Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

terça-feira, junho 23, 2009

A empáfia desnudada

A verdade nos pequenos detalhes

by Paulinho

Mano Menezes é um Luxemburgo disfarçado.

Envolvido em transações de jogadores, o treinador é daqueles que calcula muito o que vai falar.

E quase sempre se dá bem.

Menos quando é flagrado em um momento de nervosismo, ou até de relaxamento.

É nesta hora que a verdade surge, e a mascara cai.

Em um passado não tão distante, o treinador corinthiano ofendeu um companheiro de profissão, ao citar um momento trágico de sua vida, no intervalo de uma partida.

Com o sorriso amarelo, no outro dia, Mano Menezes tentou amenizar sua declaração.

A imprensa amiga, tratou de esquecer.

Mas ontem, novamente, ele faltou com respeito a um profissional.

E recebeu uma resposta a altura de sua idiotice.

“Você é interino, seu técnico é o Muricy. Deixa eu falar com o árbitro” – foram as palavras de Mano Menezes, na clara tentativa de desvalorizar o trabalho do oponente.

Milton Cruz não deixou por menos: “Você ganhou o que? Eu sou tri-campeão do mundo”,

“Sou funcionário do clube há 15 anos e não tenho suspeita de p… nenhuma”

Fez bem.

É nos momentos de sucesso que o caráter verdadeiro do ser humano aflora.

Mesmo daqueles que costumam esconder sua verdadeira personalidade.

Este é o caso do treinador corinthiano.

O outro lado dos refletores

Muricy, o vizinho do 74

Por JOSÉ TRAJANO

Somos vizinhos há mais de dez anos. E raramente nos vemos no condomínio. Moramos em prédios diferentes, e jamais fora a seu apartamento. Nossos filhos, porém, são amigos. Jogam bola e participam de torneios de videogame no salão de festas. Na noite de sexta-feira, o vizinho do 74 era o nome mais falado da cidade. Todos os telejornais e sites divulgavam com alarde que ele havia sido demitido do emprego. Um emprego e tanto! E, então, decidi visitá-lo.

Resolvi interfonar para não usar a prerrogativa de ser vizinho. Ele não estava, mas deixei recado com sua mulher que se chegasse e estivesse disposto a conversar, me telefonasse. Poucos minutos depois, ele ligou e pediu que fosse até lá. No caminho, fiquei pensando que deveria estar cercado de gente, de amigos, ex-companheiros de clube ou coisa parecida. Qual não foi a minha surpresa quando me recebeu com a porta já aberta e sozinho na sala.

Ao contrário do que imaginava, estava tranquilo e sereno. Sem nenhuma ponta de mágoa, rancor, bronca. Parecia ter tirado um peso das costas. Seu rosto revelava a certeza de que havia saído de cabeça erguida e com a sensação do dever cumprido. Fora o momento que se queixou de Cuca, por ter ligado ao presidente Juvenal para pedir conselho se deveria sair ou continuar no Flamengo, atitude que ele enxergou como falta de ética, o vizinho conversou sobre tudo com muita tranquilidade.

Para ele, a diretoria anda mais preocupada com o Morumbi do que com o time. Os cartolas só pensam no estádio, na Copa do Mundo de 2014, e os problemas do time ficaram em segundo plano. E havia problemas no elenco. Falta de parceria, disse. Que eu entendi como ciumeira de alguns jogadores com os novos que chegaram este ano.

Sem levantar a voz ou tentar se desculpar pelos maus resultados, o vizinho lamentou não ter conseguido Conca como reforço. “Ele esteve duas vezes aqui, mas o negócio não vingou”, disse. Um bom meia de ligação teria feito o time jogar diferente, com mais liga entre a defesa e o ataque, sem precisar jogar à base de lançamentos longos para o setor ofensivo.

O vizinho desconfiava que, mais cedo ou mais tarde, a demissão iria acontecer, porque ele não tem o jeitão que alguns dirigentes imaginam para um técnico do São Paulo. Não é de frequentar bons restaurantes para fazer companhia aos cartolas, não gosta de interferências na contratação de reforços e acredita até que a maneira de se vestir deixava essa turma incomodada. “É o meu jeito, simples, sem frescura, sem afetação, que as vezes eles não gostam.”

Toquei na decisão que tomamos em não mais ouvi-lo depois de uma entrevista que achei grosseira . Ele disse que não guardou mágoa e que somos meio parecidos na defesa de quem trabalha com a gente. Até os filhos brincaram com ele, achando que andava meio rabugento.

Já era de madrugada quando fui embora. Um pouquinho antes de sair, chegaram Pi e Fabinho, dois de seus três filhos. O vizinho me contou que o Pi (sou testemunha que joga muita bola) voltou muito irritado do Morumbi depois da derrota para o Cruzeiro e prometeu não torcer mais pelo São Paulo. O vizinho discordou do filho e disse que não podia abrir mão de sua paixão, que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Voltei para casa com a impressão de que meu vizinho é mesmo aquilo que diz. Gosta de ficar em casa, em companhia da família, dos cachorrinhos que leva sempre para passear, de lavar louça para passar a ansiedade e de ir ao sítio em Ibiúna para descansar. É um cara simples, um trabalhador do esporte. Sem banca, sem arrogância, não tem nada de “professor”.

Ele sabe que foi a derrota da arquibancada para a numerada. Mas sabe também que saiu por cima. A torcida gritou seu nome a todo instante, e isso ele não esquecerá nunca. Quer dar uma parada, já jogou no lixo tempos atrás uma proposta milionária do Catar, mas não creio que fique parado por muito tempo. Continuo achando que precisa ter mais educação nas entrevistas, após uma partida, mas me conquistou pela sinceridade e autenticidade.

É um bom sujeito o vizinho do 74. Boa sorte para ele.

Os maus exemplos made in Europa

A exuberância irracional que invade o futebol

De “O ESTADO DE SÃO PAULO”

Por ROQUE CITADINI

Em meio a uma das maiores crises econômicas que o mundo vive nestes últimos cem anos, dias atrás o esporte recebeu a bombástica notícia das contratações de Kaká e Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid.

A notícia surpreende não somente pelos valores envolvidos (€ 65 mi e € 94 mi), mas porque o clube espanhol se encontra imerso em enorme dívida, cerca de R$ 1,3 bi, como informou Jamil Chade, no Estado, na semana passada. A reportagem traz informação mais surpreendente ainda: a de que a contratação dos superastros somente foi possível graças à linha de crédito de dois bancos espanhóis, Caja de Madrid e Grupo Santander, que, em troca do vultoso empréstimo, obtiveram como garantia a renda que virá dos direitos de transmissão dos jogos do time pela tevê.

Sob todos os pontos de vista a negociação traz interrogações: o fato de que a crise econômica que se abate sobre o mundo não ter sido superada e, pelo contrário, alguns afirmam que não chegamos ao fundo do poço; os bancos, em todos os países, inclusive os espanhóis, foram socorridos por muito dinheiro dos governos e, portando, deveriam evitar operações de retorno duvidoso.

De há muito, clubes de futebol, especialmente os espanhóis, não trabalham com a idéia de que suas receitas devem suportar suas despesas.

Fosse essa a meta, esses negócios não teriam ocorrido. A lógica é de que se façam aventuras, porque o governo os socorrerá depois. Só isso permite tal tipo de contratação.

Como em passado próximo, o Real Madrid foi socorrido pelo governo local, por meio de generosa compra de imóvel.

Já é tempo de o futebol superar essa “exuberância irracional”, de que falava Alan Greenspan, ao criticar a exagerada especulação no mercado de ações norte-americano.

Ou os clubes sobrevivem com orçamentos equilibrados, ou teremos de instituir o modelo espanhol de subsídios para essas contratações economicamente insustentáveis.

O exemplo apresentado pelo Real Madrid é péssimo indicativo a todo o futebol. Ele não deve servir de parâmetro nem para os clubes brasileiros nem para o governo. As agremiações devem buscar equilíbrio em suas contas e não trabalhar com a expectativa de terem sempre um grande déficit a ser coberto por ações oficiais.

sexta-feira, junho 19, 2009

Tática para quem dela precisa

As equipes brasileiras vs o 1-4-4-2 com duas linhas de quatro
Enquanto apostamos no surgimento de novos talentos, craques e fenômenos ao prazer do acaso, outros países têm investido cada vez mais em processo de formação e conhecimento

Por que as equipes brasileiras mostram dificuldades para jogar quando enfrentam equipes da América do Sul que jogam com “duas linhas de quatro jogadores”?

Essa pergunta foi feita por um dos notáveis, do Café dos Notáveis, logo após o 1º jogo entre Palmeiras e Nacional do Uruguai pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América 2009. O jogo terminou empatado (1 a 1). Muito interessante sob vários aspectos.

O futebol brasileiro vive um momento interessante. Do “passado discurso recente” de que no futebol não há mais nada para se “inventar” ao “presente discurso recorrente” de que temos coisas novas para aplicar, um sem número de discussões tem surgido para defender essa ou aquela tese. Jogadores de sucesso internacional vêm sendo repatriados, e tem se tornado comum que, vez ou outra, um deles defenda em público a idéia de que o futebol brasileiro está muito atrasado com relação ao europeu – fora de campo (nenhuma novidade!) e dentro dele.

O posicionamento desses jogadores sobre as questões táticas do jogo comumente causa polêmica. Aqueles mais intelectualizados (poucos!) sustentam facilmente seus argumentos e deixam jornalistas e “especialistas” esportivos sem espaço para seus devaneios “boleirísticos”. Os outros pensam que têm razão, mas não conseguem materializá-la em palavras, e logo são vencidos por retóricas mais incisivas.

Pois bem. Na pergunta inicial do texto, a evidência de um fato: equipes brasileiras têm dificuldades para enfrentar esquemas táticos que estruturam duas linhas de quatro jogadores para marcar. Mas como a questão voltou à tona em função do jogo entre Palmeiras e Nacional do Uruguai, ao invés de falar especialmente das dificuldades das equipes brasileiras em geral, vou falar da equipe do Palmeiras especificamente no jogo mencionado.

Sim, a equipe brasileira teve dificuldades contra o 1-4-4-2 com duas linhas de quatro da equipe uruguaia. Jogadores foram substituídos, mudanças foram feitas e de resultado efetivo... nada!

Em primeiro lugar eu diria que os problemas palmeirenses não estiveram presentes especificamente nas “linhas de quatro” uruguaias, mas sim no fato de que elas (as linhas) foram construídas tendo referências zonais; e aí a minha antiga tese: como confundimos marcação zonal com marcação individual por setor, não sabemos exatamente o que fazer contra marcações zonais – diagnóstico equivocado, remédio errado; como confundimos marcar à zona com jogar à zona, centramos o problema na construção defensiva do adversário e não no jogo em si.





Quando uma equipe constroi em seu sistema defensivo referências zonais, passa a ter como norte para a ação dos jogadores a ocupação inteligente dos espaços do campo de jogo, porque a preocupação fundamental dela está em marcar esses espaços, fechando linhas de passe e protegendo setores específicos do campo. Então, o problema primário dessas referências não está em não deixar o jogador adversário sozinho em zonas de risco, mas sim impedir que a bola efetivamente chegue até ele em condições reais de perigo.





Quando a referência zonal, em um 1-4-4-2 está estruturada em duas “linhas de quatro”, solicita-se à equipe que o aplica uma manutenção permanente das linhas, flutuando de um lado ao outro do campo de jogo de acordo com a posição da bola, sem permitir que elas se quebrem, sofrendo apenas algumas conformações em função das situações criadas pelo adversário.

Uma de suas fragilidades está no espaço “vazio” que surge entre as duas linhas (que é um espaço de responsabilidade dos jogadores das duas linhas, e que por ser uma área de transição entre elas, traz possibilidades de indecisão e quebra na estrutura por parte de quem marca), que se torna, portanto, região intensamente protegida para impedir que a bola penetre nela.

A equipe do Palmeiras aproveitou muito mal essa fragilidade. Foram raros os momentos em que um de seus jogadores ocupou esse espaço (sendo àquele que medianamente o fazia [Keirrison], dando um pouco mais de trabalho à equipe uruguaia, substituído por Luxemburgo).

Para não ter dificuldades em estruturar as suas linhas zonais sem bola no campo de defesa durante as transições defensivas, o Nacional, quando tinha a posse da bola no seu campo de ataque, também se estruturava de forma zonal, mas aí, ao invés do 1-4-4-2 em linha, construía um 1-4-4-2 com um quadrado na “linha” do meio-campo (que era rapidamente desmanchado para transicionar à linha propriamente dita).




A opção pelo 1-4-4-2 em quadrado (em equipes que marcam no 1-4-4-2 em linha) se deve principalmente ao fato de que essa estrutura, comparada ao 1-4-4-2 em linha, propicia um balanço defensivo mais sólido na transição ataque-defesa, especialmente pela melhor ocupação da faixa central do campo de jogo.



Então outro aspecto que tem se tornado marca no Palmeiras, que é a construção de contra-ataques incisivos quando recupera a posse da bola, acabou por se dissolver na boa estrutura de transição defensiva da equipe uruguaia, que, para as bolas curtas, apostou no seu quadrado zonal do meio-campo e nas bolas longas no posicionamento congruente de seu goleiro, que foi elemento efetivo da composição do sistema defensivo do Nacional (possibilidade aproveitada por poucos treinadores no Brasil).



Na equipe do Palmeiras, por exemplo, o posicionamento do goleiro não esteve associado à estrutura do balanço defensivo, porque na grande maioria das vezes em que isso poderia se evidenciar acabou não se mostrando regra. Vale destacar, claro, que essa não participação efetiva e permanente do seu goleiro no balanço defensivo, apesar de não representar problema visível no nível da estratégia (especialmente pela forma com que se construiu o jogo), pode atrair os padrões de auto-organização coletiva da equipe do Palmeiras a direções não desejadas.



E como se não bastassem os problemas que o jogar zonal da equipe uruguaia trouxe ao jogar da equipe brasileira, escapou ainda ao Palmeiras a compreensão para identificar princípios operacionais e regras de ação mais adequadas para a construção do seu atacar, defender e transicionar (por exemplo, apesar de ter como princípio operacional ofensivo a progressão ao ataque – o que poderia parecer adequado para confrontar o princípio operacional de defesa da equipe uruguaia, especialmente a partir da “linha 3”, que era o de impedir progressão – o Palmeiras errou na maior parte do tempo adotando como princípio operacional de transição ofensiva retirar a bola da zona de recuperação/pressão; isso fez a equipe perder tempo para construir sua fase de ataque, permitindo ao Nacional ocupação do espaço equilibrada para cumprir sua organização de defesa).

A partir daí, só restou ao Nacional, direcionar a equipe brasileira para as faixas laterais do campo, ora para forçá-la a circular a bola sem objetividade, ora para encaixar a marcação e recuperar sua posse.



Pois é. Enquanto apostamos no surgimento de novos talentos, craques e fenômenos ao prazer do acaso (já que, em geral – ainda que haja exceções –, o trabalho de base no Brasil, com aplicação efetiva de Ciência, quase não existe), outros países têm investido cada vez mais em processo de formação e conhecimento (de jogadores e treinadores!). Claro, poucos são os que podem se dar ao luxo de ter muitos milhões de praticantes de futebol, para que mesmo “aos trancos e barrancos” apareça alguém especial.

E o pior de tudo é que não percebemos que não é só na Europa, mas alguns de nossos vizinhos já passaram à nossa frente; em modelos, métodos e meios de trabalho. Mas fazer o quê, enquanto tivermos nossos grandes jogadores resolvendo os problemas, que não são deles (no jogo e fora dele), continuaremos ainda perdendo e ganhando sem saber realmente por quê. E aí, bom, aí deixa pra lá...

Por: Rodrigo Azevedo Leitão

Apredendo a aprender

Os óculos táticos: enxergando o jogo anárquico e o jogo elaborado
De acordo com o conhecimento que os jogadores têm sobre o jogo, as suas formas de jogar se modificam em direção a uma dinâmica mais elaborada
Com objetivo de auxiliar as “discussões de boteco” Brasil afora sobre os jogos das equipes “do coração” de torcedores e especialistas, reproduzo abaixo parte de um texto produzido por esse que vos escreve – (LEITÃO, 2009) – mas que ainda não está disponível na internet; partindo dos construtos de Júlio Garganta. É mais um dos óculos para enxergar o jogo com contornos diferentes:

“(...) Segundo Garganta (1998), os “
jogos desportivos coletivos” (JDC) pertencem a um grupo de esportes – no qual se enquadra o futebol – que se caracterizam por apresentarem dois traços fundamentais que lhes asseguram conteúdos ricos e de identidade ímpar:

a) são esportes em que há um apelo a cooperação entre jogadores de uma mesma equipe para obter sucesso na oposição aos jogadores adversários, permitindo a eles exprimir suas individualidades e manifestar suas capacidades, ao mesmo tempo que aprendem a subordinar seus interesses pessoais aos interesses da equipe.

b) são esportes em que há apelo a inteligência, pois há necessidade constante de elaborar e operar respostas adequadas aos problemas que surgem de forma diversificada e aleatória no jogo.

Eles (os JDC) são atividades em que a ação do jogador em campo é determinada pela manifestação complexa da interação de fatores de natureza psíquica, física, tática e técnica, que surgem em resposta a acontecimentos de frequência, ordem cronológica e complexidade imprevisíveis, e das quais a qualidade depende do conhecimento (vivência) que o jogador tem do jogo.

Então, de acordo com o conhecimento que os jogadores têm sobre o jogo, as suas formas de jogar se modificam em direção a uma dinâmica mais elaborada.

Para Garganta (1998), existem nos jogos indicadores que representam níveis de evolução do jogo e que podem sinalizar, a partir de sua identificação, a fase (nível) do jogar (em direção ao jogo elaborado) em que se encontra uma equipe. Então, tanto para níveis mais fracos de jogo quanto para níveis de bom jogo é possível definir aspectos que os caracterizam. Em geral, os aspectos que caracterizam um jogo de nível fraco são os seguintes:

a) aglutinação de jogadores próximos a bola;
b) ações com bola centradas em um jogo individual;
c) ausência de movimentações para procurar espaços e facilitar o passe do companheiro que está com a bola;
d) não defender;
e) comunicação verbal exagerada para pedir a bola e/ou criticar os companheiros de equipe;
f) desrespeito as decisões do árbitro.

Já para um bom nível de jogo, os aspectos que o caracterizam são:

a) boa movimentação da bola através de passes;
b) distanciamento do companheiro de equipe que está com a bola;
c) busca de espaços vazios no sentido de receber a bola;
d) intenção de receber a bola e observar o jogo, lendo-o;
e) movimentação para criar linha de passe após ter passado a bola;
f) buscar espaço adequado a organização da equipe, afastando-se do companheiro que tem a bola;
g) não esquecer o objetivo do jogo (no caso do futebol, o gol).

Tanto em níveis mais baixos (fracos) de jogo quanto em níveis mais elaborados, é possível reconhecer várias fases do jogar em função das características reveladas pelos seus praticantes a partir de como eles estruturam o espaço de jogo, como se comunicam nas ações do jogo e como se relacionam com a bola (Quadro 1).

A estruturação do espaço de jogo está associada à ocupação individual/coletiva do terreno de jogo, defensivamente e ofensivamente, de maneira inteligente tanto pra criar vantagens espaciais e numéricas e ocupar de forma equilibrada as zonas do terreno, quanto para aumentar ou diminuir o espaço efetivo de jogo em largura e profundidade.

A comunicação na ação, por sua vez, refere-se à transmissão da informação, verbal ou não verbal, sobre as ações e circunstâncias do jogo, individuais ou coletivas dos jogadores; e a relação com a bola refere-se ao controle e domínio das ações realizadas com bola a fim de resolver problemas do jogo.

Então, a partir de uma análise do jogo pautada nesses aspectos, é possível caracterizar jogos com indicativos de anarquia (jogo anárquico), com indicativos de descentração (jogo descentrado), com indicativos de estruturação (jogo coordenado ou estruturado) e com indicativos de elaboração (jogo elaborado).

Ainda que o jogo possa ser observado a partir de aspectos que o caracterizam em níveis e fases, há de se destacar que existem também etapas de referência que correspondem a distintas relações entre os elementos do jogo “jogador, bola, companheiros, adversários e alvo”. Esses elementos, segundo Garganta (1998), produzem relações distintas, que, para aprendizado e evolução do jogar, podem ser enunciadas em “eu-bola” (centro na familiarização, controle e ação do jogador com a bola), “eu-bola-alvo” (centro no objetivo final do jogo através do arremate), “eu-bola-adversário” (centro na combinação de habilidades, na conquista e manutenção da bola; além da busca à finalização), “eu-bola-colegas-adversários” (combinação de habilidades, com transmissão da bola e exploração de conceitos de defesa e de ataque) e “eu-bola-equipe-adversários” (com aproximação do jogo formal e exploração de princípios de jogo, de defesa e de ataque).

O domínio das habilidades técnicas (passe, condução, finalização, etc.) “
embora se constitua como um instrumento sem o qual é muito difícil jogar e impossível jogar bem, não permite necessariamente acesso ao bom jogo” (GARGANTA, 1998, p. 21).”

Trabalho mencionado nesse texto:

GARGANTA, J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos. In: OLIVEIRA, J.; GRAÇA, A. (org.). O ensino dos jogos desportivos coletivos. 3.ed. Porto: Universidade do Porto,1998.

O futebol precisa de pensadores

O peso da servidão ou mesmo ignorância pedagógica
Não aceite a volta à servidão escolar. Faça por merecer a liberdade!

Infelizmente, sufocado pela resignante e paradoxal paciência histórica, sei que terei uma grande chance de não ver em vida o domínio das novas tendências em pedagogia do esporte sobre o tecnicismo reinante, principalmente aqui no Brasil (especialmente, quando o esporte é o futebol).

Mas, apesar do revés, sei também o quanto preciso e posso ser a areia que provoca na concha a necessidade de formar a pérola. Pois, acredito muito nos meus professores, alunos, ex-alunos, orientandos e a competência dos profissionais com os quais compartilho idéias e projetos.

A luta demanda ajuda de Sun Tzu e demais mestres na arte das mais variadas guerras, e pelos mais diferentes motivos.

Por exemplo, Celestian Freinet, um pedagogo francês nascido em 1896, é para mim uma das maiores influências e fonte de idéias e inspiração. Freinet não lutava contra tradicionais metodologias de ensino/treinamento em esportes, mas sim, de modo semelhante, debatia-se contra uma escola conservadora e alienante que não sabia (e ainda não sabe) como provocar aprendizagem significativa (formar alunos inteligentes), contudo é expert em servidão e dominação.

Esta mesma escola que cultua a servidão, formou os treinadores que não entendem como desenvolver uma descoberta guiada (termo usado por Mourinho, porém é sinônimo de inúmeras estratégias adotadas pelos interacionistas, dentre eles Freinet, desde o começo do século XX), ou mesmo aqueles que não conseguem criar treinos contextuais na forma de jogos, em que os jogadores poderão potencializar suas respectivas capacidades de adaptação ao enfrentar problemas muitos próximos dos exigidos nas competições.

Para esta luta pedagógica Celestian Freinet adotou armas (técnicas) como o jornal escolar, a aula passeio, a correspondência escolar, o texto livre, os planos de trabalhos individuais e coletivos, entre outros, para que pudesse criar ambientes de aprendizagem, transformação e liberdade para seus alunos.

Neste pequeno trecho de seu livro Pedagogia do Bom Senso que transcreverei a seguir, será possível observar e comprovar seus questionamentos óbvios à pedagogia tradicional, e que também nos permitem ampliar a reflexão para o futebol no que tange a formação de atletas autônomos e inteligentes, tanto na iniciação como no alto rendimento – contrariando alguns conservadores e outros reprodutores de discurso de que não existe pedagogia no treinamento, ou mesmo que esses tratariam de coisas diferentes, sendo a pedagogia voltada à iniciação e o treinamento à especialização.

Vejam o instigante texto:

O peso da servidão

Dizem que nossas ovelhas são estúpidas. Nós é que as tornamos estúpidas, ao encerrá-las em estábulos acanhados, sem ar e sem luz, onde não têm outro recurso senão baterem com as patas no chão, balindo sempre até aparecer o pastor ou o açougueiro.

E nós as tornamos estúpidas também quando, em plena montanha e sob a ameaça de chicote e dos cães, as obrigamos a seguir passivamente, pelo atalho tortuoso, os passos da ovelha dianteira, que por sua vez segue o carneiro de longos chifres que também não sabe para onde leva o rebanho, mas que se orgulha de ser carneiro.

Nós as tornamos estúpidas porque reprimimos brutalmente todas as tentativas de emancipação, todas as veleidades de jovens carneiros de fazer as suas experiências fora dos caminhos batidos, perdendo-se nas matas, demorando-se entre as rochas, mesmo se conseguirem colher apenas arranhões e ranger de dentes.

Mas nós temos desculpas. O nosso fim não é educar nossas ovelhas nem, torná-las inteligentes, mas somente treiná-las para suportar, aceitar e até desejar a lei do rebanho e da servidão – aquela que dá boa carne e grandes benefícios.

Infelizmente, porém, ainda ouço crianças balbuciando em cantochão - ia dizer balindo -, por trás das portas fechadas das suas escolas-estábulo, mesmo que sejam escolas-estábulo luxuosas; vejo-as bater os pés como as nossas ovelhas, à entrada e à saída, e nada falta, nem os carneiros, nem os pastores autoritários, nem os regulamentos tão severos quando os nossos chicotes e os nossos cães. Vejo-as virar, todas ao mesmo tempo, as mesmas páginas , repetir as mesmas palavras, fazer os mesmos sinais...

E mais tarde, você se admirará ao vê-las oferecer miseravelmente os braços à exploração e o corpo ao sofrimento e à guerra, como as ovelhas se oferecem ao matadouro!

É a servidão que nos torna fracos, é a experiência vivida, mesmo perigosamente, que forma os homens capazes de trabalhar e de viver como homens.

Não aceite a volta à servidão escolar. Faça por merecer a liberdade!


Fonte: Alcides Scaglia


Para reflexão da nossa crônica esportiva

Ambiente sagrado
Luxemburgo, mais uma vez, ultrapassa a tênue linha que delimita a ética na profissão

Ah, as entrevistas coletivas pós-jogo... Sinceramente acreditava já ter visto de tudo nesse circo em que se transformou a entrevista à imprensa depois de uma partida. Técnico emburrado, time todo chorando a derrota, respostas atravessadas, time derrubando jogador, time derrubando treinador, treinador se derrubando, treinador sendo derrubado enquanto falava, juiz sendo ironizado de tudo quanto é jeito, perguntas bem-feitas, perguntas repetitivas...

Tudo para mim era próprio do ambiente de trabalho de um pós-jogo. Ainda mais quando era uma partida decisiva. Afinal, nervos à flor da pele geralmente provocam respostas espontâneas. E essas, por sua vez, quase sempre geram uma grande polêmica.

Mas não é que neste último domingo tivemos mais um episódio inédito na história das entrevistas coletivas? Netas de um treinador participando da sabatina feita pelos jornalistas, sinceramente, foi demais para a minha cabeça!

Que a entrevista coletiva geralmente serve para não dizer nada todos nós já sabemos. Mas o que justifica levar a neta para ficar ali, ao lado das câmeras do país todo? Ainda mais depois de uma vitória do time por 3 a 1 em casa?

Talvez nos anos 60 fosse até natural que os familiares frequentassem o ambiente de trabalho de um jogador. Mas, naquela época, não tínhamos tanta exposição do esporte na mídia e, muito menos, tanta necessidade de fazer entrevistas coletivas para conter o avanço da imprensa.

Luxemburgo, mais uma vez, ultrapassa a tênue linha que delimita a ética na profissão. Além do mais, expõe suas netas a um ambiente de conflito e discussão que geralmente envolve uma sala de imprensa em entrevista coletiva após um jogo.

Se Dunga foi tão criticado por usar roupas de gosto questionável produzidas pela sua filha, porque não questionar a atitude de Luxemburgo?

Não é legal expor crianças de dois até seis anos às câmeras de televisão e aos cliques dos fotógrafos. Ainda mais quando elas não têm a menor necessidade de estarem em frente a elas.

Ao ligar a TV depois do jogo do Palmeiras, confesso que levei um baita susto ao ver as netas de Luxemburgo ali, ao lado dele. As meninas até que foram bem-comportadas, considerando-se a idade que têm.

Deixar isso acontecer, porém, é que foi demais. Ambiente de trabalho é algo geralmente sagrado. Não é para qualquer um, tanta interferência atrapalha. Imagine se cada jornalista decidisse levar seu filho para assistir a uma coletiva pós-jogo?

O pior foi não ter visto ainda nenhuma crítica construtuiva contundente a mais uma atitude despropositada de Vanderlei Luxemburgo...

Fonte: Erich Beting

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quarta-feira, junho 17, 2009

Duas dos arremedos de cartola do Mengão

Injustiça com Cuca

by Paulinho

Cuca não está tolerando a vagabundice do Imperador da Favela, Adriano.

Por este motivo está com a corda no pescoço.

A burrice da diretora flamenguista é de impressionar.

Preferir um descerebrado, que evidentemente causará enormes problemas ao clube, do que um treinador sério, que acaba de levar o clube a um conquista, mesmo com elenco limitado, é assinar um atestado de que pouco se importam com o futuro do Flamengo.

O que vale, para esta turma, são os holofotes.


Batendo palmas com a orelha

by Paulinho

O acordo entre Flamengo e Palmeiras para o empréstimo de Obina é surreal.

A equipe de Parque Antártica pagaria R$ 2 milhões para tê-lo no elenco.

Seria um ótimo negócio para o Flamengo.

Mas uma clausula do contrato fez a alegria dos dirigentes palmeirenses.

Acreditem.

A cada partida que Obina não disputar contra o Flamengo, o Verdão recebe um desconto de R$ 1 milhão.

Dois jogos e o Palmeiras não terá que pagar nada.

Não é a toa que o Flamengo está nesta situação.


Desmesura, desvairamento ou os dois?

Ele não tem jeito…

by Paulinho

V(W)anderlei(y) Luxemburgo deu novas demonstrações de seu caráter após a partida em que sua equipe venceu o Cruzeiro pelo Brasileirão.

Esculhambou com o jogador Keirrison, na entrevista coletiva, cobrando-lhe publicamente uma definição de sua permanência ou não no Parque Antártica.

Disse ainda que o atleta estava prejudicando o seu trabalho.

Luxa, mais uma vez, falta com a verdade.

Está cansado de saber que o destino do atleta será decidido por seu amigo JOTINHA.

Tenta jogar o atleta contra o torcedor, utilizando-o como desculpa para seu pífio desempenho como treinador.

Incomodado com o sucesso de Keirrison, nesta partida, que ofuscou sua “divina” presença, Madureira tratou de desviar o foco.

Por que não fez estas reclamações em partidas anteriores ?

O treinador da CPI já não engana mais como antigamente.

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QUE O FUTEBOL SE PROTEJA DELES

Colunista da Folha em apuros

Junho 17, 2009 by Paulinho

Por ALBERTO DINES

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=542IMQ001

Não são poucos os jornalistas que se sentirão aliviados no dia em que a Folha de S.Paulo anunciar que José Sarney, seu colaborador das sextas-feiras, licenciou-se, aposentou-se ou ganhou o Nobel de Literatura e, por isso, deixará o jornal.

O vexame não atinge apenas os jornalistas que trabalham na Folha, familiarizados com a simbologia da Página 2, onde germinou a extraordinária ascensão do jornal em junho de 1975. A presença de Sarney nesta página é afronta gremial, corporativa, mexe com os brios dos profissionais brasileiros empenhados em fazer do jornalismo o ofício da decência e da consciência.

Apesar do maciço monolitismo que domina a grande imprensa, a Folha de S.Paulo conseguiu a façanha de ficar sozinha no incrível apego ao ex-presidente da República. Em apenas cinco meses, depois de uma controversa carreira de mais de meio século, o senador converteu-se em unanimidade nacional: o mar de lama que afoga nosso Legislativo é fruto da sua leniência e da sua complacência com a malfeitoria e a prevaricação.

A direção da Folha sabe disso, há tempos admite que a permanência de Sarney no seu quadro de colaboradores e amigos respinga na sua imagem nódoas indesejáveis, compromete a sua história, coloca suspeições onde só deveria existir transparência.

Os responsáveis pelos destinos da Folha, agarrados às birras juvenis, perderam uma magnífica oportunidade de dissociar-se da figura de Sarney em fevereiro, quando foi novamente alçado à presidência da Câmara Alta e à chefia do Legislativo. Outros colaboradores com currículos mais respeitáveis e em posições potencialmente menos conflituosas foram afastados sem dor, com naturalidade. Sobretudo sem ruído.

Atração fatal

No caso de Sarney, há uma estranha e perturbadora atração, verdadeira atração fatal: o jornal que se jacta de ter o rabo preso com o leitor tem o dito-cujo preso com o destino do parlamentar que no momento encarna a degradação do processo político.

Os estrategistas da Folha imaginaram que seria possível mantê-la distante das estripulias do senador. Quando os seus concorrentes Estado de S.Paulo e, logo em seguida, O Globo começaram a desvendar a incrível novela dos atos secretos, evidenciou-se que a Folha – como, aliás, era previsto – encalacrava-se junto com o seu dileto articulista.

O furo com a denúncia dos 300 atos clandestinos coube aos repórteres Rosa Costa e Leandro Colon, do Estadão, na quarta-feira (10/6). Surpreendidos, Folha e Globo entraram com naturalidade no assunto na edição seguinte (quinta, 11/6). Vocacionada para protagonismos, imaginava-se que a Folha logo trataria de ultrapassar o Estadão.

Quem se juntou ao Estadão foi O Globo, na sexta-feira (12/6), em reportagem de Gerson Camarotti: os atos secretos não eram 300, mas quase o dobro – 500. A Folha ficou visivelmente para trás. Neste dia, na discreta chamada na capa, o jornal explica que uma comissão examina desde 1995 os privilégios produzidos pelos atos secretos.

Sarney fora da pauta

Para disfarçar o desconforto, a Folha opinou no sábado, mas distanciou o escândalo da pessoa de Sarney: “Senado secreto” foi o título do principal editorial da Página 2. O nome do fiel colaborador não aparece uma única vez, embora aparecesse com destaque no noticiário dos dias anteriores.

O Estadão também opinou no sábado, mas ao contrario da delicadeza do concorrente entrou de sola com um editorial sob o título “Corrupção secreta”. O envolvimento de José Sarney é detalhado num extenso parágrafo.

Quem tocou na complicada relação de Sarney-Folha foi o colunista Clóvis Rossi, o mais antigo da Página 2, que na edição de domingo (14/6) desculpa-se pelo atraso em entrar no assunto:

“A demora não se deve, creia-me [dirigindo-se ao leitor], à preguiça, à desatenção ou ao desejo de preservar o colega do espaço ao lado nas sextas feiras, o senador José Sarney, ao contrário do que suspeitam alguns leitores.”

A demora deveu-se, segundo o jornalista, à incredulidade:

“…o que há mais para dizer sobre um caso destas proporções? Xingar a mãe?”

O libelo encerra-se com dinamite pura:

“O pior é que não tem saída, porque a saída depende dos próprios senadores, cúmplices, por ação ou omissão, do aparelho clandestino que era uma Casa de Leis”.

Sarney está ferrado: a Folha jamais admitiria desvencilhar-se de um incômodo parceiro apenas para satisfazer “alguns leitores” exigentes e inconformados. Agora, com o decisivo empurrão assinado e avalizado pelo mais antigo articulista da Dois, está armado e acionado o cronograma para a saída de José Sarney da Folha de S.Paulo. Aleluia!

Clóvis Rossi merece um prêmio pela façanha.

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terça-feira, junho 16, 2009

COM PÉ E CABEÇA – ANO IV – Nº153


Estudo de forma multidisciplinar, ajo de modo interdisciplinar e penso pela ótica transdisciplinar." (Benê Lima)


”O Radialista deve se esforçar para aprimorar os seus conhecimentos técnicos e profissionais, sua cultura e sua formação moral.” (Código de Ética dos Radialistas)


Para reflexão:
Garotas não vão a uma casa de prostituição para orar, e sim para se prostituírem.


Opinião - I
MUDANÇA DE CENÁRIO


Eleição na Federação toma rumo diverso e grupo situacionista modifica estratégia


O que seria uma eleição tranqüila assume ares de disputa, embora o cenário ainda seja favorável a Mauro Carmélio, seus adeptos e interessados.

Mas, a se confirmar o apoio do Senador da República Tasso Jereissati ao candidato das oposições, Idemar Citó (PSDB), aí sem dúvida o cenário mudará radicalmente, e não apenas na gradação em que já assistimos.

O simples anúncio de uma nova chapa já provocou rubor, furor e certo estertor de determinados setores da área do futebol. Discursos inflamados, altercações e até baixarias foram visíveis nos últimos dias, e outra vez o pior do maquiavelismo foi invocado como pseudo estratégia política.
É o fazer futebolístico que não se renova, novamente mostrando sua cara.

Agora, mais que nunca, o grupo da situação precisa encarar o pleito com a seriedade devida, fomentando um elenco de propostas capazes de, ao menos em certa medida, emprestar uma cara cheia de botox ao ‘quasímodo’ que é a federação.

O grande desafio que não foi vencido pelos estabelecidos e a ser vencido pelos a estabelecer-se, é projetarem para a opinião pública uma nova imagem da Federação Cearense de Futebol. Este, evidentemente, é apenas o aspecto exterior a ser cuidado.

No âmbito político-partidário, que é o ponto nevrálgico e verdadeiro calcanhar de aquiles da situação, cabe à oposição negociar com sabedoria e barganhar com critério a munição que tenha a seu dispor.

Mas também é necessário que situação e oposição saibam que, o maior dos desafios que se tem pela frente é o de não só formatar o produto, bem como o de a ele transferir credibilidade. E isto, convenhamos, não é tarefa fácil. E caberá ao colégio eleitoral avaliar as melhores propostas, as mais convincentes e vantajosas promessas, para tornar-se pragmático e sectário como de costume.

Lamento ver alguns colegas cronistas assumindo posição pró e contra, sem promoverem as devidas análises e considerandos, e sem proverem eleitorado e platéia das informações circunstanciadas e indispensáveis a qualquer disputa democrática.

O que os meios de comunicação deveriam e poderiam fazer pelo futebol e que provavelmente não o façam, era a promoção de um debate público entre os candidatos, pois só assim estaríamos a salvo do descompromisso da situação de um lado, e, de outro, do oportunismo da oposição.

Lamentei ouvir de um presidente de clube, que “o futebol cearense está aonde está, por culpa de Ceará e de Fortaleza”. Infeliz declaração! Além do reducionismo, uma tal afirmação contém, flagrantemente, a ieva de um alinhamento apriorístico e sectário à direita.

A grande verdade é que a federação possui pelo menos três grupos de inimigos: os inimigos-aliados; os inimigos não-declarados; e os inimigos declarados. Isto para ficarmos tão-somente na fundamentação básica.

O cenário realmente passou a ser mais interessante, mais suscetível à dinâmica política (propostas, promessas, composições, barganhas, etc.), sobretudo em se confirmando o propalado apoio ‘tassista’’ ao grupo oposicionista.

Mas, não obstante o contundente encurtamento do prazo até a eleição, é certo que ainda há tempo para que as forças polarizadas em disputa possam mudar qualquer que seja o cenário.

Aos candidatos, pois, que trabalhem!


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Opinião - II
A GÊNESE DOS MAUS RESULTADOS


No mais das vezes evito abordar as situações de Ceará e Fortaleza pelo viés da comparação entre ambos. A razão para isso é muito simples: não vejo vantagem real em colocar nossas duas maiores forças no mesmo saco. Acho até que isso é coisa de quem quer se dar bem com as duas torcidas a um só tempo, como se isso fosse verdadeiramente possível.

Outro fator que com freqüência inviabiliza esse tipo de análise comparativa de igualdade, é que muito dificilmente Ceará e Fortaleza estabelecem-se no mesmo patamar. Ao contrário, quase que invariavelmente trabalham em freqüências diferenciadas, não compartilhando a mesma harmônica.

Os perfis das duas torcidas são também distintos, com a do Fortaleza sendo predominantemente suscetível ao mundo imagético, enquanto a do Ceará é mais fincada na realidade seja ela qual for; a do Tricolor de Aço é um pouco mais pragmática e exigente; a do Alvinegro mais solidária e automotivada.

Percebam, pois, que os clubes possuem sua própria personalidade e que ela pode ser moldada, trabalhada e até mesmo orientada segundo um modelo predeterminado. Neste ponto, levar-se em conta o aspecto vocacional clubístico como fator relevante para a tomada de decisões, também constitui uma atitude relevante, que, além de acertada, sem dúvida rende altíssimos dividendos para o clube.

Mas, uma coisa é a imagem-personalidade do clube, outra é a do time. Este (o time) é volúvel e tremendamente influenciável por pessoas e decisões momentâneas; aquele (o clube) é mais estável e por isso reage bem às diversas ferramentas da administração, a ponto de produzir resultados satisfatórios a partir de um planejamento estratégico bem elaborado e bem conduzido.

Hoje, o maior problema do Fortaleza-clube é falta de sintonia entre a visão presidencial e a do restante da diretoria. Lúcio Bomfim já demonstrou possuir tino gerencial para o clube e não só para o time, mas há entre os demais dirigentes um olhar vesgo e estreito da realidade do futebol.

No Ceará, enxergamos em Evandro Leitão uma representação do capital intelectual, mas que aos poucos tem sucumbido à força desproporcional de alguns alvinegros agastados. Ademais, o presidente Evandro ainda não conseguiu encontrar o equilíbrio entre a posição de presidente e a condição de torcedor. Em razão disto, acaba deixando de ser a principal referência entre os alvinegros, adotando um comportamento dúbio, ora como dirigente ora como torcedor.



Benê Lima
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(85) 8898-5106

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