Coritiba vira multinacional para acabar com amadorismo e se colocar entre os maiores do Brasil
por Lucas Borges, de Curitiba (PR), para o ESPN.com.br
A princípio, a história do Coritiba pode se parecer com a de outros tantos grandes clubes do futebol brasileiro que chegam ao fundo do poço e caem para a segunda divisão. Em seguida, reformulam seu elencos, dão a volta por cima e retornam à elite.
Só que a reformulação do clube paranaense é mais complexa e seu projeto, mais ousado. Desde que o time perdeu do Fluminense na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2009 e centenas de torcedores revoltados com o rebaixamento invadiram o gramado do Couto Pereira para protagonizar uma batalha campal com a polícia, o Coritiba tem se transformado em uma multinacional com a missão de levar o clube ao grupo dos seis maiores do Brasil
"Assumi em janeiro de 2010 depois do lamentável caso ocorrido em 6 de dezembro", diz ao ESPN.com.br o vice-presidente de futebol e homem-forte do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, lembrando com precisão a data que parece ser um marco na história alviverde.
"Como funcionário de multinacional que fui por 40 anos, reuni um grupo de empresários e mostrei o clube a eles. Antes disso, diversos esportistas se recusaram a assumir o Coritiba, que estava na Série B, havia perdido 30 mandos de jogos e tinha recebido uma multa de R$ 300 mil", conta o dirigente 'de primeira viagem', coxa-branca fanático, pecuarista e dono de um escritório de advocacia.
Vilson Ribeiro de Andrade, homem forte do Coritiba
A mudança foi total. Profissionais das mais diferentes áreas, de médicos a presidentes de seguradoras, foram levados ao Coritiba, que passou a ser gerenciado de uma nova forma. Hoje, um grupo de nove conselheiros não-remunerados forma o G-9, uma espécie de conselho de administração.
Um outro grupo, esse formado por empregados assalariados, executa o trabalho. "São profissionais do mercado, contratados e que têm seus currículos avaliados e metas a cumprir. Temos ex-diretores de quase todas as multi-nacionais: HSBC, Volvo. São normalmente pessoas que se aposentaram em suas profissões. Claro que o clube não tem condição de pagar um salário que se equipare ao de uma multi-nacional", explica Ribeiro de Andrade.
Todas essas pessoas têm um ponto em comum: nenhum deles possui experiência no mundo do futebol. Segundo o vice do Coritiba, um ponto positivo. "Quanto mais você acha que entende de futebol, pior é. Tem que inovar e sair desse círculo vicioso da malandragem do Brasil. Por isso o Brasil não ganha mais nada."
"Os dirigentes são passionais e têm uma visão muito curta. Você tem que amar seu clube, mas tem que ter equilíbrio. Se você envolve a paixão, destroi seu clube, pela melhor intenção que tiver."
Os resultados da nova gestão já começam a aparecer, garante o dirigente. O número de sócios do clube passou de cerca de 2 mil na época do rebaixamento, para mais de 30 mil atualmente. O Coritiba ainda comemora por ter levado de volta aos estádios as famílias. Obras para modernização do Centro de Treinamento e da estrutura das categorias de base estão nos planos.
Não bastava, é claro, mudar as coisas somente fora dos gramados. Com a verba arrecada dos sócios, dos direitos de TV, de patrocínio da camisa, merchandising e estruturas de placas de estádio - Ribeiro de Andrade diz que dinheiro de dirigente não entra no Couto Pereira -, o Coritiba foi atrás de um elenco com perfil específico.
"Os jogadores que não estavam com a cabeça aqui, deixamos ir embora. E só contratamos atletas depois de analisarmos por um ano o comportamento dentro e fora de campo", diz o vice-presidente, que destaca a importância do ex-técnico Ney Franco, mantido no cargo mesmo após o rebaixamento, e também do atual treinador, Marcelo Oliveira, no sucesso da equipe.
Por mais que o clube tenha se planejado, porém, o desempenho deste início de ano surpreendeu até os próprios dirigentes. Depois de vencer a Série B e o Estadual ano passado, em 2011 o time conquistou o bi Paranaense de forma invicta, chegou a vencer 24 partidas consecutivas somando os jogos da Copa do Brasil e virou finalista do torneio nacional. Nada mau para quem assumiu pensando em um projeto de cinco anos..
Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
terça-feira, junho 07, 2011
Coritiba funda modelo de gestão baseado fora do futebol
segunda-feira, junho 06, 2011
Qualquer sistema é bom, desde que bem aplicado
Capacidade de mexer nas peças para alterar funções sem provocar mudanças nas estruturas do sistema é um dos diferencias dos grandes treinadores
Nivan Gomes*
O sistema utilizado em uma partida de futebol deve ser flexível para se ajustar às necessidades durante a partida. Se ao treinador é dada a oportunidade de fazer substituição, isso deverá ser utilizado para mudar sua maneira de jogar, e não tão somente para reparar uma expulsão ou algum acidente de contusão.
O treinador tem que ter consciência de que um sistema não deve ser uma coisa engessada, ou com um padrão definido de jogo retirado da prancheta, porque é na sua aplicação que são definidas as variáveis que devem ser implementadas, dependendo das circunstâncias que são apresentadas durante a partida.
O que faz a diferença entre um treinador e outro quando os dois se utilizam do mesmo sistema é justamente a capacidade de mexer nas peças para alterar funções sem provocar mudanças nas estruturas do sistema.
Existe uma máxima no futebol que se diz que: "em time que está ganhando não se mexe". Não se mexe na estrutura do time, mas as alternativas que o sistema oferece possibilitam, sim, fazer alterações mantendo ainda um time vencedor.
Vamos detalhar melhor como isto ocorre. Um sistema é mais que a distribuição de seus jogadores no gramado. Cada elemento tem sua função determinada que no conjunto irá resultar no sucesso do time, que é justamente a somatória dos sucessos individuais.
Muitos afirmam que na hora da decisão quem define ainda é o talento individual. O talento pode até definir em um lance, uma partida, mas esse talento não aparece durante os 90 minutos de jogo, quem aparece durante todo o jogo é o coletivo. Sem o coletivo o talento é inútil.
Todos ficam encantados quando assistem alguns times europeus mostrarem nos dias de hoje uma disciplina tática que estamos anos luz para atingir. Seus jogadores com dois ou três toques na bola resolvem em triangulações perfeitas, situações que para nós utilizamos o triplo em tempo e toques para o mesmo problema.
Nosso futebol ainda não saiu do individualismo. Sempre ficamos na dependência do talento de um ou dois jogadores do time para resolver o jogo. Isso porque nossa mentalidade é de valorizar o individual em detrimento ao coletivo. Não podemos depender da inspiração individual. Isso pode até analtecer determinado atleta, mas a valorização do coletivo deve ser o principal objetivo.
Dos fundamentos do futebol, reputo o passe como principal elemento. Sem um passe de qualidade com precisão em tempo e espaço, fica difícil a qualidade do coletivo aparecer. Assim como o nado sincronizado, o futebol também é um esporte de movimentos coordenados. Um atleta que se desloca no tempo e no espaço errado induz todo o coletivo para uma ação mal realizada. Todo movimento deve ser realizado para render melhor com o esforço empregado e que o resultado some para o coletivo, mesmo que esse esforço tenha sido individual.
Em disputas individuais o atleta oferece sempre uma opção ao adversário que lhe possibilite uma rápida recuperação da bola. O mesmo ocorre com o coletivo: devemos sempre oferecer ao adversário a opção que queremos que ele tome, assim passamos a ele a ilusão que ele está tomando a iniciativa, quando na verdade ele está fazendo exatamente o que queremos que ele faça.
Isso deve ocorrer em todas as oportunidades em que uma ação será reiniciada a partir de uma paralisação do jogo. Então, atraímos o adversário para chamadas zonas neutras do campo, tiramos seus defensores de suas zonas e fazemos variações de movimentos, induzindo-os a mudanças de áreas para dificultar sua recuperação de defesa.
Em um sistema, alguns jogadores devem ter uma função de liberdade de movimento, o que possibilitará que em determinada zona do campo, ter um maior número de atletas em relação ao adversário. Isso deve ser aplicado nos três setores do campo, o que exige dos atletas com essa função um desgaste físico acima da média.
Respeitando as características individuais de cada atleta, sua função deverá ser definida para somar no conjunto. O treinador deverá escolher o sistema de acordo com o elenco que tem a sua disposição. Então ele poderá ter um time com mais pegada, mais veloz, um misto dos dois e definir sua postura de ação, de que forma irá atacar, atraindo o adversário para seu campo, ou se por pressão no campo do adversário, correndo os riscos que isso resulta. Sua ação de ataque sempre terá como base uma ação de defesa; como se diz na linguagem do futebol, a melhor defesa ataque é o ataque.
Tudo isso independe do sistema adotado. No futebol, qualquer sistema é bom desde que bem aplicado.
*Nivan Gomes é treinador de futebol; CREF4/SP 53184 – São Paulo/Brasil e COFEF – Conselho Federal de Educação Física – Rio de Janeiro/Brasil
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segunda-feira, maio 30, 2011
Fifa dá aval e CBF antecipa janela de transferências
Fifa dá aval para janela de transferências do Campeonato Brasileiro ser antecipada
Por ESPN.com.br
Assim como no ano passado, a janela de transferência de jogadores vindos de clubes internacionais deverá ser antecipada no Campeonato Brasileiro. Nesta segunda-feira, a Fifa autorizou a Confederação Brasileira de Futebol a fazer a alteração da data, previamente estipulada para o dia 3 de agosto, e a entidade deverá divulgar o novo prazo para a inscrição de atletas ainda hoje.
A antecipação da janela de transferências era um pedido de alguns clubes brasileiros que contrataram recentemente reforços vindos do exterior. Com a confirmação da nova data, atletas como Alex, vindo do Spartak Moscou para o Corinthians, Juninho Pernambucano, ex-Al-Gharafa e atualmente reforço do Vasco, Gilberto Silva novo jogador gremista, contratado junto ao Parathinaikos, e Renato que chegou ao Botafogo vindo do Sevilla, poderão estrear no Brasileiro ainda no primeiro turno - a expectativa é que a nova data escolhida pela CBF seja 15 de junho.
Em 2010, a janela de transferências também sofreu alteração de data. O principal interessado à época, era o Internacional, que passou a contar com os reforços de Tinga, Rafael Sóbis e Renan já na semifinal da Libertadores da América.
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domingo, maio 29, 2011
Falcão mira ‘quebrar cultura’ e se estabelecer durante os jogos oficiais em uma cabine
Atual treinador do Inter acredita que visão é melhor e facilita compreensão dos acontecimentos, mas depende de tempo para execução
Equipe Universidade do Futebol
Durante mais de uma década, Paulo Roberto Falcão se acostumou a assistir aos jogos de futebol em estádios de futebol de uma cabine de transmissão. Geralmente localizado em um ponto elevado, em meio às cadeiras numeradas, aquele ambiente dava ao então comentarista da Rede Globo de Televisão uma visão mais ampla e estratégica do que se delineava em campo. Agora na função de treinador do Internacional, o ex-jogador pode adotar prática semelhante.
Nesta semana, Falcão revelou que pensa comandar sua equipe longe do gramado. Ele reitera que o projeto particular seria uma evolução para os técnicos, justamente pelo fato de que eles poderiam observar melhor movimentos táticos e ter um panorama mais aberto da suas equipes e do adversário. Mas há uma barreira histórico-cultural.
“Lá em cima se tem uma visão diferente. Uma visão mais ampla. Acho que as coisas no futuro se encaminhem para isso. Tem que quebrar uma cultura, quebrar a história de estar na beira do campo. Mas é que lá em cima se vê melhor o jogo”, opinou.
Tal iniciativa, entretanto, iria se consolidar mais à frente, visto que Falcão está há pouco tempo no comando do grupo principal colorado. A saída da beira do gramado, à frente do banco de reservas, pois, aconteceria em um contexto de maior compreensão do time com as ideias do ex-jogador.
“Talvez o treinador que grite e chute precise ficar ali [na beira do campo]. Mas lá em cima, se vê muito melhor jogo. Acho que seria um ganho para o futebol que os treinadores vissem o jogo com um ângulo de cima. É uma modificação que poderá acontecer”, completou Falcão.
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Durante mais de uma década, Paulo Roberto Falcão se acostumou a assistir aos jogos de futebol em estádios de futebol de uma cabine de transmissão. Geralmente localizado em um ponto elevado, em meio às cadeiras numeradas, aquele ambiente dava ao então comentarista da Rede Globo de Televisão uma visão mais ampla e estratégica do que se delineava em campo. Agora na função de treinador do Internacional, o ex-jogador pode adotar prática semelhante.