Lan house faz o que o Bernardo não faz
Publicado em 27/06/2011
Conversa Afiada / Paulo Henrique AmorimSaiu no Tijolaço, do bravo Brizola Neto:
O que as teles não fazem, é a lan house que faz
A pesquisa divulgada hoje pela Folha de S. Paulo só comprova – se isso ainda precisasse ser provado – a necessidade de implantação imediata do Plano Nacional de Banda Larga.
Não é crível que um país dependa de “lanhouses” para praticamente a metade dos usuários de internet ter acesso à rede em condições razoáveis de qualidade.
De qualidade, porque de preço, a R$ 2 a hora, como indica a pesquisa, certamente não é.
É um retrato, também, da incapacidade e do pequeno interesse das telefônicas em prover acesso razoável a seus usuários, pois se perto de 90% dos dominícílios possuem telefone fixo ou móvel, e o computador já ser um bem disponível em cerca de 40% dos domicílio, o fato de ainda metade dos acessos ser feita de lan-houses demonstra que é a inviabilidade de conexão em preço e qualidade viáveis que nos leva a estes números.
O Tijolaço, não é segredo para ninguém, tem uma posição de princípio sobre setores estratégicos da economia – como petróleo, energia hidroelétrica, determinadas atividades minerais – pertencerem e serem geridos pelo Estado.
Assim é, também, nas telecomunicações.
Há, porém, uma diferença essencial entre esta e os demais.
Aqueles, podem esperar que o Estado brasileiro se reconstrua, após o desmonte que vem sofrendo desde o final dos anos 70, para explorá-los. A riqueza potencial está lá e, mais importante do que explorá-la rápido, é explorá-la bem, em favor da população.
Nas telecomunicações, ocorre o inverso. Dotar o país e a população de acesso à comunicação – e comunicação é, hoje, transmissão de dados – tem de ser para já. E já ainda é tarde.
É compreensível que, em função da necessidade de resultados, o Ministro Paulo Bernardo esteja procurando soluções que utilizem a infraestrutura e, sobretudo, a capilaridade da rede das operadoras de telefonia.
Mas é importante jamais deixar de lembrar que elas são concessionárias de telefonia, não de acesso à internet.
E não parar, por um segundo que seja, os investimentos para dotar o país de uma rede de transmissão de dados poderosa e geograficamente bem distribuída.
Se é para isso que o poder público quer se desonerar dos pesados investimentos de distribuição domiciliar de sinal, muito bem. Desde que haja preço e qualidade e – sobretudo – punição para o descumprimento de metas quantitativas e qualitativas, é claro.
Mas não para deixar o sistema como é, porque foi isso que nos levou a ficar na mão das teles.
E, de outro lado, é preciso agir ao menos no regramento da distribuição domiciliar, para permitir a competição e o barateamento neste serviço.
Há várias providências imediatas a serem tomadas, pela União, pelos estados e municípios.
A primeira, e mais importante, é democratizar o uso das redes físicas de telefonia, que podem, sem prejuízo de seu funcionamento, suportar o tráfego de dados em frequências diferentes. É o famoso e impronunciável unbudling, que jamais é regulamentado de forma eficiente e acessível.
Mas há várias outras, que dependem de que o poder público, em todas as esferas, pare de achar que conexão com a internet é artigo “de luxo” e não uma necessidade de serviço básico comparável a qualquer outra, como água e luz.
Algumas são de extrema simplicidade e baixíssimo custo, como, por exemplo, estabelecer a obrigatoriedade de instalação de antenas para recepção de internet via rádio em todas as novas constuções multifamiliares ou condominiais, com cabeamento a cada domicílio. O custo é, praticamente, zero e há centenas de provedores de pequeno porte ávidos por explorar este serviço, capazes de arcar com os custos de distribuição do sinal.
As concessionárias de água, esgotos, eletricidade e gás também podem ser obrigadas, para obter financiamento, a utilizar tecnologia bitubo – a Paraíba já tem estruturas assim funcionando, com ótimos resultados – em suas novas redes, criando uma opção de distribuição de acesso que vá reduzindo o “monopólio do poste”.
As próprias lan-houses, aos milhares, são importantes pontos de ação para a democratização do acesso. Uma política de licenciamento, isenção de impostos, garantia de preço baixo nas duas pontas – do provedor e ao usuário -, e de uso sinérgico com outras atividades públicas e privadas é indispensável para que o parco direito à comunicação que estes milhões de pessoas vêm tendo seja potencializado e ampliado. Até porque é um micronegócio, de baixíssima lucratividade, mas que, como mostra a pesquisa, têm um enorme valor social.
Enfim, isso é matéria para técnicos. Para nós, o mais importante é entendermos que o acesso à internet se tornou não apenas uma necessidade, mas um direito básico e inalienável do cidadão. E que, por isso, o Estado não pode abrir mão de ter não apenas o controle, mas os meios próprios para provê-los.
Se é necessário, para a agilidade, usar o potencial instalado dos concessionários, que se o faça, com regras e controle sérios e bem definidos. E que não fiquem dependendo exclusivamente da Anatel. Mas que não se perca de vista nem por um dia que é preciso dotar o país de uma rede poderosa e ampla de transmissão de dados sob controle do próprio Estado, porque só ele pode fazê-la e só ele pode garantir que todos a ela tenham acesso.
Até porque, com o desenvolvimento tecnológico e o crescente valor econômico e social que as telecomunicações agregam às atividade humana e ao progresso, comunicação é algo que custa cada vez menos, mas vale cada vez mais..
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
segunda-feira, junho 27, 2011
PNBL, ‘lan houses’, teles, internet e tecnologia da informação
segunda-feira, junho 06, 2011
Senado promove evento sobre mídias digitais
O Senado vai reunir especialistas em mídias digitais para discutir como as redes sociais têm ajudado a consolidar um novo canal de comunicação entre o Parlamento e o cidadão. Promovido pela Secretaria Especial de Comunicação Social (SECS), o evento "Política e Novas Mídias - A nova comunicação entre parlamentares e cidadãos" ocorrerá no dia 14, no auditório do Interlegis, ao longo de todo o dia.
O primeiro painel, a partir das 9h30min, terá a participação do presidente do Senado, José Sarney, e contará com os especialistas em mídias digitais Manoel Fernandes, da Bites Consultoria, e Maria Claudia Bacci, da FSB PR Digital. Eles vão debater o diálogo entre parlamento e sociedade por meio das mídias sociais, com mediação do secretário de Comunicação Social do Senado, Fernando César Mesquita.
Ainda pela manhã, a partir das 10h30m, André Telles, da Mentes Digitais, falará sobre gestão de mídias sociais, as possibilidades de diálogo com o cidadão e gerenciamento de riscos. Na sequência, às 11h20, Edney Souza, do blog Interney, que conta com mais de 100 mil seguidores no Twitter, também vai tratar de monitoramento das redes, tendo em vista o melhor aproveitamento de sugestões e críticas decorrentes do diálogo com o público.
O consultor de marketing político Bruno Hoffmann, a partir das 14h30min, vai analisar o uso das ferramentas de comunicação digital nas últimas eleições e sugerir como otimizar este canal. A partir das 14h30, Fernando Palácios falará sobre como a arte de contar histórias (storytelling) pode ser revitalizada com as novas tecnologias e ser utilizada para levar ao cidadão os temas da política. Já o professor Marcelo Minutti abordará, a partir das 15h10, os desafios e tendências das mudanças de comportamento do cidadão digital.
No painel Liberdade de Expressão e Internet, às 16h, o debate será sobre como conciliar a livre manifestação de pensamento e o anonimato proporcionado pela rede. O tema será discutido pela jornalista Cora Rónai, que escreve sobre tecnologia para o jornal O Globo; a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR); e a coordenadora do serviço Alô Senado, Ana Lúcia Novelli.O mediador será o vice-presidente de Relações Governamentais da Coca-Cola, Jack Corrêa.
Só neste ano, mais de 380 milhões de internautas acessaram serviços como Facebook, MySpace, Orkut e assemelhados. No Brasil, cerca de 50 redes sociais têm mais de 1 milhão de usuários. Os brasileiros formam o segundo maior grupo no Twitter (13 milhões), depois dos americanos.
O evento é aberto ao público externo, sem custo, mas com vagas limitadas. Os interessados devem solicitar a inscrição pelo email srpeventos@senado.gov.br. Mais informações no site do evento.
Da Redação / Agência Senado
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domingo, junho 05, 2011
O desafio do Brasil: Internet rápida e barata
por COLIVRE - Um comentário
Massificar e melhorar o acesso a rede foi um dos principais compromissos dacampanha de Dilma Rousseff, que lembrava o lançamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), em 2010 pelo então presidente Lula, e o quanto o programa será estratégico para conectar o país.Já sob gestão de Dilma, o governo Federal passou a incumbência da execução do PNBL ao Ministério das Comunicações (Minicom), que trata do desafio de ampliar o acesso à internet a baixo custo e melhorar a qualidade da internet que é oferecida no Brasil com prioridade.
Segundo o ministro do Minicom, Paulo Bernardo, a massificação da internet será garantida devido ao reduzido valor, entre R$ 30 e R$ 35, dependendo ainda de decisão dos estados que poderão optar por desonerar ou não o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "A nossa ideia é massificar até o final do governo da presidenta Dilma o uso da internet”, afirmou em debate naCampus Party de 2011. “Até abril, fecharemos os acordos para baratear o preço da internet do plano. Uma das intenções é reduzir os impostos”, informou o ministro.
Além de negociar com os estados a redução dos impostos do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o ministro ressaltou que trata com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para colocar na política industrial do país cortes de impostos sobre os computadores e tablets - dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à internet.
Ainda segundo informações do Minicom, a Telebrás pretende iniciar a conexão das primeiras cidades contempladas pelo PNBL neste mês de abril e chegar a outras 1.063 cidades até o final deste ano. Esses municípios estão localizados em torno dos anéis Sudeste e Nordeste da rede de telecomunicações. Até 2014, a previsão é atender a 4.283 municípios em todas as Regiões do País.
A Colivre ficará de olho na implementação do PNBL e se mibiliza para que a internet chegue ao maior número de pessoas, o mais rápido possível. Para isso, ela ajudou na promoção da da campanha - Banda Larga é um Direito Seu! Uma ação pela Internet barata, de qualidade e para tod@s - na Bahia.
E, óbvio, estaremos junt@s também apresentando soluções em tecnologias livres para essa nova web brasileira. ;)


Um comentário
Banda Larga é um Direito!
Conheçam a comunidade para articulação da campanha - Banda Larga é um Direito Seu! na bhahia e no Brasil: uma ação pela Internet barata, de qualidade e para tod@s - na Bahia. Participe: softwarelivre.org/bandalarga-ba