"Na fisiologia, os clubes brasileiros estão na frente da Europa", comparaGuilherme Yoshida
No final do mês de setembro, uma ruptura no músculo adutor da coxa direita do meia Ronaldinho Gaúcho tornou incerta a presença do camisa 10 do Atlético-MG no Mundial de Clubes, que começou nesta semana, no Marrocos.
No entanto, um trabalho de recuperação comandado por Roberto Chiari acabou com as dúvidas do torcedor atleticano e fez com que o craque do time mineiro ficasse em condições de disputar o torneio que poderá ter o encontro com o alemão Bayern de Munique numa possível decisão.
Para o fisiologista do clube de Belo Horizonte, porém, a recuperação do meio-campista foi apenas mais uma das suas preocupações na preparação do elenco para a última competição da desgastante temporada.
“O que estamos bem atentos é em relação ao nível de cansaço. Por que os alemães estão vindo de férias e de uma boa pré-temporada, enquanto nós chegaremos lá após um longo período competitivo. Então, procuramos otimizar as últimas partidas que disputamos do Campeonato Brasileiro para que os jogadores mantivessem o mesmo nível de rendimento. E priorizamos a qualidade da recuperação neste período. Essa abordagem foi o nosso principal norte antes da viagem”, revelou Chiari, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.
Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pós-graduado em fisiologia do exercício, o responsável pelo departamento de fisiologia do clube precisou do apoio do preparador físico Carlinhos Neves para implantar uma nova tecnologia nos treinos realizados na Cidade do Galo: o GPS com acelerômetro.
A ferramenta possibilitou Roberto Chiari controlar mais adequadamente a carga dos treinamentos e, com isso, contribuir com o rendimento dos jogadores no período pré-Mundial.
“Com o tempo, a gente pôde observar que a intensidade obtida nos jogos reduzidos chega a ser maior que a de uma partida formal. Há minijogos que conseguimos fazer com que os jogadores façam sprints de alta intensidade, de até 2,5 m/s², por exemplo, marca que supera um jogo oficial. Até a frequência cardíaca supera a do jogo. Então, essa atividade simula muito bem as exigências para um jogador de futebol. A gente percebeu que é uma boa estratégia para a preparação física”, completou.
Nesta entrevista, concedida antes da viagem do Atlético-MG ao país africano, Roberto Chiari ainda falou sobre como se dá a integração do profissional com as categorias de base e por que a fisiologia nos clubes brasileiros está à frente do que é feito na Europa. Confira a íntegra:
Universidade do Futebol – Conte-nos como se dá a integração entre você e o departamento de preparação física. Como é a sua relação com o Carlinhos Neves, que é elogiado por diversos profissionais da área de gestão técnica de campo?
Roberto Chiari – É bastante importante. Ouso dizer que a vinda do Carlinhos Neves para a preparação física do Atlético-MG tem sido um marco no clube. Agora, independentemente do treinador, o clube implantou um departamento de preparação física própria, que tem dado continuidade aos trabalhos. Isso influencia positivamente até para os atletas, que se acostumam com aquelas atividade que são aplicadas e, consequentemente, melhoram o seu rendimento com o decorrer do tempo.Desde 2011, o Carlinhos está no clube e, desde então, nos falamos sempre. Ele é um profissional extremamente atualizado, está sempre estudando, é muito envolvido também com as questões táticas, com os trabalhos com bola. Então, desde que chegou, ele usa ao máximo a fisiologia, procura interagir bastante. Eu lembro até que, quando ele começou no Atlético-MG, me falou que tudo o que eu achasse interessante para o desenvolvimento da nossa área era para falar para ele, pois buscaria recursos com a diretoria para isso.
Foi daí até que implantamos a tecnologia que utilizamos hoje em dia, a do GPS com acelerômetro. Apesar de já ser usada em times da Europa, o Atlético-MG foi o clube pioneiro no Brasil. É uma tecnologia nova e muito cara, que nos proporciona um maior controle dos treinamentos. Foi um investimento bastante elevado, mas, mesmo assim o Carlinhos fez questão de levar a proposta para o presidente, que concordou com a nossa necessidade.
Conheci este aparelho no Paris Saint-Germain. No entanto, ele não foi projetado e nem é recomendado para esportes com movimentos acíclicos. Ele mede sprints, fornece o valor da aceleração, e é direcionado para ações intermitentes, com muita mudança de direção, frenagens, etc. Medem até os impactos, acelerações e desacelerações significativas, controla a carga mecânica, enfim, informações que são muito importantes mensurar no futebol. Com isso, podemos quantificar as recuperações necessárias entre os treinamentos e entre os jogos.
Inclusive, tivemos uma experiência muito boa com essa ferramenta neste ano, quando chegamos a fazer 26 partidas sem ter sequer uma semana completa de treino. Cinco jogos já seriam um grande número, imagine 26. E isso nos ajudou muito nas nossas avaliações.
Se você for avaliar esses GPS tradicionais, de pulso, que a maioria dos clubes brasileiros usam, não são os melhores para o futebol. Estes são voltados para corredores ou esportes com deslocamento contínuo.
Agora, com este recurso, conseguimos agora controlar mais a carga, mais o desempenho dos jogadores. Utilizamos muito nos jogos reduzidos como estratégia para a preparação física.
Toda a transição de jogador que há da base para o profissional nós já temos todos os dados. Assim, o treinador já recebe o histórico de cada atleta que subiu e a integração dele no elenco é facilitada. Então, a relação entre as duas equipes de profissionais é permanente, afirma Roberto Chiari
Universidade do Futebol – Falando em jogos reduzidos, em alguns estudos científicos foi constatado que os pequenos jogos podem ser usados de uma forma efetiva de treinamento de resistência para jogadores de futebol. Como esse tipo de atividade em campo reduzido é implementada pela comissão técnica do clube sob a sua orientação?Roberto Chiari – Utilizamos bastante esse formato de treinamento. Isso porque, atualmente, no futebol, o tempo é escasso, a disponibilidade é escassa. E temos uma temporada começando em janeiro e acabando em dezembro.
O Campeonato Mineiro é uma exceção e até nos proporciona uma melhor pré-temporada. Acho até que isso influenciou de alguma forma a boa temporada dos clubes mineiros em 2013. Mas, em geral, você só joga, recupera, e joga de novo.
E, hoje em dia, não há muito tempo para os jogadores ficarem disponíveis exclusivamente para os preparadores físicos. Então, aplicamos esta atividade para otimizar esse tempo. E, desde as dimensões do campo, quantidade de jogadores, intensidade, tudo vai ter interferência na qualidade do treino.
Com o tempo, a gente pôde observar que a intensidade obtida nos jogos reduzidos chega a ser maior que a de uma partida formal. Há minijogos que conseguimos fazer com que os jogadores façam sprints de alta intensidade, de 2,5 m/s², por exemplo, marca que supera um jogo oficial. Até a frequência cardíaca supera o jogo oficial. Então, essa atividade simula muito bem as exigências para um jogador de futebol. A gente percebeu que é uma boa estratégia para a preparação física.
A vinda do Carlinhos Neves para a preparação física do Atlético-MG tem sido um marco no clube. Agora, independentemente do treinador, o clube implantou um departamento de preparação física própria, que tem dado continuidade aos trabalhos. Isso influencia positivamente até para os atletas, que se acostumam com aquelas atividade que são aplicadas e, consequentemente, melhoram o seu rendimento com o decorrer do tempo, aponta o especialista
Universidade do Futebol – E em relação às categorias de base, existe um trabalho integrado com a equipe do profissional no tocante à fisiologia, especificamente?Roberto Chiari – Sim, diretamente. Eu sou responsável pela fisiologia do clube e eu tenho uma pessoa que cuida somente da base. E a gente se fala muito. Com isso, as avaliações tanto na base quanto no profissional são padronizadas. As instalações também são as mesmas e no mesmo lugar. Tudo isso facilita essa integração.
Além disso, a comissão técnica do profissional usa muito os atletas da base para completar algum time em treinamentos, por exemplo. Até o GPS utilizamos nas categorias iniciantes. Com isso, toda a transição de jogador que há da base para o profissional nós já temos todos os dados. Assim, o treinador já recebe o histórico de cada atleta que subiu e a integração dele no elenco é facilitada. Então, a relação entre as duas equipes de profissionais é permanente.
Os clubes brasileiros já tratam o fisiologista como funcionário do clube e não como consultores. Os nossos profissionais são extremamente atuantes na rotina dos treinamentos, analisa Chiari
Universidade do Futebol – A área de Fisiologia dos clubes brasileiros deve algo em relação ao que é praticado na Europa nos principais centros, seja em infraestrutura ou em metodologia?Roberto Chiari – Em relação especificamente da fisiologia, posso afirmar que os clubes brasileiros estão na frente em relação ao que é feito na Europa. Lá, os clubes europeus têm à disposição uma grande estrutura, mas não usam em sua totalidade. Além disso, os profissionais não são tão qualificados como os brasileiros.
Além disso, o vínculo entre os fisiologistas e os clubes é diferente do que acontece por aqui. Lá, eles atuam mais como consultores, fazem uma espécie de consultoria nos clubes, não há um departamento fixo de fisiologia como ocorre nos nossos times. Você até encontra em alguns clubes ingleses, no PSG, um departamento científico para controlar o dia a dia dos treinamentos. Mas, não é regra, é exceção.
Então, os clubes brasileiros já tratam o fisiologista como funcionário do clube e não como consultores. Os nossos profissionais são extremamente atuantes na rotina dos treinamentos.
É normal que os nossos atletas estejam fisicamente e mentalmente sob pressão. Devido a essa carga elevada de jogos. No entanto, nós não pudemos desacelerar tanto os jogadores neste período pré-competição para justamente não perderem a intensidade. Em contrapartida, não pudemos apertar demais também nestes últimos meses. É complicado, pondera o fisiologista
Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual o tempo ideal para uma pré-temporada? Explique, por favor.
Roberto Chiari – Esses 30 dias que popularmente é falado como o ideal para uma pré-temporada é um arredondamento desse tempo necessário para se condicionar os atletas para uma temporada inteira.
No entanto, esse prazo de quatro semanas é o aceitável, é o mínimo necessário para se realizar uma pré-temporada. Porém, o ideal mesmo seria seis semanas, que é o que acontece na Europa. Lá, neste período, além do condicionamento nos treinos, eles disputam até amistosos.
Agora, você submeter o atleta a uma competição com menos de duas semanas de treino é expô-lo a um risco muito elevado. Tanto é que, nas férias, recomendamos até que os atletas não façam nenhum tipo de exercício físico. Não aconselhamos nem aqueles jogos festivos de final de ano.
O objetivo é fazer com que eles comecem um novo ciclo quando retornam das férias. É bom que o jogador destreine para depois a gente treiná-lo. Para que ele possa fazer um novo ciclo é importante que ele tenha descansado muito bem.
Mas, entendo que é difícil. Não tem como exigir que o leigo entenda que jogar nesse período é uma exposição muito grande. Acredito que, no prazo de quatro semanas, a gente consiga treinar um pouco de cada valência, como resistência, força, velocidade, para que o jogador aguente o calendário até o seu fim. Neste período, o importante é saber dosar a intensidade e com mais intervalos de recuperação.
Evitamos neste período de tratamento que o Ronaldinho não perdesse muito a condição física dele. A fisioterapia desenvolveu trabalhos de fortalecimento por meio de atividades como o pilates, musculação e até com aquele aparelho chamado Vertimax. E, por isso, hoje ele já está calçando as chuteiras, revelou
Universidade do Futebol – O pós-jogo ou treino, você utiliza a técnica da crioterapia com os atletas ou crê que a imersão em água gelada possui benefícios apenas subjetivos?Roberto Chiari – Eu acredito na crioterapia. É um dos métodos que utilizamos para recuperar atletas. Sempre fazemos após as partidas. Mas, não nos vestiários logo depois do jogo, ainda dentro do estádio. Fazemos no dia seguinte.
Também implantamos a recuperação ativa, que atua em baixa intensidade para estimular o fluxo sanguíneo para aquela musculatura fadigada. Então, os jogadores fazem bicicletas, hidroginástica, enfim.
Além disso, fazemos o controle do CK e até um questionário com avaliação subjetiva de recuperação para os atletas. Para nós da fisiologia, isso é muito importante. Vai mostrar o tempo ideal para cada jogador recuperar.
Então, a questão não é só essa, de usá-la ou não. Existem alguns questionamentos em relação à eficácia desse método. Mas, ela faz parte da nossa recuperação. Consideramos que isso é mais uma informação. No futebol, nem sempre o ideal é o mais prático ou o mais conveniente. Com procedimentos padronizados, o atleta aceita melhor e percebe os benefícios da crioterapia.
A análise sobre os marcadores devem ser individualizadas e com um banco de dados de cada jogador, pois eles têm um significado diferente para cada atleta, alerta Chiari
Universidade do Futebol – E qual a real importância dos marcadores sanguíneos na indicação de nível de lesão, estado de hidratação, condição de fadiga e desgaste muscular de um atleta de futebol?Roberto Chiari – São importantes, sim. A gente faz o uso deles. A ressalva é somente o cuidado com que o resultado não se torne uma verdade absoluta e se sobreponha às outras informações.
Eles ajudam muito a gente a compreender muita coisa. Mas, uma tomada de decisão deve ser sempre de maneira conjunta com outros fatores e nunca de forma isolada. O exame clínico ou a percepção do atleta são aspectos que também devem ser analisados.
Mas, a análise sobre os marcadores devem ser individualizadas e com um banco de dados de cada jogador, pois eles têm um significado diferente para cada atleta.
O Bayern de Munique, inclusive, está vindo de férias e de uma boa pré-temporada antes do Mundial, enquanto nós chegaremos lá após um longo período competitivo, compara
Universidade do Futebol – No Mundial de Clubes do ano passado, a comissão técnica do Corinthians se preocupou até com fatores como o sol para fazer o planejamento para o torneio. E, no Atlético-MG, quais aspectos estão sendo levados em consideração para o período de pré-competição?Roberto Chiari – Eu acho que foi uma preocupação importante no Corinthians. Os cuidados com a pré-viagem contribuem muito para minimizar o que os atletas podem sentir no local da competição.
A diferença no nosso caso deste ano é que a viagem não vai ser tão longa e o fuso horário também será menor. Então, não haverá nenhuma grande alteração em relação a sono, ao sol, enfim. Vamos chegar ao Marrocos em um período com antecedência suficiente para a adaptação. Acredito que uma semana antes do torneio, os jogadores já possam se adaptar naturalmente.
O que estamos bem atentos é em relação ao nível de cansaço. Existe um primeiro jogo que precisamos passar para fazer a final, que a gente imagina que seja contra o clube europeu, o Bayern de Munique. Eles, inclusive, estão vindo de férias e de uma boa pré-temporada, enquanto nós chegaremos lá após um longo período competitivo.
Então, é normal que os nossos atletas estejam fisicamente e mentalmente sob pressão. Devido a essa carga elevada de jogos. No entanto, nós não pudemos desacelerar tanto os jogadores neste período pré-competição para justamente não perderem a intensidade. Em contrapartida, não pudemos apertar demais também nestes últimos meses. É complicado.
Por isso, procuramos otimizar as últimas partidas que disputamos do Campeonato Brasileiro para que os jogadores mantivessem o mesmo nível de rendimento. Focamos na otimização da recuperação dos atletas, priorizamos a qualidade da recuperação neste período. Essa abordagem foi o nosso principal norte antes da viagem.
Conheci o GPS com acelerômetro no Paris Saint-Germain. No entanto, ele não foi projetado e nem é recomendado para esportes com movimentos acíclicos. Ele mede sprints, fornece o valor da aceleração, e é direcionado para ações intermitentes, com muita mudança de direção e frenagens, explica
Universidade do Futebol – No início do ano, ainda não era possível prever que o Atlético-MG teria a sua temporada estendida até o meio de dezembro por causa do Mundial. Como isso impactou no planejamento da comissão técnica? Quais foram as mudanças necessárias para ter todo o elenco à disposição nesta competição?Roberto Chiari – Sabíamos que havia a possibilidade do Mundial de Clubes a partir que avançamos na Taça Libertadores. E o torneio sul-americano acontece um tempo bem significativo antes do Mundial. São quatro meses e meio entre uma competição e outra.
E a preparação passa pelas metas que se estabelece em cada campeonato. Durante o Brasileiro, por exemplo, precisamos administrar as metas intermediárias para chegar ao Mundial com um bom desempenho. Mas, chega uma hora que você tem de priorizar.
É importante chegar jogando bem. Acreditamos que é bom que o time que vai disputar o Mundial esteja em atividade. Porém, tivemos cuidados, principalmente, nas últimas rodadas do Brasileiro em relação ao rodízio de jogadores.
Além da recuperação ativa, fazemos o controle do CK e até um questionário com avaliação subjetiva de recuperação para os atletas. Para nós da fisiologia, isso é muito importante. Vai mostrar o tempo ideal para cada jogador recuperar, justifica
Universidade do Futebol – No trabalho de recuperação do meia Ronaldinho, até a acupuntura foi incluída. Conte quais foram as atividades exercidas pelo atleta neste período e como fisiologista, quais os benefícios que este método pode trazer neste cenário?Roberto Chiari – A acupuntura é uma técnica da medicina que eu acho muito legal e sua aplicação é válida em determinadas situações. Mas, uma observação que faço é que a gente tem o costume de valorizar excessivamente aquilo que não conhecemos a fundo.
No caso do Ronaldo, foi uma coisa que surgiu na imprensa muito forte. Mas, isso foi feito lá no estágio inicial, na fase passiva do tratamento. Era para dar um efeito de analgesia nele.
No entanto, neste prazo todo, não podemos desconsiderar o importante trabalho da fisioterapia. Foram todos os dias, sete dias por semana, duas vezes por dia. E isso não aparece na mídia.
Mas, foi um trabalho de formiguinha mesmo que ajudou o Ronaldo na sua recuperação. Foram várias formas de fortalecimento. Evitamos neste período de tratamento que ele não perdesse muito a condição física dele.
A fisioterapia desenvolveu trabalhos de fortalecimento por meio de atividades como o pilates, musculação e até com aquele aparelho chamado Vertimax. E, por isso, hoje ele já está calçando as chuteiras.
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Sinopse
"Neste espaço encontra-se reunida uma coletânea dos melhores textos, imagens e gráficos sobre o futebol, criteriosamente selecionados e com o objetivo de contribuir para a informação, pesquisa, conhecimento e divulgação deste esporte, considerando seu aspecto multidisciplinar. A escolha do conteúdo, bem como o aspecto de intertextualidade e/ou dialogismo - em suas diversas abordagens - que possa ser observado, são de responsabilidade do comentarista e analista esportivo Benê Lima."
CALOUROS DO AR FC
sábado, abril 05, 2014
Roberto Chiari, fisiologista do Atlético-MG
sexta-feira, abril 04, 2014
Mais Parreiras e mais Mourinhos
Caro Benê Lima,Como prometido estamos voltando pra comentar um dos programas mais interessantes do Cia do Esporte. O que foi ao ar hoje, sexta feira, 4. Entre outros assuntos, um foi muito bem colocado por você, como sempre fazendo propositadamente com que todos, ouvintes e comentaristas, se envolvessem com o assunto.
O perfil dos treinadores brasileiros, os quais se colocam, em sua grande maioria, as margens do “aceito” ou “rejeito” de seus comandados. Ora, num futebol cuja mentalidade é para o agora, para obter o sucesso sejam quais forem as consequências para isso ocorrer, é praticamente impossível termos em nossas linhas de frente no banco, treinadores da estirpe de um José Mourinho.Torno a repetir: O maior problema do nosso futebol é a nossa própria cultura pequena, hipócrita e mesquinha, que não o respeita e tem uma tendência mórbida para as mudanças. Não evolui. As mudanças naturais estão a olhos vistos. A desorganização do nosso futebol passa pelos dirigentes escoando nos torcedores.Faço aqui a distinção dos mesmos devido ao fato de que, quando este torcedor passa a ter a oportunidade de ser dirigente de futebol ele muda completamente. Aquilo que ele esperneava em cobranças sem conhecimento de causa, quando finalmente passa a ser dirigente se vê envolvido na realidade do futebol brasileiro e faz exatamente o que outros dirigentes fazem.Trabalha-se por debaixo dos panos. Não um trabalho correto e desenvolvimentista, mas sim arquitetações e conchavos baixos para garantirem espaço nos TJD’s da vida e outras manobras antidesportivas. E não me venham com essa que dirigentes do Ceará Sporting são exemplos, pois não são, assim como os “virgens” dirigentes do Fortaleza. E o que é pior... A imprensa sabe e não denuncia. Não o faz por que tem rabo preso.Aquela máxima de que “jogador ganha jogo e diretoria ganha campeonato” é colocada pela imprensa pelo olhar pejorativo, pois exige-se que os diretores façam seus trabalhos mesquinhos por trás dos panos para garantirem a vitória... Suborno, mala preta, branca; colocando representantes bem próximos à Federação e outras manobras nada recomendáveis. TUDO COISA DO TEMPO DOS CORONÉIS DO FUTEBOL!Como pode essa empresa cobrar alguma coisa? Onde está a indignação? Onde estão as propostas? Onde estão os exemplos, no mundo, que poderiam coibir vergonhas desta natureza?Daí eu tento responder: O que os regulamentos europeus poderiam fazer para melhorar o futebol brasileiro? Torcedores podem ficar atrás de um goleiro para xingá-lo, ameaçá-lo ou atirar coisas? A Europa é tão melhor que o Brasil que lá esse tipo de coisa seja inconcebível? Experimente ficar atrás do gol do Chelsea hostilizando o goleiro. Experimente mandar a campo o time reserva para prejudicar um rival. Experimente se deixar futebolisticamente se sodomizar como fizeram os jogadores alvinegros e tricolores. Mesmo assim quem experimenta se comportar dessa forma é severamente punido.Melhor não. Melhor não experimentar.Como pensar que podemos ter treinadores da estirpe de um José Mourinho se nossos treinadores são, em sua grande maioria, despreparados, sem cultura, temerosos de seus empregos, desorganizados como entidade de classe? São ex-jogadores vindos de uma realidade culturalmente atrasada, pautada apenas na experiência de vida profissional, sem a coragem de estudar e ver coisas novas em sua profissão. Reflexo puro de nosso pais. Cultura.A Premier League, ou o popular Campeonato Inglês, é uma das ligas favoritas dos brasileiros nos campeonatos europeus. Os detalhes que mais incentivam torcedores para acompanhar a liga inglesa geralmente são os mesmos, e giram em torno dos estádios lotados e da organização das partidas. O marketing é cativante, assim como a organização. É um dos pontos onde o esporte brasileiro infelizmente peca.O que falar do campeonato alemão? A Alemanha tem tudo de bom, com estádios novos, lotados em todas as partidas, torcedores fanáticos que respeitam os jogadores, organização e marketing.E nosso futebolzinho alencarino de todos os dias? Ora bolas, as rádios não falam o nome do campeonato cearense corretamente, exceto o Companhia do Esporte por seu intermédio, provavelmente devido ao fato dos programas não serem patrocinados pelo patrocinador do campeonato. Daí se vê a pequenez de visão! O que é pior: tem ‘mestres’ da radiofonia cearense que simplesmente tem ojeriza à menor menção em comparações com outros centros futebolísticos.Assim, cada vez sou mais fã do Sr. Carlos Alberto Parreira: “Criticou duramente a organização para o Mundial e estima que o país “perdeu” uma ocasião de mostrar “um Brasil diferente”. Na entrevista concedida neste domingo à rádio CBN, Parreira também manifestou apoio aos protestos dos brasileiros, que segundo ele, tem “reivindicações válidas”. Tem muita coisa errada no Brasil! A Copa não é só o estádio, o torcedor não vive dentro do estádio. Ele quer segurança, aeroporto, com conforto e facilidade. “Em Londres, em Paris, duas economias avançadas, você escolhe: quero ir de trem, de metrô, de ônibus, de táxi ou com um carro pessoal”. Aqui você não tem escolha”.![]()
Não devemos querer o melhor para nós também? Que surjam mais Mourinhos e Parreiras e que sejam no Brasil.Abraços,Franzé Oliveira.
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quinta-feira, abril 03, 2014
Sindicato de jogadores apresentará estudo sobre doença mental no futebol
Para a elaboração do estudo foram levados em conta parâmetros como mal-estar, ansiedade, depressão, baixa autoestima, entre outros
Equipe Universidade do Futebol com Agências
O sindicato mundial de jogadores (FIFPro) apresentou na quarta-feira um estudo médico sobre "a Doença mental no futebol profissional", realizado entre jogadores em atividade e aposentados de vários países, que reflete exemplos de depressão e ansiedade no esporte.
O relatório, elaborado pelo doutor Vincent Goytterbarge, responsável médico da FIFPro, estudou casos de mais de 300 jogadores profissionais em atividade e aposentados de seis de suas associações, Holanda, Irlanda, Escócia, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.
Para a elaboração do estudo foram levados em conta parâmetros relacionados com a doença mental como mal-estar, ansiedade, depressão, baixa auto-estima e comportamentos adversos para a saúde por má nutrição ou consumo de álcool e/ou tabaco.
Também foram avaliados elementos que podem causar estresse psicológico ou físico como lesões graves, por ausência de treinamentos ou de competições durante mais de quatro semanas, intervenções cirúrgicas, circunstâncias vitais excepcionais como falecimentos de parentes e apoio social por parte do treinador e dos companheiros de equipe.
O doutor Gouttebarge entende que o estudo revela "certos aspectos obscuros" de ser um jogador profissional completo e proporciona um ponto de referência necessário para poder melhorar a saúde geral dos jogadores em todos os estágios de sua carreira, especialmente quando deixam o futebol, segundo informou FIFPro.
"A atenção que recebe a saúde dos jogadores profissionais por parte dos organismos reitores em nível internacional ou dos clubes se dirige principalmente a examinar a incidência das lesões, o que é curioso, pois a saúde não implica unicamente no bem-estar físico, mas também no bem-estar mental e social, tanto a curto como a longo prazo", acrescentou.
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terça-feira, abril 01, 2014
Novo gerente de marketing do Corinthians revela desafios do clube para 2014
Entre vários assuntos abordados em entrevista exclusiva, profissional admitiu que, por causa de Copa e eleições, esta não é a melhor temporada para conseguir patrocínios
Por Luciana Spacca e Rodrigo Capelo
Não levaram nem duas semanas para que, depois da demissão de Caio Campos, Alexandre Ferreira fosse contratado para o cargo de gerente de marketing do Corinthians. O publicitário foi escolhido por Izael Sinem Jr., diretor de marketing corintiano, para comandar o dia a dia do departamento que, entre outras tarefas, lida com patrocínios, internacionalização da marca do clube, recuperação do programa de sócios-torcedores e manutenção de licenciamentos.
A atual posição do novo profissional é delicada. Do lado do futebol, as coisas não andam nada bem. Eliminado precocemente do Campeonato Paulista depois de um 2013 desanimador em todas as competições que disputou, o Corinthians não é mais o mesmo que ganhou o Mundial de Clubes da Fifa e a Copa Libertadores em 2012, e a torcida tem cobrado, às vezes agressivamente, por isso. O marketing, inevitavelmente, é prejudicado pela situação.
Do lado do marketing, sócios andam em baixa e a internacionalização que se almejava com a contratação do chinês Zizao ainda não aconteceu, mas pelo menos a herança deixada por Campos em patrocínios é confortável. Com R$ 30 milhões da Caixa e R$ 12 milhões da Fisk garantidos até o fim do ano, o clube está mais seguro em um ano difícil, na visão de Ferreira. Copa do Mundo no primeiro semestre e eleições no segundo, argumentou ele em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte, são fatores que fazem de 2014 um mau ano para obter patrocínios.
Máquina do Esporte: Qual a sua experiência no futebol?
Alexandre Ferreira: A primeira experiência que eu tive com esporte, com futebol especificamente, foi quando eu trabalhava na Publicis e atendia a conta da Nestlé. A empresa tinha o direito de explorar 80 jogos do Campeonato Brasileiro: toda a bilheteria desses jogos era de poder da Nestlé negociar. Então a gente realizou uma ação promocional em que o torcedor adquiria um produto da companhia e trocava por ingresso. Na verdade, ele comprava o produto e tinha que doá-lo, então tinha uma ação social por trás. E a ação foi muito bem sucedida, teve um giro de produtos muito interessante nas cidades onde tinham os jogos. Além da repercussão que teve com os consumidores. Foi uma solução inteligente que a Nestlé encontrou para trabalhar com vários times, e não beneficiar só um ou outro. Principalmente porque a empresa já tinha um case da Parmalat com o Palmeiras, então tinha ficado muito ligada ao Palmeiras. E foi ali que o “mosquitinho” do marketing esportivo me picou e me fez começar a pensar a trabalhar mais efetivamente com isso. Um tempo depois, eu fui convidado para trabalhar na própria Nestlé. Foi quando eu tive o primeiro contato com o Izael, que me convidou para trabalhar aqui no Corinthians. E lá a gente desenvolveu uma série de atividades, desde o patrocínio para a seleção brasileira, o patrocínio à Copa do Mundo, o patrocínio ao time de vôlei do Osasco. Então a companhia tinha várias frentes de atuação no esporte. Até que eu recebi o convite para trabalhar na 9ine. O Ronaldo tinham acabado de abrir a agência, eles estavam em crescimento e tinham acabado de ganhar a conta da Brahma e o "Movimento por um futebol melhor". E eu fui lá para trabalhar principalmente nesse projeto. E a partir de lá eu não parei mais. Quando eu recebi o convite de vir para o Corinthians, não pensei nem meia vez. Aceitei prontamente porque é a realização de um sonho você poder trabalhar no time que torce, fazendo o que sabe fazer profissionalmente. Então eu realmente encarei o desafio.Máquina do Esporte: Qual a diferença entre trabalhar com futebol e com publicidade em geral?
Alexandre Ferreira: O futebol é um pouco mais restrito à capitação de patrocínio, porque muitas empresas que não possuem como objetivo de comunicação trabalhar com esporte. Isso, de partida, já restringe o universo em que você pode atuar oferecendo a marca. E pelo marketing esportivo ser mais restrito, também é mais desafiador. A minha formação em publicidade é especificamente em mídias, então eu sempre trabalhei com veículos de comunicação. E a gente sabe que todo anunciante faz investimento em mídia. Não existe marketing sem investimento em compra de espaço de mídia.
Máquina do Esporte: Você veio para o Corinthians com qual objetivo?
Alexandre Ferreira: Tudo no Corinthians é importante, é grandioso e é urgente. Desde o carro-chefe, que é o futebol e obviamente vai concentrar os esforços de atuação do departamento, mas eu também não posso esquecer das outras áreas do clube. A gente tem os esportes terrestres, os esportes aquáticos e outros projetos que podem surgir no clube desde que a gente possa viabilizar financeiramente a existência deles aqui. É claro que o carro-chefe, a curto, médio e longo prazos, vai ser sempre o futebol. E dentro do futebol a gente tem três pilares para trabalhar mais fortemente nesse primeiro momento: manutenção e captação de patrocínios no futebol profissional, internacionalização da marca Corinthians e o Fiel Torcedor. Essas são as três grandes fontes de receitas para o clube. E uma quarta, que é a arena, que nós ainda estamos concentrados em entregar para a Copa do Mundo. Mas assim que a Copa terminar, a arena será o quarto pilar de atenção para a captação de recursos do marketing.Máquina do Esporte: Nesse momento, o que você pretende fazer em relação a patrocínio?
Alexandre Ferreira: A gente ainda tem espaço para negociar patrocínio na camisa. Ombro e calção ainda são espaços disponíveis, e a gente já vem trabalhando, já estamos conversando com algumas empresas, já fomos procurados por algumas empresas. Então pode ser que no segundo semestre do Campeonato Brasileiro a gente já tenha mais algum patrocinador. E também temos outros parceiros que nos procuram para não estarem, efetivamente, no uniforme do clube, mas sim em algumas parcerias com o futebol.Máquina do Esporte: Você tem valores, datas, metas que precisa cumprir? Pretende aumentar o total obtido com patrocínios da camisa?
Alexandre Ferreira: A gente precisa olhar o mercado como um todo. E eu não estou falando só do mercado do futebol. A gente tem que olhar o momento econômico do país. A gente não pode esquecer que este ano tem eleições, e dependendo do que acontecer isso pode ter um impacto na economia do país. A gente sabe por experiência que sempre que tem uma mudança de governo as empresas ficam um pouco reticentes em fazer grandes investimentos. E isso certamente tem impacto no nosso negócio. Isso também resvala em outros fatores. Por exemplo: se o Corinthians conseguir vaga para a Libertadores do ano que vem, certamente a gente fica em uma posição mais favorável para negociar uma cota maior. Se o clube não conseguir, aí já é um outro universo. Então depende muito da performance do time, do planejamento do time para o ano que vem. Eu não diria que existe uma meta, uma pressão para a agente aumentar a cota. Mas a gente tem que ter uma inteligência de estar atento em como o mercado estará se comportando no momento em que a gente for começar a conversar com os atuais patrocinadores para saber se irão renovar para o ano seguinte, ou se a gente vai captar novos patrocinadores. Acho que está muito cedo para dizer se a gente vai manter, vai aumentar ou vai abaixar a cota.Máquina do Esporte: É um mau ano para conseguir patrocínio no futebol brasileiro, levando em consideração a Copa do Mundo e as eleições?
Alexandre Ferreira: Eu diria que o primeiro semestre, sim. Dificultou um pouco a vida da maioria dos clubes. De fato, os grandes anunciantes que estão interessados em estar no futebol preferiram realocar os investimentos deles em coisas que têm a ver com a Copa do Mundo. Acredito que no segundo semestre as coisas voltarão a ficar mais favoráveis aos clubes.Máquina do Esporte: O que o marketing pode fazer para internacionalizar a marca do clube?
Alexandre Ferreira: Eu já tive contato com projetos bem interessantes para atuarmos de maneira representativa em outros mercados. A gente tem uma oportunidade com o recesso da Copa do Mundo. Nós estamos vendo a possibilidade de levarmos o clube para fazer jogos no exterior e divulgar a marca. E atuar em mercados emergentes no futebol, que estão consumindo o esporte de maneira interessante. O mercado asiático, onde o clube já teve experiências bem sucedidas em passado recente.
Máquina do Esporte: A China ainda é um mercado prioritário para o Corinthians?
Alexandre Ferreira: Sim. Na verdade, é um mercado prioritário para o futebol. Se você parar para ver, uma parte considerável das receitas dos clubes europeus tem sido captada na China. A própria China tem reforçado o futebol local levando grandes jogadores para atuar do mercado.Máquina do Esporte: É difícil competir com times como o Real Madrid e Barcelona na China?
Alexandre Ferreira: Sem dúvida. Por outro lado, é um país de dois bilhões de habitantes. Então oportunidade a gente também tem.
Máquina do Esporte: Essa internacionalização depende de títulos mundiais?
Alexandre Ferreira: Ajuda, mas eu acho que não é o fundamental. Eu acho que temos que pegar a força que a gente tem por nós sermos uma equipe do Brasil. A seleção brasileira é uma marca muito forte no futebol lá no exterior. Agora, é óbvio que os títulos internacionais, os jogadores com representatividade internacional aceleram esse processo de o clube ser mais representativo no exterior. Mas a gente não é dependente exclusivamente disso.Máquina do Esporte: Como fazer para que o Fiel Torcedor volte a crescer, mesmo que a fase do time não melhore?
Alexandre Ferreira: Esse é o nosso grande desafio. Eu ainda não tenho a resposta para te dar. Eu te diria que nessa minha primeira semana de clube, 50% do meu tempo foi dedicado a entender o Fiel Torcedor, estudar e tentar encontrar essa resposta. E eu acho que não é só uma dificuldade do Corinthians, é uma dificuldade do futebol brasileiro. A nossa missão é fazer com que essas curvas sejam menos acentuadas, que a gente não dependa tanto do desempenho do time para gerar interesse no consumidor. Recentemente, algumas coisas foram feitas. A parceria com a Caixa, principalmente olhando para o torcedor que não frequenta estádio, que por uma questão geográfica tem uma menor chance de ver o time no estádio. Então a gente criou um projeto para que eles também participem e sejam sócio-torcedores do clube. E é muito recente, então ainda não dá para dizer se esse projeto é a solução para essa questão.Máquina do Esporte: O que o marketing vai poder fazer com o estádio do Corinthians?
Alexandre Ferreira: Para ser sincero eu ainda não tive muito contato com as questões do estádio. Nós estamos focados em cumprir os compromissos com a Fifa [entregar o estádio construído em tempo útil para o primeiro jogo da Copa]. Mas se você olhar o modelo que é feito na Europa, em outros lugares, a gente deve fazer coisa parecida. O estádio foi construído com padrão de primeiro mundo, e certamente vai permitir que a gente ofereça serviços que você encontra quando vai aos jogos do Barcelona, do Real Madrid, da Inter.
Máquina do Esporte: E o que está sendo planejado para manter em alta os licenciamentos de produtos?
Alexandre Ferreira: Essa área já está bem consolidada. Mas é um campo que te permite muito crescimento: não existe limite para licenciamento porque todo dia aparecem produtos e serviços novos. A gente ainda tem algumas coisas para potencializar a marca, algumas frentes para procurar parceiras e estamos bolando um plano de ação para isso. Temos que ficar atentos ao mercado, enxergar as oportunidades e trabalhar a nossa marca junto a essas novas oportunidades. Mas esse não é um campo esporádico, é um campo do cotidiano do clube.Máquina do Esporte: Você tem um perfil negociador ou planejador?
Alexandre Ferreira: Quando eu trabalhava como gestor de mídia nas agências eu era responsável por negociar a verba dos assinantes com os veículos de comunicação. Então para isso você precisa ter a habilidade de planejamento e também de negociação. Mas sobretudo tem a questão do lado político, de manter um bom relacionamento com o mercado, de ter uma influência no mercado que te possibilite abrir portas. Eu tenho um perfil de ser bem conciliador em momentos de tensão. Eu acho que fui escolhido pela habilidade de lidar com as questões políticas, mas principalmente pela questão técnica, por ser uma pessoa que junta a questão de planejamento e negociação.Máquina do Esporte: Como o mau desempenho do clube pode afetar o marketing?
Alexandre Ferreira: Não tenho essa resposta para te dar agora. É isso que eu estou fazendo nesses primeiros dias. Entender o histórico do clube, a situação dos contratos, olhar como potencializar os parceiros e ir em busca de novos parceiros. Como torcedor, eu sinto que a fase do time pode ajudar a acelerar esses processos como também pode prejudicar. Eu vou ter que pensar 24 horas por dia em como é que eu vou conseguir amenizar essas questões e criar uma independência da situação do time.Máquina do Esporte: Você está preparado para lidar com a paixão do torcedor?
Alexandre Ferreira: Sim. Nas experiências anteriores eu trabalhei com marcas nas quais os consumidores tinham uma relação mais racional do que passional. E aqui é completamente o oposto. O torcedor resolve investir o dinheiro dele em produtos ligados ao clube por impulso, ele age por amor, por paixão. A gente sabe que está lidando com sentimentos bem difíceis de administrar para o bem e para o mal. Mas eu acredito que se a gente fizer um bom trabalho, que se o torcedor perceber isso, perceber que perder faz parte e que nenhum clube vai conseguir se manter no topo sempre, principalmente no Brasil... Eu acho que o torcedor vai entender se olhar para dentro do clube e ver que tem um trabalho sério sendo feito. A gente tem um exemplo recente disso: quando o Corinthians caiu para a segunda divisão a gestão anterior criou uma ação genial, que foi a camisa com o “Eu nunca vou te abandonar”, que foi um grande sucesso de vendas. O torcedor enxergou ali uma ação interessante e se sentiu parte em ajudar o clube. Talvez uma maneira inteligente de a gente trabalhar o sentimento negativo do torcedor seja chamando para que ele faça parte do processo de reconstrução do clube. Se a gente conseguir encontrar um jeito marqueteiro de fazer com que o torcedor se sinta parte da melhor do clube, eu tenho certeza que o torcedor corintiano não pensa meio segundo antes de se doar para o clube. Pela característica do corintiano, eu acho que a gente tem até certa vantagem nessa questão em relação aos nossos rivais.Máquina do Esporte: Como funciona o marketing do Corinthians hoje?
Alexandre Ferreira: Nós estamos em 11 profissionais. O diretor de marketing responsável pelo departamento é o Izael Sinem Júnior, com reporte direto ao presidente Mário Gobbi. E na equipe nós temos mais ou menos uma pessoa dedicada a cada um desses pilares que a gente conversou. Uma pessoa dedicada ao Fiel Torcedor, outra ao licenciamento, três pessoas dedicadas à captação de patrocínio para o futebol, uma aos outros esportes. Enfim, para cada atividade mais complexa temos uma pessoa dedicada para a área..
Copa do Mundo terá pouco impacto na economia brasileira, diz Moody's
Agência de classificação de risco avaliou que gastos e receitas ligados ao evento não são suficientes para modificar as contas do país
Da Redação, Máquina do Esporte
A tese de que a Copa do Mundo não irá gerar grandes benefícios à economia brasileira ganhou um reforço. A Moody's, agência de classificação de risco de crédito, divulgou um relatório na última segunda-feira (31) no qual afirma que o evento terá um efeito "muito pequeno" no Brasil, restrito a alguns setores, como comidas e bebidas, viagens, hospedagem, aluguel de carros, construção, transmissão por emissoras de TV e publicidade.
"Havia a esperança de que a Copa do Mundo pudesse amenizar a desaceleração da economia do Brasil, mas a atividade econômica recente é pouca diante da economia de US$ 2,2 trilhões do país, do nível de investimento habitual e das receitas anuais da maioria das companhias", disse Barbara Mattos, vice-presidente e analista sênior da agência, no relatório. "O evento de 32 dias vai prover aumentos de curto prazo em vendas, e os prejuízos associados ao tráfego, à aglomeração de pessoas e aos dias de trabalho perdidos terão efeito negativo sobre os negócios".
Do lado dos gastos, os R$ 26 bilhões (US$ 11 bilhões) de estádios, aeroportos e obras de mobilidade urbana correspondem a somente 0,7% do total que será investido no Brasil entre 2010 e 2014, segundo o relatório. Invepar, Andrade Gutierrez, OAS e Mendes Junior são construtoras e engenharias que já se beneficiaram substancialmente.
Quanto a cidades e estados, a Moody's estimou que os gastos relacionados à Copa do Mundo ficaram entre 0,24% e 12,75% da receita fiscal total estimada em 2014 em cada um dos casos. Não são suficientes, portanto, na avaliação dos analistas, para mudar muito o orçamento desses órgãos públicos ou afetar a credibilidade deles em longo prazo.
O real ganho, segundo a analista, é midiático. Cada jogo da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, teve a audiência de 188,4 milhões de pessoas, tendo 1 bilhão de indivíduos assistido a pelo menos uma parte do torneio, nas contas da Moody's. Quem ganha são marcas que vão aparecer durante as partidas, como Coca-Cola, Adidas, Ambev e Oi.
Mas há riscos. "Enquanto a Copa oferece benefícios em reputação, a imagem do Brasil pode se deteriorar se houver uma reprise do movimento social que foi visto em junho passado, às vésperas da Copa das Confederações".











