Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quinta-feira, julho 11, 2019

EXCERTOS SOBRE O FUTEBOL FEMININO


Por Benê Lima

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O primeiro time feminino da história / Divulgação
Uma visão filosófica mais geral

Creio que quaisquer análises dessa modalidade, perpassam pelo esforço de cada um de nós em lançarmos mão das visões sociológica, antropológica e até mesmo ontológica que influencia o ser humano. Ademais, também não podemos desprezar o aspecto moral e cultural da sociedade brasileira, posto que eles consubstanciam nossos usos e costumes, sendo, como tal, elementos retro alimentadores para a manutenção do status quo vigente.

Esse estado é algo imanente à condição de desigualdade histórica do tratamento dispensado a homens e mulheres, o que torna compreensível, embora não mais aceitável, as diferenças entre aqueles e estas. Portanto, não me parece que seja o futebol ou mesmo que dele derive a origem dessas diferenças. Não por acaso, tenho dito que essa situação da mulher no futebol feminino deve inspirar-se na busca da superação de um atavismo que tem muito de renitência, o que dificulta sua extirpação. Daí, temos no Brasil um quadro em que a conquista do futebol feminino pode ser traduzida pela luta da igualdade de gênero, pelo esforço da mulher por sua emancipação, e por fim, pela busca épica, embora incessante e gradativa, de uma pretensa e legítima condição de igualdade. Mas aqui cabe uma observação importante e para a qual chamamos a atenção, ao introduzirmos a igualdade preconizada na filosofia do direito de certo pensador, que preconizava ‘dá-se aos desiguais com desigualdade, na proporção em que se desigualem’. O mais, segundo ele, seria desvario da inveja ou mesmo da própria loucura.

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CBF e seu Comitê de Reformas / Divulgação

CBF e investimentos

É interessante relembrar que ao inaugurar o Comitê de Reformas, a CBF deu-nos a oportunidade, por nós desperdiçada, de promovermos uma revolução em sua estrutura, a partir de uma retumbante reforma em seu estatuto. Aquelas 66 páginas poderiam expressar muito do que gostaríamos de ver, como resultante do esforço das nossas entidades de administração e de prática desportiva, no sentido de um balizamento da gestão daquela entidade-mater. Nossa experiência na lida e cogestão do Conselho do Desporto do Estado do Ceará consubstanciava nossa crença não só nessa possibilidade, como também na maior legitimação das decisões da Confederação Brasileira de Futebol. 

Com a frustração dos efeitos positivos do tal Comitê, embora o futebol feminino tenha obtido destaque pelo mérito de sua extraordinária mobilização, tivemos mais do mesmo, e a modalidade só não ficou na mesma pelas iniciativas da FIFA, que ainda assim, por razões de natureza ética e legal, reteve o repasse da verba oriunda do legado da Copa do Mundo de futebol masculino de 2014, destinada ao futebol feminino, só liberando os recursos a posteriori, mediante condições de lisura exigidas pela entidade maior do futebol mundial.

A CBF me parece não uma empresa única, mas um conglomerado de departamentos empresariais estanques. Isso não deve ser encarado como um equívoco de sua administração, mas como característica e estilo da administração da entidade. Ao que nos consta, o departamento de maior superávit é o que trata da Seleção Principal de Futebol Masculino. E para quem tem uma noção da filosofia da entidade, sabe-se que as boas ideias não são devidamente valorizadas se não forem acompanhadas da solução financeira.

Na verdade, só nos resta torcermos para que o atual ciclo histórico da CBF contemple uma nova discussão quanto à utilização de seus superávits. Afinal, a história tem mais trens do que pode nos parecer.

 Outro fator ligado à CBF ao qual frequentemente se direcionam críticas é o que respeita ao fomento do futebol feminino. Sobre essa questão, conversamos com o diretor de competições da entidade, Manoel Flores, através de entrevista que ele concedeu à FCFTV, quando na ocasião sugerimos que fosse instaurado um regime de intercooperação entre o ente público federal (governo) e a CBF, a fim de que pudéssemos engendrar uma política de desenvolvimento para a modalidade (futebol feminino). Flores se mostrou receptivo à ideia, revelando inclusive que esse diálogo seria interessante.

A ideia da intercooperação era, além de dividir responsabilidades pelo ideário das políticas de fomento, teríamos ainda uma divisão dos custos dessas políticas. Ademais, a criação desse diálogo entre o ente público e o privado, certamente se constituiria num elemento de sensibilização da FIFA, situação que poderia render dividendos para a modalidade em nosso país.

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CBF Social em Fortaleza - Ceará / Divulgação

Modelo de desenvolvimento “made in Brasil

Quaisquer modelos de desenvolvimento pensado para o futebol feminino, não pode descurar de dois aspectos básicos. O primeiro deles é o esportivo, com todas as suas implicações, complexidades e dificuldades. O outro é o modelo de desenvolvimento e fomento a esse desenvolvimento, sem o quê será improvável dar-se exequibilidade a quaisquer projetos.

Neste ponto, vale uma reflexão quanto à gênese de inspiração do modelo desenvolvimentista, evitando-se as corruptelas das ‘copyrights’ ou cópias ‘ipsis litteris’ de modelos como o norte-americano e francês, que não guardam uma relação factual de viabilidade com a realidade brasileira.  Distamos do modelo estadunidense pela desestrutura do estado brasileiro, que promove as carências de nossas escolas públicas e universidades. Já quanto ao modelo francês, com o qual temos maior identificação, ainda assim é-nos impossível constituirmos mil núcleos subsidiados para a modalidade, a partir do sub-8. Portanto, cabe-nos o desafio de pensarmos um modelo meio que híbrido de desenvolvimento, iniciando-se o apoio aos principais núcleos de futebol feminino em diferentes regiões do território nacional. Esses núcleos teriam que ser identificados, mapeados, mais qualificados e por fim credenciados, com o objetivo de, como núcleos formadores e fomentadores da modalidade, pudessem receber os bônus do apoio público-privado, sendo periodicamente fiscalizados e avaliados, nos moldes da certificação dos clubes formadores. Desse modo, cumprir-se-ia a premissa de que “seleção não é lugar de formação”, devendo tal processo se dar no âmbito das entidades de prática desportiva, tais como times em geral, associações e projetos sócio-desportivos.

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Seleção Feminina Principal / Divulgação

Um modelo de gestão, coordenação e comando técnico harmônicos

O futebol feminino é um negócio, um mega negócio, e como tal não lhe cabem digressões misóginas ou sexistas. Logo, a seleção de seus dirigentes não precisa estar apoiada em reserva de mercado ou questão de gênero. Há que se terem critérios e a meritocracia deve nortear as escolhas e indicações de nomes. O modelo de gestão deve ser evidentemente de responsabilidade da CBF, enquanto que a coordenação da modalidade deve ser exercida por um dirigente que saiba estabelecer o necessário link entre o comando da entidade e os executores de suas políticas, em todos os níveis que se possa conceber. Essa coordenação também promoverá a integração das políticas gerais de desenvolvimento da modalidade, bem como estabelecerá um diálogo constante entre as diferentes categorias da formação e base, observando ainda a hierarquização necessária de todos os processos, em que a Seleção Principal será o desaguadouro. Todavia, a adequação do Calendário de Competições ao projeto desenvolvimentista far-se-á também necessária, sob pena de termos tal processo de desenvolvimento atrofiado.

Buscar-se-á a compatibilidade na execução das políticas, desse modo evitando-se as desarmonias departamentais. Um exemplo clássico disso é fazer-se com que o comando técnico da Seleção Principal esteja consensualmente harmonizado com o que se pretende levar a efeito como ações. Um treinador ou treinadora não poderá jamais discrepar das matrizes conceituais do projeto, tampouco tentar interferir na execução de quaisquer das políticas, sejam esportivas ou de gestão.

A discussão encontra-se em aberto, e as contribuições serão sempre bem-vindas.

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*Benê Lima é Cronista Esportivo, Gestor Esportivo, Ex-Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Ex-Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino, Ex-Coordenador de Futebol Feminino da Federação Cearense de Futebol, Membro do Instituto UNIFUT (Unidos Pelo Futebol)

quarta-feira, julho 13, 2016

Unifut realiza posse da diretoria na sede da FCF

Na tarde da última terça-feira (12), a Federação Cearense de Futebol sediou a posse da Diretoria do Instituto Unidos pelo Futebol (Unifut).

O Instituto é presidido por Joaquim Alves e nomeu o mandatário da FCF, Mauro Carmélio, como Presidente de Honra. O grupo conta com 17 vice-presidências e realizará reuniões com a FCF no intuito de sugerir melhorias e avanços no futebol cearense.


O Diretor de Patrimônio e Administração de Estádio, Josimar de Carvalho, foi nomeado pela Presidência da FCF como representante da Entidade junto ao Unifut.

Assessoria de Comunicação da Federação Cearense de Futebol
imprensa@futebolcearense.com.br   
Membros da Diretoria Executiva do UNIFUT
O Presidente Kim Alves (à esquerda) e o Vice-Presidente Jurídico, Dennis Luiz
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quarta-feira, julho 06, 2016

Comitê de Reformas anuncia aprovação de medidas, com novidades em quatro áreas de ação


O Comitê de Reformas do Futebol Brasileiro anunciou nesta quinta-feira (9) importantes avanços, após reunião na sede da CBF, no Rio de Janeiro. Os 18 membros do Comitê aprovaram o Código de Ética do Futebol Brasileiro, o novo calendário, um plano de ação para o futebol feminino e uma metodologia oficial da CBF de ensino do futebol para crianças.
– Em menos de quatro meses de existência, o Comitê de Reformas apresenta uma série de medidas fundamentais, reafirmando o nosso compromisso com a adoção de boas práticas de gestão. É só com planejamento e profissionalismo que faremos o futebol brasileiro avançar – afirma Rogério Caboclo, diretor executivo de Gestão da CBF.
O Código de Ética valerá para dirigentes da CBF, das 27 federações estaduais e dos clubes nacionais, além de jogadores, árbitros e outros profissionais ligados ao futebol no Brasil. Levantamento da ONG Transparência Internacional feito em 2015 revelou que apenas 50 de 209 federações nacionais de futebol possuem Código de Ética.
– O Código de Ética é fruto de um processo de modernização do futebol brasileiro, liderado pela CBF, que vem adotando novos instrumentos de boa governança e transparência. Nesse sentido, o Comitê de Reformas tem sido um espaço importante para garantir que todos os envolvidos com o futebol tenham voz, seja participando diretamente dos grupos de trabalho ou compartilhando sugestões e opiniões pelo nosso site – explica Walter Feldman, secretário geral da CBF e presidente do Comitê de Reformas.
O documento prevê a criação de uma Comissão de Ética nos moldes da que existe na FIFA, com uma Câmara de Investigação e uma Câmara de Tomada de Decisão. O texto foi elaborado por um grupo de trabalho com nove integrantes, sob a coordenação do presidente do STJD Caio César Vieira Rocha.
O Código de Ética prevê punições para quem desrespeitá-lo. As penas podem ser advertência, multa de até R$ 500 mil, suspensão de até 10 anos, demissão por justa causa, trabalho comunitário, proibição de acesso aos estádios por até 10 anos e proibição de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol também por até 10 anos.
Agora, o Código de Ética segue para a aprovação da Assembleia Geral para então entrar em vigor. Depois, será formada uma Comissão de Ética, assim como será criado um site para o recebimento de denúncias.
Novo calendário do futebol brasileiro
O Comitê de Reformas também aprovou o novo calendário do futebol brasileiro, intensamente debatido e elaborado por um grupo de trabalho com 21 integrantes, sob a coordenação dos campeões mundiais Carlos Alberto Torres, Ricardo Rocha, Edmílson e Carlos Alberto Parreira. As mudanças entram em vigor em 2017. Foi o tema que mais recebeu sugestões no site do Comitê de Reformas, com 49% do total.
Um dos avanços é a flexibilização do número de datas dos campeonatos estaduais para adequação das copas regionais. Os estaduais terão uma redução do número máximo de datas, que cai de 19 para 18, embora a média deva ficar em 16 datas na maioria do país. Assim, os regionais terão até oito datas garantidas.
Outra conquista é a paralisação do calendário em datas FIFA, sem a realização de partidas de campeonatos da CBF nos dias anteriores e posteriores às partidas da Seleções nacionais. Na prática, essa mudança acarretará em duas pausas de 13 dias, nos meses de setembro e outubro.
No ano que vem, o Campeonato Brasileiro terá uma redução de 11 para nove datas de jogos em meio de semana. Essa mudança permitirá que os clubes tenham mais tempo para trabalhar aspectos técnicos e táticos, além de garantir um maior período de recuperação aos atletas.
O novo calendário manteve conquistas importantes como as férias anuais de 30 dias e a pré-temporada de 25 dias.
O grupo de trabalho seguirá suas atividades com a elaboração de um plano de quatro anos para novos aperfeiçoamentos do calendário do futebol profissional, além de estudos sobre possíveis mudanças também para as categorias de base.
Futebol feminino tem 11 medidas
Um dos temas mais amplos debatidos pelo Comitê de Reformas, o Futebol Feminino teve aprovada uma primeira onda de ações a serem realizadas nos curto e médio prazos. São 11 medidas, divididas em quatro grandes temas: Desenvolvimento, Competições, Seleções e Marketing.
Sob a liderança da integrante da Escola Nacional de Arbitragem, Ana Paula Oliveira, e da jogadora Formiga, o grupo de trabalho do Futebol Feminino é composto por 21 integrantes, incluindo nomes como Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF, Lorena Soto, gerente de Desenvolvimento do Futebol Feminino da Conmebol, e Mayi Blanco, gerente sênior de Desenvolvimento do Futebol Feminino na FIFA.
A CBF agora vai analisar a implementação das medidas aprovadas.
Uma metodologia social
Também foi aprovada a metodologia "Paixão Nacional", projeto desenvolvido no grupo de trabalho CBF Social. Trata-se de uma metodologia oficial da CBF de ensino do futebol para crianças e adolescentes matriculados no ensino público ou particular, além de escolinhas e projetos sociais.
A metodologia é baseada na essência do futebol brasileiro, com valores inspirados nos títulos mundiais da Seleção Brasileira: Equilíbrio (1958), Criatividade (1962), Responsabilidade (1970), Comprometimento (1994) e Confiança (2002), além do Fair Play.
Os alunos vão aprender fundamentos como passe, chute, condução e drible, entre outros. De acordo com a faixa etária, participarão de partidas com número reduzido de jogadores em cada time – dois contra dois, três contra três, e assim por diante. Esses formatos contarão com regras adaptadas, já aprovadas pela Comissão e pela Escola Nacional de Arbitragem.
O primeiro passo será oferecer cursos de capacitação para professores de educação física, ex-jogadores e outros profissionais que atuem em escolinhas de futebol ou projetos sociais. O projeto piloto será implantado nas escolas públicas de Goiás, em uma parceria da CBF com o Governo do estado.
O objetivo final é a nova metodologia de ensino do futebol seja incorporada ao currículo de Educação Física das escolas brasileiras.
Comitê de Reformas
O Comitê de Reformas foi instaurado no dia 18 de fevereiro deste ano e logo criou cinco grupos de trabalho: Código de Ética, Reforma do Estatuto, Licenciamento e Registro, Calendário do Futebol e Futebol Feminino. Depois, também surgiu o grupo CBF Social. Mais recentemente, foram aprovados dois novos temas: Categoria de Base e Internacionalização do Futebol, que teve sua primeira reunião hoje. Na reunião de hoje ficou decidida a criação também do Grupo de Trabalho para Direitos dos Atletas. Até o momento, já foram realizadas seis reuniões do Comitê de Reformas e mais 17 dos grupos de trabalho.

 Fonte: CBF