Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Sebastião Salgado toma posse na Academia de Belas Artes da França

Photographer Sebastiao Salgado poses as he was elected in the French Academy of Fine Arts (Academie des Beaux-Arts) during a ceremony in Paris, France, Wednesday, Dec. 6, 2017. The Academy of Fine Arts concerning Paintings, Sculpture Music, Architecture and Photography is part of the French Academy, concerning the French language, the Academy of Humanities, the French Academy of Sciences and the Academy of Moral and Political Sciences. (AP Photo/Francois Mori) ORG XMIT: ZFM109
Sebastião Salgado posa usando o fardão da Academia de Belas Artes; ele tomou posse nesta quarta (6)

MÁRIO CAMERA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

O fotógrafo Sebastião Salgado tornou-se, nesta quarta-feira (6), o primeiro brasileiro a integrar a Academia de Belas Artes, instituição que tem origem no século 17 e uma das cinco academias que compõem o Institut de France, templo da excelência francesa nas artes e nas ciências.

Em diversos momentos da cerimônia o fotógrafo não conteve as lágrimas. Ele tomou posse em uma das quatro cadeiras da seção de fotografia da academia, para a qual foi eleito em 2016, no lugar de seu amigo Lucien Clergue, morto em 2014.
Com a mesma elegância com que veste seu colete para percorrer os quatro cantos do planeta, Salgado entrou no plenário do Institut de France vestindo o fardão preto com detalhes bordados em dourado da instituição.

A cerimônia foi aberta com uma mensagem rápida enviada pelo presidente francês Emmanuel Macron, que não esteve presente, mas enviou suas "mais calorosas saudações" ao brasileiro.

Em seu discurso de boas-vindas, o fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand, um dos quatro fotógrafos da academia, lembrou a vida e a obra de Salgado, que enxugava as lágrimas enquanto ouvia o nome de seus filhos, Juliano e Rodrigo, e de sua mulher e parceira de vida e trabalho, Lélia.

Os dois chegaram a Paris juntos em 1969, exilados por causa da ditadura militar que perseguia um Sebastião Salgado ainda economista e militante de esquerda.
Nessa época, a fotografia não era nem mesmo um hobby na vida de Salgado.

Pouco tempo depois da chegada à França, o casal se mudou para Londres, onde o brasileiro trabalhou por alguns anos na Organização Internacional do Café, mesmo nunca tendo gostado da bebida.

Salgado começou a fotografar por hobby, durante suas viagens a trabalho pela África, com uma câmera emprestada de Lélia. No início da década de 70, largou tudo e passou a se dedicar completamente à fotografia, integrando algumas das agências mais importantes do mundo.
Como manda o protocolo do Institut de France, seu discurso foi dirigido a seu antecessor. Do amigo Clergue, Salgado lembrou a "audácia" do fotógrafo francês, de sua amizade com Pablo Picasso e da herança que ele deixou, como Les Rencontre d'Arles, "o mais importante festival de fotografia do mundo", conforme descreveu o brasileiro.

"Somos quatro fotógrafos na Académie, Lucien. Como os quatro mosqueteiros que vão defender a fotografia. Você é nosso D'Artagnan, Lucien. ", afirmou o brasileiro, ao homenagear o amigo.

Salgado também teve palavras para Lélia, a mulher que o tirou "das trevas" onde se viu, traumatizado por anos fotografando a guerra e a morte de homens, mulheres e crianças. Foi também a ela que dedicou o número musical que encerrou a cerimônia, um duo de piano e soprano que interpretou "Nesta Rua", o clássico popular de Heitor-Villa Lobos. COMPARTILHE


terça-feira, dezembro 05, 2017

Mário Sérgio Cortella e a demonização da Internet

Pascal e Nietzsche filosofaram por aforismos. Posts no facebook são aforismos. Podem não ser filosóficos, claro, mas são o que se pode fazer com a cultura que temos, com a escola pública que temos ou, melhor dizendo, não temos. Escritores brasileiros foram brilhantes com aforismos. Quem nunca se deleitou com Ponte Preta ou, mais terrível ainda, Millôr? Na Internet encontramos hoje gente sem fama, mas com muito talento – tão bom quanto esses dois. Não são poucos não!
Meu amigo Mário Sérgio não acerta ao dizer que a Internet favorece a imbecilidade por conta de ser um rio de frases que não são fundamentadas (veja aqui na Carta Capital). Já houve épocas que jornalistas e professores publicavam textos de três páginas no Estadão, e eram fundamentados. Mas eram lixo puro. Não é por conta de fundamentos e grande tempo de reflexão que se faz bom texto. E não se pode dizer que todo repentista é uma besta. Alguns são geniais.
Cortella é, como eu, da velha guarda. Somos do lápis e do livro impresso. Somos do falar pensando. Mas o problema é que ele já se acostumou com a fama e com o fato de ter seu trono na mídia. Aliás, uma boa parte de nós, professores, por termos sempre alguma plateia, não entendemos que a raiva das pessoas que não tem plateia, contra nós, é proporcional ao fato delas acharem que nós, ao falarmos, impomos nossas verdades, e elas não. Em parte isso é  correto da parte delas. E nisso se apegam os populistas quando atacam a mídia, como a Globo, ou atacam a nós, os intelectuais, para angariar apoio desses que ficam ressentidos por termos nossos palcos. Termos os nossos palcos cativos, agora, pela Internet, fica ameaçado, não é verdade. Vemos gente imbecil com palcos e começamos a achar que isso é o mal do mundo – o palco para imbecil. Mas a presidência da República vive tendo imbecil, é uma baita palco.
O palco do Cortella, hoje, é maior do que de outros. Maior que de muitos. Ele já não é mais um professor, é um showman. Ele faz um bom trabalho: induz grandes públicos a boas ações com uma retórica humanista. É um dos poucos dos palestrantes atuais que não cede ao banal, como o seus amigos fazem, ou ao pessimismo blasé, como seus adversários na direita arrotam. Mas a visão dele da mídia está calçada, ainda, pelo preconceito que todos nós temos um pouco. A Internet está competindo com ele, todos falam como ele fala, todos tem troninho, e isso assusta. Há muita gente do meio dele e meu que resistiu à Internet.
A Internet assusta aos que não se acostumam com mudanças que, em geral, são democratizadoras, se considerarmos o vagalhão ininterrupto da modernidade (mesmo sob regimes autoritários, tipo fascismo e comunismo, a modernização não parou). A democratização faz com que a patuleia fale, possa falar, e ela faz aforismos que não são os de Pascal e Nietzsche. Mas que são, também, até melhores às vezes. Muita gente só conseguiu trabalhar porque, com a Internet, furou o bloqueio natural da mídia tradicional. Não, não estou louvando imbecilidade de youtuber, estou apenas  dizendo que vivemos num mundo onde todo mundo lê a Bíblia na sua língua, e não mais no latim, entendem?
Até Umberto Eco já cometeu o erro de Mário Sérgio, de achar a Internet um poço de fluxo dos imbecis. Portanto, Mário Sérgio está em tão boa companhia, que está perdoado. Mas que está errado, está. Aliás, um erro que muitos, à direita e à esquerda, estão cometendo também ao ficar falando que vivemos num clima de ódio fomentado pela internet (me contrapus a tal tese em outro  artigo: Não há anjinhos na Internet)
O que ocorre com a Internet é que ela é, como o próprio nome diz, uma rede. Cada nó da rede é um produtor mas, ao mesmo tempo, um retransmissor de mensagens. No conjunto geral a autoria se desfaz e a colcha de retalho produz monstros. Mas a monstruosidade do mundo apenas reflete a nós mesmos, e isso é uma questão de graus. Se olharmos a imprensa em geral do passado, aquela que supostamente tinha tempo para refletir sobre o que fazia, veremos linchamentos não jornalísticos somente, mas a provocação de linchamentos reais. Ou as pessoas acham que sem jornal andando por aí Vargas teria metido um tiro no peito? Ou as pessoas acham que sem rádio os grandes líderes fascistas teriam tido ascensão. Ou alguém ainda acha que sem o sistema de cartas  do correio americano a West Point teria massacrados os índios?
Mário Sérgio se esqueceu que Remington é nome de rifle e máquina de escrever, e não à toa. A história disso diz muito de nós.
Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo.

sábado, dezembro 02, 2017

O Flamengo tem um plano para dominar o futebol brasileiro (em grana e taças) até 2020

O plano estratégico que teve início em 2013 chega à metade com sucessos nas finanças e frustrações em campo. Eis como o clube pretende resolver os problemas e iniciar uma supremacia rubro-negra no futebol brasileiro

RODRIGO CAPELO
César goleiro do Flamengo (Foto: LUIS ACOSTA/AFP)
CADÊ?
César, goleiro formado no Flamengo e jogador-chave para a vitória desta quinta-feira (30). O clube carioca quer converter boa organização em títulos (Foto: Luis Acosta/AFP)

Na segunda-feira que sucedeu a vitória fora de casa do Flamengo por 3 a 0 sobre o campeão Corinthians, em 19 de novembro, chegaram ao Rio de Janeiro os analistas da Double Pass. Trata-se de uma consultoria belga que aprimorou a formação de jogadores de futebol na Alemanha e na Bélgica e hoje está presente também nos Estados Unidos. Foi a segunda vez que a empresa mandou seus profissionais à cidade para reuniões com dirigentes do Flamengo, como Rodrigo Caetano, diretor executivo de futebol, Reinaldo Rueda, técnico colombiano recentemente contratado, e treinadores das categorias de base. A primeira visita ocorreu em outubro, quando a parceria começou, e durou dez dias. Os belgas deverão trabalhar no Flamengo até dezembro de 2018 para ajudá-lo a reestruturar seu departamento de futebol e, se tudo correr como imaginado, implantar métodos de trabalho dignos de um Bayern de Munique. Com um objetivo de longo prazo para lá de audacioso: inaugurar uma fase de supremacia rubro-negra no Brasil. Há no país ao menos mais meia dúzia de clubes que podem ter sonho parecido. Nenhum, porém, planejou isso com tanto capricho.
 A parceria com os belgas vingou depois que Fred Luz, diretor-geral do Flamengo, leu uma reportagem de Carlos Eduardo Mansur no jornal O Globo. O colunista descreveu como os belgas trabalharam em dois países. Na Alemanha, implantaram novos métodos de treinamento e formação de atletas em academias de futebol espalhadas pelo país. A contratante foi a federação alemã, interessada no início dos anos 2000 em reformular a maneira como se jogava futebol por lá. Vê-se o resultado na primeira divisão e na seleção. Os clubes da elite passaram a usar 23% mais jogadores formados na base do que no período anterior a 2000, e os alemães ganharam a Copa do Mundo de 2014 com direito a 7 a 1 no Brasil. Na Bélgica, a empresa montou o sistema de formação que revelou Kevin de Bruyne, Hazard e Lukaku, todos empregados por grandes times europeus e integrantes de uma badalada safra de jogadores belgas. Fred Luz foi atrás dos belgas para que eles repliquem o modelo no Flamengo.
Parte do trabalho dos consultores consiste em definir com maior consistência como o Flamengo se comportará em campo ao longo dos anos. Joga num 4-4-2 ou prefere ter um atacante a mais num 4-3-3? Leva a bola ao ataque pelo chão ou com passes longos? Marca por zona ou homem a homem? Hoje, no Flamengo e em qualquer outro clube brasileiro, o técnico que chega tem o poder de impor suas ideias sem se importar com o trabalho anterior. Isso ocorre a cada troca de treinador. É tanta mudança de filosofia que time nenhum tem identidade. O Flamengo quer ter uma. Que bata com valores da história do clube, resumidos por palavras-chave como “raça”, “amor” e “paixão”. E que se aplique desde a base. Pelo plano, atletas sub-20, sub-17, sub-15 e até sub-13 aprenderão desde cedo a jogar como o Flamengo joga. Como se faz no campeoníssimo Bayern de Munique.  
A SUPREMACIA RUBRO-NEGRA – POR ENQUANTO, SÓ  NAS FINANÇAS (Foto: Fonte: balanços financeiros)

Sob a mesma filosofia, o clube contratou, em 2016, a consultoria Exos, a fim de diminuir o número de dias de afastamento de atletas por lesões. Destinou a esse fim R$ 1,1 milhão em janeiro de 2016. Com novos equipamentos e procedimentos no departamento médico, o resultado apareceu. Houve 64 lesões em 2015 e 22 no ano seguinte.
O plano de reformulação começou a tomar forma anos atrás, com a chegada do presidente estatutário Eduardo Bandeira de Mello e de Luz como diretor-geral. As categorias de base do clube foram reorientadas para formar atletas para o time profissional – não mais para ganhar torneios de base, que geralmente são vencidos por adolescentes mais fortes, mas nem sempre de maior potencial. Há algum resultado visível. Na semifinal que classificou o time para a decisão da Copa Sul-Americana, na quinta-feira (30), o atacante Felipe Vizeu marcou os dois gols contra o Junior Barranquilla, da Colômbia. Lucas Paquetá se destacou com mais uma aparição raçuda. E o goleiro César brilhou ao substituir o contestadíssimo Muralha: defendeu um pênalti e fez outras defesas importantes para manter o placar favorável. A semelhança entre esses três: todos vieram das categorias de base flamenguistas. Há também desdobramentos financeiros.
Em janeiro de 2017, o Flamengo fez a maior venda de sua história até ali, ao mandar o lateral Jorge para o Monaco por quase R$ 29 milhões. Em maio, uma venda maior bateu novo recorde, dessa vez do futebol brasileiro: a ida de Vinicius Júnior para o Real Madrid rendeu R$ 165 milhões. Se o Flamengo mantiver um sistema de formação de atletas  moderno e meticuloso, como o que se propõe, tenderá a se manter na dianteira das exportações de jogadores – e sem depender excessivamente dessa receita. 
ESCALA GLOBAL O Flamengo espera chegar a 2020 com € 200 milhões de faturamento – hoje, teria o tamanho da Roma (Foto: Fonte: balanços financeiros)
Os valores animam um clube que, pouco tempo atrás, não conseguia manter salários em dia e lutava para evitar um rebaixamento à segunda divisão. Quando o grupo de Bandeira de Mello assumiu o clube, no fim de 2012, deu  com um endividamento próximo a R$ 730 milhões, sem dinheiro em caixa para nada. Por isso, traçou um plano estratégico para o período entre 2013 e 2020, junto com a consultoria de gestão EY, que estabeleceu ciclos a cumprir. O primeiro eles chamaram de “recuperação da credibilidade”. Incluiu profissionalizar a gestão, elevar receitas e pagar dívidas. Isso esteve no topo das prioridades de 2013 a 2015. O ciclo seguinte, que termina agora, foi de investimentos. Com a dívida reduzida para R$ 430 milhões, começou a haver dinheiro para elevar gastos com contratações de reforços e salários mais polpudos. Essa fase ocupou 2016 e 2017. Agora vem o terceiro ciclo, intitulado “virtuoso”, de 2018 a 2020. Se o clube conseguir cumpri-lo, elevará faturamento e investimento e baixará mais a dívida. No caminho do plano ambicioso, porém, há cobranças externas e erros.
Nas finanças, o Flamengo realmente chegou, nos últimos anos, a uma posição privilegiada entre clubes brasileiros. O faturamento em 2017, estimado em R$ 633 milhões após revisão orçamentária, tem mais de R$ 350 milhões de dianteira em relação a quanto espera arrecadar o São Paulo – que nos anos 2000 teve soberania financeira e se tornou o brasileiro mais próximo da supremacia esportiva. Quanto mais dinheiro entra, mais pode ser investido em futebol. O Flamengo avalia que sua  estrutura administrativa permitirá, a partir de 2018, tomar empréstimos com bancos de grande porte a juros baixos como nunca aplicados ao futebol. Os times por aqui usualmente se financiam com empréstimos de pequenos bancos, dirigentes ricos e agentes de atletas e pagam os juros altos tipicamente cobrados de quem não apresenta perspectiva financeira sólida. O clube também prevê que suas contas passem a ser carimbadas por uma das quatro maiores auditorias do mundo. Hoje essas auditorias passam longe do futebol por causa da tradição de administração instável e pouquíssima transparência no setor. Nas finanças do Flamengo, já há feitos a elogiar e o futuro é promissor. O problema é o futebol.
De tanto ouvir que o clube nada em dinheiro, ainda que na realidade tenha nadado mais em dívidas que em investimentos no passado recente, o torcedor exigiu mais títulos. No dia em que o Flamengo comemorou aniversário de 122 anos, 15 de novembro, algumas dezenas de torcedores foram aos portões do centro de treinamento do Ninho do Urubu protestar. “Ô, Caetano, vai se f..., o Flamengo não precisa de você!”, gritavam os marmanjos. O time ainda não havia vencido o Corinthians e ocupava a modesta 7a colocação no Brasileirão. A faixa amarela pendurada em árvores reforçava a exigência pela saída do diretor de futebol e “diagnosticava” o problema: “Salário em dia, porrada em falta”. Em cinco anos de gestão Bandeira de Mello, o time conquistou dois estaduais e uma Copa do Brasil – pouco, diante das ambições. Os principais dirigentes rubro-negros, entrevistados na sede do clube na Gávea por ÉPOCA na véspera, dizem estar habituados à pressão de dirigir o clube de maior torcida do país. Mas admitem que o desempenho no futebol, aquém do esperado, realmente os incomoda. “O fato de o Flamengo ainda não dominar completamente as relações de causa e efeito no futebol, que não é uma ciência exata, é uma preocupação muito grande”, pondera Luz.
Mais de uma explicação circula nos corredores da Gávea para desvendar a frustração. O Flamengo não tem, em relação aos adversários, uma vantagem de investimento digna de um Bayern. Na Alemanha, o time de Munique dedica coisa de € 260 milhões aos salários de atletas e comissão técnica, enquanto o Borussia Dortmund, único a desafiar sua supremacia, gasta a metade. No Brasil, o Flamengo investiu R$ 91 milhões em salários e direitos de imagem de atletas e comissão técnica no primeiro semestre de 2017, ao passo que Palmeiras e Corinthians destinaram valores próximos, R$ 88 milhões e R$ 78 milhões. O Fluminense, rival tradicional, ficou para trás, com R$ 59 milhões. A demora para formar o time também atrapalha. Éverton Ribeiro, principal reforço da temporada, chegou só em junho. O goleiro Diego Alves foi repatriado em julho. As contratações espaçadas atrasam a preparação física e tática, além do entrosamento. Por isso, Luz quer que o Flamengo forme seu elenco ainda na pré-temporada, como faz o Bayern na Alemanha.
Os flamenguistas puseram no plano estratégico metas ambiciosas: querem se tornar o melhor time de futebol das Américas e subir na lista de 20 maiores do mundo em termos de faturamento. Isso implica chegar a uma receita de € 200 milhões e conquistar cinco torneios nacionais, entre Brasileirão e Copa do Brasil, entre dez possíveis. Ninguém fez isso no Brasil até aqui. Para chegar lá, seus dirigentes prometem manter a aposta em planejamento e método, além de não cometer irresponsabilidades financeiras, a antítese do que se viu no futebol brasileiro dos primórdios até hoje. E boa vontade não basta. O Flamengo precisará faturar de mais jeitos. 
Na Libertadores, o desempenho do Flamengo caiu. Na Copa do Brasil, avançou (Foto: Fonte: Tabelas dos campeonatos)
Time de futebol, hoje, ganha dinheiro com televisão, patrocínio, bilheteria e sócio-torcedor. Uns mais, outros menos. A direção do Flamengo vê um vasto território inexplorado em plataformas digitais. A pasta de marketing, dirigida pelo vice estatutário Daniel Orlean e pelo executivo Bruno Spindel, prevê o lançamento de um reformulado aplicativo rubro-negro em fevereiro de 2018. Nele, o torcedor terá uma segunda tela para a partida de futebol – esteja ele no estádio ou no sofá de casa –, com acesso a dados sobre jogadores e imagens de pré e pós-jogo. A arrecadação, esperam os cartolas, virá de um modelo que funciona bem em games (apelidado de “freemium”, uma combinação de algo grátis com algo valioso). Se o plano der certo, o torcedor usará parte dos recursos gratuitamente e pagará para ter acesso a áreas exclusivas.Além disso, o Flamengo terá direitos que hoje pertencem à TV Globo, compradora do pacote de direitos de transmissão. A partir de 2019, quando começa a vigorar um novo contrato, o clube venderá direitos internacionais e transmissões por streaming (como no Netflix). Com essas e outras novas fontes de receita, segundo o plano estratégico, o time partirá rumo aos € 200 milhões em faturamento, nível similar ao momento atual da italiana Roma.
Quando se fala na possibilidade de uma supremacia no futebol brasileiro, devem-se observar os adversários. Os outros clubes grandes têm finanças desajustadas. O Fla-Flu era igualitário nas finanças há poucos anos. Os tricolores cariocas faziam compras com dinheiro da patrocinadora Unimed – empresa então dirigida por Celso Barros, torcedor com ambições políticas no clube. Um episódio em 2007 ilustra a pujança financeira do período. Em janeiro daquele ano, o Fluminense tirou craques dos rivais – Leandro Amaral do Vasco e Dodô do Botafogo. Nos anos seguintes, contratou Conca, Fred e Deco, entre outros reforços caros. Mas a patrocinadora deixou o Fluminense em 2014. Hoje, o clube das Laranjeiras está quebrado e tem de vender jogadores para sobreviver.
O Fluminense, como o Flamengo em 2013, começou em 2017 uma reestruturação administrativa e financeira. O presidente Pedro Abad chamou a mesma EY para desenhar o plano, contratou Marcus Vinicius Freire, ex-dirigente olímpico, para a função de CEO e cortou gastos. Teve algum sucesso: a estimativa de déficit para 2017 encolheu de R$ 76 milhões para R$ 52 milhões. Mas a saúde do tricolor não se compara mais à do Flamengo. Em situações financeiras igualmente delicadas estão Vasco e Botafogo. Fora do Rio, só o Palmeiras compete de frente. A desigualdade financeira se firma. A questão é se o Flamengo conseguirá transformar dinheiro em taças para continuar a sonhar em se tornar o Bayern brasileiro.
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sexta-feira, dezembro 01, 2017

Premiação da #SérieA representa menos de 10% da receita da CBF

POR 
O Campeonato Brasileiro está se encerrando e uma notícia chamou muito minha atenção: o alarde sobre a premiação para os times participantes.
O valor recorde, para muitos, parece até uma revolução. Não é bem assim.
Segundo a CBF serão distribuídos para os 20 times participantes da Série A 2017 um valor total de R$ 64 milhões.

 

O campeão receberá R$ 18 milhões, o vice R$ 11 milhões, o terceiro colocado R$ 8 milhões e o time que atingir o quarto posto R$ 6 milhões.
Todos os demais receberão abaixo de R$ 5 milhões. Do nono colocado em diante o valor recebido é inferior aos R$ 2 milhões.
Em 2015, o valor total dividido era de R$ 35 milhões. Melhorou muito, mas deveria superar os R$ 150 milhões. Está pelo menos 2,4 vezes menor do que realmente vale para os clubes.
O que os times vão receber são migalhas perto do movimentando pela CBF, que faturou em 2016 um valor total de R$ 647 milhões.
Isso significa que os maiores clubes do país receberão menos de 10% do faturamento da entidade máxima do futebol nacional, em prêmios pela principal competição do país.
Os clubes não têm a menor ideia de quanto vale a competição que participam.
Como foco é a seleção os valores são gigantescos. Somente em patrocínios a CBF arrecadou R$ 411 milhões no ano passado.
Enquanto os clubes brasileiros vão receber R$ 64 milhões, a CBF gasta com pessoal e custos administrativos R$ 175 milhões.

 

Isso significa que os gastos com salários e para manter sua sede na Barra da Tijuca representam nada menos que 2,7 vezes mais que premiação histórica da Série A 2017!
O lucro líquido acumulado da entidade nos últimos dez anos somou R$ 550 milhões, e nos últimos cinco anos R$ 278 milhões.
A CBF tem em caixa e bancos o elevado valor de R$ 245 milhões, enquanto o campeão da Série A 2017, Corinthians, conta com irrisórios R$ 1,6 milhão.
Será que ninguém percebeu que a CBF divide pouquíssimo o bolo do futebol nacional? E que os clubes nada fazem para mudar esse cenário?
O atual presidente da entidade máxima do futebol nacional não sai do Brasil com medo de ser preso. O anterior está preso em NY e Ricardo Teixeira está cada dia mais encalacrado com a justiça.

No ano que vem temos eleições na CBF e os dados deste artigo apenas mostram esse estado de coisas, onde os clubes estão à mingua, enquanto a CBF cada vez mais rica.
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quinta-feira, novembro 30, 2017

São Paulo define como vai usar dinheiro de venda de jogadores em 2018

Conselho de Administração põe regra como premissa no orçamento do próximo ano


Por Marcelo Hazan e Marcelo Prado, São Paulo 

A diretoria do São Paulo vai apresentar até o dia 5 de dezembro o orçamento do clube para 2018 ao Conselho Deliberativo. E uma nova regra vai gerir o uso do dinheiro que for arrecadado com a venda de jogadores a partir deste fim de ano. A divisão já foi aprovada pelo Conselho de Administração do Tricolor.
De tudo que for arrecado com negociações, o dinheiro será usado da seguinte maneira:
  • 50% do valor serão investidos em novas contratações
  • 35% a 40% serão utilizados para amortização de dívidas bancárias
  • 10% a 15% serão gastos com despesas operacionais do clube
Presidente Leco espera zerar a dívida bancária do clube na próxima temporada (Foto: reprodução)Presidente Leco espera zerar a dívida bancária do clube na próxima temporada (Foto: reprodução)
Em 2017, o clube arrecadou R$ 184,5 milhões com a venda de jogadores. Desse valor, descontados impostos, participações de terceiros (que detinham parte dos direitos dos atletas) e comissões, o clube recebeu R$ 162,8 milhões.
Do valor acima, 108,9 milhões serão recebidos até o fim deste ano. Em 2018, entrarão nas contas R$ 42,6 milhões e, para 2019, o clube ainda receberá R$ 11,3 milhões.
O dinheiro arrecadado com as negociações permitiu que o clube se reforçasse para lutar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. No total, 19 atletas foram contratados: Sidão, Wellington Nem, Cícero, Neílton, Jucilei, Lucas Pratto, Edimar, Marcinho, Morato, Thomaz, Maicosuel, Denilson, Aderllan, Petros, Arboleda, Jonatan Gomez, Marcos Guilherme e Hernanes. Com todos esses negócios, o valor gasto foi de R$ 59 milhões.
Em entrevista concedida ao GloboEsporte.com em setembro, o diretor financeiro do clube, Elias Albarello afirmou que a meta do clube é zerar a dívida bancária que, segundo informado pelo dirigente, era de R$ 45 milhões.

 (Foto: Divulgação)
Para janeiro, quando abre a janela de transferências, os jogadores com maior potencial de venda são o zagueiro Rodrigo Caio e o meia Cueva. A diretoria, no entanto, nega qualquer sondagem pela dupla.

domingo, novembro 26, 2017

As dificuldades da gestão dos elencos dos clubes de futebol

Uma pesquisa realizada pelo globoesporte.com mostrou a realidade do futebol brasileiro, em que mais de 70% dos clubes passam por dificuldades para pagar suas folhas salariais.

Mais de 52% dos atletas afirmaram que em 2016 tiveram pelo menos um mês de atraso em seus vencimentos.
O Profut trazia em seu texto bastante rigidez em relação aos atrasos salariais, prevendo que os clubes poderiam ser punidos com a perda de pontos, multas e até mesmo o rebaixamento.

Os gastos com folhas salariais também não poderiam ultrapassar os 80% do orçamento dos clubes e os direitos de imagem teriam o valor máximo de 40% do valor do salário. O atraso no pagamento da folha salarial é um dos maiores problemas do nosso futebol. E isso se torna mais grave, à medida que se sabe que em torno de 85% dos atletas recebem até R$ 1 mil reais por mês. Portanto, o planejamento é fundamental e isso passa por condições básicas como o conhecimento antecipado das receitas e despesas dos clubes.

Outro fator inibidor do endividamento dos clubes, além do que preconiza a Lei 13.155/15, que estabelece princípios e práticas de responsabilidade fiscal e financeira e de gestão transparente e democrática para entidades desportivas profissionais de futebol, deveria ser os regulamentos gerais e específicos das competições, começando pela CBF.

Mas infelizmente a CBF foi a primeira a promover articulação, no sentido de boicotar o efetivo funcionamento da referida lei, desse modo criando as precondições para a inviabilização de seu funcionamento.

Os especialistas em planejamento na área esportiva afirmam que a folha salarial dos clubes não deve ultrapassar o patamar de 50% dos seus orçamentos.
Há exemplos positivos no Brasil de clubes grandes, médios e pequenos que sempre arcam com seus compromissos. O mais emblemático deles é a Chapecoense, que nos últimos anos vem se mantendo na série A e disputando títulos, com uma das menores folhas salariais dentre os clubes da Série A.

Reparem no gráfico abaixo

Fonte: E. Victor - Formação: Direito, Gestão e Marketing Esportivo
Organização, (re)texto, edição: Benê Lima 



A Matriz Viva: A Nova Ciência da Cura




domingo, novembro 19, 2017

Moneyball, el negocio del fútbol moderno

Javier Esteban
a evolución histórica del deporte ha mostrado ser uno de los grandes aspectos culturales de las sociedades. En este sentido, la Guerra Fría ya mostraba la lucha hegemónica entre Estados Unidos y la URSS por incentivar una clase de deportistas nacionales de reconocimiento internacional. Si bien la disputa entre estos países se fraguaba en una pluralidad de deportes célebres, la realidad del siglo XXI es que muchos de ellos han ido perdiendo protagonismo en beneficio de la entrada mediática y el uso comercial de uno en especial: el fútbol. 
El fútbol se ha posicionado como la principal actividad deportiva social de muchos países. Su “nacimiento popular” en el siglo XIX presentaba unos rasgos socioculturales distintos a lo que conocemos en la actualidad. En sus comienzos, el fútbol representaba un aspecto ocioso de la sociedad en que los obreros de una industria jugaban contra los trabajadores de otra. Así, la identificación futbolística no reunía una identidad partidista, como ahora, sino más bien una afinidad social, urbana, representada por el entorno de trabajo, hasta 1878, cuando el Darwen FC fichó dos jugadores escoceses, fenómeno que provocó la unión en 1884 de varios clubs de la British Football para defender la profesionalización del fútbol.
El fútbol (verde oscuro) representa el deporte más popular en una gran parte de las potencias mundiales. Fuente: Wikimedia
En la actualidad, la transcendencia del fútbol llega a cualquier rincón del planeta. Los clubs de fútbol se han convertido en marcas comerciales e incluso en distintivos especiales de los países. Se presume de tener los equipos más competitivos en las ligas nacionales, a los mejores jugadores y, de manera ¨más encubierta¨, se goza de los privilegios mediáticos, sociales y económicos que supone todo ello.
De acuerdo a la estrategia digital de transformación del fútbol, los ingresos de los clubs vienen determinados por los beneficios económicos obtenidos en los días del partido, los derechos televisivos nacionales e internacionales y, por supuesto, el proceso de mercantilización de los equipos. Y es justo en este último aspecto donde se ha dado entrada a los grandes inversores, provenientes de diferentes países y con el objetivo de alcanzar grandes ganancias económicas en una industria que ocupa el 0,7% del PIB mundial. Dicho de otro modo, el PIB que genera el fútbol a nivel mundial lo situaría como la economía número 24 del mundo.
Si bien el fútbol está sirviendo como herramienta de imagen pública y de lucha de poder internacional, la realidad es que ha sido un instrumento útil para la mejora de las relaciones exteriores entre países. Muestra de ello fue el partido amistoso del 2015 que jugaron el New York Cosmos y la selección nacional de Cuba con la intención de restablecer las relaciones diplomáticas entre sus dos países. También el partido amistoso en 2014 entre la India y Pakistán escenificó el fútbol como puente de regeneración de los vínculos territoriales de los países. No obstante, el fútbol también ha teatralizado conflictos sociales, políticos y económicos entre equipos y selecciones, con lo que ha desembocado en lo que Kapuściński ha denominado “guerra de fútbol”.
Para ampliar: “La pelota y el fusil. Tambores de guerra en las gradas”, Adrián Albiac en El Orden Mundial, 2014
Lo que podemos comprender es que el fútbol ha sufrido un proceso de mercantilización que ha reprimido los valores culturales de los que se empapaba antaño. Los multimillonarios contratos a futbolistas, la disputa internacional por los derechos televisivos y las deudas amontonadas de varios clubs empiezan a configurar una burbuja futbolística en torno al deporte. El fenómeno mediático, unido a la entrada de importantes inversores extranjeros sin escrúpulos, está entonando un complejo debate sobre su proceso de desvalorización.

La diversificación del deporte estadounidense

El protagonismo de Estados Unidos en el ámbito deportivo ha estado siempre vigente en el panorama internacional. Además del país con mayor número de medallas olímpicas, destaca por ser una influencia deportiva puntera en juegos como el hockey sobre hielo, el béisbol, el fútbol americano y, por supuesto, el baloncesto. Sin embargo, el país se sitúa a considerable distancia de las grandes potencias del balompié o soccer. De hecho, las diferencias económicas entre los principales deportes estadounidenses y el fútbol europeo son realmente notables, aun teniendo en cuenta el reciente progreso de este último.
Las ligas norteamericanas de fútbol americano (NFL), béisbol (MLB), hockey sobre hielo (NHL) y baloncesto (NBA) superan en ganancias al soccer, aunque el crecimiento de su liga (MLS) es destacable en los últimos años. En conjunto, suman asimismo unos ingresos anuales bastante superiores a los de la FIFA en el año 2014. Fuente: Cartografía EOM
Desde hace unos años, la Liga Mayor de Soccer (MLS por sus siglas en inglés) comienza a destacar mediáticamente como una competición profesional más atractiva. Podríamos afirmar que este nuevo boom estadounidense nació gracias al fichaje del inglés David Beckham por Los Angeles Galaxy, aunque jugadores como Pelé y Beckenbauer ya habían pisado suelo estadounidense en la década de los 70. A partir de la viralidad de este fichaje, la MLS empieza a incorporar una serie de jugadores profesionales de primer nivel, lo cual conlleva no solo una mayor profesionalización y competitividad, sino también una mayor apertura mediática y cultural en la sociedad estadounidense.
Sin embargo, aún existen ciertas irregularidades en la liga de fútbol. Si bien el salario medio de los jugadores ha subido un 2,9% en el año 2016 —en torno a 326.000 dólares—, solamente 28 jugadores de la liga cobraban como mínimo un millón de dólares, y eso que en el año 2014 siete jugadores poseían prácticamente un tercio de todo el dinero de la MLS. Cabe resaltar que la evolución de esta liga —en 2014 vivió un aumento de espectadores en los estadios del 10,4%— y del fútbol como aspecto cultural hace prever que poco a poco se vaya asentando en la práctica social y deportiva estadounidense, tal y como muestra el hecho de posicionarse como la sexta liga de fútbol del mundo en asistencia a los estadios.
A diferencia de otros países, la estrategia futbolística de Estados Unidos se ha basado en la atracción de grandes jugadores que, mayoritariamente por su edad, deciden competir en una liga menos exigente y con un contrato aún superlativo para sus carreras profesionales. No obstante, cabe matizar que todo esto se concentra sobre el grueso mediático del deporte en general: el fútbol masculino. En el caso de las mujeres, la selección nacional de fútbol destaca por ser una de las grandes potencias del sistema internacional y un claro referente para Estados Unidos. Y, al igual que en las grandes empresas, las diferencias económicas —y mediáticas— entre los dos sexos comporta una desigualdad preocupante.
Para ampliar: “De EE. UU a China: la exótica retirada de los futbolistas”, Aldo Vázquez en Sphera Sports, 2017
Fuente: Statista
Siguiendo la estrategia de acogida de futbolistas longevos y del sistema liguero de la MLS, la inauguración en 2013 de la Superliga de India —oficialmente, Hero Indian Super League por temas de patrocinio— supuso un matiz diferente. La Superliga India se construyó como un complemento de las ligas profesionales de la Federación de India, compuesta por ocho equipos y cuya competición dura alrededor de tres meses. Se espera que con la creación de esta liga, protagonizada por equipos y sobre todo jugadores extranjeros estrellas, se fomente una fuerte cultura futbolística en el país y una federación nacional de fútbol influyente.

De la inversión a la producción: la estrategia sino-rusa

El caso chino resulta un tanto peculiar por su espectacular crecimiento futbolístico en los últimos años. La única vez que la República Popular China ha participado en algún torneo futbolístico internacional fue el mundial de Corea y Japón de 2002, cuando ambos países anfitriones tenían ya garantizados sus respectivos pases a la competición. Con la intención de posicionarse como la primera potencia mundial del fútbol en 2050, grandes empresarios chinos empezaron a invertir en el mundo del fútbol, apoyados por la simpatía y afición del presidente chino, Xi Jinping, hacia este deporte.
Principales equipos europeos financiados por empresarios chinos. Fuente: Bloomberg
Existen diferencias estratégicas entre la llamada Superliga de China y la MLS estadounidense. La primera apuesta por la compra e inversión en jugadores jóvenes, es decir, convencer a los futbolistas no solo por grandes cantidades de dinero, sino también por la expectativa de organizar una liga competitiva e internacionalmente influyente. Mientras, la MLS se centra en acoger jugadores más longevos cuyas trayectorias futbolísticas están tambaleándose por el paso de los años, pero que suponen un factor más mediático para recoger mayor afinidad social con el fútbol. En definitiva, el proyecto chino es nacionalmente más ambicioso. Muestra de ello es la obligación de practicar fútbol en los colegios chinos desde 2015. De hecho, esta pretensión cruzó fronteras territoriales cuando se confirmó que la selección china sub-20 jugará la próxima temporada en la cuarta división de Alemania.
Para ampliar: “China U20 en Alemania: ¿Interés económico o de desarrollo?”, Dani González en Sphera Sports, 2017
Este afán económico competitivo ha obligado a medidas restrictivas al Gobierno chino desde que el fichaje de Carlos el Apache Tévez por el equipo Shanghai Shenshua por 40 millones de euros por temporada desquebrajara el mercado del fútbol chino. Desde entonces, la República Popular China ha impuesto una serie de restricciones con el objetivo de limitar el gasto económico de los equipos y avivar el crecimiento del propio fútbol nacional chino.
El caso de Rusia ha compartido rasgos similares al auge de los inversores chinos. El primer gran inversor fue Román Abramóvich, quien compró el club londinense Chelsea FC en 2003 debido a sus problemas financieros. Desde entonces, el club consiguió no solo resolver sus deudas, sino también crecer económica y profesionalmente por medio de ilustres fichajes y títulos nacionales e internacionales. La inversión del empresario ruso, por tanto, fue realmente útil para el crecimiento del club, como también lo fue la irrupción del club daguestaní FK Anzhi Majachkalá en 2011 con el millonario ruso Suleimán Kerímov.
No obstante, Abramóvich tuvo que hacer frente a la jurisdicción de la UEFA cuando fue investigado entre 2004 y 2005 debido a que su empresa petrolífera, Sibneft, patrocinara al club moscovita CSKA Moscú, ya que la UEFA prohíbe que una misma persona posea, por medio de acciones, dos clubs de su torneo.
La inversión en la plantilla de muchos equipos europeos se ha disparado en el 2017. Fuente: Cartografía EOM.
No obstante, la influencia rusa en el fútbol se concentra más destacadamente por medio de la empresa gasística Gazprom. En 2008 el club Zenit San Petersburgo consiguió ganar la entonces copa de la UEFA gracias al financiamiento suministrado por la empresa de gas desde 1999. Un año antes se había convertido en el patrocinador principal del equipo alemán FC Schalke 04, e incluso consiguió asociarse con el Chelsea de Abramóvich, con lo que aumentaron la publicidad y, por tanto, el financiamiento del club londinense. De hecho, Gazprom se ha posicionado como uno de los grandes patrocinadores de la Champions League.
Para ampliar: “Gazprom Football Empire – the creation of a global image campaign”, Manuel Veth en Futbolgrad, 2014
Si bien la estrategia rusa se ha definido sobre la atracción de jugadores de talla mundial, al estilo de China, también ha perseguido una producción futbolística interna estimulando el auge de la cantera rusa y prohibiendo entrenadores extranjeros. Sin embargo, su rendimiento interno está en el punto de mira tras la investigación de la FIFA sobre el posible dopaje de la selección nacional rusa en 2014.

El trasvase aéreo de los petrodólares

En todo este negocio de multimillonarios comprando y financiando clubs de fútbol no podían faltar los grandes jeques de los países árabes del golfo pérsico. Vistas las dificultades que han tenidos los equipos —de Catar y Emiratos Árabes, principalmente— para atraer grandes jugadores hacia sus ligas, sus objetivos se han centrado en la compra y patrocinio de otros clubs europeos.
En cuanto a la compra se refiere, un fenómeno interesante ha sido la expansión de la empresa Abu Dhabi United Group sobre diferentes equipos. En 2008 adquirió el Manchester City, que renovó por completo, y obtuvo como resultado un equipo competitivo y ganador, después de varios años. A este club se le juntaron otros adquiridos por la misma empresa, como el New York City de la MLS, el australiano Melbourne City FC o el nipón Yokohama F. Marinos, todos patrocinados por la aerolínea emiratí Etihad Airways.
Para ampliar: “El imperio City”, Jaime Ojeda en Sphera Sports, 2016
No obstante, más allá de la compra de clubs de fútbol, lo verdaderamente exponente en las inversiones de estos países es la cuestión publicitaria. Uno de los primeros casos fue cuando el FC Barcelona firmó el mayor contrato de patrocinio con Qatar Sports Investment y lució, en un principio, Qatar Foundation —posteriormente, Qatar Airways— en sus camisetas. Posiblemente, el hecho de que el expresidente del Barcelona, Sandro Rosell, hubiera ayudado —ilegalmente— a Catar a autopromocionarse para acoger el mundial de 2022 incentivó la firma de dicho contrato.
Este fenómeno provocó que la productora audiovisual catalana Mediapro se aliara en 2015 con el medio catarí Al Jazeera en la creación y dirección conjunta del canal Bein Sports. No obstante, a partir de la próxima temporada, el club catalán estará patrocinado por la empresa japonesa Rakuten y Qatar Airways será el patrocinador oficial de la FIFA, como mínimo, hasta el mundial de 2022.
Para ampliar: “How Qatar became a football force: from Barcelona to PSG and World Cup”, David Conn en The Guardian, 2013
La estrategia emiratí se ha esforzado en mantener lazos comerciales con diferentes equipos destacados. El más influyente es el Real Madrid CF, que firmó un contrato de patrocinio en 2011 con Fly Emirates. Dicho acuerdo, que termina en 2018, será renovado a pesar de las dificultades de entendimiento entre las partes. Un ejemplo de ello es cuando Marka, una empresa de distribución emiratí, obtuvo la concesión de vender y distribuir las camisetas del Real Madrid por muchos de los países del golfo pérsico, para lo cual se acordó eliminar la pequeña cruz cristiana que tiene el escudo del equipo.
El inglés Arsenal FC, el Real Madrid CF, el parisino PSG o el AC Milán son algunos de los grandes beneficiados de las inversiones de Fly Emirates. Fuente: Goal
Entendemos que las inversiones empresariales están cambiando las dinámicas futbolísticas cuando el patrocinio puede llegar hasta los nombres de los estadios, como el Emirates Stadium del Arsenal FC. En este sentido, la remodelación del Santiago Bernabéu se encuentra en un momento de incertidumbre: la emiratí IPIC, dueña de Cepsa y principal inversor económico de la obra, debe decidir el nombre del nuevo estadio: Cepsa Bernabéu o IPIC Bernabéu. Sea cual sea, lo que queda claro es que la historia del club sufrirá un revés cultural, como recientemente le pasó al Atlético con su nuevo estadio: Wanda Metropolitano.

Una revolución silenciosa

La codiciosa mercantilización del fútbol se refleja claramente en las concesiones a los países hospedadores de los mundiales de fútbol. Ya se sugirió que en el año 2002, durante el mundial de Corea y Japón, la FIFA arregló partidos para favorecer la progresión de Corea en el campeonato, lo que perjudicó, entre otras, a la selección española. También está en tela de juicio el mundial de 2006 de Alemania por la presunta compra de votos del país bávaro para la celebración del torneo. Del mismo modo, se confirmó que Sudáfrica pagó diez millones de euros para albergar el campeonato mundialde 2010.
La corrupción del mundial de Brasil del 2014 fue vox populi desde un principio, sobre todo en la gestión de fondos públicos de cara a la construcción de infraestructuras para ser garantes acogedores del mundial. Mientras, los mundiales adjudicados a Rusia para 2018 y Catar en 2022, antes de celebrarse, ya están bajo sospecha debido, de nuevo, a la compra de votos a miembros de la FIFA para acoger los torneos, tal y como descubrió el llamado informe García.
Para ampliar: “La FIFA. Sobornos, corrupción y poco fútbol”, Adrián Albiac en El Orden Mundial, 2015
Más allá de las confabulaciones en el seno de la FIFA, la mercantilización del fútbol moderno es una realidad instaurada en nuestros días. El “Madrid de los galácticos” de 2005 se ha quedado obsoleto con la entrada de un nuevo modelo futbolístico en la compraventa de jugadores.
Las divergencias económicas entre las cinco grandes ligas europeas se han intensificado por la considerable evolución en la forma de consumir y producir fútbol. Los derechos televisivos son tan costosos e implican tanto dinero que aquel recuerdo del fútbol en abierto se ha extinguido por completo. La publicidad comercial en las vestimentas e infraestructuras de los equipos resulta ser un negocio rentable, pero produce una cierta desvalorización —o, más bien, contraposición— respecto a lo que el fútbol suponía para la unificación y consolidación de los lazos culturales de la sociedad.
Fuente: CincoDías
En cierta manera, el fútbol se está construyendo como una fuerte herramienta de poder blando en la que multinacionales y Gobiernos invierten para embellecer su imagen pública internacional. Los numerosos casos de evasión fiscal protagonizados por grandes jugadores profesionales muestran la transcendencia del fútbol como soporte económico y mediático, y se llega incluso a situaciones en las que determinados personajes empresariales y públicos defienden las disposiciones de tales jugadores. Hemos llegado a un punto en que el fútbol sirve para ocultar los entresijos económicos de grandes personalidades mientras nos dejen disfrutar el escaso fútbol que nos permiten nuestros bolsillos. Panem et pediludium.