Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sábado, setembro 17, 2016

Entrevista] Tite destaca responsabilidade social da Seleção


'A seleção brasileira tem uma responsabilidade social', afirma Tite



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Tite, 55, acredita que a seleção tem uma função social. Depois de estrear com duas vitórias no cargo de treinador do time nacional, ele diz que a equipe "pode passar imagens sendo melhor, mais contundente, mais agressiva, mas de forma leal, jogando melhor futebol".

Em entrevista à Folha, o gaúcho afirmou que o esquema vencedor armado nos dois jogos foi "legado" de Dunga, seu antecessor, e disse que deu um beijo no presidente da CBF, Marco Polo del Nero, na sua apresentação, como um gesto de "agradecimento ao carinho dado à minha mãe". O cartola dera uma camisa à mãe do treinador.

Antes de assumir o cargo, Tite havia pedido a saída de Del Nero, acusado de corrupção pelo FBI.
Paulo Whitaker/Reuters
Tite comanda treino da seleção brasileira em Manaus
Tite comanda treino da seleção brasileira em Manaus
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Folha - Depois das duas vitórias no início do trabalho, o que você pode prometer aos torcedores?

Tite - Estamos no trabalho de construção de uma equipe, que vai passar por um trabalho de consolidação. Esse time vai oscilar, passar por um desafio de maturidade ao sair perdendo e ter que reverter o placar. Esses bons resultados não nos credenciam a absolutamente nada para o jogo com a Bolívia. Não sei quem vai ser no meio de campo, quem vai jogar na frente. Daqui a pouco, o Willian e o Philippe Coutinho vão começar a brigar lealmente por uma vaga. O Giuliano e o Oscar por outra posição. O time está se construindo.

Qual é a diferença de trabalhar na seleção e no clube?

Tenho mais tempo para ficar com a minha esposa. Não tenho tantas viagens. Mas também tenho agora que me reinventar. Tenho que ver o futebol agora com os olhos de outros técnicos. Preciso saber a posição em que o atleta dele joga, como conversar com eles. Preciso constantemente me municiar. Vou sempre ver jogos ao vivo ou pela televisão.

Qual das conversas com técnicos foi a melhor [Tite falou com dezenas de técnicos sobre os convocados]?

Tem uma série de componentes importantes. O Vanderlei Luxemburgo disse para não me preocupar em formar time durante as eliminatórias. Tem que preparar o time para vencer. Ele me passou a experiência dele na seleção. Sobre posicionamento, sou grato à conversa com o Dorival Júnior e o Muricy [Ramalho]. Eles me falaram como o Neymar se sente confortável no campo. Jogando na esquerda flutuando pela direita. O Zidane me falou sobre o Casemiro. Ele é o meu ponto de equilíbrio para ajudar nos avanços do Marcelo e dos meias.
Eu quero saber posição, função e como eu posso falar como o Lucas Lima, por exemplo. Como ele reage se eu for mais duro com ele? Qual é o tom? Ontem eu liguei para o Antonio Conte, do Chelsea, para saber do Oscar. Ele me disse que ele está bem, está jogando um pouco mais atrás na linha 4-1-4-1, tal qual a forma como jogamos. Ele está fazendo a função do Paulinho. E como é o tom para orientá-lo? "Tem que ser mais educativo, mais brando, Tite. É um bom menino. Não precisa de uma paulada para que ele possa render". É importante ter uma referência para trabalhar com o atleta.

Depois desses toques, você começa a pensar. O 4-1-4-1 não fui eu que implantei. O Dunga fez isso. Os dois melhores jogos foram nesse esquema. Não estou falando porque ele saiu da seleção. Fui crítico da contratação do Dunga em 2014, fui contra. Mas o legado foi dele.

Por que você não ligou para o Dunga?

Não liguei por respeito profissional. Sempre que saí de um clube eu carreguei a marca de querer continuar. Isso é humano, e eu tenho que compreender para não o colocar em uma saia justa. Quem não gostaria [de treinar a seleção]? Dói, cara. Imagina uma pessoa falar. Tive a grandeza de não falar.

Você também não telefonou para o Felipão, que é técnico do Paulinho na China.

Não liguei por problemas que tivemos no passado [a amizade entre os dois se encerrou em 2010, após entrevista de Felipão, então técnico do Palmeiras, sobre partida contra o Fluminense que poderia beneficiar o Corinthians, que brigava pela liderança]. Mas são problemas superados. Com o tempo ele vai estar [na lista de consultados]. Adversidades são superadas. Neste momento, não. Eu já tinha acompanhamento do Paulinho, não precisava.

Você foi um crítico do presidente Del Nero antes de assumir o cargo. Você já está há quase três meses trabalhando aqui. Como você vê a CBF agora?

Esse é um assunto polêmico e, por vezes, constrangedor para mim. Não mudei em nenhum momento minha postura de excelência, transparência e de crescimento. Essa é minha a parcela de contribuição. Acho que é isso que tem que passar para a seleção, para CBF e para todos. Fui criado assim. A minha formação universitária foi feita para pensar e não para reproduzir. A melhor forma de levar para a seleção é esse processo todo. Aqui tem um grupo extremamente comprometido para fazer o melhor. Estou contente com o ambiente da seleção. Não transito pelo outro lado. Não posso falar sobre lá [onde o presidente trabalha]. Se falasse de lá, estava vendendo "bala juquinha" para você.

Como é o seu relacionamento com o Del Nero?

Almoço com ele aqui [na sede da CBF, no Rio]. Hoje levei a lista para ele ver.

Ele interfere na convocação?

Não. É a minha autonomia, mas falo sobre os convocados.

Você foi criticado por dar um beijo no Del Nero logo ao assumir.

Quando aceito ser leal, sou leal. Vou trabalhar pela seleção. Ali estava a figura que representava a seleção brasileira na pessoa dele. Assim como me posicionei sobre transparência aqui em relação a ele, fiz isso publicamente na frente dele. Ele me fez um gesto de carinho. Deu uma camisa para a minha mãe. Tive que morder o lábio para não me emocionar. Não estou pré-julgando. Não vou julgar ninguém. O beijo foi de agradecimento ao carinho dado à minha mãe, que segura a camisa e ora por mim.
Você tem a chance de colocar o Brasil em primeiro lugar nos dois próximos jogos das eliminatórias.

Não boto o time em lugar nenhum. A maior hierarquia técnica foi quando o Neymar roubou a bola e fizemos lá na frente o segundo gol contra a Colômbia. Como o [jogador da NBA] LeBron James fez. O maior ator roubou a bola e deu para o [Kyrie] Irving fazer a cesta decisiva na final da NBA. Estou me tocando disso agora e vou falar para eles. É o mesmo lance do Neymar. Futebol como esporte coletivo é uma coisa fascinante.

Você se diz um admirador da seleção brasileira que jogou a Copa de 1982. O que faria para ela ganhar?

Nada. Eu assisti todo o teipe. O Telê [Santana] fez exatamente o que eu faria. Deu 2 a 2 ele tirou o Serginho, colocou o Paulo Izidoro do lado direito e deu liberdade para o Sócrates jogar mais avançado. A Itália não chutou uma bola em gol. Há um cruzamento e o Junior colocou para escanteio. A bola te dá sinais. A Itália estava morta. Se fosse basquete, o Brasil estava 12 pontos à frente da Itália. Se fosse vôlei, estaria sete pontos à frente.

Você reviu todos os jogos da seleção brasileira dos últimos anos. Qual foi o pecado dos últimos treinadores?

Não posso te responder, ainda que a pergunta seja boa. Tenho toda a Copa aqui de 2010 [aponta para um bloco cheio de anotações], com as minhas anotações. Olha todo o time da França aqui Tenho de 2006 também, assim como de 2014. Os jogos que não consegui assistir, eu peguei os melhores momentos para fazer um "briefing" do sistema tático. Não por trabalho, mas por prazer. Eu gosto.

O que você está achando do Brasil atualmente, com o governo Temer?

Entendo que a gente está em um momento de transição. Se a palavra "transparência" é uma que usei, eu gostaria de acrescentar "educação". A gente só vai melhorar a sociedade se tiver uma educação melhor, princípios melhores. Sem ser malandro. Eu posso ganhar sendo competente, ético, melhor. Como governante, posso ser competente e correto. Futebol, esporte e o professor de educação física educam. Passam princípios.

Você vê potencial de transparência no presidente Michel Temer e seu governo?

Não tenho condição de avaliar. Não tenho profundo conhecimento dele nem das pessoas próximas a ele. Eu seria leviano se dissesse tanto a favor como contra. Não estou fugindo da pergunta. Se tivesse [condição], eu colocaria.

O que você acha do país?

Está sedento ao bem, à transparência, à correção. Ele vibra com punição, com educação. Os meios de comunicação estão conseguindo passar algumas coisas que dizem: "olha, reflete". Isso está sendo bom. Estamos em um momento que se tornou fértil.

É assim que você vê as manifestações, as pessoas indo para as ruas?
Sim. Desde que não sejam impregnadas de violência.

E o "Fora, Cunha"?

Tenho minha opinião a respeito dele [Eduardo Cunha], mas não gostaria de externar. Diferentemente de Temer, eu tenho.

E o impeachment de Dilma Rousseff?

Não tenho [subsídios para opinar]. É um contexto muito grande, há um conjunto muito grande a ser analisado há bastante tempo. Nem a favor nem contra. As situações que foram comprovadas são incontestes. Do Cunha eu tenho uma opinião muito clara, e seguramente não difere da de vocês.

Nesse contexto, a seleção brasileira tem responsabilidade política?

A seleção brasileira tem uma responsabilidade social, de educação e do futebol como paixão. Você pode passar imagens sendo melhor, mais contundente, mais agressivo, mas de forma leal, jogando melhor futebol.

Quem passou pela seleção que te inspirou nesse aspecto?

Acho que não foi a seleção, mas a minha educação, nos jogos no campinho cheio de pedras. Eu e meu irmão jogávamos em seis, dividíamos em dois times, três para cada lado. Aí alguém reclamava que um dos times estava mais forte e então mudávamos até equilibrar. O futebol me educou.

E você pensa em voltar para o Corinthians?

Não esperava voltar tão cedo. Em 2014 eu pensei: "você está maluco, cara? Vai voltar para um clube no qual você ganhou tudo, com o grau de expectativa extremamente alto?" Mas confiei nas pessoas que lá estavam. Mas achei que ia voltar para o Grêmio, primeiro clube grande onde conquistei muitas coisas. Não tem como se planejar a longo prazo no futebol.

Eu não imaginava que estaria na seleção brasileira hoje. Imaginei em 2014, mas agora não. Em 2014 eu passei uma semana pensando "pô, o que eu preciso fazer para ser escolhido?".
Danilo Verpa/Folhapress
GALERIA DA SEMANA - JUNHO 4 - SAO PAULO - SP - 19.06.2016 - O ex-tecnico do Corinthians, Tite, recebe homenagem do clube em sua despedida da torcida na Arena Corinthians antes da partida contra o Botafogo em jogo valido pelo Campeonato Brasileito 2016. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, ESPORTE)
Tite durante sua despedida do Corinthians

Quem leva o Brasileiro neste ano?

Tem quatro equipes: Santos, Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras. Acredito que até as últimas seis rodadas não estará definido.

Qual te agrada mais?

O Santos. Tem o futebol parecido Eu e o Dorival Júnior somos amigos, jogamos juntos no Guarani. Um futebol mais de posse, de triangulações.

O que você aprendeu em suas conversas com treinadores internacionais?

Eu não falei com o [Pep] Guardiola, mas aprendi ao ver as equipes dele: triangulações, posse de bola Como dizia o Muhammad Ali, flutuar como borboleta e picar como abelha. É isso que o Guardiola faz: trabalha a bola e "pum"!. É fascinante. O [José] Mourinho é reativo, do contra-ataque. O [Carlo] Ancellotti é o meio-termo, organizado sem abrir mão da posse ou de agredir. É um estilo de futebol que me agrada mais. E ele tem um estilo que eu gosto mais, mais sóbrio e mais discreto. O Guardiola e o Mourinho são midiáticos, estrelas.

Qual jogador da seleção mais te impressionou?

Não vou falar individualmente, mas o nível técnico e de compreensão me surpreenderam. A ponto de falar para a comissão técnica: "as orientações dadas aos atletas tem que ser de nível altíssimo, senão vocês vão passar vergonha". Você tem que dizer o que fazer e o motivo, porque eles contra-argumentam. "Flutua deste lado. Por que, professor? Porque deste lado você vai surpreender".

Caso tudo dê certo e a seleção se classifique para a Copa da Rússia, o que você projeta?

Depois de classificar, vou tomar uma caipira desse tamanho aqui, ó [mostra com as mãos]. Não dormir uns quatro, cinco dias, rapaz. Ganhamos do Equador depois de mais de trinta anos, estava com uma felicidade danada, olho para a tabela e vejo que estávamos na quinta colocação. Caramba!

O Neymar sempre se mostra chateado com a crítica, não quis dar entrevista durante a Olimpíada, além de levar muitos cartões amarelos. O que você tem feito para controlá-lo?

Vou relatar uma conversa que tive com todos os jogadores. Eles disseram que se sentem mais felizes, menos egoístas, em jogar pela seleção do que pelos clubes deles. O [lateral] Marcelo diz que está na seleção desde os 17 anos, que a família dele fica muito feliz quando ele é convocado. Existe uma imagem de que os atletas, por serem ricos e bem-sucedidos, não têm vontade de servir a seleção. Na verdade, é o inverso. Eu também ficava nisso de pensar na ostentação deles. Mas eles mostraram o outro lado. 
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Clássicos e divisão da torcida: de novo

Sempre que se aproxima um clássico de ampla rivalidade, inicia-se o debate sobre a divisão dos ingressos.
A grande justificativa para a torcida única ou a divisão não equânime entre as torcidas é a questão da violência.
É imprescindível uma análise mais profunda nos contextos históricos, políticos e sociais para que se identifique as reais causas da violência.
Entretanto, não se pode, contudo, afastar que as causas da violência provem da própria sociedade.
“as causas da violência no esporte devem ser buscadas na sociedade. E aqui não há como escapar ou negar que a exclusão social é um fator preponderante dentre as múltiplas causas da violência. A pobreza, as péssimas condições de vida, o desemprego, a falta de escola, de moradia, de cultura, de lazer, etc”¹.
A violência relacionada ao esporte deve ser compreendida em um sistema de metabolismo social contemporâneo.
Os episódios de violência veiculados pela mídia, na maioria das vezes, envolvem confrontos diretos entre torcedores rivais, o que acaba por gerar perplexidade e disseminar a sensação de insegurança entre a população e os pacatos frequentadores de jogos em estádios de futebol.
Na tentativa de minorar o lastimável quadro de violência em jogos de futebol, o Poder Público passou a sugerir a realização de jogos com torcida única como forma preventiva diante dos latentes riscos de segurança e ordem pública.
A medida, entretanto, divide opiniões²:
Uma das vozes mais atuantes neste sentido é a do Promotor do Ministério Público de SP, Dr. Paulo Castilho. Para ele trata-se de “uma medida transitória e emergencial para conter esta onda de violência, até conseguirmos estabilizar a situação”.
Também favorável à medida, o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, menciona que “não faz sentido futebol sem público, mas é hora da torcida única como medida emergencial nas decisões”.
Segundo Irinaldo Pacheco, o Nadinho - diretor-geral da Fanáutico, principal torcida do Náutico. “A única torcida visitante que vai ao estádio é a organizada, e sempre tem confusão. Por isso, sou a favor da torcida única”.
Metodologia
Na esteira dos contrários a torcida única, pondera o Cel. Marcos Marinho, ex-comandante da PM de SP que “a sensação de segurança fica maior, e os riscos menores, mas acho que ainda não é o momento”.
Para o diretor da Mancha Alviverde, Rafael Scarlatti, torcida única seria “uma vitória da violência, já que as torcidas terão de pagar por uma ineficiência do Estado”. “Quem quer brigar vai para a 'pista' de todo jeito. A violência em Pernambuco é fora dos estádios, e isso só vai fazer com que as brigas mudem de local. O que é preciso fazer é interditar as vias de acesso aos estádios, em dia de clássicos, e dividi-las entre as torcidas dos dois times”, avalia o Vice-presidente da Torcida Jovem do Sport, Marcelo Domingues.
O Deputado paulista Federal Silvio Torres afirma que “iremos escamotear o problema, deixar de nos atentar para as causas envolvidas e confessar a impotência das autoridades”.
Na opinião do saudoso jurista desportivo, Marcilio Krieger, a medida “é uma forma de segregação que a constituição não permite, além de ser uma declaração da falência do estado para manter a tranquilidade social. Essa é uma briga de gato e rato, mas não será com torcida única que a violência será coibida. Isso tira o direito de um inocente assistir a um jogo, embora ele não tenha agido de forma contrária à lei”.
Vale ressaltar que o fenômeno da violência envolvendo futebol não ocorre apenas no Brasil, mas em vários países, especialmente da América Latina, como é o caso da Argentina, que instituíram jogos com torcida única como medida preventiva a segurança contra as temidas barra bravas.
A medida adotada pela Argentina, assim como no Brasil, também é bastante debatida.
Em matéria datada de 28/08/2013, sobre torcida única, o jornal LANACION em sua coluna “canchallena”, destacou o posicionamento do presidente da AFA – Associação do Futebol Argentino, em que mencionou terem sido decisões pouco inteligentes.³
No Brasil, do ponto de vista jurídico, a adoção de torcida única encontra um de seus fundamentos, o disposto no art. 17 da Lei nº 10.671/2003 conhecida como Estatuto do Torcedor, que prevê dentre outras ações, medidas preventivas de segurança em partidas com excepcional expectativa de público.
Art. 17. É direito do torcedor a implementação de planos de ação referentes à segurança, transporte e contingências que possam ocorrer durante a realização de eventos esportivos. § 2o Planos de ação especiais poderão ser apresentados em relação a eventos esportivos com excepcional expectativa de público.
Mas afinal, considerando que o futebol é um patrimônio cultural brasileiro reconhecido mundialmente, a adoção de torcida única estaria ligada ao despreparo ou incompetência pública?
Em um primeiro momento, poderia se arguir se o artigo citado não fere diretamente disposições constitucionais, pois conforme já se verificou neste estudo, o dever de segurança pública, tanto no âmbito preventivo quanto repressivo, é de competência da  administração pública, ou seja, do Estado.
A grande questão que se coloca é qual o limite da responsabilidade dos atores elencados no referido artigo para que de fato se produzam os efeitos preventivos desejados. A questão é muito discutida tanto pela jurisprudência quanto pela doutrina especializada.
Deve-se atuar de forma repressiva, punitiva e, ainda, preventiva.  Documentos do Conselho da Europa concluíram que a deterioração das instalações dos estádios pode vir a ser um fator gerador de violência envolvendo espectadores de futebol dentro dos estádios, assim como a má organização do futebol e de seu espetáculo.
Tal como ocorreu na proibição do consumo de bebidas alcoólicas,  na ânsia de dar uma reposta à sociedade e apontar soluções para a crescente violência nos estádios de futebol, escolheu-se a rivalidade como vilã.
Assim, deve haver um conjunto coordenado de ações entre entidades privadas e o Poder Público para atacar a violência no futebol, especialmente com a maior qualidade dos produtos de entretenimento esportivo".
Diante de todo exposto conclui-se que resta evidente a urgente necessidade de se encontrar caminhos alternativos que garantam o pleno exercício de direitos fundamentais constante na Carta Magna que se encontra em rota de colisão. Ou seja, é preciso garantir o direito às liberdades individuais e coletivas alinhadas à segurança e ordem pública.
Urge destacar que mediante o quadro de violência que tomou conta do futebol, o Estado, clubes e federações têm se mostrado despreparado e por vezes incompetentes, o que acaba por legitimar, dado os anseios da sociedade, a adoção da medida de torcida única. O que nos dizeres Marcos Lopes, da Tribuna do Norte, “é o atestado de falência da segurança pública de um estado, é o atestado da perda de espaço dos bons, a vitória dos maus, a consolidação da violência e – insisto – a prova definitiva da incompetência do estado em garantir a segurança do bom torcedor”.
A Inglaterra, por exemplo, após a morte de 96 torcedores em Hillsborough, realizou profundo estudo conhecido como “Report Taylor” que apontou as causas da tragédia e, sugeriu uma série de medidas a serem adotadas, como as destacadas por Luiz César Cunha Lima:
Revisão da capacidade de público de todos os estádios; instalação de assentos numerados em todos os setores dos estádios; novas provisões a respeito de primeiros socorros e serviços de emergência em todos os campos de futebol; estabelecimento de grupos locais encarregados de fornecer conselhos sobre a segurança nos estádios; retirada dos alambrados e monitoramento do público na arena desportiva. (LIMA, 2008). ⁴
Por fim, importante destacar a atuação do Poder Público espanhol, no qual as medidas de segurança adotadas pela Comissão Nacional contra a Violência nos Espetáculos Esportivos fizeram com que o corpo de segurança do Estado tivesse plena fiscalização e controle dos espectadores dentro dos estádios e em suas imediações, por meio de câmeras de vídeo e um trabalho sincronizado entre os diferentes corpos de segurança que trabalham durante um evento futebolístico.

[1] CHINAGLIA, A. “A violência nos estádios de futebol: sua origem prevenção e repressão”. In: SÃO PAULO (Estado). A violência no esporte. Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania, São Paulo.
[2] UOL ESPORTE. Disponível em http://esporte.uol.com.br/futebol/violencia-no-futebol/contra.jhtm#. Acesso em 26 de dezembro de 2014.
[3] LANACION. Disponível em: <http://canchallena.lanacion.com.ar/1614659-vuelven-los-visitantes-al-futbol-pero-solo-plateistas&gt;. Acesso em 26 de dezembro de 2014.
[4] - LIMA, Luiz César Cunha. O relatório Taylor. Brasília-DF: Clubjus, 10 nov. 2007. Disponível em: <http://www.clubjus.com.br/?artigos&ver=2.11535&gt;. Acesso em: 27 set. 2008.

segunda-feira, setembro 12, 2016

Federação Pernambucana de Futebol apresenta novo Sistema Integrado de Gestão

EVANDRO CARVALHO, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO PERNAMBUCANA DE FUTEBOL (TERCEIRO DA ESQUERDA PARA A DIREITA) / Créditos: Divulgação FPF


O presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, apresentou, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (09), o novo Sistema Integrado de Gestão Empresarial interligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Estiveram presentes no evento, o presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco (ACDP), Iranildo Silva, a vice-presidente de administração e finanças Maria Dorgivânia, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Pernambuco, José Campos, o auditor do Tribunal Desportiva de Pernambuco (TJD-PE), Felipe Rêgo Barros, e o representante da TOTVs em Pernambuco, Salomão Ribeiro.
A implantação do sistema vem somar esforços para que a entidade continue trabalhando de forma transparente e tenha todo o controle possível do departamento financeiro, além de todo o controle do patrimônio. A FPF hoje é a primeira e única Federação que está online com os servidores da CBF, mostrando transparência e a troca de informações que a Federação Pernambucana abre para o mercado junto a CBF e abre também espaço para as outras federações do país.
O presidente Evandro Carvalho falou sobre o sistema. “O motivo dessa apresentação é prestar contas para todos os torcedores pernambucanos, além de mostrar que nós somos a primeira Federação do Brasil a implantar e operacionalizar o sistema TOTVs a nível nacional. O que, de fato, é muito importante para nós porque mostra o crescimento do futebol pernambucano para todo o país.”
“Nós fizemos essa implantação na CBF em 2013, e o sistema vem rodando desde essa data. Esse sistema tem uma consistência e uma marca consolidada no mercado, além de ter um retorno através de relatórios gerenciais que facilitam na tomada de decisões. Mediante o sucesso que foi obtido com a implantação na CBF, nós apresentamos essa proposta na Federação Pernambucana e eles entenderam qual era o sentido da implantação e resolveram agregar valores”, falou o representante da TOTVs em Pernambuco, Salomão Ribeiro.
Após a coletiva, Evandro Carvalho levou os jornalistas para conhecerem o novo sistema de informatização do TJD-PE. O Tribunal ganhou novos computadores que facilitarão o trabalho dos auditores e advogados nos processos gerados pelo órgão. 
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(Fonte: CBF)

quarta-feira, setembro 07, 2016

Brasil 2 x 1 Colômbia - o poder da ideia

Tite pediu equilíbrio após suas duas vitórias na Seleção. Equilíbrio para a imprensa e torcedores, justo os setores com maior dificuldade de manter as chuteiras no chão. O Brasil não era o pior do mundo quando perdeu para o Peru e não virou o melhor do mundo agora. Enxergar o meio-termo para evitar euforias e dramalhões - o famoso EMPOLGOU - é fundamental num país que gosta de extremismos emocionais que prejudicam uma visão crítica das coisas.

Mantendo os pézinhos no chão, a evolução é nítida. Nem Tite imaginava que a Seleção iria responder tão bem às suas ideias em tão pouco tempo. Discurso calmo, confiança e serenidade. Depois, horas e horas de estudos e jogos in loco para ver qual função cada jogadores realiza em seu clube. Por fim, trazer um pouco disso dentro da ideia já estabelecida de 4-1-4-1 que Tite tem como base.

Veja bem: estamos falando de ideias. Se essa Seleção é muito diferente da de Dunga ou de Felipão, é pelo poder que a conceito tem no futebol. O conceito de como se deve atacar, como se deve defender, nunca esquecendo que futebol é um esporte que vai do coletivo para as ações individuais.

Basta ver aqui o tal do “jogo apoiado” que o Galvão falou tanto. Quem está perto do jogador com a bola precisa aproximar para oferecer linhas de passe, melhor ainda se for em espaços vazios do campo, onde quem receber vai chamar a atenção de um marcador e abrir espaços lá na frente. Esse é o conceito. Treinado, ele passa a ser repetido até começarem a “jogar sem pensar”. Se deu certo uma vez, a confiança vai lá em cima, os jogadores acreditam e passam a confiar e tentar cada vez mais.

E nós que pensávamos que essa geração era fraca e mimada…pobre visão conservadora de futebol, ainda colocando em caixinhas pré-determinadas o que acontece no jogo e esquecendo de todo o resto. Vamos para uma dessas caixinhas, o camisa 10. Com vocês, Renato Augusto ensina como armar o jogo de trás, construindo as jogadas para que os mais velozes e driblares consigam acelerar o jogo e desorganizar a defesa rival, contando novamente com a aproximação. Não existe camisa 10 que resolva sozinho porque não existe futebol jogado individualmente. Veja a imagem. Não fica mais fácil para o Neymar acertar um passe com tanta gente oferecendo apoio para ele do que antes, longe de todos?O Brasil finalmente é uma equipe que tem conceitos. Se eles vão ganhar a Copa do Mundo de 2018, é outra história. Se eles vão colocar o Brasil em outro patamar, não sabemos. Mas com ideias do que fazer, o talento aparece. Talento também precisa de tática. 
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