Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
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quarta-feira, janeiro 22, 2020

Estaduais devem ter novo itinerário para sobreviver

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Estaduais - Divulgação

Por: Benê Lima


Quando os autores das teses do fim dos estaduais tomam estes por torneios regionais, já demonstram que não estão devidamente sintonizados com o papel que lhes cabe. Os estaduais possuem DNA na cultura estadual, razão pela qual devem expressar muito do gosto e da vontade da população local.

E para que tal expressão se dê, os estaduais como produto devem contemplar tais gestos, gostos e costumes, senão em seu aspecto intra desportivo, porém em todas as suas manifestações sócio-desportivas e culturais. Portanto, tais competições devem ter em seus entornos a presença dos signos característicos de cada localidade. Não só a geografia do ente estado deve ser valorizada, mas também as de cada município ali representados, bem como algumas de suas peculiaridades.

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Estadual - Divulgação


Tal implemento deve privilegiar, com certa efusão, um evento de lançamento da competição, evento esse que vise a integrar e dar visibilidade a todos os segmentos que a compõem. Atrativos devem ser criados, numa relação de paralelismo com a competição, a fim de manter o atrativo da mesma em todas as suas etapas. Estes instrumentos de interação dos desportistas e do público em geral, extrinsecamente devem ser acompanhados de brindes típicos e premiações. A competição, intrinsecamente, deve destacar, entre outros, os melhores de cada rodada, desde os protagonistas, como jogadores e treinadores, até coadjuvantes importantes como árbitros e assistentes. Além disso, a cada ano a competição deve levantar uma (ou mais) bandeira(s) social(ais), que deverão acompanhar pari passu as suas etapas. Mas não fica só nisso. Mais sugestões podem ser acrescidas, como por exemplo, a criação de uma mascote para cada competição, com réplicas que poderão ser adquiridas como souvenir.

Em se tratando do estado do Ceará, os representantes de cada município, especialmente os do interior do estado, devem estabelecer uma relação mais representativa de suas localidades, tanto como forma de sensibilizar a administração pública para o engajamento na competição em algum nível, quanto de motivar os desportistas locais a terem maior participação nos estádios. É evidente que para isso algumas medidas estimuladoras precisam ser tomadas, tais como a facilitação de crianças e mulheres nas praças esportivas, desde o subsídio até a gratuidade, condicionada à presença de um bilhete pagador para cada grupo de pessoas, estes limitados a certo número de pessoas e a parentesco em grau maior.

Caucaia x Barbalha ficaram no empate — Foto: Diogo Fonteles/Caucaia EC
Caucaia x Barbalha — Foto: Diogo Fonteles/Caucaia EC

Outra medida providencial me parece a criação de programas oriundos do poder público, que possibilitem o acesso gratuito de estudantes das escolas públicas às praças esportivas, acompanhados de monitoramento, e sob o critério de aproveitamento da capacidade ociosa dos nossos estádios. Tal medida ainda ajudaria na formação do torcedor do futuro, visando a estimular um comportamento adequado, além de formar o hábito da frequência aos estádios.

À mídia, caberia entender a importância de todos esses pormenores, aceitando-os e na medida do possível anunciando-os, ora sob a ótica de alguma compensação financeira, ora como mero incremento ao próprio produto que ela divulga e vende para si.

Tais ideias servem apenas para prefaciar um evento que se prestará a um brainstorming (tempestade de ideias) de baixíssimo custo para nossa entidade de administração do futebol, a FCF, e cuja demanda, em se tratando de tempo, não ultrapassará a meio-dia, em razão da especificidade do tema.


"Como tenho dito ao futebol feminino, que primeiro nos apresentemos como um bom produto, um bom produto conceitual e comercial, para só depois apelarmos ao mercado em busca de apoio e patrocínio."
"O marketing pode até despertar como o faz o desejo de consumir, mas é necessário que tenhamos um produto que preencha as expectativas do consumidor. Não há nada de miraculoso que possa transformar um mau produto num bom produto."

Como digo mãos à obra, a fim de que se coloquem mentes à obra.

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quarta-feira, julho 17, 2019

Ex-técnico da seleção feminina assume cargo no governo e quer massificação

Demétrio Vecchioli / UOL

Kleiton Lima (Monique Damasio/ Ministério da Cidadania)

Técnico da seleção brasileira feminina de futebol entre 2008 e 2012, Kleiton Lima agora tem um novo desafio: massificar a modalidade. Velho conhecido dos dois principais nomes da pasta que cuida do futebol no governo federal (Dagoberto Fernando dos Santos e Ronaldo Lima dos Santos), ele foi nomeado assessor especial, tendo como principal função olhar para as mulheres. 

"O futebol feminino precisa de uma massificação maior. Isso abrange você ter futebol feminino nas escolas, nas escolinhas, nos clubes de futebol e também nos clubes sociais. Que a gente possa ver menina jogando na praia, na escola, na rua, de uma forma natural. A menina que joga bola sofre preconceito. Essa barreira caiu, ou, se não caiu, agora está caindo. Tem mais respeito pela menina que joga futebol. O povo brasileiro passou a admirar o futebol feminino", avalia Kleiton.

Ele trabalhou durante 15 anos no Santos, 10 especificamente com o futebol feminino. É o idealizador do projeto Sereias da Vila, mais bem sucedido do futebol feminino no país. Foi nessa época que ele conheceu o agora chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Futebol, Dagoberto Fernando dos Santos, que era CEO do clube santista. Já o secretário de Futebol, Ronaldo Lima dos Santos, superior aos dois, era gerente da base do Santos na última passagem de Kleiton pela Vila, como técnico do sub-23, e foi supervisor de futebol feminino da CBF quando Kleiton era o técnico da seleção. 

Como assessor, o ex-treinador não terá a caneta para tomar decisões. Mas é naturalmente dele a responsabilidade de apontar caminhos para o futebol feminino no Brasil. "Essa é uma bandeira que eu sempre levantei. Estou em busca de poder deixar uma pisadura bem forte para que o futebol feminino possa evoluir cada vez mais no país", diz ele, que também tem outras atribuições ligadas ao futebol profissional como um todo.

Há menos de duas semanas em Brasília, Kleiton quer primeiro ouvir todas as partes envolvidas. "Estou tomando ciência do que foi feito nas gestões anteriores para ver qual caminho seguir. Vamos ver o que é pertinente, por que foi desfeito o que foi desfeito, para que a gente possa ter uma direção mais cabível. Estamos buscando alguns debates, ouvir principalmente as atletas, mas também as federações, de uma forma mais dinâmica, não daquele jeito sorrateiro. Queremos saber o que eles pensam, ter a CBF junto nesse processo também."

Com experiência também no futebol dos Estados Unidos, o treinador ressalta que não tem uma "fórmula mágica" para explicar que não adianta tentar copiar o modelo norte-americano de massificação na base e desenvolvimento universitário.

"A gente tem uma cultura própria. Aqui o futebol é patrimônio cultural. Temos que ver o que fazem os Estados Unidos, mas também temos que ver o está sendo feito na Espanha, na Holanda, que estão em desenvolvimento franco, mesmo a França, e trazer o que eles têm. Mas não pegar uma fórmula específica e adotar no nosso país, que tem cultura própria."

Desde 2011, o governo federal tem papel preponderante no desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, em trabalho coordenado pela ex-jogadora da seleção brasileira Michael Jackson, que deixou o cargo em outubro de 2016. Entre 2011 e 2016, o Ministério do Esporte bancou a realização de três edições da Copa Libertadores, criou um grupo de trabalho para discutir soluções e buscar melhorias para o futebol feminino e organizou campeonatos escolares sub-17 e uma Copa Brasil Universitária, que demandaram mais de R$ 2 milhões por ano.   

Mas a ação mais marcante foi convencer a Caixa Econômica Federal a patrocinar, com R$ 10 milhões ao ano, o Campeonato Brasileiro, criado e 2013 graças a esse apoio. O patrocínio, porém, não foi renovado no ano passado.  

"O governo federal não é o único que pode assumir situação de profissionalização da modalidade. São parcerias. A gente vai buscar alternativas acessíveis. Tem que ter uma parceria com confederação, federações, clubes, parceiros privadas. Tudo isso em busca de um único resultado. Isso requer muita conversa, muito conhecimento. A gente está e busca dessa fórmula", ressalta Kleiton. "A gente vai criar alternativas. Primeiro precisa ter um projeto, ouvir quais são as dificuldades, o que pode ser feito."

O ex-treinador da seleção brasileira acredita que contará com o apoio do presidente Jair Bolsonaro nessa iniciativa. "Tudo que for pertinente para um crescimento do esporte em geral, independente da modalidade, passa na cabeça dele em avalizar. Isso eu não tenho dúvidas. Tudo que for pertinente do ponto de vista social, esportivo, cultural, vai ter um empenho considerável dessa gestão, independente da modalidade. Isso tudo engrandece e enriquece a cultura desse país."   

quinta-feira, julho 11, 2019

EXCERTOS SOBRE O FUTEBOL FEMININO


Por Benê Lima

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O primeiro time feminino da história / Divulgação
Uma visão filosófica mais geral

Creio que quaisquer análises dessa modalidade, perpassam pelo esforço de cada um de nós em lançarmos mão das visões sociológica, antropológica e até mesmo ontológica que influencia o ser humano. Ademais, também não podemos desprezar o aspecto moral e cultural da sociedade brasileira, posto que eles consubstanciam nossos usos e costumes, sendo, como tal, elementos retro alimentadores para a manutenção do status quo vigente.

Esse estado é algo imanente à condição de desigualdade histórica do tratamento dispensado a homens e mulheres, o que torna compreensível, embora não mais aceitável, as diferenças entre aqueles e estas. Portanto, não me parece que seja o futebol ou mesmo que dele derive a origem dessas diferenças. Não por acaso, tenho dito que essa situação da mulher no futebol feminino deve inspirar-se na busca da superação de um atavismo que tem muito de renitência, o que dificulta sua extirpação. Daí, temos no Brasil um quadro em que a conquista do futebol feminino pode ser traduzida pela luta da igualdade de gênero, pelo esforço da mulher por sua emancipação, e por fim, pela busca épica, embora incessante e gradativa, de uma pretensa e legítima condição de igualdade. Mas aqui cabe uma observação importante e para a qual chamamos a atenção, ao introduzirmos a igualdade preconizada na filosofia do direito de certo pensador, que preconizava ‘dá-se aos desiguais com desigualdade, na proporção em que se desigualem’. O mais, segundo ele, seria desvario da inveja ou mesmo da própria loucura.

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CBF e seu Comitê de Reformas / Divulgação

CBF e investimentos

É interessante relembrar que ao inaugurar o Comitê de Reformas, a CBF deu-nos a oportunidade, por nós desperdiçada, de promovermos uma revolução em sua estrutura, a partir de uma retumbante reforma em seu estatuto. Aquelas 66 páginas poderiam expressar muito do que gostaríamos de ver, como resultante do esforço das nossas entidades de administração e de prática desportiva, no sentido de um balizamento da gestão daquela entidade-mater. Nossa experiência na lida e cogestão do Conselho do Desporto do Estado do Ceará consubstanciava nossa crença não só nessa possibilidade, como também na maior legitimação das decisões da Confederação Brasileira de Futebol. 

Com a frustração dos efeitos positivos do tal Comitê, embora o futebol feminino tenha obtido destaque pelo mérito de sua extraordinária mobilização, tivemos mais do mesmo, e a modalidade só não ficou na mesma pelas iniciativas da FIFA, que ainda assim, por razões de natureza ética e legal, reteve o repasse da verba oriunda do legado da Copa do Mundo de futebol masculino de 2014, destinada ao futebol feminino, só liberando os recursos a posteriori, mediante condições de lisura exigidas pela entidade maior do futebol mundial.

A CBF me parece não uma empresa única, mas um conglomerado de departamentos empresariais estanques. Isso não deve ser encarado como um equívoco de sua administração, mas como característica e estilo da administração da entidade. Ao que nos consta, o departamento de maior superávit é o que trata da Seleção Principal de Futebol Masculino. E para quem tem uma noção da filosofia da entidade, sabe-se que as boas ideias não são devidamente valorizadas se não forem acompanhadas da solução financeira.

Na verdade, só nos resta torcermos para que o atual ciclo histórico da CBF contemple uma nova discussão quanto à utilização de seus superávits. Afinal, a história tem mais trens do que pode nos parecer.

 Outro fator ligado à CBF ao qual frequentemente se direcionam críticas é o que respeita ao fomento do futebol feminino. Sobre essa questão, conversamos com o diretor de competições da entidade, Manoel Flores, através de entrevista que ele concedeu à FCFTV, quando na ocasião sugerimos que fosse instaurado um regime de intercooperação entre o ente público federal (governo) e a CBF, a fim de que pudéssemos engendrar uma política de desenvolvimento para a modalidade (futebol feminino). Flores se mostrou receptivo à ideia, revelando inclusive que esse diálogo seria interessante.

A ideia da intercooperação era, além de dividir responsabilidades pelo ideário das políticas de fomento, teríamos ainda uma divisão dos custos dessas políticas. Ademais, a criação desse diálogo entre o ente público e o privado, certamente se constituiria num elemento de sensibilização da FIFA, situação que poderia render dividendos para a modalidade em nosso país.

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CBF Social em Fortaleza - Ceará / Divulgação

Modelo de desenvolvimento “made in Brasil

Quaisquer modelos de desenvolvimento pensado para o futebol feminino, não pode descurar de dois aspectos básicos. O primeiro deles é o esportivo, com todas as suas implicações, complexidades e dificuldades. O outro é o modelo de desenvolvimento e fomento a esse desenvolvimento, sem o quê será improvável dar-se exequibilidade a quaisquer projetos.

Neste ponto, vale uma reflexão quanto à gênese de inspiração do modelo desenvolvimentista, evitando-se as corruptelas das ‘copyrights’ ou cópias ‘ipsis litteris’ de modelos como o norte-americano e francês, que não guardam uma relação factual de viabilidade com a realidade brasileira.  Distamos do modelo estadunidense pela desestrutura do estado brasileiro, que promove as carências de nossas escolas públicas e universidades. Já quanto ao modelo francês, com o qual temos maior identificação, ainda assim é-nos impossível constituirmos mil núcleos subsidiados para a modalidade, a partir do sub-8. Portanto, cabe-nos o desafio de pensarmos um modelo meio que híbrido de desenvolvimento, iniciando-se o apoio aos principais núcleos de futebol feminino em diferentes regiões do território nacional. Esses núcleos teriam que ser identificados, mapeados, mais qualificados e por fim credenciados, com o objetivo de, como núcleos formadores e fomentadores da modalidade, pudessem receber os bônus do apoio público-privado, sendo periodicamente fiscalizados e avaliados, nos moldes da certificação dos clubes formadores. Desse modo, cumprir-se-ia a premissa de que “seleção não é lugar de formação”, devendo tal processo se dar no âmbito das entidades de prática desportiva, tais como times em geral, associações e projetos sócio-desportivos.

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Seleção Feminina Principal / Divulgação

Um modelo de gestão, coordenação e comando técnico harmônicos

O futebol feminino é um negócio, um mega negócio, e como tal não lhe cabem digressões misóginas ou sexistas. Logo, a seleção de seus dirigentes não precisa estar apoiada em reserva de mercado ou questão de gênero. Há que se terem critérios e a meritocracia deve nortear as escolhas e indicações de nomes. O modelo de gestão deve ser evidentemente de responsabilidade da CBF, enquanto que a coordenação da modalidade deve ser exercida por um dirigente que saiba estabelecer o necessário link entre o comando da entidade e os executores de suas políticas, em todos os níveis que se possa conceber. Essa coordenação também promoverá a integração das políticas gerais de desenvolvimento da modalidade, bem como estabelecerá um diálogo constante entre as diferentes categorias da formação e base, observando ainda a hierarquização necessária de todos os processos, em que a Seleção Principal será o desaguadouro. Todavia, a adequação do Calendário de Competições ao projeto desenvolvimentista far-se-á também necessária, sob pena de termos tal processo de desenvolvimento atrofiado.

Buscar-se-á a compatibilidade na execução das políticas, desse modo evitando-se as desarmonias departamentais. Um exemplo clássico disso é fazer-se com que o comando técnico da Seleção Principal esteja consensualmente harmonizado com o que se pretende levar a efeito como ações. Um treinador ou treinadora não poderá jamais discrepar das matrizes conceituais do projeto, tampouco tentar interferir na execução de quaisquer das políticas, sejam esportivas ou de gestão.

A discussão encontra-se em aberto, e as contribuições serão sempre bem-vindas.

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*Benê Lima é Cronista Esportivo, Gestor Esportivo, Ex-Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Ex-Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino, Ex-Coordenador de Futebol Feminino da Federação Cearense de Futebol, Membro do Instituto UNIFUT (Unidos Pelo Futebol)

quinta-feira, outubro 19, 2017

Brasileirão 2017 tem R$ 63,7 milhões em prêmios

CLUBES RECOMPENSADOS: DO CAMPEÃO AO 16º COLOCADO

Os 16 clubes que permanecerem na Série A após o fim do Brasileirão 2017 serão premiados. A CBF informa que, do campeão ao 16º colocado, haverá recompensa financeira pelo desempenho. O valor será escalonado, de acordo com a posição na tabela.
Quem levantar a taça conquistará também o maior prêmio em cifras: R$ 18.069.300,00. O vice-campeão reforçará os cofres com R$ 11.373.030,00 e o terceiro colocado levará R$ 7.759.170,00. A tabela completa vai até a posição 16 da classificação. Apenas os clubes da zona de descenso à Série B não estão incluídos. Confira todos os valores:
(Fonte: CBF)



sábado, agosto 26, 2017

Vamos propor um Novo Calendário para o futebol brasileiro?


PESSOAL, QUE TAL ENCAMPARMOS ESSA CAMPANHA?

Não temos nada contra quem quer seja e não se trata de meramente fomentarmos uma ideologia de oposição. Não!

O que pretendemos é motivar um grande debate em torno de um Calendário Para o Futebol Brasileiro, que gere oportunidades para a maior quantidade de clubes possível.

Isso sem dúvida se reverterá em novos postos de trabalho para diferentes segmentos, além de criar uma situação mais justa e democrática no meio esportivo, com repercussões positivas estruturais para o futebol, clubes, atletas e demais profissionais, incluindo-se aí a imprensa e a crônica esportiva de modo geral.

Certamente também estarão criadas as precondições para o aumento dos nossos talentos, tantos os que se sobressaem mais precocemente quanto os que só vicejam mais adiante. Por extensão, novos nichos de mercado serão criados e o crescimento dos "pés-de-obra" tenderá a crescer.

Vamos discutir seriamente pois, colaborando de forma a mais propositiva para a construção de um Calendário que contemple ao menos grande parte da nossa diversidade e das nossas carências.

Sabemos que a tarefa de dar aos desiguais com desigualdade não é fácil, mas é essa visão realista de uma justiça distributiva que nos anima. E é em meio a essa ambiência que queremos ajudar a construir um Brasil menos elitista e excludente, ao priorizarmos uma visão de Calendário mais sócio-desportiva e inclusiva, para a melhoria da nossa comunidade futebolística.

⚽ ⚽⚽      ⚽

(Benê Lima, Cronista Esportivo, Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará, Rosacruz e Humanista)



ASSINEM E POSTEM COMENTÁRIO NO LINK ABAIXO
➤https://calendariojusto.com.br/ 

quarta-feira, julho 13, 2016

Unifut realiza posse da diretoria na sede da FCF

Na tarde da última terça-feira (12), a Federação Cearense de Futebol sediou a posse da Diretoria do Instituto Unidos pelo Futebol (Unifut).

O Instituto é presidido por Joaquim Alves e nomeu o mandatário da FCF, Mauro Carmélio, como Presidente de Honra. O grupo conta com 17 vice-presidências e realizará reuniões com a FCF no intuito de sugerir melhorias e avanços no futebol cearense.


O Diretor de Patrimônio e Administração de Estádio, Josimar de Carvalho, foi nomeado pela Presidência da FCF como representante da Entidade junto ao Unifut.

Assessoria de Comunicação da Federação Cearense de Futebol
imprensa@futebolcearense.com.br   
Membros da Diretoria Executiva do UNIFUT
O Presidente Kim Alves (à esquerda) e o Vice-Presidente Jurídico, Dennis Luiz
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segunda-feira, julho 11, 2016

Ex-capitã da seleção brasileira chefiará novo departamento feminino da FPF

Foto: Rodrigo Corsi/FPF
 
A Federação Paulista de Futebol anuncia a criação de seu Departamento de Futebol Feminino. Para comandar a área, foi contratada a ex-capitã da seleção brasileira Aline Pellegrino. 
“É um dever da FPF olhar com atenção para o futebol feminino, assim como já fazemos com o masculino. A chegada da Aline Pellegrino colocará o esporte em outro patamar. Nossa intenção é contribuir para o fomento da modalidade e ampliar o diálogo com os clubes sobre as necessidades do futebol feminino. Queremos dar uma nova cara ao esporte, e nada melhor que uma profissional que já atuou como jogadora, técnica e dirigente para dar diretrizes a esse desafio”, afirma o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos. 
Aline integrou a seleção brasileira que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Atenas, em 2004. Também foi campeã do Pan-Americano de 2007, no Rio. Aline atuou como treinadora em 2013, logo após se aposentar dos gramados. Em 2016, assumiu a supervisão do futebol feminino do Corinthians/Audax. 
“Para mim é uma honra ter a chance de contribuir para a melhoria do futebol feminino em São Paulo. Quero, aqui na FPF, entender a realidade de cada clube e suas necessidades para podermos tornar o esporte sustentável, dando calendário para times e atletas. Minha primeira missão é reunir com clubes, atletas e comissões técnicas para estruturar um plano de fomento do futebol feminino”, diz Aline Pellegrino. 
Na FPF, a ex-capitã da seleção brasileira estará ao lado do também ex-capitão da amarelinha, Mauro Silva, vice-presidente de Integração com Atletas da entidade, que já vem realizando visitas aos clubes desde julho de 2015. 
“O futebol feminino precisa de uma atenção especial, e é isso que vamos dar aqui na FPF”, completa Aline.

sábado, abril 25, 2015

Clássico é quando o favoritismo é mais teórico que prático

Desconsiderar pros e contras de um confronto constitui um comodismo inaceitável para quem comenta

Todos querem saber quem é o favorito quando temos um clássico. Pergunta-se, questiona-se, argumenta-se, mas convicção mesmo só quem a tem (embora carente de embasamento) são alguns torcedores mais apaixonados. Chavões como ‘as camisas equilibram o jogo’ e ‘em clássico não há favoritismo’ são sempre lembrados e tirados da caixa de pré-prontos ou do caixote de antiquários, a fim de animarem o repertório inconfiável de argumentos e justificativas.
Se o que dizemos é válido para os maiores confrontos do futebol mundial, também o é quando lançamos nosso foco (que palavra oportunista!) para nosso futebol – o cearense.
O 'in-yang' das equipes
Yin Yang das equipes
Os comentaristas-torcedores são verdadeiros caçadores de argumentos, especialmente de pseudos argumentos ou sofismas. Logo arrumam um punhado deles para justiçar suas pseudo-teses de favoritismo. Assim, ora o Ceará ora o Fortaleza assumem essas posições de favoritismo, com ou sem justificavas ou mesmo meras explicações com um mínimo de consistência e plausibilidade.
Portanto, vamos construir um breve arrazoado, nada científico e nem tanto técnico, como provocação mental para quem tem como negar ao torcedor imanente um pequeno fôlego de não passionalidade.
Proporei a mim algumas perguntas e questionamentos que, à medida que forem respondidos, exporão nossa análise sobre as duas equipes que estarão em confronto neste e no outro final de semana.
Ø Pré-condições do confronto

Fortaleza
Teve 10 de dias de preparação, com direito a um programa de treinamento que deveria ser adequado e conter características voltadas para a feição de jogo decisivo contra um adversário conhecido. Se o trabalho foi realizado de forma adequada tem, portanto, uma ligeira vantagem preparatória. (De 0 a 100 pontos, 95 pontos)
Ceará
Serviu-se dos confrontos anteriores entre ambos para fazer seu planejamento para a partida deste domingo. Seu plano de jogo é muito mais prospectivo, sendo por isso mais teórico que prático e mais reativo que proativo. Também constitui uma leve desvantagem a diminuição do foco da equipe pelo fato de estar disputando as finais da Copa do Nordeste. Em contrapartida, está em ritmo de jogo altamente competitivo. (De 0 a 100 pontos, 85 pontos)
ü Avaliação das potencialidades das equipes e elencos

Fortaleza
Possui um elenco que em número nada fica a dever ao do adversário. Porém, do prisma técnico se iguala em algumas posições, mas se vê inferiorizado em outras. O balanço técnico do grupo é ligeiramente favorável ao adversário. No aspecto físico não dispomos de informações suficientes para destacarmos um ou outro time. Todavia, o número de jogadores sem estarem no melhor de suas formas físicas é maior que o do Ceará. As opções de banco também são ligeiramente inferior, tanto no aspecto técnico quanto no potencial de alteração do repertório tático. (De 0 a 100 pontos, 70 pontos)


Ceará
O elenco à disposição é rigorosamente em menor número que o do adversário. Entretanto, não perdeu titulares de fato para esse primeiro confronto. Em circunstâncias normais, o zagueiro Sandro e o atacante William não são titulares e o meia Wescley disputa uma vaga no meio de campo. Portanto, não podem ser considerados propriamente desfalques. Já pelo adversário,  Lima e Vinicius Hess seriam titulares e importantes no esquema do treinador Marcelo Chamusca, mas estarão ausentes. (De 0 a 100 pontos, 90 pontos)
ü Características gerais e nuances das equipes

Fortaleza
Em jogos que não seja contra o Ceará, o Fortaleza costuma propor jogo desde os minutos iniciais, tendo esta fase uma duração de até 15 minutos. Nesse tempo a equipe demonstra maior movimentação, transições com maior povoamento e compactação, uma melhor distribuição da geometria de seu jogo e maior intensidade. A partir daí, em tendo um adversário qualificado, divide com ele em proporção parecida as iniciativas do jogo. Na fase final da partida costuma ter um jogo mais pautado no individualismo que no aspecto coletivo. Nesse período crucial da partida costuma enfrentar dificuldades no tocante a marcação, em parte pelo esgotamento de seus principais jogadores. Cede espaços em sua organização defensiva e fica mais suscetível aos contragolpes. A alternância entre Auremir e Pio tem sido prejudicial à equipe. Auremir é mais marcador que Pio, e este não vive um bom momento, sobrecarregando Correa. (De 0 a 100 pontos, 85 pontos)
Ceará
As dificuldades da equipe costumam ser mais contingenciais. Há demonstrado maior equilíbrio que seu adversário nas suas três linhas: defesa, meio-campo e ataque. Magno Alves toma conta dos dois zagueiros adversários e Assisinho e Marinho marcam as subidas dos laterais. Quem funciona como meias marcam os volantes adversários e os volantes vigiam os meias rivais. Com Samuel Xavier e Fernandinho, os zagueiros passam a ter uma proteção adicional, sobretudo com Fernandinho que tem mostrado uma nova e positiva faceta como marcador. O goleiro Luis Carlos se equipara a Deola, tendo a seu favor ser mais constante e vívido (ligado). Ao Ceará há um desafio específico deste jogo para ser vencido: a focalização. O foco do Fortaleza em tese é um pouco maior. (De 0 a 100 pontos, 90 pontos)
ü Pontuação geral avaliativa (meramente teórica)

ü Fortaleza: 250 pontos em 300 possíveis

ü Ceará: 265 pontos em 300 possíveis

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quinta-feira, abril 09, 2015

Em defesa do futebol carioca e brasileiro

 

Diante dos episódios recentes do Campeonato Carioca que dominaram os debates do mundo do futebol, o Bom Senso F.C. manifesta sua solidariedade ao Clube de Regatas Flamengo e ao Fluminense Football Club. As arbitrariedades cometidas não são condizentes com o papel que as Federações deveriam cumprir.

Ao contrário do que alguns divulgam, o Bom Senso não é contrário a existência das Federações. Acreditamos que as Federações estaduais têm, teoricamente, um papel fundamental para o desenvolvimento do futebol brasileiro em suas dimensões educacionais e sociais. Para nós, elas deveriam ser a ramificação pela qual a CBF disseminaria e aperfeiçoaria sua metodologia, ainda inexistente, para o fomento e a democratização do esporte, para o desenvolvimento e capacitação dos profissionais da área técnica e de gestão de todo o futebol brasileiro.

Isso não quer dizer que sua participação na organização das competições de atletas profissionais seja preponderante. Está claro que não é por meio dessas competições que essas entidades cumprem sua função primordial, a social. Não concordamos com o modelo atual dos estaduais, com 19 datas. Esse período representa 25% do ano e gera apenas entre 6 e 15% da arrecadação dos grandes times.

Atualmente o Sr. Eurico Miranda e o Sr. Rubem Lopes, críticos circunstanciais, dizem que o fim dos estaduais representa o desemprego de 3 mil famílias. O Bom Senso afirma há 2 anos que a manutenção desse modelo de calendário resulta, ao final dos estaduais, o desemprego de 15 mil famílias por todo o Brasil. O que eles têm a dizer sobre isso?

Também não concordamos que as Federações tenham tanto poder, com a maioria dos votos no Colégio Eleitoral da CBF. Lutamos por mais democracia na eleição da Presidência da CBF - pedra filosofal para a oxigenação do futebol brasileiro e mola propulsora para que as decisões sejam mais técnicas e menos políticas. Defendemos que as entidades de administração desportiva, regionais ou nacionais, sejam mais democráticas e transparentes, com massiva participação dos clubes e dos atletas nos colegiados e conselhos técnicos.

Reivindicamos e propusemos uma fórmula de calendário que ofereça estabilidade de emprego a todos os profissionais do futebol e previsibilidade das datas dos jogos durante o ano todo, para que se permita aos clubes do interior conquistarem sua autossuficiência.

A média de público dos estaduais brasileiros é mais baixa que a de países como Vietnã, Uzbequistão e Israel. Os clubes e as novas arenas acumulam déficits, ao passo que a arrecadação das federações aumentou 25% de 2012 para 2013. Vemos ainda que 1/3 dos seus presidentes estão há mais de 20 anos no poder.

O objetivo de todas as entidades de administração do futebol brasileiro - além das dimensões sociais e educacionais – deve ser melhorar a visibilidade e competitividade do futebol que administram. Infelizmente, em todas esses aspectos as Federações estaduais fracassaram.

Bom Senso FC,

por um futebol melhor para todos.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

“Não há mágica para resolver a violência entre torcedores”, diz especialista

ALEX SABINO / Folha de S. Paulo

Uma das metáforas mais usadas a respeito do futebol é compará-lo a uma guerra. Marco Aurelio Klein, 64, não vê o assunto desta forma. Primeiro porque é especialista em violência no esporte. Mas também por ser um estudioso da 2ª Guerra Mundial.

Autor de documento inspirado no Relatório Taylor, que praticamente erradicou o fenômeno dos hooligans nos estádios ingleses a partir da década de 1990, ele trabalha atualmente na atualização do texto a pedido do ministro George Hilton (Esporte).

"O meu relatório é de 2006. O ministro ficou impressionado. Estou animado que seja posto em prática", disse.

Em entrevista à Folha, ele chegou a uma conclusão de que a violência no futebol nacional não será resolvida de um dia para o outro. "Não tem mágica", constata.

PÓS-COPA DO MUNDO
O Mundial no Brasil trouxe legado importante: os estádios sem alambrados. Mesmo no clássico entre Corinthians e Palmeiras em que aconteceu aquela confusão toda [tumulto entre palmeirenses e a PM] e com a derrota do time da casa, ninguém invadiu o campo. Alambrado não segura ninguém que quer invadir. Eu já vi torcedor pular alambrado que tinha arame farpado. Outra herança importante é o sistema de monitoramento dos estádios. E este deve ser ostensivo. A sala do monitoramento deve ser visível a todos. As pessoas precisam saber que o Big Brother está ali, presente.

SOLUÇÕES E ERROS
Parece que no Brasil, nessa questão da violência no futebol, há muita tentativa e erro. Cada hora existe uma ideia mágica que vai resolver o problema... Isso não existe. Todas as ideias são com boas intenções, mas não vão resolver. Não existe uma solução da noite para o dia. A solução é longa, difícil e custosa.

ESPÍRITO DE GUERRA
Antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, eu li que a polícia estava preparando uma operação de guerra. Quando vi aquilo, pensei: "acabou". Como operação de guerra? Uma família não vai para um estádio que tem operação de guerra. O vândalo adora. Quando a polícia diz que é operação de guerra, esses vândalos ganham condição de combatentes do Estado Islâmico.

LIÇÕES DO RELATÓRIO TAYLOR
O que inspirou o Relatório Taylor foi [a tragédia de] Hillsborough, em que morreram 96 pessoas na cidade de Sheffield [em 1989]. Não houve briga. Nem tinha torcida organizada. Houve desorganização, despreparo, superlotação. Não existiam protocolos de emergência.
Não esqueço quando tive reunião com os ingleses. Eles disseram que levaram anos para aprender que a questão não era repressão. Era organização. É o grande clássico na final? Depende do histórico. Ponte Preta e Paulista de Jundiaí, por exemplo, é jogo para 4 mil pessoas, mas são torcedores dos mais perigosos da América porque há um histórico de conflito.

PROPOSTAS
É preciso criar protocolos de segurança. Eu sugiro classificar as partidas em três níveis, sendo "A" a de maior risco, "B" a de risco médico e "C" as de pequeno risco. Os ingleses se organizaram criando unidades de polícia para o futebol. A Scotland Yard, que nem arma usa, tem uma unidade de futebol. Não vejo trabalhando na partida o policial que passou a noite anterior atendendo ocorrências, perseguindo ladrões e depois vai para o enfrentamento com um moleque que está disposto a provocá-lo...

CAMPANHA DE PAZ
Não tem o menor fundamento. Não resolve. Só ajuda se vier como parte de um conjunto de ações. No primeiro momento, a resolução dos ingleses foi: nós não precisamos prender o vândalo. Nós precisamos tirá-lo do estádio.
Ele destrói o espetáculo. E eles nunca tiveram torcida organizada, apenas pequenos grupos que envolviam criminalidade, pequenos furtos ou a destruição pelo prazer da destruição. Conseguiram criar uma coisa na legislação que era preciso tirar o cara do estádio. O articulador nem sempre é o sujeito que dá a porrada, que quebra a cadeira. Pode não ser o pensador.

DIÁLOGO
Minha recomendação, como estudioso, é ouvir as pessoas, mesmo que isso implique algum investimento do governo. Não dá é para transformar isso em competição de quem bate mais, se a torcida ou a polícia. O cidadão é que está no meio É preciso combater a pequena violência. O xingamento é origem do conflito. Uma briga sempre começa pela agressão verbal. Os ingleses perceberam que era preciso mudar o comportamento do torcedor. O torcedor comum entra na balada do xingamento. Quando um cara xinga o outro, depois tem quatro, oito, dez fazendo o mesmo. O perdedor do jogo tem uma frustração imensa para descontar em alguém.

Eduardo Knapp/Folhapress

Marco Aurelio Klein, presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, durante palestra
Marco Aurelio Klein, autor de relatório federal sobre violência de torcidas, durante palestra

PERCEPÇÃO
A luta maior não é física, de repressão. É de percepção. As pessoas precisam voltar a ir ao futebol como um momento de lazer. Um momento de muita emoção, mas de lazer. Se o seu time ganhar, seu momento de lazer foi premiado com muita alegria, mas pode ser que não. Quando você vai ao cinema ver uma comédia, sai muito alegre. Vê uma tragédia, sai impressionado. No Brasil, o futebol é o único evento de lazer em que a pessoa sai de casa com sua pior roupa.
Ninguém se arruma para o futebol, vai o mais desleixado possível porque a percepção que temos é que se trata de uma coisa desleixada. Não tem o menor sentido porque é o espetáculo mais glorioso que temos. Olhe os números da Liga dos Campeões da Europa, da Copa do Mundo, do Campeonato Inglês...

REPRESSÃO
É preciso tomar mais cuidado na organização do caminho do metrô para o estádio. Aquela cena da torcida do Corinthians agredindo dois torcedores do São Paulo porque estavam com a camisa do clube é absurda. Não pode acontecer. Aí é punição.
Os ingleses tomaram cuidado, entenderam qual era o trânsito, proibiram bebida dentro do metrô. O cara não podia chegar, quebrar o trem e achar que ia para casa sem problema algum. Vamos pegar o Pacaembu de exemplo. É um estádio bacana. As ruas laterais são escuras. Aquela imagem de escuridão passa a imagem de abandono e da terra de ninguém. É preciso pensar no processo todo.

CUSTO DA POLÍCIA
A Inglaterra vai no caminho inverso ao do Brasil. Eles têm cada vez menos polícia. Sabe por quê? Porque a polícia custa caro lá. Aqui no Brasil é de graça em vários estádios. Ou é muito barato e o organizador do jogo, se acha que tem problema, quer muito mais polícia e cria muito mais polícia. Isso não é jeito de fazer um evento.

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RAIO-X
MARCO AURÉLIO KLEIN

IDADE
64

CARGO
Autor do relatório final da Comissão Paz no Esporte e secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

CARREIRA
Professor da FGV (2001 a 2009), responsável por futebol no Ministério do Esporte (2004 a 2007), diretor da Federação Paulista de Futebol (1993 a 1994 e 2008 a 2009), diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte (2009 a 2012) e autor de três livros sobre o futebol brasileiro

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RELATÓRIO TAYLOR TRANSFORMOU FUTEBOL INGLÊS

Apontado por Marco Aurelio Klein como modelo de inspiração no combate à violência nos estádios, o Relatório Taylor revolucionou o futebol da Inglaterra e abriu espaço para que sua liga nacional se tornasse a número um do planeta.

O estudo foi realizado e adotado no país a partir do começo dos anos 1990, como resposta à tragédia de Hillsborough, ocorrida em 1989, quando 96 torcedores morreram pisoteados e esmagados contra grades de proteção devido ao excesso de público na partida entre Liverpool e Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra.

Entre as medidas adotadas. que ajudaram conter os hooligans, protagonistas de algumas das maiores confusões no futebol europeu durante a década de 1980, estavam o treinamento de uma polícia especializada, a obrigatoriedade de assentos para todos os pagantes (o que pôs fim à tradição de se torcer em pé) e o fim das grades de proteção para os gramados de futebol.

O relatório também sugeriu a criação de leis específicas para crimes e contravenções praticadas por grupos de torcedores.

Para se adequar a esse novo cenário, os 27 principais estádios da Inglaterra precisaram ser reconstruídos ou passaram por reformas. 

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sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Formação: O “céu” é o limite

O futebol como instrumento de cidadania e pacificação social

 

POR BENÊ LIMA

 

Visão geral do CT da Tijuca Alimentos

 

 

Numa sociedade em que os diversos tipos de violência se fazem cada vez mais presentes, é preciso que descubramos um antídoto para tantos conflitos nas inter-relações, aos quais os vemos somar-se aos conflitos existenciais já tão presentes nas vidas humanas.

 

Dentro desse contexto de dificuldades inter-relacionais, também assistimos tentativas de construção de uma cultura que transmita valores como cidadania, respeito e boa convivência. E tudo isso através do esporte, utilizando-se o mais popular dentre eles, o futebol, como uma verdadeira plataforma de transformação social.

 

Cada vez que identificamos um desses ‘oásis’ sociais, nosso coração bate mais forte e nosso espírito se enche da mais benfazeja satisfação, pois isso nos leva a vislumbrarmos a imagem de uma sociedade um pouco melhor. Antes, era impensável que o esporte pudesse conter esse poder transformador e que também pudesse criar perspectivas tão alentadoras para as comunidades envolvidas. Outro resultado prático alcançado é de fato certo aspecto de pacificação e acomodação dos conflitos sociais tão presentes nas sociedades modernas dos países em desenvolvimento como o nosso, mas ainda cheio de carências e de gritantes diferenças sociais.

 

Inicialmente com as Organizações Não Governamentais (ONGs), depois com admissão de um Terceiro Setor mais robusto, gradativamente as sociedades foram contrapondo ao encolhimento das funções de um Estado remodelado e mínimo, as entidades que foram surgindo como um poder auxiliar sem poder, mas de onde emerge uma inolvidável vontade política de realização.

 

A presença de mães e de uma representante da empresa Tijuca Alimentos ajudam

nas tarefas administrativas do Projeto. Os produtos arrecadados se prestam para

animarem rifas e bazares para a arrecadação de fundos.

 

 

Meninas da Paz

 

Dentre os projetos sócio-desportivos que vem sendo realizados no âmbito da Tijuca Alimentos, desponta um que resultou da junção de outros dois: Meninas Olímpicas e Guerreiras da Paz. Destes, criou-se o Meninas da Paz, que representa uma série de ações de natureza social, desportiva, assistencial e de cidadania.

 

E para não dizermos que em casa de ferreiro o espeto é de pau, uma das mascotes desse projeto é uma garota de apenas 11 anos, de nome Marina, filha do principal mentor-mecenas do mesmo. Marina já está no Projeto tem mais de um ano, sendo aluna da fase de iniciação, estágio inicial em que se dão os primeiros passos da preparação curricular.

 

Detalhe. Filha e mãe ‘bebem’ do projeto. Refiro-me à senhora Marcela e a sua filha Marina. Esta na condição de atleta, aquela numa condição próxima a manager. “Chamo o projeto de céu, mas isso não é uma sigla”, esclarece Marcela, fazendo alusão a uma condição de ideal a ser alcançado.

 

Marcela ainda ressalta, com indisfarçável orgulho, que as diferenças e rivalidades ficam todas fora do portão de entrada do empreendimento, fazendo alusão ao que havia nos dito Chagas Ferreira, a alguns minutos atrás: “Isso aqui é uma espécie de ‘Faixa de Gaza’, mas os conflitos ficam do lado de fora”, diz o professor Chagas.

 

O Projeto localizado no Parque Santa Fé, numa das sedes da empresa Tijuca Alimentos, absorve uma média de trinta meninas em um único núcleo, que funciona as terças, quintas e sábados. Nas terças e quintas o período trabalhado é o vespertino (a tarde), enquanto aos sábados o período utilizado é o matutino (da manhã).

 

Os profissionais uniformizados, da esquerda para a direita, são os professores

Chagas Ferreira e José Maria Paiva.

 

 

Estrutura, características e benefícios

 

A estrutura oferecida é comparável à de muitos clubes brasileiros de médio porte, contando com três campos, dois deles com dimensões oficiais, todos gramados. Além disso, há um campo de beach soccer, outro de futevôlei, refeitório, entre outras instalações adaptadas de acordo com as necessidades operacionais.

 

 

José Maria Paiva em preleção no intervalo do treino,

assistido por Chagas Ferreira

 

 

As meninas participantes são observadas sob vários prismas, e não só pelo desempenho desportivo. A empresa que lhes dá abrigo entende ser importante criar as precondições para que as meninas de melhor perfil profissional e comportamental possam desfrutar de uma oportunidade no mercado de trabalho. Além disso, é ideia da empresa custear parcialmente os estudos de algumas delas, desse modo preparando-as para o futuro.

 

Mas as meninas também contam com benefícios imediatos, tais como o fornecimento do material de treinamento, lanche e o suprimento das passagens de ônibus para seus deslocamentos.

 

A base técnico-científica do trabalho é aplicada por dois profissionais com formação em educação física. Um deles é o professor José Maria de Paiva, com graduação em educação física pela Universidade do Estado de Goiás, enquanto o outro é Francisco Chagas Ferreira de Sousa, que acumula a coordenação geral dos trabalhos. Vale ainda ressaltar que ambos possuem uma vasta experiência no meio esportivo, e entre outras iniciativas, foram os precursores do projeto Guerreiras da Paz, que ao lado do ideário do projeto Meninas Olímpicas formaram o embrião do Meninas da Paz.

 

 

Treinamento utilizando o campo soçaite do centro de treinamento

 

 

Se tomarmos por base nossa experiência como observador de projetos do gênero sócio-desportivo, sejam nacionais ou internacionais, na área da modalidade futebol, bem como a experiência ímpar que vivemos como Comentarista Especialista de Projetos de Transformação de Vidas Através do Futebol, podemos afirmar que nada do que eu tenha visto no âmbito do estado do Ceará se compara com o que pudemos ver e apreender dessa notável experiência que é o Projeto Meninas da Paz. Tanto que nossa ideia é que o Projeto passe a representar, contando com a generosidade de seus autores e executores, uma espécie de ‘case’, com reconhecida expertise para quem o conhece em profundidade, a fim de formarmos também multiplicadores da ideia e da metodologia, torcendo para que novos núcleos – verdadeiros ‘oásis’ - sejam criados.

 

Vídeo PROJETO MENINAS DA PAZ 109

 

Vídeo Clique aqui PROJETO MENINAS DA PAZ 012

 

TRADUÇÃO

Training: "Heaven" is the limit
Football as a citizenship tool and social peace
 
BY Bene LIMA
 

Photo 1: Overview CT da Tijuca Food
 
 
In a society where the various types of violence are increasingly present, we need to discover an antidote to so many conflicts in the inter-relations, to which we added up to the existential conflicts already so present in human lives.
 
Within this context of inter-relational difficulties, we also saw attempts to build a culture that conveys values such as citizenship, respect and coexistence. And all this through sports, using the most popular among them, football, as a true platform for social transformation.
 
Each time we identify one of these 'oasis' social, our heart beats faster and our spirit fills the most beneficent satisfaction, as this leads to vislumbrarmos the image of a society a little better. Before, it was unthinkable that the sport could contain this transforming power and that could also create prospects as encouraging for the communities involved. Another practical result achieved is indeed certain aspect of peace and accommodation of social conflicts so prevalent in modern societies in developing countries like ours, but still full of gaps and glaring social differences.
 
Initially with non-governmental organizations (NGOs), then admission of a more robust Third Sector, gradually societies were in contrast to the shrinkage of the functions of a State and refurbished least the entities that emerged as a power assist without power, but which emerges an unforgettable political will to.
 

The presence of mothers and a representative of the Tijuca Food company help
the administrative tasks of the Project. The product was collected to provide
animate raffles and bazaars to raise funds.
 
 
Photo 2: Girls of Peace
 
Among the socio-sports projects that have been undertaken in the framework of the Tijuca Food, emerges one that resulted from the junction of two:. Olympic Girls and Warriors of Peace Of these, created the Girls of Peace, which is a series of actions social, sports, health care and citizenship.
 
And not to say that in blacksmith shop is the skewer stick, one of the mascots of this project is a girl of only 11 years old, named Marina, daughter of the chief mentor-sponsor of the same. Marina is already in the project is more than a year, being a student of the inception phase, the initial stage in which they give the first steps of the course preparation.
 
Detail. Daughter and mother 'drink' of the project. I refer to Mrs. Marcela and her daughter Marina. This athlete on condition that a next condition the manager. "I call heaven project, but this is not an acronym," says Marcela, alluding to an ideal condition to be achieved.
 
Marcela also emphasized, with undisguised pride, differences and rivalries are all outside the enterprise gateway, referring to what was said in Chagas Ferreira, a few minutes ago: "This is a kind of 'Gaza Strip' but the conflicts are outside, "says Professor Chagas.
 
The Project located in Santa Fe Park, one of the seats da Tijuca Food company, absorbs an average of thirty girls on a single core, which runs on Tuesdays, Thursdays and Saturdays. On Tuesdays and Thursdays the working period is the evening (afternoon), while on Saturdays the period used is the morning (am).
 

Photo 3: The uniformed professionals, from left to right, are the teachers
Chagas Ferreira and José Maria Paiva
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Structure, features and benefits
 
The structure offered is comparable to that of many Brazilian clubs midsize, with three fields, two with official dimensions, all lawns. In addition, there is a beach soccer field, another footvolley, cafeteria, among other facilities adapted according to operational requirements.
 

Photo 4: José Maria Paiva lecture on the training range,
assisted by Chagas Ferreira
 
 
Participating girls are observed from several perspectives, not only for sports performance. The company that gives them shelter considers it important to create the preconditions for girls best professional and behavioral profile can enjoy an opportunity in the labor market. In addition, the company's idea is to partially fund the studies of some of them, thereby preparing them for the future.
 
But the girls also have immediate benefits, such as providing training materials, snack and supply of bus tickets to their movements.
 
The technical-scientific basis of the work is applied by two professionals with training in physical education. One is Professor José Maria de Paiva, with a degree in physical education from the State University of Goiás, while the other is Francisco Chagas Ferreira de Sousa, who accumulates the overall coordination of the work. It is also worth noting that both have extensive experience in sports, and among other initiatives, were the Warriors project precursors of Peace, that next to the ideals of the Olympic project formed the embryo Girls Girls of Peace.
 

Photo 5: Training using the soçaite field training center
 
If we assume our experience as an observer of the social-sports genre projects, both national and international, in the area of football mode, as well as the unique experience which we live as commentator Specialist Lives Transformation Projects Through Football, we can say that nothing I've seen in the state of Ceará compares to what we could see and seize this remarkable experience that is the Peace Girls Project. So much so that our idea is that the project pass to represent, with the generosity of its authors and performers, a kind of 'case', with recognized expertise to those who know him in depth in order of expressing also multipliers of the idea and methodology, hoping that new centers - true 'oasis' - are created.

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