Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quarta-feira, julho 17, 2019

Ex-técnico da seleção feminina assume cargo no governo e quer massificação

Demétrio Vecchioli / UOL

Kleiton Lima (Monique Damasio/ Ministério da Cidadania)

Técnico da seleção brasileira feminina de futebol entre 2008 e 2012, Kleiton Lima agora tem um novo desafio: massificar a modalidade. Velho conhecido dos dois principais nomes da pasta que cuida do futebol no governo federal (Dagoberto Fernando dos Santos e Ronaldo Lima dos Santos), ele foi nomeado assessor especial, tendo como principal função olhar para as mulheres. 

"O futebol feminino precisa de uma massificação maior. Isso abrange você ter futebol feminino nas escolas, nas escolinhas, nos clubes de futebol e também nos clubes sociais. Que a gente possa ver menina jogando na praia, na escola, na rua, de uma forma natural. A menina que joga bola sofre preconceito. Essa barreira caiu, ou, se não caiu, agora está caindo. Tem mais respeito pela menina que joga futebol. O povo brasileiro passou a admirar o futebol feminino", avalia Kleiton.

Ele trabalhou durante 15 anos no Santos, 10 especificamente com o futebol feminino. É o idealizador do projeto Sereias da Vila, mais bem sucedido do futebol feminino no país. Foi nessa época que ele conheceu o agora chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Futebol, Dagoberto Fernando dos Santos, que era CEO do clube santista. Já o secretário de Futebol, Ronaldo Lima dos Santos, superior aos dois, era gerente da base do Santos na última passagem de Kleiton pela Vila, como técnico do sub-23, e foi supervisor de futebol feminino da CBF quando Kleiton era o técnico da seleção. 

Como assessor, o ex-treinador não terá a caneta para tomar decisões. Mas é naturalmente dele a responsabilidade de apontar caminhos para o futebol feminino no Brasil. "Essa é uma bandeira que eu sempre levantei. Estou em busca de poder deixar uma pisadura bem forte para que o futebol feminino possa evoluir cada vez mais no país", diz ele, que também tem outras atribuições ligadas ao futebol profissional como um todo.

Há menos de duas semanas em Brasília, Kleiton quer primeiro ouvir todas as partes envolvidas. "Estou tomando ciência do que foi feito nas gestões anteriores para ver qual caminho seguir. Vamos ver o que é pertinente, por que foi desfeito o que foi desfeito, para que a gente possa ter uma direção mais cabível. Estamos buscando alguns debates, ouvir principalmente as atletas, mas também as federações, de uma forma mais dinâmica, não daquele jeito sorrateiro. Queremos saber o que eles pensam, ter a CBF junto nesse processo também."

Com experiência também no futebol dos Estados Unidos, o treinador ressalta que não tem uma "fórmula mágica" para explicar que não adianta tentar copiar o modelo norte-americano de massificação na base e desenvolvimento universitário.

"A gente tem uma cultura própria. Aqui o futebol é patrimônio cultural. Temos que ver o que fazem os Estados Unidos, mas também temos que ver o está sendo feito na Espanha, na Holanda, que estão em desenvolvimento franco, mesmo a França, e trazer o que eles têm. Mas não pegar uma fórmula específica e adotar no nosso país, que tem cultura própria."

Desde 2011, o governo federal tem papel preponderante no desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, em trabalho coordenado pela ex-jogadora da seleção brasileira Michael Jackson, que deixou o cargo em outubro de 2016. Entre 2011 e 2016, o Ministério do Esporte bancou a realização de três edições da Copa Libertadores, criou um grupo de trabalho para discutir soluções e buscar melhorias para o futebol feminino e organizou campeonatos escolares sub-17 e uma Copa Brasil Universitária, que demandaram mais de R$ 2 milhões por ano.   

Mas a ação mais marcante foi convencer a Caixa Econômica Federal a patrocinar, com R$ 10 milhões ao ano, o Campeonato Brasileiro, criado e 2013 graças a esse apoio. O patrocínio, porém, não foi renovado no ano passado.  

"O governo federal não é o único que pode assumir situação de profissionalização da modalidade. São parcerias. A gente vai buscar alternativas acessíveis. Tem que ter uma parceria com confederação, federações, clubes, parceiros privadas. Tudo isso em busca de um único resultado. Isso requer muita conversa, muito conhecimento. A gente está e busca dessa fórmula", ressalta Kleiton. "A gente vai criar alternativas. Primeiro precisa ter um projeto, ouvir quais são as dificuldades, o que pode ser feito."

O ex-treinador da seleção brasileira acredita que contará com o apoio do presidente Jair Bolsonaro nessa iniciativa. "Tudo que for pertinente para um crescimento do esporte em geral, independente da modalidade, passa na cabeça dele em avalizar. Isso eu não tenho dúvidas. Tudo que for pertinente do ponto de vista social, esportivo, cultural, vai ter um empenho considerável dessa gestão, independente da modalidade. Isso tudo engrandece e enriquece a cultura desse país."   

quinta-feira, julho 11, 2019

EXCERTOS SOBRE O FUTEBOL FEMININO


Por Benê Lima

Imagem relacionada
O primeiro time feminino da história / Divulgação
Uma visão filosófica mais geral

Creio que quaisquer análises dessa modalidade, perpassam pelo esforço de cada um de nós em lançarmos mão das visões sociológica, antropológica e até mesmo ontológica que influencia o ser humano. Ademais, também não podemos desprezar o aspecto moral e cultural da sociedade brasileira, posto que eles consubstanciam nossos usos e costumes, sendo, como tal, elementos retro alimentadores para a manutenção do status quo vigente.

Esse estado é algo imanente à condição de desigualdade histórica do tratamento dispensado a homens e mulheres, o que torna compreensível, embora não mais aceitável, as diferenças entre aqueles e estas. Portanto, não me parece que seja o futebol ou mesmo que dele derive a origem dessas diferenças. Não por acaso, tenho dito que essa situação da mulher no futebol feminino deve inspirar-se na busca da superação de um atavismo que tem muito de renitência, o que dificulta sua extirpação. Daí, temos no Brasil um quadro em que a conquista do futebol feminino pode ser traduzida pela luta da igualdade de gênero, pelo esforço da mulher por sua emancipação, e por fim, pela busca épica, embora incessante e gradativa, de uma pretensa e legítima condição de igualdade. Mas aqui cabe uma observação importante e para a qual chamamos a atenção, ao introduzirmos a igualdade preconizada na filosofia do direito de certo pensador, que preconizava ‘dá-se aos desiguais com desigualdade, na proporção em que se desigualem’. O mais, segundo ele, seria desvario da inveja ou mesmo da própria loucura.

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CBF e seu Comitê de Reformas / Divulgação

CBF e investimentos

É interessante relembrar que ao inaugurar o Comitê de Reformas, a CBF deu-nos a oportunidade, por nós desperdiçada, de promovermos uma revolução em sua estrutura, a partir de uma retumbante reforma em seu estatuto. Aquelas 66 páginas poderiam expressar muito do que gostaríamos de ver, como resultante do esforço das nossas entidades de administração e de prática desportiva, no sentido de um balizamento da gestão daquela entidade-mater. Nossa experiência na lida e cogestão do Conselho do Desporto do Estado do Ceará consubstanciava nossa crença não só nessa possibilidade, como também na maior legitimação das decisões da Confederação Brasileira de Futebol. 

Com a frustração dos efeitos positivos do tal Comitê, embora o futebol feminino tenha obtido destaque pelo mérito de sua extraordinária mobilização, tivemos mais do mesmo, e a modalidade só não ficou na mesma pelas iniciativas da FIFA, que ainda assim, por razões de natureza ética e legal, reteve o repasse da verba oriunda do legado da Copa do Mundo de futebol masculino de 2014, destinada ao futebol feminino, só liberando os recursos a posteriori, mediante condições de lisura exigidas pela entidade maior do futebol mundial.

A CBF me parece não uma empresa única, mas um conglomerado de departamentos empresariais estanques. Isso não deve ser encarado como um equívoco de sua administração, mas como característica e estilo da administração da entidade. Ao que nos consta, o departamento de maior superávit é o que trata da Seleção Principal de Futebol Masculino. E para quem tem uma noção da filosofia da entidade, sabe-se que as boas ideias não são devidamente valorizadas se não forem acompanhadas da solução financeira.

Na verdade, só nos resta torcermos para que o atual ciclo histórico da CBF contemple uma nova discussão quanto à utilização de seus superávits. Afinal, a história tem mais trens do que pode nos parecer.

 Outro fator ligado à CBF ao qual frequentemente se direcionam críticas é o que respeita ao fomento do futebol feminino. Sobre essa questão, conversamos com o diretor de competições da entidade, Manoel Flores, através de entrevista que ele concedeu à FCFTV, quando na ocasião sugerimos que fosse instaurado um regime de intercooperação entre o ente público federal (governo) e a CBF, a fim de que pudéssemos engendrar uma política de desenvolvimento para a modalidade (futebol feminino). Flores se mostrou receptivo à ideia, revelando inclusive que esse diálogo seria interessante.

A ideia da intercooperação era, além de dividir responsabilidades pelo ideário das políticas de fomento, teríamos ainda uma divisão dos custos dessas políticas. Ademais, a criação desse diálogo entre o ente público e o privado, certamente se constituiria num elemento de sensibilização da FIFA, situação que poderia render dividendos para a modalidade em nosso país.

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CBF Social em Fortaleza - Ceará / Divulgação

Modelo de desenvolvimento “made in Brasil

Quaisquer modelos de desenvolvimento pensado para o futebol feminino, não pode descurar de dois aspectos básicos. O primeiro deles é o esportivo, com todas as suas implicações, complexidades e dificuldades. O outro é o modelo de desenvolvimento e fomento a esse desenvolvimento, sem o quê será improvável dar-se exequibilidade a quaisquer projetos.

Neste ponto, vale uma reflexão quanto à gênese de inspiração do modelo desenvolvimentista, evitando-se as corruptelas das ‘copyrights’ ou cópias ‘ipsis litteris’ de modelos como o norte-americano e francês, que não guardam uma relação factual de viabilidade com a realidade brasileira.  Distamos do modelo estadunidense pela desestrutura do estado brasileiro, que promove as carências de nossas escolas públicas e universidades. Já quanto ao modelo francês, com o qual temos maior identificação, ainda assim é-nos impossível constituirmos mil núcleos subsidiados para a modalidade, a partir do sub-8. Portanto, cabe-nos o desafio de pensarmos um modelo meio que híbrido de desenvolvimento, iniciando-se o apoio aos principais núcleos de futebol feminino em diferentes regiões do território nacional. Esses núcleos teriam que ser identificados, mapeados, mais qualificados e por fim credenciados, com o objetivo de, como núcleos formadores e fomentadores da modalidade, pudessem receber os bônus do apoio público-privado, sendo periodicamente fiscalizados e avaliados, nos moldes da certificação dos clubes formadores. Desse modo, cumprir-se-ia a premissa de que “seleção não é lugar de formação”, devendo tal processo se dar no âmbito das entidades de prática desportiva, tais como times em geral, associações e projetos sócio-desportivos.

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Seleção Feminina Principal / Divulgação

Um modelo de gestão, coordenação e comando técnico harmônicos

O futebol feminino é um negócio, um mega negócio, e como tal não lhe cabem digressões misóginas ou sexistas. Logo, a seleção de seus dirigentes não precisa estar apoiada em reserva de mercado ou questão de gênero. Há que se terem critérios e a meritocracia deve nortear as escolhas e indicações de nomes. O modelo de gestão deve ser evidentemente de responsabilidade da CBF, enquanto que a coordenação da modalidade deve ser exercida por um dirigente que saiba estabelecer o necessário link entre o comando da entidade e os executores de suas políticas, em todos os níveis que se possa conceber. Essa coordenação também promoverá a integração das políticas gerais de desenvolvimento da modalidade, bem como estabelecerá um diálogo constante entre as diferentes categorias da formação e base, observando ainda a hierarquização necessária de todos os processos, em que a Seleção Principal será o desaguadouro. Todavia, a adequação do Calendário de Competições ao projeto desenvolvimentista far-se-á também necessária, sob pena de termos tal processo de desenvolvimento atrofiado.

Buscar-se-á a compatibilidade na execução das políticas, desse modo evitando-se as desarmonias departamentais. Um exemplo clássico disso é fazer-se com que o comando técnico da Seleção Principal esteja consensualmente harmonizado com o que se pretende levar a efeito como ações. Um treinador ou treinadora não poderá jamais discrepar das matrizes conceituais do projeto, tampouco tentar interferir na execução de quaisquer das políticas, sejam esportivas ou de gestão.

A discussão encontra-se em aberto, e as contribuições serão sempre bem-vindas.

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*Benê Lima é Cronista Esportivo, Gestor Esportivo, Ex-Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Ex-Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino, Ex-Coordenador de Futebol Feminino da Federação Cearense de Futebol, Membro do Instituto UNIFUT (Unidos Pelo Futebol)

terça-feira, março 05, 2019

Mostra de Futebol Feminino

A fotografia tem sua linguagem e esta comporta diferentes expressões e uma miríade de leituras, interpretações e até sentimentos. Com base nisto propomos uma releitura de cada uma das imagens aqui expostas, bem como o exercício de reinterpretação de cada uma delas, a partir de cada legenda, mas sempre propondo um novo texto descritivo para cada imagem. 

Quem quiser ir um pouco mais além, construa mentalmente uma legenda em prosa outra em verso, dando vida às imagens e asas à sua imaginação. 

Face as dificuldades, o futebol feminino é bem assim: desbravador, desafiador, criativo, sobrevivente, indo do gueto ao shopping com desenvoltura, e buscando autoafirmar-se não só como esporte, mas também como manifestação de gênero. 
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Benê Lima, ex-Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino, ex-Coordenador de Futebol Feminino da Federação Cearense de Futebol, ex-Membro do Conselho do Desporto do Estado Ceará, Radialista, Cronista Esportivo, Rosacruz e Humanista.


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A prática de confabular e a plástica a observar.
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O futebol e suas imagens pictóricas.
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A bola dando bola pra quem a disputa.
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A camisa dez é de quem tem estilo.
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Se o jogo é de campeonato eu chuto pro mato.
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Corto para dentro para sair na cara do gol.
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Conduzir com intimidade tratando-a por "tu".
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O hábito do salto-alto cria a destreza.
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Às vezes o nível de disputa encontra a canela.
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Pés e pernas criam um clima intimista
com a redonda.
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As meninas não temem o jogo aéreo.
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Ritmo e alegria também integram o show.


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A força da ligação direta pode dar o tom.
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A democracia presente do futebol feminino une diferentes tipos e portes.

terça-feira, novembro 01, 2016

Opinião: Romeu Castro comenta dia histórico para o futebol feminino

Imagem: divulgação

EM DIA HISTÓRICO PARA O FUTEBOL FEMININO DO BRASIL, CBF ANUNCIA PACOTE INÉDITO DE INCENTIVO À MODALIDADE
Doce novembro para as mulheres que ousaram calçar chuteiras pelos gramados do País. A Confederação Brasileira de Futebol reuniu na manhã desta terça feira representantes dos Clubes, Federações e patrocinadores, para anunciar a nova formatação do Campeonato Nacional.
Numa iniciativa inédita, o Brasil ganha uma competição feminina em duas divisões, com 16 participantes cada. Na Séria A, cada equipe disputará um mínimo de quatorze partidas, e receberá, a título de ajuda de custo, um mínimo de 120 mil reais, além de passagens aéreas, hospedagem e alimentação.
Com a premiação progressiva, o Campeão Nacional da Série "A1", receberá um total de 365 mil reais durante toda a sua participação no Brasileirão Rosa. Para as equipes da Série "A2", o auxílio financeiro mínimo chega aos 60 mil reais pelos sete jogos da primeira fase, além das passagens aéreas, hospedagem e alimentação.
O Campeão da segunda divisão terá disputado 11 partidas, e recebido um total 155 mil reais entre prêmios e auxílio financeiro.
Mais do que números, a competição cria um mercado nacional para o futebol feminino, garantindo a partir de 2018 critérios exclusivamente técnicos de acesso e descenso, além da valorização dos 27 Campeonatos Estaduais.
Clubes tradicionais da modalidade, como o Foz Cataratas, Rio Preto, Iranduba, São Francisco, Gama, Vitória e Aliança atuarão em uma das duas divisões, ao lado de equipes como Corinthians, Santos, Flamengo e Vasco da Gama, com critérios claros de permanência e rebaixamento. 
Temos que parabenizar a Confederação Brasileira de Futebol, na pessoa do Presidente Marco Polo Del Nero, e dos seus competentes companheiros de Diretoria como Valter Feldman, Manoel Flores, Rogério Caboclo e Dino Gentille, por esta grande demonstração de respeito e apoio ao Futebol Feminino.
Esta conquista foi também fruto das reivindicações dos abnegados gestores da modalidade, que encontrou eco e suporte no Comitê de Reformas da Casa Maior do futebol brasileiro, que teve atuação destacada de ex-atletas e desportistas como a Marcia Tafarel, Silvana Goellner e Lu Castro.

Importante também destacar o papel da Sport Promotion nesta conquista. Duas décadas após revolucionar o Futebol Feminino com a criação do Paulistana, que foi a primeira Liga de estrutura profissional da categoria na América Latina, a empresa ousa ao se irmanar com a CBF para garantir o mesmo modelo de disputa consagrado nos anos 90, para uma competição verdadeiramente nacional, no nosso País-Continente.
Atravessando quatro décadas no apoio ao desporto brasileiro, em modalidades como voleibol, boxe, futsal, Fórmula Indy, Vale Tudo e basquete, além do futebol profissional.
O empreendedorismo dos empresários Quico e Paulo Roberto volta a fazer imensa diferença na história do futebol feminino, modalidade que abraçaram conosco desde os anos 80, nos confrontos históricos entre Radar, Isis Pop, Guarani, Bangu, Juventus e Saad. 
Esta nova realidade para o futebol feminino brasileiro, foi uma bandeira que levantei durante a minha passagem pelo Ministério do Esporte, ao lado do ex-Secretário Rogerio Hamam e do amigo Sóstenes Marchezine, e que agora se torna realidade.
Foi um motivo de imensa alegria estar ao lado dos companheiros Presidentes de Federações Estaduais Mauro Carmélio e Antônio Aquino, além dos vitoriosos dirigentes da modalidade Lauro Tentardini, do campeão de público Iranduba, e Gezi Damaceno, do multi-campeão Foz Cataratas, na celebração desta conquista tão importante para toda a Família do Futebol.

terça-feira, outubro 18, 2016

Aline Pellegrino, ex-jogadora de futebol profissional

A gigante não adormeceu, mas o foco da garra apresentada em campo, durante mais de uma década e meia de profissionalismo no futebol feminino, é outro. Aline Pellegrino, a Aline, capitã da geração de mulheres que conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de 2004, foi vice-campeã do mundo e levantou o troféu dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, “desistiu” do mundo da bola.
Aos 31 anos, a zagueira abandou o futebol e passou a investir no ramo imobiliário. Corretora, a ainda jovem, que é formada em Educação Física, entende que atingiu o limite de seu desempenho como atleta, e os oito anos a serviço do país em diversos torneios oficiais não tiveram a devida retribuição.
“Talento e recurso humano o Brasil sempre teve e vai ter. Costumo me deparar com meninas de 13, 14 anos, com grande potencial técnico. Mas isso não quer dizer que elas vão vingar como futebolistas profissionais, seguindo um padrão de treinamento”, avalia Aline, que foi coordenadora técnica do Vitória de Santo Antão antes de migrar para outra esfera de trabalho.
“Todo esse ‘bom material’, jovem e talentoso, vai ser colocado em um funil. Tenta-se fazer uma renovação desde 2005 da seleção feminina principal, e os resultados não são bons”, completa a ex-defensora.
Aline admite nunca ter sido a mais talentosa das jogadoras de sua época, mas acredita que outras qualidades, como comprometimento, liderança e espírito de grupo a fizeram permanecer por bastante tempo na elite, com a oportunidade de conviver com treinadores como Zé Duarte, Marcello Frigerio e René Simões.
“É difícil para o brasileiro, que se acha o melhor do mundo neste esporte, realizar um intercâmbio e aprender algo novo. Entramos num ciclo vicioso: você cria atletas, treinadores, preparadores físicos, diretores, etc., que sempre reproduzem algo por reproduzir. E a tendência de formar novos profissionais com uma visão mais moderna é baixa”, compreende Aline.
Nesta entrevista à Universidade do Futebol, a atleta que teve uma experiência no futebol russo lamenta a falta de uma filosofia e uma metodologia claras de treinamento em sua terra natal, o desleixo do sistema acerca do futebol feminino e alimenta um fio de esperança com o Bom Senso F.C:
“Vejo que é uma ideia que eu tentei trazer à tona ao futebol feminino há alguns anos. Desejo boa sorte. No Brasil é complicado colocar a mão na “caixa de abelha”. Apenas espero que se tenha ‘bom senso’ de lembrar das mulheres. Eu, particularmente, não tenho mais como lutar por isso”.
Universidade do Futebol – Você iniciou sua carreira aos 15 anos. O quanto o futebol de rua, o futsal e o futebol de areia contribuíram para a sua formação profissional?
Aline Pellegrino – Tudo isso fez parte da minha história de criança. Sempre fui muito ativa, gostei de correr, brincar. Minha relação com as brincadeiras de rua foi o diferencial para eu me tornar atleta. Costumo dizer que poderia ter praticado qualquer outro esporte.
Fui formada na parte da questão motora, da coordenação, do conseguir executar bem os movimentos, muito por causa de jogar bola na rua, no asfalto, na grama, em todos os lugares.
Antes de me formar aos 15 anos, o meu repertório já era vasto e certamente a experiência de rua foi decisiva para eu me tornar atleta profissional.

“Minha relação com as brincadeiras de rua foi o diferencial para eu me tornar atleta”, diz Aline, capitão da seleção brasileira de futebol feminino
Universidade do Futebol – Que tipos de barreiras existem ainda no futebol feminino para chegarmos a um patamar minimamente ideal?
Aline Pellegrino – Talento e recurso humano o Brasil sempre teve e vai ter. Costumo me deparar com meninas de 13, 14 anos, com grande potencial técnico. Mas isso não quer dizer que elas vão vingar como futebolistas profissionais, seguindo um padrão de treinamento.
Eu mesma nunca fui a mais talentosa de todas, mas tinha outras qualidades que fizeram com que eu permanecesse em grupos de seleção brasileira.
Quando você pega esse talento e bota para fazer um treino, o que era a coisa mais legal do mundo, se torna algo chato. Aconteceu comigo quando fiz a transição ao time do São Paulo em 1997, com o professor Zé Duarte. Todas as meninas da seleção brasileira estavam ali.
Eu tive de passar a seguir coisas com as quais não estava acostumada. Nunca havia sido preparada para aquele ambiente. E é um problema que temos. Todo esse “bom material”, jovem e talentoso, vai ser colocado em um funil.
Tenta-se fazer uma renovação desde 2005 da seleção feminina principal, e os resultados não são bons.
https://www.youtube.com/watch?v=XtnNnKhHpgw
Websérie “Esporte como Direito” – Episódio#04 Questão do Gênero no Futebol
Universidade do Futebol – Você acredita que a formação de novos jogadores e jogadoras está condicionada à melhora na formação de bons treinadores?
Aline Pellegrino – Eu acredito que sim. Futebol no Brasil ainda é repetição, reproduzir aquilo que alguém fez por algum motivo lá atrás, e ainda não quebramos esse paradigma.
E é difícil para o brasileiro, que se acha o melhor do mundo neste esporte, realizar um intercâmbio e aprender algo novo.
Entramos num ciclo vicioso: você cria atletas, treinadores, preparadores físicos, diretores, etc., que sempre reproduzem algo por reproduzir. Mais do que 50% do que acontece está dentro daquele modo tradicional. E a tendência de formar novos profissionais com uma visão mais moderna é baixa.
Morei fora do país, tive bons treinadores aqui, mas não é o suficiente. Os times sofrem porque não têm “um cara” ou “uma cara” para resolver. Por isso que é preciso pensar coletivamente, ter uma filosofia e uma metodologia claras de treinamento.
No exemplo do futebol masculino, tinha um Neymar na seleção brasileira para ser decisivo na Copa das Confederações. Mas as coisas nem sempre funcionam desta maneira.
Universidade do Futebol – Você disse que não era a mais talentosa da sua geração. Que valores você conseguiu agregar à sua formação para superar essa “limitação técnica”?
Aline Pellegrino – Eu ser a melhor entre os meninos, a melhor da rua, me motivou a ir procurar uma equipe profissional. Mas na transição, vi que não era a melhor entre todas as que estavam ali.
Cheguei nos treinamentos, aos 15 anos, e coloquei na minha cabeça que mesmo sendo a última nas atividades, me doaria ao máximo. Se era para fazer 10 repetições, fazia as 10, e não nove e meia. Se era para dar um pique até o cone, ia até o fim, e não parava no meio do caminho. Esse espírito certamente foi positivo para eu chegar tão longe.

“Na transição, vi que não era a melhor entre todas as que estavam ali”, revela Aline, que sempre buscou se doar ao máximo
Universidade do Futebol – Destaque as características do melhor treinador com o qual você trabalhou e indique quais são, para você, as valências que um grande profissional de futebol moderno precisa ter para alcançar o sucesso.
Aline Pellegrino – Eu tive vários treinadores. Claro que nunca se vai se ter o modelo ideal. Mesmo o Guardiola deve ter pontos em que ele não seja bom.
No meu caso, sem dúvida alguma, o que mais me agregou características positivas foi o René Simões. O Marcelo Ruggeri, hoje no XV de Piracicaba, foi outro que teve uma participação importante.
O bom gestor de um grupo, hoje, deve ter a capacidade de leitura do perfil dos seus atletas para, aí sim, definir um Modelo de Jogo e aplicar suas ideias. Dentro disso, ele deve fazer com que os jogadores compreendam o que deve ser feito, e não simplesmente reproduzido.
Nós, em campo, não precisamos efetivamente saber o que é uma transição defensiva de maneira conceitual. O bom treinador é aquele que de alguma maneira consegue fazer com o que o atleta entenda aquilo que ele, atleta, já faz bem.


Universidade do Futebol – O que é um atleta de futebol inteligente?
Aline Pellegrino – Eu acho que o atleta inteligente é aquele que escuta muito, fala pouco e tem ciência de suas dificuldades. Aquele que procura fazer o que o comandante está instruindo. Aquele que não necessariamente sabe fazer o gol, mas que tem uma leitura aprimorada de todas as situações do jogo, que consegue pensar na frente e antever o cenário.

https://www.youtube.com/watch?v=zmre6vkY45M

Especial Footecon – Atleta Inteligente

Universidade do Futebol – Como você avaliava o seu desempenho depois dos jogos?
Aline Pellegrino – Isso foi algo que quando comecei partiu do meu pai, com 13, 14 anos. Nesta idade, eu sempre achava que era o outro que errava. Tive esses dificuldades no início da carreira, e a partir do momento que passei a ter uma auto-crítica maior, evoluí. Não ficava procurando defeitos no campo, na chuteira, jogando a responsabilidade ao outro.
Em contrapartida, acabava me cobrando além do que eu deveria, o que, acredito, acabou me prejudicando um pouco.
 Universidade do Futebol – Esse aspecto de liderança, uma marca sua, era algo inato ou que foi construído ao longo do tempo com o auxílio dos profissionais que trabalharam com você?
Aline Pellegrino – Acho que é algo natural. Muitos têm, e muitas vezes não têm espaço e acabam sendo minados. A Carol Arruda, no Vitória, sempre foi uma grande líder, mas quando trabalhei com ela, percebi que estava adormecida essa característica. Muitos lideres não florescem por conta de uma série de fatores, mas acho que é algo inato.
Claro que a forma como o meio te proporciona pode potencializar ou retardar esse processo. Em determinados momentos, preferi me manter calada e mais observadora. Feliz é aquele que tem a leitura para não se expor nem a mais nem a menos do que o necessário.

No elenco das Sereias da Vila, Aline ergueu as taças do bicampeonato da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, entre outros títulos.
Universidade do Futebol – Conte um pouco mais sobre o seu processo de aposentadoria dos gramados. Foi algo pensado, teve suporte familiar, profissional?
Aline Pellegrino – Eu quero parar de jogar desde os 15 anos, quando comecei. Não há patrocínio, apoio, então foi algo normal. Sempre fui muito auto-crítica. Apesar de falar muito, observava bastante. E percebi que ia me expor muito mais a partir do ano passado se eu seguisse atuando.
Era o momento em que a modalidade em vez de estar evoluindo – e posso estar errada –, mas apesar das conquistas, como modalidade, dentro do Brasil, dentro do Estado, o futebol feminino regrediu. Pra que me expor?
Não valorizamos muito os nossos atletas, e o exemplo dos meninos no futebol está aí. Imagina no feminino. Se eu mesma não valorizar tudo o que eu conquistei, quem vai?
Queria terminar, por tudo que eu fiz, de um jeito positivo. Quando voltei da Rússia, das Olimpíadas, me deparei com meninas de 19 anos “roubando” nos treinos. Não realizando todas as sessões, em vez de três séries de dez, não conseguiam fazer duas de cinco. E eu não tinha a vontade mais de cobrá-las, etc.
Amadureci a ideia de parar de jogar. Atuei na Copa do Brasil neste ano, mas por outros motivos, e há oito meses parei de jogar de um modo bom, natural, sem dramas.
Eu me formei em 2004 em Educação Física, antes de começar a ir para a seleção, mas não pretendo seguir nesta área.
Logo que me aposentei, fui convidada para ser coordenadora técnica do Vitória de Santo Antão, e aquilo com que eu me deparava na reta final de carreira como atleta, novamente vi do lado de fora.
O futebol feminino é um ciclo vicioso, um beco sem saída, você entra por uma porta e sai pela mesma. Abri os olhos, compreendi que tinha feito a minha parte, e decidi seguir outro rumo.
Não quero mais trabalhar com o futebol e virei corretora de móveis. Dou aula de futebol em uma escolinha, mas algo bem light, longe do alto rendimento, para atender o pedido de um amigo que segue na luta em prol da modalidade. Assumi essas aulas matutinas, mas com um envolvimento bem menor.
Universidade do Futebol – Recentemente, alguns jogadores do futebol masculino lançaram o Bom Senso F.C., um movimento que reivindica algumas mudanças na estrutura da modalidade. O que você pensa sobre isso?
Aline Pellegrino – Vejo que é uma ideia que eu tentei trazer à tona ao futebol feminino há alguns anos. Desejo boa sorte. Eles têm voz para isso, estão fazendo barulho, sei que no Brasil é complicado colocar a mão na “caixa de abelha”, há um sistema difícil de ingressar, mas torço. Apenas espero que se tenha “bom senso” de lembrar das mulheres. Eu, particularmente, não tenho mais como lutar por isso.

Comentários

Profile photo of BeneLima1BeneLima1 disse:
Sempre achei que Aline Pellegrino poderia e deveria dar contribuição maior ao futebol. E ela assim o fez e faz. Depois de fazê-lo como atleta, agora como gestora.
Aline esteve presente conosco em Fortaleza em 2009, num grande evento que aqui fizemos, o I Seminário da modalidade realizado no Estado do Ceará, no Teatro da Faculdade Marista, com 300 lugares, dos quais 176 ocupados no primeiro dia.
Ela deixou uma mensagem excepcional para as meninas – além do exemplo de presteza e simpatia – de que sonho e realidade podem e devem conviver harmonicamente como ideal a ser perseguido, através de uma combinação de ambos. Evidentemente que isso passa pelo estímulo à preparação das meninas não só para a obtenção do sonho quando possível, bem como para as suas preparações para a realidade fora do futebol.
Aline, como nós, dá contribuição ao futebol feminino como gestora, exercendo de há pouco cargo congênere ao que desempenhamos há alguns anos na Federação Cearense de Futebol, ela na Paulista. Torço muito pelo sucesso dela, já que conhecimento e competência não lhe faltam.
Teríamos até algumas ideias a trocar, visto que o futebol feminino no Estado do Ceará tem dado passos largos rumo a novos e melhores tempos.
Saudações,
Benê Lima.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Decisão inédita no futebol feminino sinaliza para novos tempos

Cearense Feminino
MENINA OLÍMPICA X FORTALEZA
 

O confronto final da primeira fase do Cearense Feminino acontece neste final de semana, no estádio Moraisão, em Maranguape, a partir das 15h30.
O público poderá ter acesso às dependências daquela praça esportiva de maneira restrita, sem cobrança de ingressos.
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Preparativos
A duas equipes terão pouco tempo para uma preparação especial, mas ainda assim terão atividades preparatórias para a partida decisiva deste domingo (16).

 Menina Olímpica
O grupo de jogadoras teve folga na quinta, 13, retomando as atividades na tarde desta sexta, 14, com um treinamento coletivo com bola, na Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará, No sábado, 15, haverá um descanso orientado. No domingo haverá a apresentação no local do jogo duas horas antes da partida. "A ideia é não alterar substancialmente a rotina da equipe, afirmou o coordenador Chagas Ferreira.

Fortaleza
Já a equipe tricolor decidiu adotar uma rotina mais rígida. Um regenerativo na quinta, 13, seguido de um técnico-estático. Nesta sexta, 14, haverá o treino de apronto, enquanto no sábado será ministrado um mix, com treinamento tático e técnico. A equipe está muito concentrada na decisão da primeira fase do certame.

Opiniões
Estas se dividem. A ascensão das duas duas equipes foi extraordinária no decorrer da primeira fase. O maior número de reforços aconteceu no time Menina Olímpica, que a cada rodada fazia estreias. Tanto que hoje possui o maior elenco. Some-se a isso as vantagens das opções técnicas e táticas com as quais seu treinador Luciano Martins poderá contar.
O Fortaleza, treinado por Élcio Dantas, além de reforços pontuais, mostra-se um time que melhorou seu nível de coesão, além de possuir atletas rápidas em seu ataque e meio-campo ofensivo. Assim como a equipe adversária, as leoninas também demonstram um bom condicionamento físico, condição que assegura 80 minutos de muita disputa.

(Texto e arte: Benê Lima / Fotos: Kely Pereira)

quinta-feira, agosto 11, 2016

Cearense Feminino terá 11 equipes, entre elas 'times de camisa'

Conselho Técnico preserva a democracia e a transparência e agrada às equipes
Foto: Pedro Chaves
O Conselho Técnico do Cearense Feminino da atual temporada aconteceu na tarde desta quinta, 11, no auditório do TJDF-CE, com a presença de representantes das equipes, do Vice-Presidente da FCF, Eudes Bringel, do Gerente de Competições, Júlio Manso, e do Gerente de Futebol Feminino, Benê Lima, além do Vice-Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino, Sérgio Ricardo, parceira da FCF.
A Diretoria de Competições da FCF sugeriu que fosse adotada a fórmula de disputa do ano passado. Desse modo, teríamos 11 equipes disputando a primeira fase, dispostas em dois grupos, sendo que um deles teria 6 equipes e outro com 5 equipes.
Nesta fase primeira, as três melhores classificadas do grupo de seis equipes se juntariam aos dois melhores do grupo de cinco equipes, além do terceiro melhor classificado, perfazendo um total de seis equipes que seguiriam na competição na fase seguinte – a segunda fase.
A terceira fase da competição abrigaria as quatro equipes de melhor índice técnico da segunda fase, que fariam as semifinais, em confronto único, daí saindo as duas equipes finalistas.
As equipes foram dispostas em dois grupos, sendo que duas delas foram cabeças de chave, pela posição que ocupam no ranking da modalidade. Desse modo, o Caucaia foi sorteado para estar no Grupo A, enquanto o Juventus ocupou o Grupo B. Paracuru, o terceiro ranqueado, também foi agrupado no Grupo A, e os demais participantes foram agrupados também pelo critério de sorteio. 
Os grupos ficaram assim dispostos, de acordo com a ordem do sorteio:
Grupo A:  Caucaia, Paracuru, São Gonçalo, AC Quixeramobim e Acesca.
Grupo B: Juventus, Fortaleza, MVN, Ceará, Ferroviário e Menina Olímpica.  
Vale ressaltar que a decisão da equipe que folga na primeira rodada do Grupo A e na última rodada do mesmo grupo, também se deu pelo critério de sorteio, o que caracterizou o não favorecimento a quem quer que fosse. Portanto, o Caucaia folgará na primeira rodada, enquanto a Acesca terá folga na última rodada da fase inicial.
Pendência
Por sugestão do Gerente da modalidade, Benê Lima, a redução da idade mínima das atletas de 16 para 15 anos será apreciada pelo Departamento Jurídico da FCF. A propositura, de acordo com a argumentação do gerente, “é para possibilitar às equipes recrutarem um maior número de atletas, desse modo minimizando a possibilidade de WOs, além de promover a renovação e aclimatação das meninas ao clima de competitividade desde cedo”, finalizou.
Foto: Pedro Chaves

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quinta-feira, julho 14, 2016

A DEMAGOGIA POLÍTICA NO FUTEBOL FEMININO ÀS VÉSPERAS DE MAIS UMA BATALHA OLÍMPICA

Seleção em treinamento (Divulgação) 
O Brasil já conhece o seu grupo de jogadoras para mais uma missão em busca da tão sonhada medalha de ouro. Seleção convocada, nos irmanamos a todos os brasileiros que em verde e amarelo, estarão torcendo pelas nossas meninas. 
A discordância quanto aos critérios de convocação, programação de amistosos e modelo de gestão ficam em segundo plano, quando a nossa equipe entra nos gramados. Mas num ponto sensível, não podemos nos abster. Utilizar a DEMAGOGIA política para reescrever a história e ludibriar quem não acompanha o cotidiano da modalidade, não pode passar em branco.  
Quando a Seleção permanente foi criada, foram inúmeras as matérias destacando o objetivo de manter as nossas principais estrelas no Brasil, com boas condições de trabalho e salários de nove mil reais mensais. As nossas principais equipes foram desfalcadas, e lá partiram as atletas para o Rio de Janeiro. Com o passar dos meses, as atletas foram, sem muito alarde, se transferindo para o exterior, e jovens jogadoras eram integradas a tal equipe permanente. 
Na reta final de preparação, o Brasil descobriu que o grupo que vai as Olimpíadas atua em sua imensa maioria no exterior. Das 18 convocadas, 13 jogam espalhadas por Estados Unidos, Europa e Ásia. Apenas cinco atletas, estavam integradas com a equipe permanente financiada pela CBF. Ou seja, após milhões de reais gastos, a nossa Seleção chegará ao Rio na mesma condição de adversários que não possuíram uma equipe que se pretendeu e divulgou permanente. A craque Marta, como exemplo, não foi liberada pelo seu clube e ainda não treina com a nossa Seleção, enquanto a Austrália já está completa em Fortaleza, se preparando para os jogos no Rio. 
Para justificar o caso, bradaram no anúncio da lista que antes da Seleção permanente as atletas brasileiras não tinha mercado no exterior, e que esta seria uma conquista atual. 
Nas Olimpíadas de 2008, por exemplo, 8 das atletas convocadas estavam atuando no exterior, e sete das 10 remanescentes já tinham tido experiências ou convites de fora do País. E com garra e talento, repetindo os Jogos de Atlanta, conquistamos uma brilhante medalha de prata. Hora então de encarar a realidade, de que mais uma vez vamos aos Jogos com uma preparação inferior a de alguns dos nossos adversários, e de que será o talento, garra e comprometimento das nossas mulheres que buscará aparar as mazelas dentro dos gramados, em busca da tão sonhada medalha. 
Temos que destacar que nunca antes a CBF proporcionou tantos recursos para a nossa Seleção Feminina, e que cabe aos gestores do departamento a responsabilidade pela forma da aplicação destes investimento, que certamente poderemos discutir entre aplausos, caso as nossas meninas se superem, ou em fortes e embasadas cobranças, após as Olimpíadas.  
Dia 23, finalmente veremos em Fortaleza a nossa equipe completa, e o torcedor Cearense poderá com seu calor e entusiasmo repetir o que os pernambucanos fizeram pela Seleção masculina de 94, e carregar de amor e entusiasmo as baterias da nossa Seleção, rumo a tão sonhada medalha. 
Parabéns ao Presidente Mauro Carmelio Junior, ao Benê Lima, e a todos os desportistas que estão empenhados em lotar o Estádio Presidente Vargas. 
Encerro com uma dica para quem hoje se diz gestor da modalidade, de que o mesmo respeito dedicado à geração de prata que consolidou o Voleibol Masculino do Brasil, é devido às nossas guerreiras de Atenas e Pequim. Que a Juliana Cabral, ao lado de outras pioneiras como a Leda Elataf Treinamento, Tania Maranhao Silva Ribeiro, Roseli de Belo e a Marisa Pires continuem opinando, cobrando e lutando pelas novas gerações, e que a demagogia política retorne em breve para aqueles que apreciam a arte dos legisladores, nas Câmaras de Vereadores ou Assembleias do País.
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Romeu Castro, por 
Vice-Presidente na empresa Federacao de Futebol de Mato Grosso do Sul, trabalhou como Diretor de Futebol Profissional na empresa Ministério do Esporte, trabalhou como Presidente na empresa MS SAAD Esporte Clube, trabalhou como Diretor de relações internacionais na empresa Sport Promotion Marketing Esportivo, estudou Ciências aplicadas na instituição de ensino National American University, Rapid City, SD, estudou Jornalismo na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas, estudou Educação física na instituição de ensino Pontifícia Universidade Católica de Campinas  

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