Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

domingo, setembro 06, 2009

Entrevista

Alessandro Schoenmaker, preparador físico do vice-campeão holandês FC Twente (Parte 1)
Preparador físico do FC Twente conta como foi a sua ida para a Holanda, e sua adaptação ao país
Rodrigo Azevedo Leitão, Equipe Universidade do Futebol

Além de ser um dos principais países exportadores de jogadores de futebol, o Brasil é também um importante centro de formação de profissionais que trabalham na modalidade para além das quatro linhas (preparadores físicos, técnicos, médicos, fisioterapeutas, etc), e que são contratados por clubes em todos os continentes do planeta.

Graduado na Faculdade de Educação Física da Unicamp, Alessandro Schoenmaker é um desses casos de brasileiros que atuam em clubes do exterior. Sendo um dos mais respeitados preparadores físicos do futebol holandês, ele trabalha na equipe do FC Twente, vice-campeã do último campeonato do país europeu.

“A partir do momento que se chega lá, se adapta ao modelo deles e, aos poucos, tenta-se direcioná-lo para a sua filosofia, acredito que a resistência as suas ideias é menor e a chance de sobrevida profissional é bem maior”, comentou Schoenmaker, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol, durante a visita a sua família, na cidade de Holambra (interior do Estado de São Paulo).

Nessa primeira parte da entrevista, o preparador físico do FC Twente falou especialmente como construiu seu caminho, de estudante de Educação Física até o futebol profissional da Holanda, das dificuldades e diferenças que encontrou por lá.

Universidade do Futebol – Quando você entrou na Faculdade para cursar Educação Física, você já tinha a intenção de trabalhar com futebol, ou isso aconteceu no decorrer do curso?

Alessandro Schoenmaker – Sim, eu já entrei com esse pensamento. Mesmo porque, eu já havia trabalhado com a modalidade aqui na cidade [Holambra], como preparador físico no clube da prefeitura e como treinador no clube social; em ambos os casos com times femininos.

Já no primeiro ano de Faculdade, comecei a estagiar, sem remuneração, no Guarani de Campinas e trabalhava, com remuneração, pela Hípica. Ia de duas a três vezes por semana para o Guarani e desenvolvia o projeto “Bugrinho”, voltado para crianças.

Após aproximadamente um ano, comecei a trabalhar só no Guarani, pois aquilo demandava dedicação em todos os dias da semana, às vezes, a parte da tarde e da noite, e até o final de semana. Nessa fase, trabalhava com a categoria juvenil, como assistente de preparador preparação física.

Quando estava no meu terceiro ano dentro do Guarani, passei a atuar com as categorias infantil B e dente de leite, agora, como preparador físico principal.

Ao final da minha Faculdade, ainda fiquei no Guarani até o final da Copa Votorantim e, no dia 11 de fevereiro (2004), viajei para a Holanda.

Universidade do Futebol – Como surgiu a oportunidade de trabalhar na Holanda? Já era algo planejado, ou apareceu realmente como outra possibilidade qualquer?

Alessandro Schoenmaker – Foi pouco planejado, porque, durante a minha graduação, houve uma greve na Unicamp prevista para durar um mês. No entanto, esse período foi se estendendo, chegando a quase meio ano. No terceiro mês de greve, decidi que não ficaria sem fazer nada em casa, e que iria para fora do país fazer algum curso. Fui para a Holanda por pouco tempo, fiz o curso para técnico da Confederação Holandesa (KNVB). Lá, também comecei a pesquisar sobre algum curso específico sobre a preparação física no futebol, pelo instituto IAPF (International Academy for Physical Footballtraining).

Resolvi ficar mais um tempo por lá, e tranquei a Faculdade no Brasil. Nesse curso de preparação física, fiquei durante um ano. Retornei em 2002 e comecei a cursar a Unicamp em período integral para conseguir terminar o curso no mesmo ano que a minha turma original.

Portanto, a minha ida para a Holanda aconteceu devido a uma greve durante a minha graduação. Não foi algo planejado, mas que foi facilitado por conta desse fato.


Schoenmaker é graduado em Educação Física pela Unicamp

Universidade do Futebol – A sua adaptação ao idioma holandês aconteceu com facilidade?

Alessandro Schoenmaker – Quando eu fui para lá, falava bem pouco holandês e, no inglês, também só conseguia me virar. Fui pra lá na cara e na coragem, e aprendi muito rápido, porque, depois da graduação decidi voltar para a Holanda e fazer a minha pós-graduação por lá, também. Em cerca de cinco meses, estava falando bem o holandês.

Essa pós-graduação durou um ano e meio, mas como havia chegado lá em fevereiro, perdi o primeiro semestre, porque o ano letivo holandês começa em junho. Por isso, fiz o terceiro módulo junto com o primeiro, no semestre seguinte.

Além disso, o meu diploma da graduação e da pós, em treinamento desportivo, que eu também fiz na Unicamp, eu consegui validar na Holanda.

Universidade do Futebol – Quando você foi para a Holanda pela segunda vez não havia nada que te desse segurança financeira ou de trabalho. Como aconteceu a sua chegada e a sua permanência no país?

Alessandro Schoenmaker – Na verdade, por meio de um contato que eu havia estabelecido por lá, me inscrevi para a pós na IAPF e ficou acertado que faria estágio no Feyenoord. No entanto, esse estágio não aconteceu, porque trabalharia somente dois ou três dias por semana, e o clube havia colocado que o estágio teria que ser algo interessante para eles e para mim. Não me interessava trabalhar somente esses dias na semana e no restante não fazer nada.

Entrei em contato com os responsáveis pela pós para saber se eles sabiam de algum clube que tinha interesse em me estagiar por pelo menos seis meses. Foi quando surgiu o FC Ultrecht, que também é da primeira divisão holandesa, do qual eu nunca tinha ouvido falar. Porém, o próprio preparador físico da equipe entrou em contato comigo, via email, se apresentando e perguntando se eu teria interesse de trabalhar com ele, pois o seu assistente havia ido para a confederação de tênis da Holanda.

Nos primeiros meses, recebia apenas uma ajuda de custo nesse estágio, mas também, por acaso, o treinador dos juniores foi mandado embora, e como eu não trabalhava só com a preparação física no clube, mas também estagiava em uma categoria infantil como treinador, eles perguntaram se eu gostaria de ajudar a tocar os juniores por meio ano.

Juntamente com o assistente do profissional, levamos os juniores, eu como preparador físico e assistente, e ele como técnico. O time ficou bem colocado, em segundo lugar, e aí me ofereceram o primeiro contrato, por um ano, para receber um bom salário.

Passado um ano, recebi outro contrato por mais um ano. Nessa época já trabalhava com o profissional e com os juniores. Foi quando apareceu o FC Twente, que é o meu clube atual. O Ultrecht não me deixou sair e eu disse que se não podia sair – gostaria que eles melhorassem o meu contrato. Com isso, valorizaram meu contrato, e ficou estabelecido que o meu período de permanência no clube seria por tempo indeterminado, definindo-se que eu era um funcionário do clube, ou seja, eu não poderia ser mandado embora, só se eu pedisse demissão.

Passaram-se dois anos e meio, e dois dias antes do final do campeonato daquele ano, surgiu o interesse de outro clube da eredivisie, o Heerenveen. Após várias conversas com a agremiação, quando estava quase indo, para ser o preparador físico do time profissional, recebi um telefonema novamente do FC Twente, perguntando se tinha interesse em ir para lá. Apos uma conversa com a comissao tecnica, fiquei convencido de que a ida para FC Twente seria a melhor alternativa dentro do plano de carreira que havia trassado.

Sai como assistente do Ultrecht para assumir como preparador físico principal no Twente, que havia terminado a temporada acima do FC Utrecht –, o que foi uma surpresa pra mim, o interessa do mesmo. Acho que isso foi resultado dos dois anos que tive com os juniores, porque, no primeiro ano, terminamos em segundo e, no ano seguinte, fomos campeões. Além disso, o ex-preparador físico do FC Twente era meu professor no curso de especialização. Ele nunca tocou no assunto, mas tenho quase certeza de que foi ele quem me indicou.


Schoenmaker discordou da "receita de bolo" imposta pela Confederação Holandesa para a periodização dos treinos

Universidade do Futebol – Você levou um conhecimento diferente, daqui para a Holanda, fato que te colocou no mercado como alguém diferenciado. O que você acha que fez com que te enxergassem dessa maneira?

Alessandro Schoenmaker – Quando cheguei na Holanda, ninguém sabia do meu trabalho. A partir do momento em que foi publicada uma entrevista comigo, em uma revista tradicional no país, sobre o que pensava a respeito da preparação física, começou a despontar o interesse por aquilo que eu fazia. Essa publicação aconteceu em uma revista chamada Voetbal Trainer, que é parceira da Soccer Coaching (parceira da Universidade do Futebol). A reportagem questionava o que eu pensava sobre o modelo de periodização da Confederação Holandesa. Critiquei a “receita de bolo” imposta pela entidade, a qual havia sido desenvolvida pelo preparador físico da seleção holandesa, na época, o fisiologista chamado Raymond Verheijen.

Era um modelo de seis semanas, que era estudado e apresentado para os treinadores durante o curso de formação de treinadores da Uefa A e B da Holanda. Sendo assim, todos os treinadores do país seguiam cegamente esse modelo. Ou seja, era como se fosse um livro de receitas em que se tinha, na primeira página, a semana um, de segunda a domingo, e nos jogos e nos treinos também estava descrito o que se deveria fazer. Todo mundo tinha os mesmos treinos e a mesma programação.

A periodização descrita foi feita com base em uma experiência que o autor havia tido em um clube amador, fato que também questionei, porque era um time que treinava de três a quatro vezes por semana. A estrutura dos clubes da Holanda era totalmente diferente. Por exemplo, o que se encontrava no Ajax era totalmente distinto daquilo que se via no VVV, que é um clube da segunda divisão holandesa. Então, surgiram outras entrevistas, e foram perguntando sobre o meu trabalho e as minhas idéias.

Mesmo no Ultrecht, fui mudando aos poucos o modelo, uma vez que é complicado chegar a um país, que naturalmente possui bastante resistência a certos modelos de preparação física, e querer alterar tudo de uma só vez. Corre-se o risco de ser mandado embora. Por isso, o ideal é aproveitar aquilo que você considera bom, e com o que você não concorda ir, aos poucos, trazendo para a sua filosofia de trabalho. Eu adaptei o que encontrei para a minha maneira de trabalhar, tanto que passei de um modelo de seis semanas para um de quatro semanas, algumas coisas do modelo de seis adaptei ao meu e fui desenvolvendo ideias novas.

Nunca recebi nenhuma crítica em relação as minhas colocações quanto ao modelo que era adotado por lá, e também nunca me encontrei com o preparador físico que o inventou. Mas acredito que o que eu disse tenha sido positivo, porque, quando cheguei à Holanda, apenas cinco dos 18 clubes da primeira divisão tinham preparadores físicos na comissão técnica, e, dois anos depois, somente um time não possuía esse profissional, por motivos financeiros.

Universidade do Futebol – Vários profissionais brasileiros vão para a Europa, não têm sucesso e retornam para o Brasil. Como foi a receptividade e como você fez para contornar a resistência até que as pessoas conhecessem o seu trabalho?

Alessandro Schoenmaker – Resistência sempre existe. Caímos novamente na questão que comentei anteriormente do profissional chegar lá e querer mudar tudo. Se isso acontecer, a resistência vai ser ainda maior e a possibilidade de conseguir desenvolver o trabalho será muito pequena.

No entanto, a partir do momento que se chega lá, se adapta ao modelo deles e, aos poucos, tenta-se direcioná-lo para a sua filosofia, acredito que a resistência as suas ideias é menor e a chance de sobrevida profissional é bem maior.

Universidade do Futebol – Nos seus cursos de graduação e pós-graduação no Brasil, você conseguiu as ferramentas necessárias para a parte prática das suas funções, ou você precisou adequar-se a algumas coisas e aprender outras?

Alessandro Schoenmaker – Eu tinha uma boa base teórica, mas na prática tive bastante dificuldade por lá. Antes de nada, porque era o meu primeiro grande emprego e numa cultura totalmente diferente da brasileira. Sendo assim, tive que, primeiro, me adaptar ao que eles faziam por lá, como alguns exercícios que nunca havia visto e tive que aprender. Mas acredito que tenha aproveitado muito bem os primeiros cinco meses que estive por lá, acompanhando todas as categorias de base e o profissional como preparador físico, durante o meu período de estágio, mesmo para aprender algumas coisas como a própria cultura local e a maneira de pensar dos jogadores para, depois, tentar fazer uma química dos conhecimentos que eu possuía, da minha experiência e o que havia digerido de lá para montar uma mistura que desse certo.


Antes de apresentar a sua filosofia de trabalho, Schoenmaker procurou adaptar-se àquilo que era feito na Holanda

Universidade do Futebol – Você comentou sobre algumas diferenças em relação à cultura na preparação desportiva dos jogadores de futebol na Holanda. E em relação às avaliações físicas, como isso era trabalhado?

Alessandro Schoenmaker – Quando cheguei no FC Twente, o modelo de periodização proposto pela Federação, propunha também uma bateria de testes para os clubes, fato que não critiquei. Na realidade, até achei bastante interessante, pois, se você tem a mesma bateria de testes para todos os clubes, caso um atleta seja vendido de uma agremiação para outra, os dados a serem requisitados são os mesmos.

Só questionei alguns dos testes e, no Ultrecht alteramos um ou outro e acrescentamos novas avaliações na bateria. Quando fui para o Twente, já eram aplicados outros testes, diferentes daqueles que eu realizava no Ultrecht. Lá, implementei mais uma avaliação e retirei outra. Os jogadores receberam bem o novo teste.

Universidade do Futebol – Alguns clubes no Brasil, não analisam e utilizam mais o VO2 máximo, como preditor de performance. Na Holanda, o que é avaliado nesse sentido?

Alessandro Schoenmaker – Lá, é feito um exame meramente indicativo do VO2 máximo para a Uefa, que fica com os dados de todos os times. Não são usados como parâmetros de performance. Além disso, existem alguns exames físicos e médicos que são obrigatórios. É necessário que se enviem essas avaliações nos três primeiros meses da temporada para a Uefa.

Na Holanda, também existem alguns problemas de Legislação para a realização de certos testes. Por exemplo, um teste de VO2 máximo, somente pode ser realizado por um médico. Mais ainda, a avaliação deve ser feita dentro do hospital, e não no clube. Também, alguns procedimentos na área de recuperação só podem ser executados pelo fisioterapeuta.

Limiar anaeróbio nós não avaliamos. O teste de sprint foi adaptado, pois eles faziam o rast test, mas a distância de 35 metros não estava tão dentro da realidade de uma partida de futebol quanto uma distância de 10 ou 15 metros. Nesse caso, adaptamos, realizamos o mesmo protocolo só que com uma distância menor.

Além disso, havíamos começado com testes de carga máxima no Twente, durante o meu primeiro ano. Já no segundo ano, optamos por um modelo de teste submáximo, para evitar os altos riscos de lesão. Isso sempre baseado na semana de treinamento. Na verdade, deixamos de lado o trabalho de carga máxima para desenvolvermos um trabalho de repetição máxima.

Universidade do Futebol – Como você lida com a presença de jogadores de diversas nacionalidades dentro da sua equipe? A forma de enxergar o futebol é diferente?

Alessandro Schoenmaker – No FC Twente, temos jogadores de 18 nacionalidades diferentes. Vir de diferentes culturas presume maneiras distintas de se conceber o futebol.

Tudo vai depender do jogador e da maneira como você vai tratar disso com ele. Se quiser impor tudo, você vai sofrer resistências, e ele também. Porém, a partir do momento em que, de ambos os lados, existe uma abertura tanto para o trabalho quanto para a discussão, a resistência é bem menor.

Dos jogadores holandeses, cerca de 50% deles, têm formação universitária. Na minha equipe, têm vários atletas que estão no profissional ou nos juniores e que ou fizeram Fisioterapia ou Educação Física. Portanto, são jogadores que se interessam pelas razões de se realizar um determinado tipo de exercício.

Além disso, lá os jogadores são bastante interessados. Por exemplo, 85% dos treinos são realizados com cardio-frequencímetros. E, sempre depois do treino, os atletas tomam banho e, espontaneamente, passam na minha sala para saberem como eles estão fisicamente. Dessa maneira, você explicando e o jogador se interessando, os resultados são bem melhores do que se você impuser um método, e reduzir o seu salário se ele não aceitar.

O Douglas (jogador brasileiro que atua no FC Twente), por exemplo, veio do Joinville e, antes, teve experiência apenas no Força Sindical de São Paulo, acontecendo tudo muito rápido na sua carreira. Eu não sei como foi a época dele no Joinville, mas pelo o que ele comentou comigo sobre a estrutura de lá, deve ter sido um choque quando ele foi para a Holanda. Mas, nas suas entrevistas, nas quais eu sempre estou presente, pois atuo como tradutor (agora, um pouco menos), ele comenta que saiu do Brasil aberto para tudo o que lhe fosse apresentado pela nova cultura que ele iria enfrentar, sem ir convicto de que o que é feito no Brasil é o melhor, mas sim ver como é realizado em outros locais. Além disso, ele comenta que veio determinado. Não para ficar somente uma semana, mas para não voltar mais.

Universidade do Futebol – Vemos que os meninos das categorias de base, no Brasil, sonham em ir jogar na Europa. No entanto, poucos tomam as decisões corretas para que isso aconteça, como, por exemplo, frequentarem a escola. Você comentou que, na Holanda, muitos dos atletas são formados na Universidade. Existe um choque muito grande em relação a isso que interfira no trabalho do dia-a-dia?

Alessandro Schoenmaker – A diferença cultural entre um holandês e um brasileiro é semelhante àquela que existe em relação a qualquer jogador que venha de fora da Europa. Há essa distinção, mas acredito que isso não interfira no trabalho.

Na própria relação entre os jogadores, também não enxergo nenhuma barreira. Pelo contrário, vejo como um ponto bastante positivo, já que os atletas holandeses são muito receptivos e ajudam bastante os jogadores que chegam de outros países. É claro que isso é válido para aqueles que chegam com abertura para serem ajudados.

O que acontece com muitos brasileiros, é que eles querem ir para a Europa, logicamente porque os campeonatos são melhores, mas o objetivo maior é ganhar dinheiro. Porém, se você vai com outros objetivos, como o Douglas, que quer construir uma carreira e uma vida, e não só jogar dois ou três anos e voltar para o Brasil, a chance de ficar por lá por mais tempo e se adaptar é bem maior.

Nesse assunto, temos que considerar também a questão da sorte, de você ir para um clube onde haja outros brasileiros que possam te ajudar em várias coisas. Caso contrário, a fase de adaptação é muito mais longa e difícil.


O brasileiro Douglas é um dos destaques do FC Twente, e adaptou-se com facilidade ao futebol local

Universidade do Futebol - Qual é a ideia que os holandeses têm sobre os brasileiros como profissionais (jogadores e demais profissionais ligados ao futebol)?

Alessandro Schoenmaker – A primeira ideia que eles têm dos brasileiros é “en beetje moe”, o que, traduzindo para o português significa “um pouco cansado”. Isso, porque quando o Romário jogou pelo PSV, após os treinos e jogos, quando perguntavam como ele estava, ele sempre respondia “en beetje moe”. Essa é a visão: um jogador cansado, que chega atrasado nos treinos, ou que sai de férias e chega dois ou três dias depois do combinado.

Por ter tido uma educação um pouco mais holandesa, me adaptei com mais facilidade. Tem pessoas que dizem que me tornei um pouco holandês, porque sou uma pessoa muito pontual, e isso é de praxe por lá. O Douglas também se adaptou muito fácil a esse costume, porque ele mora em frente do meu prédio e vai comigo para os treinos. Além disso, ele não é aquele jogador que não gosta de treinar. Se precisar treinar três vezes no mesmo dia, ele vai com o maior prazer. Mas é uma exceção.

A primeira imagem de um jogador brasileiro é de alguém tecnicamente excepcional, mas que não tem disciplina, que chega atrasado, que não tem compromisso com nada.

Em relação aos demais profissionais, como os treinadores, os holandeses têm pouquíssimo contato com brasileiros e com os de outros países. Basta verificarmos que apenas dois clubes possuem técnicos estrangeiros. Um deles é o nosso com o Steve McLaren, ex-treinador da seleção inglesa, e o outro é um norueguês que está à frente do Heerenveen, que é ex-treinador do Club Brugges, da Bélgica.

Portanto, a resistência em relação aos treinadores estrangeiros é ainda muito grande, os clubes preferem os técnicos locais devido à familiaridade com a cultura holandesa, a formação, a maneira de treinar.

Para interagir com o entrevistado: A.Schoenmaker@fctwente.nl

Nota da Redação: Leia a segunda parte desta entrevista na próxima sexta-feira (dia 04/09) e conheça algumas características do futebol e jogadores holandeses, como se organiza uma semana de treinamentos, a questão da concentração nos treinos e jogos, por que as equipes holandesas têm dificuldades em vencer torneios internacionais, a qualidade e o interesse pelo aprendizado por parte dos treinadores holandeses, além de dicas valiosas para um profissional vencer no exterior.

sábado, setembro 05, 2009

Corinthians 2 x 1 Santos: volume ofensivo e bela jogada ensaiada garantiram a vitória do time da capital
Análise do duelo paulista válido pelo Campeonato Brasileiro, vencido de virada pelos anfitriões
Equipe Universidade do Futebol
No clássico do aniversário dos 99 anos, o Corinthians virou para cima do Santos em um duelo de baixo nível técnico, mas de muita emoção. Com sistemas táticos ofensivos, o jogo só não foi melhor pelo excesso de lançamentos, o que aumentou as interceptações, em detrimento dos passes curtos. Com isso, as defesas levaram vantagem sobre os ataques e os gols saíram em jogadas de bola parada – à exceção do lance concluído pelo atacante corintiano Bill.

Com o resultado, a equipe comandada por Mano Menezes vai se credenciando a disputar o título, pois com os reforços estreando e a volta de Ronaldo - e o time ficando completo -, deverá ser complicado segurar o embalo. Já o Santos parece que vai tentar disputar uma vaga para a edição de 2010 da Copa Libertadores da América, mas há dúvidas sobre o sucesso da equipe.
Corinthians – equipe ofensiva, mas ainda sem qualidade no meio




Com a volta de alguns atletas, Mano escalou um 4-3-3 mais encorpado para enfrentar o Santos. Porém, a falta de um bom trabalho de passe no meio-campo fez o jogo ser mais pelo alto do que pelo chão. Com isso, os atacantes levaram desvantagem sobre os defensores - segundo dados da Scout Online, o Corinthians teve mais posse de bola e errou menos passe, proporcionalmente, do que o Santos, mas abusou dos erros de lançamento e cruzamento.

Méritos para Dentinho, que está se tornando um exímio cavador de faltas. Por isso os adversários estão irritados com ele... O goleiro Felipe, do Corinthians, teve Jucilei apoiando na lateral direita, Chicão e Paulo André centralizados e Balbuena fechando o lado esquerdo, na formação da linha defensiva. No meio-campo, Mano apostou em nova configuração para suprir a ausência de um meia armador: Moradei centralizado, Elias pela direita e Boquita pela esquerda atacavam e defendiam pelo meio. Dentinho na direita, mas caindo por todo o campo de ataque, Souza centralizado e Jorge Henrique na esquerda formaram o ataque corintiano. Souza tentou, fez pivô, mas... não faz gol, e o torcedor não perdoa.

Na segunda etapa e buscando o resultado, Mano fez algumas alterações táticas, mas sem mexer no sistema. Alterou o lado do apoio ao ataque ao sacar Moradei e colocar Marcelo Oliveira na esquerda; com isso, Jucilei foi para o meio e Balbuena fechou o lado direito. No ataque, Dentinho deu lugar a Henrique, que centralizou os lançamentos, fazendo dupla com Bill. O time foi um pouco beneficiado pela opção de Vanderlei Luxemburgo em sacar Robson para a entrada de Germano - isso deu uma certa tranquilidade ao sistema defensivo corintiano, que adiantou a marcação.
Santos – em jogo pegado, faltou bola no chão para a equipe praiana

Fica uma observação quanto ao uniforme das equipes, na última quarta-feira: o Santos precisa escurecer um pouco mais sua camisa número 2, pois fica parecida com quem utiliza branco, como foi o caso do Corinthians na ocasião.

Segundo dados da Scout Online, a equipe da Vila Belmiro teve menor posse de bola, portanto, jogou no contra-ataque. Contudo, seus 20% de erros de passe, aproximadamente, dificultaram a transição ofensiva e o baixo número de finalizações no jogo. A ausência de Rodrigo Souto e a presença de Paulo Henrique quase como atacante fizeram a equipe perder a qualidade do passe nesse setor.

Substituto do lesionado Fábio Costa, o goleiro Filipe teve George Lucas na direita e Léo na esquerda, com Fabão e Eli Sabiá formando a linha defensiva. Rodrigo Mancha e Emerson como volantes se limitaram a marcar, e Robson, Paulo Henrique e Mádson formaram o trio de meia- atacantes que encostavam em Kléber Pereira.


No 2º tempo, Luxemburgo sacou Mádson e colocou Neymar. Salvo se Mádson sofreu alguma lesão, o Santos perdeu a velocidade no ataque, já que Neymar foi praticamente anulado pela marcação.

Emerson saiu para a entrada de Pará no meio e o time manteve o mesmo sistema. Para segurar o placar, Luxemburgo chamou o Corinthians para perto de sua área ao sacar Robson e colocar o volante Germano, modificando o sistema de jogo para o 4-4-2, com um losango no meio. Claro que não se pode garantir que o Corinthians não viraria o placar, porém os visitantes deixaram de atacar após a alteração.


Fontes:
Prancheta do Técnico

Scout Online
Roleta I
O mercado interno brasileiro é fraco e a produção é alta. Não exportar pode ser um risco, e as consequências podem ser graves

Oliver Seitz

A janela de transferências fechou. Uma das janelas mais sem-graça dos últimos anos, como já tinha sido adiantado a você aqui nesse espaço. Também tinha sido dito que quem movimentaria a janela seria o Real Madrid e o Manchester City, que foi o que acabou acontecendo. Não tinha previsto o Barça nem a Inter de Milão, que se mexeram um pouco, assim como a Juventus. O Lyon também fez uma ou outra coisa, mas nada de muito espetacular. Nada de última hora. Nada muito revolucionário.

Sobra, é claro, pro Brasil. A saída de jogadores no meio da temporada foi minguada, tirando o Cruzeiro, que já é tradicionalmente um dos clubes que mais vende jogador no país. Outro clube que tradicionalmente vende é o Atlético-PR, que, nesse ano, ficou a ver navios. O São Paulo, a mesma coisa.

O Brasil é um mercado exportador nos mais diversos setores. Ele produz muito, mas não há atratividade no consumo interno. Portanto, ele exporta. No futebol é igual, como você já bem sabe. O mercado interno é fraco e a produção de jogadores é alta, daí a naturalidade da exportação. Não exportar pode ser um risco. As consequências podem ser graves.

Vamos antes, porém, às possíveis causas da baixa movimentação da janela.

A primeira, e mais óbvia, é a grave crise financeira européia, que impede que bancos emprestem dinheiro para operações tão arriscadas como a aquisição de um jogador de futebol. Isso não se aplica, é claro, em casos que ou o dono tem muito patrimônio pessoal para dar de garantia ou o clube é intimamente ligado ao poder público e futebolístico. Os dois casos se aplicam ao Real Madrid, daí a razão pela qual o clube conseguiu pagar tão caro nas contratações. Mas a maioria dos clubes não possui esse poder, portanto, o mercado esfria. O efeito cascata das contratações do Real Madrid e o Manchester City também não foi muito forte porque alguns clubes preferiram fazer planos de contingência com a receita, que é o evidente caso do Arsenal, que ganhou uma bolada com o Adebayor e o Touré, mas achou melhor segurar o dinheiro. Uma atitude sábia de um clube que tem como técnico um cara que tem mestrado em economia.

A segunda razão pela qual poucos jogadores saíram do Brasil no meio desse ano pode ser a melhora da situação do país. O fortalecimento do Real em relação às moedas estrangeiras diminui a atratividade de clubes de fora, principalmente, porque o grosso das transferências é feito para times médios ou pequenos, que não podem arcar com salários líquidos mais altos. Os altos impostos aplicados em países como Bélgica e França reduzem significativamente a receita do atleta e diminuem o incentivo de mudar de clube.

A terceira razão pode ser uma descrença no modelo de negociação envolvendo jogadores de ponta no Brasil. Pelo menos quatro jogadores saíram daqui com valores europeus, digamos assim. Foram eles: Denílson, Robinho, Pato e Breno. Tirando o Pato, que pelo menos é titular, nenhum dos outros três justificou, por enquanto, o valor da contratação. O Denílson não tem mais chance. O Robinho tem alguma. O Breno ainda tem tempo. Mas mostra o risco. Além do mais, os grandes jogadores brasileiros em destaque hoje na Europa surgiram pela porta de trás. O melhor brasileiro na Inglaterra é o Denílson, não o supracitado, que já foi inclusive chamado de ‘o meio-campista perfeito’ pelo jornal The Guardian. Denílson chegou ao Arsenal novo e quase de graça. Na França, o destaque é o Michel Bastos, que saiu do Figueira sem que ninguém desse muita bola e passou um bom tempo no Lille até chegar ao Lyon. Situação semelhante ao Grafite, na Alemanha. Na Espanha, o destaque é o Kaká, que você conhece muito bem. Assim como conhece o Diego, grande destaque brasileiro na Itália, que demorou certo tempo até conseguir encaixar no futebol europeu. Tirando o Kaká, que já era destaque antes, todos os outros jogadores precisaram fazer pelo menos uma ponte para conseguir destaque. O que certamente implica em grandes clubes europeus ficando avessos ao risco e evitando fazer compras direto da fábrica, o que joga os valores das negociações para um patamar inferior.

A quarta razão: pode ser que o mercado brasileiro sentiu o impacto da entrada dos grupos de investidores como Traffic e Dis. Com esses grupos, a negociação sai da mão do clube e passa para a mão do investidor, que tende a estabelecer patamares maiores de valor, uma vez que ele já fez uma aplicação anterior. Digamos que um jogador X valesse, para o clube formador, cinco milhões de euros. O investidor Y chega no clube e adquire 60% do jogador X por 2,5 milhões de euros. O clube concorda, porque além de receber o dinheiro imediatamente, consegue manter o jogador no clube por mais um tempo, apesar do preço ser um pouco desvalorizado. Só que o clube também imagina que o jogador X que antes valia cinco milhões, na mão do investidor passa a valer pelo menos oito milhões, uma vez que o investidor tem maior poder de barganha financeira na hora da negociação com o clube de fora. E com 40% de oito milhões, o clube ganhará 3,2 milhões de euros, que somados aos 2,5 milhões de euros já recebidos, totalizam 14% a mais do que o clube estimava pelo jogador. E o investidor Y, nessa mesma brincadeira, ganha 2,3 milhões de euros, quase 100% do valor que tinha sido investido inicialmente. Seria uma matemática perfeita em que o clube e o investidor ganham, mas apenas aplicável se o mercado de fora realmente estivesse disposto a pagar os oito milhões de euros pelo jogador. O que não parece ser o caso.

A inflação do preço por conta da entrada de investidores e da melhora da situação financeira do país, aliadas à possível diminuição da demanda por conta da crise econômica e da perda de atratividade de jogadores brasileiros provenientes diretamente do país de origem, acabam travando as negociações.

Essas razões são, pelo menos, algumas das causas para o enfraquecimento da janela. E as consequências desse enfraquecimento são graves. Por isso que essa coluna terá duas partes. Semana que vem eu tentarei analisar essas consequências. A princípio, a análise não é nada otimista.

Até lá, sinta-se livre para enviar a sua análise sobre as causas, caso ela seja diferente daquelas aqui expostas. E pode enviar também a sua análise sobre as consequências da janela para o futebol brasileiro. Eu certamente não sei sobre todas elas.

E espero que a próxima coluna consiga dar pelo menos um sentido ao título escolhido.

sexta-feira, setembro 04, 2009

A importância do treinamento anaeróbio para o desempenho de jogadores de futebol profissional
Intensidade de trabalho do atleta durante um jogo pode diminuir e até mesmo ser interrompida quando houver uma grande concentração de lactato
Eduardo Luiz Tavares
Introdução

Não há dúvida de que o futebol neste século é visto por vários outros ângulos que não somente o da paixão, despertador em todos os povos do mundo, sobretudo em nosso país. Hoje, o futebol, além de ser o esporte mais emocionante entre todos, é também “business”, movimentando milhões de dólares e euros em todos os continentes. Com isso, não se admite que seja tratado sem profissionalismo, estando aqueles que assim não pensam fadados ao fracasso.

Dentre todas as vertentes que envolvem esse universo está a preparação física, onde não raro se ouve principalmente entre leigos a seguinte questão: será que a seleção brasileira de futebol, tricampeã no México em 1970 teria hoje o mesmo sucesso, visto que o futebol era mais cadenciado, “menos força”, sobressaindo a habilidade dos jogadores?

Temos ainda diversas outras questões que envolvem diretamente o treinamento, por exemplo: quais os métodos de preparação física mais adequados, quais os volumes e intensidades necessários para a melhor adaptação aos esforços exigidos durante uma partida, quais valências físicas devem ser mais trabalhadas e, sobretudo, a maior inquietação, o futebol é predominantemente aeróbio ou anaeróbio?

Neste artigo desejamos deixar bem claro a importância do treinamento anaeróbio para o desempenho de jogadores de futebol profissional, devendo ser preocupação de todos os preparadores físicos quando do planejamento de um macrociclo de treinamento, atentando para a importância dos testes de avaliação específicos para esse tipo de metabolismo, bem como os meios e métodos de preparação mais adequados para a melhora da performance dos atletas durante as partidas de futebol.

Aspectos gerais de um jogo de futebol

O futebol, esse fascinante jogo que move multidões e é paixão em todo o mundo, chegou ao Brasil em 1894 pelas mãos de Charles William Miller, que apesar do nome era paulistano nascido no bairro do Brás. Charles Miller desembarcou em São Paulo vindo da Inglaterra trazendo consigo duas bolas de couro, uniformes e um livro de regras. Nascia então para os brasileiros o esporte que se tornaria uma referência nacional.

A primeira regra, de um total de dezessete, trata do campo de jogo e estabelece que as partidas podem ser disputadas em superfícies naturais ou artificiais, de acordo com o regulamento de cada competição, sendo suas medidas definidas em um mínimo de 90 metros e um máximo de 120 metros de comprimento e um mínimo de 45 metros e um máximo de 90 metros de largura.

Os jogadores de futebol, distribuídos dentro desse espaço retangular e divididos por posições, executam as mais diversas funções táticas de acordo com a necessidade de cada jogo, o que indubitavelmente leva às mais diversas alterações do ponto de vista fisiológico em seus atletas praticantes.

Aspectos fisiológicos de um jogo de futebol
Barbanti (1996) conceitua o futebol como sendo uma modalidade esportiva intermitente, com constantes mudanças de intensidade e atividade, e a imprevisibilidade dos acontecimentos e ações durante a partida exige que o atleta esteja preparado para reagir aos diferentes estímulos, da maneira mais eficiente possível.

Assim, podemos conceituar que uma partida de futebol é constituída por uma alternância de esforços e ações variadas em formas e intensidades, o que caracteriza um esporte intermitente. Os jogadores realizam esforços aleatórios de duração e intensidade variável, ocorrendo fases de intensa participação (sprints, saltos, mudanças de direção, finalizações) intercaladas a períodos de menor intensidade (caminhada, trote de baixa intensidade).

É certo que as necessidades energéticas exigidas por jogadores de futebol, de acordo com suas funções e ações durante uma partida, variam muito de acordo com o posicionamento em campo. Suas funções e distribuições táticas podem mensurar qual a necessidade energética e qual será a principal fonte de energia para cada ação durante a partida. Assim sendo, para as diversas tarefas que se impõem durante uma partida, temos que a liberação de energia também será proveniente de metabolismos diferentes, ou seja, de sistemas energéticos diferentes.

Sistemas energéticos

Segundo Hernandes Junior (2002) sistema energético é a via metabólica por meio da qual a musculatura obtém energia à contração muscular. Foss e Keteyan (2000) ensinam que o combustível necessário para o fornecimento de energia no corpo humano é o ATP, sendo este formado por uma base de adenosina e três grupos fosfatos.

Porém, segundo a literatura, o estoque de ATP intramuscular é muito baixo e só suficiente para que o indivíduo possa executar de 3 a 5 segundos de atividades físicas máximas, sendo necessário uma ressíntese contínua de ATP.

Conforme Aoki (2002) a ressíntese imediata de ATP é realizada a partir da união dos produtos recém formados pela sua quebra: a adenosina difosfato e o fosfato. Além desses compostos, a ressíntese de ATP depende da liberação de certa quantidade de energia proveniente da quebra dos fosfatos de creatina (CP). Essa quebra é capaz de suprir por alguns segundos (aproximadamente 10 segundos) aumentos abruptos da demanda energética.

Importante ficar claro que assim como o estoque de ATP, o estoque de fosfato de creatina armazenado no corpo humano também é limitado, ficando dessa forma como principal fonte de energia para a ressíntese de ATP os macronutrientes presentes em nosso organismo (carboidratos, lipídeos e proteínas).

Dentro dessas estruturas de sistemas energéticos estão presentes os diversos esportes e atividades físicas existentes. Saber qual é a maior demanda energética solicitada pelo meu esporte e, sobretudo, qual a via metabólica para ressíntese dessa energia, é condição indispensável para o planejamento e execução de um treinamento ideal para que fisicamente o atleta esteja preparado para as solicitações daquela modalidade. Sem isso, a chance de fracasso na elaboração de uma periodização é total.

Predominância metabólica de uma partida de futebol

Segundo Gomes (2008) para se ter o correto entendimento da carga fisiológica adequada ao jogador de futebol é necessário observar além da distância total percorrida durante o jogo, outros fatores como a intensidade das ações dentro da distância total percorrida, porcentagem da distância percorrida em intensidade máxima no primeiro e no segundo tempo, duração, distância e número de ações motoras de alta intensidade, número de sprints, pausa entre os sprints, duração das ações com e sem bola, pausa entre essas ações, formas de deslocamento, frequência cardíaca de jogo, concentração de lactato, porcentagem de consumo máximo de oxigênio, etc.

Mas, afinal, qual é a predominância metabólica em uma partida de futebol?

O futebol caracteriza-se por ser uma atividade predominantemente aeróbia, mas na qual os atletas dependem de esforços anaeróbios e intensos para almejar sucesso na atividade competitiva (Bangsbo, 1994; Reilly, 1997), sendo que à medida que avançam nas categorias, verifica-se um maior predomínio da atividade anaeróbia (Silva et al, 1997) e um percentual maior de movimentação em velocidade máxima (Ekblon, 1986).

No futebol moderno, cada vez mais verificamos a importância de termos um jogador rápido e forte, capaz de suportar as altas exigências de uma partida e ainda mantendo um elevado nível de competitividade, ou seja, capaz de suportar e resistir às condições fatigantes de um jogo de futebol profissional.

Nesse contexto, podemos concluir que o futebol é um esporte onde o predomínio metabólico nos atletas é o aeróbio, porém, onde o metabolismo anaeróbio é o determinante, razão pela qual deve ser trabalhado e em hipótese alguma negligenciado pelos preparadores físicos, pois, como determinante, é um dos fatores que fará a diferença em uma competição de alto nível e exigência atlética.

A resistência anaeróbia e sua importância no futebol

Para a maioria das modalidades desportivas, o desenvolvimento da resistência anaeróbia tem um significado muito importante, sobretudo ao futebol, modalidade que como já vimos é de caráter intermitente e acíclico. Tendo o metabolismo aeróbio como predominante, mas o anaeróbio como determinante, o futebolista necessita e muito que essa capacidade esteja bem treinada.

A capacidade anaeróbia bem treinada estabelece ao futebolista uma base funcional para o aperfeiçoamento de diversos aspectos, mas principalmente o deixará mais adaptado às ações e exigências do futebol e com uma maior tolerância à fadiga.

Em uma partida de futebol, como já vimos, temos diversos tipos de deslocamento, feitos em diversos tipos de intensidade, onde a melhor adaptação ao metabolismo exigido tornará o jogador mais eficiente dentro daquilo que dele se espera.

O metabolismo anaeróbio, sobretudo o glicolítico, tem importância ímpar dentro dessa análise, pois uma grande parte da atividade dos movimentos dos futebolistas está baseada na desintegração anaeróbia do glicogênio. Sabemos a importância da capacidade física velocidade em todos os esportes. Porém, de nada adiantará termos um atleta extremamente veloz no futebol que consiga dar apenas alguns sprints, sendo logo vencido pela fadiga e pela falta de adaptação às exigências específicas do esporte.

Com isso fica clara a importância do treinamento anaeróbio para o desempenho de jogadores de futebol profissional, uma vez que a intensidade de trabalho do jogador durante uma partida pode diminuir e até mesmo ser interrompida quando houver uma grande concentração de lactato.

Conclusão

O futebol é um jogo caracterizado por ações motoras rápidas e potentes. Embora em grande parte do tempo os atletas caminhem ou trotem, são os saltos e os sprints curtos e intervalados, com intensidades altas e moderadas, que definem as disputas de bola e muitas vezes fazem a diferença entre fazer um gol ou tomá-lo.

O trabalho que é imposto aos atletas nas partidas exige um padrão orgânico elevado, principalmente quanto aos parâmetros anaeróbios. Nesse quesito, o papel da preparação física no futebol assume posição fundamental: ou a modalidade é entendida em todas as suas nuances físicas, ou a preparação dos atletas será insuficiente para atender a demanda exigida.

Hoje os preparadores físicos lidam diariamente com um desafio, pois, aliada às dificuldades impostas pelo calendário esportivo anual das competições oficiais de futebol, temos diferentes fatores que interferem no planejamento e na preparação de uma equipe.

Isso faz com que a margem de erro tenha que ser cada vez menor. Erros primários na elaboração de um plano ou de uma periodização não podem ocorrer. Analisar e conhecer a modalidade, projetar os objetivos a serem alcançados e treinar adequadamente os atletas de acordo com as exigências do esporte é obrigação dos profissionais da área de preparação física, sobretudo no futebol profissional.

Bibliografia
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BALIKIAN, Pedro, et al. Consumo Máximo de Oxigênio e Limiar Anaeróbio de Jogadores de Futebol: Comparação entre as Diferentes Posições. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. São Paulo, vol. 8, n. 2, mar./abr. 2002
BARROS NETO, Turíbio Leite, et al. Aplicações Práticas da Ergoespirometria no Atleta de Futebol Profissional. São Paulo, Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Unifesp/EPM
FRANCHINI, Emerson. Teste Anaeróbio de Wingate: Conceitos e Aplicação. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. São Paulo, ano I, n. 1, 2002
GODIK, Mark A. Futebol – Preparação dos Futebolistas de Alto Nível. Grupo Palestra Sport. Rio de Janeiro, 1996
GOMES, Antonio Carlos e SOUZA, Juvenilson de. Futebol – Treinamento Desportivo de Alto Rendimento. Porto Alegre: Artmed, 2008
GONDIM PITANGA, Francisco José. Testes, Medidas e Avaliação em Educação Física e Esportes. 4ª Ed. São Paulo: Phorte, 2005
HERNANDES JUNIOR, Benito Olmos. Treinamento Desportivo. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2002
McARDLE, Willian D., KATCH, Victor L. Fisiologia do Exercício. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003
PEREIRA, Julimar Luiz. Correlação entre Desempenho Técnico e Variáveis Fisiológicas em Atletas de Futebol. Dissertação de mestrado para obtenção do título de mestre em educação Física pela Universidade Federal do Paraná
PRADO, Daniel Amaral, BENETTI, Waldir. As Características Físicas, Táticas e Técnicas do Jogador de Futebol em suas Respectivas Posições. Monografia apresentada para graduação em Educação Física no Centro Universitário Claretiano. Batatais, 2005
SANTOS SILVA, Paulo Roberto, et al. Avaliação Funcional Multivariada em Jogadores de Futebol Profissional – Uma Metanálise. Acta Fisiátrica, vol. 4, n. 2, p. 65-81,1997
SANTOS SILVA, Paulo Roberto, et al. Níveis de Lactato Sanguíneo em Futebolistas Profissionais, verificados após o primeiro e segundo tempos em partida de futebol. Acta Fisiátrica, vol. 7, n. 2, p. 68-74, 2000
SILVA, P. R. S.. ROMANO, A., TEIXEIRA, A. A. A. et al. A Importância do Limiar Anaeróbio e do Consumo Máximo de Oxigênio em Jogadores de Futebol. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. São Paulo, vol. 5, n. 6, p. 225-232, 1999
TORTORA, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000
WEINECK, Jurgen. Biologia do Esporte. 7ª Ed. Barueri: Manole, 2005

*Eduardo Luiz Tavares é professor especialista em fisiologia e preparação física, pós-graduando em treinamento desportivo. CREF 061444-G/SP.

quinta-feira, setembro 03, 2009

O confronto de normas (Artigo 59 do Código Civil versus artigo 217, I, da Constituição Federal)
A autonomia dada pela CF/88 aos clubes condiz com a realidade e às peculiaridades destas formas associativas. Cabe a elas decidir sua forma de funcionamento
Carlos Eduardo Licks Flores
O Código Civil de 2002, em seu artigo 59, alargou aos associados a competência, para através de assembléia geral, decidir alguns aspectos como eleição dos administradores (inciso I), destituição dos administradores (inciso II), aprovação de contas (inciso III) e alteração do estatuto (inciso IV). Em seu parágrafo único exige-se, para os casos dos incisos II e IV, o voto de 2/3 dos presentes na assembléia específica, exigindo ainda a maioria absoluta dos associados na primeira convocação, ou nas convocações seguintes, não menos de 1/3.

O artigo 53 do CC conceitua as associações como a união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.

Como sabemos, de maneira geral, os clubes de futebol enquadram-se na categoria de associação, em que pese as alegações, que abrem outra discussão, de que os clubes buscam fins econômicos. Entretanto, o artigo 59 do CC não se aplica aos clubes de futebol, porquanto vai de encontro com o preceito constitucional do artigo 217, I que diz: “É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados: I –a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento”.

Não há incostitucionalidade no artigo 59 do CC, porém não há aplicabilidade para os clubes de futebol, alguns com mais de 20.000 associados, ou ainda, com mais de 100.000 associados, caso do S.C. Internacional.

Não há dúvida que o quorum exigido nas deliberações especificadas no parágrafo único do referido artigo civilista tornar-se-ia inviável. Cabe, sim, ao conselho deliberativo tais deliberações.

Na verdade, não existe exatamente um conflito de normas, porquanto hierarquicamente a Constituição Federal de 1988 é superior ao Código Cível, o que deve ocorrer não somente no caso ora tratado, é uma análise constitucionalizada das normas jurídicas. Não há porque ficarmos “pescando inconstitucionalidades”, se vermos a norma à luz de nossa lei maior.

A autonomia dada pela CF/88 aos clubes condiz com a realidade e às peculiaridades destas formas associativas. Cabe a elas decidir sua forma de funcionamento.

Sem adentrarmos a fundo em novo tema, mas para exemplificar mais um difícil enquadramento do novo Código Civil com a realidade associativa dos clubes de futebol, o mesmo ocorre com o seu artigo 990, referindo que todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Ora, no momento em que os clubes, que tiveram a faculdade de se transformar em empresas, assim não o fizeram, ficam sujeitos ao regime de sociedade em comum e, por conseguinte, ao disposto em mais um artigo do código civil.

Mais uma vez inviável e fora do contexto fático este enquadramento. Imaginar que os sócios de um clube de futebol poderão responder solidariamente pelas obrigações de seu time de coração beira o absurdo.

*Carlos Eduardo Licks Flores é especialista em Direito Desportivo e membro do Gedd
Palmeiras aumenta valor dos ingressos para 'adequá-los' ao preço do seu futebol
O setor mais popular, as arquibancadas, passou de R$ 30,00 para R$ 40,00. Todos os demais setores do estádio também sofreram aumentos
Equipe Universidade do Futebol

Para a próxima partida do Palmeiras contra o Barueri, os torcedores do time do Parque Antártica que quiserem assistir ao jogo no estádio terão que desembolsar um valor mais alto do que o que vinha sendo cobrado.

Na liderança do Campeonato Brasileiro de 2009 e com um plantel de jogadores respeitável, a diretoria palmeirense acredita que o time deva ser valorizado pelo torcedor.

Com o aumento de preço dos ingressos, as arquibancadas passaram de R$ 30,00 para R$ 40,00. Os outros lugares também sofreram reajustes: numerada descoberta R$ 80,00 (R$ 40,00 meia-entrada), numerada coberta R$ 140,00 (R$ 70,00 meia-entrada), setor Visa R$ 100,00 (R$ 50,00 meia-entrada) e camarote premium R$ 150,00 (R$ 75,00).

"Foi uma política imposta pelo departamento financeiro do clube", justificou Genaro Marino, diretor de futebol do Palmeiras. Para garantir a permanência de alguns jogadores importantes, recentemente, o clube do Parque Antártica teve que definir novos contratos mais caros. Exemplos disso são o volante Pierre e o zagueiro Maurício Ramos. Além disso, há de se contabilizar a contratação do atacante Vagner Love.

"O valor de R$ 40,00 já era cobrado no Campeonato Paulista e foi diminuído por uma série de fatores. Acreditamos que o espetáculo pode ter um valor maior, tudo depende da política do nosso departamento financeiro. Baseado no custo do futebol, eu acho esse novo preço normal", comentou Marino.

Apesar do aumento do preço dos ingressos, o dirigente palmeirense acredita que a torcida não deixará de freqüentar o estádio. "Não acreditamos em esvaziamento, o futebol é um espetáculo, R$ 40,00 é um valor adequado. As torcidas têm benefícios, os estudantes pagam metade do preço, não é tão caro se for comparado com apresentações musicais. O futebol tem espaço para todo o tipo de público", concluiu o diretor de futebol do Palmeiras.

Nossas idéias vicejando

São Paulo fará estádios para o futebol amador
A proposta é que os espaços funcionem como centro para a formação esportiva de crianças e adolescentes
Equipe Universidade do Futebol

A cidade de São Paulo deve ter quatro estádios para a prática do futebol amador. O projeto está orçado em R$ 40 milhões, dinheiro que sairá dos cofres públicos e pode ser incluído no orçamento da cidade para 2010.

A construção é uma grande aposta de Walter Feldman, secretário municipal de Esporte, Lazer e Recreação. A proposta é que os espaços funcionem como centro para a formação esportiva de crianças e adolescentes e que abriguem jogos dos times de futebol amador da capital paulista.

"Estamos formulando um projeto integrado de emendas entre deputados federais, estaduais e vereadores. Cada bancada entrará com R$ 10 milhões, e nós colocaremos a mesma quantia. Esperamos que isso seja aprovado ainda em 2009 para ser incluído no orçamento de 2010", contou o secretário.

Depois que o orçamento for aprovado, os locais de construção serão definidos. Está certo que os quatro estádios serão espalhados nas quatro regiões da cidade, preferencialmente próximos da periferia, e a Secretaria já iniciou uma pesquisa por espaços.

"Hoje em dia, a maior demanda que nós temos é para estádios assim. Vamos fazer algo com vestiários, arquibancadas e toda a estrutura necessária, de acordo com sugestões da Federação Paulista de Futebol, mas com um tamanho adequado à necessidade do futebol amador", projetou Feldman.

O projeto dos estádios para o futebol amador surgiu na esteira do debate sobre o futuro do Pacaembu. O secretário é um dos defensores da concessão do estádio municipal ao Corinthians, mas identificou nas conversas com a população sobre o tema uma necessidade de incrementar os aparatos públicos para a prática do futebol.

"Se eu for fazer uma decisão de campeonato amador hoje, não tenho para onde correr. Ou uso o Pacaembu, ou nada. A situação não pode ser assim. São Paulo é uma cidade muito grande, e nós precisamos criar alternativas que fiquem mais diluídas", finalizou.

Na próxima semana, uma comissão criada pela Câmara Municipal entregará um relatório feito nos últimos meses sobre as implicações de o Pacaembu ser repassado à iniciativa privada e o impacto social do tema. Presidido por Antônio Goulart (PMDB), o grupo é formado por 11 vereadores, nove deles corintianos (Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo, também é integrante).

Sem revelar abertamente seu voto sobre o futuro do estádio, Goulart demonstrou-se amplamente favorável à cessão do Pacaembu para a iniciativa privada. Atualmente, a prefeitura tem um gasto anual de R$ 3 milhões com a manutenção do espaço.

Se a subcomissão tiver maioria favorável à cessão do estádio, o projeto precisará de aval do prefeito Gilberto Kassab. Depois disso, passará por nova votação na Câmara para a abertura de uma licitação em que apenas clubes de futebol poderão participar.

terça-feira, setembro 01, 2009

O primeiro turno do Brasileirão-09: por enquanto só números...
Importante extrapolarmos o discurso comum de que números simplesmente não trazem informações

Eduardo Fantato

Olá pessoal.

Hoje, aproveito para deixar algumas informações no ar e, conforme venho dizendo, o dado só transforma-se em informação depois de alguém interpretá-lo.

Para tanto vou apresentar alguns dados hoje e por questões de espaço e tempo de reflexão debateremos na próxima semana. Aguardo seus comentários, combinado?

As tabelas são baseadas nos dados da ScoutOnline, apresentados aqui apenas em sua dimensão numérica. Com certeza a inserção das dimensões espacial, temporal, sequencial e situacional do scout, acrescentariam muitas possibilidades, mas vamos por partes, ok?

Os dados referem-se ao primeiro turno do Campeonato Brasileiro 2009 da série A, e estão apresentados em média por jogo, daquilo que cada equipe realizou nesse período analisado.

Vamos lá:

Em azul, as equipes que se situam acima da média geral do campeonato, em vermelho as equipes que estão abaixo dessa média. No inicio de cada tabela, em fundo verde apresenta-se a média da competição.

Dados sobre distribuição e circulação de bola



Dados sobre finalização



Dados sobre desarmes, reposição, e faltas




E aí, o que é possível e impossível dizer?

Importante extrapolarmos o discurso comum de que números simplesmente não trazem informações. Mas sim, que possamos, a partir deles, criarmos mecanismos de especulação. Na próxima semana definiremos o que é esse tal mecanismo.