Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, fevereiro 18, 2014

#FCB100M | 10 fatos sobre os 100 mi de seguidores do Barcelona nas redes sociais

FutebolMarketing

barca abertura 2

Na semana passada, o Barcelona se tornou o primeiro clube do mundo a atingir (e ultrapassar) os 100 milhões de seguidores em suas redes sociais. A conquista foi festejada pelos torcedores no último sábado (15), antes da goleada por 6×0 frente ao Rayo Vallecano, pela Liga BBVA. E para mostra que o seu recorde de quantidade tem relação direta com a qualidade do conteúdo, osblaugranas divulgaram dez de seus grandes momentos no mundo 2.0. Confira:

 

01. Em 2013, o crescimento combinado das contas sociais do Barcelona superou os 32 milhões de novos seguidores.

 

02. Os tópicos mais compartilhados do Facebook em 2013 foram: a virada sobre o Milan (na UEFA Champions’ League) e a vitória sobre o Real Madrid.

barca tweet

03. O tweet que anunciou a contratação de Neymar Jr. foi o mais popular do perfil @fcbarcelona_es em 2013, com mais de 12 mil RTs.

04. @Fcbarcelona_cat é a conta mais seguida do mundo em catalão (mais de 4,15 milhões de usuários) e ocupa a 36ª posição no âmbito esportivo global.

05. O Barcelona foi o primeiro clube mundial a promover um encontro digital em catalão: o hangout com Gerard Piqué, no Google+. Até hoje, esse é o encontro futebolístico mais compartilhado da rede.

06. O canal oficial do Barcelona no YouTube é recordista de inscritos entre todas as equipes da UEFA Champions’ League (e do mundo).

07. A cada mês, os vídeos do canal de YouTube do Barça geram mais de 52 milhões de reproduções.

 

08. Lionel Messi é o barcelonista com mais fãs no Facebook: 53,7 milhões. Neymar Jr., que já está próximo dos 18 milhões, e Piqué, com mais de 10 milhões, completam o TOP 3.

09. No Twitter, Neymar Jr. (9,7 milhões), Iniesta (7,9 milhões) e Piqué (7,8 milhões) lideram o ranking de seguidores blaugranas. Ídolos catalães, como Fábregas e Puyol, agregam mais de 6 milhões de pessoas cada.

 

10. A fan page do Barcelona no Facebook soma mais de 54 milhões de fãs, e figura entre as 25 maiores da rede.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Em busca de evolução

Brasil evoluiu bastante quando o assunto é sócio-torcedor, mas ainda precisa crescer mais

» Amir Somoggi

Os clubes brasileiros estão mudando, junto com o futebol em si. Um dos setores que mais crescem é o de sócio-torcedor. O que vem ajudando nesse processo é, principalmente, a conotação de varejo, como atesta Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva. "O projeto visava a fidelização exclusiva do torcedor mais fanático, aquele que está sempre no estádio", relembra Somoggi. Com a ajuda do Movimento por um Futebol Melhor, liderado pela Ambev, o conceito de rentabilidade também entrou em campo. Agora, o torcedor ganha mais do que apenas camisetas ou ingressos. "Ele ajuda o clube, tem desconto nos ingressos, inclusive em entradas para jogos decisivos, e também descontos em produtos importantes para sua casa", comenta.
Apesar disso, o faturamento dos clubes com os programas ainda é pequeno. O sócio-torcedor rendeu um montante de cerca de R$ 180 milhões ano passado. Para efeito de comparação, patrocínio gerou mais de R$ 500 milhões. Mas como efetivamente criar um case de sucesso? Alguns clubes aproveitaram o momento e conseguiram crescer, como o Cruzeiro, campeão Brasileiro em 2013. Outros têm um potencial grande de torcida, como o Corinthians, mas ainda não se estabilizaram efetivamente no cenário. Em entrevista exclusiva ao portal ClienteSA, Somoggi deu sua opinião sobre o tema e falou o quanto o Brasil ainda "engatinha" em relação ao assunto.
ClienteSA - O programa de sócio-torcedor, hoje, se preocupa mais em fidelizar do que antes?
Somoggi: Vários clubes já têm esse programa há muito tempo, mas não tinha a conotação do varejo, era único e exclusivamente o torcedor ter o direito de comprar o ingresso. Com essa história do Movimento por um Futebol Melhor, muda o conceito de fidelidade e de rentabilidade. O projeto sócio-torcedor era a fidelização exclusivo do torcedor mais fanático, aquele que ia para todos os jogos. Hoje, não. Houve uma grande evolução nos benéficos. Agora, um sócio, que paga 30 reais por mês, ajuda o clube, tem desconto nos ingressos, inclusive nos jogos decisivos, e ainda têm uma série de descontos em produtos do varejo. Apesar disso, os clubes ainda faturam muito pouco com o sócio-torcedor.
E o que fazer para subir a renda do programa?
Com quarenta ou cinquenta reais de mensalidade, o faturamento já aumenta. Os clubes também precisam aumentar as suas vendas de produto no varejo, não só no varejo esportivo (que são seus varejos em lojas de esportes), mas em outros segmentos de varejo que faturam bilhões Brasil e tem poucos produtos esportivos.
Qual a importância do resultado em campo?
O desempenho do clube é muito importante, até pelo fato de empolgar o torcedor. Mas não é tudo, tem de saber trabalhar com isso. O Internacional, por exemplo, deu um grande salto quando ele chegou a final da Libertadores, em 2006. A venda de ingressos teve prioridade para sócio. Então, ficou muito claro pra o torcedor que talvez, se você não é sócio, poderia deixar de assistir no estádio o maior jogo da história do clube. O torcedor ficou com medo e isso fez um barulho entre sócio e não sócios. Com o Flamengo, a mesma coisa. Na final da Copa do Brasil do ano passado, falaram que as entradas só seriam vendidas para sócios. Então, muita gente correu para se filiar e conseguir ver a final no Maracanã. Então, o desempenho tem dois trabalhos: o de motivação e o de medo que gera no torcedor de ficar de fora.
Em relação à Europa, como estamos?
Nesse caso, temos de dividir o país em dois: um Brasil que já está parecido com a Europa como o Internacional, o Grêmio, o Cruzeiro, que não ganha só pela mensalidade, ele vende a carteira para torcedor, é um ticket, como é lá na Europa. E outro Brasil que não segue isso. O Barcelona, por exemplo, fatura mais de 100 milhões de euros no estádio. Desse valor, o clube fatura cerca de 55 milhões de euros só com as cadeiras destinadas aos sócios, é mais da metade do faturamento da bilheteria do clube. Hoje, 20 mil torcedores por jogo no Barcelona praticamente são nessas cadeiras. Então, nós estamos engatinhando, temos muito pela frente para tornar o projeto mais rentável.
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sábado, fevereiro 08, 2014

Corinthians renova com Caixa por R$ 30 milhões

A parceria entre o banco estatal e a equipe paulista começou no fim de 2012, quando os corintianos jogaram o Mundial de Clubes da Fifa
Equipe Universidade do Futebol

 

O patrocínio da Caixa ao Corinthians vai continuar em 2014, como era esperado, e pelo mesmo valor: R$ 30 milhões anuais. A informação foi publicada pelo Diário Oficial da União em 15 de janeiro.

A parceria entre o banco estatal e a equipe paulista começou no fim de 2012, quando foi acertado um contrato de R$ 31 milhões – R$ 1 milhão pelo mês de dezembro, quando os corintianos jogaram o Mundial de Clubes da Fifa, e R$ 30 milhões referentes ao ano de 2013. O valor, portanto, manteve-se inalterado para 2014.

De lá para cá, a Caixa assinou patrocínios com vários outros clubes brasileiros, cujos valores foram publicados no Diário Oficial da União.

O Flamengo é o segundo que mais recebe da instituição financeira, R$ 25 milhões, em um acordo que envolve apenas o peito da camisa, e não as costas, como funciona com o Corinthians.

Apenas com patrocínios a times de futebol, a Caixa gasta R$ 95,9 milhões por ano. Além de Corinthians e Flamengo, há aportes a Vasco (R$ 15 milhões), Atlético-PR (R$ 6 milhões), Coritiba (R$ 6 milhões), Vitória (R$ 6 milhões), Atlético-GO (R$ 2,4 milhões), Avaí (R$ 1,75 milhão), Figueirense (R$ 1,75 milhão), ASA (R$ 1 milhão) e Chapecoense (R$ 1 milhão).

Fonte: Máquina do Esporte 

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Futebol Feminino: uma versão não contada da realidade

Por: Benê Lima

ALGUMAS OUTRAS VERDADES SOBRE O FUTEBOL FEMININO

No ambiente do futebol feminino como no restante da vida, prosperam meias verdades, mentiras, injustiças, falta de apoio e personalidades mal formadas, mas também tem coisas gratificantes.

A despeito do grande esforço feito por algumas pessoas que militam no meio futebolístico, e especialmente as que trabalham a questão de gênero, a modalidade em questão precisa de uma espécie de assepsia e de saber oportunizar as raras ocasiões que a mídia lhe oferece. E o que me inspira a falar assim, por mais paradoxal que possa parecer, é o sucesso da talentosa jogadora Gabriela, a Gabi, como é mais conhecida.

 Gabi – Foto: Divulgação

Feitas as devidas ressalvas ao que se conta de verdade, cuidemos também de descontar as omissões e generalizações quando escutamos que nada se faz pelo futebol feminino. É claro que isso é uma grande e monumental mentira. Certamente o que não é atendida é a gigantesca carência que a modalidade tem. Mas sem dúvida há um enorme esforço no sentido da busca do apoio para a categoria. Se assim não fosse, a própria Gabi, assim como outras, jamais teriam tido aqui em nosso estado a condição de serem vistas e lembradas pela comissão técnica da Seleção Brasileira. A verdade é que isso só se deu pelo trabalho diligente e incansável de algumas pessoas e de umas poucas entidades, entre elas a Federação Cearense de Futebol (FCF) e a Liga Cearense de Futebol Feminino (LCFF).

Desde a primeira convocação de uma atleta do Caucaia Esporte Clube, acontecida em 2009, sendo a goleira Dida a contemplada, que a realização de seletivas da Seleção Brasileira de futebol feminino no estado do Ceará tem sido fator determinante para que tais oportunidades ocorram.  As seletivas são um evento da maior importância para a afirmação dos talentos cearenses, e elas têm sido trazidas para cá com o concurso da CBF e com o apoio e chancela da Federação Cearense de Futebol, através de sua Coordenação da modalidade.


Goleira Dida – Foto: Divulgação


Alguns destaques

Neste ponto, vale mencionar pelo menos alguns dos nomes que mais tem concorrido para a produção dos talentos cearenses e para que tenhamos a “matéria-prima” – que são as jogadoras – para que possamos ver justificada a realização desses eventos em nosso estado. Eudes Caucaia, presidente do Caucaia Esporte Clube, Renezito Júnior, ex-coordenador da modalidade junto à FCF e com trânsito na CBF, Chagas Ferreira, como um incansável produtor de talentos na área de formação, professor Sérgio Ricardo, mais na área de organização e facilitação, treinador Jardel Rocha, que também é gestor e contribuidor, entre outros, merecem ter seus nomes lembrados e festejados pelo empenho e pela tenacidade com que buscam incentivar e fomentar o desenvolvimento da modalidade.

Verdades a bem da justiça


Quando se fala em Caucaia Esporte Clube, isso parece remeter as pessoas a uma questão política mal resolvida. E não é bem assim. Independente da má condução desse processo, a entidade privada referenciada já contou sim com o apoio governamental no próprio município em que é sediada, já tendo inclusive o Estádio Municipal Raimundo de Oliveira como sua sede por alguns anos. Só na gestão do prefeito Washington Gois, podemos contabilizar três convênios com a agremiação, nos anos de 2009, 2010 e 2011, totalizando um montante ao redor de





R$ 682 mil, desdobrados em R$ 182 mil em 2009, R$ 250 mil em 2010 e outros R$ 250 mil em 2011.

Portanto, vale a pergunta, como tarefa de gincana: Que outro município no Brasil, realizou algo igual ou maior?

Todo governo, ora por razões predominantemente políticas, ora por razões de desempenho administrativo de seus beneficiários, tem o direito de avaliar a aplicação de seus recursos, seja por seus gestores seja por esses beneficiários, lançando mão da prerrogativa de dar novo direcionamento para a alocação desses recursos. Nada mais natural.

Reforma do estádio municipal

Internet / Divulgação

A ocasião é mais que propícia para tornarmos pública a retomada das obras do Estádio Municipal de Caucaia, como uma exigência do atual Prefeito, que inclusive solicitou o apoio da FCF para que o projeto fosse pontualmente reavaliado, a fim de que não se desperdice mais tempo com rearranjos ou reparos de quaisquer naturezas. A ideia é otimizar o ritmo das obras, e fazê-lo em consonância com os requisitos de operacionalização e funcionalidade do equipamento, sem projetar ideias suntuosas nem megalomaníacas. A esse respeito, já intermediamos duas reuniões na sede da FCF, uma delas com a participação de representante do governo do município de Caucaia, tendo Jardel Rocha como representante do secretário Silvio Lobato. A próxima reunião será realizada na sede do governo caucaiense, com as presenças do prefeito Washington Gois, do presidente da FCF, Mauro Carmélio, e do diretor de competições da entidade, aos quais acompanharemos, bem como de alguns representantes de algumas secretarias do município de Caucaia, entre eles o amigo Jardel Rocha.
Por: Benê Lima
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domingo, fevereiro 02, 2014

Financiamento da estrutura de um clube de futebol. Qual caminho seguir?

O planejamento da temporada deveria ser feito por uma equipe multidisciplinar, com colaboradores do departamento de marketing e de inteligência
Carlos Eduardo Perruci Faria*
 
Custo x Benefício

O esporte sempre foi visto como uma manifestação cultural de um povo associada ao apelo emocional que suas disputas provocavam junto a sua audiência.

No futebol, tal apelo emocional é ainda mais evidente, levando a uma relação cada vez mais íntima e passional. Pensado somente pelo ponto de vista técnico, o futebol pouco explorava sua capacidade econômica, reduzindo-se a bilheteria e venda de jogadores. Somente na sua história mais recente, o futebol passou a ser encarado sobre a visão de mercado.

Por volta dos meados da década de 70, aconteceu a primeira grande aquisição de direitos e propriedades, estabelecendo uma relação de patrocínio de uma entidade esportiva por uma sociedade empresarial.

Tal ação consistia na exposição da marca da empresa nas placas de publicidade ao redor do campo de jogo durante uma das competições oficiais da entidade. Em troca o patrocinador financiaria o plano de desenvolvimento da modalidade.

De lá para cá, o futebol sofreu grandes transformações, tanto dentro quanto fora de campo. Decorrente do mercado do entretenimento, o futebol se tornou cada vez mais popular e, antes mesmo do mundo ouvir o termo globalizado, já estava devidamente futebolizado.

Os dirigentes de alguns clubes, perceberam o potencial econômico das propriedades e direitos e passaram a explorá-las de modo a gerar receita para cobrir seus gastos e investir em uma equipe mais forte e técnica para conquistar mais títulos e atrair mais fãs.

Mesmo nos tão exaltados clubes europeus, tal potencial não foi explorado plenamente, persistindo um modelo que, embora eficiente e atual, permanece cheio de distorções e incorreções decorrentes dos tempos da sua fundação.

Uma das primeiras fontes de receitas dos clubes de futebol era a mensalidade de seus associados. Mensalidade esta que era utilizada para pagar as despesas e manter suas instalações. Quase em concomitância, a bilheteria dos jogos de suas equipes também servia como uma importante e imprescindível fonte de receita.

Com o destaque do modo brasileiro de jogar o jogo, seus futebolistas passaram a ter um maior valor de seus passes e passaram a exigir melhores e maiores compensações financeiras nos contratos celebrados.

Dirigentes, então, perceberam que o direito decorrente dos passes dos jogadores de seus clubes era capaz de gerar uma receita substancial para o caixa.

Com o crescimento em popularidade e com os avanços tecnológicos, o futebol passava a ser também, conteúdo e por consequência, gerador de atenção e retenção de audiência para os meios de comunicação.

Os direitos de transmissão de seus campeonatos passaram a agregar às fontes de receita dos clubes, somente sendo superado, em alguns casos, pelas receitas obtidas pelas transferência dos direitos decorrentes do contrato especial de trabalho esportivo.

Com maior visibilidade, exposição e grande apelo emocional, sociedades empresariais perceberam o quanto poderiam ganhar ao agregar sua marca e de seus produtos, valores esportivos, expondo-as nos diversos espaços publicitários contidos nos uniformes das equipes dos clubes de futebol e das competições que disputavam.

Dando um passo a mais, empresas de material esportivo passaram a se interessar em fornecê-los para uso das equipes futebolísticas durante os treinos e jogos, decorrendo daí, o licenciamento de seus produtos.

Durante a década de 80 e início da década de 90, houve, no Brasil, uma incipiente tentativa de explorar uma nova fonte de receita: o merchandising, ou seja, a utilização da marca dos clubes de futebol - entende-se como marca, sua denominação, seu escudo e suas cores - em produtos diversos.

Tal tentativa acabou por fracassar por não haver qualquer precaução jurídica que garantisse a qualidade dos produtos colocados no mercado. Qualidade esta que era muito aquém, qualquer que fosse o fornecedor.

Novo olhar para o planejamento da temporada

O planejamento da temporada deveria feito por uma equipe multidisciplinar, incluindo colaboradores do departamento de marketing e de inteligência.

A exploração de todas as fontes de receitas existentes, incluindo uso do direito sobre a imagem de seus atletas e colaboradores, exceto as relacionadas a relação trabalhista atleta-clube e a formação de jovens talentos que deveriam ser abominadas e abolidas.

O estabelecimento de um núcleo de inteligência formado por uma equipe destinada a prospectar oportunidades em nichos mercadológicos e de novas tecnologias capazes de gerar maior diversificação das fontes de receita do clube.

E a exigência do cumprimento de jornada de trabalho por parte dos atletas que consista de atividades relacionadas a competição esportiva, a ações e a ativações do departamento de marketing e inteligência.

Para que tais estratégias possam ser realizadas, deverão ser precedidas dos devidos acordos contratuais, estabelecendo seus limites, suas exigências, prazos, direitos e deveres das partes envolvidas, permanecendo o equilíbrio entre as partes e em acordo com a legislação nacional vigente, dos órgãos regulatórios e fiscalizadores, estatutos dos clubes e das entidades administrativas do desporto.

Mesmo em clubes que adotaram práticas empresariais saudáveis atualizando sua gestão a contemporaneidade, prevalece velhos paradigmas vigentes, não permitindo o estabelecimento de práticas heterodoxas completamente destoantes.

Não se pode acreditar que, em pleno século XXI, permaneçam mecanismos legais que permitam a obtenção de receitas oriundas dos direitos decorrentes de contrato especial de trabalho esportivo, bem como, do investimento na formação e desenvolvimento de jovens talentos sob a tutela de clubes de futebol.

Do mesmo modo, a permanência de uma relação de monopólio quando se tratando da negociação dos direitos de transmissão das competições de futebol no país, fato este que sofreu interferência do CADE - órgão antitruste nacional e que redundou no racha que decretou o fim do Clube dos Treze.

Qual caminho seguir?

O caminho a ser percorrido é longo. O primeiro passo é o mais difícil, retirar os antolhos, reduzindo a miopia imediatista focada no resultado da partida anterior e ampliar a visão.

O segundo passo é adotar uma prática saudável de gestão altamente profissionalizada e focada no resultado, onde as decisões sejam tomadas baseadas em fatos e dados obtidos por pesquisa realizada pelo núcleo de inteligência.

O terceiro é atribuir um mesmo valor ao departamento de marketing e ao departamento de futebol, pois ambos seriam responsáveis pelos principais ativos de um clube de futebol.

O quarto, tão difícil quanto o primeiro, é ter a ousadia de romper com o modelo ortodoxo vigente, adotando um novo paradigma, um modelo mais heterodoxo que permita buscar novas e diversificadas soluções para resolver demandas decorrentes da atividade fim de um clube de futebol, bem como, propiciar a diversificação das receitas, evitando uma dependência excessiva de uma determinada fonte.

Somente quando os olhos da gestão estiverem abertos, sendo capazes de enxergar a distância e sua cabeça ser refrescada e arejada pela ousadia, os clubes de futebol darão um grande salto qualitativo, alcançando novos patamares de sucesso.

Resta saber quem irá dar o primeiro passo.

Referências bibliográficas

1. FILHO, A. M.; SCHIMITT, P. M.; GUIMARÃES, F. X. S.; PANHOCA, H.; ZVEITER, L.; PERRY, V.; KRIEGER, M. C. R.; LOPES, C. E.; DA SILVA, J. C. T.; PUGA, A. Código Brasileiro de Justiça Desportiva: Comentários e Legislação. Brasília: Ministério do Esporte, 2004. 256 p.

2. NAPOLEÃO, A.C.; ASSAF R. Seleção Brasileira - 90 anos: 1914-2004. Rio de Janeiro: Mauad, 2004. 376 p.

3. POZZI, L. F. A Grande Jogada – Teoria e prática do marketing esportivo. São Paulo: Globo, 1998. 280 p.

4. RODRIGUES, E. Jogo Duro: a História de João Havelange. Rio de Janeiro: Record, 2007. 419 p.

5. SANDEL, M. J. Justiça: o que é fazer a coisa certa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. 349 p.

6. UNZELT, C. D. O Livro de Ouro do Futebol. Rio de Janeiro: Sinergia: Ediouro, 2009. 696 p.


* Instrutor de Treinadores - FIFA Futuro III, MBA em Administração Esportiva - FGV/RJ, Especialista em Futebol e Licenciado Pleno em Educação Física e Desporto - UFRJ. Sócio da Perruci Faria Consultoria, professor convidado na ESPM-Rio e no ICF-FERJ. email: cefaria@gmail.com