiro foi com as hermanas tentando se defender, e o Brasil pressionando no campo de ataque. Ainda assim, as diferenças foram nítidas, tando no aspecto defensivo, quanto no ofensivo. Trazemos aqui algumas delas.

1 – Linhas compactas
A primeira coisa fácil de se observar foi a proximidade das linhas do Brasil em campo. Se na seleção de Vadão havia um espaço exagerado entre elas, que forçava passes longos para conseguir a construção de jogadas, no time comandado por Pia as jogadoras estão mais próximas.
A saída de bola do  Brasil na Copa tinha as zagueiras ligando com as laterais em passes mais longos e, das laterais, a bola já ia para o ataque – muitas vezes com um erro de passe que possibilitava o contra-ataque das adversárias. Obviamente, a margem de erro de passes com bolas alongadas é muito maior.
Com Pia, a saída de bola tem o meio-campo se aproximando para receber e dar opção às zagueiras. Não há tanta pressa em mandar a bola para frente, a construção da jogada acontece desde a defesa e com passes mais curtos. Luana (principalmente) e Formiga faziam parte dessa transição, que conduzia a bola para o setor ofensivo sem forçar ligações direta pelos lados. Ao contrário do que se via na seleção de Vadão, que tinha um meio-campo esvaziado e muitos buracos no campo, o time de Pia estava mais compacto.
Isso possibilitou que o Brasil agredisse mais o adversário sem tantos erros de passe e, consequentemente, sem ceder tantos contra-ataques. Além disso, deu mais mobilidade para as jogadoras de frente.
2 – Variação no ataque
A consequência dessas linhas compactas foi possibilitar uma mobilidade maior para as atacantes. Como o Brasil não estava tão espaçado, ficava mais fácil para as quatro jogadoras da linha de frente trocarem de posição e confundirem as adversárias.
Com o antigo treinador, Ludmila jogou de ponta, mais como uma velocista pelo lado, uma característica que não explora o que ela tem de melhor, que é a presença de área. A impressão que ficou da Copa é que a camisa 19 do Brasil "não sabia chutar" (ela foi uma das mais criticadas no Mundial após assumir o lugar de Andressa Alves machucada). Mas Ludmila é uma das grandes goleadoras do futebol espanhol jogando pelo Atlético de Madri. O que faltava para ela era liberdade para entrar mais na área e finalizar de frente para o gol. Foi dela, inclusive, o primeiro gol brasileiro, em uma ajeitada bonita da Bia Zaneratto, com um chute na medida de Lud.
O que se viu no campo ofensivo foi uma variação grande de posicionamento das atacantes. Começou com o mesmo estilo de Vadão, com Andressa Alves e Debinha nas pontas. Mas isso ia mudando de tempos em tempos ao longo do jogo. Houve momentos em que Bia chegou pelo lado, avançou à linha de fundo e cruzou. E que Andressa Alves e Debinha apareceram dentro da área para finalizar. Isso colocou um nó nas marcadoras argentinas, que não conseguiam acompanhar a velocidade/criatividade do Brasil no ataque.
3 – Organização defensiva
Eis aí a maior diferença implementada por Pia em tão pouco tempo de treinamento. O Brasil teve sua defesa muito criticada na Copa do Mundo – e com razão. Eram muitos os espaços deixados e a liberdade com que as adversárias chegavam no nosso campo defensivo.
A sueca quase não mexeu nas peças desse setor. Mas mudou muito a postura da seleção em campo. Ao longo da semana, Pia reforçou muito a ideia que tem de jogo, que envolve todas as jogadoras cumprindo um papel defensivo na hora da perda da bola. Quando a adversária tinha a posse, não havia sossego do lado brasileiro enquanto não desse o bote para recuperar. A jogadora mais próxima chegava para marcar, as outras fechavam os espaços e diminuíam as opções de passe das hermanas. Isso fazia com que a recuperação de bola viesse muito mais rápido. E fez com que a goleira Barbara fosse pouquíssimo acionada no gol.
Pia falou muito sobre trazer a organização defensiva da Suécia para o Brasil e potencializar a técnica dos talentos que temos aqui para um ataque mais efetivo. Foi isso que começamos a ver em campo neste jogo contra a Argentina. A adversária ainda é frágil, mas a seleção sequer sofreu em campo desta vez – algo que aconteceu, por exemplo, diante da Jamaica na Copa, quando enfrentamos uma oponente ainda mais fraca.
A primeira impressão da sueca é promissora.
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Fortaleza vai ao Cade e diz que Turner fere concorrência

Clube afirma receber R$ 31 milhões a menos do que seus pares por direitos de TV


Carlos Petrocilo / FSP
SÃO PAULO
O Fortaleza acionou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para apurar se a Turner, responsável pelo canal TNT, que tem exclusividade para transmitir jogos de sete equipes do Campeonato Brasileiro em TV fechada, feriu a lei de defesa da concorrência ao negociar com os clubes.
A denúncia foi protocolada nesta quinta (18). O Cade é uma autarquia vinculada ao Ministério da Justiça responsável zelar pela livre concorrência.
Segundo o advogado do Fortaleza, Eduardo Carlezzo, clubes como Palmeiras, Santos, Internacional, Ceará, Bahia e Athletico dividiram R$ 140 milhões (cerca de R$ 23 milhões para cada um), enquanto a equipe do Ceará, fora dessa negociação, ficou com R$ 9 milhões fixos. 
Os contratos dos times com a Turner foram acertados em 2016, quando o Fortaleza estava na Série C do Brasileiro, mas só passaram a valer no Brasileiro deste ano.
Em jogo transmitido pela TNT, time entrou em campo com camisas de protesto - Reprodução / TNT
No começo de 2019, os demais clubes que assinaram com a Turner descobriram que somente o Palmeiras havia recebido R$ 100 milhões de luvas. Na época, as equipes confrontaram o grupo dos EUA e conseguiram negociar, além dos R$ 23 milhões, um adicional de R$ 17 milhões, alcançado um total de R$ 40 milhões cada.
Carlezzo diz que o Fortaleza ficou fora dessa última negociação. Segundo ele, o time cearense foi discriminado pela Turner por duas vezes.

“A primeira [discriminação] quando o Fortaleza não recebeu as luvas adicionais [R$ 17 milhões]. A outra é que o Fortaleza vai receber um valor fixo, de R$ 9 milhões, enquanto os outros também na Série A vão dividir R$ 140 milhões”, afirmou o advogado.

A defesa do Fortaleza se baseou na lei que estruturou o sistema brasileiro de defesa da concorrência (12.29/11), onde diz “discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços por meio da fixação diferenciada de preços, ou de condições operacionais de venda ou prestação de serviços”. A pena pode ser multa de até 20% do faturamento bruto da empresa, grupo ou do conglomerado.

“Não há dúvidas de que o Fortaleza foi indevidamente preterido e discriminado pela Turner nos pagamentos realizados a outros clubes da Série A, o que acaba dando a estes uma vantagem financeira e competitiva não extensível ao Fortaleza, distorcendo a livre concorrência e dificultando a capacidade do clube de manter-se na Série A", afirmou Carlezzo.
Antes de ir ao Cade, o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, diz que tentou um acordo com a Turner.

"Tentamos amigavelmente, de todas as maneiras possíveis, fazer um acordo, mas como não houve outra alternativa optamos por denunciar o caso às autoridades competentes", disse o dirigente.
Procurado pela Folha, a Turner respondeu que não comentaria o caso.
Na 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, o time do Fortaleza entrou no gramado usando a camisas com estampa “-14” em protesto por essa diferença de valores. A partida foi transmitida pelo canal TNT.
“Minha maior crítica é ao discurso deles. A Turner entrou no mercado como? Pregando igualdade e prometendo não fazer o que a Globo fez. Disseram que promoveriam uma democratização dos direitos de TV. Não posso ficar satisfeito com uma empresa que prega a igualdade e faz outra coisa”, reclamou Paz naquela ocasião.

Globo arrecada menos que previsto com PPV e alerta clubes


Emissora estimava R$ 500 milhões com vendas de pacotes
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Alex SabinoDiego Garcia / SÃO PAULO e RIO DE JANEIRO

A Globo convocou os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, além de alguns da Série B, para uma reunião em São Paulo nesta sexta (20). O encontro, na sede da emissora, servirá para tratar, entre outros assuntos, do dinheiro que será distribuído pelo sistema de pay-per-view.
receita registrada pela Globo com a venda de pacotes ficou abaixo da expectativa projetada para este ano. A emissora estimava pelo menos R$ 500 milhões de arrecadação com a venda de assinaturas do serviço de jogos exclusivos.
Do valor obtido com as vendas dos pacotes, 38% serão repassados para as equipes. A divisão dessa fatia é feita a partir de pesquisa com clientes que assinaram o serviço. O time com maior número de torcedores que pagam pelo pacote do PPV receberá mais. Há uma quantia mínima a ser paga, que varia para cada equipe e foi definida em negociações individuais.
Transmissão de Corinthians e Independiente (COL), em jogo pela Libertadores de 2016
Transmissão de Corinthians e Independiente (COL), em jogo pela Libertadores de 2016 - Eduardo Anizelli-2.mar.16/Folhapress

Das 20 agremiações da principal divisão do país, 19 assinaram acordos com o Grupo Globo em PPV. A única exceção é o Athletico.
A distribuição do dinheiro pelo serviço foi fonte de descontentamento de alguns clubes com a Globo. O Palmeiras, por exemplo, chegou ao acordo após cinco rodadas do Campeonato Brasileiro.
Os dirigentes serão recebidos da sede da Globo às 9h30 da manhã desta sexta, com um café da manhã. Em seguida acontecerá a reunião, e depois dela os dirigentes serão levados para um almoço.
Os clubes assinaram com a Globo contrato que terá duração até 2024. Todas as equipes da Série A fecharam com a emissora para TV aberta, e o Athletico foi exceção para o PPV. Na TV fechada, além do clube paranaense, Santos, Palmeiras, Bahia, Fortaleza, Ceará e Internacional preferiram acertar contrato com a Turner.
A entrada da empresa no mercado representou a primeira vez que a Globo teve uma séria ameaça na disputa dos direitos de transmissão desde o fim do Clube dos 13, em 2011.
Por causa disso e como uma forma de pressionar as equipes, a emissora tentou incluir cláusulas de redução nos valores a serem pagos para os times na TV aberta e PPV para quem assinasse com a concorrente para os canais fechados. Palmeiras e Athletico foram quem mais resistiram, chegando a colocar em risco o modelo de negócios utilizado pela Globo. O redutor poderia chegar a até 20% do valor do contrato.



Por ser a única empresa atuante no mercado de direitos de transmissão, a empresa conseguia manejar a tabela para satisfazer as demandas da Rede Globo (aberta), SporTV (fechada) e Premiere (PPV).
Até o acerto do Palmeiras, o pay-per-view esteve impedido de transmitir 10 dos 50 primeiros jogos do Campeonato Brasileiro. Sem o Athletico-PR, ao todo ficará sem 43 das 380 partidas do torneio.
O marketing do serviço de PPV sempre foi apoiado na mensagem que o assinante teria direito a ver todos os jogos do torneio, o que em 2019 não aconteceu. Por causa disso, o Procon de São Paulo notificou Claro, Sky, Vivo, Oi e TIM para que esclarecessem como seria a oferta de pacotes dos jogos para a TV a cabo e se os clientes que já haviam assinado acreditando que todas as partidas estariam disponíveis seriam ressarcidos.
O mercado de pay-per-view movimentou R$ 1,4 bilhão em 2018.
“Consideramos valioso o diálogo com os clubes, os enxergamos como parceiros de enorme relevância, e tenho certeza que a recíproca é verdadeira. Na realidade, fazemos isso [reuniões] o tempo todo, ainda que infelizmente nem sempre seja possível um fórum amplo”, disse Fernando Manuel, diretor de direitos esportivos da Globo.
Ele não comentou a redução de valores. Procurada, a assessoria de imprensa da Globo não respondeu até a publicação deste texto.