Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quarta-feira, julho 09, 2014

FUTEBOL NOSSO DE CADA DIA – Parte 1

 
Por: Benê Lima 

O que aconteceu com a Seleção Brasileira não é somente da Seleção, mas de todos nós brasileiros. Mais de uns que de outros, obviamente. 

Mas, se a questão que nos motiva é culpar ou eleger culpados, embora essa facilidade não nos atraia, façamos ao menos um rateio dessa culpa, e nos incluamos a todos, seja pelo nosso componente cultural, seja pela nossa característica intelectual, seja pelo arcabouço da nossa moralidade média, ou seja ainda pela natureza da ética que inspira nossas vidas. 

Portanto, façamos pois essa justa divisão de responsabilidade, mesmo sabendo, reiteramos, que a regra desta igualdade, será distribuir culpa com desigualdade, na exata proporção das diferenças entre as pessoas. Afinal, não se deve, por dever de justiça, desconsiderar o fato de que o Felipão é o retrato de uma sociedade cujos valores em que se tem estruturado, desprestigia a verdade, a complexidade, a interdisciplinaridade, e que trata, por inegável ignorância, o conhecimento como se fora um inimigo ou algo inescrutável. 

Enquanto vemos em muitos dos treinadores que trabalharam e trabalham nessa Copa a face da inovação, o toque da ousadia até, aos treinadores brasileiros parece haver uma proibição ou mesmo um roteiro de ideias preestabelecidas, onde qualquer atitude que pareça fugir da cartilha do habitual ou do conservadorismo encontra-se terminantemente proibido. 

Seria pouco provável vermos um Louis van Gal escalar um atleta e, em não vendo resultado, permanecer com o mesmo em campo, a despeito de todo o prejuízo que isso viesse a causar. Foi assim, por exemplo, o que ocorreu com Bernard, para ficarmos tão somente neste emblemático exemplo. 

Van Gaal x Felipão 
Lamentamos e demos publicidade a isso nas redes sociais, expressando a limitação da visão do treinador brasileiro, que se deixa prender algumas vezes a aspectos típicos de crendice, o que convenhamos, é um atraso, pela negação do conhecimento que isso representa. Falamos isto porque a camisa de Bernard é a de número 20, a mesma utilizada por Amarildo em 62, quando este veio a substituir o gênio Pelé. 

 
Outra coisa para a qual queremos chamar a atenção é para o caráter atípico da partida de ontem, a fim de que não seja ela o fator determinante para que se operem mudanças na estrutura do futebol brasileiro. 

É mais inteligente admitirmos que a goleada sofrida é apenas algo explosivo para as seguidas ‘implosões organizacionais’ com as quais nosso futebol vem convivendo.
Se for para atacar os problemas do nosso futebol de fato e verdadeiramente, que antes de pensarmos em reformular o trabalho de base com os jogadores, pensemos seriamente em fazer acréscimos à formação dos nossos profissionais das comissões técnicas, já que eles são os responsáveis pela formação dos nossos atletas. 
Portanto, é da mais absoluta importância que se dotem esses profissionais formadores de uma melhor e mais ampla formação, sem o quê é impossível iniciar-se o processo de mudança que nosso futebol está a requerer. 

Apesar da acachapante derrota dentro de campo, não deveria ser ela o objeto da vergonha nacional. E enquanto não tivermos capacidade para entender isso, estaremos condenados a repetir os mesmo erros. Ontem, a bola ainda rolava e já era visível o recrudescimento daquilo que nos falta. 

Brasil futebol 
Entendo que nós da imprensa também perdemos junto com nossa Seleção, isso porque boa parte da nossa representação é tão pouco reflexiva como a maioria dos brasileiros.
Sugiro que não fechemos questão quanto ao ‘cardápio’ para a discussão sobre os rumos do nosso futebol, mas que primeiro estruturemos os ‘pratos’ que devam integrar o ‘cardápio desse grande debate. 

Creio que nem Governo nem CBF sozinhos devem estabelecer o rumo e os temas da prosa. Todos os desportistas que quiserem devem ter participação nesse fórum, mesmo que não haja (como não há) assento para todos. 

Mas o princípio da democracia representativa também nos serve em mais essa questão.
Não desistamos do bom debate. ∴ 

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Comentário
"OI Benê, Seu comentário é muito adequado ao momento que estamos vivendo. É importante que as pessoas compartilhem as suas percepções para que não fiquemos tão dependentes do que a mídia quer colocar como real. Volte sempre. Um abraço Castilho"
Atenciosamente,
Redação Observatório da Imprensa
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