Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

quinta-feira, julho 28, 2011

Para primeira mulher do Comitê da Uefa, base para sucesso do futebol feminino é estimular “jogos na rua”

Karen Espelund entende que competições levam a um desenvolvimento e valoriza torneios para equipes de formação
Equipe Universidade do Futebol

Fut fem 01

Entre quinta-feira e domingo desta semana, a Europa realizará mais uma edição do Campeonato Europeu Feminino sub-17. O principal torneio entre seleções de base desta categoria daquele continente pretende se firmar como um ambiente efetivo de experiência e desenvolvimento de jovens promissoras. À frente do projeto está Karen Espelund.

No último mês, ela se tornou a primeira mulher a juntar-se ao Comitê Executivo da Uefa como membro convidada. Além disso, ela preside o Comitê do Futebol Feminino da entidade, sendo a dirigente que responde pelo planejamento estratégico de formação.

“O potencial das 'raízes' do futebol entre as meninas é enorme em todas as federações nacionais. Todas elas deveriam ter a oportunidade de jogar no seu bairro. É essa a base para um maior desenvolvimento em todos os aspectos”, afirmou Espelund.

Na avaliação dela, são necessárias Ligas mais fortes, mais árbitras, dirigentes e treinadoras e demais representantes do sexo feminino em todos os níveis.

Por intermédio de seu programa de assistência HatTrick, a Uefa comprometeu-se a investir 100 mil euros anuais por federação no desenvolvimento do futebol feminino entre 2012 e 2016. Espelund, uma das principais motivadoras nos bastidores da criação da Eurocopa feminina sub-17, que teve início em 2007, vê com satisfação os avanços.

"As competições levam a um desenvolvimento. E aproximadamente 45 das 53 federações nacionais que integram a Uefa participam regularmente nessas competições. Ao ver a seleção alemã jogar na Copa do Mundo feminina deste ano, pôde constatar-se que muitas das jogadoras que hoje integram a equipe principal passaram pelos torneios jovens”, avaliou a dirigente.

No futuro, crê ela, as seleções de base serão o caminho natural para a maior parte das atletas rumo às equipes principais. Deve-se, portanto, dar continuidade ao aporte financeiro a estruturas nas federações nacionais, bem como oportunidades da prática da modalidade às aspirantes. “Tudo isto conduz a um desenvolvimento positivo”, concluiu Espelund, ainda em entrevista ao site oficial da Uefa.


terça-feira, julho 26, 2011

O Team Coaching, o futebol e as vitórias

O treinador e o auxílio de uma grande ferramenta para aperfeiçoar desempenho do time em todos os quesitos

Eduardo Barros

Em diversas ocasiões, os treinadores têm um tempo relativamente curto para reverterem uma situação desfavorável. A preleção para uma equipe que se encontra na zona de rebaixamento da competição, a conversa no intervalo do jogo em que os jogadores parecem ter esquecido tudo o que foi treinado na semana e, inclusive, uma breve conversa antes das cobranças de penalidades máximas numa partida em que “só” faltou o gol.

 

 

Neste pouco tempo, tudo que for pronunciado tem que ser internalizado para que o “jogo jogado” na cabeça do treinador seja o mesmo na cabeça de cada um dos seus jogadores. Muitas vezes, nestas partidas, mais do que usar os minutos que se tem para discutir a tática-estratégia da equipe, usa-se o tempo para questões aparentemente “sine qua non”. Cobranças de atitude, comprometimento, concentração, tranquilidade, foco, coragem, responsabilidade e superação são feitas com o objetivo de melhorar a performance do time.

Enquanto passes errados se quantificam, não se sabe o quanto os jogadores estão comprometidos com suas obrigações profissionais. Enquanto as finalizações erradas aparecerão no canal esportivo no intervalo do jogo, mensurar a tranquilidade da equipe é algo impossível. Conhecer o tempo de posse de bola é seguramente mais fácil do que o percentual de superação da equipe.

Atualmente, métodos inovadores de ensino de futebol têm sido discutidos e aplicados com sucesso, porém, no multifatorial desempenho esportivo, sabe-se que eles não lhe garantirão a vitória. No leque de variáveis, treinar jogando é apenas uma delas. Outra variável, há tempos presente no mundo corporativo (muitas vezes tão distante do mundo do futebol), é a aplicação do Team Coaching.

Resumidamente, o Team Coaching é uma ferramenta de desenvolvimento efetivo de times na busca de um objetivo comum. No mundo empresarial, é missão de diretores, gerentes, coordenadores e supervisores aplicá-lo, para que, ao atuarem como coaches, gerenciem e desenvolvam suas equipes para entregarem resultados.

Já no ambiente esportivo (muitas vezes distante do mundo empresarial?!?!), o coach pode ser o próprio treinador.

A certificação em coaching e as competências para a aplicação do Team Coaching são oferecidas em institutos especializados no Brasil e no mundo. Neles, a observação do estado inicial da equipe e os estágios de formação de times são algumas das ferramentas aprendidas que, posteriormente, serão utilizadas na prática.

A primeira, realizada aconselhadamente com princípios de honestidade, chama-se roda de competências e permite a compreensão do perfil do grupo. Nesta roda, feita individualmente, cada pessoa preenche (sim, com papel e caneta) seu índice (de 0 a 10) em todas as competências analisadas, que são fundamentais para o bom desempenho do time.

Já na formação do time, são aprendidas quais as questões que devem ser trabalhadas em um determinado estágio (formação, conflito, normalização, desempenho, suspensão/término). Por exemplo, no estágio conflito, é momento de encorajar a interdependência entre elementos do time e permitir desacordos produtivos. Já no estágio desempenho, será necessário desafiar o pensamento do time e também propor metas mais desafiadoras.

A execução de todos estes estágios pode durar semanas, dias, horas ou, até mesmo, poucos minutos. Depende, é claro, do coach.

Mas para que melhorar a performance do time? Porque time ideal não existe! Cada um tem seus pontos fortes, que precisam ser extremamente explorados, e pontos fracos, que precisam ser emergencialmente minimizados. E também, porque no multifatorial desempenho esportivo, tudo que puder ser feito para aperfeiçoamento da sua equipe pode lhe proporcionar a esperada vantagem competitiva.

Vocês devem estar se perguntando se eu tenho formação em coaching! A resposta: Não, mas está no meu planejamento de carreira.

No entanto, tive uma grande oportunidade no final do ano de 2010 com o Executive Coach (do mundo corporativo) Rogério M. Z. de Caro. Ser capacitado por ele foi um privilégio e um imenso aprendizado.
Se já tenho um caso de sucesso?

Ainda como técnico do Sub-12, foi definido com o time os cinco grandes pontos fracos:

• Três atletas inteligentes para o jogo e habilidosos que discutiam entre si e apontavam erros uns dos outros ao invés de coletivamente tentarem recuperar a bola;

• Um atleta importantíssimo que se tornava violento e nervoso quando estava perdendo;

• Dois líderes com dificuldade de comunicação;

• Fazer com que os suplentes, ainda crianças, não ficassem tristes por jogarem menos;

• Dois atletas que tinham medo de errar, logo, eram muito inseguros.

Ferramentas em mãos, várias conversas com meu coach e transferência prática em minha equipe com o auxílio do treinador adjunto.

Em jogos com grandes clubes do futebol paulista, a equipe fez belíssimas apresentações (com exceção do jogo em que o atleta nervoso ofendeu o árbitro) e perdeu na semifinal da competição para o Palmeiras por 1 a 0 com um gol de bola parada, no ângulo.

Continuei sem saber qual a porcentagem de comprometimento dos meus jogadores, o quanto eles se superaram ao enfrentar o campeão paulista do ano anterior (Ponte Preta), ou então, em que nível estavam tranquilos para resolverem os problemas do jogo. Porém, descobri que o Team Coaching faz gols!

Para quem tem me acompanhado com frequência: o espetáculo foi cobrado.

Até a próxima semana e obrigado pelos contatos feitos por e-mail.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br  

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Oliver Seitz, gerente de marketing do Coritiba

Especialista fala do funcionamento da estrutura e das ações ligadas a licenciamento, marca e matchday
Bruno Camarão

O ano de 2011 marcou, além da volta do Coritiba à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, um processo de reestruturação administrativa e estrutural do clube. Com a compra de um terreno em Campina Grande do Sul, região interiorana do Estado do Paraná, a diretoria prevê o desenvolvimento de um novo e moderno Centro de Treinamento para o departamento de futebol principal. A base, no próprio estádio Couto Pereira, já ganhou alojamentos atualizados. E na parte de comunicação e marketing, o funcionamento passou a ser independente e profissionalizado.

Quem retornou ao clube onde já trabalhou em 2008 e gere desde então este último setor é Oliver Seitz. Pesquisador do Grupo de Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool na Inglaterra, ele desembarcou no Alto da Glória após a saída do ex-diretor de marketing Roberto Pinto Júnior.

Oliver, que foi o primeiro brasileiro a integrar a equipe de pesquisadores do FIG e a lecionar sobre a indústria do futebol no nível superior inglês, tem a missão de implementar uma nova metodologia de trabalho para o marketing, conferindo sequência a algumas ações consideradas positivas iniciadas pelo antecessor, com foco no quadro social e no palco principal dos jogos oficiais da equipe coxa-branca.

“Esse é um dos principais focos de trabalho do clube. Trabalhamos em duas frentes: o matchday voltado ao torcedor e o matchday voltado ao mercado corporativo. Nosso trabalho busca agregar valor a essas duas frentes e os resultados têm sido bastante satisfatórios: temos uma das maiores médias de público no Campeonato Brasileiro, esgotamos nossos planos de sócio – gerando uma fila de espera de quase mil pessoas, e não temos mais camarotes disponíveis”, revelou Oliver.

Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela UFPR, pós-graduado em Administração Esportiva pela FGV-SP e especialista em Comunicação Empresarial pela PUC-PR, ele admite que o percurso a percorrer, bem como o potencial do Coritiba, é imenso. “Estamos, porém, no caminho certo”.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, espaço em que ocupou durante quase cinco anos o posto de colunista semanal, Oliver explicou os parâmetros usados pelo clube na mensuração do valor da marca, a partir de relatórios de exposição e visibilidade, e como agrega a isso o trabalho de proteção e de valorização.

Além disso, o especialista falou sobre a questão do licenciamento de produtos, sinalizou avanços no processo de angariar novos sócios-torcedores e disse que conhecer e entender o consumidor é um processo contínuo e de constante aprendizado.

Universidade do Futebol - Como se dá a integração no departamento de marketing e comunicação do Coritiba e quais são as suas funções básicas atualmente?

Oliver Seitz - Houve uma mudança recente, em que as duas áreas foram separadas em gerências distintas, ainda que trabalhem em conjunto em diversos projetos. A gerência de comunicação atua com foco no atendimento à imprensa e na produção de conteúdo para os diversos veículos do clube, como o site, a revista e as mídias sociais. A gerência de marketing, por sua vez, foca no desenvolvimento e maximização do potencial dos canais de receita e no trabalho de branding.

Universidade do Futebol - Em relação ao projeto de posicionar a marca do Coritiba no interior do Estado do Paraná e angariar novos sócios-torcedores, quais os objetivos alcançados e os próximos passos?

Oliver Seitz - A estratégia de trabalho é contínua e crescente, e tem apresentado resultados acima do esperado. Conseguimos mobilizar cidades em ações de visitas e autógrafos de maneira nunca antes feita.

Com a continuidade do projeto e ampliando o relacionamento com essas bases, a inserção do clube nesses mercados inevitavelmente crescerá.

Universidade do Futebol - Na prospecção junto ao mercado, quais os parâmetros usados pelo Coritiba na mensuração do valor da sua marca?

Oliver Seitz - Além dos relatórios de exposição e visibilidade da marca do clube e de seus parceiros, temos um setor dedicado a colher informações do mercado que servem de base para a avaliação interna, baseada em diversas variáveis que produzem uma referência importante na mensuração desse valor.

Agregamos a isso o intenso trabalho de proteção e de valorização de nossa marca e submarcas, principalmente na adequação da aplicação e no combate ao uso indevido.

Universidade do Futebol - Como o Coritiba trabalha o conceito de matchday no Couto Pereira?

Oliver Seitz - Esse é um dos principais focos de trabalho do clube. Trabalhamos em duas frentes: o matchday voltado ao torcedor e o matchday voltado ao mercado corporativo. Nosso trabalho busca agregar valor a essas duas frentes e os resultados têm sido bastante satisfatórios: temos uma das maiores médias de público no Campeonato Brasileiro, esgotamos nossos planos de sócio – gerando uma fila de espera de quase mil pessoas, e não temos mais camarotes disponíveis. Ainda temos muito a percorrer e nosso potencial é imenso. Estamos, porém, no caminho certo.



Clube trabalha matchday voltado ao torcedor e matchday voltado ao mercado corporativo; plano de sócios tem filas

 

Universidade do Futebol - Quais as principais diferenças de tratamento em relação aos níveis de torcedores (VIP´s, comuns, organizadas) em se considerando aquele ambiente do estádio?

Oliver Seitz - O clube busca tratar todo torcedor de maneira igualitária, sem qualquer tipo de distinção. Evidentemente, a prioridade é o sócio do clube, independente do setor que ele ocupe no estádio. Aqueles que não são sócios, são incentivados a se associar, ou – no caso – entrar na fila de espera.



Clube, com o auxílio do marketing, busca atingir a todo tipo de fã: "prioridade é o sócio do clube, independente do setor que ele ocupe no estádio", diz Oliver 

 

Universidade do Futebol - Na última temporada, houve algumas diferenças entre a indústria do futebol no Brasil e indústria do futebol europeu. Em se considerando o cenário nacional, viu-se uma queda nos valores de transferências e um consequente aumento nos salários dos jogadores desse mercado. Em 2011, os clubes estão gastando mais e se endividando mais, comprometendo as receitas futuras? O Coritiba também se insere nessa realidade?

Oliver Seitz - As receitas têm aumentado significativamente no futebol brasileiro como um todo. A diferença com a Europa ainda é enorme, mas ela tem sido encurtada por conta da variação cambial. Não posso responder por outros clubes, mas o Coritiba tem sido bastante responsável financeiramente.
 


O futebol e o dinheiro

 

Universidade do Futebol - Por ser um mercado com perfil de exportação de atletas, as ações de marketing realizadas no Brasil têm peculiaridades em relação ao que é desenvolvido em outros países com características de importadores. Como trabalhar a questão da criação e manutenção dos ídolos, um dos pilares do marketing esportivo?

Oliver Seitz - É cientificamente comprovado por diversas pesquisas acadêmicas em diferentes países que o papel do ídolo é importante, mas está longe de ser um pilar mercadológico. Nosso trabalho foca no aproveitamento adequado dos atletas que possuímos em conjunto com a utilização de nosso principal ativo: o próprio clube.



Noite de autógrados em Foz do Iguaçu, com jogadores do atual elenco do Coritiba, reuniu aproximadamente 100 torcedores; mais uma ação do departamento de marketing alviverde 

 

Universidade do Futebol - A relação empresa X clube, a partir de exposições pontuais de patrocínio, possui uma estratégia por parte da primeira. Para a agremiação, no caso, qual é a representatividade em médio e longo prazo? É provável que esse cenário seja mantido pelos próximos anos?

Oliver Seitz - O Coritiba prioriza seus grandes parceiros, pois entende que isso agrega valor às negociações, coisa que felizmente tem sido bem aceita. Eu entendo que o mercado de pontuais é importante, pois é uma característica bastante peculiar do formato da indústria no Brasil.

O Coritiba já fez uso desse tipo de patrocínio, mas hoje temos todas as nossas propriedades comercializadas em contratos de longa duração. O pontual, muitas vezes, envolve apenas a exposição da marca. Nossos pacotes são bem mais compreensivos.



Pontuais no uniforme: Coritiba também adotou esse tipo de patrocínio, mas procura pacotes mais "compreensivos" com seus parceiros 

 

Universidade do Futebol - A questão do licenciamento é uma cultura que não é forte no Brasil, muito pela dificuldade de negociação, dos pontos de venda e da pirataria. Como essa ferramenta do mix é trabalhada pelo departamento de marketing do Coritiba?

Oliver Seitz - Temos um departamento bem estruturado e especializado no desenvolvimento de receitas de licenciamento da marca, afinal o licenciamento serve tanto como canal de receita quanto, como uma fundamental ferramenta de branding. Nosso crescimento nessa área tem sido bastante elevado como consequência de um trabalho estratégico muito bem planejado.

Temos conseguido abrir portas com grandes fornecedores, agregando valor e melhorando a qualidade dos produtos licenciados, o que amplia nossa aceitação e nosso relacionamento com grandes pontos de venda.

Como temos também uma política de proteção da marca bastante fortalecida, agregamos valor aos nossos licenciados e nos consolidamos como um excelente diferencial de produto. A resposta do mercado tem sido acima da nossa expectativa e há um campo enorme a ser ainda explorado.

Universidade do Futebol - Assim como são realizadas algumas ações pontuais após a conquista de um título relevante, é possível o departamento de marketing de um clube desenvolver uma ação nas derrotas? No caso do Coritiba, vice da Copa do Brasil, alguma estratégia global foi delineada ou "reajustada" diante do resultado contra o Vasco da Gama?

Oliver Seitz - Trabalhamos tentando prever todos os cenários possíveis. É claro que o resultado em campo determina o tipo de trabalho que deverá ser feito, mas é possível desenvolver projetos bons tanto na vitória quanto na derrota.

Apenas uma parcela dos torcedores está ligada ao clube por laços determinados pelo resultado em campo. A grande parcela possui outras formas de conexão, todas bastante estudadas por pesquisas a respeito da psicologia do torcedor, as quais utilizamos frequentemente como referência para nossas ações.

Universidade do Futebol - Quais são as ações estratégicas de marketing que estão voltadas para um melhor conhecimento do real potencial mercadológico da torcida do Coritiba? Pesquisas de mercado junto à base de torcedores estão no planejamento de marketing?

Oliver Seitz - Conhecer de perto o torcedor é fundamental. Felizmente, temos uma estrutura de inteligência bem desenvolvida no conhecimento de nossos sócios, mas é necessário entendê-los ainda mais profundamente, como seus hábitos de consumo e comportamento.

Temos, também, dados sobre nossos torcedores não-sócios, os quais trabalhamos de maneira específica e bastante segmentada. Conhecer e entender o consumidor é um processo contínuo e de constante aprendizado.

Universidade do Futebol - Em sua coluna de “despedida” da Universidade do Futebol, você sinalizou sobre o processo de evolução da indústria do futebol, mesmo que em passos lentos, por vezes contrários. Elencou com positividade a formação de novos profissionais e a criação de responsabilidades. Veremos avanços reais até a Copa-14 e os Jogos-16? E depois desse período?

Oliver Seitz - Acho que tanto os clubes como o próprio mercado estão se desenvolvendo continuadamente. Como eu disse, é um processo lento, mas certamente gerará grandes resultados.

Há uma nova geração de gestores especializados e há, também, um movimento de executivos competentes de outros mercados migrando para a indústria. O próprio Coritiba é um exemplo, uma vez que adotou não apenas uma estrutura corporativa consolidada, como também trouxe executivos de grandes empresas de diversas áreas para atuar no clube.

Hoje temos profissionais com experiência em grandes multinacionais do setor financeiro e do automobilístico, entre outros. Imagino que deve haver um pico nesse movimento até os Jogos Olímpicos, mas caso esses profissionais obtenham sucesso em seu trabalho, a tendência deve permanecer, ainda que talvez de forma não tão intensa.
 


Despedida?

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Futebol Feminino: a próxima grande oportunidade

Por MARIA TEREZA PÚBLIO DIAS*

“Se a gente ganhasse o Mundial, teria investimento? Não sei, acho que não. A gente já fez o que fez, e não muda nada”.

Essa foi a mensagem da atacante Cristiane, assim que as Canarinhas voltaram da Alemanha, depois de perder para os Estados Unidos nas quartas de final do Mundial Feminino.

Desde que a Copa do Mundo feminina começou a ser disputada, em 1991 o Brasil esteve presente em todas as competições.

Em 1999 ficou em 3º lugar e em 2007 perdeu a final para a Alemanha.

Temos a melhor jogadora do mundo, Marta! Cinco vezes eleita pela FIFA (consecutivas), fez quatro gols na Alemanha e se igualou à atacante alemã Birgit Prinz em números de gols marcados em Copas do Mundo (14).

Mas “só” isso parece não adiantar para que o futebol feminino brasileiro tenha mais apoio.

O bom futebol e a falta de experiência que nossas atletas mostraram são resultados do talento nato das meninas e da falta de preparação para competições importantes como a Copa do Mundo e Olímpiadas.

Antes de ir para a Alemanha, o Brasil fez apenas um amistoso contra o Chile, time que hoje está em 44º  no ranking da FIFA e não participou da Copa do Mundo.

Enquanto os Estados Unidos (1º lugar no ranking da FIFA) fizeram diversos amistosos, sendo um deles contra o Japão, time com quem jogaria a final da Copa, dia 17 de Julho. Os Estados Unidos acabaram perdendo para o Japão, que durante toda a Copa mostrou que além de garra, contou com uma nação inteira apoiando suas atletas durante toda a competição.

Os problemas da seleção brasileira começam mais embaixo.

Em 1999 os Estados Unidos trouxeram para casa a taça de campeãs.

Desde então, o país mudou em relação ao futebol feminino. Em 2001 foi criada a primeira liga feminina no país, a WUSA, que  durou apenas dois anos, por falta de investimentos. Em 2008 a liga atual, WPS (Women’s Professional Soccer) foi criada e continua a desenvolver atletas profissionais no país. Hoje a liga conta com 6 times, entre eles o Western New York Flash, onde atuam duas brasileiras, Marta e Maurine. De acordo com o técnico do time, Aaron Lines, a liga tem ajudado a preparar as jogadoras para grandes campeonatos como o Mundial e as Olimpíadas.

Além de ter uma liga profissional,  o desenvolvimento das atletas nos Estados Unidos começa por volta dos 16 anos, quando a maioria das jogadoras esta’ se preparando para começar a faculdade. Hoje, nos Estados Unidos, de acordo com a NCAA (National Collegiate Athletic Association) cerca de 380 faculdades associadas têm time de futebol feminino. As atletas são disputadas pelas faculdades e recebem apoio (bolsa de estudos, alimentação e moradia) durante os quatro anos de estudo.

De acordo com o censo do IBGE, temos 17.5 milhões de meninas entre 10 e 19. Essa é a idade em que a maioria das meninas aqui nos Estados Unidos começa a se envolver com o esporte e participar de campeonatos nos clubes em que treinam. Durante o ano letivo, as escolas participam de competições e quando as atletas estão no período de férias escolares, os pais as colocam nos famosos “camps” americanos, onde têm chance de melhorar ainda mais suas habilidades e onde começam a aparecer para os famosos “olheiros” de faculdades.

O Brasil tem, é claro, tradição em futebol, vontade também. E principalmente um público que com certeza estaria interessado em torcer pelo seu time feminino, como mostram os números recordes de tuites na final do feminino e a audiência também recorde das transmissões de TV durante a ultima copa feminina,  na Alemanha.

Esse é o grande diferencial entre os Estados Unidos e o Brasil. Com uma liga estável, as americanas conseguem se preparar melhor para grandes competições, enquanto as brasileiras não conseguem ter um calendário de jogos fixo e times com estrutura para competições. A seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo este ano tinha 15 jogadoras que atuam no Brasil, sendo 6 do Santos. As outras, ou jogam fora do Brasil ou estão sem clubes. A goleira Andrea e a atacante Cristiane em entrevistas após a derrota contra os Estados Unidos, deram seus diagnósticos:  “Só raça e vontade não ganham Mundial. Só raça, vontade e confiança não ganham medalha olímpica. Tem que ter, sim, pessoas que queiram trabalhar sério pelo futebol feminino”, disse Andréa.  Já a atacante Cristiane lembrou que a Liga Americana (WPS) continua investindo pesado, não importam os resultados.

Diversas brasileiras passaram pela liga americana nos últimos anos. Formiga, Cristiane, Marta, Maurine, sendo que as duas últimas atuam no WNY Flash (NY). Esse é o terceiro clube pelo qual Marta joga nos EUA. Os dois anteriores ao WNY Flash foram campeões da liga. Hoje o time de Marta está em segundo lugar, com grandes chances de terminar em primeiro e trazer mais um título para o currículo dessa grande jogadora.

Marta fez com que a popularidade do esporte crescesse. Tornou-se um ídolo,  reconhecida e querida por onde vá. Nos jogos em casa, crianças de todas as idades lutam para conseguir um autografo ou uma foto. Muitas chegam horas antes do jogo só para ver a jogadora descer do ônibus. O WNY Flash vive dias de sucesso,  no estado de Nova Iorque depois que trouxe Marta para jogar aqui. Ingressos para os jogos vendem como água e quando os fãs ligam para comprar ingresso a pergunta é sempre a mesma: “A Marta vai jogar?”.

A pergunta óbvia é: por que uma atleta brasileira que é a melhor jogadora do mundo não está jogando em uma liga no Brasil? Por que não temos crianças brasileiras jogando futebol e dizendo que quando crescerem querem ser igual à Marta?

A Copa do Mundo feminina que terminou no dia 17 de Julho foi transmitida pelo maior canal de esportes dos Estados Unidos (a ESPN) que fez uma cobertura completa, transmitindo todos os jogos nos seus dois canais e também pela internet. De acordo com a revista Bloomberg, durante a final entre Estados Unidos e Japão o canal atingiu uma média de 8.6% de audiência. Doze anos atrás, em 1999, quando os EUA jogou a semifinal contra o Brasil o canal teve uma audiência de 3.2%. Pra se ter uma ideia, o jogo da liga de Basebal nos Estados Unidos obteve apenas 6.9% de audiência (e era o jogo dos “All-Stars”, que tem os melhores jogadores do país.)

Além disso, durante a partida, foi batido o recorde de tuítes por segundo. De acordo com o G1 e diversos jornais pelo mundo, a média foi de 7.196 tuítes por segundo durante a partida. Durante a disputa de pênaltis entre Brasil e Paraguai a média foi de 7.166 tuítes por segundo.

Esses indicadores mostram que o futebol feminino vem crescendo e tem chances de se tornar ainda maior. O futebol é um esporte de tradição no Brasil e agora é a vez do país abraçar essa oportunidade. As Canarinhas da Granja Comari contam com os mesmos patrocinadores da selecão masculina (Nike, Itaú, VIVO, Guaraná Antártica, SEARA, Nestlé, Extra, Gillette, Wolkswagen, TAM), mas não é o suficiente para que as atletas estejam preparadas para competições de grande porte. Ao contrário da seleção feminina dos Estados Unidos, o time também conta com os mesmos patrocinadores da seleção masculina (American Airlines, All State, AT&T, Budweiser, Castrol, DICK’S, Gatorade, El Jimador, Kumho Tires, Nike, Pepsi, VISA), mas o suporte e a preparação que o time recebe nem se compara a seleção brasileira. O “Team USA”, como são conhecidas por aqui, conseguem aproveitar os benefícios que os patrocínios trazem para as duas seleções. O resultado nós podemos ver dentro de campo, um time mais estabilizado, melhor preparado e com um background que não se compara ao país do futebol.

A mesma tecla vem sendo batida nos últimos anos: as meninas lutam e fazem o máximo possível para trazer alegria ao povo brasileiro. Mas sem investimento, sem organização, essas meninas vão continuar batendo na trave e o futebol feminino também.

*Maria Tereza Públio Dias é mestranda em Administração Esportiva na Universidade Canisisus, Buffalo, EUA, e estagia no WNY Flash, o clube onde joga a também brasileira Marta.

 

COMENTÁRIO.

Benê Lima disse:

Gente,

 

Li com atenção todos os comentários. Apesar do grande número, ainda assim vi lugar para um novo comentário, calcado em abordagens pouco ou nada exploradas.

 

Precisamos, a meu juízo, contextualizar a discussão. O futebol feminino no Brasil é um, nos países europeus e nos Estados Unidos é outra coisa.

 

O futebol, por aqui no Brasil, é considerado manifestação cultural, antes mesmo de o termos como prática eminentemente esportiva. E, como tal, há um viés social que pode e deve ser utilizado para impulsiona-lo.

 

Ninguém é obrigado a gostar de futebol feminino, do mesmo modo que ninguém é obrigado a gostar de qualquer outra prática esportiva. Mas, para desenvolvermos a modalidade precisamos pensa-la a partir de sua base, e não a começar pela seleção brasileira. Como dizem, ‘a qualidade advirá da quantidade’.

 

Os investimentos possuem naturezas distintas, e o lucro não é a condição ‘sine qua non’ nem mesmo a única condição para justifica-los. Se o futebol feminino for encarado como ferramenta de inclusão social, as dificuldades para seu desenvolvimento serão atenuadas, bem como estarão justificados os recursos para ele carreados.

 

Ganhar títulos não deve ser o objetivo principal do incremento que se pense para a modalidade. Outra condição que deve ser agregada a este esporte é sua profissionalização, a fim de que o interesse por ele seja substancialmente aumentado. Diante disto, a criação de um novo mercado fará eclodir, naturalmente, um processo de retroalimentação que gerará relações sistêmicas em toda a cadeia operacional inerente à modalidade.

 

Como pontapé inicial deste processo de estímulo ao desenvolvimento do futebol feminino, construímos um plano de metas no âmbito das Conferências municipais, estaduais e nacional do esporte, de modo a contemplar, mesmo que timidamente, o futebol feminino em todo o território nacional. Este Plano Decenal no qual a modalidade encontra-se contemplada já foi, em alguns casos, transformado em deliberações em nível de política pública, o que possibilita que a população possa requerer sua aplicabilidade.

 

Mãos à obra, pois.

 

(…)

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segunda-feira, julho 25, 2011

PROPOSTA COMERCIAL - COMPANHIA DO ESPORTE

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Ex-Governador Lúcio Alcântara participará do Programa Companhia do Esporte

Dr. Lúcio Alcântara
O ex-governador e médico Dr. Lúcio Alcântara será o entrevistado desta quarta, 27, do Programa Companhia do Esporte, na Rádio Metropolitana AM 930. O programa vai ao ar de segunda a sexta, das 6 às 7 horas da manhã. 


A apresentação é do radialista Benê Lima, que também ancora e comenta, juntamente com outros dois comentaristas: Gualber Calado e Saulo Tavares.


A proposta do programa carrega um viés de inovação, já que foge do estilo das tradicionais resenhas esportivas, tendo como ponto alto os debates, além dos comentários e entrevistas.


Preencher a lacuna deixada pelos programas tradicionais e atender a um público mais exigente são dois dos pré-requisitos do Companhia do Esporte.


Escute, assista e confira!
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LÚCIO ALCÂNTARA


Profissão: .Médico
Nascimento: 16 de maio de 1943 - Fortaleza (CE)

Filiação: José Waldemar Alcântara e Silva e  

               Maria Dolores Alcântara e Silva

Casado com a Escritora Maria Beatriz Rosário de Alcântara
Filhos: Arquiteta Maria Daniela Rosário de Alcântara e Deputado Federal Leonardo Rosário de Alcântara


1 - Mandatos Eletivos:
Governador do Estado do Ceará (2003-2007)
Senador da República (CE) (1995 - 2003)
Vice-Governador do Estado do Ceará (1991-1994);
Deputado Federal (Constituinte) (CE) (1987-1991);
Deputado Federal (CE) (1983-1987);
Prefeito de Fortaleza (CE) (1979-1982);


2 - Cargos Públicos

Secretário de Saúde (CE) (1991 - 1992); (1975 - 1978); (1971 - 1973).
Secretário para Assuntos Municipais (CE) (1978 - 1979);

3 - Últimas Obras Publicadas
BLOG DE PAPEL (2009)
SÃO GONÇALO DO AMARANTE E O PADRE ANTONIUO VIEIRA  (organizador - 2008)
O RIO DA MINHA INFÂNCIA - Poesia
A CASA DA MINHA AVÓ - Poesia
PEQUENOS ESCRITOS. Seleção de artigos que o senador Lúcio Alcântara escreveu e publicou em vários jornais do país entre 1984 e 1999 - Gabinete do Senador Lúcio Alcântara - Senado Federal, 2001;
BRASIL, BRASIS: REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA E A HISTÓRIA. In, Síntese: Revista de Idéias editada pelo Gabinete do Senador Lúcio Alcântara. Ano 5. Brasília, 2000.

4 - Outras Informações
Presidente da Comissão Provisória do PR no Estado do Ceará;
Presidente do Instituto do Câncer do Ceará;
Membro da Academia Cearense de Letras, titular da cadeira nº 26
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sábado, julho 23, 2011

Pequenas considerações sobre jornalismo e seleção brasileira

Aprisionados pela guerra da audiência, os noticiários de esporte deram lugar a programas de entretenimento: o problema é a falta de informação
Rodrigo Viana*

O jornalismo esportivo no Brasil passa por um processo de espetacularização sem precedentes. Confunde-se o "espetáculo esporte" com a informação/análise sobre ele. 

O desvio metonímico da parte (mídia) pelo todo (esporte, em especial o futebol) é exacerbado nos programas de tv – principalmente os de tv aberta. Aprisionados pela guerra da audiência, os noticiários de esporte deram lugar a programas de entretenimento.

Cortes de cabelo, cores de chuteira e um conteúdo em que tudo - exceto a informação - importam, ganham cada vez mais espaço na tela. Por outro lado, os formatos não lineares de edição confundem ainda mais este ‘novo telespectador’, que já nasceu na internet e usa a tv como complemento de seu conteúdo imagético. Quanto mais sensação, melhor. Quanto mais confusão, melhor.

Os novos ângulos de câmera, a linguagem informal e o bom humor não são um pecado. Aliás, nunca foram. Não são poucos os exemplos do passado que abusaram destes recursos. O problema é a falta de informação atual. Melhor dizendo, a substituição da informação pelo simples “entreter”. 

É bem verdade que a crônica, enquanto gênero literário, nasce para entreter. Inaugurada na França pelo jornalista Jean Louis Geoffroy, em 1800 no Journal dês Débats, ela tinha a função de passar em revista os fatos da semana e entreter o leitor e conceder-lhe uma pausa para o descanso.

Mas será que não evoluímos de 1800 pra cá? Fico preocupado com a garotada que escolhe prestar jornalismo no vestibular e acha que jornalismo é isso. Ou apenas isso.

Ao lado da preocupação acadêmica, incomoda-me o lado torcedor da seleção brasileira de futebol. Assim como setores midiáticos esquecem o principal – a notícia - a seleção de Mano Menezes esquece o futebol. 

Tudo é mais importante: o patrocínio, o cabelo, o assédio dos times europeus, a entrevista depois do jogo... Menos aquilo que é feito durante os 90 minutos. 

Fico pensando que esta falta de comprometimento dos jogadores com a camisa é que provocou o divórcio entre o torcedor e a seleção. Não vi ninguém chorando indignado pela derrota na Copa América. Talvez, ao invés de chorar, estejamos todos – a exemplo do presidente da CBF, "cagando" para tudo isto.

Estamos a menos de três anos da Copa do Mundo no Brasil. O relógio corre pra imprensa, torcida, cartolas e jogadores. Mas a principal questão não é de velocidade. É de postura. Dentro e fora de campo.


*Rodrigo Viana é jornalista esportivo da TV Brasil e professor de pós-graduação em Jornalismo Esportivo na FMU

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Os 20 negócios de jogadores recomendados pelo Futebol Finance em 2011 (Europa) – Parte II

Após levantamento de oportunidades no mercado americano, lista apresenta valores potenciais, como o “Messi romeno”, Gabriel Torje, e a revelação turca Sercan Yildirim
No seguimento da primeira abordagem que fizemos ao scouting, como um dos setores da indústria do futebol menos midiático, mas com uma relevância incontornável no jogo, apresentamos agora as nossas recomendações no mercado europeu.

Utilizando o mesmo método, contatamos um dos melhores agentes de scouting mundial, no sentido de apurar quais os melhores negócios de jogadores no Velho Continente, juntamente com a colaboração de um agente Fifa, a fim de estimar os valores necessários para a aquisição dos jogadores.

Para a elaboração desta lista definimos como principais requisitos: (a) serem jogadores com menos de 21 anos; (b) a inequívoca qualidade dos jogadores; (c) o baixo custo estimado para a sua aquisição; (d) e serem jogadores ainda não negociados neste contexto.

1. Maksym Koval (Dinamo Kiev) 18 anos | 1.89 | Ucraniano 

Valor: entre 1.6 / 2.4 milhões de Euros | Agente: SMSSPORT

Descoberto pelo Dinamo Kiev no Metalurh Zaporizhzhya, clube que o lançou, com apenas 16 anos, na divisão maior do futebol ucraniano, foi o goleiro mais utilizado pelos “Bilo-Syni” na Liga 2010/11. Seguro entre postes, ao tirar partido da sua agilidade, elasticidade e rápidos reflexos, mostra-se corajoso e destemido nas saídas pelo chão. Apesar de revelar um bom poder de impulsão e um controle interessante da pequena área, poderá ganhar uma maior consistência nas saídas aéreas. Especialista na defesa de grandes penalidades, lança alguns ataques rápidos a partir de lançamentos manuais longos. 

2. Sime Vrsaljko (Dinamo Zagreb) 19 anos | 1.83 | Croata

Valor: entre 3.2 / 4.8 milhões de Euros | Agente: ASA International

Grande promessa do futebol croata, já chamado à seleção principal, trata-se de um lateral-direito de forte vocação ofensiva, também capaz de atuar como médio ala. Muito disponível do ponto de vista físico, o que lhe permite fazer o vaivém defesa-ataque, produz desequilíbrios no um para um, ao explorar a sua velocidade, poder de aceleração e agilidade. Com bons argumentos no passe lateral e nos cruzamentos, realiza várias assistências para situações de finalização. Do ponto de vista defensivo, tem vindo a registar progressos, mas mostra-se mais confortável na defesa de posições exteriores.

3. Stefan de Vrij (Feyenoord) 19 anos | 1.89 | Holandês

Valor: entre 2.0 / 3.0 milhões de Euros | Agente: Sports Entertainment Group

Defesa destro versátil, iniciou a sua carreira como lateral-direito, mas, nos últimos meses, tem-se vindo a fixar como zagueiro central. Dotado de um bom sentido posicional e forte no jogo aéreo, combina fortes argumentos para se impor na antecipação com uma boa capacidade de desarme, até porque é rápido a atacar a bola. Capaz de assumir as saídas para ataque, mostra uma boa visão de jogo e qualidade de passe, combinando saídas curtas e médias em segurança com algumas aberturas longas. 

4. Mathias «Zanka» Jørgensen (FC Copenhaga) 21 anos | 1.91 | Dinamarquês

Valor: entre 2.2 / 3.3 milhões de Euros| Agente: Match Marketing Group

Defesa central destro, já convocado pela Dinamarca, é extremamente disponível e poderoso do ponto de vista físico, o que lhe permite impor-se nos lances divididos, como também muito forte no futebol aéreo, em momento defensivo e a dar sequência a lances de bola parada ofensivos. Apesar de não ser muito veloz nas deslocações, patenteia um ótimo sentido posicional, revelando eficácia no desarme e a impor-se em ações de antecipação. Apesar de utilizar processos simples e práticos, assume, várias vezes, as saídas para ataque. 

5. Nicolai Boilesen (Ajax) 19 anos | 1.87 | Dinamarquês 

Valor: entre 1.0 / 1.5 milhões de Euros 

Central canhoto de origem, foi convertido, com sucesso, em lateral-esquerdo, mostrando competência na defesa de posições exteriores e interiores, ao tirar partido de muito bons argumentos para se impor em acções de antecipação, mas também pelo seu bom sentido posicional e ótimo poder de desarme. Muito disponível do ponto de vista físico e perspicaz a desmarcar-se, consegue projetar-se e criar desequilíbrios em nível ofensivo, patenteando argumentos interessantes no passe lateral e nos cruzamentos, o que lhe permite realizar assistências para situações de finalização. 

6. Slobodan Medojevic (Vojvodina) 20 anos | 1.83 | Sérvio 

Valor: entre 1.1 / 2.2 milhões de Euros | Agente: KLA International Sports Management

Revelado nas escolas do Vojvodina, uma das mais produtivas do futebol sérvio, impôs-se como unidade nuclear da equipa principal e da seleção sub-21. Jogador versátil, atua preferencialmente como meia defensivo, mas também pode ser utilizado como médio centro ou zagueiro central. Muito disponível do ponto de vista físico e com capacidade de choque, mostra eficácia em ações de desarme ou de antecipação, tanto pelo chão como pelo ar.

Capaz de assumir as saídas para ataque, mostra argumentos no capítulo do passe, que poderá ainda desenvolver, e gosta de romper de trás para a frente, procurando explorar, em algumas situações, o seu remate de pé direito de fora da área. O seu bom jogo aéreo garante-lhe a presença na área adversária para dar sequência a lances de bola parada. 

7. Necip Uysal (Besiktas) 20 anos | 1.80 | Turco 

Valor: entre 3.5 / 5.5 milhões de Euros | Agente: Football & Soccer Management Ltd.

Meia central ou interior de origem, tem vindo a ser utilizado, nos últimos tempos, como médio defensivo, tratando-se de um jogador destro, muito disponível do ponto de vista físico e com um bom sentido tático. Enérgico em ações de antecipação ou de desarme, tanto pelo chão como pelo ar, mostra-se capaz, assim que efetua uma recuperação, de assumir ações de condução e distribuição de jogo. Rápido, ágil e com argumentos interessantes a nível do drible, consegue criar desequilíbrios, como também revela uma boa leitura de jogo e capacidade de passe: não joga apenas à base de passes curtos e arrisca passes médios e longos, onde pode ganhar uma maior consistência. 

8. Granit Xhaka (FC Basileia) 18 anos | 1.83 | Suíço

Valor: entre 1.2 / 1.8 milhões de Euros | Agente: (carreira gerida pelo pai)

Meia canhoto, de origem albanesa, sagrou-se, em 2009, campeão do Mundo de sub-17 e, em 2011, vice-campeão europeu de sub-21. Médio ala de origem, tem-se vindo a fixar como médio centro ou interior. Muito dinâmico, revela-se participativo do ponto de vista defensivo, tirando partido da sua disponibilidade física e agressividade, mas destaca-se mais em nível ofensivo: sabe assumir ações de condução e de distribuição, tirando partido da sua capacidade técnica e mobilidade, como também dos seus bons atributos no passe, não só curto, mas também médio e longo, e no remate forte com o pé esquerdo. 

9. Markus Henriksen (Rosenborg) 18 anos | 1.87 | Norueguês

Valor: entre 2.0 / 3.0 milhões de Euros | Agente: Stars & Friends GmbH

Revelação do ano de 2010 do futebol norueguês, assumiu-se, com apenas 17 anos, como unidade nuclear do Rosenborg e já se estreou pela seleção principal. Meia central muito dinâmico, dotado de um bom sentido tático e muito disponível do ponto de vista físico, também capaz de atuar como interior, mais aberto sobre as alas ou como meia ofensivo, gosta de assumir ações de condução e organização, tirando partido da sua boa visão de jogo, argumentos no passe e interessante qualidade técnica. Móvel e perspicaz a desmarcar-se, não hesita em procurar o gol adversário através de remates de fora da área com ambos os pés: o direito é o que melhor define. 

10. Nosa Igiebor (Lillestrøm SK) 20 anos | 1.82 | Nigeriano

Valor: entre 1.2 / 1.8 milhões de Euros | Agente: Players Management LTD

Diamante que tem vindo a amadurecer, de temporada para temporada, no futebol norueguês, trata-se de um meia ofensivo versátil, capaz de atuar em posições centrais ou a partir de qualquer um dos flancos, até porque é ambidestro. Forte a assumir ações de condução de jogo ofensivo, destaca-se pela forma como consegue promover desequilíbrios, ao aliar velocidade, força física e poder de aceleração a uma interessante capacidade de drible em progressão.

Rompedor e muito acutilante a desmarcar-se, aparece com facilidade em zona de finalização, onde procura tirar partido do seu remate com ambos os pés. A sua grande disponibilidade física e agressividade permitem-lhe também participar em ações de pressão e de recuperação. 

11. Gabriel Torje (Dinamo Bucareste) 21 anos | 1.67 | Romeno

Valor: entre 3.0 / 4.5 milhões de Euros | Agente: Media Sport Management Limited

Grande promessa do futebol romeno, o que lhe vale o apelido de “Messi”, trata-se de um meia ala ou extremo direito, também capaz de atuar como falso atacante. Fisicamente frágil, procura compensar essa lacuna com um estilo de jogo elétrico e desequilibrador, ao conseguir conciliar a sua grande velocidade, poder de aceleração e agilidade a uma boa capacidade de drible. 

Perspicaz a desmarcar-se e a protagonizar movimentos em diagonal, possui um remate forte com o pé direito, em bola corrida e parada, e apresenta argumentos muito interessantes em finalizações aéreas, na sequência de ações de antecipação. Tem vindo a desenvolver a sua eficácia no último passe e nos cruzamentos, o que lhe garante a realização de várias assistências para situações de finalização.

12. Kevin de Bruyne (Genk) 19 anos | 1.80 | Belga

Valor: entre 5.5 / 8.5 milhões de Euros | Agente: StarFactory Football Management SA

Meia ala esquerdo, também capaz de atuar à direita ou nas costas do atacante, trata-se de um jogador muito forte a assumir ações de condução e a produzir desequilíbrios pelo flanco, ao aliar grande velocidade, mobilidade e poder de aceleração a uma boa capacidade de drible. Capaz de proporcionar várias assistências para situações de finalização, tanto a partir de cruzamentos como de passes, é inteligente a desmarcar-se e acutilante a protagonizar movimentos em diagonal, procurando o gol adversário através do seu forte remate de pé direito. É, igualmente, um bom executante de lances de bola parada: indiretos ou diretos. 

13. Lorenzo Ebecilio (Ajax) 19 anos | 1.76 | Holandês 

Valor: entre 1.5 / 2.0 milhões de Euros | Agente: Humphry Nijman

Revelação da segunda metade da última Liga holandesa, aproveitou a saída de Luis Suárez para se impor na equipa principal do Ajax. Jogador de grande mobilidade e dinamismo, capaz de utilizar os dois pés - o direito é o mais forte -, tem sido utilizado como extremo esquerdo, mas pode também atuar à direita ou em espaços mais centrais. Muito potente, robusto do ponto de vista físico e com grande capacidade de arranque, consegue produzir desequilíbrios no um para um, patenteando argumentos interessantes nos cruzamentos e no remate, quase sempre na sequência de movimentos em diagonal. Agressivo e pressionante, não se esconde quando é necessário trabalhar do ponto de vista defensivo. 

14. Emmanuel Mayuka (Young Boys) 20 anos | 1.78 | Zambiano

Valor: entre 1.6 / 2.3 milhões de Euros | Agente: Niir Karin

Escolhido para assumir a difícil sucessão de Seydou Doumbia, o jovem internacional zambiano, descoberto no Maccabi Tel Aviv, assumiu-se como uma das revelações da Liga suíça 2010/11. Capaz de atuar no centro do ataque ou a partir dos flancos, de forma a explorar a sua mobilidade e acutilância a protagonizar movimentos em diagonal, destaca-se por ser muito rápido, extremamente ágil e capaz de promover acelerações, o que lhe garante a criação de desequilíbrios no um para um, até porque possui atributos muito interessantes no drible.

Muito astuto a desmarcar-se e a ganhar posição aos defesas adversários, patenteia grande facilidade a visar o gol adversário através de remates com os pés - o direito é o que melhor define -, mas também possui argumentos no jogo aéreo. 

15. Admir Mehmedi (FC Zurique) 20 anos | 1.83 | Suíço

Valor: entre 2.0 / 3.0 milhões de Euros | Agente: International Football Management

Revelação da Liga suíça 2010/11 e presença regular nas selecções inferiores, onde sempre se destacou pela capacidade goleadora, trata-se de um jogador de origem albanesa-macedônica, capaz de atuar como principal referência ofensiva ou como segundo avançado. Muito móvel e extremamente astuto a desmarcar-se, gosta de partir de espaços exteriores em direção à área, explorando a sua velocidade, agilidade e argumentos no um para um. Com remate fácil e sentido de baliza, mostra uma boa capacidade de definição, de dentro ou de fora da área, com o pé direito. 

16. Cenk Tosun (Gaziantepspor) 20 anos | 1.83 | Turco/Alemão 

Valor: entre 3.0 /4.2 milhões de Euros | Agente: ASBW Sport Marketing

Internacional alemão em todos os escalões entre os sub-16 e os sub-21, cansou-se de esperar por uma oportunidade na equipa principal do Eintracht Frankfurt e rumou, em janeiro de 2011, ao Gaziantepspor, onde se assumiu como uma das figuras da 2ª volta da Liga turca, ao realizar 10 gols e seis assistências em 14 jogos, o que motivou um convite para representar a seleção principal turca.

Unidade móvel de ataque, capaz de atuar em espaços centrais ou a partir das alas, de forma a explorar os movimentos em diagonal, destaca-se pela velocidade e agressividade que imprime às suas ações, características a que consegue aliar um drible curto interessante. Muito astuto a desmarcar-se e a ganhar posição em zona de finalização, revela facilidade a definir com os dois pés. 

17. Luuk de Jong (Twente) 20 anos | 1.88 | Holandês

Valor: entre 4.5 / 6.5 milhões de Euros | Agente: firsteleven ISM

Atacante central de origem, também capaz de atuar como meia ofensivo ou segundo atacante, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 gols em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido coletivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a meta, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um. 

18. Jan Chramosta (Mlada Boleslav) 20 anos | 1.80 | Tcheco 

Valor: entre 500 / 700 mil Euros | Agente: SPORT INVEST

Presença regular nas seleções inferiores tchecas, ao serviço das quais marcou presença no último Europeu sub-21, tem vindo a conquistar espaço e preponderância, de temporada para temporada, na equipe principal do Mlada Boleslav. Atacante talhado para estratégias que privilegiem contra-ataques, pode atuar como principal referência ofensiva ou ao lado de um avançado mais fixo, o que lhe permite explorar a sua mobilidade, já que gosta de partir de espaços exteriores em direção à área. Rápido, ágil, muito lutador e perspicaz a desmarcar-se, aparece com grande astúcia em zona de finalização, onde procura tirar partido do seu remate com o pé direito. 

19. Ante Vukusic (Hajduk Split) 20 anos | 1.77 | Croata

Valor: entre 3.2 / 4.8 milhões de Euros | Agente: Eurofoot B.V.

Os 14 gols e cinco assistências que realizou em 29 jogos para a Liga, como também os quatro gols que apontou em nove jogos na Liga Europa, tornaram-no numa das figuras da temporada croata. Habituado a atuar como principal referência ofensiva, não gosta de se dar à marcação e tende a partir de espaços exteriores em direção à área, de forma a explorar a sua velocidade, agilidade e poder de aceleração.

Inteligente a desmarcar-se, muito forte a antecipar-se, dentro da área, aos defensores adversários e capaz de realizar bons movimentos curtos, define com facilidade, a um-dois toques, com os dois pés - o direito é o mais forte - e mostra argumentos interessantes no jogo aéreo. 

20. Sercan Yildirim (Bursaspor) 21 anos | 1.82 | Turco 

Valor: entre 4.8 / 7.2 milhões de Euros | Agente: Route1 Management Ltd.

Grande esperança do futebol turco, costuma atuar como atacante central, mas a sua mobilidade permite-lhe também desempenhar funções de segundo atacante ou falso extremo. Muito rápido, ágil e bastante agressivo, não hesita em partir para cima dos adversários e cria desequilíbrios no um para um, até porque é capaz de protagonizar bons movimentos curtos. Extremamente acutilante a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, demonstra grande sentido de oportunidade e muito boa capacidade de antecipação dentro da área, definindo com os dois pés - o direito é o mais forte - ou através do jogo aéreo. 

Fonte: Futebol Finance