Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sábado, maio 19, 2012

Valor de mercado da Série B do Campeonato Brasileiro de 2012

Elencos dos 20 times que disputam a competição valem € 207 milhões (R$ 518 milhões), o que o coloca na posição de 31º mais valioso do mundo
Fernando Pinto Ferreira* / Universidade do Futebol
Nesta sexta-feira (18/05), teve início a edição 2012 da Série B do Campeonato Brasileiro. Neste ano, o valor de mercado dos elencos dos 20 times participantes atingirá a cifra recorde de € 207 milhões (R$ 518 milhões), valor 8,4% superior a 2011. 

A Pluri calcula o valor de mercado utilizando metodologia própria, descrita logo abaixo. Confira o valor de mercado de cada um dos 20 clubes participantes.

Valor de mercado dos 20 times participantes

Os elencos dos 20 times que disputam a Série B do Brasileirão 2012 valem € 207 milhões (R$ 518 milhões), o que coloca o campeonato na posição de 31º mais valioso do mundo.

O Atlético Paranaense possui o elenco mais valioso do campeonato, com valor de mercado de € 22,2 milhões (R$ 55,5 milhões), seguido pelo Vitória, com € 20,3 milhões (R$ 50,8 milhões) e o Goiás, com € 15,2 milhões (R$ 38 milhões).

Os cinco times paulistas têm valor de mercado somado de € 46 milhões, cerca de 29% do total. Em seguida vêm os dois paranaenses, com valor de € 29 milhões (18% do total) e os três Catarinenses, com € 28 milhões (17% do total).

Somados, os 10 clubes destes estados representam 64% do valor de mercado total da competição.

Ipatinga (€ 5,7 milhões), ASA (€ 6,1 milhões) e Boa Esporte (€ 6,2 milhões) são os três times com menor valor de mercado do campeonato;

A seguir as tabelas com os valores por time:




*Economista, Especialista em Gestão e Marketing do Esporte e Pesquisa de Mercado.

Tags: gestão de futebol, negócios, investimento, indústria do futebol, campeonato brasileiro,administração, Finanças

 

terça-feira, maio 15, 2012

Tribunal de Justiça de Minas Gerais exclui responsabilidade de clube e de federação por morte de torcedor

É direito do fã ter segurança nas imediações do estádio, bem como suas entradas e saídas, viabilizando o acesso

Gustavo Lopes / Universidade do Futebol

Arquivo web

A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou o recurso de um casal em ação de indenização pela morte do filho, resultante de uma briga entre torcidas em abril de 2004. Na decisão, a Federação Mineira de Futebol e o Cruzeiro Esporte Clube foram retirados do processo por serem considerados isentos da responsabilidade pelo ocorrido.

A referida decisão é atinente a um aspecto preliminar do processo; o mérito, se haverá ou não indenização, ainda está pendente de julgamento.

O torcedor foi morto durante briga entre membros das torcidas do Clube Atlético Mineiro e do Cruzeiro Esporte Clube, no terminal rodoviário “BH Bus” na região de Venda Nova, cerca de 10 quilômetros do estádio, em 11 de abril de 2004, dia em que foi disputada a final do Campeonato Mineiro daquele ano no Mineirão.

Os pais da vítima ajuizaram ação de indenização por danos materiais e morais contra o Estado de Minas Gerais, a BHTrans, sociedade de economia mista municipal responsável pelo trânsito, a Federação Mineira de Futebol, o Cruzeiro e alguns torcedores do Atlético.

Em 1ª instância, o Magistrado considerou que a Federação e o Cruzeiro não podiam ser responsabilizados pelo incidente, pois “as atribuições legais dessas instituições se limitam às circunscrições do local onde ocorre o evento esportivo”. 

No recurso, o casal solicitou que a Federação Mineira de Futebol e o Cruzeiro também fossem responsabilizados pela morte de seu filho.

O Desembargador relator entendeu que a situação foge da responsabilidade da entidade organizadora da competição e da entidade da prática desportiva, pois os fatos não se deram no lugar do evento ou nas imediações de sua realização e, portanto, manteve a decisão de primeira instância.

“A alegação recursal de que o Estatuto do Torcedor não impõe limite de distância entre o palco do evento e os locais utilizados para transporte dos torcedores não supera, primeiro, a previsão daquele quanto a aspectos e definição de segurança e, segundo, a imposição de aplicação do princípio da razoabilidade”.

O Estatuto do Torcedor estabelece a responsabilidade objetiva do clube mandante, da entidade organizadora e seus dirigentes pelos danos sofridos pelos torcedores em razão do evento esportivo, sendo-lhes garantida a segurança antes e depois da partida.

Ademais, é direito do torcedor ter a segurança nas imediações do estádio em que será disputada a partida, bem como suas entradas e saídas, de modo a viabilizar, sempre que possível, o acesso seguro e rápido ao evento, na entrada, e aos meios de transporte, na saída.

Destarte, considerando-se que as estações de ônibus constituem sistema de transporte público indispensável para o acesso ao evento esportivo e que o dano somente ocorreu em virtude dele. Considerando-se, ainda, que é dever das entidades envolvidas garantir a segurança do torcedor, a federação e o clube possuem, sim, legitimidade para figurarem como réus na ação.

Além deles, nos termos do artigo 39-B, do Estatuto do Torcedor, a torcida organizada responde civilmente, de forma objetiva e solidária, pelos danos causados por qualquer dos seus associados ou membros no local do evento esportivo, em suas imediações ou no trajeto de ida e volta para o evento; ou seja, tendo havido participação de componentes de torcida organizada, a entidade também poderia constar no pólo passivo.

De toda sorte, medidas judiciais como esta são de extrema valia para a efetivação dos direitos do torcedor, uma vez que somente com seu uso reiterado será possível aplicar corretamente e em sua plenitude o Estatuto do Torcedor.

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O futebol cearense se encaminha para o fundo do poço

José Renato Santiago*

É verdade que, historicamente, foram poucos os momentos em que o futebol cearense teve grande destaque nacional.

As duas maiores equipes do estado, Fortaleza e Ceará, já chegaram a ser vice-campeãs da Taça Brasil e Copa do Brasil.

Sim, exceções, que fundamentam qualquer regra, no entanto fazia muito tempo que o futebol alencarino não vivia um momento tão ruim tanto dentro como fora de campo.

O ano de 2011 tinha acabado com três rebaixamentos nos campeonatos nacionais, dois que foram efetivados em campo e outro evitado de forma torpe.

Na Série A, o Ceará caiu para a Série B, após “conseguir” o feito de vencer apenas uma partida em casa durante todo o returno.

Na Série B, o Icasa de Juazeiro do Norte passou quase todo o campeonato na zona de rebaixamento, de onde não saiu ao final da competição.

Na Série C, talvez o fato mais vergonhoso de todos, o tradicional Fortaleza só não foi rebaixado devido a ridícula sequência de fatos duvidosos nos minutos finais da partida frente ao CRB. Um papelão!!!

Nada poderia ser pior para 2012, no entanto, novamente o papelão técnico e moral continua sendo a mote do futebol cearense.

Primeiro fato lamentável envolveu outra tradicionalíssima equipe, o Ferroviário que foi rebaixado de forma inédita e preventivamente resgatado por “irregularidades” envolvendo jogadores do caçula Crateús.

As vésperas da partida final do campeonato, o Clássico Rei, entre Fortaleza e Ceará, surgiram denúncias envolvendo um suposto acerto em partida entre o Alvinegro e o São Caetano pela Série B de 2009.

Mas, ainda havia mais por vir…

Ao final da partida que deu o bicampeonato ao Ceará, os dirigentes alvinegros proibiram seus jogadores de irem levantar o troféu de campeão, sob a alegação que a Federação Cearense de Futebol tinha arranjado o título para o rival.

Muito embora na final, o Fortaleza tenha tido um jogador expulso, e o Ceará tenha marcado o gol do título através de um pênalti, corretamente marcado.

Mesmos motivos utilizados pelos dirigentes do Leão do Pici a também não irem receber o troféu de vice-campeão estadual.

Enquanto os clubes cearenses tentam se acabar, os altos dirigentes e governantes de meu querido estado natal só têm olhos para a Copa do Mundo e dos benefícios que terão com ela.

Como diria o pernambucano mais cearense de todos, Luiz Gonzaga: “…Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão…”

*José Renato Santiago é doutor e mestre em Engenharia pela Universidade de São Paulo com pós-graduação em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e pode ser contatado pelo email jrsantiago@jrsantiago.com.br.

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quarta-feira, maio 09, 2012

Final rende mais em bilheteria do que 11 jogos do Guarani

ERICH BETING
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP
Final do Paulista representou 51,6% da receita em bilheteria bugrina
 

 

A disputa da primeira final do Campeonato Paulista Chevrolet rendeu ao Guarani, só com receita de bilheteria, mais do que o clube arrecadou em todas as partidas da competição disputadas em seu estádio. Levantamento feito pela Máquina do Esporte em todas as súmulas do clube campineiro mostra que a decisão do Paulista correspondeu a mais de 50% da arrecadação do Guarani na competição.

 

O primeiro jogo contra o Santos, no qual o clube campineiro foi derrotado por 3 a 0, representou uma receita líquida de R$ 585.513,58 para os cofres do Guarani. O total corresponde a 51,6% de toda a arrecadação do clube com bilheteria em 11 partidas em que teve como mandante na competição estadual.

 

Nos outros jogos, o Guarani somou R$ 550.062,18 com bilheteria, de acordo com os borderôs publicados no site da Federação Paulista de Futebol (FPF). Entre esses valores estão os jogos contra Palmeiras e Ponte Preta, já válidos pela fase final do campeonato, e que haviam representado as melhores bilheterias do clube até então (a receita dos jogos decisivos foi dividida entre os finalistas).

 

A realização das duas finais no estádio do Morumbi foi uma decisão tomada pela FPF, que detém pelo regulamento da competição o mando de campo das partidas e, também, que fica com 5% sobre a receita bruta de bilheteria em cada partida do torneio. Só com o primeiro jogo da final, a FPF amealhou R$ 92.468,80.

 

Na fase de classificação do Paulista, a melhor receita que o Guarani havia obtido com bilheteria havia sido no duelo contra o Palmeiras, que alçou o clube ao quarto lugar na tabela, na penúltima rodada. O jogo rendeu R$ 196.451,69 ao time de Campinas, que ficou com 100% da receita. Antes, o clube já havia amargado prejuízo nos cofres em três duelos do Paulistão.

 

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Para valorizar Série D, CBF assume conta

REDAÇÃO
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP

 

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma medida para tentar valorizar a quarta divisão do Campeonato Brasileiro. A partir deste ano, a entidade vai bancar todos os deslocamentos de equipes que participarem do certame nacional.

 

A exemplo do que aconteceu no ano passado, a Série D de 2012 será disputada por 40 times. Haverá representantes dos 26 Estados e do Distrito Federal.

 

A distribuição geográfica já estava prevista em regulamento, mas não era cumprida em anos passados por conta de desistências. Sem dinheiro para custear deslocamentos longos, times abriam mão do direito de disputar a Série D.

 

A proposta da CBF é minimizar esse tipo de reação. Além disso, em nota publicada no site oficial, a entidade diz que “estuda novas medidas para a competição evoluir nos próximos anos”.

 

“O Campeonato Brasileiro Série D vai ter de verdade uma dimensão nacional. Além de levar o esporte preferido do nosso povo aos lugares mais longínquos, dará a oportunidade de se revelar jogadores que antes não podiam ser observados pela imprensa e por profissionais de outras comissões técnicas”, disse José Maria Marin, presidente da CBF.

 

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terça-feira, maio 08, 2012

Precisamos falar do legado

Devemos aproveitar energia positiva do esporte e fazer com que disseminação se constitua em um fruto social

Rodrigo Barp / Universidade do Futebol

O Brasil precisa se acostumar mais a discutir os temas que lhe são caros.

Também aqueles assuntos que não são tão fáceis.

Não apenas aceitar ou negar aquilo que acontece ao nosso redor.

A inquietação aguça a criatividade e, como consequência, a evolução das coisas.

À exceção das histórias de alguns poucos ídolos da vez dentro das quatro linhas, contadas por programas de televisão com todas as tintas dramáticas do menino que virou homem e atinge o estrelato, fama, dinheiro e cia., o futebol brasileiro não sabe debater o verdadeiro potencial de transformação social que esse esporte pode ter.

Ou não quer tratar do assunto.

Aliás, no mundo, fala-se pouco a respeito. Faz-se menos ainda.

Mesmo assim, muito à frente do Brasil.

Esse elefante branco na sala do futebol mundial deve ser enxergado sem constrangimento.

Mais ainda em tempos de Copa do Mundo 2014 e o incessantemente invocado legado que o evento deixará ao país.

Ao contrário, aproveitar a energia positiva do esporte e fazer com que sua disseminação organizada se constitua num legado social permanente.

Na Europa e nos EUA – pelo menos até onde chego com minhas investigações – os clubes, as ligas e as associações nacionais constituem institutos, fundações, ou até mesmo programas permanentes que integram a sociedade ao futebol, ou levam o futebol onde a sociedade está (normalmente em situações desfavorecidas).

Fifa e ONU, cada uma a sua maneira, têm em seus quadros mandatários designados para cuidar da responsabilidade social corporativa no esporte.

A Unicef inclusive possui acordos com clubes de futebol, dentre os quais o Flamengo no Brasil.

É pouco. É quase nada de efetiva mobilização e engajamento da cadeia.

Basta que se visite os sites oficiais de Uefa, Premier League, Federação Irlandesa de Futebol, Chelsea, Arsenal, Liverpool, Manchester United e City, Tottenham, Real Madrid, Barcelona, Milan, Bundesliga, Bayern Munich, Major League Soccer, para se constatar a diferença de tratamento ao tema e os programas – mais do que ações – que são executados.

Até mesmo Boca Juniors e River Plate, para invocar a comparação aos latinoamericanos, têm atuação contundente.

E no Brasil? Internacional, Grêmio e Vasco têm atuação organizada e louvável.

Ok, falta dinheiro e não é a atividade principal.

Ok. E qual ONG tem a capacidade de mobilização que os clubes de futebol têm em suas comunidades?

Belíssimas e organizadas iniciativas vemos na Fundação Gol de Letra, Fundação Cafu, Instituto Bola pra Frente, Instituto Deco, Instituto Paulo André, Atletas pela Cidadania, Instituto Bom de Bola.

O primeiro passo para mudar esse cenário e, sim, copiar o que é feito lá fora, nesse caso, é começar a falar sobre o elefante na sala.

Incluir na pauta de eventos do terceiro setor e até do poder público.

Bom, antes disso, deve-se querer enxergar o elefante na sala.

Empurrar pra baixo do tapete não dá, é muito grande...

Tags: Organização, planejamento estratégico, gestão de futebol, investimento, negócios, uefa, Fifa,clubes, sociabilização, copa do mundo, brasil 2014

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sexta-feira, abril 27, 2012

O Barcelona e a nova ciência das redes

Chelsea é uma reminiscência do futebol do século passado. No entanto, como as regras do jogo continuam no passado, já se sabia, antes da partida, que tudo poderia acontecer
Augusto de Franco* / Universidade do Futebol

Aqui onde moro atualmente, nos Jardins, em São Paulo, ouvi na última terça-feira, ao final da partida Barcelona x Chelsea, gritos enfurecidos: "Chupa Barcelona Filho da Puta!". A partida empatou (2 x 2), mas o Barcelona foi eliminado da Champions League porque precisava vencer por dois gols et cetera.

Fiquei pensando se Albert Camus, prêmio nobel de literatura, não tinha razão quando dizia que de todas as suas experiências na vida, a que maior conhecimento lhe proporcionou sobre os homens foi o futebol. Aquele buzinaço que se seguiu à partida, comemorando o não-futebol do Chelsea, me disse muita coisa desagradável. 

Revelou, de certo modo, as entranhas da intolerância. Mais do que isso, entretanto, soou como um eco lúgubre e uma reprodução invertida dos lamentos dos seres humanos aprisionados nas redes centralizadas.

Quem viu o jogo pôde perceber que o Chelsea, a partir de certo momento (coincidente com o início da partida, hehe), praticamente não jogou bola. Matou o tempo. Matou o futebol. Mesmo assim, contou com o entusiasmo de fervorosos torcedores. Mais do que isso, contou com bad feelings de uma multidão que mais parecia estar se vingando da arte.

Arte? Como é possível? Para com isso! Está errado! O que queremos é a guerra. Não queremos um lírico Iniesta fazendo firulas no meio-campo. Queremos a força, a garra, o vale-tudo orientado pelo resultado do gigante Drogba. Fora Iniesta, seu anão imprestável! Drogba é o nosso herói!

Bem, devo dizer que meu interesse no assunto não é propriamente futebolístico e sim investigativo e decorre de minhas explorações na nova ciência das redes. Há bastante tempo venho observando como a topologia da rede “produz” o comportamento coletivo. 

É claro – não vou negar – que prefiro me deleitar assistindo ao novo futebol criativo do Barcelona do que o futebol de resultados dos times ingleses e italianos que envelheceram mal e que só sabem dar chutão pra frente para tentar surpreender uma defesa desarmada. Ainda não me deformei a ponto de gostar da realpolitik: para isso não preciso de futebol, basta acompanhar a guerra, a luta política pervertida como arte da guerra ou a concorrência simétrica adversarial praticada pelas empresas hierárquicas.

Mas isso agora não vem ao caso.

Diz-se que o Barcelona perdeu porque ficou vulnerável. Concordo. Acho que o futebol do Barcelona é extremamente vulnerável, mesmo, não a um ou outro adversário que tenha estudado suas fraquezas, e sim às regras do futebol, que não acompanharam a evolução do futebol.

O velho futebol do século 20 é – como observou argutamente George Orwell no artigo “The Sporting Spirit” (London: Tribune, December 1945) – uma espécie de “guerra sem mortes” (“It is war minus the shooting”, escreveu ele textualmente). Não é bem um jogo, uma atividade lúdica da qual se possa tirar fruição, admirada em si mesma ou por si mesma, uma coreografia estrutural coletiva onde as coordenações de coordenações comportamentais se encaixam sinergicamente (a essência da dança e daí a arte), mas um vale-tudo no qual se exaltam as capacidades dos indivíduos de obter por qualquer meio a vitória, seja dando uma joelhada desleal nas costas do jogador adversário, seja falsificando abertamente as regras (pois, afinal, “guerra é guerra” e na guerra, como se sabe, é necessário que a primeira vítima seja a verdade).

Parece óbvio que o futebol one-touch oriented do Barcelona exigiria novas regras no-touch oriented. Por exemplo, as regras atuais do futebol deixam um jogador tirar outro fisicamente da jogada com um encontrão (que se for feito com o ombro ou com o tronco, na maior parte dos casos não é falta, e sim “disputa normal” do jogo). Ora, nessas condições, quem se prepara melhor para o vale-tudo (quem se prepara para a guerra) tende a prevalecer.

Transformado em uma espécie de variação de baixa intensidade do futebol americano, o futebol vai assim se rendendo aos atributos físicos dos jogadores individualmente e à chamada tática traçada de antemão por algum chefe-técnico que monta seus ardis com base no comando-e-controle. Não é à toa o deslizamento de categorias próprias da guerra para o futebol: tática, estratégia, ofensiva, defensiva, espírito de corpo ou coesão e aplicação individual (quer dizer, subordinação a um esquema pré-determinado). 

Faz sentido e a utilização desses conceitos só corrobora a hipótese de George Orwell. Mas o problema é que tudo isso favorece o ânimo adversarial e diminui as nossas oportunidades de sentir aquele prazer tipicamente humano de contemplar as interações sociais (quer dizer... aquelas interações tipicamente humanas).

O Chelsea é uma remanescência do futebol do século passado. No entanto, como as regras do jogo continuam no passado, já se sabia, antes da partida, que tudo poderia acontecer. Quer dizer: que o não-futebol poderia vencer o futebol. Como venceu, pelas regras. Não apenas o Chelsea, mas qualquer outro time poderia (e poderá) vencer o Barcelona, sem violar as regras. Porque é fácil derrotar o Barcelona. Basta, para tanto, derrubar seus jogadores. Se o jogador não está em pé ele não pode jogar. Ponto.

No entanto, o futebol do Barcelona não foi derrotado pelo futebol de outros times. Nem poderá sê-lo. Mesmo que o Barcelona venha a perder todas as próximas partidas que disputar, parece óbvio que um número maior de caminhos (mais passes por unidade de tempo) significa a configuração de uma topologia de rede mais distribuída do que centralizada. E que quanto mais distribuída for a topologia da rede, mais conectividade e mais interatividade haverá. E que, assim, mais possibilidades surgirão de fazer a bola chegar ao gol adversário (a regra suprema do jogo). É matemático. O que não quer dizer que ocorrerá sempre.

Eis os diagramas ilustrativos (publicados originalmente por Paulo Ganns, na Escola-de-Redes) do jogo Barcelona x Santos em dezembro de 2011. Veja-se a diferença das topologias (caricaturadas na imagem para evidenciar a diferença).



E eis agora minhas variações do diagrama do Paulo Ganns, comparando a rede distribuída configurada pelos passes do Barcelona com a representação de um emaranhado quântico (acima) e a rede centralizada do Santos Futebol Clube com o organograma de uma organização centralizada (abaixo).



Pois bem. O mais importante, do ponto de vista das redes, vem agora.

O campo social gerado pela alta interatividade do Barcelona (um time highly connected) enseja a manifestação daqueles fenômenos acompanhantes da auto-organização e da inteligência coletiva: seus jogadores se aglomeram (clustering) e desaglomeram de acordo com o fluir da partida, jogam a maior parte do tempo sem a bola, mudando de lugar continuamente (o time é realmente mobile), praticam o imitamento ou cloning (clonagem variacional dos movimentos dos outros jogadores do mesmo time e, às vezes, do time adversário), eventualmente enxameiam (swarming) e diminuem o espaço-tempo para os fluxos do adversário; quer dizer, contraem o tamanho social do mundo composto pelos vinte e dois players (o Barcelona provoca o efeito Small-World). 

Basta observar: seus jogadores são pequenos, seus passes são pequenos, o Barcelona causa esse amassamento (crunching) e talvez esta seja sua principal virtude: o Barcelona é a prova viva de quesmall is powelful!

Por tudo isso, não tenho receio de afirmar que há mais inteligência coletiva embutida num jogo do Barcelona do que em todas as partidas travadas pelo Real Madrid, ainda que este último possa ter craques com mais assertividade e mais combatividade e sejam mais – como direi? – results-oriented do que os jogadores do Barcelona.

Bem... aqui começa minha investigação. 

O jogo aparentemente bobo do Barcelona, de ficar trocando passes redundantemente na intermediária, é em geral censurado pelos comentaristas futebolísticos (e por outros metidos a profundos conhecedores de futebol) como sintoma de falta de objetividade. Mas a contração de redundância (repetição de caminhos) com distribuição (multiplicação de caminhos) é o que compõe a resiliência, uma das características principais da sustentabilidade (ou do que chamamos de vida). 

O tempo de posse de bola é um indicador indireto dessa resiliência quando revela a frequência da mudança de trajetória da bola e a repetição de caminhos (não é raro ver um jogador do Barcelona trocar passes com outro jogador mantendo os dois praticamente as mesmas posições, ou num movimento solidário de dois corpos, como se fosse um haltere se deslocando ou Plutão e Caronte em translação).

Sim, o Barcelona imita a vida. Ao contrário do que se pensa, a vida nunca trabalha com economia de esforços, e sim com repetição intermitente (iteração) de ações similares. E a vida não economiza esforços simplesmente porque não precisa fazer isso, porque multiplicação de caminhos configura abundância, e não escassez.

O Barcelona clona o funcionamento do formigueiro. Como as formigas, seus jogadores não têm posição fixa, mas podem mudar de função várias vezes em uma mesma partida. Como nos mostrou a cientista Deborah Gordon (1999), em “Formigas em ação”, ao contrário do que se acreditava, as formigas mudam de função (dependendo das necessidades coletivas do formigueiro, uma forrageira pode virar “soldado”, por exemplo). 

Os jogadores do Barcelona também não têm dificuldade de mudar de posição (ou de função). Usando as antigas denominações (no caso, merecidas): o ponta-esquerda pode virar ponta-direita, o meio-campista pode virar beque ou centroavante, qual o problema?

O problema é que pensava-se em produtividade a partir da especialização, do desempenho ótimo de funções fixas: como na produção fordista, um indivíduo que repetiu milhares de vezes a mesma função tem mais chances de ser mais rápido e menos chances de errar no exercício daquela função determinada. Isso é válido, por certo, para a reprodução mecânica das mesmas ações. Aplicado ao futebol, porém, contribui para eliminar a criatividade, sobretudo a criatividade coletiva, quer dizer, o ambiente favorável à criação, à inovação. Instaura-se, assim, o futebol reprodutivo, a fábrica de jogar bola da sociedade industrial.

Nesse ambiente reprodutivo o que se destaca é o craque (o indivíduo), não o time (a rede social composta pelos jogadores interagindo segundo determinado padrão). Porque, em tais circunstâncias estruturais da rede centralizada (configurada pelo jogo retrógrado, quer dizer, pelos caminhos escassos que a bola percorre), só a genialidade individual pode romper o esquema, surpreender, sair fora da caixa. Tudo, então, passa a depender dos craques, dos indivíduos. É o futebol-burro com a sobressaliência dos pontos fora da curva, daqueles indivíduos inteligentes capazes, como se diz, de definir a partida com um lance magistral.

E é por isso que se atribui, não raro, o sucesso do Barcelona à genialidade do craque Messi. Sim, Messi é de fato um jogador excepcional, mas o futebol do Barcelona não depende de suas jogadas excepcionais. Com toda certeza as interações da dupla Xavi Hernánde-Andrés Iniesta e deles com o restante do time (com Lionel Messi, inclusive) são mais decisivas para o excelente comportamento coletivo (do time) do que os lances geniais individuais do fabuloso artilheiro argentino. 

Essas bobagens são ditas porque ainda é bastante generalizada a crença de que o comportamento coletivo pode ser explicado a partir dos atributos dos indivíduos, de que a inteligência coletiva é a soma das inteligências dos indivíduos, e não uma nova qualidade que emerge das relações entre eles.

Os gritos enraivecidos de terça, comemorando a eliminação do Barcelona (sim, porque o time não perdeu o jogo, foi desclassificado pela tabela), revelam que existe base social para legitimar mais um retrocesso no futebol. Dir-se-á que o “estilo-Barça” esgotou-se, que o “futebol-arte” não pode resistir ao “futebol-de-resultados”, que “Messi entrou numa fase ruim” e outras besteiras semelhantes. Já se dá até como certa a derrota do Barcelona para o Real Madrid no Campeonato Espanhol (e isso pode acontecer mesmo).

Assistiremos, provavelmente, a mais uma das tristes revoltas daqueles escravos que introjetaram a escravidão a tal ponto que, em vez de lutarem para se libertar dessa condição, não suportam ver que existem pessoas livres e querem torná-las também escravas como eles.

*Augusto de Franco é criador e primeiro netweaver da 
Escola-de-Redes

Tags: interdisciplinaridade, educação, cultura, barcelona, aprendizagem, arte, ciência,Universidade

domingo, abril 08, 2012

Uma reflexão sobre o jornalismo - por Gabriel Garcia Marquez


"Há uns cinqüenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar.

"Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram."

"O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindo pouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso.

A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo - como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalista e duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário.

A criação posterior de escolas de jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicação ou Comunicação Social.

O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática.

Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial.

O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumida conscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida.

É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invés do formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro.

Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e deixaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciam o espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante.

Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento.

Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo.

"Nem sequer nos repreendem", diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.

A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no local dos acontecimentos."

"O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a idéia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe.

Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício.

Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário.

Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.

O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde.

Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Indias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade - reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras - sob a direção de um veterano da profissão."

"A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de vôo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.

Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

(Publicado no Observatório da Imprensa. Agradecemos a Luís Antônio Nikão Duarte, da Agência Jornal do Brasil, o envio do texto original do discurso de García Márquez.)
 
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