Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, fevereiro 24, 2015

City estreia centro de treinamento de R$ 900 milhões na Champions

Local foi inaugurado oficialmente em dezembro, mas clube usará pela primeira vez na disputa europeia. City Football Academy tem 16 campos de futebol ao ar livre

Por Manchester, Inglaterra

Manchester City CT City Campus (Foto: Claudia Garcia)O novo CT do Manchester City  (Foto: Claudia Garcia)

O Manchester City mostrou nesta segunda-feira que seu ambicioso projeto não ficou apenas no papel. Em apresentação aos jornalistas, o clube abriu as portas da City Football Academy (CFA), o novo centro de treinamentos do clube. O espaço custou 200 milhões de libras (cerca de R$ 900 milhões) e foi inaugurado oficialmente em dezembro, mas faz sua estreia na Liga dos Campeões na véspera do duelo contra o Barcelona. O jogo será acompanhado pelo GloboEsporte.com em tempo real nesta terça às 16h45 (de Brasília). 

Para a maioria dos repórteres estrangeiros, esta foi a primeira vez no CFA, que impressiona pela sua estrutura luxuosa. O local conta com campos de treinamento, escritórios, piscinas cobertas, campos sintéticos, spa, centro médico, salas de estudos e de coletivas de imprensa, além de dormitórios para o time principal e para os jovens da base que residem na academia. 

No total, são 16 campos de treino ao ar livre e 12 serão dedicados aos times da base. O CFA está ao lado do estádio City of Manchester. Os dois locais são conectados por uma ponte. Em 1º de março, será inaugurado ainda um miniestádio para o time feminino do City com capacidade para sete mil espectadores.
 

Manchester City CT City Campus (Foto: Claudia Garcia)Sala de coletivas do CT (Foto: Claudia Garcia)



Na estrutura, a zona dedicada à imprensa é provavelmente a mais moderna da Europa. O local conta com um auditório para coletivas com capacidade para 200 pessoas e vista para os campos de treino e uma sala de imprensa ampla, onde os profissionais têm toda a comodidade para trabalhar. O clube fornece os jornais diários e serve constantemente refeições para os jornalistas. Na noite desta segunda, os jogadores do time inglês farão a estreia dos luxuosos dormitórios na véspera da partida pela Champions.

 

Manchester City CT City Campus (Foto: Claudia Garcia)Um dos campos do CT em Manchester (Foto: Claudia Garcia)
Manchester City CT City Campus (Foto: Claudia Garcia)Refeições disponíveis à imprensa (Foto: Claudia Garcia)
Manchester City CT City Campus (Foto: Claudia Garcia)Local disponível para cobertura da imprensa (Foto: Claudia Garcia)

Ceará Sporting parte na frente e obtém certificação como clube formador

Alvinegro cearense obtém diploma que nenhum dos grandes cariocas possui

Certificado CSC

Por: Benê Lima

O Ceará Sporting Club é o primeiro clube cearense a receber a certificação de Clube Formador - Categoria "A", da CBF.

A homologação contou com o parecer favorável da Federação Cearense de Futebol (FCF), conforme prevê a regulamentação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A certificação dá ao clube que a obtém algumas seguranças e até garantias jurídicas, além de conferir-lhe status de organização e profissionalismo, aduzindo novo corolário à sua imagem.

O grau de dificuldade para a obtenção da referida certificação é relativamente elevado, e o exemplo disso é que no estado do Rio de Janeiro apenas um clube, o Nova Iguaçu, do interior daquele estado, o havia conseguido.

Das exigências

Para a obtenção da certificação de Clube Formador, o clube precisa apresentar toda a documentação dentro dos padrões legais exigidos, sendo ainda submetido à inspeção de suas dependências a fim de que seja comprovado que não há nenhuma desconformidade com as exigências e pré-requisitos indispensáveis.

Desse modo, caracterizando-se a perfeita conformidade quanto ao preenchimento do que é requerido, torna-se assim viável e factível a obtenção do Certificado.

Ceten (1) cCETEN – centro de treinamento e formação do Ceará Sporting Club

 

Para a obtenção das vantagens da certificação, o papel da federação à qual o clube é filiado é de vital importância, uma vez que cabe à entidade de administração no estado a avaliação prévia para atestar que o clube que a requer tem cumprido as exigências previstas em lei, dentre as quais constam:

- Em linhas gerais, manter nas dependências do Centro de Formação, equipe multidisciplinar;
- Proporcionar assistência clínica aos atletas;
- Manter a presença de um médico junto a eles;
- Dar provimento a atendimento odontológico;                                 

- Manter assistência social para os mesmos;
- Dotar o ambiente de um psicólogo(a) à disposição deles;
- Prover-lhes de assistência educacional e pedagógica;
- Disponibilizar um(a) nutricionista;
- Manter um centro de reabilitação com fisioterapeuta como responsável;
- Fornecer programas de treinamentos diversificados;
- Manter alojamentos em boas condições;
- Fornecer transporte e alimentação aos atletas;
- Proceder a manutenção e adequação das instalações;
- Manter corpo de profissionais com especialização e treinados;
- Fazer a adequação entre o horário de treino e o estudo dos atletas, entre outros.

Vale lembrar que o certificado é válido por dois anos, e quando vencido deve ser renovado. 

Clique AQUI e veja o certificado

> Crédito: Benê Lima

Danilo Zero dos Santos, Diretor do Futebol Feminino da Ferroviária

"Buscamos patrocínio oferecendo contrapartida, de visibilidade e de valor", diz


Equipe Universidade do Futebol

Títulos, destaque e projeção. A realidade do futebol feminino da Ferroviária  destoa da média nacional. Mas mesmo depois de faturar os principais campeonatos em disputa, os desafios seguem sendo gigantescos para quem está à frente do departamento da modalidade no clube de Araraquara.

Estruturalmente falando, as carências físicas são um limitador para o desenvolvimento. O grupo das mulheres treina em locais diferentes, através de parcerias alinhavadas com campos de futebol e academias locais. O grande foco é a construção de um Centro de Treinamento próprio, onde as campeãs da Copa do Brasil e do Brasileirão pudessem realizar as atividades e ficar alojadas.

E o outro desafio é em relação a captação de recursos – em outras palavras, fazer com que essas conquistas revertam financeiramente para o clube, para que se possa investir nas diversas áreas, principalmente em atletas, que naturalmente desejam ter uma melhor condição.

“Não podemos ficar felizes de ver uma atleta ter que ir para fora do país para dar uma condição melhor para sua família. Teremos que superar a barreira da falta de o investimento no futebol feminino, mas também teremos que superar a barreira do baixo investimento privado no esporte, que é histórico no Brasil”, relata Danilo Zero dos Santos, Diretor do Futebol Feminino da Ferroviária.

Graduado em Administração Pública pela Unesp Araraquara e Gestor de Projetos da Secretaria de Esportes da cidade interiorana, o executivo trabalha também por uma evolução na área de comunicação do esporte.

Segundo ele, as ações do último campeonato foram voltadas somente para o jogo, e não para a venda e o desenvolvimento da competição como um todo. Zero questiona ainda o motivo pelo qual o futebol feminino não foi incluído na premiação dos melhores do Nacional?

“Deveríamos premiar o Ricardo Goulart, Everton Ribeiro, Gil, Marcelo Oliveira e, na mesma festa premiar Raquel, Andressinha, Luciana e Douglas Onça. Você não pode gastar 10 milhões e não aproveitar as oportunidades a sua volta”, cobra o dirigente, que vê uma falta dos organizadores em querer desenvolver a modalidade.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, Zero fala ainda sobre seus primeiros passos na carreira os problemas no calendário.

“Acredito que a Ferroviária Futebol Feminino é um bom produto, com identificação com seu torcedor, cada vez maior nos nossos jogos. A empresa que se associar a esse nosso projeto certamente ganhará em valor. Não buscamos o patrocínio como ‘ajuda’, buscamos o patrocínio oferecendo contrapartida, de visibilidade e de valor”, finaliza.



 

Universidade do Futebol – Conte-nos um pouco sobre sua formação, trajetória profissional e sobre seu interesse pelo futebol feminino.

Danilo Zero – Apesar de não ter seguido a carreira como profissional de Educação Física sempre tive uma forte ligação com o esporte. Na fase escolar tive a oportunidade de prática em várias modalidades e, na minha graduação em Administração Pública, alguns de meus trabalhos e pesquisa foram direcionados a área esportiva, inclusive meu estágio, que realizei na Secretaria de Esportes de Araraquara, onde acabei sendo convidado posteriormente a fazer parte como funcionário.

Foi nesse ambiente que tive a oportunidade do contato com várias modalidades de competição do município e, o futebol feminino me despertou um interesse especial. Há alguns anos antes o time tinha conquistado títulos importantes no cenário da modalidade, mas, desde a perda de um forte patrocinador, não conseguia mais os resultados, apesar de ter mantido boas jogadoras no elenco. E, fora de campo, a modalidade sofria com a falta de estrutura, patrocínios, reconhecimento, etc. Era um time que estava com sérias dificuldades e sem perspectivas para os próximos anos, os resultados positivos dificilmente viriam a acontecer e, conseqüentemente, seus recursos recebidos seriam questionados e depois diminuídos.

Fui então convidado pelo Fabrício (hoje coordenador da Seleção Brasileira de Futebol Feminino) a aproximar da modalidade, participando de alguns jogos, treinos e troca de idéias. Foi nesse período que tive contato com as jogadoras de uma maneira mais intensa, quando tive a convicção de ajudar o time. Apesar desse cenário desfavorável, era impressionante o que as atletas faziam para jogarem futebol, o amor que elas tinham pela modalidade. Via nelas uma vontade de crescer, de ganhar, de desenvolver a modalidade, mas, sentiam falta de orientação e de apoio. Tive a sensação que poderia fazer algo pelo futebol feminino e pelo clube, e todo esse cenário difícil era ainda mais motivante, pois teria que me esforçar ao máximo para ajudar o clube a se reorganizar.

Universidade do Futebol – 
Você poderia nos falar como surgiu e se desenvolveu o projeto da equipe de Futebol Feminino da Ferroviária de Araraquara?

Danilo Zero – Lembro que no final da temporada de 2009, quando tive autorização para participar da gestão do time, tive uma conversa com todas as atletas, mostrando a nossa perspectiva para o futuro, pedindo que confiasse no nosso projeto e no nosso trabalho. Queríamos passar confiança para as atletas e contar com seu apoio no processo, que seria fundamental para nossa caminhada. Felizmente muitas delas entenderam e confiaram no nosso projeto, e nos ajudaram a construir essa identidade da Ferroviária.

Em 2010, no primeiro ano a frente do time procuramos organizar as estruturas: função e dever da comissão técnica, papel das jogadoras, locais, grade e horários de treinamento, deveres no alojamento, os objetivos para a temporada e nossos sonhos como clube para os próximos anos. Tínhamos que almejar uma melhora a cada ano, e não focar o planejamento sem ligação entre uma temporada e outra. Essa era a impressão que tinha, pois parecia que cada temporada era um projeto, quando as temporadas deveriam ser partes de um único projeto. Nossos objetivos não deveriam ser somente os títulos, era preciso ir além.

A organização do clube era um passo imprescindível, mas, se quiséssemos crescer era preciso ir além, fazer o que não fazíamos até então. E acredito que nesse aspecto foi minha melhor contribuição para o projeto, pois é natural que a parte técnica tenha seu enfoque em resultados técnicos, ou seja, tenha os olhos voltados para dentro de campo e tenham menos oportunidade de compreender a organização como um todo. Por isso, acho que colocar os objetivos técnicos dentro de uma filosofia, um planejamento de clube e modalidade, foi um grande diferencial da Ferroviária, para que as conquistas que viessem a ocorrem não significassem um fim em si mesmas.

Nesse sentido, iniciamos a discussão e uma filosofia que deveria guiar nossas ações dentro e fora de campo, sabendo que tínhamos o desafio de sermos competitivos, atrair público e superar um preconceito quanto à modalidade. Por exemplo, colocamos que a nível técnico a Ferroviária deveria jogar com posse de bola, sem dar chutões, com linhas organizadas e orientações claras de ataque quando estiver com a bola, e, nunca, nunca desistir em campo. Não queríamos somente ganhar jogos, tínhamos a responsabilidade de proporcionar prazer ao torcedor, para que ele sentisse orgulho de ver o time e o desejo de retornar ao estádio trazendo consigo mais uma pessoa. 

Já no nível de marketing, criamos um blog do time, com informações sobre as partidas, escalação, resultados, etc. Quase nunca se falava da Ferroviária nos jornais, então, criar nosso próprio canal foi importante para aproximarmos do torcedor de maneira direta, e também colocar uma referência para pesquisa da imprensa quando buscasse alguma outra informação. 

A partir dessa linha, dessa base, as coisas foram se desenvolvendo naturalmente. Óbvio que apareceram dificuldades no caminho, mas o importante foi manter o rumo durante todo esse processo. Fizemos ajustes durante o processo, por exemplo, reformulamos a comissão técnica após uma temporada, mas não mudamos a filosofia de trabalho e os objetivos, pelo contrário, agregamos valor e capacidade para desenvolver o projeto.




Universidade do Futebol – Após diversas conquistas nos últimos anos, entre elas uma Copa do Brasil e um Campeonato Brasileiro quais são os próximos passos para o projeto da Ferroviária? Como a equipe está se estruturando para continuar crescendo?

Danilo Zero – Acredito que os desafios ainda são muito grandes para a Ferroviária. São diferentes daqueles do início do projeto, mas são grandes no sentido de que, não superados, corremos o risco de ficarmos para trás no processo de crescimento da modalidade.

O primeiro deles é a parte estrutural, onde vemos que nossa estrutura atual é um limitador para nosso desenvolvimento. Treinamos em locais diferentes, através de parcerias que fizemos com os campos de futebol e academia. Nosso sonho é construir um Centro de Treinamento, onde poderíamos treinar e ficar alojados num mesmo local, inclusive para as categorias de base. Acho que ganharíamos muito em desenvolvimento técnico e em valor de marca tendo nosso próprio CT.

E o outro desafio é em relação a captação de recursos, fazer com que essas conquistas revertam financeiramente para o clube, para que possamos investir nas diversas áreas, principalmente em atletas, que naturalmente desejam terem uma melhor condição. Não podemos ficar felizes de ver uma atleta ter que ir para fora do país para dar uma condição melhor para sua família. Então é esse nosso desafio, aumentar patrocínios e receitas. Teremos que superar a barreira da falta de o investimento no futebol feminino, mas também teremos que superar a barreira do baixo investimento privado no esporte, que é histórico no Brasil.

Acredito a Ferroviária Futebol Feminino é um bom produto, com identificação com seu torcedor, cada vez maior nos nossos jogos. A empresa que se associar a esse nosso projeto certamente ganhará em valor. Não buscamos o patrocínio como “ajuda”, buscamos o patrocínio oferecendo contrapartida, de visibilidade e de valor.

Universidade do Futebol – 
Atualmente, quais as maiores dificuldades de se manter um projeto de futebol feminino como o da Ferroviária?

Danilo Zero – Nosso projeto ainda é dependente da Prefeitura Municipal, que sofre com constantes turbulências políticas e econômicas. Isso é ruim para o planejamento a longo prazo, por isso nosso objetivo é minimizar essa dependência, já foi maior, hoje é menor, mas há espaço para diminuir e essa é nossa intenção. 

Outra dificuldade é em relação a pessoas capazes de se dedicar a um projeto como esse. Não temos condições de remuneração a todos os profissionais envolvidos, que se restringe ao corpo técnico, ficando a organização e a administração como serviço voluntário. Isso é uma limitação, tanto por corrermos o risco de uma dessas pessoas deixarem a organização, como também para buscarmos novos profissionais para trabalhar no projeto.

Mas esses são desafios dentre muitos outros que estão na gestão do futebol feminino. O importante é que nós temos, se não todos, pelo menos a maioria deles identificados. No entanto, é natural que se leve maior ou menor tempo para as soluções, pois os desafios, assim como os objetivos, são de curto, médio e longo prazo, e nesse período de crescimento, os desafios vão se renovando; acredito que todas as organizações passam por isso, mas nem sempre elas conseguem identificar o momento que se encontram, assim como as suas limitações e as oportunidades para superação.


 

Universidade do Futebol – No futebol masculino o acesso a informações de jogadores para contratação é farta, devido a grande presença das mídias e de empresários especializados nestas transferências. Como isto ocorre no futebol femino? Como você e sua equipe fazem a busca por jogadoras para compor a equipe da Ferroviária?

Danilo Zero – É muito difícil esse processo no futebol, até mesmo pela quantidade de atletas que não é grande. Então aproveitamos ao máximo os campeonatos que disputamos para observar nos adversários possíveis reforços e mantemos um banco de dados com algumas informações. Procuramos vídeos na internet, mantemos contato com alguns treinadores e recebemos constantes pedidos de avaliação e indicação de jogadoras. Para jogadoras mais jovens procuramos realizar avaliações no próprio clube antes de fechar um acordo. Mas é um processo muito difícil e delicado, o risco de errar é alto, por isso, procurarmos informação dos mais variados meios para fazer seu cruzamento e tomar uma decisão.

Universidade do Futebol – Como está organizado o calendário de competições do futebol femino no Brasil? Quais as principais limitações do formato atual?

Danilo Zero – Em relação ao calendário, é preciso considerar que existe uma diferença sensível entre o futebol feminino no Estado de São Paulo e o futebol feminino no restante no Brasil. Enquanto em São Paulo o Campeonato Estadual possuiu cerca de 16 equipes e dura cerca de 5 meses nos demais estados muitas vezes somente 3 times disputam entre si qual delas representará seu estado na Copa do Brasil. Isso não é bom, mas infelizmente as federações não tem olhos voltados e vontade para mudar essa realidade.

Quanto a Ferroviária, temos um bom calendário de competições, pois disputaremos em 2015 a Copa do Brasil, o Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro e a Libertadores da América, o que nos garantirá um ano de bastante jogos. Porém, temos uma dificuldade, que é o calendário de treinos e jogos da Seleção Brasileira.

Infelizmente a Seleção Brasileira trabalha de uma maneira anti-produtiva para o futebol feminino no Brasil. Qualquer time do mundo, seja no futebol masculino ou feminino, gostaria de ter em seu elenco jogadores ou jogadoras de nível de seleção, times como Chelsea, Bayer de Munique, Real Madrid, Barcelona não abrem mão de ter Hazard, Schweinsteiger, Cristiano Ronaldo e Messi em seus elencos; eles gastam muito com isso, mas também ganham muito. Agora, um time de futebol feminino no Brasil tem dúvidas se contratar uma Marta ou Cristiane seria algo bom, pois o calendário de jogos da seleção tira essas jogadoras de seu time durante jogos do campeonato, e em momentos importante. Por exemplo, jogamos a final do Campeonato Paulista esse ano sem 7 jogadoras, que estavam treinando com a Seleção para a Copa América; iniciamos a primeira fase do Campeonato Brasileiro sem essas mesmas jogadoras e isso é um absurdo. O patrocinador está investindo nessas atletas, e nesse momento de maior exposição você não têm elas? Não é somente o prejuízo técnico em campo, é o que você deixa de ganhar, de explorar que você também perde.

Acho que a seleção brasileira deveria rever seu calendário de competições, não pode tirar a jogadora do clube durante 15 dias para disputar um amistoso sem muito sentido na Nova Zelândia. Jogamos cerca de 40 partidas no ano, ou seja, bem abaixo que qualquer time masculino da Séria A, e mesmo assim não conseguimos encontrar datas que as jogadoras possam servir a seleção sem prejudicar o clube. Em 2015 teremos Pan-Americano e Copa do Mundo, em 2016 teremos as Olimpíadas e, se não houver uma mudança, temo que os clubes deixem de investir em jogadoras convocáveis, o que seria desastroso para a modalidade que anseia por melhorias. Será que é muito difícil elaborar um calendário nacional de competições que respeite as datas para a seleção? Por que o futebol internacional consegue fazer isso e nós não?


 

Universidade do Futebol – Como estão estruturadas as categorias de base dos clubes femininos no Brasil? Como funciona o projeto da Ferroviária em relação a este importante setor? Quais as principais as dificuldades encontradas?

Danilo Zero – Existem trabalhos isolados nas categorias de base no Brasil. Não existem competições estaduais ou nacionais nessa categoria, o que é um dos motivos para que não tenhamos muitas equipes nessas categorias. Infelizmente, então as jogadoras jovens buscam seu espaço diretamente em competições adultas e, por isso, não passam pelo processo de amadurecimento e formação necessários. Isso é ruim para toda a cadeia de futebol feminino no Brasil, que refletirá lá na frente, quando precisarmos de uma seleção adulta forte para conquistar um título internacional importante. Não temos em boa quantidade jogadoras de alto nível, e uma das razões é a falta de investimento na base e em competições de base.

Na Ferroviária mantemos as categorias sub-17 e sub-15, que disputam Campeonato Estadual, vinculado a Secretaria Estadual de Esportes, cuja competição dura 1 semana, ou seja, a atleta treina o ano todo para poder disputar 1 semana de competição, isso só não é pior que não disputar nada. Se quisermos realmente desenvolver o futebol feminino precisaríamos de um campeonato estadual para essas categorias, que jogassem por exemplo, 2 jogos no mês, 20 jogos no ano. Se isso não ocorrer, dificilmente formaremos jogadoras na qualidade e quantidade necessária.

Universidade do Futebol – Sabe-se que ainda existe algum preconceito em relação a mulheres que jogam futebol. Quais suas impressões sobre este cenário? Você vivencia situações de preconceito de pais ou outras pessoas contra meninas que tem o desejo de se tornar jogadoras de futebol?

Danilo Zero – O preconceito existe e não é pouco. No entanto, em Araraquara estamos conseguindo mudar essa realidade. O time de futebol feminino era algo alienado da sociedade, existia um bloqueio das atletas em participar da vida cotidiana como qualquer cidadão. Trabalhamos no sentido de diminuir essa barreira, pois o futebol feminino faz parte da sociedade, e não está a margem dela. Dessa forma, com o tempo, nosso circulo de amizade foi crescendo e consequentemente a aceitação pela modalidade.

Colaborou também para isso a nossa forma de jogar, naturalmente do futebol feminino mais plástico e com menos força, com mais tempo de bola rolando, se comparado ao masculino. Dessa forma, algumas pessoas começaram a ter mais prazer em ver o futebol feminino a ver o masculino, até porque nossos resultados ajudaram nisso. Então, fomos de certa forma superando esse preconceito, que não está eliminado, mas que estamos conseguindo vencer.

Quanto a família das jogadoras não lembro de nenhum caso de atleta jogando contra a vontade de seus pais, pelo contrário, elas recebem o total apoio de suas famílias. Isso é importante, pois não é uma escolha fácil ser atleta no Brasil, e contar com o consentimento da família é importante para ter segurança em momentos difíceis.

Universidade do Futebol – 
Em 2012, a Ferroviária e a Universidade do Futebol realizaram uma parceria para a realização de cursos de formação continuada pelos profissionais. Para você, qual a importâcia de iniciativas como esta para o desenvolvimento do futebol feminino?

Danilo Zero – O futebol brasileiro de uma maneira geral deixou acompanhar a evolução que ocorreu na Europa e em outros países, ficamos isolados e isso trouxe conseqüências. Acredito que temos bons profissionais nas mais diversas áreas, mas estes encontram barreiras para demonstrarem sua capacidade nos clubes, visto que a maioria deles são geridos da forma que “sempre deu certo”, e por isso acreditam que não precisam mudar. Mas veja, se nós perguntarmos para uma companhia de sucesso se sua forma de produção ou sua forma de vender seu produto é a mesma de 30 anos atrás, certamente ela responderá que teve muitas mudanças durante esse tempo, pois teve que se adaptar as exigências e a competitividade do mercado; já as companhias que não fizeram isso, perderam espaço ou deixaram de existir. O futebol não deve encarado de forma diferente, faz parte do contexto mundial, e a velocidade de mudança está em todas as indústrias, e o futebol não deve ficar a margem desse processo. Não ficou na Europa, não ficou no Japão, mas ficou no Brasil.

A capacitação que fizemos com nossos profissionais vem nesse sentido, pois foram atletas profissionais de futebol, e isso traz uma bagagem e uma experiência importante e de maneira nenhuma deve ser ignorada. Mas para atingir a competitividade necessária tínhamos que ir além, e fomos humildades em compreender que era necessário estudar o futebol, atualizar-se as novas formas de treinamentos, conceitos de jogo e demais orientações. E essa capacitação deve ser constante, é uma exigência para continuar crescendo.

Acredito que seja menos difícil para o futebol feminino acompanhar as mudanças do futebol, se comparado ao futebol masculino. Isso porque existem muito menos clubes da modalidade e, por não existir ainda um corporativismo, é menos difícil propor mudanças. Nesse sentido, veria com bons olhos um plano nacional para capacitação técnica dos profissionais dos clubes de futebol feminino, acho que isso contribuiria significativamente para a modernização da modalidade. Acho que o futebol feminino pode dar esse exemplo, e ganhar em valor com isso.

Universidade do Futebol – Na sua opinião, quais as principais ações que poderiam ser feitas para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil?

Danilo Zero – Existem muitas iniciativas que poderiam ser tomadas para o desenvolvimento da modalidade, mas acho que todas elas deveriam vir com lastro de viabilidade de mercado, ou seja, que o investimento seja acompanhado pelo desenvolvimento. Por exemplo, pelo segundo ano a Caixa investiu no Campeonato Brasileiro, e isso foi importante, pois a falta de calendário de jogos é uma das dificuldades da modalidade. No entanto, se a Caixa não investir, dificilmente outra empresa a substituirá, pois nossas ações do campeonato foram voltadas somente para o jogo, e não para a venda e o desenvolvimento do campeonato como um todo. O que poderia ter feito? Por exemplo, por qual motivo o futebol feminino não foi incluído na premiação dos melhores do Campeonato Brasileiro? Deveríamos premiar o Ricardo Goulart, Everton Ribeiro, Gil, Marcelo Oliveira e, na mesma festa premiar Raquel, Andressinha, Luciana e Douglas Onça. Você não pode gastar 10 milhões e não aproveitar as oportunidades a sua volta. A Fifa faz um mega evento para premiar Messi, Cristiano Ronaldo, entre outros, mas aproveita esse mesmo espaço e mídia para premiar Marta e Wambach. Falta, então, vontade para querer desenvolver o futebol feminino daqueles que detém o poder de organização.

Uma outra questão importante que devemos levar em conta é o vinculo do clube com a sua localidade, com a cidade. Se o clube quiser ser viável, precisa de mercado, ou seja, precisa de torcedores. E precisa fazer com que os torcedores saibam o papel importante que eles têm para com o time, é uma relação. Não é barato manter uma equipe de futebol feminino, mas se comparado ao masculino, a relação custo benefício pode tender ao feminino, pois com um mesmo valor de investimento você faz um time feminino campeão e não faz o mesmo com o masculino. É o retorno de auto-estima da população que precisa ser levada em conta, precisamos estar abertos a novas formas de entretenimento. É um retorno social que o futebol feminino pode oferecer, inclusive no resgate da presença das famílias no estádio, algo que está acontecendo em Araraquara.

Vejo que os clubes têm muito a colaborar nesse sentido, mas não menos importante é o papel das Confederação, das Federações, Sindicatos e outras organizações para movimentar essa engrenagem. Acredito que ter pessoas nessas entidades que só cuidassem do futebol feminino, no pensamento e organização da modalidade, seria um primeiro passo importante. 

O Ministério do Esporte tenta propor investimento e outras ações, mas não detém sua organização, e isso é uma barreira. Por isso, essas organizações podem e devem formalizar um plano de desenvolvimento da modalidade, e que este seja viável economicamente. Acho que por não existir algo sólido, uma cultura enraizada como no futebol masculino, pode ser um ponto a favor para o futebol feminino, pois as mudanças necessárias encontrarão barreiras menos consolidadas.


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L!OPINA: Uma sugestão interessante contra o confuso calendário do futebol

 

LANCEPRESS! - 24/02/2015 - 10:56 Rio de Janeiro



Uma alternativa mais inteligente para os grandes clubes do Rio e de São Paulo que os campeonatos estaduais

 

 

Não é novidade para as pessoas que acompanham o futebol brasileiro que o calendário de nosso futebol é uma ofensa à inteligência de todos. Melhorar o calendário de nosso futebol é uma necessidade absoluta da prestigiada atividade esportiva.

No entanto, cabe ressaltar que, mesmo se mantendo a péssima estrutura do calendário atual, melhorias podem ser feitas. Por exemplo: por que os grandes clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro são obrigados a dispor 19 datas para disputar enfadonhos e desinteressantes campeonatos estaduais?

Não seria mais interessante os clubes do eixo Rio/São Paulo utilizarem essas mesmas 19 datas para disputarem uma atrativa Copa Rio/São Paulo?

Poderia acontecer o seguinte:

a) Seria criada a Liga Rio / São Paulo de Clubes, composta de oito clubes fixos: os quatro grandes do Rio de Janeiro (Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo) e os quatro grandes de São Paulo (São Paulo, Santos, Corinthians, Palmeiras).

b) Estes oito clubes jogariam a Copa da Liga Rio / São Paulo, em 19 datas. Assim, utilizariam as 19 datas dedicadas ao certame, não aos campeonatos estaduais.

c) O certame teria a Taça Guanabara, ou primeiro turno (nove datas), a Taça Bandeirante, ou segundo turno (nove datas), e a disputa do título (uma data).

d) Na Taça Guanabara, ou primeiro turno, os oito clubes jogariam entre si, classificando-se os quatro melhores para a semifinal (sete datas). Na semifinal, primeiro da fase classificatória jogaria contra quarto da fase classificatória, da mesma forma que segundo da fase classificatória jogaria contra terceiro da fase classificatória, em jogo único (uma data). Os vencedores da semifinal fariam a final em jogo único (uma data).

e) Na Taça Bandeirante, ou segundo turno, os oito clubes jogariam novamente entre si (com o mando de campo invertido em relação ao primeiro turno), classificando-se os quatro melhores para a semifinal (sete datas). Na semifinal, primeiro da fase classificatória jogaria contra quarto da fase classificatória, da mesma forma que segundo da fase classificatória jogaria contra terceiro da fase classificatória, em jogo único (uma data). Os vencedores da semifinal fariam a final em jogo único (uma data).

f) Se algum clube vencesse os dois turnos, seria proclamado campeão. Caso clubes distintos vencessem cada turno, haveria um jogo decisivo entre eles, pela disputa do título (uma data).

Como se vê, com as mesmas 19 datas que hoje os grandes clubes dedicam à disputa de enfadonhos campeonatos estaduais, poderiam jogar uma Copa da Liga Rio / São Paulo, atraente, competitiva e lucrativa. Por que não fazem isso? Quem conhece a estrutura do futebol brasileiro sabe a resposta.

Luis Filipe Chateaubriand é Membro do Bom Senso Futebol Clube e Autor da Obra “Um Calendário de Bom Senso para o Futebol Brasileiro”

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O que o novo contrato de TV da Premier League tem a nos ensinar

Desde o nascimento da Liga até os dias atuais, o foco sempre foi transformar a competição em um grande produto televisivo global

 

Amir Somoggi / Academia LANCE!

 

 

Gráfico da Premier League

 

 

 

O mundo do futebol ficou surpreso com o novo contrato assinado pela Premier League pelos direitos de transmissão da competição mais valiosa do futebol mundial. Para quem acompanha o trabalho dos ingleses, não foi tão surpreendente o crescimento de 70% nos valores, um contrato que supera 5 bilhões de libras.

A Liga, criada em 1992 se transformou em uma potência comercial global, com seus jogos assistidos por bilhões de telespectadores todos os finais de semana. Segundo dados da Liga 645 milhões de casas em 175 países do mundo acompanham as partidas, metade dos fãs globais de futebol. 

A Premier League conta com 1,16 bilhão de fãs no mundo e mais de 4 bilhões de telespectadores. O site da Liga tem 13,4 milhões de unique users, conta com 25 milhões de fãs nas redes sociais e seu Fantasy Game  tem 3,2 milhões de usuários.

Desde o nascimento da Liga até os dias atuais, o foco sempre foi transformar a competição em um grande produto televisivo global. Em 1992 o primeiro contrato de TV da Premier League totalizou 15 milhões de libras, para ser dividido entre os 20 clubes. Cinco anos depois já estava em 100 milhões de libras, quase 7 vezes mais. 

O valor não parou de subir e em 2008 deu um grande salto de 64% em comparação com o ano anterior, quando passou de 503 milhões de libras para 825 milhões de libras . Atualmente o valor recebido pelos clubes é 104 vezes maior que o primeiro contrato  assinado 22 anos atrás. E com o novo valor assinado será ainda maior.

Todas as vezes que o contrato cresceu, os novos valores beneficiaram todos os clubes, grandes, médios e pequenos. Os clubes têm o mesmo peso nas decisões da Liga e na discussão sobre a divisão das receitas. Essa  regra criada pelos americanos e seguida pelos ingleses,tem como objetivo a busca por um equilíbrio entre os times, por meio de um justo sistema de divisão das receitas da TV.

Na temporada 2013-14 a Premier League repassou 1,56 bilhão de libras aos clubes pelos direitos de TV. Todos os clubes iniciam a temporada com um mínimo  garantido idêntico de 52 milhões de libras, pelos direitos domésticos, internacionais e patrocínios, que representam  67% do contrato total. Os 33% restantes são os ganhos variáveis.

Do volume total, 433 milhões de libras são referentes aos diretos domésticos e outros 611 milhões pelos direitos internacionais e acordos comerciais da Liga com patrocinadores. Os 519 milhões de libras restantes são repassados como em remuneração variável do contrato pelo desempenho dos times e pelos jogos transmitidos.

O clube que menos recebeu por participar da Premier League  na última temporada foi o Cardiff com ganhos de 62 milhões de libras e o clube que mais recebeu, o Liverpool somou 97,5 milhões de libras. A diferença do que mais recebe para o último é de apenas 1,57 vezes e a cada ano o volume aumenta e esse índice é reduzido, com menos diferenças entre os clubes.

No Brasil o valor passa de 6 vezes e na Espanha quase 8 vezes. A Inglaterra já mostrou que o caminho que o futebol brasileiro está seguindo seguramente é o equivocado.


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