Sinopse

"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."

sexta-feira, outubro 08, 2010

Estratégia: o padrão de jogo e o modelo de jogo

Dinâmicas individuais e coletivas, que refletem um padrão de organização de uma equipe, podem ser monitorados e até manipulados

Rodrigo Azevedo Leitão

Para os treinadores de futebol, a tomada de decisão e a escolha de uma estratégia de jogo, em detrimento de outra, pode definir o sucesso ou fracasso de sua equipe dentro do jogo.

Na imprevisibilidade das dinâmicas decorrentes do confronto de duas equipes de futebol em uma partida, terá mais chance de vencer aquela que apresentar dinâmicas que têm maior fluidez sobre as de sua adversária (que se encaixam melhor e respondem mais adequadamente aos problemas do jogo, sem muito gasto de energia).

São muitas as áreas da Ciência que estudam a arte da estratégia e do planejamento estratégico.

No futebol, ainda que muitas vezes seja de forma empírica e intuitiva, treinadores pelo mundo todo demonstram ser mestres no que diz respeito à elaboração e aplicação de estratégicas de jogo.

Sem contestar, ou deixar de dar grande importância a esse empirismo e intuição, é importante salientar que se avaliarmos as estratégias de jogo adotadas pelos diversos treinadores e equipes de futebol, Brasil à fora, notaremos que elas (as estratégias) podem estar associadas a níveis distintos da organização do jogo.

O jogo é imprevisível.

Há, porém, se olharmos para ele sob a luz da Teoria Sistêmica, dinâmicas individuais e coletivas, que em meio ao aparente caos, refletem um padrão de organização, que pode ser detectado, monitorado e até manipulado.

Essa “manipulação”, nada mais é, do que a ação individual e coletiva de uma equipe definida dentro de um plano estratégico, para tirar proveito ou vantagem desse padrão.

O grande “pulo do gato”, porém, está em entender que o padrão de jogo pode ser observado em níveis que vão desde a ação de um elemento do sistema (o jogador), operada por características singulares a ele, até a modelação coletiva da equipe em suas regras de ação ou maneira de estruturar o espaço de jogo.

E o que isso quer dizer?

Isso quer dizer em primeiro lugar, que padrões de jogo podem ser identificados dentro e fora de um modelo de jogo, e que, em segundo lugar, é preciso ter clara idéia de qual é o nível exato da organização do jogo, que se quer intervir (ou ainda, qual é o melhor nível para se fazer a intervenção).

Então, olhar para um jogo, tentar identificar e entender o modelo de jogo que norteia a comportamento dos jogadores de uma equipe é apenas um dos passos para identificar um pedaço fractal de um padrão de jogo.

Da mesma maneira, a partir do melhor entendimento do padrão de jogo (individual e coletivo), deve-se ter clareza para definir com exatidão, em qual nível desse padrão é possível agir com maior eficácia.

É preciso que se entenda que o “modelo de jogo” é um subsistema do sistema “padrão de jogo”, e que esse é um subsistema do sistema “cultura de jogo” (que é por sua vez subordinado ao jogo).

Toda e qualquer decisão estratégica, vai de certa forma, mexer com os níveis de organização de uma equipe e de sua forma de jogar.

Então, seja para agir diretamente sobre a operacionalização coletiva das ações, sobre a estruturação coletiva do espaço de jogo, sobre a ação específica dos elementos do sistema, ou ainda, sobre suas inter-relações ou suas interdependências, é importante que o “tiro” seja certeiro, e que haja o entendimento de que a ação sobre qualquer uma dessas variáveis, afetará diretamente a outra, com maior ou com menor magnitude.

Identificar padrões de jogo em distintos níveis não é tarefa das mais fáceis, porque requer muitas vezes observação repetida de um mesmo jogo, ou de diversos jogos de uma mesma equipe.

De qualquer forma, vale salientar que muitos treinadores pelo mundo, inconscientemente ou não, acabam por tomar decisões estratégicas sempre atuando sobre o mesmo nível organizacional e sempre (ou quase sempre) sobre a mesma variável da organização sistêmica.

Isso quer dizer que muitas vezes, entendendo o tipo de decisão estratégica que um treinador toma, é possível entender também com quais óculos ele enxerga o jogo, e aí talvez, seja possível vencer sua equipe antes mesmo de conhecer seus padrões.

Com que óculos você enxerga o jogo?

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Tópicos para reflexão sobre o feedback

Quantidade, frequência e especificidade

Sérgio Raimundo*

Para que serve o ensino? Como se aprende? Estarão as coisas bem, se os intervenientes afirmarem estar num processo que acham inútil?

Lourenço e Ilharco (2007) levam-nos a ter em conta uma necessidade fundamental que deve estar presente no treino e na vida, em geral, pois, para as pessoas sentirem os problemas e as soluções dos mesmos, como reais e significativos, têm que os viver, ou seja, os problemas hão de fazer parte do seu “mundo da vida”, usando a linguagem fenomenológica.


Abordagem ao feedback pela perspectiva da complexidade

Este artigo pretende tratar o tema do feedback (FB), que é a reação do treinador/professor à prática do atleta/aluno, não sendo possível falar isoladamente de FB sem contextualizar um pouco mais aquilo de que se fala, à luz da perspectiva da complexidade. Se tudo é complexo, o futebol é um sistema complexo e tudo o que nele acontece resulta da interação de inúmeros agentes heterogéneos e dispersos e do treino e da competição, fazendo-se a preparação física e técnica e táctica e psicológica e moral num treino, onde todos os elementos se encontram em rede e trabalham ao mesmo tempo (SÉRGIO, 2008).

Nesta perspectiva de análise, o ser humano é, segundo o filósofo Manuel Sérgio (2003, p. 29-30), bem mais do que a soma das partes, concentrando em si “o corpo, o espírito, o desejo, a natureza, e a sociedade”. Por estas razões, as dinâmicas sociais criadas dentro e fora do contexto de treino, devem ser tidas em conta no momento em que é fornecido FB. Para ser mais concreto, observe-se um exemplo do que José Mourinho disse a um jogador que tinha tido um problema com a filha: “(…) vai para casa, vai ver a tua filha e vai resolver o teu problema, e quando tudo estiver resolvido volta” (LOURENÇO, 2010, p. 74).

No futebol de formação, imagine-se um jogador que é castigado na escola, que tem uma discussão em casa, que assiste a um tiroteio na localidade onde reside, ou que perde um parente ou um amigo próximo por falecimento. Não se trata de dizer que se deva fazer isto ou aquilo, deixa-se apenas em aberto a reflexão do que poderá ser tido em conta no momento de fornecer um FB.

Quem não gostaria de ter atletas e alunos possuidores de uma criatividade tal, que permitisse uma fácil resolução de problemas de jogo ou outros? Que, durante o jogo, arranjasse espaço para passar pelos adversários, onde nunca pensaríamos que fosse possível que o mesmo existisse? E se esse jogador tivesse uma autonomia, que fosse o retrato exato de superação e ajustamento ótimo aos diferentes contextos de jogo? E se ele marcar gols com a parte anterior/ posterior/ exterior/ interna do pé será que isso é determinante? E se a assistência para o gol for realizada de calcanhar e tiver levado o público ao êxtase no espectáculo que é o futebol, será que ainda assim a mesma deveria ter sido realizada com a parte interna do pé?

Será que, ao obrigarmos os jogadores a passar ou rematar apenas de uma forma, estamos a privá-los de mais graus de liberdade que poderiam ter na resolução de problemas que surjam nos jogos? E em que medida é importante o espectáculo desportivo? E tomando a referência ao todo humano, estão a ser tidos em conta o espírito, o desejo e a natureza do jogador? Como podemos atuar a esse nível e num nível social?

Partindo do pressuposto que a prática e a instrução são fatores determinantes para a obtenção da excelência (WILLIAMS; HODGES, 2005) e que o FB é pertencente à esfera da instrução, sendo um aspecto chave da mesma, este artigo pretende fornecer indicações científicas acerca de abordagens relacionadas com o tema do FB. Apesar destas indicações, não nos devemos esquecer de ter a complexidade como pano de fundo, pois pertencemos a um sistema complexo e tudo o que nele acontece resulta da interação de inúmeras variáveis, logo a resposta certa…depende! “No humano nunca há uma causa só a justificar o comportamento (…) tudo é complexo” (SÉRGIO, 2008, p.130).


Quantidade e frequência do FB

Apesar de tradicionalmente os professores/treinadores terem a tendência de emitir grandes quantidades de FB, na crença de que quanto mais, melhor, a frequência ótima de FB parece estar dependente do nível de aprendizagem do jogador e da complexidade e dificuldade da tarefa (WILLIAMS e HODGES, 2005). Os mesmos autores referem que o mesmo pode ser mais frequente em etapas iniciais de aprendizagem e quando as tarefas de aprendizagem são difíceis, e gradualmente reduzido à medida que o nível dos praticantes aumenta.

Lee, et al. (1994) referem que a independência funcional de estudantes e atletas assenta na sua habilidade para pensar e agir autonomamente. Contrariamente a este fim, os autores verificaram que o fornecimento de FB instantâneo, durante a prática, tende a diminuir a interpretação de fontes intrínsecas de FB do praticante, como a visão e a propriocepção. Desta forma, apesar de o FB poder ser útil nas circunstâncias corretas, o mesmo pode ser dispensável à aprendizagem noutras. Pensemos no fato de o FB fornecido por um treinador não estar constantemente disponível (ex. durante um jogo com uma assistência ruidosa) como está nas situações de treino e/ou aprendizagem. Assim sendo, apesar de poderem ser observados decréscimos no desempenho dos atletas, como consequência do decréscimo da frequência de FB durante a prática, é provável que o aumento do desempenho se verifique em fases de retenção (em que o FB do treinador está ausente) e competição (WILLIAMS e HODGES, 2005).


Especificidade do FB

O FB está presente como uma consequência natural da ação de um atleta, através do FB intrínseco (ex.: o atleta consegue ver, sentir e por vezes ouvir a consequência de um passe), mas pode também ser fornecido extrinsecamente, através do treinador, que pode fornecer informação mais detalhada à ação efetuada, referente ao conhecimento do resultado da ação (ex.: grau de erro de um passe face ao alvo), ou ao conhecimento do desempenho nessa mesma ação (ex.: como o movimento do passe foi executado) (WILLIAMS; HODGES, 2005).

Quando o FB extrínseco é fornecido, Rosado e Mesquita (2009) referem que a intervenção de caráter meramente apreciativo (e.g. positiva – “muito bem”, ou negativa – “está mal”) não contém nenhuma informação específica acerca daquilo que se fez e do que se deve fazer em seguida para melhorar, sendo necessário especificar o que é considerado correto ou incorreto, na amplitude de resposta pretendida, e o que fazer para melhorar. Por exemplo, no caso do elogio, que segundo Henderlong e Lepper (2002) difere do FB positivo por não ser uma forma de reconhecimento tão neutra ou encorajadora como este, Bronson e Marryman (2010) realçam o fato dos investigadores terem descoberto que, para que o mesmo seja eficaz, deve ser específico (ex.: elogiar o esforço durante o jogo para recuperar a bola) em vez de meramente apreciativo (ex.: “jogaste bem”).

Estas indicações, não devem invalidar o fornecimento de FB, apenas de caráter afetivo, que possam ter objetivos de aumento da auto-estima e autoconfiança ou simplesmente estimulação do empenho dos atletas (SERPA, S., 2003), devendo a complexidade das situações ser tida em conta.

No sentido de fornecer especificidade ao FB, Rosado e Mesquita (2009) referem que a os FB’s descritivos (ex.: “quando recebeste a bola, passaste imediatamente sem olhar para a baliza”) podem fornecer informação técnica precisa acerca daquilo que faz. Williams e Hodges (2005) sugerem que este tipo de FB pode ser suficiente para que o executante altere o seu desempenho na tentativa seguinte, neste caso olhando para a baliza, principalmente para praticantes mais experientes, apesar de que, neste nível de aprendizagem, a precisão dos mesmos deve conter informação mais detalhada.

Os FB’s prescritivos servem para informar o praticante do que fazer para melhorar (ROSADO e MESQUITA, 2009; WILLIAMS e HODGES, 2005), indo este “melhorar” no sentido das respostas personalizadas criadas pelo treinador e pela entidade “clube”, como integrantes no seu modelo de jogo (ex.: “antes de teres a bola deves olhar para os colegas e para a baliza para depois seres mais rápido a decidir se driblas, passas ou rematas”).

Mas atenção! É habitual ouvir em sessões de treino, tanto por parte de alguns treinadores, como de algumas torcidas (sendo mais grave para os mais jovens, que interagem mais diretamente com as torcidas), FB prescritivos como “passa” ou “chuta”. De notar que estas intervenções limitam a capacidade decisória dos atletas por induzirem a respostas hetero-implementadas. Não sendo, pois, ações decorrentes das variáveis de percepção dos praticantes em relação aos constrangimentos do meio, diminuem os recursos cognitivos advenientes das suas experiências de “jogo”.

*Licenciado em Ciências do Desporto e Mestre em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa; trabalha com futebol de formação, tendo estado nas épocas 2008/2009 e 2009/2010, na Escola de Futebol do Sport Lisboa e Benfica


Bibliografia

BRONSON, P.; MARRYMAN, A. A razão inversa do elogio. In: Bronson, P.; Merryman, A. (Eds.). Choque na Educação – Novo pensamento sobre crianças. Lisboa: Lua de Papel, 2010. p. 19-35

HENDERLONG, J.; LEPPER, M.R. The effects of praise on children’s intrinsic motivation: A review and synthesis. Psychological Bulletin, v. 128, n. 5, p. 774–795, 2002

LEE, T. D., et al. Cognitive effort and motor learning. Quest, v. 46, p. 328-344, 1994

LOURENÇO, L. Mourinho – A Descoberta Guiada. Lisboa: Prime Books, 2010. 174 p.

LOURENÇO, L.; ILHARCO, F. Liderança – As lições de Mourinho. Lisboa: Booknomics, 2007. 318 p.

ROSADO, A.; MESQUITA, I. Melhorar a aprendizagem optimizando a instrução. In: Rosado, A.; Mesquita, I. (Eds.). Pedagogia do Desporto. Lisboa: FMH Edições, 2009. p. 69-130

SÉRGIO, M. Alguns Olhares Sobre o Corpo. Lisboa: Instituto Piaget, 2003. 127 p.

SÉRGIO, M. O Futebol e as Ciências Humanas. In: Sérgio, M. (Ed). Textos Insólitos. Lisboa: Instituto Piaget, 2008. P. 119-132

SERPA, S. Treinar Jovens: Complexidade, Exigência e Responsabilidade. R. da Educação Física/UEM, Maringá, v. 14, n. 1, p. 75-82, 1. sem. 2003

WILLIAMS, A. M.; HODGES, N. J. Practice, instruction and skill acquisition in soccer: Challenging tradition. Journal of Sports Sciences, London, v. 23, n. 6, p. 637-50, 2005

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Gestão de crises

Casos como o de Zico no Flamengo refletem a desorganização dos clubes em termos de gestão esportiva

Geraldo Campestrini

É interessante como a solução recorrente nos clubes de futebol do Brasil, quando atingidos por alguma crise que se torna pública, colocam a culpa nas pessoas, demitindo-as ou as afastando dos trabalhos regulares. Seria essa a melhor alternativa para resolver todos os seus problemas?

Importa considerar que ainda impera em alguns clubes uma mentalidade um pouco “canibal”, em que determinados grupos internos tentam derrubar os que estão no poder, causando zonas frequentes de instabilidade, impedindo uma comunicação eficaz a partir de uma ação mais planejada para se gerir uma crise.

Casos como o do Flamengo diante de seu maior ídolo, Zico, que tomam rumos de uma catástrofe meteórica em poucos dias, mostra o quão despreparada é a gestão do clube em momentos negativos. Por isso, questiono:

1) Há um Código de Ética distribuído para todos os funcionários para mostrar como devem se comportar em relação à imagem e à marca da entidade?

2) Como deve ser o comportamento de um gerente de futebol (por exemplo) perante o ambiente externo e o mercado?

3) Isto está previsto na análise e descrição de cargos, no departamento de recursos humanos? Qual o perfil desejado? Como é o processo de recrutamento e preparação das pessoas que ocupam determinados cargos gerenciais?

4) O que fazer quando ocorre um determinado problema? Existe uma comissão que pensa estrategicamente nisso?

Todos esses questionamentos e devaneios fazem parte de uma reflexão maior, procurando entender se a solução de crises não estaria no modelo de gestão ao invés de estar nas pessoas. A opção de manipular os recursos humanos pode não ser tão eficaz quanto analisar, entender e preparar todos os processos internos de gerenciamento da organização afim de se evitar situações desconfortáveis para a imagem institucional do clube.

Impressiona como muitos clubes, em plena era da informação e do conhecimento, não têm o maior cuidado em preservar a imagem do presente e de suas mais belas histórias. Não preparam uma base de suporte para que a gestão seja bem sucedida no médio e longo prazo, dando sustentabilidade para os resultados esportivos, com um pensamento uniforme. Lamentável que as pessoas, de um modo geral e de maneira míope, enxergam apenas as quatro linhas do campo de jogo.

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quinta-feira, outubro 07, 2010

Seis características do professor do século 21

Conheça seis profissionais que já incorporaram as qualidades do novo educador à rotina e comprovaram que se aperfeiçoar faz toda a diferença na aprendizagem da turma

Anderson Moço / Colaborou Camila Monroe

1 Ter boa formação

O mestrado é o caminho natural

Foto: Natty Canto

Mariléa Giacomini Arruda

"Eu me formei em Letras há 20 anos e, assim que fiquei frente a frente com os alunos, percebi que não estava preparada para tantos desafios didáticos. Logo me dei conta de que os bons educadores, aqueles que realmente fazem a turma aprender, são os que não param de estudar. Comecei procurando textos para ler por conta própria. Levava esse material para a escola e discutia sobre ele com a equipe. Isso não só me ajudou a dominar cada vez mais o conteúdo curricular como também me deu ferramentas para pensar em novas formas de abordá-lo durante as aulas. Para me aperfeiçoar ainda mais, senti que precisava voltar à universidade. Optei por cursar um mestrado em Língua Portuguesa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Estudei a questão gramatical, o que me deu embasamento para trabalhar o tema com meus alunos de 5ª a 7ª séries. No início da carreira, eu tinha uma visão mais tradicionalista. Valorizava apenas a parte formal da gramática, acreditando que os estudantes deveriam saber de cor o que é um advérbio e um adjetivo. Quando passei a ter acesso à bibliografia sobre o tema, percebi que mais importante é eles compreenderem a função desses elementos na construção do sentido do texto. Eu também tinha uma noção simplista de certo e errado até entender a lógica dos ditos erros gramaticais dos alunos. A integração entre o mestrado e a experiência em sala de aula leva a reflexões sistemáticas que eliminam barreiras entre a teoria e a prática. Acredito que a boa formação é o caminho para a Educação pública dar um salto de qualidade. Só assim os educadores vão dominar os conteúdos, fazer um planejamento de acordo com as diretrizes da rede e a realidade dos alunos e avaliar a própria prática. Sinto cada vez mais confiança em relação a meus conhecimentos e, quanto mais estudo, mais percebo como isso é imprescindível para ensinar bem."
Mariléa Giacomini Arruda , 57 anos, professora de Língua Portuguesa na EMEF Antonio Sampaio Dória, em São Paulo, SP

Diploma para todos
Graduação para os que ainda não se formaram e pós para os demais - assim se persegue a qualidade

1996 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que os docentes devem ter curso superior. O médio vale para Educação Infantil e anos iniciais.
2001 O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece metas para ampliar a oferta em cursos de mestrado e doutorado para professores da Educação Básica

2006
É instituído o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) com cursos a distância para levar a graduação aos professores dos rincões do país.

2007
Fim do prazo para que somente fossem admitidos professores com nível superior ou formados por treinamento em serviço, como previsto na LDB.

2009
Termina o prazo para que os estados elaborem planos de carreira docente. Muitas redes preveem salário maior para mestres e doutores.

2010
O Senado aprova a obrigatoriedade do nível superior para lecionar na pré-escola e nas séries iniciais. O projeto ainda tramita na Câmara dos Deputados.

2 Usar as novas tecnologias

Um recurso a favor dos conteúdos

Foto: Suzete Sandini

Flaviana Meneguelli

"Leciono Matemática há 12 anos e sempre acreditei que a tecnologia pode facilitar o ensino. Ainda hoje, no entanto, alguns educadores não se sentem capacitados para aproveitar o recurso e outros, empolgados, fazem uso dele em qualquer atividade sem planejamento. Infelizmente, em ambos os casos, saem perdendo os alunos e os próprios professores, que deixam de ter a seu favor uma ferramenta de ensino essencial. Aprendi a importância de analisar quais conteúdos podem ser ensinados com o auxílio da tecnologia. Com isso, além de aprimorar nossa prática, damos oportunidade aos estudantes de desenvolver habilidades tecnológicas básicas no mundo de hoje, como saber usar um editor de texto e uma planilha. O mestrado em uso das tecnologias, que fiz na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), me deu meios para trabalhar com mais qualidade alguns conceitos matemáticos. Com as turmas da 6ª série para as quais leciono atualmente, por exemplo, passei a usar planilhas eletrônicas no trabalho com operações e, principalmente, de tratamento da informação e porcentagem. Os alunos fazem cálculos nas planilhas e depois criam gráficos que melhor representam os resultados obtidos. Os recursos disponíveis hoje não se aplicam só à minha disciplina. Na escola em que atuo, há professores de Língua Portuguesa que conjugam o ensino de novos gêneros, como blogs e fotologs, à produção de texto. O fato é que nossos alunos são formados dentro da cultura digital e profundamente influenciados por ela. Com a democratização do uso da internet, o crescimento do número de lan houses, o barateamento dos computadores e mesmo a implantação de programas de governo destinados à informatização das escolas, não há por que trabalhar usando somente o quadro e o giz. Cabe a nós entender como se dá esse processo e nos atualizar de forma a desafiar os estudantes."
Flaviana Meneguelli, 32 anos, professora de Matemática na Escola Básica Municipal Intendente Aricomedes da Silva, em Florianópolis, SC

Mais computadores nas escolas
A orientação atual é usar essa ferramenta como meio, e não como fi m em si mesma

1981 É realizado na Universidade de Brasília (UnB) o Primeiro Seminário Nacional de Informática na Educação, com apoio do Ministério da Educação (MEC).
1989 O MEC institui o Programa Nacional de Informática na Educação (Proninfe) para desenvolver a informática educativa e seu uso nas redes.

1997
O Programa Nacional de Informática na Educação é rebatizado de Proinfo e prevê laboratórios de informática nas escolas.

2009
Pesquisa da Fundação Victor Civita (FVC) mostra que 73% das escolas estaduais têm laboratório de informática, e 83%, banda larga.

3 Atualizar-se nas novas didáticas

Um jeito de ensinar cada disciplina

Foto: Beto Figueiroa

Sandra de Amorim Silva Cavalcanti

"Quando assumi uma sala de aula pela primeira vez, senti dificuldade por não ter um grande domínio das didáticas. Na faculdade, procurei aprender o máximo sobre isso e, como leciono nas primeiras séries do Ensino Fundamental, tenho de me preparar em todas as áreas. O trabalho com Língua Portuguesa é estratégico nesses anos iniciais. Para dar conta disso, assim que terminei a graduação, já estava fazendo uma extensão universitária sobre práticas de leitura na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Também me aprimorei em relação à escrita num curso que abordou as situações didáticas fundamentais na alfabetização. Nunca perco as formações oferecidas pela rede e esse foi o meio de me atualizar em relação à didática da Matemática. No curso, conheci as últimas pesquisas sobre o tema, entendi como as crianças aprendem e de que forma encaminhar as atividades para facilitar a aprendizagem. Participei ainda de cursos em História, Geografia e Arte. Faz toda a diferença no dia a dia na sala de aula ter contato com as obras de autores consagrados e se aprofundar nas didáticas específicas. Para resolver outra demanda essencial - ensinar alunos com deficiência -, fiz um curso de pós-graduação em Psicopedagogia. Com as aulas, aprendi formas de interagir com eles e a identificar que atividade é mais eficaz para cada tipo de dificuldade. Invisto muito do meu tempo em todos esses cursos, mas isso acaba facilitando meu trabalho e me fornece instrumentos para enfrentar as dificuldades em sala. Hoje tomo decisões com mais segurança e, quando vejo o quanto os estudantes estão avançando, percebo que estou no caminho certo. Os resultados da Prova Brasil mostram o impacto da formação no meu trabalho: as notas da minha sala são muito maiores do que as médias nacional, estadual e municipal."
Sandra de Amorim Silva Cavalcanti, 29 anos, professora na EM Professor Aderbal Galvão e coordenadora de projetos da rede municipal do Recife, PE

Diretrizes curriculares mais precisas
Cada vez mais o ensino se baseia nos estudos sobre como as crianças aprendem

1970 São publicadas no Brasil as primeiras obras de Jean Piaget (1896-1980) sobre o desenvolvimento infantil, abrindo as portas para o estudo das didáticas.
1988 São lançados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), contendo orientações didáticas relativas a todas as disciplinas.

1999
O MEC elabora o Referencial Curricular para a Formação de Professores, com orientações para o trabalho com as didáticas de cada disciplina.

2008
A rede municipal de São Paulo lança orientações curriculares baseadas nas últimas pesquisas didáticas e é seguida por outras redes.

4 Trabalhar bem em equipe

Na troca de ideias, todos ganham

Foto: Marina Piedade

Patrícia Lemes Mullin

"Sou professora há mais de 17 anos e hoje tenho total clareza de que, conversando com os demais professores e com a orientadora pedagógica, é possível descobrir formas mais eficazes de ensinar. Na minha escola, o trabalho em equipe realmente funciona. Há mais de uma turma de crianças da Educação Infantil da mesma idade, o que permite compartilhar informações sobre um mesmo programa. Juntos, planejamos as atividades, analisamos o que funcionou ou não e pensamos no que é preciso fazer para melhorá-las. Além disso, semanalmente, me reúno com a orientadora pedagógica, que me ajuda a ver problemas nas estratégias que estou usando e me faz refletir sobre pontos importantes do desenvolvimento das crianças. O relacionamento também ocorre com os colegas que lecionam em outros níveis. Fazemos avaliações individuais dos pequenos em cada eixo curricular e registramos em que cada um precisa se desenvolver mais. No fim do semestre, essas informações são compartilhadas com o professor que vai acompanhar a turma no ano seguinte. Assim, ele fica sabendo quem é cada um, o que sabe, que dificuldades apresenta e os pontos que necessitam de atenção. Os pais são outros grandes aliados no processo de ensino e aprendizagem. Aproveitamos que eles trazem o filho e conversamos sobre a participação dele em sala. Quando a criança apresenta alguma dificuldade, logo eles são avisados para que possam acompanhar de perto. Orientamos sobre como pode ser a ajuda em casa porque, afinal, eles não são educadores e não sabem exatamente como fazer isso. Nas reuniões de pais, que são periódicas, explicamos nossa concepção de trabalho para que entendam como diferentes atividades favorecem o ensino da leitura, entre outras habilidades. Quando todos - família, professores e gestores - se envolvem, a criança sempre ganha."
Patrícia Lemes Mullin, 39 anos, professora de pré-escola na EMEI Professora Marianita de Oliveira Pereira Santos, em São José dos Campos, a 91 quilômetros de São Paulo

O fim do planejamento solitário
A troca de experiências com colegas e coordenadores é cada vez mais incentivada para aprimorar a prática

1961 A primeira LDB prevê a existência de orientadores e supervisores na escola, que deveriam ter no mínimo fomação no curso Normal.
1990 As redes passam a ver o coordenador como responsável pelo trabalho pedagógico e por aprimorar a técnica de ensino. O gestor deve aproximar a família da escola.

1996
A LDB determina que as redes reservem algumas horas (remuneradas e incluídas na jornada) para a equipe estudar e planejar as aulas coletivamente.

1998
Com os PCNs e o Projeto Político Pedagógico (PPP) construído coletivamente pelas escolas, o coordenador passa a auxiliar melhor a equipe.

2008
A Lei do Piso Salarial do Magistério propõe o mínimo de 1/3 da jornada para formação, o que está sob análise do Supremo Tribunal Federal.

2010
Diversas redes, como a estadual de São Paulo, a maior do país, reservam 1/3 da carga horária dos professores para a formação em serviço.

5 Planejar e avaliar sempre

Observar para reorientar o trabalho

Foto: Tamires Kopp

Greicy Silva

"Comecei a dar aula aos 18 anos, enquanto cursava o Magistério. Na época se falava pouco de planejamento. Avaliação era sinônimo de prova e nada mais. Foi na licenciatura em Matemática que entendi a importância de usar meios avaliativos para checar o que de verdade os alunos aprenderam e, com isso, verificar a qualidade e a consistência das estratégias de ensino para reorientar o trabalho em sala. Minha escola tem um currículo bem estruturado e sei quais são as expectativas de aprendizagem para cada conteúdo. Como leciono para o 6º ano, ter clareza do que os alunos dominam em relação ao programa do segmento anterior é fundamental para garantir que eles acompanhem o andamento das atividades. Começo sempre com uma sondagem e, com base nesse levantamento, programo maneiras de retomar o que não foi aprendido. Na hora de introduzir um conteúdo, proponho situações diversas antes de entrar na teoria propriamente dita, definindo estratégias e fórmulas e sistematizando o que vimos na prática. Durante todo o ano, vão se alternando os momentos de planejamento, as aulas e a avaliação - que não se baseia apenas em provas. Observo e registro as estratégias usadas pelos alunos, as dificuldades e os avanços deles, além de olhar os cadernos. Assim, procuro não deixar as dúvidas se acumularem e logo intervenho. Quando identifico alunos com dificuldades, me concentro em ajudá-los, enquanto quem está em dia com a matéria se ocupa de outras atividades. Trabalhos em grupo, durante as quais os colegas se ajudam, também são essenciais. Algumas vezes, como lição de casa, proponho desafios complexos para a garotada. Isso me ajuda a ver até que ponto todos entenderam o que foi visto e se conseguem usar um conhecimento em diferentes contextos. Esse é mais um jeito de aproveitar da melhor maneira o potencial da turma e tornar meu trabalho ainda mais produtivo."
Greicy Silva, 28 anos, professora de Matemática no Ciep Municipal Alexandre Bacchi, em Guaporé, a 200 quilômetros de Porto Alegre

Currículo e avaliação ganham destaque
Saber o que ensinar e checar a aprendizagem da turma constantemente são a base do trabalho docente

1990 É criado o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que permite às equipes escolares analisar a qualidade do ensino oferecido.
1996 Com a LDB, se intensificam as discussões sobre o currículo nas redes de ensino. O MEC passa a realizar encontros regionais e nacionais sobre o tema.

1998
Os PCNs trazem a primeira tentativa de uma matriz curricular nacional ao dividir os conteúdos em eixos e explicitar os objetivos de cada área.

2000
O país participa pela primeira vez do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), possibilitando a comparação com outros países.

2005
É criada a Prova Brasil, que analisa o desempenho de todas as salas de aula da 4ª e 8ª séries, permitindo a professores e gestores avaliar o próprio trabalho.

2008
A rede municipal de São Paulo é a primeira a publicar orientações curriculares com expectativas de aprendizagem para cada disciplina.

6 Ter atitude e postura profissionais

Todos os alunos podem aprender

Foto: Gilvan Barreto

Leandro Pereira Matos

"Meu primeiro trabalho na rede pública foi com turmas de 6º, 7º e 9º anos e, no início, me senti desanimado. Os alunos eram indisciplinados, não tratavam bem uns aos outros e discutiam bastante. O contexto social em que viviam era difícil e cheguei a questionar se seria mesmo possível ensinar diante dessas circunstâncias. Mas, em vez de desistir, resolvi investigar melhor o porquê da indisciplina - e isso fez toda a diferença no meu trabalho. Percebi que, ao não se sentirem ouvidos, os jovens perdiam o interesse pelas aulas. Era necessário valorizar o que eles sabiam e, sobretudo, respeitar seu cotidiano. Fiz isso, por exemplo, quando discuti a situação dos negros hoje, traçando um paralelo com as questões históricas da escravidão. Ouvi o que pensavam sobre isso: muitos citaram o preconceito como um grande problema vivido por eles. Assim, a aprendizagem do conteúdo começou a fazer sentido e eles passaram a ficar mais atentos às aulas. Ainda assim, se surgia alguma briga, eu deixava claro que, como qualquer outro lugar, a sala de aula também tem normas de convivência. Em vez de impor regras, coloquei o tema em discussão e os atritos diminuíram. O que me fez mudar a postura foi a crença de que todos, independentemente de seu histórico e comportamento, têm a capacidade e o direito de aprender e, por isso, devemos sempre esperar o melhor de cada um. Todo docente deve analisar cada caso, olhar para as dificuldades de convivência, pensar em estratégias para sanar os problemas e criar o melhor ambiente para a aprendizagem. Envolver os pais nesse processo ajuda. Deixo claro para eles que é essencial mostrar aos filhos como se importam com a vida escolar deles. O que ocorre na sala de aula é reflexo da Educação como um todo. Para discutir com colegas sobre como as políticas públicas se afastam ou se aproximam do que o docente precisa, me tornei monitor no Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Essa reflexão deveria se estender a todos nós, professores, os principais interessados, juntamente com os alunos, na melhoria da qualidade do ensino."
Leandro Pereira Matos, 26 anos, professor de História na EM União da Betânia, em Juiz de Fora, a 276 quilômetros de Belo Horizonte

O professor se torna agente da educação
Investir no estudante e discutir políticas públicas também é papel de quem leciona

1960 Começa a ser discutido um novo conceito de Educação baseado na valorização do saber da criança e do professor como mediador da aprendizagem.
1990 Nessa década, com a chegada à rede pública de milhões de alunos que estavam fora do sistema, o professor tem de rever sua concepção de ensino.

1996
Ao possibilitar os ciclos no Ensino Fundamental, a LDB dá aos professores a chance de atender aos que necessitam de um tempo maior para aprender.

2005
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) permite ao professor acompanhar o desempenho de sua escola e da rede em que leciona.

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quarta-feira, outubro 06, 2010

Para Maurício Dias, sócio-torcedor vale por relacionamento

EDUARDO LOPES
Da Máquina do Esporte

QUEM É MAURÍCIO DIAS
Maurício Dias é um dos sócios da empresa Fã-Clube, que faz a gestão e marketing do Ceará, Fortaleza, Remo, Vila Nova e ABC de Natal. Sua formação, no entanto, está distante da sua função atual. O empresário fez faculdade de física na Universidade de São Paulo, mas nem chegou a concluir o curso. Dedicou-se a uma empresa de tecnologia, que fazia controle de acesso. Nesse ramo, trabalhou para condomínios de alto padrão.
Seu envolvimento com o futebol começou alguns anos depois, quando foi contratado pelo Internacional para cuidar do acesso ao estádio de Volta Redonda, quando ele foi reformado e recebeu os clubes do Rio, órfãos do Maracanã que passava por reformas ao o Pan-Americano. Depois, a empresa assumiu o controle tecnológico do então recém-criado plano de sócio-torcedor do Internacional, fazendo o mesmo em clubes como o Atlético Paranaense. Maurício vendeu a empresa em 2008 e fundou a Fã-Clube, focada não em tecnologia, mas em marketing esportivo. Naquele ano, assume a gestão do Ceará, o primeiro clube da agência.

O Ceará é um dos times promovidos no ano passado para a Série A do Campeonato Brasileiro de futebol. E logo na primeira temporada após o acesso, já desponta como um dos mais populares. A média de público é a terceira melhor do campeonato, atrás apenas dos líderes Corinthians e Fluminense. Esse é o resultado de  um trabalho com torcedores que começou em 2008, mas já se traduz em um crescimento financeiro significativo.

Por trás dessa história está a agência Fã-Clube, que tem como sócio e fundador o paulista Maurício Dias. Hoje ele é morador de Fortaleza, onde controla de perto dois dos times geridos por sua companhia, o Ceará e o Fortaleza. Em visita à sua cidade natal, Maurício recebeu a Máquina do Esporte para expor a importância que a Fã-Clube dá aos programas de sócio-torcedor implantados em clubes como o Ceará, o Remo e o Vila Nova.

Maurício Dias é taxativo: “O ativo mais valioso do sócio-torcedor é o relacionamento”. Para o empresário, além da fidelização do seu torcedor, os programas podem ser usados como base de dados e como plataforma de negócios para empresas que querem chegar aos seus clientes de forma “simpática”.

Com o programa, o Ceará conseguiu juntar 20 mil sócio-torcedores em um período de dois anos, quadriplicando as rendas com bilheterias do clube. Além do acesso ao ingresso, o torcedor recebe benefícios como publicações sobre o time e descontos em uma série de locais em Fortaleza. A expectativa é chegar aos 70 mil associados no fim de 2011.

Em favor ao seu plano de negócio, em que o clube terceiriza a sua gestão, Maurício Dias afirma que grandes clubes são difíceis para empresa entrar, mas que a iniciativa seria benéfica até para gigantes do futebol brasileiro. “O Flamengo deveria terceirizar sua gestão de marketing. Deveria terceirizar a decisão sobre o preço do ingresso e o atendimento ao cliente”, afirmou o empresário, em discurso de lamentação ao amadorismo enfrentado por grande parte das administrações esportivas no país.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Máquina do Esporte: Primeiramente, o que faz a Fã-Clube?

Maurício Dias: Hoje o nosso negócio é gestão, com o objetivo de se fazer o relacionamento direto entre torcedor e clube, para maximizar o lucro. Esse relacionamento é direto pelo formato de contrato. Se você pegar hoje um varejo de venda de camisas oficiais, você sai de lá com, às vezes, 2,5%, 3% do valor bruto chegando ao clube através de royalties, que são, em geral, na faixa de 10%. Ou seja, você vende a camisa por R$ 70,00, mas esse valor é entre a fabricação do item e a loja. Essa camisa vai ser vendida por R$ 160,00, mas os royalties são fixados a R$70,00, não a R$ 160,00. Dessa maneira, os royalties ficam em menos de 5%. Nosso esquema qual é: a gente faz a loja oficial do clube, a gente faz o site oficial de venda, a gente faz a ciranda desde a produção do item até a entrega na mão do cliente, e entrega pro clube um porcentual muito maior dessa brincadeira. Por outro lado, eu sou exclusivo. A nossa missão, a missão da empresa, é alavancagem financeira dos clubes que nós atendemos, através do comércio direto, produtos, serviços e ingressos.

ME: O Fortaleza lamenta que, com o Ceará na Série A, há um prejuízo para o clube, já que os investimentos da região ficam polarizados. Como a Fã-Clube trabalha com dois clubes rivais? Isso não pode trazer problemas?

MD: Meu contrato é diferente com o Fortaleza. Eu não faço a comunicação e o marketing do Fortaleza. Existe uma terceira empresa que desenvolve esse lado. Dentro da mesma praça, com dois clubes rivais, eu não consigo conceber o trabalho de marketing sendo feito da forma que é. Por que o Fortaleza reclama? Antes, quando os dois estavam na Séria B, a Nacional Gás, que era o patrocinador máster dos dois, passava valores iguais, não tinha muito o que se discutir. A marca não quer entrar com um só, porque teme uma possível rejeição. Quando foi um pra A e outro pra C, o Ceará não aceitava o mesmo preço do Fortaleza em hipótese alguma. E aí a coisa “quebra geral”. Quando a gente está fazendo os dois, a gente pega, por exemplo, a rede de conveniado. Quando a gente fala no Habibs, o Habibs quer os dois. Então a gente tem ganho de escala, é fácil fazer o negócio, vale a pena fazer. Mas tem aquele boteco de bairro que não, quer um ou outro. Tem coisas que a gente pode levar com os dois, tem coisas que não são possíveis. Existe uma separação clara. Tem uma empresa que trabalha com a comunicação do Fortaleza, com o negócio sendo gerido pela gente. Mas eu não ponho a mão em certas coisas. Às vezes dá conflito, mas a gente conseguiu um formato que eu pego a parte boa.

ME: O que se exclui no Fortaleza?

MD: Não há nenhum tipo de material de conteúdo e nem o pensamente de marketing do programa. Então a parte comercial das vendas dos espaços e a produção dos materiais são feitas por outra empresa. Em termos de negócios, eu faço o sócio-torcedor da mesma maneira. Nos outros clubes, o modelo é igual ao Ceará. O trabalho é muito íntimo em relação à sinergia com o clube, então você tem uma equipe trabalhando em como fazer a apresentação de um determinado jogador, que muitas vezes os dois clubes lutam para ter, por exemplo. Eu não posso ter essa informação nas mesas dos dois clubes, e você precisa de um alto nível de informação para poder realmente fazer marketing, senão não dá. Alto nível de informação com os dois rivais juntos é muito difícil, seria exigir demais da confiança dos dirigentes.

ME: Qual são os desafios de trabalhar com clubes pequenos?

MD: Os clubes são pequenos, mas as torcidas não. Eu tenho as maiores torcidas de quatro capitais do Brasil. O Remo, por exemplo, é enorme no Belém do Pará. O Vila Nova é o maior do centro-oeste. Na verdade, os clubes não são pequenos, mas têm uma estrutura muito fraca, muito amadora. Por isso eu não vejo a gente fazendo o trabalho que a gente faz em nenhum dos doze grandes do Brasil. Posso fazer outro tipo de trabalho, mas não esse, até por contrato. O Corinthians já tem uma série de outros contratos que são conflitantes com o que eu faço. Veja pelo licenciamento: todo o desenvolvimento de produtos do Ceará e do ABC é nosso. A gente define o que vai ser feito, como vai ser vendido, com qual preço... Em São Paulo, esqueça, já foi loteado. A grande vantagem de trabalhar com os clubes em que nós trabalhamos é a liberdade de trabalho. Podemos fazer algo mais consistente, mais coerente, mais cuidadoso do que você consegue em um Corinthians, em um Flamengo, onde vão te atropelar o tempo todo.

O grande problema do futebol é que a gente está lidando com uma diretoria na outra ponta - e eu não me refiro a nenhum clube em específico - que tem aspirações entre o orgulho próprio e a pretensão política, maior do que a preocupação financeira; até porque a operação é altamente deficitária. E, nesse caso, o dirigente quer visibilidade, são outras pretensões, completamente divergentes de um objetivo de levantar financeiramente o clube. Ele pode até ter o entendimento de que, se ele levantar o clube a um patamar A ou B, faturamento cinco vezes mais, ele pode se projetar como gestor. Só que o timing da coisa é outra. Você não consegue um planejamento de cinco anos em um clube que muda a diretoria a cada dois anos, por razões internas. É muito diferente a visão que a gente tem de fora, como explorador do contrato, do que a pessoa que está dentro do clube, para fazer acontecer. Eu não vejo um clube fazendo isso. Olha o Flamengo. O Flamengo deveria terceirizar o seu marketing. Deveria terceirizar a decisão sobre o preço do ingresso, o atendimento ao cliente... É o que a gente faz: atendimento ao cliente. Do SAC à venda do negócio, à entrega do produto, ao estacionamento do estádio.

ME: E como lidar com dirigentes que não tem um pensamento de gestão profissional?

MD: Eu tento lidar com isso com muita presença dentro do cliente. Às vezes eles fecham contratos que até esbarram no que você já tinha. Mas eu tenho uma apresentação de modelo de negócio. E nós vamos usar esse espaço determinado e, se o clube não quiser, não me contrate. Isso a gente aprendeu ao longo do tempo. O negócio que eu fiz com o Ceará foi completamente pelas portas do fundo, trabalhando num quintal e lutando corpo-a-corpo para não atrapalhar a política de ingresso. Hoje não. Hoje a gente apresentou um contrato pra fazer da maneira exata do que foi apresentado. Até porque a empresa vem crescendo muito, e o trabalho é muito Taylor Made. Tem uma equipe para cada clube, tem uma equipe com um escritório em cada uma dessas cidades.

ME: E como é lidar com essa falta de profissionalismo?

MD: Não é fácil, eu tenho mil atropelos. Por exemplo: o dirigente põe o programa de sócio-torcedor no ar e se empolga, porque o Internacional faz, o Atlético Paranaense faz, então ele tem que fazer. Mas na primeira dor de barriga ele coloca o ingresso a R$ 10,00, a R$ 5,00, a R$ 1,00. E aí ele chama de otário todo mundo que acabou de comprar os últimos quatro meses o plano que está no ar. E ele não entende isso, ou entende, mas ignora. Normalmente a gente tem que conversar até com o presidente, dizendo que ele pode ser processado por duas mil pessoas se ele quiser impor a promoção que ele queria. A informalidade e a urgência do dinheiro fazem o pessoal quebrar o negócio. A gente termina como guardião do conceito.

ME: Com o Internacional, você cuidou apenas da parte técnica do sócio-torcedor. Hoje a Fã-Clube ainda enfrenta problemas com essa questão?

MD: Sim. Não tem tecnologia disponível no Brasil para fazer isso. Tanto é que eu saí da tecnologia, mas continuo desenvolvendo porque há um pedaço dessa tecnologia que ou eu faço, ou ninguém tem. São as partes de transmissão, a parte de web na venda de ingressos... São coisas que a gente fez para o Internacional e que o clube comprou e hoje é dele. Eu, com os meus clientes, tive que fazer de novo. Eu não tenho interesse em desenvolver mais, mas eu preciso.

ME: O quão dependente são os clubes menores da receita gerada pela bilheteria?

MD: O dinheiro rápido, na mão, é o dinheiro da renda, sobretudo num clube que está fora da Série A. O dinheiro da TV dá uma ensurdecida em tudo. Um clube de Séria A tem 10% da sua receita na bilheteria. Na Série B, isso já vai a 15%. Na Série C, às vezes chega a 50%, porque ele não tem outra forma de receita, não tem televisionamento e os patrocínios não valem muito. O que ele tem é o estádio. O clube precisa entender que ele vai fazer três vezes mais de dinheiro se ele vender na base do mês ou do ano e não na base do jogo a jogo. Para isso, é preciso um movimento para o projeto, coerente com todas as ações de comunicação e, sobretudo, com as políticas comerciais.

ME: Quanto que o Ceará passou a ter a mais de rendimento com o sócio-torcedor?

MD: É difícil você separar o efeito do futebol, do momento vivido pelo time, com os efeitos de um trabalho feito tijolo por tijolo. Mas os números do Ceará são impressionantes. De 2008 para 2009, nós tivemos um aumento de 100%, só de receita de bilheteria, que inclui a verba com vendas de ingressos e com as vendas de pacotes de sócio-torcedor. De 2009 para 2010, nós estamos dando outro pulo de 100%. Então a gente vai quadriplicar as receitas de 2008 para 2010. Mas é difícil separar o fato de que neste ano a gente joga contra Corinthians e Flamengo e no outro ano a gente jogou contra times com bem menos apelos. Mas com o sócio-torcedor, a gente tem a entrada de dinheiro independente do jogo.

ME: Vários clubes brasileiros estão fazendo um programa de sócio-torcedor. Como você vê esse mercado hoje no Brasil?

MD: Nós estamos amadurecendo muito. A gente falava disso há cinco anos e as pessoas achavam que era um negócio impossível. Hoje a gente vê acontecer em todos os lugares. Os clubes perceberam que se pode ter uma receita extra fantástica se o projeto for bem feito, principalmente se ele tiver muita torcida, caso do Remo, por exemplo. A dificuldade de convencer um dirigente de que esse é um grande negócio é muito menor do que era há cinco anos. Hoje, tem clubes que nos procuram, principalmente no nordeste, onde os dirigentes viram o que a gente fez com o Ceará. Até a cultura do torcedor, que é a chave do processo, tem mudado. Esses programas já existiam, mas eram amadores, mudavam conforme as mudanças de administração. A primeira coisa que a gente fez foi tirar aquela ideia de que ser sócio era uma maneira de ajudar o clube, a gente tirou isso do marketing em todos os clubes em que a gente entrou. O desafio é mostrar para o torcedor que ele é quem mais ganha quando assina um plano. Ele tem que perceber que não terá problemas na compra do ingresso, não terá problemas para entrar no estádio. No ABC a gente dá até estacionamento para o sócio-torcedor, e isso é muita comodidade.

ME: Como ganhar com o programa indo além da vende de ingresso?

MD: O plano dá uma grande base de dados pra gente, com qualidade de um dado fresco. Além disso, o torcedor recebe mensagens de email e SMS abre isso com prazer. Aí nós temos uma base de negócio.  Dessa maneira a gente pode chegar pra Vivo, por exemplo, e oferece milhares de clientes dos quais ela consegue levar uma mensagem simpática para elas, dando benefícios que só a empresa dará. Quanto vale isso? É valor de relacionamento, não é de mídia. Nós estamos querendo deixar o clube numa situação estratégica muito interessante para oferecer a empresa. A Fã-Clube é uma empresa que quer plantar os caminhos para que isso possa acontecer. Nesse sentido, é muito mais interessante trabalhar com mais clubes, para abrir um espaço para empresas que querem o mercado do nordeste e que não sabem como fazer isso. Com a mídia fechada, eu consigo passar a mensagem sem ter nenhum tipo de resistência. Então a TIM poderia passar uma mensagem para todos os corintianos sem fazer com que o palmeirense entre nesse jogo. O ativo mais valioso do sócio-torcedor é o relacionamento. 

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Comentário destaque

1 comentários:
Gualber Calado disse...

Benê, É uma pena que enquanto uns queimam pestanas para construir, outro (presidente Evandro Leitão) num ato infeliz arrancando jogadores de entrevistas a beira do campo ao vivo após o jogo do contra o Internacional de forma mal educada e intempestiva. Não pode dar entrevistas é uma coisa e arrancar jogadores daquela forma é outra, como fica o relacionamento com o torcedor que estava ouvindo as emissoras naquele momento?
Os atos isolados devem ser pensados para não causar transtornos com consequencias futuras.

Quinta-feira, Outubro 07, 2010
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terça-feira, outubro 05, 2010

Seis passos para ter mais Influência e Persuasão

A maior autoridade mundial em Influência e Persuasão veio ao Brasil explicar como podemos nos aperfeiçoar na arte de convencer as pessoas. Conheça aqui os Seis Princípios de Persuasão e veja como ser mais efetivo em suas Negociações.

Por Rodolfo Araújo

Poder da PersuasãoDesde que li Influence: the Psychology of Persuasion(lançado no Brasil pela Editora Campus como O Poder da Persuasão) sou um grande admirador de Robert Cialdini. Sua obra não só oferece valiosas lições sobre Influência e Persuasão, como também apresentou-me o instigante mundo da Psicologia Experimental - que inspirou a série Experimentos em Psicologia.

O grande mérito deste psicólogo americano, Professor da Universidade do Arizona, foi sistematizar o extenso conhecimento a respeito das armas de influência, organizando-as no que denominou os Seis Princípios da Persuasão. Assim começou o Fórum Mundial de Negociação 2010, promovido pela HSM Brasil.

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Antes de mais nada, Cialdini define a Persuasão como a habilidade de trazer as pessoas para o nosso lado, mudando apenas a maneira como apresentamos nossos argumentos. Independente da definição, muita gente ainda enxerga o tema com algum preconceito - seja por considerá-lo uma panacéia ou por confundi-lo com poderes malignos e finalidades escusas.

Há, de fato, um pouco de tudo. Por isso o palestrante identifica três grupos distintos, de acordo com a forma como usam os Princípios da Persuasão:

Trapalhão: é a pessoa que perde oportunidades de exercer mais Influência por não saber como lidar com elas - ou por não identificar os momentos onde elas aparecem.

Aproveitador: aquele que, como o nome sugere, usa as armas de influência e persuasão para finalidades ilícitas ou antiéticas. Normalmente experimentam algum sucesso no curto prazo, mas perdem no longo prazo, na medida em que as pessoas vão descobrindo suas reais motivações e do que é feito o seu caráter.

Detetive: conhecedor das técnicas de Persuasão, está sempre atento aos componentes da situação, antecipando onde elas podem ser empregadas - sem, no entanto, enganar ou coagir.

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Exatos dois anos atrás descrevi os Seis Princípios da Persuasão em O Poder da Influência e a Influência do Poder, onde detalhado cada um deles (sugiro uma olhada antes de prosseguir). Para não soar repetitivo, apenas acrescentarei as novas informações e insights.

1. RECIPROCIDADE: fazemos concessões a quem também nos faz favores, numa regra social implícita em quase todas as culturas. Mas, segundo Cialdini, se você quer a ajuda de alguém, tem que oferecer algo antes. Para o palestrante, não há senso de obrigação em cooperar com alguém que lhe promete um benefício se você tem que conceder algo antes - isso caracteriza uma troca.

Bala de mentaClientes especiais, gorjetas especiais

Este princípio soa, ainda assim, um tanto quanto batido; apenas uma derivação acadêmica do velho e bom "é dando que se recebe". Será preciso assistir a uma palestra de um Ph.D. para saber disso? Vejamos o seguinte experimento antes de responder:

Num restaurante, ao entregar a conta, o garçom oferecia uma bala de menta aos clientes recebendo, por isso, 3% a mais de gorjeta (além dos tradicionais 10%). Quando o garçom dava duas balas, recebia 14% a mais de gorjeta - um número já expressivo.

Mas quando o garçom dava apenas uma bala, virava-se para ir embora e, no meio do caminho voltava e dava a segunda dizendo: "Especialmente para vocês, clientes tão bacanas, mais uma bala", as gorjetas eram 23% maiores! Repare como a mesma quantidade de balas produziu dois resultados completamente diferentes. O que mudou foi, tão-somente, a forma como elas foram entregues.

Se isso é tão batido, por que não entregam balas em todos os restaurantes? Por que alguns estabelecimentos deixam as balas na saída, depois que o cliente já pagou a conta? Simplesmente porque o fato de conhecermos intuitivamente alguns dos princípios não significa que saibamos como utilizá-los ou, ainda, como potencializá-los.

O poder da Reciprocidade, por exemplo, pode ser amplificado quando o favor oferecido é realmente Significativo (diferente de Caro), Sob Medida e Inesperado. As balas de menta são Inesperadas e entregues de forma Personalizada (sob medida).

2. ESCASSEZ: "seu eu não posso ter algo, então eu o quero!". Quanto mais raro ou escasso determinado bem, maior a vontade de tê-lo. Que o digam as empresas que gerenciam marcas famosas, como Louis Vuitton ou os cobiçadíssimos iPads. A simples ameaça de escassez de um item já aumenta o seu valor. Especialmente se era algo que você tinha antes e não tem mais; ou, tal como definiu Cialdini, "a perda é a forma extrema de escassez".

3. AUTORIDADE: numa sociedade saturada de informações, o processo decisório transforma-se quase numa tortura. Assim, a palavra de um especialista representa um valioso atalho. A bem da verdade, nem precisa ser um especialista - apenas alguém em quem a gente confie, dando um testemunhal que transmita certa confiança.

AvisCampanha Avis, 1963: ícone da publicidade mundial

Para ter autoridade num determinado assunto - caso você não seja alguém famoso - é preciso construir credibilidade. Mas como fazê-lo num primeiro contato com alguém? Cialdini dá uma valiosa dica, que contraria qualquer senso comum: antes de falar de suas mais incríveis qualidades, confesse pequenos (e reais) defeitos. A partir do momento em que você admite uma fraqueza, as pessoas passam a te ouvir de forma diferente.

Este é o princípio por trás de uma das mais famosas campanhas publicitárias e recentemente apontado como o 5o melhor slogan de todos os tempos: Avis - We're second. We try harder*.

4. CONSISTÊNCIA: as pessoas querem ser consistentes com o que disseram ou fizeram recentemente. Ao lembrar alguém dos seus atos do passado, você pode sugerir os do futuro - e a sugestão será tão mais forte quanto mais Ativos, Públicos e Voluntários tiverem sido as ações anteriores.

5. CONSENSO (em suas obras anteriores Cialdini chamava este princípio de Aceitação Social) : as pessoas tendem a fazer o que os outros estão fazendo. Assim como buscam as Autoridades para ajudá-las a decidir sobre algo, também querem ver o que fazem pessoas parecidas.

6. AFINIDADE: estamos mais dispostos a abrir concessões para as pessoas das quais gostamos, ou com as quais somos parecidos. Freud disse certa vez que "Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio". Com efeito, ao receber um elogio parece que passamos a gostar da pessoa imediatamente. Claro, desde que o elogio seja sincero - e isso vale também para os elogios que fazemos.

Neste aspecto, Cialdini lembra que várias vezes durante suas reuniões de trabalho surpreende-se pensando como Fulano dá boas idéias, ou como Ciclano é criativo. Mas ele jamais se lembra de dizer isso em voz alta, mesmo que tenha consciência de o quanto isso faria bem às pessoas e aos respectivos relacionamentos pessoais.

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Boa parte das dicas que o palestrante dá já está em nossos repertórios, dentro daquilo que chamamos senso comum. Na maioria das vezes deixamos escapar boas oportunidades por não conhecermos os mecanismos por trás de cada um dos princípios, ou por não identificarmos as oportunidades que se apresentam. A estas oportunidades, Robert Cialdini chama deMomentos de Poder - tema de seu próximo livro, bem como de um futuro texto aqui. Não perca!

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* "Nós somos a segunda. Nós nos esforçamos mais." Os outros slogans premiados foram:Diamonds are forever (DeBeers, 1948), Just do it (Nike, 1988), The pause that refreshes (Coca-Cola, 1929), Tastes great, less filling (Miller Lite, 1974).

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domingo, outubro 03, 2010

O futebol universitário nos Estados Unidos

Ao mesmo tempo em que a prática é vista como instrumento de educação, há também o reconhecimento dos “serviços prestados” pelos atletas

Helio D'Anna

Caro leitor,

após cinco anos escrevendo sobre o futebol nos Estados Unidos, me ocorre que muitos leitores novos talvez precisem de uma revisão sobre o futebol universitário desse país. Sempre recebo pedidos de informações e acho que vale a pena essa revisão.

O futebol praticado nos EUA está bastante enraizado no sistema educacional. Isso inclui desde o ensino básico até o universitário. Aliás, historicamente se falando, a presença do futebol na região começou com a prática nas universidades para depois ser adotado por outras faixas etárias.

Pouca gente sabe (mesmo por aqui nos EUA) que desde 1862 universidades americanas oferecem esse desporto. Essa influência veio naturalmente pela influência britânica. Em 1871, a “English Football Association” criou as regras gerais do desporto e devido à falta de acordo com diferentes interesses, a associação separou-se em dois grupos, um resultando nas regras clássicas do futebol, e outro nas regras que passaram a ser chamadas de rugby.

Nos Estados Unidos, em princípio, as regras do rugby foram adotadas. Isso eventualmente levou a criação do esporte “football”, que hoje em dia é o futebol americano (às vezes imagino o que teria acontecido se as universidades tivessem adotado as outras regras...). O fato interessante é que o primeiro jogo oficial de soccer nos EUA é tambem visto como o primeiro de American Football (Rutgers contra Princeton, em 1869).

De qualquer maneira, o desporto futebol continuou sendo praticado por universitários e em 1901 voltou a ser incorporado em competição (universidades da região de Nova York fizeram jogos nesse ano). De lá para cá muita coisa mudou e hoje o futebol é um dos esportes de maior sucesso dentre as universidades americanas. Já que esse é o meio em que trabalho, gostaria de mostrar sua organização geral.

Observo que os dados referidos são relativos ao futebol masculino e vou falar do futebol feminino numa outra oportunidade.

Uma das claras características da sociedade americana com relação ao desenvolvimento é o incrível número de universidades que esse país possui: mais de quatro mil (mais precisamente, 4.168). São ao todo quase 16 milhões de pessoas cursando universidades no momento. Em nível de ligas universitárias, há três principais no país: a NCAA (National Collegiate Athletic Association), que possui divisão 1, 2 e 3; a NAIA (National Association of Intercollegiate Athletics), e a NCCAA (National Christian College Athletic Association).

Há tambem uma liga específica para instituições que oferecem diplomas de nível pós-secundário/pré-universitário (chamadas de junior colleges): a NJCAA (National Junior College Athletic Association).

Cada instituição decide qual liga reflete melhor suas características e dessa maneira decide a qual liga se afiliar. Em geral, as diferentes ligas acabam por agrupar instituições “parecidas” no sentido de tamanho, número de alunos, afiliação religiosa, disponibilidade de oferta de bolsas, etc. E essas ligas não são necessariamente colocadas em progressão ou como qualificatórias umas às outras (por exemplo, não há “acesso” ou “descenso”). O ponto comum em todas essas ligas é a organização geral da competição desportiva (incluindo o futebol).

Como o país é grande, as escolas são divididas em regiões. Cada região possui duas ou três subdivisões chamadas de conferências. Eu trabalho numa universidade afiliada à NCAA divisão 2, e minha liga possui oito regiões com duas conferências cada e com 10 a 15 escolas em cada conferência (minha liga tem por volta de 250 universidades que oferecem futebol competitivo).

Dentro de cada conferência, os times jogam entre si em um turno (a cada ano inverte-se o mando de jogo). Há tambem jogos agendados que “cruzam” times da outra conferência em cada região (e também de outras regiões). Durante o decorrer do campeonato, os times são ranqueados dentro de suas conferências (baseados no confronto direto e na adição de pontos acumulados). Os times também são ranqueados dentro de sua região (esse ranking é estabelecido por votos de comitês, já que não há um confronto direto de todos os times da região por falta de tempo hábil). Os melhores times da região entram, então, no ranking nacional (também estabelecido por comitês).

Assim, ao fim da temporada regular (pontos corridos), começam os play-offs (mata-matas). Os campeões das conferências, mais os times ranqueados em suas regiões, começam essa disputa e cada região também estabelece por mata-mata seus campeões. Daí vem a fase nacional (campeões das regiões mais os melhores ranqueados no país) e o mata-mata segue até se estabelecer o campeão nacional.

O povo americano adora o formato de play-off. O interessante da cultura americana é que há obviamente um reconhecimento grande do campeão nacional, mas também se “celebram” todos os outros campeões (das conferências e das regiões) e também dos times que terminam no ranking nacional final (os times top 25). Assim, várias universidades veem seus nomes reconhecidos no país inteiro, e sentem seu esforço “pago” mesmo sem terem sido campeãs nacionais.

As universidades investem (e muito) dinheiro em seus programas. A começar pela estrutura física – as universidades normalmente têm excelentes campos, vestiários, etc. Boas condições de trabalho é dada aos técnicos em nível de material, apoio, etc. E muito importante: dinheiro é investido “indiretamente” em relação a bolsas de estudos a serem oferecidas aos atletas.

Ao mesmo tempo em que a prática de futebol universitário é vista como instrumento de educação, há também o reconhecimento dos “serviços prestados” pelos atletas. Em troca de representarem as universidades nas competições, os atletas recebem bolsas de estudo (parcial ou total). Cada liga estabelece o número máximo de bolsas que pode ser oferecido (ao fim do dia, não é todo mundo que estuda de graça). O preço médio para se estudar em universidades nos EUA é de 10 mil dólares por ano (algumas chegam a custar 50 mil por ano).

Não há ensino universitário gratuito por aqui. E cada liga tem regras diferentes quanto ao número de bolsas a serem oferecidas, mas uma coisa é certa: a quantia total é alta e representa milhares de dólares (minha universidade permite distribuição de 180 mil pelos 22 jogadores).

Na verdade, o técnico universitário tem que ser um bom negociante e convencer muitas vezes familiares a pagarem parte do custo da escola e perceberem as vantagens em se fazer isso (qualidade da universidade, qualidade do time, etc). O processo de se recrutar jogadores é uma arte em si própria. Em outro momento eu contarei como se faz para se dar “um jeitinho” aqui nos Estados Unidos, e se obter fontes de ajuda para aumentar o número de bolsas que podem ser oferecidas pelas universidades.

Com relação à duração do campeonato universitário, a temporada de futebol ocorre no primeiro semestre do ano letivo americano (que começa em agosto por aqui). O segundo semestre letivo (que começa em janeiro) tem um calendário de jogos amistosos e torneios isolados (aliás, essa é uma das críticas que amantes do futebol fazem: por que não fazer a temporada mais longa...).

Jogadores que demonstram aptidão e interesse em seguirem carreira profissional dentro do futebol têm a chance de jogar uma liga de férias de verão que possui times semi-profissionais. A liga é chamada PDL (Professional Develpomental League) e em parte ajuda a saciar a vontade de “mais jogos” que os jogadores universitários muitas vezes sentem.
Aliás, o futebol universitário é uma das principais fontes de jogadores para os times profissionais nos EUA. Apesar de não ser a única fonte (há jogadores que não jogam em nenhuma liga universitária, mas se profissionalizam), essa liga realmente proporciona a esmagadora maioria. Quando alunos se formam nas universidades, eles são colocados no que se chama de “draft”, que é o sistema pelo qual os jogadores são ranqueados (que surpresa) e são alocados aos clubes profissionais por sorteio. Daí os clubes escolhem jogadores ou repassam seu direito de escolha a outros clubes em troca de dinheiro ou futuras escolhas. A descrição mais detalhada do futebol profissional americano virá num futuro próximo.

Em conclusão, a liga universitária americana é uma tremenda fonte de talentos e de desenvolvimento de jogadores, assim como uma provedora de chances de se conciliar estudos com a prática desportiva de alto nível. Como resultado, a maioria esmagadora de jogadores profissionais de futebol nos EUA engloba pessoas com diploma universitário. Isso dá a esses atletas a chance de ter um futuro garantido quando a carreira de atleta profissional termina. Isso tambem dá ao técnico de futebol profissional o privilégio de interagir com atletas supostamente mais preparados intelectualmente para lidar com as pressões e situações comuns a atletas profissionais.

Esse sistema não é perfeito, mas é sem dúvida nenhuma interessante. Como técnico universitário, me sinto abençoado em poder ter impacto na formação de meus jogadores, dando a eles a chance de crescerem dentro e fora dos campos.

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Voluntários da Copa ainda não receberam pagamentos

Mesmo após meses desde a final do torneio, funcionários ainda aguardam quantia

Equipe Universidade do Futebol

A Copa do Mundo da África do Sul foi apontada como um sucesso em diversos aspectos de sua organização. Entretanto, já se passaram mais de dois meses desde o término da competição e parte dos colaboradores internacionais ainda aguardam pelo pagamento estipulado em contrato.

Conforme apurou a arquiteta e urbanista Lilian Oliveira, em nota para o Portal 2014, o acordo determinava que a FIFA e o comitê Local de Organização seriam responsáveis pelo pagamento de R100 (rands – moeda sul-africana), equivalente a cerca de R$25, por dia de trabalho, ao término do evento.

Alguns voluntários chegaram a receber o pagamento, pois a organização varia entre as cidades, assim como a forma de pagamento. Contudo, parte dos funcionários foram taxados em 25% ao receber o montante em solo sul-africano. Taxas de alimentação cobradas indevidamente e não recebimento dos certificados também foram constatados.

A Fifa ainda não se pronunciou a respeito. Algumas semanas após o Mundial o presidente da Fifa, Joseph Blatter chegou a avaliar a organização da Copa com a nota nove. Segundo ele, só não seria dez, pois a perfeição não existe.

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sábado, outubro 02, 2010

Fase final da Série C 2010 será transmitida pela TV Brasil

Emissora pública fecha acordo para 14 jogos da fase final da competição

Equipe Universidade do Futebol

Promovendo uma maior oferta de conteúdos esportivos a TV Brasil oferecerá, todos os sábados e domingos, os jogos da fase final da Série C do Campeonato Brasileiro de futebol. Conforme apurou o Portal Imprensa, a primeira exibição ocorrerá já no próximo dia 9.

O site também revelou que as partidas terão narração de Anderson Cardoso e serão ancoradas pelo jornalista Rodrigo Viana, que fará as apresentações iniciais e de encerramento dos jogos, além de boletins especiais. Em declaração, o apresentador se mostrou honrado com a oportunidade e citou outros trabalhos já realizados pelo canal.

“A TV Brasil está criando uma identidade no esporte. Ancorar as transmissões da série C é uma honra pra mim. Fico feliz em fazer parte desta equipe que já transmitiu a 'Copa SP de Futebol Junior', em janeiro. Além disso, tive a oportunidade de apresentar o 'Repórter África', na cobertura da Copa do Mundo. A intenção é que mostremos o futebol que fica escondido nas TVs comerciais”, disse para o portal.

Até agora foram disputados 80 jogos no campeonato em quatro grupos de cinco times cada. Os dois primeiros colocados se classificam para a fase final. Entre eles, alguns já conhecidos com passagens pela elite do futebol nacional como Paysandu e Criciúma. O Juventude ficou em último lugar do grupo D e está rebaixado.

Brasil representa a América Latina com primeiro centro de referência da Fifa na região

Hospital das Clínicas, em São Paulo, realizará projetos médicos e participará de todas as reuniões da entidade

Equipe Universidade do Futebol

Hospital das Clínicas SP Esta sexta-feira, dia 1° de outubro de 2010, foi histórica para a América Latina. Em especial, para o Brasil. Isso porque a partir de agora a região possui o reconhecimento oficial como um dos centros de referência da Fifa. O local é o Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde.

Nesta manhã, o chefe do departamento médico da entidade, o professor Jiri Dvorak, esteve no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do HC para entregar o certificado de acreditação.

Entre outras situações, o hospital poderá realizar projetos médicos e participar de todas as reuniões do órgão máximo do futebol. E alguns projetos já foram traçados, como o plano de dificultar a alteração de idade de atletas em competições esportivas.

“Estamos avaliando a idade biológica de atletas, por meio de ressonância magnética, para comparar com o que está escrito na certidão e nascimento”, afirmou Arnaldo Hernandez, chefe do Grupo de Medicina Esportiva do IOT. “Os resultados de um projeto piloto, feito com jogadoras de futebol, já estão sendo enviados à Fifa”, completou.

Os outros três estudos serão apresentados à equipe médica da Fifa na inauguração do centro: estudo radiológico da incidência da artrose do quadril em atletas de futebol profissional, estudo sobre o uso de plasma rico em plaquetas nas lesões musculares de jogadores profissionais e estudo epidemiológico das lesões de futsal.

Além da sede paulista, a Fifa conta com outros oito centros espalhados pelo mundo, em países como Alemanha, Suíça, Japão, Nova Zelândia, África do Sul e Noruega.

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Boca padroniza escolas no Brasil, mas libera comercial

GUILHERME COSTA
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP

O Boca Juniors vai inaugurar neste sábado, em São Paulo, a primeira escolinha oficial do clube no Brasil. A iniciativa faz parte de um programa de franquias que os argentinos começaram a desenvolver há cerca de um ano, que já conta com outras sete unidades espalhadas pelo continente americano. Todas elas compartilham linha visual e principalmente a metodologia. A estratégia de marketing, contudo, não é unificada.

No Brasil, por exemplo, o foco das escolinhas é disseminar a imagem do Boca Juniors. Para isso, todas as escolas precisarão usar um modelo padronizado de exposição da marca e de abordagem aos garotos, que pagarão mensalidades entre R$ 80 e R$ 100. No entanto, haverá diferentes modelos comerciais.

“Nós fazemos, em uma primeira instância, é consolidar e deixar bem feito o esportivo. A abertura da escola, a planificação, o treinamento, a metodologia, as linhas a seguir para que a escola tenha uma metodologia e uma forma de treinar como o Boca Juniors quer”, contou Andrés Lillini Compari, coordenador-técnico da equipe argentina e criador do projeto.

O desenvolvimento do projeto pedagógico será acompanhado com avaliações mensais e visitas periódicas da diretoria do Boca Juniors a cada uma das unidades. A equipe terá atenção especial com professores e com orientadores das crianças para que eles façam um trabalho padronizado em todo o planeta.

A parte comercial não tem o mesmo padrão. Algumas escolas do Boca poderão ter um espaço para vender produtos licenciados, por exemplo. Outras terão chance de explorar venda de merchandising e espaços para ações de marketing.

Além da metodologia, um grande diferencial será a possibilidade de viajar à Argentina. Dois garotos serão selecionados a cada semestre para passar uma semana em Buenos Aires e treinar com o Boca Juniors.

O Boca já tem escolas em Bogotá, Guayaquil, Lima, Santiago, Santa Cruz de la Sierra, Miami e El Salvador. O clube já tem acordos para abrir unidades na Coreia do Sul, no Paraguai e na Austrália, e também projeta um crescimento do projeto no Brasil.

As franquias no Brasil são tocadas em parceria com a DFS Gol, empresa que detém exclusividade para explorar a marca do Boca Juniors no Brasil para o segmento de escolas de futebol.

“Nós identificamos uma chance de mercado aí porque não existia um clube internacional trabalhando no Brasil. Um clube internacional desperta bem menos rejeição do que uma equipe daqui”, apontou Higor Nunes dos Santos, sócio-diretor da DFS Gol. A empresa negociou durante quatro meses com o Boca Juniors. Antes disso, chegou a cogitar equipes europeias, negociações que foram inviabilizadas por causa do alto custo.

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sexta-feira, outubro 01, 2010

Conceito de futebol total - Um caminho holístico na busca do alto rendimento

Wladimir Braga*

Futebol total, mais do que um termo em evidência, representa uma forma de abordagem que considera os aspectos táticos, técnicos, físicos e psicológicos de maneira não fragmentada, mas sim sistêmica, não como a somatória de fatores, mas o produto de seus componentes e não como uma receita, mas como um desafio constante para cada situação ou para cada contexto.

Alguns podem chamar isto de bom senso, outros menos entendidos chamam de não científico (deve ser por que acham que as pessoas são "programadas" pelos números que representam suas avaliações). Enfim, outros mais questionadores (assim com eu) procuram conceituar o futebol com uma ciência holística.

De acordo com Pierre Weil (2006), “a palavra holística nestes últimos 20 anos tem penetrado progressivamente no âmbito da filosofia, da teologia, da educação, da ecologia, da economia, e demais domínios do conhecimento humano. Ela representa na realidade todo um movimento de mudança de sentido, não somente da ciência mais ainda de todo conhecimento humano”.

Ou seja, o futebol total representa uma mudança de paradigma para uma relação mais do que estreita entre as áreas de conhecimento e as informações recebidas e entre as tomadas de decisão na preparação e formação de uma equipe.

Sejamos diretos: não existe no futebol uma verdade que seja definitiva para todas as situações, seja no âmbito do treinamento, seja na formação de uma equipe. Com isto, hoje, acredito que mesmo a periodização tática que é, dentre as linhas de trabalho, a que mais se insere neste sentido, precisa ser revista e precisamos reconsiderar pontos que comprovadamente nos darão informações importantes do potencial de rendimento dos jogadores, assim como não podemos qualificar atletas apenas por resultados em avaliações e testes físicos.

Precisamos mais do que nunca parar de praticar teoria com a forma de tentativa e erro/acerto, e sim teorizar a prática para buscarmos aquilo de que necessitamos para o nosso trabalho: planejar o futebol e não suas partes.

O ser humano, e principalmente o atleta, não merece ser vítima do padrão, da regra e da linha de produção tecnicista.

É necessário, finalmente, parar de buscar a "receita de bolo" porque ela simplesmente não existe: o que realmente existe é a nossa capacidade de gerir nosso conhecimento.


*Wladimir Braga é preparador físico das categorias de base do Clube Atlético Mineiro

Para interagir com o autor: wladimirbraga@hotmail.com

Contato: www.twitter.com/wladbraga  e www.wladimir-braga.blogspot.com

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II Seminário Cearense de Psicologia do Esporte

O seminário, que acontece nos dias 01 e 02 de outubro, conta com a chancela da Federação Internacional de Educação Física - Fiep

Teve início na manhã desta sexta-feira (01), no campus da Fic Via Corpus, o II Seminário Cearense de Psicologia do Esporte. O evento é uma realização da Esportiva Eventos, em parceria com a Estácio – Fic, a Universidade Estadual do Ceará – UECE e a Liga Cearense de Futebol Feminino, tem como objetivo discutir os fatores psíquicos que interferem nas ações do exercício físico e no esporte.

O Secretário de Esporte e Lazer de Fortaleza, professor Evaldo Lima, participou da mesa de abertura do seminário. Segundo ele, iniciativas acadêmicas dessa natureza são indispensáveis para o desenvolvimento dos esportes de alto rendimento, “Nos próximos anos estaremos no centro das atenções do mundo esportivo, com a realização da Copa do Mundo FIFA 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, mas o Brasil só poderá se tornar uma grande potência esportiva com a participação das universidades”.

O professor Evaldo Lima foi também homenageado com a entrega do livro “Psicomotricidade – Pressupostos Teóricos e Práticos”, organizado por estudantes e professores da Estácio – Fic. Para Andréa Benevides, Coordenadora do Curso de Educação Física da instituição, “O presente é apenas o reconhecimento à dedicação de Evaldo Lima ao crescimento do esporte em Fortaleza.

Leia mais: II Seminário Cearense de Psicologia do Esporte

Blog do Prof. Evaldo Lima e Amigos

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Uma história “demasiado humana” de cumprimento do dever

Antes de morrer, mãe deixa a marido 100 instruções para cuidar dos filhos

Kate Greene morreu de câncer de mama, mas deixou um 'manual da mãe' para o marido e os filhos.

Da BBC

Uma mãe à beira da morte deixou uma lista com cerca de 100 coisas para o pai fazer com os filhos pequenos, para garantir que eles tenham a experiência que ela sempre sonhou para a família e serão criados como ela planejava.

Diagnosticada com câncer de mama em 2008, a inglesa Kate Greene preparou a lista já nos últimos meses de vida, no fim de 2009, quando soube que o tratamento não havia funcionado e estava desenganada.

O filho mais velho do casal, Reef, já havia sobrevivido a um tumor maligno quando criança.

Kate Greene com seus filhos Reef e

Kate Greene com seus filhos Reef e Finn. (Foto: SWNS)

Entre as recomendações para os filhos Finn, de quatro anos, e Reef, de seis, estavam coisas específicas, como visitar a praia onde ela passava férias quando criança, no País de Gales, ou assistir a um jogo internacional de rúgbi.

Kate ainda pediu ao marido, St Johns Greene, que levasse os filhos à Suíça, para mostrar o local onde ele a pediu em casamento.

A mãe ainda decretou que a família deveria ter uma mesa de jantar, para que todos estejam juntos durante as refeições em sua casa em Sommerset, sudoeste da Inglaterra, e que o marido deveria ajudar as crianças a plantar um girassol, encontrar um trevo de quatro folhas e aprender a tocar um instrumento musical.

Ela ainda descreveu os valores que ela queria ensinar aos meninos, como ser pontuais, fazer as pazes logo quando brigassem com alguém e tratar as namoradas com respeito.

Disneylândia

"Uma noite ela ficou com muito medo de morrer, então, ficamos acordados, conversando até às 4h da madrugada, quando começamos a escrever a lista com as coisas que eu deveria fazer com os meninos", disse o marido.

Algumas das coisas, como uma viagem à Disneylândia e à praia, foram realizadas antes de Kate morrer.

"Kate carregava caneta e papel com ela para anotar ideias e ficávamos acordados falando sobre as coisas que queríamos que os meninos fizessem."

"Quando me dei conta, já eram três páginas de folha A4 cheias de desejos na lista. Já realizamos alguns deles e cada vez que o fazemos, pensamos nela."

A lista ainda inclui coisas que a mãe não queria que os filhos fizessem, como andar de moto, fumar ou integrar o Exército.

O pai conta que planeja realizar todos os desejos da lista, já que, de alguma forma, as orientações significam ainda uma ligação emocional com Kate.

O desejo mais difícil de ser cumprido no entanto, diz ele, será encontrar uma outra companheira, para que os filhos cresçam com uma influência feminina.

"Já encontrei minha alma gêmea, e voltar ao mercado é uma coisa muito difícil", diz ele.

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O que o filme "Nosso Lar" tem a ver com Administração?

Entenda o que o longa-metragem "Nosso Lar", recordista de bilheteria do cinema brasileiro, pode ter em relação com essa área

Por Fábio Bandeira de Mello

As produções de temática espírita parecem despertar o interesse dos brasileiros. A expectativa gigantesca na estreia de "Nosso Lar" foi correspondida. O filme baseado no best-seller homônimo do médium Chico Xavier obteve mais de três milhões de espectadores nas salas de cinema de todo o Brasil.

Com isso, a obra conquistou a primeira posição no ranking dos filmes nacionais mais vistos desde que entrou em cartaz. O investimento robusto (ultrapassou a 20 milhões de reais) fez com que os recursos cenográficos recebessem especial atenção, acarretando num dos mais elaborados trabalhos do gênero no Brasil.

Ok, mas o que isso tem a ver com Administração?

Quando assisti o filme no cinema, refleti não apenas sobre questões intrínsecas ao espiritismo (como a reencarnação, questões morais e etc), mas como a Administração pode estar mais presente do que nós mesmos podemos imaginar.

Desde quando foi lançado o livro, nos auges da década de 40, ou com a recente produção do filme, "Nosso Lar" vem criando certa polêmica por determinados fatos decorrentes na sua história.

Caro leitor, quero deixar claro que não farei aqui um juízo de valores, de que é verdade ou mentira, ou se você acredita ou não em assuntos relacionados ao espiritismo. A proposta não é defender determinada doutrina religiosa, mas refletir sobre a presença de mecanismos relacionadas à Administração apresentados durante o filme.

Tese

A tese levantada em "Nosso Lar", assim como na doutrina espírita, de que a vida na terra ("plano material") busca refletir o que acontece no chamado "mundo espiritual", traz a tona a importância da Administração em todos os níveis existenciais.

Nosso Lar

       Em "Nosso Lar", o plano espiritual possui muitas semelhanças com a vida que conhecemos.                Foto: Divulgação

Geralmente, os livros de "Introdução à Teoria Geral da Administração" definem a Administração como a tomada de decisão e gerenciamento de uma organização. Os princípios para administrar são planejamento, organização, direção e coordenação. Justamente, esses contextos são abordados claramente em diversos momentos de "Nosso Lar".

O didatismo do livro e do filme, que esmiúça cada detalhe dessa outra realidade, indica semelhanças entre os conceitos da Administração do mundo material e espiritual. A própria estrutura  da colônia Nosso Lar atua como um verdadeiro centro organizacional. Há também, uma hierarquia de funções e cargos entre os espíritos, onde é preciso trabalhar para poder "evoluir". Veja alguns exemplos:

Centro Administrativo: Dentro da "colônia espiritual" (a cidade onde reúnem os espíritos), existe a Governadoria que é o local onde partem as coordenadas para a administração pública, representadas pelos Ministérios da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina.

Juntos, elas configuram um verdadeiro e atuante centro administrativo.

Missões da empresa: Agregar valor, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade, resolver problemas e conflitos, alcançar objetivos e, sobretudo, oferecer resultados ampliados. Essas são algumas das diretrizes empregadas tanto nas empresas aos seus funcionários, quanto às utilizadas pelos moradores espirituais em sua rotina.

Direitos e deveres: Temos obrigações a serem cumpridas nesta outra dimensão, na qual, devemos aprender, trabalhar e realizar tarefas, sempre obedecendo uma hierarquia bem dividida e organizada.

Premiação: Os funcionários mais graduados por tempo de serviço, dedicação e espiritualidade, moram mais próximo da Praça Central. Já nas casas mais afastadas estão as residências de uso diversos.

Trabalho em equipe: A vida de cada ser é empregada para servir ao próximo e buscar o auto desenvolvimento, principalmente participando de trabalhos coletivos e aprendendo a escutar os mais evoluídos.

Quase um estágio: Todos são acompanhados e respeitados em seu processo de aprendizado.

A cultura organizacional: Os recém-chegados à cidade espiritual passam por uma adaptação. O mesmo acontence com os profissionais novatos em uma empresa.

Acompanhe o Trailler:

http://www.youtube.com/watch?v=3EcOGAxYPHo&feature=player_embedded

Diante do ponto de vista abordado em "Nosso Lar", as premissas da Administração são primordiais para o estabelecimento da almejada harmonia da organização e avanço individual, independente do lugar e "plano" em que a pessoa se encontra.

Parece que aqueles que gostam de usar o jargão "Administração está presente em tudo na vida", deverão rever ou ampliar seus conceitos.

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